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És a nossa Fé!

Quer-me parecer que...

...Keizer pode gostar tanto do 3-5-2 que acabe por estruturar o plantel desse modo, com um mínimo de cinco centrais e menos de oito opções para os dois corredores (aposto em sete se Acuña ficar).

...a saída de Bruno Fernandes não será compensada com um substituto directo, mas sim com a aposta na dupla de avançados, com Bas Dost, Luiz Phellype, Vietto, Gelson Dala e alguém mais a concorrerem por dois lugares.

...ainda não será desta que a importância de Alcochete será reconhecida, como indicam as notícias sopradas acerca da vontade de obter uns punhados de milhões de euros com o talento de Francisco Geraldes, Matheus Pereira, Domingos Duarte ou até Mama Baldé, cuja passagem pela formação leonina foi mais fugaz.

...que João Palhinha ainda se arrisca a ser o segundo caso Demiral.

...que Miguel Luís e Jovane Cabral são candidatos a um ano de rodagem noutros clubes da Liga.

...que adoraria estar enganado e que, olhando para as raras decisões lícitas que conduziram ao sucesso do rival, a idade deixe de ser documento e Bernardo Sousa (caso renove, o que para mim é uma principais dúvidas deste final de época) possa ir à pré-temporada, no mínimo, tal como o proscrito Félix Correia, na condição de renovar para lá de 2020 e ganhar juízo na cabeça.

 

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Primeiras notas

Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Mérito a Marcel Keizer por ter desviado o maliano para a esquerda, impedindo que uma ala inteira ficasse entregue a dois profissionais tão dignos de respeito quanto de qualidade técnica manifestamente inferior ao que se deve exigir de um futebolista leonino.

Enquanto a noite cai

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Hoje foi o futsal, bem auxiliado pela arbitragem, que engendrou a expulsão de Léo Jaguará e o livre directo do quinto golo do adversário, e a disputa do tetracampeonato fica a depender de duas vitórias no Pavilhão João Rocha, sem poder contar com Guitta (bem expulso por defender com a mão em cima da linha de meio-campo, após uma incursão ofensiva infeliz) e Léo.

Ontem foram o hóquei em patins e o andebol a entregarem de vez o título ao FC Porto, com duas derrotas tangenciais em deslocações teoricamente acessíveis. 

Tratando-se de duas equipas campeãs europeias e de uma terceira que não andou demasiado longe disso (e caminhava para o tricampeonato nacional), este fim-de-semana negro nas modalidades não deve servir para atirar o bebé com a água do banho, claro está. Mas convém reflectir e aumentar níveis de exigência que já viram melhores dias.

Armas e viscondes assinalados: O futebol é um jogo de onze contra dez e no final perde o Sporting

FC Porto 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

18 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Fez por garantir os três pontos, depois tentou salvar um ponto, e no final só conseguiu juntar-se à fila interminável de pessoas que co-protagonizam incidentes com Sérgio Conceição. Foi um desfecho pesado para o guarda-redes brasileiro, deixado indefeso pelos colegas de ocasião que formavam a linha defensiva nos lances dos dois golos. Começou no primeiro tempo a defender um livre perigoso de Herrera e na segunda parte, com o Sporting cada vez mais empurrado para as cordas pela inferioridade numérica, sofreu uma agressão de Marega encarada com benevolência no Dragão e na Cidade do Futebol, viu a sua equipa adiantar-se no marcador no único lance de perigo de que dispôs e adiou o que ia parecendo cada vez mais inevitável. Na retina ficaram grandes defesas, sobretudo o desvio de um cabeceamento de Danilo num dos muitos pontapés de canto em que os verdes e brancos pouco fizeram por afastar o esférico da zona de perigo, e uma saída perfeita quando Aboubakar aparecia isolado. Espera-se que daqui a uma semana repita tudo menos a parte dos confrontos com o treinador do FC Porto e a retirada de bolas dentro da baliza.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Forçado a ser titular devido ao olho de abutre que discerniu a sanguinária pisadela de Ristovski, entrou no relvado com as cautelas de quem conhece os seus limites – ao contrário do mais optimista Bruno Fernandes, que lhe ofereceu uma daquelas aberturas a que talvez só o saudoso Puccini chegasse a tempo – e esforçou-se por fazer esquecer que entregar a direita a Bruno Gaspar e Diaby ultrapassava as piores sondagens que o PSD e CDS-PP têm registado. Ficou ligado ao lance que destruiu qualquer hipótese de gestão científica de esforço no jogo-que-nada-contava-antes-da-final-da-Taça-de-Portugal ao fazer um atraso de bola singelo e honesto que provocou um erro sistémico a Borja. Desde que o Sporting ficou com menos um em campo, como tantas vezes sucede, fez das tripas coração por não fazer com a subida do seu peso, de nove para dez por cento, no conjunto da equipa tivesse um impacto muito negativo. Conseguiu-o, no limiar mais baixo do intervalo de competência, até que Marcel Keizer resolveu testar novas oportunidades que não surtiram o efeito desejado.

 

André Pinto (2,5)

Foi uma das surpresas no onze titular, fazendo dupla com o central francês a quem costuma substituir aquando das lesões decorrentes da idade avançada do homem que parece ser o gémeo louro de Francis Obikwelu. Começou por distinguir-se pela precisão com que atrasava a bola para Renan, gabando-se-lhe a sabedoria de nunca ter destinado tais passes a Borja. Na hora do aperto fez por tapar os caminhos para a baliza, mas nada pôde para obstar ao descalabro defensivo dos minutos finais. É provável que tenha sido a sua despedida, e não se pode dizer que não tenha dado o que estava ao seu alcance.

 

Mathieu (3,0)

Foi o único titular ideal no quarteto defensivo e marcou a diferença que torna essencial que, por entre negócios maravilhosos que valorizam excedentários crónicos do Atlético de Madrid em 15 milhões de euros, os responsáveis leoninos gastem uns minutos a acciomar o direito de opção do francês. Tentou salvar a equipa de si própria, roubando um golo ao FC Porto com um desvio de cabeça providencial, mas não chegou. Cabe-lhe melhorar o palmarés pessoal com algo mais substancial do que um par de vitórias na Taça da Liga.

 

Borja (0,0)

Desta vez não conseguiu oferecer uma ocasião de golo a um adversário logo no primeiro minuto de jogo. Limitou-se a perder a bola pela linha lateral, permitindo aos adeptos um alívio que mostoru ser exagerado. Andou pelo relvado a manietar jogadas prometedoras, a atrapalhar Acuña e a demonstrar aos mais novos como não se cabeceia. Assim foi até que, numa jogada inócua, vendo a bola a vir na sua direcção, resolveu fugir dela e desacelerar, acordando para a realidade quando viu Coroña a encaminhar-se para a grande área. Agarrou-o uma primeira vez, sem derrubar o portista, e numa segunda tentativa fez um corte limpo. Viu o amarelo primeiro, mas o videoárbitro fez notar a Fábio Veríssimo que o colombiano fez falta sobre um atacante que se iria isolar. E foi assim que deixou os colegas em inferioridade numérica com mais de 70 minutos para jogar, sendo a única boa notícia decorrente disto a garantia de que não poderá repetir esta, e outras proezas,  no Jamor.

 

Petrovic (2,5)

De todos os elementos sem qualidade suficiente para integrar o plantel do Sporting foi sempre o que demonstrou ter maior coração, fosse ao ficar em campo com o nariz partido ou ao fingir não reparar quando desempenha funções muito acima das suas reais capacidades. Encarregue de conter o meio-campo portista, e de assegurar repouso a Wendel, o sérvio ter-se-á despedido com mais uma exibição esforçada, alguns bons cortes e uma intervenção assaz balcânica no sururu ocorrido perto do final do jogo. Mas não poderá chegar para um Sporting que queira ser campeão mesmo ficando muitas vezes com menos um no relvado.

 

Gudelj (2,5)

A maior mancha na sua exibição foi o posicionamento que deixou Danilo em posição legal no lance do golo do empate. Até então distinguiu-se na difícil tarefa de tapar o acesso à baliza do Sporting, sem abusar demasiado das faltas que o poderiam afastar do clássico que tinha verdadeira importância para os leões – e também para os dragões, à medida que a goleada doa Benfica sobre o Santa Clara se avolumava na Luz.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Melhor forma de anular o melhor futebolista desta edição da Liga NOS? Expulsar um dos seus colegas, o que leva invariavelmente a que o treinador lhe peça para descair para o flanco, afastando-o da zona do campo em que é decisivo. Muito castigado pelas chuteiras adversarias, com o beneplácito da equipa de arbitragem, fez um passe longo que pedia a presença do ausente Raphinha e sofreu uma falta junto à grande área portista que não teve a oportunidade de cobrar, pois estava a receber assistência fora das quatro linhas. Só provocou perigo logo no início do jogo, na cobrança de um livre que Marega desviou de forma arriscada. Sendo provável que tenha feito o último jogo na Liga NOS por muitos e bons anos, sonharia decerto com melhor desfecho para a época de todos os recordes pessoais. Felizmente ainda tem a final da Taça, da qual poderia ter sido afastado devido a encontros imediatos do segundo grau com elementos do banco de suplentes do FC Porto.

 

Diaby (2,0)

Teve participação no golo do Sporting e é bem possível que tenha sofrido pénalti num lance em que foi projectado por Felipe contra os painéis publicitários, deixando a equipa com nove durante uns minutos. Isto poderia fazer esquecer profundas debilidades intrínsecas caso os adeptos sofressem de amnésia e tivessem ido à casa de banho em momentos como aquele em que o maliano tentou driblar dois adversários na grande área do FC Porto e acabou por fintar-se a si próprio. Dizer que esteve ao seu nível é uma constatação pouco lisonjeira.

 

Acuña (3,0)

Bem o tentam posicionar a extremo, mas o destino empurra-o para lateral, mesmo que para isso seja preciso que o Sporting fique a jogar com dez. Seja como for, o argentino sem medo voltou a dar mostras que é ele e mais nove, sabendo gerir a impetuosidade – ainda que não tenha acabado o jogo sem ver um amarelo numa jogada em que foi agredido... – e tratando a bola por alcunhas belas e secretas, como no passe com que assistiu Luiz Phellype para o golo que permitiu sonhar com um triunfo que desafiaria as estatísticas. Deus livre Alvalade de o ver partir no próximo sábado.

 

Luiz Phellype (3,0)

Pôs fim à interminável seca de um jogo inteiro sem marcar na única verdadeira oportunidade de que dispôs, primando pela calma e colocação na hora de enfrentar Vaná. Antes disso fora o homem da luta, não raras vezes ensanduichado pelos centrais portistas, valendo-se do físico para reter a bola o máximo de tempo possível. Saiu para recuperar forças para o Jamor, com maus resultados para a equipa.

 

Tiago Ilori (2,0)

Entrou a meio da segunda parte, tendo tempo suficiente para contemplar o remate acrobático com que Herrera, literalmente nas suas costas, fuzilou a baliza do Sporting e fez o resultado final. Resta-lhe a compensação de que Borja elevou muito a fasquia na competição para pior reforço de Inverno desta temporada.

 

Bas Dost (2,0)

Menos de meia hora esteve o holandês em campo. Aproveitou para tentar ganhar duelos aéreos e chegou a fazer um bom passe a lançar um contra-ataque diligentemente desperdiçado por um colega. Pode ser que recupere influência, mas dificilmente a tempo de fazer a diferença no derradeiro compromisso da temporada.

 

Wendel (-)

Entrou já com o tempo regulamentar esgotado e o resultado final definido.

 

Marcel Keizer (2,5)

Só ele saberá os motivos para fazer descansar Wendel e Raphinha, após ficar sem Ristovski e Coates, mas qualquer gestão lógica do esforço caiu por terra quando Borja fez um dos maiores inconseguimentos da época. Também infeliz na forma como refrescou a equipa na segunda parte, há que admirar a coerência do holandês. Toda a gente devia ter alguém na sua vida que visse em si aquilo que Keizer vê em Diaby, provável titular na final da Taça de Portugal a não ser que Acuña possa ficar mais à frente, promovendo a titularidade de Jefferson na esperança de que no seu presumível último jogo de verde e branco possa soltar o Rodrigo Tiuí que há em si.

