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És a nossa Fé!

Os melhores adeptos do mundo?

Os assobios a Peseiro (e eram para ele) têm tanto de estúpido como de absurdo. Se calhar o clube que em meados de maio sofreu um trauma grave, cujo plantel sofreu uma hemorragia repentina, cuja época foi preparada por uma comissão de gestão sem grandes meios, habilidades ou connections no mundo da bola e que não ganha o campeonato há 16 anos, se calhar esse clube, dizia eu, não tem os melhores adeptos do mundo. Peseiro joga sem o ponta de lança referência (Bas Dost), sem o extremo referência (Gelson), sem o guarda-redes referência (Rui) e sem o pêndulo referência (William). Joga com um médio com pouco jogo nos últimos meses e quase nenhum jogo na equipa (Gudelj), um extremo sem experiência de jogar num grande (Raphinha) e com outro extremo sem maturidade tática ou as melhores skills defensivas (Jovane), além de um anão como ponta-de-lança (Montero). No jogo com o Marítimo, o Sporting viu-se a ganhar por dois a zero e no segundo tempo meteu-se na expectativa por duas mil razões, mas também porque os adversários são combativos, porque há jogo europeu dias a seguir, porque Bataglia não estava e porque… estava a ganhar por dois a zero. E a malta assobiou porque supostamente Peseiro não mexeu. Por exemplo, não meteu Diaby aos 70 minutos, que tem zero experiência de futebol português e portanto não sabe lidar com defesas, médios, manhas e arbitragens ou não metendo Mané, que não jogava à bola há mais de 400 dias. Vá lá que apesar dos assobios, lá se somaram três pontos, sem que o Marítimo tivesse tido uma oportunidade de golo.

Primeiro desafio de FV

Claro que FV vai beneficiar de estado graça, quanto mais não seja por oposição ao que vinha dantes. Terá tempo para melhorar o modo como se exprime e como exprime o que quer dizer. Percebe-se bem que pretende que o Sporting vença o campeonato (este ano, para o próximo, etc) mas vai ser enrolado na centrifugação do dia-a-dia muito depressa. Empresas e marcas em ambientes hiper-concorrenciais e visibilidade pública total e intensa apelam a salvadores, messias e ao entusiasmo do indivíduo e da multidão, mas têm do outro lado uma exigência de imediatez, uma tolerância para o erro próxima de zero e pouca ou nenhuma piedade para quem não ganha.  
O primeiro erro é achar que se é imune à centrifugação. Infelizmente é um erro mais comum do que se julga. É um pouco como achar que seremos capazes de arrumar o carro mesmo à porta do restaurante só porque achamos com muita força. E o pior é quando arranjamos lugar e ficamos convencido que foi a nossa convicção que mandou o outro tipo sair do lugar no instante em que chegávamos.
A tal estrutura de que JJ falava muito é esta imunização do dia-a-dia. É conseguir que os chamados micro problemas não cheguem aos decisores lá de cima. Como se sabe em países centralizadores, alatinados e dados ao imponderável e à falta de ordem e planeamento, é muito comum termos boards com excelentes salários, excelentes carros, bónus, cartões de gasóleo a discutir durante uma hora o lettering dos convites para as festas de Natal.  
O primeiro desafio de Frederico Varandas é precisamente esse: não ter nada a ver com os convites para a festa de Natal.

Segunda feira é outro dia.

Votarei em Frederico Varandas, satisfeito com a minha impressão e com o que ouvi dele e da sua candidatura. Nada tenho contra os outros candidatos, pelo qualquer que vença, será o meu presidente.
O problema é a seguir.
Num clube que na verdade é futebol – basta ver como Peseiro passou a ser the man por estarmos a co-liderar a Liga – a presidência da futura direção será de uma dificuldade extrema.
O assunto BdC é demasiado importante para as televisões para que estas o larguem. CMTV quer cimentar a sua posição de “líder da Informação” (apesar das novelas e filmes) e a TVI24 quer bater a SIC Notícias (num campeonato à parte por uma espécie de segundo lugar que dá acesso a uma Liga dos Campeões imaginária).
Não há nada a criticar, as coisas são o que são. Quem trabalha em televisão sabe perfeitamente que tudo concorre com tudo e que a luta por audiência é uma questão de negócio e de resultados mas também – e muito – uma questão pessoal, de self-importance, vanity e dick size.
O adepto comum – e o adepto dos outros clubes – querem taças. Não podendo haver taças, querem promessas de taças. Não havendo nada disso, não se importam de ver os rivais a liquefazerem-se.
Não se esqueçam nunca que BdC é livre de vir a ser comentador em televisões, assim seja convidado. Pelo que revelou em várias aparições é claramente alguém que domina (mesmo que intuitivamente) o meio. A importância da Comunicação no consulado Varandas (ou Benedito, ou outro qualquer) é de uma importância extrema. Todos gostamos de estar do lado certo, mas também precisamos que nos lembrem de que não queremos estar no lado errado.
Viva o Sporting, hoje e sempre!

