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És a nossa Fé!

Um dos dias mais importantes da época

Percebo mal a pouca ou nenhuma importância que se dá ao calendário da Liga.

O sorteio – que será a 5 de julho – é uma das mais importantes ocorrências da época desportiva dos chamados três grandes e pode ser decisivo no equilíbrio entre os três ou, em campo oposto – no afastamento imediato de um ou mesmo de dois dos competidores.
Por exemplo, começar por ir ao Rio Ave, receber o Braga, ir a Guimarães, receber o Benfica, ir a Portimão e ir à Antas pode acontecer, com jornadas da Liga Europa algures que podem ser deslocações à casa do Diabo. No nosso caso este cenário de hipótese só é ajudado por termos relativamente poucos selecionáveis a esta altura.
Algumas das mais importantes decisões da época na construção do plantel de um clube como o nosso – um contender da Liga, mas não um winner habitual – passam por superar o primeiro obstáculo que é o “início” da época. Admira-me que imprensa, crítica e adeptos não tenham mais atenção a isto. Acredito que os clubes e as estruturas tenham.

a sombra da bananeira

Um pouco assustadora a falta de qualidade de Nelson Semedo e de Raphael, o lateral do Borussia (que pouco jogou ao longo do ano). Ruben Dias também pareceu assustado com a poderosa armada suíça e até Patrício titubeou contra o melhor ataque do futebol mundial. Ruben dos Wolves também apanhou bonés contra o espantoso meio campo suíço durante uma hora e Bernardo Silva, candidato a sucessor de CR7 e paixão da vida de Guardiola, andou perdido no campo contra uma Suíça - que tem uma das melhores equipas de todos os tempos, até à assistência do segundo golo.
O nosso Bruno Fernandes começou péssimo, mas subiu, embora não tenha imposto um jogo de 20 milhões, quanto mais de 100. William, é preciso gostar dele e conhecê-lo, mas apostaria que ficará para sempre em clubes que não ganham títulos.
Portugal é o melhor país vendedor de craques.
No fundo, temos uma bananeira chamada Questiano, à sombra da qual todos dormem há muito.

Não percebemos mesmo de bola e é pena

Não percebemos mesmo de bola e é pena. Infelizmente não ironizo (se ironizasse, significaria que percebemos de bola).
Numa entrevista Peseiro reclama algum mérito nas taças ganhas pelo SCP e noutras, variadas, Rui Vitória ajusta contas ao não falar do Benfica e a chegar a dizer que não tem o telefone de Lage, daí não ter enviado os parabéns. Vitória também disse que Félix é bom como são outros e fartou-se de criticar o futebol autóctone, na medida em que se passa o tempo a refilar e a protestar em dia de jogo e em dia de não jogo. Não acenou nenhuma bandeira com águia nenhuma e trabalha em qualquer clube. 
Peseiro afirma-se pacificador e babysitter de jogadores pós-assalto a Alcochete e reitera que ele e a comissão de gestão tiveram um papel fulcral no que viria a ser, afinal, uma boa época para o Sporting. Teve uma palavra para Keizer, mas diz que o trataram mal.
A Bola, sempre atenta aos timings, já malha grosso em Vitória e um cronista chama a atenção para uma entrevista de Luisão, em que este não tece loas a RV, o que prova muita coisa (o quê, não faço ideia, porque não percebo de bola).
Vitória foi campeão no Golfo mas JJ (que no mesmo sítio e à mesma hora não foi) continua a roubar-lhe as parangonas.
De Peseiro parece que todos continuam a não querer saber.
Não percebemos mesmo de bola e é pena. Assim continuamos a não saber se RV ou Peseiro têm ou não têm direito ao capital de queixa.

A enjoativa “solidariedade do mundo do futebol”.

Poucas coisas me enjoam mais que a “solidariedade do mundo do futebol”. Não porque mortes chocantes, doenças ou tragédias não nos mereçam lamento, mas porque o “mundo do futebol” tem um gatilho solidário mais rápido que a sua própria sombra. Ontem morreu Reyes, que além de jogador razoavelmente conhecido foi um jovem rico que se espetou de carro em excesso de velocidade. Sendo a viatura um Mercedes recente (e portanto bem construído), Reyes deveria ir mesmo muito depressa para o carro ficar naquele estado. Além do jogador, morreu outra pessoa e um outro homem ficou ferido.

