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És a nossa Fé!

O futuro foi ontem!

Vi ontem, com atenção, o debate entre os candidatos à presidência do nosso clube. Não vou sintetizá-lo, escrever o que penso sobre cada um, ou sequer afirmar publicamente o meu apoio a qualquer um deles. O objectivo, hoje, é ligeiramente diferente.

Para mim ficou ontem claro (talvez já o tivesse percebido, mas não daquela forma tão límpida) qual a grande justificação para o fenómeno de balcanização do nosso futebol. E parece-me também evidente que a generalidade dos candidatos também o percebeu.

O futebol mudou muito nas últimas duas décadas. É evidente, o futebol sempre foi um desporto de massas e apaixonante, capaz de arrastar multidões e de movimentar muito dinheiro. No entanto, a Lei Bosman (de 1995), a substituição da Taça dos Clubes Campeões Europeus pela Liga dos Campeões, a compra de clubes europeus por multimilionários, a trasmissão mundial de todas as competições, a aceleração da globalização, o desenvolvimento da Internet e das redes sociais amplificou de forma exponencial o negócio futebol. Hoje o futebol é uma das maiores indústrias do mundo e os seus intervenientes são figuras globais, geradores de fluxos de capital extraordinários. No entanto, apenas alguns, muito poucos, fazem parte dessa elite. Uma elite que está espalhada (principalmente) nos principais campeonatos europeus (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). Quando observamos a lista dos vencedores da Liga dos Campeões, o último que não pertenceu a um destes cinco campeonatos foi o F.C. Porto quando ganhou em 2003/2004. Mesmo no que ao campeonato francês diz respeito, o último campeão que produziu foi o Marselha em 1992/1993. A ideia de que pode haver um vencedor da Liga dos Campeões fora de um destes campeonatos é, hoje, quase um absurdo.

Estes cinco campeonatos são de países muito populosos (o menos populoso é a Espanha, mas ainda assim tem dois super clubes que extravasam a realidade espanhola) e extraordinariamente ricos. E por isso, os seus clubes têm orçamentos multimilionários, na ordem nas muitas centenas de milhões de euros por ano. Por conseguinte, conseguem contratar os melhores jogadores (Lei Bosman) e os melhores treinadores. A moderna Liga dos Campeões (devido à quantidade de dinheiro que gera e movimenta) veio amplificar esta realidade. Não há espaço para cento e cinquenta grandes clubes na Europa, apenas para uns dez ou quinze. Um pouco à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América com a NBA, a NFL ou a NHL.

Porque é que isto é importante para Portugal e para aquilo que se passa com o nosso futebol? Neste momento, no início de Agosto, Portugal tem apenas três equipas a participar nas competições europeias de clubes: Porto e Benfica na Liga dos Campeões e Sporting na Liga Europa. Braga e Rio Ave foram já eliminados. Ora, todos sabemos que a Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias de clubes e que a diferença de dinheiro envolvido em comparação com a Liga dos Campeões é abissal. Daí a importância de participar na Liga dos Campeões. Não participar significa cavar um fosso cada vez maior em relação aos grandes clubes europeus.

Este é, estou em crer, um dos grandes motivos para a balcanização do nosso futebol. Ganhar, nos dias de hoje, não representa apenas a soma de mais um troféu para os museus. Representa a sobrevivência dos clubes (que estão brutalmente endividados). E para ganhar - pelo que temos visto nos últimos anos - vale tudo! 

É por tudo isto que, ao contrário do que tenho visto nos últimos dias a propósito da discussão sobre a acusação ao nosso maior rival no caso e-toupeira, que não considero absurdo (isto, sem conhecer, de forma rigorosa o teor da acusação e sem ignorar que o Benfica tem agora direito a apresentar a sua defesa e que o Ministério Público tem o ónus de fazer a prova) que o Benfica possa vir a condenado ao nível desportivo. A ser demonstrado que a SAD tinha conhecimento do conteúdo de processos judiciais que envolvem o próprio Benfica e os seus rivais, bem como informações sobre a vida de árbitros de futebol e que corrompeu funcionários judiciais para obter essa informação, não acho impossível que daí decorram sanções desportivas.