Seis perguntas

1. Melhor argumento a favor da dispensa dos nossos “made in Academia” são Ruben Dias e Gedson (e talvez João Félix). Alguém acredita que qualquer um dos que não ficaram no plantel do Sporting pegasse de estaca em Alvalade?
Já viram quantos jogos fez o Gedson em agosto? E como o Ruben Dias parece que joga ali há seis anos seguidos?

2. Há muito a fazer no nosso clube, mas repensar o valor verdadeiro e comprovado da formação deve ser uma das prioridades.
Por acaso Cédric, Patrício, Ilori, Bruma, Adrien, William, Rafael Leão e – se quisermos – José Fonte, Beto, Geraldes, Matheus Pereira, Palhinha jogam em equipas que disputam títulos?

3. Será Jardim doido? Está no Mónaco há 150 anos e não veio buscar nenhum da Academia. E Marco? E agora JJ?


4. Talvez o amor que temos à formação (e incluo-me nessa legião de adeptos e sócios que se orgulha disso) nos tenha impedido de ver com clareza. Será assim?

5. Por outro lado, será que Renato, Gedson, Alfa, Félix ou Ruben subiriam à primeira equipa se LF Vieira fosse lesto a contratar os seus Petrovics, Misics, Slavchevs e afins?

6. Serão os clubes portugueses mais compatíveis com Vitórias e Peseiros – e Conceiçãos, que foi campeão sem aquisições – ou com Mourinhos, Guardiolas ou JJ, que exigem camiões de reforços?

Apoio Frederico Varandas porque:


  1. É mais novo, de outra geração e é tempo de novas gerações

  2. Conhece o balneário e muitos dos jogadores do plantel

  3. Foi militar, o que para mim é uma qualidade

  4. Foi militar deployed, o que para mim é uma qualidade ainda maior

  5. Quer muito ser presidente do Sporting

  6. Teve a inteligência e a decência de reconhecer vários méritos a BdC

  7. Teve a inteligência e a decência de apoiar José Peseiro

  8. Do que já sei, tem uma equipa dirigente ambiciosa, com ideias, cv e disposta a arregaçar as mangas pelo nosso clube

  9. Tem sabido, desde que anunciou querer ir a eleições, não dizer nada de inutilmente polémico

  10. Pretende, e eu acredito, que o seu mandato sirva antes de tudo para voltar a unir a família Sportinguista.

O peso de Peseiro

Tem-me irritado, e muito, o desprezo e a desconsideração com que Peseiro é brindado. Nas redes sociais, nos blogues? Nada disso. Antes nos jornalistas e comentadeiros que - com aquela bonomia superior própria dos tolos - lá vão dizendo que o ribatejano até nem é mau e era o possível, ao mesmo tempo que controlam mal um certo esgar de gozo nos cantos da boca.  

