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És a nossa Fé!

As juras de Varandas

Num inquérito encomendado, com perguntas à medida das respostas - um módico de deontologia impede chamar a isto "entrevista" apesar de impressa em papel de jornal - o Presidente do Sporting toca 3 pontos que convêm registar.

O primeiro é que "assume" e "dá a cara" pela desairosa época do Sporting. Claro que acto contínuo evoca as mil e uma dificuldades do cargo, justificação que faz ricochete pois é como quem diz que não teve cabeça ou capacidade para acorrer a tudo. Mas isto do "assumir" sem daí tirar consequências decorre de uma ética um bocado torpe, embora esteja na moda. Seria como se perguntando o juiz  ao réu se se declara incoente ou culpado e tendo este dito "culpado" o merítissimo o mandasse em paz pois basta que tenha "assumido" para ficar ilibado.

O segundo e terceiro pontos interessantes, é que Varandas se atravessa inequivocamente - repito: inequivocamente - por Ruben Amorim e pela continuação no plantel da época 20/21 dos jovens Quaresma, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Joelson e Tiago Tomás. Registe-se e guarde-se para memória futura; cá estaremos para avaliar a credibilidade e idoneidade de quem assim jura.

 

Para melhor está bem, para pior já basta assim

Quando Bloomberg foi eleito mayor de Nova Iorque um jornalista perguntou-lhe que objectivos tinha para os primeiros 100 dias. “Formar uma boa equipa”, foi a resposta. O jornalista ficou surpreendido e Bloomberg decepcionado com ele - como era possível não perceber uma coisa tão fundamental? Porque se insiste em obter as respostas do costume que já se sabe serem vazias e demagógicas?

O Sporting neste momento é comparável ao Congo. Um país riquíssimo em recursos (a famosa formação), mas com um aparelho estatal decomposto, fracassado e degenerado. Conjuntura política que só atrai golpistas, oportunistas, bandidos, ou na melhor hipótese incompetentes e néscios. Segundo Fareed Zakaria a abundância de recursos é uma maldição e não uma benção, ideia muito sensata, mas conversa para outros quinhentos.

Peço-vos o favor de recordarem que esta direcção foi eleita à pressa na sequência dos tumultos que levaram à destituição do Caligula cuja insanidade ameaçava liquidar o Sporting. A previsível incompetência de Frederico Varandas e da sua equipa, pela qual ele é inteiramente responsável, exibiu-se se em todo o seu esplendor durante esta época.

O Sporting só mudará de rumo, só deixará de ser comparável ao Congo se os seus sócios mudarem de atitude. 

Gritar pela destituição desta direcção e por eleições antecipadas é reincidir no erro e acelerar a espiral de decadência que vem arrastando Sporting para o fundo. Neste processo deletério não são as eleições que nos vão dar a alternativa a esta direcção incapaz e cada vez mais sinistra. É o surgimento de alternativas credíveis que exigirá novas eleições. 

Enquanto não aparecer no horizonte alguém com um módico de decência e competência curricular, que apresente uma equipa idónea e experiente, que proponha duas ou três soluções viáveis e pragmáticas para problemas concretos, em vez de congressos para discutir a coisa, alterações administrativas, vacuidades estruturalistas, projectos rebuscados sem qualquer relação com a realidade, ou as velhas e relhas promessas de bacalhau a pataco; enquanto não houver gente com este perfil a dar um passo em frente e propor-se à responsabilidade de conduzir os destinos do Sporting, querer eleições já resulta apenas em instabilidade.

A mudança só fará parte da solução quando houver garantia que for para melhor. Se não, como só um cego ou um oportunista não vê, a mudança é parte do problema.