Mas, e finalmente, outro dos motivos para que valha tudo é a ausência de sanções. Todos conhecemos o conteúdo do processo Apito Dourado. Basta procurarmos no Youtube e podemos ouvir as escutas do processo. Não houve qualquer consequência. A ideia que transparece é a de total impunidade. Muitos pensarão: se não há penalização, porque não prevaricar?

Os candidatos à presidência perceberam o problema. Não sei é se têm uma solução para ele. Aliás, nem sequer sei se este problema tem solução. É que o futuro foi ontem! E nós ficámos fora dele!

A vergonha do futebol!

Só uma dose significativa de insanidade e de irracionalidade da comunidade pode justificar que o futebol continue a fazer, diariamente, manchetes de jornal. O nível de emoção colocado em qualquer discussão sobre esta prática desportiva não tem, creio, paralelo com qualquer outra actividade humana, pelo menos em grande parte do mundo ocidental. Com uma regularidade assinalável somos confrontados com notícias de investigações judiciais ou de questiúnculas clubísticas que são, na maioria dos casos, transformadas em verdadeiras guerras civis.

Em qualquer área de actividade humana parece haver uma necessidade constante de superiorização face aos adversários. No desporto - e no futebol em particular - acontece a mesma coisa. Todos os anos, quando uma nova época desportiva se inicia, o nosso principal desejo é que a nossa equipa (para quem tem, porque há muita gente que não tem qualquer interesse nestes fenómenos) ganhe. Querer ganhar, penso, não tem qualquer problema. Querer ganhar a todo o custo, mesmo à margem das regras que disciplinam a vida em comunidade, não sendo um absurdo, é, no meu entendimento, indigno e imoral. Não é apenas a minha opinião e, precisamente por esse motivo, a comunidade politicamente organizada tem regras que punem esse género de actos e comportamentos.

As recentes notícias que envolvem o nosso eterno rival, sendo juridicamente distintas de outras, não diferem assim tanto do que se conhece sobre aquilo que acontece/aconteceu em Portugal e noutros países no que concerne não apenas à viciação directa de resultados desportivos, mas também no que diz respeito à criação de vantagens competitivas fora do campo de jogo. Sem fazer juízos jurídicos valorativos (não se conhecem os processos) os diferentes processos judiciais no âmbito do futebol resultam do facto de alguns (e esses alguns não são sempre os mesmos) quererem ganhar a todo o custo. E isso não é e não pode ser aceitável!

Não é de hoje ou sequer de um passado recente, mas penso que o nosso futebol (bem como a nossa sociedade) está muito doente. Infelizmente, a putativa censurabilidade social no âmbito de crimes como os de corrupção, corrupção desportiva ou de recebimento de vantagem indevida é apenas circunstancial, em função dos eventuais envolvidos nas situações.

Ao Sporting, enquanto sócio, o que exijo é que estas questões não existam e, a existirem, que não apenas os seus responsáveis sejam severamente punidos, mas que o clube sofra as respectivas consequências. A ser verdadeiro o que se afirma sobre a investigação no processo Cashball, tal facto constituirá uma vergonha muito maior do que não ganhar o campeonato durante cinquenta anos. Quero que o meu clube ganhe, mas apenas porque dentro do campo é mais forte do que os adversários.

 

O cemitério de Praga

Votei, duas vezes, em Bruno de Carvalho. Confiei e defendi o seu trabalho, apesar da forma como, desde o primeiro dia em que surgiu nas cogitações dos sportinguistas, escolheu fazer a sua comunicação. Percebi, não hoje mas há uns meses, que cometi um erro. Um erro tremendo, grave do qual me penitencio.