Portugal pode ter imensas qualidades, mas os portugueses têm dos piores defeitos. Com homens mais distantes, agressivos ou intimidatórios (Bruno Carvalho, JJ, Vieira, Ronaldo, Mourinho) bate-se a bola baixa, dão-se palmadas nas costas ou evita-se o confronto, procurando o elogio unânime sempre que possível não vá algum deles (ou um seu cunhado) estar a ver televisão. Com homens aparentemente inofensivos como Peseiro, é todo um ressabiamento originado pela dor nos joelhos e na cervical que escapa por todos os poros do nosso rebanho de pendurados no futebol.
Achemos o que achemos da sua competência técnica, reconheçamos que Peseiro não é um sonso nem um pavão, um manipulador ou um semi-Deus cheio de mind games.
Pela minha parte estou-lhe grato que tenha aceite pegar numa equipa que nem sequer sabe qual será. Mas é a nossa equipa, não o esqueçamos - uma equipa que eu não trocaria por qualquer outra.

zaragateiros

Não é possível defender o desporto, a ética, o fairplay, etc, etc, criticando dirigentes populistas e as suas afirmações “incendiárias” e depois reproduzir toda e qualquer patetice (incendiária) que pessoas que apareceram vindas do nada escrevem nas redes sociais.
Ou bem que jornais e televisões estão do lado do chamado interesse público e assumem um papel de mediador, filtrando o que deve ser ecoado, ou bem que assumem a sua sonsice de uma vez por todas. Ter de gramar o moralismo dos seus diretores e opinadores a advogar que o Sporting deve resolver os seus temas, deve procurar a paz, etc e depois verificar que estão de atalaia a todo o post encharcado de gasolina de figuras que não são nada no clube é uma estranha e equívoca forma de estar na profissão que (especulo) juraram honrar e que tem um código deontológico. 
Infelizmente esta dupla identidade do nosso jornalismo não se restringe à bola.

A escolha

Estive na Altice Arena, mas por motivos profissionais não pude esperar o tempo que me levaria a votar. Ainda bem que fui. Cá fora, a militância dos sportinguistas, calmos e determinados, é a demonstração de que temos tudo para continuar a ser o Sporting.
Curiosamente, pelo menos para mim, a expressão “o resultado era o que menos interessava”, aplica-se. Havia três caminhos – sim, não, abstenção – e um desses foi inequivocamente escolhido. Ora é a possibilidade de poder optar, de os sócios de uma instituição serem livres de escolher o rumo do seu futuro, que me parece assinalável.
Ao que são contra o caminho escolhido, recordem-se que a vida é feita de escolhas e que todas as escolhas têm riscos. O Sporting ficará pior sem Bruno? Pois que fique, mas foi o que a maioria dos sócios decidiu.
Foi um mês muito cansativo, duro e emocionante. Por estranho que possa soar, fui afetado de uma forma brutal e inesperada o que me diz que nem eu sabia o quão importante era o clube para mim.
Pelo meu lado, acho Bruno de Carvalho o seu próprio pior inimigo e tenho pena que tenha chegado a este estado de exaustão emocional que o fez cometer erros atrás de erros, de forma e conteúdo, desde há uns meses. Como ouvi muita gente repetir, tinha tudo para ser o melhor presidente de sempre. Espero e desejo que em breve possa voltar a vibrar com as nossas vitórias, que são sempre de todos e voltar a acolher o Sporting no seu coração e na sua vida. E aí talvez entenda, que não, ele não podia continuar a mandar nem no clube, nem na SAD, como ontem um número avassalador de sócios lho disse explicita e formalmente. Ele poderá não acreditar, mas também é pelo seu bem e da sua família que teve de ir embora.

22 coisas que já podemos dizer acerca do Sporting

 

