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És a nossa Fé!

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.


Se o SCP for campeão – e está em ótima posição para o conseguir – que dirão Porto, Benfica e Braga?

Num país tão estranho como o nosso, onde a mediocridade é tão magnética que puxa (quase) todos para baixo, será que o antigo jogador da Lazio, o antigo treinador do Flamengo ou o homem que sorria e oferecia pasteis de nata aos jornalistas ingleses, vão dar os parabéns a Tiago Tomás, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Plata, e aos seus colegas mais velhos e experientes? Que dirão os grisalhos, batidos ex-jogadores desses três rivais, que estão a trabalhar nesses clubes? E os dirigentes que se perpetuam nas presidências desses emblemas?

O que se vê em campo, jornada a jornada, é uma escalada a ritmo seguro, realista, liderada por uma equipa técnica muitos furos acima das outras, que faz com plantel curto como uma mini saia, o que outros treinadores não conseguiram com planteis muito mais ricos em individualidades. O resto nem conversa é. 

No fundo, e fica claro se pensarmos nisso, Amorim está a fazer o que é suposto fazer-se desde sempre: não perder pontos com aquelas equipas com planteis mais fracos e menos história. Concentração, compromisso, taxa de erros minimizada, passos seguros.

A ideia é - e sempre foi - ouvir o apito final com pelo menos mais um golo que o adversário. 

Até agora, se pensarem bem, perdemos quatro pontos com o Porto, mas com o upside de o Porto os ter perdido também. Empatamos no campo do Famalicão (com um golo mal anulado, segundo muita gente). Só por uma vez, não se foi capaz dessa obviedade que é não desperdiçar pontos com equipas com menos meios que nós. Foi com o Rio Ave, em Alvalade.

Uma equipa com tanta gente inexperiente, incluindo técnicos, e com duas mãos cheias de jogadores (que no princípio da época) não teriam lugar nos planteis de Braga, Porto ou Benfica, tem até ao momento o melhor percurso da nossa história em vários indicadores.

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.

Coisas sensacionais


Mais uma vitória, límpida e onde qualquer um com dois dedos de testa percebe que Amorim a) não vai correr riscos só porque sim b) os amarelos são uma questão importante para as jornadas seguintes c) as lesões outra d) é a bola que corre e) quem está a perder é quem tem de tentar igualar.

Em cada jogo estão três pontos em disputa, não óscares da academia ou bolsas de mérito artístico.
Devo ter sido o único a ver isto. Ontem, ouvindo comentário (até de sportinguistas), no fundo, o Sporting não joga nada e ganhou ao Paços (do super hiper mega Pepa) por TRÊS vezes porque, precisamente, não joga muito. Foi não jogando grande coisa que sofremos ZERO golos do super Paços.

Entenda-se: eu acho que o Paços joga bem e não faz anti-jogo. Acho que tem bons jogadores e um bom treinador. Mas também acho que em NENHUM DOS TRÊS JOGOS esteve sequer perto do empate.

 

Uma outra coisa. Os jornalistas, comentadores e repórteres têm de deixar de ser tão tugas-espertinhos. Ou então, atirem mesmo cascas de banana, sempre é mais divertido e as imagens correm mundo. As perguntas sobre lances polémicos – e mesmo quando não os há, qualquer lancezinho polémico serve – são exercícios de sadismo e cinismo coletivo.

Os treinadores e jogadores – de todas as equipas – andam ali hora e meia, à vista de milhões de pessoas, nervos em franja, tensão emocional. É evidente que o venenozinho do “acha que o lance não sei quê é penalty” pode muito bem ser a gota de água para que estes descarreguem a frustração.

De seguida, para se sentirem bem, os mesmos jornalistas, repórteres e comentadores vociferam que assim não pode ser, que o futebol português não aguenta mais este clima de suspeição e de ameaças.

Dica: EXPERIMENTEM perguntar apenas por lances de óbvia e clara dúvida. Haverá dois ou três por jornada. E talvez haja menos clima de suspeição.

Se precisarem de um estímulo, pensem que pode ser o vosso irmão, tio, pai, que é o árbitro ameaçado de morte ou o jogador que leva multas, castigos e fica marcado para o resto da carreira só porque se passou dos carretos por causa de perguntas venenosas sobre lances polémicos na área.

