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És a nossa Fé!

24 de Junho, Dia de Ricardo I, O Labreca

O penalty mais famoso do futebol português foi marcado por um inglês. E, claro, defendido por um guarda-redes do Sporting, no caso, sem luvas. Passam hoje 16 anos desde que Ricardo I, O Labreca, vestiu a pele de herói e de goleador (marcou o golo decisivo na baliza de David James), ao defender um penalty marcado pelo avançado Darius Vassell. Nessa partida, jogou um jogador do Sporting - Ricardo - e três – Valente, Figo e Ronaldo – das escolas. Simão, também ele criado no reino do leão, entrou na segunda parte, a tempo de converter um dos castigos máximos.

Quem rende Vietto?

Com Luciano Vietto no "estaleiro", provavelmente até fim da época, quem é o seu substituto no onze do Sporting? Gonzalo Plata, como extremo pela esquerda, trocando com Jovane Cabral durante o jogo e baralhando as defesas? Francisco Geraldes, como organizador de jogo a partir da esquerda, um pouco como o argentino? Ou uma terceira opção? Qual a vossa opinião? 

Sporting Clube de Vichy

Texto de Joaquim Vicêncio e Paulo Correia

Quando há praticamente oito décadas foi assinado o fatídico armistício, depois da invasão da França pela Alemanha nazi, que terminou com uma parada militar em plenos Campos Elíseos, o acordo previa a criação no sul de França daquilo a que se chamou de “Estado Fantoche”. Este tinha sede em Vichy, e era liderado pelo General Pétain. Estávamos perante uma novidade estrutural. Transpondo para o plano da vida interna do nosso clube, desafiamos o leitor a fazer uso da expressão para criar uma analogia com o futebol português e o estado em que se encontra o Sporting Clube de Vichy... perdoem-nos, o Sporting Clube de Portugal.

No primeiro caso, organizado através de afinidades da mais variada índole, este é constituído por estruturas que, por norma, dizem-se independentes, mas que assumem posições que as vinculam a interesses tantas vezes a raiar a opacidade. Tal seria já de si deprimente, não fosse o caso de estarmos perante uma novidade: a inclusão do Sporting Clube de Portugal no lote de clubes cuja estratégia e pensamento para o futebol português é acéfala. Pior, rege-se pelo ondular entre as boas relações que os seus dirigentes, para infelicidade de quem pugna por um clube com uma reputação acima de qualquer dúvida, pretendem reatar ou fortalecer com quem tem levado os níveis éticos da modalidade para um grau catastrófico.

As últimas semanas trouxeram à liça mais uma demonstração da total dependência do Sporting Clube de Portugal face a interesses terceiros, e que em nada dignificam a modalidade. A disputa de poder, mais uma, no interior da Liga Portugal mereceria uma reação forte. Colocar o dedo na ferida, um bater de punho na mesa. Mas os punhos de renda de quem governa um clube com 114 anos e mais de 3 milhões de adeptos não lhes permite, como sabemos há muito tempo, sequer o esforço mental de tentar abandonar a órbita de mais um dos muitos coveiros do futebol português.

Apenas a última de tantas e tantas demonstrações de falta de alma e sentimento verde-e-branco! Basicamente, estamos a assumir a nossa posição de clube fantoche.

Triste clube que se permite, mais uma vez, ter à frente dos seus destinos quem não se preocupa em encontrar soluções que visem ultrapassar as dificuldades (conjunturais ou não), antes preferindo comunicar, constantemente, em canais amigos (?) os dramas da pesada herança. E, não vá alguém ter dúvidas do destino previamente definido, aqui e ali, cada vez mais desprovidos de falta de pudor, surgem os arautos da venda da SAD. Até já se discorre sobre exemplos tão extraordinários como o Wolverhampton (oh! Ironia) para justificar tamanho desiderato. Não se preocupem, caros amigos, a memória não é curta, também conhecemos o destino do Málaga, do Rangers ou do Parma. E nem precisamos de ir muito longe, por certo que Beira Mar, ou Belenenses, vos diz algo.

Triste sina de viver em constante convulsão interna, o famoso dividir para reinar. Os exemplos são tantos que nem um encarte especial do jornal do clube teria espaço suficiente para enumerá-los. Mas deixamos uns poucos à consideração do caro leitor, desde as claques como origem de todo o mal, aos adeptos a quem se exige que retirem o calçado antes de entrar no estádio, sem esquecer o desplante de considerar o Sporting Clube de Portugal um simples ponto de passagem para um grande da Europa; o Valência, talvez, eventualmente o Mónaco ou, hélas, o tão famoso Wolverhampton.

Temos no nosso seio demasiados interesses. Interesses que fogem ao critério de quem sofre, vibra e sonha com muito mais para um clube que, ainda que em constante confronto autofágico, tem todas as condições para se assumir como a verdadeira potência desportiva. Tal como acontece até nos Estados Fantoche, as populações inevitavelmente têm um assomo de dignidade e vontade de serem livres, acreditamos que, um dia, ousaremos lutar juntos pelo Sporting Clube de Portugal.

