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És a nossa Fé!

Daqui do Ribatejo profundo

Varandas, Alves, o que se lê nos jornais não é nada animador. Essa coisa do i-voting, parece que dá a sensação de ser uma espécie de churrasquinho, mas ao contrário (se na remuneração há sócios considerados com dois anos de quotas em atraso, quem nos garante que estarão vivos e não haverá alguém a votar por eles?), vejam lá, aproveitem o bom tempo e saiam de fininho, que a vossa xico-espertice já começa a encher a paciência até aos accionistas da SAD. Diz-se por aqui... finjam que vão fazer o serviço e vão embora! O Sporting encarecidamente agradece.

As lapas e os barões alapados

Não fosse a silly season do Sporting all over the damn year e a gente até dava de barato as notícias das dívidas, como refere o Pedro Correia mais abaixo, que serão carvão mais ou menos intenso quanto maiores são as verbas supostamente em dívida e de quanto menos importantes no panorama futebolístico são os reclamantes e a que já vamos estando habituados. Nisto da bola quer-me parecer que todos devem a todos, o que define muito bem o quão inflacionado e irrealista é o panorama a nível global. Nada contra os empresários, os poucos que são sérios, mas eles são os enormes culpados por um mais que anunciado declíneo do futebol, pelo menos fora dos big five, como o conhecemos. O fosso que vai sendo cavado está na iminência de tornar todos os outros em pouco mais que meros fornecedores de matéria-prima para o circo dos ricos.

E a propósito de empresários e pagamentos ou falta deles, ressuscito o pagamento a Jorge Mendes de uma verba considerável num negócio que envolveu Rui Patrício e a renovação do contrato, bem como a compra da totalidade do passe. Entendeu e bem o Sporting liderado por Bruno de Carvalho na altura, que não seria devido a JM qualquer verba. O Sporting liderado por Frederico Varandas entendeu reverter esta situação e pagou cerca de 4M€ se a memória não me falha, por uma percentagem dos direitos económicos do jogador. Teve outro entendimento, com o qual estou em desacordo, mas adiante, responderá pelos seus erros de gestão cedo ou tarde. O que me espanta é que pouco tempo depois e na minha opinião com a mesma razão que assistiu à decisão do seu antecessor, decidiu não pagar à Sampdória uma mais-valia pela transferência do jogador Bruno Fernandes para Manchester. A questão aqui é, se me permitem a interpretação, que há uma clara dualidade de critérios (se paga a um terá que pagar ao outro, ou não paga a ambos, os motivos são semelhantes), que só se pode interpretar como uma dependência gritante dos bons(?) ofícios do super-agente, que pelo que temos visto tem retribuido a contento, com a colocação de verdadeiros craques nas nossas tropas, vulgo os Jesés coxos, marrecos e pernetas que por cá têm arribado e vão sorvendo os muitos milhões que Frederico Varandas se gaba de ter conseguido em vendas (e conseguiu, de forma tosca, mas já lá vamos), depauperando os cofres da SAD e do clube, como accionista maioritário da sociedade.

Já dizia um ex-primeiro-ministro que dívida não é para ser paga ( estranho conceito, este ), mas entre o deve e o haver a coisa deve andar equilibrada. Haverá eventualmente, num exercício de especulação apenas, uma falta de acerto de compromissos em que me parece que esta rapaziada que dirige(?) o clube parece ser barra. Jovem turco não é quem quer, é quem pode e sabe...

E vamos lá ao título do post então, com a notícia da venda (carvão? preparação dos sócios para o inevitável?) de Palhinha, com o Braga (grrrrrrrr!!!) a levar neste caso mais alguns milhões, num negócio surreal (algo a ver com o negócio Amorim?). Desculpem o meu péssimo francês, mas isto é mesmo sem vaselina... O título, dizia eu: Perante uma época desastrosa, com a quebra de todos os recordes negativos, menos o do sétimo lugar na classificação (grande desiderato!), uma conta de gerência aterradora (dizem eles, não eu que não entendo nada de finanças), depois da venda dos melhores activos desportivos e da preparação da venda dos poucos anéis que restam (ande umas linhas para trás), depois da contratação de nulidades e um fantasma onde gastaram grosso modo 150M€, entre custos de passes e vencimentos, com a contratação de um treinador sem a qualificação necessária, o segundo depois de Silas, que não ganhou a nenhum dos adversários directos e cujo passe custou a verba estratorférica de, custos totais, mais de 20M€ (indemnização ao... Braga! Vencimentos, equipa técnica), etc. etc. esta gente, liderada por um suposto representante dos associados, mas que em primeira instância representará outros interesses (onde raio já se viu um dirigente de um clube ser representante de um grupo interessado na compra da sua SAD?), que não cumpre descaradamente os estatutos, numa posição ditatorial (onde é que eu já ouvi falar em coreano em relação a dirigentes do Sporting?) que insiste em não dar a palavra aos sócios, utilizando um estratagema rasca de adiamento da AG para aprovação do orçamento, que será chumbado e onde haverá um expressivo voto de repúdio à gestão Varandas/Alves, para as calendas, denota um comportamento digno de...lapa! Para quem não conhece, a lapa é um molusco gastrópode marinho que vive nas zonas intermareais, tipo nem é do molhado, nem é do seco, aproveita o melhor de ambos. Caracterizam-se por se fixarem (alaparem) de forma resistente à rocha onde crescem, vivem e morrem, alimentando-se do que outros produzem, sem qualquer esforço próprio. Mamam à pála, em bom português.

Eu, nas minhas passeatas durante as marés baixas, desalapo algumas que preparo na chapa, com um sumo de lima, alho, picante e manteiga. Estas eu, com alguma argúcia e sentido de antecipação, consigo desalapar.