Ontem, nem vi o jogo do princípio, mas basta ver a flash e a conferência de imprensa para perceber que há um manto de suspeição e injustiça em cima da vitória de ontem. Talvez Feddal tivesse de ser preso, ali em campo. Talvez um penalty não assinalado pudesse ter valido uma vitória do Paços por 18 a zero. Ah, se o penalty do João Mário fosse repetido, se calhar ele teria dado uma cotovelada ao árbitro (ou uma cabeçada, embora aí só levasse um jogo), ia expulso, era penalty para o Paços tipo lances livres da NBA e o Paços ganhasse por 67 a zero… Quem sabe, quem sabe… E porquê? Porque o Paços é a equipa sensação e as narrativas escrevem-se sozinhas.

Isto não está a ser nada fácil para ninguém, ó Ruben, não penses...

Vai ser difícil, mas não vai ser impossível. O nosso objetivo era o apuramento para a Champions e a ocasional taça e isso parece provável (até porque a Taça da Liga já está).  

Acredito que a questão da aposta da formação fizesse parte do briefing, porque isso sempre importante para nós, adeptos e sócios. Também está a ser feito e conseguido.

Ontem, devo dizer que o mais me surpreendeu foi o trabalho do árbitro. Ao contrário de centenas de outos jogos de ‘futebol português’, em Barcelos as faltinhas a meio campo sobre os nossos jogadores eram assinaladas a nosso favor e não divididas a meio, como é habitual no ‘futebol português’.

Será duro e por vários motivos. O caso ’Palhinha’ vai obviamente ser explorado até aos limites do possível. O calendário também é complicado – temos de visitar o campo dos três mais bem classificados a seguir a nós.

Também está a ser duro para mim, ó Ruben. Estamos a entrar naquela janela em que já não consigo ver os jogos e desligo os alarmes do LiveScore.

Em breve meterei phones com música alta para não ouvir os saltos dos vizinhos.

Ontem, perdíamos um a zero e um vizinho gritou “golo”! Sabendo que há delay, não fazia ideia do que aí vinha…

Isto não está a ser nada fácil para ninguém ó Ruben, não penses…


Desejos de Fevereiro

 

1. Adán, Coates, Feddal, Neto, Palhinha são os bravos do pelotão. É incrível a simplicidade das coisas. Sozinho, nenhum é o Maradona, juntos são a muralha que solta Porro, Nuno Mendes, Pote, João Mário, TT, Nuno Santos e o resto da malta.

2. Como acontece sempre em Portugal, têm sido a equipa e a equipa técnica a puxar pelos adeptos. Não estavam no estádio a assobiar, mas estavam nas redes a apoucar. É humano, levamos muitos anos de fracassos.

3. Não sei se o Sporting será campeão, mas sei que agora estamos um pouco mais fortes com Paulinho, João Pereira e Matheus do Rio Ave. E este nosso ‘mercado’ também demonstra para sempre que não é possível querer ser campeão sem contratações de muitos milhões.

4. Lembremos sempre que a época foi preparada com contratações baratuchas porque era uma época que visava o terceiro lugar, talvez o segundo.

5. Os deuses olharam cá para baixo e apeteceu-lhes soprar uma sortezinha aqui, uma sortezinha ali. Mas é preciso ir à procura dela, porque sorte não aparece por acaso. Só sai o euromilhões a quem mete o boletim, só aparecem golos nos descontos a quem está na área adversária a tentar.

6. O Sporting tem a melhor equipa e mais saudável, o treinador que melhor mexe no banco, o calendário menos carregado e uma equipa técnica inteligente e astuta. Mas o Porto tem mais jogadores em quantidade e o Benfica também. Além disso, têm experiência e barba mais rija e isso conta.

