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És a nossa Fé!

Vergonhoso

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Se há mal que ninguém pode atribuir ao futebol é ter contribuído para propagar surtos da pandemia em curso. Interditado ao público há quase dez meses, sem um só jogo com presença sequer de um número ínfimo de espectadores autorizados pela Direcção-Geral da Saúde (com excepção de dois desafios da selecção nacional, sob a tutela da Federação Portuguesa de Futebol, e dois outros realizados no estádio do Santa Clara, em São Miguel, alegando a plena autonomia das entidades sanitárias açorianas), o chamado desporto-rei tem sido tratado como filho de um deus menor por quem já instituiu como regra tudo e o seu contrário.

Já nos mandaram tirar máscaras por incutirem uma «falsa sensação de segurança» e usá-las agora até na rua por imperativo sanitário, já mandaram fechar fronteiras e mantê-las abertas, já mandaram encerrar escolas quando havia poucos focos de infecção enquanto as mantêm abertas com os casos de Covid-19 a disparar. 

 

Toda a norma costuma trazer associada a respectiva excepção. No caso da DGS, porém, norma e excepção andam a par - uma e outra tão imprevisíveis como a roleta a girar num casino. A mesma DGS que autoriza algum público nas competições organizadas pela FPF e nega com intransigência a presença de espectadores nas provas promovidas pela Liga de Clubes, a mesma DGS que permite a declaração de independência sanitária dos Açores, como se não fosse parcela de território nacional neste "Estado unitário" que é o português à luz da Constituição da República, deu luz verde à entrada de 46 mil pessoas no Grande Prémio de Fórmula 1 organizado neste fim de semana em Portimão. Por antever ali um «risco mínimo», na esclarecida expressão da própria directora-geral da Saúde.

Os protestos públicos forçaram-na a reduzir o número de espectadores inicialmente permitido. Mesmo assim, 27.500 obtiveram autorização para comparecer nas bancadas do autódromo algarvio. Acontece que os bilhetes já estavam vendidos quando surgiu o recuo do baralhado organismo estatal, o que gerou um pandemónio junto dos acessos, com centenas de pessoas em protestos indignados. De tal forma que a delegada regional da DGS autorizou a entrada - total ou parcial - dessas pessoas. Para tudo ficar como as imagens documentam. Contribuindo para desacreditar ainda mais um organismo que não tem demonstrado estar à altura das difíceis circunstâncias que vivemos.

 

Alguém consegue entender esta disparatada dualidade de critérios que exclui em absoluto a assistencia ao vivo em jogos das competições desportivas de âmbito nacional desde que não se trate de saltos hípicosprovas motorizadas, desafios da selecção nacional ou partidas disputadas em estádios açorianos?

Eu não. E continuarei a protestar, como já fiz aqui e aqui.

Quem não gostar, tem bom remédio: empurre para a borda do prato e continue a fazer vénias aos responsáveis por tão inaceitável bagunça.

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