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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Mais duas tacadas para o buraco 19

Sporting 0 - Benfica 2

Liga NOS 17.ª Jornada

17 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Tivesse o "derby" apenas 79 minutos e teria saído de Alvalade com a sensação de dever cumprido, seja a disfarçar as gritantes e abissais insuficiências dos colegas de titularidade ou a retirar do relvado as tochas com que as claques deram prova de vida nada inteligente no início da segunda parte – até então tinham ficado em silêncio, permitindo apurar o quanto as bancadas amorfas, passivas e afónicas estavam dispostas a ouvir os cânticos da claque benfiquista a ecoar em Alvalade. Ainda o jogo não tinha completado dois minutos e já o guarda-redes leonino estava a fazer uma mancha que impediu uma desvantagem precoce, aplicando-se da mesma forma para travar remates rasteiros e aéreos (apesar de os avançados benfiquistas tirarem escasso proveito da enorme superioridade no jogo de cabeça na grande área). Nada pôde fazer nos lances dos dois golos tardios que colocam o Sporting a 19 pontos do Benfica quando ainda falta disputar uma segunda volta em que será preciso visitar os estádios das melhores equipas da Liga. E muito provavelmente sem o contributo do maior dos quatro ases que ainda sobravam no baralho.

 

Ristovski (3,0)

Tem a grande qualidade de ainda pertencer ao Sporting que contava para o Totobola e nunca se esquece disso, enfrentando cada adversário pelo que vale e não pelo que as orquestrações de Jorge Mendes irão fazer com que supostamente vá valer. Ainda que pouco integrado na manobra ofensiva, o macedónio contribuiu para que alguma fraca gente, orientada por um fraco treinador, escolhido por ainda mais fraco presidente, ficasse perto de perturbar a narrativa da Liga NOS aprovada em comité.

 

Tiago Ilori (1,5)

Quando evitou o golo madrugador do Benfica, cortando com o rosto o remate dirigido para a baliza momentaneamente desprovida de guarda-redes, terá inquietado aqueles que lhe asseguraram a titularidade ao garantirem que Coates levaria um amarelo em Setúbal “by all means necessary”. Reforçou essa impressão com uma sucessão de cortes importantes que evitaram desventuras à equipa, embora o desacerto nos passes longos e nos lances de ataque fosse um indicador das suas reais (in)capacidades. E o central contratado pela mesma gerência que vendeu Domingos Duarte a desbarato acabou por não desiludir os fãs nos dois golos do Benfica, sobretudo no segundo, que nasce da sua abordagem suicida em dois momentos da jogada.

 

Mathieu (3,0)

O remate acrobático que executou no final do jogo saiu por cima da baliza do Benfica, e que já pouca diferença faria mesmo que tivesse entrado, serviu para recordar que o francês tem mais futebol no dedo mindinho do pé esquerdo do que alguns colegas de plantel teriam caso nascessem dez vezes. Concentrado nas bolas aéreas, generoso nas compensações e capaz de iniciar jogadas de ataque com um critério que falta a quase todos os jogadores leoninos, lamenta-se que se esteja a aproximar o final da carreira de um grande futebolista. E ainda mais que o seu maior objectivo nesta triste segunda volta que se inicia, passando à frente do eventual “tri” na Taça da Liga que fará as delícias dos irredutíveis da actual gerência do Sporting, seja assegurar a (difícil) qualificação do Sporting para a próxima edição da Liga Europa.

 

Acuña (3,0)

Nem o cartão amarelo que viu relativamente cedo, num lance em que foi traído por um inconseguimento de Wendel, limitou o argentino que faz da raça e da classe armas capazes de pôr adversários em sentido. Até marcou um golo notável, aproveitando o já conhecido e recorrente défice de ângulo morto de Vlachodimos, mas Luiz Phellype encarregou-se de o fazer anular devido ao seu posicionamento. Estando na iminência de ser promovido a estrela da equipa, ainda que nunca se saiba se algum génio da lâmpada o “basdostará” por uma dúzia de milhões de euros (ou até por uns feijões mágicos), dedicou-se a dar esperança num resultado melhor do que a encomenda. Mas voltou a não ser dia para isso.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

A angústia do jovem médio ao ver-se rodeado por papoilas pressionantes é a imagem de marca do triste "derby" em que o Benfica passou a ter vantagem sobre o Sporting em jogos disputados em Alvalade. Incapaz de estar à altura do momento, perdeu a posse uma, duas, milhentas vezes, sendo certo que a sorte e os colegas impediram que os seus constantes erros tivessem as consequências catastróficas que poderiam ter. Centenas de quilómetros mais a Norte, João Palhinha esteve na vitória do Sporting de Braga na visita ao Estádio do Dragão, mas o mais certo é que nunca mais vista uma camisola que, a manter-se este rumo, será mais talhada para quem não consegue fazer melhor do que o pobre Idrissa, só retirado de campo quando o empate já estava desfeito e o buraco 19 mesmo ali à frente. Antes tivera o seu melhor momento, num remate colocado, à entrada da grande área, que Vlachodimos desviou para canto.

 

Wendel (2,0)

Ter maior familiaridade com a bola de futebol do que o colega de duplo "pivot" permitiu que evitasse cometer tantos “turnovers” quanto Idrissa, mas nem por isso os efeitos práticos da sua melhor técnica foram muito visíveis na construção de jogadas. Tarda a afirmar-se num meio-campo em que se arrisca a ser o elemento mais virtuoso.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha feito o último jogo pelo Sporting, sendo improvável que o Manchester United lhe permita tentar juntar mais uma Taça da Liga ao palmarés pessoal, e uma derrota em casa contra um rival directo estará longe de ser a forma como sonharia despedir-se. Verdade seja dita que, embora pouco rematador, esteve ligado aos melhores momentos do Sporting. Logo no início, com uma assistência de longa distância que deixou Rafael Camacho frente a frente com o guarda-redes do Benfica, e numa arrancada em que o seu amigo Pizzi pôde fazer-lhe uma entrada assassina sem ver amarelo e sem evitar o passe para Bolasie, o qual rematou fraco e à figura. Massacrado pelos adversários, ao ponto de Gabriel ser amarelado por atingir o capitão leonino numas coordenadas que podem pôr em causa que a sua filha venha a ter irmãos, Bruno Fernandes voltou a demonstrar uma classe que não se encontra todos os dias, todos os anos ou todas as décadas. Se com ele na equipa já o Sporting estava à beira do abismo, a sua saída pode ser o passo em frente.

 

Rafael Camacho (3,0)

O excesso de pontaria que demonstrou ao rematar ao poste, engrossando as sobrenaturais estatísticas do Sporting nesta temporada, após aproveitar o passe longo de Bruno Fernandes e os pés de barro de um central com nome de Ferro, impediu que o Sporting fizesse o improvável. Também não teve sorte num cabeceamento que Vlachodimos conseguiu rechaçar, mas a verdade é que foi o único elemento do ataque à altura do emblema que trazia ao peito, conseguindo participar na construção de jogadas e tendo pés dotados o suficiente para driblar os adversários que foi encontrando pela frente. Espera-se que ganhe confiança e músculo, pois a partir daqui tudo se tornará ainda mais complicado.

 

Bolasie (2,0)

Ninguém lhe pode negar vontade e coragem, embora a sua “famosa” finta raras vezes engane alguém e o domínio de bola explique o ponto em que se encontra a sua carreira à entrada dos 30 anos. Tivesse tanto jeito para acertar com a bola na baliza quanto tem para produzir vídeos motivacionais e o Sporting estaria numa posição muito menos desesperada.

 

Luiz Phellype (1,0)

Teve concorrência de monta na luta pelo posto de pior em campo, mas sobressaiu pela forma como fez anular o golo de Acuña e teve de contar com a complacência de Hugo Miguel e de Jorge Sousa para que o seu amarelo nao assumisse outras cores. Perdido no relvado e fora de sintonia com os colegas, primou quase sempre por uma atitude indolente que reflecte o mau momento de forma física e anímica de quem chegou a parecer uma opção válida para o ataque do Sporting no final da época passada. A este não foi preciso que Ruben Dias desse um “abraço” na grande área...

 

Gonzalo Plata (1,0)

Desperdiçou os minutos que lhe deram, sendo incapaz de fazer melhor do que, mal ou bem, Bolasie ia tentando fazer.

 

Pedro Mendes (1,0)

Talvez seja de o testar em melhores circunstâncias, não?

 

Borja (1,5)

Entrou já depois dos 90 minutos para que Acuña pudesse subir no terreno. Cumpriu, como cumprira em Setúbal, e voltará a poder cumprir no próximo jogo, pois Acuña fica de fora devido ao cartão amarelo que viu em Alvalade.

 

Silas (1,5)

A insistência em Idrissa Doumbia perante a evidente inadequação do jovem para a tarefa que lhe era pedida, deixando Battaglia sentado no banco, é o melhor retrato da intervenção do treinador em mais um "derby" do nosso descontentamento. Ainda que o resultado tenha estado quase a ser positivo, ainda que algumas das melhores oportunidades tenham pertencido aos leões, a verdade é que o Sporting atravessou largos períodos de marasmo e de domínio benfiquista, demonstrou uma incapacidade de construção aterradora e tornou evidente que o pior ainda estará a caminho. Por muito que seja um profissional digno de respeito, Silas só não é o elemento menos capacitado para as funções que desempenha no Sporting porque o plantel profissional está cravejado de calamidades e a tribuna presidencial ainda é pior.

Bom seria que no Outono estivesse em Pequim

Às segundas, quartas e sexta garante desejar paz no futebol e união no Sporting, às terças, quintas e sábados revela-se um Instigador de ódio e promotor de discórdias internas que só servem para esconder os seus inúmeros e sucessivos erros. Manso com quem manda no futebol português, ameaça arrancar cabeças a dirigentes do Vitória de Setúbal (pelo menos assim terá sucedido, tal como Sidónio haverá dito “morro bem” na Estação do Rossio). Não ter contribuído com o meu voto para que isto esteja a suceder ao meu clube em nada me alivia...

Se ele não existisse teria de ser inventado, não pelos mesmos demiurgos que criaram a sua candidatura, mas por alguém com outra qualidade criativa e literária. Talvez o saudoso Boris Vian, especialista em arrancar partes do corpo humano e autor de um romance que não se passa nem no Outono nem em Pequim. Tal como, na espuma dos dias de um verde tão desbotado quanto o das bandeirinhas de plástico espalhadas pelas bancadas na tarde do clássico, muitas vezes parece que o Sporting deixou de estar lá e, infelizmente, que os sportinguistas e o sportinguismo também se encontram em parte incerta.

Armas e viscondes assinalados: Um vírus destinado a surtir efeito na noite de sexta-feira

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 3

Liga NOS - 16.ª Jornada

11 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (1,5)

O remate saiu forte mas de tal forma à figura que não há forma de o catalogar sem recorrer a metáforas galináceas. A abordagem extremamente deficiente ao lance que causou calafrios aos adeptos leoninos foi, no entanto, apenas um dos pontos negativos de uma exibição em que o jovem guarda-redes andou literalmente aos papéis nas raras ocasiões em que os adversários se acercavam dele e primou pela falta de critério nas reposições de bola.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio ficou ligado ao resultado com um cruzamento fulgurante que, à falta de maior acerto por parte dos colegas, acabou desviado para a baliza por um defesa do Vitória de Setúbal. Mas não só. Presente tanto na defesa como no apoio ao ataque, tem como única mancha a incapacidade de evitar, atrapalhado por Bolasie, que um adversário fosse na direcção de Coates. E o resto é história.

 

Coates (2,5)

Tinha como única missão evitar que algum adversário se aproximasse de si, o que resultaria no inevitável cartão amarelo com que o previsível Tiago Martins o afastaria do derby da noite da próxima sexta-feira. Conseguiu ser afastado do Sporting-Benfica sem cometer nenhuma falta, e muita falta fará num jogo em que os seus cortes pela relva e pelo ar poderiam pôr em causa o guião do desfecho da Liga NOS previamente aprovado em comité.

 

Mathieu (2,5)

Pareceu contaminado com o vírus gripal que supostamente dizimou o plantel dos sadinos ao dar o toque na bola que a deixou nos pés do marcador do 1-2. Tirando esse momento de desnorte foi mais uma noite à grande e à francesa de um veterano tão indestrutível que decerto poderá tentar fazer resultar a dupla com Tiago Ilori que a arbitragem lhe impôs para a próxima sexta-feira.

 

Borja (3,0)

Destacou-se na primeira parte pela forma como se integrou no ataque, auxiliado pela presença de Bruno Fernandes no flanco esquerdo, e pelo acerto na cobertura defensiva. Sendo certo que só foi titular para evitar que Tiago Martins conseguisse o pleno e afastasse também Acuña do derby, o colombiano fez dos melhores jogos ao serviço do Sporting, pertencendo-lhe a antecipação que iniciou o contra-ataque terminado no 1-3.

 

Battaglia (3,0)

Continua a parecer algo preso de movimentos, e aquém daquilo que conseguia fazer antes das graves lesões que travaram a sua afirmação na selecção argentina. Ainda assim, primou pela leitura de jogo e fez circular a bola com muito melhor critério do que consegue o castigado Idrissa Doumbia. Sem falar na assinalável quantidade de cortes e de recuperações de bola.

