Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Boa Sorte, Nani

img_920x518$2019_02_15_15_43_51_1505923.jpg

Acabo de ler. Aqui alertado nos comentários da partida de Montero (fica o Phyllepe ou lá como se chama; fica o diabo do Diaby) fui aos jornais e sei que parte também Nani - um dos grandes jogadores que o Sporting formou e que por duas vezes regressou a casa. Emagrecimento salarial, anuncia o jornal ser a causa destas duas saídas. A de Montero, apesar de o considerar um jogador de muita classe - e vou crente que a sua transferência para a China, na primeira passagem pelo clube, dizem que por nossas dificuldades de tesouraria, nos custou um título - posso compreender. Agora Nani? Numa contabilidade de "deve/haver" porventura. Mas há jogadores de classe no clube? E que tenham formação sportinguista? Que sirvam para construir equipas e reproduzir clubes?

Não há dinheiro para o manter? Talvez. Mas mais exigência se deverá ter a analisar o efectivo valor dos recém-contratados. Para os quais houve dinheiro. Valor no jogo jogado. Valor na classe transmitida. Valor na contribuição para que o clube se vá transferindo de geração em geração.

Enfim, mais significativo é o facto do clube seguir de derrota em derrota e o afã ser em transferir os jogadores mais sonantes. Borrasca orçamental óbvia. Mas também um enorme sinal de des-ilusão para esta época, um ululante baixar dos braços.

No próximo defeso? Sairá o Bruno Fernandes, decerto que pronto para procurar outro rumo para a carreira. E ficaremos com o Acuña, a besta quadrada. E com os phelllypes ou lá como se chamam.

Boa sorte, Nani.

Apaguei um postal

marcosoaresgoloanulado.jpg

Não foi ontem. Foi durante o jogo com o Feirense. Após uma longa série de jogos sem ganhar o Sporting enfrentou o último classificado, equipa em crise que acabara de despedir o treinador que há anos a dirigia, fazendo-o com relativo sucesso entretanto maculado. E, num jogo dividido, a meio da primeira parte houve um golo limpo anulado ao Feirense. E para quem conteste, bastará o contrafactual - se um golo igual fosse anulado ao Sporting todos viriam aqui falar do vieira, e-toupeira ou outros eiras quaisquer. Escrevi isso. E depois, ao intervalo, logo apaguei. Pois não vale a pena acicatar os ânimos (e a caixa de comentários do És a Nossa Fé é por demais apaixonada para o meu macerado fígado). Mas ficou-me a ideia: após uma longa série de jogos sem vitórias (sim, a taça da liga "estava no autocarro" mas sem se conseguir uma vitória durante os 90  minutos), para se ir ganhar ao último, em crise, foi preciso um empurrão amigo - a tal constante protecção aos "grandes". Que sempre protestamos por ser a nossa menor do que a dedicada ao Porto e ao Benfica, mas nunca o fazemos por ser maior do que a prestada ao Riopele ou à Sanjoanense (ainda existirão estes?).

Ontem mais uma derrota e uma paupérrima exibição. Não vou repetir o que tantos dizem. Mas lembro o que aqui venho escrevendo há meses sobre o meu desgosto com a forma como o futebol sénior é gerido por Frederico Varandas (3.11.18). Ainda que me tenha até entusiasmado com os primeiros jogos deste insuficiente holandês (comi o meu gorro a 14.12.18). Mas insisto que (8.1.19) "Em suma: Keizer canta bem, declama bem, é galã, dança bem. Mas isto é um filme de acção, porra. Mudem já, pois daqui a uns breves meses será já tarde demais." E pergunto-me (30.1.19) "O presidente Varandas está a dormir? A massa adepta, o "Universo Sporting", emigrou? Francamente, dr. Varandas, não há volta a dar-lhe: demita o Peseiro, já! O homem não tem mãos para isto."

Varandas é o responsável máximo do que está a acontecer. Não é Bruno de Carvalho. Nem Sousa Cintra. Ou a "pesada herança" de José Peseiro. Ele (4.2.19) "Fez um "all in". Teve uma "fezada". Foi buscar um treinador sem currículo, agitou a marca Ajax para se justificar, convicto de que é um líder iluminado, capaz de trazer o que mais ninguém poderia antever. Deixemo-nos de coisas, nem a "escola Ajax" é invejável pelos clubes portugueses, nem Keizer é particularmente relevante nela, nem o futebol holandês ultrapassa o português. Isto é uma série de erros e falsidades. Advindos da falta de ponderação do aparentemente seráfico Varandas. Cujo afã de "marcar posição" causou este naufrágio, este descalabro anunciado. Fruto de uma errónea concepção de real, de administração. Como se Iluminada, mas imponderada, incompetente."

Faltam-me mais palavras. Sobram-me apenas as suficientes para lembrar que se o Sporting jogasse tão mal e com tanto insucesso sob o comando de um treinador que não tivesse sido escolhido pelo iluminado capitão do Afeganistão (para o qual a cadeia de comando é sagrada, convém lembrar o pobre quadro mental do actual presidente ...) haveria uma "chicotada psicológica".

Um sortido de memórias a propósito do VAR

BBTnIuA-780x405.jpg

Muito se discute em Portugal isso do VAR. Ontem vi o Atlético de Madrid - Real Madrid.

As minhas simpatias no futebol espanhol mudaram ao longo dos anos. Comecei por ser adepto do Barcelona, devido a um jogo que vi na RTP - então eram muito raros os jogos transmitidos - e que imenso me marcou: a final da taça do Generalíssimo (pois, então era assim ...) de 1971, em que o Barcelona ganhou ao Valência por 4-3.

Esse ano foi a minha era formativa em termos de futebol, pois também fiquei adepto do Arsenal, e também devido ao triunfo na final da Taça, com um tipo chamado Charlie George, de cabelo comprido (à Beatles, como se diria na época) a brilhar na vitória contra o Liverpool. 

