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És a nossa Fé!

2021 ainda agora começou.


Excelente – e feliz – vitória contra um Carvalhal que achava que estava no papo, só que não estava.

Amorim teve sorte durante alguns punhados de minutos, mas soube ler o jogo e fazer as substituições certas que neutralizaram o Braga de vez. Excelente jogo de Porro, como que a compensar com a sua energia alguma falta de confiança de Pote, Nuno Mendes e até Nuno Santos. Jogo incrível e adulto de Matheus Nunes, não houve lance em que tenha estado mal. Surpreendente (para mim) aquele sprint de Sporar e (menos surpreendente) a forma adulta como aceita ser nesta altura segunda escolha e dá tudo o que tem.

Claro que Adán não é o melhor do mundo com os pés, mas já se dava algum crédito e se parava com as críticas de cada vez que passa menos bem. Tem segurado resultados e pontos muito importantes. Ótimo jogo de Feddal e Coates. E de Neto, os três muito solidários.

João Mário foi um príncipe e Palhinha demonstrou que tem lugar nos escolhidos de Fernando Santos.

O Braga é uma ótima equipa, tem um ótimo plantel, mas ganharia em ser menos dado a simulações, rebolanços no chão e pau no adversário. Parece ser um clube que procura o lance polémico, só para ter capital de queixa no final dos jogos. O modo como os centrais e o guarda-redes se atiram para o chão aos berros em todo e qualquer lance é muito irritante, devo dizer.

Hoje, o Sporting foi muitas vezes menos forte que o Braga, mas Amorim (e a sua equipa) muito mais sagaz que Carvalhal (e a sua equipa).

Próxima paragem, a Madeira, onde defrontamos o Nacional. Na viagem, podem assistir ao jogo com o União da Madeira de Norton de Matos aqui há uns anitos.

Cabecinhas pensadoras.

 

A malta gosta de ataque, oportunidades, cruzamentos, desmarcações (e eu sou como a malta), mas este sistema Amorim é sólido como aço na defesa, mesmo admitindo que individualmente talvez não tenhamos os melhores defesas de todos os tempos.

Vi com atenção o jogo do Paços e ontem do Mafra. Típicas equipas de treinadores portugueses ambiciosos que querem chegar longe (não é uma crítica) na carreira. Equipas de ataque, fortes fisicamente, bom toque de bola, com desenhos nas jogadas e soluções, onde até os guarda-redes têm de dar ao pedal. A milhões de milhas do célebre defender com 9, bola no extremo a ver se o ponta de lança pinheiro a mete lá dentro.

O que vi foi muita coisa.

O que não vi foram oportunidades de golo em 180 minutos para os nossos adversários.

Até agora, o Sporting é de longe o best of the rest.

Veremos se somos suficientes para Braga (sim, o Braga…), Porto, Benfica e seus respetivos interesses. Nos três casos, são equipas com jogadores melhores do que aqueles que os nossos têm enfrentado, treinadores calejados e dados a mind games, estruturas e bancos agressivos que vão a todas e até for preciso.

O Sporting dentro de campo – e fora dele – terá de ter cabecinha.    

Eu devo estar maluco

Ontem, ganhamos ao Paços. Ora o que vi, li e ouvi um pouco por todo o lado é que o Paços de Pepa jogou mal, esteve mal, que no fundo batemos em mortos. 

Eu vi um jogo em que o Paço jogou de igual para igual e que mesmo nos minutos finais, a perder por três, atacava, combinava, tentava chegar ao golo. O Paços não deu sarrafada, não se fez ao penalty, os seus jogadores não fizeram teatro. Tiveram cabedal, força física, têm ideia de jogo, alguns jogadores ótimos, outros galhardos, outros ainda com excelente técnica. Mantiveram-se sempre no jogo, não houve tempos mortos, nem o Sporting pôde nunca baixar a pressão. Por exemplo, o nosso Matheus Nunes, que entrou à hora de jogo, nunca conseguiu impor-se no meio-campo. Sporar foi presa fácil, Antunes nunca subiu. Porquê? Por causa do Paços. 

