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És a nossa Fé!

Godinhices

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O título deste post podia ser mais uma vez "Os filhos da puta", mas eles são tantos que desta vez vale a pena individualizar. O filho da puta de hoje foi um rapaz de nome Godinho e apelido Gatuno.

Mas não foi apenas ele, outros em Oeiras fizeram parte da pandilha que mais uma vez descaradamente nos roubou, uma pandilha que se intitula de VAR (Vamos Ali Roubar).

Esta jogada, a ser analisada correctamente, daria a possibilidade de o Sporting marcar, a expulsão do jogador que cometeu o penalti e a do treinador Sérgio Conceição, pelo "vai pó caralho, pá!" com o que isso poderia significar com toda uma segunda parte para jogar.

Ao contrário, o animal não só reverteu a decisão, como fingiu não ouvir a boca de Conceição. Mas ouviu um "vergonha" vindo do banco do Sporting, que atribuiu a Ruben Amorin, expulsando-o.

E eis como um filho da puta consegue em dois minutos esfrangalhar uma equipa e moralizar a outra.

Assim, vai ser muito difícil. Assim e receber um campeão europeu e não o meter de início na equipa, mas esses são outros quinhentos.

 

Logo joga a selecção

Histórico Portugal-Suécia: Em terras lusas mandam os vikings (e de que maneira). No 1.º jogo, Portugal levou 6-2

 

No seguimento do excelente post do AntónioF, mesmo aqui antes deste, quero lembrar que hoje teremos uma equipa "de todos nós" como é usual dizer-se, muito mais coesa, a fazer circular muito melhor a bola, a ter muito mais recursos de jogo, a fazer brilhar as estrelas que constituem este emblema ainda campeão da Europa em título. E tudo isto por culpa, perdão, pela feliz coincidência da ausência de Ronaldo, covidado, que não deixa irradiar a magnitude dos colegas e qual puto dono da bola a quer só para ele, tornando o jogo da selecção maçador, entendiante, previsível e deixando todos os outros reféns do seu humor futebolístico, que como se viu nos dois últimos jogos foi um dó de ver.

Quem me disse isto foi o Tadeia e o Lobo e o Rita, quando lhes perguntei o que achavam do jogo de logo à noite.

Entretanto ontem ouvi o seleccionador/treinador dizer que um grupo nunca fica melhor sem o seu melhor.

Tendo em dar mais crédito aos primeiros. O que é que o Fernando Santos percebe de bola, pá?

Uma boa venda

Como é que uma derrota humilhante pode ser o ponto de partida para algo que se vislumbra de muito melhor?

Ora, ter que vender (não gosto do termo, mas vai assim) o Wendel para fazer face a despesas de funcionamento, que empastelava o jogo a meio-campo, que permitia a colocação das defesas adversárias (sim, muito bom tecnicamente, mas também muito trapalhão) e que por via disso a maior parte das vezes ou vinha ele, ou vinha a bola para zonas recuadas do terreno de jogo, perdendo-se inúmeras ocasiões de "dar cabo" do adversário.

Ora hoje marcámos cedo, como se pedia depois do desgaste de quinta feira e em jogadas rápidas e com dois maravilhosos golos; Um deles, o primeiro, por Nuno Mendes, um jovem de 18 anos lá do alfovre, de levantar o estádio estivessem lá espectadores.

Nem tudo está bem, aquelas saídas de bola dão-me cabo do coração, mas também tivemos um Neto que talvez tivesse hoje feito o melhor jogo de listada no corpo.

Como quem aqui faz a análise ao jogo é o "chefe de redacção", eu vim cá só registar que por vezes há males que vêm por bem, mas também que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Quero registar também que foi um final de semana 100% vitorioso. Ganhámos todos os jogos de todas as modalidades em que estivemos envolvidos, masculinos e femininos. Um clube grande, como os maiores da Europa, já está quase...

Cristiano sim, Cristiano não, Cristiano s...

Confesso que me é indiferente o nome por que tratem o centro de estágio e formação, vulgo Academia, do Sporting Clube de Portugal. Para mim será sempre Alcochete em privado e Academia Sporting em público.

É um facto que Ronaldo, a par das públicas e carinhosas manifestações de sportinguismo, é o melhor produto da formação de sempre e não me choca nada que a SAD atribua o seu nome ao seu centro de formação, disse bem, a SAD, porque ali o clube já não manda... Espera! Mas o clube não detém a maioria da administração da SAD? E todas as decisões importantes e esta é importante (terá um largo concesso, admito), não deverão ser objecto de consulta aos sócios, donos do clube que detém a mioria da SAD? Adiante, fico expectante sobre a forma como irá ser utilizado o nome de Luis Figo, um pouco mais modesto em títulos e troféus, mas também ele com uma bola d'ouro e como irá reagir a sua "entourage" que circula pelos corredores de Alvalade.

A questão pertinente é sempre a mesma: O clube deverá "usar" as suas glórias (atletas) passadas e presentes em seu benefício, sendo que as estará em simultâneo a homenagear? Definitivamente sim! A ideia de dar nomes de atletas às portas do estádio é uma boa ideia? Sim, claro! Eu sugeria até que se nomeassem as bancadas também,  bem como as portas e bancadas do pavilhão e a praça onde estão as bilheteiras, "Praça Carlos Lopes", "Praça Aldegalega", "Largo Fernando Mamede" "Alameda Moniz Pereira" e por aí fora, todo o espaço propriedade do clube, com a respectiva placa identificativa; Nunca é demais darmos o mérito e o reconhecimento a quem nos serviu.

