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És a nossa Fé!

22 coisas que já podemos dizer acerca do Sporting

 

  1. O clube não vai acabar
  2. Mas é quase impossível sermos campeões de futebol no ano que vem
  3. Bruno de Carvalho jogou as fichas todas – e mesmo algumas que não tinha – e já perdeu em toda a linha. A sua entrada na Enciclopédia do Sporting está escrita.
  4. Jorge Gonçalves deixou de o presidente mais pícaro do Sporting
  5. Os jogadores jovens não são “sportinguistas” como os adeptos acreditavam: quatro jogadores que rescindiram passaram a vida toda no clube e a suar a camisola, mas não hesitaram em sair, prejudicando objetivamente o clube
  6. Não obstante, ninguém está em posição de os julgar. Terão feito o que julgavam ser a coisa mais correta
  7. Tudo indica que Pinto da Costa continua a ser o mais sábio e arguto dos homens do futebol
  8. Tudo indica que LFV não nos desiludirá
  9. A “crise” do Sporting gera mais interesse noticioso que o Mundial, a nossa seleção, a cimeira Trump/Kim e demais assuntos da ordem do dia. Talvez Portugal não seja assim de tão brandos costumes. De certeza, que a Educação é o maior fracasso das gerações que fizeram o 25 de abril um problema que, acredito, persiste.
  10. Sportinguismo dos sportinguistas mantém-se, mas a esmagadora maioria está desorientada com a sucessão de acontecimentos e não se vislumbra quem os possa agregar
  11. Se as eleições fossem hoje, Bruno perderia.
  12. Se fossem daqui a um mês, não se pode afirmar com tanta certeza que perdesse.
  13. Onde Bruno de Carvalho mais falhou foi no reforço das fundações do clube e da instituição: os jogadores sentiram-se seguros (ou alguém por eles) para rescindirem, sem temerem, portanto, as consequências.
  14. Este tipo de assimetrias só costuma acontecer por insanidade individual. Quando são em grupo e concertadas, é porque se pressente que um dos lados é frágil o suficiente.
  15. Em rigor, só Deus saberá (e não diz) se foi Bruno quem falhou ou se foram os sportinguistas que tinham uma ideia errada da força e do poder da sua instituição e não o escutaram
  16. De todo o modo, se foi isso, se Bruno tinha razão e ninguém o escutou, falhou porque a mensagem não passou, muito menos aos jogadores
  17. Bruno de Carvalho revelou uma estranhíssima falta de cuidado numa indústria altamente madura: no seu modo com os jogadores (mensagens por SMS, posts no Facebook etc) agiu como se fosse invulnerável e tivesse superpoderes.
  18. O futebol é demasiado profissional, frio e industrial para se comover com um dirigente heterodoxo durante muito tempo (salvo se este for um sheik das Arábias que mete dinheiro do seu próprio bolso)
  19. Alguns adeptos, bastantes mesmo, também pensaram mais com o coração do que com a cabeça
  20. Claramente os adeptos desconheciam a verdadeira Juve Leo. Eu pelo menos desconhecia.
  21. Na última vez, Sporting foi campeão com um plantel reforçado à última hora (com Jardel)
  22. Na penúltima vez, Sporting foi campeão despedindo o treinador antes da décima jornada, e indo buscar um brasileiro já velhote (A Cruz), um brasileiro veloz (C Prates) e um belga caído do céu (MPenza) na reabertura do mercado.

 

Ganda bronze

Interessante o ponto de vista ontem do Pedro Sousa (TVI24), que um clube português não deve jogar em função de um pinheiro (como Dost), se bem que o nosso tenha excelente pés.

A verdade é que Dost (dois terceiros lugares) com os seus golos, tem escondido a paupérrima qualidade do nosso jogo de ataque nestas duas temporadas. Mais do que picardias presidenciais, mais do que casos extra-relvado, isso é que deve ser sublinhado.

Acredito que a nossa época fica marcada pelo fracasso Doumbia. Nunca houve e nunca conseguimos ter Plano B. Miseráveis e dando direito a “justa causa” (ironizo mas não por muito), os nossos resultados contra FCP, SLB e Braga.