Achar que o Sporting limpou porque o Paços não deu uma para a caixa parece-me errado e típico da precipitação comentarista. E desvaloriza os nossos jogadores, a nossa equipa e a nossa equipa técnica.

#OndeVaiUmVãoTodos


O jogo em Famalicão será um jogo charneira neste ano. Não digo que ou vai ou racha, mas acredito que a equipa (jogadores e treinadores) tenha subido três degraus de uma vez na maturação. Dos adeptos e sócios é de esperar inteligência e bom senso. Só se ganha seja lá o que for com uma união mínima. Critiquemos Adán à vontade, mas tenhamos tino. Já nos deu alegria e até já fez uma assistência para golo. Critiquemos Sporar, mas recordemos que é um jogador sem software para o futebol de Rúben e que dá tudo em campo, fixa centrais, distribui jogo, faz assistências. E por aí fora. Já agora, o mesmo é válido para Varandas. O homem enganou-se no Bolasie e no Jesé? Pois, parece que acertou no Porro, no Pote, no Nuno Santos e no Amorim. O Miguel Braga irrita-vos? Todos naquele lugar seríamos de uma maneira ou de outra. Acrescento que conheço bem o Miguel há muitos anos e que sei que é tão ou mais sportinguista que todos nós somados.

Os nossos handicaps são a inexperiência, os tempos naturais de habituação aos processos de uns e outros, a falta de capital para agir no mercado como um ninja num filme do Tarantino, as lesões e lesõezecas, o assédio aos jogadores jovens e as outras equipas que também jogam.

Da nossa parte, acho que devemos confiança à equipa, treinadores e dirigentes.
#OndeVaiUmVãoTodos

manteiga de amendoim

Rúben Amorim conseguiu meter os seus jogadores a correr numa pista diferente.

Como? Não faço a menor ideia. Não faço mesmo. Mas é como se o Sporting deslizasse em manteiga de amendoim. Há uma objetividade e uma noção que tornam a bola do jogo numa bola de flippers. O adversário vê jogar, ou nem vê, e quando dá por ela ou foi golo ou foi quase golo.

Antecipo grandes dificuldades, em especial quando os adversários compreenderem que um certo jogo subterrâneo poderá ser eficiente.

Os nossos grandes testes serão com as equipas com os melhores valores individuais e ainda acho que, entre SLB, FCP e Braga, somos os quartos pretendentes ao trono. Essas equipas são mais adultas, mais manhosas, têm mais individualidades, mais soluções, mais nervo, mais agressividade, mais experientes. Mas a verdade é que os jogos começam com zero a zero e acredito que essas equipas, seus dirigentes, técnicos e jogadores, tenham Sport tv em casa.

Amorim está a criar uma alquimia entre novatos, aquisições e veteranos. Dos que têm jogado, não há um único que possamos dizer que é uma segunda escolha. Como diz o José Navarro, não entram para "rodar" ou para que outros descansem. Entram porque chegou a vez deles.  É um pouco como nas seleções que vão longe ou vencem torneios: todos contam de facto. Ora isso é espantoso e extraordinário e não me lembro de uma coisa assim no Sporting.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

O nosso melhor reforço


Acredito que a eliminação da LE tenha sido a nossa grande aquisição. Como se viu no jogo em Portimão, estamos longíssimo de controlar todo o jogo, táctica e fisicamente. Por mais que queiramos culpar o Amorim, o Varandas, ou agora o Miguel Braga, quem joga são os jogadores, quem está lá dentro são eles e quem se encolheu com o Portimonense foram eles. Só as boas mexidas de RA permitiram que o Portimonense não marcasse, bem como o acerto dos centrais e de Adán.