7. Parecendo que não, faltam muitos jogos. Imensos. É enviar daqui um abraço a todos e desejos de um bom fevereiro.

O velhinho Amorim

 

O pior Sporting que alguma vez vi, pior até do que aquele em que ficamos em sétimo, foi o de Paulo Bento. Resultadista, monótono, Liedson-dependente e sobretudo liderado por um homem que nunca parecia em paz consigo e com o mundo. Ainda me lembro de defendermos um 2-1 em casa, contra uma equipa pequena, aos 60 minutos de jogo.
Talvez algum jogador de então leia isto, quem sabe o próprio PB, e por isso quero acrescentar que o adepto (eu) é cruel, injusto e míope. Devemos a Paulo Bento troféus, vários “segundos lugares-Champions”, transferências, jogadores lançados. Mesmo assim, não consigo aplaudir, ainda que consiga dizer com todas as letras que o Sporting deve bastante à serenidade teimosa e agressiva de PB. Conseguimos muita coisa com uma equipa de tostões.

Mas houve coisas... Por exemplo, a aposta em Rui Patrício foi apenas e só teimosia contra a imprensa, comentadores e até o público, que nos fez levar golos evitáveis durante década a fio. Portugal deve-lhe o campeonato da Europa (para mim, foi o melhor em França), mas o Sporting (e na prática) beneficiou muito menos.

Há dois anos, vencemos dois troféus sem saber ler nem escrever. Equipas com grandes jogadores (Bruno F, Bas Dost, Mathieu), mas sem ligação, como uma feijoada mal apurada, apesar das carnes incríveis. Essas conquistas encadearam Frederico Varandas que quase foi apeado nos entretantos seguintes. Era uma equipa sem liderança, o que permitia a ascensão de Bruno Fernandes (não é por acaso que quanto melhor está o MU, menos influente é BF, um jogador que brilha muito mais no meio da falta de liderança do treinador), mas pouco mais.

O que o Sporting de Amorim nos trouxe é uma mistura da versão boa de Paulo Bento (“jogam os melhores, apesar da idade”) com inteligência emocional e a maturidade de um líder que, tendo 35 anos, parece ter uns 80. É teimoso e determinado, mas não se deixa engolir pelo seu ego ou abafar pelas suas inseguranças. Não agarra numa tocha e obriga a que todos os sigam.

Aproveita o melhor que a vida lhe dá. Talvez tivesse aproveitado Caicedo ou Stojkovic.

Por isso, e por exemplo, pediu um guarda-redes habituado a outras cavalgadas e um central de uma liga melhor que a nossa. Adán e Feddal não são os melhores do mundo, mas defrontaram habitualmente Messi, Benzema, Griezmann e essa malta toda, incluindo as claques e a imprensa. São duas ilustrações que atestam a inteligência do nosso treinador e um caminho que (digo eu) Paulo Bento não teria escolhido, porque teria apostado em Patrício e talvez em Ivanilson ou Quaresma.

O que a idade nos traz é isto: temos um caminho, uma rota, uma direção e também a noção muito nítida de que não vamos mudar o mundo apenas com as nossas teimosias.

Liderar não é dar murros na mesa. Liderar é lutar pelos objetivos, com os meus, os teus e os nossos.  

2021 ainda agora começou.


Excelente – e feliz – vitória contra um Carvalhal que achava que estava no papo, só que não estava.

Amorim teve sorte durante alguns punhados de minutos, mas soube ler o jogo e fazer as substituições certas que neutralizaram o Braga de vez. Excelente jogo de Porro, como que a compensar com a sua energia alguma falta de confiança de Pote, Nuno Mendes e até Nuno Santos. Jogo incrível e adulto de Matheus Nunes, não houve lance em que tenha estado mal. Surpreendente (para mim) aquele sprint de Sporar e (menos surpreendente) a forma adulta como aceita ser nesta altura segunda escolha e dá tudo o que tem.

Claro que Adán não é o melhor do mundo com os pés, mas já se dava algum crédito e se parava com as críticas de cada vez que passa menos bem. Tem segurado resultados e pontos muito importantes. Ótimo jogo de Feddal e Coates. E de Neto, os três muito solidários.

João Mário foi um príncipe e Palhinha demonstrou que tem lugar nos escolhidos de Fernando Santos.

O Braga é uma ótima equipa, tem um ótimo plantel, mas ganharia em ser menos dado a simulações, rebolanços no chão e pau no adversário. Parece ser um clube que procura o lance polémico, só para ter capital de queixa no final dos jogos. O modo como os centrais e o guarda-redes se atiram para o chão aos berros em todo e qualquer lance é muito irritante, devo dizer.

