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És a nossa Fé!

Outras brunices?



O mais simples é dizer que o Sporting se vive uma “tragédia comunicacional”, mas não tenho assim tanta certeza. Eu preferia, por exemplo, que jornalistas e quem é pago para opinar se enfiasse no perigoso e escuro túnel que vai dar ao assunto “um jogador caótico como Bruno Fernandes é compatível com um futebol tipo Ajax que esperamos venha a vingar por cá?”.
Eu não faço a menor ideia e adorava saber mais para poder formular opinião. É evidente que BF é excelente, excitante e entusiasmante, mas será que não é também um jogador que desequilibra a própria equipa? É este Sporting uma equipa ou um palco para o nosso melhor jogador? E Keiser, que é holandês e não latino, que terá dito a Varandas sobre este tema?
Terá dito “mister President, please sell this player” ou “we have to keep this guy”?

Eu vi um sapo e engoli-o



1. A melhor forma de começar a ganhar é perceber que se está a perder.

O push imenso dos anos Bruno de Carvalho, incluindo a sua associação ao milionário Jota Jota, custou anos preciosos de R&D em Alcochete. Enquanto isso, Vieira vinha dizendo que o XêXál era o futuro e muitos gozavam ou pelos menos não acreditavam (incluindo eu).

2. O que se verifica é que o Benfica mudou o tabuleiro a seu favor e conseguiu (aparentemente) resolver um dos grandes enigmas da bola lusitana que é o da capacidade física do atleta à altura do talento. Os “putos” do Benfica (alguns pelo menos) jogam sempre a 180 km/h, com os nossos a terem entorses, lesões, períodos de passagem pelo banco, cansaços ao fim de dez minutos de jogo, blackouts, apagamentos, empresários e papás muito vocais e etc.

3. Os “putos” do Porto, tirando o Dalot, nem se sabe quem são.

4. Além do talento e das qualidades técnicas e visão de jogo de Félix (que, suponho são um misto de treino e ADN), o que vemos é um mustang que faz piscinas como se estivesse a jogar na praia com amigos. Como sportinguista, é isso que me custa mais, aquela desenvoltura física dos miúdos do Benfica. 

5. Talvez a venda de Renato, de um Seixal mais antigo, faça cada vez mais sentido. Era um jogador que agitava cá dentro, é um jogador que lá fora coiso. Cancelo e Bernardo são só duas razões para os adeptos do Benfica quererem é que Jota Jota coiso. 

6. Apostaria que há sorte no que se passa na formação do Benfica, mas é inegável que quem lá trabalha e quem manda neles (Vieira) estão vários passos à frente de toda a gente.

7. Há uma frase que uso bastante: o trabalhador mais preguiçoso com uma retroescavadora fará sempre mais buracos que o Ronaldo dos operários com uma pá. Vieira demonstrou visão ao dar meios ao staff do Seixal para que estes gerassem craques para a primeira equipa, em vez de conversas de merda sobre "fazer mais com menos".

8. Não tenho nenhuma simpatia pelo Benfica, mas tenho toda a simpatia por líderes que dão meios aos seus liderados para que estes demonstrem o que valem.

9. Vou mais longe. Esta nossa mania portuguesa de sermos bons a improvisar, bons a fazer a pouco, bons a fazer omeletes sem ovos, é uma mania própria de quem tem vistas curtas.

10. Qualquer omelete com ovos é uma melhor omelete que a melhor omelete sem ovos.  


11. Imagino que Varandas esteja a mexer em Alcochete. Vai durar tempo, mas era necessário e Keizer é parte dessa equação.

Quinta-feira em Albufeira e em todo o lado

  1. Lage prossegue na sua fase holandês voador como Keizer quando chegou. No ar condicionado do Golfo, Rui Vitória deve andar a dizer “deixa-os poisar” ao seu intérprete, depois de ter visto o resumo e ter confirmado que o golo de Gabriel é 75% de Renan e o de Ilori é 100% de Ilori, que foi queimado um golo limpo ao Sporting e que enfim, coiso.

  2. Na única vez que perdeu, Lage atirou-se à jugular de um pobre mil eurista do CM TV que lhe perguntou se Jonas ia jogar ou algo parecido. Como acontece sempre que há benfiquismos radicais,  assobiou-se para o ar.

