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És a nossa Fé!

O suplente Sarabia

Qualquer um que se abstenha da tonteria de julgar que percebe alguma coisa de futebol a partir da bancada e assim seja capaz de olhar para os jogos desembaraçado dos preconceitos típicos da ignorância, não terá dificuldade em reparar que Ruben Amorim tem o mérito único em Portugal de emular os modelos do Manchester City e do Liverpool  - os exemplos mais espectaculares - com a inteligência de os adaptar aos recursos de que dispõe.

Dá-se um vale de desconto a quem disser qual é o ponta-de-lança desses colossos do futebol contemporâneo (Ogivi não passa de uma solução  de recurso) e dá-se uma gargalhada se alguém disser que, por exemplo, Sterling ou Firmino, não são "titulares", mesmo que comecem o desafio no banco.

Também o Sporting, à sua medida, joga sem essa figura já arcaica do ponta-de-lança, privilegiando uma bateria de avançados ágeis, irrequietos, inteligentes, psicologicamente alegres, afoitos e bem entrosados. Isto pode ajudar a perceber o "caso Paulinho" que tem todas estas qualidades menos a de marcar golos no instante decisivo, o que o diminui mesmo que não lhe tire importância.
Ontem Amorim fez mais uma vez prova do acerto desta ideia sobre como jogar lá na frente. Sarabia entrou em campo já dentro da segunda parte e foi letal em aproveitar o desbaratamento em que já se encontrava a defesa de Portimão.

Sarabia suplente? Deixem-me rir...

A sorte protege os lorpas

A hecatombe esteve por um triz, mas no ínfimo período de 7' a Turquia falha o penalty que lhe daria o empate num jogo em que já estava por cima e a Macedónia marca o golo que atirou a Itália para fora do Mundial. São insondáveis os acasos do universo.

Só um obtuso seria capaz de trocar Bruno Fernandes por William deixando Vitinha e Matheus Nunes no banco. Só a um casmurro lembraria substituir Jota por Félix preterindo Leão e André Silva. Mas foi com o coração nas mãos que vimos Fernando Santos executar em dobrado tamanha cretinice. E nem a justiça poética de o terceiro e tranquilizador golo ter sido obra de Leão e Nunes o deve ter feito cair em si.

Estes jogadores merecem muito, Santos não merece nada, nem o bambúrrio de sorte que ontem gozou. Agora só nos resta esperar que a Macedónia não seja o despertador que faça a FPF cair numa realidade para a qual já devia estar acordada há muito tempo.

Desempatado

Viu-se no sábado o City a pôr o United fora de órbita. Fernandes, Pogba, Telles e companhia terão visto a bola sempre a passar lá longe, sobretudo na segunda parte. O resultado foi mentiroso, pois mais realista teriam sido aí uns 8-0 dos que os 4-1 finais.

Augurava-se, portanto, um massacre para quarta-feira, mas ambas as equipas, com a eliminatória fechada, resolveram tacitamente converter o desafio num jogo de treino. Viu-se assim um City a gasóleo que ainda assim, dada a diferença orçamental do plantel, não deixaria de apoquentar com severidade um Sporting turbo. E viu-se um Sporting que soube no empate ganhar três coisas. 

A primeira foi a resiliência de uma defesa enquanto rochedo vergastado por sucessivas ondas de ataque. A segunda foi um Edwards bem mais interessante e descontraído do que o Edwards de dias antes contra o Porto, deixando no ar a expectativa de que quem foi capaz de se afirmar tanto em tão pouco tempo ainda terá mais para oferecer. A terceira foi a estreia de mais um chaval da academia, um imberbe Rodrigo Ribeiro que disse olá ao mundo e do pouco tempo que teve mostrou, pelo menos, que sabia o que fazer. 

A brincar a brincar nesta época o Sporting já confirmou a maturidade de Matheus Nunes e Gonçalo Inácio que há um ano eram apenas debutantes, está a fazer de Porro um craque de craveira internacional (Guardiola a meter conversa com ele no final do jogo...) e de Ugarte uma certeza, lançou o "monstro Essugo" que promete mundos e fundos do alto dos seus 16 anitos e agora este RR.

Não está nada mal, não senhor.

Segundo assalto

Aos 5' a Juve Leo fez questão em recordar um dos momentos mais negros da história do Sporting, aquele Sporting x SLB em que fizeram fogo sobre Rui Patrício no início do desafio. Depois disto há que extinguir liminarmente e com carácter de urgência estas claques, valhacouto de parasitas que só podem estar a soldo dos inimigos do Sporting.

