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És a nossa Fé!

As notícias e o fisco

Um textinho muito interessante e esclarecedor de Carlos Vieira.

"Nota aos meus amigos sobre vendas de jogadores por valores a rondar 120M e sobre o facto de nada ser comunicado até agora. Este meu post é mais académico e só visa fazer pensar num aspeto que pouca gente tem referido, na comunicação social e nos “mentideros” económico-financeiros
1. As contas da SAD vendedora, apresentavam a 31 de dezembro de 2018 resultado líquido positivo (na ordem dos € 20M positivos); a perspetiva geral para o final do exercício já era positiva em termos contabilísticos e fiscais;
2. O relatório e contas fala inclusive de eventos subsequentes relacionados com alienações de passes de jogadores que iriam já fazer manter o resultado ficar estabilizado num lucro no final do exercício económico e fiscal, a 30 de junho de 2019 (que se atinge daqui a dias);
3. Em nenhum local dos relatórios e contas se refere que a SAD tem prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores (o que faz sentido face aos lucros sucessivos que tem tido anualmente);
4. O jogador que se refere ir ser vendido (os seus direitos desportivos, entenda-se) tem um valor contabilístico perto de zero, sendo um jogador formado na Academia da SAD;
5. Assim, uma venda pelos supostos 120M iria originar um pagamento de IRC (já daqui a uns meses) na ordem dos € 27M (olha o nosso Ministro das Finanças, aos pulos,… ou talvez não);
6. Há a possibilidade de se reduzir a fatura no ponto acima para cerca de metade, mas se, e só se (no meu modesto entender) se proceder a aquisições de jogadores do mesmo montante, no corrente ano e nos próximos dois (e se não se fizerem mais vendas). Mas pelo menos cerca de € 13M iriam para o nosso tão carenciado erário público;
7. Assim, antevejo que o negócio, a fazer-se, seja posterior a 30 de junho pois sempre se ganham mais um ano para se gerir formal e mediaticamente todos os passos que aqui referi. Com muito planeamento à mistura."

Assim por alto

Um módico de bom senso fará assim, suponho, o ponto da situação, mesmo sabendo que isto das compras&vendas no futebol não é como ir à boutique.

1) Bruno Gaspar, Borja e André Pinto (este depois da atitude miserável no jogo contra o benfas) a porta da rua é serventia da casa – são maus demais. Dos toscos só guardava Petrovic; a entrega, a humildade e a perseverança que demonstrou são capazes de dar um “bom balneário”, o que é imprescindível ao funcionamento da coisa.

2) Com Ivanildo a defesa já tem quarteto central: Coates, Mathieu e Neto serão os tutores do rapaz. Ilori, o displicente, pode ir andando.

3) Ristovski será um bom suplente de quem vier, tal como o foi do saudoso Piccini. Estará Thierry Correia capaz de ascender à primeira equipa?

4) À esquerda da defesa é que é um cabo dos trabalhos desde que estupidamente Peseiro descartou Coentrão. Nem principal nem suplente, porque Jefferson, outro displicente, já não dá mais, nem parece ter vontade.

5) Com Battaglia, Palhinha, e Doumbia aquela zona fica entregue. Gudelj é demasiado irregular e se acabou a época como deve ser, mais de dois terços dela arrastou-se em campo acumulando erros.

6) Diaby é outra carta fora do baralho. Com os ansiados regressos de Mama Baldé, Gelson Dala e Matheus Pereira (terá aprendido a lição?) o maliano torna-se redundante.

7) Se houver quem esteja interessado no literato Geraldes, do qual se diz que é melhor a ler do que a treinar, e em Wendel, que parece mortinho por sair – pois que rendam uns cobres.

8) Caso Bruno Fernandes seja vendido, que se saiba negociar a contratação de um cérebro com provas dadas ou vontade de provar para o lugar dele. Afinal foi deste modo que ele veio ter ao Sporting.

Consistência

Poder-se-ia falar da desilusão de Ilori, um bailarino que não sabe onde se pôr ou quem marcar, como tão bem demonstrou no golo do Villareal. Ou de Phylippe, ou lá como ele se chama, que ainda não deixou de ser um jogador de 2ª divisão. Ou de Bas Dost que fez de Bryan Ruiz mesmo no final do jogo. Mas a verdade é que há coisas que não mudam, como Jefferson por exemplo. Dele saberemos sempre que será infinita e consistentemente estúpido.

 

Já agora...

Ainda a próposito dos famigerados 10-0: já alguma daquelas entidades que têm por ofício serem curiosas se lembrou de investigar se este resultado terá dado origem a um prémio chorudo nas casas de apostas?