Importa começar por referir que Bruno de Carvalho não inaugurou um estilo, apenas o actualizou trazendo-o para o século XXI. O fundador deste modelo de gestão de uma instituição desportiva em Portugal foi Pinto da Costa há quase quarenta anos. Uma postura truculenta, belicosa, confrontacional. No fundo, uma concretização da milenar filosofia maniqueísta do "nós" (os bons) contra "eles" (os maus). Não que isso seja significativo para esta questão, mas a principal diferença entre um e outro é que Pinto da Costa ganhou muito. E, infelizmente, a única coisa que interessa a muita gente é ganhar!

Esta lógica dicotómica é de um primitivismo absoluto. Daí que toda a construção discursiva de Bruno Carvalho seja muito básica. E, como como todos sabemos, uma narrativa mais simples tem maior capacidade de penetrar em todos os estratos culturais. Esse foi o aparente sucesso de Bruno de Carvalho num primeiro momento. Através de um discurso binário, populista, foi capaz de mobilizar milhares de sportinguistas. Fê-lo porque identificou inimigos (como se no futebol existissem inimigos!) ao clube: o Benfica; o Porto; a arbitragem; a Doyen; os ex-dirigentes; a fraude desportiva; os fundos.

Num segundo momento, como se os inimigos externos não lhe chegassem (e por isso num texto anterior até falei de Bruno Carvalho como um D. Quixote), passou a encontrar os adversários dentro do Sporting: os jogadores da equipa de futebol; os treinadores da equipa de futebol; os sócios e adeptos que discordavam de si. Mas pior, criou um inimigo, mais ou menos imaterial (sendo que, apesar de tudo, em algumas circunstâncias o concretizou apresentando alguns nomes), místico, mágico que representaria uma oposição secreta, de interesses ocultos que procuraria prosseguir um interesse próprio e contrário ao clube. Para pessoas fracas de espírito, como se sabe, não há nada melhor do que uma boa - ou até má - teoria da conspiração. E, infelizmente, Bruno de Carvalho transformou a discussão pública em torno do Sporting numa enorme teoria da conspiração.

Ora, é consabido que uma discussão colocada ao nível da teoria da conspiração não pode ter como resultado o esclarecimento daquele que acredita que há sempre uma mão atrás do arbusto. Por muitos e bons argumentos que sejam apresentados, parece haver uma tendência natural de alguns indivíduos para acreditar que há uma conspiração para os tramar. Neste caso, para tramar Bruno de Carvalho e a sua brilhante gestão. Podem até reconhecer (embora nem todos o façam) que o comportamento do ex-Presidente não era impoluto. Mas, ou acreditam numa regeneração do individuo (apesar de constantemente ele mentir, deturpar, falsear) ou afirmam que é ele ou o caos!

A Assembleia Geral de ontem, ao contrário do que muitos vaticinaram, não nos trouxe a paz! Voltámos ao ponto de que nunca saímos depois da nomeação da Comissão de Fiscalização, ou seja, à argumentação e discussão jurídica. O nome do Sporting continuará a ser arrastado na lama e o clube continuará dividido. É a nossa sina, a autofagia como processo!

Um dia - que neste momento não sou capaz de precisar - livrar-nos-emos de Bruno de Carvalho e do seu séquito de fanáticos. Até lá, a nossa atenção deveria recair nos motivos que levaram mais de 80% dos sócios a votar num mitómano. Sem esse exercício de catarse colectiva, corremos o risco de voltarmos a cair no mesmo erro!

Os problemas jurídicos

Como referi ontem, para além do problema ético o Sporting vive, actualmente, um problema jurídico que, em muitas circunstâncias, devido à tomada de posições amplamente divergentes, tem suscitado muitas confusões juntos dos sócios e adeptos do clube.