Ninguém pode ficar contente com a perda de vidas, muito menos há “pessoas que merecem”. Mas “o mundo do futebol” – por causa da sua visibilidade e influência nos jovens - teria a ganhar se fosse mais como o antigo guarda-redes Canizares, que afirmou que Reyes não merece tributo de herói (no sentido de que um acidente por excesso de velocidade é culpa do condutor. E é.)

A perda da vida de Reyes, em vez de servir para o “mundo do futebol” viver mais uma jornada emotiva do seu campeonato muito particular das manifestações públicas de dor e pesar com que os jornais desportivos vibram intensamente, a ser útil para alguma coisa seria para lembrar aos ases do volante que andar depressa pode dar em morte.

E se compreendo de certo modo o pesar histérico dos jogadores do futebol (por regra pouco instruídos, muito jovens e com adrenalina sempre lá em cima), percebo muito mal que as pessoas mais velhas e os jornalistas não vejam além do imediato e da lágrima fácil.

No fundo, gostemos ou não, em Sevilha e arredores haverá luto oficial e mais mil e uma manifestações disto e daquilo por causa de alguém que às 11h45 iria a quase 200 à hora e que se terá distraído ao volante (ou teve uma síncope, nunca saberemos). 

podem ver as imagens aqui:
https://www.dailymail.co.uk/sport/sportsnews/article-7095855/Spanish-football-legend-Santiago-Canizares-slams-Jose-Antonio-Reyess-reprehensible-attitude.html

Keizer e a formação. Contributos para o debate.

Vi ontem a segunda parte do jogo dos sub-não-sei-quê portugueses com a Argentina. Futebol individualista, de proto-vedetas (endeusadas pelos jornais, cobiçados pelo Guardiola, cavaleiros dos sete reinos), que se atiram sistematicamente para o chão procurando que os argentinos fossem expulsos ou amarelados, sem rigor tático nenhum, só com olhos na baliza alheia, como se fosse futebol de amigos ao domingo de manhã.  
Jogadores lusitanos tão novos, com tanto teatro, pressionando e enganado o árbitro com esquemas, fintinhas, egoísmo, sem levantar os olhos da bola, futebol de inconsequência e falta de canetas e esclarecimento na hora H.
No meio-campo, quem lá estivesse que se aguentasse à bomboca com os argentinos.
No banco, uma equipa técnica serena e impávida.

Notas sobre o jogo e o pós-jogo

 

  1. Impressionante a arbitragem a tratar o Sporting como “equipa pequena”, amarelando logo, depressa e muito os nossos jogadores como se os do Porto fossem “artistas” que é necessário proteger.
  2. Bizarro e inexplicável como o lance de Herrera (bola dominada com braço) não foi a VAR ou o VAR não zumbiu ao ouvido do árbitro. Não percebo nada de VAR, mas se não é usado num lance explícito e claro como este então é para quê?
  3. Substituições e armação de jogo final de Conceição (com muito melhor banco que o nosso) foi de amador e perdeu a final com isso. E no entanto, todos os tudólogos bem pagos da bola e “escribas” dos desportivos que ouvi e li passaram à margem, temendo certamente represália do nervosinho treinador perdedor e do sistema que o envolve.
  4. Próprio de uma criança mimada, o anti-desportivismo do treinador do Porto. Podemos dar as voltas que quisermos, mas há crianças e jovens a ver aqueles momentos em direto nas televisões, cuja personalidade, comportamentos e sistema de valores se está a formar. Vão achar legítimo que numa circunstância oficial e solene, de cumprimentos entre vencedores e vencidos, se possa ser birrento e infantil. Ora não se pode, não se deve,
  5. O tuguismo ainda mais infantil e degradante de justificar o ato do mau perdedor dá-me vontade de vomitar e confirma-me que Portugal nunca irá a lado nenhum. Um país onde a decência é relativa é um país mesquinho, pequenino, que pretende continuar assim.
  6. Continuamos a ser uma nação feita de regras arbitrárias que ora são para aplicar, ora não são, protegida pela sorte, pela posição geográfica, pelo ouro do Brasil e agora pela Óropa, para quem um comportamento adulto, responsável, assente em conceitos como a honra, a hombridade, o respeito e o fairplay são somente denotadores de ingenuidade.
  7. O assobiar para o lado do nosso football system, de dirigentes, assessores, comentadeiros, jornaleiros, exércitos de funcionários e apensos da FPF e da Liga, políticos e demais basbaques que vivem à custa da bola, demonstra que as unanimidades oportunistas e sonsas dos corporativos que viviam na esplanada da União Nacional do Estado Novo persistem.
  8. É evidente que o fulano que treina o Porto deveria ser censurado publicamente e castigado ou multado severamente.
  9. Também me é evidente que jamais acontecerá.