As que se alaparam ao poder no Sporting eu sozinho não consigo, mas terá que haver uma grande maré que convença muita gente a molhar o cu para desalapar estes incompetentes que, saindo do Sporting, dificilmente terão rocha que os acolha. Sob pena de não haver mais Sporting.

Das alternativas

Embora o Sporting no passado recente tivesse sido palco onde se degladiaram duas organizações que de secreto já têm muito pouco e que o conduziram ao estado letárgico onde se encontra, não sem que antes e durante e depois algumas algibeiras, melhor, alforges, se fossem enchendo à custa da depauperização do clube e da sua SAD, não é avisado, é certo, compará-lo ao país político. Aqui, indivíduos das mais variadas orientações estão irmanados do mesmo sentimento sportinguista e convivem de forma descomplexada e saudável com essa situação. Este blogue é exemplo disso mesmo.

Vem isto a propósito das alternativas ou falta delas, que na política sempre existem porque os partidos têm as suas bases programáticas, sendo por isso mesmo sempre alternativa ao que no momento esteja no poder. No Sporting alguns afirmam que não existem, de modo que não se justificariam eleições nesta altura, que seria mais uma eleição para queimar uma alternativa fraca ou inexistente e que seria "pior a emenda que o soneto".

Não sou dessa opinião. Entendo que a máxima "para pior basta assim", não se aplica aqui. Deixar prolongar no tempo o mandato deste conselho directivo, isso sim, é um conivente acto de desresponsabilização por parte dos sócios e do seu representante máximo, o presidente da Assembleia Geral. É mais fácil deixar "correr o marfim", eu sei, é mais fácil deixar acabar o mandato, mas a questão que agora se coloca, a da falta da alternativas credíveis, não correrá o risco de acontecer também no final do mandato? E se não aparecerem alternativas ditas credíveis, deixam os sócios continuar este grupo de incompetentes, se eles se recandidatarem, mais quatro anos à frente dos destinos do clube?

O que vivemos hoje é uma questão de tempo. E eu não sei se teremos já o tempo necessário para salvar o clube. Urge destituir esta gente que vem conduzindo o Sporting para uma belenização que creio a grande maioria dos sócios e adeptos não deseja, com a agravante de esta adivinhada belenização ser a actual e não a de há meia dúzia de anos. Vejam onde anda o Clube de Futebol "Os Belenenses", é isto que se pretende? Não sou catastrofista, sou realista. Não sou adivinho, mas sei ler os sinais que de tão evidentes nem preciso de bola de cristal, que o ataque é tão cristalino como a água da fonte.

Não será isto que querem os que acham que não é tempo de eleições, não tenho a menor dúvida, mas a sua aversão a esta ideia absolutamente necessária para a continuação da existência do clube como um dos grandes permitirá a delapidação de um património não só físico, mas imensamente sentimental e que pode ser mensurável em cerca de três milhões de portugueses, que cada vez mais se afastam do seu clube.

Os mandatos são para ser cumpridos, dizem. Uma ideia que perfilho sem qualquer rebuço, mas que terá que ter por detrás um verdadeiro substrato. Um CD que tenha um mandato em que as equipas lutem por títulos, que apresentem bom desempenho desportivo, que consolide as contas no positivo, que granjeie prestígio para o clube e o engrandeça, pode não ganhar qualquer título, que terá o meu apoio incondicional. Ao que assistimos de há dois anos para cá, é precisamente ao contrário e as evidências, passe a redundância, estão à vista.

Quanto à falta de alternativas, não passa de uma falsa questão. Posso até contar uma pequena estória que ilustra bem, de forma pitoresca, esta questão da falta de soluções para alguma coisa: Conta-se que tendo sido construída uma ponte em Sacavém sobre o rio Trancão, numa cerimónia oficial realizada na freguesia e localidade de Apelação (ambas no concelho de Loures, para quem não saiba), terão os seus moradores exigido ao poder político também uma ponte para a sua localidade. "Mas vocês não têm aqui rio!", ter-lhes-á respondido o representante do Estado, ao que o regedor terá respondido de imediato "trate lá V. Ex.ª da ponte que nós tratamos do rio!"

Pedro Azevedo, p. e., já se colocou à disposição dos sócios para construir as pontes tão necessárias à junção dos cacos em que se encontra o clube, com um projecto de programa muito bem estruturado e com ideias-base inovadoras que têm tudo para recolocar o Sporting no bom caminho. Outros aparecerão, certamente com a mesma intenção. E aparecerão os pára-quedistas, oportunistas e outros istas e até chupistas, faz parte, mas tenho para mim que se saberá distinguir, por uma vez, o trigo do joio.

É que, meus amigos, não tenhamos dúvidas, é a existência do Sporting Clube de Portugal que está em causa!

Deixemo-nos de rodriguinhos.

Acabou o pesadelo? Talvez não.

Bom, por esta época, sim.

O que eu temo é que se nós todos, sócios e adeptos, não metermos pés ao caminho e não arranjarmos um qualquer bombeiro que se preste à missão, para o ano haverá certamente mais disto.

Nunca sentirei vergonha de ser sportinguista, mas sinto uma enorme vergonha por ver o clube do meu coração dirigido por gente tão incompetente que até dói!

Com um presidente desaparecido em combate desde o início da pandemia, temo que o camião de reforços que aí virá seja composto por malta do Daesh recrutada no Afeganistão pelo capitão/doutor/presidente/golpista (de que cada vez menos se tem dúvidas).

É hora agora, já, urgentemente, não no final do mandato, de destituir Frederico Varandas e o seu esteio, Rogério Alves, o inenarrável PMG que acumula as funções de representante dos sócios com a de representante de um concorrente directo à compra da SAD do clube.