Vamos, então, tentar explicar, com base nos Estatutos do Sporting Clube de Portugal (ESCP), o problema e qual a solução.

i) Jaime Marta Soares é ainda o Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PMAG)? O artigo 37.º, n.º 1 dos ESCP refere que o mandato cessa - entre outros motivos - por renúncia. A renúncia do PMAG, nos termos do artigo 39.º, n.º 1, deve ser apresentada ao Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar (PCFD). Ora, sabemos que o órgão Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) cessou funções na totalidade (por renúncia da maioria dos seus membros), por força do disposto no artigo 37.º, n.º 2, alínea b («constituem causa de cessação do mandato da totalidade dos titulares do respectivo órgão social», «quanto ao Conselho Fiscal e Disciplinar, a cessação do mandato da maioria dos respectivos membros, depois de chamados os suplentes, se os houver, à efectividade»). Não consta que o PMAG tenha apresentado a sua renúncia ao cargo até porque o acto de renúncia é um acto formal, não sendo válidas declarações públicas. Assim, o PMAG está, salvo melhor e mais fundamentada opinião, em funções. Ainda que assim não fosse (ou seja, se tivesse havido renúncia), nos termos do artigo 39.º, n.º 3, quando a renúncia constitui causa da cessação da totalidade dos membros do órgão, esta só produzirá efeitos com a tomada de posse dos sucessores a menos que seja designada uma «comissão de gestão ou de fiscalização». Parece-me, portanto, claro que, Jaime Marta Soares continua PMAG.

ii) Pode o Conselho Directivo (CD) nomear Comissões de Gestão ou Fiscalização ou Comissões Transitórias? Nos ESCP não há qualquer referência à existência de uma Comissão Transitória. Estão previstas, no entanto, as figuras da Comissão de Gestão e da Comissão de Fiscalização. No artigo 41.º, n.º 1 afirma-se que «Se se verificar causa de cessação de mandato da totalidade dos membros [...] do Conselho Fiscal e Disciplinar [...] deve [...] o Presidente da Assembleia Geral designar [...] uma comissão de fiscalização». A competência, no caso de cessação de funções de órgãos estatutários, de criação de Comissões de Gestão ou de Fiscalização é, exclusivamente, do PMAG.

iii) Está de acordo com os ESCP a Comissão de Fiscalização nomeada pelo PMAG? Sim, como se demonstrou no ponto anterior. Verificada a cessação do mandato da totalidade dos membros do Conselho Fiscal e Disciplinar deve o Presidente da Mesa da Assembleia Geral - no cumprimento das suas competências exclusivas - nomear uma Comissão de Fiscalização.

iv) Qual o valor jurídico da Comissão Transitória nomeada pelo CD? É inexistente. O CD não tem competências para nomear Comissões Transitórias que, para além do mais, nem existem no âmbito dos ESCP. Logo, as reuniões convocadas por essa Comissão Transitória não têm também qualquer validade jurídica não podendo as eventuais deliberações aí tomadas produzir quaisquer efeitos!

v) Pode a Comissão de Fiscalização instaurar processos disciplinares e respectivas sanções? Após a cessação do mandato do Conselho Fiscal e Disciplinar e depois de nomeada, pelo PMAG, Comissão de Fiscalização, esta assume as competências do CFD. Entre as muitas competências, dispõe o artigo 59.º, n.º 1, alínea h o seguinte: «proceder à análise de participações que lhe forem apresentadas pelos outros órgãos sociais, ou por, pelo menos, dez sócios efectivos, contra qualquer sócio do Clube, mesmo que o visado seja membro de qualquer dos órgãos sociais em exercício. [...] Proceder [...] à instauração de processo disciplinar». Acresce ainda as competências conferidas ao CFD nos termos do artigo 28.º (Sanções Disciplinares) dos ESCP. A resposta é, portanto, afirmativa.

vi) A Assembleia Geral convocadas pelo PMAG agendada para o dia 23 de Junho é válida? E as Assembleias Gerais convocadas pela Comissão Transitória? A Comissão Transitória é um órgão inexistente pelo que nenhuma das suas deliberações é juridicamente válida. A Assembleia Geral convocada pelo PMAG para o dia 23 de Junho, desde que cumpridos os requisitos do artigo 51.º, n.º 1 dos EMAG, é válida. No entanto, juridicamente, julgo ser este o ponto mais sensível. Não sei qual foi a alínea do n.º 1 deste artigo que foi invocada pelo PMAG, mas, em alguns casos, é necessário verificar o cumprimento de certos requisitos, o que apenas com o auxílio dos serviços do clube pode feito. De acordo com o que se sabe, o CD vedou ao PMAG o acesso a esses serviços do clube. Creio que apenas através de uma decisão judicial se conseguirá garantir a realização da referida Assembleia Geral.