Armas e viscondes assinalados: Um chega-para-lá em vários sonhos

Sporting 1 - Tondela 1

Liga NOS - 33.ª Jornada

11 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Mal o jogo tinha começado quando lhe apareceu um adversário isolado pela frente e  teve de fazer uma mancha que desviou a bola da linha de golo. Passado esse susto, tinha tudo para passar a noite a pôr a leitura em dia, pois o primeiro tento dos leões prenunciava a goleada que deixaria o Tondela perto de poder competir na mesma divisão que a oficial equipa B do Benfica, quando o diligente árbitro Tiago Martins contou com a prestimosa ajuda do videoárbitro para descortinar uma agressão de Ristovski num chega-para-lá que nem motivou protestos da suposta vítima da fúria macedónia além do tradicional mergulho para o relvado. Seguiram-se mais de 50 minutos em que o Sporting jogou com menos um sem que o brasileiro tivesse trabalhos de maior – intervindo sobretudo para gerir atrasos de bola e demonstrar que melhorou bastante nos lançamentos longos – até à fatídica ocorrência do golo do empate, aquele que elimina o sonho de ainda chegar ao segundo lugar através de uma conjugação não muito provável de resultados. Nada pôde fazer para suprir o mau posicionamento dos colegas, ao contrário do que fizera antes, quando teve rins suficientes para assegurar que um remate desviado nas pernas de Coates passaria do lado mais tranquilo do poste. E selou a exibição com elevada classe ao afastar um livre directo muito bem cobrado em posição frontal.

 

Ristovski (2,0)

Talvez seja coisa de apreciador dos livros de Chuck Palahniuk e dos filmes de Quentin Tarantino, mas é difícil ver uma agressão no lance insólito que deixou o Sporting com dez em campo mais de meio jogo e aumentou as hipóteses de o Tondela se manter no escalão principal mais um ano. Sendo a terceira expulsão do lateral-direito nesta época – uma delas por ter feito um corte em carrinho em chegou primeiro à bola e a outra por gritar com o árbitro que não assinalou falta depois de um adversário lhe desferir uma cotovelada na testa –, há que pensar se  não será melhor mudar-se para um campeonato em que os macedónios sejam menos perseguidos, como a Sérvia ou a Grécia. No que toca às ocorrências antes desse lance há que reconhecer que Ristovski esteve muito activo na ala direita, combinando bem com Bruno Fernandes e Raphinha e tendo intervenção directa no lance em que foi assinalado pénalti a favor do Sporting. Enfrentar o FC Porto duas vezes sem o seu contributo – embora não fosse má ideia tentar a despenalização para a final da Taça – foi a pior de muitas más notícias da noite.

 

Coates (3,0)

Falhou no lance do golo da Tondela, tal como uma panóplia de colegas, esteve quase a encaminhar a bola para a própria baliza num ressalto e não tirou partido das várias ocasiões em que cabeceou na grande área contrária. À parte isto, o central uruguaio teve a garra de sempre e voltou a apostar nas incursões pelo meio-campo contrário que ainda virão a dar resultado antes da segunda vinda de Cristo (espera-se que não a do outro Jesus...).

 

Mathieu (3,5)

Merecia ter marcado o golo da vitória no remate acrobático com que respondeu ao cruzamento de Raphinha após percorrer toda a ala esquerda em sprint. Não foi a única ocasião em que tirou partido da frescura física que faltava a vários colegas desgastados pela inferioridade numérica, pelo que a vontade que confessou em manter-se por Alvalade mais um ano deve ser encarada de forma muito séria pela SAD leonina. Entre muitas intervenções num jogo em que até começou por não conseguir desfazer uma burrice alheia, destacam-se um livre directo cobrado pouco acima da barra e um corte providencial que evitou aborrecimentos a Renan Ribeiro.

 

Borja (2,0)

Ainda corria o primeiro minuto quando fez um passe disparatado para o seu meio-campo que fez isolar o adversário que chegou primeiro à bola do que Mathieu e testou as capacidades de Renan. Mas as suas debilidades técnicas e gritante falta de soluções fizeram-se notar outras vezes, sendo curioso que tenha melhorado ligeiramente ao assumir o corredor direito, na sequência da expulsão de Ristovski. Embora nada se tenha perdido quando cedeu o lugar a Ilori.

 

Gudelj (2,5)

Outro que teve um jogo com que não contava, vendo-se muitas vezes em inferioridade numérica na sua zona de acção. Destacou-se pouco, sem nada de particularmente errado fazer.

 

Wendel (3,0)

Melhor do que na goleada à Belenenses SAD, o jovem brasileiro exerceu influência no meio-campo e não se furtou a roubar bolas aos adversários. Foi com uma ponta de estranheza que se assistiu à sua substituição quando Keizer apostou tudo na procura do segundo golo.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parte dos sonhos deste jogo passavam pelo capitão, que provavelmente se terá despedido do Estádio de Alvalade. Nomeadamente a marcação de um número de golos suficientes para assegurar a liderança dos melhores marcadores. O primeiro chegou cedo, num pénalti a castigar um agarrão a Luiz Phellype, mas por aí ficou a conta, até porque a necessidade de ocupar outros terrenos após a expulsão afastou Bruno da zona de tiro. Mesmo assim poderia ter feito o segundo golo, bem servido por Raphinha, mas permitiu a defesa de um guarda-redes com nome de apresentador de programa das manhãs. Não faltará quem fosse capaz de abdicar de uns dedos das mãos ou dos pés se em troca ficasse mais um ano no Sporting, algo que este escriba assegura que sucederá caso vença um jackpot acumulado do Euromilhões nas próximas semanas.

 

Raphinha (3,0)

Autor de cruzamentos magníficos que foram pornograficamente desaproveitados por colegas, pena é que não se tenha lembrado de testar um daqueles potentes remates que prometem transformá-lo numa grande estrela.

 

Acuña (3,0)

É da raça que nunca se vergará, como já toda a gente percebeu, e caso tenha sido o último jogo em Alvalade será sentida a sua falta. Somou desarmes e intercepções que ajudaram a aliviar o sufoco na segunda parte. E quando avança pelo terreno só o conseguem travar em falta.

 

Luiz Phellype (2,5)

Terminou a série magnífica de jogos consecutivos a marcar, responsável por ter recebido o prémio de melhor avançado da Liga Nos em Abril. Tirando o lance do pénalti, no qual foi agarrado pelo eterno Ricardo Costa quando procurava rodar o corpo para marcar, esteve sobretudo em foco pelas oportunidades falhadas. Uma das quais particularmente escandalosa, ao atirar para as bancadas a recarga a um remate de Bruno Fernandes, embora não tenha ficado melhor na fotografia ao atirar ao lado do poste ao isolar-se frente a Cláudio Ramos. Antes de ceder o lugar ao inefável Diaby ainda desviou de cabeça um pontapé de canto para uma grande defesa do tondelense. Sentiu nesse instante o peso da maldição e pontapeou o poste, felizmente sem que o videoárbitro avisasse Tiago Martins para mostrar cartão vermelho por tamanha violência.

 

Tiago Ilori (2,5)

Voltou a ser chamado, desta vez para lateral-direito, antecipando as novas oportunidades nos próximos jogos com o FC Porto. Nem sempre esteve à altura, mas se não lhe aparecessem tantas vezes adversários em duplicado talvez tivesse corrido melhor.

 

Bas Dost (2,5)

Entrou para ajudar a fazer o 2-1 que permitiria sonhar com o segundo lugar durante pelo menos 24 horas. Integrou-se no ataque, distinguindo-se nos duelos aéreos mas sem ter oportunidades para fazer a diferença.

 

Diaby (2,0)

Uma arrancada com bola, embalado pelo tipo de velocidade em que ninguém consegue agarrá-lo, é o que tem para mostrar nos escassos minutos que lhe permitiram.

 

Marcel Keizer (3,0)

Há que reconhecer coragem ao treinador holandês na forma como apostou tudo na vitória após o golo do empate do Tondela. Não estava escrito nas estrelas que fosse possível contrariar as circunstâncias, e a expulsão de Ristovski pode abrir um buraco no Jamor (Bruno Gaspar está lesionado e Thierry Correia vai para o Mundial de Sub-20), mas Keizer pode aproveitar para começar a refazer a equipa.

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Armas e viscondes assinalados: Começou com ph elevado e terminou a curar insónias

Sporting 2 - Vitória de Guimarães 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

28 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

A forma diligente como acorreu à bola mal dominada pelo único adversário que se conseguiu isolar na primeira parte (e em todo o jogo) evitou que só entrasse verdadeiramente em acção por volta dos 90 minutos, ao agarrar um cabeceamento que foi o mais aparentado com um remate de que a equipa visitante foi capaz. Só não sucumbiu ao tédio devido ao hábito irritante que os colegas têm de perturbar o seu descanso com atrasos de bola.

 

Ristovski (3,0)

Formar ala com um colega que estava em modo “one-man show” não permitiu que se integrasse assim tanto no ataque, embora tenha ficado perto de marcar num remate atabalhoado que embateu num defesa. Já nas missões defensivas cumpriu quase sempre, contribuindo para anular os criativos do Vitória de Guimarães.

 

Coates (3,5)

Aquela sua vontade indomável de fazer um golo à Maradona, caso o argentino fosse um gigante desengonçado, esteve perto de se concretizar num dos raros momentos do Sporting após o 2-0 que não pareceram uma experiência de cura de insónias digna de Nobel da Medicina: o uruguaio recebeu a bola atrás da linha do meio-campo, avançou pelo relvado entre o drible e a capacidade de resistir a tentativas de desarme, chegou a entrar na grande área contrária, levando atrás de si um quarteto de adversários, e... atrapalhou-se na hora H. Quer a fortuna que seja muito mais concentrado nas funções que justificam o salário que aufere, contribuindo para que chegar ao apito final sem golos sofridos esteja a tornar-se menos insólito. E não é todos os dias que os adeptos vêem alívios na grande área executados com pontapés de bicicleta.

 

Mathieu (3,5)

Só não conseguiu marcar aquilo que seria um grande golo, num livre directo em zona frontal, ainda muito distante da baliza, que todos pensaram destinar-se a Bruno Fernandes. Miguel Silva esticou-se o suficiente para ser o desmancha-prazeres que nenhum dos colegas sem luvas nas mãos conseguiu ser para o francês. Tanto assim que, pouco a pouco, deu por si a avançar cada vez mais e já não só pelo corredor esquerdo, pois chegou a fazer um grande passe a partir do miolo do terreno que foi desperdiçado por Bruno Fernandes.

 

Acuña (3,0)

Terá feito uma falta, ainda fora da grande área, que não foi assinalada e esteve na origem da jogada do primeiro golo. O facto de ter ficado ligado a um lance em que o árbitro Rui Costa poderia ter prejudicado o Sporting e não o fez já chegaria para assegurar um lugar ao argentino no museu do clube – embora o facto de o Vitória de Guimarães ter chegado a recuperar a posse de bola entre a falta não assinalada e a assistência de Bruno Fernandes para o golo de Raphinha torna-se, segundo regras do videoárbitro mais difíceis de entender do que os universos paralelos dos filmes da Marvel, impossível de reverter –, mas voltou a mostrar que dele se pode esperar tudo e mais alguma coisa. E a falta de aproveitamento de tudo o que fez no jogo em nada desmente tal afirmação.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Muito mais mexido do que o castigado Gudelj, assegurou bem melhor o transporte de bola – numa das suas arrancadas foi derrubado de tal forma que o árbitro rompeu a linha com que tinha cozido o bolso de onde se tiram os cartões amarelos – e deixou claro que lá por ser o futuro não deixa de fazer parte do presente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, ultrapassado o castigo interno da excursão a Turim, esforçando-se por carrilar jogo. Não esteve brilhante, nem particularmente inspirado na hora de puxar a perna para trás e rematar, mas nada deve temer: é dos poucos visíveis que os carecas holandeses gostam mais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Terminou o jogo a passo, bastante irritado com o árbitro, os adversários, os colegas e aquele tipo que lhe aparece no espelho quando não faz a barba. Até pareceu tentar forçar o amarelo que o afastaria da primeira das deslocações que o Sporting tem agendadas ao Jamor – na próxima semana será só para defrontar o Belenenses SAD –, permitindo que o golo com que irá bater o recorde de meio-campista mais goleador de sempre na Europa ocorresse na provável e temida despedida ao Estádio de Alvalade, quando o Sporting receber o Tondela. Antes disso fez trinta por uma linha aos adversários, servindo Luiz Phellype, Raphinha e (infelizmente) Diaby para ocasiões de golo que ficaram por concretizar, tal como só conseguiu torturar o poste ao lançar uma bomba, de ângulo quase impossível, servido por Raphinha. Retribuiu a gentileza com o passe monumental com que o brasileiro inaugurou o marcador e foi adiando o momento mais esperado por si e pelos mais de 40 mil adeptos que enchiam as bancadas. Só que nunca chegou. Não por falta de tentativa, pois Bruno empenhou-se em fazer grandes golos, daqueles que não precisam de notário para terem assinatura reconhecida (uma bomba em arco saiu bem perto do alvo...), tentou fazer golos normais (isolado por Raphinha, fez a bola passar rasteira e rente ao poste) e assistiu vários colegas que, por enorme azar, por vezes se chamavam Diaby.