E, mais importante, muito mais importante, foi também nesse ano, e também na final da taça, vista na televisão - numa casa onde mais ninguém ligava a futebol - que me fiz sportinguista, tombado para sempre amoroso de Vítor Damas e do maravilhoso verde-e-branco, numa vitória sobre o Atlético de Carnide por 4-1.

Em Espanha depois mudei, já adulto. E claro que por causa de Paulo Futre, que então era rara a emigração dos futebolistas portugueses, passei a adepto do Atlético de Madrid. Algo que resistiu à chegada de Luís Figo ao Barcelona e à sua transferência para o Real Madrid. E à chegada de Cristiano ao mesmo Real. Até porque, de facto, não gosto da cagança merengue e do frenesim catalão. Mas mais do que isso porque essas transferências dos ídolos nacionais já aconteceram em minha fase mais madura, menos dada a paixões e muito mais propensa a irritações. E foram essas irritações que me afastaram, para sempre, do Atlético de Madrid, neste recente início de 2018/19, num "ficais com o Gelson? Ide bugiar". 

Como tal gostei bem da derrota de ontem dos colchoneros. Mas aqui entre nós, e a propósito do VAR, antes de protestarmos com o mílimetro a mais ou a menos que os árbitros portugueses concedem ou desconcedem, conviria ver o que fazem os árbitros espanhóis.

 

"Com a desgraça alheia posso eu bem"? Sim, também é verdade. Mas pelo menos dá para perceber que não estamos pior do que os vizinhos ... Que grande lata que por lá têm.

 

Adenda: hoje o grande Fernando Chalana faz 60 anos, mas sabe-se que essa chegada a sexagenário é feita em difíceis e tristes condições de saúde. Chalana, ídolo dos vizinhos ali de Carnide, foi um jogador extraordinário. Há cerca de 10 anos foi, como treinador principal interino daquele clube, a Maputo para um torneio quadrangular de fim de época, comandando uma equipa de reservas e jovens. Pude conhecê-lo. A delegação benfiquista foi a uma escola, eu fui lá ver a reacção dos miúdos. Estes estavam esfuziantes por ver os "ídolos" (de facto eram as reservas dos "ídolos" mas isso não alquebrava a euforia juvenil). E claro que ninguém ali conhecia Chalana. Aproveitei  para me apresentar e ficámos de conversa uma boa meia-hora. Um homem gentilíssimo. E interessado, coisa tão rara entre os visitantes portugueses - indagando sobre o país, sobre mim, como corria a vida, como a família se adaptava, etc. Tão diferente do "me, myself and I" dos inúmeros patrícios que por lá aportavam, qualquer que lhes fosse a profissão ou meio de origem. Fiquei ainda mais fã ...

Por isso, pelo magnífico jogador, e pela simpatia pessoal, aqui deste meu "Bordeaux" deixo a minha leonina hommage à Chalanix:

050.jpg

 

Vamos lá deixar-nos de merdas ...

GettyImages-1094585454.jpg

Abaixo o António F. coloca esta foto num postal em que anuncia que está a brincar. Pois eu "roubo" a foto e aviso que não estou a brincar. Ilori despontou há alguns anos. Muito jovem foi promovido à equipa sénior e augurou-se-lhe uma bela carreira. De imediato quis sair do clube, e fez imensa pressão para isso. Dir-se-á que é normal, que os jovens são ambiciosos, que uma transferência para o campeonato inglês é apetecível. E que um convite do lendário Liverpool é (quase) irresistível. Concedo. E também concedo (e já o botei aqui) que algo se passa há largos anos no clube, pois é recorrente que os jovens da formação queiram sair a todo o custo, o que não acontece exactamente assim nos clubes rivais. Serão as perspectivas de futuro, a disposição de integração no plantel sénior, será o ambiente geral, será alguma discriminação (estatutária e económica) face a jogadores que chegam de fora. Não sei, são possibilidades. Mas o que é certo é que Ilori não saiu propriamente a bem. A carreira não lhe correu grande coisa. Passados anos o Sporting decide "repescá-lo". Há quem torça o nariz, será que se justifica, em termos futebolísticos? Outros resmungam, lembrando o tal desagradável processo de saída. Eu não tenho nada contra, já a Bíblia fala do regresso do filho pródigo, e como foi recebido de braços abertos.

Agora que um tipo que tem esta relação com o clube regresse e que no primeiro jogo, que é na Luz contra o "eterno rival", e logo depois de um muito aziago jogo em Alvalade contra o mesmo Benfica, não tenha sequer a sensibilidade, a amabilidade, o apreço pela simbologia do clube que o formou, viu partir e o fez regressar, e que se apresente calçado de vermelho? Dirão alguns que são pormenores. Outros falarão de "compromissos publicitários". Eu não aceito. Em boa linguagem de bola digo o que é verdade: Ilori está-se a cagar. E deixemo-nos de merdas, isto nunca aconteceria num F. C. Porto. É a tal mentalidade, aquela que permite estruturar instituições e levá-las ao sucesso (desportivo, neste caso). Começa por respeitá-las, mostrando-o com grandes gestos, de arreganho e entrega. E pequenos gestos, de gentileza e comunhão. Como mudar a cor das botas num primeiro jogo depois de todo este historial. 

A porta da rua é a serventia. De Ilori. Agora será no final da época. E é evidente que se em toda a estrutura do clube não há alguém o resmungão o suficiente para lhe dizer "Ó Ilori tem juízo, vai mas é calçar outras botas" há muita gente que terá que sair. Ou alguém que deverá entrar, para criar tino naquilo.

