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És a nossa Fé!

Rally tascas

 
Oitenta a noventa por cento dos jogos dos três grandes são contra equipas galhardas, manhosas e de contra-ataque, que se atiram para o chão aos 70 minutos quando se apanham a ganhar. É uma estratégia e também não é criticável (à luz dos seus interesses). Os ditos grandes não fazem outra coisa a não ser disputar jogos de solteiros e casados e não jogos como o Sporting-PSV, o Young Boys-Porto ou o Leipzig-Benfica. Pouco importa quem ganhou. Vi os três jogos, corridos, disputados, sem manhosice e chico-espertice, além da adulta, própria do futebol de alto nível, bem filmado, vivo.
Como espetáculo desportivo, a nossa bola é televisivamente deplorável. Estádios quase todos horrendos, mal iluminados, com ervados indiscritíveis, com cornetas e bombos em cima do comentário, público que vaia o árbitro por tudo e por nada, que quer ganhar de preferência com golos com a mão, dão ao nosso futebol uma atmosfera de tasca que não se compara com as ligas inglesa, espanhola, francesa, holandesa até a grega (do que vi). É curioso que o brilho de Ronaldo tenha diminuído na Liga que tem das piores imagens televisivas destas todas, a italiana.
Dois ou três jogos por ano assim teriam graça, como tem graça comer em roulottes nos festivais, mas ser quase sempre assim puxa a nossa Liga muito lá para baixo. Acabamos por ver os jogos à espera que o nosso clube vença e o rival perca, não para ver e fruir futebol.  
Porque hoje lá estaremos em Barcelos para mais um solteiros e casados

Que treinador seria bom para o Sporting, sem recursos para ir ao mercado?

Se se verifica que Silas não funciona, vejo apenas (sublinho apenas) três possibilidades:

Paulo Bento, casmurro o suficiente para não deixar que façam dele gato sapato. Sabe armar equipas em função dos recursos que tem e detesta vedetismo.

Carlos Queiroz, idem, com a nuance de ser mais atacante, mas também mais arisco com a media.

Abel Ferreira, idem, com a nuance de ser mais moderno e conhecer melhor a realidade do futebol português. Será o que tem mais anticorpos junto dos adeptos (mas todos têm).

Como opção extra, o filho do Manuel Fernandes, que tem sangue na guelra e parece ser competente. Não sei é se não se enfarilhará depressa com a direção (seja esta qual for) 

Cheira-me que vive os dias mais felizes da sua vida.

Jorge Jesus é uma bela súmula do que é ser o português ferrabrás. Alma até Almeida, coração enorme, mas também fezada, improviso, mania das grandezas, alguma arrogância até e soberba provocatória a disfarçar a fragilidade ou (como se diz agora) autoestima lá em baixo. Português, o maior, mas mortal ainda assim.
Jorge Jesus é obcecado com o que faz, meticuloso e em constante auto-melhoramento. Sendo de geração diferente da de Mourinho, é mais da rua, da fábrica, do café, da sueca, da chicla e da caneta Parker que do Moleskine ou da Montblanc.
JJ será ainda muito persuasivo e impositivo, em especial junto daqueles que são emocionalmente frágeis como ele, como os jogadores de futebol portugueses, sul-americanos e latinos e alguns dirigentes. É aí que é Mister: Comes as sandes de courato que quiseres mas fazes como eu quero e se é para chegar todos os dias às 6 da manhã é porque é mesmo para chegar todos os dias às 6 da manhã. É homem do calduço mas também da festinha. Seria um fantástico pastor evangélico no Sul dos EUA, como seria um magnífico senador no Brasil ou um líder de agricultores em França. É um personagem com poucas dúvidas e que raramente se engana.
Como qualquer um de nós, JJ quer ser amado e admirado, e, muito à portuguesa, numa dinâmica que parece ser perpétua, vê na teimosia e na casmurrice qualidades superiores.
Fiquei muito contente com a dupla conquista brasileira de JJ porque o amadorense – homem com defeitos e qualidades – me parece ser muito grato e disponível para aqueles que o aplaudem. Ora isso é uma enorme qualidade e bastante rara. Jesus é um genuíno e entusiasta protagonista numa atividade (o futebol ao mais alto nível) que consumimos com a avidez de crianças. Não se esconde e fala, gesticula, explica, partilhando connosco o que lhe vai acontecendo. Acho esse pacto que fez connosco, os adeptos, uma coisa fantástica e por isso muitos vibramos com uma vitória que lhe caiu do céu (mas essa parte não é para dizer).
JJ é uma espécie de ator de um filme que ele próprio tem criado na carreira, desde que subiu lá acima, quando foi para o Benfica. Habilíssimo na relação com jornalistas e influencers (os mais velhos, malta do Solar dos Presuntos), passou a fase do amealhar dinheiro e aspira agora à admiração, à glória e à imortalidade. Sempre com fezada. Cheira-me que vive os dias mais felizes da sua vida.  Parabéns!