 

Diaby (1,5)

Voltou a homenagear os Xutos & Pontapés, nomeadamente os célebres versos “nunca dei um passo/que fosse o correcto/eu nunca fiz nada/que batesse certo”. Além de um controlo de bola calamitoso e de passes disparatados, tornando um suplício para as bancadas pressentir a hipótese de o verem a ter intervenção nas jogadas, rematou sempre de forma deficiente ao usufruir de passes que o deixavam de frente para aquela caixa em que é suposto enfiar a bola. Não chegou ao nível “volta Sinama-Pongolle, estás perdoado”, mas andou lá perto.

 

Raphinha (4,0)

Começou o recital com um remate fortíssimo que a barra devolveu e ficou perto de marcar de cabeça antes de executar um cruzamento teleguiado que Luiz Phellype desviou para o poste mais distante, tal como antes servira Bruno Fernandes para outra agressão aos ferros da baliza Vítor Damas. Melhor sorte e engenho teve ao receber o passe de Bruno Fernandes, desviando-se de Miguel Silva apenas o suficiente para conseguir ganhar posição para um remate imparável. Desfeito o nulo, mesmo sem festejar por respeito ao antigo clube, sentenciou o destino dos vimaranenses no início da segunda parte, fazendo o que quis do defesa que o tentou cobrar até servir Luiz Phellype para o 2-0. Até ao fim não desistiu de marcar e de ajudar a marcar, embora tenha ficado progressivamente contaminado com o adormecimento em curso no jogo leonino. Em linguagem de “A Guerra dos Tronos”, dir-se-ia que pode ser ele o “príncipe que foi prometido” da temporada 2019/2020.

 

Luiz Phellype (3,5)

Dois remates à barra e ao poste, com os pés e com a cabeça, ambos logo na primeira parte, foram a prova de que pretendia continuar uma série que a todos surpreende e transforma os problemas físicos de Bas Dost numa nota de rodapé. Sempre pronto a lutar pela equipa, voltou a estar no sítio certo à hora certa, desviando para o fundo das redes o cruzamento rasteiro de Raphinha. Vão cinco jogos consecutivos a marcar na Liga NOS, com meia-dúzia de golos assaz prometedores para quem chegou a parecer mais um equívoco.

 

Borja (2,5)

Entrou para lateral-esquerdo quando Keizer reparou na nulidade de Diaby, levando a que Acuña se adiantasse no terreno. Não se pode dizer que os dois tenham combinado especialmente bem, ou que o colombiano tenha sido particularmente esclarecido na sua actuação, mas nada fez de muito errado.

 

Miguel Luís (2,0)

Teve direito a mais alguns parcos minutos, destinados sobretudo a fazer descansar Wendel. Integrou-se sem problemas num meio-campo desde há muito concentrado em fazer os minutos passarem até ao apito final.

 

Jovane Cabral (1,5)

Entrou em cima dos 90 minutos, ainda a tempo de fazer um disparate que resultou num contra-ataque prontamente contido pelos colegas.

 

Marcel Keizer (3,0)

A sua equipa dominou completamente a quinta melhor equipa da Liga NOS (ainda que nem sempre o pareça), marcou dois golos, não sofreu nenhum e levou a bola a embater quatro vezes nos ferros da baliza. E ainda assim ouviu assobios das bancadas à medida em que se dedicou durante metade da segunda parte a fazer circular a bola entre os defesas e os guarda-redes, reduzindo o ritmo do jogo até à “flatline”. Não foi bonito, após um excelente arranque e muitas provas de virtuosismo individual e de trabalho colectivo, mas pode ser explicado com a necessidade de gerir esforço. Mais difícil de explicar é a aposta em Diaby, apesar dos pesarosos pesares, tal como a demora nas substituições e a incapacidade de retirar alguns jogadores mais esgotados.

Armas e viscondes assinalados: Luiz Phellype evitou o calvário

Nacional da Madeira 0 - Sporting 1

Liga NOS - 30.ª Jornada

19 de Abril de 2019

 

Salin (3,0)

Arriscou-se a passar por turista, tão poucas foram as jogadas de ataque da equipa da casa, mas quando foi preciso mostrar serviço conseguiu estar à altura dos acontecimentos. Seja antecipando-se a quem procurava isolar-se, seja defendendo com os punhos os melhores de entre os raros cruzamentos.

 

Ristovski (3,0)

Teria sido uma viagem ainda melhor à Madeira caso controlasse melhor a bola ao ser desmarcado na grande área por Bruno Fernandes. Ainda que bastante recuado em relação a Acuña, integrou-se bem nas jogadas de ataque sem deixar de tapar os caminhos para a equipa da casa. Um seu corte “in extremis” travou o que seria a melhor jogada do Nacional da Madeira.

 

Coates (3,0)

Uma ou duas perdas de bola comprometedoras foram compensadas com a habitual dose de cortes providenciais. Como aquele em que travou sem falta um adversário que procurava acercar-se da baliza de Salin após um disparate de Jovane Cabral.

 

Mathieu (3,5)

Além do contributo para a inexpugnabilidade da baliza leonina, fenómeno raro nas deslocações, o central francês voltou a desbloquear marcações e tibiezas alheias com incursões pelo meio-campo contrário – tanto pelo corredor esquerdo como pelo centro do terreno – das quais resultou muito perigo. Ficou perto de voltar a marcar em duas ocasiões, sendo a segunda um remate cruzado, na ressaca de um canto, mesmo ao lado do poste. Há decerto quem pondere oferecer-lhe um contrato vitalício.

 

Acuña (3,5)

Um amarelo aos sete minutos condicionaria alguém menos competitivo do que o argentino. Não foi o caso do lateral-esquerdo que muitas vezes subiu até à linha para realizar os seus famosos cruzamentos. Viu todos desperdiçados até que a meio da segunda parte surgiu a emenda de Luiz Phellype a um livre que cobrou à entrada da área. Mais uma assistência para juntar à colecção de um dos mais incansáveis futebolistas da história do Sporting.

 

Gudelj (3,5)

Mesmo o amarelo que o afasta do próximo jogo foi uma demonstração de inteligência, na medida em que evitou o mal maior de um contra-ataque perigoso após perda de bola de Coates (outro dos muitos titulares leoninos à beira do jogo de castigo). O sérvio fez de longe a sua melhor exibição, com enorme influência na tranquilidade que fez de Salin mero espectador quase até ao fim. Implacável nos cortes, desarmes e antecipações, mesmo na saída com bola esteve muito melhor do que a sua (baixa) fasquia habitual.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Titular devido à excursão de Wendel a Turim, não rendilhou o futebol leonino como o jovem brasileiro costuma. Certo é que se fez valer da rapidez e da capacidade de choque para ajudar a manietar a equipa da casa e integrou-se em algumas jogadas de ataque, mantendo-se em campo até ao fim.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Rematou pela primeira vez ao segundo minuto de jogo e pouco depois isolou Ristovski  na grande área. Parecia que voltaria a ser decisivo para o triunfo do Sporting, mas o golo que baterá todos os recordes ficou guardado para o próximo jogo, em Alvalade, contra a Vitória de Guimarães. Sempre empenhado em dar instruções aos colegas, combinou bem com Acuña, esbanjou passes com Diaby e até desperdiçou uma boa assistência de Luiz Phellype, mesmo no final do jogo, faltando-lhe pernas para avançar para a baliza.

 

Diaby (2,0)

Cinco remates fez o maliano, sendo o melhor de todos, forçando o guarda-redes a esticar-se todo para evitar o golo, aquele que de mais difícil execução parecia ser. Adepto de estar no sítio certo à hora certa, pena é que tenha feito sempre a coisa errada, rematando contra defesas ao receber cruzamentos de frente para a baliza, ou permitindo a mancha do guarda-redes. Se dependesse de Diaby o Sporting teria saído da Madeira com um ponto tão mísero quanto o seu acerto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Um remate em arco que permitiu a melhor defesa do atarefado Daniel Guimarães, uma arrancada pela direita culminada com um remate à figura e um passe de rotura para Diaby foram o lado A de uma exibição em que o extremo terá batido recordes de passes errados e decisões erráticas. A arma secreta de José Peseiro terá de recalibrar-se para sobreviver ao possível regresso ao plantel de Mama Baldé (que voltou a marcar pelo Aves) e Matheus Pereira, bem como a total integração de Gonzalo Plata.

 

Luiz Phellype (3,5)

Ficou perto de se candidatar ao Prémio Puskas, correspondendo com um toque de calcanhar acrobático a um cruzamento de Acuña, mas a bola saiu ao lado do poste. Em vez disso, já na segunda parte, acorreu a novo cruzamento do argentino, na cobrança de um livre, e evitou o calvário dos sportinguistas ao garantir três pontos com o seu quinto golo em quatro jogos. À parte isso, primou pela luta com os defesas – dificultado pela carta branca que os centrais do Nacional receberam de Carlos Xistra para o carregarem pelas costas – e ainda fez uma assistência para o que poderia ter sido um golo histórico de Bruno Fernandes. Há dias felizes.

 

Jefferson (2,0)

Resgatado da lei do esquecimento pela lesão de Borja, e lançado para o jogo devido à progressiva inépcia de Jovane Cabral, entrou com ordens para ficar à frente de Acuña. A sua interpretação daquilo que é suposto um extremo fazer ainda chegou para um belo cruzamento que acrescentou mais um capítulo ao manual de desperdícios de Diaby.

 

Miguel Luís (2,0)

Dez minutos de jogo que serviram de prova de vida, ainda que parte desse tempo tenha servido para entender a sua posição em campo.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Cinco minutos à Sporting concedidos pelo treinador permitiram-lhe fazer uma boa combinação com aquele senhor que se chama Bruno Fernandes e o ofusca com a sua omnipresença, omnisciência e omnipotência. E algumas demonstrações de domínio de bola junto à linha lateral que serviram de aperitivo para melhores dias que vão tardando.

 

Marcel Keizer (3,0)

Conquistou mais três pontos num autêntico festival de desperdício que se traduz numa taxa de sucesso abaixo dos cinco por cento, tendo mérito na forma como dispôs uma equipa sem os castigados Renan e Raphinha, o castigado interno Wendel e os lesionados Battaglia e Bas Dost. Pronto a perdoar as ofensas dos seus jogadores aos adeptos, adiou as substituições ao limite, guardando-as para quando já tinha vantagem no marcador. Saiu feliz, mas ficou credor de uma goleada que os seus jogadores não souberam fazer.

Armas e viscondes assinalados: A arte subtil de dizer não nos f...

Desp. Aves 1 - Sporting 3

Liga NOS 29.ª Jornada

13 de Abril de 2019

 

Ruben Ribeiro (1,5)

Expulso sem sequer tocar na bola, divide culpas com Mathieu pela cerimónia com que não agarrou uma bola inofensiva e permitiu que um adversário a controlasse, optando por derrubá-lo, mesmo arriscando pénalti ou expulsão. Bem vistas as coisas, mais valeria ter cometido a falta dentro da grande área, pois o Sporting não teria de ficar com dez desde os cinco minutos. E sofrer golos fora de Alvalade tornou-se tão natural quanto promover fugas de informação de documentos internos do clube.

 

Ristovski (3,0)

O cruzamento com que assistiu Bruno Fernandes no lance do 1-3 foi o melhor prémio para uma exibição abnegada, sempre com grandes cautelas na hora de subir no terreno e incessante e quase sempre eficaz vigilância aos velozes extremos avenses.

 

Coates (3,0)

A pouca inspiração nas tentativas de irromper pelo meio-campo contrário, bem como a demora na reacção à jogada que resultou na grande penalidade que fez parecer que o Sporting estava destinado a lixar-se com f, impediram uma noite tranquila. No outro prato da balança estão a intervenção no lance do 1-2 e os sucessivos cortes que foram atrasando na segunda parte o que parecia inevitável: a reviravolta a favor da equipa que tinha mais um relvado quase desde o início.

 

Mathieu (3,0)

Muito tinha para redimir-se, na medida em que a sua hesitação inicial esteve na génese da expulsão de Renan. O sentimento de culpa toldou-lhe os movimentos, mostrando-se menos acutilante do que é habitual nas saídas com bola. O ponto de viragem foi a melhor redenção que poderia desejar, marcando o 1-2 numa emenda ao remate-assistência de Wendel. Muito teve que trabalhar na segunda parte, face à avalanche ofensiva da equipa da casa, e ocasionais descompensações de Acuña e Bruno Fernandes no corredor esquerdo. Mas sobreviveu a tudo, tal como o Sporting.

