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És a nossa Fé!

O momento Paulinho


Era provável que um dos heróis de um título de campeão nacional do Sporting fosse o Paulinho, mas não se imaginaria que fosse o jogador que começou a época no Minho, ao serviço do Braga. O outro Paulinho, técnico de equipamentos, é uma figura carismática do desporto em Portugal, mas defendo que foi a contratação do avançado, na chamada janela de janeiro, que deu o título ao Sporting, dezanove anos depois do último.

Mais: até defendo que o Momento Paulinho entre para o léxico da gestão autóctone, para definir aquela decisão em que o CEO demonstra que confia na equipa que tem, a ponto de investir a sério. Com  o objetivo “Champions”, a gestão do Sporting já cometera uma loucura, ao contratar um treinador por (cerca de) 15 milhões de euros (mais o salário). Em futebol profissional, e espantosamente, não se costuma fazer isso, embora 15 milhões por um jogador de que nunca ninguém ouviu falar não levante o sobrolho a ninguém.

O futebol paga por executantes, mas não é costume pagar por pensantes e estrategistas. Curioso, não é?

Rúben Amorim, o treinador do Sporting, beneficiou de ser um homem de ideias fixas. A seu favor, o facto de estar bem na vida e poder aceitar os desafios profissionais que entende, impondo condições. Treinava o Braga, depois de vindo do Casa Pia, e terá aceitado o Sporting talvez porque pensasse que há comboios que não passam duas vezes, porque acreditasse que em dois ou três anos conseguiria chegar à Champions e houvesse então dinheiro para disputar a liga doméstica, ombro a ombro com os rivais.

Escudados pelos dirigentes que o compraram caro, Amorim teve a intuição certa e, na constituição do plantel, usou de uma pragmática que deveria ser óbvia. Em caso de dúvida, privilegiou os jovens da formação, que conhecem as especificidades da liga portuguesa, têm custo zero e salários muito menos pesados, em detrimento de jogadores de outros países e campeonatos, mais caros, com vencimentos superiores e que precisam de se acostumar. A somar a esses miúdos da formação, os dirigentes do Sporting, do presidente ao treinador, escolheram meia dúzia de jogadores mais velhos que aportassem calo, sabedoria, manha e experiência ao grupo. Sendo o Sporting um clube pobre, nenhum dos jogadores que chegaram era propriamente disputado pelos potentados europeus.   

A meio do trajeto, mais ou menos por janeiro, o Sporting liderava por larga margem, mas ainda era possível soçobrar e contrata Paulinho, um português de Barcelos, que fará 29 anos em novembro. Os adeptos não exultaram e muitos acharam que não fazia falta nenhuma.

Discreto, com ar de boa pessoa, sem pinta de futebolista mediático, nem lento, nem veloz, joga na posição mais ingrata de todas (ponta de lança) e tornou-se no jogador mais caro de sempre para o Sporting. A contratação do internacional português ao Braga foi vista como uma exigência do treinador, a que a direção finalmente anuiu, supostamente com travo amargo.

O que me parece que não se percebeu foi que este momento Paulinho marca o instante em que dirigentes e treinador compreendessem e aceitassem mutuamente que estavam mesmo comprometidos a ser campeões. A direção comprou Paulinho para o treinador e este deixou de ter capital de queixa (e a comichão) de não o ter e pôde concentrar-se na conquista do campeonato. 

Que o Momento Paulinho sirva de inspiração e ilustração para duas verdades elementares. Para se vencer é preciso investir. Pode ser pouco ou muito, mas é preciso investir. E para se vencer é preciso dar condições e confiança a quem se escolhe para estar ao leme.

 

p.s. Outra dinâmica que tem passada despercebida é a alusão que Amorim faz à sua equipa técnica. Guarda-redes, linha defensiva, bolas paradas para meter golos, linha atacante, tudo isto (e por certo muito mais) tem liderança de Amorim e ciência e competência dos seus tenentes. Ninguém faz nada sozinho. 

Creio que foi isto que sucedeu...

Amorim fez o primeiro teste com um adversário tipo Champions. 

Supondo que pode perder Palhinha para o mercado e João Mário (porque está emprestado), talvez Amorim queira ter percebido se as segundas linhas estariam à altura.

 

Individualmente, o Benfica tem alguns excelentes jogadores, muito melhores que todas as outras equipas portuguesas e que fizeram gato sapato de alguns dos nossos, ali na primeira meia-hora. É evidente que se não entrassemos já resolvidos, a nossa equipa e tática teriam sido outras.

Deste modo foi possível testar um "jogo Champions", em que as duas equipas mostraram lacunas individuais e até coletivas.

 

Creio que a importância de Feddal, Palhinha e João Mário no título ficou sublinhada com tinta ainda mais grossa.

Talvez Amorim tenha convencido Varandas a lutar mais por João Mário.

Talvez Pote tenha convencido Fernando Santos.

E talvez João Mário mereça voltar a fazer parte da equipa das Quinas. 

Amorim em tempos de cólera

 

O que somos, para onde vamos, que fazemos aqui?

Também não faço ideia, mas durante os últimos dois meses consigo dizer que sou do Sporting, que somos campeões e que, para aqui chegar, sofremos juntos, no cantinho de cada um. Já acabou, somos campeões, estamos campeões.

