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És a nossa Fé!

Orgulho em nós

Começo por confessar: gritei, assobiei e vaiei Bruno de Carvalho. Tinha de o fazer. Não ficaria de consciência tranquila se não o fizesse. Era, à luz do meu sportinguismo, uma obrigação. Um imperativo cívico, também.

Avalio o comportamento que adoptei no arranque do jogo, no fim da primeira parte do mesmo, no reatamento da partida e no apito final do desafio, interpreto os assobios e  apupos que dirigi ao ainda presidente como uma necessidade moral. Era para mim urgente repudiar, rejeitar e exigir o fim da actual liderança daquela que é uma das maiores instituições sociais do país. 

Vê-lo subir ao relvado foi a gota de água. Em fracções de segundo fui tolhido por uma estupefacção que me assaltou em catadupa de interrogações: Então o homem vai para o banco? Senta-se, ali, ao lado dos jogadores? Ele que agora é deles o maior opositor, desestabilizador, o principal inimigo do plantel? Foda-se, como é que é possível? Que provocação desmedida. Insana. Estaferma exibição de egocentrismo tão doentio. 

Fiz ouvir a minha indignação, na hora devida, portanto. E tinha de ser em Alvalade. No Facebook, mesmo que aí tivesse conta, não faria sentido desabafar o meu chumbo, a minha insanável desaprovação do comportamento e da gestão do ainda presidente. Tinha de fazer ouvir-me ao lado dos jogadores. Claro que tinha! Eles que na praça pública foram enxovalhados, desacreditados, perseguidos, desautorizados, desvalorizados, maltratados, traídos e totalmente desrespeitados por aquele que devia ser o seu líder. Aquele que, mais uma vez, além da condenação de carácter que lhe faço, revelou ser um péssimo gestor da "marca" Sporting, revelou ser, definitivamente, um péssimo comandante de homens. Claro que eu tinha de estar ao lado dos jogadores. 

Foi um orgulho pertencer ao coro, musicar a volta olímpica dada por jogadores e equipa técnica, gritar com raiva mas também com paixão e abnegação: "Sporting, Sporting, Sporting...!" 

Ontem, ainda antes de nova e penosíssima conferência de imprensa de BdC, o Sporting Clube de Portugal assegurou a vitória.  Esmagou o adversário da batalha para a qual tinha sido arrastado por uma personalidade que eu, porra, caneco, chiça, cheguei a apoiar.

Que fique claro. Nada há aqui de pessoal contra Bruno de Carvalho. Aceito mesmo que BdC esteja doente e que essa seja a principal razão para tamanho desnorteio, errância, auto-flagelação e, mais importante, delapidação do Sporting Clube de Portugal.

Devo-lhe alegrias. E boas. Reconheço que o ainda presidente fez muitas coisas positivas no clube. Que recuperou, revitalizou e reforçou o lugar do Sporting entre rivais, demais adversários e no todo do desporto nacional. 

É sempre fácil falar depois do jogo, mas é mesmo de balanço que se trata este texto. Por isso tenho a perguntar-vos: No passado, na altura em que votei em Bruno de Carvalho para presidente do meu clube, se nesse momento, me tivessem dito que ele viria a fazer o que está a fazer, qual é a dúvida que nunca por nunca lhe daria os meus votos?

Tenho a certeza que o ciclo chegou ao fim, como fechá-lo em definitivo vai trazer-nos ainda mais dor. Todos sabemos que BdC vai dar luta, nunca se demitirá. Vive numa bolha. Rodeado de espelhos. "Espelho meu, espelho meu, haverá algum presidente de clube melhor do que eu?" Imaginamo-lo perguntar-se ao acordar, ao deitar-se.

No entanto, é certo que o ciclo brunista terminou, é já um defunto. Termina de forma triste, sim, mas também proporciona uma orgulhosa alegria. 

Ontem, saído das bancadas, todos ouvimos aquele ruidoso rugido do leão. A garantia de que a força do nosso Sporting somos nós. O clube é nosso. E se alguém traiu esta verdade, esta bela e profícua pertença, se alguém nos traiu, não foram os nossos jogadores, foi aquele que nos devia liderar a todos.