 

Wendel (2,5)

A forma como comemorou o lance do primeiro golo fez desconfiar que teria sido ele a desviar o cruzamento de Ristovski, mas não passou da expressão de vontade de não deixar que a visita aos engripados de Setúbal corresse ainda pior ao Sporting. Muito mexido na primeira parte, na qual foi derrubado dentro da grande área sem que isso perturbasse um dos maiores artistas que algum dia enfiaram um apito na boca, perdeu gás no segundo tempo e adiou a tranquilidade no marcador ao fazer um (mau) passe para Vietto quando estava em posição de alvejar a baliza vitoriana.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Limitado pelo posicionamento à esquerda e pela carta branca que Tiago Martins concedeu aos jogadores do Vitória de Setúbal para testarem a consistência dos ossos das suas pernas, o capitão respondeu com intervenções como a jogada em que se isolou e foi agarrado de forma tão flagrante pelo defesa apanhado em contramão que nem um exímio desnivelador de campos pôde ignorar o pénalti que cobrou logo de seguida. Mesmo sem estar ao melhor nível, e de ter chegado a dar mostras de estar lesionado, não terminou o jogo sem bisar, concluindo um contra-ataque bem conduzido por Rafael Camacho. Espera-se que tenha guardado algumas munições para um dos seus “clientes” favoritos se até sexta-feira ainda não tiver sido despachado para Manchester, num daqueles negócios que envolvem pagamentos de supostas dívidas a Jorge Mendes e verbas destinadas a pagar protocolos de expansão da marca do Sporting na Polinésia Francesa.

 

Vietto (2,5)

Saiu lesionado num lance em que talvez tenha sofrido grande penalidade, vendo-se quase de certeza afastado do Sporting-Benfica. Encarregue durante a primeira parte de fazer as vezes de Bruno Fernandes, algo que infelizmente talvez se venha a tornar um hábito, voltou a demonstrar mais jeito para construir jogadas do que para fazer aquele detalhe que fica bem aos avançados, sejam ou não móveis.

 

Bolasie (2,5)

A excelente abertura para Ristovski foi a coroa de glória de uma exibição mexida do franco-congolês, igualmente considerado alvo a abater pelos engripados adversários. Pelo menos desta vez não foi expulso por agressões fictícias.

 

Luiz Phellype (1,5)

O cartão amarelo que lhe ofertaram logo no início do jogo, honra que na época passada foi reservada a Tiago Ilori por ter ousado tocar em João Félix, toldou os movimentos e as ideias de um avançado que também já deve ter reparado nas manchetes que atiram Sporar à cara dos sportinguistas. Foi de uma nulidade absoluta que causa calafrios a quem tenha reparado no calendário que a equipa terá nas próximas semanas.

 

Rafael Camacho (3,0)

Entrou para o lugar do lesionado Vietto e estreou-se com um bom remate cruzado após uma incursão pela esquerda, batalhando numa fase B da equipa que poderia ter acabado com mais uma humilhação. E teve a melhor recompensa para o seu esforço ao ficar ligado ao resultado final, servindo de bandeja o 1-3 a Bruno Fernandes.

 

Pedro Mendes (2,0)

A estreia na Liga NOS do avançado finalmente inscrito poderia ter sido doce caso tivesse acertado na bola ao executar um remate acrobático na grande área do Vitória de Setúbal. Mas nada melhor conseguiu do que sacar um cartão amarelo e meter a defesa contrária em respeito devido ao poderio físico.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Andou pelo campo uns quantos minutos. Ameaça voltar a repetir esse padrão em jogos vindouros.

 

Silas (2,5)

Quando se viu a ganhar por dois golos de diferença, apesar da presença de Tiago Martins, deveria ter pensado: será mesmo boa ideia deixar em campo um dos meus melhores jogadores, sendo que ele está mesmo à calha para ver o amarelo que o deixará de fora no próximo jogo, que até é contra uma equipa cujo vírus não é propriamente o da gripe? Pois que Silas não pensou nisso, apesar de ter deixado Acuña de fora, e também não é crível que seja capaz de arriscar um golpe de asa como lançar Eduardo Quaresma contra o Benfica. Mas também há que reconhecer que o treinador leonino está longe de ser o mais culpado num cenário que tem tudo para agravar-se nos próximos dias, caso se confirme a saída de Bruno Fernandes, o que forçará uma reconstituição do plantel executada por mentes que até agora deram provas de serem perigosas ao ponto de deverem ser banidas do site Transfermarkt.de.    Quanto a Silas propriamente dito, e ao jogo em apreço, lamenta-se que continue a demorar demasiado a reagir quando o paradigma do jogo muda. Só o desacerto de Guedes na recarga ao seu cabeceamento que embateu na trave impediu o Vitória de Setúbal de chegar ao empate.

Armas e viscondes assinalados: A vida tal como ela é

Sporting 1 - FC Porto 2

Liga NOS - 15.ª Jornada

5 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,5)

Certamente não estaria à espera de um início digno de pesadelo, com um golo sofrido a frio num lance em que mais valeria ter ficado na baliza e recolher calmamente a bola controlada em esforço por Marega. Sendo certo que pouco mais fez até observar a bola alojar-se nas redes para o tardio duche de água fria do 1-2, limitando-se a demonstrar que precisa de treinar os pontapés longos, redimiu-se nos últimos minutos, evitando que o resultado final fosse ainda mais injusto do que a vida tende a ser para os sportinguistas. A uma excelente mancha que o deixou combalido, pois o joelho do avançado portista que seguia para a baliza embateu no seu queixo, seguiu-se uma palmada que desviou um remate rasteiro em zona frontal. Melhores dias virão para um jovem cheio de talento.

Ristovski (2,0)

Manchado pelo segundo de atraso com que reagiu à diagonal de Marega, tentou controlar as investidas do ataque portista e potenciar o ataque leonino. Sem grandes resultados, ainda que também nada de especialmente bom tenha resultado da sua substituição.

Coates (3,0)

Merecia que aquele seu cabeceamento enrolado valesse o empate à equipa que mais fez por vencer, mas o raio da vida é como é, pelo que a bola embateu do lado cimeiro da trave. Apesar de ser co-responsável pelo primeiro golo do FC Porto, e de não ter conseguido evitar o cabeceamento de Soares, remou contra a maré, como sempre, não hesitando em substituir-se a colegas mais talentosos na construção de jogadas.

Mathieu (3,0)

Outro bravo do pelotão, capaz de encontrar forças onde outros só gritariam de desespero. Uma das raras unanimidades que subsistem nas bancadas balcanizadas de Alvalade é a reacção nos momentos em que o francês pega na bola e convida-a para uma “promenade” no meio-campo do adversário.

Acuña (4,0)

Além daquilo que só pode ser descrito como uma tentativa de furar redes, com golo do empate à mistura, numa jogada de contra-ataque iniciada pela sua disponibilidade para reagir antes dos adversários? Mais de 90 minutos daquela raça que nunca se vergará, municiando os colegas com cruzamentos sucessivamente desperdiçados e impedindo os adversários de garantirem mais cedo que terminaria naquela tarde de domingo a tradição de saírem de Alvalade sem três pontos. Tivesse ficado mais uma meia-dúzia como ele e a mesma gerência que pondera transferi-lo por dois ou três dostilhões até seria capaz de ficar ligada ao fim do jejum.

Idrissa Doumbia (3,0)

Outro que merecia melhor do que o lance em que, no meio do caos instalado na grande área leonina, foi incapaz de impedir que Soares se elevasse o bastante para desviar a bola para a baliza. Por muito que o jovem médio resgatado à Tchechénia não seja um bafejado pelos deuses do futebol, o muito trabalho que está disposto a fazer vai contrabalançando as limitações de que padece. Assim foi no clássico de Alvalade, sucedendo-se intervenções acima das expectativas, incluindo o derrube de Danilo quando este se encaminhava para a baliza que lhe valeu um amarelo que o põe de fora da deslocação a Setúbal. Mas na hora fatídica permitiu o 1-2, sendo recompensado com a saída de campo na hora do tudo por tudo.

Wendel (3,0)

Incansável operário do meio-campo leonino, contribuiu para que o FC Porto deixasse a equipa da casa mais sossegada do que o resultado final permitirá adivinhar. Beneficiaria, no entanto, de ter maior liberdade para aparecer na carreira de tiro.

Bruno Fernandes (2,5)

A incapacidade de marcar golos ao FC Porto foi a única tradição que saiu reforçada no clássico, ainda que o capitão tenha rematado sempre que teve oportunidade. Vigiado de perto pelos adversários, cedeu protagonismo a Acuña e Vietto e quando deu por si já estava amarelado por protestos, tendo desde então o cuidado de evitar que Jorge Sousa voltasse a expulsá-lo como fez no Bessa. Ainda ameaçou o golo num livre directo, marcado de muito longe, mas terminou o jogo quase como médio defensivo. Foi uma oportunidade desperdiçada de dar algum sentido à temporada do Sporting e, de igual forma, de dar sentido à permanência do melhor jogador português a jogar em Portugal.

Vietto (2,5)

Só a assistência para o golo de Acuña faz o possível por compensar minimamente o festival de desperdício de golos que Vietto ofereceu aos adeptos que não deixaram milhares de lugares ocupados apenas pelas bandeirinhas de plástico verde desbotado que roubaram ainda mais sonhos de infância a Greta Thunberg. Sendo lamentável o excesso de pontaria que o levou a golpear o poste no lance em que o bombeiro entrou no relvado para retirar uma tocha, lances como aquele em que rematou ao lado após ser isolado por Luiz Phellype dão razão a quem encara a “falta de golo” do argentino como uma verdade absoluta que explica a inclusão de metade dos seus direitos desportivos no negócio que legitimou a presença de Gelson Martins no Atlético de Madrid como primeira voltinha no carrossel.

Bolasie (2,0)

Movimenta-se como um comboio desgovernado e na maioria das ocasiões prima pela coerência com tal característica. Poderia ter ficado ligado ao resultado se Jorge Sousa assinalasse pénalti num lance em que foi derrubado na grande área, mas a vida é como é. Sem fazer melhor uso da velocidade do que um amarelo atribuído a quem o travou num contra-ataque, teve a parca compensação de ser substituído, já com o jogo a acabar, por alguém que fez manifestamente pior.

Luiz Phellype (3,0)

Incluído numa equipa montada para jogar apesar da sua presença, mostrou-se decisivo no lance do golo do Sporting, ainda que tenha demorado instantes a acreditar que não se encontrava em posição irregular, e na segunda parte ofereceu um golo que Vietto se encarregou de esfumar. Já naquilo que os avançados-centro costumam fazer foi bastante menos eficaz, ao contrário dos homólogos vestidos de azul e branco.

Rafael Camacho (2,0)

Lançado por Silas como lateral-direito ofensivo, na hora do desespero, não conseguiu repetir a receita do jogo de Portimão.

Gonzalo Plata (1,5)

Algumas perdas de bola e pouco discernimento.

Jesé Rodríguez (0,5)

O “ponta de lança móvel” descoberto pelo inventor de novos paradigmas do futebol moderno destacou-se pela quantidade de quezílias em que se envolveu em pouquíssimos minutos. Na véspera, o finalmente inscrito na Liga Pedro Mendes deu a vitória aos sub-23 com um golo no coração da área. Como diria o outro, isto anda tudo ligado.

Silas (2,5)

Viu a estratégia desfeita pelo golo madrugador do FC Porto, marcado quando as faixas a recordar glórias passadas do Sporting ainda não tinham sido recolhidas, toldando a visão do relvado aos resistentes à mancha de lugares vazios nos lugares mais elevados do estádio, numa excelente metáfora da incompetência e apatia que se generalizaram no reino do leão. Mesmo assim nada temeu, viu os seus jogadores tirarem partido das gritantes limitações da equipa da Sérgio Conceição e chegou a um empate que parecia prenúncio da vitória que teve todas as condições (menos a pontaria) para ocorrer na segunda parte. Ao ver-se a perder, contra a corrente do jogo, arriscou substituições que em nada melhoraram o desempenho do Sporting, abrindo caminho para minutos de domínio portista que poderiam agravar mais alguns recordes negativos. Começa 2020 a 16 pontos do líder, a 12 pontos do segundo lugar e apeado do pódio da Liga NOS. Também para ele a vida é o que é.

Seria mais do que merecido para as leoas

Dos três “jogos grandes” que o Sporting disputou neste primeiro domingo de 2020 foi a equipa feminina de futebol que conseguiu a vitória, com um trunfo por 2-4 na visita ao Sporting de Braga. Ficou praticamente selado o destino das campeãs em título, já com oito pontos de desvantagem para o Sporting, que consolidou a segunda posição, e ainda mais três para o Benfica, que soma por vitórias todos os jogos que disputou.

A capacidade de superação de atletas como a Nemena, a Ana Borges, a Raquel Fernandes, a Diana Silva, a Carolina Mendes, a Carole Costa, a Joana Marchão, a Tatiana Pinto e tantas outras grandes leoas deve forçosamente ser recompensada. Mesmo que não em dinheiro, certamente escasso apesar de ainda não ter sido desferida a temida estocada na aposta no desporto feminino, pelo menos em reconhecimento do clube que tão bem representam.