  3. Ganhar é fixe e ontem qualquer das equipas podia ter ganho, incluindo o Benfica.

  4. Nos resumos de hoje, nenhuma menção ao “lance” em que Svilar faz asneira e Bas Dost mete golo. Nem o fleumático Lage reparou, entretido que estava a dizer platitudes. Keizer e a estrutura do Sporting também não repararam. Num futebol como deve ser, assim estaria bem. Num futebol que consegue colocar ALEGADAMENTE, TALVEZ, CONSTA, DIZEM, toupeiras num dos alicerces do Estado de Direito, todas as oportunidades de clamar justiça são poucas.

    5. O Benfica chega a empolgar (não estou a ser irónico), tem alma até Almeida, mas abre vias, alas e espaços que uma equipa com bons jogadores e bem organizada saberá aproveitar. Sei lá... tipo um Braga….

    6. Tanta coisa para falar não ter de falar do nosso Sporting, que anda demasiado amador. Por exemplo, até a minha vizinha do 2A, uma senhora nigeriana que nem sabe falar português e só vê críquete, se lembraria de avisar o Ilori para não entrar à Liga Inglesa, que aqui é Liga controlada e se ganha aos cartões (nota: o amarelo aos 10 segundos de jogo foi justo).

    7. Ou a dona Francisca, quase 70 anos e ainda limpa o prédio, também acha que já devia ter sido contratado alguém para controlar a raiva e frustração de Bruno Fernandes, que está feito um autêntico refilador por tudo e por nada.

    8. E este filme de fim de tarde de ninguém ter avisado o Keizer que o Ristovski estava free to go. Ou algo parecido. Quéstamerda, como vi numa t-shirt na Zambujeira. Se não foi nabice interna, atirem-se à Liga ou à FPF ou até à ASAE ou à Fundação Champalimaud, que são tantas organizações que já me perdi.

    9. Ou alguém arranjar narrativas para explicar porque o pendular Miguel Luís não joga. Inventem o que quiserem, atirem-nos areia para os olhos, se bem que a verdade também está bem.

    10. Esta coisa das Xtruturas são importantes, mas fundamental são mesmo os sócios e os adeptos.

No país das segundas-feiras de manhã

1. Há qualquer coisa de ardilosa no treinador português que normalmente exige o contexto português. Ou seja, os nossos treinadores no futebol português, quando têm bons jogadores, tendem a ser excelentes, porque conhecem bem as regras do jogo e com craques no plantel safam-se smpre. Mas ontem Lage nem precisou de meter o chapéu de “treinador português a treinar em Portugal” tamanha foi a sua superioridade profissional sobre o antagonista.
Fica-se com a ideia que dos treinadores que estão no ativo na primeira Liga, qualquer um teria vencido Keizer ontem. E até podemos incluir alguns dos que foram dispensados nos últimos meses.

  1. Frederico Varandas - que apoiei – cometeu um erro de novato e foi all-in antes do jogo, chegando ao cúmulo de dizer que o seu plantel nem era grande coisa. No poker convém saber que cartas ainda estão na mesa, mas o nosso presidente ignorou que o Benfica teve mais descanso, tem um treinador português a treinar em Portugal que conhece o contexto, e tem excelentes e fortes jogadores (Félix, Rafa, os centrais, Pizzi) que dominam os códigos do futebol português. São rijos, rápidos, intimidam árbitros e adversários, jogam com o público, rebolam no chão para perder tempo, espetam o dedo na cara, etc. Ontem nada disto foi necessário, mas se fosse acreditem que seria só desembainhar o “futebolista português” que habita em cada futebolista português. Não é por acaso que nosso refilão Bruno Fernandes seria dos poucos a poder ter lugar no plantel do Porto e do Benfica.
    A este propósito, veja-se o caso do Porto que joga segundo esta lógica trauliteiro-estratégica e nunca, mas mesmo nunca, se esquece de vazar para a arbitragem parte da responsabilidade pelo mau resultado.

  2. Os únicos tipos que perdem ainda mais vergonhosamente com o Benfica do que nós, também o fazem e ficarão em terceiro lugar muito por causa disso.

    4. Keizer chegou e implantou um sistema otimista e juvenil. Agora parece um homem que teme a sombra. A catadupa de jogos com boas equipas (Guimarães, Belém, Porto, Braga e Benfica) deve ter metido a sua entourage – e a malta que orbita a entourage – à rasquinha e Keizer, que será sempre funcionário leal, deve ter obedecido.