Por isso sim, que se chame Academia Cristiano Ronaldo ao centro de formação do Sporting em Alcochete. O que eu questiono é o tempo da decisão ou da divulgação da decisão. Confesso que estou aqui em pulgas para saber quando é que sai um novo nome de mais uma porta do estádio, será ainda esta semana, antes da AG eleitoral, desculpem de aprovação do orçamento?

É triste que este que deveria ser um não assunto, seja escolhido meticulosamente para a semana da realização de uma AG (a possível, com contornos muito especiais, a roçar a ilegalidade até, mas tolerável por motivos atendíveis) tão importante para o futuro do clube, com o intuito claro de desviar as atenções do essencial, que são as desastrosas contas apresentadas.

Daqueles que vão ler este postal, passa-vos pela cabeça que no universo Sporting haja empresas ligadas ao imobiliário (criadas algumas nos idos da gestão Roquette) que têm largas dezenas de milhões de Euros de capitais negativos? Prejuízo, para o comum dos mortais como eu! Quem são os administradores destas empresas? Quem se está a servir do clube para ir dando rombos que ascendem a mais de 200M€, já?

Isto sim, é importante, dar o nome de Cristiano Ronaldo ao centro de formação é assunto que não o é. E posts de análise a contas, zero, posts sobre Ronaldo, vão quatro! Goleada, como se pretendia.

Vale sempre a pena, perdoem a imodéstia

Publiquei aqui há três dias um postal em que criticava o facto de na convocatória da AG de dia 26 próximo, não haver referência à possibilidade de serem colocadas perguntas sobre os pontos que vão a votação.

Quero crer que alguém responsável lerá o És a Nossa Fé e terá o CD caído em si e visto que seria mau não haver esta possibilidade.

Assim, deixem-nos colher os louros da decisão agora tomada. A bem da (possível) transparência.

Assembleia Geral

Saiu a convocatória da AG que estatutariamente deveria ter tido lugar em Junho. Por razões óbvias foi adiada, no entanto cabe perguntar se nos mesmos moldes em que esta vai ser realizada, não se poderia ter cumprido o calendário, os estautos e a legislação. Não faz qualquer sentido iniciar uma época sem orçamento aprovado, funcionando a duodécimos de um orçamento com números/valores/verbas que sabemos vão ser encurtados.

Não faz sentido para mim que, apesar da pandemia e da necessária garantia das condições de segurança sanitária, esta AG seja equiparada a uma AG eleitoral, numa espécie de toca e foge, sem qualquer hipótese de se questionar os documentos a votação.

Deveria, a bem da transparência, durante o período de consulta, ser possível aos sócios colocarem uma ou duas questões (para não ser fastidioso responder) que seriam respondidas até ao dia da votação.

É minha convicção que este orçamento será votado pela maior ou menor simpatia dos sócios que se deslocarem à AG pelo presidente do Sporting em exercício, já que a maior parte deles não consultará os documentos à disposição e os que o queiram fazer e colocar questões que poderiam eventualmente alterar o seu sentido de voto, estão impedidos de o fazer.

É esta a postura do senhor PMAG, que tendo quase quatro meses para preparar a reunião magna do clube, com assuntos tão delicados e importantes na ordem de trabalhos, se esteve mais uma vez borrifando para os seus consócios.

No final do dia 26 veremos a cor do fumo...

O paradoxo do futebol a triplicar

Dia triste para o futebol nacional. O Benfica foi afastado do acesso à pré-eliminatória que lhe daria o acesso à fase de grupos, que lhe daria o acesso à fase a eliminar, que lhe daria acesso à final da Liga dos Campeões e a ter acesso a conquistar um troféu que por mor de uma maldição (dizem) lançada por um húngaro que os treinou há cerca de setenta anos, tem visto por um canudo (ufff, que quase tive um acesso de falta de ar).

A propósito de canudo, de Braga saiu o treinador da equipa que confirmou que Béla Guttmann ainda tem os orixás em alta. Tão em alta que os três golos da desgraçada derrota (2-1 para o adversário numa eliminatória de um só jogo) foram marcados por jogadores do... Benfica! Bom, um deles já não é do Benfica, foi dispensado para se poupar dinheiro. Saiu no jornal oficial do clube, A Bola, que com a saída do marcador do segundo golo dos gregos (com gregos a tarefa é sempre árdua, a malta vê-se grega para lhes ganhar, desculpem a piada fácil) o Benfica poupou pouco mais de um milhão de Euros (1,3M€), demonstrando uma capacidade de gestão extraordinária ao rescindir com o sérvio Zivkovic. Ora, fazendo aqui umas contas rápidas de merceeiro, aquela rescisão custou à volta de 40 milhões aos cofres da lampionagem. Não faz mal, eles vão ali ao Novo Banco outra vez e resolvem!

 Ontem o Benfica arrasou na primeira parte, falhou até pelo menos dois golos feitos, mas o galo deixado atrás da baliza (agora dava jeito que o homem tivesse nascido em Barcelos e não em Penafiel) por Abel Ferreira com o intuito claro, todos percebemos, de se vingar das humilhações que por cá foi obrigado a sofrer sempre que defrontou os encarnados enquanto treinador do Braga, não deixou que o futebol avassalador dos portugueses fosse abrilhantado pelo sal do jogo. 

E como quem não marca sofre, na segunda parte primeiro por Verthongen na própria baliza (não evitaria o golo, já que havia um grego a quem se antecipou que o faria) e depois pelo tal sérvio da poupança, o Benfica encaixou dois no bornal e se desorientados andavam com o primeiro golo sofrido, com o segundo o rolo compressor, o futebol tríplice do Benfica (olá Jorge Jesus, bem vindo à realidade do futebol sem favores e colinho), transformou-se num grupo de casados, alguns barrigudos como eu e cheios de mazelas nos joelhos, que não mais se encontraram e o golo apontado por Rafa já nos descontos não veio acrescentar nada, o jogo estava mais que controlado pelos do PAOK de Salónica.

