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És a nossa Fé!

2+2=4? As contas do Sporting

Eduardo Hilário chamou no dia de hoje a atenção de todos os Sportinguistas para a necessidade de não nos distrairmos do essencial: a votação das contas do último exercício e a do orçamento para a próxima época. É já no próximo dia 26, os documentos foram disponibilizados online e eu... bom, eu, decidi procurar análises às contas. Servi-me da barra disponível no És a Nossa Fé e que nos liga a difentes espaços blogosféricos, filtrei a pesquisa pelo critério 'primeira quinzena de Setembro' e cheguei aos resultados que partilho infra:

 

A Tasca do Cherba

Dois resultados: 1 e 2.

 

Castigo Máximo

1 resultado

 

Leoninamente

1 resultado

 

Leonino (editado às 15:30 - acrescenta ligações: 2 e análise ao Orçamento 2020/2021)

Resultados: 1, 2.

Análise do Orçamento para 2020/2021

 

Mister do Café

1 resultado

 

O Sangue Leonino

1 resultado

 

Pela leitura que fui fazendo à data e que fiz de ontem para hoje, diria que há uma clara tendência para a relativização do que é um exercício que apresenta um lucro de 12,5 milhoes de euros. Aspecto destacado, de resto, por José Cruz, aqui, no És a Nossa Fé.

Dito de outra forma, não nos distraiamos do essencial e analisemos para além da superfície, o já referido lucro de 12,5 milhões de euros. Diria que existem claros sinais de alarme cujo conhecimento será do interesse de todos os Sportinguistas.

Que votemos Relatórios de Contas e Orçamentos previsionais de forma esclarecida é o meu desejo e, espero, o da larga maioria dos Sportinguistas.

Nota: A moderação dos comentários poderá vir a demorar mais do que é minha prática habitual mas estejam certos de que só serão rejeitados comentários que não obedeçam a elementares regras de saudável convivência. 

Financiamento da criação do Sporting Clube de Portugal

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Imagem: página 22 da edição n.º 3773 do Jornal Sporting 

Anteontem, a carta de José Alvalade a Francisco Gavazzo, hoje, o texto de Luís Augusto Costa Dias que acompanhou a publicação da carta no Jornal Sporting e que esclarece alguns dos contornos da fundação do Clube mais imponente de Portugal. Concretamente, os do financiamento da edificação.

«Para o dia 14 de Abril de 1906 estava marcada uma reunião da maioria dos sócios do Campo Grande Foot-ball Club, incluindo os membros da sua direcção, os chamados dissidentes para a formação de um novo clube desportivo que viria a ser o Sporting Clube de Portugal. O jovem José Alvalade tinha assumido a liderança dessa dissidência, pedindo ao avô, visconde de Alvalade, que permitisse realizar esse encontro que veio efectivamente a ocorrer na sua quinta do Lumiar. Porém, pressionados pela efectivação dessa reunião, os restantes sócios do clube do Campo Grande procuraram antecipar-se e exigiram a realização de uma 'assembleia geral' para o dia anterior de modo a eleger uma nova direcção e evitar o esvaziamento do clube. Em resposta ao clima de argumentos e atitudes violentas, José Alvalade declarou demitir-se do cargo de tesoureiro e abandonar aquele clube, no que foi seguido pelo presidente da direcção, Fernando Barbosa, e por José Maria Gavazzo, em representação do seu irmão Francisco que era o secretário e estava então ausente em Paris e, com estes, pronunciou-se uma dezena de sócios. Embora não existam quaisquer fontes que o provem, para além de vagas memórias posteriores, diz a lenda que José Alvalade, ao abandonar aquela reunião, teria afirmado que ia ter com o avô para fundar um novo clube. Daí, nasceu outra lenda, a de que o visconde de Alvalade terá concedido os recursos para a criação da nova associação desportiva e financiado o recinto desportivo da Alameda, construído entre Junho de 1906 e o mesmo mês de 1907. Os documentos que sobreviveram - um conjunto de cartas trocadas com Francisco Gavazzo e reveladas por este quase 50 anos depois - provam um outro cenário.

É verdadeiro o entusiasmo do visconde de Alvalade no apoio à ideia do neto em fundar um clube que fosse "grande entre os grandes" e semelhante aos clubes estrangeiros". Para isso, dispôs-se logo a atribuir terreno no topo norte da Quinta de Alvalade, mas para a sua transformação num recinto desportivo, com campos para várias modalidades e edifício-sede, era necessário o elevadíssimo investimento de 500 mil réis. Porém, o visconde limitou-se quase só a adiantar verbas iniciais, pois os cerca de 30 sócios que fundaram o Sporting CP suportaram o orçamento ao longo de um ano, antes de mais o próprio José Alvalade. Na verdade, segundo este afirmou a Francisco Gavazzo, avançou por sua conta com um empréstimo de 200 mil réis, em Outubro de 1906, ao atingir a maioridade, referindo ainda que o clube retirava da sua própria tesouraria o dinheiro "das jółas [e] das quotas antecipadas" pagas pelos primeiros sócios, só os dez fundadores extraordinários, com poderes especiais de decisão ao tempo da fundação do Sporting Clube de Portugal, tinham subscrito uma jóia inicial no valor de 10 mil réis cada um, perfazendo, portanto, um montante próximo de 100 mil réis. Finalmente, as quotas dos cerca de 30 sócios renderam 15 mil réis por més, portanto 180 mil ao longo de um ano, entre o começo das obras e a inauguração das instalações. Com este esforço e dedicação dos próprios associados, os adiantamentos do visconde de Alvalade, ou maior parte deles foram ressarcidos e os custos com a criação do primeiro recinto polidesportivo em Portugal foram suportados por esse grupo de rapazes, cujas ideias convergem todas para o mesmo fim: a fundação e o desenvolvimento do Clube.»

"É uma conversa entre rapazes, cujas ideias convergem todas para o mesmo fim: a fundação e o desenvolvimento do Clube"

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Imagem: WikiSporting

 

Uma carta de José Alvalade a Francisco Gavazzo (1)

 

Lisboa, [finais de] Maio de 1906

 

Queridíssimo Chico,

 

Não te respondi logo à tua carta porque não estava tudo bem combinado acerca do novo Clube e eu queria dar-te já uma ideia bastante aproximada. Posso agora satisfazer a tua curiosidade e juntar a planta das instalações que, segundo meus cálculos, devem estar concluídas em Abril do próximo ano. Não é muito cedo, mas diz o ditado "Petit à petit, l’oiseau fait son nid” (2).

Como hás-de ver pela planta, a nossa ideia parece um tanto arrojada, mas com trabalho e alguns sacrifícios é perfeitamente realizável.

Para isso começaremos pelo terreno que é o que fica por trás das casas pequenas que o avô tem depois do Chafariz (3). Esse terreno, depois de perfeito nivelamento, fica uma beleza. Foi o mais difícil de arranjar (4).

Mas parecem-me estar completamente removidas as várias dificuldades que tínhamos. Como sabes perfeitamente, parte desse terreno pertence à Sra. D. Beatriz (5), a qual amontoou dificuldades para o arrendar. E como nós o que queríamos era um arrendamento por cinco anos para dar margem a nele podermos fazer o que [se] quisesse sem medo, as dificuldades foram ainda maiores. Mas o nosso Anjo Bom, que tem sido o nosso presidente e meu Avô, prestou-se a dar todas as garantias e a remover todas as dificuldades, alugando ele próprio o terreno, fazendo o arrendamento e cedendo por uma pequeníssima quantia (relativamente) os terrenos dele (6). A D. Beatriz aceitou o arrendamento por cinco anos e o contrato deve ficar feito em breve. Portanto, já temos terreno, e grande, por sinal.

Agora, falta-nos o dinheiro para pôr em prática os nossos projectos. Para isso era preciso alguns sacrifícios. De modo que cada sócio fundador paga o que quiser de jóia (nunca inferior a 2$500) e 1$000 réis de cota por mês durante o primeiro ano. Depois passará a 500 réis, como todos. Com o empréstimo de 200$000 que eu, em Outubro (7), faço ao Clube, temos o dinheiro necessário para tudo. Fica sabendo que o dinheiro necessário monta a soma de 500$000 réis, o que é imponente. A distribuição dos trabalhos é: primeiro, o campo de futebol; segundo, a sede com casa de banho, etc., etc. (todas as comodidades), depois e finalmente, o ténis que há-de ficar dos melhores de Lisboa.

Mando-te ainda a lista dos sócios fundadores. Os que levam o risco encarnado são os que ainda não estão certos. Devo prevenir-te que estes sócios fundadores são os únicos a terem direitos grandes no Clube e os únicos a tratarem da sua administração (8). Que diferença entre o nosso futuro Clube e o deles. (9) Temos como presidente uma pessoa que se interessa verdadeiramente por ele e que pode realmente ajudar-nos como é o Avô. Elegeram-me vice-presidente, mas não sou mais que um autómato. Tenho sido e quero sê-lo. O Avô é quem manda e aconselha e quem me guia (10). Eu, como ele não preside as sessões por causa de gostar de se deitar cedo, faço as vezes dele. As nossas sessões têm sido um céu aberto. Nem um único barulho. Quando não há opiniões iguais vamos pela maioria e pronto. Nada de barulho, nada de chinfrim. Não nos tratamos por V. Ex não há nada disso.

É uma conversa entre rapazes, cujas ideias convergem todas para o mesmo fim: a fundação e o desenvolvimento do Clube.

O nosso Clube ainda não tem nome, o que eu te pus na planta não sei se será o que fica (11). Já me lembrei de lhe pôr: ”Grande Sporting Clube de Portugal”, que era todo chic. Vamos ver o que se faz. Por estes dias há sessão. O Avô faz a sala. Deve estar pronta em Dezembro. Tenho estado continuamente a trabalhar nos planos, nos orçamentos, em todo o movimento do Clube. Estou animadíssimo, não calculas. Quando se alugou o terreno dei pulos de contente (12). No primeiro ano não fazemos festas. No segundo vamos ver se compramos uma taça para ser disputada entre todos os clubes no nosso campo. Uma doidice… […]

 

A respeito do Clube, mais nada até à primeira semana…

 

Muitos abraços do teu muito e muito amigo

 

José

(Vice-Presidente do clube mais imponente de Portugal)

 

1 – Publicada pela primeira vez em Record, n.º 104 (17 de Nov, 1950), p.6 e 9.

2 – Semelhante ao ditado português ”grão a grão enche a galinha o papo”

3 – O Chafariz das Mouras, situado à entrada da Quinta de Alvalade, permite localizar com precisão onde foi construído o primeiro recinto desportivo do Sporting CP.

4 – Tratava-se da parte mais extensa e menos acidentada do terreno onde ficaram dois courts de ténis, o campo de futebol e o edifício sede.

5 – Beatriz Potche, proprietária da chamada Quinta do Poche, arrendou ao visconde de Alvalade uma faixa de terreno que compensasse a cedência dos terrenos para o recinto do Sporting CP.

6 – Em troca de terrenos ocupados pelo recinto desportivo do Sporting, a norte da Quinta de Alvalade, o visconde arrendou a sul uma parcela da Quinda do Poche.

7 – José Alvalade atingiu a maioridade a 10 de Outubro de 1906, ficando então na plena posse das propriedades e rendimentos herdados por morte da mãe, Josefina Holtreman Roquette, em 1892.

8 – Em reunião no dia 8 de Maio, altura em que os associados do novo clube ultrapassaram o número de 20, foi decidido delegar num grupo de 10 sócios fundadores principais as decisões de administração a tomar nas reuniões seguintes. Esses dez fundadores eram José Alvalade, José Maria Gavazzo, Frederico Seguro Ferreira, Visconde de Alvalade, Fernando Barbosa, José Stromp, Henrique Leite, João H. Scarlett, Eduardo Quintela de Mendonça e Afonso Botelho.

9 – Refere-se a “o deles” como sendo o Campo Grande Foot-ball Club, onde permaneceu a maioria dos membros não “dissidentes”

10 – Não pode deixar-se de ler esse passo como manifestação de modéstia, pois sabemos pelas cartas então trocadas que José Alvalade desempenhava de facto funções de tesouraria e secretariado, ao mesmo tempo que as de vice-presidente para que fora eleito e as de presidente nas reuniões da comissão de principais fundadores, pelo menos no período entre 1906 e 1910, portanto até à eleição da segunda gerência do Clube.