E que melhor forma de o fazer do que realizar no Estádio de Alvalade o Sporting-Benfica marcado para o fim-de-semana de 23 de Fevereiro? Embora seja assaz improvável que as leoas possam vencer as rivais por 4-0, o que lhes daria vantagem em caso de igualdade pontual, nunca se sabe se o Sporting de Braga comete uma gracinha e rouba dois ou três pontos às actuais líderes no jogo que ainda irão disputar. E, nesse caso, bastaria vencer o Benfica, sendo certo que mesmo nos tempos da RDA havia provas de atletismo que não vencidas pelas alemãs de Leste, pese embora o seu assinalável poderio físico.

Tendo em conta que a equipa masculina joga em casa para a Liga Europa na quinta-feira anterior, o que atirará a recepção ao Boavista para a noite de domingo, porque não marcar o Sporting-Benfica para a tarde de sábado, abrindo o jogo aos detentores de gameboxes que queiram demonstrar àquelas valentes futebolistas, dignas do respeito de todos os sportinguistas, que acreditamos nelas?

Até porque seria o mínimo que a atual gerência poderia fazer para homenagear aquele excelente grupo após a desconsideração de ter tomado posse à mesma hora a que a centenas de quilómetros a equipa feminina de futebol disputava a Supertaça que só perdeu com o Sporting de Braga nos pénaltis.

Recordo-me muito bem das lágrimas da Carlyn Baldwin ao ficar ligada à nossa derrota, ainda sem poder imaginar as provações que uma lesão terrível lhe iria trazer. Mas também vou acompanhando a forma como a nossa polivalente norte-americana vai sentindo a equipa e o clube, e a esperança em voltar a pisar relvados. Bem que poderia ser o relvado de Alvalade, daqui a pouco mais de um mês e meio.

Chamem a polícia

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Tem de ser a PSP a dizer o óbvio: a estratégia que só com infinita boa vontade se pode chamar desastrada de tornar menos vazias as bancadas de Alvalade nos jogos grandes do início de 2020 foi feita a régua e esquadro para embolsar uns punhados de euros com o entusiasmo dos adeptos benfiquistas, mesmo que à custa do apoio que a rapaziada ouçam lá o que vos digo deveria receber das bancadas.

Quem fica muito incomodado com o “joguem à bola” e com o “varandas, o que é que fazes aqui” ficará descansado.

No domingo pode até ser que não se note muito, pois a dragonagem entra em Alvalade sempre com medo de tropeçar na casca de banana que insiste em meter-se debaixo dos seus pés, mas suspeito que testemunharei numa noite de sexta-feira pouco distante um coro de “glorioso sêlêbê” no coração do estádio escancarado por um burro que talvez nem seja oriundo de uma estância balnear próxima de Setúbal, embora já tenha trabalhado na cidade banhada pelo Sado antes de ser eleito por masoquistas.

Armas e viscondes assinalados: Foram realistas e exigiram de si próprios o impossível

Portimonense 2 - Sporting 4

Taça da Liga - Fase de Grupos 3.ª Jornada

21 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Ainda mal o jogo começara e já tinha desviado para canto um remate perigoso de Jackson Martínez, voltando a distinguir-se com uma defesa de recurso que, infelizmente, inspirou Rafael Camacho a cometer grande penalidade. Adivinhou o lado para onde o avançado colombiano iria marcar, mas nada pôde fazer, tal como no autogolo de Mathieu, não obstante a tentativa de golpear os seus rins. Tudo parecia apontado para mais uma das recorrentes humilhações que polvilham a temporada do Sporting, mas o jovem guarda-redes entendeu que não seria esse o dia. Uma excelente defesa no início da segunda parte, quando o 3-1 parecia inevitável, deu impulso para a improvável recuperação que abriu portas à terceira “final four” da Taça da Liga. Segurança e maturidade são os nomes do meio de quem promete tornar-se uma lenda.

Ristovski (3,0)

Chegou atrasado no lance do 2-0, claro está, mas nem por isso deixou de mostrar que é muito superior ao outro lateral-direito do plantel. Ainda que aquilo que sucedeu após ter saído do relvado, sacrificado para a aposta total no ataque, mostre que poderá encontrar forte concorrência de onde já não se adivinhava.

Coates (3,5)

Foi como se fosse um Maradona tão desengonçado como bafejado pelos deuses do futebol que irrompeu pelo meio-campo do Portimonense, ainda com o resultado em 2-1, ludibriou vários adversários e serviu Vietto, capaz de falhar o que era mais fácil. O compromisso do subcapitão não rendeu golo nesse momento, ainda que se possa tecnicamente atribuir-lhe uma assistência diferida pela forma como descobriu Rafael Camacho na direita no lance que selou o empate. Também teve erros e perdas de bola escusadas, mas voltou a encher o relvado com a sua exibição.

Mathieu (3,0)

Desta vez coube-lhe preencher a quota de autogolos que fazem parte das habituais desgraças que recaem sobre o Sporting, o que bastaria para fazer cair um francês mais dado a rendições. Em vez disso, sendo Mathieu quem é, dedicou-se a fazer cortes que valem pontos, um dos quais ainda roubou literalmente o golo da cabeça de um adversário.

Acuña (3,0)

A primeira, a segunda e a terceira regra do seu clube coincidem: ninguém lhe tira a bola dos pés. Utilizou esse poder de forma mais decisiva a defender do que a atacar, mas também contribuiu na ala esquerda para fazer com que a inferioridade numérica se reduzisse a um detalhe estatístico ao longo da segunda parte.

Idrissa Doumbia (3,0)

É possível que a presença de Battaglia no banco de suplentes sirva de incentivo para melhorar a sua presença no relvado. Desta vez revelou-se mais interventivo do que é habitual na construção de jogadas, acabando por ser alvo de faltas duras ao driblar adversários. Sacrificado na hora do tudo por tudo, voltou a deixar boa imagem.

Wendel (3,0)

Tão discreto quanto influente, o jovem brasileiro continua a dar mostras de grande amadurecimento táctico. Excelente posicionamento, qualidade na circulação de bola e muito esforço ajudaram a levar a equipa para a frente até receber merecido descanso para a entrada de Battaglia.

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por deixar Bolasie na cara do golo, sem que o franco-congolês lograsse ludibriar o guarda-redes do Portimonense, mas quando o resultado já ia em 2-0 e o Sporting parecia dispensado do compromisso em Braga no final de Janeiro, traçou o 2-1 executado por Vietto como se tivesse um compasso na chuteira. E como se fosse fácil seria para outros liderou a resistência leonina no segundo tempo, correndo mais do que permitia a força humana, somando uma nova assistência, daquelas que só ele poderia fazer tão bem e depressa, para a reviravolta no resultado. O abraço que deu e recebeu a Gonzalo Plata, a quem corrigira movimentos minutos antes, como um líder e como um mestre, ilustra a insubstituível importância que tem na equipa. Pena é que o rumo ao “tri” ocorra na menos festejada de todas as competições.

Rafael Camacho (3,5)

Tendo em conta que começou por fazer o tipo de pénalti que seria assinalado mesmo que vestisse de papoila saltitante no Estádio da Luz, arrastando a equipa para o desastre iminente, dificilmente poderia ter corrido melhor o jogo ao resgatado ao Liverpool. Mas é curioso que o melhor de Rafael Camacho tenha ocorrido quando passou a lateral-direito com jurisdição alargada à ala inteira, justamente aquela posição em que Klopp, que mais ou menos à mesma hora disputava o Mundial de Clubes contra o Flamengo de Jorge Jesus, tanto o quis experimentar. Certo é que o lance do 2-2, com movimentos momentaneamente perpétuos dentro da grande área do Portimonense a antecederem o remate em arco, foi a demonstração mais perfeita do que deve sair dos pés de um camisola 7 que o Sporting viu em muitos e muitos anos.

Vietto (3,5)

Depois da elevação que conseguiu para cabecear o cruzamento de Bruno Fernandes seria de esperar que conseguisse bisar após ver-se servido por Coates em posição frontal para a baliza. Assim não foi, prolongando o sufoco de uma equipa que se dava ao luxo de desperdiçar golos feitos estando a correr atrás do prejuízo e com menos um em campo. Certo é que o argentino se redimiu da falta de pontaria nessa (a bem dizer, não só nessa) ocasião e ainda fez a assistência para o 2-4 que confirmou o bilhete dourado para Braga, carimbado com a vitória do Gil Vicente sobre o Rio Ave.

Bolasie (2,5)

Vítima da expulsão mais ridícula de um futebolista do Sporting desde que Ristovski viu o vermelho directo por ter sido agredido, há que valorizar a contenção demonstrada pelo franco-congolês perante a sabujice do árbitro João “I Want to Believe” e a vergonhosa pantominice do “agredido” do Portimonense. Escolhido para ponta de lança móvel devido aos problemas gástricos de Luiz Phellype e ao nascimento de mais um filho de Jesé Rodríguez – capaz de competir com o ex-colega de equipa Cristiano Ronaldo no que toca à prole –, Bolasie estava preparado para lutar até ao limite das suas limitadas capacidades, ainda que tenha permitido a defesa ao ver-se isolado frente ao guarda-redes. Talvez pudesse redimir-se do falhanço não fosse a tal expulsão que o motivou a descarregar no Twitter.

Luiz Phellype (3,5)

Poupado para os últimos vinte minutos de jogo devido aos efeitos de uma gastroenterite, o brasileiro ainda lançou o contra-ataque que permitiu a reviravolta e fez um grande golo, tranquilizando a equipa em tudo o que estava ao seu alcance. Desferiu um remate na passada, sem dar hipóteses ao guarda-redes, quase como se fosse o goleador de nível mundial que nada permite garantir que virá a ser.

Gonzalo Plata (3,5)

O jovem extremo equatoriano entrou sem instruções para ficar colado à linha, tornando-se um apoio para o ponta de lança. Nem sequer acertou à primeira, o que motivou uma palestra instantânea do treinador-em-campo, mas no lance do 2-3 não só contribuiu para que o Portimonense perdesse a posse de bola (numa acção quase decerto faltosa, há que reconhecer...) como finalizou de forma simples e perfeita o contra-ataque. Começava a parecer esquecido no plantel, mas terá feito com que se lembrem dele.

Battaglia (2,5)

Entrou para recompor o meio-campo defensivo e cumpriu com a missão. É bom vê-lo a reconquistar o seu espaço na equipa.

Silas (4,0)

Capaz do bom e do muito mau, o treinador leonino não menosprezou as escassas hipóteses de qualificação. Tudo jogava a favor da vitória do Rio Ave no grupo, mas a incapacidade dos vilacondenses e a desgraça que o azar, o destino e o Pinheiro iam fazendo no Algarve encaminhavam o Portimonense para a “final four”. Aquilo que mudou na segunda parte, com os jogadores a serem realistas ao ponto de exigirem o impossível, teve muito de raça da rapaziada de leão ao peito mas também houve dedo do treinador. Ultrapassado o primeiro embate da equipa que tinha vantagem no marcador e na contagem de cabeças, Silas começou a alterar as circunstâncias com substituições arriscadas e apropriadas a quem nada tinha a perder. Espera-se que retenha a boa experiência de Rafael Camacho a lateral e de Gonzalo Plata como segundo avançado. E que goze bem as férias de Natal, ciente de que Janeiro é o tipo de pesadelo em potência que só muito trabalho e engenho poderão transformar na matéria de que os sonhos são feitos.

Armas e viscondes assinalados: Cabazada de Natal para esquecer os tempos de crise

Santa Clara 0 - Sporting 4

Liga NOS - 14.ª Jornada

16 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,0)

Perante um adversário que foi dominado desde o início do jogo bastou-lhe estar atento e disponível  para resolver as escassas ocorrências que iam aparecendo. E ainda teve a sorte de o árbitro Manuel Mota ter tanto amor às vitrinas dos talhos que anulou um golo ao Santa Clara, num livre directo cobrado com mestria, devido a uma irregularidade existente mas que poderia ter passado despercebida.

Ristovski (4,0)

Exibição portentosa do macedónio, disposto a fazer esquecer uma temporada em que lhe bastava respirar para ver o cartão vermelho. Não só controlou as investidas açorianas pela sua ala como esticou o motor de arranque do ataque leonino, com consequências que só não foram ainda melhores devido ao desacerto dos avançados. A assistência para o segundo golo de Luiz Phellype é só um dos muitos motivos que aconselham descanso ao milionário reforço francês que compete consigo pela titularidade.

Coates (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu foi um mal menor tendo em conta que impediu um contra-ataque perigoso (apesar de o destino do jogo estar mais do que selado). E não deixa de ser bonito que haja um jogo em que não é chamado a fazer de “stand-in” do saudoso Bas Dost na hora do desespero.

Mathieu (3,0)

Pois que cometeu o erro que resultou num amarelo para Coates e no livre directo que Manuel Mota impediu de ser o tento de honra dos açorianos. Mas ninguém (tirando Bruno Fernandes) ali seria capaz de fazer a abertura para Ristovski que resultou no 0-2. Mantenham-lhe o emprego, que para nós é um sossego.

Acuña (3,5)

Tinha pela frente o irrequieto Ukra, que é o mais próximo que o futebol nacional tem de um Joker, o que fazia adivinhar faíscas. Em vez disso, o argentino conteve-se, conteve-lhe os movimentos e integrou-se com bons resultados nas manobras ofensivas que resultaram em goleada.