Entre o fim do inverno e o princípio desta primavera, houve momentos em que não me apeteceu ser do Sporting, em que desejei nem sequer ligar a futebol, o disparate de passar os dias ansioso, inquieto e irritadiço, são onze homens de calções atrás de uma bola, que valor naquilo pode haver que valha a pena. Ninguém fala disso, mas ser espectador, observador, testemunha, custa e faz adoecer. Como outros, há semanas que venho dormindo mal, exausto pelo sofrimento de jogos vencidos nos últimos minutos, com a cabeça a fumegar pela aritmética de pontos e jogos que faltam e pela espionagem aos próximos adversários, nossos e deles, tudo centrifugado por otimismos, pessimismos, ilusionismos e realismos. A sportinguite, quando é aguda, toma conta de nós e não larga.

 

No princípio desta história, a ideia nem era acreditar. Não ia ser desta, naturalmente. Noutro maio, o de 2018, o clube sucumbiu à cólera e perdemos tanta coisa que ninguém justo nos exigiria mais do que sobreviver para depois sim, enrijecer. Regeneramos, mas passou tão pouco tempo que os projetos desta temporada eram projetos para o futuro. Estávamos todos de acordo que não ia ser este o maio em que seríamos campeões. É preciso ter o coração aberto à felicidade, mas não se viam nesta equipa os epígonos dos grandes jogadores que haviam de nos levar ao campeonato. Tudo bem. Estávamos preparados. Este haveria de ser mais um ano na vida do sportinguista.
Nestes anos, aconteceu-me de tudo, até coisas inimagináveis, como a tanta gente. Se isto do sportinguismo fosse de ser medido, nem sempre tive o ponteiro no máximo, em especial depois do que nos aconteceu. A única utilidade da barbárie e a violência é permitir que pensemos sobre o que andamos a fazer. Apesar da consciência da importância da pacatez, mantive-me adepto e sócio. Nunca vivi, por exemplo, a bipolaridade de ligar e desligar a Sport TV, esse termómetro de fezada, porque há mais para ver que futebol doméstico, com as suas peculiaridades, o seu caciquismo e os seus pelotões de medrosos, que obsta a modernidade e a civilidade.

Não pequei em atos e omissões, mas em pensamentos não poderei dizer o mesmo. Enquanto víamos jogos, olhei muitas vezes para o meu filho e pedi-lhe desculpa em silêncio por tê-lo feito do Sporting. Do meu sportinguismo nunca duvidei, mas queremos o melhor para os filhos e olhá-lo a sofrer, a chorar de tristeza, por vezes era demasiado. Julguei, nos momentos escuros, que eu e ele nunca seríamos, afinal, campeões juntos. Ele chegou cá em 2003, já o último campeonato ia longe. Dos pensamentos terríveis que temos sobre o futuro, este era o que mais me custava e quando me acometeu, há meia dúzia de anos, recordo ter-me sentido infinita e irremediavelmente triste.

Ganhar não é tudo, ser do Sporting chega bem e todos os anos, no verão, íamos comprar a nova camisola à loja Verde, até que deixámos de ir, porque se meteram outras coisas, novos hábitos. Aquele 2018 adubou em nós este sportinguismo não praticante e construiu a convicção de que o sofrimento de outrora jamais viria a ser sentido. Mais valia parar com isto, a vida quer-se calma, há outros desportos, outras afinidades, outras adesões, no caso dele, um mundo inteiro para viver.
Cada um tem a sua relação, a minha cinde-se entre a imensa alegria, na plenitude, no orgulho, na partilha da tradição e do legado, na memória das conquistas e a resignação enervante e prolongada, vivida como uma maldição que transformei em parte de mim. Fui adepto de posters colados no quarto, com fita cola de má qualidade, de saber o nome completo dos jogadores, de onde eram, quanto golos marcaram. Fui adepto de comprar jornais cedo no verão, para decorar o sortido de novas estrelas. Morreu há pouco tempo o Saucedo, e ainda me lembrava que vinha do Desportivo de Quito, que fora o melhor marcador no Equador. Eu era desses.

Em setembro, coisas começaram bem e continuaram bem, mas haveria de voltar a acontecer (não era?), que interesse tinha o Sporting estar à frente à quinta jornada? Ou continuar à sexta, à sétima, oitava, nona, à décima…? Ou até dobrar a primeira volta em primeiro. Não é o primeiro milho que é dos pardais? A este Sporting, com alguns veteranos e muitos miúdos e um treinador sem carta, não faltavam pardalitos. Erros nossos, má fortuna, não haveria de haver amor ardente que nos valesse. 
No princípio de março, uma vitória nas barbas do cronómetro contra o Santa Clara sucedia a um empate no campo do Porto. A seguir outra vitória escassa em Tondela, bis com o Guimarães, até que a 5 de abril, o cão morde a cauda, deixamos dois pontos em Moreira de Cónegos e mais quatro contra Belenenses e Famalicão.

O fim da ilusão está próxima, misericórdia, haveria ser como sempre tem sido.

O sportinguista aprende a ver o lado positivo, se não ganhássemos o campeonato, ao menos o sofrimento acabava. Alguns adeptos iam cantando “façam-nos acreditar”, uma das canções de apoio ao clube, tão portuguesa na sua transferência de responsabilidade, e cantavam muito bem. Caramba, o avanço ainda era grande, mas a sombra do passado era maior e, atravessando abril, terei ativado todos os mecanismos de defesa emocional conhecidos pela psiquiatria para domar o meu sportinguismo.