11 – O nome que chegou a ser adoptado (ou aventado) provisoriamente era Campo Grande Sporting Club, que acabou mesmo por ser alterado a 9 de Junho de 1906, para Sporting Clube de Portugal.

12 – Refere-se à “courela de Entre-Águas” alugada a Beatriz Potsch, mais tarde comprada pelo Visconde de Alvalade ao genro da proprietária.

Fonte: Jornal Sporting, Edição n.º 3773, p.22

Que o entusiasmo de um dos mais importantes fundadores do Sporting Clube de Portugal, nos alegre o fim-de-semana.

Zoom?

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Imgem: Perfil IG Sporting Clube de Portugal

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Imagem: Perfil IG de Marcos Acuña

Sinais dos tempos. A utilização da aplicação Zoom prolongou-se muito para além do período de confinamento. Enquanto a equipa de futebol treina em Lagos, Marcos Acuña treina em Alcochete.

Na vanguarda, como sempre.

 

*Edição

Parece que o treino em Lagos incluiu o Sporting Clube Farense

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Que o resultado suplante o alcançado frente à nossa equipa B.

Última imagem: Perfil IG Sporting Clube Farense

Edição 2:

O Sporting Clube de Portugal perdeu e Ryan Gauld marcou um dos golos. A favor do Farense, diga-se.

De pedra e cal - Lino separa o trigo do joio

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«Enquanto Ronnie Allen tenta afinar a equipa e ganhar escudos, na África, Lino orienta outro grupo de futebolistas do Sporting insistindo, sobretudo na preparação física de modo a tê-los em ordem quando o inglês voltar com os «craques» e requisitar os serviços de alguns deles. Paralelamente, os serviços administrativos do Sporting vão contratando uns e colocando outros na lista de transferências (definitivamente, ou a título de empréstimo), ultimando pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Em Alvalade, ao sol de Agosto, deparámos com Lino puxando a bom puxar por dez elementos a quem a diversos exercícios físicos e a uma sessão nas bancadas verdadeiramente puxada de sobe-e-desce escada até estoirar. Lá estavam Chico (que regressou de férias anteontem e se esforça para recuperar a forma), João Machado (irmão de Nando, que jogou no União de Coimbra e que Allen quer ver, pelo menos durante mais um ano, em Alvalade), Castanheira e Augusto (igualmente ex-juniores mas que vão ser cedidos ao União de Leiria) e Rui Paulino (que assinou contrato com o Farense e breve rumará ao Sul).

Damas apenas tem aparecido para tratar da lesão (está ainda de férias) e Fraguito aparece esporadicamente nos treinos devido ao serviço militar. Espírito Santo, do União de Leiria e recém contratado, goza as suas férias. Dinis, como se sabe, já está em África. Resta resolver o caso Peres, que entretanto goza férias no Algarve e de Alhinho, com a Académica a ver quanto receberá do negócio.» 3/8/72

Quarenta e oito anos e doze dias depois, os serviços administrativos do Sporting também se encontram numa azáfama e a ultimar pormenores para a fixação de um bom quadro de vinte e poucos profissionais.

Esperemos que, na época que se inicia em breve, consigamos o mesmo desempenho na Taça de Portugal e muito melhor desempenho no Campeonato Nacional (1ª Liga). A ver, também, se em Abril próximo não precisamos de mudar de treinador (https://www.wikisporting.com/index.php?title=1972/73). Já agora, que na Liga Europa da UEFA alcancemos muito bons resultados.

Fonte: acervo pessoal do antigo jogador Carlos Espírito Santo, com o meu sentido agradecimento ao seu filho, Ricardo Espírito Santo.

Os anjos que não quero que caiam

Enquanto alguns de nós digerem a capa e entrevista de Adrien ao jornal A Bola, chamo a atenção para este pormenor de Bernardo Busatori, jogador Sporting Clube de Portugal via AFS - Algarve. 

Com a saída de João Nunes da AFS - Algarve, a Direcção da Academia Sporting Clube de Portugal não deu o flanco. Escancarou-o.

Se este e outros pequenos craques (em potência) que foram ferozmente disputados saírem para os rivais a responsabilidade não é nem dos jovens atletas, nem dos pais. É de quem não quis corrigir um enormíssimo erro cometido. 

Venha até à região, Senhor Presidente. Fale com os pais. Diga-lhes que ficou zangado (tem parcialmente razão). Tem contactos no C.F.T. - SLB? Óptimo. Use-os. Inteire-se do que está a ser dito sobre o Sporting Clube de Portugal. E, pior, temos de reconhecer todos que têm razão. 

O escolhido pelo Director da Academia para gerir as 5 AFS? Saiu para o Scouting do Vitória de Guimarães. Nada mau, para um profissional que esteve a coordenar toda a nossa formação de, passo a redundância, toda a região norte. Já agora, antes ainda de nos ter deixado, há registo de meninos das AFS Porto, Braga, Aveiro ou Coimbra saídos para o Vitória de Guimarães? Se sim, quantos? Soubemos a tempo de tentar retê-los?

Vai corrigir a enormidade cometida na AFS - Algarve, já, mitigando parte do impacto negativo desta sua, por arrasto, decisão, ou vai ser preciso a reputação do Sporting Clube de Portugal ressentir-se ainda mais, os atletas debandarem e perdermos domínio, outra vez, para o Benfica? 

Tem noção de que quem vem substituir João Nunes recebe uma herança pesadíssima? Acha que vai ser fácil manter o nível alcançado por João Nunes? Acha que os meninos vão sentir por alguém que nunca viram na vida o que sentem por João Nunes? Acha que é coisa para pegar de estaca? Sabe o que é que proporciona condições de melhor desenvolvimento nestas faixas etárias?

E já agora, Senhor Presidente, nesta mudança, o Sporting manteve o caderno de encargos ou aumentou-o? Se, porventura, tiver aumentado, e se quem vem não mantiver o nível, como é que vai explicar o aumento de custos para fazer pior e quando foi dissolver uma estrutura que estava comprovadamente a dar óptimos resultados? 

Senhor Director da Academia Sporting, emende a mão. Gosta do Sporting? Tem estima pelo Presidente que o escolheu? Atalhe caminho e seja você a dizer ao Presidente que é para emendar.

Se por um momento pensa que a saída de Luís Morais estancou o coro de contestação ou que as pessoas ficaram satisfeitas, pode muito bem estar enganado. Silêncio, pode muito bem significar latência. Dormência. Entorpecimento. Desânimo. Tudo o que não se quer que quem tem segurado o barco, sinta.

O ás de trunfo do Sporting têm sido as pessoas. São sempre as pessoas. O Às da AS (Academia Sporting) são as pessoas: a matéria prima e quem deu provas de saber trabalhá-la

Emende a mão, Senhor Presidente. Ontem, era tarde.

A entrevista e capa d'A Bola podem chocar. Quero menos contexto para que capas destas surjam e a primeira responsabilidade que peço e pedirei sempre é ao Sporting Clube de Portugal.

Não quero perder nenhum destes craques em potência. Não seria perdê-los por mérito da concorrência, mas por completíssimo demérito nosso.

João Nunes, que recebeu uma proposta do SLB no início do ano, falou com a nossa estrutura, pediu uma melhoria que foi satisfeita (e mesmo assim ficou a ganhar menos do que se tivesse ido para o SLB) saiu para o Lusitano de Vila Real de Santo António, para não nos fazer concorrência. Isto, depois de ser escorraçado. O escolhido está no Vitória de Guimarães. Qualquer dia, já não estamos a morder os calcanhares só ao Braga.

Senhor Director da Academia Sporting, a responsabilidade maior pelo erro cometido será sempre sua. Se o erro não for emendado, a responsabilidade será toda sua, Senhor Presidente do Sporting Clube de Portugal.

As imagens, são da Sporting TV.

O último Jornal Sporting e a Renumeração

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Nas páginas 16/17 da última edição do Jornal Sporting (edição de acesso livre) encontramos uma peça sobre Renumeração, que apresenta as seguintes perguntas:

É obrigatório fazer a Renumeração?

Como foi feita a Renumeração?

Porquê excluir sócios com limite máximo de dois anos de quotas em atraso?

Na última Renumeração também se teve em conta o mesmo período de tempo?

O que fez esta Direcção para que fosse possível aos Associados regressarem?

Quantos Sócios regressaram com a campanha “Eu Sou – Renumeração 2020”

Quantos sócios tem o Sporting CP actualmente?

Os Sócios agora eliminados continuarão a poder regressar no futuro?

 

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Outros temas:

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Entrevista a Rogério Alves sobre i-voting
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Novo curso ‘Técnico de apoio à gestão desportiva’

Calorosas saudações leoninas ao Sportinguista que remeteu para o Jornal Sporting as perguntas aqui divulgadas.

Edição *Inclusão de 'Entrevista a'

De pedra e cal - 2ª parte Formação de Elite, por João Nunes

A primeira parte desta conversa com João Nunes, encontra-se aqui.

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Na época 2013/2014, integra a Escola Luís Figo Winning League, Pequim, China. Como é que se chega à escola de Luís Figo? É verdade que Luís Figo escolhe cada treinador pessoalmente? Recruta preferencialmente nos nossos (Sporting) quadros?

Foram o Senhor Aurélio Pereira e o Senhor António Fonte Santa, duas ilustres figuras do mundo de futebol, uma da parte do Sporting e outra da parte do Benfica, que me referenciaram ao Professor Joaquim Rolão Preto.

Numa fase inicial, o Luís Figo tinha uma palavra dizer na contratação do candidato. Privávamos algumas vezes com ele, ia lá ter connosco. Depois as coisas começaram a crescer e ele deixou de conseguir entrevistar toda a gente ou estar com toda a gente. Até porque a Winning League chegou a ser a maior Academia de Futebol do Mundo, estava representada por toda a China. Também é verdade que havia uma ligação óbvia ao Sporting Clube de Portugal, até porque o Professor Joaquim Rolão Preto foi campeão pelo Sporting, conhecia muita gente no Sporting. O Luís Figo, é o que se sabe. Mas foram treinadores de muitos sítios, não foram só do Sporting. Estamos a falar de um universo de mais de 90 treinadores. Mas no início, sim, fomos escolhidos a dedo, digamos assim. Para além de mim, numa fase inicial, foram para a China o Gonçalo Monteiro que hoje fala para a SportTV, o Vítor Valente, que foi guarda-redes no F.C.Porto, o Nuno Marques, treinador no Casa Pia, o André Venâncio, que foi treinador d' Os Belenenses e que também esteve ligado às escolas da Academia Sporting e o Ricardo. Fomos para a China, recrutados pelo Joaquim Rolão Preto.

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Que diferenças encontrou entre o que se faz em Portugal e o que se faz na China?

Antes de mais, dizer que guardo o Professor Joaquim Rolão Preto no coração, é uma pessoa extraordinária, tenho-lhe uma enorme amizade (desenvolvida na China). Era o Director e Coordenador técnico da Winning League e, claro, foi escolhido pelo Luís Figo.

Agora, já há alguma cultura de treinadores portugueses na China, mas na altura, não havia.

Quanto às diferenças: as da própria cultura do país e mesmo da cultura desportiva. Aqui [em Portugal] podes ir pela descoberta guiada, lá é difícil ires pela descoberta guiada. Se eles não sabem o que é futebol, como é que eles vão descobrir alguma coisa? Vão guiar-se pelo quê? Não conhecem… Começas a trabalhar tudo de base, inclusive os limites e as regras do jogo porque nem isso sabem. Atenção que estou a reportar-me à altura em que lá cheguei, não ao momento actual. Com a chegada dos ocidentais, as coisas desenvolveram-se a um ritmo alucinante no futebol (porque as coisas na China, desenvolvem-se a um ritmo alucinante) pelo empenho e dedicação dos chineses. A verdade é que são muito pouco maleáveis, são muito rígidos no seu pensamento, pela sua forma de estar, pelo próprio sistema de ensino que privilegia memorização e não tanto a compreensão. Mas o facto de serem muito dedicados, dava-nos algumas vantagens. Ainda assim, só faziam aquilo que nós queríamos. Ora, o jogo, é uma coisa dinâmica e que implica iniciativa individual, autoconfiança e não podemos andar só à espera das ordens do treinador. Para eles isto era um problema. Parte táctica, em que não há surpresas, sem problema. Mas o jogo de futebol não é isto. É uma resolução contínua de problemas, com equilíbrios e desequilíbrios constantes num determinado espaço e tempo com uma estratégia comum que objectiva a vitória. É preciso resolver os problemas que surgem.

