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És a nossa Fé!

Reforços de Outono

A lista mais recente divulgada pela Liga dá conta da inclusão no plantel do Sporting dos seguintes futebolistas:

Rafael Camacho

Tiago Ilori

Bruno Gaspar

Ivanildo Fernandes

Bruno Paulista

Lumor Agbenyenu

e ainda dos jovens Diogo Sousa e Gonçalo Costa, estando este último a dar muito boa conta de si depois do calvário das lesões que lhe travaram a afirmação.

Abstenho-me de tecer considerações quanto à incapacidade de encontrar soluções para estes profissionais num longo defeso. Até seria capaz de preferir Ivanildo a Borja e Lumor a Antunes se tivesse de construir um plantel ambicioso e contido no orçamento.

Sendo profissionais do Sporting, desejo-lhes o melhor, ainda que alguns não tenham o mínimo de argumentos para triunfar na equipa principal e tenham sido negócios ruinosos que agravaram o buraco em que o clube se encontra.

Mas ninguém duvide que não é por acaso que chegamos ao último dia do mercado sem resolver estes casos.

Wendel, o “soldado 20 mil milhões” na frente Leste

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Sabem vossas excelências porque é que a SAD do Sporting teve de fazer uma rectificação do comunicado da venda do passe de Wendel que enviou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários?
Cheguei a temer que a comissão paga se tivesse multiplicado em questão de minutos, que os 20,3 milhões de euros viesse encolhido ou que se tivessem equivocado na grafia do nome do internacional olímpico brasileiro, mais um dos jogadores de valor que partem depois de se terem recusado a aderir ao “toca a rescindir” no pós-ataque a Alcochete.
Nada disso. Pura e simplesmente, em mais uma demonstração de incompetência gritante, enganaram-se no número de casas decimais, pelo que o montante pago pelo Zenit ascendia a 20,3 mil milhões de euros...

Palavras para quê, são artistas portugueses.

O menos culpado de todos

O menos culpado de todos se o Sporting destinar 15 ou mais milhões de euros para a contratação do avançado Paulinho?

O próprio jogador, sem dúvida, que procurará mostrar que é capaz de fazer golos e representar um clube com uma grandeza que nem uma multiplicação de Varandas consegue aniquilar.

No que toca à actual gerência, um negócio nesses moldes, beneficiando mais uma vez de forma irracional o clube que procura intrometer-se na luta pela conquista de títulos e de entradas na Champions, acaba com a minha derradeira esperança de que aquilo está em curso no Sporting é apenas um exercício de brutal incompetência de deslumbrados que não sabem fazer melhor. E a alternativa é demasiado terrível.

O único sofrimento desta noite

 

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Ainda pior do que mais uma vergonha a que a miserável gerência submeteu o Sporting, que se afunda ainda mais na espiral ao ficar de fora das competições europeias, no que é o retorno ao patamar inicial do pós-godinhismo, é admitir perante vocês, mas sobretudo perante mim, o escasso desconforto que me causou mais este capítulo do perdedorismo que desde há muito identifiquei como uma trave mestra do varandismo.

Não sofri muito quando sofremos o primeiro golo, celebrei o empate naquele lance oportuno finalizado por Tiago Tomás, e depois daquilo a que assistira nos dois primeiros jogos oficiais, nunca tive dúvidas de que o pior poderia estar ao virar da esquina. Ainda vi o segundo e o terceiro golos dos austríacos antes de mudar de canal e assistir ao Rio Ave-AC Milan. Foi triste ver Francisco Geraldes, Carlos Mané e Gelson Dala, três leões escorraçados por Varandas & Co. a fazerem mais contra os italianos do que a equipa orientada pelo valentão da dúzia de milhões consegue contra o adversário que coube em azar ao Sporting.

E lá sofri muito pelo Rio Ave, que perdeu a qualificação no último minuto do prolongamento e poderia ter vencido o desempate por grandes penalidades em duas ocasiões. Caiu com a honra que desapareceu para parte incerta no clube que os dispensou ou trocou em negociatas.

A triste falta de esperança neste sucedâneo de Sporting, que sei ser partilhada por muitos de vós, leva a que tenha desistido de fazer o Armas e Viscondes Assinalados que, com a complacência do Pedro Correia e de uns quantos leitores, escrevi ao longo das últimas temporadas neste blogue.

Nem sei, muito sinceramente, se continuarei a assistir religiosamente aos jogos do nosso clube, muitas vezes num exercício de masoquismo. E só espero que ainda me surpreenda com a mobilização dos sportinguistas para pôr termo à destruição do clube tal como o conhecemos e sobretudo como o queremos conhecer, de modo a que nunca mais dê por mim a mudar de canal para o Rio Ave quando joga o Sporting.

Homenagem ao “scouting” de Hugo Viana e Frederico Varandas

As baixas expectativas quanto ao encontro dos não-internacionais do Sporting com uma equipa do fundo da tabela da La Liga foram ultrapassadas a partir do instante que Ruben Amorim recorreu a um reforço que a genial dupla Hugo Viana-Frederico Varandas em boa hora lhe ofereceu.

Quem diria que num mercado tão difícil quanto este seria possível encontrar um médio defensivo com as qualidades de João Palhinha, um aparente "free agent" que ainda há poucos dias treinava sozinho, em ambiente rural, trajado com equipamento do Sporting de Braga?

Mais umas jogadas de génio como a integração deste Palhinha no plantel,  de preferência permanente ou pelo menos até depois de 15 de Setembro, e até me convenço de que a época passada não passou de uma sucessão de azares que acontecem aos melhores e não uma prova da mais completa incompetência ou mesmo de gestão danosa.

Quem viver verá.

 

 

Meirim revisitado em Portimão

Bastaram pouco mais de 20 minutos para o Sporting conseguir deixar umas sementes de esperança de que um plantel insuficiente para disputar o título talvez tenha algumas hipóteses de atingir o terceiro lugar que destranca a primeira das portas de acesso à Liga dos Campeões que seria o início de um caminho de regresso à vida.

Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes mostraram que têm de ser titulares, Daniel Bragança trouxe uma dinâmica no meio-campo que contrastou com a modorra de Wendel, Tiago Tomás revelou-se mais letal do que Sporar e até Borja pareceu eficaz quando comparado com Feddal, a quem o árbitro até um pénalti-fantasma assinalou.

Da equipa titular só estiveram claramente melhor Luís Maximiano (apesar de uma fífia esteve à altura quando o Portimonense fazia gato-sapato da rapaziada) e Coates, com Pedro Porro e Nuno Santos a deixarem indicações interessantes e Neto melhor à direita do que Feddal à esquerda (enquanto o suplente Eduardo Quaresma voltou a transparecer um certo nervosismo, tal como nos últimos jogos da época passada).

Olhando para os 70 minutos em que Ruben Amorim prescindiu de alguns dos melhores que tem no plantel, com os resultados que ficaram à vista de todos, lembrei-me da velha história do mítico Meirim a explicar ao suplente "melhor do mundo" que ele ficava no banco pois o titular era o "melhor da Europa". Substituindo por "melhor do plantel" e "melhor da SAD".

