Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Ngunza, Mbemba e o Zaire

As histórias são sinuosas como os rios (como o rio Congo, nesta história).

Mbemba, Chancel Mbemba Mangulu, que completará 26 anos, no próximo sábado, nasceu no Zaire de Mobutu (o país só mudaria de nome em 1997, curiosamente, talvez, influenciados pelo "Tintin no Congo", hoje, todos referem Mbemba como congolês) passou pela Bélgica, por Inglaterra, Newcastle, terra de mineiros, onde os homens entram para dentro da terra brancos e saiem de lá negros (cf. com biografia de Bobby Robson).

Ontem, em Coimbra, foi um dia desses, branco de indignação com a arbitragem, orgulhosamente, negro para não se escrever de preto mais uma vergonhosa página da história do futebol na república portuguesa: "black goals matter".

No entanto, este postal é sobre Ngunza, um dos melhores jogadores que pisaram os campos de futebol do Zaire, esteve quase contratado pelo Sporting Clube de Portugal, mas no futebol, a influência, as expulsões e os penalties encomendados (e às vezes não é suficiente) mandam mais, são mais eficazes que os clubes que agem dentro das regras, que tentam contratar honradamente.

(contratação falhada de Ngunza: aqui)

Fernando Fernandes e os outros Fernandes

20200729_214940 (2).jpg

Ia escrever sobre Fernando Fernandes, campeão e treinador de campeões, uma pessoa que tive o gosto de conhecer, com quem tive a alacridade de privar, boa pessoa, duma simplicidade cativante que nos mostra que para ser campeão na vida não é necessário ser campeão na arrogância.

Entretanto surgiu esta "notícia" sem contraditório; «Bruno Fernandes não presta para quase nada, só para marcar penáltis» (isto pronuncia-se como? sempre disse: pénalti!; é pénalti, filho da *uta, tás comprado ou quê?, será que que tenho de começar a injuriar os árbitros à "Cascais"; pe-nál-ti, rico, seu possidónio, não tá-se mêmo a ver qe foi pe-nál-ti? de todo! c'o rror!, possidóooonio!").

"O Bruno (...) provou ser um grande marcador de penáltis" / "O Gedson é um miúdo fantástico com muita qualidade".

(as frases do parágrafo acima são de José Mourinho sobre Bruno Fernandes e Gedson Fernandes, p.31, Record de 2020.07.29)

Não vou fazer juízos de valor, supostamente, foi uma pessoa com carteira de jornalista que recolheu esta informação e a publicou; eu que não sou jornalista teria perguntado ao "melhor treinador do mundo":

- Acredita que Gedson Fernandes é melhor jogador de futebol que Bruno Fernandes? Acredita que foi mais determinante a presença de Gedson no Tottenham que a presença de Bruno Fernandes no United?

(só perguntava isto porque o Tottenham de Mourinho e Gedson foi eliminado da "champions" por uma equipa austríaca e o Manchester United de Bruno Fernandes classificou-se para a "champions" sem espinhas).

Os cantos e as armas

21866569_uHERj.jpeg

 

Este é um lance que não será referido.

Rúben Dias, joga a bola na direcção de André Almeida que tenta dominar e deixa sair a bola pela linha de fundo, estavam jogados seis minutos, a bola é jogada por dois jogadores do Benfica e sai do campo pela linha de fundo no meio campo defensivo das águias, pontapé de canto?

Não.

Pontapé de baliza.

Fábio Veríssimo, árbitros assistentes, quarto árbitro e VAR precisaram, apenas, de seis minutos para mostrar que traziam a lição bem estudada.

Mais tarde, no minuto 87, Vinícius pontapeia a bola pela linha de fundo com a sua bota cor-de-rosa e é assinalado pontapé de canto a favor do Benfica, desse canto resultaria o golo que colocou o Sporting no quarto lugar.

Assim é difícil, nem temos cantos, nem temos armas para vencer nesta desonesta competição.

A batida ao leão

20200724_150658 (2).jpg

"Pedro, um leão nunca dispara contra outro leão".

Foi no dia 19 de Janeiro de 1973, eu tinha quatro anos e tal e perguntei ao meu avô Jacinto: "amanhã vai caçar o leão para Rio Maior" (na altura as crianças não tuteavam os avós, outro século).