 

Em que é que a experiência na China (para além da Escola Luís Figo, foi coordenador da Z-Team em Guangzhou e da GDFC também em Guangzhou) mudou a sua forma de olhar para o futebol de formação?

Em Portugal, conseguia intervir junto de um atleta através do estímulo verbal. Lá, isso não acontecia. Tive de descobrir muitos exercícios que levassem a determinados comportamentos, fez-me pensar muito mais nos exercícios por não ter a ferramenta verbal à minha disposição. Como sou estudioso, pensei muito sobre o assunto. Tinha um problema que era a língua/comunicação, então foquei-me na solução ‘tipo de exercício’ a realizar. Foco-me sempre nas soluções. Servi de modelo muitas vezes, fazia eu os exercícios para que eles percebessem o que queria, participei muito no treino em termos de acções, tocava muito nos atletas e explicava ao pormenor o que fazer.

Debrucei-me muito sobre a própria cultura chinesa, estudei-a e tenho consciência de que mudei a minha forma de estar. Cheguei a Portugal uma pessoa muito mais calma, muito mais serena, a ver o mundo com outros olhos, a não acreditar só naquilo que me dizem, a sentir na pele que existem outras formas de treinar igualmente correctas. Convivi com ocidentais de muitas nacionalidades: ucranianos, eslovacos, russos, venezuelanos, brasileiros, colombianos, mexicanos - todos eles treinadores -, muitos ingleses, muitos espanhóis.

Vim da China muito mais rico e muito mais treinador. Tinha uma idade diferente. China para mim, significa muito estudo, muita experimentação. Muitos desafios, mas posso dizer que tive sucesso na China. Deu-me oportunidade para pensar em futebol 24 horas por dia, durante 5 anos.

Vim um treinador muito melhor, mas já fui para lá com uma grande bagagem.

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Depois de na época 2016/2017 ter sido coordenador da GDFC, regressa a Portugal e passa a profissional de recrutamento Sporting Clube de Portugal, para, na época 2018/2019, assumir funções de Director de Recrutamento e Director Técnico da Academia Sporting Clube de Portugal - Algarve, cargos que ocupou até 30/06/2020. Como é que surge este convite?

Ainda eu estava na GDFC, quando recebi o convite. Surgiu porque reconheciam-me competências, esclareceram que seria um projecto de continuidade e que supunha integrar os quadros do Sporting - algo que não veio a acontecer, como nós sabemos. Disseram-me que tinham a certeza de que faria um bom trabalho nas AFS e que poderia aspirar a integrar os quadros do Sporting Clube de Portugal no âmbito das AFS. Esclareceram logo que se tratava de um trabalho de recrutamento, de trabalho com meninos muito talentosos. Ao saber que ficaria a trabalhar com o Paulo Moreira, então, foi uma alegria, fiquei mesmo muito contente, foi um estímulo adicional. Saber que voltaria a estar perto do Paulo, fez-me sair da China para o Sporting Clube de Portugal, este grande clube e no âmbito deste grande projecto. Foi por ser o Sporting Clube de Portugal mas também, e muito, as pessoas com quem ia trabalhar. Só tenho de agradecer ao Sporting Clube de Portugal pela oportunidade.

 

Sobre a sua saída da AFS – Algarve, o que pode dizer-nos?

Que me sinto injustiçado. Em termos de números, a AFS – Algarve é a que apresentou melhores resultados. O meu contrato não foi renovado sob o argumento de que acreditam que são capazes de fazer melhor. Se são capazes de fazer melhor, por que motivo é que nenhuma das outras AFS apresentou melhores números? E o coordenador das outras quatro, quem é? Têm o coordenador que tem quatro e optam por não renovar com o coordenador que tem uma, e apresenta melhores resultados do que as outras quatro AFS juntas. As outras AFS estão inseridas em grandes centros populacionais e com um número enorme de praticantes de futebol. Não falta por onde escolher.

Acho que foi uma decisão incoerente, não encontro lógica na justificação. Achamos que conseguimos fazer melhor (foi o que me disseram), mas optamos pelo coordenador que fez pior (o que teve 4 AFS a seu cargo e nenhuma se aproximou dos meus resultados). Foi o que aconteceu e levou à não renovação do meu contracto de trabalho.

Trabalhei sempre com o meu mérito, não me socorri nem de estratégias nem de estratagemas para subir. Sim, choquei com algures clubes, porque queria os melhores jogadores para o Sporting Clube de Portugal. No início de um projecto, tu tens de ter jogadores e eu quis ter os melhores e para isso tive que chocar. Mas ao fim de três anos, já tens jogadores que não subiram para Alcochete e já tens jogadores para dar a esses clubes e esses clubes agradecem-te porque recebem jogadores formados por profissionais de excelência. E esses miúdos são mesmo muito bons, só não atigiram ainda o nível exígivel para enviar para Alcochete. Muitos deles, vão aparecer mais tarde.

Posso dizer-te que senti-me injustiçado pela Direcção da Academia. É verdade que houve muitos movimentos pró João Nunes, sócios, encarregados de educação, núcleos. Eu, fui claro: não devem nada ao João Nunes. O João Nunes fez o seu trabalho. Os números falam por si. Isto, é futebol. A Direcção fez uma escolha. Errada, a meu ver. Pode-se dizer que é uma questão de estratégia, mas que estratégia é esta? O que está bem, muda-se? E fica-se com o que está mal? Acho que não faz sentido. Acho que não foram humildes, que não pensaram fora da caixa.

Há quem tenha competências, que pensa fora da caixa e obtenha bons resultados. É este pensar fora da caixa que pode ser a reviravolta no marcador. É com pessoas que pensam fora da caixa que o Sporting Clube de Portugal pode recuperar a hegemonia do passado. Ou fazemos diferente, temos vontade e ambição, ou então vamos continuar na mesma. São pessoas como o Senhor Aurélio, talentosas e que pensam fora da caixa, que fazem o Sporting aquilo que ele é em essência.

Se continuarmos na mesma linha, na linha dos outros, os outros acabam por ganhar porque têm mais dinheiro do que nós.

Este caminho, com a excepção do período dos Aurélios, não tem sido dos mais interessantes. Fomos tendo algum sucesso, mas não à altura da grandeza dos pergaminhos deste Clube. E se o tivemos, devemo-lo ao Departamento de Recrutamento, ao Senhor Aurélio Pereira.

Agora temos mais umas ferramentas que são as AFS, contra tudo e contra todos. Foi muito difícil lançar as AFS, contra alguns lobbies instituídos dentro do Sporting Clube de Portugal mas não gostava de falar sobre isso. Elimina-se o coordenador cuja AFS melhores resultados apresenta, para quê? Para voltar ao quê? A uma estratégia que é pessoal ou é do Clube? Isso é o que as pessoas têm de definir.

Quando chegámos ao Algarve, o C.F.T. só tinha duas equipas no patamar mais baixo: uma de Benjamins e uma de Infantis.

O FCP tinha as equipas que pagavam para ter formação (dentro da lógica EAS) e tinham aquilo a que eles chamam ‘Porto Elite’ (o correspondente às nossas AFS) e neste último, tinham Traquinas e Benjamins.

Ora, estratégia minha ao iniciar? Resolvemos ter – logo no primeiro ano – 1 de Traquinas, 1 de Benjamins e 1 de Infantis. O objectivo foi assumidamente anteciparmo-nos um escalão ao Benfica (que tinha Benjamins e Infantis). Entretanto, a meio da época, antecipámos logo os meninos de 2012 [Petizes, à data; ter em consideração o ano de inauguração, 2018]. No entanto, os Petizes (2011/2012), não tinham competições oficiais, tiveram apenas alguns torneios não oficiais.

A verdade é que ao anteciparmos a captação de alguns petizes, no ano que passou, o C.F.T. tratou de imitar-nos, porque percebeu como nos tínhamos antecipado e assim ganhado o mercado.

Assim, ficámos com duas equipas de Traquinas, 2012 e 2011, uma equipas nos Benjamins, a de 2009 e a de 2010 e uma equipa de Infantis (2008 e 2009). A meio da época, comecei logo nas captações dos meninos de 2013.

Todos os nossos meninos competem sempre com meninos mais velhos: um ou dois anos mais velhos.

Apesar de nos terem copiado a estratégia, nós conseguimos ser (ainda) mais competentes e criámos estratégias para dificultar-lhes novamente a vida... tínhamos um plano que foi totalmente por água abaixo... [não foi implementado]

Por experiência própria, sei que se não nos anteciparmos e andarmos a discutir um atleta ao mesmo tempo que o SLB, ganham-nos pela estabilidade e por terem sido campeões há pouco tempo. Os miúdos viram e, para além disso, têm muito mais dinheiro do que nós.

Então eu crio estratégias novas para antecipar cenários e ter os atletas antes - e ter a oportunidade de os fidelizar ao SCP – e deixam-me cair o projecto!? Falo de um projecto completamente pensado para os Encarregados de Educação, que visava aumentar o grau de satisfação dos pais perante situações como a ‘despromoção’ (que não é) dos meninos a outros escalões para trabalhar aspectos muito específicos e outras estratégias mais que não gostaria de revelar.

O que é importante é que eu com exactamente o mesmo orçamento das outras AFS, pus mais atletas na Academia e tinha o dobro das equipas. E tinha-as para ter mais opções de escolha. E nunca ultrapassei o orçamento, aspecto de que as outras AFS não se podem gabar. Os meus números, são melhores do que os números das outras 4 AFS juntas.

Já disse que não sou um falso humilde… o meu trabalho foi exemplar e um estudo de caso em matéria de gestão e de treino de talentos.

E mesmo assim não chegou para convencer o desconhecedor (Alto Rendimento) Paulo Gomes (Director da Academia). Devo salientar que acho que a Direcção do Clube (/SAD) tem boas intenções, mas não sabem desta área em pormenor – nem têm de saber – e não estão rodeados de todas as pessoas certas.

Fiquei triste, sinto que foi uma saída injusta e sem que as pessoas percebessem porquê. Na hora da despedida, resta-me o consolo de saber que as pessoas do universo Sporting Clube de Portugal, sabem que o João Nunes foi um profissional de excelência.

 

Quem são as suas referências no treino de formação e no treino de séniores?

No treino de formação, para ser sincero, tinha uma ideia muito própria sobre o que era o treino de formação, tal como já expliquei, vinha de ser um autodidacta, de ter lido muito, de ter pesquisado, de ter feito a minha própria metodologia, mas eram ideias avulsas, chamemos-lhe assim, até ter ido estagiar no Sport Lisboa e Benfica. Foi aqui que encontrei uma pessoa de quem fiquei fã no primeiro treino e que revelou ser todas as minhas ideias, mas organizadas e com método. Com forma, brilho e espectáculo. Falo do Professor António Fonte Santa. Se há alguém de quem posso dizer que o meu treino tem muito, é do Professor António Fonte Santa (apesar de ele ser dos meus tempos na Geração Benfica) mas é uma pessoa inovadora e eu gosto de pessoas assim. A linha era aquela em que eu acreditava e aquela que eu consegui perceber que se encaixava quase como um puzzle que eu idealizava. A partir daqui, fui afinando a minha própria metodologia mas com assumidas influências de Silveira Ramos até mesmo o Professor Jorge Castelo (foi meu coordenador 6 anos). Bebi de muita gente. Mas o Professor António Fonte Santa, foi aquele que mais me motivou.

Silveira Ramos, depois de ler o livro Da rua à competição e por falar com ele algumas vezes, também.

Nos séniores, acho que ninguém fica indiferente a José Mourinho que marca uma mudança. Tem um mérito enorme. Mudou todo um universo futebolístico.

Mas Marcelo Bielsa, pela sua irreverência e vontade. Muito à imagem de uma causa, e eu gosto deste tipo de treinadores que são corajosos, de causas, que são muito emocionais, que envolvem muito as massas. É um revolucionário, um louco.

Jurgen Klopp, também. Pela forma agregadora e pela forma muito apaixonada de ver o jogo.

Atraem-me mais as pessoas que são inovadoras.

O Jorge Jesus tem um mérito enorme. Uma pessoa que não tem formação académica a ajudá-lo mas que consegue fazer o que ele fez. Pelo seu querer, pela sua vontade, por ser um autodidacta, por ser uma pessoa capaz de se superar.

Eu preciso de perceber, gosto de estudar ao pormenor os clubes, as estratégias, as dinâmicas. Aprender com os outros, claro, mas o que mais me estimula é fazer por mim, ser autodidacta.

 

Recusou treinar equipas séniores por que motivo?