Hoje, o Sporting foi muitas vezes menos forte que o Braga, mas Amorim (e a sua equipa) muito mais sagaz que Carvalhal (e a sua equipa).

Próxima paragem, a Madeira, onde defrontamos o Nacional. Na viagem, podem assistir ao jogo com o União da Madeira de Norton de Matos aqui há uns anitos.

Cabecinhas pensadoras.

 

A malta gosta de ataque, oportunidades, cruzamentos, desmarcações (e eu sou como a malta), mas este sistema Amorim é sólido como aço na defesa, mesmo admitindo que individualmente talvez não tenhamos os melhores defesas de todos os tempos.

Vi com atenção o jogo do Paços e ontem do Mafra. Típicas equipas de treinadores portugueses ambiciosos que querem chegar longe (não é uma crítica) na carreira. Equipas de ataque, fortes fisicamente, bom toque de bola, com desenhos nas jogadas e soluções, onde até os guarda-redes têm de dar ao pedal. A milhões de milhas do célebre defender com 9, bola no extremo a ver se o ponta de lança pinheiro a mete lá dentro.

O que vi foi muita coisa.

O que não vi foram oportunidades de golo em 180 minutos para os nossos adversários.

Até agora, o Sporting é de longe o best of the rest.

Veremos se somos suficientes para Braga (sim, o Braga…), Porto, Benfica e seus respetivos interesses. Nos três casos, são equipas com jogadores melhores do que aqueles que os nossos têm enfrentado, treinadores calejados e dados a mind games, estruturas e bancos agressivos que vão a todas e até for preciso.

O Sporting dentro de campo – e fora dele – terá de ter cabecinha.    

Eu devo estar maluco

Ontem, ganhamos ao Paços. Ora o que vi, li e ouvi um pouco por todo o lado é que o Paços de Pepa jogou mal, esteve mal, que no fundo batemos em mortos. 

Eu vi um jogo em que o Paço jogou de igual para igual e que mesmo nos minutos finais, a perder por três, atacava, combinava, tentava chegar ao golo. O Paços não deu sarrafada, não se fez ao penalty, os seus jogadores não fizeram teatro. Tiveram cabedal, força física, têm ideia de jogo, alguns jogadores ótimos, outros galhardos, outros ainda com excelente técnica. Mantiveram-se sempre no jogo, não houve tempos mortos, nem o Sporting pôde nunca baixar a pressão. Por exemplo, o nosso Matheus Nunes, que entrou à hora de jogo, nunca conseguiu impor-se no meio-campo. Sporar foi presa fácil, Antunes nunca subiu. Porquê? Por causa do Paços. 

Achar que o Sporting limpou porque o Paços não deu uma para a caixa parece-me errado e típico da precipitação comentarista. E desvaloriza os nossos jogadores, a nossa equipa e a nossa equipa técnica.

#OndeVaiUmVãoTodos


O jogo em Famalicão será um jogo charneira neste ano. Não digo que ou vai ou racha, mas acredito que a equipa (jogadores e treinadores) tenha subido três degraus de uma vez na maturação. Dos adeptos e sócios é de esperar inteligência e bom senso. Só se ganha seja lá o que for com uma união mínima. Critiquemos Adán à vontade, mas tenhamos tino. Já nos deu alegria e até já fez uma assistência para golo. Critiquemos Sporar, mas recordemos que é um jogador sem software para o futebol de Rúben e que dá tudo em campo, fixa centrais, distribui jogo, faz assistências. E por aí fora. Já agora, o mesmo é válido para Varandas. O homem enganou-se no Bolasie e no Jesé? Pois, parece que acertou no Porro, no Pote, no Nuno Santos e no Amorim. O Miguel Braga irrita-vos? Todos naquele lugar seríamos de uma maneira ou de outra. Acrescento que conheço bem o Miguel há muitos anos e que sei que é tão ou mais sportinguista que todos nós somados.

Os nossos handicaps são a inexperiência, os tempos naturais de habituação aos processos de uns e outros, a falta de capital para agir no mercado como um ninja num filme do Tarantino, as lesões e lesõezecas, o assédio aos jogadores jovens e as outras equipas que também jogam.