    5. O nosso futebol, como qualquer contexto, tem regras próprias. Numa guerra no Iraque se calhar não é preciso levar esquis, mas convém – por exemplo – ter malta tradutora em que se possa confiar. Contratar esquiadores campeões nas olimpíadas militares e apanhar os primeiros tradutores à mão no aeroporto à chegada, não é boa ideia.

    6. Ora o futebol português dá trabalho. É criativo-caceteiro. Os adversários têm agenda e esforçam-se aqui, mas já abrem as pernas ali. Compensa malhar nos árbitros e compensa malhar agora no VAR. Compensa ter cara de pau nas conferências de imprensa, porque os jornalistas juniores se encolhem e os “escribas” na imprensa da especialidade até gostam que os seus heróis tenham mau perder. Compensa mandar fazer coisas próprias de séries da Netflix, porque Portugal não é propriamente um regime decente de contrapesos e checks and balances, mas sim uma gigantesca e dinâmica bola de conhecimentos, mãos debaixo da mesa, subornozinhos, favores, jogadas, jeitinhos e jeitos que a dita “sociedade civil” até acha graça se for o seu clube a vencer.
     
    7. A probabilidade de Keizer estar por cá no arranque na próxima temporada é, por isto, muito baixa. Para um holandês, um país calvinista onde o “hard work”, o cumprimento de regras e uma noção fortíssima de comunidade onde não há lugar a trapaceiros e cada um tem de vergar a mola, tudo isto é muito latino, muito Narcos, muito livro do Tintin, muito próprio dos sítios onde eles vão de férias.

    8. Claro que a Holanda é um dos países mais ricos e fantásticos da história da humanidade, que até foi capaz de resgatar território ao mar. Mas who cares, quando o que importa é poder chegar segunda de manhã e humilhar o Costa lá do escritório?

  3. p.s. Espero que fique claro que o Benfica ganhou com 101% de mérito, justiça e até deveria ter ganho por mais.

9 coisas sobre a Taça da Liga

BOAS E MÁS IMPRENSAS

1. Com pior plantel que no ano transato e contra um clube com melhor plantel que no ano transato, ganhamos a Taça da Liga, sem que eu visse qualquer remoque a JJ na media.
Além de mestre da tática, o homem também tem uma cauda longa que inibe comentadeiros e jornaleiros de se referirem a ele em certos momentos. 

2. A agressividade infantil e possuída da pessoa que treina o Braga e nunca se cansa de perder largo com o Benfica continua a ser tolerada a 100% por comentadeiros e jornaleiros. Até quando?

3. O mau perder do Porto é ridículo e muito elucidativo de como é o futebol português. Mensagens positivas quando se está na mó de cima, comportamentos patéticos e mesquinhos quando se perde.

4. A tolerância da opinião publicada para com este comportamento de Conceição e das suas tropas envergonha-me

5. Mesmo jogando com o nariz partido e não cometendo nenhum erro, Petrovic teve nota negativa. Um pensamento dedicado a quem tem a mania que luta contra o preconceito.

6. A outra pessoa que preside ao Braga e que também nunca se cansa de perder com o Benfica é outro cuja margem de crédito junto da opinião publicada me envergonha.

7. Varandas esteve muito bem nas suas declarações.

8. Bruno Fernandes revelou huevos a criticar o Porto abertamente (por não terem assistido ao SCP a receber o caneco).  

9. Admito a seguinte fraqueza: quase quero que o Sporting perca logo todos os jogos e mais alguns, para não ter de aturar os personagens do futebol indígena, do mau perder dos supostos profissionais e protagonistas à tibieza de 90% dos comentadeiros. 