A incompetência, como antes, não pode hoje continuar a ser premiada. O clube é maior que as pessoas que o dirigem e se no passado recente isso foi claro, não pode deixar de o ser agora.

Ou querem que sejam estes mesmos incompetentes, que tiveram dois anos para preparar uma época que deu esta vergonha, a preparar a próxima?

Está nas nossas mãos.

E uma tragédia semelhante se adivinha para as modalidades, de que se tem falado pouco, mas que estão a sofrer uma sangria aterradora.

O que mais gostaria era estar aqui a dar vivas a Varandas, por ter alcançado os êxitos que nos prometeu. Na "catrefada" de recordes que bateu, todos negativos, só não conseguiu ficar abaixo do sétimo lugar e por isso não posso deixar, sob pena de um dia ser acusado de conivência, de exigir, aqui e agora, alto e em bom som: Varandas, RUA!

Ainda não acabou

Vamos ser realistas. A derrota de ontem no Porto, apesar de amarga como todas as derrotas, pode considerar-se normal. Jogámos com uma equipa de um outro campeonato, aspirante ao título e até resistimos mais que outras equipas que connosco rivalizam por um lugar na Liga Europa. Também é verdade que outras que lutam para não descer, deram muito mais trabalho ao FCPorto, mas isso é normalmente atípico, os jogadores terem brio e vontade de ganhar. Os nossos ontem tiveram essa enorme vontade de ganhar durante... um minuto, curiosamente o primeiro.

Temos a triste sina de jogar sempre com menos um (às vezes contra 14 o que agrava mais as coisas). Ontem o que costuma desiquilibrar esteve ao nível do jogo anterior e terá ficado nos Carvalhos, não fosse algum andrade louco nas festividades da conquista do título sarapintar-lhe o cabelo de louro. Ah, já tem? Desculpa, Jovane...

E damos por nós, todos, a desejar que o Braga perca seja lá com quem porque é, hoje por hoje, o nosso maior "inimigo".

Claro que isto não é apenas culpa de Frederico Varandas, as coisas já têm anos, o espírito conformista tão característico do sportinguista que se traveste no "perder ou ganhar é desporto", demonstrando depois uma superioridade moral que sendo real e que nos deve orgulhar, não chega para ganhar campeonatos, que é o que nos faz a todos entusiasmar. 

Não começa em Frederico Varandas, mas terá que acabar com Frederico Varandas! Não fisicamente, que aqui não se fazem linchamentos populares, mas acabar com a presidência de Frederico Varandas é imperioso! Deixemo-nos de paninhos quentes, quem não conseguiu fazer nada de jeito, antes pelo contrário e conduziu o clube para um ponto de onde muito dificilmente retornará a breve prazo (temos que ir-nos preparando para esta dura realidade), vendendo todas as jóias da coroa e contratando nulidades, paus de sebo e até, coisa nunca vista, um fantasma, dificilmente arrepiará caminho e fará melhor. E até pode ter vontade, mas já demonstrou que é incompetente para o exercício do cargo! Urge, enquanto não descemos a linha que já é ténue entre nós e Braga e Rio Ave e... Famalicão e Guimarães, que refletamos bem no que queremos para o clube: A continuação de Frederico Varandas e do valete (ou ás de trunfo!) Rogério Alves (os outros pouco contam, apesar de Zenha perceber de excel), ou que venha alguém preparado para o desafio, com conhecimento na área de gestão empresarial, que tenha noções do que é básico no jogo e nos seus meandros e que se saiba rodear de gente capaz, honesta e empenhada, de modo a manter o clube e a SAD financeiramente viáveis e em consequência disso que construa uma equipe que nos orgulhe? E que ganhe!

Temos hoje um grupo de miúdos muito promissores, alguns emprestados que deverão obrigatoriamente regressar, mas iremos confiar em Frederico Varandas e Hugo Viana para irem ao mercado à procura da qualidade e experiência que terá que complementar esta juventude? Não, por mim, definitivamente não! Lá diz o povo e com toda a razão, que quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Batemos esta época vários recordes negativos e ontem lá apareceu mais um: O maior número de derrotas numa só época. E ainda nos falta ir à Luz. Ainda não acabou o pesadelo.

 

Os filhos da puta, parte enésima

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Eu podia começar este post por reclamar sobre o desespero de colocar o Coates a jogar a ponta de lança (avançado centro, para o nosso querido presidente), tal como fazia Silas nos seus gloriosos dias como treinador do Sporting. Ou até sobre a oxigenação do cabelo de Jovane, que lhe deve também ter alterado a cor (e não só) dos neurónios (não há lá ninguém que lhe diga que ainda é cedo para se armar em vedeta?). Ou até relembrar a máxima de que em equipa que ganha não se mexe. Ou mesmo que não se compreende que a jogar contra dez quase meia-parte do jogo, apenas se tivessem feito dois remates enquadrados com a baliza e nenhum deles com verdadeiro perigo, o redes deles nunca deve ter tido uma noite tão descansada. Vá, basicamente, eu poderia começar por dizer que o nosso jogo foi vulgar, que alguns jogadores (curiosamente os mais "velhos") estão claramente a mais e é empandeirá-los enquanto é tempo e que outros naturalmente estão "crus" ainda e que cometem erros às vezes infantis e até podia começar por escrever que a nossa prestação foi uma valente porcaria.

Mas não. Começo e termino por dizer que mais uma vez fomos roubados. O resto são amendoins. Melhor, o resto continua a ser a acção de certos filhos da puta, que impunemente nos continuam a roubar.