Fora isto a história deste jogo fez-se quando o brasileiro do FCP desfere uma cotovelada em Porro e deixa-se levar na queda do contundido. O que seria cartão amarelo para Evanilson foi convertido em penalty a favor dele. O escândalo foi tal que até os comentadores da SporTv gaguejaram.

Soares Dias esteve, portanto, ao nível da sua reputação como um dos grandes bandalhos da arbitragem portuguesa. VAR? Qual VAR... A perseguição cerrada que este bandido fez a Porro durante todo o jogo foi um caso de polícia. Há aqui um padrão: quando o Sporting se apanha a ganhar entram em acção os apitadores a tudo fazerem para virar o resultado.

Quanto aos jogadores do Sporting há que avisar o Paulinho que tanta fita só prejudica a equipa; explicar a Matheus Nunes que perder tantas bolas com tamanha displicência no meio-campo é capaz de não ser uma boa ideia; e perguntar a Edwards se quer mesmo fazer parte desta equipa.

Adivinha quem foi ontem jogar

É sabido que no futebol a memória tem rastilho curto e pavio húmido, tudo fica ignorado e esquecido em muito pouco tempo. 

Há não mais do que 3 anos Francisco Geraldes era ansiado por muitos entendidos - que não bem entendedores - como o salvador do meio-campo do Sporting, mesmo sem nunca ter convencido os 3 treinadores que o observaram diariamente. Uns idiotas, Geraldes é que era, esse génio incompreendido.

Ter-se posto a ler Saramago durante um treino deu-lhe fama de intelectual, mas não obviou a que ontem se tenha apresentado em Alvalade com um penteado à mitra. Seria isto o menos se ferrado com um intrigante número 6 nas costas - então não era um mágico 8 quase um 10? - tivesse feito exibição capaz de nos fazer lamentar o que se tinha desbaratado. Pois nada. Ou tanto quanto a esperança de ver agora dar a mão à palmatória quem por ele reclamava com a veemência dos iluminados.

Um desafio exemplar

A arbitragem de João Pinheiro foi excelente. Deu uma imagem perfeita do que é o futebol português e do que é disputar um jogo nas Antas. As imagens são explícitas e indesmentíveis. Pinheiro, sintomaticamente avaliado como o melhor árbitro português, merece comenda no 10 de Junho pela patriótica franqueza demonstrada durante o desafio, pois nunca escondeu ao que ia nem se resguardou em meias tintas e com diligente sentido de responsabilidade acatou a pressão a que foi sujeito, não só no estádio como nas secretarias.

A merecer crítica só a Segurança Social ou a Polícia Judiciária que permitem um comprovado psicopata como Pepe andar sem restrição em público em vez de o restringirem e acompanharem clinicamente. 

Quanto aos jogadores do Sporting há felizmente a registar que saíram de campo com todos os dentes e sem ossos quebrados o que, dada a provação sofrida, não é um mau resultado.

É isto

Porro prepara-se para entrar, está junto a Amorim e ambos olham para o jogo. Fora do plano o Sporting aproxima-se com perigo da baliza adversária. Sabemos isto porque Porro ferra a mão no casaco de Amorim e sacode-o todo, com o fervor de quem remataria se estivesse lá. Amorim liberta-se a custo, muito sacolejado, dá um calduço paternal em Porro e manda-o lá para dentro. Mesmo antes de entrar em campo Porro estica os braços no ar em "V" como quem diz: "cá vou eu." 
É esta a imagem perfeita do meu Sporting. 

 

Arte em movimento

No segundo golo do jogo contra o Varzim para a taça Sarabia vai à linha de fundo muito perto da baliza e centra para dentro in extremis quando a jogada parecia perdida. Paulinho recebe a bola rodeado de defesas, dá-lhe uma biqueirada sem jeito e ela é rechaçada pelo guarda-redes que se fizera "à mancha" como se dizia dantes. É aqui que a coisa se torna interessante. É que entretanto Pote, depois de correr na direcção da baliza acompanhando o movimento de Paulinho, dá uns passos atrás, afastando-se do fulcro da acção. O resultado é que a bola sobra para ele apanhando-o isolado e na posição absolutamente certa para a meter lá dentro.

No primeiro golo contra o SLB Pote desce quase até à linha de meio-campo enquanto Porro sobe junto à lateral. Rodeado de três jogadores Porro devolve a Pote pelo buraco da agulha deixando-o isolado e à vontade nuns bons 2 metros quadrados graças ao seu movimento contrário ao curso da jogada. Decide então rematar um longo arco que tele-guiado vai ter precisamente à ponta da bota esquerda de Sarabia. Ou então foi a ponta da bota de Sarabia que percebeu ao milímetro onde a bola iria ter. O resto é história escrita pelos pés de filigrana do super-crack espanhol. 