Um postal que não é sobre futebol

ligafutebol.jpg

'Tweet' sobre jogo ... vale suspensão e multa a Afonso Figueiredo. Defesa do Rio Ave punido pelo Conselho de Disciplina: o lateral esquerdo Afonso Figueiredo  foi esta terça-feira (ontem) suspenso por uma partida e multado em 580 euros devido a um "tweet" publicado a 16 de setembro do ano passado, na sequência de um duelo entre o Rio Ave e o Benfica referente à fase de grupos da Allianz Cup (...). Na altura, na rede social Twitter, numa publicação que posteriormente apagaria, o (jogador de futebol do Rio Ave) deixou a seguinte mensagem: "Quando uma equipa 'pequena' assusta um grande, há sempre 'alguém' para os ajudar... Quando evoluis, Portugal? P.S.: dentro de campo não havia buracos".

Não sendo eu jurista não posso falar de cátedra. E até acredito que haja um qualquer regulamento das associações profissionais da actividade futebolística que o jogador (e todos os seus colegas) tenha, explícita ou implicitamente (ao assinar contrato de trabalho), subscrito.

Mas fica-me a dúvida: será legal (constitucionalmente falando) proibir alguém de exercer o seu trabalho, e também multá-lo, por exercer o seu direito de opinião?  E ainda por cima sem caluniar ou injuriar alguém, o que a ter acontecido deveria ser tratado em tribunal? 

Isto é normal? Ou é o que o parece, um Estado dentro de um Estado, regulando-se por normas diferentes? Diante da simpática (e adepta) complacência alheia? Há por aí algum jurista que me possa esclarecer?

(Durante-scriptum para comentadores menos "ágeis": o postal não é sobre o Benfica e as coisas dos clubismos).

Crónica de um descalabro anunciado?

Colossal_statue_of_Mars_-_Palazzo_Nuovo_-_Musei_Ca

(Pirro, representado como deus Marte)

 

Não há muito a dizer. Derrota em Guimarães, derrota em Tondela, empate em casa com o Porto, a jogar algo encolhido e o Porto a jogar o q.b. Depois um empate com um Braga superior e vitória nas grandes penalidades. E um empate com o Porto, idem. Dando uma aprazível vitória numa taça desprestigiada, feita para jogar com os suplentes mas agora motivo para exaurir plantéis curtos, no afã de (efectivamente) vãs vitórias. Foi uma vitória de Pirro, como é óbvio. Depois, um empate em Setúbal a jogar pessimamente (tal como em Tondela se tinha jogado mal). E ontem um descalabro (foi 4-2 mas podiam ter sido 6 ou 7). Será preciso recuar um quarto de século para encontrar desastre parecido em dérbis mas, ainda assim, o de então teve outros contornos qualitativos.

 

Nem vale a pena discutir aquilo de uma equipa (que vai jogando cada vez pior) estar a levar um banho de futebol, não conseguir criar algo, chegar ao intervalo e tirar o seu jogador mais esclarecido, Nani, e meter um avançado que tem sido uma constante desilusão, Diaby. Pormaior que demonstra um timoneiro à deriva. Não vale a pena porque é evidente que Keizer não serve para isto e tem que sair. O mais depressa possível. A responsabilidade é de quem o contratou? Em primeiro lugar, "quem não tem competência não se estabelece". E Keizer foi muito atrevido em aceitar um convite para vir treinar um grande clube num campeonato onde há muito mais saberes do que os que ele tem. Keizer pode ser simpático, ter um discurso contido e civilizado. Mas foi de uma falta de humildade enorme, a roçar a inconsciência. Não tem competências para o lugar que ocupa, aquilo do "princípio de Peter". E é ele o principal responsável por toda esta situação. 

 

Em segundo lugar Varandas. O Pedro Correia já me pediu para eu não adjectivar o presidente. Ok. Que fiquem explícitas duas coisas: a) desejo todos os sucessos possíveis ao presidente Varandas, seria a minha e nossa alegria; b) eu não gosto, nem uma pitada, de Varandas. O seu dístico presidencial "a cadeia de comando é sagrada" - entenda-se, nem na tropa o é - mostra uma concepção irracional das funções de dirigismo. Que ele vem demonstrando. No contexto em que emergiu a nova direcção teria que reforçar (renovar?) os alicerces e calafetar os rombos. E, se vier a ter possibilidade para isso, lá mais para a frente, tratar dos rodapés. Ao abdicar de Peseiro, que fizera exactamente isso no âmbito das suas funções, Varandas mostrou que aponta para um rumo contrário. Peseiro trancou a equipa para lhe conquistar alguma tranquilidade para cruzar esta época que seria sempre de contidas expectativas, Peseiro foi inteligente. Perdeu com o Portimonense? Sim, e depois? O Braga ganhou lá? O Benfica ganhou lá? Perdeu em casa com o Estoril para a taça da Liga com nove suplentes? E depois, a taça Lucílio Baptista é mesmo relevante? Ainda para mais num ano de difícil gestão do plantel?

 

Varandas fez o contrário, qual "anti-Peseiro". Fez um "all in". Poderia ter segurado a cautela experiente do treinador, por cinzento que ele seja, e tratado de reestruturar o clube - reforçando formação e prospecção, como todos auguram necessário. Mas não. Teve uma "fezada". Foi buscar um treinador sem currículo, agitou a marca Ajax para se justificar, convicto de que é um líder iluminado, capaz de trazer o que mais ninguém poderia antever. Deixemo-nos de coisas, nem a "escola Ajax" é invejável pelos clubes portugueses, nem Keizer é particularmente relevante nela, nem o futebol holandês ultrapassa o português. Isto é uma série de erros e falsidades. Advindos da falta de ponderação do aparentemente seráfico Varandas. Cujo afã de "marcar posição" causou este naufrágio, este descalabro anunciado. Fruto de uma errónea concepção de real, de administração. Iluminada, imponderada, incompetente.