Creio que estes pontos permitem esclarecer de forma adequada muitos dos pontos que estão juridicamente em causa. Como me parece evidente, a maior parte destas conclusões estão oposição directa ao que vem sendo afirmado pelo ainda Presidente do Conselho Directivo. Que ele não saiba eu ainda posso aceitar, mas não acredito que um jurista possa retirar conclusões muito diferentes destas. Notem que esta é uma avaliação jurídica, mas salvo melhor e mais justificada opinião as respostas aos problemas evidenciados são estas.

O tempo da justiça

O problema que o nosso clube atravessa tem duas dimensões diferentes: uma ética (com toda a amplitude que o conceito admite); e outra jurídica. Infelizmente, ambos os planos dão origem a análises das quais resultam interpretações e conclusões diferentes, mormente a jurídica.

As últimas semanas foram pródigas em debates de cariz jurídico. Conselho Directivo e Mesa da Assembleia Geral têm-se digladiado publicamente e, neste momento, vive-se um impasse que a generalidade dos sócios tem dificuldade em compreender face à complexidade jurídica da discussão.

Não pretendo aqui (talvez mais tarde dedique um texto exclusivamente a debater o problema jurídico) discutir as minudências técnicas deste processo, mas uma coisa posso dizer de forma cabal: o cerne desta questão só pode ser resolvido pelos tribunais. 

A Comissão de Fiscalização designada pelo Presidente da Assembleia Geral (artigo 41.º, n.º 1 dos ESCP), no exercício das suas funções (Artigo 59.º, n.º 1, alínea h), deliberou no sentido de instaurar um procedimento disciplinar ao Conselho Directivo e seu Presidente e de os suspender de funções. Estou em crer que o Conselho Directivo não respeitará essa decisão, pelo que apenas através da sindicância de um Tribunal a questão se pode resolver. Aliás, estou em crer que o mesmo raciocínio se aplica às diferentes Assembleias Gerais convocadas. Para que tudo isto se resolva em tempo útil, convinha ter decisões dos tribunais até sexta-feira.

O maior problema de todos os que existem é que os Tribunais podem não decidir em tempo útil e a cada dia que passa a situação agudiza-se. Não sei se o Sporting tem tempo para isto tudo.

O que interessa se há jogo no Domingo?!

Há umas semanas, depois do episódio de Madrid, escrevi um par de textos sobre o nosso clube, onde dizia que cada vez tinha menos vontade de falar/ver futebol e onde pedia a demissão de Bruno de Carvalho. Infelizmente, Bruno de Carvalho não se demitiu, não foi convocada qualquer Assembleia Geral e, pior, não surgiu ninguém que se apresentasse como putativo candidato à presidência.

Entretanto, entre ontem e hoje, fomos presenteados com as duas piores notícias que um sportinguista podia ter: agressões a jogadores, equipa técnica e funcionários; e acusações no âmbito da viciação de resultados desportivos.

Depois das notícias de hoje, creio que não pode acontecer nada de mais terrível. Antevejo que tudo venha a correr o pior possível. Sinceramente, pouco me interessam os resultados desportivos. Não foi devido às vitórias que me fiz sportinguista, não foi por elas que a paixão cresceu. Podia não ganhar, mas não tinha vergonha da escolha feita nem de muitos daqueles que comigo trazem o símbolo do rampante ao peito.

Não gosto de me expor desta forma, mas como estou entre os meus quero dizer-vos que estou desolado. Não vejo como é que vamos sobreviver a isto. Infelizmente isto não é um pesadelo, porque se fosse pelo menos sabia que iria terminar. Temo que isto tenha sido um golpe fatal e, a ainda existir, o Sporting saído deste tormento estará devastado.

