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És a nossa Fé!

Arte em movimento

No segundo golo do jogo contra o Varzim para a taça Sarabia vai à linha de fundo muito perto da baliza e centra para dentro in extremis quando a jogada parecia perdida. Paulinho recebe a bola rodeado de defesas, dá-lhe uma biqueirada sem jeito e ela é rechaçada pelo guarda-redes que se fizera "à mancha" como se dizia dantes. É aqui que a coisa se torna interessante. É que entretanto Pote, depois de correr na direcção da baliza acompanhando o movimento de Paulinho, dá uns passos atrás, afastando-se do fulcro da acção. O resultado é que a bola sobra para ele apanhando-o isolado e na posição absolutamente certa para a meter lá dentro.

No primeiro golo contra o SLB Pote desce quase até à linha de meio-campo enquanto Porro sobe junto à lateral. Rodeado de três jogadores Porro devolve a Pote pelo buraco da agulha deixando-o isolado e à vontade nuns bons 2 metros quadrados graças ao seu movimento contrário ao curso da jogada. Decide então rematar um longo arco que tele-guiado vai ter precisamente à ponta da bota esquerda de Sarabia. Ou então foi a ponta da bota de Sarabia que percebeu ao milímetro onde a bola iria ter. O resto é história escrita pelos pés de filigrana do super-crack espanhol. 

Quando a inteligência dos jogadores se junta ao instinto, quando estes dotes se articulam com os movimentos dos restantes parceiros e quando tudo isto é treinado exaustivamente conseguem-se desenhar estas obras-primas de futebol.

Uma noite exemplar

O sistema funcionou na perfeição na partida de ontem entre o B e o SLB. Todos puderam indignar-se e a ninguém cabe a responsabilidade. Porque é assim que funcionam os "xixtemas": os méritos, quando os há, repartem-se em fatias finas e as responsabilidades diluem-se. 

Podiam os intervenientes ter-se sentado a resolver o assunto? Isso não daria jeito a ninguém.

Ao SLB obrigaria a dizer que "sim" ou que "não" acerca de um problema que não era dele. 

Ao fulano que puseram à cabeceira da Liga, escolhido precisamente por ser de plástico e bastante maleável, obrigaria a tomar a decisão de interpretar um regulamento para o qual não foi tido nem achado e que lhe cabe implementar de olhos fechados e boca calada. Lembram-se dos filmes "O padrinho" aquelas cimeiras entre mafiosos, reunidos para ver como contornar a lei e repartir os territórios, mas sempre desconfiados uns dos outros? É isto a LPF.

Ao B obrigaria dar alguma explicações um pouco menos atabalhoados do que as prestadas pelo seu capataz depois da barraca, nomeadamente explicando porque uns jogadores negativos tiveram de ficar em casa e outros puderam calçar e que porcaria de firma é aquela (aquilo não é um clube, como se sabe, é uma plataforma giratória) que deixou o plantel contaminar-se tanto e tão depressa. Mais valeu, portanto, fazer-se de vítima.

E à DGS... mas o que tem a DGS a ver com as alhadas da bola?

Tudo está bem quando acaba bem. O calendário não foi mexido, a jornada foi cumprida, resultado foi o esperado, ninguém se aleijou.

E os palradores, os escribas semi-analfas, os pés de microfone e toda essa tralha que parasita a bola na dita comunicação social tiveram uma noite em cheio, de dedo esticado e aos gritos a discutir "a culpa", que é o que fazem os idiotas quando a casa está a arder: querem mais regatear quem foi culpado pelo incêndio em vez de o apagarem.

Em resumo

O Sporting hoje em Istambul alinhou com:

Guarda-redes: Adán;

Defesa: Inácio, Coates, Coates, Feddal;

Meio-campo: Palhinha, Palhinha, Porro;

Dianteira: Sarabia, Coates, Sarabia.

Aos 73' entrou Esgaio. Aos 89' viu-se Paulinho.

