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És a nossa Fé!

Ainda o Dia de Finados

Pois, então, confesso que o fatídico embate com os alemães teve também o condão de revelar que o meu optimismo numa temporada, pelo menos remediada, não é afinal inabalável: a coisa finou-se na terça-feira à noite. 

Na última possibilidade que alguns e muito ruidosos tiveram para assobiar o hino da LC (diga-se até que se calhar estão contentes, já que este ano não o assobiam mais e pelo andar da carruagem para o ano também ficarão sem pio); mas dizia, na despedida da liga milionária a equipa deixou em campo a sua própria caricatura: incapacidade de ganhar, de reagir perante a adversidade, de ampliar a vantagem, de sequer a segurar; mostrou-se capturada pela desorganização, ditada por más opções tácticas, como a saída de Edwards, para a entrada da regular nulidade Trincão, mais a gritante falta de opções goleadoras.

Tudo somado, o jogo com os alemães ofereceu-nos novo choque com a dolorosa realidade de que esta será mais uma época inglória. "Rais'parta" para isto que parece sina. 

Li com gosto (como sempre) o texto de Pedro Boucherie Mendes, e desta vez reajo. Pela simples razão de que penso que apesar do acima escrito, ao contrário do que escreve o meu homónimo não concordo que estejamos obrigados a ver um qualquer árabe carregado de petrodólares como dono do nosso emblema para que o mesmo tenha força na Europa. O Benfica e o Porto dão-me razão. 

O Sporting, parece-me, está obrigado a apostar no recrutamento de pérolas, tem de melhorar sempre o "scouting" para as equipas das camadas jovens, a Academia tem de dar as melhores condições aos potenciais talentos, é para o Sporting que eles têm de querer ir. 

Quanto ao presente, fine-se a teimosia do grande Amorim e contrate-se um goleador, um matador, um jogador que não precise de muito para marcar.

Enfim, dêem-nos razões para este pessimismo finar, antes que nele finemos. 

 

Vamos dar a volta

Chamem-lhe profissão de fé (a ver pelo nome do blog seria até o mais apropriado), mas estando nós em todas as competições e em todas elas com possibilidade de ganhar, acredito que vamos festejar conquistas esta época. 

Nem tudo o que Amorim disse é criticável pela negativa.

Da conferência de imprensa pós-pesadelo Marselha guardo a máxima: "Nós somos bons nestes momentos. Quando está tudo muito difícil, eu sei que esta equipa pode dar a volta. Nós vamos dar a volta."

Com tanta prova dada do exímio líder que é e do seu contagiante espirito ganhador, Rúben Amorim, apesar desta sucessão de maus resultados, continua a inspirar-me confiança que com ele ao comando sairemos vitoriosos. Estou ainda muito longe de acreditar no contrário.

Orgulho leonino à flor da pele

Chegado ao trabalho, de sorriso rasgado, logo procurei os leões. Somos muitos! Apesar disso quis o destino que a primeira reacção à gloriosa vitória leonina de ontem contra o Tottenham me chegasse vinda de um benfiquista.  A coisa foi proferida num misto de bazófia, ressabiamento, inveja:

- Todos pavões! Rotulou-nos.

- Orgulhosos, pá. Orgulhosos e muito.

De rajada fiz-lhe o desenho: pavões seria sinal de que nos consideramos por direito os maiores, os melhores, os naturais vencedores de qualquer desafio; já sentirmos orgulho no clube que é o nosso é fruto do júbilo com a vitória que contrariou a esmagadora maioria das casas de apostas e que foi inteira, absoluta, indiscutivelmente justa, também porque assente numa verdadeira equipa guiada por um líder humilde, consciente das fraquezas e das forças do conjunto de jogadores que orienta e que neles incute o espírito ganhador que a todos contagia. Do rectângulo de jogo a todos os cantos do mundo onde há sportinguistas. Cada vez mais orgulhosos de o sermos.  

