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És a nossa Fé!

Variações Golberg

Leio este texto do José da Xã e parece ter sido eu escrevê-lo, pois ele retrata, igualmente, a minha forma de ver os jogos do Sporting. Quando não são ao vivo, infelizmente menos do que aqueles que eu gostaria, prefiro os relatos radiofónicos à transmissão televisiva. Assim aconteceu neste último jogo, o qual, na Antena 1, só assisti à primeira parte. Depois, no intervalo do jogo liguei a tv e deu para ver a medalha de ouro do Nélson Évora e ao nascimento de uma nova estrela mundial no atletismo, Armand Duplanti. O Concurso de salto com vara deixou-me colado à tv e, confesso, fez-me esquecer o jogo que estava a decorrer. Como o meu telemóvel não tem a mesma aplicação do José da Xã, fiquei na ignorância e algo receoso. Mais tarde vi o resultado.

Confesso que por vezes quando os resultados do Sporting não são aqueles que eu gostaria que fossem, custa-me dormir, provoca-me insónias e por vezes vezes acordo…

 

«… um pouco antes da quarto da manhã.

As quatro da manhã é a pior hora do dia. Na realidade, aquele período de tempo entre as três e meia e as quatro e as quatro e meia é uma merda. A partir das quatro e meia, está tudo bem – uma pessoa consegue dar voltas na cama até às cinco e depois levanta-se com convicção de que há outras que também se levantam a essa hora. Para fazerem uma estúpida corrida antes de irem trabalhar, para se prepararem para o turno da manhã, para meditarem, para praticarem ioga ou passarem uns maravilhoso quarenta e cinco minutos sem pensarem nos filhos ou na hipoteca.

Ou simplesmente não pensarem.

Seja para o for.

Mas se uma pessoa acorda antes dessa hora é porque, indubitavelmente, tem algum problema.

Tem de o ter. (…)

 

Bach, Variações Golberg, Ária

Glenn Gould, Piano

 

Em 1741, um conde abastado lutava contra a doença e a insónia. Tal como era costume fazer-se na época, contratou um músico para viver em sua casa a tocar cravo durante a noite enquanto ele afastava os seus demónios. Tratava-se do equivalente barroco aos programas de rádio sobre temas da actualidade.

O músico chamava-se Goldberg e o conde levou-o a J. S. Bach para ter aulas. Numa dessas aulas o conde referiu que gostava que Golberg dispusesse de novas composições para interpretar na esperança de o animar um pouco às três da manhã. O Xanax ainda não tinha sido inventado.

Como tal, Bach compôs uma das eternas e poderosas peças de música para instrumentos de teclas uma vez composta, que ficou conhecida por Variações de Golberg; um ária seguida de trinta variações e um fim, um ciclo completo, com uma repetição da ária de abertura. O conceito do tema e variações assemelha-se a um livro de contos baseado num tema unificador – uma história de abertura que descreve um tema específico, estando cada história seguinte de algum modo relacionada com esse tema.

Enquanto pianista, são as mais frustrantes, difíceis, compiladas, transcendentes, traiçoeiras e intemporais composições musicais. Enquanto ouvinte, exercem em mim um efeito que apenas os melhores produtos farmacêuticos conseguem atingir. São um prodígio ao alcance de poucos executantes e contêm em si tudo aquilo que se pode almejar saber.

Em 1955, um jovem, brilhante e iconoclasta pianista canadiano Glenn Gould tornou-se um dos primeiros pianistas a interpretá-las e a gravá-las ao piano e não ao cravo. Decidiu gravá-las no seu primeiro álbum, para horror dos executivos da editora, que queriam algo mais mainstream. Tornou-se um dos álbuns de música clássica mais vendidos de todos os tempos, e ainda hoje continua a ser um ponto de referência a que todos os pianistas aspiram. Nenhum lhe chega aos calcanhares.” (*)

(*) RHODES, James, 1975 - Instrumental. 1ª ed. [S.l.] : Alfaguara, 2017. p. 19, 25-26

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