Optei por formação porque gosto muito de crianças. Adoro ensinar. Adoro ensinar futebol. Estou certo de que um professor de futebol, num ano, tem mais influência no desenvolvimento de uma criança do que um professor da escola tem em seis. Depois, por perceber que a maior parte dos treinadores pensava mais em séniores, mas a qualidade do futebol sénior, depende da qualidade do que se faz… na formação. Os convites para treinar séniores continuam a surgir, mas eu preferi ficar na formação também para ter uma especialização.

Estive 6 anos n’ Os Belenenses, passou por lá Jorge Jesus, tive essa sorte; privei com o Rui Jorge nos Juniores, o Romeu nos juvenis, o Filgueira, o Bruno Pinheiro que também era professor. O Paulo Moreira também lá estava. Tive a sorte de perceber este caminho até ao futebol profissional, até aos séniores.

Ganho um campeonato no momento em que um jogador meu pisa pela primeira vez um relvado como profissional. Vamos falar de um jogador nosso, não vamos falar dos dos outros… quando o Bruno Paz se estreou pela equipa principal, foi um orgulho enorme. Aí sim, ganhei um campeonato porque tive uma influência muito grande na formação do Bruno Paz. Esteve comigo n’ Os Belenenses e fui eu que o encaminhei, digamos assim, para o Sporting. Quase que o desviei que ele já estava noutro lado… [outro lado da 2ª Circular; as inscrições pelos dois Clubes entraram ao mesmo tempo e ficou 3 meses sem jogar]

 

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Afonso Santos, geração 2007

Que conselhos daria a alguém que quer vingar como treinador de formação?

O conselho que dou a um treinador de formação: sensibilidade para crianças, conhecimento das etapas de crescimento, perceber as sociedades e suas evoluções, perceber as diferenças culturais e ser muito trabalhador.

Ser treinador de formação tem mais de transpiração do que de inspiração.

Não utilizar os jogadores como degraus à ascensão como treinador e acima de tudo perceber que é uma passagem na carreira do jogador e que temos de saber sair na hora certa para eles poderem continuar a evoluir e voarem sozinhos.

Ser conhecedor profundo do futebol e do meio futebolístico.

 

Ao cabo destes anos de experiência acumulada, o que é que mudaria no futebol de formação em Portugal?

Claramente, a forma como se olha para o futebol de formação. O futebol de formação tem de ser visto como uma mais valia. A qualidade do futebol infanto-juvenil influencia directamente a qualidade do futebol sénior. Posto isto, e posto que há um grande abandono da prática desportiva do futebol, temos de perceber que o futebol não se faz só em Lisboa, não se faz só nos grandes centros e nas grandes cidades, como Portimão, como Faro, como o Porto, como Aveiro. Faz-se também no interior.

Mudava já os cursos de futebol. Porque repara, numa aldeia, onde existam crianças, pode haver um talento. É a pessoa que sai do seu trabalho, que não vai ganhar nada, que vai envolver as crianças e vai pô-las a praticar desporto. Pode estar ali um Cristiano Ronaldo, como estava na Madeira. É essa pessoa, que não ganha nada a treinar os meninos, que não vai pagar 700€ para ter o curso de primeiro nível. A meu ver, a Federação Portuguesa de Futebol, fazia um bem enorme ao futebol de formação se os cursos de formação não fossem pagos e fossem dados nas autarquias, nas juntas de freguesia, porque no futebol de primeiro nível, é preciso conhecimento. Então, esse conhecimento deveria ser “dado” e não pago. Estamos a falar de um curso que custa 700€ e demora 2 anos a tirar. É algo que não me cabe na cabeça. Ninguém com o primeiro nível vai treinar equipas séniores, portanto se vão treinar meninos, jovens, como é que vão pagar 700€? Eles não ganham nada… Como estamos, vai haver um abandono. Não vai haver treinadores, haverá seguramente menos praticantes. Se há menos praticantes… o futebol fica mais pobre. Eliminava o pagamento. Devia haver um curso para principiantes e para pessoas que quisessem treinar, que fosse financiado pela Federação e pelo Estado.

Quanto aos jogadores de elite: mudava a forma de treinar. Nós vamos muito aos princípios de jogo quando devíamos estimular e potenciar comportamentos e atitudes que numa altura mais avançada – dos 14 anos para cima – eles sim, permitem potenciar os princípios de jogo.

Também mudaria o modelo competitivo. Se uma criança jogar um jogo do campeonato, não chega. Poderia fazer-se o campeonato na mesma, mas com 2 ou 3 jornadas num dia. Não acredito que um menino tocando na bola 5 minutos, evolua qualquer coisa. São convocados 12 meninos, portanto se fizermos as contas, um menino que joga meia parte, joga 25 minutos, logo está 10 minutos dentro do centro de jogo, portanto, toca na bola durante 5 minutos. Tem a bola nos pés e toda a gente está a dizer para ele passar. Um menino não evolui nada num jogo, tem de fazer muitos mais jogos para evoluir alguma coisa. Portanto, muitos mais jogos, muito mais competições e convívios, isso sim.

WhatsApp Image 2020-08-02 at 17.52.22 (1).jpegPara os mais distraídos, sim, é o nosso (AFS- Algarve) João Afonso, nascido em 2010 e um outro jovem talento que encanta por Manchester (e não só)

A qualidade da formação Sporting, está em declínio?

A formação do Sporting não está em declínio.

O que te posso dizer é: o que provoca algum abrandamento na evolução é a constante mudança dos directores e com eles as mudanças de algumas das ideias. Não acontece propositadamente da nossa parte, mas sim por meio de um processo normal de adaptação. A (nova) directoria, tem de adaptar-se a uma estrutura complexa que é a da formação de atletas.

O pior está no facto de que quem chega, a cargos superiores, pensa em mudar mas não sabe mudar. Ou melhor, não sabe o suficiente para saber mudar bem. O Sporting Clube de Portugal, tem gente muito, muito competente nos seus quadros. Pessoas que sabem muito sobre formação, sabem muito sobre detecção e recrutamento de talento.

Para se saber sobre formação temos de estar, pelo menos, três anos ligados a esta máquina. Para evoluir, para corrigir o que está menos bem, é preciso experiência, porque quem vem de novo vai facilmente cair nos erros que nós já sabemos que o são, dificilmente consegue ‘'pegar de estaca’' nas sinergias que já estão estabelecidas.

Quem não trabalha no Sporting Clube de Portugal, não tem ideia da dimensão e complexidade que é a estrutura de formação de um clube com a dimensão do Sporting. O Departamento de Recrutamento, é uma estrutura com muitos anos, com falhas – é verdade – mas também com virtudes. Mas é um departamento em que podemos dizer que a máquina está oleada, porque tem os profissionais escolhidos pelo Mestre Aurélio Pereira. O que quero dizer é que tem de haver uma evolução constante. Se estivermos sempre a mudar peças, o resultado do processo não é sempre o mesmo. É precisar haver continuidade, para que se estabeleçam processos estáveis. Quem já lá está [no Sporting], é excelente naquilo que faz e está em constante evolução.

Os atletas que chegaram agora à equipa principal, não chegaram agora à formação. Eles já estavam na Academia quando eu lá estava. Saiu uma notícia sobre os colchões e que a formação estava ao abandono mas a verdade é que algo se fazia bem. Podia-se era melhorar. Mas muita coisa, foi bem feita. E foi bem feita, em sacrifício, em superação, e sem os recursos que outros clubes têm à sua disposição, digo-te eu com conhecimento de causa. Estes colaboradores Sporting Clube de Portugal, fazem milagres. O investimento, até existe… mas se ele não é canalizado para o sítio certo, aí sim, temos problemas. O que é que sucede? Está a pedir-se a um colaborador que faça um sacríficio – que ele faz – mas não nos superamos para sermos campeões mas para estar sempre ali na mediania. E isto, não chega para profissionais desta craveira, que dão tanto, nem serve para o Sporting Clube de Portugal. Nós não temos de estar a lutar para estar a disputar com os nossos adversários. Nós temos de ter – em todas as dimensões – condições para os superarmos. Isto, é que é a ‘Glória’.

Os verdadeiros profissionais do Sporting Clube de Portugal, não são os das Direcções. São as pessoas que estão ao serviço do Sporting Clube de Portugal, todos os dias. Mas estão verdadeiramente ao serviço do Sporting Clube de Portugal.

Quase todos os candidatos à presidência do Sporting usam a bandeira da formação, mas passados uns meses parece que a formação passa para segundo plano, quando deveria ser uma aposta constante de todas as Direcções e de todos os Sportinguistas. É como se fossem os nossos filhos.

A formação no Sporting Clube de Portugal não está em declínio. Ela não está é alinhada “com o resto”. “O resto”, está sempre a mudar. E as mudanças [formação], desculpa lá a insistência, têm de ser impostas por quem sabe.

 

O melhor de trabalhar para o Sporting Clube de Portugal, foi?

O melhor, foi descobrir que existiam profissionais no Sporting que me proporcionaram a oportunidade para expor o meu trabalho, as minhas características, sem ser condicionado. E eles conseguiram conduzir-me para aquilo que é o sucesso de um todo, que é o Sporting Clube de Portugal. Muito feliz por ter conseguido conquistar as pessoas com base no meu trabalho e por saber que não há uma pessoa que não me reconheça competências. Fui muito feliz e aprendi com todos, da senhora da cozinha aos seguranças.

O departamento de Recrutamento ensinou-me muito. Fez-me crescer muito, na forma de ver o jogador do individual para o colectivo. Saio riquíssimo do Sporting Clube de Portugal.

Este clube merece todo o meu respeito e admiração, vou ser grato para sempre, as pessoas que estiveram comigo, deram-me muito. As Direcções passam, mas há pessoas que se mantêm e que são preciosas. É o que levo de melhor.

 

Disse-nos ‘até sempre’ ou ‘até já’?

Bom, eu sou um profissional do futebol, estou sujeito a convites, é disto que faço vida. Espero que seja um ‘até já’, mesmo que esteja noutro clube, espero que se equacione sempre o meu regresso ao Sporting Clube de Portugal. Claro que depende das condições, como é normal, sou um profissional. Mas o que eu gostaria de dizer é que enquanto estive no Sporting, estive para servir e ao serviço do Sporting Clube de Portugal. Continuarei a fazê-lo, até estar ao serviço de outro clube. Quando estiver noutro clube como profissional (Lusitano de Vila Real de Santo António)**, deverei toda a minha fidelidade a esse clube. Estou ao serviço do futebol e, por isso, de quem me contrata. Claro que tenho um carinho especial pelo Sporting Clube de Portugal o que leva a que, da minha parte, as negociações para ir para o Sporting gozem de um estatuto privilegiado. Não esqueço tudo o que as pessoas que servem o Sporting me deram e contribuíram para a minha formação. Para mim é sempre, e espero que da parte do Sporting Clube de Portugal, também, um 'até já'.

 

Há alguma coisa que gostaria que lhe tivesse perguntado e não perguntei?

Sim. Recrutamento. Gostaria que me tivesses perguntado sobre a importância do Departamento de Recrutamento.

Força, conte-me tudo!

É fundamental por ser o momento da escolha da matéria-prima para ser trabalhada. É descobrir o diamante para depois lapidá-lo. Mesmo com um diamante, se usares um martelo e não as pinças e martelinhos pequeninos, não consegues tirar o melhor do diamante, o máximo que consegues é pó de diamante. O Departamento de Recrutamento detecta o diamante, ele só pode ser trabalhado se for detectado.

É fundamental saber definir o que é um 'talento' e um 'projecto de jogador'. É isto que o Departamento faz. Agora fala-se muito em tamanho, mas tamanho é um factor diferenciador. Mas o facto de, por exemplo, ser muito alto, não quer dizer que aquele menino venha a ser jogador de futebol. É um factor diferenciador, como o é a velocidade. Todos nós queremos jogadores que sejam muito rápidos, assim como queremos um jogador muito técnico, muito criativo, um jogador imprevisível.

Não nos podemos esquecer de que estamos a escolher jogadores para o Sporting Clube de Portugal, estamos a escolher jogadores para a Liga dos Campeões. O objectivo do Sporting é sempre esse, logo, é sempre para essa fasquia que temos de trabalhar. É para aí que nós no Departamento de Recrutamento trabalhamos, é para aí que projectamos o nosso trabalho. Quando trabalhamos para outros emblemas que não o Sporting Clube de Portugal, então aí, sim, já olhamos para o ‘rendimento’, a presença destas características altamente diferenciadoras não é um factor tão importante como é para nós.