  1. O clube não vai acabar
  2. Mas é quase impossível sermos campeões de futebol no ano que vem
  3. Bruno de Carvalho jogou as fichas todas – e mesmo algumas que não tinha – e já perdeu em toda a linha. A sua entrada na Enciclopédia do Sporting está escrita.
  4. Jorge Gonçalves deixou de o presidente mais pícaro do Sporting
  5. Os jogadores jovens não são “sportinguistas” como os adeptos acreditavam: quatro jogadores que rescindiram passaram a vida toda no clube e a suar a camisola, mas não hesitaram em sair, prejudicando objetivamente o clube
  6. Não obstante, ninguém está em posição de os julgar. Terão feito o que julgavam ser a coisa mais correta
  7. Tudo indica que Pinto da Costa continua a ser o mais sábio e arguto dos homens do futebol
  8. Tudo indica que LFV não nos desiludirá
  9. A “crise” do Sporting gera mais interesse noticioso que o Mundial, a nossa seleção, a cimeira Trump/Kim e demais assuntos da ordem do dia. Talvez Portugal não seja assim de tão brandos costumes. De certeza, que a Educação é o maior fracasso das gerações que fizeram o 25 de abril um problema que, acredito, persiste.
  10. Sportinguismo dos sportinguistas mantém-se, mas a esmagadora maioria está desorientada com a sucessão de acontecimentos e não se vislumbra quem os possa agregar
  11. Se as eleições fossem hoje, Bruno perderia.
  12. Se fossem daqui a um mês, não se pode afirmar com tanta certeza que perdesse.
  13. Onde Bruno de Carvalho mais falhou foi no reforço das fundações do clube e da instituição: os jogadores sentiram-se seguros (ou alguém por eles) para rescindirem, sem temerem, portanto, as consequências.
  14. Este tipo de assimetrias só costuma acontecer por insanidade individual. Quando são em grupo e concertadas, é porque se pressente que um dos lados é frágil o suficiente.
  15. Em rigor, só Deus saberá (e não diz) se foi Bruno quem falhou ou se foram os sportinguistas que tinham uma ideia errada da força e do poder da sua instituição e não o escutaram
  16. De todo o modo, se foi isso, se Bruno tinha razão e ninguém o escutou, falhou porque a mensagem não passou, muito menos aos jogadores
  17. Bruno de Carvalho revelou uma estranhíssima falta de cuidado numa indústria altamente madura: no seu modo com os jogadores (mensagens por SMS, posts no Facebook etc) agiu como se fosse invulnerável e tivesse superpoderes.
  18. O futebol é demasiado profissional, frio e industrial para se comover com um dirigente heterodoxo durante muito tempo (salvo se este for um sheik das Arábias que mete dinheiro do seu próprio bolso)
  19. Alguns adeptos, bastantes mesmo, também pensaram mais com o coração do que com a cabeça
  20. Claramente os adeptos desconheciam a verdadeira Juve Leo. Eu pelo menos desconhecia.
  21. Na última vez, Sporting foi campeão com um plantel reforçado à última hora (com Jardel)
  22. Na penúltima vez, Sporting foi campeão despedindo o treinador antes da décima jornada, e indo buscar um brasileiro já velhote (A Cruz), um brasileiro veloz (C Prates) e um belga caído do céu (MPenza) na reabertura do mercado.

 

Ganda bronze

Interessante o ponto de vista ontem do Pedro Sousa (TVI24), que um clube português não deve jogar em função de um pinheiro (como Dost), se bem que o nosso tenha excelente pés.

A verdade é que Dost (dois terceiros lugares) com os seus golos, tem escondido a paupérrima qualidade do nosso jogo de ataque nestas duas temporadas. Mais do que picardias presidenciais, mais do que casos extra-relvado, isso é que deve ser sublinhado.

Acredito que a nossa época fica marcada pelo fracasso Doumbia. Nunca houve e nunca conseguimos ter Plano B. Miseráveis e dando direito a “justa causa” (ironizo mas não por muito), os nossos resultados contra FCP, SLB e Braga.

O endeusamento de Gelson pelos comentadores também não ajuda o jogador. O nosso extremo é um excelente jogador, mas parece estar a regredir na chamada decisão, no último passe. Devia estar confiante e de cabeça levantada, mas fica a impressão que chega sempre estoirado àquele instante em que deveria ser fatal. Sim, teve 500 assistências e fez imensos golos, mas nota-se que lhe falta (faltou?) killer instict e aquela vaidade que um Neymar exibe ou aquela alegria que Bernardo parece ter sempre. Qual será o motivo? Excesso de responsabilidade? Cansaço físico? Alguma questão emocional?

Ficamos em terceiro e não me parece que devamos discutir o bronze. Desde que vejo bola que nunca vi o Sporting com a sorte que teve esta season e um clube nunca pode ser campeão quando o seu melhor jogador em muitos jogos é o keeper.  

Há mau trabalho técnico? Sim, parece haver. A equipa pode ter feito 8 mil jogos, mas não é para isso que serve? Não é propriamente o mesmo que ir para a guerra ou coser sapatos 12 horas por dia. 