A 25 de abril, de noite, no fim do jogo em Braga, o Sporting marca no único remate à baliza e ameaça vencer um jogo improvável. No fim do jogo, chorei de raiva e alívio, de alegria imensa pela vitória, lágrimas e soluços de quem ou explode de vez ou sobrevive. O que nos está a acontecer é real. É justo e apropriado. Toda uma equipa a fazer-nos acreditar, liderada por Ruben Amorim, já um dos maiores heróis dos sportinguistas.

Nos tempos da cólera, para sermos campeões, era de Amorim que precisávamos.  Um homem novo, ambicioso, determinado, de ideias fixas, disposto a lutar por elas, sem tempo ou paciência para olhar para o nosso passado. Que lhe interessa a ele que o Sporting não vencesse há 19 anos? No dia em que chegou e lhe perguntaram como seria se “corresse mal”, deu a resposta que o melhor dos poetas não escreveria. “E se corre bem”, devolveu o nosso Ruben à pergunta. Meses depois, foi ele o poeta que nos ofereceu a divisa, onde vai, vão todos, só por isso merecia estátua, busto e placa. 

Se corre bem? O que sinto em mim, sem a angustiosa espera, é que se acabou a melancolia, o lamber das feridas, este ano é nosso. É dos velhos engelhados, dos que sempre acreditaram, dos moderados e excessivos, dos derrotistas e dos fanfarrões, dos céticos e dos otimistas. É dos homens e mulheres que mesmo sem acreditar sempre, nunca deixaram de ser leões, dos jovens adultos e dos adolescentes a quem o futuro pertence e dos muitos, e são tantos, miúdos que andam por aí, de camisola vestida, a gritar pelo nosso Spotingue.

Correu bem, o campeonato é nosso, Ruben, és o maior, obrigado!

 

Há muitos, muitos anos, um homem bom, numa cave, ouvia o relato de um Sporting em noite europeia. O rádio era excelente, apesar da antena entortada, um Panasonic, com botões em aço e as cidades do mundo escritas no sintonizador. Nunca se sabe se um dia não seria preciso ouvir a onda curta de Adis Abeba ou as rádios da Escandinávia. Os filhos estavam noutro país, provavelmente desinteressados do Sporting europeu, ocupados com a viagem e as maravilhas do país onde estavam.

O jogo deve ter sido emocionante, talvez um daqueles comentados pelo Alves dos Santos, dos que enchiam a capa de A Bola do dia seguinte, porque houve um tempo em que só as quartas-feiras eram europeias e só A Bola do tamanho de toalhas de banho saía no dia seguinte. Ali sozinho, com o seu Sporting, o homem lembrou-se dos filhos e gravou o relato numa cassete Sonovox que por ali havia.

Hoje, sempre que o Sporting joga, é do meu pai que me lembro e daquele relato em cassete que ele gravou. Um relato de futebol gravado numa cassete, podem imaginar uma coisa assim?

Sporting? Sporting, sempre. 

 

(Texto que publiquei na Tribuna, na quarta-feira, a seguir ao jogo com o Boavista)

Custos da oportunidade

Não sei como é convosco, mas comigo têm sido meses angustiantes.

Mal o árbitro apita, o Sporting calminho e calculista começa a fazer a teia que impede que os outros marquem, que faz por controlar as operações e procura o golito da ordem. Durante o jogo, aquela hora e meia é como a entrevista de emprego decisiva, o médico que nos vai dizer se é grave ou não é, o ponteiro da gasolina no zero enquanto estamos no meio do Alentejo, a carta registada que chegou das Finanças. Todas semanas. Quanto anos de vida foram roubados ao Fernando Mendes, que rói as unhas em direito na CMTV e que vou sempre espreitar, assim que o árbitro apita para o fim?

Isto custa muito mais do que eu me recordava, quando o João Pinto cruzava e o Jardel a metia lá dentro ou até quando Acosta se impunha jogo sim, jogo não ou o André Cruz desenhava folhas secas. Havia ali personificações de vontade. Este ano, não é assim. Os heróis são escassos, um Jovane aqui, um Pote acolá, um Coates sempre de topo, mas com aparência calma e zen. A equipa vale por todos.

O bizarro é que, custando, em momento algum se duvida que acontecerá. Confiaria a minha vida aquela defesa, aqueles técnicos, à fome que mostramos naqueles últimos dez minutos e que nos tornam numa equipa imparável.

O Sporting 2020/2021, sem vedetas nem estrelas, é mesmo a prova de que onde vai um, vamos todos. Custa, mas vamos mesmo.  

As coisas como elas são

 

1. A riqueza potencial do plantel do Sporting é francamente inferior à dos seus adversários diretos. Os três. Sempre o soubemos. Mas talvez seja de lembrar que Ruben Amorim é o mais novo e menos experiente dos treinadores. A sermos campeões, será um feito extraordinário.
O nosso oponente principal eliminou a Juventus, de Ronaldo, Dybala e outros artistas da Champions e bateu-se muito bem com o Chelsea. É a este clube que venceremos o campeonato, caso isso suceda.