Goin’ Nowhere Slowly

"You and me we're goin' nowhere slowly
And we've gotta get away from the past
There's nothin' wrong with goin' nowhere, baby
But we should be goin' nowhere fast"

Velhote o suficiente para ter sentido alguns calafrios com a fantasia de rock'n'roll "Streets of Fire", dei por mim a recordar-me destes versos ao seguir as movimentações do Sporting para a preparação de uma temporada futebolística em que não dá sinais de poder melhorar a classificação final, embora acabe por ser fácil não repetir a sucessão de recordes negativos que fizeram dos últimos meses um amargo que foi da tareia na Supertaça à perda da entrada directa na Liga Europa.

Talvez por estar farto de ver a actual gerência a ir a lado nenhum devagar, talvez pela falta de esperança de que melhorem o desempenho ou de que tenham a seriedade de assumir o falhanço e criar condições para que os sócios encontrem um caminho novo, enviei ontem um mail a requerer o reembolso do valor da Gamebox relativo aos jogos que a Covid-19 me impediu de assistir "in loco", por muito que testemunhar o triste espectáculo no relvado e a mistura de apatia e de ódio sectário nas bancadas tenha sido uma experiência desoladora.

Pedi o reembolso das dezenas de euros que espero ver chegar à minha conta bancária, e aos quais tenho tanto direito quanto qualquer outro sócio, por acreditar que serão melhor empregues a pagar quotas, permitindo a subsistência das equipas das modalidades, do que a financiar os desmandos e negociatas ruinosas que persistem em ser urdidas pela SAD. Mas enviei aquele mail sobretudo por ter deixado de confiar naquela gente.

Espero que deixemos de ir a lado nenhum devagar, mesmo que como na canção do "Streets of Fire" – já agora, só para deixar uma nota positiva, a Diane Lane continua esplendorosa passados todos estes anos – até seja melhor ir a lado nenhum depressa. Como espero que os futebolistas e a equipa técnica do Sporting façam, apesar dos pesares e contrariando as estatísticas, criando uma bolha de esforço e dedicação no mar lodoso da incompetência que os rodeia e que não descansa enquanto não expulsar a boa moeda...

Subitamente no verão passado

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Foi assim que terminou o processo Cashball, que esteve para o ataque a Alcochete e para o desvario final de Bruno de Carvalho como o atentado a Carlos Lacerda esteve para o Manifesto dos Generais e para o suicídio de Getúlio Vargas. Desta vez ninguém morreu, felizmente, e Bas Dost foi o único a sofrer ferimentos, ainda que os prejuízos para o Sporting decorrentes disto ameacem ser incalculáveis.

Quem tiver curiosidade sobre o que aconteceu entre o atentado a Carlos Lacerda e o suicídio de Getúlio Vargas pode ler o belíssimo romance "Agosto", de Rubem Fonseca. Já o Cashball foi criado por um ficcionista muito menos capacitado, mas com um "agente literário" tão bom ou tão influente que ainda assim logrou a suspensão da descrença de alguns daqueles que ouviram o seu relato de uma rede de resultados combinados no futebol e no andebol em benefício do Sporting.

Mais do que uma narrativa bem articulada que ajudou a arrasar o meu clube e a colocá-lo nas mãos de quem se tem servido dele, o Cashball fica para mim como uma nódoa no trajecto profissional. Embora ainda hoje queira acreditar que aqueles que propagaram as vergonhosas invenções de um desqualificado mal-aventurado o fizeram sem conhecimento de estarem a validar invenções desprovidas de ligação à realidade (um dos supostos "corrompidos" pelo Sporting fez algumas das melhores defesas que já vi um guarda-redes fazer no jogo em que supostamente recebeu para deixar entrar golos), a minha incapacidade de travar o comboio desgovernado que me apareceu pela frente ainda hoje me custa.

Devo ao Cashball e ao que se passou naqueles meses de 2018 a abrupta necessidade de encontrar um novo rumo para a minha vida profissional, e ainda por cima para melhor. Espero que um dia também o Sporting possa dizer o mesmo, mas temo que esse dia não esteja para breve.

Armas e viscondes assinalados: Tudo está mal quando acaba mal

Benfica 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

25 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Adiou o mais possível o desfecho esperado, estabelecendo-se um novo recorde de derrotas do Sporting na mesma temporada, marcada por zero pontos no confronto directo com os dois rivais que viram escancarar-se as portas do duopólio por uma sucessão de decisões que seriam consideradas demasiado perigosas até por pilotos kamikaze. Uma excelente defesa com os pés manteve o marcador a zeros, tal como mais tarde impediria o avolumar do resultado de igual forma, mas nada pôde fazer quando Seferovic e Carlos Vinicius lhe surgiram pela frente. Termina a temporada de afirmação na baliza leonina com o ónus do perdedorismo varandista e sob a sombra da iminente contratação de um eterno suplente da filial madrilena do carrossel.

Eduardo Quaresma (2,0)

Voltou a sentir o peso da responsabilidade a toldar-lhe os movimentos, fazendo alguns cortes desajustados e contribuindo pouco para a circulação de bola. Mas o potencial está lá, a técnica também, e beneficiará de uma pré-temporada em que possa lançar melhores bases para a sua afirmação.

Neto (2,0)

Prova de que tudo acontece ao Sporting é a lesão de Coates no aquecimento, elevando o internacional português à titularidade. Procurou estar à altura dos acontecimentos, esforçou-se muito, mas falhou demasiado nos passes e chegou a fazer cortes de cabeça para remates em posição frontal de jogadores do Benfica. Como patrão da defesa afigura-se insuficiente, o que não implica que não tenha lugar no plantel. Sobretudo num plantel com tão gritantes debilidades.

Acuña (2,5)

É mais do que provável que tenha feito o último jogo pelo Sporting, e logo com a braçadeira de capitão, num triste e simbólico crepúsculo de uma época dourada que o juntou a Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu, aos rotativos Nani e Montero, aos rescisores Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins, e ao sobrevivente Coates. Remetido a central, sem hipóteses de impor a sua marca lá à frente, limitou-se a cumprir e a respeitar a camisola que tão bem vestiu ao longo destes anos.

Ristovski (1,5)

Prosseguiu a sucessão de exibições medíocres que servem para realçar o fraco nível das alternativas Rosier e Rafael Camacho. Permissivo a defender e inoperante a atacar, o macedónio especializou-se nas perdas de bola junto à grande área que só por incompetência alheia não cavaram um fosso inultrapassável entre as duas equipas logo nos primeiros minutos do derby.

Matheus Nunes (2,5)

Estava a ser um dos melhores do Sporting quando a sua chuteira branca denunciou ao videoárbitro – infelizmente mais atento na noite de sábado do que naquele penúltimo lance do Moreirense-Sporting em que Coates foi agarrado frente à baliza – que o jovem brasileiro deixará Carlos Vinicius em posição regular no momento em que rematou para o 2-1. Dizer que o erro milimétrico de posicionamento custou 2,9 milhões de euros e o apuramento directo para a fase de grupos da triste Liga Europa seria ignorar a sucessão impressionante de erros de gestão do futebol leonino ao longo desta vergonhosa temporada, mas o lance lançou uma mancha peganhenta numa exibição positiva, cheia de personalidade, em que Matheus Nunes não se deixou assustar pelas papoilas saltitantes que o rodeavam, sendo decisivo no lançamento do contra-ataque do lance do efémero empate.