O meu avô, só muito mais tarde o soube, nunca foi caçador, tinha uma "flóber" [anos mais tarde a professora Ivone que me apoiava/ensinava nas aulas da telescola (da outra, a preto e branco) disse-me que era uma palavra francesa que se escrevia flaubert] pois sim, para mim será será sempre a "flóber" do meu avô Jacinto, nisto sou dogmático, sou como aquelas pessoas que se opõem ao acordo ortográfico, "no meu tempo não havia gloco".

Ora bem, o meu avô que tinha uma "flóber" para espantar a passarada que tentava abicar o sustento de quatro filhos e duas filhas, não foi para Rio Maior disparar contra o leão, no entanto, amanhã serão muitos a fazê-lo.

Dum lado da barricada os conservadores, os legitimistas, aqueles que acham que um presidente é eleito e enquanto não violar os estatutos, enquanto não tiver indícios de demência, continua a ser o presidente até às próximas eleições, são os Sportinguistas; do outro lado, amanhã, estarão todos os outros, os benfiquistas, pretendem derrotar o adversário em campo, os portistas, nada têm a perder, podem ganhar algo, a notícia da contratação de Bruno Wilson não apareceu por acaso, os braguistas, legitimamente, pretendem chegar ao terceiro lugar, vão jogar tudo dentro e fora do campo (já falei do Bruno Wilson?) e todas as outras falanges, claques, cliques e assim que se dizem "sportinguistas" mas que na verdade são anti-presidente do Sporting; "há presidente, sou contra", como diria Marx.

Amanhã, temos de ser todos Sportinguistas sem aspas, todos juntos a levarmos o Sporting à vitória, à conquista do terceiro lugar, pode parecer pouco, infelizmente, é o que alguns de nós queremos alcançar (outros nem por isso).

Muito faço eu, ser Sporting

scp2020.pngUma janela, um autocolante.

Foi ali, naquele quarto que o meu menino ouviu (estávamos sem televisão e a bem da verdade ele adormeceu muito antes do final do jogo, estava 0-0, na altura) a primeira derrota do Sporting.

Do nosso Sporting.

Faz hoje, precisamente, dois meses, que nasceu, telefonei ao meu pai, nesse dia, as minhas palavras foram estas: "nasceu um sportinguista, é saudável" o meu pai sorriu, engasgado, choroso (não se pode dizer) e disse algo do género: "o menino que escolha, não o pressiones, é uma grande responsabilidade".

Como se fosse responsabilidade querer que o meu filho seja um homem bom, honesto e respeitável.

Qual era a alternativa?

Luís Filipe Vieira?

Pinto da Costa?

Felizmente em 2020.05.20 o presidente do Sporting não é razão de vergonha para ninguém.

Era um bocadinho, totó, papá" dir-me-á o rebento daqui a uns anos.

Sorrirei, encolherei os ombros, dir-lhe-ei: "e o que estava antes?"

 

(não fiz as contas, se o campeonato tivesse começado no dia 20 de Maio, se só tivessem contado os jogos que vi em directo na televisão [todos, excepto o último com o Porto] em que lugar estaria o Sporting do "malandro" Varandas, treinado pelo lampião Amorim?)

Santa Clara, black lives matter

A freguesia de Santa Clara, Lisboa está em calamidade, em emergência, em qualquer coisa assim.

Deve evitar-se.

Evitar entrar na antiga Musgueira, Galinheiras, enfim, uma zona com fama e proveito, a que agora se chama, pomposamente: "Alta de Lisboa".

Foi, precisamente, numa das zonas mais perigosas de Portugal (quiçá do mundo) que Renato Sanches decidiu passar férias.

Decidiu mal, contraiu a "covid 19".

Um abraço para o Renato, com a devida distância física; social, também, que o Renato ganha mais num dia que eu num ano, toma juízo, pá, para a próxima escolhe um destino menos perigoso.

As melhoras, saúde.

Olha a bola, Manel

lage20200630.jpg

 

No dia 29 de Abril de 2020 nasceu o Manuel, filho de Maria e de Bruno (na imagem), precisamente, no dia em que o bebé completava dois meses, o pai foi despedido da maneira que todos pudemos ver.

Não me vou alongar, Pedro Correia já falou numa posta anterior da forma ignóbil como Bruno foi despedido, não está em causa se é bom ou mau treinador mas como ser humano merecia ter sido tratado com respeito, na hora da despedida.

Luís Filipe Vieira fez aquilo que se fazia, nos tempos pré-PAN, a um cão vadio, enxotou Bruno Lage.