2. Era bom que pelo menos esta época pudéssemos congelar a conversa sobre o TT deve coiso e o Paulinho veio coiso, porque o Nuno Santos coiso e o Jovane nem se fala.
E passássemos a falar de como as equipas portuguesas, com plantéis de meia dúzia de tostões, se armam bem, estudam os adversários e lutam pelo resultado. O Famalicão tinha jogado muito bem, ontem a B-Sad também. O Gil foi ganhar limpinho ao Benfica. E há outros resultados a citar. Olhando para a parte de baixo da Liga é impossível dizer quem vai descer. E isso é extraordinário e elucidativo de como são complicados de disputar os jogos com a ditas “equipas pequenas”.  

3. O “futebol português”, em que todos nós malhamos, parece cada vez mais competitivo. Ryan Gauld teria lugar no 11 titular de qualquer equipa, como o líbio do Braga, que jogava no Guimarães. Muitos guarda redes disputariam o lugar com Helton Leite e aquele defesa esquerdo Ruben Vinagre é também muito bom. Cito de memória, para chamar a atenção para a competitividade interna.

4. Para dizer que fico muito mais nervoso a ver jogos com os Famalicãos, Moreirenses ou B-Sad, do que com Braga, Porto ou Benfica. Nesses jogos, como ontem, a concentração do adversário e a vontade dos seus jogadores em brilhar, e terem a atenção dos empresários e dos outros clubes, quase que nivela a contenda.

5. As coisas como elas são? Já quase todos não acreditávamos, já não havia tempo, mas houve aquele cruzamento bem metido para o Jovane. Se a bola tivesse passado, Paulinho tinha-a metido lá dentro. Ora vejam as imagens.

 O Sporting parece-me, de longe, a equipa que mais acredita nela própria.

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.


Se o SCP for campeão – e está em ótima posição para o conseguir – que dirão Porto, Benfica e Braga?

Num país tão estranho como o nosso, onde a mediocridade é tão magnética que puxa (quase) todos para baixo, será que o antigo jogador da Lazio, o antigo treinador do Flamengo ou o homem que sorria e oferecia pasteis de nata aos jornalistas ingleses, vão dar os parabéns a Tiago Tomás, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Plata, e aos seus colegas mais velhos e experientes? Que dirão os grisalhos, batidos ex-jogadores desses três rivais, que estão a trabalhar nesses clubes? E os dirigentes que se perpetuam nas presidências desses emblemas?

O que se vê em campo, jornada a jornada, é uma escalada a ritmo seguro, realista, liderada por uma equipa técnica muitos furos acima das outras, que faz com plantel curto como uma mini saia, o que outros treinadores não conseguiram com planteis muito mais ricos em individualidades. O resto nem conversa é. 

No fundo, e fica claro se pensarmos nisso, Amorim está a fazer o que é suposto fazer-se desde sempre: não perder pontos com aquelas equipas com planteis mais fracos e menos história. Concentração, compromisso, taxa de erros minimizada, passos seguros.

A ideia é - e sempre foi - ouvir o apito final com pelo menos mais um golo que o adversário. 

Até agora, se pensarem bem, perdemos quatro pontos com o Porto, mas com o upside de o Porto os ter perdido também. Empatamos no campo do Famalicão (com um golo mal anulado, segundo muita gente). Só por uma vez, não se foi capaz dessa obviedade que é não desperdiçar pontos com equipas com menos meios que nós. Foi com o Rio Ave, em Alvalade.

Uma equipa com tanta gente inexperiente, incluindo técnicos, e com duas mãos cheias de jogadores (que no princípio da época) não teriam lugar nos planteis de Braga, Porto ou Benfica, tem até ao momento o melhor percurso da nossa história em vários indicadores.

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.

Coisas sensacionais


Mais uma vitória, límpida e onde qualquer um com dois dedos de testa percebe que Amorim a) não vai correr riscos só porque sim b) os amarelos são uma questão importante para as jornadas seguintes c) as lesões outra d) é a bola que corre e) quem está a perder é quem tem de tentar igualar.

Em cada jogo estão três pontos em disputa, não óscares da academia ou bolsas de mérito artístico.
Devo ter sido o único a ver isto. Ontem, ouvindo comentário (até de sportinguistas), no fundo, o Sporting não joga nada e ganhou ao Paços (do super hiper mega Pepa) por TRÊS vezes porque, precisamente, não joga muito. Foi não jogando grande coisa que sofremos ZERO golos do super Paços.

Entenda-se: eu acho que o Paços joga bem e não faz anti-jogo. Acho que tem bons jogadores e um bom treinador. Mas também acho que em NENHUM DOS TRÊS JOGOS esteve sequer perto do empate.

 

Uma outra coisa. Os jornalistas, comentadores e repórteres têm de deixar de ser tão tugas-espertinhos. Ou então, atirem mesmo cascas de banana, sempre é mais divertido e as imagens correm mundo. As perguntas sobre lances polémicos – e mesmo quando não os há, qualquer lancezinho polémico serve – são exercícios de sadismo e cinismo coletivo.

Os treinadores e jogadores – de todas as equipas – andam ali hora e meia, à vista de milhões de pessoas, nervos em franja, tensão emocional. É evidente que o venenozinho do “acha que o lance não sei quê é penalty” pode muito bem ser a gota de água para que estes descarreguem a frustração.