Blitzkrieg leonina

Apoiante fervoroso de qualquer equipa do Sporting, fã da qualidade técnica-táctica de Rúben Amorim, da sua inteligência e liderança; admirador da gestão de Frederico Varandas, que lidera o clube sem ruído e, manifestamente, com rumo, capaz de criar núcleos coesos e equipas que tão bem representam o nosso emblema; sendo eu tudo isto e mais ainda no que ao Sporting diz respeito, findos os 90 e tal minutos jogados em Frankfurt, dei por mim olhando para o espelho e dizendo: Ó homem de pouca fé! 

Confesso, esperava que os nossos fizessem boa figura na Alemanha, mas não acreditava que pudesse ser tão boa, tão superiormente melhor que a do adversário. Fomos categoricamente melhores. E isso deve-se à belíssima equipa que temos, à inteligência técnica-táctica de Amorim e à sua fortíssima liderança e, claro, à Direcção que em boa hora o contratou e tem conseguido contratar os jogadores que ele quer, e que mais uma vez, e desta vez de forma indiscutível, aspiracional e inspiradora, nos fazem sonhar e, sobretudo, acreditar que a Liga dos Campeões é o nosso palco nas competições externas e que por cá seremos campeões.

Obrigado, equipa por esta jornada europeia histórica que, tenho a certeza, marcará a viragem de toda a época para glórias futuras.

Faltas e falhanços

Rúben Amorim resumiu o jogo no Dragão - vulgo estômago leonino esmurrado - com uma verdade: o FC Porto concretizou as oportunidades que teve, o Sporting não. Mesmo que concorde que o resultado não reflecte o medir de forças entre rivais a que assistimos e apesar de considerar verdadeira a síntese do "Mister", na minha opinião a dita peca por defeito. Não resume tudo.

O Sporting - diria La Palice - sofreu golos e não os marcou devido a faltas na equipa e falhanços da mesma. A conclusão é portanto simples: faltam jogadores, uns que concretizem, outros que melhor defendam e os criativos e que carreguem a bola com capacidade para desmontar a defesa adversária (assim de repente lembro-me de um craque que há uma semana vestia a listada embelezada com o leão e hoje anda de camisola amarela lobina).

Nenhum dos sectores leoninos esteve bem no Dragão. Houve falhas e falhanços na defesa, no  meio-campo e no ataque. O alarme tem de ser esse. Não vale a pena crucificar o Adán (que já nos deu muitos pontos!) e menos ainda o Rúben Amorim. Afinal, foi uma semana atípica porque corolário da inconsequente pré-época. O período de preparação da temporada foi feito com jogadores que já cá não estão. E esse, com o mercado a fechar e as equipas cada vez mais montadas, deve ser outro sinal de alarme. 

Também não devemos trucidar, querer abater a Direcção. Não cometamos os erros do costume e que nos levaram ao desnorte de décadas, provocado pelo radicalismo de tudo exigir que se mude à primeira pesada derrota.

E digo isto criticando com veemência as faltas e falhanços a que assistimos na comunicação do clube, em concreto da equipa que mais nos faz vibrar no apoio ao nosso clube. Porque os mesmos denunciam aquilo que aparentemente surge como a primeira brecha num núcleo coeso entre Direcção e líder da equipa técnica que nos levou à conquista do tão desejado título de campeão nacional e que foi revelando um rumo claro, coerente e consequente.

E este é outro sinal de alarme.

Por fim, um apelo. Não nos deixemos tomar pela falta de esperança. São "apenas" 5 pontos de atraso para os rivais, mas ainda só decorreram três jornadas. Há muito campeonato pela frente. Não falhemos nós no apoio à equipa.

"Ses" da treta

Da ameaça à robustez e à união do balneário, passando pela potencial desautorização de Rúben Amorim e à destruição da sua mais que provada capacidade de liderança, já perdi a conta aos "ses" justicados por um eventual regresso de Cristiano Ronaldo ao Sporting. 

Deixem-se de tretas. 

Se o Cristiano voltar a jogar com a camisola do Sporting será o simples porque arrebatador  corolário de uma das maiores escolas de formação de talentos de futebol do mundo e da qual ele é o exemplo maior. O regresso a casa do filho mais prodigioso entre tantos outros prodígios nela nascidos, formados e crescidos teria certamente lugar nos livros de história, seria um dos seus capítulos mais comoventes e inspiradores. Emblema e talento por ele criado reencontrados, lado-a-lado, ambos puxando para o mesmo lado, o da glória, a do Sporting, com os dois unidos mais próxima ainda de alcançar.