Depois dessa detecção, vem a Avaliação. É realizada por elementos do Sporting Clube de Portugal que conhecem os meninos de Norte a Sul. Gostaria de dizer que são profissionais que viajam muito, que vêem muitos jogos e que têm um conhecimento geral dos meninos que estão nos nossos quadros.

Estes meninos passam depois por vários níveis e vários níveis de observação integrada. Ou vão a um treino integrado já com equipas de competição ou vão fazer um jogo particular em competição ou são inseridos num contexto de captação, em que juntámos os meninos que nós vimos e analisámos ao longo de um período de tempo e são os melhores e depois, entre eles, fazemos um filtro dos melhores.

Depois então, vem o processo de ‘Convencimento da Família’, para que queiram ficar no Sporting Clube de Portugal. Pode soar estranho, mas não se esqueçam que nós estamos a disputar meninos com o Benfica, o Porto e até o Braga. Os outros clubes também têm profissionais, também têm gente que sabe muito disto. Não nego, é uma fase do processo que dá muito trabalho e ainda dá mais trabalho quando… não somos campeões há "20 anos". Muitas estratégias… Detectar dá trabalho, avaliar dá trabalho, convencer dá muuuito trabalho. Mesmo muito trabalho, sempre em contacto com as famílias a tentar perceber, a fazer valer todos os nossos melhores argumentos, apresentar 'N' cenários à família.

Neste domínio, o Sporting deve muito ao Senhor Aurélio. O know how refinado que temos devemos ao Senhor Aurélio Pereira. Respira-se Aurélio Pereira na máquina que é o Departamento de Formação. Não me canso de dizer que o Aurélio Pereira dos tempos modernos é o Paulo Moreira, mas há muitas outras pessoas talentosas no Departamento, nomeadamente: o Rui Casteleiro, o Alex – que apesar de ter saído do Sporting há pouco tempo, é um talento – o Luís Branco, Luís Ramos, o Gabriel, o Simão Mendes, o Bruno Brito – Bruno Brito excelente profissional –, Nuno Mota, João Correia, são tantos e tantos… Mas destacar sempre o Paulo Moreira. Há tantas e tantas pessoas neste Departamento com tantas e tantas capacidades, é difícil estar a nomear todas. O Nuno Mota, um organizador, muito minuncioso e que tem um talento enorme, lidera pela organização, é o engenheiro de todo o Departamento.

Voltando ao processo, depois da ‘Detecção’ (informadores/observação directa), ‘Avaliação’, ‘Selecção’, ‘Convencimento da Família’, vem então a fase da ‘Contratação’. É a fase mais difícil. Acontece ao mesmo tempo da fase do ‘Convencimento da Família’. Fechar e assinar o menino, é a fase mais difícil. Mas, atenção, o trabalho do Departamento de Recrutamento, não se esgota aqui. Nós, no Sporting Clube de Portugal, continuamos a acompanhar o atleta e a família.

Acompanhamento à Família e ao Atleta: são muuuitos atletas. Este acompanhamento tem de ser feito, não vou dizer que 24h por dia, porque são mesmo muitos atletas, mas 24h por dia, nós estamos a fazer acompanhamento dos atletas. Para fidelizá-lo ao clube, porque eles estão sempre a ser assediados/tentados pelos outros clubes – porque eles são os melhores – por isso, é fundamental manter uma presença constante na vida destas famílias. É um trabalho muito, muito, grande. Desde o momento em que se detecta o atleta, até ao momento em que o atleta sai do clube, nós estamos sempre presentes na sua vida. Sempre. Até mesmo depois de saírem do clube, muitas vezes.

Depois deste processo todo, podemos dizer que o Departamento de Recrutamento e a área técnica, chocam muitas vezes. E chocam porque uns querem descobrir talentos novos (recrutamento) e a área técnica quer desenvolver os talentos que tem, ora… se se colocam novos meninos dentro das equipas, muitas das vezes pode ser sentido como estar a pôr em causa o trabalho do treinador, como se ele estivesse a fazer um mau trabalho com os meninos que estão sob a sua alçada… o treinador está ligado emocionalmente aos meninos da equipa. Se eu sou treinador, e há outro da mesma idade que vai entrar ali, se calhar, pode-se estar a pôr em causa o meu trabalho. É fundamental ter uma sinergia bem oleada, para que treinadores se sintam confiantes em relação ao trabalho que estão a fazer e aceitem os novos meninos que os coordenadores decidam integrar. Ninguém quer correr o risco de o próximo 'Cristiano Ronaldo' aparecer do outro lado.

Como estive nas duas áreas, compreendo as dinâmicas específicas da área do ‘Recrutamento’ e da área técnica, profundamente.

Todos os meninos que entram no Sporting Clube de Portugal são excepcionais e vão ser lapidados pela área técnica. Mas será que todos atingem o seu potencial máximo? É que o treinador tem um papel fundamental… tem de saber muito bem como aplicar o quê, no momento certo. No Sporting, trabalhamos para ter atletas do meio da tabela para cima, não do meio da tabela para baixo. Trabalhamos, para ter jogadores de Liga dos Campeões.

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Imagem: João Nunes, ao serviço do Sporting Clube de Portugal

 

**Devo salientar – CAL – que João Nunes fez questão de sublinhar já em momento pós gravação de áudios-resposta, que não seria justo no imediato ir para um adversário directo (SLB/FCP); tem consciência plena de que muitos meninos seguir-lhe-iam os passos mas não deseja ver o projecto no Sporting ressentir-se nessa extensão.

Imagens: todas cedidas por João Gonçalves Nunes

De pedra e cal - Formação de Elite, por João Nunes

Uma época e meia da Academia de Formação Sporting – Algarve (AFS – Algarve), sob a coordenação de João Nunes: 15 jovens talentos na Academia de Alcochete mais 1 a realizar a pré-época 2020/2021.

Foram estes os números que me chamaram à atenção e despertaram curiosidade. À primeira vista, impressionam.

A formação Sporting não está em declínio? O Sporting não deixou de ser capaz de captar talento? Não é no Seixal que se formam os craques da actualidade?

Será caso raro ou, perante os números das outras AFS, absolutamente banais? Qual é a diferença entre uma EAS e uma AFS?

A equipa sénior de futebol não ganha um campeonato há 18** anos. Como é que um talento ao serviço do Sporting é adepto do nosso clube e quer jogar na equipa principal?

Estas são algumas das perguntas que fiz ao Mister João Nunes que, ao cabo de 3 anos, deixou de integrar o plantel da AFS - Algarve. Foi a 1 de julho que iniciou funções ao serviço de outro emblema (local) e divulgou publicamente – perfil Facebook – os números que apresentei. Disse-lhe que gostaria de saber mais sobre o que é a formação Sporting fora das paredes de Alcochete. Assentiu prontamente e impôs uma única condição: não falar sobre política. Sou do Sporting, não sou de Direcções - esclareci. Já somos dois - respondeu.

Para além da simpatia e disponibilidade do Mister, o Whatsapp viabilizou esta conversa à boa maneira da COVID-19. Enviei um sem número de perguntas, recebi clipes de áudio de resposta.

Esta conversa, vai ser apresentada em duas partes.

  

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João Gonçalves Nunes, n. 25 de janeiro de 1972

Jogou no Águias de Camarate e aos 18 anos treinou uma equipa de infantis do seu bairro.

Foi pai aos 19 anos.

O convite para ser professor num ginásio em Serra de Minas (Sintra) trouxe a oportunidade para aprofundar conhecimentos sobre, entre outros, fisiologia, nutrição e dinâmica, capacidades coordenativas e condicionais.

As responsabilidades familiares obrigaram à escolha de uma profissão que permitisse suprir as necessidades de sobrevivência da jovem família, foi assim que, enquanto motorista de pesados, viajou pela Europa fora. Não se pense por um momento que esqueceu a paixão pelo treino de formação. Bem pelo contrário. Extrovertido, tratou de abordar todos os treinadores que pôde, por todos os países por onde passou. Chegando mesmo a começar o dia de trabalho às 04:00 para às 14h estar disponível para assistir a treinos.

Aos 26 anos, mais autónomo (chegou a ter 15 camiões e 30 funcionários), podia decidir se saía ou não de viagem. (Re)Começa, assim, a viagem pelo futebol de formação no Barberà del Vàlles, em Barcelona. Já recebeu convites para treinar equipas séniores que declinou sempre.

Ocupou, até 30 de Junho, o cargo de Director de Recrutamento e o de Director Técnico da Academia de Formação Sporting Clube de Portugal – Algarve.

 

Mister, o que é a Academia Formação Sporting - Algarve?

JGN - A AFS – Algarve está integrada num projecto composto por cinco AFS, escolhidas estrategicamente por referência a um critério geográfico. Temos uma em Braga, uma no Porto, uma em Aveiro e uma em Coimbra.

Este projecto começou em Agosto de 2017, muito antes da sua inauguração oficial. Integrei a AFS Algarve em Outubro de 2017. Contudo, não faz sentido falar sobre a AFS – Algarve isoladamente. Este é um projecto no qual o Sporting investiu cerca de 1 milhão de euros e cujos 6 profissionais contratados inicialmente, prepararam o seu arranque nos cinco pontos do país em regime de completa exclusividade.

A 5 de Setembro de 2018*, foram inauguradas todas as AFS.

Fizemos um trabalho de bastidores exaustivo: quisemos caracterizar o jogador algarvio, reunimos com clubes locais, com membros dos núcleos, quisemos perceber onde estava o talento. A escolha do Núcleo ‘parceiro’ também obrigou à verificação de critérios bem definidos de maneira a assegurar que as nossas equipas competiriam nos locais certos. A nossa escolha recaiu sobre o Núcleo de Olhão.

Muitas reuniões para definir número de meninos a recrutar, quantos equipamentos deveriam ser comprados, noites a estampa-los – Paulo Moreira teve um papel de relevo neste campo. Há um trabalho de fundo, muito significativo, antes do momento da inauguração.

Um ano antes da inauguração fizemos inúmeras actividades de recrutamento. Viajámos muito, pernoitámos em locais que não lembram a ninguém, fomos ver muitos jogos, fomos a muitos torneios – aqui no Algarve –, fizemos uma caracterização profunda do universo algarvio. Excepção feita a alguns miúdos já detectados pelo Recrutamento, não havia nada feito. Anteriormente, os colegas do Recrutamento não tinham uma "ferramenta como a AFS" onde colocar os meninos. Conseguiram segurar alguns de forma absolutamente miraculosa, porque a concorrência era feroz, já estavam muito bem preparados. Só para que se perceba, o C.F.T. – Benfica estava no Algarve há 11 anos. Punham e dispunham no Algarve. Tínhamos o F.C. Porto, que já cá estava há cinco anos. Só o Sporting não tinha aqui uma estrutura sólida. Por aqui se vê a dificuldade que era recrutar um menino para o Sporting.

Se tinham o Benfica à porta de casa, iam pôr o menino em Alcochete/Pólo EUL, a 300 km?

Ora, AFS é, por definição, um projecto de detecção e recrutamento de talentos. Os meninos são selecionados pelas suas características diferenciadoras e passam a ser um investimento total do Sporting Clube de Portugal. Não há, portanto, qualquer tipo de pagamento efectuado pelos encarregados de educação. O trabalho realizado numa AFS acontece de acordo com linhas orientadoras desenvolvidas em Alcochete.

A estrutura de uma AFS é composta por um coordenador de zona, no caso do Algarve o talentoso Paulo Moreira que, não me canso de sublinhá-lo, é um talento do Recrutamento. É preciso não perder de vista que não há só talentos nos jogadores. Também os há no recrutamento, no treino, … Paulo Moreira, cobria a região algarvia e a região alentejana. Posteriormente, passou a haver um coordenador local, que articula com o coordenador de zona e a própria Academia (estive inúmeras vezes na Academia, ia lá beber o que depois reproduzi aqui), um coordenador técnico, uma psicóloga, um fisioterapeuta, um secretário técnico e treinadores (certificados pela Federação). O número de atletas que temos, define o número de escalões que temos. No nosso caso, iniciámos com cinco elementos. A AFS - Algarve tem uma equipa de recrutamento que evoluiu de uma única pessoa para toda a região algarvia (Edgar Jaques) para três pessoas: 1 coordenador para Vila do Bispo, Aljezur, Monchique, Lagos, Portimão, Lagoa e Silves, 1 coordenador Albufeira, Loulé e Faro e 1 coordenador para S. Brás de Alportel, Olhão, Tavira, Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António. Cada um deles, tem uma equipa de observadores e informadores (passamos a ter uma estrutura muito idêntica à de Lisboa e Setúbal). Poucos foram os jogadores que iniciaram a sua actividade desportiva sem que eu soubesse primeiro do que os nossos adversários (esta evolução, alcançámo-la do primeiro para o segundo ano da AFS - Algarve).