De seguida, para se sentirem bem, os mesmos jornalistas, repórteres e comentadores vociferam que assim não pode ser, que o futebol português não aguenta mais este clima de suspeição e de ameaças.

Dica: EXPERIMENTEM perguntar apenas por lances de óbvia e clara dúvida. Haverá dois ou três por jornada. E talvez haja menos clima de suspeição.

Se precisarem de um estímulo, pensem que pode ser o vosso irmão, tio, pai, que é o árbitro ameaçado de morte ou o jogador que leva multas, castigos e fica marcado para o resto da carreira só porque se passou dos carretos por causa de perguntas venenosas sobre lances polémicos na área.

Ontem, nem vi o jogo do princípio, mas basta ver a flash e a conferência de imprensa para perceber que há um manto de suspeição e injustiça em cima da vitória de ontem. Talvez Feddal tivesse de ser preso, ali em campo. Talvez um penalty não assinalado pudesse ter valido uma vitória do Paços por 18 a zero. Ah, se o penalty do João Mário fosse repetido, se calhar ele teria dado uma cotovelada ao árbitro (ou uma cabeçada, embora aí só levasse um jogo), ia expulso, era penalty para o Paços tipo lances livres da NBA e o Paços ganhasse por 67 a zero… Quem sabe, quem sabe… E porquê? Porque o Paços é a equipa sensação e as narrativas escrevem-se sozinhas.

Isto não está a ser nada fácil para ninguém, ó Ruben, não penses...

Vai ser difícil, mas não vai ser impossível. O nosso objetivo era o apuramento para a Champions e a ocasional taça e isso parece provável (até porque a Taça da Liga já está).  

Acredito que a questão da aposta da formação fizesse parte do briefing, porque isso sempre importante para nós, adeptos e sócios. Também está a ser feito e conseguido.

Ontem, devo dizer que o mais me surpreendeu foi o trabalho do árbitro. Ao contrário de centenas de outos jogos de ‘futebol português’, em Barcelos as faltinhas a meio campo sobre os nossos jogadores eram assinaladas a nosso favor e não divididas a meio, como é habitual no ‘futebol português’.

Será duro e por vários motivos. O caso ’Palhinha’ vai obviamente ser explorado até aos limites do possível. O calendário também é complicado – temos de visitar o campo dos três mais bem classificados a seguir a nós.

Também está a ser duro para mim, ó Ruben. Estamos a entrar naquela janela em que já não consigo ver os jogos e desligo os alarmes do LiveScore.

Em breve meterei phones com música alta para não ouvir os saltos dos vizinhos.

Ontem, perdíamos um a zero e um vizinho gritou “golo”! Sabendo que há delay, não fazia ideia do que aí vinha…

Isto não está a ser nada fácil para ninguém ó Ruben, não penses…


Desejos de Fevereiro

 

1. Adán, Coates, Feddal, Neto, Palhinha são os bravos do pelotão. É incrível a simplicidade das coisas. Sozinho, nenhum é o Maradona, juntos são a muralha que solta Porro, Nuno Mendes, Pote, João Mário, TT, Nuno Santos e o resto da malta.

2. Como acontece sempre em Portugal, têm sido a equipa e a equipa técnica a puxar pelos adeptos. Não estavam no estádio a assobiar, mas estavam nas redes a apoucar. É humano, levamos muitos anos de fracassos.

3. Não sei se o Sporting será campeão, mas sei que agora estamos um pouco mais fortes com Paulinho, João Pereira e Matheus do Rio Ave. E este nosso ‘mercado’ também demonstra para sempre que não é possível querer ser campeão sem contratações de muitos milhões.

4. Lembremos sempre que a época foi preparada com contratações baratuchas porque era uma época que visava o terceiro lugar, talvez o segundo.

5. Os deuses olharam cá para baixo e apeteceu-lhes soprar uma sortezinha aqui, uma sortezinha ali. Mas é preciso ir à procura dela, porque sorte não aparece por acaso. Só sai o euromilhões a quem mete o boletim, só aparecem golos nos descontos a quem está na área adversária a tentar.

6. O Sporting tem a melhor equipa e mais saudável, o treinador que melhor mexe no banco, o calendário menos carregado e uma equipa técnica inteligente e astuta. Mas o Porto tem mais jogadores em quantidade e o Benfica também. Além disso, têm experiência e barba mais rija e isso conta.

7. Parecendo que não, faltam muitos jogos. Imensos. É enviar daqui um abraço a todos e desejos de um bom fevereiro.

O velhinho Amorim

 

O pior Sporting que alguma vez vi, pior até do que aquele em que ficamos em sétimo, foi o de Paulo Bento. Resultadista, monótono, Liedson-dependente e sobretudo liderado por um homem que nunca parecia em paz consigo e com o mundo. Ainda me lembro de defendermos um 2-1 em casa, contra uma equipa pequena, aos 60 minutos de jogo.
Talvez algum jogador de então leia isto, quem sabe o próprio PB, e por isso quero acrescentar que o adepto (eu) é cruel, injusto e míope. Devemos a Paulo Bento troféus, vários “segundos lugares-Champions”, transferências, jogadores lançados. Mesmo assim, não consigo aplaudir, ainda que consiga dizer com todas as letras que o Sporting deve bastante à serenidade teimosa e agressiva de PB. Conseguimos muita coisa com uma equipa de tostões.