Ter-lhe dito basta. Ter-lhe gritado: O lugar que ainda ocupas já não é teu! Foi uma vitória do Sporting Clube de Portugal. E isso é o que conta. Diria mesmo, isso é aquilo que nos une e unirá até morrermos. E Vivó Sporting!  

 

A paródia

O que é constrangedor, é muitas vezes revelador. Constatámo-lo, mais uma vez, no fim-de-semana passado. Foi ao som dos murros na mesa, na gramática e na defesa do Benfica desferidos pelo presidente da dita agremiação. Porque aquilo de discursar sem discurso escrito revelou que a toupeira fez mesmo uns buracos naquela terra, prometida, para tantos, infernal, para muitos. 

Mesmo sem "Red Pass" tivemos acesso aos bastidores da máquina que ao longo dos anos se tem escondido por detrás de uma fachada de betão armado, embelazada por cartilha orquestrada, apuradamente especializada em marcar a agenda mediática. Foi assim até se lhe descobrirem mais rachas e mais fissuras, como estas, tão grosseiramente abertas por toupeiras.

O destemperamento de Luís Filipe Vieira na manifestação do indignado é, mais que tudo, revelador. Distribuindo ameaças, o chefe benfiquista revelou-se encostado à parede. Na situação em que LFV se encontra nada valerá fazer que não seja responder cabalmente às gravíssimas suspeitas que recaem sobre ele e sobre o clube que dirige. Se a coisa tivesse sido escrita, talvez, talvez possa admitir a possibilidade de alguns terem visto no líder, apenas e só, o perseguido, o inocente, a vítima de perseguição injusta e injustificável. Mas falando de improviso, a espaços descontrolado, só lhe vimos o desconforto e a encapotada fuga para frente na forma de alegada pro-actividade.   

O Gabinete de crise, além do rídiculo do nome, não é mais que uma arma de arremesso. Uma ameaça contra todos aqueles que ousem falar do Benfica, nos termos em que o Benfica considere ofensivo e atentatório da "marca". Em rigor, o que Luís Filipe Vieira fez foi a tentativa de nos amordaçar a todos, incutindo -nos medo, acenando com a represália que sobre nós cairá se ousarmos dizer, uns, que o estádio da Luz se parece com um cesto das molas, outros, que a construção está cheia de falhas no revestimento, fachada, afinal, repleta de enormes buracos.

"Acabou a paródia à conta do Benfica", disse, a dada alutra, o parodiante, todo ele empenhado na imitação burlesca de obra séria. É esta a definição de paródia e paródia foi o que ali assistimos.

Com presidente e vice-presidente arguidos em processos a correr na justiça, ver o Benfica apostado, na pessoa do seu líder máximo, em silenciar, controlar, ditar o que se pode dizer ou não pode dizer sobre o Benfica, a fazer ameaças a quem não lhe faça a vontade; é de uma gravidade sem precedentes. LFV ditou regras para cidadãos e, claro, para órgãos de comunicação social e para todos aqueles que os povoam com as cores que não sejam as que ele, hoje, veste.

Comparado com isto, é quase inócuo o pedido do presidente do Sporting Clube de Portugal aos sócios e adeptos para que só leiam o jornal do clube e vejam apenas a SportingTV - e quem aqui vem com regularidade sabe o quanto critiquei e repudiei as palavras de Bruno de Carvalho.

É insuportável e indefensável que o SLB, oficialmente, assobie para o lado como se nada tivesse a ver com o escândalo que ensombra a verdade desportiva nacional, e na qual entroncam ramificações que, preocupantemente, podem inquinar de forma profunda todo o edifício judicial português.

Ouvir do vice-presidente Fernando Tavares, arguido no processo Lex, que o Benfica está a funcionar em "completa normalidade" é ofensivo, de tão ilusório e enganador que é. Faz pouco de nós. Falta-nos ao respeito porque falta ao respeito à coisa pública.

Ver o presidente do Benfica, mergulhado em gravíssimas suspeições, falar ao público sem dar uma única explicação sobre os emails que alegadamente o incriminam, de maneira muito mais grave do que a denunciada violação da correspência privada, assistir a isto tudo sem o condenar, rejeitar e denunciar como muitísimo grave, seria alarmante e, a mim, na parte que me toca, não me deixaria de consciência tranquila como cidadão.