Jogo jogado

Fascinante o poderio do futebol da premier league (não é sinónimo de futebol inglês).
Um futebol “positivo”, de táticas fluídas, desde que seja sempre com os olhos na baliza. Acredito que por teima e exigência do público e da própria cultura desportiva e de espetáculo do país. Impressionante a disponibilidade física e a ditadura do “jogo de equipa” a que os craques se submetem. Ficou bem visível que dez jogadores do Barça, enjoados com a velocidade dos de Liverpool, estavam à espera que Messi tirasse um coelho da cartola.
Destaque para a ausência de jogadores portugueses nas finais. E dos nossos treinadores.
Na Champions, que acompanhei mais de perto, foram jogos sem momentos mortos, simulações de lesões, controle do meio campo, manobras de diversão ou teatros, com faltas e livres a serem marcados depressa e com poucas ou nenhumas reclamações das decisões da arbitragem.
Falando por mim, tendo a gostar de treinadores e jogadores mais estratégicos e menos dados a correrias, mas devo admitir que há anos que não me empolgava tanto com bola como nesta  “jornada europeia”.
Indo ao nosso Sporting e ao futebol português, não parece assim tão impossível aspirar a um futebol deste tipo. Jogos intensos, sem claques arruaceiras, com equipas olhos nos olhos, sem tipos a refilar com o árbitro, misturados com jovens da formação em quem tem de se apostar e a quem se pagam milhões, somados a aquisições de refugo, pequenas agendas, adversários de amigos, tipos que deviam ser atores em vez e jogadores e árbitros com medo de serem competentes.  
Deixo uma palavra para Silas, que foi vítima da extrema incompetência de vários dos seus jogadores ao mesmo tempo naquela segunda parte. E deixo uma palavra, porque me parece que ele é um homem deste futebol de jogo jogado que tanto nos impressionou nesta jornada europeia. E, claro, uma palavra mais forte ao Sporting que (além desse fenómeno que é Bruno Fernandes) também me parece estar a mecanizar um espírito práfrentex que me agrada.

Alcochete blues

Mais um final de Liga, mais uma final da taça, a invasão de Alcochete está a completar um ano.
Dezenas permanecem presos, sem saberem sequer se vão ser acusados ou que acusação lhes será imposta. Uns serão barra pesada, mas haverá outros que foram apanhados no comboio das emoções e já levam quase um ano de “preventiva” na pildra, onde por certo estarão a ter tempo para pensar nos grandes temas de Portugal. Trump, Bolsonaro, a subida da extrema-direita em Espanha, o novo Star Wars lá para o Natal, o site da HBO que vai abaixo em dia de Game of Thrones, as calotes polares que derretem, as eleições europeias, o penteado do André Ventura, para que clube vai o João Felix,  o excesso de turistas, a qualidade da comida no SUD, o índice de popularidade de Marcelo, se houve marosca com as casas de Pedrógão, se Mário Centeno vai para o Chelsea, a lampreia que este ano está mais ou menos, etc.
Presos há quase um ano sem culpa formada, ninguém liga, ninguém quer saber. Podia ser uma série da Netflix, mas é aqui, em Portugal, com gente verdadeira. Fizeram mal em invadir Alcochete? Claro, mas digam-lhes quanto devem à sociedade. Um mês, um ano, 5 anos, 500 anos? O que for, mas digam-lhes. Já vai sendo tempo de a Amnistia, os partidos políticos e as mil e uma ONGs que vivem penduradas na indústria dos subsídios abrirem o bico.

Outras brunices?



O mais simples é dizer que o Sporting se vive uma “tragédia comunicacional”, mas não tenho assim tanta certeza. Eu preferia, por exemplo, que jornalistas e quem é pago para opinar se enfiasse no perigoso e escuro túnel que vai dar ao assunto “um jogador caótico como Bruno Fernandes é compatível com um futebol tipo Ajax que esperamos venha a vingar por cá?”.
Eu não faço a menor ideia e adorava saber mais para poder formular opinião. É evidente que BF é excelente, excitante e entusiasmante, mas será que não é também um jogador que desequilibra a própria equipa? É este Sporting uma equipa ou um palco para o nosso melhor jogador? E Keiser, que é holandês e não latino, que terá dito a Varandas sobre este tema?
Terá dito “mister President, please sell this player” ou “we have to keep this guy”?