 

Acuña (3,5)

A assistência para o primeiro golo, com um cruzamento perfeito para Luiz Phellype, foi a marca mais tangível de uma exibição à altura do argentino. Devolvido a lateral-esquerdo, face à lesão de Borja e ao ocaso de Jefferson, percorreu o corredor muitas vezes, combinando na perfeição com o deslocado Bruno Fernandes. Capaz de driblar adversários se estivesse dentro de uma cabina telefónica, recebeu um amarelo na segunda parte por ser derrubado quando se aprestava a entrar pela grande área do Desportivo das Aves, sendo poupado a ver o segundo em algumas faltas. Também teve nos pés a possibilidade de fazer o 1-3 que sossegaria os leões, servido por Bruno Fernandes após ele próprio recuperar a bola, mas o talentoso guarda-redes adversário não permitiu que a bola lhe passasse por entre as pernas.

 

Gudelj (2,5)

Boa parte do ónus da inferioridade numérica dos leões recaiu sobre o sérvio, prejudicado pelo desvio de Bruno Fernandes para a esquerda e pelo défice de omnipresença de Wendel. Mesmo assim, Gudelj nem sequer começou mal, até porque as limitações na condução de jogo também são patentes quando o Sporting tem tantos em campo quanto o adversário. Mas a atitude contemplativa no lance do pénalti que resultou no empate, e o cartão amarelo que viu logo na primeira parte, condicionaram o desempenho e levaram a que Marcel Keizer optasse por retirá-lo.

 

Wendel (3,5)

Mais um bom jogo do jovem brasileiro, a quem foram entregues as chaves do meio-campo devido à inferioridade numérica. Forçado a multiplicar-se na construção de jogadas e na cobertura ao adversário, teve como principais feitos o remate torto que Mathieu desviou para o fundo da baliza e o lance de contra-ataque na segunda parte em que correu com bola mais de metade do campo e assistiu Raphinha para um enorme desperdício.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Seria o jogo perfeito para superar o recorde de Frank Lampard, tornando-se o médio europeu com maior número de golos numa só temporada, e igualar a marca do brasileiro Alex, médio com maior número de golos numa só temporada na Europa. Só que aos cinco minutos teve de sair da zona em que provoca desconforto alheio e fixar-se no corredor esquerdo, o que limitava as hipóteses de ser decisivo. Mas claro que quando a vida lhe dá limões, Bruno Fernandes abre uma barraquinha de limonadas que num ápice vai parar ao mercado de capitais: começou com um remate traiçoeiro de muito longe, urdiu com Acuña a jogada do 0-1, provocou pavor num defesa de que iria tentar marcar de livre directo e permitiu aos colegas avançarem para a grande área e fazerem o 1-2, e depois do intervalo serviu o argentino para uma das melhores oportunidades de sentenciar o jogo e voltou a testar o guarda-redes adversário com uma “bomba” disparada da quina da grande área. Sendo certo que nos últimos minutos aparentava estar desterrado na esquerda, e com flagrantes dificuldades para ajudar a defesa, avançou para a grande área contrária, viu o cruzamento de Ristovski e voou como Jardel sobre um central, marcando de cabeça, como mandam as regras, para o 1-3 do contentamento verde e branco. Como se tivesse acabado de escrever um “best seller” com o bonito título ‘A Arte Subtil de Dizer Não Nos F...’.

 

Raphinha (2,5)

Pedia-se-lhe que compensasse a falta de um colega com dribles e arrancadas. Assim tentou, mas não raras vezes com pouca sintonia em relação aos colegas. Da sua primeira parte ficou na retina um cruzamento a que Bruno Fernandes não conseguiu chegar a tempo e o derrube ainda distante da baliza que Bruno Fernandes, Coates, Wendel e Mathieu transformaram no 1-2. Símbolo do pouco acerto do talentoso extremo brasileiro foi o desperdício do terceiro golo, permitindo a mancha do guarda-redes após receber um passe de morte de Wendel.

 

Jovane Cabral (-)

O jovem extremo não costuma render tanto quando é titular, mas desta vez pareceu amaldiçoado. A expulsão de Renan levou a que fosse sacrificado antes de poder fazer algo certo ou errado. Talvez tenha melhor sorte na sexta-feira, frente ao Nacional da Madeira, pois a suspensão de Raphinha (que completou uma série de amarelos) limita ainda mais as escolhas de Keizer.

 

Luiz Phellype (3,0)

O quarto golo consecutivo em três jogos para a Liga NOS, num cabeceamento fulgurante ao centro de Acuña, revela a excelente taxa de sucesso nas ocasiões de perigo. Seguiram-se mais de 80 minutos de luta solitária, quase sempre de costas para a baliza e pressionado pelos centrais adversários. Cumpriu, sem deslumbrar e em crescente desgaste, até receber merecido descanso.

 

Salin (2,5)

Entrou quase sem aquecer e saiu atrasado ao adversário que derrubou, pouco lhe valendo adivinhar o lado para onde o pénalti foi cobrado. Desse momento em diante esteve nos sítios certos, encaixando remates não especialmente inspirados. Todos menos aquele que Derley desferiu, já aos 90 minutos, anulado pelo VAR por o avançado brasileiro ter apalpado o rosto de Coates no início da jogada.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Substituiu Gudelj e voltou a não melhorar aquilo que o sérvio tentava fazer. Ficou por receber um cartão amarelo alaranjado por uma entrada fora de tempo e não aliou discernimento ao acréscimo de velocidade que trouxe ao meio-campo leonino.

 

Diaby (1,5)

Entrou para fazer descansar Luiz Phellype, mas desde os primeiros toques na bola deixou claro que não estava ali para ajudar. Desastroso quando não irrelevante, voltou a mostrar que o seu maior valor para a equipa é habituar os colegas a terem menos um em campo mesmo quando os árbitros não lhes mostram cartões vermelhos.

 

Marcel Keizer (3,0)

Mais três pontos muito esforçados, com a equipa a superar uma desvantagem numérica quase desde o início do jogo, são o prémio para uma equipa bem arrumada e que fez das tripas coração. Forçado a sacrificar Jovane para a entrada de Salin, jogou o melhor que pôde com as poucas peças que restavam no tabuleiro e manteve pressão sobre o Sporting de Braga, que precisa de vencer o Tondela para reduzir a vantagem leonina para três pontos.

Armas e viscondes assinalados: Para quê pedir a Lua se temos as estrelas?

Sporting 3 - Rio Ave 0

Liga NOS - 28.ª Jornada

7 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Voltou a terminar um jogo sem sofrer golos, mas desta vez não contou com as facilidades decorrentes da inépcia dos avançados benfiquistas, pelo que teve mesmo de se esforçar para travar as investidas do Rio Ave. Deu nas vistas ao antecipar-se a um avançado com um corte de cabeça à saída da grande área e, já com o resultado feito, ao encaixar um remate muito forte e colocado, tendo ainda reflexos suficientes para impedir a bola de passar leve, levemente, pela linha de golo.

 

Ristovski (2,5)

Não foi um jogo em que os laterais se tenham destacado muito. Mas no caso do macedónio pode falar-se em culpa por associação, pois a presença de Diaby na direita não só impediu jogadas com cabeça, tronco e membros como levou a que o resto da equipa optasse por uma saudável ostracização desse sector.

 

Coates (3,0)

Melhor seria se não tivesse apostado em incursões catastróficas com bola pelo meio-campo contrário. Não estava no seu dia para aventuras dessas, ao contrário do que sucedeu na prestação defensiva, novamente ao nível dos seus pergaminhos pela relva e pelo ar.

 

Mathieu (3,5)

Não só desfez uma ou duas asneiras cometidas pelo parceiro de eixo central como cumpriu a habitual quota de cortes e antecipações. Mas ainda mais impressionante foi a qualidade com que iniciou jogadas e deu cartas enquanto lateral-esquerdo (e logo num jogo em que Marcel Keizer teve três colegas diferentes a desempenhar essa posição), conquistando a linha e cruzando como se fosse um adolescente tardio.

 

Borja (2,0)

Presenteado pela impetuosidade adversária logo nos primeiros minutos, viu-se retirado de maca, regressou ao relvado e não raras vezes pareceu estar a mais entre Acuña e Wendel. Saiu ao intervalo e tarda em afirmar-se como verdadeira solução.

 

Gudelj (3,0)

Não lhe peçam para dar início a uma jogada de ataque, mas na parte de destruir e condicionar jogo alheio está irreconhecível de há umas semanas para cá. Quase como aqueles funcionários que demonstram as qualidades mais escondidas quando se aproxima o momento da renovação de contrato.

 

Wendel (4,0)

Muitas vezes jogador de equipa, o jovem brasileiro resolveu ser jogador que faz a equipa ganhar com sossego. Não satisfeito com a assistência brilhante para o primeiro golo, vendo Acuña e Luiz Phellype a desmarcarem-se, assinou o primeiro golo na Liga NOS com um remate em arco, ogiva, cristal. O guarda-redes não sabe, nem sonha, como a bola colorida foi parar uma terceira vez ao fundo das redes.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Igualou o recorde de Frank Lampard como meio-campista mais goleador de sempre na Europa ao cobrar um daqueles pénaltis em que o guarda-redes melhor faria em beber uma chávena de chá de tília. E, entre muitas demonstrações aleatórias de grandeza, ganhou a linha, entrou na grande área do Rio Ave pela esquerda e centrou rasteiro e atrasado para o golo de Wendel. Até ao final do jogo várias vezes tentou que os colegas dilatassem o marcador além da conta que Deus fez, mas ninguém quis fazer a desfeita ou se lembrou de devolver a bola para que o tal recorde do inglês passasse a ser história medieval. O “Lampardexit” fica para a próxima.

 

Diaby (1,5)

O Sporting venceu por três golos de diferença, e sem nunca causar apertos no coração dos poucos mais de 26 mil irredutíveis alvaladenses nas bancadas, apesar de contar com o maliano em noite não de tendência nunca. Trapalhão, atrapalhado, quando não simplesmente alheado, manteve-se até ao apito final. Será que Marcel Keizer teme intervenções sacerdotais na luta pelo terceiro lugar e resolveu treinar a possibilidade de se ver a jogar com menos um campo?

 

Acuña (4,0)

Será possível retirar a bola ao polivalente argentino? As estatísticas provam que não é muito fácil, e nem se pode falar em falta de dados, tantas foram as vezes que Acuña bailou com a bola frente a um, dois ou três adversários, talvez inspirado num moço com quem por vezes divide balneário chamado Lionel. Para a história de um jogo que procurou sempre descomplicar fica o domínio de bola com que facilitou a missão de Luiz Phellype no lance do primeiro golo, aberturas traçadas a régua e esquadro e a disponibilidade para ser extremo, lateral e tudo. Tal como Mathieu, teve direito a uns minutos de descanso e a uma ainda mais merecida ovação.

 

Luiz Phellype (3,5)

Mais um golo, concluindo com calma glaciar um contra-ataque que ajudara a lançar, e o pénalti que sofreu, ao ser abalroado por um defesa após um cabeceamento em esforço, são as faces mais visíveis de uma exibição muito positiva. O feitiço parece ter sido quebrado de vez, e o brasileiro peitudo e raçudo da lei dos erros de casting se vai libertando.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou para agitar a esquerda e quase que o conseguiu, ficando muito perto de servir Luiz Phellype para o mais próximo de 4-0 que se viu na segunda parte. Ainda não é o milagreiro de Peseiro, mas ninguém lhe pode contestar a utilidade.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O prémio por ter segurado o forte na meia-final da Taça de Portugal foram minutos enquanto lateral-esquerdo. Não se portou mal do lado contrário, jogando seguro, e até poderia ter marcado, servido por Bruno Fernandes. Mas como não é o homónimo optou por alvejar as bancadas.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para o descanso (e aplauso das bancadas) de Mathieu. Sem ser aquele rapaz turco que marca golos em Itália e que Cintra & Peseiro resolveram emprestar com uma cláusula de compra acessível ao mesmo tempo que preferiam contratar Diaby em vez de Fábio Coentrão, também não esteve nada mal.

Marcel Keizer (3,5)

Adiantou-se aos críticos e reconheceu que o Sporting não jogou tão bem quanto na quarta-feira. Mas jogou bastante bem, venceu com folga e sem qualquer tremelique, e só ficou a dever a si próprio uma goleada das antigas. Do treinador só se questiona a necessidade de fazer descansar Acuña e não Bruno Fernandes, elevando a fasquia para “vencer três a zero com Diaby e Bruno Gaspar em simultâneo”. Será que Francisco Geraldes foi apanhado a ler um romance durante uma das palestras do holandês?

Armas e viscondes assinalados: O nome dele é lenda

Sporting 1 - Benfica 0

Taça de Portugal - 2.ª Mão da Meia-Final

3 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Raras são as tardes e noites em que não recolhe uma bola do fundo da baliza. Mas assim sucedeu ao encontrar o poderoso ataque de um Benfica incapaz de fazer um remate em condições ao longo de todo o jogo. E ainda teve a bondade de afastar para canto, logo na primeira parte, o mais próximo de uma ocasião de perigo que a equipa visitante conseguiu arranjar.