Um abraço solidário para Bruno Lage e felicidades para a carreira.

Excesso de rigor

O escritor, cronista do jornal Destak e analista de futebol na Correio da Manhã TV, João Malheiro, gritava ontem na pantalha televisiva: Foi excesso de rigor!

O rigor vale por si só ou existe ou não.

na repetição do "penalty" não existiu excesso de rigor, cumpriu-se a lei.

Estamos tão habituados à bandalheira, aqui, por exemplo e aqui, também, que quando alguém cumpre, desconfiamos, é rigoroso, dizemos, é excessivamente rigoroso, acrescentamos, quando devíamos dizer: cumpriu.

Noves fora, nada

2020.06.18.03.jpg

2020.06.19.01.jpg

O jornal Público chumbou, reprovou  ou melhor ficou retido (para não ficarem traumatizados), na prova dos nove.

Aquilo que eu leio: "Benfica vence Rio Ave com nove" é (e agora vou fazer perguntas):

- Quem venceu?

Resposta: o Benfica

Com quantos?

Resposta: (o sujeito continua a ser o Benfica) com nove

A quem: ao Rio Ave

Há neste «blog» pessoas mais bem habilitadas (ou melhor habilitadas como dizem os políticos e os apresentadores de televisão) para darem lições de jornalismo.

No entanto, as coisas são simples; o "lead" deverá responder a quatro perguntas: o quê (o acontecido), quem, quando e onde. O "sub-lead" deverá responder a duas perguntas: como e por quê.

Simplificando, título: Lage fica a boiar após afogamento no Rio Ave, desenvolvimento ("lead" e "sub-lead"):

Ontem, o Benfica após ter estado a perder por 1-0 em Vila do Conde com o Rio Ave, salvou-se.

Melhor, salvaram-no, o VAR e Godinho, salvaram Lage dum afogamento eminente, com a primeira expulsão, o Benfica conseguiu o empate, ainda assim, o Rio Ave a jogar com dez jogadores esteve sempre mais perto de vencer o jogo. Os minutos passavam e a arbitragem teve de tomar medidas drásticas, expulsaram mais um.

Como diria Fernando Pessoa: "Luís Filipe Vieira quer, o padre sonha e a obra nasce".

A Liga de papel

papel2020.06.03 (2).jpg

Isto que se vai iniciar hoje parece-se muito com uma série de televisão.

Não escolhi esta série (a da imagem) por acaso, aquilo, a que vamos assistir a partir de hoje, só foi possível graças a uns mascarados de fato de macaco vermelho, que não queriam perder, nem o campeonato, nem, principalmente, o papel, o papel moeda.

A primeira temporada (e na minha opinião, a verdadeira) desta Liga foi jogada nos estádios de futebol, com cheiro a cerveja e a couratos.

A segunda temporada inicia-se hoje nas pantalhas televisivas com cheiro a pipocas e a sumos de palhinha.

Que comecem os jogos (televisivos).

O pai, o pesa-almas e o Sporting

IMG_20200524_135815 (2).jpg

 

Assisti a tanta conferência de imprensa, a tantas falas, de malta do futebol, escritas pelo mesmo guionista, que só me ocorre; "hoje chorou muito, amanhã pode ser melhor".

faz parte de ser sportinguista, ser resistente (odeio os neologismos; resiliente, proactivo e outras importações manhosas para a nossa Língua), ser esforçado, ser dedicado e acima de tudo ter esperança, é a essência do sportinguismo.

Texto completo: neste encruzilhamento

Textos relacionados: este do Francisco, este do José, este meu (principalmente os comentários) e este, delituoso.

Correu tudo bem, felizmente.

Cheira-me, cheira bem, cheira a Lisboa (e Benfica)

0.slb.png

Cheira, cheira-me que aqui há gato ou melhor há, alegadamente, águia.

Há quem diga que em tempos de confinamento nada melhor que cheirar umas linhas brancas para animar.

Até as iniciais do nome do barco parecem indiciar que ali há coisa: SLB T (ship long beach trader [slb traficantes?]

Resta à justiça apurar. 

O primeiro-ministro que foi tão lesto a pronunciar-se na assembleia da república sobre um "bate-boca", nas redes sociais, entre um futebolista e um político, será, certamente, muito mais assertivo a esclarecer este caso de justiça, de tráfico de droga internacional que envolve o maior clube português, aguardo a conferência de imprensa, hoje, às 20H00.