Eu não tenho dúvidas que a nível interno, se entretanto Vieira ganhar as eleições como está cozinhado, o investimento de 100 milhões (calma, as contas estão certas, o novo Guttmann ainda quer que lhe comprem mais gente para a defesa, portanto não andará longe disso no final do dia) dará frutos, perdão, fruta limpinha pronta a comer e só uma pandemia lhes retirará o primeiro lugar. Mas o que fazer então àquele rapaz Uruguaio e ao outro brasileiro que vieram para ser campeões europeus pelo Benfica? Olha, se calhar atrevo-me aqui a dar um conselho a Vieira: Que rescinda com eles para poupar uns cobres, ou que os venda ao PAOK. Assim pelo menos sempre têm uma vaga hipótese...

Espera-os a Liga Europa, onde corremos o risco de não chegar, porque temos uma pré-eliminatória para disputar e porque temos mais de meia equipa infectada com Covid, havendo a possibilidade de sermos eliminados sem sequer jogar, mas se tudo correr como desejamos, seria interessante disputar a final com o Benfica. É que temos umas continhas a ajustar com Jorge Jesus...

Copiões

Viram o Vieira ir à segunda divisão espanhola buscar um rapaz com um joelho preso por arames, que custou muito "arame", vinte e seis milhões de euros, que foi... tchan, tchan, tchannnn! o QUARTO MELHOR marcador da segunda liga espanhola (vá, vamos todos sorrir e demonstrar que entendemos o negócio, que isto com aquela malta nunca muda muito a música) e que hoje no Record já lá vem que marcou dois golaços. Num jogo treino. E então vai de encomendar dois terços da capa do Record com um rapaz colombiano (alguma joint venture com a JL?), que pertence a um clube da segunda liga inglesa onde não tinha lugar, tendo sido emprestado a um clube espanhol também da segunda liga em que estamos interessados. Mas o "nosso" é melhor que o uruguaio do Benfica, que marcou 16 golos em 32 jogos (entre várias competições), o "nosso" marcou 19 golos. Ah! foi em 39 jogos? Raios, lá se vai a média...

Mas o "nosso" é muito mais barato, dirão. Em contas de merceeiro ficará por 9M€ (5M€ por 60% do passe).

Estão a ver como se amacia sócios e adeptos? "Trazemos um avançado do mesmo sítio do "deles", mas muito mais barato e com muito mais golos e sem lesões no histórico, somos "munta" bons!" Não sei bem é quem virá dizer isto, o "nosso" capitão é que não certamente, que ele conversas com os sócios "tá quieto macaquinho". Virá o (a)Ze(l)nha. Ou outro qualquer lá do fim da lista que foi cooptado para a direcção, o assunto é de lana caprina...

Não se esqueçam da última abécula que foram contratar a um campeonato secundário a Inglaterra (Ilori).

Eu não me esqueço.

Bom, e se vier, garantam que têm dinheiro para o pagar, que já chega de passar vergonhas e ser tido por caloteiros um pouco por todo o lado.

Sonho de uma noite de Verão

Ontem, como milhões de pessoas no Mundo inteiro, assisti à final da Liga dos Campeões disputada no nosso país, ali naquele estádio junto ao Colombo.

Frente a frente dois conceitos de clube completamente antagónicos: O Bayern de Munique um clube dos sócios, há muito dirigido por ex-jogadores (deve ser coisa quase inédita no mundo do futebol), agora por Karl-Heinz Rummeningge e antes por Franz Beckenbauer e o Paris Saint-Germain, propriedade de um magnata do Qatar, que diziam os papagaios da TVI ter investido nos últimos anos 1,2 mil milhões de Euros em aquisições (alô fair-play financeiro!).

Nem sempre se pode ganhar por oito golos e mesmo que os golos sejam o sal do jogo, a final de ontem pareceu-me muito bem disputada, principalmente até ao golo dos alemães, curiosamente marcado por um miúdo que começou nos franceses, pelo qual foi duas vezes campeão, até. Depois disso, veio ao de cima o factor "equipa" do Bayern, e foi por aí abaixo o factor "conjunto" do PSG, que passou a praticar um futebol desgarrado, à procura do milagre Neymar que não apareceu.

Ganhou quem eu gostava que ganhasse. Não por ter uma simpatia por aí além com os bávaros, mas porque plasmam o que eu entendo dever ser um clube de futebol, nesta época mercantilista e da ditadura do dinheiro associada ao desporto. Um clube detido pelos sócios, terá sempre mais "um bocadinho assim" de energia na hora da verdade, porque a força dos seus associados está também lá dentro, onde os onze lutam pelo emblema. E porque o futebol é paixão e por uma questão de princípio, não me estou a ver um dia a torcer por um clube propriedade dum fulano qualquer, ou duma sociedade por quotas qualquer.