Ligações ruidosas

  1. Apesar de achar o golo do Braga bem anulado, aceitaria com facilidade que não tivesse sido. Não que não seja falta sobre Acuna (obviamente que é), mas porque me custa que se retroceda ao tempo que os animais falavam em lances de golo.
  2. Não me apetece falar do (putativo) penalty sobre Coates, pelo que vou em diante.
    É evidente e compreensível que aquele senhor que preside ao Braga quisesse vencer o troféu em sua casa, apesar do clube não ter lá muitos adeptos. Aquela tourada preventiva do preço dos bilhetes, era porque sabiam bem que nunca encheriam o seu próprio estádio numa meia-final. Em Braga, todos torcem pelo Benfica
  3. O treinador do Braga é um sujeito tóxico para o nosso futebol que tem sido levado ao colo por uma imprensa doce e estranhamente compassiva. Por um lado bufam porque há “incendiários” na bola local e por outro deixam que Abel vomite fogo em todos (repito todos) os jogos que o Braga disputa, incluindo aqueles que vence com todo o mérito. Enfim, há uns determinados jogos sempre com a mesma equipa em que mete a viola, o violino, o contrabaixo e a guitarra no saco, mas isso é problema dele.
  4. Que Vieira faça o seu jogo de pressão sobre a arbitragem é entendível à luz da dinâmica do futebol local. O Benfica terá sido prejudicado, pelo que LFV (que será devidamente castigado daqui por 56 meses) faz o que tem a fazer.
  5. Agora que a dupla presidente/treinador do Braga prossigam armados em adolescentes armados em grandes, imunes à censura social e à crítica nos desportivos e dos fóruns da TV é que me causa espanto.
  6. É claro que o Braga é como um satélite de Vieira contra o Sporting, porque no entendimento do presidente do Benfica só há lugar a “dois grandes”. Na cabeça de Vieira, as sobras que fiquem para Braga e Sporting. Do ponto de vista estrito do presidente do Benfica fará sentido, e no do Braga também, embora aquela anedota do sapo e do escorpião me tenha ocorrido de repente.
  7. Agora nós é que não temos de estar sempre a levar com a prosélita ruidosa dos homens do Minho, como se fossem as grandes vítimas do nosso tempo. Já vai sendo tempo de eles serem tratados com a exigência que reivindicam para eles. 
  8. Por exemplo, já estão fora de duas competições: Taça da Liga e Liga Europa.

 

Tudo ligado

Vendo ontem o FC Porto e aquele golo anulado ao Benfica, parece claro que a supremacia do Dragão voltou ao futebol português. Não acho que este domínio (regressado) se deva a processo ínvios, as coisas são o que são e o árbitros, delegados, VARes e coisos já intuíram que o vento mudou de direção. Mais importante, porém, é que o Porto demonstra sempre em campo querer mais que os outros. É uma equipa que nem sempre está organizada, mas está sempre com uma t**ão intensa no jogo, quer ganhá-lo, quer golos, quer ir lá para a frente. Será campeão e o grande candidato a ganhar as duas taças.
Gostava da postura de Bruno Lage e fiquei aborrecido porque o seu verniz estalou à primeira. Admitindo que aquele golo possa ter sido mal anulado (pelos vistos eu sou o único português que ainda não entendeu para que serve o VAR e se este pode emendar o fiscal de linha etc), a verdade é que ele não mexeu suficientemente bem na equipa para poder dizer que queria ganhar. Se o jogo tivesse começado 2-2 ao minuto 46, Conceição havia de fazer a folha ao Benfica pelas razões exposta algumas frases acima. 
Por falar em verniz, a probabilidade de hoje o Sporting perder é igual à de Abel voltar a ser expulso.

Preventiva and Chustiça for all

Com a idade um tipo fica mais sensível e voltei a perceber isso em maio que passou, na invasão a Alcochete. Não abalou o meu sportinguismo, mas fez-me repensar o meu entusiasmo. Hoje ligo muito menos.
Ontem soube-se que o processo em cima daqueles presos preventivos passou a XPTO (introduza aqui o legalês que quiser). Na prática, as pessoas que invadiram Alcochete podem ficar de cana até setembro. De maio de 18 a setembro de 19 é perto de ano e meio de prisão preventiva. Ora, hoje nos media, a coisa é dada en passant, ninguém se admira muito ou sequer abre a pestana.
Uma Chustiça que prende antes de julgar durante e meio é uma Chustiça muito muito coiso.
Alguns daqueles “terroristas” [usando a terminologia legalês aplicada ao caso] são miúdos que tiveram azar de seguir as ideias de outros mais velhos, meteram uns cachecóis a tapar a cara e foram berrar e atirar umas tochas. Azar o deles estarem a contas com a justiça? Certamente. Merecem um ano e meio de preventiva? É evidente que não. Não eles, nem ninguém diria eu.
Sim, podiam ser os nossos filhos, insuflados pelo nosso sportinguismo, que cometeram o erro de ir a Alcochete armados em heróis e agora vão ficar ano e meio na pildra antes sequer de irem a julgamento. Vou repetir: muitos dos que estão em prisão preventiva são miúdos sportinguistas como nós, que levaram o seu fervor longe demais.