Para dizer que as coisas levam tempo. E que mudaram com isto do Covid. Vi o jogo do Porto com interesse e aquela armada de jogadores adultos e feitos, campeões, fortes como touros, foi relativamente bem manietada pelo Marítimo de Lito. Vi Mourinho anular por completo o United de Pogba, Bruno Fernandes, Martial, Rashford, Matic ou DeGea. Vi o Villa dar cabo de Klopp e dos seus jogadores. Vi o City a não conseguir vencer o recém-promovido Leeds.

Planteis de craques maduros, adultos e poderosos, também perdem ou empatam.

Tal como o Lask, o Portimonense jogou bem. Os nossos golos foram grandes golos, um inventado pelo Nuno Mendes, o outro uma criação excelente de jogo de equipa e uma enorme e rara concretização do Nuno Santos. Mas o Portimonense não jogou nada mal e fiquei espantado por terem dado pouco crédito ao Paulo Sérgio (como havia acontecido com o Lask). Fica-se com a ideia que o nosso Sporting joga sempre com adversários neutros de marca branca e quando perdemos ou empatamos, é sempre culpa do Varandas.

Não obstante, sobra a evidência que os nossos jogadores ainda não têm bateria para jogar à quinta e ao domingo. É um problema ou é uma fase? Tomara eu saber. 

Ao podermos jogar menos vezes que os nossos rivais diretos, poderemos desenvolver processos, coesão e ganhar vantagem pontual para com o Braga (que já leva duas derrotas).

Talvez dê para ultrapassar Porto ou Benfica, se algum destes tiver um annus horribilis. 

Vamos lá cambada

Uma boa pergunta é que se preferíamos passar a eliminatória jogando al la Lito Vidigal, com os jogadores a rebolar no chão e a perder tempo. Pensemos nisso.
O que se viu ontem foi uma equipa forte fisicamente, mais avançada na preparação, que estudou muito bem a lição, contra uma equipa de garotos, em construção.
O Lask é uma equipa do ‘nosso campeonato’. Porque não haveria de vir cá ganhar?
Lutaríamos para não descer em Espanha, Itália, Alemanha ou Inglaterra. Acho até que, numa época que começasse coxa, acabaríamos por descer de divisão.
Benfica e Porto lutariam para ir à Liga Europa. Nunca por nunca seriam campeões.
O nosso campeonato europeu será o belga, húngaro, austríaco, escocês, croata, etc.
Não é culpa do Rúben ou do Varandas, nem é de ninguém. Talvez seja dos árabes, russos e chineses, que compram clubes na Europa e investem milhares de milhões de euros.
Mas a vida é mesmo assim. Portugal é pequeno, não tem Economia, estavam à espera de quê? 
Talvez o que deva ser melhorado deva ser a observação dos adversários – o primeiro golo, de canto, deles, é bom exemplo de maus trabalhos de casa. De resto são coisas que acontecem.
É esperar que os jogadores entrosem, cresçam fisicamente, ganhem músculo e ambição e rezar para que não estejam sempre a sonhar com a transferência para um clube do meio da tabela dos big 5.
Estou convicto que a época interna será bem melhor que a anterior. Não estar na Liga Europa só ajudará o Sporting a estar mais bem preparado para aproveitar uma brecha na competitividade de Porto e Benfica.

oito é metade de 16.

Braga, Boavista, Famalicão, Rio Ave e provavelmente Guimarães. Porto, Benfica e Sporting.
Parecendo que não, conto oito equipas que entram na Liga com vantagem em ter futebol positivo, competitivo porque contam com bons jogadores. Seja para vender os jogadores, seja para ganhar taças, são equipas que entram em campo para vencer sempre (ou quase sempre).
Sinceramente não me lembro de uma coisa assim.
Creio que isto beneficia o Sporting de Amorim.