 

Bruno Gaspar (3,0)

É provável que na hora dos festejos tenha conseguido que Rafa perdesse a cabeça ao ponto de ser expulso por dizer “para dar conta de vocês basto eu”. Elevado à categoria de “disco pedido”, por entre a sucessão de oligofrenias que resultou na expulsão e castigo a Ristovski, o lateral-direito de recurso até começou o jogo a assustar o facilmente assustável Svilar com um remate de longe que saiu ao lado. Com o passar dos minutos perdeu fulgor, enfrentou adversários mais versados na arte de chutar bolas do que ele, mas cumpriu até ao momento em que Marcel Keizer abdicou do seu contributo para apostar ainda mais no único resultado que interessava.

 

Coates (3,0)

Cumpriu sem deslumbrar, mas também sem dar os sinais de erro sistémico observados no jogo anterior. E convém admitir que os artistas vestidos de encarnado ajudaram ao final feliz.

 

Mathieu (3,5)

Limpou o que tinha a limpar, subiu no terreno quando foi preciso, e terminou um jogo com a satisfação que os adeptos teriam caso resolvesse anunciar que adia a reforma por mais uma temporada.

 

Borja (3,0)

Ficou muito bem na capa dos jornais desportivos agarrado às costas de Bruno Fernandes. Também nada fez de mal enquanto esteve em campo.

 

Gudelj (3,5)

Não só começa a orientar os remates para a baliza adversária, dando por terminada a guerra contra os apanha-bolas, como controlou de forma bastante eficaz as veleidades contrárias. 

 

Wendel (3,0)

Mais uma exibição plena de esforço, dedicação e devoção, desta vez coroada com glória, que pôde ser testemunhado “in loco” por Jorge Jesus, o treinador que o viu chegar a Alvalade, em troca de um punhado de milhões de euros, e preferia pôr Misic a jogar.

 

Raphinha (3,0)

A recuperação de bola no lance do golo do Sporting foi uma demonstração de capacidade de luta de quem se arrisca a assumir a responsabilidade de fazer o Sporting grande outra vez na próxima temporada. Mas para que tal suceda é bom que vá melhorando a pontaria nos remates.

 

Acuña (3,5)

Ainda não é muito clara a sua motivação no final do jogo, quando teve de ser agarrado pelos colegas para não cometer algo de que decerto nem se arrependeria. Sendo debatível que tenha os maiores tomates do Mundo, como divulgou a sua legítima esposa, ninguém duvida que se trata do jogador mais combativo do plantel leonino. E um dos dois ou três mais capazes de ficarem a dormir com a bola quando vão jantar a casa dos seus pais.

 

Bruno Fernandes (4,0)

O nome dele é lenda, preparando-se para bater recordes que tornam menos agridoce a perspectiva de que só vá fazer, na ausência de lesões ou castigos, mais oito jogos com o leão ao peito. Depois de ter deixado o Sporting com a porta do Jamor entreaberta, mercê de um livre directo memorável na primeira mão, carimbou o acesso à final da Taça de Portugal com um remate forte e colocado que nem um guarda-redes de elevada qualidade defenderia. Antes disso já fustigara a barra da mesma baliza com um livre directo a punir uma falta em que Pizzi o rasteirou por trás e sem amarelo quando se preparava para rematar. 

 

Luiz Phellype (3,0)

Desta vez não marcou, ainda que o tivesse tentado com intenção e técnica. Mas esteve particularmente bem de costas para a baliza, complicando a vida aos centrais encarnados.

 

Tiago Ilori (3,0)

Não ganhava ao Benfica desde a adolescência. Espera-se que retome esse bom hábito.

 

Diaby (3,0)

É tecnicamente correcto dizer que fez a assistência para o golo de Bruno Fernandes, e esse passe rápido e eficiente para quem sabe fazer melhor do que ele compensa todas as diabyices cometidas no relvado.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para segurar o resultado e descansar Wendel sem que fosse preciso utilizar algum produto da Academia de Alcochete.

 

Marcel Keizer (3,5)

Escolheu a noite certa para acertar nas substituições, nas adaptações tácticas no decorrer do jogo e sabe-se lá no que mais. Só Bruno “Lenda” Fernandes tem mais responsabilidade do que ele na hora e meia feliz que permite ao Sporting pós-invasão a Alcochete ter a possibilidade de fazer melhor nesta temporada do que naquela em que Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins ainda estavam no plantel, Battaglia não era um lesionado de longa duração e Bas Dost mantinha o estatuto de máquina de fazer golos.

Armas e viscondes assinalados: Para lá do Marão, à beira de um ataque de coração

Desp. Chaves 1 - Sporting 3

Liga NOS - 27.ª Jornada

30 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Quase tão inevitável quanto a morte, os impostos e a nomeação de competentíssimos familiares de governantes para gabinetes ministeriais, o golo dos adversários chegou quando o Sporting tinha mais um jogador em campo. O brasileiro bem tentou fazer a mancha quando o avançado do Chaves lhe apareceu isolado pela frente, mas não resultou, ao contrário do que sucedera minutos antes, quando os centrais também deixaram que alguém cabeceasse ao segundo poste. Há dias assim - quase todos os dias em que a rapaziada de verde e branco pisa o relvado. 

 

Ristovski (2,5)

As expulsões descabeladas do macedónio em véspera de jogos com o Benfica são o new black do futebol português. Teve que ser o videoárbitro com nome de personagem e de actor de clássico da comédia portuguesa portuguesa a descortinar jogo perigoso num corte, permitindo ao árbitro Manuel Mota cobrir-se mais uma vez de vergonha, ao mesmo tempo que conseguia desfazer a decisão igualmente errada de expulsar um defesa flaviense que derrubou Raphinha sem que este se estivesse a dirigir para a baliza adversária. Antes deste infecto episódio Ristovski fez a assistência para o primeiro golo, ajudando a quebrar um encanto digno de conto infantil, esteve atento às movimentações de todos os adversários (menos daquele que marcou o golo do empate) e integrou-se mais ou menos bem na manobra ofensiva. Uma parte dele terá de ficar lisonjeada por o quererem assim tanto afastar da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal.

 

Coates (2,0)

Começou ao seu melhor estilo, arriscando o autogolo para cortar um cruzamento que daria golo quase de certeza. Depois foi o dilúvio: incontáveis passes errados, faltas de concentração na cobertura, aquele lance em que deixa escapar nas suas costas o autor do golo do Chaves... Que melhores dias e noites venham depressa. De preferência já nesta quarta-feira.

 

Mathieu (3,0)

Esteve ao nível que é o seu, destoando pelo desnível no resto da linha defensiva. Além de desfazer problemas com a competência que lhe é reconhecida, tirou partido da vontade de criar soluções para empurrar a equipa na direcção da baliza adversária. Num desses lances entrou na grande área do Chaves e tentou servir um colega, mas a bola desviou num adversário e acabou por ser encaixada pelo guarda-redes.

 

Borja (2,0)

Também não leva grandes recordações daquilo que está para lá do Marão. Incerto nos cruzamentos e pouco dinâmico a construir jogadas, distinguiu-se sobretudo ao sair para a entrada de Jovane Cabral quando chegou a hora do aperto.

 

Gudelj (2,5)

Recuperou a titularidade, como era expectável, mesmo sem dar provas de conseguir ser o motor de arranque do meio-campo leonino. Mas há que reconhecer que fez o seu melhor remate de longa distância - no sentido de que saiu enquadrado com a baliza e forçou uma defesa de dificuldade média-alta - e que contribuiu para um enganador sossego da equipa ao sofrer a entrada que levou à expulsão de um adversário. Pouco depois saiu de campo, talvez por Marcel Keizer temer que seria ele o próximo a ver um segundo amarelo.

 

Wendel (3,0)

Faltou-lhe o golo, apesar de uma tentativa mais prometedora do que bem conseguida, num jogo em que teceu jogadas como as aranhas tecem teias. E em que não esmoreceu na hora em que a deslocação a Chaves parecia destinada a correr mesmo muito mal.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Para o jogo 100 com a camisola do Sporting nada melhor do que um golo de longa distância, igualando o lesionado Bas Dost como melhor marcador da equipa na Liga. Poderiam ter sido dois, mas o guarda-redes António Filipe roubou-lhe esse prazer antes de sair lesionado. Mas logo no primeiro tempo fora vítima do capitão dos leões, que desmarcou Ristovski para o cruzamento que deu origem ao primeiro golo. Graças a um daqueles passes magníficos que, na bitola de Bruno Fernandes, são apenas mais um dia no escritório.

 

Raphinha (3,0)

Todo ele é técnica no domínio de bola, aliada a uma das velocidades mais perigosas da Liga NOS. Mas desta vez não tinha as chuteiras calibradas no momento do remate e ainda viu a jogada de maior perigo apagada pelo árbitro Manuel Mota depois de um “think tank” na Cidade do Futebol discernir falta anterior e cartão vermelho para o sanguinário Ristovski.

 

Acuña (3,0)

Tem o seu quê de irónico que o argentino se torne mais perigoso quando recua de extremo para lateral-esquerdo. Assim voltou a suceder, com uma assistência primorosa para o golo de Bruno Fernandes e boas combinações com Jovane. Mas bem poderia ter evitado uma carga de ombro dentro da sua grande área que poderia ter resultado num pénalti a favor do Desportivo de Chaves.

 

Luiz Phellype (3,5)

Desatou a chorar quando marcou o primeiro golo desde que foi contratado ao Paços de Ferreira no mercado de Inverno. Talvez tenha sido de alívio, talvez tenha sido de emoção ou talvez tenha sido de dor, pois o seu gesto técnico a empurrar a bola cruzada por Ristovski envolveu lançar o corpo para a frente como se estivesse numa final de salto em comprimento. No resto do jogo tirou sobretudo partido do poderio físico, regressando aos holofotes ao minuto 100, quando foi desmarcado por Jovane Cabral, aguentou a pressão de um defesa, e rematou de forma descomplicada para o 1-3 que sossegou milhões de corações que viam a conquista do terceiro lugar em risco.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e, ao contrário do que é seu bom hábito, pouco ou nada melhorou na circulação de bola do Sporting. Pareceu preso de movimentos e pouco confiante.

 

Jovane Cabral (3,0)

Logo no primeiro lance depois de entrar em campo rematou um pouco ao lado do poste. Empenhado em readquirir o estatuto de resolvedor, mesmo que os minutos a que teve direito se devessem à lesão do prodigioso Diaby, integrou-se nas acções ofensivas do Sporting com mais afã do que critério. Até fazer a assistência extraordinária para Luiz Phellype bisar, bem entendido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Chamado para recompor a linha defensiva após a expulsão de Ristovski, o lateral-direito comprado por mais milhões de euros do que cabe aqui dizer procurou não desmerecer a confiança nele depositada. Neste caso a confiança do treinador e não a confiança das pessoas que tanto apreciam expulsar o seu colega na véspera de jogos com o Benfica.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de somar os três pontos que permitiram a subida ao pódio da Liga NOS (em igualdade pontual com o Braga) sem lograr que a equipa jogasse bem. Sem Bas Dost e Diaby disponíveis caçou com Luiz Phellype e não se deu mal com o método, até porque Bruno Fernandes recuperou a tempo da lesão que o impediu de salvar a Selecção de Portugal de si própria. Continua é a procurar-se a alegria dos primeiros tempos do keizerbol e a aposta na formação que não há maneira de aparecer.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos em depressão frontal

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

15 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Esteve sempre no sítio certo nos raros remates do Santa Clara, segurando tudo menos o mais perigoso, ainda com o marcador a zeros, que foi desviado para canto pelas costas de Ristovski. Menos solicitado a fazer lançamentos longos que tende a ser habitual, visto que o adversário não é dado a pressões, tentou não fazer asneiras com a bola nos pés.

 

Ristovski (3,0)

Além de ter impedido o golo do Santa Clara com as suas costas largas, mesmo sem combinar às mil maravilhas com Raphinha, claramente influenciado pelo individualismo reaganiano dos pais, o lateral-direito macedónio foi um dos aceleradores da equipa, executou cruzamentos que poderiam ter surtido melhor efeito se alguém tivesse ido resgatar o Bas Dost do passado recente e vigiou quase sempre de forma muito competente alguns dos elementos mais competentes do plantel açoriano.

 

Coates (3,0)

Teve uma noite mais normal do que tem sido comum, concentrando-se na missão de cortar lances de perigo do Santa Clara. Assim fez, com o zelo que lhe é habitual, tendo o golo de Raphinha evitava aquele registo em que começa por construir jogadas de contra-ataque e quando se dá por isso passou a ser o segundo ponta de lança leonino.

 

Mathieu (2,5)

Uma perda de bola à entrada da grande área poderia ter estragado de vez uma exibição menos bem conseguido do central francês, ainda que também tenha ficado perto de marcar num livre directo em posição frontal.

