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És a nossa Fé!

Vitória pálida e muito sofrida

Santa Clara, 1 - Sporting, 2

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Morita: segundo jogo seguido a marcar

 

Mais vale vencer sem mérito do que dominar e mostrar superioridade entregando pontos. Foi esta a conclusão a que muitos de nós chegámos no final desta partida ontem disputada nos Açores. A equipa anfitriã, que nos impôs a primeira derrota no ano em curso, está hoje muito mais debilitada, afundando-se no antepenúltimo lugar na tabela, do que estava em Janeiro. Desde logo pela saída de Morita, entretanto ingressado em Alvalade. Mesmo assim bateu o pé e deu-nos luta. Ao ponto de ter marcado no último lance da partida. Dando a sensação de que se o jogo tivesse mais minutos seria até capaz de arrancar o empate.

É difícil explicar o que se passa com este Sporting. Vários jogadores entram em campo apáticos, sem chama, sem energia, sem vibração. Como se sofressem de cansaço crónico. Alguns arrastam-se em campo implorando banco ou bancada. Mas o treinador insiste em não lhes fazer a vontade, talvez consciente de que o plantel é curto e que os eventuais substitutos se encontram ainda em pior forma.

A verdade é que há uma diferença enorme entre a equipa que conquistou o campeonato nacional de futebol apenas há ano e meio e o actual conjunto frouxo, anémico e desgarrado que segue em quinto lugar na Liga 2022/2023 com três derrotas em nove desafios já disputados - tantas como as que sofremos ao longo de todo o campeonato anterior.

 

Durante quase meia hora, nem um remate enquadrado à baliza do Santa Clara. O nosso golo inicial surgiu aos 29', na primeira oportunidade criada. Fruto do esforço de Edwards, que rematou para defesa apertada do guardião estreante, Gabriel, com Morita a cabecear na recarga para o fundo das redes. À ponta-de-lança. Paulinho andava por ali, mas teve de ser o médio japonês a resolver o problema. Nem festejou, por consideração à anterior equipa.

No nosso tridente ofensivo apenas o inglês tentava remar contra a maré: Paulinho e Pedro Gonçalves pareciam só fazer número. O ataque leonino esboçava-se pelos flancos, com Nuno Santos muito mais enérgico do que Esgaio: o canhoto tentava centrar, quase sempre sem sucesso, enquanto o colega da ala direita nem um cruzamento arriscou durante toda a partida. O nosso jogo, naquele corredor, esteve sempre emperrado.

 

Com 0-1 ao intervalo, vimos toda a segunda parte com apreensão crescente. Sentindo que o golo açoriano poderia surgir a qualquer momento, fazendo-nos encalhar pela segunda vez em dez meses no estádio de Ponta Delgada.

Felizmente Nuno tranquilizou as hostes com um potente remate rasteiro, já aos 90', na sequência de um canto. O técnico do Santa Clara, Mário Silva, foi mais feliz nas substituições do que Rúben Amorim. E acabou recompensado pelo golo de Tagawa, que se sobrepôs à defesa leonina para bater Adán no último lance da partida.

O nosso guarda-redes, sintomaticamente, foi o melhor em campo. Recomposto do desastre na Liga dos Campeões, ocorrido quatro dias antes, demonstrou ao técnico que fez bem em optar por ele, mantendo Franco Israel no banco. Com três aparatosas defesas que impediram outros tantos golos. Assim vencemos 1-2. Se tivesse estado entre os postes o Adán de Marselha, teríamos saído de São Miguel derrotados por 4-2.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - O melhor em campo, com intervenções cruciais aos 47', 68' e 83'. Tentou cortar o ângulo de remate a Tagawa, sem o conseguir, no golo sofrido.

St. Juste - Na partida anterior saltou do banco. Agora foi titular, mas saiu aos 51'. Aos 45'+1, em raide individual, mostrou a Esgaio como deve ser um extremo direito.

Coates - Veio de lesão, devolvendo Marsà ao banco. Trouxe maturidade ao bloco defensivo, mas longe do fulgor de outros tempos. Cabeceamento falhado aos 74'.

Matheus Reis - Um dos jogadores com maior quebra de forma. Entregou a bola aos 4' e aos 15'. Ultrapassado aos 19' e aos 47'. Falha a marcação no lance do golo.

Esgaio - Ala direito, jamais criou um lance ofensivo digno desse nome. Batido em velocidade e em lances aéreos, parece implorar que Porro volte depressa da lesão.

Ugarte - Sempre combativo, distinguiu-se nas recuperações de bola (9', 13', 66', 72', 80'). Faltou-lhe ser influente na ligação entre o meio-campo e o ataque.

Morita - É um dos Leões que resistem melhor à crise psicológica que parece afectar a equipa. Oportuno e rapidíssimo no golo - segundo desafio seguido a marcar.

Nuno Santos - Entrega-se ao jogo como poucos. Quando falha o talento, nunca falha a vontade. Como se viu ao marcar o golo que nos valeu três pontos.

Edwards - Em pezinhos de lã, cria oportunidades. Foi dele o remate inicial no lance do primeiro golo. Grande lance individual aos 55': driblou vários mas atirou ao lado.

Pedro Gonçalves - Amorim autorizou-o a deambular lá na frente para protagonizar acções de ruptura, mas o criativo parece ter ficado por Lisboa. Passou ao lado do jogo.

Paulinho - Continua sem se estrear como artilheiro nesta Liga. Mais de uma hora em campo sem sequer se atrever a rematar à baliza.

Gonçalo Inácio - Substituiu St. Juste aos 51' para poupar o holandês a maior desgaste físico. Partilha com Matheus a falha de marcação no lance do golo anfitrião.

Trincão - Rendeu Paulinho aos 66': o melhor que conseguiu foi um longo passe cruzado aos 79'. Remate para a bancada aos 81'.

Rochinha - Contra o Gil Vicente, estreou-se a marcar. Desta vez, substituindo Edwards (73'), nem andou lá perto. Passe para ninguém aos 85'. Irrelevante. 

Sotiris - Substituiu Morita aos 73'. Demonstra vontade, revela energia, exibe saúde física. Mas ainda não foi desta que fez o suficiente para ser titular.

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