 

Durante meses aqui eu, e outros, escrevemos convocando os membros da direcção de Bruno de Carvalho para que pusessem termo ao profundo desatino do clube. Não houve eco, como é sabido. Mas está na altura de convocar os membros da direcção do Sporting para que exerçam um poder colegial. Para que terminem este desvario futebolístico. E que fique explícito, não é Keizer que é Pirro, vestindo-se como o deus da guerra. É Varandas, na sua aparente fleuma britânica. Imaginem qual seria o conteúdo das críticas que faríamos a Bruno de Carvalho se dias antes de um Sporting-Benfica, sempre importante, tivesse vindo agitar as águas acusando o presidente do Benfica de malfeitorias e, como não quer a coisa, fosse dizendo da fragilidade do plantel do Sporting. E depois não só levasse 4-2 em casa como visse a sua equipa a anos-luz de qualidade de um Benfica que mudou de treinador e dispensou um punhado de jogadores, sem fazer contratações para os substituir. Foi exactamente isso que Varandas fez. Qual Marte vituperando o Benfica. E qual Bruno protestando a qualidade dos seus jogadores. Pode parecer "british". Mas é péssimo.

 

Os miúdos da academia

img_1280x720$2018_12_22_09_05_55_1486464.jpg

 

Noticia o Record (a pérfida Cofina, que anda um bocado abandonada nos comentários aqui no blog) que o Benfica promoveu 4 jogadores da sua formação ao plantel principal. Beneficiando, decerto, do conhecimento do seu treinador principal, anterior responsável pela equipa B. No Benfica tem brilhado aquele miúdo, João Félix, que Vitória lançou e Lage segurou. Um puto que joga muito, não sei se vai ser uma grande estrela mas é uma delícia ver um franzino daqueles jogar - sim, é do Benfica, mas eu gostando de futebol gosto mais de ver um reguila daqueles a jogar do que ler sobre onde irá o presidente do clube assistir ao jogo ou coisas similares habituais nos jornais desportivos, ou ouvir dissertações sobre o que escreveram os "oficiais de comunicação" dos clubes. Confesso, nos jornais desportivos, para além do jogo só me interessam mesmo as abundantes referências às actuais, pretéritas e futuras namoradas ou amigas dos jogadores da bola, está agora muito na berra a namorada de um tipo, Buta, que veio do Benfica aqui para a Bélgica, uma mulher magnífica, que formas generosas, a rapariga dá vida a um proto-morto como eu, e ele é do Benfica, malandro, mas caramba, sim senhora, assim sim, que jeitosa que vai a gaiata ... (estava eu a escrever sobre o quê? ah, já sei ...).

Bem, era sobre os jovens do Benfica. Enfim distraí-me com outros assuntos, mas ... enfim, era só para dizer que o Benfica (malvados, malandros, lampiões, vieiristas, gatunos) despachou alguns jogadores, decerto que a perder algum dinheiro que nestas coisas de contratações falhadas deve ser assim, depois de ter substituído o treinador. Fez o subir o treinador dos miúdos, já lançou um belo artista este ano, e agora promove um punhado de rapazolas, uns terão sucesso outros talvez nem tanto.

Dá-me a sensação que é assim. 

Pronto, era só para dizer isto. Agora vou voltar para os jornais desportivos. Há por lá muita informação, não sei se já vos disse.

Peseiro para a rua, já!

jordao.png

O Vitória (de Setúbal) é a minha segunda equipa. Com pouco afã mas é. Não, não é por causa do verde-e-branco (ainda que ajude). Nem nunca "fui muito feliz em Setúbal". É mesmo por causa do Allison, do Manel e do Rui Manuel Trindade Jordão (e não me venham para aqui uns putos falar da rábula do Gauld e do Geraldes, que não sabem nada da história ...). Dito isto, avante.

O Vitória tem um plantel muito curtinho, valha-lhes Deus Nosso Senhor. Pois "não há dinheiro, não há palhaços" (não, não é insulto, o dito refere-se a artistas). Como não há dinheiro parece que os jogadores têm o taco em atraso. Nem começaram mal o campeonato mas estão a afundar. Os golos mais que rareiam, os pontos já nem os alcançam. Está o clube tão mal que na semana passada o treinador foi à vida - não foi uma "chicotada psicológica", o homem fez-se à estrada para onde lhe pagassem, seguiu para a Arábia Saudita mas afinal parou no Bessa. Ficou o director do futebol a tratar do assunto enquanto não arranjam alguém que se queira meter na boca do sado nestas condições.

E nisto tudo, para piorar, são visitados pelo campeão de inverno. Ok, o árbitro inventou ali na história do Ristovski. Mas não chega para esta miséria. Certo, se houvesse penalties no fim, para o desempate, teríamos ganho. Mas no campeonato não há. Há só isto. Uma equipa que vai a Guimarães e leva um banho de bola e uma derrota. Que vai a Tondela e leva umas arroxadas e uma derrota. Que empata em casa com o Porto, a jogar o q.b. para empatar (as pessoas terão visto o tempo que o Renan levava a devolver a bola para o jogo?, o que isso mostrava da disposição mental dos jogadores? E se calhar das instruções?). E que agora empata com o medíocre Setúbal, sem jogar a ponta de um chifre. Eu vou repetir o notório: derrota com o Guimarães, derrota com o Tondela, empate com o Setúbal. 

É certo que olho para a equipa e há coisas que não percebo. O campeão de Inverno só tem 3 centrais no plantel, durante o Janeiro que é sempre difícil? Mas não há equipas sub-isto e sub-aquilo, cujos jogadores são para fazer subir à equipa principal quando necessário? Ainda para mais agora que se fez uma sub-23, jogadores já graúdos? E aquele Diaby joga sempre porquê se nunca joga? E os miúdos da Academia, que o Jesus não lançava apesar de tão talentosos, e que um treinador da escola Ajax tornaria estrelas, onde andam eles? Aquele Jovane, aquele outro rapaz que o avô, tão simpático, foi "apanhado", comovido, quando o neto marcou um golão? E úo leitor de Saramago, que não deixaram ficar em Setúbal, onde jogava, e agora também não na Alemanha, onde talvez viesse a jogar? E outros que devem se calhar andar por lá? Quando é que virá um holandês voador da escola Ajax, para lançar os miúdos? 