Wendel (2,0)

Mais uma vez não se conseguiu impor num “jogo grande”, deixando-se retrair excessivamente com as más circunstâncias à sua volta. Está ainda por provar se é capaz de subir ao patamar seguinte e tornar-se um substituto à altura dos melhores do meio-campo que foram deixando Alvalade.

Nuno Mendes (3,5)

Será mera coincidência que o Sporting tenha sofrido o segundo golo e perdido o pódio da Liga Nos depois de o lateral-esquerdo ser substituído? Para trás ficou mais uma boa exibição do ainda adolescente, uma vez mais a combinar velocidade, técnica e inteligência táctica para desbaratar adversários. Pena é que não tenha tido engenho para ultrapassar Vlachodimos após uma boa triangulação com Sporar e que não tenha arriscado “fazer algo de esquerda” em vez de servir Ristovski, livre de cobertura do outro lado da área, para que o macedónio visasse as cadeiras do segundo anel.

Gonzalo Plata (1,5)

Agraciou os colegas com a sua presença na primeira metade, primando pelos movimentos erráticos que nos últimos jogos elevaram o número de contratações falhadas que terão de ser feitas nos próximos meses. Incapaz de combinar em condições com os colegas, leva como melhor recordação do Estádio da Luz uma recuperação de bola com pronta entrega a Sporar, cabendo ao esloveno o remate sem consequências.

Jovane Cabral (2,5)

Há que reconhecer que tentou fazer algo, mas os remates saíram sempre fracos ou desenquadrados com a baliza, mantendo-se a ideia feita de que o melhor jogador da Liga NOS em Junho é mais talhado para resolver encontros quando o adversário é de uma certa dimensão. Uma ideia que levaria a aumentar ainda mais a lista de Bolasies e Jesés a caminho de Alvalade.

Sporar (2,5)

Deu por finda a longa seca com um golo em que a bola passou por entre as pernas do guarda-redes do Benfica, e combinou bem com Nuno Mendes noutra jogada de perigo. Pena é que tenha deixado Seferovic em jogo no lance do primeiro golo, que tenha voltado a demonstrar capacidade quase nula de levar a sua avante no confronto directo com os adversários e que tarde em justificar o investimento avultado no seu passe.

Tiago Tomás (3,0)

Tantas vezes mereceu a aposta do treinador que acabou por trazer dividendos. Poderia ter feito melhor do que o violento remate ao poste quando ficou sozinho na grande área depois na sequência de uma fífia de Jardel, mas no lance do 1-1 lançou Sporar de forma perfeita, quase se diria que à prova de falhanço.

Vietto (-)

Andou pelo relvado poucos minutos, com ainda menor participação no jogo, ao nível do homem invisível valorizado em 7,5 milhões de euros por metade dos direitos desportivos.

Borja (1,5)

Entrou para o lugar do melhor jogador do Sporting. Poderá dizer que a culpa não é dele e sim de quem lhe fez sinal para parar de aquecer.

Battaglia (-)

Foi colocado para segurar o resultado, opção táctica que tende a nunca resultar no Sporting. Caso houvesse racionalidade na gestão do futebol leonino, e o edifício da SAD não estivesse ocupado por personagens de “O Feiticeiro de Oz”, às quais faltam cérebro, coragem e coração, também ele teria feito o último jogo de leão ao peito.

Ruben Amorim (1,5)

Perdeu nos últimos seis jogos a oportunidade de deixar uma boa primeira impressão, não conseguindo melhor do que duas sofridas vitórias caseiras com Gil Vicente e Santa Clara, dois tristes empates com Moreirense e Vitória de Setúbal e duas derrotas com FC Porto e Benfica. Perdeu o terceiro lugar que ajudara a reconquistar nos seus primeiros jogos devido à fraqueza do plantel construído por incapazes, a alguns erros cirúrgicos de arbitragem, a azares extremos nas lesões que acabaram com a carreira de Mathieu e afectaram a afirmação de Jovane, mas também por muitas decisões erradas. Sobretudo nas substituições, como neste derby em que se viu na contingência de sair da Luz com um ou três pontos antes de sucumbir ao medo, procurando baixar linhas e repetir com o Benfica aquilo que o Vitória de Setúbal lhe fizera dias antes. Só que sem a competência dos pupilos do inegável Lito Vidigal. Sendo crível que se imagine a dar a volta na próxima temporada, todas as notícias que chegam quanto a reforços de segunda linha vindos de Espanha faz temer que o plantel continue sem soluções capazes de fazer a diferença. Continuará também a carregar a responsabilidade da cláusula de rescisão absurda que Frederico Varandas decidiu, por motivos que talvez gelassem o sangue de quem os decifrasse, (prometer) pagar ao Sporting de Braga. É uma responsabilidade pesadíssima e oxalá esteja à altura de alterar o guião de tragicomédia que lhe entregaram.

Motivos para sentir saudades da época do sétimo lugar

Conhecem aquela piada batida que os norte-americanos gostam de repetir: "Ten years ago we had Johnny Cash, we had Steve Jobs and we had Bob Hope. No we have got no cash, no jobs and no hope"?

Lembrei-me muito disso à medida que a conjugação de resultados dos jogos desta noite indicava que o Sporting iria perder o terceiro lugar, afundando-se ainda mais na irrelevância para a qual caminha. Além de ser uma idiotice perder o miserável último lugar do pódio por culpa própria, sujeitando-nos a mais dois jogos de resultado incerto para aceder a uma Liga Europa que atribui um prémio de participação dez vezes inferior ao da Liga dos Campeões, o que mais me perturbou nesta temporada de pesadelo, da humilhação na Supertaça à impossibilidade de defender a Taça após sermos eliminados por uma equipa do terceiro escalão, à fraca figura nas competições europeias, ao recorde de derrotas no campeonato, à saída dos melhores jogadores sem substitutos à altura, às contratações milionárias de reforços incapazes de merecerem esse nome, à sucessão de treinadores até à batida da cláusula multimilionária de rescisão de um novato promissor mas com muito para aprender, é a triste constatação de que não devemos esperar melhorar na próxima época.

E é por isso que sinto nostalgia daquela temporada em que acabámos no sétimo lugar (algo que poderia muito bem ter sucedido neste ano, pois além do Braga também o Rio Ave, o Famalicão e o Vitória de Guimarães apresentaram melhor futebol do que o Sporting), visto que pelo menos nessa altura tínhamos esperança de que o futuro seria (como veio a ser, mas não tanto quanto merecíamos ou quanto foi permitido que acontecesse) bastante melhor.

Por muitos defeitos que se possam apontar à gestão de Godinho Lopes, ele pelo menos teve noção de que fizera um trabalho miserável, afastando-se para que os sócios encontrassem um rumo. Por muitos defeitos que se possam apontar à figura de Bruno de Carvalho, nem nos seus momentos de pior desvario que marcaram o colapso da sua presidência se aproximou dos níveis de incompetência e falta de aderência à realidade demonstrados por Frederico Varandas.