Nas circunstâncias em que o SLB se encontra, dos seus órgãos máximos, sócios e simpatizantes esperava-se pudor. Exige-se-lhes pudor.

Se o Benfica quer ser respeitado, tem de se dar ao respeito. Se o benfiquistas querem ser respeitados, dêem-se ao respeito. Chega de serem parodiantes de uma paródia de péssimo gosto.

Ganhar ou ganhar

Mesmo sem o Gelson vamos ganhar nas Antas, esta noite. Acreditem em mim que não é fezada, é fé. Um acreditar alimentado por evidências que me chegam dos possíveis "onze" que vão passando graficamente pelas várias televisões, desde ontem à noite. A cada vislumbre das dez listadas verde e brancas dispostas quadrado fora, mais a camisola do nosso número um, guardando as nossas redes, de cada vez que vejo isto, dou por mim a pensar que temos craques em várias posições e em todos os sectores.  

Que poderá o tridente do ataque portista fazer contra um Mathieu concentradíssimo, rapidíssimo, inteligente, lutador e campeão? O Marega passa por um Coates, se o uruguaio estiver, como se diz amiúde, "a top"?

Temos antídotos que sobram para anular a ofensiva portista e nem me referi às laterais, que as temos entregues a um super jogador como o Coentrão e a um competente e aguerrido Ristovski (a acreditar que o Piccini não vai a jogo).

O nosso meio-campo não é melhor que o do Porto? Há algum jogador do lado do FCP com a qualidade do William Carvalho? Não, não há. O Battaglia não mostrou já o valoroso que é a defender e a carregar jogo? Que craque se iguala, hoje, no futebol nacional, a jogar no miolo, a municiar o ataque, a temporizar a jogada, que jogador há que tenha a visão de jogo de Bruno Fernandes? E que tenha a capacidade de remate dele, imprevisível, potente, colocado?

Não temos o Gelson, mas teremos, dum lado, o raçudo Acuña, que, hoje, fará muitas e boas assistências para golo e do outro um Rúben Ribeiro que surpreenderá, fazendo, finalmente, o jogo que dele, nós e o Jesus, esperamos que faça desde que chegou a Alvalade.  

Na frente teremos o Doumbia que nos bateu quando andava de emblema do CSKA ao peito. Rápido, endiabrado, eficaz e pragmático.

Por fim, no banco temos e teremos, sobretudo, o Jesus, que, acredito eu, tem mesmo a qualidade de mestre da táctica. Sei do que falo, que vou a caminho do Porto com o Bas Dost. A ausência do nosso matador é bluff. Vai jogar. Verbo que nele rima com marcar, a dobrar, ou a triplicar.

 

PS. Vergonhoso o artigo do director do Correio da Manhã. Embora hilariante, ao mesmo tempo. À frente de um título que quase sempre deseduca as massas (porque são realmente muitos os que o lêem), Octávio Ribeiro dedica um texto às questões da educação. Fá-lo não apenas alegando a falta de educação de um jogador de futebol do Sporting, mas também atirando-se, todo ele pertinaz, a sentida e preocupada análise ao que identifica como a deseducação que grassa no país. Haverá coisa mais desproporcionada, descabida e ridícula? Foi só um grande jogador de futebol que tirou a camisola, num momento de incontida alegria e euforia. Que diabo, o Gelson é rapaz bem formado, seria lá ele capaz de publicar alguma das muitas chocantes, perversas e absolutamente deseducativas manchetes do CM.

Jogo de campeão

Só um campeão ganha um jogo como este. Tínhamos de ganhar. Quisemos ganhar. Jogámos para ganhar. Ganhámos.

Um campeão é feito disto: sofrimento, muita entrega, um enorme compromisso. Os nossos nunca atiraram a toalha ao chão. Parabéns, equipa!

Obrigado, Leões. Para rima só me lembro de campeões, leões.  

"Atão?" Não estava a direcção do Sporting contra a cartilha?

Meses e meses a denunciar a existência da mais que reprovável e condenável cartilha benfiquista, que mina e cega a verdade desportiva; e, em poucos segundos, do alto do seu púlpito, o Presidente do Sporting espalhou também ele a sua cartilha. 