Ninguém me perguntou nada

Ninguém me perguntou nada, mas cheira-me que Abel pode muito bem ser campeão nas próximas duas ou três épocas. Talvez pelo Benfica, talvez pelo Porto…
Se Abel me pedisse algum conselho, eu diria que tem de fazer terapia para controlar a raiva que anda sempre de mão dada com a insegurança e que é gémea da frustração.
Ninguém me perguntou nada, mas há escassez de bons treinadores, jovens e ambiciosos, no mercado europeu e em especial no nosso. Caso Rui Vitória se vá embora, caso Conceição se vá embora, cheira-me mais a Abel do que a Marco Silva, por exemplo (embora no caso do Porto, o nome de Folha deva ser tomado em conta).
No nosso Sporting, se JJ sair (e acho que não sai), não estou a ver plano B. Mas lá está, ninguém me perguntou nada.

Contar até 10

O nosso clube pagou alguns camiões de notas por um jogador português magrito que jogava num clube italiano do meio da tabela. Alguns meses depois, Bruno Fernandes caminha depressa para ser titular (aí pelo segundo ou terceiro jogo) da seleção campeã da Europa que vai à Rússia jogar o Mundial.
Em tempos em que o dez foi extinto do jogo e das táticas, eis que o nosso Bruno jogador se destaca numa posição que só não lhe chamamos dez porque parece mal. É o “joga atrás” do Bas Dost, é o “joga mais encostado ao William”, é o “joga mais pela direita”, é o que quisermos, embora a mim me pareça um dez.

O que é justo é dizer-se que me parece sportinguista desde pequeno. A sua entrega e disponibilidade são de juntar num consenso um Brunista com um tipo da oposição mais opositora. BF seria um extraordinário casting para o papel de bombeiro que salva seis velhotes e os seus cães naqueles fogos que não foram culpa de ninguém e que de noite conta uma história ao filho para o adormecer.
A sua competitividade, seja contra o Atlético de Madrid ou contra os Unidos do Bombarral é a mesma. É um jogador generoso e com noção de espetáculo, solidário com a equipa e os colegas, com verdadeira qualidade individual, um verdadeiro leão como os adeptos sabem reconhecer. Não sei se ele cresceu leão, mas vê-se que ama o clube, respeita os adeptos, quer vencer trofeus por ele, mas também por todos nós.
Cá fora nada percebemos de bola, mas aquele fulgor físico naquele corpito que mais parece criado a carcaças com fiambre e leite com chocolate - e as poucas ou nenhumas lesões -  dizem-me que em Itália se trabalha melhor essa parte e talvez fosse bom pegar num avião e ir lá estagiar. Se há coelho da Duracell na nossa liga é Bruno Fernandes.
Seria o último jogador que eu (se fosse big boss) deixaria sair. E o primeiro a quem entregaria a braçadeira, caso esta ficasse disponível.  

A metafísica das coisas, quando (ou se) as coisas correm bem

Aqui há dois anos, alguém dentro do Benfica uniu a malta contra Jorge Jesus - que falou demasiado quando saiu. Esse inimigo externo desviou as atenções de Rui Vitória, que teve tempo para se adaptar. Não foi só, mas ajudou para que o SLB vencesse o título.
Estará a acontecer o mesmo tipo de auto-estímulo com a equipa do Sporting, que se vitaminou em união reagindo contra as palavras hostis do seu próprio presidente? Admitamos que sim. Admitamos (para efeito de argumento) que vencemos a Taça de Portugal e chegarmos ao segundo lugar. Teremos a época terminada com 2 taças, um apuramento Champions e valorização incrível dos passes de (pelo menos) Bruno Fernandes, Acuna e Piccini.
Se este cenário ocorrer, quem são os progenitores destas conquistas e proezas e como irão uns e outros gerir o a seguir?

Que sei eu disto, e no entanto...

Muitas horas depois, ainda não decidi se gostei ou se não gostei da exibição de ontem. O jogo, em especial a primeira parte, demonstra que todos – jogadores e equipa técnica – têm em si a capacidade de fazer incrivelmente melhor do que fizeram em Braga e noutros campos onde acabamos por perder pontos. Também demonstra que quando somos o underdog (o não favorito), nos superamos. Ora uma equipa que quer ser campeã, nunca é por definição o underdog.  
Muito orgulho na nossa equipa e nos nossos adeptos e na comunhão entre todos, mas gostaria de ver estas exibições de vontade em todos os jogos e não apenas quando o adversário motiva, dá visibilidade noutros mercados e estímulo extra.