Outra topada na mesma pedra

Apertemos então o cinto que o caso Joelson promete um Verão trepidante. 
Repetir uma conduta na crença de que o resultado seja diferente não abona muito a favor do realismo (para não usar expressão mais desagradável) de quem assim pensa. 
Há alguma novidade no caso de Joelson? Um empresário mancomunado com o comprador que é quem lhe dá a comissão? Um tutor desejoso de rentabilizar rapidamente o activo? Um puto ansioso por envergar uma camisola grande e por actuar num grande palco? Tudo já visto e sofrido anteriormente. 
No fim gritar-se-á com aquela espécie de indignação típica dos maridos enganados, lamentar-se-á a inconsciência do rapaz e persistirá  essa mirífica crença de que o futuro está na formação. Mesmo que mais uma vez se prove que um futuro assim é sempre ontem. Mas se durante 3000 os antigos egípcios acreditaram que os crocodilos eram deuses porque não há-de haver quem acredite tanto nesta fantasia?

Formações

Façam o favor de reparar que pela equipa do FCP que ontem nos derrotou "naturalmente" passaram Fábio Vieira (o único destes a alinhar de início), Diogo Leite, Romário Baró, João Mário, Victor Ferreira, e ficaram no banco Tomás Esteves e Fábio Silva. Todos com 20 anos ou menos. Alguns deles protagonizaram a equipa de sub19 campeã europeia em 2018 na qual o Sporting estava representado por Thierry Correia, vendido à pressa ao Valência onde vem comprometendo a sua evolução, Miguel Luís, misteriosamente desaparecido em combate, e Elves Baldé, a rodar lá longe no Feirense. 
Permitam-me então concluir que formação têm todos, não há que embandeirar demasiado em arco com ela. A diferença está no modo como cada um cuida dela e como a vai integrando na equipa principal. Ou seja, não a deitando fora por troca com alguma contratação de pacote, não a vendendo ao desbarato em acertos de contas, nem exigindo-lhe uma responsabilidade para a qual não está preparada e que só vai criando desânimo e um espírito conformista se não mesmo de derrota.

A mãezinha dele até pode ser uma senhora muito digna

Só pude ver o jogo de ontem na Ucrânia. O comentador lá ia arrastando a voz ao ritmo tropeçante e pastoso do desafio. Uma partida em que para dar tempo a uma substituição o guarda-redes atira-se lesionado para o chão o tempo necessário a que o suplente dispa o fato de treino e oiça as indicações do treinador. E o "árbitro" ou lá o que era aquilo nada insatisfeito com a cena. 

Mas no final, quando Coates sofre um penalty do tamanho da Catedral de Santa Sofia de Kiev, mesmo não percebendo nada do que dizia o comentador percebia-se tudo o que queria dizer pela excitação em que entrou. Como foi possível ter ido ver ao vídeo e não ver o que toda a gente via? Era isto de certeza que dizia o comentador ucraniano no tom claramente intrigado e surpreendido com que falava.

Como não percebo nada da língua ucraniana, nem dos costumes locais, não sei se o comentador terá chamado gatuno e filho da puta ao árbitro - não  posso jurar, mas fazia sentido.

O segredo

É melhor escrever isto agora antes que tenha razão para me arrepender.

Vi nesta primeira parte contra o Tondela coisas que já não via a equipa do Sporting fazer talvez há mais de um ano. 

O princípio é simples: cada jogador que recebe a bola tem sempre duas ou mais opções de passe diante dele. "Diante" precisamente, e não atrás ou ao lado. Isto permite que tenha havido mais passes certos do que talvez toda a primeira volta e que cada jogador saiba sempre o que fazer.

Os peritos de sofá gostam muito de rabiscar linhas no papel como se futebol fosse matrecos e gaguejar uns números como se o futebol fosse um indicativo telefónico. Ora a táctica é uma batata, o que conta é a dinâmica. E a dinâmica resulta de 3 coisas - treino, treino e treino. Quer dizer que era isto que faltava, talvez porque não havia quem o soubesse fazer.

Urbanismo

Entrou para aprovação um projecto de remodelação urbana da praça fronteira à entrada principal do Estádio da Antas designado como "glória eterna ao imortal Pinto da Costa e seu sereníssimo sucessor o grande líder Rui Moreira" que vos apresentamos aqui em primeira mão.