Só para que se perceba, da geração de 2007 no ano de arranque, a AFS – Algarve pôs cinco meninos em Alcochete e ainda pusemos mais um de fora da AFS, da geração de 2006. A C.F.T. (o equivalente benfiquista à AFS), pôs zero no Seixal. Secámos o Benfica logo no primeiro ano.

Inicialmente, partilhávamos os espaços do Guia FC, actualmente, temos a sede operacional em Paderne graças a um acordo firmado com o Padernense FC (Albufeira).

 

Explique-me os números que divulgou. São… normais? Há mais talento futebolístico na região algarvia do que no resto do país?

JGN - Ora, realmente os números não são normais… mas acabam por ser normais. Não são fruto da sorte, são fruto de muito, muito trabalho. Posso dizer que nestes últimos três anos trabalhei 24h por dia para o Sporting Clube de Portugal. Achei que era altura de provar que não faz sentido olhar para um jogador só a partir dos 16 anos para cima. Os meninos não começam a jogar futebol aos 16 anos. Hoje em dia, começam a jogar futebol aos 5 anos de idade. Há uma coordenação entre projecto ‘criança’, projecto ‘atleta’ e projecto ‘jogador’, porque na AFS, só queremos elite.

Talento, há por todo o país. Temos é de detectá-lo e criar as sinergias com a área técnica que permitam a sua expressão e materialização.

Ao cabo de 30 anos, sei o que é preciso fazer, sei que sou bom naquilo que faço, estive constantemente no terreno de jogo, quando falo em 24h por dia, foram mesmo 24 horas por dia. Deu muito trabalho, foi muito desgastante, mas os números estão aí e falam por si. Não sou um falso humilde, sei neste momento muito sobre detecção, contratação e fidelização de um atleta.

 

Em termos de número de crianças, como estamos face à oferta na região? Os pais procuram-nos ou temos de ser nós a procurá-los?

JGN - Estes meninos são detectados através dos nossos observadores que fazem um relatório sobre um jogo onde viram um atleta, relatório este que vai ser lido pelo coordenador de zona. Se for um menino que é um talento daqueles que salta à vista, telefonam-me e eu rapidamente largo tudo o que estou a fazer e vou lá ver o menino. Se realmente o menino for top dos tops, já não entra no processo normal e eu posso decidir logo ali que quero o menino na AFS. Não sendo um menino top dos tops mas sendo um menino a quem chamamos um ‘projecto’, dentro de um processo chamado normal, após o relatório ser lido pelo responsável técnico, há lugar à emissão de um parecer. Quando existem 3 pareceres técnicos positivos, o do coordenador de zona, o do director técnico – que era eu – e um dos elementos da equipa selecção (Lisboa), um jogador pode entrar na nossa Academia (AFS). 99,9% dos meninos que estão na AFS - Algarve, passaram pelo processo ‘normal’: observação e relatório que carece de 3 pareceres positivos.

Não são os pais que trazem os meninos, somos nós que os escolhemos. Nenhum menino entra no Sporting Clube de Portugal sem ter um relatório feito.

Para se ter ideia, o Rafael Leão, aos 8 anos, quando estava no Amora, era um menino diferenciado mas não era um talento. Era um ‘projecto’. No entanto é um dos jogadores mais valiosos de Portugal, da geração de 99. É apenas um exemplo de um menino que aos 8 anos de idade, não era um talento. Teve que ser farejado, por um observador também ele talentoso que conseguiu olhar para ele e projectá-lo para o futebol profissional do futuro.

Há pessoas super talentosas no Recrutamento. Conseguem olhar para um menino de 6 anos de idade e projectá-lo para o futebol profissional: estamos a falar do Paulo Moreira. Arrisco dizer que o Paulo Moreira, é o Senhor Aurélio Pereira dos tempos modernos. Quando põe o olho num menino e diz, aquele menino vai lá chegar, eu acredito piamente. Porque há provas disso. Para além do Rafael Leão, estou a falar de um Rúben Vinagre, estamos a falar de muitos jogadores que eu e ele detectámos muito antes dos outros e projectámos para o futebol profissional.

Assim como, atletas de 16/17/18 anos que se desenvolveram e foram detectados logo. Por exemplo, o Demiral… o Paulo Moreira atravessou-se completamente pelo Demiral. E hoje, o Demiral, é o jogador que é, está onde está. É um jogador da elite mundial.

 

Quando uma criança chega à AFS – Algarve, o que é que a espera? Que tipo de avaliação é feita?

JGN - O primeiro passo é a análise de conteúdo do relatório, ver quais são as características diferenciadoras. Pessoalmente, gosto de ver o menino a interagir desde o primeiro momento, perceber se está à vontade. Quero vê-lo logo com os outros atletas. Há meninos que são talentosos e chegam para treinar no Sporting Clube de Portugal e retraem-se. É preciso pô-lo à vontade e dar-lhe tempo. Muito cuidado com este aspecto.

Depois fazemos comparações com os atletas que já lá estão, que já são atletas de elite. Como é que no confronto directo esse menino (candidato) se comporta.

Depois, o tempo de prática desse menino. As características que procurámos em miúdos com diferentes tempos de práticas, são diferentes. Há um menino que pode ter muito sucesso porque tem muito tempo de prática e esse menino tem uma margem de progressão mais pequena do que um menino que tem menos tempo de prática, mas tem características diferenciadas. É fundamental fazer esta diferença. Depois, perceber a sua criatividade, imprevisibilidade, a sua reacção rápida à perda de bola, ou seja, o seu carácter. Eu gosto de chamar a isto, competitividade. Depois, temos as acções técnicas: se o menino tem aquele pé que nós dizemos que tem o pé com polegar, aquele menino que agarra a bola, ela vem como vier, ela vem enrolada, ela vem aos saltos, e ele consegue sempre dominar a bola, as suas recepções sempre orientadas para a frente, se ele percebe o espaço. Se ele revela ter um entendimento das trajectórias da bola, se este entendimento decorre das experiências que já teve ou se é inato nele, há pessoas que antecipam naturalmente as coisas, têm uma facilidade enorme.

Numa AFS, uma criança pode contar com uma observação gradual, com oportunidades para que se sintam completamente à vontade para expor todas as suas qualidades.

 

O que é que nos pode dizer sobre os meninos que saíram da AFS – Algarve, para Alcochete? Posso sonhar com um futuro campeão europeu, orgulhoso de ser produto da nossa formação?

JGN - São meninos extraordinários. Muito bem-educados e muito bem formados. Todos eles sob a alçada de encarregados de educação exemplares. Posso dizer que na AFS – Algarve, demos formação aos Encarregados de Educação, explicámos muito bem todo o processo.

O que eu e os técnicos procurámos fazer foi dar muita confiança a estes meninos. O que lhes dissemos foi: o erro, faz parte do futebol. Erra-se muito mais do que se acerta e nós estamos cá para te ajudar a perceber o erro, a ultrapassá-lo e a teres a coragem para nunca receá-lo. Nunca deixes de arriscar por medo de errar. Chegados a Alcochete, o que se ouve é, ‘o menino do Algarve’ é diferente do do resto do país. Isto, é fruto de muito trabalho.

Os nossos meninos são muito, muito competitivos. São alegres, são divertidos, dão espectáculo, gostam de dar espectáculo, são super competentes. Estou certo de que vão ter sucesso na Academia de Alcochete. São líderes. Muito corajosos, foram estimulados de forma fundamentada – ciências sociais e cognitivas – para a tomada de decisão. Demos-lhe muito espaço para que pudessem experimentar, para que pudessem errar e assim construírem-se. Para além disto, são imprevisíveis, criativos. Estes meninos, são o futuro do Sporting Clube de Portugal. Sinto um orgulho enorme no trabalho realizado pela estrutura da AFS – Algarve.

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(Imagem: Pedro Gerardo e Gonçalo Dias, acervo João Nunes)

Podemos sonhar que vão ser craques e dar muitos milhões ao Sporting Clube de Portugal:

Afonso Cunha, central, pé direito, posição 3 (resgatado numa captação do FCPorto)

João Simões, 8, que pode ser um médio de cobertura também

Gabi, na minha opinião um 9,5 que tem uma relação espantosa com a baliza

Afonso Santos um craque criativo, inteligente; jogador de muita elegância que recupera e faz jogar; é um médio ofensivo e muito criativo

Clodualdo Cofite, jogador muito alto e rápido pode jogar a 9

Wilson Furtado, médio defensivo ou médio e cobertura

Alexandre, guarda-redes de milhões 

Cristiano, defesa central

Simão Sobreira, defesa central

Gonçalo Dias, central de 2006 de grande classe jogador de enorme qualidade técnica e dimensão física

Afonso Luís, um lateral direito ou ala direito

Lawrence Smith, extremo esquerdo muito criativo

Manuel Lamúria, a qualidade é tanta que não sei se é um 9 de top ou um médio de top ou um seis de top ou um defesa central de top (só sei que vai jogar no corredor central e vai valer muito ao SCP)

Pedro Gerardo, (2006) avançado, esquerdino e que gosta de jogar entre linhas

Alexis Jesus, um ala esquerdo ou lateral com o melhor drible em progressão que já vi

Se juntarmos a estes jogadores os que estão ainda na AFS e se mantiverem o mesmo nível de treino, o Sporting está servido de craques para muitas gerações.

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[Nas imagens Bernardo Busatori, geração 2011, a jogar contra jogadores dois anos mais velhos. Este jovem atleta, já foi alvo de destaque num comentário, aqui, no És a Nossa Fé (Torneio dos Templários, eleito melhor jogador)]

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(Ambas as imagens foram cedidas por João Nunes)

JGN: Basta dizer que 2013 já temos alguns craques; 2012 muito boa geração; 2011 um fenómeno e outros projetos; 2010 muitos craques e projectos; 2009 não em tanta quantidade nas em qualidade temos super craques, guarda-redes, extremos, laterais, avançados...

 

Qual é o aspecto mais importante na formação de um jovem jogador? O que é que quer de um escalão treinado por si? 

JGN - Não existe um aspecto mais importante do que outro, existe, sim, uma janela de oportunidade certa. O aspecto mais importante nesta formação global é saber quando, como e porquê. É fundamental intervir no momento certo, para não perdermos a oportunidade "óptima". Eu não idealizo um jogador de futebol sem idealizar o ser-humano. Dou mais importância a esta dimensão global, "o ser-humano" mas é óbvio que tem de ter características diferenciadas porque estou a formar jogadores de futebol. Depois, a competitividade é uma dimensão que deve ser muito estimulada. Competitividade saudável, não no sentido bélico, bem pelo contrário. Aquilo a que chamo, uma competitividade agregadora.

 

Nestas idades, os jogadores já são fãs de equipas estrangeiras ou só de portuguesas?

JGN - Portuguesas e estrangeiras. Mundo global, redes sociais, os meninos vêem jogos e têm preferências, mesmo de equipas estrangeiras. Estão a par do que se passa nas outras ligas.

 

Há miúdos (AFS – Algarve) que são benfiquistas, que até já estiveram em treinos de captação no Seixal… sente algum impacto negativo do que refiro no comportamento dos miúdos? O que é que o Sporting, o símbolo que têm ao peito quando treinam e jogam, significa para um miúdo de outras cores?

JGN - Acima de tudo, as crianças querem jogar futebol. Até aos 9/10 anos de idade, querem é divertir-se. Ganham carinho, quando vestem a camisola pela primeira vez. Alguns, mudam para o Sporting. Outros dizem que nas equipas dos adultos, são do Benfica/Porto, mas que nas equipas das crianças, são do Sporting. Outros dizem que quando estão a jogar são do Sporting, mas que quando despem a camisola e saem das instalações, voltam a ser do clube de que sempre gostaram.