Eu vi um sapo e engoli-o



1. A melhor forma de começar a ganhar é perceber que se está a perder.

O push imenso dos anos Bruno de Carvalho, incluindo a sua associação ao milionário Jota Jota, custou anos preciosos de R&D em Alcochete. Enquanto isso, Vieira vinha dizendo que o XêXál era o futuro e muitos gozavam ou pelos menos não acreditavam (incluindo eu).

2. O que se verifica é que o Benfica mudou o tabuleiro a seu favor e conseguiu (aparentemente) resolver um dos grandes enigmas da bola lusitana que é o da capacidade física do atleta à altura do talento. Os “putos” do Benfica (alguns pelo menos) jogam sempre a 180 km/h, com os nossos a terem entorses, lesões, períodos de passagem pelo banco, cansaços ao fim de dez minutos de jogo, blackouts, apagamentos, empresários e papás muito vocais e etc.

3. Os “putos” do Porto, tirando o Dalot, nem se sabe quem são.

4. Além do talento e das qualidades técnicas e visão de jogo de Félix (que, suponho são um misto de treino e ADN), o que vemos é um mustang que faz piscinas como se estivesse a jogar na praia com amigos. Como sportinguista, é isso que me custa mais, aquela desenvoltura física dos miúdos do Benfica. 

5. Talvez a venda de Renato, de um Seixal mais antigo, faça cada vez mais sentido. Era um jogador que agitava cá dentro, é um jogador que lá fora coiso. Cancelo e Bernardo são só duas razões para os adeptos do Benfica quererem é que Jota Jota coiso. 

6. Apostaria que há sorte no que se passa na formação do Benfica, mas é inegável que quem lá trabalha e quem manda neles (Vieira) estão vários passos à frente de toda a gente.

7. Há uma frase que uso bastante: o trabalhador mais preguiçoso com uma retroescavadora fará sempre mais buracos que o Ronaldo dos operários com uma pá. Vieira demonstrou visão ao dar meios ao staff do Seixal para que estes gerassem craques para a primeira equipa, em vez de conversas de merda sobre "fazer mais com menos".

8. Não tenho nenhuma simpatia pelo Benfica, mas tenho toda a simpatia por líderes que dão meios aos seus liderados para que estes demonstrem o que valem.

9. Vou mais longe. Esta nossa mania portuguesa de sermos bons a improvisar, bons a fazer a pouco, bons a fazer omeletes sem ovos, é uma mania própria de quem tem vistas curtas.

10. Qualquer omelete com ovos é uma melhor omelete que a melhor omelete sem ovos.  


11. Imagino que Varandas esteja a mexer em Alcochete. Vai durar tempo, mas era necessário e Keizer é parte dessa equação.

Quinta-feira em Albufeira e em todo o lado

  1. Lage prossegue na sua fase holandês voador como Keizer quando chegou. No ar condicionado do Golfo, Rui Vitória deve andar a dizer “deixa-os poisar” ao seu intérprete, depois de ter visto o resumo e ter confirmado que o golo de Gabriel é 75% de Renan e o de Ilori é 100% de Ilori, que foi queimado um golo limpo ao Sporting e que enfim, coiso.

  2. Na única vez que perdeu, Lage atirou-se à jugular de um pobre mil eurista do CM TV que lhe perguntou se Jonas ia jogar ou algo parecido. Como acontece sempre que há benfiquismos radicais,  assobiou-se para o ar.

  3. Ganhar é fixe e ontem qualquer das equipas podia ter ganho, incluindo o Benfica.

  4. Nos resumos de hoje, nenhuma menção ao “lance” em que Svilar faz asneira e Bas Dost mete golo. Nem o fleumático Lage reparou, entretido que estava a dizer platitudes. Keizer e a estrutura do Sporting também não repararam. Num futebol como deve ser, assim estaria bem. Num futebol que consegue colocar ALEGADAMENTE, TALVEZ, CONSTA, DIZEM, toupeiras num dos alicerces do Estado de Direito, todas as oportunidades de clamar justiça são poucas.

    5. O Benfica chega a empolgar (não estou a ser irónico), tem alma até Almeida, mas abre vias, alas e espaços que uma equipa com bons jogadores e bem organizada saberá aproveitar. Sei lá... tipo um Braga….