Chegámos ao ponto: Adormecida com a época das contratações, que desta vez foram cautelosas e aparentemente acertadas, que isto sendo como os melões, há sempre uma probabilidade de dar certo e bem se os contratados não forem cromos do catálogo de um qualquer fornecedor e sim analizados por quem vai trabalhar com eles, adormecida, dizia eu, está a venda da maioria do capital da SAD do Sporting a investidores. A coisa por cá, com vários exemplos atrozes, não tem dado certo e como não estou a ver um Xeique do Qatar ou das vizinhanças que gaste o mesmo que o do PSG no Sporting, a venda do capital, tida por uns como inevitável, por outros como necessária e por outros vital para a sobrevivência do clube, não será mais que, salvo as devidas proporções, criar um PSG em Lisboa que precisou de mais de 400 jogos na era "qatarense" para chegar à final da LC (numa situação muito especial de pandemia), para a perder de forma clara para um clube poderoso. Já havia passado os "quartos" com alguma felicidade, no tempo suplementar. Tem ganho a nível interno, os factos demonstram-no, é inegável, mas será caso para perguntar a que custo. A sua superioridade evidente entre portas, ter-lhe-á retirado a competitividade e a rotina de enfrentar equipas da sua igualha e a questão que se coloca é esta mesmo: Haverá necessidade de gastar tanto dinheiro, "apenas" para ganhar campeonatos? Não será essa "gastança" uma necessidade de fazer rodar dinheiro com objectivos pouco claros a que inevitavelmente o nome do Sporting estaria associado, não apenas a comissões pagas a um sem número de abutres que pairam sobre o futebol, mas a lavagem de dinheiro oriundo de actividades ilícitas, algumas de crimes de sangue?

O PSG contorna o problema do fair play financeiro com pagamentos "em géneros", tanto nas transferências como nos vencimentos aos jogadores, numa manobra que de transparente não tem absolutamente nada. Eu não quero isto para o Sporting, porque para aqueles que defendem a venda da SAD, se não for para ganhar sempre como ganha o PSG, para quê então? Não, eu prefiro continuar a ter a ilusão (sim, nos tempos que correm é apenas ilusão dos sócios pensarem que mandam no clube, mas podem a qualquer momento decidir mandar, podem fazê-lo) de que posso contribuir para que o clube (por consequência a SAD detida maioritariamente por ele) seja uma entidade de bem.

E como é Verão e o tempo vai estando agradável, sonhar que um dia o clube tem dinheiro para pagar aos investidores privados e compre o capital da SAD que anda disperso e feche a porta da sociedade, assumindo-se como um Bayern! Sonhar não custa, pois não?

Robalo à Bulhão Pato

 

Passe a publicidade, o Terra Mar é um local em Ribamar onde se come divinamente. E até dá para ver a bola.

O jantarinho, escolhido depois das entradas, estava marcado para pouco depois das oito e eu disse ao meu amigo António que queria ver o Barça e a mesa lá estava, à nossa espera.

Quando marquei a hora, pensei que ia ver o jogo Barcelona vs Bayern Munchen nas calmas, mas quando me sentei e olhei para a pantalha a coisa estava muito negra para os "condais", conforme mostra o retrato tirado com o telefone.

E terminou com precisamente o dobro dos números.

Não me lembro de ter "ouvisto" o Braça ter uma derrota por tais números, seja qual for a competição e o presidente Bartomeu já diz que vai haver consequências. Mal fora...

Bom, lado positivo disto? Não é grande coisa, mas quando se falar no maior score dos de Munique na Champions, já não somos nós que aperecemos em primeiro, é um clube que rivaliza connosco em títulos, mas que nas últimas décadas está a anos-luz da nossa realidade. Para melhor, claro.

É chato, como diria o outro.

 

Ah! O título... foi o que nos aconchegou o estômago. Vão lá e experimentem.

Daqui do Ribatejo profundo

Varandas, Alves, o que se lê nos jornais não é nada animador. Essa coisa do i-voting, parece que dá a sensação de ser uma espécie de churrasquinho, mas ao contrário (se na remuneração há sócios considerados com dois anos de quotas em atraso, quem nos garante que estarão vivos e não haverá alguém a votar por eles?), vejam lá, aproveitem o bom tempo e saiam de fininho, que a vossa xico-espertice já começa a encher a paciência até aos accionistas da SAD. Diz-se por aqui... finjam que vão fazer o serviço e vão embora! O Sporting encarecidamente agradece.

As lapas e os barões alapados

Não fosse a silly season do Sporting all over the damn year e a gente até dava de barato as notícias das dívidas, como refere o Pedro Correia mais abaixo, que serão carvão mais ou menos intenso quanto maiores são as verbas supostamente em dívida e de quanto menos importantes no panorama futebolístico são os reclamantes e a que já vamos estando habituados. Nisto da bola quer-me parecer que todos devem a todos, o que define muito bem o quão inflacionado e irrealista é o panorama a nível global. Nada contra os empresários, os poucos que são sérios, mas eles são os enormes culpados por um mais que anunciado declíneo do futebol, pelo menos fora dos big five, como o conhecemos. O fosso que vai sendo cavado está na iminência de tornar todos os outros em pouco mais que meros fornecedores de matéria-prima para o circo dos ricos.

E a propósito de empresários e pagamentos ou falta deles, ressuscito o pagamento a Jorge Mendes de uma verba considerável num negócio que envolveu Rui Patrício e a renovação do contrato, bem como a compra da totalidade do passe. Entendeu e bem o Sporting liderado por Bruno de Carvalho na altura, que não seria devido a JM qualquer verba. O Sporting liderado por Frederico Varandas entendeu reverter esta situação e pagou cerca de 4M€ se a memória não me falha, por uma percentagem dos direitos económicos do jogador. Teve outro entendimento, com o qual estou em desacordo, mas adiante, responderá pelos seus erros de gestão cedo ou tarde. O que me espanta é que pouco tempo depois e na minha opinião com a mesma razão que assistiu à decisão do seu antecessor, decidiu não pagar à Sampdória uma mais-valia pela transferência do jogador Bruno Fernandes para Manchester. A questão aqui é, se me permitem a interpretação, que há uma clara dualidade de critérios (se paga a um terá que pagar ao outro, ou não paga a ambos, os motivos são semelhantes), que só se pode interpretar como uma dependência gritante dos bons(?) ofícios do super-agente, que pelo que temos visto tem retribuido a contento, com a colocação de verdadeiros craques nas nossas tropas, vulgo os Jesés coxos, marrecos e pernetas que por cá têm arribado e vão sorvendo os muitos milhões que Frederico Varandas se gaba de ter conseguido em vendas (e conseguiu, de forma tosca, mas já lá vamos), depauperando os cofres da SAD e do clube, como accionista maioritário da sociedade.