Memórias do Tottenham

A 29 de Dezembro de 1981 não havia muita gente no Estádio José Alvalade para ver o Sporting jogar, mas eu estava lá com o meu irmão e o meu pai que, do nada, nos levava de vez em quando ao estádio. Bilhete de superior para o meu pai, eu tinha 11 e o meu irmão 12 e entrávamos sem pagar. Uma torrente de chuva miúda, chata, persistente, fria como o medo encharcava-nos até aos alvéolos, até que alguém se lembrou de abrir a central – a tal da pala – e lá nos abrigamos todos. Foi a primeira vez que vi futebol no Estádio do Sporting numa central. No marcador rudimentar que havia ali pelo peão, mesmo em frente da central, quem soubesse ler ficava a saber que o Sporting jogava contra o THFC, vulgo Tottenham Hotspur.
A mim fazia-me alguma confusão que um clube equipasse de branco, mas a presença de Osvaldo Ardiles, que conhecia bem da seleção argentina campeã do mundo, é que nos entusiasmava mais. Há mais história sobre este jogo a feijões no (ótimo) livro Big Mal & Companhia, de Gonçalo Rosa, que fala dessa nossa época, uma das mais vencedoras e divertidas. Nunca mais esqueci o THFC, como nunca mais esqueci o Dínamo de Zagreb a quem Oliveira marcou três.
Agora é Zé Mourinho quem chega ao Tottenham onde, como se ouvia ontem no Canal 11, é capaz de ter um plantel melhor que aquele que havia em Manchester. Que JM faz falta ao futebol é evidente, mas o Mourinho mindgames, queixinhas e provocador faz menos falta que o Mourinho arrojado, próximo da relva e dos jogadores, que mete as equipas furiosamente à procura do golo na outra baliza. Que se abram então as portas para esse Mourinho, como se abriram as que nos levaram à central naquela noite de Dezembro. Acreditem que ficamos melhor.  


P.S. - O Sporting ganhou o jogo por 3-2.

não sei bem como dizer isto

... mas os resultados do SLB na Champions são perfeitamente lógicos. Ao obter poucos pontos na Champions, o Benfica impede que o nosso ranking suba. Ora não subindo o ranking português, as possibilidades de entradas diretas na Champions (ou quase diretas) vão diminuindo, sobretudo para quem fica em segundo no campeonato. Não indo à fase de grupos Champions, os clubes ficam sem dinheiro e etc e tal. 
Dito de outro modo, o SLB será tanto mais dominante internamente quanto menos clubes portugueses chegarem à fase de grupos da CL. 
Sim, há uns arrufos dos adeptos, umas crónicas a bater em Bruno Lage, mas em Maio lá estão todos no Marquês.
Ao português em geral, mais do que ser grande, interessa que o seu vizinho seja pequeno. 

Jordão


Morreu Rui Jordão. Vi-o jogar umas poucas vezes, no outro Alvalade e bastantes vezes na televisão, em especial no Euro 1984, em França. Era um jogador de uma elegância e uma competitividade únicas, um dos chamados goleadores no tempo em que a expressão ponta-de-lança começou a substituir a palavra avançado. mas também e sempre um solitário lá na frente. Lamento profundamente a sua morte. Sobra a certeza que será sempre lembrado pelas suas qualidades futebolísticas e por um certo mistério aristocrático que era como um manto que o envolveu mal se retirou. Os festejos únicos quando marcava golo mostravam sempre um homem feliz por poder jogar futebol, o que é próprio dos enormes. Morreu um bocadinho da nossa história. Saibamos honrar o seu exemplo. 
gesta non verba Jordão!

Novos contos da montanha

 

1. Vamos num passeio de família para um local remoto. Um passeio emocionante, pela montanha, incríveis as fotos que tiramos. São só 650 quilómetros ao nosso destino, chegamos lá pela hora de jantar, não há pressas que vamos lá dormir. Vamos mas é até àquela cascata perdida na serra que nos falaram. O carro avaria no meio de nada. O telemóvel está a ficar sem bateria. Para azar o cabo USB é antigo, não dá para carregar este modelo. Vai-se a ver e nem trouxemos nada para comer ou beber. Anoitece inesperadamente depressa e começa a ficar frio. É feriado. Véspera de fim de semana. Começamos todos a discutir e a ficar assustados. Há berros, gritos, passa culpas, medo. Há três horas que estamos ali sem que passe ninguém. Começa a chover.
No banco de trás, o garoto pergunta se podemos pedir Uber Eats.