O endeusamento de Gelson pelos comentadores também não ajuda o jogador. O nosso extremo é um excelente jogador, mas parece estar a regredir na chamada decisão, no último passe. Devia estar confiante e de cabeça levantada, mas fica a impressão que chega sempre estoirado àquele instante em que deveria ser fatal. Sim, teve 500 assistências e fez imensos golos, mas nota-se que lhe falta (faltou?) killer instict e aquela vaidade que um Neymar exibe ou aquela alegria que Bernardo parece ter sempre. Qual será o motivo? Excesso de responsabilidade? Cansaço físico? Alguma questão emocional?

Ficamos em terceiro e não me parece que devamos discutir o bronze. Desde que vejo bola que nunca vi o Sporting com a sorte que teve esta season e um clube nunca pode ser campeão quando o seu melhor jogador em muitos jogos é o keeper.  

Há mau trabalho técnico? Sim, parece haver. A equipa pode ter feito 8 mil jogos, mas não é para isso que serve? Não é propriamente o mesmo que ir para a guerra ou coser sapatos 12 horas por dia. 

Ninguém me perguntou nada

Ninguém me perguntou nada, mas cheira-me que Abel pode muito bem ser campeão nas próximas duas ou três épocas. Talvez pelo Benfica, talvez pelo Porto…
Se Abel me pedisse algum conselho, eu diria que tem de fazer terapia para controlar a raiva que anda sempre de mão dada com a insegurança e que é gémea da frustração.
Ninguém me perguntou nada, mas há escassez de bons treinadores, jovens e ambiciosos, no mercado europeu e em especial no nosso. Caso Rui Vitória se vá embora, caso Conceição se vá embora, cheira-me mais a Abel do que a Marco Silva, por exemplo (embora no caso do Porto, o nome de Folha deva ser tomado em conta).
No nosso Sporting, se JJ sair (e acho que não sai), não estou a ver plano B. Mas lá está, ninguém me perguntou nada.

Contar até 10

O nosso clube pagou alguns camiões de notas por um jogador português magrito que jogava num clube italiano do meio da tabela. Alguns meses depois, Bruno Fernandes caminha depressa para ser titular (aí pelo segundo ou terceiro jogo) da seleção campeã da Europa que vai à Rússia jogar o Mundial.
Em tempos em que o dez foi extinto do jogo e das táticas, eis que o nosso Bruno jogador se destaca numa posição que só não lhe chamamos dez porque parece mal. É o “joga atrás” do Bas Dost, é o “joga mais encostado ao William”, é o “joga mais pela direita”, é o que quisermos, embora a mim me pareça um dez.

O que é justo é dizer-se que me parece sportinguista desde pequeno. A sua entrega e disponibilidade são de juntar num consenso um Brunista com um tipo da oposição mais opositora. BF seria um extraordinário casting para o papel de bombeiro que salva seis velhotes e os seus cães naqueles fogos que não foram culpa de ninguém e que de noite conta uma história ao filho para o adormecer.
A sua competitividade, seja contra o Atlético de Madrid ou contra os Unidos do Bombarral é a mesma. É um jogador generoso e com noção de espetáculo, solidário com a equipa e os colegas, com verdadeira qualidade individual, um verdadeiro leão como os adeptos sabem reconhecer. Não sei se ele cresceu leão, mas vê-se que ama o clube, respeita os adeptos, quer vencer trofeus por ele, mas também por todos nós.
Cá fora nada percebemos de bola, mas aquele fulgor físico naquele corpito que mais parece criado a carcaças com fiambre e leite com chocolate - e as poucas ou nenhumas lesões -  dizem-me que em Itália se trabalha melhor essa parte e talvez fosse bom pegar num avião e ir lá estagiar. Se há coelho da Duracell na nossa liga é Bruno Fernandes.
Seria o último jogador que eu (se fosse big boss) deixaria sair. E o primeiro a quem entregaria a braçadeira, caso esta ficasse disponível.  

A metafísica das coisas, quando (ou se) as coisas correm bem

Aqui há dois anos, alguém dentro do Benfica uniu a malta contra Jorge Jesus - que falou demasiado quando saiu. Esse inimigo externo desviou as atenções de Rui Vitória, que teve tempo para se adaptar. Não foi só, mas ajudou para que o SLB vencesse o título.
Estará a acontecer o mesmo tipo de auto-estímulo com a equipa do Sporting, que se vitaminou em união reagindo contra as palavras hostis do seu próprio presidente? Admitamos que sim. Admitamos (para efeito de argumento) que vencemos a Taça de Portugal e chegarmos ao segundo lugar. Teremos a época terminada com 2 taças, um apuramento Champions e valorização incrível dos passes de (pelo menos) Bruno Fernandes, Acuna e Piccini.
Se este cenário ocorrer, quem são os progenitores destas conquistas e proezas e como irão uns e outros gerir o a seguir?