Idrissa Doumbia (3,0)

Sempre esforçado e quase sempre insuficiente para o que se exige a um titular do Sporting, pouco ou nada comprometeu e evitou o amarelo que o deixaria de fora da recepção ao FC Porto, a abrir o próximo ano. Mas há que destacar a melhoria verificada quando Battaglia regressou aos relvados.

Wendel (3,0)

Já dizia um francês mais velho do que Mathieu que o importante é competir. Talvez assim seja, e o internacional pela selecção olímpica do Brasil muito o fez, sem ficar directamente ligado ao resultado. E a forma que ajudou o meio-campo a mexer tornou-se ainda mais flagrante quando teve direito a descanso e foi substituído pelo compatriota Eduardo Henrique.

Bruno Fernandes (3,5)

Afortunados são os sportinguistas nos jogos em que tudo corre bem mesmo sem que o capitão se destaque dos demais. Mais um golo de pénalti, com o guarda-redes a revelar-se conformado com o destino ao ponto de não se lançar para nenhum lado, e mais uma assistência, num canto desviado pela nuca de Bolasie, elevaram as suas estatísticas para uma centena de participações directas em golos do Sporting. E ainda melhor poderia ter sido o rescaldo da viagem se os colegas aproveitassem melhor os cruzamentos teleguiados e tivesse concluído melhor uma bela combinação com Vietto.

Vietto (3,5)

Só faltou mesmo o golo ao argentino, que não deu o seu melhor ao ver-se colocado frente à baliza pelo insuspeito Jesé Rodríguez. O mesmo não se pode dizer da forma como fez uma assistência para desbloquear o marcador à prova de falhanço de Luiz Phellype e das excelentes combinações com Bruno Fernandes.

Bolasie (3,5)

Que jogão teria feito o franco-congolês não fosse o crime de lesa-futebol que protagonizou na primeira parte, cabeceando de frente para à baliza de uma forma que noutras modalidades daria direito à perda de pontos por falha técnica. Redimiu-se à terceira tentativa, por muito que o desvio de cabeça para o fundo das redes no lance do 0-3 aparente ter sido inadvertido. E, sem medo de partir para cima dos adversários em drible – não obstante a reduzida taxa de sucesso em tais iniciativas –, ajudou a fechar o marcador com uma arrancada em que só o conseguiram travar com uma falta dentro da grande área. De longe o melhor dos três reforços de fecho de mercado, merece respeito por um empenho que por vezes compensa as limitações de quem dificilmente melhorará nesta fase da carreira.

Luiz Phellype (3,5)

Bisou na partida, confirmando o bom momento que atravessa, mas ficou a dever a si mesmo outros tantos golos. A abordagem aos lances está quase sempre longe dos padrões de um avançado titular – excepção feita ao lance do 0-2 –, o que não invalida que o brasileiro mantenha uma das melhores relações custo-benefício do plantel leonino.

Battaglia (3,0)

Vê-lo entrar em campo foi uma dupla alegria para os adeptos, que não só ficaram felizes com a superação do ciclo de lesões graves que afectaram o argentino como puderam constatar o quanto melhora o meio-campo com a sua qualidade técnica e inteligência táctica.

Jesé Rodríguez (2,5)

Quis o destino que o seu melhor momento, desenvencilhando-se de uma série de adversários à entrada da grande área do Santa Clara, não tivesse o melhor seguimento por parte de Vietto. Lançado no jogo com o resultado feito, o espanhol em nada comprometeu.

Eduardo (1,5)

Os minutos que jogou, felizmente poucos, confirmaram o estatuto de maior incógnita do plantel leonino.

Silas (3,5)

Ainda teve tempo para fazer caretas quando os avançados insistiam em não concretizar as oportunidades de golo decorrentes do intenso domínio e dos bons cruzamentos de Ristovski e Bruno Fernandes. Construiu a própria sorte ao apostar nos melhores que tem à disposição e viu o Sporting fazer uma das suas melhores exibições e subir ao lugar do pódio que é realista ambicionar. Se no sábado vencer o Portimonense e tiver sorte no outro jogo do grupo, conseguindo o improvável acesso à “final four” da Taça da Liga, ganhará uns quantos dias de direito ao esquecimento dos seus muitos erros até ao possível vale das trevas da morte que o calendário lhe oferece no início de 2020.

Armas e viscondes assinalados: Foram à Áustria, levaram valsa e caíram no tanque dos tubarões

LASK Linz 3 - Sporting 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

12 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (1,0)

Inaceitável e indigna do profissional limitado mas competente que já demonstrou ser é a forma mais leve de qualificar a abordagem ao lance em que cometeu pénalti e foi expulso, com inteira justiça, pois derrubou o adversário que ficaria isolado frente à baliza. Até então não tivera ocasião de justificar o regresso à titularidade, pouco podendo fazer no lance do 1-0. Sendo certo que deixou a equipa com menos um e, na prática, com dois golos de desvantagem, é natural que muitos queiram vê-lo coberto de alcatrão e penas, mas há que reconhecer que não é o único culpado.

Rosier (1,5)

“Esteve” nos lances dos dois primeiros golos ao isentar-se de cobrir adversários directos que cabecearam para golo ou foram derrubados por Renan. Igualmente permeável a defender junto à linha, esteve menos mau no recurso à velocidade para tentar lançar as raríssimas jogadas de um Sporting que parecia empenhado em desprestigiar-se.

Coates (3,0)

Único dos quatro futebolistas acima de qualquer suspeita que restam no plantel chamado a jogo (Acuña ficou no banco, Mathieu foi resguardado para a visita ao Santa Clara e Bruno Fernandes cumpriu castigo), o uruguaio tentou manter os mãos no leme enquanto o navio naufragava. Decerto que sem ele teria sido pior, pese embora a incapacidade de evitar o 3-0 que antecedeu o apito final.

Tiago Ilori (2,5)

Muita boa gente, incluindo alguém que aparece no espelho quando o autor destas linhas faz a barba, preferiria que fosse Eduardo Quaresma a ser chamado para suprir a fadiga muscular de Mathieu e a hospitalização de Neto. Tal não sucedeu e o Sporting voltou a perder um jogo em que levou valsa do início ao fim. Convém, no entanto, reconhecer que Ilori teve pouca culpa, tendo cumprido no limite das suas capacidades. Na retina ficou um corte arriscado, ainda que providencial e feito com determinação, logo na primeira parte.

Borja (2,0)

Esforçou-se por cumprir os mínimos, numa tarefa complicada pela deriva experimentalista do treinador, nomeadamente na arrumação do flanco esquerdo. Esteve uns furos abaixo da exibição no jogo anterior, mas não comprometeu tanto quanto outros.

Rodrigo Fernandes (2,0)

A titularidade voltou a ser amarga para o promissor “made in Alcochete”. Estava a tentar ganhar o seu espaço no meio-campo do Sporting, com alguns erros à  mistura, quando a expulsão de Renan forçou que alguém saísse para voltar a haver guarda-redes na baliza.

Eduardo (1,5)

Chega a ser comovente observar como o brasileiro leva sempre o esforço demasiado longe, perdendo a bola depois de se desembaraçar de um ou dois adversários. Autor de um cruzamento dentro da grande área adversária que poderia ter rendido pontos noutra modalidade praticada em relvados que não o futebol, Eduardo tarda em provar que tenha qualidade mesmo para esta versão “redux” do Sporting que utiliza derrotas como resultados habituais.

Miguel Luís (2,0)

Mais uma oportunidade desperdiçada, reforçando a tendência negativa que aconselharia um empréstimo quanto antes ao jovem meio-campista a quem já apontaram o destino de ser o novo João Moutinho. Pouco conseguiu numa zona do terreno dominada pelos austríacos, e quando a bola lhe chegava aos pés não revelava engenho e arte bastantes para contrariar o destino.

Rafael Camacho (2,0)

Teve nos pés um 2-1 que poderia reanimar a equipa em busca do empate que chegaria para comandar o grupo, manter estatuto de cabeça de série nas eliminatórias e evitar a visita de um tubarão a Alvalade. Infelizmente perdeu ângulo após desviar-se do guarda-redes e rematou às malhas laterais. Num jogo em que serviu de “Joker” a Silas, tendo a liberdade de aparecer por onde queria, assinou um remate frouxo, denunciado e tristonho logo nos primeiros minutos. Talentoso e persistente quanto baste na circulação de bola, falta-lhe critério e qualidade de execução necessários para pôr fim à maldição da camisola 7. Acabou por terminar como uma espécie de avançado solto, mais ou menos como aquele moço trespassado para o Championship chamado Matheus Pereira, tirando a parte de marcar golos.

Pedro Mendes (2,5)

Condenado à irrelevância e à solidão no início do jogo, ao ser colocado como extremo, o que em tese seria como se Sérgio Sousa Pinto passasse para a bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, viu-se condenado à irrelevância e à solidão na segunda parte, ao ser colocado como avançado ligeiramente mais fixo e em constante inferioridade numérica. Mesmo assim lutou contra as circunstâncias e chegou a fazer uma assistência magistral a que Rafael Camacho não deu o devido seguimento.

Jesé Rodríguez (1,5)

Teve nos seus pés lentos e indecisos a hipótese de marcar o golo que daria alguma incerteza a uma derrota anunciada. Demorou o tempo suficiente para que um defesa se interpusesse entre bola e baliza, impedindo que a atribuição de nova titularidade ao espanhol tivesse alguma consequência positiva. No resto dos quarenta e tal minutos foi igual a si próprio, o que diz tudo.

Luís Maximiano (3,0)

Nem teve tempo para aquecer, mas quase conseguia defender o pénalti que ditou a sua entrada em campo. Havendo uma conjugação de factores capaz de resultar numa humilhação histórica ao nível do 7-1 desferido por outra equipa que fala alemão, coube a Maximiano dizer que não seria esse o dia. Fez uma série de defesas que mantiveram o resultado em níveis meramente maus e não merecia sofrer aquele terceiro golo.

Idrissa Doumbia (2,0)

O mesmo treinador que retirara Rodrigo Fernandes resolveu colocá-lo no início da segunda parte, procurando desfazer o desequilíbrio no meio-campo que criara minutos antes. E se é verdade que o LASK Linz não embalou para uma goleada, deu a impressão de estar quase sempre desenquadrado em relação às ocorrências, tal como toda a equipa.

Luiz Phellype (1,5)

Entrou tarde e sem esperança de alterar o rumo dos acontecimentos. Tal como Pedro Mendes, não fez nenhum remate, o que não é propriamente o melhor de cartão de visitas de um ponta-de-lança.

Silas (1,0)

A tenebrosa atitude com que encarou o sexto e último jogo da fase de grupos da Liga Europa diz muito sobre o treinador, a estrutura que o sustenta e a direcção que escolheu uns e outros. Estando o Sporting apurado, e bastando um empate para assegurar a liderança do grupo que livraria a equipa dos “tubarões” oriundos da Liga dos Campeões, Silas pareceu empenhado em oferecer aos adeptos uma “masterclass” da Ciência do Insucesso. Além da poupança de praticamente todos os titulares (sendo que alguns deles já não são de si cintilantes), resultando num meio-campo que não convenceria se o verde e branco das camisolas fosse o do Vitória de Setúbal, planeou um trio de ataque com uma lógica cifrada e intrigante ao ponto de passar por aleatória. O resultado de tudo isto foi o esperado, as substituições erráticas e a entrada de Luiz Phellype, quando a dinâmica do jogo pedia a velocidade de Bolasie – ou, eventualmente, uma oportunidade para Gonzalo Plata –, deveria dar origem a uma junta médica para avaliar o estado de saúde do treinador leonino. Se houver um único adepto confiante e ansioso por ver a equipa jogar contra o Santa Clara na próxima segunda-feira já será um milagre.

Armas e viscondes assinalados: Só houve música quando o francês lançou o LP

Sporting 1 - Moreirense 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

8 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Recuperou a titularidade, com alguma surpresa, e agarrou a oportunidade com as luvas. Sendo este o típico jogo em que o Sporting remata dezenas de vezes e acaba por sofrer golo num contra-ataque que gela as bancadas (tarefa cada vez mais fácil, tendo em conta os poucos mais de 25 mil presentes numa tarde de domingo e o divórcio entre os vários sectores), Max encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação. E a de Eduardo Quaresma, Rodrigo Fernandes e um ou outro jovem talentoso que a presente gerência ainda não tenha conseguido desbaratar.

Ristovski (3,0)

Sendo um lateral-direito de pendor ofensivo, a verdade é que se distinguiu sobretudo pelo bom trabalho a contrariar os velozes extremos dos visitantes. Devem-se-lhe belos cortes no coração da grande área, sendo muito mais eficaz a dobrar os centrais do que Rosier tem mostrado conseguir ser.

Neto (2,5)

O azar que persegue e esconde-se à espreita deste Sporting calhou, da pior forma, ao central português. Um choque com Luís Maximiano quando procurava alcançar um adversário em fuga resultou numa costela fracturada e num pneumotórax. Prevê-se uma longa paragem, retirando-o dos decisivos embates de Janeiro e colocando Tiago Ilori na rota de uma possível titularidade. Já ouviram falar de um moço chamado Eduardo Quaresma?...