Amor em tempos de Cólera.

 
Poucos territórios são mais dados à hipocrisia e ao sentido de superioridade que o futebol profissional em Portugal. Conseguimos essa coisa incrível de sermos dos melhores do mundo a gerar e formar jogadores e treinadores, a descobrir e a transacionar talentos (e até somos campeões Europeus em seleções) ao mesmo tempo que não perdemos uma oportunidade de desdenhar o jogo e a Indústria. Por falar em indústria, há muita gente superior que vive do futebol falado e discutido. Já tínhamos essa inovação de termos políticos, ex-políticos e políticos em pousio a falar de política e a serem pagos por isso e agora temos ainda mais desses políticos e demais opinadores profissionais a serem pagos para dar a sua opinião sobre bola, com a vantagem de poderem ser mais desbragados e apaixonados e (aparentemente) menos calculistas.
Quem é opinador precisa de alvos fáceis. Num país que insiste em ser dos mais pobres da União Europeia, quem sai da norma é por definição um alvo fácil e no nosso mundo da bola o presidente do Sporting é um alvo fácil. Por manobrar no bastidor? Por vender jogadores por um punhado de lentilhas? Por despedir treinador a meio da época? Por ter sido apanhado em escutas de conteúdo heterodoxo? Por ser recordista em comissões a agentes de jogadores?
Não, mas sim por não ter sido campeão num clube que venceu dois campeonatos em 35 anos e não se consolar com essa ideia de forma nenhuma, contagiando milhões de outros sportinguistas nos últimos anos e necessariamente hostilizando os poderes instalados.
Muitas vezes exagerou e muitas vezes foi vulgar na linguagem, mas ninguém como ele lutou pelo clube. 
Ajuizar sobre alguém que aparenta estar sob elevadíssimo stress emocional é relativamente simples até para o não especialista. Tudo é, tudo parece asneira, todas as palavras, os atos, as omissões. Dá a ideia que quase nada do que Bruno de Carvalho fez publicamente em relação ao clube nos últimos dias foi a coisa certa. Algumas são tão obviamente erradas que poderiam fazer parte de um manual que abordasse os efeitos do stress sobre a performance de um líder.
É altissimamente provável que esta semana venha a fazer parte destacada da biografia de Bruno de Carvalho enquanto presidente do Sporting, o que é lamentável para o clube, os seus trabalhadores, os seus adeptos e sócios e o próprio. A questão a que muitos já responderam é se chegamos a um ponto de não retorno, em que a confiança entre todos se estilhaçou. Aquilo que se entende dos opinadores é que sim, Bruno de Carvalho “não tem condições” para continuar à frente da SAD e do clube, dado o lastro de disparate (chamemos-lhe assim) deixado. E, chegados aqui, é extremamente difícil discordar com a ideia, ainda por cima no país onde quem sai da norma é detetado e identificado para ser abatido.
Bruno mais do que esticou a corda, mas na verdade no consensual Portugal nunca teve hipóteses. O que levou o presidente de um clube de futebol a este estado de falência emocional deveria dar que pensar. Em especial quando começamos a detalhar as lutas de Bruno de Carvalho em defesa dos interesses do clube. Teria ele razão na questão dos fundos? Do vídeo-árbitro? Da relva do estádio? Em não vender jogadores a eito? Foi ele quem inventou as detenções que a PJ fez noutro clube candidato ao título? Foi Bruno o autor dos gigabytes de e-mails vindos a público e que comprovam que havia mais, muito mais, que saudações natalícias entre agentes do futebol? Deve-se a Bruno de Carvalho haver zero árbitros nossos compatriotas escalados para o Mundial da Rússia, quando a seleção é campeã da Europa e o melhor jogador do mundo é português?
Talvez com tempo, os opinadores possam fazer um juízo mais definitivo sobre as escolhas de Bruno ou talvez possam continuar a fazer pela vida, farejando por outro alvo fácil e consensual, vivendo na sombra da Indústria do futebol que estará certamente purificada com a saída de cena do colérico Bruno de Carvalho.