Tenho a certeza, no entanto, que os sportinguistas vão continuar a comprar jornais e a ver a miríade de tv´s portuguesas. Como estou mais do que convicto que os comentadores que vestem as nossas cores nas televisões por lá vão continuar. Vão continuar a defender o Sporting pensando pelas cabeças deles. 

Pergunto: Haveria cartilha maior se assim não fosse?

"A hora mais negra"

Batiam as 21h06 deste sábado 17 de Fevereiro de 2018, quando o adorado, adulado, mimado, desejado, mas - e se calhar também por isso mesmo - o também caprichoso, chantagista, divisionista, o ainda mais todo poderoso Presidente do Sporting gritou do púlpito a condição para largar o Facebook: “Não comprarmos nenhum jornal.”, “Não vejam nenhum canal de televisão português.”, “Que todos, mas todos, os comentadores afectos ao Sporting abandonem de imediato os programas.”

A hora mais negra deste filme (será Drama ou Terror?, divido-me), essa famigerada hora trouxe-me duas certezas. A primeira é a de que na presidência temos uma pessoa que usa tácticas iguais às utilizadas no passado pelos demais homólogos, instigando as massas contra todos aqueles que dele discordam. e com isto, meus caros, neste capítulo, infelizmente, não somos nada diferentes dos outros, mas iguais. Lamentável. 

Penosa é também a segunda certeza que para mim retiro da Assembleia Geral extraordinária; e também dos dias que a antecederam e, sobretudo, das razões que levaram à sua convocação, e essa é a convicção de que deixei de ter um líder à frente do Sporting e passei a ter um chefe.

 

Classificação

Crise no Sporting provocada pelo Presidente do clube: zero pontos. Derrotas da equipa principal de futebol leonino: 2.

Demagógico? Sim, está mais perto de o ser que o contrário. Embora, sendo eu dos leões, prefira a versão do bode que se agarra para expiar delitos nossos. E tendo eu abraçado o slogan Feito de Sporting, alguém tem de levar com a minha frustração. 

É inevitável virar-me para o Presidente, o que é diferente de virar-me contra o Presidente.

Já aqui escrevi que não consigo defender Bruno de Carvalho, posição que poderá ser entendida como absoluta, pedindo, por isso, um esclarecimento. Um situar em campo.

Como defender o vencedor das eleições de Março passado com impressionantes 86% dos votos, quando, nem um ano depois, ele tenta marcar golos a seu favor vociferando de um púlpito contra quem lhe deu a vitória esmagadora, robustíssima. Praticamente indestrutível perante as maiores tormentas que o timoneiro possa enfrentar ao longo de quatro anos de mandato. Esse Presidente, não, não consigo defendê-lo. Nem devo. Menos ainda quando quer ganhar de goleada contra uma "oposição" que não existe. Além de a massa invisível de opositores que o dark side do Presidente inventou, não há uma oposição organizada no Sporting. Apostada em derrubar a actual direcção. Boicotando-lhe os sucessos. Fazendo-lhe a vida negra. 

No Sporting, que verdadeiramente se conheça, não há oposição, mas se houvesse seria a circunstância mais natural do mundo.

O nosso clube é gigantesco porque é feito da imensa pluralidade social, profissional, geracional. E é na pluralidade da opinião, da vontade de a expressar e convicção para o fazer que a grandeza se afirma. E não é preciso ter dotes divinatórios para saber que assim continuará a ser. Assim seremos sempre.

Bruno de Carvalho continua a ter créditos. Muitos. E esse Presidente defendê-lo-ei. Faz hoje anos, dou-lhe os parabéns, na esperança que a idade some maturidade e temperança.  

Insubstituível no Sporting só o Sporting

Presidente,

não consigo defendê-lo mais.

Verá que já nem uso Exmo. Sr. quando a si me dirijo, Presidente, porque, hoje, de Presidente, Presidente, só o vejo naquele boneco do Herman que passava todo o sketch na anedótica ladainha: "Eu é que sou o Presidente da Junta!"

Não consigo defendê-lo mais, Bruno de Carvalho. E isto é o que mais quero dizer-lhe. 

Seja na presença de lampiões, andrades e sportinguistas, ou na solitária clubite, não mais vou estar do lado de cá das cordas, vendo-o a si, lá dentro do ringue, exaurido e todo ensanguentado, aos murros... num saco. Em mim não os dará, mais. Deixo-o na arena por si criada, lutando contra os temíveis gladiadores por si inventados, que eu estou fora desse circo. 