 

Borja (2,0)

Durante a primeira parte foi o pior jogador do Sporting, parecendo diversas vezes perdido no relvado e sem saber o que fazer com a bola. Quando parecia fixar-se como terceiro central, prometendo mais do que o lateral-esquerdo, Keizer abdicou da sua permanência.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Recebeu a titularidade apenas devido à suspensão de Gudelj, e desde o apito inicial vincou as diferenças em relação ao sérvio. Nomeadamente naqueles detalhes de ganhar a posse aos adversários, acelerar o meio-campo e avançar para a grande área do adversário com a bola controlada. Capaz de melhorar a equipa do Sporting com a sua presença, Idrissa Doumbia viu-se mesmo assim substituído a meio da segunda parte, fazendo adivinhar que na deslocação a Chaves poderá voltar a ficar sentado no banco.

 

Wendel (2,5)

Muito rendilhou no meio-campo, suprindo incapacidades alheias (sobretudo as de Borja) e procurando posicionar-se para o que desse e viesse. Numa dessas ocasiões, servido por Raphinha em posição frontal, fez um remate fraco à baliza. Na segunda parte continuou a trabalhar muito, sem conseguir disfarçar o cansaço para todos os presentes no estádio tirando Marcel Keizer, que preferiu tirar Idrissa Doumbia na hora de refrescar a equipa.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Tal como os romanos nada fizeram pelos judeus de “A Vida de Brian” tirando o aqueduto, as estradas, a numeração ou os tribunais, também o jovem capitão nada fez pelo Sporting tirando a assistência para o golo de Raphinha ou outra assistência com que o brasileiro ficara perto de inaugurar o marcador. Numa noite menos bem conseguida, na qual os remates de longe saíram sempre à figura, quando não para as bancadas, Bruno Fernandes viu-se muitas vezes manietado pelas pernas dos adversários. Aqueles que, no apurado critério do árbitro Manuel Oliveira, terminaram o jogo com metade dos cartões amarelos exibidos aos futebolistas da casa.

 

Raphinha (3,5)

Marcou o golo que valeu três pontos praticamente caídos do céu, impedindo o guarda-redes Marco de lhe voltar a roubar os festejos, num dos remates com que procurou concretizar a sua missão de agitador do ataque do Sporting. Logo na primeira parte ficou na retina de todos uma jogada em que entrou na grande área do Santa Clara, rodeado de adversários, servindo Wendel para o que poderia ter sido mais do que uma ocasião de golo.

 

Acuña (3,5)

Facto: o Sporting conseguiu a vitória miserável que lhe valeu três pontos indistintos de outros eventuais três pontos conquistados através de uma ainda mais eventual grande exibição porque o argentino executou um lançamento de linha lateral, no limite da força dos braços e aproveitando o posicionamento de Bruno Fernandes, muito adiantado em relação à defesa do Santa Clara. Por essa altura do cronómetro já voltara a ser lateral-esquerdo, sem abrandar minimamente o ritmo e o ímpeto, pois aparentar ser algo que lhe está no sangue. Talvez pudesse fazer umas quantas transfusões aos colegas...

 

Bas Dost (1,5)

Começou trapalhão e desinspirado, travando jogadas de contra-ataque e fazendo remates inofensivos, mas com o passar do tempo deixou cair os braços até ao ponto de fazer figura de corpo presente no relvado. Mas ainda assim continuou até ao apito final, numa demonstração de solidariedade do compatriota que é pago para escolher os melhores jogadores do Sporting. 

 

Diaby (1,5)

Entrou para trazer velocidade ao ataque, à medida que o nulo no marcador começava a eternizar-se, mas nada de bom trouxe à equipa. Nem as arrancadas nem o toque de bola justificaram a sua presença no relvado. Quiçá mesmo no estádio.

 

Miguel Luís (2,0)

Voltou a ser aposta, muito tempo após marcar um belíssimo golo e emocionar o avô, mas também não conseguiu melhorar o desempenho do Sporting.

 

Marcel Keizer (2,5)

É impossível que não tenha visto que Idrissa Doumbia é melhor solução do que Gudelj? Veremos no próximo jogo, mas ninguém deverá apostar muito dinheiro na presença do sérvio no banco. Também o regresso de Bas Dost ao onze titular só não merece maiores reparos devido à horrível exibição de Luiz Phellype no jogo com o Boavista, tornando claro que se o Sporting conseguir melhor do que o quarto lugar praticamente assegurado será apenas graças a uma conjugação feliz dos astros e ao valor de algumas das suas peças, com Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Coates à cabeça. Muito pouco para o orçamento e, sobretudo, para a dimensão da equipa treinada por um homem que, semana após semana, reconhece ser necessário jogar melhor. Mas demora a consegui-lo, tal como voltou a nem sequer conseguir fazer a terceira substituição (Jovane Cabral chegou a tirar o fato de treino...) antes do apito final.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos certos por linhas tortas

Boavista - Sporting

Liga NOS - 25.ª Jornada

9 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofrer o golo do costume logo ao terceiro minuto, da primeira vez em que o Boavista se acercou da sua baliza e sem responsabilidade no funesto acontecimento, retirou ao guarda-redes brasileiro a habitual pressão da inevitabilidade dessa ocorrência. Mais solto e mais seguro, fez frente aos adversários no resto do jogo, concedendo-lhes escassas veleidades, ao ponto de na segunda parte pouco mais fazer além de umas saídas a cruzamentos.

 

Ristovski (2,5)

Responsável moral em primeiro grau da desvantagem madrugadora, sendo tragicamente incapaz de afastar a bola semeada pelo abominável Luiz Phellype, nunca mais teve influência preponderante no relvado. Até porque Raphinha tende a ser um “one man show” na ala direita.

 

Coates (3,5)

Começou a celebrar o jogo 150 de verde e branco na Liga NOS, meta que dificilmente tão cedo será atingida por um futebolista do Sporting, da pior forma: uma escorregadela impediu-o de chegar a tempo à bola oferecida por Luiz Phellype ao jogador do Boavista que assistiu o colega para o 1-0. Em vez de correr atrás do prejuízo, o uruguaio fez com que outros corressem, apostando em passes longos tão bem calibrados quanto desaproveitados. Também mostrou ser o melhor cabeceador do actual Sporting, fazendo a bola passar a centímetros do poste direito - na segunda parte, para desenjoar, fez a bola passar a centímetros do poste esquerdo -, antes de perceber que teria de ser ele a salvar a equipa. Tantas e tão boas foram as incursões pelo meio-campo adversário que Coates liderou o ranking de dribles (seis), sucedendo-se slalons como aquele em que serviu Raphinha para um remate contra um adversário que permitiu a Bruno Fernandes tentar marcar de bicicleta. Ninguém mais do que Coates, um capitão sem braçadeira que já voltou a ser o ponta de lança de recurso em que se tornara no ocaso de Jorge Jesus, merecia os três pontos literalmente caídos do céu.

 

Mathieu (3,0)

É muito possível que esteja de saída, regressando à terra natal para terminar a carreira, mas enquanto não chega essa funesto dia o francês tratou de recordar os sportinguistas que ainda ali está. Tanto a cortar o pouco perigo que o Boavista causou depois do golo como a lançar colegas no ataque.

 

Borja (2,5)

Muitas vezes cruzou para a grande área do Boavista, sem particulares consequências, pois Luiz Phellype foi quase tão ausente quanto Bas Dost, demonstrando uma capacidade de desmarcação ainda assim menos impressionante do que as suas deficiências no jogo de cabeça, pelo que qualquer tentativa de alívio tanto pode ir parar à linha lateral como aos pés de um adversário. Saiu de campo quando Marcel Keizer acordou e percebeu que os três pontos nunca mais apareciam.

 

Gudelj (2,5)

Os adeptos mais cínicos esfregaram as mãos quando o sérvio chocou de cabeça com um adversário, mas o rápido regresso ao relvado só permitiu um suspiro quando João Pinheiro foi buscar ao bolso o cartão amarelo muitas vezes esquecido nas “entradas viris” dos jogadores do Boavista, afastando Gudelj da recepção ao Santa Clara. Ao longo de noventa e tal minutos pouco fez de muito grave, ainda que uma rara tentativa de acelerar o jogo o tenha motivado a executar uma trivela directa para a linha lateral.

 

Wendel (2,5)

Ninguém consegue convencer o treinador de que o jovem brasileiro está cansado e necessita de alguma gestão de esforço. Mas não se pode culpar Wendel disso, pois não disfarçou as dificuldades em manter um ritmo elevado, para alegria dos boavisteiros que tão cedo se viram em vantagem. Não por acaso, o meio-campo leonino ficou a carburar melhor após a sua saída.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Começou por dar menos nas vistas do que é habitual, vendo-se obrigado a compensar a falta de fulgor dos colegas de meio-campo. Mesmo assim fez alguns passes longos extraordinários e mostrou-se disposto a ajudar tanto a defesa quanto o ataque. Depois do intervalo assumiu a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, rematando sempre que teve oportunidades e preparando o guarda-redes do Boavista para o que lhe estava reservado. Bem tentou Bracalli evitar que o Sporting saísse dali com três pontos, defendendo mesmo o notável pontapé de bicicleta com que Bruno Fernandes quase fez o 13.° golo nesta edição da Liga NOS. Para o capitão dos leões, cujo rosto inquieto espelha o momento da equipa, coube a responsabilidade de cobrar o pénalti assaz duvidoso que valeu a vitória, três pontos e a manutenção da luta pelo terceiro lugar.

 

Raphinha (3,0)

Melhor jogador leonino no um contra um, o extremo brasileiro fez o que quis dos adversários no lance do 1-1, terminado com um cruzamento que Edu Machado desviou para o fundo das redes. Velocidade e capacidade de drible para dar e vender poderiam ser compensadas com maior frieza na hora de alvejar a baliza e critério nos cruzamentos. Mas o certo é que, por motivos que só João Pinheiro e o VAR podem explicar, foi-lhe concedida a grande penalidade fora do tempo regulamentar que permitiu ao Sporting conquistar três pontos merecidos.

 

Acuña (3,5)

Edu Machado roubou-lhe o “golo de m...” com que se aprestava a empatar o jogo, aparecendo à ponta de lança na pequena área. Seria um prémio adequado para o argentino, desta vez posicionado como extremo-esquerdo, mais uma vez um oásis de engenho e empenho entre a rapaziada ouçam lá o que eu vos digo. Não só urdiu inúmeras jogadas na esquerda, mesmo depois de recuar para lateral, na sequência da saída de Borja, como demonstrou várias vezes que é quase impossível tirar-lhe a posse de bola sem recurso a falta. E nesses casos provou que mudou o “chip”, sofrendo múltiplos atentados à sua integridade física sem responder na mesma letra aos perpetradores ou invectivar o árbitro que a tudo dizia “siga”.

 

Luiz Phellype (1,5)

O festival começou bem cedo, com um desvio de cabeça destrambelhado que só é menos responsável pelo golo do Boavista do que o seu posicionamento ainda mais destrambelhado no interior da pequena área, permitindo que o autor do tento ficasse em posição legal. Pior do que isso só mesmo a prestação ofensiva do substituto de Bas Dost, oscilando entre o alheamento e o escandaloso. Assim foi o cabeceamento ao poste, a dois metros da baliza e com Bracalli batido, acorrendo ao desvio de Raphinha. Na segunda parte esteve mais discreto, sendo sobretudo autor de faltas atacantes que só João Pinheiro conseguiu percepcionar, recorrendo ao mesmo sexto sentido que lhe permitiu marcar aquela grande penalidade. Se Luiz Phellype não consegue fazer melhor do que isto quando substitui Bas Dost será melhor o Sporting começar a entrar em campo com dez jogadores.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para acelerar o meio-campo e só não cumpriu melhor o objectivo porque Diaby se recusou terminantemente a combinar com ele. Na sexta-feira receberá a titularidade, a não ser que Keizer leve a sua predilecção por Gudelj ao extremo e prefira perder na secretaria a prescindir do seu fetiche balcânico.

 

Diaby (1,5)

Conseguiu ser tão trapalhão em 15 minutos quanto Luiz Phellype no jogo inteiro. Mas ainda poderia ser sido o herói do jogo num universo em que a sua execução não fosse lenta o suficiente para que dois - atente-se no detalhe de ter sido mais do que um - adversários desviassem para canto uma oportunidade de golo.

 

Marcel Keizer (2,5)

Fez um “mind game” a si próprio, convocando quatro centrais sem aparente intenção de adoptar o sistema de três centrais. Cometida a surpresa do 4-3-3, desfeita pela desvantagem logo aos três minutos, tendo apenas um português no onze inicial e nenhum da formação que supostamente chegou para estimular, o holandês observou placidamente como os seus jogadores ganharam natural ascendente e desperdiçaram uma quantidade de oportunidades que também começa a ser natural. Deixando as substituições para o último quarto de hora, apesar de Gudelj e Wendel parecerem substituíveis desde o início do jogo, Keizer recebeu o brinde de uma grande penalidade para lá de questionável, mantendo-se a três pontos do terceiro lugar e ampliando para dez a vantagem para o quinto. Quase desfez a mancha de não ter nenhum “made in Alcochete” em campo, mas João Pinheiro apitou para os balneários antes de Jovane Cabral poder tirar proveito do meio minuto que lhe estava reservado.