Que sei eu disto, e no entanto...

Muitas horas depois, ainda não decidi se gostei ou se não gostei da exibição de ontem. O jogo, em especial a primeira parte, demonstra que todos – jogadores e equipa técnica – têm em si a capacidade de fazer incrivelmente melhor do que fizeram em Braga e noutros campos onde acabamos por perder pontos. Também demonstra que quando somos o underdog (o não favorito), nos superamos. Ora uma equipa que quer ser campeã, nunca é por definição o underdog.  
Muito orgulho na nossa equipa e nos nossos adeptos e na comunhão entre todos, mas gostaria de ver estas exibições de vontade em todos os jogos e não apenas quando o adversário motiva, dá visibilidade noutros mercados e estímulo extra.

Amor em tempos de Cólera.

 
Poucos territórios são mais dados à hipocrisia e ao sentido de superioridade que o futebol profissional em Portugal. Conseguimos essa coisa incrível de sermos dos melhores do mundo a gerar e formar jogadores e treinadores, a descobrir e a transacionar talentos (e até somos campeões Europeus em seleções) ao mesmo tempo que não perdemos uma oportunidade de desdenhar o jogo e a Indústria. Por falar em indústria, há muita gente superior que vive do futebol falado e discutido. Já tínhamos essa inovação de termos políticos, ex-políticos e políticos em pousio a falar de política e a serem pagos por isso e agora temos ainda mais desses políticos e demais opinadores profissionais a serem pagos para dar a sua opinião sobre bola, com a vantagem de poderem ser mais desbragados e apaixonados e (aparentemente) menos calculistas.
Quem é opinador precisa de alvos fáceis. Num país que insiste em ser dos mais pobres da União Europeia, quem sai da norma é por definição um alvo fácil e no nosso mundo da bola o presidente do Sporting é um alvo fácil. Por manobrar no bastidor? Por vender jogadores por um punhado de lentilhas? Por despedir treinador a meio da época? Por ter sido apanhado em escutas de conteúdo heterodoxo? Por ser recordista em comissões a agentes de jogadores?
Não, mas sim por não ter sido campeão num clube que venceu dois campeonatos em 35 anos e não se consolar com essa ideia de forma nenhuma, contagiando milhões de outros sportinguistas nos últimos anos e necessariamente hostilizando os poderes instalados.
Muitas vezes exagerou e muitas vezes foi vulgar na linguagem, mas ninguém como ele lutou pelo clube. 
Ajuizar sobre alguém que aparenta estar sob elevadíssimo stress emocional é relativamente simples até para o não especialista. Tudo é, tudo parece asneira, todas as palavras, os atos, as omissões. Dá a ideia que quase nada do que Bruno de Carvalho fez publicamente em relação ao clube nos últimos dias foi a coisa certa. Algumas são tão obviamente erradas que poderiam fazer parte de um manual que abordasse os efeitos do stress sobre a performance de um líder.
É altissimamente provável que esta semana venha a fazer parte destacada da biografia de Bruno de Carvalho enquanto presidente do Sporting, o que é lamentável para o clube, os seus trabalhadores, os seus adeptos e sócios e o próprio. A questão a que muitos já responderam é se chegamos a um ponto de não retorno, em que a confiança entre todos se estilhaçou. Aquilo que se entende dos opinadores é que sim, Bruno de Carvalho “não tem condições” para continuar à frente da SAD e do clube, dado o lastro de disparate (chamemos-lhe assim) deixado. E, chegados aqui, é extremamente difícil discordar com a ideia, ainda por cima no país onde quem sai da norma é detetado e identificado para ser abatido.
Bruno mais do que esticou a corda, mas na verdade no consensual Portugal nunca teve hipóteses. O que levou o presidente de um clube de futebol a este estado de falência emocional deveria dar que pensar. Em especial quando começamos a detalhar as lutas de Bruno de Carvalho em defesa dos interesses do clube. Teria ele razão na questão dos fundos? Do vídeo-árbitro? Da relva do estádio? Em não vender jogadores a eito? Foi ele quem inventou as detenções que a PJ fez noutro clube candidato ao título? Foi Bruno o autor dos gigabytes de e-mails vindos a público e que comprovam que havia mais, muito mais, que saudações natalícias entre agentes do futebol? Deve-se a Bruno de Carvalho haver zero árbitros nossos compatriotas escalados para o Mundial da Rússia, quando a seleção é campeã da Europa e o melhor jogador do mundo é português?
Talvez com tempo, os opinadores possam fazer um juízo mais definitivo sobre as escolhas de Bruno ou talvez possam continuar a fazer pela vida, farejando por outro alvo fácil e consensual, vivendo na sombra da Indústria do futebol que estará certamente purificada com a saída de cena do colérico Bruno de Carvalho.