Se Cristiano Ronaldo voltar a jogar pelo Sporting teremos o melhor ataque da Liga e um fortíssimo ataque para atacar olhos nos olhos os adversários que viermos a ter pela frente na Liga dos Campeões. Prova na qual CR7 é rei e senhor, o campeão entre campeões.

Se CR7 voltar (desconfio que a venda de Tabata é já para libertar o número para o craque) se CR7 voltar a jogar com a verde e branca será bom para Rúben Amorim, sim, claro que sim. Seria difícil aceitar o contrário, aliás. Como fã, admirador e muito grato que sou de Rúben Amorim ficaria altamente decepcionado se o nosso notável treinador fizesse a vontade às picaretas falantes e não soubesse tirar proveito do potencial inigualável do CR7 em prol da equipa já construída e que mais bem construída ficaria. 

E a projecção do clube internacionalmente? E as vendas de camisolas? Bilhetes de época? De jogo? Se Cristiano cá regressar, o Sporting com ele passará para outra dimensão.

Se o Cristiano voltar ao Sporting, meus caros, aquelas centenas de golos que não cantámos quando eram cantados, esses golos vamos cantá-los muitas e muitas vezes. Cantaremos esses e os outros que só o Cristiano sabe que existem porque é ele quem os cria e inventa, ainda nós sequer percebemos o que o melhor do mundo vai fazer, quanto mais estarmos já preparados para cantar golo. Isso vem depois como brinde, prémio, tesouro inesperados e por isso os mais saborosos. Golo, golo, goloooooo! E o speaker: É do SPORTING!!!! CRISTIANO... e nós 40.000/50.000 em júbilo completando RONALDO!

Representado pelo presidente

O que Frederico Varandas disse logo a seguir ao jogo não só é merecedor de aplauso como de vénia. Ao desassombro das palavras proferidas juntou-se a coragem do acto realizado em pleno campo hostil.

Atitude que me representou totalmente enquanto sócio do Sporting Clube de Portugal.

Assertiva, lúcida, urgente, a declaração do presidente leonino foi ainda defensora da verdade desportiva e dos princípios e dos valores do desporto. Varandas pôs o dedo numa das chagas maiores do futebol português: a impunidade. 

Aquilo que o "dragão" nos serviu só no "dragão" acontece. As aspas não as uso por acaso, acaso um dragão existe? Não, não existe. Nunca existiu. Mais não é que figura de mito, elemento de folclore. Dá jeito à crónica que assim seja, ajuda-me à tese de que a glória andrade é em grande parte, na sua esmagadora parte, ficcionada. É um mito. Uma crença imaginária. A mitológica força do FCP serviu - e, constatámos, serve - para garantir a coesão do grupo. 

E por isso repito que aquilo que o "dragão" nos serviu só no "dragão" acontece.

Sabendo nós do 'Apito dourado', das repetidas agressões físicas e verbais sobre jornalistas e adversários perpetradas por responsáveis do emblema FCP; constatando nós que aquela é uma agremiação na qual não há contraditório, sequer um vislumbre de oposição ou uma ainda que sumida voz dissonante da liderança; posto tudo isso só podemos concluir que ali a lei será sempre a do mais forte, sem lugar a adversários, porque esses serão sempre encarados como inimigos. 

O Sporting, a sua magnífica equipa, foi enorme nas Antas na sexta-feira passada. Os nossos jogadores aguentaram a pressão das bancadas e do banco portista, a provocação e a agressividade dos jogadores portistas, sendo que agressividade aqui uso-a mesmo pejorativamente, e não no sentido da intensidade, da disputa suada, da entrega ao jogo, como hoje é comum fazer-se no comentário desportivo. 

Jogar cinquenta minutos com 10 no campo dum adversário desta natureza, enfrentar um árbitro impreparado que em muito a prejudicou e mesmo assim conseguir de lá trazer um ponto, diz muito da nossa valiosa equipa, que em momento algum pode ser posta no mesmo saco do FCP relativamente à responsabilidade dos acontecimentos que mancharam o jogo. 

A culpa maior é FCP. Da organização do jogo feita pelo FCP. Dos jogadores do FCP.

