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És a nossa Fé!

Inspirar, expirar, inspirar...

Não sei se também vos deu uma comichão a partir dos 60' e depois daqueles quase 5' em que o Guimarães era como se tivesse ido para casa ver na TV o Sporting a trocar a bola e a balancear o jogo de cá para lá com os olhos postos na baliza adversária. Desse domínio absoluto não saiu a necessária confirmação em forma de golo, coisa de pôr logo o credo na boca ao tarimbado sportinguista, experimentado que está em surpresas desagradáveis.

No quarto de hora inicial Pote falha dois golos de se ficar de queixo caído e daí em diante foi dado como "missing in action." Depois foi um golo anulado porque meia-hora antes a bola pisou a linha de fora; para a próxima é melhor ver se o autocarro fica bem arrumado ou o VAR ainda vai ver nisso motivo para riscar golos. Mas por favor rapazes, ponham o enchido ao fumeiro antes de meterem a viola ao saco. Nos últimos anos, por esta altura, os jogos eram pretexto para acabar a noite nas bifanas em bom companheirismo; este ano a coisa é a sério e tudo nos dá agora nervoso miudinho. 

Lindo mesmo foi ver o chavalito Essugo a chorar no fim do desafio. É jogo a jogo, diz Amorim, e já está a lançar craque para a próxima época? Bem metido aquele pitch promocional na conferência de imprensa: "Jovem! Tens talento para o futebol? Então já sabes, o Sporting é que te dá as oportunidades." Tudo tão diferente do tempo do taquitize. 

Entretanto em Portimão nada de novo: o mal barbeado do Canelas, sempre ao nível, arriou a giga e lá se armou mais um arraial de vernáculo e tabefes. O mais patusco da cena foi ver dois polícias muito precatados a ver aquilo com as mãos atrás das costas como se não fosse nada com eles. Perante tamanho desacato o árbitro foi implacável: como não viu onde estava o Rúben Amorim guardou o vermelho e desfechou um cartão amarelo no Marchesin, com as devidas desculpas.

Ladeira acima

Ó rapazes, então não vos vos disse que isto agora ia ser sempre a subir? Doravante os fracos vão deitar às malvas qualquer veleidade futebolística para não se atolarem na tabela e os fortes vão-nos enfrentar de orgulho ferido por um bando de rapazolas mais um par de jarretas lhes terem feito tamanha desfeita de se porem à frente deles. Ambos recorrerão, por um lado, ao método paleolítico do homem-a-homem com cotoveladas, pisadelas e sarrafadas e, por outro, ao de se espojarem agarrados à cara mal percam a bola ou falhem a marcação. Os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, enervantes e arrítmicos e lá está o patego do apito para garantir que isto seja assim. Também terão visto logo ao início aquele Khacef a fazer-se ao pé de Porro, este a sorrir-lhe e com um gesto de mão a dizer "vem cá, vem" e o longo assédio que se seguiu - como é diferente o futebol em Portugal...

Eu também sou exímio em "sofástica", neologismo inventado agora mesmo para designar os peritos que se aliviam de sofismas desde o sofá, e também sei sempre o que fazer desde que não me obriguem a responsabilizar-me pelo que digo. Por isso acho que Rúben Amorim aceitou telepaticamente o meu conselho de trocar o Nuno Santos pelo Bragança o que, tal como previ, mudou logo a fluência do jogo. Depois, foi esperar que TT amadurecesse meia-época no hiato de um jogo para começar como junior em remates à baliza e acabar como avançado veterano. A continuar assim o rapaz retira-as aos 37 anos no final da temporada.

Calma rapazes, é respirar fundo, contar até 3 e seguir em frente.

A bem do futebol nacional

Urge moralizar o futebol português e pôr cobro à anomalia verificado nesta triste temporada que tanto tem perturbado a normalidade constituída e o sossego dos trâmites convencionados. Aqui se adiantam, por conseguinte, algumas intervenções sensatas e garantidas para um regresso à estabilidade.