 

 (publicado no Expresso Diário de 10.04.2018)

Só resta ganhar

Triste pelos acontecimentos obviamente. Bruno de Carvalho foi um dos melhores presidentes que vi no meu clube, mas será para sempre recordado pelos erros que cometeu a seguir ao jogo de Madrid e cujos efeitos totais ainda não conhecemos verdadeiramente.  
É interessante porque BdC tem razão em muito do que diz e sente. Qualquer pessoa deteta que os seus erros comunicacionais se devem a uma profunda incapacidade de lidar com a frustração, ou seja, que nada têm que ver com desporto ou clubes, mas sim com ele próprio. Neste enredo, aos jogadores coube o papel mais fácil, de justa vitimização – repito, justa vitimização – e acredito que no seu enésimo round de Dilema do Prisioneiro, BdC tenha sido surpreendido a um grau que ele não julgava possível.  
Em português mais claro, BdC tanto esticou a corda que esta partiu.
A sua única possibilidade é conseguir ganhar, vencer. Como? Não faço ideia. Mas na bola, o que interessa é ganhar e tudo se perdoa, esquece e varre para debaixo do tapete, desde (alegados) espiões no sistema informático da Justiça a pedidos de convites a eito, mails bizarros, coação judicial e demais jogos de influência. Note-se como mal se apanharam em cima do primeiro lugar, insignes adeptos – em especial aqueles que são pagos para escrever e opinar - esqueceram tudo o que veio a lume sobre o Benfica e os métodos muito peculiares que alguns funcionários seguiam na sua estreita relação com outras figuras do futebol indígena. Ironicamente, o bastante provável penta campeonato do Benfica demonstra que o que interessa é ganhar e que portanto BdC ainda não está morto. O resto é mesmo fumaça.
Caso sejamos campeões – ou até vençamos a taça - com BdC a presidente veremos se tenho ou não razão.

Motivações

Acredito que o Sporting só tenha quatro jogos fáceis por temporada, e que são aqueles em que defronta Porto e Benfica. Aplique-se o mesmo raciocínio aos dois rivais e temos um campeonato cada vez mais desnivelado na motivação. Enquanto que Jonas, Bas Dost ou Herrera nem fazem ideia de como é o emblema do Tondela ou a cor dos calções do Portimonense, estas equipas, seus jogadores e treinadores, preparam-se ao milímetro, porque os jogos dão visibilidade a uns e outros e ganhar a um grande vale muito mais que três pontos (numa carreira, numa transferência, num convite para opinador na TV).
Parece-me claríssimo que enquanto Abel e este presidente estiverem no Braga, a sua motivação para nos ganharem será a possível e imaginária. Nada de errado com isso.
Uma das implicações do feitio do nosso presidente acaba por ser esta motivação acrescida dos nossos adversários. Claro que usar isto como justificação para termos perdido (praticamente) o campeonato é tonto, mas a verdade é que tudo conta. O sonsismo como arte da guerra de Rui Vitória tem-se revelado um dos principais trunfos do SLB (nada de errado com isso) e pode muito bem dar-lhe o penta. Pela minha parte só tenho de comer e calar.
Seja como for, e seja o que for, mais derrotado que Bruno de Carvalho é sem dúvida Jorge Jesus, a quem alguma vaidade parece tirar discernimento. Arrisca-se a nunca mais ser campeão nacional, nem connosco, nem obviamente no Benfica e provavelmente não no Porto, onde PdC percebeu que não precisa dele se acertar no próximo Conceição depois deste.

Vamos a isto ou não vamos?