As crianças, gostam das equipas que ganham. Não gostam de chegar à escola e ouvir críticas dos colegas cujas equipas ganharam. Um miúdo que é do Sporting responde que perdeu, mas que o seu clube é o melhor do mundo. Agora, quando começam a jogar com a camisola, quando têm referências sólidas do Clube com quem lidam diariamente, que se focam nos aspectos muito positivos do que é ser Sporting Clube de Portugal, sem dizer mal dos outros clubes, sem menorizar os outros clubes, valorizando o que é nosso, começam a perceber a responsabilidade que têm, no seu mundo, por vestir aquela camisola. Passam a ser um exemplo para os colegas. Quando estão com aquele equipamento vestido, estão a representar um dos melhores clubes do mundo, estão a ter acesso a uma das melhores formações do mundo, a da única academia que formou dois 'Bola de Ouro'. Quando expostos a este tipo de modelo, os miúdos crescem num contexto de integridade, honestidade, de resiliência e de vontade e de respeito por eles, pela nossa instituição e pela dos adversários.

Estes miúdos, e mesmo as suas famílias, sentem-se muito orgulhosos por terem sido escolhidos pelo Sporting Clube de Portugal. Ficam com expectativas elevadas e com razão porque sabem que escolhemos os melhores. Um menino ‘nível A’ vai ser um jovem ‘nível A’ no futuro se tudo correr bem. Por isso, há sempre um carinho muito especial pelo Sporting.

A presença deste projecto do Sporting na região, até para o Universo Sportinguista, é muito bom, não só para tirar dividendos futuros (jogadores) mas também pelo aprofundamento do conhecimento do que é o Sporting Clube de Portugal. Pela presença em si. Põe-nos no dia-a-dia destas pessoas, nesta região.

 

A equipa sénior de futebol não ganha um campeonato há 18** anos. Como é que um talento ao serviço do Sporting é adepto do nosso clube e quer jogar na equipa principal?

JGN - Nós temos de ganhar um campeonato em breve mas o não ganhar também nos torna muito resilientes. Os jogadores que jogam pelo Sporting também ficam muito resilientes. Eu quero ganhar, eu quero fazer parte da mudança. Têm essa sede, essa vontade, dá-lhes uma garra diferente. Mas é algo que a estrutura directiva tem de acompanhar, tem de criar condições para apostar na formação. Não pode ser um treinador de séniores a estruturar ou reestruturar a formação do Sporting Clube de Portugal. É um erro – e muito grande – se assim for. Um erro, pela lógica. Um treinador de sénior depende de resultados. Se não os alcança, cai. Se cai, toda a estrutura vai por aí abaixo porque está tudo sustentado na equipa sénior. A base tem de ser a formação e o treinador tem de ser escolhido em função daquilo que é o Sporting Clube de Portugal. Também não podemos estar a mudar a formação de cada vez que muda uma Direcção. Uma formação é, no mínimo, a 10 anos. Se mudam de Direcção muitas vezes e de cada vez que mudam, lá vêm os amigos e as pessoas que conhecem na formação, voltam os processos (quase) à estaca zero. Isto, é dar tiros nos pés. Para não dizer, dar tiros na cabeça.

No Sporting Clube de Portugal a única coisa que se tem mais ou menos mantido, é a equipa de recrutamento e ainda bem. Mas a área técnica, os directores, esses caem sempre e vêm pessoas novas. Isto não permite ter a máquina oleada.

Se olharmos para os nossos rivais, têm a mesma estrutura directiva há muitos anos. Não quer dizer que a formação deles seja melhor do que a nossa, mas têm mais estabilidade. Se a formação se faz a 10 ou mais anos, com a estabilidade deles, levam alguma vantagem sobre nós.

O que tem permitido ao Sporting Clube de Portugal sobreviver, é o talento de algumas das pessoas que tem conseguido reter. Mas o Sporting precisa de valorizar essas pessoas. Os amigos trazidos pelas Direcções, não podem sobrepor-se às pessoas que já lá estão e que tem muito know how. Este tipo de comportamento, torna tudo muito mais difícil. A estrutura do Sporting Clube de Portugal é muito grande, é muito complexa. É preciso experiência para estar no Sporting Clube de Portugal. É preciso saber muito para estar no Sporting Clube de Portugal. Às vezes, vêm pessoas novas que não tem experiência e pisam minas, rebentam um (bom) trabalho feito e que estava oleado.

Os atletas que fazem a sua formação no Sporting, gostam do Sporting Clube de Portugal mas precisam de ter uma Direcção forte que lhes dê confiança para eles quererem continuar no Sporting. Seja lá qual for a Direcção.

 

Mister, trago-lhe aqui o meu filho – um Messi completo – que apesar dos 7 anos acabados de completar, já tem empresário. Só lho trago para entretê-lo até aos 18 anos que este empresário já me disse que vai conseguir pô-lo no Barcelona. Sabe qual é a posição do Messi? Então já sabe, ponha-me a criança a jogar aí e ninguém se chateia.” Este pai, existe?

JGN - Felizmente, não existe. Pelo menos eu, nunca apanhei este tipo de encarregado de educação. O que acontece é que à medida que o menino entra na AFS e se vai desenvolvendo, as expectativas do encarregado de educação vão aumentando. Mas somos nós – técnicos – que temos de gerir essas expectativas. Este tipo de pai, mesmo que venha com esta atitude, ao ser integrado num contexto que é de elite, percebe que o seu filho não é o único ‘Messi’ e há ali muitos outros ‘Messi’. Há muitos talentos em Portugal e muitos deles são super talentos. Uns precisam de mais ajuda num aspecto, outros noutros, mas também os há, super talentos, que o que é preciso é ter cuidado para não estragar, é só dar as oportunidades certas, no momento certo.

 

Alguma situação caricata que queira/possa partilhar?

JGN - Uma sobre um profissional que hoje é profissional num clube nosso rival (não vou dizer o nome, mas digo-te que é de 2001). Fomos de viagem para o Norte e ficámos hospedados num hotel. Normalmente, ficamos com um piso por nossa conta, controlo os corredores. Eu e os meus adjuntos num quarto, os miúdos nos seus (vão para os jogos sem os pais). Eis senão quando, este agora profissional, bate-me à porta. Este miúdo, tinha sete anos na altura e estava habituado a ficar com os avós, era com eles que residia.

O menino bate-me à porta: ‘Olá Mister’

Mister: Olá, então, XX, saíste do quarto?

Menino: Ah, sim, saí porque não consigo dormir.

Mister: Ok, então queres que o Mister vá lá à tua cama, até tu adormeceres?

Menino: Ah, não, quero dormir com os Misteres. Posso ficar na tua cama, Mister?

Como era um miúdo muito pequenino, disse-lhe:

Mister: Então, olha, vais ficar aqui no quarto, ali naquela cama, sozinho, mas ficas aqui connosco.

Menino: Não, não, Mister… eu tenho de me deitar contigo e ficar a mexer no teu cabelo porque eu fico a fazer caracóis à minha avó e só assim é que consigo adormecer.

Ahahahahah

Bom, foi uma carga de trabalhos, viro-me para o meu adjunto: então e agora? Eu, tenho o cabelo curto, tu, tens o cabelo curto. Como é que vamos conseguir adormecer o menino!? Nós a rirmo-nos e o menino a olhar, muito espantado. Gostámos muito desse menino, hoje é um profissional de excelência e joga num clube de elite em Portugal. Gosto muito dessa criança.

 

Outra situação caricata de um menino que tem uma cláusula de rescisão de muitos, muitos milhões: esse menino, era um bebé pequenino e fez cocó nas cuecas e eu tive de o limpar com uma esfregona – ahahah – encostá-lo à parede e limpá-lo com uma esfregona porque não tinha mais nada com que o limpar. Ele hoje está num clube de elite e tem uma cláusula de muitos milhões, mas já o limpei com uma esfregona. Ahahahah

Outro episódio de quando ainda estava n’ Os Belenenses e vi o Rafael Leão na comitiva do Sporting: como sou muito brincalhão, estava sempre na brincadeira com os meus atletas. O Rafael Leão passava a vida a olhar para trás porque queria vir para a coboiada e estava ali, na comitiva do Sporting, onde não havia ainda uma abertura assim tão grande. Lembro-me dos olhinhos dele, a olhar por cima do banco e a dizer: eu quero é ir para ali, ali é que está divertido. Ahahahahah

 

Quando na época 2011/2012 assumiu funções de ‘Prospector Residente’ no Sporting Clube de Portugal, acumulava longa experiência de treinador de formação em Portugal (vasta, por ex., n’ Os Belenenses) e Espanha, e alguma como prospector (Belenenses – futebol juvenil e sénior). Como é que se chega a ‘Prospector Residente’ no Sporting Clube de Portugal? É cargo que permita autonomia financeira, que se desempenhe a tempo inteiro?

JGN - O prospector residente está responsável pela prospecção numa área geográfica pré-determinada. Esta actividade não permite autonomia financeira. Recebe-se uma pequena avença. No meu caso, a zona era a de Almada e Costa da Caparica (residia na Costa da Caparica) tinha vários informadores, ia ver vários jogos. Foi desta zona que saiu, posso dizer-vos, o Matheus Pereira. Num torneio quando ele ainda não estava inscrito para fazer o torneio pelo Trafaria, e foi fazer o torneio em Vale Milhaços, onde eu estava e comuniquei logo com pessoas do Sporting que foram rapidamente ver o menino. Isto, como digo, antes ainda de ser residente. Já dava algumas informações ao Sporting Clube de Portugal na qulidade de ‘informador’. Saíram destas minhas informações meninos como o Paulinho, Júnior, Muanza, Simão, Henrique Abrantes (SLB/VFC), todos estes talentos saíram da minha zona de residência, foram observados pelos meus informadores.

Não dá autonomia, dá uma avençazinha. Tinha de acumular muitas coisas: professor no Trafaria, professor no Guadalupe, tinha que fazer muitas coisas e aquela avença ajudava-me também a ter um ordenado. Posso vos dizer que estamos a falar de sensivelmente 200€. Se colocasse um jogador da minha escola de futebol, aí sim, recebia mais as ajudas, mas tudo muito inexpressivo.

Mesmo isto, posso dizer que houve uma altura que o Sporting passou muito mal e nem isto, estes valores, praticava. Houve muitos cortes orçamentais. Esses cortes, levaram-me até a deixar esta parte e a ir para uma Escola Sporting (EAS) e deixar o Trafaria. Já recebia muito pouco, como Observador do Sporting Clube de Portugal, e então fui para a CIF – que até pagava bem – e que é uma das escolas referência em Portugal devido ao seu contexto. A escola tinha muitos alunos, e de um estracto social alto, por isso a Escola conseguia pagar-me. Ficava ao lado de vários colégios, estava num contexto muito privilegiado.

(João Nunes ao centro, de preto, ao lado de Aurélio Pereira)

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Teve contacto com Aurélio Pereira?

JGN - Sim. Tive e tenho o gosto de conhecer e ser amigo do Senhor Aurélio Pereira ainda que não seja amigo de casa, como alguns colegas. Nomeadamente o Nuno Mota, o Paulo Moreira, que convivem há muitos anos com o Senhor Aurélio Pereira. O Paulo Moreira foi recrutado pelo Senhor Aurélio Pereira e o Nuno Mota, também.

Eu, fui contactado pelo Senhor Aurélio Pereira, houve logo uma empatia muito grande, vimos alguns jogos juntos, analisámos alguns jogadores juntos. É uma pessoa extraordinária. É um talento (do Recrutamento) nato. Tem também uma afectividade tremenda. Tanto nós, como as crianças, como os encarregados de educação, sentimo-la e… ficamos colados ao Senhor Aurélio Pereira. A forma como ele diz as palavras, a forma como ele está, a forma como ele entoa no momento certo, é uma pessoa muito agregadora. Um poço de conhecimento sobre o que é talento. Tem uma experiência enorme de ver meninos e uma experiência de vida igualmente grande. Os seus valores, como ser-humano, são extraordinários. Transmite-os de uma forma intrincada e é algo de muito natural e espontâneo. Gosta de ensinar, gosta de dialogar e eu sinto-me privilegiado por ter tido o gosto e o prazer de privar com o Senhor Aurélio Pereira. Acho que todos os dirigentes, directores, devem ouvir o Senhor Aurélio Pereira. A idade, não perdoa… mas devem todos ouvir o Senhor Aurélio Pereira. O ADN Sporting é o que ele é. Marcou todo o Departamento de Recrutamento, a forma de trabalhar é desenvolvida por ele. A forma como ele olha o jogador, como acarinha e de quase apadrinhar, é uma coisa única. Basta o senhor Aurélio Pereira andar nos corredores e tudo ganha sentido. Trabalhamos com uma outra motivação, com um outro querer, com outra vontade, com uma linha certa e ele não precisa de dizer uma palavra. Basta aquele olhar e aquele bigode e está tudo dito. Sou um fã do Senhor Aurélio Pereira, admiro-o muitíssimo.