Da nossa parte, acho que devemos confiança à equipa, treinadores e dirigentes.
#OndeVaiUmVãoTodos

manteiga de amendoim

Rúben Amorim conseguiu meter os seus jogadores a correr numa pista diferente.

Como? Não faço a menor ideia. Não faço mesmo. Mas é como se o Sporting deslizasse em manteiga de amendoim. Há uma objetividade e uma noção que tornam a bola do jogo numa bola de flippers. O adversário vê jogar, ou nem vê, e quando dá por ela ou foi golo ou foi quase golo.

Antecipo grandes dificuldades, em especial quando os adversários compreenderem que um certo jogo subterrâneo poderá ser eficiente.

Os nossos grandes testes serão com as equipas com os melhores valores individuais e ainda acho que, entre SLB, FCP e Braga, somos os quartos pretendentes ao trono. Essas equipas são mais adultas, mais manhosas, têm mais individualidades, mais soluções, mais nervo, mais agressividade, mais experientes. Mas a verdade é que os jogos começam com zero a zero e acredito que essas equipas, seus dirigentes, técnicos e jogadores, tenham Sport tv em casa.

Amorim está a criar uma alquimia entre novatos, aquisições e veteranos. Dos que têm jogado, não há um único que possamos dizer que é uma segunda escolha. Como diz o José Navarro, não entram para "rodar" ou para que outros descansem. Entram porque chegou a vez deles.  É um pouco como nas seleções que vão longe ou vencem torneios: todos contam de facto. Ora isso é espantoso e extraordinário e não me lembro de uma coisa assim no Sporting.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

O nosso melhor reforço


Acredito que a eliminação da LE tenha sido a nossa grande aquisição. Como se viu no jogo em Portimão, estamos longíssimo de controlar todo o jogo, táctica e fisicamente. Por mais que queiramos culpar o Amorim, o Varandas, ou agora o Miguel Braga, quem joga são os jogadores, quem está lá dentro são eles e quem se encolheu com o Portimonense foram eles. Só as boas mexidas de RA permitiram que o Portimonense não marcasse, bem como o acerto dos centrais e de Adán.

Para dizer que as coisas levam tempo. E que mudaram com isto do Covid. Vi o jogo do Porto com interesse e aquela armada de jogadores adultos e feitos, campeões, fortes como touros, foi relativamente bem manietada pelo Marítimo de Lito. Vi Mourinho anular por completo o United de Pogba, Bruno Fernandes, Martial, Rashford, Matic ou DeGea. Vi o Villa dar cabo de Klopp e dos seus jogadores. Vi o City a não conseguir vencer o recém-promovido Leeds.

Planteis de craques maduros, adultos e poderosos, também perdem ou empatam.

Tal como o Lask, o Portimonense jogou bem. Os nossos golos foram grandes golos, um inventado pelo Nuno Mendes, o outro uma criação excelente de jogo de equipa e uma enorme e rara concretização do Nuno Santos. Mas o Portimonense não jogou nada mal e fiquei espantado por terem dado pouco crédito ao Paulo Sérgio (como havia acontecido com o Lask). Fica-se com a ideia que o nosso Sporting joga sempre com adversários neutros de marca branca e quando perdemos ou empatamos, é sempre culpa do Varandas.

Não obstante, sobra a evidência que os nossos jogadores ainda não têm bateria para jogar à quinta e ao domingo. É um problema ou é uma fase? Tomara eu saber. 

Ao podermos jogar menos vezes que os nossos rivais diretos, poderemos desenvolver processos, coesão e ganhar vantagem pontual para com o Braga (que já leva duas derrotas).

Talvez dê para ultrapassar Porto ou Benfica, se algum destes tiver um annus horribilis. 