Quarto com vista para o terceiro



Resulta evidente para mim que no próximo ano vamos lutar com o Braga pelo quarto lugar.
E não vai ser nada fácil. Braga tem ambiente mais calmo, mais estrutura, é um clube empoderado por vir a crescer e a morder os calcanhares ao terceiro grande, tem bom plantel, tem um futebol físico, paga salários muitos mais baixos, não tem a imprensa e as redes 24 horas por dia em cima, tem boas individualidades que “resolvem” e terá um treinador com ideia de jogo e conhecedor do futebol português.
Ruben Amorim parte bastantes degraus abaixo em experiência, calo, quantidade e qualidade de jogadores, organização e quantidade de pressão (no Sporting é cem mil vezes maior que no Braga, um clube sem adeptos). Além disso, as nossas Finanças coiso. 
A perspetiva para a próxima época é, pois, aterradora. Doidos a fingir que somos um grande, e com o Braga sempre a soltar o bafo para cima de nós, temos é de ter cuidado com Rio Ave, Guimarães e talvez outro clube “sensação”. Até podemos ficar em quinto, digo eu.
É culpa do Varandas? Não acho. Nem acho culpa do Bruno ou sequer do Godinho. Enfim, é obviamente culpa de todos um bocadinho, mas não acho que seja culpa de ninguém especificamente. Há décadas que estamos numa trajetória descendente e a ganhar velocidade para aterrar de vez numa espécie de limbo entre o pódium e os chatos que disputam connosco o apuramento para a Liga Europa.
A solução? Sorte. Só isto, sorte. E fazer por isso, como é evidente.
Claro que precisamos de ter bons jogadores, boa equipa, boa estrutura, essas coisas, mas no nosso caso precisamos de lutar por ter sorte. Como preparamos mal a época, ficamos sem o Luiz Phellype por lesão e ficamos tão descalços que meter um golo que fosse se tornou um acontecimento. O Braga, por exemplo, sendo competente, acabou por ter sorte no último minuto com aquele pezinho que meteu o Vinícius em jogo e deu a vitória ao Benfica.
Embora possa dar essa ideia, não estou a desconversar nem com mensagens enigmáticas. Apenas a dizer que precisamos de admitir que nos falta a sorte e estarmos preparados para a reconhecer - um dia que esta apareça.

Pinheiro e chegar ao Natal

Santa Clara joga taco a taco, como o Guimarães, Tondela ou o Paços jogara connosco.
No jogo de ontem, o Benfica perdeu, mas podia ter ganho, como podia ter perdido com o Rio Ave na semana passada (em que ganhou). Nós marcamos cedo com o Tondela, mas eles podiam ter empatado se aquela do Mathieu não tivesse batido no poste. Com o Paços ganhamos porque o Jovane fez cair do céu um livre direto.
Que raio se passa? Afinal a nossa Liga é competitiva? Afinal os clubes pequenos estão a trabalhar muito melhor? Afinal não é nada disso, são os grandes que são muito piores?
E o público? Como não existe, não pressiona nem o árbitro nem o erro do adversário? Será isso? Ninguém sabe, talvez seja tudo isto e mais alguma coisa.
Cada vez que vejo estes jogos lembro-me de como Paulo Sérgio foi (e ainda é) ridicularizado por ter pedido um pinheiro. A minha intenção não é ser enigmático, mas sim perguntar-me e perguntar a todos se os três grandes (e talvez o Braga) não deviam ter um pinheiro ou dois nos plantéis. A verdade é que a dada altura – últimos dez minutos + descontos – a lógica vai-se e a fé em Deus dos cruzamentos para a área é a única tática que prevalece. 
Será que é a vaidade dos misters e dos diretores desportivos que os impede de decorar os plantéis com um pinheiro?