1) A situação profissional de Rúben Amorim deve ser atalhada com a máxima  severidade.  É um ultraje à lógica e à legitimidade que um qualquer, destituído das certificações em vigor, possa sequer ter a oportunidade de apresentar resultados melhores do que os treinadores legalmente autorizados. Se estes em sede própria foram devidamente examinados e licenciados, então qualquer outra prova é espúria e nula, fruto de um engano, tanto mais despudorado quanto mais afirmativo. Rúben Amorim deve pois ser acusado de crime de sedição e sujeitar-se a uma pena de degredo sem quaisquer atenuantes.

2) É sabido que o castigo a Palhinha deveria ter sido aplicado no desafio do Sporting contra o Benfica e só o perverso estado de direito que vigora em Portugal admite que a lei geral cinja a justiça particular. A suspensão de Palhinha virá quando os juizes do futebol considerarem que decorreu o tempo suficiente à reflexão pausada e a uma ponderação tempestiva. Mas quando tal suspensão for aplicada, mesmo que seja na última jornada do campeonato, todos os pontos ilegitimamente auferidos pelo Sporting desde o jogo com o Benfica inclusive devem ser liminarmente anulados. A título de exemplo, se tal sanção fosse aplicada no próximo Sábado, o Sporting ver-se-ia privado dos 13 pontos irregularmente obtidos. 

3) O facto de o Sporting só jogar uma vez por semana ao contrário dos seus rivais que estão em várias frentes desportivas, tais como a Taça e as competições europeias, tem gerado uma gritante situação de falta de equidade. Alguma forma de compensação deve ser encontrada para no mínimo atenuar esta imparidade. Uma sugestão seria obrigar o Sporting a jogar todas as semanas fora de casa com uma equipa do campeonato japonês ou, em alternativa, do campeonato norte-coreano.

4) Como já alguém algures revelou as pontuações somadas de Benfica e Porto excedem a pontuação do Sporting. Manda o raciocínio lógico que então o título seja somente disputado entre estas duas formações. Resta apenas esperar que as singelas achegas aqui apresentadas contribuam para impedir que o futebol português não perca um grama do altíssimo prestígio de que goza.

Ai, ai

Desta vez esperei pela flash interview para ver o que dizia Rúben Amorim. Como ele tem uma capacidade inusitada para clarificar as evidências que os especialistas e aprendizes a tal gostam de complicar para se fazerem inteligentes, Amorim acabou por mencionar tudo o que me havia ocorrido comentar aqui. Caso encerrado quanto a este jogo penoso, até porque não me apetece dizer mal dos jogadores mesmo quando merecem. Venha o próximo.

A noite em que o rapaz se fez homem

Os números, nomeadamente as estatísticas, só têm valor se os soubermos interpretar e se soubermos interpretá-los depois e não antes de bem afinados, de modo a darem uma visão o mais próxima possível da realidade e não a visão que se gostaria ter dela. 

É provável que os números da actuação de ontem de Nuno Mendes mostrem um resultado abaixo da média, se não mesmo sofrível, sobretudo nas acções ofensivas. Maus passes - aquele a meio da segunda parte oferecendo a bola a um meio-campista adversário  isolado... - decisões infrutíferas e erradas, como aquela cavalgada inconsequente e obstinada até à linha final, muito poderá haver que possa apoucar o que Nuno Mendes fez em campo.

E, no entanto, arrisco dizer que ele foi o herói do jogo. Um chavalo que há um ano jogava à bola de fraldas nos juniores, apanhou ontem de frente com Corona, que dizem ser o craque do fêcêpê e é um malandro de primeira a cavar faltas e a pontapear tornozelos, com Manafá, elogiado pela velocidade e drible, com Francisco Conceição, um notável mergulhador e gabado como a coisa mais extraordinária que apareceu no mundo sublunar depois de Messi. E ainda viu Uribe, o manhoso, descair para o lado dele e ainda teve tempo para ajudar Feddal a lidar com Marega. Tudo isto depois de ser intimidado com um cartão amarelo logo de início.