É por isto mais que reprovável ver nos jornais, ouvir nas rádios e ver nas pantalhas as críticas a Frederico Varandas, colocarem-no como um incendiário. Um agente instigador. O responsável maior pelo que aconteceu no relvado. 

Propaganda!

Quando o presidente do Sporting Clube de Portugal falou e pôs o dedo na ferida já a vergonha dos nossos terem sido agredidos com socos, pontapés e bancos tinha acontecido. Só isto é real.

Não se alimentem mais mitos. E "dragões". 

Superioridade

Bem sei que não há justifiça num resultado de futebol. A lei da bola é em muito subjectiva e a sentença final de qualquer jogo são os golos e o resultado final que a ditam. Mas, caramba, teria sido uma injustiça do tamanho do estádio de Leiria se o nosso Sporting não tivesse sido campeão de Inverno contra um adversário que joga tão pouco. Durante os 90 minutos só o Sporting fez por ganhar e só o Sporting se mostrou equipa e ao serviço de um plano de jogo claro de campeão.

Que a enorme superioridade que manifestámos ontem se repita nos restantes desafios que temos pela frente. 
No ano passado o título de campeão de Inverno foi um belíssimo presságio da conquista mais desejada. Que este ano se repita.

Temos equipa, jogadores, treinador, sócios e adeptos para isso. Vamos! Jogo a jogo! Essa fórmula que tanta alegria já nos deu, continua a dar e, acredito, continuará a dar.

Areia na engrenagem

Dentro das nossas quatro linhas, em boa verdade, os poveiros eram os favoritos para o embate da Taça. Se olharmos para a geografia do território nacional, a turma de Varzim estava muito mais preparada para transformar o futebol de 11 em futebol de praia.

Tendo o Sporting muito jogadores do tipo brinca-na-areia, porque dotados de uma técnica muito superior, controlar a bola, driblar, "sprintar" e travar a correria sobre terra seca é uma empreitada cuja técnica referida só atrapalha e prejudica - que o diga o Jovane Cabral.

Posto isto, é inaceitável que Alvalade apresente um relvado naquelas condições. Mais ainda quando este é um problema que se arrasta há anos. Já perdi a conta aos tapetes de relva que foram substituídos.

Temos um relvado que não está à altura das competições que disputamos e, mais grave, que prejudica e lesiona os nossos atletas. 

O problema, repito, é estrutural. O estádio foi mal projectado. O Sol não "banha" o terreno de jogo.

E também por isso considero de rir e de muito condenar que o sr. arquitecto Tomás Taveira ainda "amande" umas sentenças estéticas sobre a mudança da cor das cadeiras do estádio, ameaçando que poderia impugnar a decisão do clube , alegando possível incumprimento contratual e certa traição da sua obra. 

Se assim fosse ou se assim vier a ser com outras transformações que a direcção e os sócios vierem a decidir fazer ao Alvalade XXI sugiro que em primeiro lugar exijamos uma indemnização ao arquitecto pelo mau projecto que executou. Passava a ser ele a pagar os novos relvados e, ainda, nos intervalos dos jogos, passaria a fazer parte da equipa de tratadores que estão os 15 minutos da pausa a tapar buracos.

Liga dos Campeões

No meio das riscas pretas sobre fundo verde [parêntesis] (não consigo perceber este equipamento "champions" a lembrar a selva, enfim, tavez a explicação esteja no leão que nos representa e reina sobre a mesma), mas dizia, no meio do referido design lá estavam as cinco quinas no peito deles, ladeando o leão rampante. E lá estiveram eles a jogar à campeões.  

A vitória de ontem na Turquia soube bem, muito bem, mesmo, mas para mim, mais importante ainda é o triunfo de Istambul confirmar a belíssima equipa que temos e o bem orientada que está, neste Sporting com rumo, bem organizado, sereno e, claro, campeão.

Em condições de ser mais e muitas vezes campeão.   

Jogo de enganos

Enganadores: resultado final e narração do jogo de ontem.

O Sporting foi, além de dominador, perdulário. Falhou, contas por alto, cinco a seis golos.