 

 (publicado no Expresso Diário de 10.04.2018)

Só resta ganhar

Triste pelos acontecimentos obviamente. Bruno de Carvalho foi um dos melhores presidentes que vi no meu clube, mas será para sempre recordado pelos erros que cometeu a seguir ao jogo de Madrid e cujos efeitos totais ainda não conhecemos verdadeiramente.  
É interessante porque BdC tem razão em muito do que diz e sente. Qualquer pessoa deteta que os seus erros comunicacionais se devem a uma profunda incapacidade de lidar com a frustração, ou seja, que nada têm que ver com desporto ou clubes, mas sim com ele próprio. Neste enredo, aos jogadores coube o papel mais fácil, de justa vitimização – repito, justa vitimização – e acredito que no seu enésimo round de Dilema do Prisioneiro, BdC tenha sido surpreendido a um grau que ele não julgava possível.  
Em português mais claro, BdC tanto esticou a corda que esta partiu.
A sua única possibilidade é conseguir ganhar, vencer. Como? Não faço ideia. Mas na bola, o que interessa é ganhar e tudo se perdoa, esquece e varre para debaixo do tapete, desde (alegados) espiões no sistema informático da Justiça a pedidos de convites a eito, mails bizarros, coação judicial e demais jogos de influência. Note-se como mal se apanharam em cima do primeiro lugar, insignes adeptos – em especial aqueles que são pagos para escrever e opinar - esqueceram tudo o que veio a lume sobre o Benfica e os métodos muito peculiares que alguns funcionários seguiam na sua estreita relação com outras figuras do futebol indígena. Ironicamente, o bastante provável penta campeonato do Benfica demonstra que o que interessa é ganhar e que portanto BdC ainda não está morto. O resto é mesmo fumaça.
Caso sejamos campeões – ou até vençamos a taça - com BdC a presidente veremos se tenho ou não razão.

Motivações

Acredito que o Sporting só tenha quatro jogos fáceis por temporada, e que são aqueles em que defronta Porto e Benfica. Aplique-se o mesmo raciocínio aos dois rivais e temos um campeonato cada vez mais desnivelado na motivação. Enquanto que Jonas, Bas Dost ou Herrera nem fazem ideia de como é o emblema do Tondela ou a cor dos calções do Portimonense, estas equipas, seus jogadores e treinadores, preparam-se ao milímetro, porque os jogos dão visibilidade a uns e outros e ganhar a um grande vale muito mais que três pontos (numa carreira, numa transferência, num convite para opinador na TV).
Parece-me claríssimo que enquanto Abel e este presidente estiverem no Braga, a sua motivação para nos ganharem será a possível e imaginária. Nada de errado com isso.
Uma das implicações do feitio do nosso presidente acaba por ser esta motivação acrescida dos nossos adversários. Claro que usar isto como justificação para termos perdido (praticamente) o campeonato é tonto, mas a verdade é que tudo conta. O sonsismo como arte da guerra de Rui Vitória tem-se revelado um dos principais trunfos do SLB (nada de errado com isso) e pode muito bem dar-lhe o penta. Pela minha parte só tenho de comer e calar.
Seja como for, e seja o que for, mais derrotado que Bruno de Carvalho é sem dúvida Jorge Jesus, a quem alguma vaidade parece tirar discernimento. Arrisca-se a nunca mais ser campeão nacional, nem connosco, nem obviamente no Benfica e provavelmente não no Porto, onde PdC percebeu que não precisa dele se acertar no próximo Conceição depois deste.

Vamos a isto ou não vamos?