Eu vou repetir, caso não tenham lido com atenção. Derrota em Guimarães, derrota em Tondela, empate com o Setúbal (e o Setúbal nestas condições, imagine-se que estava um bocadinho melhor ...). 

O presidente Varandas está a dormir? A massa adepta, o "Universo Sporting", emigrou? Francamente, dr. Varandas, não há volta a dar-lhe: demita o Peseiro, já! O homem não tem mãos para isto.

Setúbal e o VAR

Ristovski acaba de ser expulso. Terá dito demais ao árbitro. Mas é inacreditável que tudo isto se passe diante de um árbitro, dois fiscais-de-linha e a rapaziada do VAR (que deve falar em situações de expulsão). O homem leva uma cotovelada tamanha que logo lhe cresceu um gigante galo. Foi de propósito. Diante do árbitro. E todos se calam.

Não vale a pena. O futebol só dá para um tipo se irritar. Saudações leoninas. 

Viva o treinador adjunto do Porto

img_757x498$2019_01_26_22_54_41_816322.jpg

 

Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça - desgraçados desengraçados que são - nos campos da bola.

Da sucessão de acontecimentos daquela época terá sido este o que mais me chocou - não a da invasão de Alcochete por um grupo de profissionais da economia paralela, apaniguados (avençados?, por via de bilhetes de futebol ...) da economia do crime em que se tornou o "futebol". Mas sim aquelas dezenas ou centenas de amadores, gritando impropérios aos jogadores junto à tribuna.  

O que esse período mostrou é que a turba infecta, irracional, não é um oligopólio do Porto e do Benfica, com franchisings em Guimarães e Braga. Mas que o Sporting, o tal "clube diferente" que julgávamos ser, ufanos, está preenchido com esta ralé insultuosa.

Ontem mais um episódio. Sob a tribuna - onde os bilhetes até costumam ser mais caros - descem os jogadores e treinadores do Porto. Na zona na escadaria estão concentrados adeptos do "nosso" Sporting. Destinam aos profissionais portistas um incessante coro de "cabrões", "vão para o caralho" e afins. O decano portista, mais velho do que eu, aparenta-o, no calor do pós-jogo irrita-se e estanca. Um dos "nossos" manda-o para a "cona da tua mãe". O homem, como qualquer homem digno, sente-se. E tenta, porque dele algo distante, atingir o "nosso" energúmeno com a porcaria da medalha. Infelizmente desconsegue, até porque logo afastado por um segurança.

O ambiente do futebol é este. Muito acicatado pelo "comunicação social", esse meio profissional (os co-bloguistas do métier que me aturem) que é um lumpen dos letrados. Mas a "comunicação social" tem o nível que tem porque é isso que o seu público "desportivo" quer. É. Um lixo de gente. Um lixo de gente que são estes energúmenos vociferadores, e os holigões mais físicos. Mas também todos os que com eles se sentam, vestindo as mesmas cores e imaginando e proclamando uma qualquer comunhão clubística - "somos todos Sporting", farto-me de ouvir e de ler. Isto apesar do clube ter nos estatutos, explicitamente, que é vedado aos seus associados ofender a moral pública. Qual será a noção de moral pública que os sportinguistas têm, aceitando décadas de comunhão com tanta e tamanha escumalha? Perdão, quero dizer, assim aceitando décadas de ser tanta e tamanha escumalha. Pois se se proclama uma qualquer comunhão com isto de gente, é-se também isto de gente.

Não é curial mas também não é legítimo, no sentido que não é legal, insultar trabalhadores. Não podemos ir à Caixa Geral de Depósitos (apesar do que fizeram com o crédito sem garantias) em grupo mandar para a cona da mãe e para o caralho os seus trabalhadores. Chamarão a polícia. Nem ao Pingo Doce. Nem ao restaurante do bairro. Nem mesmo à loja do desgraçado indocumentado bangladesche. Nem às obras de um prédio (aí levaríamos uma sova de porrada, bem merecida). Ou seja, não é legítimo (legal) ir a um local de trabalho insultar os trabalhadores. Como um campo de futebol. E é tão javardo, imundo, abjecto - "filhodaputa" para usar a linguagem de estádio - o tipo que vocifera, face-a-face com o trabalhador futebolista escudado na mole humana (a "moldura humana" na poética da ralé futeboleira), como aquele que só ombreia, partilha as cores, vai ao estádio. E comemora junto, uno à escumalha vociferadora.

A Federação e a Liga devem tomar consciência. O público que têm é constituído por esta mole de javardos. Os que mandam os trabalhadores para a cona da mãe deles, imensos. E os que se sentam ao lado destes e se calam, ombreando, se as conas aludidas forem as das mães da rapaziada de outros clubes. Dos "outros". E podiam, pelo menos, a tal federação e a liga, acabar com estas "subidas à tribuna". E passarem a entregar os troféus e medalhas no campo de jogo. Onde eles são ganhos. E onde se está longe desta escumalha. Benfiquista. Portista. Sportinguista. Portuguesa.

Lições a tirar desta vitória

b3979fb51e4c24c42e10ce6b933c836c-783x450.jpg

Estou cá longe, vi o jogo no computador (à Inácio), que está frio e não me apeteceu sair para ir ao "Ponto de Encontro", o sítio patrício aqui vizinho onde me fiz cliente habitual. Por isso conheço a equipa pior do que vós, aí, que vedes os jogos no ecrã gigante do José de Alvalade ou noutros ecrãs mais alargados. Ainda assim retiro ensinamentos que partilho na esperança que os sigam:

1 - O próximo tipo (sportinguista, está bem de ver) que assobie o Nani, alguém que lhe dê um calduço e o vizinho que lhe afinfe um carolo.