Gosto e sempre gostei de pessoas que são diferentes e ousam sê-lo em público. Tenho a certeza que Bruno de Carvalho não precisa que lhe digam onde errou ou está a errar, porque o saberá. Acredito que grande parte da tensão que vive em público se deve a esse autoconhecimento. Mas sinto que o nosso presidente precisa que se repita o óbvio, da mesma maneira que qualquer um de nós precisa que de vez em quando que lhe coloquem a mão no ombro. Pois bem, graças ao seu ímpeto, é hoje claro que o nosso clube é um clube que conta. No país do futebol, dos chamados três grandes somos o clube que menos vezes foi campeão nacional. Bruno de Carvalho é alguém que não vive bem com isso e tenta que todos os sportinguistas não vivam bem com isso, não se resignem e não baixem as orelhas. Exagera nas metáforas e nos posts do Facebook? Claro que sim e ele será o primeiro a sabê-lo. Invalida tudo o que fez? Claro que não. Em dia de aniversário, faço votos para que continue no nosso clube e que consiga alguma paz de espírito a bem dele, da sua família e da família leonina.
Com ele, o Sporting conta de facto. Não ganhamos ainda o título? E então? Acaso deixaremos de lutar? A época já acabou? Eu não conto desistir dos jogadores e da direção, nem que seja o único. Estamos a dois pontos do primeiro lugar e nas meias finais da taça, com meia parte jogada e desvantagem de um golo.
Por cada leão que cair, outro se levantará é uma frase que gostamos de citar. Mas os verdadeiros leões começam por não deixar os outros leões cair.

Estou irritado, pois claro que estou


Sporting conquistou o terceiro troféu nacional (a seguir ao campeonato e à taça) e – algo infantilmente – parece que falar do óbvio dá azar. E o óbvio é que a jogar assim dificilmente ganhará outro. A equipa está fatigada e nota-se muito stage fright. Ninguém parece querer assumir a responsabilidade agora que o diabinho Gelson está K.O. Tivesse Couceiro mexido mais cedo e encostado os nossos centrais lá atrás e hoje estaríamos a chuchar no dedo. A diferença de investimento nos plantéis é hilariante e mesmo assim só ganhamos ao penúltimo nos penalties, que não sendo lotaria, também não são mecânica dos fluídos como JJ quis fazer crer. Aliás o seu pequeno outburst sobre aqueles que duvidam que William saiba marcar penalties não me comove e acho que (a ser verdade) que tem garantidos 250 mil euros pela conquista da taça deve pelo menos fazer um desconto ao clube pelos miseráveis primeiros 45 minutos, nos quais levou um baile tático e estratégico do Vitória.
Bruno de Carvalho é quem menos merece estas exibições e este modo de ganhar assim meio coiso. Tem feito tudo pelo plantel, tudo pelo clube, nunca esquece os adeptos. Merece este troféu. Mas tenho a certeza que também ele se lembra que em 180 minutos apenas marcámos de penalty e que (ao contrário de anos e anos e anos) temos tido uma sorte incrível: ainda ontem o Setúbal podia ter marcado o segundo no início da segunda parte. Enfim, já passou, parabéns ao adeptos que estiveram em Braga, sempre com a equipa e parabéns ao staff e jogadores.

Os zaragateiros

Já vai sendo tempo de alguém o dizer. Seja com Rui Vitória, Conceição ou JJ, começa a ser demasiado grave o que repórteres, pivots e comentadores fazem pelas audiências. Ignorando jogo, as opções estratégicas ou táticas, a escolha de jogadores, fazem uma pergunta geral inicial sobre o jogo, para logo depressa passarem a escarafunchar a ferida que estiver mais aberta – a substituição do Soares, a ida para os balneários, o diabo a 7 – fingindo-se de sonsos e anjinhos, jornalistas impolutos que procuram a verdade, quando o que querem é molho.
A verdade é que procuram picar e espicaçar os intervenientes no jogo, para logo de seguida moralizarem. Provocam, provocam, provocam, perguntando o que o outro perguntou há dois minutos, insistem, teimam em temas que sabem ser polémicos e de resposta tensa, à espera que Vitória, JJ ou Conceição se passem dos carretos, para depois dizerem “Ontem Vitória, JJ ou Conceição, reagiu assim quando lhe perguntaram não sei o quê”.
O que a abundância de televisões em diretos manhosos de pré-match, pós-match e comentário de bola estão a fazer é indigno da profissão de jornalista.
Ainda por cima muito criticam, em textos de opinião e outras intervenções, o “Guerra”, ou o “Serrão” (e demais comentadores que só lá estão uma vez por semana), quando são eles quem rega com gasolina todo o ambiente de modo intensivo e sistemático à espera da primeira faísca.  

 

Complicado mas possível.