Mas houve coisas... Por exemplo, a aposta em Rui Patrício foi apenas e só teimosia contra a imprensa, comentadores e até o público, que nos fez levar golos evitáveis durante década a fio. Portugal deve-lhe o campeonato da Europa (para mim, foi o melhor em França), mas o Sporting (e na prática) beneficiou muito menos.

Há dois anos, vencemos dois troféus sem saber ler nem escrever. Equipas com grandes jogadores (Bruno F, Bas Dost, Mathieu), mas sem ligação, como uma feijoada mal apurada, apesar das carnes incríveis. Essas conquistas encadearam Frederico Varandas que quase foi apeado nos entretantos seguintes. Era uma equipa sem liderança, o que permitia a ascensão de Bruno Fernandes (não é por acaso que quanto melhor está o MU, menos influente é BF, um jogador que brilha muito mais no meio da falta de liderança do treinador), mas pouco mais.

O que o Sporting de Amorim nos trouxe é uma mistura da versão boa de Paulo Bento (“jogam os melhores, apesar da idade”) com inteligência emocional e a maturidade de um líder que, tendo 35 anos, parece ter uns 80. É teimoso e determinado, mas não se deixa engolir pelo seu ego ou abafar pelas suas inseguranças. Não agarra numa tocha e obriga a que todos os sigam.

Aproveita o melhor que a vida lhe dá. Talvez tivesse aproveitado Caicedo ou Stojkovic.

Por isso, e por exemplo, pediu um guarda-redes habituado a outras cavalgadas e um central de uma liga melhor que a nossa. Adán e Feddal não são os melhores do mundo, mas defrontaram habitualmente Messi, Benzema, Griezmann e essa malta toda, incluindo as claques e a imprensa. São duas ilustrações que atestam a inteligência do nosso treinador e um caminho que (digo eu) Paulo Bento não teria escolhido, porque teria apostado em Patrício e talvez em Ivanilson ou Quaresma.

O que a idade nos traz é isto: temos um caminho, uma rota, uma direção e também a noção muito nítida de que não vamos mudar o mundo apenas com as nossas teimosias.

Liderar não é dar murros na mesa. Liderar é lutar pelos objetivos, com os meus, os teus e os nossos.  

2021 ainda agora começou.


Excelente – e feliz – vitória contra um Carvalhal que achava que estava no papo, só que não estava.

Amorim teve sorte durante alguns punhados de minutos, mas soube ler o jogo e fazer as substituições certas que neutralizaram o Braga de vez. Excelente jogo de Porro, como que a compensar com a sua energia alguma falta de confiança de Pote, Nuno Mendes e até Nuno Santos. Jogo incrível e adulto de Matheus Nunes, não houve lance em que tenha estado mal. Surpreendente (para mim) aquele sprint de Sporar e (menos surpreendente) a forma adulta como aceita ser nesta altura segunda escolha e dá tudo o que tem.

Claro que Adán não é o melhor do mundo com os pés, mas já se dava algum crédito e se parava com as críticas de cada vez que passa menos bem. Tem segurado resultados e pontos muito importantes. Ótimo jogo de Feddal e Coates. E de Neto, os três muito solidários.

João Mário foi um príncipe e Palhinha demonstrou que tem lugar nos escolhidos de Fernando Santos.

O Braga é uma ótima equipa, tem um ótimo plantel, mas ganharia em ser menos dado a simulações, rebolanços no chão e pau no adversário. Parece ser um clube que procura o lance polémico, só para ter capital de queixa no final dos jogos. O modo como os centrais e o guarda-redes se atiram para o chão aos berros em todo e qualquer lance é muito irritante, devo dizer.

Hoje, o Sporting foi muitas vezes menos forte que o Braga, mas Amorim (e a sua equipa) muito mais sagaz que Carvalhal (e a sua equipa).

Próxima paragem, a Madeira, onde defrontamos o Nacional. Na viagem, podem assistir ao jogo com o União da Madeira de Norton de Matos aqui há uns anitos.

Cabecinhas pensadoras.

 

A malta gosta de ataque, oportunidades, cruzamentos, desmarcações (e eu sou como a malta), mas este sistema Amorim é sólido como aço na defesa, mesmo admitindo que individualmente talvez não tenhamos os melhores defesas de todos os tempos.

Vi com atenção o jogo do Paços e ontem do Mafra. Típicas equipas de treinadores portugueses ambiciosos que querem chegar longe (não é uma crítica) na carreira. Equipas de ataque, fortes fisicamente, bom toque de bola, com desenhos nas jogadas e soluções, onde até os guarda-redes têm de dar ao pedal. A milhões de milhas do célebre defender com 9, bola no extremo a ver se o ponta de lança pinheiro a mete lá dentro.

O que vi foi muita coisa.

O que não vi foram oportunidades de golo em 180 minutos para os nossos adversários.

Até agora, o Sporting é de longe o best of the rest.

Veremos se somos suficientes para Braga (sim, o Braga…), Porto, Benfica e seus respetivos interesses. Nos três casos, são equipas com jogadores melhores do que aqueles que os nossos têm enfrentado, treinadores calejados e dados a mind games, estruturas e bancos agressivos que vão a todas e até for preciso.

O Sporting dentro de campo – e fora dele – terá de ter cabecinha.    