Armas e viscondes assinalados: “This shit is a joke” (tirando o resultado e os primeiros 15 minutos)

Sporting 3 - Portimonense 1

Liga NOS - 24.ª Jornada

3 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Reencontrou o adversário que lhe permitiu conquistar a titularidade, naquela terrível algarvia em que a cabeça de Salin embateu no poste e as bolas rematadas pelos adversários tendiam a embater no fundo das redes. Voltou a ter muito trabalho na primeira parte, apesar de o Portimonense já não contar com Nakajima, Manafá e (nesse caso por castigo) Jackson Martínez. Depois de um primeiro quarto de hora inicial magnífico, que deixou o Sporting a vencer por 2-0, coube ao brasileiro salvar a equipa de si mesma. Chegando a fazer duas grandes defesas na mesma jogada, só nada conseguiu fazer no lance do golo da equipa visitante, merecendo a sorte de ver a barra devolver a bola ao relvado do lado certo da linha de golo e a relativa acalmia ao longo da segunda parte.

 

Ristovski (2,5)

Aquele cruzamento que deu origem ao pénalti sobre Bruno Fernandes foi a melhor forma de terminar uma exibição pouco conseguida do macedónio, incapaz de fazer a diferença no ataque (para o que contribuiu a costumeira violência dos adversários, sob o contemplativo beneplácito do árbitro João Capela) e muitas vezes ultrapassado nas missões defensivas.

 

Tiago Ilori (2,0)

Mais do que aquilo que não conseguiu fazer no lance do golo do Portimonense, o que mais sobressai da exibição do ”made in Alcochete” é a quantidade de bolas que passou directamente para os pés dos avançados algarvios. Nenhum desses lances teve consequências gravosas, mas o filho pródigo tarda em justificar o regresso.

 

Mathieu (3,0)

Voltou em boa hora, recuperado de mais uma lesão, e substituiu o ausente Coates enquanto patrão da defesa leonina. Ao longo da sufocante primeira parte fez cortes preciosos e deu literalmente o corpo à bola para evitar um golo, embora não tenha sido imune ao disparate, permitindo um contra-ataque perigoso ao hesitar se deveria ser ele ou Acuña a afastar uma bola. Na segunda parte fez por acalmar a equipa e ainda se integrou no ataque, sendo avistado a fazer cruzamentos junto à bandeirola de canto, o que contrasta com a aparência física de quem já atingiu a idade da “retraite”.

 

Acuña (3,5)

Partes houve deste jogo em que muitos dos vinte e poucos mil que estavam nas bancadas de Alvalade se ofereceriam de bom grado como testemunhas do argentino se ele quisesse processar os colegas pela disparidade de empenho demonstrado. Relegado a lateral-esquerdo com o regresso do 4-3-3, trabalhou muito e bem no corredor, revelando-se um muro intransponível para os adversários e um artífice capaz de aproveitar meio metro quadrado de relvado para ganhar o espaço de que necessita para fazer cruzamentos como aquele Bruno Fernandes desperdiçou, adiando o sossego do Sporting até ao final do tempo regulamentar.

 

Gudelj (2,0)

Está ligado ao lance do golo do Portimonense, tanto pela perda de bola (que recebeu “à queima” e quis controlar, em vez de chutar com o pé que tinha mais à mão) como pelo mau posicionamento. E também voltou a emperrar a fase de construção do futebol leonino, sobrecarregando Wendel e Bruno Fernandes com uma ineficácia novamente premiada por Marcel Keizer com a permanência em campo até ao apito final.

 

Wendel (3,0)

Muito lutou o jovem brasileiro, incansável acelerador do meio-campo do Sporting, mas o maior impacto que teve na ficha de jogo foi o cartão amarelo mostrado por João Cajuda, numa dualidade montypythoniana de critério que nada fez por sossegar a equipa da casa. Saiu na segunda parte, exausto e claramente necessitado de descanso. 

 

Bruno Fernandes (3,5)

Fez duas assistências para golo, marcou o pénalti que fez o resultado final, punindo falta cometida sobre ele próprio, e ultrapassou António Oliveira como o meio-campista do Sporting que mais golos marcou numa só época. Será, por tudo isto, muito injusto escrever que não esteve na sua noite mais inspirada? Retraído em algumas fases do jogo, falhou um golo feito com um cabeceamento desastroso e nem tentou marcar de livre directo. Mas também é verdade que, além das assistências e do pénalti, pertenceu-lhe a melhor jogada do Sporting na segunda parte, defendida “in extremis”, pelo que o estatuto de “ele e mais dez” está cada vez mais consolidado.

 

Raphinha (3,0)

Começou muitíssimo bem e quando fez aquele imparável remate para o 2-0, tirando doce fruto de um passe extraordinário de Bruno Fernandes, já tinha ficado perto de inaugurar o marcador numa jogada semelhante. Ainda assistiu Bas Dost, que reencaminhou a assistência para Diaby, mas depois começou a perder protagonismo e desapareceu do jogo bem antes do embate que forçou a sua substituição.

 

Diaby (2,5)

Inaugurou o marcador com um excelente golo de cabeça que só o maliano poderá confirmar se nasceu de um cabeceamento deficiente. Certo é que esgotou nessa jogada o seu engenho e sorte, mostrando-se igualmente incapaz de tirar partido da velocidade para causar problemas aos adversários. Para a história da sua passagem por Alvalade fica o lance em que a simulação de Bas Dost o deixou com a bola controlada, dentro da grande área, mas conseguiu demorar tanto a decidir que permitiu o desvio num defesa. Menos escandalosa, mas ainda assim sintomática, foi a oportunidade desperdiçada na segunda parte, cabeceando mal e porcamente (e desta vez sem sorte) uma bola oferecida por Acuña.

 

Bas Dost (2,0)

Mesmo antes do intervalo isolou-se, a passe de Bruno Fernandes, e viu-se cara a cara com o guarda-redes. E o que fez o avançado holandês? Um passe curto para o lado, onde a olho nu ninguém se discernia, talvez destinado a fazer uma abnegada assistência para o golo que esperava ver concretizado pelo fantasma de Peyroteo. Ainda ficou em campo um quarto de hora na segunda parte, cada vez mais afastado das ocorrências, até que o compatriota decidiu poupá-lo a mais 30 minutos de demonstração de irrelevância. Na primeira parte fez uma única coisa certa, numa simulação destinada a permitir que Diaby fizesse o 3-1, o que teria sucedido em condições normais, e muitas tremendamente erradas. Um cabeceamento mais apropriado ao râguebi e a incapacidade de esticar a cabeça para um cruzamento de Raphinha foram as provas de vida. Má vida, neste caso.

 

Luiz Phellype (1,5)

Teve meia hora para demonstrar que é capaz de ser ainda mais irrelevante do que o actual Bas Dost. Membro do clube dos amarelados por Capela, deixou novamente a impressão de que se trata de um Castaignos lusófono com um passe mais barato e que recebe menos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Muito mais mexido do que Gudelj, tirou o meio-campo do Sporting do ponto morto. Caso estivesse inspirado no passe poderia ter deixado marca.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Entrou para os seis minutos de tempo de compensação, o que bastou para ser amarelado e fazer um ou dois toques do tipo de classe que merecia ser vista antes do minuto 90.

 

Marcel Keizer (2,5)

Ele próprio admite que o Sporting esteve mal a partir dos 15 minutos de jogo, faltando-lhe confessar que também a segunda parte não foi flor que se cheire. Expulso no jogo anterior devido ao desabafo “this shit is a joke”, levou a que os escassos adeptos que aceitaram deslocar-se a Alvalade saíssem a pensar o mesmo. Com o Sporting de Braga a três pontos, e um calendário razoavelmente simpático até à última jornada, urge que deixe de confiar tanto no génio de Bruno Fernandes e na raça de Acuña, melhorando os processos defensivos e encontrando solução (ou, vá lá, remendo) para o fraquíssimo desempenho dos recorrentes titulares nas posições 6 e 9. Curiosos números esses, como diria Mota Amaral...

Grande prémio em Monza

A acreditar no “live score” do site Bet365 o voleibol do Sporting acaba de vencer a grande equipa do Monza por 2-3, após ter estado a perder por 2-0. Agora há que confirmar este grande momento no Pavilhão João Rocha.

 

O mais notável é que, após um primeiro set renhido, o Sporting apanhou uma tareia tremenda no segundo set e foi a partir daí que ganhou força para a reviravolta. 

 

Eis como tudo se passou.

Armas e viscondes assinalados: Do Atlântico não veio mais do que uma mísera pérola de plástico

Marítimo 0 - Sporting 0

Liga NOS - 23.ª Jornada

25 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tão raras vezes foi chamado a intervir que conseguiu não sofrer nenhum golo. Coube-lhe fazer uma defesa incompleta no único lance de verdadeiro perigo que o Marítimo conseguiu construir e observou atentamente enquanto ninguém aparecia para empurrar a bola para dentro da baliza. Tal como controlou a saída da bola ao lado do poste num livre directo e agarrou algo semelhante a um remate de fora da área e que também poderia ter sido defendido por Roosevelt em 1943.

 

Ristovski (3,0)

É o elemento da linha defensiva leonina que mais beneficia com a opção pelos três centrais, mas a inconstância táctica demonstrada por Marcel Keizer na Madeira não impediu o macedónio de dar tudo por tudo, combinando bastante bem com Raphinha na segunda parte. Quase tão bem quanto as chuteiras dos adversários combinaram com as suas pernas.

 

Coates (2,0)

Era um dos muitos sportinguistas à mercê dos cartões amarelos de Tiago Martins e é de elementar justiça reconhecer o quanto fez por merecer a suspensão que o afastará (pelo menos) do próximo jogo em Alvalade. Já tinha permitido o lance de maior perigo do Marítimo quando fez uma falta mesmo à entrada da grande área sobre outro adversário que se preparava para o ultrapassar. Viu um primeiro cartão que poderia muito bem ser de outra cor, recebendo o segundo já em tempo de descontos, quando já tinha recebido a frequente equivalência de ponta de lança, ao empurrar o guarda-redes adversário, grande responsável por a excursão à pérola do Atlântico não render mais do que um mísero ponto. Seria impossível um desfecho mais apropriado para um jogo do uruguaio em que as incursões pelo meio-campo contrário nem a ele o convenceram e em que um defesa desviou o remate em zona frontal que poderia tê-lo transformado em herói da noite.

 

Tiago Ilori (3,0)

Pese embora a tradicional dificuldade em acertar nos passes, e alguns alívios mal calibrados, o único representante da Academia de Alcochete no onze (e no 14) teve um desempenho mais positivo do que tem sido habitual. Calha bem, pois no próximo jogo não haverá Coates mesmo que haja Mathieu.

 

Borja (2,5)

Viu um amarelo por alegada simulação ao cair na grande área contrária e já não regressou após o intervalo. Até então lograra surpreender os adversários graças às suas trocas de posição no corredor esquerdo com Acuña.

 

Acuña (3,0)

Classe é o seu nome do meio, sobretudo quando não perde demasiado tempo a gritar com os enviados pelo Conselho de Arbitragem. Nem o facto de ter jogado mais recuado ainda antes da saída de Borja obstou a que fizesse um passe de morte para Bas Dost logo no início do jogo e a que realizasse variados toques de elevadíssima nota artística junto à linha.

 

Gudelj (2,0)

Nem sequer entrou mal no jogo, mas à medida que a primeira parte avançava foi perdendo concentração e posicionamento. O cúmulo foi o lance em que se atirou literalmente para as costas de um adversário, vendo o cartão amarelo, numa falta grosseira ao ponto de não poder ser ignorada pelo árbitro mesmo que o sérvio envergasse uma camisola encarnada em pleno Estádio da Luz. Também saiu ao intervalo, pelo que pode dizer que o resto da ocorrência não foi culpa sua.