Vamos lá cambada

Uma boa pergunta é que se preferíamos passar a eliminatória jogando al la Lito Vidigal, com os jogadores a rebolar no chão e a perder tempo. Pensemos nisso.
O que se viu ontem foi uma equipa forte fisicamente, mais avançada na preparação, que estudou muito bem a lição, contra uma equipa de garotos, em construção.
O Lask é uma equipa do ‘nosso campeonato’. Porque não haveria de vir cá ganhar?
Lutaríamos para não descer em Espanha, Itália, Alemanha ou Inglaterra. Acho até que, numa época que começasse coxa, acabaríamos por descer de divisão.
Benfica e Porto lutariam para ir à Liga Europa. Nunca por nunca seriam campeões.
O nosso campeonato europeu será o belga, húngaro, austríaco, escocês, croata, etc.
Não é culpa do Rúben ou do Varandas, nem é de ninguém. Talvez seja dos árabes, russos e chineses, que compram clubes na Europa e investem milhares de milhões de euros.
Mas a vida é mesmo assim. Portugal é pequeno, não tem Economia, estavam à espera de quê? 
Talvez o que deva ser melhorado deva ser a observação dos adversários – o primeiro golo, de canto, deles, é bom exemplo de maus trabalhos de casa. De resto são coisas que acontecem.
É esperar que os jogadores entrosem, cresçam fisicamente, ganhem músculo e ambição e rezar para que não estejam sempre a sonhar com a transferência para um clube do meio da tabela dos big 5.
Estou convicto que a época interna será bem melhor que a anterior. Não estar na Liga Europa só ajudará o Sporting a estar mais bem preparado para aproveitar uma brecha na competitividade de Porto e Benfica.

oito é metade de 16.

Braga, Boavista, Famalicão, Rio Ave e provavelmente Guimarães. Porto, Benfica e Sporting.
Parecendo que não, conto oito equipas que entram na Liga com vantagem em ter futebol positivo, competitivo porque contam com bons jogadores. Seja para vender os jogadores, seja para ganhar taças, são equipas que entram em campo para vencer sempre (ou quase sempre).
Sinceramente não me lembro de uma coisa assim.
Creio que isto beneficia o Sporting de Amorim.

Quarto com vista para o terceiro



Resulta evidente para mim que no próximo ano vamos lutar com o Braga pelo quarto lugar.
E não vai ser nada fácil. Braga tem ambiente mais calmo, mais estrutura, é um clube empoderado por vir a crescer e a morder os calcanhares ao terceiro grande, tem bom plantel, tem um futebol físico, paga salários muitos mais baixos, não tem a imprensa e as redes 24 horas por dia em cima, tem boas individualidades que “resolvem” e terá um treinador com ideia de jogo e conhecedor do futebol português.
Ruben Amorim parte bastantes degraus abaixo em experiência, calo, quantidade e qualidade de jogadores, organização e quantidade de pressão (no Sporting é cem mil vezes maior que no Braga, um clube sem adeptos). Além disso, as nossas Finanças coiso. 
A perspetiva para a próxima época é, pois, aterradora. Doidos a fingir que somos um grande, e com o Braga sempre a soltar o bafo para cima de nós, temos é de ter cuidado com Rio Ave, Guimarães e talvez outro clube “sensação”. Até podemos ficar em quinto, digo eu.
É culpa do Varandas? Não acho. Nem acho culpa do Bruno ou sequer do Godinho. Enfim, é obviamente culpa de todos um bocadinho, mas não acho que seja culpa de ninguém especificamente. Há décadas que estamos numa trajetória descendente e a ganhar velocidade para aterrar de vez numa espécie de limbo entre o pódium e os chatos que disputam connosco o apuramento para a Liga Europa.
A solução? Sorte. Só isto, sorte. E fazer por isso, como é evidente.
Claro que precisamos de ter bons jogadores, boa equipa, boa estrutura, essas coisas, mas no nosso caso precisamos de lutar por ter sorte. Como preparamos mal a época, ficamos sem o Luiz Phellype por lesão e ficamos tão descalços que meter um golo que fosse se tornou um acontecimento. O Braga, por exemplo, sendo competente, acabou por ter sorte no último minuto com aquele pezinho que meteu o Vinícius em jogo e deu a vitória ao Benfica.
Embora possa dar essa ideia, não estou a desconversar nem com mensagens enigmáticas. Apenas a dizer que precisamos de admitir que nos falta a sorte e estarmos preparados para a reconhecer - um dia que esta apareça.