Eu devo estar maluco

Ontem, ganhamos ao Paços. Ora o que vi, li e ouvi um pouco por todo o lado é que o Paços de Pepa jogou mal, esteve mal, que no fundo batemos em mortos. 

Eu vi um jogo em que o Paço jogou de igual para igual e que mesmo nos minutos finais, a perder por três, atacava, combinava, tentava chegar ao golo. O Paços não deu sarrafada, não se fez ao penalty, os seus jogadores não fizeram teatro. Tiveram cabedal, força física, têm ideia de jogo, alguns jogadores ótimos, outros galhardos, outros ainda com excelente técnica. Mantiveram-se sempre no jogo, não houve tempos mortos, nem o Sporting pôde nunca baixar a pressão. Por exemplo, o nosso Matheus Nunes, que entrou à hora de jogo, nunca conseguiu impor-se no meio-campo. Sporar foi presa fácil, Antunes nunca subiu. Porquê? Por causa do Paços. 

Achar que o Sporting limpou porque o Paços não deu uma para a caixa parece-me errado e típico da precipitação comentarista. E desvaloriza os nossos jogadores, a nossa equipa e a nossa equipa técnica.

#OndeVaiUmVãoTodos


O jogo em Famalicão será um jogo charneira neste ano. Não digo que ou vai ou racha, mas acredito que a equipa (jogadores e treinadores) tenha subido três degraus de uma vez na maturação. Dos adeptos e sócios é de esperar inteligência e bom senso. Só se ganha seja lá o que for com uma união mínima. Critiquemos Adán à vontade, mas tenhamos tino. Já nos deu alegria e até já fez uma assistência para golo. Critiquemos Sporar, mas recordemos que é um jogador sem software para o futebol de Rúben e que dá tudo em campo, fixa centrais, distribui jogo, faz assistências. E por aí fora. Já agora, o mesmo é válido para Varandas. O homem enganou-se no Bolasie e no Jesé? Pois, parece que acertou no Porro, no Pote, no Nuno Santos e no Amorim. O Miguel Braga irrita-vos? Todos naquele lugar seríamos de uma maneira ou de outra. Acrescento que conheço bem o Miguel há muitos anos e que sei que é tão ou mais sportinguista que todos nós somados.

Os nossos handicaps são a inexperiência, os tempos naturais de habituação aos processos de uns e outros, a falta de capital para agir no mercado como um ninja num filme do Tarantino, as lesões e lesõezecas, o assédio aos jogadores jovens e as outras equipas que também jogam.

Da nossa parte, acho que devemos confiança à equipa, treinadores e dirigentes.
#OndeVaiUmVãoTodos

manteiga de amendoim

Rúben Amorim conseguiu meter os seus jogadores a correr numa pista diferente.

Como? Não faço a menor ideia. Não faço mesmo. Mas é como se o Sporting deslizasse em manteiga de amendoim. Há uma objetividade e uma noção que tornam a bola do jogo numa bola de flippers. O adversário vê jogar, ou nem vê, e quando dá por ela ou foi golo ou foi quase golo.

Antecipo grandes dificuldades, em especial quando os adversários compreenderem que um certo jogo subterrâneo poderá ser eficiente.

Os nossos grandes testes serão com as equipas com os melhores valores individuais e ainda acho que, entre SLB, FCP e Braga, somos os quartos pretendentes ao trono. Essas equipas são mais adultas, mais manhosas, têm mais individualidades, mais soluções, mais nervo, mais agressividade, mais experientes. Mas a verdade é que os jogos começam com zero a zero e acredito que essas equipas, seus dirigentes, técnicos e jogadores, tenham Sport tv em casa.

Amorim está a criar uma alquimia entre novatos, aquisições e veteranos. Dos que têm jogado, não há um único que possamos dizer que é uma segunda escolha. Como diz o José Navarro, não entram para "rodar" ou para que outros descansem. Entram porque chegou a vez deles.  É um pouco como nas seleções que vão longe ou vencem torneios: todos contam de facto. Ora isso é espantoso e extraordinário e não me lembro de uma coisa assim no Sporting.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

O nosso melhor reforço


Acredito que a eliminação da LE tenha sido a nossa grande aquisição. Como se viu no jogo em Portimão, estamos longíssimo de controlar todo o jogo, táctica e fisicamente. Por mais que queiramos culpar o Amorim, o Varandas, ou agora o Miguel Braga, quem joga são os jogadores, quem está lá dentro são eles e quem se encolheu com o Portimonense foram eles. Só as boas mexidas de RA permitiram que o Portimonense não marcasse, bem como o acerto dos centrais e de Adán.

Para dizer que as coisas levam tempo. E que mudaram com isto do Covid. Vi o jogo do Porto com interesse e aquela armada de jogadores adultos e feitos, campeões, fortes como touros, foi relativamente bem manietada pelo Marítimo de Lito. Vi Mourinho anular por completo o United de Pogba, Bruno Fernandes, Martial, Rashford, Matic ou DeGea. Vi o Villa dar cabo de Klopp e dos seus jogadores. Vi o City a não conseguir vencer o recém-promovido Leeds.

Planteis de craques maduros, adultos e poderosos, também perdem ou empatam.