Já dizia um ex-primeiro-ministro que dívida não é para ser paga ( estranho conceito, este ), mas entre o deve e o haver a coisa deve andar equilibrada. Haverá eventualmente, num exercício de especulação apenas, uma falta de acerto de compromissos em que me parece que esta rapaziada que dirige(?) o clube parece ser barra. Jovem turco não é quem quer, é quem pode e sabe...

E vamos lá ao título do post então, com a notícia da venda (carvão? preparação dos sócios para o inevitável?) de Palhinha, com o Braga (grrrrrrrr!!!) a levar neste caso mais alguns milhões, num negócio surreal (algo a ver com o negócio Amorim?). Desculpem o meu péssimo francês, mas isto é mesmo sem vaselina... O título, dizia eu: Perante uma época desastrosa, com a quebra de todos os recordes negativos, menos o do sétimo lugar na classificação (grande desiderato!), uma conta de gerência aterradora (dizem eles, não eu que não entendo nada de finanças), depois da venda dos melhores activos desportivos e da preparação da venda dos poucos anéis que restam (ande umas linhas para trás), depois da contratação de nulidades e um fantasma onde gastaram grosso modo 150M€, entre custos de passes e vencimentos, com a contratação de um treinador sem a qualificação necessária, o segundo depois de Silas, que não ganhou a nenhum dos adversários directos e cujo passe custou a verba estratorférica de, custos totais, mais de 20M€ (indemnização ao... Braga! Vencimentos, equipa técnica), etc. etc. esta gente, liderada por um suposto representante dos associados, mas que em primeira instância representará outros interesses (onde raio já se viu um dirigente de um clube ser representante de um grupo interessado na compra da sua SAD?), que não cumpre descaradamente os estatutos, numa posição ditatorial (onde é que eu já ouvi falar em coreano em relação a dirigentes do Sporting?) que insiste em não dar a palavra aos sócios, utilizando um estratagema rasca de adiamento da AG para aprovação do orçamento, que será chumbado e onde haverá um expressivo voto de repúdio à gestão Varandas/Alves, para as calendas, denota um comportamento digno de...lapa! Para quem não conhece, a lapa é um molusco gastrópode marinho que vive nas zonas intermareais, tipo nem é do molhado, nem é do seco, aproveita o melhor de ambos. Caracterizam-se por se fixarem (alaparem) de forma resistente à rocha onde crescem, vivem e morrem, alimentando-se do que outros produzem, sem qualquer esforço próprio. Mamam à pála, em bom português.

Eu, nas minhas passeatas durante as marés baixas, desalapo algumas que preparo na chapa, com um sumo de lima, alho, picante e manteiga. Estas eu, com alguma argúcia e sentido de antecipação, consigo desalapar.

As que se alaparam ao poder no Sporting eu sozinho não consigo, mas terá que haver uma grande maré que convença muita gente a molhar o cu para desalapar estes incompetentes que, saindo do Sporting, dificilmente terão rocha que os acolha. Sob pena de não haver mais Sporting.

Das alternativas

Embora o Sporting no passado recente tivesse sido palco onde se degladiaram duas organizações que de secreto já têm muito pouco e que o conduziram ao estado letárgico onde se encontra, não sem que antes e durante e depois algumas algibeiras, melhor, alforges, se fossem enchendo à custa da depauperização do clube e da sua SAD, não é avisado, é certo, compará-lo ao país político. Aqui, indivíduos das mais variadas orientações estão irmanados do mesmo sentimento sportinguista e convivem de forma descomplexada e saudável com essa situação. Este blogue é exemplo disso mesmo.

Vem isto a propósito das alternativas ou falta delas, que na política sempre existem porque os partidos têm as suas bases programáticas, sendo por isso mesmo sempre alternativa ao que no momento esteja no poder. No Sporting alguns afirmam que não existem, de modo que não se justificariam eleições nesta altura, que seria mais uma eleição para queimar uma alternativa fraca ou inexistente e que seria "pior a emenda que o soneto".

Não sou dessa opinião. Entendo que a máxima "para pior basta assim", não se aplica aqui. Deixar prolongar no tempo o mandato deste conselho directivo, isso sim, é um conivente acto de desresponsabilização por parte dos sócios e do seu representante máximo, o presidente da Assembleia Geral. É mais fácil deixar "correr o marfim", eu sei, é mais fácil deixar acabar o mandato, mas a questão que agora se coloca, a da falta da alternativas credíveis, não correrá o risco de acontecer também no final do mandato? E se não aparecerem alternativas ditas credíveis, deixam os sócios continuar este grupo de incompetentes, se eles se recandidatarem, mais quatro anos à frente dos destinos do clube?

O que vivemos hoje é uma questão de tempo. E eu não sei se teremos já o tempo necessário para salvar o clube. Urge destituir esta gente que vem conduzindo o Sporting para uma belenização que creio a grande maioria dos sócios e adeptos não deseja, com a agravante de esta adivinhada belenização ser a actual e não a de há meia dúzia de anos. Vejam onde anda o Clube de Futebol "Os Belenenses", é isto que se pretende? Não sou catastrofista, sou realista. Não sou adivinho, mas sei ler os sinais que de tão evidentes nem preciso de bola de cristal, que o ataque é tão cristalino como a água da fonte.