Votei em si para a Presidência do Sporting mas já não consigo defendê-lo mais. O Presidente não é o Sporting e eu vou dedicar-me apenas e só a defender o Sporting. Uma defesa que começa por dizer-lhe do inaceitável que é impor condições para continuar a liderar o clube. Uma chantagem intolerável. 

Durante longos e penosíssimos minutos em directo em todas as televisões, as suas declarações, metáforas, lógicas, desabafos, vitimizações incomodaram-me. Incomodam-me. Se com isso até posso bem, mais difícil é lidar com o rótulo que me coloca impondo-me condições para continuar a ser Presidente.

Já dei para o peditório da parte gaga do "agarrem-me se não fujo". Isso apouca-me como sportinguista, e ainda que tenha curiosidade em conhecer a Coreia do Norte, não quero que o José Alvalade passe para o Campo Grande de Pyongyang.

Tão expedito numas coisas, Presidente, e tantas e tantas vezes tão inábil para gerir o clube, as nossas expectativas, vitórias e derrotas. É de uma bipolaridade desconcertante. E, repito, indefensável. 

Custa-me dizê-lo, acredite, mas aconteceu-lhe o que acontece a treinadores e jogadores que aplaudimos e passámos a rejeitar. Lamento, Presidente, mas para mim, o Presidente passou de bestial a besta. 

O pano de fundo, julgo, ficou claro: repudio um Presidente com tiques de Presidente Sol, todo ele absoluto, avesso a pluralidades, só adepto das modalidades várias da sua magnífica liderança. Mas há ainda o timing desta estuporada crise. Caramba! Então estamos em primeiro lugar do campeonato de futebol e o Presidente ameaça bater com a porta? Estamos a horas da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal e a equipa e nós temos de aturar-lhe birras? 

Dia 17 saber-se-á qual será o seu futuro, Presidente, mas hoje já todos sabemos que insubstiuíveis no Sporting só o Sporting e a sua imensa massa adepta que faz do Sporting um dos maiores clubes nacionais, cujo todo é maior que a soma das partes.

 

PS. Os belíssimos, esclarecidos e construtivos textos que fui lendo no És a Nossa Fé sobre este problema começaram por inibir a minha participação nesta discussão, afinal, perguntei-me, que tinha para acrescentar? Estava tudo dito e tão bem dito. A resposta está tão só na impossibilidade de calar a minha indignação. Não posso permitir que o Presidente do meu clube me confunda com um adversário do meu Sporting.

"O que passou-se?"

Oiço a Rádio, sou bombardeado com as notificações noticiosas no telemóvel, leio os vários "Última Hora" nos rodapés das televisões e só me me lembro do Robert Duvall a dizer-nos: "Adoro o cheiro a napalm pela manhã".

Primeiro a manchete do Expresso deste fim-de-semana, agora as notícias das buscas à casa do juiz Rangel, à residência do Luís Filipe Vieira, à SAD do Benfica. Ainda o ministro das Finanças a dizer que sai do Governo se for constituído arguido num processo de alegado favorecimento fiscal aos filhos do presidente do Benfica. Mais os emails da cúpula encarnada e demais cartilheiros do clube da Luz. Os alimentícios vouchers. As suspeitas sobre jogadores comprados para facilitar a vitória da equipa de Rui Vitória. 

Uma soma que culmina agora na notícia: Luís Filipe Vieira constituído arguido.

É verdade, não se pode especular, há que presumir inocências até trânsitos em julgado, claro que sim, mas e parafraseando outro momento do cinema "It´s beyond my control" e por isso não escapo à frase do imortal Apocalypse Now do Coppola: "Adoro o cheiro a napalm pela manhã". 

É muito fumo para não haver fogo.

 

P. S.: Um aplauso ainda para o nosso edifício judicial. Ex-primeiro-ministro investigado e a caminho de julgamento, destino igual para o mais poderoso banqueiro do regime e, agora, o Presidente do Benfica a braços com a Justiça. Tudo coisas do campo da ficção há uns anos apenas, hoje tão reais como muitas das vitórias encarnadas foram marteladas e que desembocaram na percepção de uma grandeza que, afinal, pode não ser mais do que mera ficção.