Do lado do Besiktas Rosier tudo fez para demonstrar porque não está no Sporting.

Resultado: 2,8M € para o Sporting.

Uma noite das antigas

Houve milagre em Famalicão na noite das bolas longas e o Sporting só começou a pegar no jogo, e mais propriamente a jogar, quando saiu o Doumbia ou Eduardo ou lá quem era aquele 8 que falhou todos os passes, baralhou-se nas recepções e quando um pé pedia licença ao outro para dar um passo, a bola já lá não estava. Bem acompanhado esteve ele pelo desastrado Jovane (teve nos pés um golo antes dos 2' de jogo, mas a cabeça não deixou) e por esse caso sério de horror à baliza que é o Paulinho-inho. Mais fraco do que o Sporting hoje, só mesmo o paspalhão do apito que ainda não era passado um quarto de hora e já tinha varrido tudo a cartões amarelos, fosse encosto ou tropeção. Foi milagre o empate, os deuses não nos abandonaram. Dias melhores virão de certeza.

Adepto é que não sou

No seguimento do lúcido e fulminante texto abaixo de Filipe Arede Nunes, tenho a dizer que cartão de adepto mas é uma ova, assim me coibindo de referir a mãezinha de quem pariu tão asinina ideia. 
Deve-se o repúdio que aqui manifesto ao facto de tomar como grave ofensa a possibilidade de ser considerado adepto. Adepta era a tua tia pá, eu sou SÓCIO do Sporting Clube de Portugal. Tenho um cartão numerado e as cotas em dia. Para frequentar Alvalade - aliás, neste momento proto-pós-covidiano, para comprar bilhete para entrar em Alvalade - é uma torpeza, uma ignomínia, que me seja exigida qualquer outra identificação relativa ao clube e ao estádio onde tenho lugar. Não faltaria mais nada, ora então...

Nada muda para que tudo mude

Ontem saí de Alvalade encantado (muito) e decepcionado (um pouco) pelas mesmíssimas razões. 
A decepção, para aviar já este assunto, vem da parcimónia de golos para tão grande domínio. Aquela aberração do BSAD, que envergonharia qualquer campeonato civilizado, deveria ter saído com uns seis golos no bucho e era uma sorte. Paulinho é fantástico a jogar para a equipa, a deslaçar as defesas adversárias, como se revela medonho a dar o último piparote na bola para a baliza.

O encanto vem de ver a máquina a funcionar. O Sporting de Rúben Amorim mandou a táctica às malvas, toda a gente sabe que o esquema é 5-2-3 a defender, ou na "transição defensiva" em paleio de cátedra, e 3-4-3 a atacar. Ora isto não quer dizer absolutamente nada e tornou-se conversa para adormecer o boi. O que verdadeiramente conta é o que cada peça faz no seu lugar. Por exemplo: quando joga Jovane em vez de Nuno Santos, porque são jogadores diferentes, que fazem coisas diferentes na mesma posição, é claro que a bola tem de lá chegar de maneira diferente e é óbvio que sairá de lá de maneira também diferente. Tudo muda quando mudam os jogadores sem que nada mude na organização. Ora isto funciona porque toda a equipa, de Adán a Paulinho, joga em função dessa diferente expectativa do que um ou o outro irão fazer. E isto é prodigioso, quer dizer, é treino, muito treino.

Continuem rapazes, é só calibrar um bocado mais a pontaria.

Sporting sinfónico

Para apreciar melhor o segundo golo do Sporting de ontem será de vistas curtas reparar apenas no estupendo passe de Esgaio que leva a bola até aos pés daquele que fabrica algoritmos com a ponta da bota, pois os seus remates saem de geometria perfeita na curva do arco, na altura do voo, na direcção inevitável  que levam. 