2 - O próximo tipo (sportinguista, está bem de ver) que resmungue com o Petrovic, alguém que lhe dê um carolo e o vizinho que lhe afinfe um calduço.

3 - Alguém que encontre um russo e o convença a contratar o Acuña, seja lá porque preço for: o homem será bom de bola mas não bate bem da bola.

4 - O VAR é como o Toyota, veio para ficar. Os que não o querem que vão para abaixo de Braga.

5 - O apocalipse já foi. Agora será sempre para melhor.

Monopólio

monopolio.jpg

 

Defeso activo, o Janeiro. Boas notícias? Serão boas notícias que Misic - que custou caro e quase nunca jogou - foi emprestado ao PAOK, com opção de compra? Que Viviano - que custou caro e nunca jogou - saiu, emprestado para um tal de SPAL, e sabe-se lá quem lhe pagará o lauto ordenado? Que Bruno César - que não sei se foi caro mas jogou bastante mas já não jogava - foi embora de vez, para o Vasco da Gama? Que Marcelo - que não custou muito caro, um mero apartamento topo de gama, e que nunca jogou - foi para os EUA, grosso modo, dizem os jornais, pela mesma quantia que custou? Que Gauld - que custou caro e nunca jogou - foi emprestado ao Hibernian (que nos deu 6-1 numa altura em que o Manaca jogava)? Que o Alan Ruiz - que custou caríssimo, e que ganha tanto que mal chegou comprou um Ferrari da cor errada, jogou pouco e agora nem joga lá pelas terras dele - foi emprestado a um clube médio da Argentina, pagando o Sporting o salário? Que um tal de Jatobá (quem?), que nem sei quem seja, foi emprestado para uma divisão qualquer do Brasil? E que o Castaignos - que custou caro e ganhou bem - foi mandado em paz, sem contrapartidas?

Serão boas notícias que o clube original do Acuña reclama uma fatia de dinheiro da transferência - sim, quase nada, um milhãozito e tal de euros, coisa pouca?  Que o caso Gelson afinal não se resolveu, apesar do presidente ser amigo dos jogadores, e torrando a carreira vai ser recambiado para o Milan, primeiro passo na direcção de um clube turco e, depois, de um qualquer oriente? Que o Ristovski - que custou algo e vai jogando - parece que vai lá para Itália? E que aquele Lumor - ao que se escreveu muito barato, meros três milhões de euros, e que  não joga - será emprestado? 

Boas notícias? A gente rejubila porque vem mais um Doumbia, barato, milhõeszitos de euros, coisa pouca. E porque vem um Filipe abstruso, que não há-de ser um Zandonaide, esperemos, e que não terá sido muita coisa, uns apartamentos apenas, desses de alugar a turistas. E por dois ou três milhões virá o Illori, que se baldou há uns anos, quando já jogava e foi para a bancada inglesa. De onde só agora saiu. 

Isto, todos os verões e agora todos os invernos, é um total absurdo. É um jogo do Monopólio, a gente a comprar a Luísa Todi e a cair na Avenida da Liberdade. Um povo sem taco a desvalorizar os milhões, como se estes se lhe fossem familiares. Quanta gente que nem mil euros mensais ganha que fala do quão barato é um Doumbia qualquer, a milhão ou dois milhões o custo do passe?

E quem não dá dinheiro para o "empréstimo obrigacionista", que alimenta esta demência estrutural? "Que vá passear", clama quem se julga moralmente superior. 

Talvez fosse interessante lembrar, todos os dias, que este Monopólio dá dinheiro a muito comissionista. E que estupidifica os jogadores. Os do Monopólio, não os futebolistas.

Que diaby, foi bom!

Não se perdeu o jogo, foi bom, que diaby! Objectivo alcançado. Keizer mostrou que não é completamente suicida - só quando nunca tinha ouvido falar dos clubes com os quais vai jogar. Sorte nossa, o Porto já ganhou a Liga dos Campeões, há trinta anos até ganhou a Taça dos Campeões Europeus, e o homem já teria ouvido falar do clube. Assim, e já mais ambientado, terá pensado "cautela e caldos de galinha ...", lá língua dele. O Sporting fez o que lhe competia: jogar devagar (aos 64 minutos Renan levou mais de 30 segundos para marcar um pontapé de baliza, por exemplo; depois Danilo lesionou-se e saiu de campo, dois minutos depois ainda não fora substituido e a bola, que ficara com Renan, ainda estava na linha de meio-campo), respeitando o Pacto de Não-Agressão que comandou o jogo. 

Foi um bom resultado, numa boa jornada: o Braga empatou e não desgrudámos do terceiro lugar, um belo objectivo; no final da primeira volta estamos apenas a três pontos do segundo lugar, o grande objectivo da época; e o Moreirense perdeu, cavando uma distância mais reconfortante entre o Sporting e o traiçoeiro quinto lugar.

Algumas conclusões sobre a equipa: Jefferson não jogou tão mal como sempre dizem, prejudicando a sua titularidade no posto de bode expiatório; Wendell mostrou que aprendeu chinês neste último ano, pois deve ter cumprido exemplarmente o posto táctico de que foi incumbido (com a bola nos pés nada fez, mas isso não inibe que tenha jogado bem, ainda que eu não tenha reparado nisso, aqui a olhar para o computador).

Uma coisa não percebo e Keizer deveria ser questionado sobre isso. O Sporting está numa grande crise financeira. Ainda assim fez contratações, com grande esforço e até risco. A mais cara foi Diaby, um avançado prometedor. Não está lesionado. Porque será que o treinador não o põe a jogar?

 

Pós-Tondela

Little Nemo.jpg

 

Tocou o despertador e caí da cama, coisas de Tondela. Sei que passo do 80 para o 8 (vá lá, do 40 para o 8, que também não estava assim tão entusiasmado). Há tempos aqui mesmo anunciei que ia comer (e comi) o meu gorro para me penitenciar da desconfiança que tivera quanto a este projecto-Varandas. Pois gostei da abordagem de Keizer, futebol de ataque, golos, descompressão dos jogadores - e tão necessária era, depois do stress provocado pela tacticose de Jesus e do tétrico 2018 - e, talvez acima de tudo, da confiança nos miúdos, nos ex-júniores como gosto de continuar a dizer.