Depois do que se passou neste fim de semana, considero o Benfica o principal candidato ao título. Está na corrida a 100%, tem mais soluções, está fora da Europa, vai reforçar-se e tem o revestimento de tetra campeão que lhe dá uma ponderação que aos outros foge. Rui Vitória parece uma espécie de Captain Obvious que caiu no caldeirão da sorte quando era garoto, mas por vezes é mesmo isso que se precisa. Dominou o jogo durante meia hora e depois limitou-se a levar baile. Mas para perder é preciso sofrer golos e isso não aconteceu. Obvious? Pois, Captain Obvious…
O Porto teve azar, também teve azar em ser prejudicado pelo árbitro, mas deve lembrar-se que quando foi campeão anos a fio também era assim para o lado deles. Em caso de dúvida apitavam ou fechavam os olhos em seu favor. Mas Conceição não esteve feliz nas substituições e ainda não conseguiu explicar a Felipe que entrar assim ao homem não é futebol.
O nosso jogo com o Belenenses foi um teste ao meu batimento cardíaco. Não acho que se deva dramatizar, mas Adrien faz mais falta no meio campo do que julgava e Bas Dost precisa de companhia mais sólida (à la Teo “irritante” Gutierrez). Temos grande GR e uma muito boa defesa, mas estamos demasiado dependentes de Gelson e vulneráveis à fragilidade do banco. Entendo, subscrevo e assino por baixo as palavras do nosso presidente. É bater a bola baixa e ver se chegamos ao final em primeiro, nem que seja ganhando meio a zero. Vai ser ser muito muito complicado, mas é possível.

Um pequeno balanço até agora

Cada vez me convenço mais que o principal candidato é o Benfica. No futebol a que chegamos hoje, cheio de competições e selecções, os encarnados têm de longe mais soluções em todos os lugares, incluíndo jovens da B que podem subir se for preciso (veja-se este ótimo central que apareceu vindo do nada e que ainda nem teve direito à diarreia de manchetes). 
Para o Sporting lá chegar será necessário um nível de cuidado e concentração altíssimos, sendo que o VAR já nos está a ajudar. Ou, ao contrário, se não houvesse VAR já estaríamos provavelmente na conversa do pró ano é que é. 
Cada jogo é uma final, como se viu em Paços, mas em competição directa com Porto e Braga não conseguimos ganhar. A parte boa é que não perdemos. 
O verdadeiro campeonato começa em janeiro para os três grandes, com as dispensas e contratações (se houver $), e com a gestão física e consolidação das aquisições do início da temporada. 
É bom haver três equipas na competição pelo caneco e esperemos que no fim ganhe o Sporting, o clube que melhor esteve nas aquisições (sem que os críticos e jornais se lembrem disso porque tal implicaria elogiar BdC) e o clube mais favorecido pela existência de VAR (porque era o mais prejudicado pelo erro humano). Mais uma vez sem que os críticos e jornais se lembrem que o VAR foi cruzada de BdC (falando de presidentes de clubes). 
A grande figura do campeonato é para já Conceição, até pelo discurso e pela garra que transmite a todos. Mas é por iso quem tem mais a perder daqui em diante.
Quem tem mais a ganhar é Rui Vitória (porque é quem tem estado pior) e veremos se o Vieirismo o ajuda.
E quem está mais calminho, discreto e a recuperar Coentrão, Mathieu, a ensinar Battaglia e a formar Bruno Fernandes, é o nosso amadorense favorito. 
Como sempre, vivó Sporting e boas festas a todos!

Já podemos falar do tal árbitro mal criado?