    6. Tanta coisa para falar não ter de falar do nosso Sporting, que anda demasiado amador. Por exemplo, até a minha vizinha do 2A, uma senhora nigeriana que nem sabe falar português e só vê críquete, se lembraria de avisar o Ilori para não entrar à Liga Inglesa, que aqui é Liga controlada e se ganha aos cartões (nota: o amarelo aos 10 segundos de jogo foi justo).

    7. Ou a dona Francisca, quase 70 anos e ainda limpa o prédio, também acha que já devia ter sido contratado alguém para controlar a raiva e frustração de Bruno Fernandes, que está feito um autêntico refilador por tudo e por nada.

    8. E este filme de fim de tarde de ninguém ter avisado o Keizer que o Ristovski estava free to go. Ou algo parecido. Quéstamerda, como vi numa t-shirt na Zambujeira. Se não foi nabice interna, atirem-se à Liga ou à FPF ou até à ASAE ou à Fundação Champalimaud, que são tantas organizações que já me perdi.

    9. Ou alguém arranjar narrativas para explicar porque o pendular Miguel Luís não joga. Inventem o que quiserem, atirem-nos areia para os olhos, se bem que a verdade também está bem.

    10. Esta coisa das Xtruturas são importantes, mas fundamental são mesmo os sócios e os adeptos.

No país das segundas-feiras de manhã

1. Há qualquer coisa de ardilosa no treinador português que normalmente exige o contexto português. Ou seja, os nossos treinadores no futebol português, quando têm bons jogadores, tendem a ser excelentes, porque conhecem bem as regras do jogo e com craques no plantel safam-se smpre. Mas ontem Lage nem precisou de meter o chapéu de “treinador português a treinar em Portugal” tamanha foi a sua superioridade profissional sobre o antagonista.
Fica-se com a ideia que dos treinadores que estão no ativo na primeira Liga, qualquer um teria vencido Keizer ontem. E até podemos incluir alguns dos que foram dispensados nos últimos meses.

  1. Frederico Varandas - que apoiei – cometeu um erro de novato e foi all-in antes do jogo, chegando ao cúmulo de dizer que o seu plantel nem era grande coisa. No poker convém saber que cartas ainda estão na mesa, mas o nosso presidente ignorou que o Benfica teve mais descanso, tem um treinador português a treinar em Portugal que conhece o contexto, e tem excelentes e fortes jogadores (Félix, Rafa, os centrais, Pizzi) que dominam os códigos do futebol português. São rijos, rápidos, intimidam árbitros e adversários, jogam com o público, rebolam no chão para perder tempo, espetam o dedo na cara, etc. Ontem nada disto foi necessário, mas se fosse acreditem que seria só desembainhar o “futebolista português” que habita em cada futebolista português. Não é por acaso que nosso refilão Bruno Fernandes seria dos poucos a poder ter lugar no plantel do Porto e do Benfica.
    A este propósito, veja-se o caso do Porto que joga segundo esta lógica trauliteiro-estratégica e nunca, mas mesmo nunca, se esquece de vazar para a arbitragem parte da responsabilidade pelo mau resultado.

  2. Os únicos tipos que perdem ainda mais vergonhosamente com o Benfica do que nós, também o fazem e ficarão em terceiro lugar muito por causa disso.

    4. Keizer chegou e implantou um sistema otimista e juvenil. Agora parece um homem que teme a sombra. A catadupa de jogos com boas equipas (Guimarães, Belém, Porto, Braga e Benfica) deve ter metido a sua entourage – e a malta que orbita a entourage – à rasquinha e Keizer, que será sempre funcionário leal, deve ter obedecido.

    5. O nosso futebol, como qualquer contexto, tem regras próprias. Numa guerra no Iraque se calhar não é preciso levar esquis, mas convém – por exemplo – ter malta tradutora em que se possa confiar. Contratar esquiadores campeões nas olimpíadas militares e apanhar os primeiros tradutores à mão no aeroporto à chegada, não é boa ideia.

    6. Ora o futebol português dá trabalho. É criativo-caceteiro. Os adversários têm agenda e esforçam-se aqui, mas já abrem as pernas ali. Compensa malhar nos árbitros e compensa malhar agora no VAR. Compensa ter cara de pau nas conferências de imprensa, porque os jornalistas juniores se encolhem e os “escribas” na imprensa da especialidade até gostam que os seus heróis tenham mau perder. Compensa mandar fazer coisas próprias de séries da Netflix, porque Portugal não é propriamente um regime decente de contrapesos e checks and balances, mas sim uma gigantesca e dinâmica bola de conhecimentos, mãos debaixo da mesa, subornozinhos, favores, jogadas, jeitinhos e jeitos que a dita “sociedade civil” até acha graça se for o seu clube a vencer.
     