114 anos de sportinguismo

Sou do Sporting desde que me conheço por gente, portanto praí desde os cinco, seis anos, já o Sporting era um "senhor" quase com a minha idade actual, sessenta anos.

Esta coisa do tempo e do passar dele é tão simples como complexa. Aos sessenta anos de idade o Sporting era uma instituição já com enormes pergaminhos e havia conquistado adeptos por todo o Mundo, não lhe vindo estes cinquenta e quatro acrescentar grande coisa, pois o cimento de que foi construído estava já consolidado e os alicerces, de tão fortes e bem assentes em fundações sólidas, foram e são o garante de que, apesar de ventos, tempestades e alguns terramotos, o Sporting continua um edifício sólido e, pela capacidade da sua massa adepta anónima, pronto para mais cento e catorze vezes cento e catorze, pelo menos.

Eu sou Sporting mas não pelo futebol, curiosamente. Nasci, nas palavras de Aquilino, no interior esquecido e ostracizado, num lugar a 5km de Tomar (tão perto e tão longe) que em 1960 não tinha nem electricidade, nem água canalizada, tão pouco recolha de resíduos e que ainda hoje, ano da (des)graça de 2020, não tem saneamento. Uma curiosidade: Sabem onde a minha avó, que era uma mulher extraordinária nascida em 1915 e que fez a quarta classe (coisa raríssima até nos homens - o meu avô era praticamente analfabeto) e era uma leitora compulsiva, guardava o peixe (chicharro e chaputa, a dois vinte e cinco tostões e um quarteirão de sardinhas, às vezes) que se ia comprar "à Vila" ao sábado? Dentro da caruma, na casa da lenha, que era um lugar fresco e as moscas não conseguiam lá chegar e o sal ajudava a conservar.

Mas adiante... Eu sou Sporting por culpa do ciclismo, do Joaquim Agostinho, do João Roque e das transmissões da então Emissora Nacional das etapas da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realizava no período de férias. Havia lá em casa, e eu guardo-o religiosamente, um rádio Philips com Onda Média e Onda Curta (que o meu pai comprou para ouvir as notícias da Guerra Colonial e também a Rádio Moscovo, não necessariamente por esta ordem e que só é pena ser vermelho, raios!) onde a miudagem ouvia todos os dias o desenrolar das etapas, descritas quase como se de um relato de "bola" se tratasse e entusiasmavam verdadeiramente. Nesses anos o Sporting era rei na estrada e, salvo uma ou outra excepção, rara, todos somos hoje sportinguistas, os que nos colávamos àquelas transmissões que nos faziam também viajar e que fazemos questão de recordar nas muitas sessões de copos na adega de um ou outro, acompanhadas sempre da discussão da vida do clube.

Não há tradição de sportinguismo "militante" na minha família. O meu pai é sportinguista ferrenho, é certo: eu para o irritar digo-lhe que ele é um sportinguista lampião, porque quando as coisas começam a correr mal para o nosso lado, quase que passa a torcer pelos outros (hoje já não, que os quase 84 já lhe retiraram as preocupações com o futebol); a minha mãe é sportinguista porque eu sou e assim aprendeu a gostar do clube e esta prosa lembrou-me que a promessa de a levar a Alvalade (por seu desejo) ainda está por cumprir...

Quando digo que não há tradição de sportinguismo, comparo-me com outros que tinham o estádio ali à mão e desde pequenos, por influência de pais ou avós, frequentaram o espaço sagrado do clube, tendo outra vivência que a distância enorme, de cento e poucos quilómetros e más estradas e muito poucos transportes, não permitia.

Depois foi a mudança de residência para a cidade, aos sete anos, que coincidiram com o crescimento do União de Tomar, a sua subida à Primeira Divisão e, aí sim, o amor pelo Sporting tornou-se uma realidade palpável e não perdi um jogo do Sporting no Municipal, acompanhado do meu pai (a minha mãe apenas assistiu a um jogo, não gostou do que ouviu: "Enquanto estavam a ganhar era só vivas, quando passaram a jogar mal já não prestavam p'ra nada, é tudo maluco!" Neste capítulo mudámos pouco, direi.

Aos catorze já jogava futebol (bom... vocês sabem, jogar, jogar...) e já ia a Lisboa ver um ou outro jogo "em casa", com o Benfica não falhava e até ir morar na capital, aos vinte, com a idade a avançar e alguma independência, as visitas a Alvalade eram regulares e incluiam jogos europeus.

A partir dos vinte, pode dizer-se, começou a minha verdadeira ligação ao clube. Passado pouco tempo adquiri um lugar cativo, depois veio a bancada nova e comprei uma cadeira de que não me esquecerei nunca, me custou quatro contos e quinhentos e quarenta anos de sofrimento por uma camisola linda e que me faz vibrar e me comove cada vez que a vejo envergada por um qualquer atleta e também muitas ocasiões de alegria, que são obviamente as que sabem melhor e as que se recordam com prazer.

Hoje é o aniversário não só de um clube desportivo. É um dia de festa para aqueles que entendem o desporto como isso mesmo, uma festa, para aqueles que se revêem num lema de honestidade e que entendem que o desporto não é sinónimo de ganhar a qualquer preço. O Sporting tem tido ao longo destes seus 114 anos de vida muitas convulsões internas, algumas bem duras, mas honra seja feita a todos os que o dirigiram, nunca enveredaram pelo caminho da mentira, da trafulhice, da vigarice, da antítese do que deve ser o desporto. É por isso que tenho orgulho em fazer parte desta família!

Tarda mas não falha?

 

 

Quem me lê por aqui, sabe da minha real confiança na justiça. Tenho-o afirmado e defendido que a justiça, sendo o conjunto de todos os que nela interferem e trabalham sérios e honestos, pode, aqui e ali padecer de um ou outro furúnculo que o corpo, sempre, se encarregará de esvaziar e expulsar.