a whiter shade of pale

Nem os próprios Procul Harum sabem ao certo de que trata a música que dá título a este post, mas que ficou na história ficou e nunca mais ninguém se esqueceu dela.
Imagino que nem Porto nem Benfica saibam ao certo que raio se passa com as suas equipas de craques que valem dezenas de milhões (dizem), são cobiçados por toda a Europa e arredores (dizem), treinadas por equipas técnicas de excelência (dizem) e dirigidas por dirigentes com séculos de tarimba. Se este futebol de quarentena será lembrado, teremos de esperar para perceber.
Tenho assistido a algumas noites de debate no canal 11, onde descobri que Maniche sabe do que fala e sabe exprimir-se, onde a Sofia Oliveira demonstra muito arrojo e pensamento próprio, onde o jornalista brasileiro Bruno qualquer coisa demonstra que se pode ser jornalista desportivo sem se deixar de ser jornalista e onde Pedro Sousa conduz com arte e engenho a bola até à baliza, com assistências de luxo para todos os comentadores (regra geral são todos bastante bons). De todas as vezes que acaba o programa fico com a sensação de que eles não disseram tudo o que pensam. Não os censuro, afinal de contas todos nesta indústria têm interesse que seja uma indústria…
Mas fico à espera que digam coisas como (por exemplo) o nosso futebol e os nossos craques de milhões vale muito (muito mesmo) menos que diz a etiqueta com o preço, que a competitividade manhosa da nossa bola pouco ou nada tem a ver com futebol e que pelos vistos era o público (sempre adepto de um dos três grandes) quem levava o seu emblema ao colo, por um lado intimidando árbitros, fiscais, VARs e adversários com insultos e ameaças e por outro dando uns aplausos que vitaminam os seus jogadores. Como sabemos, a maioria do público de estádio quer é ganhar, nem que seja com golos com a mão. Ora não havendo público, os jogadores parecem confusos. Afinal, o que estão ali a fazer?
A minha interrogação é se Lage e Conceição tinham noção disto tudo.  
Falo de FCP e SLB porque são quem compete pelo título e porque o que vamos vendo em jogos sem público permite especular sobre que equipa e jogadores deverá ter o SCP para tentar competir pelo primeiro lugar neste nosso futebol que vai demonstrando a sua face.

Sporting blues


  1. Admito que estou surpreendido com as reações exasperadas à contratação de Ruben Amorim ao Braga. Supus que se malhasse no Varandas por ter feito mal o plantel e ter tratado mal o Silas, mas pensei (genuinamente) que a reação geral viesse a ser "Eh pá é carote, mas é bom e se não o fôssemos buscar iria parar ao Benfica ou ao Porto."

    2. Qualquer investimento ou é seguro ou é arriscado ou qualquer coisa no meio. Mas isso só se sabe a prazo. Para dizer que ainda não sabemos se estes milhões são um bom ou um mau investimento. 

    3. Demonstra desespero por parte de FV? Acho que demonstra sobretudo que ele e a administração decidiram corrigir a trajetória em geral e fazer as coisas de outro modo. Sempre achei que aquelas duas taças ganhas em penalties nos iam custar caro. A inexperiência de FV revelou-se na ilusão que criou em si mesmo. Com Amorim pode piorar? Pode. Mas também pode melhorar. 

    4. O que parece evidente é que Silas não era suficientemente amado pelo balneário (ou não teve proteção suficiente). Cometeu erros, como muitos antes dele, mas claramente, com estes jogadores e contexto, o SCP não iria lá com ele. 

    5. Acho que há mais risco para a carreira de Ruben Amorim do que para o Sporting. Bem ou mal, com mais ou menos percalços, cá estaremos daqui a dez ou vinte anos. Amorim pode ter aqui o desafio que lhe dá cabo da vida como treinador. 

    6. Em suma, se não mudasse de treinador, jamais FV seria reeleito presidente do Sporting.

    7. Ah e tal, o timing? Quase nunca há timings maus para fazer a coisa certa, nem timings bons para fazer a coisa errada. (ver ponto 2 deste post)