    7. A probabilidade de Keizer estar por cá no arranque na próxima temporada é, por isto, muito baixa. Para um holandês, um país calvinista onde o “hard work”, o cumprimento de regras e uma noção fortíssima de comunidade onde não há lugar a trapaceiros e cada um tem de vergar a mola, tudo isto é muito latino, muito Narcos, muito livro do Tintin, muito próprio dos sítios onde eles vão de férias.

    8. Claro que a Holanda é um dos países mais ricos e fantásticos da história da humanidade, que até foi capaz de resgatar território ao mar. Mas who cares, quando o que importa é poder chegar segunda de manhã e humilhar o Costa lá do escritório?

  3. p.s. Espero que fique claro que o Benfica ganhou com 101% de mérito, justiça e até deveria ter ganho por mais.

9 coisas sobre a Taça da Liga

BOAS E MÁS IMPRENSAS

1. Com pior plantel que no ano transato e contra um clube com melhor plantel que no ano transato, ganhamos a Taça da Liga, sem que eu visse qualquer remoque a JJ na media.
Além de mestre da tática, o homem também tem uma cauda longa que inibe comentadeiros e jornaleiros de se referirem a ele em certos momentos. 

2. A agressividade infantil e possuída da pessoa que treina o Braga e nunca se cansa de perder largo com o Benfica continua a ser tolerada a 100% por comentadeiros e jornaleiros. Até quando?

3. O mau perder do Porto é ridículo e muito elucidativo de como é o futebol português. Mensagens positivas quando se está na mó de cima, comportamentos patéticos e mesquinhos quando se perde.

4. A tolerância da opinião publicada para com este comportamento de Conceição e das suas tropas envergonha-me

5. Mesmo jogando com o nariz partido e não cometendo nenhum erro, Petrovic teve nota negativa. Um pensamento dedicado a quem tem a mania que luta contra o preconceito.

6. A outra pessoa que preside ao Braga e que também nunca se cansa de perder com o Benfica é outro cuja margem de crédito junto da opinião publicada me envergonha.

7. Varandas esteve muito bem nas suas declarações.

8. Bruno Fernandes revelou huevos a criticar o Porto abertamente (por não terem assistido ao SCP a receber o caneco).  

9. Admito a seguinte fraqueza: quase quero que o Sporting perca logo todos os jogos e mais alguns, para não ter de aturar os personagens do futebol indígena, do mau perder dos supostos profissionais e protagonistas à tibieza de 90% dos comentadeiros. 

Ligações ruidosas

  1. Apesar de achar o golo do Braga bem anulado, aceitaria com facilidade que não tivesse sido. Não que não seja falta sobre Acuna (obviamente que é), mas porque me custa que se retroceda ao tempo que os animais falavam em lances de golo.
  2. Não me apetece falar do (putativo) penalty sobre Coates, pelo que vou em diante.
    É evidente e compreensível que aquele senhor que preside ao Braga quisesse vencer o troféu em sua casa, apesar do clube não ter lá muitos adeptos. Aquela tourada preventiva do preço dos bilhetes, era porque sabiam bem que nunca encheriam o seu próprio estádio numa meia-final. Em Braga, todos torcem pelo Benfica
  3. O treinador do Braga é um sujeito tóxico para o nosso futebol que tem sido levado ao colo por uma imprensa doce e estranhamente compassiva. Por um lado bufam porque há “incendiários” na bola local e por outro deixam que Abel vomite fogo em todos (repito todos) os jogos que o Braga disputa, incluindo aqueles que vence com todo o mérito. Enfim, há uns determinados jogos sempre com a mesma equipa em que mete a viola, o violino, o contrabaixo e a guitarra no saco, mas isso é problema dele.
  4. Que Vieira faça o seu jogo de pressão sobre a arbitragem é entendível à luz da dinâmica do futebol local. O Benfica terá sido prejudicado, pelo que LFV (que será devidamente castigado daqui por 56 meses) faz o que tem a fazer.
  5. Agora que a dupla presidente/treinador do Braga prossigam armados em adolescentes armados em grandes, imunes à censura social e à crítica nos desportivos e dos fóruns da TV é que me causa espanto.
  6. É claro que o Braga é como um satélite de Vieira contra o Sporting, porque no entendimento do presidente do Benfica só há lugar a “dois grandes”. Na cabeça de Vieira, as sobras que fiquem para Braga e Sporting. Do ponto de vista estrito do presidente do Benfica fará sentido, e no do Braga também, embora aquela anedota do sapo e do escorpião me tenha ocorrido de repente.
  7. Agora nós é que não temos de estar sempre a levar com a prosélita ruidosa dos homens do Minho, como se fossem as grandes vítimas do nosso tempo. Já vai sendo tempo de eles serem tratados com a exigência que reivindicam para eles. 
  8. Por exemplo, já estão fora de duas competições: Taça da Liga e Liga Europa.