Pedro Gonçalves estava nesse momento isolado próximo do segundo poste. E estava sozinho porque foi ali ter em resultado de uma longa jogada em que toda a equipa havia antes, por duas vezes, tomado de assalto a linha defensiva do Vizela por todos os flancos. Duas vezes a bola é rechaçada e de imediato recuperada quase à entrada na área e quando na terceira investida chega aos pés de um Esgaio livre e com espaço à direita, já os adversários estavam completamente desbaratados e desnorteados. 

O segundo golo do Sporting é de antologia: o futebol é um jogo colectivo e dinâmico, onde cada peça deve saber onde estar e o que fazer. O segundo golo do Sporting foi um puro produto do treino e de quem o administra. Pode ser viciante o hábito de se irem vendo maravilhas destas em Alvalade.

Vai uma apostinha?

A pré-época é uma fase maravilhosa porque o adepto pode entregar-se a devaneios especulativos sem grande implicação, como se daqui da bancada se percebesse alguma coisa. Se as suas previsões vierem a ser invalidadas terá sempre a desculpa de que "o tempo não confirmou as expectativas." 

O ano passado o prestidigitador Ruben Amorim tirou três coelhos da cartola dos juniores, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio e Tiago Tomás, que deixaram atónitos os supostos especialistas e encantados os sportinguistas. 

Este ano, pelo que se vai vendo, Amorim quer repetir o desaforo testando nestes joguinhos de preparação um pelotão de rapazes danados para saírem da casca. Estou portanto em perfeitas condições para apostar que lá para Maio de 2022 toda a gente já sabia que Joelson, Esteves e talvez Essugo iam revelar todo o seu potencial.

Em resumo

Jogo descomunal de Pedro Gonçalves.

Fora isso não sei se Matheus Nunes alguma vez não terá dado a bola ao adversário, além de lhe ter oferecido o penalty da vitória, e gostaria de saber se o xG de Paulinho será tão mau como presumo que seja. 

Foi pena não sermos campeões invictos, sobretudo depois do que a equipa fez a partir dos 70'.

Como é diferente a lei em Portugal

No domingo em Braga um agente da ótóridade interpela Rúben Amorim por não ter máscara apesar de estar num camarote isolado no topo de uma bancada vazia. Sai logo multa.

24 horas depois, no mesmo distrito, em Moreira de Cónegos, a 33kms de Braga, um agente da ótóridade fica a olhar para um homem a ser agredido diante de várias testemunhas. Parece que o Ministério Público coisa e tal vamos ver.

É a normalidade.

Há que compreender

O quadro que o Ricardo Roque publicou mais abaixo explica muito. Por esta altura o fcp tem apenas menos 3 pontos do que os que tinha o ano passado, ainda assim suficientes para ficar acima do slb que este ano só tem menos 1 ponto do que em 19/20. 

Esta seria a tal normalidade, a divisão do espólio entre estes dois emblemas, estragada por um punhado de pernas de pau de meia-idade e um rancho de putos imberbes, treinados por um desqualificado que nem diploma tem, lá do "clube de malucos."

Tanto almoço de negócios, tanto pilim gasto com avenças em bordéis, tanto magistério de influência, tanta despesa de deslocação e em seguros de acidentes de trabalho com corrécios que chegam a ter que ir ao Alentejo no exercício da sua profissão, tanto poderzinho arduamente conquistado nas trincheiras institucionais do futebol, tantas garrafas de JB pagas a jornalistas e comentadores da persuasão, tanta organização para isto? Claro que é de um homem perder a cabeça.

A normalidade

Aquela equipa de natação sincronizada passou então os últimos minutos do jogo a praticar a sua arte na piscina de Moreira de Cónegos e lá teve a recompensa. No fim Conceição arremeteu ao árbitro a bufar e de cabeça baixa com tão boa dicção que se pôde ler o seu pitoresco vernáculo no movimento dos beiços, no que foi secundado por um badalhoco à paisana mas de braçadeira oficial a fazer o tão aguardado número do "agarrem-me que vou-me a ele." 

"Tudo normal" como diz o fuhrer deles.

{ Blog fundado em 2012. }

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