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O nosso futuro

O Sporting apresentou ontem uma equipa cheia de futuro.

Ora o futuro é um fenómeno que na escala de tempo sportinguista costuma ser interrompido lá por Julho ou Janeiro quando os jogadores que o prometem são vendidos (em benefício do seu próprio futuro) para orgulho da nossa formação e proveito de quem os negoceia.

Presente é coisa que não abunda por aqui ao contrário do passado, que temos em excesso.

E estamos nisto há 20 anos, com uma breve suspensão em 2015 / 2016. Continuemos, portanto, a apostar no perpétuo futuro já que a esperança é a última a morrer (embora seja a primeira a emigrar).

Estádios às moscas agora vazios

A Liga de futebol portuguesa é a mais radical, ou, se quisermos descarada, pois dá um lição de transparência a todas as que por essa Europa fora organizam os jogos. A existência daquela entidade tão esotérica quanto imaterial que é o "clube" (haverá melhor designação, mas agora não ocorre) conhecido como "B" prova à puridade que sócios e adeptos, mais as concomitantes receitas de bilheteira, são uma excrescência à economia da bola. Não há nada igual em qualquer outra Liga europeia e é por demais significativo que tal aberração não seja um escândalo nem o futebol português se sinta envergonhado.
Um breve passeio por alguns sites informativos asseguram que o "B" é apenas um exagero, pois outros "clubes" supostamente representativos de suas terras e suas gentes com ele competem em rarefacção nas bancadas. Frenética deve ser a indústria de entretenimento na Vila da Aves (pop: 8.458) para que os seus habitantes só frequentem o campo de futebol da povoação à média de 1.969 espectadores por jogo. Em Braga, a idolátrica, só 10.587 dos seus 136.885 residentes arriscam quinzenalmente as constipações naquele trambolho de betão que tem o significativo nome de Pedreira. E isto quando por méritos salvadorenhos anda a agremiação por aí a fazer brilharetes.
O público nos estádios, demonstra-o a nossa Liga, não é mais do que cenografia. Ele está lá para dar cor e barulho às transmissões televisivas que, dizem ser, a par das transações bovinas de jogadores, as verdadeiras fontes de receitas desta actividade. Nada que não se resolva com uns pack shots.
Donde que recomeçar o campeonato com estádios vazios consiste, na maior parte dos casos, em mandar ver na Tv nas tascas das redondezas a meia-dúzia de maduros que lá iam. 
De qualquer maneira este recomeço é meramente perfunctório, serve só para um ajuste de contas entre os gajos do costume.

 

Parábola

Uma casa começou a arder.

De imediato se levantam vozes indignadas exigindo que se descubra e castigue exemplarmente quem lhe pegou fogo.

Outros, que se presumem sensatos, advogam que é fundamental perceber porque arde a casa.

O grupo dos muito inteligentes propõe um comité de reflexão para estudar os meios e os métodos mais actuais e consagrados para apagar fogos.

Os pragmáticos reclamam que se vá ao fundo da questão e pretendem uma restruturação completa do corpo de bombeiros.

Lá vêm os filósofos pôr a questão essencial: o que é um incêndio? 

Ninguém se lembrou de ir apagar o fogo.

A casa ardeu.

Futebol e televisão

Ó rapazes isto é simples. A economia do futebol está toda pendurada nos direitos televisivos, o resto são peaners como diria Jesus, o brasileiro. Quem pagou uma batelada por esses direitos está com a corda na garganta: sem jogos não há assinaturas nem publicidade. Ou seja não há dinheiro para pagar aos clubes, no mesmo passo em que o valor dos jogadores cai a pique.

Mais um mês disto, se os jogos não recomeçam rapidamente, com ou sem espectadores - isso agora é com os governos - o negócio vai à falência pela base.

Isto é bom? É mau? O que seja, mas é assim.

Impor condições, como obrigar os jogos a passarem nas televisões abertas caso sejam à porta fechada? Quem paga? As televisões abertas? Com que dinheiro? E os direitos pagos pelos canais de subscrição? Pode-se fazer uma negociação decente debaixo de uma imposição legal que obrigue ao acordo? Querem lá ver que ainda sobra para a subsidiação estatal?

