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És a nossa Fé!

O Lodaçal (II)

Enquanto não escrevo a parte II de "Lodaçal (ou Eça 133 anos depois)"...

 

 (É  um caso já antigo)

Sócrates tinha um amigo. 

(E segue a gandulagem)

Berardo uma garagem.

 

Vieira tem um palheiro

(No Novo Banco um salão?)

E diz-se de tudo alheio:

"O Benfica fiz campeão!"

Quatro bastam, cinco são

É jogar p’ra conquistar!

Quatro bastam, cinco são.

Porque quase não ganhar

Faz perder o coração!

 

Começou com tremideira.

Foi penoso o seguimento.

E apitadice matreira

Em jogo de sofrimento.

 

Esforço e dedicação,

Resistir e combater,

Crença e determinação,

Não quebrar e não ceder!

 

Rebentar com a Pedreira

Em rugido de leão.

Grita a equipa inteira:

«O Sporting quer ser campeão!»

O Lodaçal (ou Eça 133 anos depois)

Revisito regularmente o Eça de Queiroz. Por entusiasmo e dever profissional. Por gosto pessoal. E é sempre com surpresa e deleite que descubro um pouco mais e que penso um pouco melhor. Eça possui a insuperável qualidade de ter humor, de se não levar demasiadamente a sério, a consciência de que a ironia (principalmente a autoironia) é o privilégio dos muito inteligentes.

Em Os Maias, Ega, seu inconsequente alter-ego, anuncia a peça O Lodaçal, «uma comédia para se vingar de Lisboa»; segundo Carlos da Maia: «Entramos todos […] Todos nós somos lodaçal…»

Eça, esse (incompleto) dandy, que tão bem pensou Portugal porque nunca nele se atolou e o pôde anatomizar a distância, deliciar-se-ia certamente com a chafurdeira que grassa neste belo «jardim à beira-mar plantado». Matéria a rodos para as Cenas da Vida Portuguesa

Não sei se é comédia, se é tragédia, coisa séria não é…

Ao que parece, a Liga irá instruir um processo de fraude contra o Sporting e o treinador Rúben Amorim… ao que parece, o TAD continua sem conseguir reunir, nem sequer virtualmente (diria que não há rede, mas deve é haver rede a mais) para decidir do castigo aplicado pelo CD ao Palhinha… ao que parece, esta coisa de o Sporting avançar com seriedade, determinação e trabalho, para o título de campeão, é ação fora da lei…

Os milhões apetecíveis da Champions, pão da fome dos perdulários ricos que deveriam explicar a quem de direito (como os seus associados e apoiantes) o que têm feito nos seus departamentos de contabilidade, e a divisão futebolístico-administrativa do país em dois clubes (um lá em cima e outro cá em baixo) não podem continuar a infetar mor(t)almente o país. Não é de desporto que se trata; é de justiça e de legitimidade.

Chafurdar no lodaçal é (dizem) a forma de os suínos se lavarem. Mas está tudo tão sujo!

O Sporting joga limpo. Suja-se em campo porque a camisola é para honrar! Sujámo-nos na Choupana, no Bessa, em Barcelos, em Alvalade, porque o futebol é um desporto de inverno e não temos medo de lutar contra a lama. Sufocarem-nos no lodaçal, não!

Diz Ega: «Sinto-me como se a alma me tivesse caído a uma latrina! Preciso de um banho por dentro!»

Os suínos do burgo precisam de banho – por dentro e por fora. Melhor dizendo: em água corrente e maré vazante, é despejá-los daqui p’ra fora!

Boas Festas!

Este ano, a tradição não é o viver que nos habituámos a ter. É mau, bastante até, mas suportável. Em contrapartida, que bom a tradição ter sido rasgada! O nosso Sporting passará o Natal e receberá o Novo Ano em primeiro lugar! E em défice pontual, dado que (neste aspeto, a tradição ainda é o que era) já subtraíram quatro pontos à nossa equipa…

A todos os autores e leitores de És a nossa fé, desejo um Natal feliz, na medida em que cada um de nós o possa ter e sentir. Desejo também, e mais ainda, um 2021 que nos sorria, com saúde e alegria.

Que seja um 2021 verde e branco!

Primeiro (não) jogo – Liga 2020-2021

 

Verde e branca é a paixão

Que ao relvado quer voltar!

Fogo traz ao coração,

Por tudo querer ganhar!

 

Hoje ter eu quereria

O meu Sporting a jogar

E certamente eu veria

O meu Sporting a marcar!