Fleumático, tudo Nuno Mendes conteve e superou sem um queixume ou um desfalecimento até à exaustão. Ele é a imagem da resiliência, da disciplina, da concentração, do tino e da maturidade precoce deste Sporting de Rúben Amorim. No futuro, quando ele jogar ao mais alto nível a que está prometido, se for preciso definir um momento em que Nuno Mendes se crismou como futebolista de craveira, bem se poderia apontar para o desafio de ontem.

Uma expedição na selva

Aos 37' João Mário tenta controlar a bola e Uribe aproxima-se por detrás, João Mário abre os braços, toca com a mão no peito do colombiano e acto contínuo este atira-se a espernear no chão agarrado à cara como se lhe tivessem vazado um olho. Aos 72' Matheus Nunes isola-se e corre para a área contrária, no silêncio do estádio ouve-se um grito (de Sérgio Conceição?): "Em cima dele!" O jogo do FCP é isto. E quando não é isto são cotoveladas na cara, golpes de karaté no pescoço, entradas brutais aos tornozelos. 
Contra uma equipa assim o futebol é uma utopia, o que há é um torneio de gladiadores em que a bola não passa de um pretexto para o combate corpo-a-corpo e os nossos rapazes saíram das Antas como quem sai vivo de um circo romano. Um desafio deste foi como um ritual iniciático, os jogadores do Sporting cresceram e amadureceram mais hoje do que numa vida, não se deixaram intimidar, não se descontrolaram, não arredaram pé. Estão prontos para tudo, até para serem campeões.

Nas Antas além de correr há que se fiar na Virgem

O andor já vai no adro aos ombros dos mandachuvas, estalam foguetes em todos os céus, “Basta! Basta!” vocifera o nacional-comentariat em coro, há que pôr fim a esta anomalia do Sporting, a lógica e o bom-senso têm de ser repostos. A todos parece evidente, se o Porto ganhar, augura-se que por muitos, que de Sábado até ao título é uma auto-estrada em via azul, pois ao Sporting hão-de mandá-lo parar nas portagens. É ponto assente.

Está a ser assim esta semana. Talvez nunca se haja assistido a tanta e tão ardorosa esperança num volte-face entre equipas distanciadas por 10 pontos. Tudo isso cheira a esturro e não é da pólvora dos foguetes.

Razões para se ficar de sobreaviso encontram-se na história. Tem sido nas Antas que se perpetraram as mais vis, descaradas e desdenhosas velhacarias contra o Sporting.

Em 1975 numa noite de nevoeiro foi um golo metido na baliza pelo apanha-bolas validado por um Alder Dante que levado à trela por António Garrido servia sem rebuço o seu dono.

Na temporada 98/99 um massacre de faltas e faltinhas a meio-campo cortou rente qualquer jogada do Sporting com mais de 2 passes. Marcados à la carte onde lhe dava mais jeito, Doriva disparou 3 tiros de bola parada. O milagre da noite foi Simão Sabrosa ter sobrevivido aos espancamentos de Paulinho Santos e Jorge Costa. A 5 minutos do fim sofreu com impunidade um penalty do tamanho de um mamute que poderia dar o empate. Vitor Pereira, declarado sportinguista até ao dia em que o Sporting não alinhou nas suas moscambilhas, exibiu com incomparável galhardia todo o seu rancor. Foi tal o esbulho que até o plácido Mirko Jozic perdeu a fleuma e no fim da época não quis mais trabalhar em campeonato tão infame.

Em 2001/2002 atingiu-se o apogeu. Apanhando o Sporting à frente do marcador o criminoso Martins dos Santos, que em 2011 viria a ser condenado por corrupção sem o menor remorso, foi expulsando sucessivamente Paulo Bento, Pedro Barbosa e Jardel, até o Porto empatar. Com oito em campo o Sporting resistiu mais 7 minutos 7! para lá da hora, mas nem assim o Porto venceu.