O dilema

Foi um acto de gestão irresponsável e desesperado a contratação de Ruben Amorim. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Não creio que Ruben Amorim tenha as condições mínimas para o êxito, quer quanto ao plantel, medíocre e desunido, quer quanto à estrutura, uma cambada de diletantes, quer quanto ao planeamento e ao projecto (quais?). Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Creio pouco menos do que impossível a tarefa de Ruben Amorim de suster nos próximos 3 meses a avalanche de desgraças que vem de trás, de modo a ter um mínimo de crédito para lhe ser entregue a próxima época. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Não me lembro de outro treinador tão sujeito à desconfiança dos sócios como Ruben Amorim: lampião convicto, inexperiente e sem provas dadas consistentemente,  escolhido por um Presidente errático e contestado, caríssimo, e contratado num processo no mínimo inquietante. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Maldita seja a direcção do Sporting que me pôs nesta situação. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Silas é a nossa última oportunidade

Deixemos Silas em paz. Ele está na cadeira mais ingrata do futebol português, que tritura carreiras e mais ninguém quer ocupar. Por mais treino que haja, se um jogador cometer dois erros seguidos e clamorosos que dão golo ao adversário, um jogador a quem se dá oportunidade para recuperar e dar confiança mas retribui com uma atitude displicente, que mais pode um treinador fazer? Se a rapaziada falha passes óbvios, deixa escapar no pé bolas limpas, pisa e tropeça no esférico como um juvenil, que plano pode funcionar?

Neste momento Silas é parte da solução não do problema, mesmo que tente demais tacticamente, mesmo que procure desesperadamente extrair alguma coisa decente de jogadores como Ilori, Dumbia, Jesé, que seria decorativos numa equipa da 2a divisão. Deixemos Silas em paz até ao final da época porque melhor será agora impossível. Um corrupio de treinadores evidencia que o problema está no clube não no treinador.

Quem deveria mesmo ser corrido por manifesta incompetência e dano é Hugo Viana e antes da nova abertura de mercado para não lesar mais o Sporting. Se Varandas não o fizer ter-se-á que tomá-lo como cúmplice.

Foi pena

O futebol é cruel. Foi o jogo mais organizado e ligado do Sporting desde há muito tempo. Agora só falta ter alguns jogadores que não tropecem na bola e que os habilidosos da equipa não falhem tantos passes e não se ponham às biqueiradas estratosféricas mesmo com tanta gente em melhor posição. Já há caminho para andar, percorrê-lo é que será mais difícil.

Outono

Ficaram provadas várias coisas. No estado em que isto está talvez nem um Klopp conseguiria melhor. Borja não sabe o que faz nem o que fazer com a bola; Doumbia nem o corpo consegue equilibrar; Eduardo, que é feito do Eduardo do Belenenses?; Miguel Luís e Ilori não existem. Ou seja são jogadores abaixo do nível de um Alverca da 3.a divisão. Jesé foi bom há 10 quilos atrás; Filipe das consoantes caiu numa estranha apatia e Rosier já deve ter sido melhor. 

Em resumo, o Sporting deve ter o pior meio-campo da sua história. Há portanto que pedir responsabilidades a quem, ó Teresa, montou esta traquitana que nada tem a ver com uma equipa, chame-se Varandas ou Hugo Viana.

Tudo isto no ano em que aumentou o preço dos lugares e em que a administração aumentou os seus vencimentos. 

E agora? Agora não há outro remédio senão dar tempo a Silas e aguentar. Lá para Março será tempo de acertar as contas com os bandalhos que nos puseram nesta situação, a nós sócios, ao pobre do treinador e até alguns dos jogadores. Este veneno bebe-lo-emos ao fim.

Só uma palavra de compreeensão para a contenção de Neto, senti que na pele dele eu teria desatado à chapada a tudo que me aparecesse à frente. 

{ Blog fundado em 2012. }

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