Gosto e sempre gostei de pessoas que são diferentes e ousam sê-lo em público. Tenho a certeza que Bruno de Carvalho não precisa que lhe digam onde errou ou está a errar, porque o saberá. Acredito que grande parte da tensão que vive em público se deve a esse autoconhecimento. Mas sinto que o nosso presidente precisa que se repita o óbvio, da mesma maneira que qualquer um de nós precisa que de vez em quando que lhe coloquem a mão no ombro. Pois bem, graças ao seu ímpeto, é hoje claro que o nosso clube é um clube que conta. No país do futebol, dos chamados três grandes somos o clube que menos vezes foi campeão nacional. Bruno de Carvalho é alguém que não vive bem com isso e tenta que todos os sportinguistas não vivam bem com isso, não se resignem e não baixem as orelhas. Exagera nas metáforas e nos posts do Facebook? Claro que sim e ele será o primeiro a sabê-lo. Invalida tudo o que fez? Claro que não. Em dia de aniversário, faço votos para que continue no nosso clube e que consiga alguma paz de espírito a bem dele, da sua família e da família leonina.
Com ele, o Sporting conta de facto. Não ganhamos ainda o título? E então? Acaso deixaremos de lutar? A época já acabou? Eu não conto desistir dos jogadores e da direção, nem que seja o único. Estamos a dois pontos do primeiro lugar e nas meias finais da taça, com meia parte jogada e desvantagem de um golo.
Por cada leão que cair, outro se levantará é uma frase que gostamos de citar. Mas os verdadeiros leões começam por não deixar os outros leões cair.

Estou irritado, pois claro que estou


Sporting conquistou o terceiro troféu nacional (a seguir ao campeonato e à taça) e – algo infantilmente – parece que falar do óbvio dá azar. E o óbvio é que a jogar assim dificilmente ganhará outro. A equipa está fatigada e nota-se muito stage fright. Ninguém parece querer assumir a responsabilidade agora que o diabinho Gelson está K.O. Tivesse Couceiro mexido mais cedo e encostado os nossos centrais lá atrás e hoje estaríamos a chuchar no dedo. A diferença de investimento nos plantéis é hilariante e mesmo assim só ganhamos ao penúltimo nos penalties, que não sendo lotaria, também não são mecânica dos fluídos como JJ quis fazer crer. Aliás o seu pequeno outburst sobre aqueles que duvidam que William saiba marcar penalties não me comove e acho que (a ser verdade) que tem garantidos 250 mil euros pela conquista da taça deve pelo menos fazer um desconto ao clube pelos miseráveis primeiros 45 minutos, nos quais levou um baile tático e estratégico do Vitória.
Bruno de Carvalho é quem menos merece estas exibições e este modo de ganhar assim meio coiso. Tem feito tudo pelo plantel, tudo pelo clube, nunca esquece os adeptos. Merece este troféu. Mas tenho a certeza que também ele se lembra que em 180 minutos apenas marcámos de penalty e que (ao contrário de anos e anos e anos) temos tido uma sorte incrível: ainda ontem o Setúbal podia ter marcado o segundo no início da segunda parte. Enfim, já passou, parabéns ao adeptos que estiveram em Braga, sempre com a equipa e parabéns ao staff e jogadores.

Os zaragateiros

Já vai sendo tempo de alguém o dizer. Seja com Rui Vitória, Conceição ou JJ, começa a ser demasiado grave o que repórteres, pivots e comentadores fazem pelas audiências. Ignorando jogo, as opções estratégicas ou táticas, a escolha de jogadores, fazem uma pergunta geral inicial sobre o jogo, para logo depressa passarem a escarafunchar a ferida que estiver mais aberta – a substituição do Soares, a ida para os balneários, o diabo a 7 – fingindo-se de sonsos e anjinhos, jornalistas impolutos que procuram a verdade, quando o que querem é molho.
A verdade é que procuram picar e espicaçar os intervenientes no jogo, para logo de seguida moralizarem. Provocam, provocam, provocam, perguntando o que o outro perguntou há dois minutos, insistem, teimam em temas que sabem ser polémicos e de resposta tensa, à espera que Vitória, JJ ou Conceição se passem dos carretos, para depois dizerem “Ontem Vitória, JJ ou Conceição, reagiu assim quando lhe perguntaram não sei o quê”.
O que a abundância de televisões em diretos manhosos de pré-match, pós-match e comentário de bola estão a fazer é indigno da profissão de jornalista.
Ainda por cima muito criticam, em textos de opinião e outras intervenções, o “Guerra”, ou o “Serrão” (e demais comentadores que só lá estão uma vez por semana), quando são eles quem rega com gasolina todo o ambiente de modo intensivo e sistemático à espera da primeira faísca.  

 

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