2. Talvez o que mais me continue a espantar no nosso país – e o Sporting decorre em Portugal – é esta capacidade de manter a exigência, de querer o melhor, de estarmos alheios às circunstâncias que nos rodeiam, como o garoto no banco traseiro do ponto anterior.
Aprendamos que por vezes não dá sequer para comer umas bolachas, quanto mais pedir Uber Eats.

3. Futebolisticamente falando, o erro de Varandas foi ter acreditado que apesar do clube estar preso por arames, a equipa ter setores (defesas laterais, “trinco”, baliza) com jogadores que talvez não fossem titulares no Guimarães, podia dar-se uma fezada e ganharmos a Liga. Talvez se desse um efeito Leicester, todos remassem para o mesmo lado e a coisa talvez acontecesse.
Se não desse para UberEats, talvez desse para pedir TelePizza, quando estava à vista que não dava para pedir nada, primeiro era preciso sair dali.

4. Ao manter Bruno Fernandes cometeram-se dois erros: não se encaixou a receita e deixou-se um jogador que, pela sua especificidade, desequilibra o estado emocional do grupo. Bruno passa a bola quando quer, remata quando quer, marca os livres e cantos que quer, berra com quem quer. Não sou especialista em psicologia das organizações, mas apostaria que nem todos os colegas o veem da mesma maneira. No fundo, BF porta-se como o “Messi” ou o “CR” do Sporting, sendo que não é nenhum desses. Essa carga emocional intensa que advém do estrelato (auto)conquistado por BF será o primeiro dossier de Silas. Esperemos que BF colabore.

5. O segundo é tentar criar trincos e/ou um box to box como deve ser. Será Eduardo? Haverá alguém por lá que a malta não vê? Honestamente não estou a ver, mas também não sou treinador. Acho que resolvidos estes dois dossiers, jogo a jogo, as vitórias surgirão.

6. O mais irónico é que a época está longe de estar perdida. Ainda podemos ficar em terceiro – o nosso lugar lógico – e ainda podemos vencer as taças e até fazer um brilharete na Liga Europa. Quem sabe as coisas serão diferentes no futuro, mas por ora são assim, é isto que podemos valer.

7. A mim, enquanto sportinguista, não me custa que assim seja. Admito que com outros não seja assim, mas por mim até podemos descer de divisão que continuarei do Sporting.

 

Bons rapazes


O incrível golo de Pedro Mendes é seguido de um tipo a festejar sozinho. Durante o que me pareceu uma eternidade, o jovem jogador está sozinho no que terá sido um dos momentos mais felizes da sua vida (digo eu). Finalmente, dois ou três colegas lá lhe dão um tapa de felicitações, mas é um golo que não é festejado em equipa. Talvez Bruno Fernandes, o capitão, possa fazer alguma coisa pelo grupo fora das quatro linhas.
O jogo de ontem é o resumo do meu sportinguismo neste século. Expectativas, vamos a eles, hoje é que é, golos estúpidos sofridos, alguns repetentes, um ou outro golito nosso e no fim um mau resultado. Com exceção de fases de JJ e do Sporting aborrecido de Paulo Bento tem sido assim desde Boloni, João Pinto e Jardel.
  

ontem vi o jogo, hoje ouvi o spin

Ontem vi o Benfica perder um jogo que nunca (nunca!) esteve perto de ganhar. Os alemães, a jogar fora, com o mesmo 11 que defrontou o Bayern dias antes, foram superiores fisica, tecnica e tacticamente a uma equipa com vários jogadores novos e frescos que jogou, em casa, com o Gil Vicente. Tiveram várias oportunidades, com o GR do Benfica a ser (de longe) o melhor da sua equipa. 

Hoje fiquei a saber que:

- O Benfica lançou mais jovens que estiveram até acima das expectativas

- Tem de se compreender que o futebol alemão é mais competitivo.

- Poupar faz sentido que vem aí o Moreirense.

- O plantel do Benfica tem várias, inúmeras soluções, como ficou demonstrado. 