Dado este sinistro historial e o que tanta trombeta e movimentação parecem augurar só peço como resultado de Sábado:

Que nenhum jogador do Sporting acabe no hospital sobretudo por obra de algum coice daquele que distribui pancada como um sicário do cartel de Sinaloa, como se viu contra o Marítimo, e já em Alvalade virou Nuno Mendes do avesso e ainda se fez de vítima.

Que na ressaca do desafio a equipa, por ser jovem, não decaia em estados de alma, perplexidades e dúvidas morais caso seja martirizada com uma arbitragem de encomenda. 

Se é jogo a jogo, então este é apenas mais um.

Serviços mínimos

A culpa de não ter gostado da partida de ontem é de Rúben Amorim. Como disse Jesualdo Ferreira, o Sporting joga "à campeão", ou seja, a vitória, se dantes era custosa, agora tornou-se uma evidência. Por isso ontem a fartura de maus passes e decisões erradas lá na frente, não trouxe sobressalto nem castigo, bastou a confiança e a segurança que a equipa demonstra para garantir o resultado.

Nos primeiros 10 minutos Nuno Santos deu o mote ao festival de oportunidades goradas e falhadas, três vezes rasga por ali fora em campo aberto, três vezes pensa e concretiza deficientemente a derradeira acção. Lembrou-me Sá Pinto. Um jogador com bola dominada tem três opções: correr com ela, driblar o adversário, ou passar - Sá Pinto tomava quase sempre a errada. O próprio golo que Nuno Santos marca é um atrevimento: quando um remate tem, vamos lá, 30% de chance de entrar e um passe para um companheiro mais bem posicionado abriria uma possibilidade de golo de 60%, não é por a realidade ter dado um pontapé nas probabilidades que a decisão foi boa. 

Aborreceu um bocadinho que não se chegasse ao intervalo com um show de 4 ou 5 golos... evidentes. A segunda parte foi sofrível, dir-se-ia que em face da manifesta inépcia do Portimonense o Sporting não esteve para chatices e deu-lhes a bola para se entreterem sabendo que o efeito seria inócuo a não ser o de dar uma desculpa ao treinador deles para se congratular com o esforço e profissionalismo da sua equipa e lamentar a famigerada injustiça do placard. Há que ganhar a vida e haverá sempre um comentador que vá nessa conversa.

Estou a ficar mal habituado, bem sei, mas é culpa de Rúben Amorim.

Agora só espero que Palhinha, ou os Palhinhas, dado que vale por dois como disse Amorim, aproveitem estes 15 dias até ao próximo desafio para manterem a sua altíssima forma, já que como todos sabemos, as decisões do Conselho de Disciplina, esse covil de energúmenos, são acintosas e cirúrgicas e obviamente não irá às Antas.

Rita Rita melão

Instado pelos remoques do Pedro Correia dispus-me a ver a dissertação de Joaquim Rita. Que manancial, que acutilância, que luz!

A tese central da Teoria Ritístico-futebolística assenta na inviolável e sólida premissa: "o Sporting apesar disso." E a dialética argumentativa é alavancada pelo rigoroso critério do "chamemos-lhe assim." Com este fulgor epistemológico Rita poderia intervir num congresso sobre a fissão do átomo sem mudar uma linha da sua filosofia. Aliás a sisudez e a circunspecção da sua pose, qual Acácio queiroziano, não deixam dúvidas de que se trata de um especialista idóneo e sapiente. 

Esta semana Rita sobrelevou que em Alvalade o Paços do Pepa e o Pepa do Paços se manifestaram indubitavelmente como a maior das maravilhas do mundo sub-lunar. Chupa Amorim que andas por aí armado em invicto, embrulha Carvalhal que até já puseste o Borja a marcar golos decisivos. Para a semana ficaremos a conhecer esse colosso injustamente subestimado que é o Portimonense, equipa da qual é esperado que venha a desmascarar as enormes limitações deste ilusório  Sporting.