Não será isto que querem os que acham que não é tempo de eleições, não tenho a menor dúvida, mas a sua aversão a esta ideia absolutamente necessária para a continuação da existência do clube como um dos grandes permitirá a delapidação de um património não só físico, mas imensamente sentimental e que pode ser mensurável em cerca de três milhões de portugueses, que cada vez mais se afastam do seu clube.

Os mandatos são para ser cumpridos, dizem. Uma ideia que perfilho sem qualquer rebuço, mas que terá que ter por detrás um verdadeiro substrato. Um CD que tenha um mandato em que as equipas lutem por títulos, que apresentem bom desempenho desportivo, que consolide as contas no positivo, que granjeie prestígio para o clube e o engrandeça, pode não ganhar qualquer título, que terá o meu apoio incondicional. Ao que assistimos de há dois anos para cá, é precisamente ao contrário e as evidências, passe a redundância, estão à vista.

Quanto à falta de alternativas, não passa de uma falsa questão. Posso até contar uma pequena estória que ilustra bem, de forma pitoresca, esta questão da falta de soluções para alguma coisa: Conta-se que tendo sido construída uma ponte em Sacavém sobre o rio Trancão, numa cerimónia oficial realizada na freguesia e localidade de Apelação (ambas no concelho de Loures, para quem não saiba), terão os seus moradores exigido ao poder político também uma ponte para a sua localidade. "Mas vocês não têm aqui rio!", ter-lhes-á respondido o representante do Estado, ao que o regedor terá respondido de imediato "trate lá V. Ex.ª da ponte que nós tratamos do rio!"

Pedro Azevedo, p. e., já se colocou à disposição dos sócios para construir as pontes tão necessárias à junção dos cacos em que se encontra o clube, com um projecto de programa muito bem estruturado e com ideias-base inovadoras que têm tudo para recolocar o Sporting no bom caminho. Outros aparecerão, certamente com a mesma intenção. E aparecerão os pára-quedistas, oportunistas e outros istas e até chupistas, faz parte, mas tenho para mim que se saberá distinguir, por uma vez, o trigo do joio.

É que, meus amigos, não tenhamos dúvidas, é a existência do Sporting Clube de Portugal que está em causa!

Deixemo-nos de rodriguinhos.

Acabou o pesadelo? Talvez não.

Bom, por esta época, sim.

O que eu temo é que se nós todos, sócios e adeptos, não metermos pés ao caminho e não arranjarmos um qualquer bombeiro que se preste à missão, para o ano haverá certamente mais disto.

Nunca sentirei vergonha de ser sportinguista, mas sinto uma enorme vergonha por ver o clube do meu coração dirigido por gente tão incompetente que até dói!

Com um presidente desaparecido em combate desde o início da pandemia, temo que o camião de reforços que aí virá seja composto por malta do Daesh recrutada no Afeganistão pelo capitão/doutor/presidente/golpista (de que cada vez menos se tem dúvidas).

É hora agora, já, urgentemente, não no final do mandato, de destituir Frederico Varandas e o seu esteio, Rogério Alves, o inenarrável PMG que acumula as funções de representante dos sócios com a de representante de um concorrente directo à compra da SAD do clube.

A incompetência, como antes, não pode hoje continuar a ser premiada. O clube é maior que as pessoas que o dirigem e se no passado recente isso foi claro, não pode deixar de o ser agora.

Ou querem que sejam estes mesmos incompetentes, que tiveram dois anos para preparar uma época que deu esta vergonha, a preparar a próxima?

Está nas nossas mãos.

E uma tragédia semelhante se adivinha para as modalidades, de que se tem falado pouco, mas que estão a sofrer uma sangria aterradora.

O que mais gostaria era estar aqui a dar vivas a Varandas, por ter alcançado os êxitos que nos prometeu. Na "catrefada" de recordes que bateu, todos negativos, só não conseguiu ficar abaixo do sétimo lugar e por isso não posso deixar, sob pena de um dia ser acusado de conivência, de exigir, aqui e agora, alto e em bom som: Varandas, RUA!

Ainda não acabou

Vamos ser realistas. A derrota de ontem no Porto, apesar de amarga como todas as derrotas, pode considerar-se normal. Jogámos com uma equipa de um outro campeonato, aspirante ao título e até resistimos mais que outras equipas que connosco rivalizam por um lugar na Liga Europa. Também é verdade que outras que lutam para não descer, deram muito mais trabalho ao FCPorto, mas isso é normalmente atípico, os jogadores terem brio e vontade de ganhar. Os nossos ontem tiveram essa enorme vontade de ganhar durante... um minuto, curiosamente o primeiro.

Temos a triste sina de jogar sempre com menos um (às vezes contra 14 o que agrava mais as coisas). Ontem o que costuma desiquilibrar esteve ao nível do jogo anterior e terá ficado nos Carvalhos, não fosse algum andrade louco nas festividades da conquista do título sarapintar-lhe o cabelo de louro. Ah, já tem? Desculpa, Jovane...

E damos por nós, todos, a desejar que o Braga perca seja lá com quem porque é, hoje por hoje, o nosso maior "inimigo".

Claro que isto não é apenas culpa de Frederico Varandas, as coisas já têm anos, o espírito conformista tão característico do sportinguista que se traveste no "perder ou ganhar é desporto", demonstrando depois uma superioridade moral que sendo real e que nos deve orgulhar, não chega para ganhar campeonatos, que é o que nos faz a todos entusiasmar. 