- O grupo é altamente competitivo



Espero que acreditem que lamento a derrota do Benfica. São menos pontos para os clubes portugueses, onde se inclui um Sporting infelizmente não tão forte como se gostaria nesta altura.  



p.s. a não "filmagem" de Lage nos adeptos (ou lá onde andou) só porque este pediu aos jornalistas é incompreensível. É objetivamente de interesse para o público em geral as reações e a fisicalidade do treinador do SLB na sua estreia na Champions. Com o seu tom simpaticão, cúmplice e metafórico, Lage consegue meter os jornalistas todos no bolso

Devo dizer que gostei da entrevista de Frederico Varandas.


Gostemos ou não, ele representa uma nova geração, daqueles que já nasceram bem a seguir ao 25.04 e agora começam a liderar empresas e organizações. Nova geração não no sentido de tipos iluminados, mas no sentido de pessoas diferentes da geração que tem cinquentas, sessentas ou mais (a idade da maioria dos nossos ilustres mais mediáticos). 
Acho que parte do bad blood que há para com ele e a sua equipa tem a ver com isso.
Apesar de tudo, FV aguentou-se firme, dando a ideia que uma certa pressão em cima o estimula. FV enganou-se com Keizer e deve tê-lo percebido no início deste ano civil. Mas pimbas lá se ganhou a taça da Liga, pimbas lá se eliminou o SLB da Taça de Portugal e tri-pimbas lá se ganhou a taça de Portugal. Acho que ele próprio já percebeu que lhe faltou uma certa ratice em que o mundo da bola é pródigo. Eu sou do tempo em que Ivic, um treinador do Porto, saiu inesperadamente para instrutor da FIFA…
FV partiu do princípio (tal como 99,9% dos comentadores) que Bruno Fernandes iria embora por uma pipa de massa. Não foi, o que obrigou a despachar Bas Dost e a vender Raphinha. São erros de gestão? A meu ver não. Mas também aqui faltou alguma ratice no spinar da coisa. Dost já não é um garoto e o valor por Raphinha que nunca foi sequer internacional é extraordinário. Se fossem internacionais firmados como Coates, Acuña ou Diaby por aquele valor, toda a gente acharia uma venda fantástica.
Claro que agora a margem de erro diminuiu, mas a vida é mesmo assim.

Sobre o próximo treinador, também isto.

Sem querer ser irritante, sim, a escolha do próximo treinador do SCP é muito mais complicada do que parece à primeira vista. Aliás, de qualquer treinador no futebol português nesta altura. Os verdadeiramente bons (Mourinho, Fonseca, Jardim, JJ) ou recebem uma pipa de massa e/ou iriam exigir vários craques incomportáveis. Os estrangeiros ou recebem uma pipa de massa e exigem craques ou são obscuros, desconhecidos e desconhecedores do futebol português e portanto um risco (como Keizer).
Ao Benfica, que também se viu e desejou para arranjar um treinador, saiu uma espécie de sorte grande que foi o alinhamento estrelar entre Lage e o plantel. Claro que houve mérito e coragem na Luz, mas também houve acaso, sorte e circunstância. Não é irrepetível, mas há uma dose de fezada que é necessário considerar, caso queiramos usar a receita. Lembro que bastou a Lage levar dois secos do Porto (a sua primeira derrota em mais de vinte jogos) para ilustres benfiquistas virem dizer que coiso e tal. 
Como escrevia ontem num comentário, não foram apenas as casas no Chiado que subiram de preço. Essa entidade que é o “profissional de futebol português com qualidade” ainda valorizou mais.


p.s. Este dossier “próximo treinador do Sporting” diz muito da irracionalidade quando se fala em bola. Eu próprio atestei o depósito ontem e paguei com irracionalidade. Como vou pagar uma viagem que conto fazer em breve. Espero que a e-dreams aceite irracionalidades

13 Reasons why este mercado foi bom e há todos os motivos para se estar otimista

  1. Ontem, no canal 11, o presidente do Marítimo disse com ar simpático que acertara tudo com Vieira para que João Félix e Ferro fossem para a Madeira no mercado deste janeiro que passou. Só a troca de treinador na Luz fez abortar o negócio. Para dizer o quê? Que há muito, mas mesmo muito, de oportunidade, sorte e azar no mundo da bola.

  2. O Sporting foi objetivamente prejudicado no último jogo. Há um penalty sobre Raphinha não assinalado (árbitro e VARs coniventes) e pelo menos um dos que foram marcados a Coates é de gargalhada. O Porto foi beneficiado objetivamente por uma das expulsões mais abstrusas de que me lembro. O Benfica foi a Braga receber vários presentes de Natal, não tendo a equipa sido sequer testada, depois do baile que levou do Porto. Para dizer o quê? Que Deus e o demónio estão nos detalhes e que na bola é igual.  