Nota: Não conheço nenhum, ninguém me encomendou nada, nunca fui de claques, nem sequer vou muito ao estádio, nunca levei os meus filhos sequer a um jogo grande com Porto ou Benfica nem quero que eles lá vão.  Como já disse há uns meses, eu é mais Fórmula 1 e cada vez mais.

E você?

Eu devo estar maluco na medida em que ontem vi um belo jogo de futebol pela televisão, a partir de Alvalade. Pelo que assisti, em especial na primeira parte, Belenenses e Sporting jogaram uma partida intensa, com oportunidades criadas (e aproveitando erros do oponente), sem cacetada, autocarros, perdas de tempo ou arbitragens protagonistas. Se o SCP não espetou quatro foi porque não se pode sempre espetar quatro e sobretudo porque a equipa de Silas defendeu bem, pressionou e se tornou venenosa no contragolpe. Também vi um onze do SCP com dois jogadores em posições nucleares vindos de lesões (e do Natal e do Ano novo), um risco que o treinador quis assumir e que, obviamente, se notou a espaço, embora tanto Wendel como Nani tenham estado bastante bem. E sem o nosso melhor jogador, óbvio.
No segundo tempo, vi boas combinações no jogo interior, que acabaram por dar dois golos.
Vi uma equipa solidária nos últimos minutos (já sem Wendel e sem Nani), a defender contra uma bela equipa orientada por um Silas que merece todo o aplauso.
Viemos de um jogo recente – em Santa Maria da Feira – e se o Belenenses também, é verdade que a equipa de Silas poupou quase todos, apostando as fichas neste jogo de ontem. Perdeu e ganhamos nós. É assim, ganhando estes jogos complicados e disputados, que se vai longe. E cá para mim, e felizmente, foi uma bela e intensa partida de futebol em 60 a 70% do tempo.

Eu ainda sou do tempo de mestres da tática, de gelo nos jogos e teimosias em jogadores em posições que não lembram ao careca, com desenho tático imutável. E você?

Terá alguma coisa a ver com a ausência de Battaglia?




A vida em geral tem esta coisa engraçada de irmos repetindo o que os outros dizem. Se há tanta gente a dizê-lo, é porque deve estar certo. Por exemplo, que Brahimi (que fará 29 anos daqui a dois meses) é um excelente, grande, enorme, magnífico jogador e não uma espécie de Carrillo, intermitente, aluado, que não defende lá muito bem, e que sim, em cinco a dez jogos por ano é capaz do melhor, mas nos outros, quem decide não é ele. Ou que André Almeida do Benfica é cepo, apesar de ser dos poucos que se vem mantendo titular desde o tempo em que os animais falavam, tendo passado por ele uns 400 laterais sem que nenhum lhe tenha roubado o lugar.
No nosso caso, ouvimos dizer que Battaglia é como ter o Obelix como guarda costas. Foi o mais utilizado no ano passado, é um esteio, uma força, um vulcão, um tornado, uma ogiva nuclear, do Real Madrid ao Al Alhi Baba, passando pelo ChinChin Zungundung ao Dínamo de Tirana, todas as equipas o querem.
Ou então é um jogador que não sabe ter a bola nos pés, que só destrói jogo parando o ritmo do jogo da equipa, faz faltas por tudo e por nada, passa mal, não tem uma ideia de jogo de ataque e que o Sporting de Kaizer só beneficia com a sua ausência.