Não começa em Frederico Varandas, mas terá que acabar com Frederico Varandas! Não fisicamente, que aqui não se fazem linchamentos populares, mas acabar com a presidência de Frederico Varandas é imperioso! Deixemo-nos de paninhos quentes, quem não conseguiu fazer nada de jeito, antes pelo contrário e conduziu o clube para um ponto de onde muito dificilmente retornará a breve prazo (temos que ir-nos preparando para esta dura realidade), vendendo todas as jóias da coroa e contratando nulidades, paus de sebo e até, coisa nunca vista, um fantasma, dificilmente arrepiará caminho e fará melhor. E até pode ter vontade, mas já demonstrou que é incompetente para o exercício do cargo! Urge, enquanto não descemos a linha que já é ténue entre nós e Braga e Rio Ave e... Famalicão e Guimarães, que refletamos bem no que queremos para o clube: A continuação de Frederico Varandas e do valete (ou ás de trunfo!) Rogério Alves (os outros pouco contam, apesar de Zenha perceber de excel), ou que venha alguém preparado para o desafio, com conhecimento na área de gestão empresarial, que tenha noções do que é básico no jogo e nos seus meandros e que se saiba rodear de gente capaz, honesta e empenhada, de modo a manter o clube e a SAD financeiramente viáveis e em consequência disso que construa uma equipe que nos orgulhe? E que ganhe!

Temos hoje um grupo de miúdos muito promissores, alguns emprestados que deverão obrigatoriamente regressar, mas iremos confiar em Frederico Varandas e Hugo Viana para irem ao mercado à procura da qualidade e experiência que terá que complementar esta juventude? Não, por mim, definitivamente não! Lá diz o povo e com toda a razão, que quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Batemos esta época vários recordes negativos e ontem lá apareceu mais um: O maior número de derrotas numa só época. E ainda nos falta ir à Luz. Ainda não acabou o pesadelo.

 

Os filhos da puta, parte enésima

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Eu podia começar este post por reclamar sobre o desespero de colocar o Coates a jogar a ponta de lança (avançado centro, para o nosso querido presidente), tal como fazia Silas nos seus gloriosos dias como treinador do Sporting. Ou até sobre a oxigenação do cabelo de Jovane, que lhe deve também ter alterado a cor (e não só) dos neurónios (não há lá ninguém que lhe diga que ainda é cedo para se armar em vedeta?). Ou até relembrar a máxima de que em equipa que ganha não se mexe. Ou mesmo que não se compreende que a jogar contra dez quase meia-parte do jogo, apenas se tivessem feito dois remates enquadrados com a baliza e nenhum deles com verdadeiro perigo, o redes deles nunca deve ter tido uma noite tão descansada. Vá, basicamente, eu poderia começar por dizer que o nosso jogo foi vulgar, que alguns jogadores (curiosamente os mais "velhos") estão claramente a mais e é empandeirá-los enquanto é tempo e que outros naturalmente estão "crus" ainda e que cometem erros às vezes infantis e até podia começar por escrever que a nossa prestação foi uma valente porcaria.

Mas não. Começo e termino por dizer que mais uma vez fomos roubados. O resto são amendoins. Melhor, o resto continua a ser a acção de certos filhos da puta, que impunemente nos continuam a roubar.

114 anos de sportinguismo

Sou do Sporting desde que me conheço por gente, portanto praí desde os cinco, seis anos, já o Sporting era um "senhor" quase com a minha idade actual, sessenta anos.

Esta coisa do tempo e do passar dele é tão simples como complexa. Aos sessenta anos de idade o Sporting era uma instituição já com enormes pergaminhos e havia conquistado adeptos por todo o Mundo, não lhe vindo estes cinquenta e quatro acrescentar grande coisa, pois o cimento de que foi construído estava já consolidado e os alicerces, de tão fortes e bem assentes em fundações sólidas, foram e são o garante de que, apesar de ventos, tempestades e alguns terramotos, o Sporting continua um edifício sólido e, pela capacidade da sua massa adepta anónima, pronto para mais cento e catorze vezes cento e catorze, pelo menos.

Eu sou Sporting mas não pelo futebol, curiosamente. Nasci, nas palavras de Aquilino, no interior esquecido e ostracizado, num lugar a 5km de Tomar (tão perto e tão longe) que em 1960 não tinha nem electricidade, nem água canalizada, tão pouco recolha de resíduos e que ainda hoje, ano da (des)graça de 2020, não tem saneamento. Uma curiosidade: Sabem onde a minha avó, que era uma mulher extraordinária nascida em 1915 e que fez a quarta classe (coisa raríssima até nos homens - o meu avô era praticamente analfabeto) e era uma leitora compulsiva, guardava o peixe (chicharro e chaputa, a dois vinte e cinco tostões e um quarteirão de sardinhas, às vezes) que se ia comprar "à Vila" ao sábado? Dentro da caruma, na casa da lenha, que era um lugar fresco e as moscas não conseguiam lá chegar e o sal ajudava a conservar.

Mas adiante... Eu sou Sporting por culpa do ciclismo, do Joaquim Agostinho, do João Roque e das transmissões da então Emissora Nacional das etapas da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realizava no período de férias. Havia lá em casa, e eu guardo-o religiosamente, um rádio Philips com Onda Média e Onda Curta (que o meu pai comprou para ouvir as notícias da Guerra Colonial e também a Rádio Moscovo, não necessariamente por esta ordem e que só é pena ser vermelho, raios!) onde a miudagem ouvia todos os dias o desenrolar das etapas, descritas quase como se de um relato de "bola" se tratasse e entusiasmavam verdadeiramente. Nesses anos o Sporting era rei na estrada e, salvo uma ou outra excepção, rara, todos somos hoje sportinguistas, os que nos colávamos àquelas transmissões que nos faziam também viajar e que fazemos questão de recordar nas muitas sessões de copos na adega de um ou outro, acompanhadas sempre da discussão da vida do clube.