Todos a queriam

Arrancada a ferros ou não, não quero saber. Como diria a Teresa Guilherme "isso agora não interessa nada". Jogámos pedras, na Pedreira, dizem uns. As finais só as safámos nos penáltis, rematam outros. Sim, foi isso tudo mas "ca sa lixe". Festejo. E cheio de ganas por mais. Ambicioso. Ganhar leva a ganhar mais e nós ganhámos o troféu que todos queriam. Sem se pouparem aos esforços usaram as melhores armas para conquistá-lo. Não conseguiram. Não, isso só nós, no entanto ao lutarem por isso dignificaram a competição. Valorizaram ainda mais o nosso título. 

Qual taça da carica, qual quê? Para a história ficará isto: uns apanharam-nos pela frente e ficaram para trás. O Porto, que ainda não tinha caído nas competições internas, connosco foi ao tapete na meia-final da prova. Sofrida? Sim. Mas vitoriosa! Outros ficaram-se pelo caminho, batidos por aqueles que batemos na final.

Ganhar leva a ganhar mais. É coisa de hábito. Talvez por isso um tipo tenha tendência para relativizar, desvalorizar, até, a proeza de ontem, em vez de lhe dar valor. Afinal, a coisa é estranha. Nos últimos anos fomo-nos habituando a perder.

Tudo bem, percebo quem não queira embandeirar em arco, também sei que somos apenas "Campeões de Inverno", estou com os pés assentes no chão; mas estou também com o poeta, que esse é que sabia da coisa. Dizia ele que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". E a memória tenho-a entranhada com aquelas imagens dos nossos, todos eles dentes, de espumante na mão, correndo pelo campo, saltando para as cavalitas do que está logo ali ao lado, posando para a fotografia de família, debaixo de intensa chuva de confetis brilhantes.

A conquista da Taça da Liga foi sofrida mas nada, em tempo algum, sofrível. Ganhar leva a ganhar e é coisa de hábito. Habituem-se!

De pais para filhos e de filhos para pais

Ela 16 anos, já campeã, portanto. Ele o responsável por esse estatuto, que quem sai aos seus não degenera.    

Toca o telefone. Atendo.

 

- Pai, olá. - Sem tempo para retribuir a saborosa presença, do outro lado logo oiço: Ganhámos, caramba!!!

- Pimba! Ganhámos. Estamos na final.

- Grande Sporting. E logo contra o Porto. Não vi o jogo. Como é que foi?

 - 0/0 nos 90 minutos e vitória nos penáltis que não consegui ver. Não tenho nervos para aquilo. 

- Pois, imagino. - E ri-se. Um riso, primeiro, alimentado na cumplicidade que temos; a seguir, fruto do festejo da vitória conseguida em Braga. Bela partilha. Belo riso.

Ainda eu embalado e contagiado pela alegria de ambos, e, de novo, novo acerto.  

- Mas o Patrício estava na baliza, não estava? 

- O guardião das nossas redes, sim, estava. São Patrício, filha. Monumental. Fez duas defesas que nos deram a passagem. Pôs a baliza do tamanho de uma de hóquei.

- Contra o Porto. Que bem que sabe, pai. E agora a final!

- É, mas falta ganhá-la. Não ganhámos nada ainda. Jogamos contra o Setúbal que nos tirou dois pontos na última jornada do campeonato. Foi também com eles que perdemos a primeira final da Taça da Liga.

- Pois...

Passado um ligeiríssimo silêncio, tempo suficiente para a devida reflexão, confirmo que nesta coisa do sportinguismo já nada tenho a ensinar, só a viver em família.

- Espero que na final de sábado a equipa não se esqueça desses dois pontos perdidos no campeonato e jogue contra o Setúbal completamente decidida a ganhar o troféu. Somos melhores e mais fortes que eles, pai. 

Feita a análise, mais uma interrogação.

- E se ganharmos a final?  

- É uma festa. Mais um título. - Respondo.

- Mas vamos esperá-los ao estádio, não vamos?