Foram finalmente detidos uns membros (sete) daquela claque que não existe que responde por um nome que não tem e que o presidente do clube de que não fazem parte diz e muito bem que a esse respeito nada se passou se.

Quero realçar os termos com que as autoridades policiais e da justiça adjectivaram os crimes pelos quais esta gente foi detida. "Especial perversidade" foi o termo mais simpático, denotando que a premonição dos ataques aos alvos, quase sempre adeptos do Sporting, uns das claques outros só porque sim, era a ocupação principal dum grupo que se diz ser tresmalhado do grupo principal.

Tentativas claras de homicídio com espancamentos cruéis, visando a agonia e eventual morte dos agredidos, denota um perfil psicológico (digo eu que não sou da área) de assassino nato!

Vários de nós, autores do blogue, aqui fomos escrevendo contra a lentidão das polícias e da justiça no seu todo, neste-assunto-da-claque-do-Benfica-que-não-existe-e-sobre-a-qual-nada-se-pode-fazer, como diz aquele que se a justiça funcionar bem, em breve irá bater com os costados no xelindró, Luis Filipe Vieira, por alcunha D. Orelhas, o Grande. Finalmente os nossos gritos de revolta (e de muitos outros) foram ouvidos e eu só espero que esta demora angustiante por uma justiça clamada, se alicerce num caso de betão que não abra qualquer brecha causada por um qualquer advogado de defesa (no seu direito profissional, obviamente). Espero que a investigação criminal da PSP tenha actuado de forma muito profissional e tenha deixado em cima da mesa do Ministério Público material que permita que de uma vez por todas o Estado comece a tratar do assunto claques com a seriedade que ele merece e que quem mata uma, duas e tenta a terceira, quarta, quinta e perpetra outras mais, conforme se demonstra nas informações que possuiam sobre alvos a abater, seja definitivamente banido do desporto e por muito tempo da sociedade!

Agora a claque do Benfica tem rostos, não há mais desculpa para o beija-mão, o deixar andar, o laxismo, a deferência para com um clube que se vivêssemos num país de gente honesta, já teria sido extinto!

 

É ver na plataforma que nos aloja, nem uma nota de rodapé, até à hora a que este post foi publicado.

Pedro LEÃO Lima

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Estou (acho que estamos todos, sportinguistas ou não) consternado.

Partiu um dos nossos.

Partiu um dos que vibravam na bancada com as nossas vitórias, um que como nós chamava uns nomes queridos aos árbitros, mas acima de tudo um indefectível LEÃO.

Um actor multifacetado, um atleta medalhado e olímpico, um homem com valores.

Não quero alongar mais este postal.

Pedro Lima, meu amigo LEÃO, a cada um que cair, outro se levantará! Tu entendes.

Vejam isto pelo lado positivo

Afinal foi o melhor resultado das últimas duas pré-épocas...

A aposta na formação, que eu defendo, tem destas coisas, mas curiosamente se um "veterano", Vietto, não falhasse dois golos cantados, oferecidos por um Jov(em)ane endiabrado e hoje poderíamos estar aqui a festejar uma vitória nesta farsa de terceira volta do campeonato.

Bom, tem a vantagem de se poder fazer a pré-época mais cedo e ver se os miúdos dão alguma coisa, o que é importante e com a vantagem de não serem assobiados pela malta nas bancadas, passatempo favorito dos sportinguistas para os rapazes que vêm da formação.

Em resumo e autocarros à parte, Ferro, Marcelo e Costa podem dormir descansados que Alcochete jamais! E por mim estou aqui torcendo para que estes miúdos demonstrem que mesmo não ganhando, ninguem sem nome quebre os seus telhados de vidro. E que serão uma aposta ganha. Ontem demonstraram que podem ser solução. Que continuem a crescer!

O tribunal falou!

Dois anos e quase 15 dias depois, o tribunal pronunciou-se sobre o ataque vil, soez e cobarde à Academia Sporting, em Alcochete.

Sempre aqui fui dizendo, neste como noutros casos, que confio na justiça e confio que ela continue sendo cega e que ela própria se vai regulando, expurgando-se de elementos que a possam colocar em situação delicada.

Para que fique claro, para o tribunal, as sentenças são ou "culpado", ou "inocente", por muitas voltas que algumas pessoas, desagradadas com as sentenças, umas e outras, dêem. Não há "culpado mas..." ou "inocente mas..." Assim o ex-presidente foi considerado inocente dos crimes de que ia acusado, tendo-se provado a inocência na participação interessada de Bruno de Carvalho naquele assalto.

Tal sentença não o exime do descalabro que foi o final do seu mandato, mas é justo questionarmo-nos se não tivesse aquela acusação em cima, as coisas teriam corrido daquela forma desastrosa, no mínimo. Não saberemos nunca, já passou e o tempo nunca volta.

Terminado que está este capítulo negro da história longa e a maior parte das vezes gloriosa do Sporting, será tempo de seguirmos em frente.

A justiça pronunciou-se, a justiça está feita. Já não há desculpas para continuarem a adiar o Sporting.

É a puta da loucura!

Quando depois de um mandato onde na parte final a insanidade imperou, com consequências desastrosas e quando se pensava que não seria possível descer mais baixo, eis que o nível anterior foi atingido e está perigosamente a resvalar para uma situação bem pior. Bom, se olharmos para o grupo de jogadores que temos, o trambolhão já foi!