Até ao confinamento foi quase sempre com extrema tristeza que me encaminhei ao estádio em dias de jogo, assistindo à pobreza franciscana no relvado - contrariada aqui e acolá pelo génio de Bruno Fernandes, pela classe mundial de Coates, Mathieu e Acuña, e pela afirmação de Luís Maximiano, Wendel e por vezes Jovane Cabral - e ao clima de divisão e desmobilização nas bancadas. Uma e outra desgraça atribuíveis ao dirigente que assegurou não estar "estriste" com o estado em que meteu o Sporting.

Aproximando-me do meio século de vida, ocupada pelo Sporting desde que me lembro, de Rui Jordão e Manuel Fernandes, de Carlos Lopes a Fernando Mamede, de Joaquim Agostinho a António Livramento, de Teresa Machado a Naide Gomes, de Miguel Maia a Carlos Silva, sinto um vazio que só posso descrever como falta de esperança. 

Temo que a continuação deste conselho de descalabro nos acabe por derrotar a todos pelo cansaço, temo que não reste força para continuar a lutar, temo que desapareça a minha fé, tal como temo que o mesmo suceda a muitos daqueles que seguem o leão. 

Do ponto de vista mais prático e menos filosófico, sucede o seguinte: a próxima época será aquela em que Portugal voltará a colocar três equipas na Liga dos Campeões, sendo o terceiro suficiente para ter a possibilidade de,  com engenho e um sorteio feliz, encaixar as dezenas de milhões de euros necessárias para reaproximar o Sporting daquilo que merece ser há quase duas décadas.

O problema é que não acredito que tão fraca gente seja capaz de montar uma equipa que consiga esse objectivo mínimo. E as perspectivas são pouco animadoras: Acuña e Wendel serão alvos do mercado, alguns dos jovens talentos que foram utilizados na fase final da temporada podem estar de saída (curiosamente, também no final da época do sétimo lugar Eric Dier e Bruma acabariam por ir embora) e o plantel está repleto de futebolistas que nunca teriam lugar no FC Porto e Benfica. Em alguns casos, nem nas outras equipas da primeira metade da tabela, sendo que alguns deles têm salários pesados. Perante isto, o que se vê é a contratação de um central trintão, com historial de lesões e que nunca foi campeão pelo Barcelona, o empréstimo prolongado de um lateral-direito (esperando-se que não seja mais um a acrescentar pouco numa posição muito mal ocupada desde que Piccini foi transferido depois de não se juntar à manobra do "toca a rescindir") e o possível resgate de um eterno suplente da baliza do Atlético de Madrid.

O Sporting precisaria, mesmo que todos os melhores do plantel actual ficassem, de um guarda-redes experiente para enquadrar Luís Maximiano (Beto Pimparel acaba de anunciar que vai deixar a Turquia), um lateral-direito que seja mais do Ristovski, Rosier e Rafael Camacho juntos, um central de créditos firmados (há trintões em final de contrato que, mesmo auferindo mais do que o reforço vindo de Espanha, dispensariam a entrega, material ou contabilística de três milhões ao Betis de Sevilha, mas conviria encontrar um sucedâneo de Demiral), um médio defensivo com físico e estatuto que imponha respeito aos adversários, um médio criativo para desafiar Wendel a crescer, um extremo com golo nos pés (assim como Raphinha demonstrava ser) e um ponta de lança na senda de Liedson, Slimani e Bas Dost (três avançados de características muito diferentes, mas que tinham em comum a apetência para marcar golos).

Infelizmente não creio que a actual gerência tenha capacidade para garantir o que é necessário, e mantenho a infausta impressão de que se contentará em aceitar os restos de catálogo que empresários amigos e clubes devedores se dignem apresentar-lhes. 

Vejo também com apreensão o que se prepara nas modalidades, ainda que o futsal tenha uma base e um treinador fortes o suficiente para contrariar o desinvestimento, o basquetebol seja um projeto acarinhado pelos seus criadores e o hóquei possa beneficiar da integração na equipa dos dois jovens que se destacaram no empréstimo ao Barcelos.

Após ter resistido demasiados anos a pertencer a um clube que me aceitasse como sócio, continuarei a pagar as minhas quotas para ajudar a financiar as modalidades e para quando chegar a altura, espero que não tarde de mais, possa afastar os actuais dirigentes com o meu voto. Mas na ressaca do final desta época miserável afigura-se-me improvável que venha a renovar a Gamebox mesmo que as bancadas voltem a ter público. Com grande pena minha, há momentos em que se torna necessário dizer basta, mesmo que o estejamos a dizer a nós próprios. 

 

Armas e viscondes assinalados: Ninguém teve passe para entrar no autocarro sobrelotado

Sporting 0 - Vitória de Setúbal 0

Liga NOS - 33.ª Jornada

21 de Julho de 2020

Luís Maximiano (3,0)

Muito raramente foi chamado a intervir, e mesmo os habituais alívios foram rareando à medida que o Sporting açambarcava cada vez mais a percentagem de posse de bola. Esteve, ainda assim, no local certo para resolver o que poderia ter sido um balde de água gelada, pois um passe displicente de Wendel deixou os visitantes perto de marcar em tempo de descontos.

Eduardo Quaresma (2,5)

Parece atravessar um período de ressaca após a retumbante conquista da titularidade, patente na forma menos esclarecida e decidida como assume as transições. Mas nas tarefas defensivas esteve à altura, sem beliscar a aura de “golden boy” que se vai criando em seu redor.

Coates (3,0)

Era o jogo n.º 200 do uruguaio promovido a capitão, mas foi Coates quem tentou oferecer como presente aos sportinguistas o terceiro lugar na Liga NOS que asseguraria a entrada directa na fase de grupos da Liga Europa, com a entrada de 2,9 milhões de euros nada simbólicos na actual realidade do clube e facilitação na abordagem ao mar nunca dantes navegado que será a próxima temporada. Ainda serviu Vietto para um remate certeiro, mas antes já o inconfundível apitador Nuno Almeida discernira uma falta ofensiva de Pedro Mendes. Em missões defensivas recordou o motivo para Ruben Amorim o considerar intransferível, o que é um indício que poderá vir a deixar Alvalade durante o defeso.

Acuña (3,0)

Pertenceu-lhe o remate mais perigoso do Sporting numa das muitas jogadas em que pôde subir à grande área contrária, mas a bola esbarrou num dos muitos “passageiros” do autocarro sadino que se deslocou a Alvalade. Tendo pouco para fazer enquanto central descaído para a esquerda, mostrou a classe que rareia no plantel que por enquanto integra. Nos passes longos deu cartas, mesmo sem chegar perto do escalão Bruno Fernandes.

Ristovski (1,5)

Mais uma exibição medíocre do macedónio que, sem comprometer, também nada de positivo trouxe ao jogo até voltar a ser substituído. Começa a tornar-se um hábito desde que Ruben Amorim assumiu o comando da equipa.