  3. O mercado do Sporting foi dos melhores que me lembro. Falo desta fase, do fecho. Só no fim da época saberemos, mas eu sou do tempo de César Prates, Mpenza e André Cruz, que não excitaram ninguém quando apareceram. Sobre Acosta é melhor nem falar. Não houve videirinho do comentário da altura que não se risse da ciática.

  4. Porque é que foi dos melhores? Porque se faturou e imagino que seja necessário para fazer face aos encargos. Eu, para poder comprar a minha casa atual, também vendi a que tinha. E era uma casa do caraças.

  5. E foi dos melhores porque muita “tralha” se foi embora. Jogadores decentes, boa gente, mas cuja qualidade futebolística foi mais do que posta à prova, ficando claro que com eles jamais o SCP seria campeão. Acontece em todos os clubes ter “tralha” e o nosso não é exceção.

  6. Também foi dos melhores, porque os wild cards (sobretudo o playboy Jese) vieram emprestados, o que permite ao clube ganhar mais um ano para que haja produto da formação à altura e/ou scouting eficiente. Ou seja, não se gastou uma pipa de massa em Jese (como se gastou em Diaby, por exemplo) e vieram alguns jogadores “maduros” que podem ajudar. Podem ser flops? Podem. Mas também podem não ser.

  7. Foi dos melhores, porque se chegou a acordo sobre mais um jogador do caso Alcochete. É provável que Podence valha mais do que 7 milhões, mas é sempre melhor encaixar agora do que talvez mais daqui a uns anos valentes, mais as custas judiciais e o diabo a sete. Além disso, houve o bónus de Bruno Gaspar ter sido emprestado à boleia deste deal.

  8. Sobre “estratégias de comunicação” é difícil falar. Muitas vezes, na vida, as pessoas não estão dispostas para ouvir a chamada verdade. Nós, portugueses, somos especialistas nisso, basta ver o que dizem as sondagens eleitorais. Somos adeptos de quimeras, cenários idílicos, achamos que se acreditarmos muito no Pai Natal este passa a existir. Mas chega sempre um tempo em que a mensagem e quem a quer ouvir estão compatíveis. 

  9. A equipa de Varandas foi às compras com um saco de caramelos. O lateral francês talvez seja bom, Rafael Camacho talvez dê num negócio Raphinha, Eduardo talvez permita que se possa vender Wendel mais cedo. Mas fazer compras com saco de caramelos implica isto mesmo: apostar que talvez aquele restaurante com aspeto assim assim nos vá servir uma bela refeição. 

  10. Entretanto, a ideia que dá é que os sub-23 representam os “good old days” da formação a voltar devagarinho. Cada mês, cada seis meses, cada ano que passam, os garotos estarão mais próximos da equipa. 

  11. Há razões para otimismo? Fifty, fifty. Por exemplo, a jornada passada foi uma azia de todo o tamanho, mas Guimarães e Braga também perderam. Não ir à Champions é mau, mas não ir à Liga Europa seria uma tragédia. Thierry, que parecia verde como um abacate, acabou por render uns milhões. Vietto às tantas é craque. Bruno Fernandes ficou. 

  12. O que estou para aqui a dizer? Que o Sporting ainda está a ressacar a gestão Bruno de Carvalho. Essa gestão esticou a corda, foi ao limite, contratou dezenas de jogadores, pagando-lhes bem, teve um dos treinadores mais caros do mundo, com a obsessão do título que, é preciso dizer, quase vencemos. Eu, se vou de férias e gasto mais dinheiro, nos meses seguintes tenho de andar mais regrado.

  13. É uma perda de tempo acreditar na “união”. Os meus amigos do Benfica, mal empatam dois jogos seguidos, começam a dizer que o Vieira tem de dar lugar a outro. Mas também é inútil estar pessimista. A vida é feita de fases. O Sporting é o Sporting. Milhares de miúdos e miúdas são do Sporting e choram pelo clube, independentemente do número de campeonatos. Os seus filhos farão a mesma coisa.

Bravo campeão!

O primeiro campeão do mundo (ie, medalha de ouro) de Judo português é um atleta do Sporting. Chama-se Jorge Fonseca. 
Parabéns!