Um tipo normal aprende com os erros dos outros e procura não reproduzi-los, para não cair em situação semelhante e demonstrar que é uma pessoa cautelosa. Um tipo anormal não só reproduz os erros dos outros, como ainda lhe junta os seus, metendo-se numa caldeirada que do prato delicioso apenas retém a cebola e o pimento, já que das batatinhas novas e do peixe de qualidade, nem o gosto.

A espiral de loucura (agora também já criam orgãos não previstos nos estatutos - um tal de conselho estratégico de comunicação) retoma a vertigem de tempos recentes e o Sporting continua a ser um clube de (dirigentes) doidos, porque incompetentes sempre suspeitei que fossem.

Isto parece o Poço da Morte da Feira de Santa Iria!

E o "Joselito" nunca mais cai da puta da mota...

Os almofadinhas

Vou ser curto.

Se há seres que detesto são aqueles que quando numa situação de saudação com aperto de mão ( agora proibido, mas que um dia voltará ) a estendem e a gente quando a aperta sente que está mais mole que a almofada que usa para repousar a cabeça.

Eu sou daqueles que gosta de apertar a mão com força, de fazer sentir ao outro que ele está do outro lado e eu lhe reconheço a importância que ele tem como pessoa e ele retribui.

Ora não sendo almofadinha, gosto de botar opinião própria. Opinião que mesmo aqui, num espaço colectivo, apenas me vincula a mim, sou eu que assino, a responsabilidade é só e apenas minha. Nos jornais, quando alguém não tem tomates para assumir o que escreve, subscreve-se a coisa com "a redacção". Aqui, em concreto neste blogue, cada autor é responsável pelo que publica e isso não compromete mais nenhum dos outros, portanto nenhum de nós, penso, se sentirá molestado com as publicações de outros, já que elas reflectem a visão de Sporting de cada um.

A razão para o êxito deste blogue é precisamente a diversidade de visões de clube, que não tenho dúvida que concorrem todas para o mesmo, o engrandecimento do Sporting. Fosse este um blog de autor e as visitas e comentários seriam bem menos, estou certo disso.

Sou por formação engajado, gosto de causas. Aceitei ser autor do És a Nossa Fé porque sentia que, perdoem a imodéstia, podia dar um contributozinho para ajudar o Sporting de outra forma que não ser "apenas" mais um associado.

Assumindo tudo o que escrevo e não vinculando com isso ninguém a não ser a mim próprio, continuarei, sempre que achar oportuno, a pugnar pela destituição do CD em funções e pelo aparecimento de um candidato que apresente uma proposta sólida que torne o Sporting um clube e uma SAD viáveis e ganhadoras. E defender que Pedro Azevedo personifica essa candidatura, uma vez mais só me compromete a mim.

 Com toda a liberdade de opinião. Não pisando ninguém. Pensando unicamente no Sporting.

Ser Sporting. A cultura de clube

A aparente ultrapassagem pelo Porto em número de adeptos (digo aparente porque sou um céptico das sondagens), relegando-nos para terceiro grande, será fruto de um sem número de razões, mas é sobretudo fruto da perda de uma cultura de clube que paulatinamente se tem vindo ao longo de anos verificando.

Os dezoito anos entre João Rocha e José Roquette, não me parece terem sido muito significativos em termos de perda de massa adepta, os números foram sempre empíricos atribuindo uma preferência clubística a cada um dos portugueses, quando sabemos que os há que ou não têm clube, ou torcem pelo clube da terra, mas fomos sempre o segundo grande, apesar das vitórias "douradas" do FCPorto. A perda de cultura de clube tornou-se mais evidente após Dias da Cunha (porque entre Roquette e Cunha se ganharam dois campeonatos quase seguidos) e com a chegada, por cooptação (sem a audição dos sócios nas urnas - se calhar não havia ninguém, se calhar foi uma golpada...) de Soares Franco ao poder. Se desportivamente o consulado de Soares Franco não se pode considerar trágico antes pelo contrário, não sendo grandioso cumpriu os mínimos, já em termos de gestão foi uma tragédia. Não tanto pelos números, mas pelo início da venda de património. Aquilo que os sócios e adeptos consideravam como adquirido, a grandeza também patrimonial do clube, começou a ser delapidada. E foi aqui que os sócios começaram a ser oficialmente (lembro-me claramente de o ter ouvido da boca de FSF) tratados como clientes. Sobrepôs-se o interesse dos novos clientes ao interesse dos sócios que não quiseram ser clientes e as pessoas começaram a afastar-se. Lembro da miséria de assistências, apesar das boas prestações das equipas de Paulo Bento, que não fora uma mão atrevida de Rony e teria sido campeão.

E seguiu-se a tragicomédia Bettencourt, que sem pulso deixou sair um treinador (amado/odiado, faz parte) forever e contratou mais três em pouco mais de ano e meio, acelerando a dança de cadeiras no banco (passe o absurdo) que é hoje a imagem de marca do Sporting. É verdade que Bettencourt levou a efeito uma campanha de angariação de sócios que nos fez atingir os 100 mil, mas rapidamente esse capital foi desbaratado por ele próprio e também pelo seu sucessor no cargo, Godinho Lopes, outra tragédia enquanto presidente, que conseguiu levar o clube quase à extinção. Em boa hora apareceu Bruno de Carvalho, com uma nova ideia de clube e de relação com os sócios e adeptos, colocando-os no centro da vida do clube, em suma devolvendo-lhes o que era deles. E as hostes, apesar dos resultados serem os mesmos de sempre naquilo que a quase todos nós importa, o caneco no futebol, andaram entusiasmadas durante cinco anos, encheram estádios, o nosso e outros um pouco por todo o país, o número de sócios quase que chegou aos 200 mil. Parecia que finalmente se via uma ideia de clube, um caminho a traçar para as tão desejadas vitórias, concordasse-se ou não com ele e mais de 90% dos votantes concordaram, numa segunda eleição. Depois... Depois o resto é história, eu tenho a minha opinião muito bem formada sobre o que aconteceu, não tenho que maçar os leitores com ela.