Caro Francisco Geraldes,

O nosso cérebro é a mais espantosa criação. Sejamos crentes numa entidade acima de nós, ou crentes no acaso cósmico, é igual: nada é mais fascinante, complexo e capaz.
O nosso cérebro processa 40 milhões de operações por segundo, é cinzento, gelatinoso e nunca dói (porque não tem terminações nervosas).
Em certa medida pertencemos ao cérebro e não o contrário. A nossa mundivisão, o que vemos, cheiramos, sentimos, as afinidades, empatias e reações que mostramos com expressões, gestos ou olhares, têm o centro de comando no cérebro.
O medo do futuro, a angústia, o que chamamos insegurança, é só mais uma criação genial do cérebro, uma arma no nosso longo e ainda não terminado processo de evolução. É fácil de perceber: entrar numa caverna escura a assobiar é um erro de avaliação se queremos continuar vivos. Pode lá estar um puma ou um urso que nos abocanha a carótida e a história acaba.  
O Francisco é uma pessoa especial, diferente e isso nota-se. Não tanto por aparecer a ler, mas pelo seu olhar, de um certo alheamento e de raras vezes parecer feliz. A ideia com que se fica é que tem pouco ou nada a ver com a tribo do futebol, os jogadores, as suas tatuagens, os seus carros, os seus penteados, piadas, partidas e outros ritos. Ou os misters, as suas pranchetas, os seus coletes, pinos, gritos, esquemas e demais instrumentos de motivação. Para não falar dos agentes, os seus telemóveis, handlers e gel no cabelo.
Sucede que para sua fortuna, o Francisco tem futebol suficiente nos pés (e no cérebro) e é demasiado bom para ser posto fora. Você vê o jogo diferente, mais belo e sofisticado, mais lúdico, melhor. O que lhe queria dizer é que a sua diferença, sensibilidade e vulnerabilidade são parte fundamental da sua inteligência e, portanto, do seu futebol.  Um futebol que você não tem conseguido impor quando sente as atenções em si. Um certo stage fright, diria.
Há qualquer coisa em si, talvez no seu cérebro, que quer que você desista da bola e se remeta a um sossego maior, mais ensimesmado, mais seguro e recolhido. Acredito que já o tenha percebido e temo que tenha por inevitável que vá passar ao lado da carreira que o seu talento prenunciava.
Só que ao longe, vendo-o como se viu neste domingo contra o Boavista, verifica-se depressa que há uma vontade ainda maior de estar ali em campo, a servir os outros. Nos passes, nas desmarcações, em especial na inteligência que o jogo acolhe como que por magia. Quando desata a correr, quem está atento nota os seus demónios a tentar apanhá-lo, mas deixe-me que lhe diga que é não é óbvio que o consigam apanhar. Só depende de si, de correr mais depressa do que os malditos.
Não lhe estou a pedir a nada, a não ser que se conheça melhor e que ensine o seu cérebro de uma vez por todas quem manda no Francisco Geraldes.

Um abraço.
Deixo-lhe esta sugestão de leitura: Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman (temas e debates).

Dia seguinte

Um historiador que consulte os desportivos daqui por 10 anos, concluirá que Trincão (um suplente utilizado) teve uma exibição só comparável à de Maradona naquele jogo no Mundial do México em que marcou um golo desde o meio-campo. Por outro lado, depois de meses a berrar que o SCP iria ficar muito mais fraco com a saída de Bruno Fernandes, do tipo Usain Bolt sem pernas, essa realidade já não foi tida em conta na apreciação geral à equipa do SCP ontem. Em que ficamos? Se BF era 70% a 90% da equipa, era suposto o Sporting golear o Braga em Braga? 
Quem viu o mesmo jogo que eu vi ontem, viu um Sporting a ser condicionado desde muito cedo (muito cedo mesmo) pela arbitragem e que no final merecia no mínimo o empate. Um Braga mais cansado que o SCP nunca conseguiu impor um verdadeiro domínio e nós batemo-nos bem no que foi (para mim) um dos jogos mais interessantes da época. Não se pode elogiar o Braga (justamente) e depois achar que o Sporting é o pior clube do mundo por perder contra o Braga. O Porto tem um plantel muito melhor e mais rico que o nosso e também perdeu duas vezes com o Braga nas últimas semanas.
O Sporting de Silas é a melhor equipa do Hemisfério Norte? Não. Como me parecia no arranque da época, a nossa luta já era pelo terceiro lugar. É culpa do presidente? Claro, na medida em que é ele quem manda, abençoa decisões. Que seja Varandas o bode respiratório. Mas acham mesmo que qualquer outro dos candidatos conseguiria fazer melhor? Ou seja, será que com outro presidente, e estou a incluir Bruno de Carvalho, lutaríamos pelo título? Ou sequer pelo segundo lugar?
 