 

Tudo ligado

Vendo ontem o FC Porto e aquele golo anulado ao Benfica, parece claro que a supremacia do Dragão voltou ao futebol português. Não acho que este domínio (regressado) se deva a processo ínvios, as coisas são o que são e o árbitros, delegados, VARes e coisos já intuíram que o vento mudou de direção. Mais importante, porém, é que o Porto demonstra sempre em campo querer mais que os outros. É uma equipa que nem sempre está organizada, mas está sempre com uma t**ão intensa no jogo, quer ganhá-lo, quer golos, quer ir lá para a frente. Será campeão e o grande candidato a ganhar as duas taças.
Gostava da postura de Bruno Lage e fiquei aborrecido porque o seu verniz estalou à primeira. Admitindo que aquele golo possa ter sido mal anulado (pelos vistos eu sou o único português que ainda não entendeu para que serve o VAR e se este pode emendar o fiscal de linha etc), a verdade é que ele não mexeu suficientemente bem na equipa para poder dizer que queria ganhar. Se o jogo tivesse começado 2-2 ao minuto 46, Conceição havia de fazer a folha ao Benfica pelas razões exposta algumas frases acima. 
Por falar em verniz, a probabilidade de hoje o Sporting perder é igual à de Abel voltar a ser expulso.

Preventiva and Chustiça for all

Com a idade um tipo fica mais sensível e voltei a perceber isso em maio que passou, na invasão a Alcochete. Não abalou o meu sportinguismo, mas fez-me repensar o meu entusiasmo. Hoje ligo muito menos.
Ontem soube-se que o processo em cima daqueles presos preventivos passou a XPTO (introduza aqui o legalês que quiser). Na prática, as pessoas que invadiram Alcochete podem ficar de cana até setembro. De maio de 18 a setembro de 19 é perto de ano e meio de prisão preventiva. Ora, hoje nos media, a coisa é dada en passant, ninguém se admira muito ou sequer abre a pestana.
Uma Chustiça que prende antes de julgar durante e meio é uma Chustiça muito muito coiso.
Alguns daqueles “terroristas” [usando a terminologia legalês aplicada ao caso] são miúdos que tiveram azar de seguir as ideias de outros mais velhos, meteram uns cachecóis a tapar a cara e foram berrar e atirar umas tochas. Azar o deles estarem a contas com a justiça? Certamente. Merecem um ano e meio de preventiva? É evidente que não. Não eles, nem ninguém diria eu.
Sim, podiam ser os nossos filhos, insuflados pelo nosso sportinguismo, que cometeram o erro de ir a Alcochete armados em heróis e agora vão ficar ano e meio na pildra antes sequer de irem a julgamento. Vou repetir: muitos dos que estão em prisão preventiva são miúdos sportinguistas como nós, que levaram o seu fervor longe demais.

Nota: Não conheço nenhum, ninguém me encomendou nada, nunca fui de claques, nem sequer vou muito ao estádio, nunca levei os meus filhos sequer a um jogo grande com Porto ou Benfica nem quero que eles lá vão.  Como já disse há uns meses, eu é mais Fórmula 1 e cada vez mais.

E você?