Bibliografia:

https://www.jn.pt/mundo/pacotes-de-droga-com-simbolo-do-benfica-apreendidos-no-mexico-12173427.html

Ver em tempos de isolamento, 4

IMG_20200503_085451 (2).jpg

Ora aí está, uma utilização abusiva desta série do Francisco para recomendar: Losers: ganhar e perder.

A vida não se faz só de vitórias, faz-se de derrotas, também.

Às vezes é necessário batermos com os pés no fundo da piscina para ganharmos impulso e subirmos.

Esta série relata-nos histórias verídicas de várias pessoas que perderam mas souberam dar a volta, oito episódios sobre oito desportos diferentes (cerca de 30 a 40 minutos casa um).

Há uma frase atribuída a Séneca que diz mais ou menos isto: "antes ser derrotado no bem que vencer no mal" que podemos interpretar com antes perder com honra que vencer com batota.

Operário e futebolista assassinado pela própria mãe

21792879_Ghv2K[1].jpg

 

Hoje, dia 1 de Maio, celebra-se o dia do trabalhador.

Há um sinónimo de trabalhador que me interessa, especialmente, operário (do latim operor; trabalhar, ser eficaz, produzir).

A imagem que ilustra este texto foi obtida hoje perto do Largo da Princesa, Belém, um espaço geográfico que os pés descalços de José conheceriam.

Um operário vestido de azul ganga durante a semana e vestido de azul com a cruz de Cristo no domingo.

Estreou-se na equipa principal do Belenenses num jogo contra o Benfica com apenas 16 anos recentemente completados. A quinze minutos do final o Belenenses perdia por 4-1, mas, a equipa deu a volta ao resultado e venceu por 5-4. José Manuel Soares tornou-se de um dia para o outro um ídolo popular.

Entre 1926 e 1931, transformou-se na maior estrela do futebol português do seu tempo. Avançado felino, tem o recorde de golos num só jogo - 10 ao Bom Sucesso - e quando se estreou pela selecção portuguesa com dois golos à França, com meros 18 anos, "foi o delírio" nas "ruas mais pobres de Belém", como lemos em A História do Futebol em Lisboa: "representava a alma do Bairro, o seu orgulho e a sua vaidade." O momento de maior glória chegaria com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de 1928.

No dia do primeiro jogo, com o Chile, uma multidão encheu as ruas no centro de Lisboa, lendo as edições especiais dos jornais, ou observando o painel no Rossio onde a partida foi acompanhada num directo pré-televisão, com um homem, em contacto com Amesterdão, assinalando com um íman e com a precisão possível os avanços e recuos da bola no campo.

Portugal vence 4-2, ele marca e é decisivo nessa e na vitória seguinte, frente à Jugoslávia. A contestada derrota com o Egipto no terceiro jogo [um golo invalidado a Portugal] não maculou em nada o seu prestígio,  estrela maior do futebol de então; nos campos era um ídolo, fora dele, um simples operário no Centro de Aviação Naval do Bom Sucesso.

Como depreendemos pelo título foi a mãe que o matou, num dia de infelicidade, a solidariedade da bairro operário em que viviam (é interessante pensarmos em Belém como um bairro operário) funcionou e a pobre senhora que, apenas, trocara o sal por soda caústica* para fazer uma sopa, nunca foi acusada de nada embora os vizinhos soubessem o que acontecera.

Chamava-se José, passou para a posteridade como Pepe, um operário que morreu por comer sopa.

*a soda caústica era utilizada em conjunto com areia para "arear" tachos e panelas, é muito semelhante ao sal e a sua ingestão é mortal.

Bibliografia: https://www.publico.pt/2011/08/28/jornal/dois-bairros-e-uma-bola-uma-historia-de-futebol-22756853

http://blogoexisto.blogspot.com/2006/10/lenda-do-pepe.html

Nalitzis, viu-se grego para ser campeão

21778636_76J5O.jpeg

 

Era Abril, 21 de Abril (como hoje).

Não havia covid, havia muitas coisas que nos convidavam a não ficar em casa.

Nesse dia em Alvalade, o Sporting seria campeão (Martins dos Santos não o permitiria [é pá estou a fazer "spoiler" como se diz no estrangeiro] nesse jogo Nalitzis poderia ter marcado golo, Armando Sá (ah pois é, quem é que se lembra deste fabuloso produto do Seixal [que na altura ainda se situava na margem norte]) não o permitiu, qual Vata amãozou-se com a bola (opss, outro "spoiler" como se diz no estrangeiro) impedindo Nalizis da glória, do golo do empate, conquistado com esforço, dedicação e devoção.