Curioso que jornaleiros e comentadeiros sempre prontos a repetir o eco não tenham sabido bem o que fazer no caso do árbitro que falou com o jogador como se fosse um pateta. Claro que o azar do árbitro foi ter os microfones da Sport Tv ali apontados, mas quero lá saber. Não se fala assim com ninguém em lado nenhum. Nem os pais com os filhos, nem os guardas prisionais com os detidos, nem os pastores com as ovelhas, quanto mais um árbitro com jogadores profissionais. O árbitro provou não saber estar. Demonstrou que só sabe exercer autoridade ameaçando. Abusou da autoridade. Intimidou. Foi um fraco. É sempre assim? Pior ainda! Substituam-se estes ditadorzecos de meia tigela que enchem os bolsos com as suas insígnias FIFA, UEFA e mais não sei quê, que agora pelos vistos são contratados pela media para dizerem banalidades ou exportados para a Grécia. Melhor fariam os jornais e os programas se fizessem um top semanal de quanto andam a receber os árbitros pelos jogos, incluindo (oh sim, incluindo…) ajudas de custos, alcavalas e quilómetros e senhas de refeição…
Esta muito portuguesa tendência para amochar até se perceber para onde sopra o vento, esta cobardia da maioria, este talento invulgar para assobiar para o ar até que passe o mau cheiro é um defeito terrível e infelizmente estruturante deste país. É o que o árbitro está à espera, em vez de pedir desculpas públicas e garantir que vai rever o seu procedimento. E o chefe dos árbitros? Que espera para anunciar que vai dar formação em liderança aos homens e mulheres do apito? Não basta os olhos fechados às negociatas e às transferências, agora também temos de fechar os olhos ao que se passou, fingindo que este árbitro continua digno de andar a ganhar muito dinheiro às custas dos clubes, dos adeptos e patrocinadores?

A renatosanchização do futebolista lusitano, versão pre época 2017

A renatosanchização do futebolista lusitano

Leio na imprensa desportiva que o treinador do Milan comparou André Silva a Van Basten. Hoje vejo um vídeo com os melhores momentos de André Silva no jogo de ontem (entrou aos 71’). Não marcou golo, não assistiu. Leio que o Juve vai buscar Cancelo para o lugar de Dani Alves. Que Mourinho quer André Gomes. Que há 100 clubes atrás de Renato Sanches, alguns dos quais em planetas fora do sistema solar. Que a Juve quer William. Que o Tottenham quer Adrien. Que o PSG pode chegar aos 30 milhões por Patrício.
Mas os nossos jornalistas dos desportivos são doidos? Não seria mais honesto, com os leitores, jogadores, agentes, dirigentes, escrever preto no branco que a) por mais talento que tenha, o jogador português jovem não tem pedal imediato para ligas mais fortes ponto final e b) com excepção de Ronaldo ou Pepe, os outros lusitanos fora da pátria – por melhores que sejam como Bernardo Silva é - não são jogadores de primeira linha nas suas equipas? O exemplo do pobre Renato Sanches, um jogador que é excitante, mas que tem zero cultura táctica e pouca maturidade, e que no ano passado nos jornais mais parecia a reencarnação do filho que Maradona e Pelé nunca tiveram, não chegou? 

Quando mais se entranha, mais se estranha

Inacreditáveis as declarações do presidente do Benfica, a tomar toda a gente por parvos, a começar pelos adeptos e sócios do clube. Desconhece que existam claques?! Ou que o estádio tenha sido interdito. Digam-me outro clube que tenha sido tetra campeão e que tenha passado uma pré-época sem um único jogo no seu estádio. Repito: a equipa que domina o futebol português não joga no seu estádio perante os seus adeptos porquê? O mais incrível é perceber-se que ninguém parece ter-se dado conta ou ter-se incomodado, do simples adepto ao sócio, passando pelo imigrante, ou claro pelos estagiários, repórteres, colunáveis, colunistas e demais figurões. A ideia com se fica é que para Vieira o que interessa são outras coisas, que me escuso a nomear. Para Vieira e para os benfiquistas.