Eu devo estar maluco na medida em que ontem vi um belo jogo de futebol pela televisão, a partir de Alvalade. Pelo que assisti, em especial na primeira parte, Belenenses e Sporting jogaram uma partida intensa, com oportunidades criadas (e aproveitando erros do oponente), sem cacetada, autocarros, perdas de tempo ou arbitragens protagonistas. Se o SCP não espetou quatro foi porque não se pode sempre espetar quatro e sobretudo porque a equipa de Silas defendeu bem, pressionou e se tornou venenosa no contragolpe. Também vi um onze do SCP com dois jogadores em posições nucleares vindos de lesões (e do Natal e do Ano novo), um risco que o treinador quis assumir e que, obviamente, se notou a espaço, embora tanto Wendel como Nani tenham estado bastante bem. E sem o nosso melhor jogador, óbvio.
No segundo tempo, vi boas combinações no jogo interior, que acabaram por dar dois golos.
Vi uma equipa solidária nos últimos minutos (já sem Wendel e sem Nani), a defender contra uma bela equipa orientada por um Silas que merece todo o aplauso.
Viemos de um jogo recente – em Santa Maria da Feira – e se o Belenenses também, é verdade que a equipa de Silas poupou quase todos, apostando as fichas neste jogo de ontem. Perdeu e ganhamos nós. É assim, ganhando estes jogos complicados e disputados, que se vai longe. E cá para mim, e felizmente, foi uma bela e intensa partida de futebol em 60 a 70% do tempo.

Eu ainda sou do tempo de mestres da tática, de gelo nos jogos e teimosias em jogadores em posições que não lembram ao careca, com desenho tático imutável. E você?

Terá alguma coisa a ver com a ausência de Battaglia?




A vida em geral tem esta coisa engraçada de irmos repetindo o que os outros dizem. Se há tanta gente a dizê-lo, é porque deve estar certo. Por exemplo, que Brahimi (que fará 29 anos daqui a dois meses) é um excelente, grande, enorme, magnífico jogador e não uma espécie de Carrillo, intermitente, aluado, que não defende lá muito bem, e que sim, em cinco a dez jogos por ano é capaz do melhor, mas nos outros, quem decide não é ele. Ou que André Almeida do Benfica é cepo, apesar de ser dos poucos que se vem mantendo titular desde o tempo em que os animais falavam, tendo passado por ele uns 400 laterais sem que nenhum lhe tenha roubado o lugar.
No nosso caso, ouvimos dizer que Battaglia é como ter o Obelix como guarda costas. Foi o mais utilizado no ano passado, é um esteio, uma força, um vulcão, um tornado, uma ogiva nuclear, do Real Madrid ao Al Alhi Baba, passando pelo ChinChin Zungundung ao Dínamo de Tirana, todas as equipas o querem.
Ou então é um jogador que não sabe ter a bola nos pés, que só destrói jogo parando o ritmo do jogo da equipa, faz faltas por tudo e por nada, passa mal, não tem uma ideia de jogo de ataque e que o Sporting de Kaizer só beneficia com a sua ausência.

Todo o investimento é astrologia

Não é que interesse demasiado, mas todos os investimentos – em dinheiro, afetivos, emocionais – são investimentos de coração. E nada é garantido. Eu posso viver com uma mulher 25 anos e ela trocar-me pelo jardineiro na mesma. E posso meter o meu pé de meia em depósitos a prazo e chegar um ministro qualquer que congela o dinheiro numa sexta-feira à tarde até nova ordem. Claro que posso fingir que sou rebelde e ter o meu papá a pagar-me as contas sempre que é preciso, mas até aí o investimento não é seguro porque um dia o papá vai-se. 
Hoje no Record escreve-se que a nossa oferta de Obrigações foi sobretudo subscrita por “coração” porque os “racionais” se pisgaram todos. É irrelevante, porque dinheiro coração e dinheiro razão é dinheiro na mesma – como qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe - , mas eu diria que a probabilidade do Sporting pagar estas obrigações com a taxa de juro associada é quase de 100%. 
Os clubes em Portugal, em especial os três grandes, serão a última coisa alguma vez a fechar. O futebol é uma indústria fundamental nos direitos televisivos e nas marcas para os próximos anos. E não só aqui. Poucos ou nenhuns eventos congregam tantos públicos dos 7 aos 77 como a bola. Clubes como Benfica, Sporting e Porto, com milhões de clientes fixos (em Portugal e países lusófonos) e ainda mais milhões de clientes potenciais (em mercados tipo China ou Índia) terão sempre dinheiro para para pagar 20,30 ou 40 milhões de obrigações. Nem que tenham de lançar outras.
Isto não significa que o empréstimo obrigacionista seja bom, mau ou mais ou menos, do Varandas, do Bruno ou do Batatoon, às bolinhas ou com gelo e limão. Cinjo-me apenas ao risco em geral destas obrigações em clubes como o nosso, porquanto não me venham chatear que o Bruno é que é bom e o Varandas não faz a barba e mais não sei quê.

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