Tal como o Lask, o Portimonense jogou bem. Os nossos golos foram grandes golos, um inventado pelo Nuno Mendes, o outro uma criação excelente de jogo de equipa e uma enorme e rara concretização do Nuno Santos. Mas o Portimonense não jogou nada mal e fiquei espantado por terem dado pouco crédito ao Paulo Sérgio (como havia acontecido com o Lask). Fica-se com a ideia que o nosso Sporting joga sempre com adversários neutros de marca branca e quando perdemos ou empatamos, é sempre culpa do Varandas.

Não obstante, sobra a evidência que os nossos jogadores ainda não têm bateria para jogar à quinta e ao domingo. É um problema ou é uma fase? Tomara eu saber. 

Ao podermos jogar menos vezes que os nossos rivais diretos, poderemos desenvolver processos, coesão e ganhar vantagem pontual para com o Braga (que já leva duas derrotas).

Talvez dê para ultrapassar Porto ou Benfica, se algum destes tiver um annus horribilis. 

Vamos lá cambada

Uma boa pergunta é que se preferíamos passar a eliminatória jogando al la Lito Vidigal, com os jogadores a rebolar no chão e a perder tempo. Pensemos nisso.
O que se viu ontem foi uma equipa forte fisicamente, mais avançada na preparação, que estudou muito bem a lição, contra uma equipa de garotos, em construção.
O Lask é uma equipa do ‘nosso campeonato’. Porque não haveria de vir cá ganhar?
Lutaríamos para não descer em Espanha, Itália, Alemanha ou Inglaterra. Acho até que, numa época que começasse coxa, acabaríamos por descer de divisão.
Benfica e Porto lutariam para ir à Liga Europa. Nunca por nunca seriam campeões.
O nosso campeonato europeu será o belga, húngaro, austríaco, escocês, croata, etc.
Não é culpa do Rúben ou do Varandas, nem é de ninguém. Talvez seja dos árabes, russos e chineses, que compram clubes na Europa e investem milhares de milhões de euros.
Mas a vida é mesmo assim. Portugal é pequeno, não tem Economia, estavam à espera de quê? 
Talvez o que deva ser melhorado deva ser a observação dos adversários – o primeiro golo, de canto, deles, é bom exemplo de maus trabalhos de casa. De resto são coisas que acontecem.
É esperar que os jogadores entrosem, cresçam fisicamente, ganhem músculo e ambição e rezar para que não estejam sempre a sonhar com a transferência para um clube do meio da tabela dos big 5.
Estou convicto que a época interna será bem melhor que a anterior. Não estar na Liga Europa só ajudará o Sporting a estar mais bem preparado para aproveitar uma brecha na competitividade de Porto e Benfica.

oito é metade de 16.

Braga, Boavista, Famalicão, Rio Ave e provavelmente Guimarães. Porto, Benfica e Sporting.
Parecendo que não, conto oito equipas que entram na Liga com vantagem em ter futebol positivo, competitivo porque contam com bons jogadores. Seja para vender os jogadores, seja para ganhar taças, são equipas que entram em campo para vencer sempre (ou quase sempre).
Sinceramente não me lembro de uma coisa assim.
Creio que isto beneficia o Sporting de Amorim.

Quarto com vista para o terceiro



Resulta evidente para mim que no próximo ano vamos lutar com o Braga pelo quarto lugar.
E não vai ser nada fácil. Braga tem ambiente mais calmo, mais estrutura, é um clube empoderado por vir a crescer e a morder os calcanhares ao terceiro grande, tem bom plantel, tem um futebol físico, paga salários muitos mais baixos, não tem a imprensa e as redes 24 horas por dia em cima, tem boas individualidades que “resolvem” e terá um treinador com ideia de jogo e conhecedor do futebol português.
Ruben Amorim parte bastantes degraus abaixo em experiência, calo, quantidade e qualidade de jogadores, organização e quantidade de pressão (no Sporting é cem mil vezes maior que no Braga, um clube sem adeptos). Além disso, as nossas Finanças coiso. 
A perspetiva para a próxima época é, pois, aterradora. Doidos a fingir que somos um grande, e com o Braga sempre a soltar o bafo para cima de nós, temos é de ter cuidado com Rio Ave, Guimarães e talvez outro clube “sensação”. Até podemos ficar em quinto, digo eu.
É culpa do Varandas? Não acho. Nem acho culpa do Bruno ou sequer do Godinho. Enfim, é obviamente culpa de todos um bocadinho, mas não acho que seja culpa de ninguém especificamente. Há décadas que estamos numa trajetória descendente e a ganhar velocidade para aterrar de vez numa espécie de limbo entre o pódium e os chatos que disputam connosco o apuramento para a Liga Europa.
A solução? Sorte. Só isto, sorte. E fazer por isso, como é evidente.
Claro que precisamos de ter bons jogadores, boa equipa, boa estrutura, essas coisas, mas no nosso caso precisamos de lutar por ter sorte. Como preparamos mal a época, ficamos sem o Luiz Phellype por lesão e ficamos tão descalços que meter um golo que fosse se tornou um acontecimento. O Braga, por exemplo, sendo competente, acabou por ter sorte no último minuto com aquele pezinho que meteu o Vinícius em jogo e deu a vitória ao Benfica.
Embora possa dar essa ideia, não estou a desconversar nem com mensagens enigmáticas. Apenas a dizer que precisamos de admitir que nos falta a sorte e estarmos preparados para a reconhecer - um dia que esta apareça.

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