Se fossem garotos de 11 anos, que nome meteriam na camisola?

Apesar de tudo, há uma diferença entre ser o último dos primeiros ou ser o primeiro dos últimos. A preocupação número um da direção do SCP deve ser manter o estatuto de clube grande. A venda de BF ao Manchester United por aqueles valores demonstra que esse objetivo estratégico é no mínimo intuído – e isso deve ser motivo de regozijo. Estamos no caminho certo porque esta parece ser uma venda que é uma venda, não uma venda que implica importar e pagar este ou aquele que está China ou na equipa B.
Achar que seremos sempre um “clube grande” só porque temos muitos adeptos é uma ideia forte, mas não serve como segurança, muito menos para sempre. Muita gente – inclusive eu – também achava que apesar de tudo, teríamos sempre a formação e olhem no que deu: neste momento temos um plantel sem qualquer craque e sem qualquer miúdo da formação que nos entusiasme como outros no passado. Se fossem garotos de 11 anos, que nome meteriam na camisola?
Culpar o Varandas ou culpar o Bruno – ou até culpar o Godinho e o Sousa Cintra - é inútil.
A venda de Bruno Fernandes e o inerente alívio de tesouraria devem servir para virar a página e desenhar um novo plano estratégico cujo título sugiro que seja:
“Daqui a dois anos, e se fossem garotos de 11 anos, que nome escolheriam na camisola de entre estes três ou quatro que temos no plantel”?  

Coisas em que acredito


Bruno Fernandes foi hábil na sua relação com os jornalistas, pelo que o seu lastro de saudade será longo. Era um jogador decisivo, fundamental e fulcral, também porque a bola ia sempre para ele e ele podia fazer o que queria com ela. Nunca vi, nem em Messi, nem em Ronaldo, tanta tolerância da crítica e comentadores – ou das bancadas - para um jogador. Vejam nesta frase um elogio à inteligência emocional de BF, que soube sempre dizer as coisas certas.
Acredito que a vida para BF em Manchester não será fácil. Como se viu, em especial desde que Nani saiu do clube, BF é melhor, muito melhor, quando é pai da bola, chefe de orquestra, o escolhido. Em Manchester, terá de conquistar esse lugar. A seu favor, tem uma disponibilidade física impressionante e uma enorme vontade e foco de visar a baliza adversária. Acredito que triunfará. Pela minha parte, voltarei a ver os jogos do MU.
A sua transferência, como a de qualquer jogador que se destaque num clube português, era esperada. Varandas e a sua equipa tiveram nervos de aço e conseguiram excelentes valores, numa altura em que a época não conta para nada e nos últimos dias de mercado.
Ficaremos em quarto (digo eu), iremos à Liga Europa porque para o ano há mais e pronto.
Acredito que o Sporting tem agora a folha mais em branco para tentar fazer uma equipa. Acredito que haverá alguns jogadores no plantel a crescer imenso, agora que não há BF a conviver com eles.
Nunca vi Silas na vida, mas acredito que há um lado (talvez pequeno, talvez médio, talvez grande) em que esteja a festejar esta notícia. Poderá finalmente ser “o” treinador. Temos plantel para isso? Talvez não, mas imagine-se que sim, que temos…
Quatro anos depois de o SCP ter sido a base da equipa que venceu o Euro, este ano é quase um facto consumado que não haverá qualquer jogador de leão ao peito na equipa. A vida é mesmo assim, como os interruptores.