 

É isto um presidente?

A situação que estamos a viver tem um responsável: Bruno de Carvalho. Espero que esteja satisfeito. Acontece hoje o que nunca aconteceu no Clube. Conseguiu colocar os adeptos uns contra os outros e permitiu que acontecessem agressões a jogadores e elementos da equipa técnica. E nem vale a pena virem com a conversa dos comunicados de imprensa! As derrotas deixam-me triste, mas isto deixa-me de rastos.

Ingratidão contra a tirania?

Ouvi, já sem me surpreender, a conferência de imprensa do ainda Presidente do Sporting e concluo que estamos na presença de um verdadeiro Tirano! Na filosofia política ensina-se que o Tirano deve ser deposto sempre que através da sua acção viola o bem comum.

Bruno Carvalho é um indivíduo perigoso que corre atrás de moinhos de vento como um D. Quixote! Os sócios e adeptos têm de reagir e impedir a continuação deste exercício de loucura. Já deu para perceber que Bruno de Carvalho está agarrado ao poder (que julga deter por direito divino) pelo que é necessário agir de acordo com os estatutos do clube para impedir que continue este acto de destruição do Sporting.

 

O Sporting é nosso!

Nos últimos meses tenho escrito poucas vezes neste nosso blogue! Creio que a razão para tal reside no facto de andar desiludido com a forma como se trata o futebol no nosso país. Dezenas de programas e comentadores que ao invés de discutirem o jogo, passam o tempo a trocar insultos uns com os outros. Não foi assim que fui educado pela minha família não me revendo, portanto, nesta forma de estar.

Votei Bruno de Carvalho duas vezes. Apesar dos dislates permanente do ainda Presidente do nosso clube, até ao processo da última Assembleia Geral fui fazendo a sua defesa. Afinal, foi Bruno de Carvalho o responsável pela construção do Pavilhão João Rocha e pela forma como as nossas modalidades têm demonstrado competitividade em todas as circunstâncias e pelo aparente equilíbrio financeiro do clube.

O que aconteceu na sequência do jogo de Madrid é inenarrável. À medida que me foram pondo a par das declarações de Bruno de Carvalho fui negando a possibilidade de serem verdadeiras. Afinal, ninguém no seu perfeito juízo pode dizer e escrever tudo aquilo com que fomos confrontados nos últimos dois dias. Foi a gota que fez transbordar o copo. Para mim não dá mais!

O Sporting, como tem sido dito por muitos de nós, não é de Bruno de Carvalho, é nosso! Nós não podemos ser cúmplices desta loucura. Se optarmos pelo silêncio e por uma atitude passiva teremos de assumir com o ainda Presidente do clube a solidariedade pelos danos que este está a causar a uma instituição centenária.

Bruno Carvalho tem de pedir a demissão! Mas se não o fizer, os sócios têm de exigi-la. O jogo de amanhã, em casa, com a equipa B ou com os juniores, é o lugar indicado, num primeiro momento, para que os sócios e adeptos demonstrem o que pensam sobre este assunto. Depois há que seguir os Estatutos. Isto não pode continuar.

Amanhã, todos a Alvalade! É que o Sporting é nosso!

O avô David e o Piedade

O meu avô David nasceu na Quinta do Altinho na Cova da Piedade. Viveu, toda a sua vida, entre a Cova da Piedade e o Laranjeiro/Feijó. Foi aí que cresceu, que se fez homem, que casou, que teve filhos e que acabou por falecer.

O meu avô adorava futebol. A minha avó costumava dizer que se ele encontrasse dois miúdos a jogar com uma bola de trapos no meio da rua ficava parado a assistir e o meu pai diz que ele sabia tudo sobre o desporto rei. Conhecia os clubes, os jogadores, os treinadores, as tácticas... tudo o que possamos imaginar!