Mathieu (4,0)

Prioridade para o planeamento da próxima temporada: convencer o central francês a adiar a reforma mais um ano. Antes da assistência para golo no cruzamento perfeito para Luiz Phellype, capaz de desbloquear o que começava a parecer um impasse, enviara um livre directo ao poste e servira na primeira parte Bruno Fernandes para um golo que não se concretizou. Mas ainda mais impressionante foi um corte que realizou na grande área, quando um avançado se esgueirava para aborrecer Luís Maximiano. Noventa e nove em cada cem centrais teriam cometido grande penalidade.

Borja (3,0)

Nunca 14 centímetros terão sido tão injustos (embora haja decerto quem possa discordar...) quanto aqueles que ditaram a posição irregular do colombiano na jogada em que recebeu o passe de Mathieu, ludibriou um adversário e cruzou para o golo anulado a Bolasie. Mas nem por isso se deixou abalar, embalando para uma das melhores exibições desde que chegou a Alvalade, tanto a defender como a auxiliar o ataque.

Idrissa Doumbia (3,5)

Exemplo acabado da tarde virada ao contrário vivida pelo Sporting foi o slalon realizado pelo jovem médio, capaz de ultrapassar adversários em drible como se fosse coisa que fizesse todos os dias. Ao nível demonstrado no domingo, com disponibilidade física e cultura táctica a compensar as limitações técnicas, haveria lugar para Idrissa num plantel leonino com maiores ambições do que os actuais. Veja-se a forma como ficou perto de contabilizar uma assistência para golo ao descobrir a cabeça de Bolasie.

Wendel (3,0)

Longe de deslumbrar, muito pelo contrário, pautou o jogo com a aura de quem sabe o que está a fazer. Mais do que um artista de rasgos, foi um homem da segurança, enchendo o meio-campo com a sua presença.

Bruno Fernandes (3,0)

Algum dia carregaria o fardo de não ter sido imprescindível, sendo assaz curioso que tal tenha sucedido logo após o treinador ter dito que a equipa é ele e mais dez. Além de uma quantidade anormal de passes falhados e combinações que não surtiram efeito também não teve mira afinada nas jogadas de perigo, mas além do eficaz trabalho a corrigir os erros dos colegas ainda assinou desmarcações que poderiam e deveriam ter sido bem melhor aproveitadas.

Vietto (2,5)

Outro que não teve engenho para ser decisivo, embora nada se lhe possa apontar no que toca a empenho. Convirá que assuma o jogo na quinta-feira, devido à ausência de Bruno Fernandes, pois o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa está garantido mas o Sporting precisa de pontos na UEFA como de pão para a boca.

Jesé Rodríguez (2,0)

Daquela hora em que ocupou espaço no relvado pouco mais ficou do que um remate em zona frontal travado pelo guarda-redes do Moreirense. Demasiado pesadão e não o suficientemente rápido, o espanhol tornou-se sempre presa fácil para os adversários.

Bolasie (3,0)

Além do golo que marcou à ponta de lança, tendo o infortúnio de o ver anulado pelos tais 14 centímetros de Borja, o franco-anglo-congolês testou os reflexos do guardião num remate de cabeça que levava selo de golo e de seguida manteve os laterais em sentido. Tendência que se manteve no segundo tempo, forçando um segundo amarelo que deu mais folga ao Sporting e cavalgando pelo meio-campo contrário, numa jogada individual a pedir Wagner como banda sonora em que o remate em forma de torpedo saiu muito perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

Coates (3,0)

Entrou muito cedo, substituindo o acidentado Neto, e foi igual a si próprio. Seguro nos cortes, ficou perto de marcar na outra baliza, num cabeceamento oportuno.

Luiz Phellype (3,0)

Fez o resultado e ganhou três pontos para o Sporting num lance em que, literalmente, voou como Jardel sobre os centrais. Tratando-se de um feito valoroso, bastante diferente do contributo deixado pelo espanhol que Frederico Varandas crê ser avançado-centro, não faz esquecer a legião de falhanços e indecisões que impediram Luiz Phellype de pôr os resistentes das bancadas a cantar o seu nome em várias outras ocasiões de perigo iminente.

Rafael Camacho (2,0)

Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Mais uma vez.

Silas (3,0)

Chegou a pensar que teria um jogo sossegado, vendo-se em vantagem quase desde o início, mas a actuação do videoárbitro anulou o golo madrugador de Bolasie e encerrou o Sporting em mais um labirinto com muitos remates, muita posse de bola e nenhum resultado concreto. Poderia ter colocado Luiz Phellype em campo mais cedo, claro está, o que não invalida que seja um dos triunfadores de uma jornada em que ganhou dois pontos ao FC Porto, três ao Famalicão, três ao Sporting de Braga e nenhum ao clube que está autorizado a marcar golos precedidos de falta atacante.

Armas e viscondes assinalados: “Fast-forward” para o minuto 88

Gil Vicente 0 - Sporting 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Acabou por ter uma noite de relativo sossego, apesar do lamentável e já expectável ascendente que os suplentes da equipa da casa chegaram a ter na primeira parte, e até foi o guarda-redes brasileiro a encarregar-se de arranjar calafrios, cabeceando à entrada da área uma bola directamente para os pés de um avançado do Gil Vicente que teve a infelicidade de sair do Seixal antes do complexo futebolístico-mediático encarregue de produzir “golden boys” estar devidamente oleado. Certo é que chegou ao apito final sem ir buscar a bola ao fundo das redes, o que por estes dias passa por ser um homem que mordeu o cão.

Ristovski (3,0)

É combativo, aparenta sentir o peso da camisola bem mais do que a média do plantel e não tem culpa de não haver um lateral-direito melhor do que ele, transformando-o naquilo que é: um profissional digno, com talento quanto baste, que dá o melhor que tem - e até aparenta ter abandonado a maré de azar e descontrolo que lhe valeu tantas expulsões na época passada.

Coates (3,5)

O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.

Neto (3,5)

Espera-se que tenha retirado de vez qualquer dúvida quanto à ordem hierárquica dos centrais leoninos. Em vez da calamidade protagonizada por Tiago Ilori no domingo, Neto distinguiu-se pela voz de comando, por alguns cortes incisivos e bem arriscados e até pela forma como suplicou em vão a Rui Costa que não expulsasse Acuña.

Acuña (2,0)

Ultrapassado em velocidade por Romário Baldé, e provocado de modo sistemático pelos jogadores do Gil Vicente ao longo do jogo, o argentino depressa se viu à cunha do segundo amarelo. Descontrolado como há muito não se via, conseguiu manter-se no relvado bem mais do que seria expectável, sendo já em tempo de descontos que selou o destino – que o excluirá da recepção ao Moreirense no domingo – ao berrar com o quarto árbitro após ser esbofeteado por um adversário. No outro prato da balança está a garra de um dos raros elementos do plantel que nenhum Vítor Oliveira consegue rebaixar.

Idrissa Doumbia (2,5)

Aguentou melhor os suplentes do Gil Vicente do que tinha controlado os titulares no jogo anterior, o que também não quer dizer muito. Mas o certo é que desta vez não houve golos contrários a registar.

Miguel Luís (2,5)

Talvez tenha regressado à equipa titular por motivos estritamente regulamentares, pois não abundam formados na Academia de Alcochete que não tenham rescindido contrato ou entrado no carrossel dos empréstimos com cláusula de compra manhosa, mas não demorou a fazer-se notar. Pena é que tenha sido por um lance a que só um laureado com o Nobel da Paz pode chamar remate e por levar uma reprimenda do capitão de equipa. Melhorou ao longo do jogo, destacando-se um bom cruzamento para a cabeça de Luiz Phellype, o que não impediu que fosse o candidato óbvio à saída logo que Silas percebeu o impasse que por ali ocorria.

Wendel (3,0)

Tem mais talento do que tende a demonstrar, ainda que provavelmente menos do que considera ter, o que voltou a ser demonstrado neste segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Ganha pontos pela dinâmica que procurou dar ao anémico fio de jogo da equipa e por uma desmarcação genial que Bruno Fernandes encontrou forma de desperdiçar à boca da baliza.

Bruno Fernandes (4,0)

Falhou dois grandes golos, um dos quais numa tentativa de surpreender o guarda-redes do Gil Vicente ainda aquém da linha de meio-campo e o outro num excesso de confiança que o levou a tentar um toque acrobático quando bastava empurrar a bola para a linha de golo mesmo em frente. Pelo meio ainda fez a bola balançar as redes, só que em posição irregular, e serviu Luiz Phellype para um daqueles “expected goals” de que o inferno sportinguista está cheio. Pouco importa: façamos “fast forward” para o minuto 88, quando foi carregado por um adversário junto à grande área, encarregando-se de desfazer com um livre directo impecável o empate que retirava ao Sporting qualquer hipótese (ainda que remota) de defender os dois títulos consecutivos de “campeão de Inverno” na fase final da Taça da Liga. Não satisfeito, numa altura em que a equipa tinha menos um em campo, serviu Vietto para o argentino fazer o resultado final. Não tem o número 31 na camisola, mas tal como no célebre fado como ele não há nenhum.

Bolasie (3,0)

Chegou a ser o melhor da equipa na primeira parte, devendo-se-lhe um excelente remate que poderia ter desbloqueado o marcador, e lutou com todas as forças que tinha contra a desgraça que mais uma vez se anunciava. Ninguém lhe pode questionar o empenho, mesmo sem se traduzir necessariamente em resultados práticos.

Luiz Phellype (2,0)

Atravessa uma má fase e mesmo quando cabeceou como mandam as regras a bola cruzada por Miguel Luís não impediu a boa defesa do guardião do Gil Vicente. Pior foi a sua tentativa de inaugurar o marcador com um toque de calcanhar que lhe saiu truncado, num símbolo cruel das limitações técnicas que já deu provas de conseguir ultrapassar com força de vontade e capacidade de trabalho.

Rafael Camacho (2,5)

Continua a ser o talismã de Silas, sendo apenas triste que raras vezes traga sorte. Desta vez teve mais minutos, aproveitando-os melhor do que é hábito, tanto nas alas como no miolo.

Jesé Rodríguez (3,0)

Entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, numa lógica “és avançado-centro e não sabias” que lembra um cartaz do Iniciativa Liberal, e não se lhe pode negar impacto no resultado final. No lance de contra-ataque que culminou no livre directo cobrado por Bruno Fernandes foi ceifado por um adversário (que recebeu um amarelo do daltónico Rui Costa) quando se encaminhava para a baliza, e a jogada do 0-2 começa com uma recuperação de bola quando a equipa lidava com a expulsão de Acuña.

Vietto (3,0)

Entrou, viu e venceu. Muito bem servido por Bruno Fernandes, não hesitou perante a tentativa de mancha do guarda-redes e sossegou os corações leoninos.

Silas (3,0)

Os trejeitos que fez quando Bruno Fernandes tentou marcar de antes da linha de meio-campo ficaram-lhe mal, mas há que reconhecer que montou a equipa melhor do que no embate anterior com o Gil Vicente, assumindo o objectivo de manter a esperança na qualificação para a “final four” da Taça da Liga. Dito isto, não há motivos para optimismo quando falta um mês para os embates com o FC Porto e o Benfica, restando-lhe sobreviver aos próximos jogos, pois como tantas vezes se diz em Portugal, “depois mete-se o Natal”...

Armas e viscondes assinalados: Aquele Sporting a quem todos cantam de galo

Gil Vicente 3 - Sporting 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

1 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,0)

Um dos retratos acabados desta temporada digna de dó do Sporting consiste no facto de o jovem guarda-redes contar com três derrotas entre os quatro jogos que leva a titular. Raramente a frase “fraco rei faz fraca a forte gente” se aplicou tão bem quanto ao efeito que a miserável planificação do plantel e os erráticos princípios tácticos estão a ter num miúdo cheio de valor e que pode fazer parte de um futuro mais risonho. No que toca à exibição propriamente dita, sem culpas nos três golos que sofreu, Maximiano abriu as portas ao azar ao driblar um adversário, sem piores consequências do que a cedência de um pontapé de canto.

 

Rosier (2,0)

Ainda que vá ganhando alguma confiança nas subidas falta-lhe precisão nos cruzamentos. Até ao final desta triste temporada pode ser que venha a permitir compreender os milhões de euros que génios na gestão de activos futebolísticos investiram no seu passe.

 

Tiago Illori (1,5)

Ofereceu o primeiro golo ao Gil Vicente de uma forma que desafia qualquer tentativa de explicação, embora se possa referir que a culpa é sobretudo de quem o contratou. No resto do jogo procurou concentrar-se o suficiente para não repetir a oferta, no que foi razoavelmente bem sucedido até ser retirado de campo para dar lugar a Eduardo.

 

Mathieu (2,5)

Quando até o francês comete erros infantis está visto que nada pode correr decentemente. Vários passes direitinhos para adversários pautaram uma noite para esquecer, e em que tomou o lugar do lesionado Coates como ponta de lança “special guest star” nos últimos minutos.

 

Acuña (2,0)

Cometeu o pénalti que deu origem ao 2-1 precisamente por ter deixado um adversário aparecer nas suas costas, o que é ainda mais gravoso por manchar a exibição do leão mais aguerrido por entre demasiados mansos.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Era bem capaz de ter a água do duche a correr quando foi mandado chamar pelo árbitro Hugo Miguel, entretanto recordado do protocolo do VAR, pelo que pode dizer que provocou uma hemorragia nasal a um adversário em plena grande área do Sporting sem qualquer punição (as imagens televisivas permitiram ver que houve fora de jogo antes do passe para o seu alvo). Pena é que seja essa a nota mais digna de crédito em 100 minutos tão esforçados quanto novamente evidenciadores das limitações que desaconselham o seu estatuto de titular praticamente indiscutível.