 

Tal não vai acontecer,

Pois foi o jogo adiado…

Estão todos a adoecer,

Não era isto o esperado.

 

O estádio está fechado

E a bancada vazia.

Tudo está controlado,

P’ra travar a pandemia.

 

Em vez de “Golo!” gritar

E jogadas aplaudir,

É infetados somar,

Com outros por descobrir!

 

A pandemia maldita

O futebol nos tira,

À quarentena obriga

E maltrata-nos a vida!…

Não percebo...

Saiu ontem a notícia de que António Costa e Fernando Medina integram a Comissão de Honra da recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do SLB (há palavras nesta frase que não ligam muito bem… ‘honra’ vis à vis algumas das outras…).

Sem dúvida que são cidadãos como todos os outros, sem dúvida que a paixão clubística a todos atinge irracionalmente, sem dúvida que é gratificante pensar que se pode contribuir para o engrandecimento do «clube do coração».

Contudo, António Costa e Fernando Medina não são cidadãos como todos os outros: são o primeiro-ministro do governo da república portuguesa e o presidente da câmara municipal mais importante do país. São também políticos de carreira longa e cimentada, pessoas inteligentes, argutas e pragmáticas, com grande «faro político».

Daí que eu não perceba…

Luís Filipe Vieira tem o nome enredado em tudo de mau que caracteriza o futebol nacional e que dele extravasa, mesmo que a instrução processual em termos de justiça se faça tardar. É certo que: nunca foi condenado por nada e deve imperar «a presunção de inocência até prova em contrário».

Mas há um dado que já não carece de prova e que é público: o senhor de bigodes que tem por hábito defender-se dizendo ser um «homem de família» (la famiglia?) é um dos grandes devedores do BES/Novo Banco (outro tema que também me agride o raciocínio), a cujo sustento «todos os contribuintes» (quer-se dizer, mais ou menos…) são chamados a prover.

Daí que eu não perceba…

Dois políticos tão experientes terão tido em conta que aceitarem ser «cabeça de cartaz» nesta corrida lhes trará mais prejuízo que benefício; não acredito que a sua perceção da realidade esteja de tal modo alienada que pensem ganhar votos e simpatia, apoiando tão denodadamente alguém que, objetivamente, é responsável por parte do malbaratamento dos recursos financeiros do país.

Esta minha certeza conduz-me a uma conclusão: parece que há mesmo, como alguns já disseram, «um estado dentro do estado», que a aranha sabe tecer pacientemente a sua teia e que o polvo (extraordinário animal, leia-se outro Vieira - o Padre) se assume como verdadeiro DDT («dono disto tudo»).

Sempre ouvi dizer que «o braço da lei é longo», porém, mais longa e bem armada se afigura ser uma rede de cumplicidades que, como a rede dos esgotos ou dos serviços de telecomunicações (isto também me lembra qualquer coisa...), vai erodindo subterraneamente o chão (e não apenas o relvado) que pisamos.

É verdade: não percebo… Não será exatamente por falta de discernimento, talvez até «antes pelo contrário» (hoje rendi-me ao lugar-comum…).

Apetece-me replicar um anúncio publicitário já antigo (nem me lembro a quê): «Expliquem-me como se eu fosse muito burra!...».

A propósito da Liga Europa (com alguns parênteses)

[Senti-me muito bem-vinda!

Gostei de cá chegar. Gostarei de cá estar.]

 

Vi, na sexta-feira, a final da Liga Europa. Segui o jogo com interesse distraído: «rijamente disputado» (como ainda dizem alguns comentadores), frequentes simulações (equipas latinas e recheadas de sul-americanos), melhor a primeira parte (na segunda: força diminuída, ansiedade acrescida).

Fui torcendo, embora sem grande vigor, pelo Inter (desde que o Lukaku não marcasse!), apesar de, em Itália, no que a clubes respeita, só ter gostado da Juventus e do A.C. Milan.

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Da Juventus, inicialmente, nem sei bem porquê, mas, após o horrendo Heysel, não havia como não querer gostar da Juventus. Essa final da Taça dos Campeões Europeus (Liverpool vs Juventus, em 1985) é o grande exemplo de jogos que nunca se deveriam ter realizado, nem que fosse somente por relutante decência. Tal como outras duas finais, estas domésticas: as da Taça de Portugal de 1996 e de 2018.

Voltei a acompanhar a Juventus por causa do Ronaldo.

