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És a nossa Fé!

Em resumo

O Sporting hoje em Istambul alinhou com:

Guarda-redes: Adán;

Defesa: Inácio, Coates, Coates, Feddal;

Meio-campo: Palhinha, Palhinha, Porro;

Dianteira: Sarabia, Coates, Sarabia.

Aos 73' entrou Esgaio. Aos 89' viu-se Paulinho.

Do lado do Besiktas Rosier tudo fez para demonstrar porque não está no Sporting.

Resultado: 2,8M € para o Sporting.

Uma noite das antigas

Houve milagre em Famalicão na noite das bolas longas e o Sporting só começou a pegar no jogo, e mais propriamente a jogar, quando saiu o Doumbia ou Eduardo ou lá quem era aquele 8 que falhou todos os passes, baralhou-se nas recepções e quando um pé pedia licença ao outro para dar um passo, a bola já lá não estava. Bem acompanhado esteve ele pelo desastrado Jovane (teve nos pés um golo antes dos 2' de jogo, mas a cabeça não deixou) e por esse caso sério de horror à baliza que é o Paulinho-inho. Mais fraco do que o Sporting hoje, só mesmo o paspalhão do apito que ainda não era passado um quarto de hora e já tinha varrido tudo a cartões amarelos, fosse encosto ou tropeção. Foi milagre o empate, os deuses não nos abandonaram. Dias melhores virão de certeza.

Adepto é que não sou

No seguimento do lúcido e fulminante texto abaixo de Filipe Arede Nunes, tenho a dizer que cartão de adepto mas é uma ova, assim me coibindo de referir a mãezinha de quem pariu tão asinina ideia. 
Deve-se o repúdio que aqui manifesto ao facto de tomar como grave ofensa a possibilidade de ser considerado adepto. Adepta era a tua tia pá, eu sou SÓCIO do Sporting Clube de Portugal. Tenho um cartão numerado e as cotas em dia. Para frequentar Alvalade - aliás, neste momento proto-pós-covidiano, para comprar bilhete para entrar em Alvalade - é uma torpeza, uma ignomínia, que me seja exigida qualquer outra identificação relativa ao clube e ao estádio onde tenho lugar. Não faltaria mais nada, ora então...

Nada muda para que tudo mude

Ontem saí de Alvalade encantado (muito) e decepcionado (um pouco) pelas mesmíssimas razões. 
A decepção, para aviar já este assunto, vem da parcimónia de golos para tão grande domínio. Aquela aberração do BSAD, que envergonharia qualquer campeonato civilizado, deveria ter saído com uns seis golos no bucho e era uma sorte. Paulinho é fantástico a jogar para a equipa, a deslaçar as defesas adversárias, como se revela medonho a dar o último piparote na bola para a baliza.

O encanto vem de ver a máquina a funcionar. O Sporting de Rúben Amorim mandou a táctica às malvas, toda a gente sabe que o esquema é 5-2-3 a defender, ou na "transição defensiva" em paleio de cátedra, e 3-4-3 a atacar. Ora isto não quer dizer absolutamente nada e tornou-se conversa para adormecer o boi. O que verdadeiramente conta é o que cada peça faz no seu lugar. Por exemplo: quando joga Jovane em vez de Nuno Santos, porque são jogadores diferentes, que fazem coisas diferentes na mesma posição, é claro que a bola tem de lá chegar de maneira diferente e é óbvio que sairá de lá de maneira também diferente. Tudo muda quando mudam os jogadores sem que nada mude na organização. Ora isto funciona porque toda a equipa, de Adán a Paulinho, joga em função dessa diferente expectativa do que um ou o outro irão fazer. E isto é prodigioso, quer dizer, é treino, muito treino.

Continuem rapazes, é só calibrar um bocado mais a pontaria.

Sporting sinfónico

Para apreciar melhor o segundo golo do Sporting de ontem será de vistas curtas reparar apenas no estupendo passe de Esgaio que leva a bola até aos pés daquele que fabrica algoritmos com a ponta da bota, pois os seus remates saem de geometria perfeita na curva do arco, na altura do voo, na direcção inevitável  que levam. 

Pedro Gonçalves estava nesse momento isolado próximo do segundo poste. E estava sozinho porque foi ali ter em resultado de uma longa jogada em que toda a equipa havia antes, por duas vezes, tomado de assalto a linha defensiva do Vizela por todos os flancos. Duas vezes a bola é rechaçada e de imediato recuperada quase à entrada na área e quando na terceira investida chega aos pés de um Esgaio livre e com espaço à direita, já os adversários estavam completamente desbaratados e desnorteados. 

O segundo golo do Sporting é de antologia: o futebol é um jogo colectivo e dinâmico, onde cada peça deve saber onde estar e o que fazer. O segundo golo do Sporting foi um puro produto do treino e de quem o administra. Pode ser viciante o hábito de se irem vendo maravilhas destas em Alvalade.