 

Wendel (3,0)

Realizou o primeiro remate do Sporting, já depois dos 40 minutos, numa jogada em que fez uma tabelinha com as pernas dos vários adversários que tinha pela frente, o que serviu de aquecimento para o golo que permitiu ao Sporting sonhar que poderia reaproximar-se do pódio, aproveitando o tropeção algarvio do Famalicão. Por muito que se fale em frango do guarda-redes há que reparar que o médio brasileiro conseguiu enganá-lo com a movimentação do corpo antes de tocar na bola. Na segunda parte procurou municiar os colegas, mas saiu antes dos 70 minutos para dar entrada a Bolasie, talvez por Silas considerar que havia demasiado talento presente.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Além de ter ajudado a explicar ao árbitro Hugo Miguel que teria de retirar o segundo amarelo a Doumbia ao anular a jogada que lhe deu origem, assinou mais uma obra-prima na assistência de longa distância para o golo de Wendel. Outras tentou fazer, mas Jesé e Rosier tinham outros afazeres que os impediram de encaminhar a bola para o fundo das redes. E quis o infortúnio que terminasse o jogo no chão, ludibriado pelo autor do terceiro golo do Gil Vicente. “Faltou personalidade, faltou atitude”, sentenciou na “flash interview”, revelando um poder de concisão tão notável que justifica a pergunta recorrente: tendo em conta o salário de Bruno Fernandes não seria melhor que acumulasse as funções de treinador e de presidente da SAD?

 

Vietto (2,0)

Pior do que um mau jogador só mesmo um bom jogador inconsequente. O argentino movimentou-se muito, mas raramente ou nunca bem, deixando como melhor cartão de visita um remate que embateu num adversário e não saiu longe da baliza.

 

Jesé Rodríguez (1,0)


Fez-se notar pelo número de vezes que caiu ao relvado dentro ou nas imediações da grande área do Gil Vicente. Numa dessas ocasiões até rematou contra o guarda-redes da equipa da casa, tombando de seguida. Valerá a pena recordar a existência de Pedro Mendes, aquele rapaz dos sub-23 que um comité de génios resolveu não inscrever na Liga e que neste fim-de-semana voltou a marcar dois golos, um dos quais de livre directo?


 

Luiz Phellype (1,5)

Grandes são os desertos, minha alma! Assim escreveu Fernando Pessoa, incapaz de prever a desventura de um ponta de lança que nada de bom conseguiu fazer ao longo de uma noite interminável.  

 

Bolasie (1,5)

Nada melhor conseguiu do que um bom cabeceamento, prontamente anulado por… (ler mais abaixo)

 

Rafael Camacho (1,0)

Colado à linha, quase sempre na faixa esquerda, colaborou com a linha defensiva do Gil Vicente ao bloquear um remate de cabeça de Bolasie. 

 

Eduardo (1,0)

Bons tempos aqueles em que ficava ligado a goleadas do Sporting, mais precisamente na visita ao Jamor em que até Idrissa Doumbia marcou à Belenenses SAD, então sua entidade empregadora. Dito isto, nada de especialmente mau fez, mas cientistas do futuro tentarão explicar o que Silas pretendia com a sua entrada.

 

Silas (1,0)

Descer do céu ao inferno em coisa de três dias começa a ser tão habitual que o ainda treinador escolhido pelo ainda presidente do Sporting aparenta estar conformado, contando ainda com a magnânima benevolência do triunfador Vítor Oliveira, lesto a justificar o desaire alheio com a má qualidade do plantel. Ora, sendo isso inquestionável numa equipa com Tiago Ilori e Jesé Rodríguez, supõe-se que – perante a ausência de talentos puros como Matheus Pereira e João Palhinha, para mencionar apenas dois casos de empréstimos com aroma de gestão danosa, aos quais se deve somar o de Francisco Geraldes e mesmo o de Gelson Dala – nada impede Silas de chamar a jogo Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Mendes ou Joelson Fernandes a mostrarem o que valem. Por outro lado, o turbilhão táctico em que lança a equipa leva a que se torne cada vez mais honesto falar de um plantel desorientado pelo treinador. Culpado em última instância pela péssima atitude em campo dos jogadores em Barcelos, falhou escandalosamente nas substituições e se hoje está a um passo do abismo teme-se que dê o passo em frente, dentro de dias e mais uma vez diante o Gil Vicente, na segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

Armas e viscondes assinalados: A bela noite a que os adeptos já tinham direito

Sporting 4 - PSV Eindhoven 0

Liga Europa - Fase de Grupos 5.ª Jornada

28 de Novembro de 2019

 

Luís Maximiano (4,0)

Ouviu o apito final deitado no relvado, com a bola nas mãos, na sequência de mais uma ocasião em que chegou primeiro do que os avançados do eliminado PSV Eindhoven. O modo como olhou para a bola diz tudo o que há para dizer acerca de exibição que teve um único defeito: a pérola da formação leonina a quem chamam “Max” merecia que tivesse sido aquela a sua estreia a titular pela equipa principal em vez de qualquer um dos dois jogos de má memória em que não conseguiu impedir derrotas do Sporting. Não foi o caso desta vez, como pôde testemunhar o renegado Bruma, a quem roubou um golo que poderia relançar o jogo para a equipa holandesa na primeira parte. Depois do intervalo voltou a mostrar ao que vinha numa defesa de recurso a um remate em posição frontal, tal como demonstrou ter velocidade suficiente para se lançar ao solo e agarrar bolas deixadas passar pelas fífias de colegas menos talentosos. Espera-se que esta noite tenha sido o início de uma lenda que faça esquecer de vez o actual titular do Wolverhampton.

 

Rosier (3,0)

Há qualquer coisa na sua abordagem defensiva que não convence, mas não deixa de ser verdade que se esforçou muito para não dar bronca, o que se traduziu numa quantidade de cortes bastante assinalável. No ataque foi aproveitando ao longo do jogo o baixar de braços do adversário para ganhar a linha e servir colegas que poderia ter feito um resultado final ainda mais impressionante.

 

Tiago Ilori (3,0)

Nem as falhas flagrantes que vieram recordar os sportinguistas de que Eric Dier faria ali mais falta do que os “Jesualdo boys” Ilori e Bruma tiveram consequências gravosas, o que demonstra a tranquilidade da melhor noite do Sporting nesta triste época. Muito bem escoltado por Maximiano e Mathieu, o já não assim tão jovem defesa central resolveu quase tudo quase bem, ainda que se tenha arriscado a ver um cartão de outra cor numa entrada a pés juntos mesmo no final da partida.

 

Mathieu (4,0)

A execução do 3-0, desde a sábia movimentação para o canto largo marcado por Bruno Fernandes até ao remate em esforço, de baixo para cima, como mandam as regras do futebol-espectáculo, é o melhor cartão de visita do adiamento da reforma do francês para meados da próxima década. Não contente, mostrou-se intratável para com os infelizes adversários que foram aparecendo no seu raio de acção, acumulando cortes a travar qualquer veleidade do PSV. Saiu uns minutos antes do fim para descansar as pernas e também para ouvir uma merecida ovação.

 

Acuña (4,0)

Os mais distraídos terão pensado que Diego Armando Maradona aparecera no relvado de Alvalade quando Acuña apanhou a bola na linha do meio-campo e passeou-a, à revelia de quem procurava desarmá-lo, até ser derrubado na grande área adversária. Haveria algo de justiça cósmica se lhe tivessem permitido marcar a grande penalidade que selou o resultado, tal como seria agradável que o recém-entrado Jesé Rodríguez tivesse aproveitado melhor um excelente cruzamento do argentino. Seja como for, do primeiro ao último minuto Acuña provou, a defender e a atacar, que é imprescindível num Sporting com ambição de fazer melhor.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Esteve mais certo do que é habitual, sobretudo no transporte de bola, marcando pontos numa competição interna algo esvaziada pelo estatuto de eterno lesionado de Battaglia e pela extrema juventude de Rodrigo Fernandes. Espera-se que esteja preparado para ser uma das chaves da conquista de três pontos na deslocação ao estádio do Gil Vicente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, cumprido o castigo, e não precisou de muito tempo para deixar claro que é melhor do que Eduardo e Miguel Luís a carburar o meio-campo. Mesmo sem deslumbrar, a sua competência contribuiu para a bela noite a que os adeptos já tinham direito. Veja-se o passe perfeito para o que teria sido o 5-0 se Vietto tivesse a pontaria mais afinada.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Dois golos e duas assistências valeram-lhe a distinção de melhor jogador da Liga Europa nesta semana, somando-se à inclusão na lista dos 50 melhores futebolistas nas competições da UEFA na temporada passada. Num jogo muito próximo da perfeição, o capitão começou por testar a atenção ao guarda-redes com um remate de longa distância, preparando-o para o que estaria para vir. Assim foi, poucos minutos depois de fazer a assistência para o golo inaugural de Luiz Phellype com a ponta da chuteira, quando recebeu a bola de Wendel, avançou pelo meio-campo e puxou o pé que a Europa já conhece para trás, com a bola a tocar no poste antes de se alojar nas redes. Não satisfeito com o resultado, e com o papel de maestro de uma orquestra muito bem afinada, fez a segunda assistência com o melhor pontapé de canto dos últimos tempos, e na segunda parte dedicou-se a controlar as operações. Isto, claro está, sem deixar de tentar remates de longe e de fazer o resultado final com uma cobrança de pénalti plena de classe. Garantido o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, e com “folga” na deslocação à Áustria devido ao cartão amarelo que viu na primeira parte, nada há temer tirando a tenebrosa hipótese de ter feito o último jogo europeu de leão ao peito, numa transferência destinada a compensar a sucessão de incompetências da actual gerência e da brilhante comissão de gestão cujo paladino Sousa Cintra fez custar mais três milhões ao Sporting devido ao despedimento ilegal do treinador Sinisa Mihajlovic.

 

Bolasie (3,0)

Merece mais a nota pela presença e arrancadas que puseram em alerta a defesa contrária do que por qualquer efeito prático da sua prestação. Na retina ficou a tentativa atabalhoada de marcar com um pontapé acrobático de costas para a baliza e a conquista do canto que valeu o 3-0. Aqui que ninguém nos ouve, foi poucochinho. Mas tudo está bem quando acaba bem.

 

Vietto (3,0)

Também não foi o “verdadeiro artista” a que começou a habituar os adeptos, perdendo a hipótese de deixar marcar ao falhar um remate em arco em posição frontal. Perdeu uma boa oportunidade de provar à Europa que voltou para conquistar o mundo.

 

Luiz Phellype (3,5)

A subtileza no desvio da bola e a assertividade na conquista de posição para o cabeceamento que inaugurou o marcador antes dos dez minutos lançou uma promessa de noite memorável que não foi totalmente cumprida. O avançado brasileiro pode queixar-se de falta de ajuda dos laterais e dos extremos, mas a verdade é que demonstrou os limites que o cerceiam no controlo de bola deficiente que o impediu de seguir isolado para a baliza num lance na segunda parte.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou para o lugar de Luiz Phellype e tentou demonstrar a tese de Frederico Varandas que lhe atribui qualidades de avançado-centro móvel. Por azar dos Távoras chegou atrasado a um excelente cruzamento de Acuña e concentrou-se em impor respeito aos adversários.

 

Neto (2,5)

Tirando uma antecipação escusada a Luís Maximiano, cumpriu sem dificuldades a missão de manter a baliza do Sporting inviolada nos minutos em que tomou o lugar de Mathieu.

 

Rafael Camacho (1,5)

Poucos minutos pouco aproveitados. Contribuiu apenas para o chavão “três da formação” em campo.

 

Silas (4,0)

Desta vez conseguiu que a equipa não desse meia hora de avanço ao adversário, montando uma equipa dominadora e que não permitiu quase nada ao PSV Eindhoven. Sendo certo que beneficiou do estado de graça dos melhores do plantel (Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu), teve uma noite que deverá ser recordada e repetida, de preferência com Wendel a cimentar-se no meio-campo e com outras opções nos extremos. Será que Gonzalo Plata ou até os adolescentes Joelson Fernandes e Bruno Tavares não conseguem fazer melhor do que os “incumbentes”?

Armas e viscondes assinalados: Sem saber ler nem escrever nem fazer contas nem atravessar a rua, mas com Bruno & Vietto

Sporting 2 - Belenenses SAD 0

Liga NOS - 11.ª Jornada

10 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Teve ocasião de aquecer as mãos logo no arranque do jogo, desviando para canto um remate traiçoeiro, e depois aqueceu as pernas ao recolher e despachar a bola nas muitas ocasiões em que os colegas não sabiam o que fazer com tão estranho objecto que a outra equipa fazia rolar no relvado. Sem muitas oportunidades para demonstrar o seu valor, pois também o Belenenses SAD não converteu em nada o absoluto domínio numa das primeiras partes mais vergonhosas a que o estádio já assistiu, levando não poucos resistentes a invejarem aqueles que viram as gameboxes canceladas pela actual gerência, o guarda-redes brasileiro disse presente sempre que foi chamado a tal, quase sempre para acorrer a atrasos dos colegas da defesa e do meio-campo. Ainda conseguiu ver um cartão amarelo por demorar a cobrar um livre quando o resultado estava em 0-0, numa pequena sacanice do árbitro Manuel Oliveira, cuja actuação manhosa até fez parecer que o Sporting ainda mete medo a alguém.