Todo o investimento é astrologia

Não é que interesse demasiado, mas todos os investimentos – em dinheiro, afetivos, emocionais – são investimentos de coração. E nada é garantido. Eu posso viver com uma mulher 25 anos e ela trocar-me pelo jardineiro na mesma. E posso meter o meu pé de meia em depósitos a prazo e chegar um ministro qualquer que congela o dinheiro numa sexta-feira à tarde até nova ordem. Claro que posso fingir que sou rebelde e ter o meu papá a pagar-me as contas sempre que é preciso, mas até aí o investimento não é seguro porque um dia o papá vai-se. 
Hoje no Record escreve-se que a nossa oferta de Obrigações foi sobretudo subscrita por “coração” porque os “racionais” se pisgaram todos. É irrelevante, porque dinheiro coração e dinheiro razão é dinheiro na mesma – como qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe - , mas eu diria que a probabilidade do Sporting pagar estas obrigações com a taxa de juro associada é quase de 100%. 
Os clubes em Portugal, em especial os três grandes, serão a última coisa alguma vez a fechar. O futebol é uma indústria fundamental nos direitos televisivos e nas marcas para os próximos anos. E não só aqui. Poucos ou nenhuns eventos congregam tantos públicos dos 7 aos 77 como a bola. Clubes como Benfica, Sporting e Porto, com milhões de clientes fixos (em Portugal e países lusófonos) e ainda mais milhões de clientes potenciais (em mercados tipo China ou Índia) terão sempre dinheiro para para pagar 20,30 ou 40 milhões de obrigações. Nem que tenham de lançar outras.
Isto não significa que o empréstimo obrigacionista seja bom, mau ou mais ou menos, do Varandas, do Bruno ou do Batatoon, às bolinhas ou com gelo e limão. Cinjo-me apenas ao risco em geral destas obrigações em clubes como o nosso, porquanto não me venham chatear que o Bruno é que é bom e o Varandas não faz a barba e mais não sei quê.

Obrigações de coração



A competitividade da nossa Liga (Benfica e Porto) fez subir os salários líquidos dos jogadores para valores que nos deviam fazer corar de vergonha. Para acompanhar, o Sporting de Bruno de Carvalho teve de ir a jogo e Jesus acabou por ser o símbolo maior dessa insanidade salarial. Quem vibrou, aplaudiu e apostou que era desta (como foi o meu caso) não se deve colocar de fora do dia seguinte. Este empréstimo obrigacionista do Sporting explica-se porque a banca fechou a torneira (e bem, dada a irracionalidade quase total da indústria). Benfica e Porto têm os seus empréstimos obrigacionistas, cuja maturidade virá a ser paga com outros empréstimos. Connosco é e será também assim. Até que uma destes três SAD será comprada por um acionista maioritário. Porque ou se joga para o quarto ou quinto lugar e se têm as contas em ordem, ou se sobe brutalmente a parada e se torra dinheiro à tripa forra.
Um dia vai acabar, mas por enquanto há obrigações de coração.
É ilegal e imoral dizer aos outros o que devem fazer com o seu dinheiro em instrumentos financeiros do tipo das obrigações. Mas não é proibido partilhar a informação de que subscrevi obrigações. O motivo é simples: quando teu clube precisa de ti, apareces. 

E para o ano, com motor Honda?


Fui um apoiante de Bruno de Carvalho e durante muito tempo. É inútil dizer que estou arrependido ou que se voltasse atrás seria diferente, que me deveria ter apercebido ou que estava na cara. O que importa, creio, é que os sócios do Sporting tenham conseguido depor a anterior direção por via legitima numa votação extraordinária no pavilhão Atlântico, em junho.
Não me agrada que Bruno de Carvalho esteja a dormir nos calabouços da GNR esperando agenda do juiz ou que as greves decorram. A Justiça em Portugal é uma força estranha, que nunca tem problema em usar a latitude a longitude que entende, nos casos que entende. Podemos abominar Bruno de Carvalho, mas num estado democrático estas decisões precisam de ser melhores explicadas. Este raciocínio é válido para todos os detidos.
Nunca tive uma má experiência pessoal com Bruno de Carvalho. Estive com ele umas quatro ou cinco vezes e nunca me importunou, nunca me pediu nada, nunca me falou mal de ninguém. Era alguém que adorava ser presidente do Sporting e parecia vestir bem esse casaco.
Nesta fase, já fiz por deixar de ter opinião e até por ler as notícias. Acho que Bruno entrou na centrifugação onde outros detidos entraram noutros processos. Com sorte, teremos uma sentença transitada em julgado daqui por dez anos. A cada sentença que viremos a ter, seguir-se-á um recurso da outra parte, até à náusea.
Eduardo Barroso foi um dos mais coloridos apoiantes de Bruno de Carvalho e em noventa por cento das suas intervenções, fala dos seus filhos. Entendo-o. O Sporting sempre foi muito importante na minha relação com o meu pai e hoje é muito importante na relação com o meu filho mais novo. Ou era. Hoje, por causa disto tudo, a verdade é que somos na mesma do Sporting, mas deixámos de prestar a atenção de antigamente. Se vos interessa, consegui cativar o meu filho para a Fórmula 1 e em vez de discutirmos reforços de dezembro, especulamos de Max Verstappen poderá bater Lewis Hamilton com um motor Honda no seu Red Bull.

Os melhores adeptos do mundo?