Nem tudo é mau

Jesé e Bolasie, anuncia-se, vão à sua vida. Do primeiro, o melhor que se pode dizer é que não protagonizou nenhuma figura triste fora de campo (pelo menos daquelas que infringissem a lei ou os regulamentos do clube). Do segundo, o melhor que se pode dizer é que foi esforçado. Jesé, avançado centro que nunca o foi nem poderia ser, jogou 17 vezes e marcou 1 golito. Bolasie, extremo que já foi bom, jogou 25 vezes, marcou 2 golitos e falhou inúmeros. Que tenham sorte. Parece que já não são problema nosso.

Ver em tempos de isolamento, 3

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Sunderland 'Til I Die, cuja segunda temporada acaba de se estrear na Netflix, acompanha o dia a dia do gigante adormecido do  nordeste inglês, à medida que a nova gestão tenta devolver o clube ao lugar que merece, apesar dos sérios constrangimentos económicos, da mentalidade acomodada do staff e da falta de experiência da administração. Enquanto isso, vemos a forma dedicada como os adeptos acompanham o clube (ali, onde o sol pouco brilha e as libras são contadas, o futebol é tudo), sem ter grandes alegrias em troca. É uma bela peça documental que até pode ter parecenças com outros clubes no mundo e até por cá…

Ver em tempo de isolamento, 2

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Voltando a dar ares de Geraldes, sugiro mais uma malha futebolística da Netflix. Ultras, mostra a vida de uma claque (fictícia) do Nápoles. De Sandro “Moicano”, líder da velha guarda até Ângelo, um dos mais jovens, passando por aqueles que querem roubar a liderança. Um retrato cru de uma cidade pobre, onde o futebol garante sentimento de pertença e propósito.

Ver em tempos de isolamento, 1

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Hoje faço de Chico Geraldes, mesmo sendo apenas Chico… Reis. Na Netflix já está The English Game, minissérie que mostra as façanhas de Fergus Suter, o primeiro futebolista profissional da história. Na Inglaterra fabril do fim do século XIX, o modesto Darwen, foi buscar dois escoceses – Suter e Jimmy Love – e para além de lhes dar trabalho na fábrica, refeições e alojamento, pagou-lhes ordenado de futebolista, algo visto como insultuoso e contrário às regras. Suter, estrela na sua parte da Britânia, mudou o futebol em Inglaterra, “roubando” o jogo aos seus aristocratas fundadores e oferecendo-o ao povo.

Ler em tempo de isolamento, 3

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Texto de Rui Miguel Tovar sobre Manuel Fernandes:

“De suspeito a herói, é um ápice. Nem dura 90 minutos a eventual desconfiança. É o tal hat-trick à Académica. Nessa época de estreia pelo Sporting (1975-1976), há mais quatro desses, vs. União de Tomar (4-1), Braga (4-1), Leixões (3-0) e Académica (3-3). Todos em Alvalade. É a sua casa até 1987”.

In.: TOVAR, Rui Miguel – Fome de golo. 1ª ed. Clube do Autor, 2018. p. 173

Ler em tempo de isolamento, 1

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Texto de Rui Miguel Tovar sobre Yazalde:

“Na estreia oficial, demora um, dois, três, quatro, cinco, seis minutos a encontrar o caminho da baliza. Pobre Boavista (4-1). Antes do intervalo, 2-0 de Yazalde. O futuro está mais do que garantido. Três dias depois, a estreia europeia corre-lhe às mil maravilhas, com um golo aos noruegueses do Lyn, em Alvalade (4-0), para a Taça das Taças. A semana acaba com um 2-1 no D. Manuel de Melo, casa do Barreirense. Adivinhe lá quem assina o resultado final?”

In.: TOVAR, Rui Miguel – Fome de golo. 1ª ed. Clube do Autor, 2018. p. 150

O primeiro dia do resto da tua época

A 28 de fevereiro de 2020, o Sporting já só tem doze jogos pela frente. Jogará apenas uma vez por semana, para o campeonato, onde ambiciona chegar ao terceiro lugar, hoje, pertença do Sporting de Braga. A humilhante goleada sofrida na Turquia, ante de um clube sem identidade, de nome impronunciável, só confirma aquilo que já sabíamos há demasiado tempo: a época falhou redondamente.

E agora? O que vai ser o resto da época? O primeiro nome que salta à vista hoje é o de Silas. Não chegará ao verão, mas parece-me que não há grande vantagem em que não chegue ao fim do dia. Parte da culpa é sua, claro, mas ter uma solução de recurso até fim da época, não parece vantajoso. Além disso, numa só frente, é de esperar que pare de inventar e que aposte num onze titular, de forma contínua.