Que pena só faltarem mais 15 jornadas para desfrutarmos do banho lustral que Rita semanalmente nos proporciona.

Jogo a jogo a jogo

Obrigado Rúben por continuares a dizer que é jogo a jogo, deixa-os espojarem-se em mil maneiras de demandar o mesmo - é sinal que não têm mais nada para perguntar - e mantém-te firme.
Já percebeste, Rúben, que o sportinguismo se divide em duas doutrinas, a cínica, que descrê activamente das virtudes do destino e o imagina sempre negro, e a estóica, que já está de pé firme à espera da próxima desilusão. (Há ainda a facção troglodita, mas essa não vem agora ao caso e está em vias de extinção.)

Ainda nem há um ano, quando o meio-campo do Sporting era povoado por Doumbias, Wendéis, Eduardos, Viettos e tralha semelhante, calhasse a equipa fazer dois golos e pôr-se à varanda como quem diz ao adversário que venha fazer pela vida porque a nossa já está arrumada, sofríamos o resto do jogo com o coração na boca sempre a ver quando é que os outros davam a volta ao resultado. Mas hoje graças a ti, Rúben, a rapaziada acomoda-se no seu meio-campo desde o minuto 60 e até a parte contrária percebe logo que não vale a pena insistir. Quase podia ter ido jantar descansado e só não fui porque esperei que o Jovane ou o Nuno Santos ainda fizessem uma arrancada das suas, ou o Porro desferisse um tiro cá do bico da área e pusesse o marcador a 3-0. É isto Rúben, agora vemos os jogos do Sporting não com a curiosidade mórbida de antanho de quem assistia a um desastre de automóvel, mas com a expectativa de quem pode ter mais um golito para cantar. 

Jogo a jogo Rúben, jogo a jogo, porque doutra maneira ficaremos desconfiados com o que aí possa vir, que leão escaldado tem medo de águas turvas.

Alberto Matos

Tarde soube da morte de Alberto Matos. Hoje teria sido um atleta de craveira mundial, mas naqueles tempo ante-diluvianos, abeirava-se do fim a era amadora do atletismo, a sua formidável estampa física, o seu determinado espírito competitivo e uma imperturbável capacidade para enfrentar os desafios com descontração e prazer (como se sabe a excelência é inacessível aos tensos e ansiosos) bastaram para que fosse o incontestado soberano dos 110 barreiras sem prescindir de ser boémio e dandy. Um exemplo de atleta, portanto.
Entre Alberto Matos e até que chegasse outro de igual nível como João Lima os 110m barreiras ficaram entregues a um junior já com a cabeça noutras andanças  e não muito decidido a tentar realizar as promessas que viram nele.
A modalidade evoluiu, talvez não tão proveitosamente como outras do atletismo português, mas nada tirará a Alberto Matos a proeza de por nove vezes consecutivas ter batido o record nacional.

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A lei do faroeste

Quinta-feira, dia 4 de Fevereiro o guarda-redes do Bcoiso choca violentamente com Nanu do FC Porto na disputa de uma bola. Este cai no chão inanimado e sofre uma grave lesão. Entra a ambulância em campo e atrás dela vem Conceição espumejante a exigir ao árbitro um penálti, que a ser marcado exigiria em coerência cartão vermelho ao guarda-redes. Na subsequente flash interview o dito Conceição filosofa sobre a causalidade das intenções humanas e diz que anda a ser roubado. 

Menos de uma semana depois, terça-feira dia 10, Luís Diaz desfere um remate e ao poisar o pé no chão esmaga involuntariamente o artelho de David Carmo que entretanto se pusera debaixo, causando-lhe grave lesão. De novo entra a ambulância em campo e Conceição atrás dela, não menos espumejante do que da outra vez, indignadíssimo por o árbitro ter mostrado cartão vermelho a Diaz. Na subsequente conferência de imprensa D. Corleone da Costa exclama "Basta!", talvez porque se gritasse "Chega!" ainda o acusariam de benfiquista, e atira-se como gato a bofe ao governo, vá lá que deixando incólume o Tribunal de Haia.