E chegámos, após um mandato de gestão de Torres Pereira que para o assunto pouco conta, a Frederico Varandas, que se apresentou a eleições com um programa que conseguiu cativar a maioria dos votos em renhida corrida com João Benedito, convencendo sócios que haviam estado incondicionalmente com Bruno de Carvalho e que, desapontados com o seu desnorte (para ser simpático) viram no programa e na pessoa de Varandas, um meio de equilibrar o clube e a SAD no campo financeiro, mas também para juntar os cacos que em nove meses se partiu o clube.

São esses sócios que hoje reclamam e bem, pela saída de Frederico Varandas. Porque estão desiludidos, porque se sentem traídos e sobretudo porque a cultura de clube que estava a enraizar-se na gestão anterior, se perdeu por completo. Hoje o estádio é uma enorme e vazia tristeza, a militância clubística anda pelas ruas da amargura, as notícias que vão aparecendo apenas desqualificam o clube, as entrevistas que vão sendo dadas por dirigentes cavam ainda mais o fosso entre sócios e adeptos e o clube, a tragédia é uma inevitabilidade, querem-nos fazer crer (já escrevi no post anterior sobre o afã de vender a maioria da SAD).

De bode expiatório em bode expiatório, primeiro BdC, depois as claques, o consulado de Varandas tem conseguido afastar do clube aqueles sócios que o seu antecessor conquistou. O número de sócios que deixaram de pagar quotas é disso "O" exemplo! O simples facto de se apelidarem, estratificando, aqueles que não se revendo neste desgoverno, de brunistas, brunecos, etc. revela uma enorme falta de sentido de cultura de clube, o da agregação de todos em torno do mesmo objectivo. Foi isso que Varandas prometeu, "Unir" o Sporting. Tem-se visto...

Ser Sporting. Terra queimada...

Anda por aí um grupo de sócios do Sporting, a reboque desta pandemia que veio pôr a nu que as contas da SAD estão também elas de pantanas, que pensou apanhar os sócios preocupados com a sua saudinha e vai daí toca de lançar a ideia de que a solução milagrosa é vender a maioria do capital da sociedade, para a salvar e para salvar o clube. Ora bem, o clube, se forte nas modalidades, gerará certamente receita que baste para se manter, estando portanto o problema da saúde financeira do clube resolvida, o dinheirinho das quotas continuará a pingar.

Já quanto à sociedade, com o enorme passivo que tem e que se prevê que piore, a ver pela amostra dos últimos meses e das ameaças que quase diariamente saem nos jornais (o affaire João Palhinha foi o mais recente), é terreno que cativa a sementeira de dinheiros que costumam brotar do meio de nenhures e florir entusiasticamente com cheiro a lavadinho. Dispenso! Dispenso a venda da SAD, quero é que quem vier rapidamente substituir Frederico Varandas seja de boas contas e que tenha um projecto decente, capacitado com gente honesta e "trabalhadeira", isso sim, um futuro que será difícil porque se parte do inferno, mas com um objectivo claro: o saneamento financeiro da SAD sem perda da competitividade mínima. Competitividade que passa pela exigência de transparência dentro e também, com a mesma veemência, fora de portas. Não vale a pena, não sejamos ingénuos (ficou demonstrado no primeiro ano de Jorge Jesus), mesmo com as contas limpinhas e a casa arrumada, só seremos competitivos se conseguirmos dar a volta ao futebol português, doutra forma não iremos lá ou só lá chegaremos por mero acaso.

Não, vender a maioria do capital da SAD, é capitular perante o inimigo. É entregar o ouro ao bandido, é vender ao desbarato um activo com um capital incalculável.

E não, não é inocente esta tomada de posição. Todos sabemos quem são e o que fizeram e como fizeram quando por eles próprios ou por interpostas pessoas estiveram à frente dos destinos do clube.

Não gosto de estigmatizar e dividir os sportinguistas em "castas", mas que há uma enorme mão-cheia de associados e adeptos do Sporting que muito contribuiram e continuam a contribuir para este estado de coisas e a pobreza franciscana em que estamos, disso não tenho qualquer dúvida. Agora "acham" que será bom vender a maioria da SAD. Todos sabemos quem são, todos sabemos o que pretendem...

Sabem o que me lixa?

O que me lixa mesmo é este vírus que parece que veio para ficar e para o mal ou para o bem nos virá trazer outro tipo de sociedade, mas o que me lixa mesmo é o vírus, quanto ao resto estou habituado desde pequeno a lutar, umas vezes contra moinhos de vento, outras atingindo objectivos, faz parte. Farei se tudo correr bem 60 anos em Junho, mas como sou um optimista acredito que terei mais 60 para tentar mudar o Mundo.