Matheus Nunes (2,5)

Um médio defensivo tende a ser tão necessário num jogo contra uma equipa interessada em defender e queimar tempo quanto uma viola num velório. Mesmo acabando naturalmente substituído, o jovem brasileiro voltou a demonstrar uma capacidade de choque no um-contra-um que faz de si um projecto de jogador interessante.

Wendel (2,0)

Começou o jogo com uma dinâmica que foi desaparecendo à medida que os minutos passavam, vendo-se mais intimidado pela floresta de pernas à sua frente do que os bandeirantes perante a selva brasileiro. O duplo "pivot" constituído com Francisco Geraldes deu-lhe novas oportunidades, mas este não era o seu dia.

Francisco Geraldes (2,5)

Titular do Sporting pela primeira vez aos 25 anos, o que é o tipo de coisa que acontece a esperanças adiadas, “Chico” arrancou com fulgor e vontade de deixar marca. Pena é que tenha pecado demasiadas vezes por falta de coragem no instante de tentar o remate de longe, provável única solução para o esquema táctico dos sadinos, e pelo défice de critério nos passes de desmarcação dos colegas.

Gonzalo Plata (1,5)

Era supostamente o desequilibrador-mor que restava na ausência de Jovane Cabral, mas nunca cumpriu tal função, perdendo-se quase sempre em adornos. Quando foi chamado a assumir toda a ala direita também não primou pela clarividência, mantendo-se as portas do autocarro bem fechadas no seu flanco.

Tiago Tomás (1,5)

Teve uma grande oportunidade logo no arranque do jogo, calculando muito mal o chapéu ao guarda-redes do Vitória de Setúbal. A partir daí começou a perder-se no relvado até a sua exibição tornar-se uma vitrine penosa das limitações do plantel do Sporting no que toca a “ratos de área” quando comparado com todas as equipas da primeira metade da tabela... e algumas das outras também.

Vietto (2,0)

Regressou de prolongada lesão para revolucionar o jogo e nos primeiros minutos da segunda metade parecia que o poderia conseguir. Alguns bons passes e muita visão de jogo esgotaram-se rapidamente, tornando-se mais um dos futebolistas de leão ao peito sem garras para conquistar os três pontos que garantiriam o terceiro lugar e a entrada directa na fase de grupos da Liga Europa.

Joelson Fernandes (1,5)

Chamado a tomar conta da ala esquerda, procurou fazer algo que surpreendesse os adversários, sem grande sucesso. Um remate em arco directo para as mãos do guarda-redes vitoriano não é o melhor cartão de visita para um adolescente que tanto pode “explodir” em Alvalade na próxima temporada como gerar um encaixe financeiro daqueles que hão-de aparecer carregados de asteriscos.

Pedro Mendes (1,5)

O “proscrito” do ataque do Sporting teve direito a um quarto de hora de jogo na hora do total desespero. Só conseguiu ganhar uma bola na entrada da área que Coates endossou para Vietto, permitindo ao argentino rematá-la para o fundo das redes. Pena é que o árbitro Nuno Almeida, que infelizmente não seguirá o exemplo de Carlos Xistra e Jorge Sousa, pendurando o apito no final da temporada, tenha presumido uma falta do jovem ponta-de-lança e apitado antes de poder ser desmentido pelo videoárbitro.

Ruben Amorim (1,5)

Não tinha Jovane Cabral e Sporar disponíveis, e a falta de alternativas no banco levou a que só tenha feito três das cinco substituições possíveis. Mas isso não desculpa a incapacidade que o Sporting demonstrou para chegar aos três pontos que garantiriam o encaixe modesto de 2,9 milhões de euros, e sobretudo a necessidade de desgastar a equipa em viagens e testes para aceder à segunda divisão da UEFA. Sendo claro que o Vitória de Setúbal iria estacionar o autocarro na grande área, não se lembrou de carregar o passe a tempo, vendo os seus jogadores hesitar na longa distância e demonstrar pouca clareza e pragmatismo na movimentação ofensiva. Agora tem pela frente um teste reputacional, pois o resultado que irá obter na Luz é a derradeira oportunidade de o Sporting deixar uma última boa impressão numa época que arrancou precisamente com a humilhação do 5-0 na Supertaça, prenúncio de um sem-fim de amargos de boca e recordes negativos que esvaziou Alvalade muito antes do confinamento e deveria levar os seus responsáveis a retirar as devidas ilações.

Armas e viscondes assinalados: A triste realidade estava mesmo ali ao canto

FC Porto 2 - Sporting 0

Liga NOS - 32.ª Jornada

17 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (2,5)

Um resultado positivo frente ao inevitável novo campeão nacional passaria por uma exibição gigantesca do jovem guarda-redes leonino. E se é verdade que até à hora de jogo tudo correu bastante bem, destacando-se uma oportuna saída aos pés de Pepe, quando Danilo Pereira aproveitou um pontapé de canto para desfazer o nulo já o marcador poderia estar desequilibrado, pois na jogada anterior Maximiano ficou a observar a forma como Fábio Vieira fez estremecer a barra. No 2-0 pouco havia a fazer e, em boa verdade, pouco foi feito.

Eduardo Quaresma (2,5)

Danilo Pereira apareceu solto numa terra de ninguém entre o jovem central e o impassível Sporar, sendo a distribuição de culpas bastante subjectiva. Certo é que pouco tardou até ser retirado de campo, no âmbito de uma reconfiguração táctica bastante infeliz que não impediu Ruben Amorim de ver acabar a sua ausência de derrotas na Liga NOS e de ficar ligado ao recorde negativo de número de derrotas do Sporting numa só época. Até ao lance do 1-0 esteve tão bem quanto seria de esperar num jovem mesmo muito talentoso que está a fazer o seu primeiro “clássico”, ainda que bastante mal acompanhado na direita.

Coates (3,0)

Tornou-se a referência ofensiva do Sporting em todos os lances de bola parada, o que não diz muito dos recursos existentes no plantel leonino e seria melhor notícia caso o central uruguaio aprimorasse um pouco mais a sua aptidão de cabecear para o espaço delimitado entre os dois postes e a barra. Nas missões defensivas esteve tão bem quanto nos últimos tempos, evitando um golo madrugador do FC Porto mesmo em cima da linha de baliza e impondo voz de comando sobre colegas e adversários. Mas no lance do 2-0 deixou fugir Marega, sem imaginar que tinha ao lado quem o estivesse a colocar em posição regular.

Borja (2,0)

Estava o jogo a correr-lhe bem melhor do que o temido quando resolveu deixar Marega em posição regular para sentenciar a derrota que nessa altura parecia inevitável. Até então concentrou-se a jogar simples e a afastar o perigo tão bem quanto consegue.

Ristovski (2,0)

O mais grave da exibição fraca do macedónio, tão incipiente no ataque quanto permeável na defesa, é a constatação de que não existe uma alternativa melhor no plantel após o investimento de quase uma dúzia de milhões de euros realizado pela actual gerência.