Estas cenas escabrosas provam que a arbitragem portuguesa é ignóbil e pauta-se por uma aberrante dualidade de critérios. Ultraje que qualquer sportinguista tem provado há mais de 30 anos. Mostram também que essa dualidade não é só dos ditos árbitros, mas também de quem os julgava ter no bolso e afinal estão noutro.

A falta que um cérebro faz

Como disse Rúben Amorim na entrevista final o Sporting teve uma primeira parte pé de salsa e sobretudo carente de hemisfério cerebral esquerdo. Como disse Ricardo Soares, o treinador do Gil Vicente, a entrada de Bragança e depois de João Mário trouxeram a inteligência que tanto faltava. Os passes passaram a chegar ao destino porque já não eram enviados para o endereço errado e se na primeira parte os remates do meio-campo iam contra a muralha vicentina, na segunda a porta do castelo foi arrombada, não à força mas com jeito.
Esta primeira parte não é, portanto, para esquecer, mas para rememorar.  O Sporting tem sempre que alinhar com um daqueles dois clarividentes se quiser dominar o terreno e ter a bola por amiga. Ela depois lá saberá de que pés há-de partir para a baliza, nem que sejam de um defesa central com cabeça e tudo.
No fim do jogo começou outro. Terminada a época haveria um gramático de catalogar quantas formas se usaram para fazer a mesma pergunta. O prefácio da obra caberia a um psicólogo explicando que doença maníaca será esta de fazer sistematicamente uma pergunta já mil vezes respondida. 

Dura lex

Antevi aqui que depois da tão extemporânea quanto acintosa bravata de Sérgio Conceição no Jamor o martelo da Lei cairia esmagadoramente sobre ele. Desgraçadamente o juízo veio ao encontro das minhas mais negras perspectivas.
Todos vimos como Conceição desembestou pelo relvado fora, como gritou e esbracejou ameaçadoramente com o árbitro durante a interrupção, todos ouvimos as declarações bombásticas e difamatórias na flash interview. Mas sobretudo à nossa perspicácia não escapou a falta mais grave: não trazia braçadeira. De modo que o Conselho de Disciplina não teve contemplações em vergastar Conceição com a implacável e astronómica multa de €638: "Apesar da devida solicitação por parte dos delegados da Liga junto do delegado do clube visitante , Sr. Sérgio Paulo Marceneiro da Conceição não utilizou qualquer elemento identificativo da performance da sua função no jogo, durante todo o tempo regulamentar." 
Façam ainda o favor de atentar que a sentença é lavrada num português que além de rigorosíssimo dir-se-ia queiroziano, o que sobremaneira enriquece a jurisprudência nacional.
Toma e embrulha Sérgio, só espero que para a próxima a rispidez do castigo te faça pensar duas vezes.

Fim-de-semana soalheiro

Que prazenteiro é o fim-de-semana quando se faz 1 jogo e se ganha em 4.

De certa maneira é divertido ver o à-vontade de Sérgio Conceição. Depois do horrível trauma de Nanu o que se viu foi ele entrar por ali adentro como cão por vinha vindimada e dando superficial atenção ao pobre jazente, entreteve-se a dar raspanetes nos jogadores e a esticar o dedo ao árbitro, tudo como quem está a trincar tremoços no tasco ao fundo da rua. Na entrevista final deu-lhe a figadeira e vai disto, outra vez sem super-ego. Aguardo ansiosamente para ver que punição lhe será aplicada. 

Em Braga confirmou-se o belo negócio feito pelo Sporting. Lá entrou mais um golito nas costas do Borja (por "coincidência" foi com ele que perdemos com o Marítimo e empatámos com o Rio Ave) e Sporar pouco contribuiu para a reviravolta.