Foi Jardel que o marcou (ao golo), num dia de felicidade, nesse dia não houve guaraná, houve uma mensagem sentida, certeira: "Será pelo João Pinto?" (rais partam os "spoilers").

Nalitzis ainda teria outro momento de glória, uma recepção fantástica, um passe sublime, um golo cantado, apesar da assistência, apesar dum tal Moreira na baliza, Jardel faz o pior remate de toda a carreira e falha a veia, o nariz, o beijo da bola na rede (eu sei, estou a antecipar os comentários malévolos, só quem nunca passou por situações semelhantes, com pessoas próximas, demasiado próximas, pode achar piada a isto, portanto, poupem-me, obrigado).

Dizia eu, Nalitzis, um quase herói, num quase título (nesse dia) obviamente, seríamos campeões, nessa época, a melhor equipa, o melhor futebol jogado e a mais, a mais prejudicada pelas arbitragens.

Nesse ano, o Benfica ficaria fora da Europa, a assistir pela televisão aos jogos na Intertoto de potências como o Santa Clara dos Açores ou a União de Leiria de Bartolomeu (um tal Luís Filipe Vieira já andava por lá [pelo Benfica] acolitando Vilarinho).

Passados dezoito anos, precisamente, termino com duas frases, uma de José Navarro de Andrade: "não sei qual a razão para darem tanta importância a esses gajos de camisola encarnada que vão a Alvalade (salvo caprichos dos sorteios das taças, acrescento eu) uma vez por época" e outra ainda mais pragmática de  Bölöni: "Antes do jogo com o Benfica tínhamos três pontos de vantagem [para o segundo (que era o Boavista)] agora temos quatro"
(para quem quiser e tiver oportunidade este jogo está disponível na Sport Tv 1, passou hoje).

Heróis no estádio

21763317_7w9Z3.jpeg

 

A imagem é uma ampliação do livro "bd pop rock português" Heróis do Mar por António Jorge Gonçalves, p.18.

O interessante disto é que embora tenha assistido a muitos jogos de futebol e a alguns concertos em Alvalade (destaco, com muita saudade, o de Bruce Springsteen) não faço a mínima ideia se este concerto com os Heróis do Mar «transportados em helicóptero» antes do Sporting-Porto terá acontecido mesmo e quando (terá sido entre 1981 e 1989) algum dos leitores ou das leitoras (engraçado como agora nesta coisa do Covid-19 ninguém diz: as vítimas e os vítimos [para memória futura]).

Pronto, fico à espera da ajuda de todos e de todas (incluindo os que aqui escrevem) puxem pela memória ou em alternativa podem aproveitar para falar de concertos marcantes que tenham assistido em Alvalade, pois, lá está, nem só de futebol vive o Homem (nem o Sporting).

Como podem ver na caixa de comentários, já descobrimos qual foi o jogo.

Fiquemos, então, com as imagens, são cinco minutos de futebol bem jogado e mal apitado, vejam o critério de distribuição de amarelos de Raúl Nazaré (o apitador de serviço).

Uma nota para terminar, na época seguinte 1984/1985 o Sporting seria eliminado muito cedo da Taça de Portugal depois de um empate 0-0 (após prolongamento) com "O Elvas", vejamos quais os jogadores que participaram nesse jogo* e comparemos com aqueles que foram eliminados pelo Alverca, enfim, um dia mau, todos temos.

Reguardando os chiffres, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24

chifres1.jpg

Desalentado, não, ele não queria ficá-lo e não o ficaria desse lá por onde desse! Quantos iam no seu encalço? Centenas? Milhares?

O que não o impedia de beber o seu cálice de bagaceira e de permaner impassível vendo a chuva cair. Um homem é sempre mais forte que uma multidão, desde que conserve o seu sangue-frio

O "post" anterior desta série foi publicado em 2020.01.05, precisamente, há 11 semanas, tantas quantos os jogadores de uma equipa de futebol.

Onze semanas, dez jornadas (parece muito tempo sem futebol, na vida, na morte, tudo é relativo).

Desde esse dia jogámos dez jornadas para o campeonato, um  jogo para a Taça da Liga, dois jogos na Liga Europa.