O que se espera agora de Silas é uma aposta continuada em homens como Plata, Jovane, Camacho ou Geraldes. E que outros, como Mendes e Rodrigo, possam ter mais minutos. E ainda que outros, como Nunes, Echedey, João Silva, Bruno Paz, Nuno Moreira ou Tiago Silva possam espreitar a equipa A. Não tenho qualquer curiosidade de voltar a ver homens como Bolasie, Doumbia, Eduardo ou Ilori em campo…

Mas o resto da época não se jogará apenas no relvado. Partindo do princípio que a administração continua (se tivesse caído cada presidente que nos desilude, teríamos tido tantos presidentes como treinadores nos últimos trinta anos), espero que faça o trabalho que não fez a preparar esta época.

Que se escolha imediatamente novo timoneiro, mais experimentado e que este comece já a observar os jovens e os outros homens com os quais terá que trabalhar. Que se escolha imediatamente um homem mais experiente que ajude e guie Viana. Que o scouting identifique já os jogadores a contratar, que efetivamente tragam valor. Que se olhe para os homens que jogando pouco noutros contextos, possam renascer no Sporting (Rony Lopes) e para aqueles que em fim de contrato, possam ser bons negócios. No fundo, que se emende a mão e se faça o trabalho básico (nada do que aqui aponto é inovador) que se espera que um clube como o Sporting faça.

Do lado de cá, continuaremos a pagar a mensalidade de associado; comprar camisolas (das quatro deste ano, ainda me faltam duas) e ocupar os lugares comprados no verão apenas para ver espetáculos tristes na relva e em algumas bancadas. No fundo, nós, como sempre, fazemos a nossa parte. Façam o favor de fazer a vossa.

"Por favor não me deixes"

"Tinha muito sangue. Lembro-me de ter dito, - se calhar fui um pouco egoísta - 'por favor não me deixes'." 

"Tive segurança em casa durante semanas até a minha mulher ir-se embora. Nem queria ir ao supermercado sozinho. Não posso dizer que agora tenha medo. Falei com um psicólogo em Lisboa, mas foi bom sair do país. Precisei de semanas para recuperar".

Bas Dost, hoje. 

Bruno

Não gostei que tivesse rescindido e quando voltou, demorei a voltar a habituar-me a admira-lo. Mesmo imaginando o horror que viveu e, que agora vai sendo comprovado diariamente na Ajuda. 32 golos num ano terão ajudado. Mas a forma como jogava, com garra, foi o que me voltou a por do lado dele. Ontem provou ter amado a camisola

Fiquei feliz com a contratação de Bruno Fernandes naquele verão. Via-o como uma versão mais jovem de Adrien Silva. Pensei que fosse titular, construísse jogo e marcasse uns golitos. Nunca pensei que durante dois anos e meio se tonar-se no melhor jogador e marcador da equipa. Marcou 63 golos, venceu três trofeus e tornou-se no médio do futebol europeu com mais golos marcados numa só época.

Sai para a melhor liga do mundo para um clube, que como o Sporting, já viveu melhores dias. Mas estará na liga dos seus sonhos e melhor rodeado. Matic não é Roy Keane mas também não é Doumbia. Etc. E se lhe der na gana, o United desencanta 300 milhões e vira o jogo.

Mas agora interessa-me mais a sorte do Sporting. Com Bruno Fernandes, melhor jogador, as exibições já eram sofríveis. Sem ele, serão piores. E sem Phellype, o patinho feio, mas segundo melhor marcador, também. Em três dias, o Sporting perdeu 24 golos. Percebo que a lesão de LP29 não estivesse nos planos e que o Sporting ande a correr atrás de Taremi ou Oliveira, falados ontem e hoje como possibilidades. Não entusiasmam (o português menos do que o iraniano) mas têm pontos positivos – experiência e golos. Mas quem nasceu para Oliveira, não chega a Fernandes.

Percebo menos bem, que é como quem diz, parece-me escandaloso, que não chegue imediatamente um médio de qualidade, que já deveria ter, a esta altura um contrato à frente dos olhos. Claro que não pegaria de estaca numa equipa tão instável, mas poderia já começar a preparar-se. Robertone ou De La Cruz, do futebol argentino, por exemplo, seriam agora bem-vindos e dariam um sinal positivo. Mostrar por inação que Bruno não será substituído, é perigoso. E repete o erro do dossier Bas Dost, substituído por…Jesé ou seja, por ninguém.

Percebo ainda melhor que o resto do plantel, mal construído, não seja retificado neste mercado. Chegou Sporar e foi inscrito Pedro Mendes, que nem parece contar muito. Fala-se no regresso de Geraldes, que nunca me convenceu. Nem ao AEK. Nem ao Colónia. E fala-se agora num avançado. E um central? E um lateral melhor do que o Borja para que Acuña possa subir? E um bom médio defensivo? E um criador de jogo? O mercado fecha amanhã e nada parece estar a acontecer.

Wendel e Vietto vão ter mais hipótese/necessidade de ser protagonistas no centro? Sim, claro. Isso será suficiente para que o Sporting suba de qualidade ou pelo menos não cai a pique? Wishful thinking. Talvez amanhã ainda tenhamos "sorte" com emprestados que encontremos num qualquer ponto de reciclagem.

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