Com cerca de 80% de posse de bola, a equipa leonina jogou a quase totalidade do tempo de jogo no reduto do adversário. Um oponente manhoso. Ou melhor escrito: mañoso.

Velázquez, que também é Julio mas que saibamos não canta e apenas grita sem parar "Defensa! Defensa!" para o rectângulo verde, esse Julio abdicou de atacar e de jogar à bola.

O ultraje desta postura desportiva e competitiva foi reforçado na entrevista rápida com o espanhol a mostrar-se decepcionado - e com aura de injustiçado - por ter sofrido um golo nos últimos instantes. E "de penal!", rematou. Como se o penálti sofrido pelos nossos não fosse o prémio mais que merecido e justo para a única equipa que quis ganhar. Que jogou à bola. 

Não tendo conseguido ir a Alvalade tive de gramar com o comentariado da Sport TV e as pérolas dirigidas à equipa vinda da pérola do Atlântico. "Que bem o Marítimo", "Onze solidário", "Não é por acaso que soma três empates", "Nível defensivo altíssimo". E com isto foram apoucando a única equipa que jogava à bola, já que o Marítimo só chutava na dita e nos nossos. 

O Julio mañoso Velázquez até pode montar uma eficaz estratégia anti-jogo, dar instruções aos seus jogadores para jogarem apenas e só no anit-jogo mas, a bem do futebol, quem isso comenta em directo na TV não pode elogiar uma equipa com essas características.

Menos ainda em detrimento do campeão nacional em título que mais uma vez contra dez caixotes de lixos inamovíveis atrás da linha da bola demonstrou porque é campeão e porque pode voltar a sê-lo. 

O campeão voltou

Entrámos na linha campeã no confronto com o Estoril. "O campeão voltou" foi frase que fui dizendo convicto durante os noventa minutos na Amoreira, após o apito final e ao longo destes dias. 

Depois do vendaval de golos que sofremos dos holandeses - uma canalha de uma ventosga que nos vergastou o orgulho leonino -, a equipa e o seu  timoneiro recuperaram a imagem a que nos habituaram jogo a jogo na época gloriosa do título que agora defendem. Futebol ofensivo, solidário, repentista, inteligente, trabalhador, seguro, consequente, robusto defensivamente. 

Repito para mim e para os mais cépticos: O campeão voltou.   

Choque com a realidade

Entre o picado e o empapado inclino-me para o segundo. Sem dúvida.

Era feito em papa que estava o meu ego sportinguista quando ontem deixei a Alvalade. Afinal, com a mesma consistência da nossa equipa perante o bulldozer vindo das Terras Baixas que jogou sempre em cima de nós, com altivez e superioridade.

Não quero crucificar ninguém, claro que não. No entanto, perante aquela coça vergonhosa que sofremos em casa na estreia da maior prova de futebol do mundo, fui incapaz de aplaudir os nossos jogadores no fim daqueles 90 minutos infernais.

Também não os vaiei. Nunca o faço. Mas bater palmas à equipa pareceu-me o mesmo que espancar o meu amor próprio. E um tipo tem de se dar ao respeito para memória futura. 

Campeões e heróis para sempre

A noite de 11 de Maio de 2021 foi gloriosa, as estrelas foi cá em baixo que brilharam. Primeiro no relvado de Alvalade depois desfilando junto de nós comuns mortais.

Nessas inesquecíveis horas vi-me a caminho do Marquês e dos 50 miúdo. Uma criança só tocada pela felicidade.

Passada larga, ritmo acelerado, sôfrego, assim fui ao encontro dos meus heróis. Nenhum deles de capa e espada ou com super-poderes, apenas super-humanos. E por isso maiores e mais extraordinários que qualquer dos presentes no Olimpo da Marvel. A cada passo entre a multidão que os exultava como eu, o seu heroísmo e a sua heroicidade seguiam em crescendo.

De olhos marejados e postos naquele mar de riscas verdes e brancas fui reconfirmando a imensa grandeza do clube que tem o leão como emblema e que ali recuperava o seu lugar natural. Reconquistava o trono com sangue, suor e lágrimas. À minha volta vozes gritando “Campeão!”, “Campeões!” numa magnífica vozearia existencial. O singular Sporting. O plural nós os do Sporting.