Os assobios a Peseiro (e eram para ele) têm tanto de estúpido como de absurdo. Se calhar o clube que em meados de maio sofreu um trauma grave, cujo plantel sofreu uma hemorragia repentina, cuja época foi preparada por uma comissão de gestão sem grandes meios, habilidades ou connections no mundo da bola e que não ganha o campeonato há 16 anos, se calhar esse clube, dizia eu, não tem os melhores adeptos do mundo. Peseiro joga sem o ponta de lança referência (Bas Dost), sem o extremo referência (Gelson), sem o guarda-redes referência (Rui) e sem o pêndulo referência (William). Joga com um médio com pouco jogo nos últimos meses e quase nenhum jogo na equipa (Gudelj), um extremo sem experiência de jogar num grande (Raphinha) e com outro extremo sem maturidade tática ou as melhores skills defensivas (Jovane), além de um anão como ponta-de-lança (Montero). No jogo com o Marítimo, o Sporting viu-se a ganhar por dois a zero e no segundo tempo meteu-se na expectativa por duas mil razões, mas também porque os adversários são combativos, porque há jogo europeu dias a seguir, porque Bataglia não estava e porque… estava a ganhar por dois a zero. E a malta assobiou porque supostamente Peseiro não mexeu. Por exemplo, não meteu Diaby aos 70 minutos, que tem zero experiência de futebol português e portanto não sabe lidar com defesas, médios, manhas e arbitragens ou não metendo Mané, que não jogava à bola há mais de 400 dias. Vá lá que apesar dos assobios, lá se somaram três pontos, sem que o Marítimo tivesse tido uma oportunidade de golo.

Primeiro desafio de FV

Claro que FV vai beneficiar de estado graça, quanto mais não seja por oposição ao que vinha dantes. Terá tempo para melhorar o modo como se exprime e como exprime o que quer dizer. Percebe-se bem que pretende que o Sporting vença o campeonato (este ano, para o próximo, etc) mas vai ser enrolado na centrifugação do dia-a-dia muito depressa. Empresas e marcas em ambientes hiper-concorrenciais e visibilidade pública total e intensa apelam a salvadores, messias e ao entusiasmo do indivíduo e da multidão, mas têm do outro lado uma exigência de imediatez, uma tolerância para o erro próxima de zero e pouca ou nenhuma piedade para quem não ganha.  
O primeiro erro é achar que se é imune à centrifugação. Infelizmente é um erro mais comum do que se julga. É um pouco como achar que seremos capazes de arrumar o carro mesmo à porta do restaurante só porque achamos com muita força. E o pior é quando arranjamos lugar e ficamos convencido que foi a nossa convicção que mandou o outro tipo sair do lugar no instante em que chegávamos.
A tal estrutura de que JJ falava muito é esta imunização do dia-a-dia. É conseguir que os chamados micro problemas não cheguem aos decisores lá de cima. Como se sabe em países centralizadores, alatinados e dados ao imponderável e à falta de ordem e planeamento, é muito comum termos boards com excelentes salários, excelentes carros, bónus, cartões de gasóleo a discutir durante uma hora o lettering dos convites para as festas de Natal.  
O primeiro desafio de Frederico Varandas é precisamente esse: não ter nada a ver com os convites para a festa de Natal.

Segunda feira é outro dia.

Votarei em Frederico Varandas, satisfeito com a minha impressão e com o que ouvi dele e da sua candidatura. Nada tenho contra os outros candidatos, pelo qualquer que vença, será o meu presidente.
O problema é a seguir.
Num clube que na verdade é futebol – basta ver como Peseiro passou a ser the man por estarmos a co-liderar a Liga – a presidência da futura direção será de uma dificuldade extrema.
O assunto BdC é demasiado importante para as televisões para que estas o larguem. CMTV quer cimentar a sua posição de “líder da Informação” (apesar das novelas e filmes) e a TVI24 quer bater a SIC Notícias (num campeonato à parte por uma espécie de segundo lugar que dá acesso a uma Liga dos Campeões imaginária).
Não há nada a criticar, as coisas são o que são. Quem trabalha em televisão sabe perfeitamente que tudo concorre com tudo e que a luta por audiência é uma questão de negócio e de resultados mas também – e muito – uma questão pessoal, de self-importance, vanity e dick size.
O adepto comum – e o adepto dos outros clubes – querem taças. Não podendo haver taças, querem promessas de taças. Não havendo nada disso, não se importam de ver os rivais a liquefazerem-se.
Não se esqueçam nunca que BdC é livre de vir a ser comentador em televisões, assim seja convidado. Pelo que revelou em várias aparições é claramente alguém que domina (mesmo que intuitivamente) o meio. A importância da Comunicação no consulado Varandas (ou Benedito, ou outro qualquer) é de uma importância extrema. Todos gostamos de estar do lado certo, mas também precisamos que nos lembrem de que não queremos estar no lado errado.
Viva o Sporting, hoje e sempre!