Matheus Nunes (3,0)

Integrou o curto rol de jogadores do Sporting que se transcenderam na visita ao Dragão, controlando bem a bola e manobrando por entre uma floresta de adversários. Tem nos próximos dois jogos novas oportunidades para provar que pode fazer parte da solução em vez de contribuir para o problema da próxima época.

Wendel (2,5)

Os azuis e brancos eram muitos, tal como quase acontece com todos os adversários que encontra pela frente desde a alteração táctica, e também não eram propriamente de se deitar fora, apesar das muitas ausências forçadas que tornavam plausível que o Sporting conseguisse pelo menos o empate que bastaria para os anfitriões festejarem. Mas a verdade é que o jovem brasileiro foi mais um dos que não tiveram engenho para mais.

Nuno Mendes (3,0)

Protagonizou a melhor jogada do Sporting logo nos primeiros segundos de jogo, entrando pela grande área do FC Porto, em registo “eu contra o mundo”, e fazendo um cruzamento para Sporar chegar atrasado e um remate na insistência que Marchesín só logrou rematar para a frente, valendo-lhe a posição irregular do esloveno na recarga que abanou as redes. Feitas as devidas apresentações, o lateral-esquerdo recém-chegado à maioridade continuou a mostrar que é o mais preparado de todos os jovens da formação que Ruben Amorim tem aproveitado, conciliando velocidade, inteligência táctica, “timing” de abordagem ao adversário e aquela pitada de descaramento necessária em quem tem a intenção de se afirmar.

Jovane Cabral (2,5)

O melhor jogador da Liga NOS no mês de junho tinha a oportunidade de se assumir como protagonista. Até ficou muito perto do golo, cabeceando (mal) após se livrar (bem) da cobertura na área do FC Porto, mas a triste realidade é que se retraiu demasiado quando a equipa mais necessitava de que se soltasse, acrescentando pouco mais de concreto do que um remate fácil para as mãos do guarda-redes argentino.

Gonzalo Plata (1,5)

Inconsequência em estado puro é a forma mais delicada de descrever a passagem do extremo sul-americano pelo relvado do Dragão. Afinar o seu talento e potencial é um dos principais desafios da próxima temporada.

Sporar (1,5)

Até encaminhou a bola para o fundo das redes, logo no primeiro minuto, mas encontrava-se em posição irregular. No resto do tempo também não esteve assim tanto em jogo, revelando-se presa fácil para uma linha defensiva do FC Porto assaz remendada. Ruben Amorim bem pode assumir a culpa pelo alarmante sub-rendimento, mas o esloveno começa a parecer mais um passageiro no vagão de contratações falhadas da actual gerência.

Francisco Geraldes (1,5)

Entrou para dar cérebro à manobra ofensiva do Sporting e não se pode dizer que tenha melhorado o que não estava a ser brilhante.

Rafael Camacho (1,5)

Voltou a demonstrar que é uma alternativa a Ristovski. Uma alternativa pior, bem entendido.

Tiago Tomás (1,5)

Foi para a frente na hora do desespero. 

Joelson Fernandes (2,0)

Único suplente a deixar alguma marca, não tem medo de assumir o jogo, mesmo sem parecer preparado para a alta roda, o que não deixa de ser compreensível em quem só na próxima temporada será um júnior de primeiro ano.

Ruben Amorim (1,5)

Perdeu a oportunidade de prolongar o seu recorde de invencibilidade enquanto treinador, agravando o recorde de derrotas do Sporting numa só temporada, ao enfrentar um FC Porto desfalcado e não particularmente ambicioso. Não se lhe pode assacar responsabilidade nas flagrantes deficiências do plantel, duvidoso de raiz e dizimado por lesões prolongadas ou definitivas, mas a forma como mexeu na equipa após o 1-0 foi muito má, estando por compreender, por exemplo, os motivos profundos de Borja continuar em campo, em vez de Eduardo Quaresma, sendo entregue ao colombiano o lado direito da zona central. Resta-lhe vencer o Vitória de Setúbal, assegurando o terceiro lugar que garante acesso directo à fase de grupos da Liga Europa e descomplica a preparação da próxima época. E, já agora, ir à Luz causar mais problemas ao seu clube de coração.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos ali mesmo na ponta da chuteira

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

10 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

O Santa Clara teve três ocasiões flagrantes de golo, chegando a levar a bola a entrar na baliza num golo invalidado por evidente posição irregular, mas os açorianos desterrados deixaram a eficácia na Cidade do Futebol. Sem grandes defesas para executar, Maximiano revelou-se bem melhor no jogo de pés, ao ponto de deixar de ser arriscado atrasar-lhe a bola. Terá certamente mais trabalho na recta final do campeonato, a começar na visita ao FC Porto, e espera-se que dê boa conta de si.

Eduardo Quaresma (3,0)

Retomou a titularidade que se tornou garantida, somando boas acções defensivas e qualidade aliada à precisão na hora de lançar jogo. Há um "golden boy" a nascer em Alvalade.

Coates (3,0)

Além dos cortes e da voz de comando ainda teve ensejo de cabecear com muito perigo num canto, levando a que Idrissa Doumbia encaminhasse a recarga para o fundo das redes já depois de o árbitro assinalar uma falta na área do Santa Clara bem difícil de discernir.

Acuña (3,0)

Interpretou muito bem o papel de terceiro central descaído para a esquerda, mostrando-se intratável no desarme e na posse de bola. Só se esqueceu daquilo que está nas tábuas da lei: qualquer jogador do Sporting que esteja “à calha” em véspera de jogo com o FC Porto ou Benfica verá um cartão amarelo.

Ristovski (3,0)

Sempre muito criticado por não ser um César Prates, um Abel, um Cédric Soares ou sequer um Piccini, muito se esforça quem não tem culpa de que contratações que custaram mais aos cofres leoninos lhe ofereçam a titularidade. Boa recuperação de bola e lançamento de Gonzalo Plata para uma das maiores oportunidades de golo da primeira parte, já agora.

Idrissa Doumbia (2,5)

Chutou para a baliza já depois de o árbitro apitar, impedindo o videoárbitro de esclarecer quem raio fez o quê antes do cabeceamento de Coates. Com o jogo a decorrer não fez melhor, permitindo apenas que o também nada resplandecente Matheus Nunes pudesse repousar.

Wendel (3,5)

Inventou uma nesga de relvado para assistir Jovane Cabral no lance do golo que alimenta as esperanças de manutenção do terceiro lugar. Foi o melhor momento de um jogo de esforço intenso, impondo clarividência no meio-campo e juntando-se sempre que possível ao esforço ofensivo dos extremos endiabrados que jogam à sua frente.

Nuno Mendes  (3,0)

Incansável e inesgotável, voltou a combinar bem com Jovane Cabral, ainda que o ascendente que o novo patrão da equipa exerce sobre o lateral-esquerdo tenha impedido que este rematasse para golo depois de se apoderar da bola na grande área do Santa Clara. O caminho faz-se caminhando.

Jovane Cabral (3,5)

Conquistou os três pontos na raça, ganhando posição na grande área e esticando a perna para desviar a bola para as redes mesmo com a ponta da chuteira. Bastaria para ser o homem do jogo, mas também foi o mais rematador, o mais intenso e o mais capaz de ser ídolo de adeptos cada vez mais órfãos de referências.