Na Taça da Liga fomos eliminados de forma justa mas ilegal, justa, o Braga jogou melhor futebol que nós, ilegal, há uma carga à margem das leis sobre o defesa do Sporting, antes do cruzamento que impede que o jogo seja disputado através de pontapés da marca de grande penalidade.

Na Liga Europa fomos eliminados de forma injusta mas de forma mais ou menos legal, basta revermos os dois jogos (alguns de nós, infelizmente, agora têm muito tempo para isso)* o Sporting foi, inequívocamente, melhor no conjunto das duas mãos, não tivemos nos dois jogos a "sorte" do jogo; tivemos nos dois a "falta de sorte" das arbitragens. 

(quem tem dúvidas é só rever lance a lance, o jogo em Alvalade e na Turquia, quais os lances que foram marcadas faltas, quais os que foram mostrados cartões, como foram decididos os lances dentro da área e fora da área, terá existido o mesmo critério?).

Não me apetece estar a esmiuçar tudo, jornada a jornada, todas estas jornadas, tiro o meu chapéu ao Pedro Correia, ao Luís Lisboa e ao Leonardo Ralha (espero não me estar a esquecer de ninguém) que conseguem fazer análises jornada a jornada, em cima de cada um dos jogos, eu, disse que o faria mas a carne é fraca (o tofu ainda pior) e às vezes a seguir aos nossos jogos apetece-me mais chorar que escrever.

Após 24 jornadas, o Sporting é quarto, ainda assim, com os mesmos empates do primeiro classificado e menos um que o Braga (terceiro classificado), com os mesmos golos sofridos que o terceiro classificado,26,com mais cinco golos marcados que o quinto classificado, o Rio Ave.

Nesta altura o Sporting é o único clube com um treinador que conta por vitórias todos os jogos efectuados, como treinador do mesmo, Rúben Amorim.

* na sexta-feira escrevi isto:

"O meu estado de espírito não é o melhor, este fim de semana "postarei" a razão, enfim, uns estão aborrecidos por não trabalharem, eu estou aborrecido, "é chato" por ter de trabalhar; apesar de...
Abraço, Edmundo (acho que não é tempo para guerrinhas é o tempo para unir o Sporting)"

num postal do Edmundo.

Imaginemos que uma pessoa está prestes a completar 52 anos de idade. Imaginemos que essa pessoa tem quase 30 anos de trabalho numa "sociedade anónima" detida a 100% pelo Estado.

Imaginemos que essa pessoa tem a esposa em casa com uma gravidez de risco, de muito risco, a cerca de um/dois meses do final da gestação (é/será/seria o primeiro filho de ambos, filho único e neto único dos dois lados).

Imaginemos que essa pessoa tem de continuar a ir trabalhar, diariamente, contactando com pessoas no local de trabalho, de atendimento ao público e com contacto físico (a não ser que vista um fato de pintor, o que não combinaria com o terno e a gravata) enfim, tantas precauções por um lado, tanto desleixo por outro [a questão não é a pessoa imaginária, são os outros que, supostamente, estão protegidos em casa e todos os dias correm o risco de ser contaminados].

Imaginemos que a entidade patronal lhe diz algo do género: "tu é que sabes, cinco faltas injustificadas são despedimento com justa causa".

Acredito que vou ganhar aqui...

21722832_pl1Hm.jpeg

 

... como ganhei no Benfica de João Vale e Azevedo e na União de Leiria de João Bartolomeu; eu (José Mourinho) acredito que ganhei, que importa que os factos desmintam a realidade?

Ganhei títulos.

Títulos de jornal, talvez; mind games (como dizem no estrangeiro).

Menos títulos de jornal, mais títulos no campo, seria (penso) a ambição do Dr. Varandas do Tottenham quando contratou Mourinho.

Entre Gedson e Bruno tudo indica que Mourinho terá escolhido o Fernandes errado.

Às vezes vejo o futebol como uma tourada, um touro dum lado, um toureiro do outro; um touro vermelho (red bull) que avança, um toureiro que investe e dá a estocada mortífera ou então foge espavorido pela arena fora e sai da praça, entram os bandarilheiros (os treinadores interinos) e aguentam a situação.

Hoje é (penso eu) um dia de tudo ou nada. Mourinho vence e é um herói.

Mourinho perde e é um herói, também, demite-se sem custos monetários para o Tottenham e indemniza a equipa londrina de todos os custos que teve com ele.

Acredito que José Mourinho no final do jogo tomará a atitude certa, digna.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D