Não há tradição de sportinguismo "militante" na minha família. O meu pai é sportinguista ferrenho, é certo: eu para o irritar digo-lhe que ele é um sportinguista lampião, porque quando as coisas começam a correr mal para o nosso lado, quase que passa a torcer pelos outros (hoje já não, que os quase 84 já lhe retiraram as preocupações com o futebol); a minha mãe é sportinguista porque eu sou e assim aprendeu a gostar do clube e esta prosa lembrou-me que a promessa de a levar a Alvalade (por seu desejo) ainda está por cumprir...

Quando digo que não há tradição de sportinguismo, comparo-me com outros que tinham o estádio ali à mão e desde pequenos, por influência de pais ou avós, frequentaram o espaço sagrado do clube, tendo outra vivência que a distância enorme, de cento e poucos quilómetros e más estradas e muito poucos transportes, não permitia.

Depois foi a mudança de residência para a cidade, aos sete anos, que coincidiram com o crescimento do União de Tomar, a sua subida à Primeira Divisão e, aí sim, o amor pelo Sporting tornou-se uma realidade palpável e não perdi um jogo do Sporting no Municipal, acompanhado do meu pai (a minha mãe apenas assistiu a um jogo, não gostou do que ouviu: "Enquanto estavam a ganhar era só vivas, quando passaram a jogar mal já não prestavam p'ra nada, é tudo maluco!" Neste capítulo mudámos pouco, direi.

Aos catorze já jogava futebol (bom... vocês sabem, jogar, jogar...) e já ia a Lisboa ver um ou outro jogo "em casa", com o Benfica não falhava e até ir morar na capital, aos vinte, com a idade a avançar e alguma independência, as visitas a Alvalade eram regulares e incluiam jogos europeus.

A partir dos vinte, pode dizer-se, começou a minha verdadeira ligação ao clube. Passado pouco tempo adquiri um lugar cativo, depois veio a bancada nova e comprei uma cadeira de que não me esquecerei nunca, me custou quatro contos e quinhentos e quarenta anos de sofrimento por uma camisola linda e que me faz vibrar e me comove cada vez que a vejo envergada por um qualquer atleta e também muitas ocasiões de alegria, que são obviamente as que sabem melhor e as que se recordam com prazer.

Hoje é o aniversário não só de um clube desportivo. É um dia de festa para aqueles que entendem o desporto como isso mesmo, uma festa, para aqueles que se revêem num lema de honestidade e que entendem que o desporto não é sinónimo de ganhar a qualquer preço. O Sporting tem tido ao longo destes seus 114 anos de vida muitas convulsões internas, algumas bem duras, mas honra seja feita a todos os que o dirigiram, nunca enveredaram pelo caminho da mentira, da trafulhice, da vigarice, da antítese do que deve ser o desporto. É por isso que tenho orgulho em fazer parte desta família!

Tarda mas não falha?

 

 

Quem me lê por aqui, sabe da minha real confiança na justiça. Tenho-o afirmado e defendido que a justiça, sendo o conjunto de todos os que nela interferem e trabalham sérios e honestos, pode, aqui e ali padecer de um ou outro furúnculo que o corpo, sempre, se encarregará de esvaziar e expulsar.

Foram finalmente detidos uns membros (sete) daquela claque que não existe que responde por um nome que não tem e que o presidente do clube de que não fazem parte diz e muito bem que a esse respeito nada se passou se.

Quero realçar os termos com que as autoridades policiais e da justiça adjectivaram os crimes pelos quais esta gente foi detida. "Especial perversidade" foi o termo mais simpático, denotando que a premonição dos ataques aos alvos, quase sempre adeptos do Sporting, uns das claques outros só porque sim, era a ocupação principal dum grupo que se diz ser tresmalhado do grupo principal.

Tentativas claras de homicídio com espancamentos cruéis, visando a agonia e eventual morte dos agredidos, denota um perfil psicológico (digo eu que não sou da área) de assassino nato!

Vários de nós, autores do blogue, aqui fomos escrevendo contra a lentidão das polícias e da justiça no seu todo, neste-assunto-da-claque-do-Benfica-que-não-existe-e-sobre-a-qual-nada-se-pode-fazer, como diz aquele que se a justiça funcionar bem, em breve irá bater com os costados no xelindró, Luis Filipe Vieira, por alcunha D. Orelhas, o Grande. Finalmente os nossos gritos de revolta (e de muitos outros) foram ouvidos e eu só espero que esta demora angustiante por uma justiça clamada, se alicerce num caso de betão que não abra qualquer brecha causada por um qualquer advogado de defesa (no seu direito profissional, obviamente). Espero que a investigação criminal da PSP tenha actuado de forma muito profissional e tenha deixado em cima da mesa do Ministério Público material que permita que de uma vez por todas o Estado comece a tratar do assunto claques com a seriedade que ele merece e que quem mata uma, duas e tenta a terceira, quarta, quinta e perpetra outras mais, conforme se demonstra nas informações que possuiam sobre alvos a abater, seja definitivamente banido do desporto e por muito tempo da sociedade!

Agora a claque do Benfica tem rostos, não há mais desculpa para o beija-mão, o deixar andar, o laxismo, a deferência para com um clube que se vivêssemos num país de gente honesta, já teria sido extinto!

 

É ver na plataforma que nos aloja, nem uma nota de rodapé, até à hora a que este post foi publicado.

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