 

Rosier (2,5)

Foi dos primeiros a tentar agitar as águas, faltando-lhe convicção e concentração para se desenvencilhar dos adversários que surgiam na sua área de jurisdição. Bastante permeável a defender, melhorou na segunda parte e contribuiu para as jogadas que levaram à conquista de três pontos que a certo momento do jogo pareceria ser ficção científica.

 

Neto (2,0)

Ficou incrédulo quando Silas o retirou do relvado, por volta de uma meia hora de terror para qualquer adepto a quem a Beatriz Costa não tenha passado os miolos pela água fria da ribeira. Tinha alguma razão, pois as suas más abordagens, fossem entradas sem tino e para as quais nunca há perdão para quem jogue de leão ao peito, alívios à queima que causavam apuros aos colegas ou passes directos para adversários, em nada destoavam das más abordagens dos outros jogadores do Sporting. Resta-lhe a compensação de que, na realidade, Silas desfez por volta da meia hora o seu próprio sistema táctico.

 

Coates (2,5)

As ausências de Mathieu e de Acuña reduziram a metade o número de futebolistas acima de qualquer dúvida que restam no plantel. E a má notícia é que mesmo o uruguaio esteve aquém daquilo que sabe fazer, errando mais do que é habitual nas abordagens e nos posicionamentos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Tirando a descoordenação flagrante com Borja, ao ponto de passar a impressão que os dois nunca treinam juntos, fez mais uma exibição esforçada, ao seu nível, conseguindo compensar o que não sabe fazer com o que tenta fazer. Curiosamente, logo no dia seguinte Fernando Santos convocou Domingos Duarte, despachado para o Granada por menos dinheiro do que custou recuperar o passe de Ilori.

 

Borja (2,0)

Chega a ser comovente observar o terror que o colombiano sente de avançar pela ala esquerda, preferindo voltar atrás e fazer aos potenciais contra-ataques aquilo que os assassinos fazem com uma almofada a quem está a dormir. Mas claro que não só tentou conter os adversários com algum sucesso como em dados momentos, contando com concentração de talento à sua volta, contribuiu para algumas jogadas de ataque.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

O ainda junior foi a última alteração que Silas fez em relação aos titulares que deram conta do Rosenborg. Respondeu bem à prova de confiança, mas o caos em seu redor levou a que visse muito cedo o amarelo, sendo esse o motivo apontado para ser substituído ao intervalo. Melhores dias virão, sabe-se lá quando.

 

Eduardo (1,0)

Autor de um cabeceamento que foi a primeira jogada de relativo perigo, passadas já umas penosas dezenas de minutos, distinguiu-se dos demais pela concentração de defeitos do actual futebol leonino. Desprovido de visão de jogo, desprovido de qualidade de passe, desprovido de motivo para integrar o plantel de uma equipa que, apesar dos pesares, ocupa a 30.ª posição no “ranking” da UEFA, arrastou-se demasiado tempo no relvado e não foi por acaso que a equipa melhorou após recolher ao banco de suplentes.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Andou perdido e de braços caídos, como todos os colegas, naquela primeira parte do nosso descontentamento. Nem um livre directo que saiu muito perto do tal sítio onde a coruja dorme logrou animá-lo, pouco melhorando de estado de espírito face às limitações de vários colegas. Valeu a ele, e ao Sporting, que nunca desistiu, envolvendo-se com enorme critério no ataque apesar de ser forçado a recuar no terreno pelas constantes variações tácticas. O passe longo que Vietto não conseguiu converter em “hat-trick” merece por si só uma estrela Michelin.

 

Bolasie (3,0)

Também ele andou pelo deserto de ideias e de jogadas, parecendo candidato evidente à saída para dar lugar a mais um capítulo da redenção em curso de Jesé Rodríguez. Mas a dado momento soltou-se, mostrando estar muito mais à vontade na ala direita do que como avançado móvel (onde foi capaz de perdidas escandalosas), e foi decisivo nas jogadas dos dois golos.

 

Vietto (3,5)

Se o actual Sporting ainda tem uns “fab four” em Coates, Mathieu, Acuña e Bruno Fernandes, certo é que necessita de “quintos Beatles” como a Lucy precisa do Sky with Diamonds. Wendel consegue por vezes sê-lo, Renan vai ajudando no que consegue, mas é Vietto quem tem as condições intrínsecas ideais para desempenhar o papel. Demonstrou-o ontem: atravessado o vale da primeira parte lutou para construir jogadas e esteve no sítio certo à hora certa para selar um resultado muito acima da realidade presenciada por menos de 30 mil espectadores. A execução no primeiro golo é o tipo de coisa de que os sonhos são feitos e o segundo mostra-o como um “falso 9” oportuno e oportunista. Pena é que não tenha conseguido fazer o 3-0 após fintar o guarda-redes, mas pelo menos assim não voltou a festejar virado para as claques, arriscando-se decerto a ser contemplado com uma pesada multa por isso.

 

Rafael Camacho (2,0)

Deu entrada em campo ainda durante a primeira parte, contribuindo para retirar a equipa do coma induzido do 5-2-1-2 ou lá o que aquilo era. Foi, no entanto, mais simbólico do que outra coisa o seu contributo, ficando sobretudo ligado a um falhanço clamoroso, com a bola a sair para as bancadas dos grupos organizados de bodes expiatórios, ao ser isolado por Bruno Fernandes.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou ao intervalo e fez por impor a sua lei com simplicidade de processos e o habitual entusiasmo que disfarça a memória de que aquela posição já foi ocupada por Oceano e William Carvalho, ou que João Palhinha vai no segundo ano de empréstimo ao Sporting de Braga. Se a equipa melhorou na segunda parte também foi em boa parte pelo seu contributo.

 

Luiz Phellype (2,5)

Mais do que um ponta de lança, valeu pela presença que coarctou a liberdade de movimentação da defesa contrária, contribuindo para os dois golos que aqueceram um final de tarde gélido. E o primeiro de Vietto até nasce da recarga ao seu remate.

 

Silas (2,0)

Claro que não tinha Mathieu e Acuña, claro que a planificação do futebol leonino (por assim dizer) deixou-lhe um plantel que torna válida a piada de mau gosto de que pior do que o 11 de Setembro só mesmo o 11 do Sporting... Ainda assim, foi sua a iniciativa de montar um esquema táctico que valeu meia hora de vergonha colectiva e poderia ter resultado em humilhação caso fosse tentado contra uma equipa melhor do que a do Belenenses SAD. O Sporting very sad que apresentou, forçando-o a desfazer os seus próprios equívocos enquanto o relógio avançava, exige maior humildade e reconhecimento de erros do que aqueles que demonstrou no final de um jogo em que a vitória sem saber ler nem escrever, resultante da qualidade de um punhado de jogadores, permite manter o Sporting a “apenas” dez pontos da liderança. Urge aproveitar mais um longo intervalo sem jogos para perceber o que pode retirar mais dos jogadores e que soluções pode encontrar nos sub-23 e nos emprestados. Assim como está é que não pode ficar.

Obrigadinho à gerência pela apatia

Como estaria a minha tensão arterial após este vexame chamado primeira parte do Sporting-Belenenses SAD se não fosse a apatia que a miserável gestão do futebol leonino conseguiu incutir-me?

Suponho que devo agradecer a Frederico Varandas e à estrutura que construiu este plantel, hoje aliviado de dois dos quatro jogadores que restam com inquestionável dimensão daquilo que deve ser o futebol do Sporting. Sofri pouco ao observar aqui deste meu lugar no topo do segundo anel aqueles 11 cavalheiros a verem o adversário jogar. Alguns dos nossos - Ilori e Borja, Rodrigo Fernandes e Eduardo - aparentam nem sequer se conhecerem, tamanha é a descoordenação entre eles.

Espero que o esforçado e caótico Silas tenha seguido o exemplo de Bruno Lage, dizendo aos jogadores que vai ser pai para os motivar. Talvez se disser que vai ter trigémeos...

 

Armas e viscondes assinalados: O melhor ataque é a defesa

Rosenborg 0 - Sporting 2

 Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

7 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Regressa da Noruega com aquilo a que uma tradução selvagem chamaria um “lençol lavado” e deve a ausência de golos sofridos não só à profusão de colegas com missões defensivas e à incapacidade dos adversários para fazerem melhor. Sempre que foi chamado a intervir esteve mais do que à altura e na segunda parte fez defesas essenciais para impedir que o Rosenborg sonhasse com outro resultado.

Rosier (2,5)

Tem físico e até alguma velocidade, mas cada uma das suas exibições leva o contabilista viciado em Football Manager que vive em cada um de nós a calcular quanto custaria resgatar Cédric Soares ao Southampton. Até porque conviria ter um lateral-direito menos permeável em jogos em que haja menos de cinco defesas.

Neto (3,0)

A frase “Neto fez o cruzamento que deu origem ao primeiro golo” pode parecer tão indecifrável quanto uma profecia dos maias. Mas é a mais pura verdade e a assistência do central português, na ressaca de um canto cobrado por Bruno Fernandes, poderia ser apresentada como exemplo de trajectória de bola para os laterais do plantel. Nas missões defensivas esteve seguro, embora não se tenha esquecido de somar faltas disparatadas, vendo numa delas um cartão amarelo prematuro.

Coates (3,5)

Desbloqueou o jogo com uma cabeçada que não ficaria mal a Bas Dost e foi o esteio de uma defesa marcadamente superpovoada. O uruguaio fez uma exibição “à patrão” e ainda teve a sorte de ver um adversário rematar para os fiordes, estando a poucos metros da baliza de Renan, na única jogada em que se deixou ludibriar.

Tiago Ilori (2,5)

Graves problemas de coordenação com Borja potenciaram os moderados calafrios sentidos pelos sportinguistas na segunda parte. Mas nem algumas perdas de bola disparatadas tiveram efeitos irreversíveis no resultado.

 

Borja (2,0)

É interessante que tenha protagonizado a primeira jogada de perigo do ataque leonino, avançando pela ala esquerda até fazer um cruzamento que foi desviado para canto. Mas logo se apagou o engano ledo e cego, seguindo-se mais uma demonstração das limitações técnicas e tácticas que fazem do colombiano um corpo estranho no futebol leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Voltou a ser o “pivot” bipolar do meio-campo do Sporting, tão capaz de fazer cortes e lançar de imediato o contra-ataque – assim nasceu o 0-2 de Bruno Fernandes – como de fazer toques disparatados que os adversários agradecem como se fossem pães quentes, ou neste caso bacalhaus secos.

 

Eduardo (2,0)

Wendel foi reabilitado e voltou a integrar a convocatória. No entanto, foi o seu compatriota a manter a titularidade no meio-campo, sem no entanto demonstrar valor suficiente para ser uma opção válida.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parecia fadado para mais um jogo aquém das suas possibilidades, com várias tentativas de remate descalibradas, até que recebeu a bola de Idrissa Doumbia e fez o que quis dos adversários que encontrou pela frente. Prejudicado pelos esquemas tácticos experimentados por Silas, o capitão da equipa luta para voltar a dar nas vistas e os três tentos em quatro jogos permitem colocá-lo no grupo de perseguidores ao melhor marcador da Liga Europa.

 

Vietto (2,5)

Andou ligeiramente às aranhas enquanto um dos dois avançados móveis do sistema táctico engendrado por Silas. Melhor na segunda parte, foi carregado de forma escandalosa dentro da grande área do Rosenborg sem que a equipa de arbitragem desse conta. Poderia vingar-se da injustiça aproveitando melhor uma bola que interceptou na grande área contrária, mas em vez de fazer golo vingou-se acertando no nariz do guarda-redes, provocando-lhe uma hemorragia.

 

Bolasie (2,0)

Mais mexido e intervertido do que o colega de ataque na primeira parte do jogo, o franco-congolês também não conseguiu deixar marca. E quando saiu esgotara há algum tempo a sua vontade de fazeramigos, influenciar pessoas e trazer pontos para o Sporting e para Portugal.

Rafael Camacho (2,0)

Cerca de 20 minutos em campo permitiram-lhe fazer um remate em arco que saiu perto da baliza e algumas boas movimentações. Mas ainda se encontra a longa distância de justificar os milhões quero seu passe custou aos cofres do Sporting.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

Pouco tempo teve para demonstrar que é uma opção válida para o meio-campo. Certo é que em nada comprometeu, alimentando a ideia de que poderá ser uma alternativa válida a Doumbia.

 

Pedro Mendes (2,0)

Tentou repetir o golo marcado em Eindhoven, mas desta vez o remate potente e de fora da área passou ao lado. Para quem saltou do banco de suplentes aos 90 minutos...