A noite foi do Sporting Clube de Portugal porque foi do Sporting Clube de Portugal a época 2020/2021. Conquistada com o sangue, o suor e as lágrimas deles. Dos 28 magníficos. Os verdadeiros campeões nacionais de futebol. Aqueles que serão heróis leoninos para sempre.

A chegada apoteótica dos nossos realizadores de sonhos assisti na companhia de um grande amigo com quem há anos apoio da bancada do nosso estádio as nossas equipas. Como ele chorei lágrimas iguais às dos milhares comovidos como nós, a emoção confirmando o quanto somos semelhantes: Irmãos, pais, filhos, netos, avós, todos família, feitos da mesma massa, vindos das mesmas dores e frustrações, umas provocadas por sacanices várias que a todos revolta e une, outras causadas pela incompetência que a todos custa e todos pode desunir.

Resistentes devotos e leais dedicados, ali estávamos fruto dos mesmos sonhos. Premiados.

Obrigado.

Que festa maravilhosa fizemos. Que maravilha de festa tivemos. Para trás ficavam cinco horas passadas em inúmeras ligações a pé para trás para frente, para cima para baixo Imaviz/Saldanha/Campo Pequeno/Saldanha/Imaviz. Uma tareia de cansaço e frio aumentada pelo desgaste da espera.

Valeu a pena.

Como coisa própria da magia vendo-os ali tão perto tudo se dissipou. Parecia que ali chegáramos poucos minutos antes. Sim! O que são cinco horas na imensidão de 19 longos anos de uma travessia do deserto? E tivessem sido mais as horas de espera que a recepção teria sido a mesma.

Inebriados saltámos e pulámos avenidas abaixo, cachecol no ar, totalmente indiferentes à chuva, entregues ao papel que nos cabia na guarda de honra aos campeões. Envoltos em fumo verde, iluminados pelo incessante fogo de artifício, sobre nós desceu ainda o espírito eterno de Maria José Valério e marchando leoninos demos também graças por não termos nascido lampiões. Confirmámos ao mundo que o mundo sabe que por este amor somos doentes e que faremos o nosso melhor para o ver sempre na frente. Faremos o que pudermos pelo nosso Sporting.

Mas a coroa da minha glória foi ter conseguido agradecer aos campeões. Era esse o meu maior desejo. Gloriosos eram eles. O lugar no Olimpo leonino é deles. A mim restava-me rebentar de orgulho e de emoção enquanto que da minha boca pouco mais saía que a palavra Obrigado! Obrigado!

Em bom rigor a minha linguagem foi sobretudo a não verbal. No meio dos festejos, do ruidoso entusiasmo, tolhido por emoções à flor da pele e por baixo dela, abafadas as palavras, a mímica apresentou-se-me como a melhor voz para lhes dizer o que tinha para dizer. O punho cerrado atirei-o dezenas de vezes contra o meu peito, ao encontro do leão, do lindíssimo emblema, das letras SCP.

Sorte a minha! Os verdadeiros guerreiros retribuíram a comunhão e como eu cerraram o punho e atiraram-no sobre o peito ao encontro do leão, do lindíssimo emblema, das letras SCP. Eles lá em cima eu cá em baixo, juntos, gritando Sporting! Família. Todos da mesma família.

Estive a um palmo dos nossos heróis e tive muita sorte. Olhei para o nosso capitão Coates e ele olhou para mim. Acredito que houve cumplicidade entre os dois. Que ele percebeu o quanto lhe estou grato. Igual ao que dele vemos em campo, mesmo no meio do rebuliço, do gigantesco alvoroço, Coates mantinha-se Coates. Discreto, sem bazófia ou vaidade, ele era mais uma vez a figura de referência, o comandante. Também ali o patrão da defesa se apresentava compenetrado, sério, solene, totalmente alinhado com o marco histórico celebrado. Dentro e fora de campo capitão e imperial, porque a representação cabal de toda a equipa. A taça era ele que a segurava e a imagem disso dava-nos a garantia de que o troféu, o tão ansiado e desejado título será bem defendido. Mais facilmente continuará em Alvalade do que o contrário.