O meu avô era do Sporting! Tal como o meu pai, como eu e como o meu irmão. Os Nunes da Piedade são todos do Sporting! Mas o meu avô também era do Piedade. E era precisamente aos jogos do Piedade que o meu avô costumava ir ao Domingo. É que o Desportivo, como dizia a minha avó, não era a segunda casa do meu avô David, era a primeira! Foi no Piedade que ele jogou, foi no Piedade que ele foi dirigente, foi no Piedade que, segundo as melhores informações, ele chegou até a ser roupeiro.

O Piedade é um clube pequenino da Margem Sul. Não é como o Setúbal, o CUF, o Barreirense ou o Amora. Nunca andou pela primeira divisão. Tem um estádio pequeno e poucos sócios e adeptos. Graças ao investimento estrangeiro conseguiu, já esta década, chegar à segunda divisão. Não sei se já tinha andado tão acima nos campeonatos nacionais, talvez nos anos sessenta ou setenta.

Não cheguei a conhecer o meu avô David. O meu avô, para além de morrer cedo, morreu de causas invulgares: o meu avô morreu de amor. O meu avô faleceu a assistir, como fazia todos os Domingos, a um jogo do Piedade. É por isso que amanhã, tal como o avô David que não conheci, para além do Sporting também sou do Piedade.

 

Duas partes!

Pela terceira vez esta temporada os jogadores do Sporting acharam que as regras do tempo de jogo mudaram: Estoril, Feirense e Olympiacos. A falta de intensidade e o desleixo são inaceitáveis e, mais tarde ou mais cedo, a jogar assim, vamos ter dissabores. Erros defensivos inacreditáveis de jogadores que têm obrigação de jogar mais. Dito isto: é preciso continuar a vencer. No fim-de-semana há mais.

Sobre o jogo da segunda jornada.

Antes que se introduza de forma permanente a ideia de que defender é uma arte quero deixar claro que acho que Couceiro, como treinador, é zero e a equipa de Setúbal que hoje se apresentou em campo foi uma vergonha! Jogaram noventa minutos com onze indivíduos atrás da linha da bola e não fizeram um remate, além de que passaram todo o jogo a tentar perder tempo. Quanto a nós: Battaglia é grande reforço, Mathieu, para os jogos do nosso campeonato, é suficiente, Podence, não se pode agarrar tanto à bola, Piccini não é bom nem mau. Ah! É preciso dizer aos rapazes que para marcar golos é preciso rematar à baliza.

Esforço, Dedicação e Devoção!

Bem sei que, para nós, o campeonato parece já ter acabado mas ontem a segunda parte do jogo em Arouca foi miserável. Não me recordo sequer de um remate à baliza na segunda metade do jogo. Isto depois de meia hora muito bem conseguida na primeira parte. Será que é possível alguém avisar os rapazes que eles jogam no Sporting Clube de Portugal?

Eleições

Tenho andado um pouco desaparecido destas lides mas em semana de eleições não podia deixar de afirmar que no próximo sábado vou votar em Bruno de Carvalho. O homem é perfeito? É evidente que não mas tem sido suficientemente capaz na função. Também quero títulos mas não me esqueço que quando chegou ao Clube estávamos a lutar por pouco mais que a manutenção.

Off topic: desde que o Marvin saiu da equipa o Schelotto parece-me ainda pior...

90 minutos!

Ganhar é sempre uma maravilha mas, apesar de saber que o mister disse que tínhamos feito um jogo pragmático, o jogo dura 90 minutos. A segunda parte deste jogo foi miserável. Agora espero que no próximo sábado, em Guimarães, nos apresentemos com mais intensidade e ambição do que contra o Rio Ave!

Vitória de Pirro!

A ser verdade, a transferência de Adrien é a maior perda possível para a equipa do Sporting e aquela que eu mais temia. O capitão leonino podia não ser o melhor jogador da equipa mas era a sua alma em campo. A forma como abordava cada jogada e a intensidade que colocava em cada disputa faziam dele a voz de liderança e o exemplo a seguir. Não vejo como é que vamos conseguir encontrar dois bons médios-centro até quarta-feira. Para ser franco, nem me apetece festejar a vitória de ontem!

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