 

Wendel (2,5)

Passou os últimos minutos no banco de suplentes, notoriamente nervoso com a falta do golo que permitiria encurtar a desvantagem em relação ao Sporting de Braga para apenas um ponto. Pena é que nos quase 80 minutos anteriores pouco tenha conseguido fazer para garantir melhor destino à equipa. Muito cansado pela sucessão de jogos, raramente ou nunca conseguiu desequilibrar.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Quando avançou para a cobrança de um livre directo em posição frontal todos os sportinguistas deram por certo o festejo de mais um golo. Mas a bola saiu ligeiramente ao lado, tal como o desvio ao ver-se isolado frente ao guarda-redes dentro da grande área saiu-lhe ligeiramente baixo. Foi o autor do primeiro lance de perigo, num potente remate de longe que foi ligeiramente à figura de Charles e fez um cruzamento perfeito para a cabeça de Raphinha que só não levou a festejos leoninos porque o guarda-redes brasileiro resolveu ser um enorme desmancha-prazeres. Mas ter sido o melhor que o Sporting teve para oferecer ao longo dos noventa e poucos minutos (é compreensível que Tiago Martins não tenha compensado o tempo perdido por Charles, assistido diversas vezes ao longo do jogo, pois havia outro jogo logo a seguir e podia ser que houvesse BTV no balneário dos árbitros) não esconde o facto de ter acumulado uma quantidade insólita de passes falhados e perdas de bola.

 

Diaby (2,5)

Se o Sporting fosse uma jangada lá estaria o maliano a remar vigorosamente para tentar levar o resto dos náufragos a um ponto qualquer do oceano. Voltou a pegar na bola, desta vez com melhor critério do que noutras ocasiões, e fez por servir os colegas. Também tentou visar a baliza defendida por Charles, obtendo os mesmos resultados que todos os colegas.

 

Bas Dost (2,0)

Estava o jogo a acabar quando houve um lance em que Charles deixou cair a bola no relvado mesmo à sua frente, mas sem que disso adviesse qualquer perigo, pois o holandês fechou literalmente os olhos com a frustração de mais um jogada mal resolvida. Um bom exemplo daquilo que foi mais um jogo desinspirado do holandês, incapaz de emendar um excelente passe de Acuña, incapaz de rematar ao receber um excelente passe de Bruno Fernandes - preferiu passar a bola a Diaby, que estava em pior posição - e incapaz de fazer uma assistência de calcanhar em condições no lance que acabaria por culminar num remate de Coates. Uma parte nada ligeira da crise leonina - que tem agora o Braga a três pontos, mas já vê o Mo-rei-ren-se a apenas quatro - está directamente relacionada com o fraco desempenho do avançado que não foi para a liga norte-americana.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Supera Gudelj em velocidade, posse de bola, visão de jogo, eficácia de passe é tudo aquilo que não implique remates disparatados. Entrou ao intervalo, com aproximadamente 45 minutos de atraso.

 

Raphinha (3,0)

Chegou na segunda parte para mudar o mundo leonino e dinamizou a ala direita com velocidade e dribles que perturbaram os adversários - Ruben Ferreira agarrou-lhe o pé mesmo à entrada da área após levar um nó cego –, mas faltou-lhe alguma sorte no lance em que desviou de cabeça um cruzamento de ouro de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (1,5)

Talvez seja uma boa altura para, no melhor registo “muro das lamentações“, recordar que se a última visita do Sporting ao Marítimo não tivesse resultado no ataque a Alcochete talvez fosse Rafael Leão a saltar do banco de suplentes.

 

Marcel Keizer (2,5)

Pareceu hesitar entre sistemas tácticos, mas a falta de resultados práticos na primeira parte levou-o a repensar tudo após o intervalo. Tendo mérito ao retirar do relvado os dois jogadores que já tinham sido amarelados por Tiago Martins, o que demonstra que Keizer já percebe umas coisas acerca do funcionamento do futebol nacional, assistiu com fleumática impotência ao desacerto dos seus jogadores, cedendo ao vício de pensamento de lançar Luiz Phellype em vez de refrescar o meio-campo com Francisco Geraldes para descansar o esgotado Wendel. Ainda viu o seu terceiro ponta de lança Coates receber ordem de expulsão no final do jogo, seguindo-lhe o exemplo. Mas sendo Portugal três sílabas apenas, o mais provável é que no domingo esteja firme e hirto no banco, talvez com o Moreirense (que joga na véspera) a apenas um ponto de distância.

Quando as redes sociais estão rotas

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O Twitter do Sporting anunciou a derrota dos iniciados em Portimão, desmoralizando ainda mais os adeptos leoninos que sabiam do empate dos juniores em Tondela. Até porque, sem o potencial dos juvenis, aos iniciados ninguém pode apontar vinte pontos de desvantagem em relação ao rival mais directo.

Só que... alguns sportinguistas mais interessados em descobrir a verdade foram à procura dos sites da FPF, do Zero Zero e até do Portimonense. E não é que todos indicavam uma vitória do Sporting por 2-1?

 

Horas mais tarde lá foi corrigido o “lapso”, mas o descalabro nas redes sociais do Sporting desde que mudou a gerência chegou a um patamar que não pode não ter consequências,

 

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que ganha expulsa-se o Jefferson

Villarreal 1 - Sporting 1

Liga Europa - 16 avos de final - 2.ª mão

21 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,5)

Entrou no relvado com vontade de ser herói e não andou longe de cumprir esse objectivo. Ainda mal o jogo começara e já estava a defender um remate perigoso, levando a missão tão a sério que ainda bloqueou o primeiro de dois remates de um adversário que estava um par de metros fora de jogo. Sendo essa primeira desfeita às suas redes anulada, o guarda-redes francês pôde celebrar o golo de Bruno Fernandes que igualou a eliminatória, regressando para uma segunda parte ainda mais atarefada devido à expulsão de Jefferson. Coube-lhe adiar o golo do Villarreal com toda a sua atenção e reflexos, e mesmo depois de se cumprir o fado leonino não desistiu de demonstrar valor, adivinhando para onde iria a bola num lance em que, com a defesa do Sporting desbaratada, outro adversário apareceu solto na grande área.

 

Tiago Ilori (2,5)

Diversos passes errados e maus posicionamentos, nomeadamente na compensação às subidas de Ristovski, impediram que o 3-4-1-2 surtisse em Espanha o mesmo efeito que paralisou o Sporting de Braga em Alvalade. Se o filho pródigo de Alcochete ainda chegará a justificar a recontratação é uma das poucas incógnitas que restam até ao final desta temporada.

 

Coates (3,5)

Patrão da linha defensiva do Sporting, seja qual for o número de futebolistas que a constituem, o uruguaio utilizou a presença física e mestria táctica para antecipar o que a equipa do Villarreal pretendia fazer. Pela terra e pelo ar voltou a demonstrar que se “mais um corte de Coates” fosse a frase destinada a accionar assassinos adormecidos, ao estilo do filme “The Manchurian Candidate”, já ninguém restaria vivo. Merecia como poucos que, contra todas as hipóteses, o Sporting tivesse podido continuar na Liga Europa.

 

Borja (3,0)

O lateral colombiano voltou a ser o central descaído para a esquerda e não foi por ele que a táctica de Marcel Keizer não surtiu o efeito desejado, pese embora uma ou outra distração sem consequências. Mal o jogo tinha arrancado e já estava a fazer um corte providencial, pelo que acaba por ser uma pena que a expulsão de Jefferson o tenha devolvido ao habitat natural.

 

Ristovski (2,5)

Tentou tirar proveito da velocidade para formar uma ala direita supersónica com Diaby, embora o entendimento com o colega tenha limitado o sucesso da empreitada. Na defesa sentiu-se grandes dificuldades na primeira parte, parecendo contaminado com o vírus Ilori, e na segunda parte, pese embora o esforço que fez até ser substituído, na hora do tudo ou nada, fica marcado ao golo que atirou o Sporting para fora da Europa.

 

Gudelj (3,0)

Rodeado de adversários tão duros e caceteiros que poderiam perfeitamente obter a nacionalidade sérvia, lutou melhor do que é habitual para manter o perigo distante da sua baliza, compensando as recorrentes arrancadas de Wendel. 

 

Wendel (3,0)

É uma pena que se tenha enrolado na grande área do Villarreal, desperdiçando um passe magnífico de Bruno Fernandes, pois a sua actuação no resto do jogo fica marcada por uma força de querer que vai rareando em Alvalade. Procurou sempre fazer slalons por entre os adversários, mesmo sabendo que o interesse dos espanhóis em descobrir tudo acerca das articulações do seu joelho tinha entusiástico apoio do árbitro, e mais uma vez acelerou jogadas que, sem a sua presença, corriam o risco de ficarem para mais tarde.

 

Jefferson (2,0)

Foi a única verdadeira novidade em relação ao onze que desbaratou o Sporting de Braga - Salin tomou o lugar de Renan, mas já tinha sido titular no jogo da primeira mão -, substituindo o castigado Acuña. Também o brasileiro foi expulso por acumulação de amarelos, logo aos 50 minutos, mas dificilmente pode ser responsabilizado pelo segundo amarelo justificado por ter pisado um adversário que fez um corte em carrinho quando o sportinguista se preparava para flectir para a grande área. Nem quis acreditar no que lhe estava a suceder, e por instantes pareceu que Jefferson iria demonstrar ao árbitro as consequências que a ejecção do Sporting teria para a sua integridade fisionómica. Acabou por ser afastado pelos colegas, a bem do “fair play” e da repetição de mais decisões deste género na época de 2019/2020. Quanto à sua actuação até este momento de viragem, quando a eliminatória ainda estava empatada, cabe dizer que nunca conseguiu fazer um cruzamento capaz de justificar a sua titularidade, vendo um cartão amarelo na primeira parte por motivos que só a consciência do enviado checo a Villarreal poderá explicar.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Dizer que os jogadores do Villarreal estavam avisados é pouco. Vigiado de perto por um ou dois adversários em permanência, teve o azar de ver a bola embater em Wendel no primeiro remate de longe que conseguiu fazer. Já estava tudo à espera do intervalo quando aproveitou um mau controlo de bola do central Funes Mori, e correu com níveis de adrenalina ao máximo desde a linha de meio campo à entrada da grande área contrária, fuzilando as redes com o 0-1 que deixavam tudo empatado. Não conseguiu repetir o golo na segunda parte, mas além de demonstrar uma solidariedade a toda a prova nas acções defensivas ainda fez um passe de morte para Wendel e, mesmo no final do tempo de compensação, um cruzamento perfeito para o segundo poste a que Bas Dost não deu valor acrescentado, impedindo o Sporting de, contra tudo, contra todos e contra si próprio, permanecer nas competições europeias. A maior das tragédias neste final de temporada é a firme convicção de que estamos a assistir aos últimos jogos de um dos melhores médios de sempre com o leão ao peito.

 

Diaby (3,0)

Todas as esperanças do Sporting recaíam na velocidade do maliano e este fez por retribuir a confiança depositada, irrompendo pelo meio-campo adversário em contra-ataques condenados à nulidade pela falta de rapidez de Bas Dost, pelo mau entendimento com Ristovski e pela ausência de Raphinha ou Jovane do lado esquerdo. Muito tentou, desafiando o ímpeto sarrafeiro do Villarreal, mas não era a sua tarde. Quando cedeu o lugar a Raphinha estava tão cansado como se costuma estar num dia de trabalho intenso que não teve bons resultados.

 

Bas Dost (2,0)

Quis o destino que a sua melhor acção em todo o jogo - o passe de calcanhar com que procurou isolar Jefferson no caminho para a grande área do Villarreal - tenha culminado na expulsão do colega. Incapaz de se entender com os sprints de Diaby e desprovido de cruzamentos de Jefferson e Ristovski, o holandês não raras vezes paralisou contra-ataques promissores e voltou a demonstrar que não se encontra em grande forma para tudo o que não envolva marcar pénaltis. Podendo ser o herói do jogo, assinando o golo da vitória tardia que qualificaria o Sporting para os oitavos de final da Liga Europa, preferiu rematar acima da baliza, com a canela, para alívio do guarda-redes do Villarreal.

 

Raphinha (2,5)

Entrou para agitar a ala direita e conseguiu fazê-lo, mesmo que à custa de um total balanceamento para o ataque que poderia ter resultado num segundo golo do Villarreal.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nada de novo, tirando a capacidade de confundir ligeiramente os centrais do Villarreal, o que deu alguma liberdade ao titular do ataque leonino. Talvez numa próxima ocasião. Ou talvez não.

 

Marcel Keizer (3,0)

Repetiu o 3-4-1-2 e, mesmo sem conseguir surpreender o adversário numa escala de zero a Abel, não se deu totalmente mal com a aposta, ainda que a velocidade de Wendel e Diaby não chegasse para tudo. Vendo-se com a eliminatória empatada meteu três suplentes a aquecer na segunda parte, talvez para confundir o colega de profissão ou talvez por achar que estava muito fresquinho, mas a decisão tão previsível quanto inacreditável de expulsar Jefferson alterou-lhe os planos. Forçado a apostar no 4-4-1, terá acreditado que Salin, Coates & Cia chegariam para as encomendas, arriscando a entrada de Luiz Phellype após o golo do Villarreal. Mais uma vez deixou uma substituição por fazer, o que talvez conste de um manual de motivação de recursos humanos ainda não traduzido do neerlandês.

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