Não teremos de esperar novos 19 anos para sentir esta alegria imensa. Acredito nisto. Acredito num futuro radioso para o nosso Sporting. Garantido pela formidável liderança de Amorim e do presidente Varandas, acima dele. Assegurado pela grandeza deste emblema comprovada pelos milhares e milhares de miúdos, alguns crianças, que vi desfilar noite dentro cachecol verde e branco no ar cantando emocionados as músicas com que todos vibramos. Também eles certos que o Sporting é campeão. E se o é sempre será. Seja-o durante anos consecutivos. De dois em dois anos. De cinco em cinco anos. Ou de dezanove em dezanove anos.

O Sporting é campeão. O Sporting sempre será campeão.

Parabéns, Sporting. Obrigado, Sporting

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Obrigado, leões. Que conquista admirável. Que caminhada gloriosa. Aos vossos pés caíram os campeões da Rússia, Espanha e da Europa. Estou como o Edmundo Gonçalves que tão bem fez em publicitar o vídeo que pode ser visto mais a baixo nos És a nossa fé. Momento arrepiante e inspirador para todos nós, e que deve ser visto e revisto e visto mais uma vez. Por nós adeptos e por todos os atletas à beira de conquistas maravilhosas de leão ao peito. Importantes são também as palavras do timoneiro Nuno Dias e do grande Capitão João Matos. Do João destaco o que ele disse sobre a identidade que dá a força a esta equipa. Cito de memória, certo que não vou atraiçoar o espírito: “Esta camisola é uma segunda pele. Sentimos o Sporting e esse sentimento faz a diferença na hora da superação, de dar o que falta para vencer. O Sporting é hoje o maior da Europa.” Parabéns, leões! E que a vossa gloriosa conquista europeia seja presságio de outras e admiráveis conquistas do Sporting Clube de Portugal.

Uma cultura de clube abjecta e deplorável

Tenho dificuldade em considerar o FCP um grande de Portugal. Além de ser um clube que nunca foi muito além da dimensão regional é também feito de mentalidade provinciana, convencida e querendo convencer que o mundo todo se uniu para o aniquilar. O mau julgador por si se julga e esta vitimização não é mais que uma invenção. Todos vemos que quem está contra todos são eles. Não sabem ganhar, não sabem perder, não sabem empatar. Vímo-lo mais uma vez em directo esta noite em Moreira de Cónegos. Foi cena chocante porque abjecta e assustadora.

A prova do que é feito aquele clube de cultura mafiosa foi-nos dada por um mascarado que, valha a verdade, a tromba escondida por trás da máscara só reforçou o comportamento jagunço que o ocultado teve ao impedir ao murro e ao pontapé que um repórter da TVI recolhesse imagens do grande líder que se apresentou segundos antes do ataque com postura seráfica, como se nada com ele fosse.

Passou-se isto no exterior do campo do Moreirense, minutos antes, dentro do terreno de jogo, o carroceiro-mor e um seu acólito da equipa de agressões - no caso o director de comunicação-, os dois comunicavam insultos ao árbitro e à mãe deste já depois do apito final que sentenciou aquele que foi para nós o tão saboroso empate que os Andrades tiveram com os moreirenses.

Em nome da justiça desportiva é fácil pôr Rúben Amorim três jogos seguidos na bancada. É muito mais difícil pôr esta corja no lugar. Há anos que eles actuam com o sentimento de impunidade, violando as regras e o espírito do desporto. Quando no desporto nem deviam ter lugar.

Também por isto é muito importante que o Sporting seja campeão. Acreditemos que esse será mesmo o novo normal.

Esforço, Dedicação, Devoção, cada vez mais perto da Glória

Ganhámos contra o Braga, contra o árbitro, contra o VAR, contra o sistema e contra o "se tudo for normal" do Pinto Costa; ganhámos até a nós próprios, que muitos dos nossos já davam a derrota como garantida. E se despediam já da conquista do título.

A quatro vitórias de nós sagramos o clube vitorioso desta temporada, acredito ainda mais que esta equipa vai ganhar o campeonato, vai ser campeã nacional e eu campeão com ela.

Que orgulho imenso neste fantástico grupo que representa como vi poucos de leão peito com Esforço, Dedicação, Devoção rumo à Glória deste monumental clube. 

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