Temos uma pessoa com as mesmas características, que é o Paulo Moreira. Chamo-lhe o Senhor Aurélio dos tempos modernos. O Sporting Clube de Portugal não pode perder o Paulo Moreira, se quiser continuar na elite da formação e do recrutamento de talento. É um farejador de talentos, tal e qual como o Senhor Aurélio Pereira. As pessoas quase trabalham de graça para o Paulo Moreira tal como quase trabalhavam de graça para o Senhor Aurélio Pereira. São pessoas inspiradoras, têm uma aura à volta delas que é muito inspiradora. Não me canso de sublinhar a importância do Paulo.

 

Na época seguinte, foi treinador numa EAS e ‘Prospector’. Qual é a diferença entre uma EAS e uma AFS?

JGN - A EAS onde estive (CIF) é uma das melhor sucedidas em Portugal.

A EAS, é um franchising. Qualquer pessoa pode abrir, paga e compra o ‘modelo Sporting de formação’, é um modelo comercial, bem elaborado, mas nós não temos controlo sobre esses atletas.

Tenho uma ideia muito própria das EAS. Acho que não deviam ter competição. A competição deveria ser assegurada por um clube à parte, com o seu próprio equipamento. Para treinarem, poderiam usar o equipamento Sporting, mas para competir, o de um outro clube.

A EAS Lagoa (Algarve), é um exemplo disso mesmo. Na competição utilizam outro equipamento, precisamente para que não se pense que são jogadores do Sporting. Eles não são jogadores do Sporting, são jogadores que pagam para ter formação de acordo com o modelo Sporting.

Quanto às AFS, creio que está tudo dito na primeira pergunta: não é para todos, só atletas selecionados, não pagam e são jogadores do Sporting.

Dou-vos um exemplo, um dos nossos meninos de 2007, fui buscá-lo a uma captação do Porto. Vim ao Algarve, não por acaso, por ser essa a minha profissão, e quando estou a assistir à captação do F.C.Porto, dizem-me que aquele menino é aluno de uma EAS e que foi o próprio dono da EAS que o levou à captação do F.C.Porto! Intervim e felizmente fui a tempo de contractar esse menino para a AFS. Ao fim de um ano, esse menino entrou em Alcochete. Hoje é um dos nossos craques de 2007 e futuramente vai valer muitos, muitos e muitos milhões ao Sporting Clube de Portugal (se tudo correr bem, sem azares pelo meio).

Isto tudo para dizer que o modelo EAS, é um modelo pouco controlado. Não podemos controlar aspectos como este que salientei: não podemos dizer que temos primazia sobre esses atletas… é um franchising. O dono pode ser de qualquer clube e pode levar os meninos onde quiser…

 

[continua]

Amanhã:

Os cinco anos na China, ao serviço da Winning League de Luís Figo, das equipas Z-Team e GDFC de Guangzhou, a saída do Sporting Clube de Portugal e o futuro da formação em Portugal e no Sporting.

*Edição: correcção da data de inauguração

**Edição: Correcção do número de anos sem ganhar o campeonato

Sporting TV e Jornal Sporting - Propaganda ou representatividade e escrutínio?

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Imagens: retiradas da internet

O tema órgãos de comunicação social do Clube tem merecido interesse em grande parte por haver algum consenso em torno da ideia de que… são órgãos de comunicação social ao serviço das suas Direcções. O Clube é dos sócios, os órgãos de comunicação social do Clube servem para informar os sócios, dizem-nos, mas no momento de prestar contas aos sócios, são preteridos a favor de meios de comunicação de abrangência nacional. Foi o que aconteceu ainda ontem.

Os sócios organizam iniciativas, mobilizam-se em torno da discussão sobre a realidade do Clube, mas os órgãos de comunicação do Clube não fazem qualquer menção à sua existência. Ter-se-ão esquecido os promotores de avisar atempadamente?

No dia de ontem, insurgi-me já que me vi obrigada a comprar um jornal desportivo para conhecer a reflexão do presidente do Sporting Clube de Portugal sobre a época futebolística que terminou. Para além de sócia, assino o Jornal Sporting. Fará sentido ser obrigada a comprar outro Jornal para este fim?

Expectar que o Jornal Sporting fosse o palco para a finalidade acima descrita, é demasiado desfasado da realidade? Exigência estapafúrdia?

O que fazer se no passado recente como actualmente os sócios não beneficiam das potencialidades disponibilizadas pelos seus órgãos de comunicação social?

Como é que se autonomizam Jornal Sporting, Sporting TV e perfis das redes sociais do Sporting Clube de Portugal, dos órgãos sociais em exercício? Poderão ser voz da maioria dos sócios e não da minoria que constitui ‘sócios eleitos para órgãos sociais'? Poderão ou deverão?

O teor do comentário (não assinado) a que dei destaque ontem e que foi remetido por e-mail - pelo seu autor - para o Jornal Sporting, fica aquém da exigência mínima para figurar nas páginas do nosso jornal? Não se socorre de palavras (várias) escritas em maiúsculas ao longo do texto, é certo, nem precisa, já que a qualidade do seu conteúdo faz-se ouvir loud and clear (acrescentaria ainda os comentários do consócio André sobre o tema ‘Renumeração’).

Perdoem-me… o anglicismo.

Propaganda ou representatividade e escrutínio?

*post escrito na sequência de comentário que levou ao repto lançado por Pedro Correia

Renumeração e o Jornal Sporting - A sequela

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Não só a possibilidade de decidir como de participar de forma activa, acrescento eu. Foi por esse motivo que interpelei o Jornal Sporting nos termos que esclareci aqui e que passam, grosso modo, pelo pedido de que o Jornal Sporting possa servir de ponte entre adeptos e sócios e Direcção do Clube, para além, claro, de ter pedido a realização de uma peça que versasse o tópico sensação do momento. 

O pontapé de saída para este contacto foi a interacção acontecida aqui, no És a Nossa Fé, em torno do tema 'Renumeração' e que me fez querer ser consequente. Muito gratificante seja trocar impressões sobre estes temas com todos os que se revelam disponíveis para fazê-lo, a verdade é que corremos o risco de que os nossos anseios e legítimas dúvidas nunca cheguem aos ouvidos de quem de direito. 

Entre a espaçada realização de Assembleias Gerais, à sua natureza, que oportunidade e espaço têm os sócios para participar? A militância que as caixas de comentários demonstram poderá ser convertida em acções concretas? No imediato e à lá longue?

Deixo-vos a parte substantiva de um comentário (não assinado) recebido hoje e que me leva a responder 'Sim'.

«(...) na próxima edição irá sair uma analise mais profunda sobre os critérios adoptados para a actual renumeração, gostaria de deixar umas questões, que se fosse possível esclarecer, agradecia.

1-Quais os critérios que vinham a ser seguidos nos últimos 30 anos até 2015, nomeadamente em que anos houve alteração de critérios e quais?

2-Os sócios actualmente eliminados da base de sócios, continuarão a poder regressar, num programa do tipo do "Regresso de Leão"?

2.1-Em caso de regresso, este será com pleno uso dos direitos e deveres?

3-Quais as iniciativas desencadeadas pelo SCP para tentar que o sócio faltoso regularizasse as quotas em atraso, antes de o eliminar da BD?

4-Qual o argumento que justifica a opção por, apenas, 2 anos de quotas atrasadas?

4.1-Sendo a renumeração de 5 em 5 anos, não se deveria ter adoptado o critério de 5 anos de quotas atrasadas?

Sou vice-Presidente duma Associação que também efectua remunerações de sócios, no nosso caso, é de 10 em 10 anos, os nossos critérios são; ter mais de 4 anos de quotas em atraso, ter sido notificado por carta registada; e na ausência de resposta ter havido uma deliberação unânime do plenário da direcção para que o o sócio seja destituído, o que tem como consequência que, caso regresse no futuro, não poderá ser eleito nem votar no acto legislativo seguinte ao regresso.»

Poderá dar-se o caso de ainda irmos a tempo de remediar uma acção que fuja à observância escrupulosa do que dita a boa prática, poderá dar-se o caso de nos congratularmos pelos contornos da acção levada a cabo e, por fim, poderá dar-se o caso de reunirmos matéria suficiente para formalizarmos a partir daqui a que critérios deve obedecer uma 'Renumeração'. 

Ao Sportinguista autor do comentário, o meu "agradecimento". Bem sei que a sua motivação por si só justifica a acção dispensando agradecimentos, mas o ter decidido pôr o seu know how e tempo ao serviço do Sporting Clube de Portugal, merece-me o mínimo: agradecer-lhe.

Aos demais Sportinguistas... gostaria de ver estas e outras perguntas respondidas? Manifeste-se fazendo uso do assinaturajornal@sporting.pt.

Não há verbas para garantir que o Jornal Sporting possa assumir um papel de relevo na manifestação da militância dos sócios? Aumenta-se a dotação da rubrica no Orçamento.

Dúvidas? 

Se por si só o sistema não se reorganiza da forma que melhor o serve, que sejamos as peças que forçam a reorganização. Por outras palavras... não estou à espera de que outros façam pelo Clube que também é meu, aquilo que eu própria não faço.

A Renumeração e o Jornal Sporting

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No passado dia 16 de Julho abordei o tema Renumeração, congratulando-me pela coragem demonstrada na realização da tarefa que, ao que consta, terá obedecido a critérios mais exigentes, permitindo-nos um conhecimento mais rigoroso sobre o número de sócios do Sporting Clube de Portugal.

A interacção acontecida na respectiva caixa de comentários desencadeou a vontade de conhecer mais informação para além da que foi divulgada pelo Clube, à data, parecendo(-me) a forma óbvia de à mesma aceder, o Jornal Sporting. Foi na condição de assinante do nosso jornal que interpelei o seu coordenador executivo (Vítor Frias) dando nota de que, por evidência empírica, este era um tema que interessava aos Sportinguistas muito para além da informação que já fora divulgada. Deixei, por isso, a sugestão de que este tema viesse a ser abordado no nosso jornal. 

De caminho, e atendendo à qualidade das muitas interacções em que tenho participado e observado, sugeri que o Jornal Sporting pudesse considerar a possibilidade de que Sportinguistas 'anónimos' tivessem algum eco nas suas páginas.  

Qualquer coisa como, uma vez por mês, "a Direcção" responder a uma pergunta enviada por Sócio/adepto. Se observamos eco das vontades dos Sportinguistas nas redes sociais (ocorreu-me a situação da camisola branca, na época passada), diria que o Jornal Sporting pode muito bem ser o espaço privilegiado de encontro entre Direcção e massa associativa/adepta, podendo, até, mitigar o fosso que por vezes sentimos existir entre ambas. Circunscrever a oportunidade para esclarecimentos às Assembleias Gerais parece-me francamente redutor e exceder o volume trazido pelo imediatismo e efemeridade proporcionados pelas redes sociais, o papel por excelência do Jornal Sporting.

Hoje, fui informada (muito obrigada, caro Vítor Frias) de que o próximo número trará uma peça sobre 'Renumeração' e que a sugestão de democratizar o acesso às páginas do Jornal Sporting vai ao encontro de uma vontade antiga do seu coordenador executivo. Presentemente, as circunstâncias de todos conhecidas impedem que possa acontecer. Em todo o caso, e tendo eu prevenido que assim agiria, deixo o contacto electrónico do nosso jornal assinaturajornal@sporting.pt e a sugestão, desta feita a todos os Sportinguistas, especialmente aos assinantes do Jornal Sporting, que, se assim entenderem, digam da vossa vontade. Quem sabe se um volume de solicitações que exceda a desta sócia e assinante não contribui para ver cumprida a 'democratização' a que já me referi.

Entretanto, caso queira ler a edição publicada hoje, clique aqui

Sobre Renumeração, o editorial de André Bernardo.

Renumeração

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Novo número conhecido há uma hora. 

Pese embora todas as reservas que manifestei e mantenho, só posso saudar a coragem da actual Direcção. Ser capaz de levar por diante esta tarefa quando se sabe que há potencial para aproveitamento desonesto, quando as condições são reconhecidamente adversas, é digno de louvor.

Graças ao cruzamento de impressões entre Sportinguistas inseridos em diferentes realidades, não tenho razão alguma para duvidar de que esta é uma verdadeira renumeração. Bem precisávamos de saber quantos realmente somos (sócios). Sem fantasias, nem delírios de grandeza. 

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