Seis perguntas

1. Melhor argumento a favor da dispensa dos nossos “made in Academia” são Ruben Dias e Gedson (e talvez João Félix). Alguém acredita que qualquer um dos que não ficaram no plantel do Sporting pegasse de estaca em Alvalade?
Já viram quantos jogos fez o Gedson em agosto? E como o Ruben Dias parece que joga ali há seis anos seguidos?

2. Há muito a fazer no nosso clube, mas repensar o valor verdadeiro e comprovado da formação deve ser uma das prioridades.
Por acaso Cédric, Patrício, Ilori, Bruma, Adrien, William, Rafael Leão e – se quisermos – José Fonte, Beto, Geraldes, Matheus Pereira, Palhinha jogam em equipas que disputam títulos?

3. Será Jardim doido? Está no Mónaco há 150 anos e não veio buscar nenhum da Academia. E Marco? E agora JJ?


4. Talvez o amor que temos à formação (e incluo-me nessa legião de adeptos e sócios que se orgulha disso) nos tenha impedido de ver com clareza. Será assim?

5. Por outro lado, será que Renato, Gedson, Alfa, Félix ou Ruben subiriam à primeira equipa se LF Vieira fosse lesto a contratar os seus Petrovics, Misics, Slavchevs e afins?

6. Serão os clubes portugueses mais compatíveis com Vitórias e Peseiros – e Conceiçãos, que foi campeão sem aquisições – ou com Mourinhos, Guardiolas ou JJ, que exigem camiões de reforços?

Apoio Frederico Varandas porque:


  1. É mais novo, de outra geração e é tempo de novas gerações

  2. Conhece o balneário e muitos dos jogadores do plantel

  3. Foi militar, o que para mim é uma qualidade

  4. Foi militar deployed, o que para mim é uma qualidade ainda maior

  5. Quer muito ser presidente do Sporting

  6. Teve a inteligência e a decência de reconhecer vários méritos a BdC

  7. Teve a inteligência e a decência de apoiar José Peseiro

  8. Do que já sei, tem uma equipa dirigente ambiciosa, com ideias, cv e disposta a arregaçar as mangas pelo nosso clube

  9. Tem sabido, desde que anunciou querer ir a eleições, não dizer nada de inutilmente polémico

  10. Pretende, e eu acredito, que o seu mandato sirva antes de tudo para voltar a unir a família Sportinguista.

O peso de Peseiro

Tem-me irritado, e muito, o desprezo e a desconsideração com que Peseiro é brindado. Nas redes sociais, nos blogues? Nada disso. Antes nos jornalistas e comentadeiros que - com aquela bonomia superior própria dos tolos - lá vão dizendo que o ribatejano até nem é mau e era o possível, ao mesmo tempo que controlam mal um certo esgar de gozo nos cantos da boca.  

Portugal pode ter imensas qualidades, mas os portugueses têm dos piores defeitos. Com homens mais distantes, agressivos ou intimidatórios (Bruno Carvalho, JJ, Vieira, Ronaldo, Mourinho) bate-se a bola baixa, dão-se palmadas nas costas ou evita-se o confronto, procurando o elogio unânime sempre que possível não vá algum deles (ou um seu cunhado) estar a ver televisão. Com homens aparentemente inofensivos como Peseiro, é todo um ressabiamento originado pela dor nos joelhos e na cervical que escapa por todos os poros do nosso rebanho de pendurados no futebol.
Achemos o que achemos da sua competência técnica, reconheçamos que Peseiro não é um sonso nem um pavão, um manipulador ou um semi-Deus cheio de mind games.
Pela minha parte estou-lhe grato que tenha aceite pegar numa equipa que nem sequer sabe qual será. Mas é a nossa equipa, não o esqueçamos - uma equipa que eu não trocaria por qualquer outra.

{ Blog fundado em 2012. }

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