Pelo meio (final dos anos 80 e início dos 90), entusiasmei-me com o A.C. Milan dos extraordinários holandeses – Marco Van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard, tanto mais que este último chegou a ser, sem o ser, jogador do Sporting (temos, não raramente, queda para o burlesco…).

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Regressando a sexta-feira: fui torcendo, embora sem grande vigor, pelo Inter (e o Lukaku até marcou, mas não chegou) porque, mais do que antipatizar com o registo escandalosamente vitorioso do Sevilha, eu quereria ter visto a jogar o Bruno Fernandes!

Última verdadeira garra do leão, profissional modelo, futuro capitão da seleção nacional, que, no Sporting, por empenho próprio e ausência alheia, foi jogador, capitão, treinador em campo e espécie de porta-voz/diretor de comunicação do clube… Sovado em campo (usualmente sob o olhar displicente dos árbitros), assediado pelos jornalistas (ou aspirantes a sê-lo), Bruno teve grandeza dentro e fora do relvado, num clube e num campeonato (gosto mais do que «liga») que se tornaram pequenos para ele: no campeonato porque, de clube, vestia a nossa camisola…

Saudades do Bruno Fernandes! Se não era leão de pequenino, muitas vezes bem o pareceu…

Voltando a sexta-feira: ganhou o Sevilha. Não faz mal. Lá jogou o Daniel Carriço e lá joga o Gudelj (este, sim, joga rijamente e bem falta fez na última época).

O que interessa mesmo: Bruno Fernandes foi o melhor goleador da Liga Europa e mais de metade dos golos foram marcados de leão ao peito!

Parabéns ao Bruno!

Parabéns ao Sporting Clube de Portugal por o ter tido!

Em memória de meu pai

Chego hoje a És a nossa fé, honrada pelo convite e empenhada em não desmerecer.

Chego hoje a És a nossa fé e cumpro o ritual de apresentação:

Madalena.

Professora, leitora, autora.

Sempre gostei de dizer: O meu coração é verde!

Nasci Sporting! No dia a seguir, muitos anos depois. E às vezes (há anos felizes!) consigo unir celebrações.

No arco-íris da minha infância, sempre o verde brilhou mais e, com o meu pai, aprendi a viver o Sporting, em valores, código de conduta e ecletismo identitário – o atletismo, o hóquei em patins, o ciclismo… e o futebol!

O futebol!

Era eu bem pequena quando se manifestou a crise quinzenal de domingo à tarde. Dia de jogo em Alvalade: o meu pai ensaiava saída sorrateira, de cachecol na mão, enquanto a minha mãe tentava distrair a miúda, que ficava em lágrimas birrentas – «Eu também quero ir!».

E um dia fui mesmo! E a estreia foi triste…

Lembro-me da confusão, da gritaria e do meu assustado choro. Sempre me foi dito ter-se jogado um Sporting vs Leixões: penalti (mal) assinalado a favor dos visitantes, convertido à segunda porque o Damas defendeu na primeira marcação e o árbitro mandou repetir. E o jogo acabou! Aos sete minutos porque houve invasão de campo!

Iludiram-se os meus pais, confiando na futura serenidade dominical. Engano! Quando suspeitei ser novamente dia de jogo, plantei-me à porta e disse: «Então, pai, vamos ao Sporting?».

Muito tive de esperar: o jogo da minha estreia (29 de outubro de 1972 – encontrei a notícia em Estórias d’Alvalade, de Luís Miguel Pereira, 2003) teve como consequência nove jogos de interdição do estádio (coisa estranha… ao que parece, houve tempo em que estes castigos eram cumpridos).

Mas voltei e voltei e voltei… E volto sempre! Sempre se regressa à casa do «nosso grande amor»!

Se o espetáculo da minha estreia na vivência futebolística foi triste e feio, embora ritual de iniciação robustecedor, muitos e muitos mais foram os momentos belos e de louca alegria. Com o meu pai, mais tarde também com o meu irmão, eu vi o Damas, o Manuel Fernandes e o Jordão; o Figo, o Ronaldo e o Nani; o Ivkovic, o Schmeichel e o Rui Patrício; o Beto, o Valckx e o André Cruz; o Oceano, o Sá Pinto e o Pedro Barbosa; o Balakov, o Iordanov e o Duscher; o Acosta, o Jardel e o Liedson…

Vi muitos e muitos jogos com o meu pai, sócio 2. 237, à data da sua morte, em 2019.

Volto sempre a Alvalade e sento-me no Lugar de Leão que foi dele.

{ Blog fundado em 2012. }

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