Agora acordei do sonho. Algumas fragilidades, como o jogo do Nacional, onde me foi óbvio que "o meio-campo do Sporting parece os júniores do Alfeizerão, saboroso será mas é puro pão-de-ló.", e a derrota em Guimarães, mas ali sabe-se que é sempre difícil passar, tinham-me despertado, mas em registo de sonâmbula visita à casa-de-banho, quais pressões da próstata envelhecida de que (por enquanto) ouço falar. Mas agora não, caí mesmo da cama. Fim do sono, fim do sonho. Duche, e "bom dia", um café. E um bagacito, ali na tasca da esquina, pretexto para trocar umas palavritas em português.

Para dizer o quê, aos patrícios ali ao balcão? O que repeti antes: que neste campeonato os velhos "lobos do campo", sabidos e rijos, como Vidigal ou Castro por exemplo, trituram o futebol "romântico" de Keizer. Portugal tem, porventura, a melhor escola de treinadores do mundo. Ou, pelo menos, ombreia com a italiana. E se nunca fomos terra de futebol aberto muito menos o somos agora, no predomínio da táctica, no seguir dos grandes mestres desta geração, como Mourinho, Fernando Santos, Jorge Jesus, bem seguidos pelos actuais expoentes, Fonseca, Jardim, Pereira, e mais alguns, todos já muito galardoados. 

Aqui no blog muitos percebem bem mais de futebol do que eu, e bem melhor escrevem. E vão aos jogos, o que lhes dá uma muito melhor percepção do que a mera tele-visão permite. Por isso pouco posso adiantar que outros não digam, e bem mais ajuizadamente: o guarda-redes é elástico mas não é um grande guarda-redes (e não é grande); os laterais-direitos são fracos (um vindo no mercado de Inverno, do qual é sempre de desconfiar, o outro das contratações de última hora de BdC, para mostrar trabalho). Coates é um Polga, minha tese lacrimejante, ainda que haja (até aqui) quem muito dele goste. Jefferson é melhor do que o que o pintam mas desgosta-se no Sporting. Acuña é deficiente intelectual - já agora, e sem alijar a perfídia da ralé claqueira e as responsabilidades advindas da degenerência catastrófica de Bdc, conviria lembrar que a desgraça de Alcochete foi provocada por este jogador. Veja-se que Ribéry insultou na sua página pessoal os que o criticaram por comer um bife pelo preço de mil euros e o Bayern foi implacável. Acuña mandou os gajos das claques para as putas que os pariram e o clube aceitou. Isto mostra a dimensão do profissionalismo de um clube. Enfim, e por aí adiante, poderia continuar a resmungar sobre os jogadores, uns melhores, outros piores. Mas a questão não é essa, o plantel é o que é, constituído da difícil forma como o foi. Mas dá para ver uma coisa: a defesa é fraca. E talvez por isso um tal de Peseiro tenha trancado o dizimado meio-campo, para desespero dos intelectuais da bola. Deixando a equipa relativamente perto da liderança do campeonato, ainda assim.

O problema é o treinador. Se dúvidas houvesse sobre isso (e eu tinha-as, em formato de esperança) ontem dissiparam-se. Maus jogos sempre acontecem, derrotas inesperadas em campos de equipas menos sonantes também. Por exemplo, o tal de Peseiro perdeu em Portimão, uma coisa inadmissível (como o sabe Rui Vitória). Por causa da táctica, ineficaz, disseram (até aqui). Ora o Sporting ontem jogou meio jogo contra 10. Ainda assim a perder o meio-campo. Nos últimos vinte minutos a jogar em "chuveirinho", coisa que eu não via há anos. Onde é que ainda há "chuveirinho"? Em Inglaterra nem na II Divisão. Talvez na Escócia, talvez na Escócia, nas Irlandas. E em Tondela, onde se joga em chuveirinho para o jogo de cabeça e o porte físico de Diaby e Montero. Pungente. Não o mau jogo, que acontece (já vos disse que Peseiro perdeu em Portimonense? Uma coisa inadmissível ...). Mas a inexistência de programas de jogo ("planos"). 

Para a semana muito provavelmente o Porto ganhará em Alvalade. Não é uma equipa excepcional. Mas está consistente e eficaz. Se isso acontecer e o Moreirense ganhar o Sporting acabará a primeira volta a 3 pontos do quinto lugar. E com o Guimarães de Luís Castro, um muito bom treinador, logo a seguir. Depois?, com os jogadores menos crentes neste novo modelo, com os adeptos mais nervosos e menos presentes, com a imprensa mais caústica? Moreirense (o tal neo-rival) em casa, Vitória de Setúbal (de Lito Vidigal, um dos "velhos lobos dos campos") fora, Benfica (com Lage já em cruzeiro ou com o tal grande treinador que o vieirismo estrebuchante promete) em casa, Feirense fora (outro daqueles jogos rasgadinhos, quais Tondelas), Braga em casa, um Braga em que o Abel Ferreira não virá com sorrisos, por amarelos que sejam. 

E nisso julgo saber que actualmente o quinto lugar não dará acesso automático às competições europeias - depende da final da Taça. E este descalabro bem possível, que não está no horizonte porque está muito mais perto, levanta essa questão. Pois de derrota destas em derrota destas é bem possível que isso venha a acontecer. E no estado financeiro e moral em que o clube está não se apurar a equipa para as competições europeias, ainda por cima no âmbito de um projecto excêntrico, por mais bonito e esperançoso que seja, do presidente, isso terá efeitos. Pesadíssimos. Por outras palavras? Eleições.