Uma magnífica entrevista (já com dois anitos) de vida no Observador com Jorge Fonseca, permite conhecê-lo melhor. Foi pai aos 17 e venceu um cancro (e não gosta de falar disso).
https://observador.pt/especiais/jorge-fonseca-o-judoca-que-fez-ippon-ao-cancro-incomodou-me-a-forma-como-fui-exposto-na-doenca/.

Passas no Algarve

 

  1. Portimonense tem uma bela equipa e está muito bem armada. Tem ótimos jogadores (bom scouting!) e joga ao ataque, sem manhas, simulações e demais tretas.
  2. Sporting teve a “sorte do jogo” (como não teve na final da Supertaça).
  3. Não acabamos de rastos no final, como com o Braga. Mas eu fiquei com a sensação que ainda não controlamos o ritmo do jogo como uma equipa “grande” deve ser capaz de conseguir. Se estivéssemos na Champions, e seguindo o que disse Pinto da Costa, teríamos levado uma tareia.
  4. Vietto e Bruno fizeram uma bela dupla. Dois craques, também a exibirem-se um contra o outro, mas a vida é mesmo assim e quem ganhou foi o espectador.
  5. O nosso Doumbia não é nenhum William, talvez o jogador que mais falta nos faz.
  6. Wendel parece um velhote de 35 anos. Ou um molengão que se deitou às 5 da manhã.
  7. Nossos centrais, quase sempre desprotegidos, viram-se em apuros. Se Jackson estivesse afinado, não teria acabado 1-3.
  8. Talvez como despedida, muitas bolas cruzadas para o fantasma de Bas Dost que obviamente não estava em campo (porque os fantasmas não existem).
  9. Luiz Phellype é outro tipo de avançado, mais de encostar ou de moer defesas só por moer. Mas já marcou e já sacou uma penalidade.
  10. Depois do jogo de ontem, nunca mais Vietto voltará a ter o espaço que teve ontem. Mas quero crer que em modo contra-ataque e/ou contra equipas de bloco alto será um excelente abre latas e um passador acima de Bruno.
  11. Por falar em Bruno, tenho de ser eu, que nunca o vi na vida, a dizer-lhe que não pode reagir assim às decisões de arbitragem, seja um fora mal ajuizado, seja um cartão por mostrar? Sem querer chocar ninguém, vocês davam 70 milhões por um jogador que se arrisca a ser expulso por protestos? Ou lá fora ele seria mais calmo?
  12. Nosso Thierry está a subir imenso de produção, mas convinha a Raphinha ajudar mais.
  13. Eduardo entra desconcentrado em jogo e já não é a primeira vez. Passa curto, com a bola a queimar o colega, ou passa mal. Também posso falar com ele.
  14. Bas Dost teve sempre a seu desfavor não ser um jogador pintoso, bonitão, tatuado e musculado. Como sabemos, essa impressão que se tem ou não se tem é muito mais importante que parece. Fora isso, foi muito mais sportinguista que muitos dos nossos. E um goleador que ficará na nossa história. Obrigado por tudo!

Super ou Normal? Meta Normal.

  1. Venceu o Benfica. Com justiça e, convém dizer o óbvio, como era esperado.
  2. Pessoalmente até temia um desnível como este. Como o Sporting é um “grande” não entra em finais com a predisposição dos clubes pequenos, em que os jogadores dão 20% ou 30% a mais em busca de fazer História e de serem vistos pelos olheiros certos.
  3. A época desportiva é do Benfica. Um dos pontos interessantes (digamos assim) é verificar quantas vezes vão perder, empatar ou até sofrer golos, tal é a sua superioridade individual, coletiva, técnica e física.
  4. Ou seja, embora possa dar jeito para descarregar alguma frustração, Keizer ou Varandas não são culpados de nada. Não foi Keizer que tentou driblar na área, mas sim Matthieu (grande jogador), nem foi Keizer quem disse a Thierry (grande personalidade e bom jogo) que se atrasasse no lance do primeiro golo.
  5. Se trocássemos Vieira ou Lage para o SCP, acho que tudo ficaria mais ou menos na mesma.
  6. Também não foi por falta de macumba de Keizer ou de Varandas que os presentes do lateral do Benfica no primeiro tempo não deram golo. Por vezes o futebol (ou a vida) é assim: o nosso Thierry demonstrou muito mais que Nuno Tavares, mas quem levou a taça, os encómios e a moral foi o benfiquista.
  7. Claro que Lage demonstrou ser mais sagaz que Keizer na segunda parte e Rafa e Pizzi (que não só jogam juntos há 150 anos como beneficiam de um curioso silêncio mediático) meteram o turbo. Mas é por estas e por outras que o Benfica está melhor, francamente melhor, que o Sporting.
  8. A questão física do futebol é para mim um mistério. Como é que equipas que até viajaram para a América, jogaram com equipas europeias decentes, etc, têm mais cinco ou seis pulmões que outras, escapa-me por completo.
  9. Embora compreenda o estilo de Varandas – que fala para a costela irracional do adepto, fingindo que fala para o seu cérebro – não tenho a certeza que seja o modo mais eficaz de encurtar o enorme abismo entre SCP e SLB.
  10. Se bem conheço a cabeça dos holandeses (e até conheço um pouco) eles não creem em salvadores ou homens providenciais, mas sim em sistemático hardwork.
    Achar que Bruno Fernandes funcionará por osmose e transformará a equipa numa espécie de super equipa de onze Brunos é tolo, mas dá a ideia que todos (exceto o treinador holandês) têm fezada numa coisa dessas. Note-se que o Sporting não vence em jogo jogado há mesmo muito tempo e muitos jogos (perdemos no Porto, empatámos na final Taça, a pré-época foi o que foi, ontem foi o que foi).
  11. Temos todos os motivos para um certo otimismo. Fazer uma época com bom futebol, potenciar jovens, bravos e valiosos jogadores, ir longe na Europa League e tentar ganhar as taças (que no ano passado, não o esqueçamos, nos caíram mais ou menos do céu, porque ganhar em penáltis não é bem a mesma coisa que ganhar lá dentro).