Gonzalo Plata (3,0)

Num belo remate no primeiro tempo, bem servido por Ristovski, ficou perto de inaugurar o marcador. No resto do jogo foi mexido, como é de seu timbre, mas não tão desequilibrador como se lhe pede que seja.

Sporar (2.0)

Começou por falhar a emenda de cabeça a um excelente livre indirecto de Jovane Cabral, desviando-a com as costas por cima da barra. E há que reconhecer que o mais perto que esteve de marcar sucedeu quando o guarda-redes do Santa Clara chutou contra as suas pernas, levando a bola a sair caprichosamente ao lado. Muito escasso para quem é titular do Sporting e não saiu propriamente de brinde na compra de um pacote de corn flakes.

Tiago Tomás (2,0)

Tão insuficiente foi o avançado esloveno que Rúben Amorim o substituiu por mais um adolescente, tendo este procurado combinar com os colegas sem consequências particularmente palpáveis.

Matheus Nunes (2,5)

Entrou para retomar o lugar que deverá ser seu nos últimos desafios desta Liga de má memória. Muito do futuro imediato do jovem brasileiro recrutado na Ericeira jogar-se-á no Dragão e na Luz.

Borja (2,5)

Acuña já ficara de fora do jogo seguinte e uma lesão muscular retirou-o também deste. Coube ao internacional colombiano, agora e sempre apavorado como o coiote dos desenhos animados, reocupar o lugar que deixou de ser de Mathieu e deverá passar a pertencer a um marroquino trintão.

Rúben Amorim (3,0)

Mais três pontos para o Sporting, mais uma ou outra experiência, mais uma constatação de que tem graves problemas para resolver no centro do terreno e no centro do ataque. Toda a sua estratégia fica bloqueada pelo fraco desempenho de elementos-chave e as opções no banco são limitadas, por muito que Francisco Geraldes e Pedro Mendes pudessem merecer maior confiança. Certo é que chegou ao fim da fase tranquila do futebol pós-pandemia com vitórias em todos os jogos que não implicaram deslocações ao Minho e sem conhecer a experiência de perder. Caso consiga manter-se assim na visita ao Dragão adiará a festa do FC Porto por uns dias e aumentará as hipóteses de não perder o terceiro lugar que em muito facilitaria, pela entrada directa na fase de grupos da Liga Europa, a preparação da incerta temporada seguinte.

Eric Dier, Zlatan Ibrahimovic e algumas ideias mais ancoradas à realidade

Este jogo com o Santa Clara demonstra que precisamos de um avançado que seja aquilo que Sporar não consegue ser e Pedro Mendes precisaria de um tirocínio numa equipa de meio da tabela para conseguir vir a ser. A este último, recomendaria um regresso às origens, num ano de empréstimo ao Moreirense, levando consigo, nas mesmas condições, Tomás Silva, com quem formou uma excelente dupla no arranque dos sub-23.

O sonho seria Zlatan Ibrahimovic (sonhar não custa) mas na nossa realidade triste já não espero melhor do que um "anjo caído" como Balotelli ou então um veterano como o retornado Slimani ou o emblemático Eder. Mais lúdico do que isso só forçar o miserável Rafael Leão a resolver o imbróglio da indemnização com uns bons anos de trabalhos forçados a marcar golos... Ou, lá está, convencer o empresário que mais lucrou com o ataque a Alcochete a convencer o AC Milan a pagar dois anos de salários ao astro sueco para seguir as pisadas de Schmeichel numa reforma gloriosa em Alvalade.

No meio-campo, como Palhinha aparenta ter a guia de marcha carimbada – juntando-se a Matheus Pereira, Demiral ou Domingos Duarte entre os escorraçados –, há que ter alguém capaz de ser o que Idrissa, Matheus e Battaglia não são: um muro dinâmico que faça acontecer e impeça que aconteça. Adrien Silva? Não sei se não será demasiado tarde, embora seja um jogador admirável. Sonho impossível? Eric Dier, mesmo que por empréstimo com ou sem opção de compra. Solução plausível? Não vender Palhinha ou apostar todas as fichas em Daniel Bragança.


E ainda mais um extremo. Ou uma oportunidade de “scouting” do género Gonzalo Plata ou então o regresso de Nani ou de Wilson Eduardo, para juntar experiência à miudagem. 

São os casos mais gritantes, mas outras trocas haveria para fazer: Beto Pimparel por Renan, um objectivo lateral não identificado (não digo que não ao espanhol Pedro Porro, ainda que seja ciência que desconheça...) por Rosier (fazendo o francês rodar em França e evitando dar meia-dúzia de milhões por Ricardo Esgaio depois de o termos oferecido ao Braga), em vez do marroquino sevilhano Feddal já apalavrado talvez José Fonte ou Marcos Rojo para apadrinharem o crescimento de Gonçalo Inácio ou o regresso de Ivanildo Fernandes, a contratação de Gonda do Portimonense ou o regresso de Lumor em caso de saída de Acuña (sendo a aposta em Nuno Mendes tão assumida quanto a feita em Eduardo Quaresma), Kraev como alternativa a Wendel se este sair ou Francisco Geraldes desistir de lutar, e a reintegração de Gelson Dala no plantel.

Qualquer coisa como isto:

Luís MaximianoBeto Pimpapel e Diogo Sousa (B e/ou sub-23)

OLNI/Pedro Porro, Ristovski, Coates, Neto, Eduardo Quaresma, Feddal/José Fonte/Marcos Rojo, Ivanildo Fernandes/Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Acuña/Gonda/Lumor

Dier/Adrien Silva/Palhinha, Matheus Nunes/Idrissa Doumbia, Daniel Bragança, Wendel, Francisco Geraldes/Kraev

Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Nani/Wilson Eduardo e Joelson Fernandes/Bruno Tavares

Ibrahimovic/Balotelli/Slimani/Eder, Sporar, Vietto, Gelson Dala


Chegaria para o título? Talvez só com Dier e Ibrahimovic. Mas seria um início.

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que mexe não se ganha

Moreirense 0 - Sporting 0

Liga NOS - 30.ª Jornada

7 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

A principal intervenção do jovem guarda-redes consistiu em resolver um atraso mal calculado de Gonzalo Plata que o apanhou em contramão. Houve momentos de maior perigo, devido à inquietante superioridade aérea do Moreirense na grande área do Sporting, mas nesses lances Maximiano pouco ou nada poderia fazer e coube à sorte que ninguém dirigisse a bola para o fundo das redes, limitando-se numa ocasião a acertar nas redes laterais.

Neto (3,0)

Resgatado do esquecimento a que foi votado enquanto suplente de Coates, aproveitou a necessidade imperiosa de fazer descansar um fatigado adolescente para voltar a jogar. Sem a desenvoltura na saída com bola demonstrada por Eduardo Quaresma, há que reconhecer que o veterano internacional português esteve bastante acertado no passe longo, nada catastrófico na construção de jogo e razoavelmente eficiente nas tarefas defensivas.