Em suma: Keizer canta bem, declama bem, é galã, dança bem. Mas isto é um filme de acção, porra. Mudem já, pois daqui a uns breves meses será já tarde demais.

Posso repetir um postal? ... Obrigado

JJ.jpeg

(Aqui botei em 29 de Novembro passado. E repito-me ...)

 

Honestamente? Custa-me a crer que Jorge Jesus volte ao Benfica. Seria inédito. E violentaria o princípio de "não voltar ao sítio onde se foi feliz". Mas o futebol tem esta magia, a das constantes surpresas. 

Honestamente? Gostarei que Jorge Jesus volte ao Benfica. Mergulharei no portal "cheapflights", ou similar, buscarei entre companhias barateiras um voo acessível para Lisboa. Ficarei 2 ou 3 dias em Lisboa, dedicados ao convívio com os meus bons amigos benfiquistas. Lembrando o que deles ouvi há alguns anos, tantos agravos com o homem, tantas declarações da sua imoralidade. Tantos insultos também, desbragados. Tantos vitupérios à sua inadequação ao espírito do Benfica. E tantas declarações sobre a sua radical incompetência como treinador, e inabilidade como gestor de recursos humanos. 

Vão ser dois ou três dias deliciosos, bebericando umas cervejas, uns vinhos tintos, até digestivos. E rindo-me, decerto que até às lágrimas, cruel, do ar atrapalhado desses meus amigos. E gozando com as tropelias retóricas que vão encontrar para justificar e saudar o "novo" treinador do seu clube.

Espero que Vieira não me desiluda, não me estrague esta cómica visita à terra. Que não vá buscar outrem, um qualquer Vítor Pereira, Paulo Sousa ou quejando. 

5-2

basdostnacional.jpg

Diverti-me imenso a ver o jogo, bela jogatana, tremi e resmunguei, ali no café, por isso dois uísques na primeira parte, duas minis Super Bocks para a segunda (nunca jamais Sagres desde que gozaram com o Rui Patrício). Vim aqui só para dizer três coisas: 1) abomino a espanholice "remontada", o Sporting cometeu uma bela (alguém se lembra de uma coisa destas, com este resultado final?) reviravolta; 2) o meio-campo do Sporting parece os júniores do Alfeizerão, saboroso será mas é puro pão-de-ló. 3) para a semana é em Guimarães, a cidade-berço, a equipa de Luís Castro. Reviravoltas, "não há duas sem três"? Não se ponham a pau, não ...

Eu, o Varandas e o Keizer

IMG_2301.JPG

Aqui escrevi contra a mudança de treinador, e acima de tudo pela forma como o presidente Varandas - sobre o qual também antes expressara o meu desagrado - despediu Peseiro e demorou na contratação do seu substituto, considerando que o processo deveria ter sido pensado antes da mudança. E, em comentários avulsos no blog, fui resmungando sobre a pertinência de ir buscar um treinador estrangeiro, jovem de 49 anos (!), sem currículo particularmente relevante. E depois dei conta da minha pessimista expectativa, a de que no campeonato os velhos "lobos do campo", sabidos e rijos, como Vidigal ou Castro por exemplo, triturariam o futebol "romântico" que Keizer aparenta seguir. 

 

Pois até pode ser que isso venha a acontecer - o sofrível Aves de Mota soube bater-se. E é certo que nesta sucessão inicial de vitórias com resultados bojudos vários jogos foram com equipas relativamente fracas. Continua assim a ser provável que venham desaires no futuro. Mas é notório que tudo vai tão diferente. Do amargurado período Peseiro, ainda que este macerado pelo horrível Verão Quente de 18 e por lesões de jogadores cruciais (veja-se como o Bruno F. regressou, como Wendell foi recuperado ou como Gudelj é futebolista). E, estruturalmente ainda mais importante, como tudo vai diferente da rispidez do consulado jesuítico. Esse que estava verdadeiramente esgotado, e sobre o qual em 4 de Março botei aqui julgo que o modelo "Jorge Jesus", por mais acertada que tenha sido a aposta, e por mais competências, inegáveis, que o treinador tenha, não tem muito espaço para perdurar. Trata-se agora, para além de apoiar a sua equipa e esperar algum triunfo, de tentar encontrar "the next big thing". Um bom treinador, que potencie o modelo Sporting.

 

Ora vejo agora uma equipa tão mais liberta da inibidora tensão que presidente, treinador e adeptos, cada qual à sua maneira e com muito diferentes legitimidades, convocavam. E acima de tudo vejo um treinador, recém-chegado, com a determinação e confiança suficientes para colocar vários jovens vindos das escolas do clube. Uns destes vingarão no clube, outros seguirão as suas carreiras alhures, espero que com os sucessos possíveis. Mas têm agora um treinador que os considera o património do clube. E com eles nos alegra. Ou seja, Varandas encontrou (diz-se que por conselho de Jardim, e se for verdade está de parabéns por saber aceitar bons conselhos, como os dirigentes qualificados fazem) mesmo "the next big thing". Talvez onde não esperássemos, e por isso mesmo mais saboroso é reconhecê-lo. (E o melhor que podemos fazer é não lhe exigir já o título. Deixem "isto" medrar, sff.).

 

Mas recordo os meus resmungos contra Varandas e Keizer. Que não eram má-vontade, pois só desejo sucessos ao clube. Vinham da desconfiança,  da caturrice deste proto-idoso com manias que sabe. Assim, e depois de mais esta vitória, contra os simpáticos polacos ou ucranianos ou lá o que eram, com 6 ex-juniores (como se dizia antes) em campo, o Mané e mais 5 putos, sinto-me obrigado à penitência. Pública.

 

A qual é a devida a qualquer treinador de sofá idiota: como não tenho chapéu comerei agora este meu gorro (5 euros de material sintético), acompanhado de maionese de pacote. E viva o Keizer! E o Varandas!

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D