Pinheiro e chegar ao Natal

Santa Clara joga taco a taco, como o Guimarães, Tondela ou o Paços jogara connosco.
No jogo de ontem, o Benfica perdeu, mas podia ter ganho, como podia ter perdido com o Rio Ave na semana passada (em que ganhou). Nós marcamos cedo com o Tondela, mas eles podiam ter empatado se aquela do Mathieu não tivesse batido no poste. Com o Paços ganhamos porque o Jovane fez cair do céu um livre direto.
Que raio se passa? Afinal a nossa Liga é competitiva? Afinal os clubes pequenos estão a trabalhar muito melhor? Afinal não é nada disso, são os grandes que são muito piores?
E o público? Como não existe, não pressiona nem o árbitro nem o erro do adversário? Será isso? Ninguém sabe, talvez seja tudo isto e mais alguma coisa.
Cada vez que vejo estes jogos lembro-me de como Paulo Sérgio foi (e ainda é) ridicularizado por ter pedido um pinheiro. A minha intenção não é ser enigmático, mas sim perguntar-me e perguntar a todos se os três grandes (e talvez o Braga) não deviam ter um pinheiro ou dois nos plantéis. A verdade é que a dada altura – últimos dez minutos + descontos – a lógica vai-se e a fé em Deus dos cruzamentos para a área é a única tática que prevalece. 
Será que é a vaidade dos misters e dos diretores desportivos que os impede de decorar os plantéis com um pinheiro?

a whiter shade of pale

Nem os próprios Procul Harum sabem ao certo de que trata a música que dá título a este post, mas que ficou na história ficou e nunca mais ninguém se esqueceu dela.
Imagino que nem Porto nem Benfica saibam ao certo que raio se passa com as suas equipas de craques que valem dezenas de milhões (dizem), são cobiçados por toda a Europa e arredores (dizem), treinadas por equipas técnicas de excelência (dizem) e dirigidas por dirigentes com séculos de tarimba. Se este futebol de quarentena será lembrado, teremos de esperar para perceber.
Tenho assistido a algumas noites de debate no canal 11, onde descobri que Maniche sabe do que fala e sabe exprimir-se, onde a Sofia Oliveira demonstra muito arrojo e pensamento próprio, onde o jornalista brasileiro Bruno qualquer coisa demonstra que se pode ser jornalista desportivo sem se deixar de ser jornalista e onde Pedro Sousa conduz com arte e engenho a bola até à baliza, com assistências de luxo para todos os comentadores (regra geral são todos bastante bons). De todas as vezes que acaba o programa fico com a sensação de que eles não disseram tudo o que pensam. Não os censuro, afinal de contas todos nesta indústria têm interesse que seja uma indústria…
Mas fico à espera que digam coisas como (por exemplo) o nosso futebol e os nossos craques de milhões vale muito (muito mesmo) menos que diz a etiqueta com o preço, que a competitividade manhosa da nossa bola pouco ou nada tem a ver com futebol e que pelos vistos era o público (sempre adepto de um dos três grandes) quem levava o seu emblema ao colo, por um lado intimidando árbitros, fiscais, VARs e adversários com insultos e ameaças e por outro dando uns aplausos que vitaminam os seus jogadores. Como sabemos, a maioria do público de estádio quer é ganhar, nem que seja com golos com a mão. Ora não havendo público, os jogadores parecem confusos. Afinal, o que estão ali a fazer?
A minha interrogação é se Lage e Conceição tinham noção disto tudo.  
Falo de FCP e SLB porque são quem compete pelo título e porque o que vamos vendo em jogos sem público permite especular sobre que equipa e jogadores deverá ter o SCP para tentar competir pelo primeiro lugar neste nosso futebol que vai demonstrando a sua face.

Sporting blues


  1. Admito que estou surpreendido com as reações exasperadas à contratação de Ruben Amorim ao Braga. Supus que se malhasse no Varandas por ter feito mal o plantel e ter tratado mal o Silas, mas pensei (genuinamente) que a reação geral viesse a ser "Eh pá é carote, mas é bom e se não o fôssemos buscar iria parar ao Benfica ou ao Porto."

    2. Qualquer investimento ou é seguro ou é arriscado ou qualquer coisa no meio. Mas isso só se sabe a prazo. Para dizer que ainda não sabemos se estes milhões são um bom ou um mau investimento. 