Doutor Peres

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Quando regressou a casa após um "exílio" na Académica Peres recebeu da bancada de Alvalade a alcunha de "Dr. Peres." Como de costume na ironia resguarda-se a verdade. A sua atitude assertiva dentro e fora do campo, a frieza que trazia ao jogo, faziam dele uma figura dominante e doutoral, que percebia tudo e punha tudo a funcionar. Isto não desencadeava paixões mas poucos terão sido mais respeitados do que ele. O título de "Dr. Peres" exprimia a distância e a consideração que havia entre ele e os adeptos. Com Peres era claro: não era ele que tinha de nos agradar, nós é que tínhamos que lhe agradecer. E a verdade é que havia quase sempre razão para isso e Peres nunca nos ficou a dever.

Que saudades desse Sporting. 

3 notas e nada mais

1. A prima donna pode falhar as notas todas, entupir a fluidez da récita, deixar o pianista sozinho e à deriva, ah!, mas se tira um dó de peito a casa vem abaixo em aplausos. Tudo isto é um grande equívoco, mas pronto, contra consensos estabelecidos nada a fazer e não vale a pena mostrar os números.

2. Coitado do Wendel que vai a todas sem descanso nem sorte, abandonado pelo tosco que não sabe fazer e pelo artista que só faz se for ele a brilhar.

3. Como sou dos que pagam para ver e não dos que recebem para fazer limito-me a falar do que vejo e não do que deveria ser visto. O menu é o chefe que o elabora, a mim não me resta mais do que estimar que estava sápido ou era uma merda. Mas por uma vez atrevo-me a dar palpite dada a calmidade em curso. Aquilo que se passa no lado direito da nossa defesa é tão catastrófico e tão irremediável, dada a consistência do desatino, que não seria melhor pôr ali o Thierry Correia? Pior de certeza não era porque nada é pior do que aquilo, e ao menos o rapaz lá se ia fazendo.

Petrovic!

Lembram-se da final de Paris? Numa questão de segundos Éder passa de tosco a herói nacional.

Os heróis nascem assim, instantaneamente e onde menos se espera.

De nariz partido Petrovic só quer saber de uma nova camisola para voltar ao campo. 

Doravante Petrovic merece ser um herói do Sporting.

https://www.facebook.com/nunoaragaomourao/videos/2066322693665670/?t=3

Assim é que é, Abel

Pois eu gostei muitíssimo das declarações de Abel no final do jogo de ontem.

Ingénuo embora prometendo precaução, extemporâneo apesar de jurar comedimento, falando em nome dos pais de família, o que é bonito, é sempre assim que os tolos confessam com o coração nas mãos o que a cabeça mandaria conter. Ou como diria Napoleão: “nunca interrompas um inimigo quando ele está a cometer erros.”

Acabem com o VAR, e vocês televisões não ponham a linha (aquela perpendicular amarela que mostra deveras o fora-de-jogo), exclamou Abel. E porquê? Deixem os árbitros errar, já que treinadores e jogadores também erram. Poderoso argumento, talvez um pouco corporativo.

Deste modo singelo Abel, sem que o proferisse, explicou o que entende por “errar”: é acertar a favor dele. E a sua exaltação mostra também que algo correu mal ao ter havido interferência nos “erros” do árbitro. Isto, claramente, não estaria no plano do jogo o que foi brilhantemente coadjuvado por aquela abjecção que está presidente do Braga. “Abel” e “Salvador” que bela comédia bufa não se escreveria com personagens com estes nomes.

Fizeram muito bem em ter desabafado a sua frustração. Ficámos todos a perceber.

Telepatias

Tenho que vos confessar um segredo: sou um mestre da telepatia. Sempre que na bancada começo a ralhar com um jogador, mesmo nas raras vezes em que de voz baixa, ele ouve-me e num rasgo de brio trata de me desmentir. Suspeito mesmo que nalgumas celebrações de golo os "toma!" são para mim.

Ontem confirmei, de vez, este meu dom.

Tendo chegado atrasado, entrei pela porta mais imediata e durante a primeira parte fiquei num canto junto ao terreno, subordinado a uma perspectiva semelhante à que se tem do banco, ou seja, sem perceber nada das posições dos jogadores. Mas quase lhes via o branco dos olhos. Diante de mim, andava para trás e para a frente Bruno Gaspar e por ele passava quem quisesse, sobretudo com tabelas que o deixavam de pés trocados. Com frequência Coates dava-lhe indicações mais ou menos ríspidas, Diaby fazia leves gestos de impaciência em face de tanto desentendimento, e os jogadores do Belenenses, ou lá o que era aquela equipa anónima que ontem nos visitou, abeiravam-se ou desviam-se dele com algum descaso. Na pose de Gaspar, assim vista de perto, era perceptível uma certa consumição à beira do desânimo. Sentia-se evidentemente abandonado à sua sorte, sobretudo quando da bancada se levantava aquele bruaá de desagrado de cada vez que o jogo passava - literalmente - por ele.

"Que nulidade!" desabafei em voz alta, com a concordância dos outros espectadores a meu lado.