Ano novo, vícios velhos

Admito que me irritam um pouco as unanimidades na nossa imprensa (e no comentarismo) acerca da Premier League fazer jogos na quadra (Natal e Ano Novo) e isso ser “bom” e “positivo” e mais não sei o quê, porque os estádios estão cheios e tal e que por cá talvez se devesse fazer a mesma coisa.
Irrita-me porque, nem que seja por momentos, estamos a colocar a nossa Liga a par com a evoluída e riquíssima Liga Inglesa, que tem, desde há muito, uma dinâmica própria assente na cultura de fairplay dos ingleses e na rule of the law que é enforced quando é necessário (por outras palavras, os ingleses têm dirigentes da Liga e da Federação com tom*tes que castigam duramente e depressa).  
Por cá, da imprensa ao comentarismo, passando por “dirigentes”, treinadores e jogadores, há zero de fairplay e tom*tes, além de termos uma massa adepta clubista e não desportiva, interessada em vencer a todo o custo.
Veja-se “o caso do soco de Conceição”, uma novela estranhíssima, onde para mim ficou claro como aguardente o que se passou, apesar dos trinta por uma linha engendrados para que ficasse tudo turvo ou mesmo opaco como o mais forte dos cafés, ou seja, sem consequências nenhumas. Ou veja-se o caso do treinador que tem a sorte de todos os jornalistas adivinharem quando chega de viagem do Brasil e estão lá à porta e que parece que conquistou Marte, enquanto resolvia os problemas do Clima, da Fome no mundo e da cura dessa doença chata que é a Zona na viagem para lá e os problemas do estacionamento em Lisboa na viagem para cá.
No país onde o clube que vence o prémio da melhor Academia do sistema solar compra a peso de ouro um alemão no primeiro dia do ano para uma posição para a qual tem vários jogadores, incluindo dessa Academia, ou onde um português que desde o Euro 2016 não faz  um jogo de jeito, com uma exceção há semanas (no Mónaco) que mereceu amplo destaque de capa (!) em vários jornais; para não falar de outro português, avançado, cujo preço do passe foi irreal e que leva três ou quatro golos mas ainda assim é o melhor jogador do mundo, um dos melhores da Europa, até é porreiro descansar da bola uns dias, sobretudo da imprensa e do comentarismo.  
Um bom e leonino 2020! 

Rally tascas

 
Oitenta a noventa por cento dos jogos dos três grandes são contra equipas galhardas, manhosas e de contra-ataque, que se atiram para o chão aos 70 minutos quando se apanham a ganhar. É uma estratégia e também não é criticável (à luz dos seus interesses). Os ditos grandes não fazem outra coisa a não ser disputar jogos de solteiros e casados e não jogos como o Sporting-PSV, o Young Boys-Porto ou o Leipzig-Benfica. Pouco importa quem ganhou. Vi os três jogos, corridos, disputados, sem manhosice e chico-espertice, além da adulta, própria do futebol de alto nível, bem filmado, vivo.
Como espetáculo desportivo, a nossa bola é televisivamente deplorável. Estádios quase todos horrendos, mal iluminados, com ervados indiscritíveis, com cornetas e bombos em cima do comentário, público que vaia o árbitro por tudo e por nada, que quer ganhar de preferência com golos com a mão, dão ao nosso futebol uma atmosfera de tasca que não se compara com as ligas inglesa, espanhola, francesa, holandesa até a grega (do que vi). É curioso que o brilho de Ronaldo tenha diminuído na Liga que tem das piores imagens televisivas destas todas, a italiana.
Dois ou três jogos por ano assim teriam graça, como tem graça comer em roulottes nos festivais, mas ser quase sempre assim puxa a nossa Liga muito lá para baixo. Acabamos por ver os jogos à espera que o nosso clube vença e o rival perca, não para ver e fruir futebol.  
Porque hoje lá estaremos em Barcelos para mais um solteiros e casados

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