Quando a inteligência dos jogadores se junta ao instinto, quando estes dotes se articulam com os movimentos dos restantes parceiros e quando tudo isto é treinado exaustivamente conseguem-se desenhar estas obras-primas de futebol.

Uma noite exemplar

O sistema funcionou na perfeição na partida de ontem entre o B e o SLB. Todos puderam indignar-se e a ninguém cabe a responsabilidade. Porque é assim que funcionam os "xixtemas": os méritos, quando os há, repartem-se em fatias finas e as responsabilidades diluem-se. 

Podiam os intervenientes ter-se sentado a resolver o assunto? Isso não daria jeito a ninguém.

Ao SLB obrigaria a dizer que "sim" ou que "não" acerca de um problema que não era dele. 

Ao fulano que puseram à cabeceira da Liga, escolhido precisamente por ser de plástico e bastante maleável, obrigaria a tomar a decisão de interpretar um regulamento para o qual não foi tido nem achado e que lhe cabe implementar de olhos fechados e boca calada. Lembram-se dos filmes "O padrinho" aquelas cimeiras entre mafiosos, reunidos para ver como contornar a lei e repartir os territórios, mas sempre desconfiados uns dos outros? É isto a LPF.

Ao B obrigaria dar alguma explicações um pouco menos atabalhoados do que as prestadas pelo seu capataz depois da barraca, nomeadamente explicando porque uns jogadores negativos tiveram de ficar em casa e outros puderam calçar e que porcaria de firma é aquela (aquilo não é um clube, como se sabe, é uma plataforma giratória) que deixou o plantel contaminar-se tanto e tão depressa. Mais valeu, portanto, fazer-se de vítima.

E à DGS... mas o que tem a DGS a ver com as alhadas da bola?

Tudo está bem quando acaba bem. O calendário não foi mexido, a jornada foi cumprida, resultado foi o esperado, ninguém se aleijou.

E os palradores, os escribas semi-analfas, os pés de microfone e toda essa tralha que parasita a bola na dita comunicação social tiveram uma noite em cheio, de dedo esticado e aos gritos a discutir "a culpa", que é o que fazem os idiotas quando a casa está a arder: querem mais regatear quem foi culpado pelo incêndio em vez de o apagarem.

Em resumo

O Sporting hoje em Istambul alinhou com:

Guarda-redes: Adán;

Defesa: Inácio, Coates, Coates, Feddal;

Meio-campo: Palhinha, Palhinha, Porro;

Dianteira: Sarabia, Coates, Sarabia.

Aos 73' entrou Esgaio. Aos 89' viu-se Paulinho.

Do lado do Besiktas Rosier tudo fez para demonstrar porque não está no Sporting.

Resultado: 2,8M € para o Sporting.

Uma noite das antigas

Houve milagre em Famalicão na noite das bolas longas e o Sporting só começou a pegar no jogo, e mais propriamente a jogar, quando saiu o Doumbia ou Eduardo ou lá quem era aquele 8 que falhou todos os passes, baralhou-se nas recepções e quando um pé pedia licença ao outro para dar um passo, a bola já lá não estava. Bem acompanhado esteve ele pelo desastrado Jovane (teve nos pés um golo antes dos 2' de jogo, mas a cabeça não deixou) e por esse caso sério de horror à baliza que é o Paulinho-inho. Mais fraco do que o Sporting hoje, só mesmo o paspalhão do apito que ainda não era passado um quarto de hora e já tinha varrido tudo a cartões amarelos, fosse encosto ou tropeção. Foi milagre o empate, os deuses não nos abandonaram. Dias melhores virão de certeza.

Adepto é que não sou

No seguimento do lúcido e fulminante texto abaixo de Filipe Arede Nunes, tenho a dizer que cartão de adepto mas é uma ova, assim me coibindo de referir a mãezinha de quem pariu tão asinina ideia. 
Deve-se o repúdio que aqui manifesto ao facto de tomar como grave ofensa a possibilidade de ser considerado adepto. Adepta era a tua tia pá, eu sou SÓCIO do Sporting Clube de Portugal. Tenho um cartão numerado e as cotas em dia. Para frequentar Alvalade - aliás, neste momento proto-pós-covidiano, para comprar bilhete para entrar em Alvalade - é uma torpeza, uma ignomínia, que me seja exigida qualquer outra identificação relativa ao clube e ao estádio onde tenho lugar. Não faltaria mais nada, ora então...

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