Bruno Gaspar de certeza que me ouviu e na segunda parte, estando já eu no meu posto natural de observação, tratou de me obrigar a meter a viola no saco. Marcado o golo, bem o vi virar-se na minha direcção claramente com um "toma!" e a fazer-me um manguito mental.

É o que há

Uma equipa curta, mais curta fica sem Nani, Battaglia, Coates, Montero e o renascido Wendel. Contra uma equipa robusta e confiante, orientada por um dos treinadores mais inteligentes do campeonato, entrámos com duas promessas ainda em formação, a Jovane falta-lhe discernimento e apuro (aquelas biqueiradas..), a Miguel Luís poder de choque e malícia, mas que, sem dúvida e a breve trecho, virão a ser peças importantes - cresce-se na luta, não no banco. E acabámos com Mané e Petrovic - é preciso dizer mais?

Keizer continua a mostrar espírito analítico, prudência e objectividade. Quem não se excita tanto nas cabazadas como nas derrotas merece confiança.

O que é isto?

A minha explicação é que eles agora comem bifes mal passados, os banhos de imersão foram a reduzidos a um máximo de 3 por semana e a videoteca está mais provida de filmes do Jet Li. Há também novos jogadores que ainda não tínhamos visto, o Wendel, o Gudelj e o Diaby e um Bruno Fernandes que está mais Pirlo, o que só lhe fica bem. Não consigo imaginar outra teoria para a formidável metamorfose a que estamos a assistir. É para durar?

Aprender com Peseiro

O mais divertido de Peseiro - mas não quando me toca vê-lo treinador do Sporting - sempre foi a sua capacidade de demonstrar quão torpes são os clichés.

Mente simples, Peseiro absorveu-os sem filtro de seu mestre, o inefável Prof. "Projectos" Queiroz, de modo que eles lhe saem com toda a sua esplendorosa imbecilidade à mostra.

Assim, após uma vergonhosa derrota dizem os manuais da comunicação que é de manter um "espírito positivo", reiterar a "confiança no rumo seguido",  desvalorizar os defeitos, como meros incidentes de percurso, enaltecer as qualidades, como provas do um "trabalho de fundo." 

Aquele arzinho sonso que Peseiro põe, aquele desbobinar tosco de frases feitas, para nos convencer que está tudo bem, depois de termos claramente visto que está tudo mal, apenas nos convence que ele é lunático e não percebe nada da poda.

Boas lições se tiram daqui: o "spin" é uma habilidade só alcance de grandes artistas da mistificação. Há muitos, mas Peseiro não é um deles.

Vá com Deus ou com o Diabo que para o caso tanto faz.

O que diz Peseiro

Sou adepto da última tese de Wittgenstein  no seu "Tratactus": "Acerca daquilo que não se pode falar, tem que se ficar em silêncio."

Não assisto aos treinos, não estive na sala quando se decidiram as contratações, nem sequer sei como funciona esse mercado, desconheço os meandros internos das relações de forças do futebol português. Assuntos, portanto, sobre os quais me devo abster de pronunciar para não dizer disparates desligados da realidade das coisas.

Mas fiquei intrigado com as declarações de Peseiro no final do jogo. A interpretação que ele fez do jogo que se viu - e é suposto eu não saber ver o jogo tão bem como ele, ou melhor seria que trocássemos de lugar - levanta questões.

Acerca da primeira parte Peseiro disse que a equipa não jogou coesa como devia e "esqueceu-se" (palavra minha) de fazer os triângulos defensivos. Ora se algum defeito se apontava a Jesus era o de prender os jogadores a um sistema táctico caracterizado por uma coesão (demasiado) rígida. É verificável que o Sporting jogava em 30 metros numa teia inabalável. Pergunta: porque diabo os jogadores, habituados a este modelo durante as 3 últimas épocas, se espalham agora no campo, muito à toa e sem conexão?

Acerca da segunda parte Peseiro declarou que a equipa veio para a frente na raça, cheia de vontade e de brio. Isto explica perfeitamente que tenha levado 2 golos em contra pé, ou, como parece que se diz em futebolês, se tenha desmantelado defensivamente na transição ofensiva. Também explica por que motivo os jogadores tenham entrado num espírito anárquico, cada um por si, com correrias malucas (aliás numa delas, de Acuña, resultou o primeiro golo) Porque sucedeu isto, numa equipa supostamente rotinada em nunca desguarnecer a retaguarda e que há um ano abusava da prudência?

As declarações de Peseiro dão assim lugar a algumas interrogações:

Se Peseiro sabia o que se devia fazer porque não fizeram os jogadores o que era devido? Por que razão os jogadores no mínimo informados de uma certa disciplina táctica a abandonaram por completo num trimestre? Entrando em terrenos um pouco mais especulativos: se Peseiro sabe, porque o diz, qual é a boa forma de jogar (qualquer que ela seja), porque não joga a equipa como ele diz?

Há uma resposta que parece óbvia (e alarmente), ainda por cima com fundamento histórico, mas talvez seja demasiado cedo para a considerar. Ou não?

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