Aos vossos lugares

Acredito que venha a ser um campeonato terrível. Pela primeira vez em muito tempo, diria que os três grandes têm 33,3% de favoritismo. Só que este é o primeiro campeonato com vídeo-árbitro e ao mesmo tempo uma sede imensa por parte de alguns canais de toda a polémica e mais alguma (pelo simples facto de essa polémica ter retorno em audiências).
De uma coisa tenho a certeza, seja quem vença em Maio, os outros não lhe reconhecerão mérito por isto ou por aquilo.
O Benfica parece mais fraco, em especial porque vendeu o extraordinário Ederson. O Porto mais forte, porque o efeito Conceição é visível e pode ter o efeito de voltar a criar aquela alquimia do “à Porto” que lhes valeu em muitos momentos nas décadas passadas. Sobretudo, digo eu, o Porto tem laterais muito fortes, o que num campeonato de jogo de ataque em 90% dos jogos como o português é vital.
No nosso caso, acredito que Podence, se tiver uma pontinhazinha muito pequenina de sorte, se pode transformar na coqueluche. Aquela sua rapidez de execução ainda não é completamente entendida pelos colegas e há muitas bolas tipo passe de olhos fechados que se perdem. Ou então, caro Daniel, esquece isso do último passe e foca-te na baliza. Em paralelo, Gelson precisa de ser libertado do estatuto de estrela da equipa. Tem futebol para tal, mas não me parece ter feitio para isso, o que está a prejudicar a sua decisão no último passe, só camuflada por colinho geral dos adeptos e da imprensa. O nosso gigante Bas Dost é mesmo um holandês, sem estados de alma e vai metendo-a lá dentro. Acuña é reforço e finalmente temos um sul-americano que come a relva e não é obcecado por fintinhas e adornos. Gosto de Bruno Sampdoria, mas acredito renderá ainda mais quando se aperceber da especificidade do futebol lusitano. Doumbia vai meter mais de dez golos e algo me diz que Gelson Dala terá mais minutos do que pensava. Iuri é homem para nos resolver jogos mas para chegar ao patamar em que o deixam em paz para ele fazer as coisas à sua maneira, também precisa de sorte e (talvez) de pedalar mais nos treinos. Para já o seu objectivo número um deve ser não ser emprestado em Dezembro. Espero que Coentrão segure o corredor e que do outro lado se passe a mesma coisa e consigamos evoluir para lá do drama Jefferson/Marvin/Esgaio/Schelotto, tudo rapazes fantásticos, mas sem potência para uma equipa que pretende ser campeã.
É pena William ir embora. Vê-lo a passear classe como central contra a Fiorentina, a jogar com aquele ar enganador de quem está de férias, foi um regalo.  

Bruno, sempre o Bruno...

Um dos aspectos que me parece evidente nesta história dos e-mails entre dirigentes do SLB e malta ligada à arbitragem é que mais uma vez o maluco, o doido, o espalha brasas Bruno de Carvalho estava a ver bem o filme. Que filme era esse? Que a liga lusitana estava longe de jogar apenas na relva.
Há mais de quatro anos que na imprensa (sobretudo na desportiva) que BdC é visto como uma espécie de cromo que um destes dias acabará a trabalhar numa loja de fotocópias de um centro comercial e mesmo assim…
Em simultâneo, os elogios a Vieira, à “obra”, a Vieira, às gravatas de Rui Costa, a Vieira, ao pavimento da sala de massagens do Seixal ou ao modo como se cortam as unhas à águia abundam. O Benfica ganha no futebol e parece que sai um decreto de lei que obriga à vassalagem. Isto porque ao mesmo tempo temos de dançar ao som dos ensurdecedores assobios para ar sobre a contratação de cerca de aproximadamente 676 jogadores ao Nacional ou a Rio Ave, de terceiros guarda-redes que valem 10 milhões, de jogadores que tinham problemas nos dentes mas que agora já valem 15 milhões, de jogadores que iam ser vendidos por 890 milhões mas que afinal não. Por outro lado e pensando bem, que é a dívida do próprio ao BES ou a dívida do Benfica comparado com a intenção de inaugurar um Museu de Arte Contemporânea e uma plataforma para lançar naves a Marte no Seixal?

Apita, apita


Já o escrevi variadíssimas vezes: o problema do nosso futebol é a arbitragem e em especial os que orbitam em redor. Mais do que estarem do lado do “nosso” clube e destacarem escutas ou mails, o que Record, Jogo, Bola e demais jornais deveriam fazer era publicar um top semanal, mensal e depois anual de quanto dinheiro ganham os árbitros a cada época.
Inclua-se o fee por jogo, mais as despesas, mais os quilómetros, mais o fee por jogo europeu, mais despesas de deslocação. Depois comparem com os vossos rendimentos e abram a boca de espanto. Já agora, adorava saber se são rendimentos tributados em IRS e a que taxa…
E podiam incluir uma lista dos árbitros, ex-árbitros, observadores etc cujos filhos aspiram a ser árbitros e por isso tiram cursos e alguns até andam a apitar jogos da 897ª divisão da associação da Raspa de Limão...  
Duvido que o vídeo-árbitro mude alguma coisa, porque o vídeo-árbitro só atende lances capitais. A faltinha a meio-campo, o amarelo aos dez minutos, o ataque interrompido por fora de jogo mal assinalado, a falta atacante a eito, a expulsão do técnico, tudo isso vai prosseguir para servir os interesses da malta do apito. Malta essa para quem é irrelevante saber se quem manda hoje é azul, encarnado ou verde, desde que eles (do apito) saibam a cor certa na era certa. 

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