Novas regras

Em país de autoridade fraca e dúctil, onde os árbitros revelam uma milenar propensão para se inclinarem para onde lhes cheira a poder, as novas regras darão muito - mas mesmo muito - que falar (pelo menos) nas primeiras jornadas.

Alguma profilaxia seria recomendável.

Em português corrente, é bom que se comece a falar do assunto porque os árbitros também veem programas de bola nos canais de notícias e convém que saibam o que é para ser feito.

Eis um excerto: 

É mão na bola (ou seja, merece apitadela valente):
Sempre que a bola embate num dos membros superiores e se dirige para a baliza, mesmo que o desvio tenha sem querer.

Sempre que um jogador ganhar a posse de bola após esta bater-lhe na mão ou braço involuntariamente e, na sequência, marcar ou criar uma situação de golo.

 Não é mão na bola (ou seja, segue jogo)
 
Quando um jogador está a cair e a bola embate no seu braço/mão que está a apoiar a queda

Quando o braço/mão do jogador se encontra encostado ao corpo (vai ser o bom e o bonito, digo eu);

Quando a bola tocar no braço/mão do jogador, depois de vir da sua própria cabeça/corpo/pé ou de qualquer outro jogador que esteja perto dele.

Penáltis 

O jogador que sofreu a grande penalidade, mesmo que assistido, pode ficar em campo para bater o castigo máximo. (e assim perder infindáveis minutos, digo eu)
 

Substituições: O jogador substituído é obrigado a abandonar o campo na linha lateral mais próxima onde estiver, quando o árbitro autorizar a substituição (a não ser que o árbitro ordene que saia rapidamente pela linha do meio-campo ou por outro ponto do relvado devido a questões de segurança, lesão, etc).
(Vai ser um forrobodó de decisões assobiadas, digo eu)

 

Um dos dias mais importantes da época

Percebo mal a pouca ou nenhuma importância que se dá ao calendário da Liga.

O sorteio – que será a 5 de julho – é uma das mais importantes ocorrências da época desportiva dos chamados três grandes e pode ser decisivo no equilíbrio entre os três ou, em campo oposto – no afastamento imediato de um ou mesmo de dois dos competidores.
Por exemplo, começar por ir ao Rio Ave, receber o Braga, ir a Guimarães, receber o Benfica, ir a Portimão e ir à Antas pode acontecer, com jornadas da Liga Europa algures que podem ser deslocações à casa do Diabo. No nosso caso este cenário de hipótese só é ajudado por termos relativamente poucos selecionáveis a esta altura.
Algumas das mais importantes decisões da época na construção do plantel de um clube como o nosso – um contender da Liga, mas não um winner habitual – passam por superar o primeiro obstáculo que é o “início” da época. Admira-me que imprensa, crítica e adeptos não tenham mais atenção a isto. Acredito que os clubes e as estruturas tenham.