Da minha boca é uma gargalhada que sai, irreflectida e sonora. Mais que isso, num repente transformada em mero ruído de tão isolada. Só eu ria. Do lado de lá, nem um som. Mas há silêncios mais ruidosos que a assembleia de Alvalade a vaiar o Carrillo, por exemplo. E este era um deles. Do lado de lá da chamada, berrava-me a incredulidade de uma filha, toda ela condenando o comportamento do pai, que achou descabida, cómica, anedótica, até, a ideia de celebrar o feito da equipa com a equipa que apoia, pela qual sofre e ensinou a apoiar. 

Era inevitável. Paulatinamente a gargalhada apaga-se, e no seu lugar instala-se a memória dos festejos do último título que conquistámos e que pai, filhas e amigos festejaram no estádio, na nossa casa.

Estamos à beira de o repetir. De ganhar mais um título. Como diz o 'slogan' de ser o Campeão de Inverno. É com títulos que nos engrandecemos. Quantos mais títulos conquistarmos maiores ficamos. Todos os títulos contam. Todos devem ser celebrados. Estamos na final. Estamos a um jogo de ganhar mais um troféu.

Quero muito todos os troféus, a começar, já, pelo de sábado. Viva o Sporting Clube de Portugal.

Os teus murros, Coentrão

Também dei uns socos, Fábio. Estivesse eu nas tuas chuteiras e, como tu, teria atirado os punhos contra o banco de suplentes, com tantas ou até mais ganas que tu. Acontece que, longe do Bonfim, e das câmaras de TV, as minhas mãos fechadas acabaram com ruidoso estrondo na porta de um armário que cá tenho em casa. Safou-se a televisão, menos mau.

No entanto, mais que a confidência das pedras que lancei (que as dores, essas não as escondo), interessa-me, sim, deter-me nas tuas. Nas que tu arremessaste.

És um campeão. Ganhaste títulos, muitos. Mas eu percebo-te. Chegaste à glória do futebol nacional com equipas lideradas pelo mesmo timoneiro que ontem, em Setúbal, comandava o banco que esmurraste. Com ele ao leme das equipas que te puseram no Olimpo do futebol português entravas em campo e limpavas tudo. Varrias a lateral esquerda com soberba e confiança inabaláveis, ao mesmo tempo olhavas para a lateral direita e para o centro do terreno e vias, em linha contigo, um rolo compressor imparável, inesgotavelmente alimentado com ambição desmedida e insaciável fome de golos. Percebo-te, Fábio. Por isso pergunto-me se os murros que deste foram, afinal, contra a alma chata da tua equipa e na qual, digo-te, tantas vezes fazes a diferença. Dá um gozo tremendo ver-te a varrer o corredor esquerdo. 

Terás tu dado uns selos no calculismo, no resultadismo, na manha, na contenção, no cinismo que o mister hoje prefere pôr na batalha? Socaste tu a falta de ambição do Jesus, o gestor da vantagem mínima sobre o penúltimo da tabela? Foi isso? Se foi, então, estamos no mesmo barco. A diferença é que tu podes descarregar no banco de suplentes e eu numas coisas do IKEA. 

 

PS. Fiz um esforço enorme, mas, com franqueza, não vi o Luís Filipe Vieira mandar sair de jogo o Rúben Ribeiro e a pôr o Battaglia. Não vi o Janela dar indicações aos nossos de que a anorética vantagem sobre os sadinos era q.b.

Os murros dou-os sobretudo por causa disto: perdemos a liderança por culpa exclusivamente nossa. E agora, receio, estamos mais perto de deixar de depender só de nós.

Agora é que a bancada vem abaixo

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Bem-vindo, craque! Imagino já os teus festejos no Dragão, dando a marcar e a marcar os golos da vitória. Conquistando os três pontos. E com isso contribuir para que a bancada pintada com as nossas cores venha abaixo. Incapaz de suster os saltos de campeão. 

Como um salto leva a outro será ainda por causa da enormíssima qualidade que partilhas com os teus velhos e novos companheiros de equipa, que o FCP "tomará todas as medidas que os regulamentos em vigor permitem" para, leia-se, ganhar os três pontos na secretaria. Ao intervalo perde por um zero, mais vale não arriscar, não ficar por ligeiros tremores e mandar definitivamente a bancada abaixo.