Há no entanto outra coisa que me lixa e que tem a ver com o Sporting. A gente destituiu e expulsou de sócio um homem que se estava a tornar um perigo para ele próprio, mas principalmente para o clube. Com alguma ajuda interna e externa, é certo, mas quem cavou a sua própria "sepultura" foi ele. E julgava eu que depois disso viriam tempos de bonança. Qual quê! Agora temos lá um que consegue ser pior que o anterior. Agora até passámos a barreira da calotice. Só não abrimos telejornais porque enfim, o sacana do vírus nos toma o tempo e as preocupações todas. Mas aparecemos logo a seguir, o que é obra. E isto lixa-me o juízo, podem crer. O Sporting fazer parte dos que não pagam, dá-me cá umas comichões na dobra dos joelhos que nem imaginam. Mais, invocar, dizem, que oficialmente não se sabe nada, a pandemia para não cumprir acordos de pagamento, ou é suicídio ou incompetência. Eu como sou do tempo do Raul Solnado, diria que ele acumula! Isto já não há volta a dar, terminado o seu serviço (meritório, sem reserva de dúvida) na luta contra a pandemia e regressado ao recesso do lar sportinguista, deve o presidente do clube, mais os incompetentes que o acompanham, apresentar a sua demissão e o PMAG deve deixar-se de interpretações pessoais (e intransmissíveis) dos estatutos e dar a palavra aos sócios. É que não pagar à Doyen permitiu que se fizesse um pavilhão que é o orgulho de todos nós e foi desde o início bem explicadinho aos sócios; não pagar o Rúben Amorim (uma notazinha de rodapé no site do clube a explicar a coisa aos sócios já não seria "chita") pode ser um cabo dos trabalhos e até o impedimento da ida às provas da UEFA. Bom, só se já não estiverem a contar com isso, afinal estamos a bater recordes negativos consecutivos para terminar na pior época de sempre do Sporting Clube de Portugal.

Futebol? Fáciu, Teresa.

Mudar estatutos: um sócio/um voto

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Reconheço que numa hipotética como tão necessária alteração estatutária, este, sendo um tema que deve obrigatoriamente estar em cima da mesa, é certamente dos mais quentes e aquele que eventualmente mais discussões apaixonadas proporcionará.

Há vários escalões de sócios no clube que, consoante a antiguidade, vão adquirindo votos que lhes permitem ser mais influentes em votações em AG's, entre elas as eleitorais, conferindo aos sócios com maior tempo de fidelização uma enorme e desproporcional preponderância sobre os mais recentes.

Sou desde há muito defensor de que a cada sócio deve corresponder apenas e só um voto, desde logo porque é assim no país para todas as eleições importantes e até nas organizações empresariais por quotas, onde cada accionista tem os votos proporcionais à sua quota-parte da sociedade, independentemente se a possui há muito ou pouco tempo.

Reconheço que a este sistema há que, sob pena de haver subversão dele próprio, impor algumas regras que evitem a apropriação do clube por grupos de pessoas com interesses menos sérios. Mesmo havendo apenas uma ínfima hipótese de num acto eleitoral um grupo estranho tomar de assalto o clube (seriam necessários muitos milhares, diria largos milhares, para que fosse isso possível), haverá que acautelar por exemplo um período de tempo razoável, que eu diria de cinco anos, para se obter o direito a eleger os corpos sociais. Em AG's ordinárias ou extraordinárias que não as eleitorais ou que impliquem a perda de mandato dos corpos sociais em parte ou no seu todo, ou ainda as que impliquem a relação com a SAD, os sócios terão todos os direitos que agora detêm, com a permissa sempre de um sócio/um voto. 

Bem sei que há uma distinção entre os sócios A e B, desde logo pelo valor da quota paga (12€/6€) e que os primeiros poderão ter alguma relutância em prescindir da "vantagem" que detêm por via do valor a dobrar que pagam pela sua quota. Será uma posição legítima, mas convenhamos que já hoje por via disso há algumas legítimas diferenças de tratamento, sejam elas o importante direito a serem eleitos, ou o acesso à bancada A, entre outros. Tenho para mim que será talvez o maior obstáculo à implementação do sistema "um sócio/um voto" ("então eu pago o dobro daquele e ele tem um voto igual ao meu?"), maior do que o da antiguidade como associado. 

Há ainda os jovens, a quem deve ser dada oportunidade de exercer mais cedo na vida o direito a eleger os corpos sociais. Eu diria que aos 16 se estará preparado para eleger quem deve dirigir o clube. Afinal também se pode, num infortúnio, estar preparado para sofrer uma pena de prisão maior... E estes jovens teriam o seu voto aos 16 anos, se fossem associados, ainda que noutra qualquer categoria, ininterruptamente, há pelo menos cinco anos.

Clamarão alguns dos que irão perder os seus votos que o clube poderá ser tomado de assalto por "pára-quedistas" e que a antiguidade deve ser recompensada. Quanto à questão do "assalto", creio ter encontrado uma solução razoável (haverá outras e este post serve para isso, para os comentadores as indicarem). Quanto à recompensa pela antiguidade e fidelização ao clube, sem querer ferir ninguém, é-se sócio do Sporting por sentimento, por gosto, por coração, por amor, por partilha, até por egoísmo em casos extremos de clubismo/clubite, ou seja para dar. No entanto o clube já proporciona algumas vantagens aos seus associados, seja através de protocolos com terceiros, seja na aquisição de bilhetes ou outros. Esta antiguidade e fidelidade ao clube, não havendo qualquer necessidade de ser retribuída, pode no entanto ser recompensada. Há imensas formas de o fazer que ficarão à imaginação de cada um, mas por exemplo que tal sortear uns lugares nas deslocações ao estrangeiro para os associados com mais de "xis" anos de permanência? (às vezes até vai gente que nem do clube é...), reservar um número de bilhetes nos jogos internos exclusivamente para esses associados, com desconto até, criar uma tabela de preços de bilhete de época que premeie a antiguidade... O que quiserem e seja exequível.

Em resumo, o tema é polémico, mas se nos afirmamos como um clube democrático, que tal passar da palavra ao acto e instaurar um verdadeiro regime democrático no clube? 

Termino com o exemplo da aberração do último acto eleitoral: João Benedito teve maior número de eleitores. Frederico Varandas teve maior número de votos. Ganhou aquele que teve menos associados com a sua candidatura. É justo, faz sentido? Não me parece...

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