    3. Demonstra desespero por parte de FV? Acho que demonstra sobretudo que ele e a administração decidiram corrigir a trajetória em geral e fazer as coisas de outro modo. Sempre achei que aquelas duas taças ganhas em penalties nos iam custar caro. A inexperiência de FV revelou-se na ilusão que criou em si mesmo. Com Amorim pode piorar? Pode. Mas também pode melhorar. 

    4. O que parece evidente é que Silas não era suficientemente amado pelo balneário (ou não teve proteção suficiente). Cometeu erros, como muitos antes dele, mas claramente, com estes jogadores e contexto, o SCP não iria lá com ele. 

    5. Acho que há mais risco para a carreira de Ruben Amorim do que para o Sporting. Bem ou mal, com mais ou menos percalços, cá estaremos daqui a dez ou vinte anos. Amorim pode ter aqui o desafio que lhe dá cabo da vida como treinador. 

    6. Em suma, se não mudasse de treinador, jamais FV seria reeleito presidente do Sporting.

    7. Ah e tal, o timing? Quase nunca há timings maus para fazer a coisa certa, nem timings bons para fazer a coisa errada. (ver ponto 2 deste post)

Caro Francisco Geraldes,

O nosso cérebro é a mais espantosa criação. Sejamos crentes numa entidade acima de nós, ou crentes no acaso cósmico, é igual: nada é mais fascinante, complexo e capaz.
O nosso cérebro processa 40 milhões de operações por segundo, é cinzento, gelatinoso e nunca dói (porque não tem terminações nervosas).
Em certa medida pertencemos ao cérebro e não o contrário. A nossa mundivisão, o que vemos, cheiramos, sentimos, as afinidades, empatias e reações que mostramos com expressões, gestos ou olhares, têm o centro de comando no cérebro.
O medo do futuro, a angústia, o que chamamos insegurança, é só mais uma criação genial do cérebro, uma arma no nosso longo e ainda não terminado processo de evolução. É fácil de perceber: entrar numa caverna escura a assobiar é um erro de avaliação se queremos continuar vivos. Pode lá estar um puma ou um urso que nos abocanha a carótida e a história acaba.  
O Francisco é uma pessoa especial, diferente e isso nota-se. Não tanto por aparecer a ler, mas pelo seu olhar, de um certo alheamento e de raras vezes parecer feliz. A ideia com que se fica é que tem pouco ou nada a ver com a tribo do futebol, os jogadores, as suas tatuagens, os seus carros, os seus penteados, piadas, partidas e outros ritos. Ou os misters, as suas pranchetas, os seus coletes, pinos, gritos, esquemas e demais instrumentos de motivação. Para não falar dos agentes, os seus telemóveis, handlers e gel no cabelo.
Sucede que para sua fortuna, o Francisco tem futebol suficiente nos pés (e no cérebro) e é demasiado bom para ser posto fora. Você vê o jogo diferente, mais belo e sofisticado, mais lúdico, melhor. O que lhe queria dizer é que a sua diferença, sensibilidade e vulnerabilidade são parte fundamental da sua inteligência e, portanto, do seu futebol.  Um futebol que você não tem conseguido impor quando sente as atenções em si. Um certo stage fright, diria.
Há qualquer coisa em si, talvez no seu cérebro, que quer que você desista da bola e se remeta a um sossego maior, mais ensimesmado, mais seguro e recolhido. Acredito que já o tenha percebido e temo que tenha por inevitável que vá passar ao lado da carreira que o seu talento prenunciava.
Só que ao longe, vendo-o como se viu neste domingo contra o Boavista, verifica-se depressa que há uma vontade ainda maior de estar ali em campo, a servir os outros. Nos passes, nas desmarcações, em especial na inteligência que o jogo acolhe como que por magia. Quando desata a correr, quem está atento nota os seus demónios a tentar apanhá-lo, mas deixe-me que lhe diga que é não é óbvio que o consigam apanhar. Só depende de si, de correr mais depressa do que os malditos.
Não lhe estou a pedir a nada, a não ser que se conheça melhor e que ensine o seu cérebro de uma vez por todas quem manda no Francisco Geraldes.

Um abraço.
Deixo-lhe esta sugestão de leitura: Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman (temas e debates).

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