Vai uma apostinha?

A pré-época é uma fase maravilhosa porque o adepto pode entregar-se a devaneios especulativos sem grande implicação, como se daqui da bancada se percebesse alguma coisa. Se as suas previsões vierem a ser invalidadas terá sempre a desculpa de que "o tempo não confirmou as expectativas." 

O ano passado o prestidigitador Ruben Amorim tirou três coelhos da cartola dos juniores, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio e Tiago Tomás, que deixaram atónitos os supostos especialistas e encantados os sportinguistas. 

Este ano, pelo que se vai vendo, Amorim quer repetir o desaforo testando nestes joguinhos de preparação um pelotão de rapazes danados para saírem da casca. Estou portanto em perfeitas condições para apostar que lá para Maio de 2022 toda a gente já sabia que Joelson, Esteves e talvez Essugo iam revelar todo o seu potencial.

Em resumo

Jogo descomunal de Pedro Gonçalves.

Fora isso não sei se Matheus Nunes alguma vez não terá dado a bola ao adversário, além de lhe ter oferecido o penalty da vitória, e gostaria de saber se o xG de Paulinho será tão mau como presumo que seja. 

Foi pena não sermos campeões invictos, sobretudo depois do que a equipa fez a partir dos 70'.

Como é diferente a lei em Portugal

No domingo em Braga um agente da ótóridade interpela Rúben Amorim por não ter máscara apesar de estar num camarote isolado no topo de uma bancada vazia. Sai logo multa.

24 horas depois, no mesmo distrito, em Moreira de Cónegos, a 33kms de Braga, um agente da ótóridade fica a olhar para um homem a ser agredido diante de várias testemunhas. Parece que o Ministério Público coisa e tal vamos ver.

É a normalidade.

Há que compreender

O quadro que o Ricardo Roque publicou mais abaixo explica muito. Por esta altura o fcp tem apenas menos 3 pontos do que os que tinha o ano passado, ainda assim suficientes para ficar acima do slb que este ano só tem menos 1 ponto do que em 19/20. 

Esta seria a tal normalidade, a divisão do espólio entre estes dois emblemas, estragada por um punhado de pernas de pau de meia-idade e um rancho de putos imberbes, treinados por um desqualificado que nem diploma tem, lá do "clube de malucos."

Tanto almoço de negócios, tanto pilim gasto com avenças em bordéis, tanto magistério de influência, tanta despesa de deslocação e em seguros de acidentes de trabalho com corrécios que chegam a ter que ir ao Alentejo no exercício da sua profissão, tanto poderzinho arduamente conquistado nas trincheiras institucionais do futebol, tantas garrafas de JB pagas a jornalistas e comentadores da persuasão, tanta organização para isto? Claro que é de um homem perder a cabeça.

A normalidade

Aquela equipa de natação sincronizada passou então os últimos minutos do jogo a praticar a sua arte na piscina de Moreira de Cónegos e lá teve a recompensa. No fim Conceição arremeteu ao árbitro a bufar e de cabeça baixa com tão boa dicção que se pôde ler o seu pitoresco vernáculo no movimento dos beiços, no que foi secundado por um badalhoco à paisana mas de braçadeira oficial a fazer o tão aguardado número do "agarrem-me que vou-me a ele." 

"Tudo normal" como diz o fuhrer deles.

A corda que não partiu

Se os 3 pontos souberam a mel o jogo soube a fel. E por maior que seja a festa há questões a pôr:
O que tem a ver a ausência de um central com a total incapacidade de João Mário, Palhinha, Gonçalves e Nuno Santos trocarem mais de dois passes sem falharem ou perderem a bola? Porque quase nunca ganhámos a segunda bola nos ressaltos defensivos? Paulinho deixou de ter má relação com o golo para passar a ter má relação com o jogo, gostava de ver as estatísticas dele, acho que foi zero em tudo: recepções,  remates, passes, desarmes. Quantas bolas longas o TT conseguiu segurar? Os remates de meia distância têm de ir todos para o bancada?

Já fizemos melhor, muito melhor e precisamente agora é que é preciso mais.

Entre o minuto 17 e o 18, o verme do apito fez vista grossa a uma entrada de Fransergio sobre Palhinha igualzinha à que lhe deu a expulsão na partida com o SLB; logo a seguir viu uma falta para segundo amarelo num encosto do ingénuo Gonçalo Inácio. Quem tivesse dúvidas ao que vinha ficou sem elas. No fim, de pura raiva, espargiu amarelos sobre o banco do Sporting. Ainda deve estar lá na Pedreira às escuras a mostrar cartões a tudo que lhe aparecer à frente.

Por fim, uma equipa que não fosse tão medíocre como o Braga teria vencido sem dificuldade este Sporting. E o desabar deste embuste foi o que deu mais graça a uma vitória arrancada a ferros.

{ Blog fundado em 2012. }

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