a sombra da bananeira

Um pouco assustadora a falta de qualidade de Nelson Semedo e de Raphael, o lateral do Borussia (que pouco jogou ao longo do ano). Ruben Dias também pareceu assustado com a poderosa armada suíça e até Patrício titubeou contra o melhor ataque do futebol mundial. Ruben dos Wolves também apanhou bonés contra o espantoso meio campo suíço durante uma hora e Bernardo Silva, candidato a sucessor de CR7 e paixão da vida de Guardiola, andou perdido no campo contra uma Suíça - que tem uma das melhores equipas de todos os tempos, até à assistência do segundo golo.
O nosso Bruno Fernandes começou péssimo, mas subiu, embora não tenha imposto um jogo de 20 milhões, quanto mais de 100. William, é preciso gostar dele e conhecê-lo, mas apostaria que ficará para sempre em clubes que não ganham títulos.
Portugal é o melhor país vendedor de craques.
No fundo, temos uma bananeira chamada Questiano, à sombra da qual todos dormem há muito.

Não percebemos mesmo de bola e é pena

Não percebemos mesmo de bola e é pena. Infelizmente não ironizo (se ironizasse, significaria que percebemos de bola).
Numa entrevista Peseiro reclama algum mérito nas taças ganhas pelo SCP e noutras, variadas, Rui Vitória ajusta contas ao não falar do Benfica e a chegar a dizer que não tem o telefone de Lage, daí não ter enviado os parabéns. Vitória também disse que Félix é bom como são outros e fartou-se de criticar o futebol autóctone, na medida em que se passa o tempo a refilar e a protestar em dia de jogo e em dia de não jogo. Não acenou nenhuma bandeira com águia nenhuma e trabalha em qualquer clube. 
Peseiro afirma-se pacificador e babysitter de jogadores pós-assalto a Alcochete e reitera que ele e a comissão de gestão tiveram um papel fulcral no que viria a ser, afinal, uma boa época para o Sporting. Teve uma palavra para Keizer, mas diz que o trataram mal.
A Bola, sempre atenta aos timings, já malha grosso em Vitória e um cronista chama a atenção para uma entrevista de Luisão, em que este não tece loas a RV, o que prova muita coisa (o quê, não faço ideia, porque não percebo de bola).
Vitória foi campeão no Golfo mas JJ (que no mesmo sítio e à mesma hora não foi) continua a roubar-lhe as parangonas.
De Peseiro parece que todos continuam a não querer saber.
Não percebemos mesmo de bola e é pena. Assim continuamos a não saber se RV ou Peseiro têm ou não têm direito ao capital de queixa.

A enjoativa “solidariedade do mundo do futebol”.

Poucas coisas me enjoam mais que a “solidariedade do mundo do futebol”. Não porque mortes chocantes, doenças ou tragédias não nos mereçam lamento, mas porque o “mundo do futebol” tem um gatilho solidário mais rápido que a sua própria sombra. Ontem morreu Reyes, que além de jogador razoavelmente conhecido foi um jovem rico que se espetou de carro em excesso de velocidade. Sendo a viatura um Mercedes recente (e portanto bem construído), Reyes deveria ir mesmo muito depressa para o carro ficar naquele estado. Além do jogador, morreu outra pessoa e um outro homem ficou ferido.

Ninguém pode ficar contente com a perda de vidas, muito menos há “pessoas que merecem”. Mas “o mundo do futebol” – por causa da sua visibilidade e influência nos jovens - teria a ganhar se fosse mais como o antigo guarda-redes Canizares, que afirmou que Reyes não merece tributo de herói (no sentido de que um acidente por excesso de velocidade é culpa do condutor. E é.)

A perda da vida de Reyes, em vez de servir para o “mundo do futebol” viver mais uma jornada emotiva do seu campeonato muito particular das manifestações públicas de dor e pesar com que os jornais desportivos vibram intensamente, a ser útil para alguma coisa seria para lembrar aos ases do volante que andar depressa pode dar em morte.

E se compreendo de certo modo o pesar histérico dos jogadores do futebol (por regra pouco instruídos, muito jovens e com adrenalina sempre lá em cima), percebo muito mal que as pessoas mais velhas e os jornalistas não vejam além do imediato e da lágrima fácil.

No fundo, gostemos ou não, em Sevilha e arredores haverá luto oficial e mais mil e uma manifestações disto e daquilo por causa de alguém que às 11h45 iria a quase 200 à hora e que se terá distraído ao volante (ou teve uma síncope, nunca saberemos). 

podem ver as imagens aqui:
https://www.dailymail.co.uk/sport/sportsnews/article-7095855/Spanish-football-legend-Santiago-Canizares-slams-Jose-Antonio-Reyess-reprehensible-attitude.html

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