Em Carnide parece que aquilo não adianta nem atrasa.

Quanto a nós: há que anos não sentíamos esta tranquilidade de ter o jogo praticamente arrumado ao intervalo? 

Para mais surgiu uma surpreendente contratação deste defeso: Antunes. Ei-lo que aparece em grande em Fevereiro. Também achei piada ao João Pereira: 5 minutos depois de estar em campo levou um cartão amarelo. Continua a não estar para brincadeiras, o que é óptima notícia. 

Isto agora é sempre a subir, na segunda volta jogamos fora contra os adversários directos. Mas se o que Paulinho fez hoje serviu de aperitivo, vocês querem ver que é mesmo este ano? (Tá bem, já se sabe que vai haver um jornalista, ou lá como se chamam aqueles pés de microfone, a pedir a Rúben Amorim c'assuma.)

Bravo rapazes

Então não foram para a cabine ao intervalo a ganhar por 2 ou 3 porquê? Estava já eu entre irritado e conformado com um empate quando 3 rapazes de 22 anos desembrulharam finalmente a encomenda. Na verdade nenhum golo destes vem tarde demais.

Houve casos patuscos, por exemplo o prematuro cartão amarelo a Gilberto. Normalmente isto deveria coibi-lo, mas aqui a mensagem foi clara: doravante podes dar porrada à vontadinha que o peso da camisola obstará ao cartão da cor dela. Outra situação divertida foi aquele circunspecto colóquio junto ao banco visitante; o Conceição pode mandar os árbitros àquela parte que eles fazem orelhas moucas, a troupe da Luz é os sôres desculpem qualquer coisinha, mas faxavor tenham lá calma; Rúben Amorim já se sabe, vai logo para o olho da rua se respirar fundo. 

Acabado o jogo lá vieram as lérias do costume. Haveria de cair uma bigorna na cabeça do próximo palerma que falar de "estrelinha" ou reclamar pela "candidatura ao título." Ambas as perguntas são parvas e já foram mil vezes respondidas, porquê insistir nelas sabendo que não levam a nada? Bem se sabe que na cadeia alimentar das redacções a secção do desporto alberga os mais toscos e alvares, mas caramba não é preciso exagerar.

Acabo de escrever isto enquanto o minúsculo Sabrosa continua na sucursal amarela da BTV a carpir mágoas pelo clube dele. Para esta gente não foi o Sporting que ganhou, foi o clube do coração deles que perdeu. 

Foste anjinho Amorim

Rúben Amorim cometeu um erro clamoroso neste jogo. Foi desde logo uma temeridade alinhar com Nuno Santos e Coates, um sanguíneo e um defesa que não teme o choque, mas o domínio do Sporting foi tão avassalador e sereno que não deu azo a equívocos. Mas quando vi Palhinha a tirar o fato de treino juro que tive um arrepio de horror. Os meus piores augúrios depressa se confirmaram, bastou a Palhinha soprar nas orelhas de um adversário para que a hiena do Fábio, há 75 minutos à espera desta oportunidade, puxasse o cartão amarelo. Amorim não é ingénuo, conhece bem com que linhas se cose o futebol nacional, e já experimentou na pele por duas vezes a sanha e o acinte do anti-sportinguismo institucional, redobrado agora que a equipa se mostra inquebrável enquanto os adversários directos ou tropeçam ou vão vingando bem amparados. Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer, como foi possível caíres na esparrela, Amorim?

Neto!

Desculpem que volte aqui, mas ouvi Neto na conferência de imprensa e confirmei o que já pensava dele. Neto é uma das peças fundamentais desta equipa, porque é um líder, um pêndulo de bom senso e determinação, uma figura de referência para os mais novos, um jogador experimentado e com mundo, um exemplo de maturidade. Qualquer treinador sonha ter um Neto na cabine, mas Rúben Amorim e o Sporting é que o têm.

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