 

Silas (3,0)

Louve-se-lhe a coragem de deixar em Lisboa dois dos quatro melhores jogadores do plantel – precavendo o cansaço muscular de Mathieu e o possíveli amarelo que afastaria Acuña da recepção ao PSV – e de deixar iioutrios dois muito razoáveis (Wendel e Luiz Phellype) a enregelarem no bancio de suplentes. E ainda a aposta num 5-3-2 que não só disfarçou as fragilidades defensivas da equipa como abriu espaços para que os raros jogadores mais adiantados no terreno pudessem fazer a sua arte. Com o Sporting agora na liderança do seu grupo da Liga Europa, necessitando apenas de uma vitória nos próximos dois jogos para seguir em frente. No outro prato da balança está o facto de o futebol do Sporting ainda estar a anos-luz do mínimo exigível a um candidato ao título

Armas e viscondes assinalados: Fraco rei faz fraco plantel que faz fraco futebol que faz fraca a forte gente

Tondela 1 - Sporting 0

Liga NOS - 10.ª Jornada

3 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

É muito provável que tenha adivinhado o que iria acontecer logo que Fábio Veríssimo assinalou aquele livre fatídico, ainda distante da grande área, a três minutos do fim. Até então pouco tivera que fazer, sendo raras as tentativas de remate de uma equipa que ainda não tinha conseguido melhor do que um empate a zero em casa. Claro está que este Sporting torna todos os sonhos possíveis. Infelizmente, para Renan e para dois a três milhões de adeptos, torna possíveis todos os sonhos de todos os adversários.

 

Ristovski (2,5)

O futebol é um jogo de tal forma injusto que o melhor jogador em campo até então ficou ligado ao golo do Tondela, permitindo o cabeceamento fulgurante de Bruno Wilson, um ex-capitão dos juniores do Sporting que a anterior gerência não aproveitou. Até ao momento decisivo sucedera o seguinte: o macedónio controlou o corredor direito, ofereceu um golo que Miguel Luís desperdiçou no coração da área, liquidou veleidades dos extremos tondelenses e revelou-se mais incansável do que seria de esperar em quem perdeu a primeira fase da temporada. Não merecia tamanha desdita, pois foi dos poucos a quem assentaria bem a improvável vitória em vez da repetição da derrota que se vai tornando habitual nas deslocações à Beira Alta.

 

Coates (2,5)

Depois do golo do Tondela cumpriu-se aquilo que sucede ao central uruguaio a cada final de ciclo no futebol leonino: foi enviado para a grande área contrária na vã esperança de que pudesse cabecear para o fundo das redes. Antes do golo distinguiu-se por incursões com bola – quase sempre por lhe faltarem melhores soluções – que acabaram sempre mal e deram origem a contra-ataques que não tardaram a ser resolvidos.

 

Tiago Ilori (3,0)

Logo que apareceu a equipa titular veio aquela sensação de que Ilori quer dizer “vão entrar três” em romeno. Há, por isso, que curvar a cabeça e reconhecer que o central resgatado do Liverpool pelo intrépido Frederico Varandas fez uma das suas melhores exibições desde aquela temporada em que era um adolescente e o Sporting terminou em sétimo. Não falhou nos cortes, trocou bem a bola e só lhe pode ser apontada falta de pontaria quando foi cabecear à outra área.

 

Acuña (2,5)

Muito cruzamento fez, mas infelizmente nem as suas pernas permitem fazer chegar a bola a Frankfurt, para onde foi enviado o abre-latas deste género de jogos desinspirados que responde pelo nome de Bas Dost. Também se viu alvo de provocações de adversários que já repararam que a sua fase calma e serena foi parar ao Museu do Sporting. Calha bem, pois é cada vez mais claro que será o único contributo do departamento de futebol profissional para esse acervo nos tempos mais próximos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Se alguém for apanhado a tentar assassinar o jovem médio poderá sempre contar com o mesmo videoárbitro que convenceu Fábio Veríssimo a anular o cartão vermelho exibido ao tondelense que lhe quis separar os ossos da perna. Ligeiramente menos trapalhão do que em jogos anteriores, mesmo tendo visto o amarelo muito cedo, Idrissa não complicou e teve pouca culpa no infausto desfecho da dupla jornada.

 

Miguel Luís (2,5)

Poderia ter sido herói caso acertasse na baliza quando lhe foi parar aos pés a melhor ocasião do Sporting. Não foi, claro está, mas este até foi um dos últimos jogos em que deu provas de merecer um lugar no plantel mais fraco que o Sporting teve desde a tal época do sétimo lugar, o que começa a dar ares de ser um mau presságio.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Pode até ser coincidência, mas desde que Silas contrariou a canção do “Streets of Fire” e proclamou, nos escombros da eliminação da Taça de Portugal aos pés de um Alverca de terceiro escalão, que a equipa não precisava de heróis, o capitão tem diminuído a sua influência no jogo leonino. Demasiado distante da carreira de tiro em que enchia de terror todos os guarda-redes – e ainda mais os que apanham o cabelo com bandolette –, ainda tentou alguns livres directos, um dos quais poderia ter inaugurado o marcador para a equipa certa, mas voltou a não ser o superlativo que é a última esperança dos adeptos em tempos de miséria futebolística.

 

Vietto (2,5)

Outro que correu muito, rematou bastante e lutou o que conseguiu contra um destino tenebroso. Ao ver que faltava arte para chegar ao objectivo com boas jogadas ainda ensaiou os remates de longe, sem particular sucesso.

 

Bolasie (2,0)

Mais interveniente do que no jogo com o Paços de Ferreira, tentou levar perigo à baliza de Cláudio Ramos. Raramente conseguiu, o que também se ficou a dever ao “profiling” que leva as equipas de arbitragem a ignorarem quase todos os toques e agarrões de que é alvo.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nem muita parra nem muita uva: o ponta de lança que a estrutura liderada por  Frederico Varandas não chegou a vender, emprestar ou deixar por inscrever na Liga nunca se libertou dos centrais da casa. Saiu abatido, talvez por saber o que costuma acontecer ao Sporting sempre que não marca - e em algumas vezes em que o faz.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou com vontade de ser solução, ficando na retina uma belíssima finta numa jogada de contra-ataque. Pena é que não tenha logrado combinar como deve ser com os colegas que poderão eventualmente evitar que o Sporting faça igual ou pior do que na tal temporada em que Ilori era adolescente.

 

Eduardo (2,0)

Mal entrou no relvado e já tinha visto um amarelo. Procurou empurrar a equipa para a frente mas aquilo que nasce torto...

 

Rafael Camacho (1,5)

O segundo resgatado de Liverpool por Frederico Varandas teve direito a um quarto de hora sem conseguir mostrar mais do que um ou outro controlo de bola. E, claro está, colocar em jogo Bruno Wilson, com quem é capaz de se ter cruzado em Alcochete, no lance que colocou o Sporting a dez pontos da liderança no início de Novembro.

 

Silas (2,0)

Se os jogadores tiverem olhado para o banco, vendo a expressão do treinador, decerto ficaram à espera de que o pior chegasse, mais cedo ou mais tarde. Conhecido no Belenenses por um futebol alegre e ambicioso, Silas aparenta contaminado pelo célebre verso de Camões sobre um fraco rei que faz fraca a forte gente. Mesmo com um plantel limitado e cheio de equívocos, fruto de um planeamento medíocre e opções de “gestão de activos” a raiar a gestão danosa, o treinador leonino precisa de pôr a equipa a jogar muito melhor do que isto e tarda a demonstrar que o conseguirá fazer antes de Frederico Varandas o juntar às claques na gaveta dos bodes expiatórios.

 

Armas e viscondes assinalados: Quando os três pontos que somas sabem a merda

Paços de Ferreira 1 - Sporting 2

Liga NOS - 9.ª Jornada

31 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Só não merece melhor nota, tendo em conta o contributo decisivo para impedir mais golos da equipa da casa (a defesa mais espectacular foi em vão, pois o remate acrobático foi precedido de falta atacante), pelo cartão amarelo que recebeu ao queimar tempo numa reposição de bola, simbolizando a falta de ambição de um “grande” do futebol português que sofria para manter a vantagem mínima perante o penúltimo classificado. Nada pôde fazer no lance do golo do Paços de Ferreira, mas adiou o empate com a palma da mão quando um avançado da casa fez o que quis com a defesa leonina. Se o resultado fosse outro não seria decerto por sua culpa.

 

Ristovski (2,5)

Mostrou que mesmo sem ritmo de jogo é o melhor lateral-direito do plantel, o que também não é a constatação mais animadora. Entendeu-se bem com os colegas no ataque e foi eficaz quanto baste na defesa, apesar de ter ficado condicionado muito cedo por um cartão amarelo. Espera-se que o macedónio agarre o lugar o mais depressa possível.

 

Coates (3,0)

Não chegou a tempo de compensar falhas alheias no lance do empate, o que não o impediu de acumular os cortes providenciais que lhe servem de assinatura. E foi ainda mais providencial ao impedir Acuña de prosseguir o tipo de frutuoso diálogo com o árbitro Rui Costa que deixaria o Sporting com menos um em campo.

 

Mathieu (2,5)

Ludibriado mais do que uma vez pelos avançados pacenses, compensou essas falhas com a entrega de sempre. Veja-se a forma decidida com que avançou pelo terreno logo após o golo do empate.

 

Acuña (2,5)

Voltou a soltar a fúria argentina que vive dentro de si, aproximando-se perigosamente da expulsão por acumulação de amarelos (na melhor hipótese) ao ponto de ser substituído por Silas para a entrada de Tiago Ilori, o que o deve ter irritado ainda mais do que já estava.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

Primou pelas perdas de bola e pela incapacidade de auxiliar a defesa que enfrentava aquilo que, de repente, nem parecia o ataque do penúltimo classificado da Liga. Com a recuperação de Battaglia sucessivamente adiada, urge perceber se Rodrigo Fernandes está preparado para assumir a titularidade. Dizem que em Braga existe um moço com algum jeito, de seu apelido Palhinha...

 

Eduardo (2,0)

Falhou no lance do golo do Paços, deixando um adversário cabecear nas suas costas, mas nem por isso deixou de ser o melhor elemento da dupla formada com Idrissa Doumbia, reforçando a sabedoria popular que envolve “terra de cegos”. Ainda assim, não seria melhor aproveitar o jogo contra o pé-núl-ti-mo classificado para apurar se Matheus Nunes está pronto para assumir o desafio?

 

Bruno Fernandes (3,5)

Demiurgo dos três pontos amealhados nesta vitória miserável, fez tudo o que estava ao seu alcance para servir os colegas e não hesitou na hora de marcar o golo que fez o resultado. Desde o engano ledo e cedo do início fulgurante, com sucessivas oportunidades de golo, à assistência perfeita para o remate desbloqueador de Luiz Phellype, passando pelas tentativas de remar nas águas turvas que culminaram no livre que deu origem à grande penalidade, assumiu-se salvador de uma equipa que parece lutar contra si própria.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Pouco teve para festejar, ao contrário do que sucedera no jogo anterior, mesmo que não se possa pôr em causa o empenho enquanto lhe duraram as pernas. E a verdade é que a equipa não melhorou com a sua saída.

 

Vietto (2,5)

Habituara-se a ser o novo homem do jogo, mas desta vez ficou aquém, sem deixar de mostrar pormenores de “verdadeiro artista”. Tendo em conta que o Tondela não é o Paços de Ferreira, convém que volte a ser acutilante já no próximo domingo.

 

Luiz Phellype (3,0)

Ficou muito perto de marcar no início do jogo e não perdoou a antiga equipa a perceber o que Bruno Fernandes iria fazer. Sendo eficácia na hora certa aquilo que se pede a um ponta de lança, há que reconhecer que o brasileiro cumpriu com a missão até dar lugar à “retranquização” total do futebol leonino decidida por Silas.

 

Bolasie (1,0)

Lançado para refrescar o ataque, foi uma nulidade na ala direita, chegando a perder-se na deficiente execução da finta que pretende tornar famosa.                Estivesse o Sporting na luta pelo título e haveria decerto um VAR disposto a ver grande penalidade no desastrado choque de cabeças que protagonizou no último lance de ataque do Paços de Ferreira.

 

Borja (1,5)

Mal tinha acabado de entrar e já escorregava no relvado, facilitando uma ofensiva pacense que os colegas lá conseguiram resolver. O colombiano muito se esforça, conseguindo muito pouco, o que faz gelar o sangue a quem lê as notícias plantadas aqui e acolá sobre a possível venda de Acuña em Janeiro.

 

Tiago Ilori (-)

Cumpriu os últimos minutos sem fazer nada de errado, o que deixou um peso na consciência a quem achou que os seus três dedos levantados no momento em que entrou no relvado não queriam dizer “três centrais” e sim “vamos sofrer três golos”.

 

Silas (2,0)

Terminou o jogo contra o p-e-n-ú-l-t-i-m-o classificado da Liga com três centrais, dois laterais e dois médios defensivos, pelo que quando Silas esgotou as substituições, com Tiago Ilori a dar entrada em campo, é provável que Luís Maximiano tenha sentido o alívio de perceber que não iria ter de dividir a baliza com Renan. Apesar de o Sporting ter entrado dominador, procurando a vantagem muito cedo, depressa viu a equipa perder fulgor e permitir o domínio do Paços de Ferreira que se traduziu no empate que poderia muito bem ter prevalecido não fosse a grande penalidade caída do céu. Reconquistada a vantagem, foi lamentável assistir à forma como o Sporting baixou linhas, enchendo-se de jogadores de carácter defensivo sem por isso deixar de ser permeável. Quando os três pontos que somamos sabem a merda, o que faz falta? Silas precisa de animar a malta com melhor futebol do que este que vamos vendo, procurando alternativas viáveis à escassez de talento em algumas posições-chave.

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