Contigo, grande Montero, a bancada vem mesmo abaixo! Como sabemos a que ficará em cacos, não está no Estoril. Está nas Antas.

Pensamento matinal positivo

Entre a algazarra festiva das roulotes, os golos na cerveja e os mais saborosos ainda oferecidos pelo enormíssimo Dost, a seguir; ali, de courato na mão, lá ouvi aquele esverdeado fatalismo, tantas vezes propalado em surdina: "Epá, estou com um feeling que hoje escorregamos. Já começou mal no futsal..."

Horas depois, já sabemos como foi. Tal como o courato, que nada pôde contra a minha vontade de o reduzir à sua limitadíssima significância, também o Desportivo das Aves nada pôde contra a vontade de vencer do Sporting. Ainda tentou levantar voo, atirando uma bola à trave do nosso guardião, ainda fez um ou outro passe de ruptura bem medido nas costas da nossa defesa, mas o Leão mais que saber prender-lhe as asas, fez impiedoso uso das suas armas, atirando três tiros certeiros, sem resposta. Ganhadores. 

 

A superioridade da nossa equipa face ao oponente da vila das Aves não merece discussão, antes, durante e depois dos noventa minutos, mesmo assim, na bancada houve quem tivesse tido calafrios e não por causa do frio nocturno. Nas nossas hostes há uma desconfiança, um pessimismo, um derrotismo atávicos, que moem, primeiro, e chateiam, depois. E eu, mea culpa, mea culpa, a espaços caio na esparrela. Por essa e tantas outras razões ainda bem que não sou jogador. Não tenho dúvida: se os nossos entrassem em campo e lá estivessem com o estado de espírito que às vezes me tolda a convicção que tenho da nossa força, certamente que os nossos jogos seriam de dó.  

 

A todos que possamos duvidar da qualidade e valor da nossa equipa, convido a imaginarmos todo um estádio de futebol dominado por essa energia negativa. A coisa, além de entrar para o Guinness como um dos mais maciços exercícios de masoquismo, levaria a uma derrota das nossas cores garantidamente, também. Se o convite não convence, desafio-vos então a pensar que no trabalho de cada um, à nossa volta, apenas uma ínfima minoria acredita que cumpriremos a nossa obrigação, que faremos bem o nosso trabalho. Um pesadelo, não é?

 

Mais bonito, e seguramente muito mais sportinguista, foram e são as palmas que ontem batemos ao Rúben Ribeiro. Belos aplausos a cada recuperação de bola que o novo camisola 7 fez. E a camisola assenta-lhe bem. E nós nunca a vimos no mesmo sítio. É jogador, o Rúben. Sempre a criar linhas de passe, sempre a querer bola, dando-se ao jogo e dando jogo aos companheiros com quem parece ter jogado vai para várias temporadas. Grande aquisição! E nós devemos aprender com o Rúben Ribeiro. "Vim para ser campeão", disse já o jogador como tantos outros, mas jogou já para isso. O homem diz ainda que chegou ao maior clube português. Ouviram? O Rúben Ribeiro diz que chegou ao maior clube português!!! Cumpre um sonho. Ponto alto da carreira. Tudo fará para que o Sporting seja ainda maior, tenha ainda mais títulos. Ontem, repito-me, jogou para isso. Aprendamos com o Rúben Ribeiro.

"DOST TRIPLA", "TOMA LÁ MAIS TRÊS", "FÓRMULA DOST", titulam os matutinos desportivos que me convidam a titular como titulo esta que é a minha estreia no És a Nossa Fé. Sabe tão bem acordar com parangonas destas espalhadas pelas bancas, mesas de cafés, sala de espera de consultórios vários. Lembrar a nossa grandeza e força, logo pela matina.

 

O espírito leva-me ainda à recordação de um anúncio ao leite Matinal: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?" Perguntava-se em voz off. Se nós sportinguistas não gostarmos de nós, sabemos que ninguém gostará. A nossa grandeza mede-se muito pela grandeza com que apoiamos e acreditamos em nós, no nosso Sporting Clube de Portugal. 

Mais. O prazo de validade deste convite não deve esgotar-se hoje em caso de vitória do Porto e nós perdermos a liderança. Este convite é válido até Maio. Todos os meses de Maio de todos os campeonatos nacionais de futebol. 

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