Coates (3,0)

Mais uns excelentes cortes e desarmes para a exposição permanente do Museu Sebástian Coates de Cortes e Desarmes, com posicionamento irrepreensível e serenidade quase irritante. Referência número 1 para os cruzamentos e bolas paradas, venceu nas alturas mas não nas trajetórias de cabeceamento, não conseguindo melhor contributo para o ataque leonino do que ser pública e notoriamente agarrado pela camisola na pequena área da equipa da casa em tempos de desconto. O videoárbitro Jorge Sousa chamou a atenção para o facto e o apitador Tiago Martins encarregou-se de ignorar a falta para grande penalidade que poderia valer os três pontos que manteriam o sonho do segundo lugar durante uns dias mais.

Borja (2,5)

Além do pânico que irradia quando tem a bola sob a custódia das chuteiras, pouco de errado fez durante os longos minutos que permaneceu no relvado. Não foi pelo colombiano que ficaram mais dois pontos esquecidos no Minho.

Ristovski (2,5)

Menos incisivo e eficaz no apoio ao ataque do que nos últimos jogos, o macedónio também esteve longe de ser a muralha capaz de conter um Moreirense que esteve melhor do que o Sporting em partes significativas do encontro. Quando foi substituído nem ele pareceu capaz de apresentar recurso da decisão para uma instância superior.

Matheus Nunes (2,0)

Faltou-lhe um terceiro remate em zona frontal para conseguir levar a bola a sair do estádio em vez de ficar nas últimas filas da bancada vazia. E na manobra do meio-campo também ficou longe de ser brilhante, reforçando a impressão de que as notícias acerca da futura venda que pagará a cláusula de rescisão de Ruben Amorim talvez sejam manifestamente exageradas.

Battaglia (2,0)

Mais um jogo excessivamente faltoso e desinspirado, demonstrando que o elenco do miolo do terreno é um calcanhar de Amorim no sistema táctico em implementação.

Acuña (3,0)

Regressou ao onze titular sem a disponibilidade física do adolescente que o substituiu nos últimos jogos, mas com a qualidade técnica e combatividade que lhe foram cozidas à pele. Não deixa de ser curioso que nos últimos minutos tenha sido mais útil à equipa enquanto terceiro central descaído para a esquerda. Ainda estamos a tempo, antes de o argentino ser vendido a preço de amigo, na sequência da notícia sobre o “apertão” que deu a Jovane Cabral, de experimentar o que valerá enquanto ponta de lança.

Jovane Cabral (3,0)

Pode muito bem padecer de excesso de individualismo, como tende a acontecer aos futebolistas que fazem muitos golos, assistências e são eleitos jogadores do mês, mas o regresso do extremo que aprecia flectir para o centro foi uma lufada de ar fresco no futebol do Sporting. Derrubado na grande área do Moreirense logo ao início, provavelmente quando o videoárbitro ainda degustava uma francesinha, procurou levar a equipa consigo, mas não raras vezes pareceu ressentir-se das ausências de Nuno Mendes e de Wendel. Quando um e outro saíram do banco de suplentes melhorou de rendimento, ainda que sem repetir a precisão nos livres directos, e mesmo depois do segundo pénalti sonegado ao Sporting ficou muito perto de desfazer a empate a zero no remate em arco que encerrou o jogo.

Gonzalo Plata (2,5)

A mesma velocidade que lhe permitiu marcar ao Gil Vicente em Alvalade forçou Halliche a derrubá-lo e a ver o cartão vermelho após perder a bola em zona proibida. Mago das fintas ainda com défice de pragmatismo, o jovem equatoriano acabaria por terminar o jogo como uma espécie de lateral-direito, funções nas quais não se distinguiu por aí além.

Sporar (2,5)

Ficou em posição em remate uma vez ao longo do jogo, disparando de ângulo complicado para defesa do guarda-redes caseiro. Sendo admissível que o sistema não privilegie quem ocupa a sua posição, é impossível não exigir mais a quem trabalha para a equipa e demais chavões.

Wendel (2,5)

Entrou tarde e não conseguiu impor completamente o seu jogo, mas a maior presença do Sporting no meio-campo contrário teve a ver, em partes iguais, com a superioridade numérica depois da expulsão de Halliche e com a influência do jovem-mas-já-não-tão-jovem brasileiro.

Nuno Mendes (3,0)

Foi um regalo ver entrar o recém-chegado à maioridade que joga como se pertencesse ao plantel principal há uns quantos anos, que centra como mais nenhum dos colegas – o que faria o Bas Dost pré-invasão com aqueles cruzamentos... – e que combina inteligência táctica e disponibilidade física. Com tantas lacunas no plantel é de pensar se Acuña não poderá ser aproveitado noutra posição.

Joelson Fernandes (2,0)

Alguns fogachos de quem poderá ter muito futuro e deverá ser gerido com cuidado, entrando sobretudo em jogos em que os três pontos já estejam no cofre.

Ruben Amorim (2,0)

Saberá melhor do que os observadores externos o motivo profundo para mexer tanto na equipa titular, retirando quem jogou mal e quem jogou bem, mas dificilmente poderá questionar que o resultado não foi brilhante. O regresso de Jovane Cabral até poderia ter garantido tranquilidade desde cedo, em vez do crescente domínio da equipa da casa, motivado pela superioridade numérica no meio-campo e desinspiração dos poucos que por lá andavam. Sem a inteligência do suplente Wendel ou dos lesionados Francisco Geraldes e Vietto, dependeu demasiado do individualismo dos extremos e nem ver-se com mais um em campo melhorou por aí além o desempenho da equipa. Nota final para o facto de só ter realizado 60% das substituições permitidas, o que diz bastante acerca da confiança que deposita num plantel construído de forma desastrosa e que foi perdendo pelo caminho alguns dos melhores (Bruno Fernandes, Raphinha e até o período azul de Bas Dost) e ainda está a criar alternativas. Certo é que, com ajuda do árbitro Tiago Martins e da saída de Bruno Lage do Benfica, o sonho do acesso à Champions esfumou-se e o Sporting de Braga ficou mais parte de recuperar o lugar no pódio que já foi seu.

Armas e viscondes assinalados: Prendas para adolescentes em dia de 114.º aniversário

Sporting 2 - Gil Vicente 1

Liga NOS - 29.ª Jornada

1 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Mais uma boa exibição só se não se traduziu no proverbial lençol limpo porque alguém se lembrou de cometer uma grande penalidade e permitir que um fulano de cabelo oxigenado sem dotes de rapper fizesse mais em Alvalade do que quando foi assalariado do Sporting. Certo é que o jovem guarda-redes esteve à altura com uma série de defesas, uma das quais a evitar um espectacular golo olímpico, que asseguraram sossego num jogo em que Coates e Wendel foram os únicos titulares que restaram da equipa-base do início da temporada.

Eduardo Quaresma (3,5)

Mostrou que os deslizes frente ao Belenenses SAD foram apenas um contratempo, revelando-se uma muralha intransponível com notável “timing” nos desarmes e com visão de jogo necessária para passes de ruptura de longa distância. Na segunda parte deu um ar da sua graça na condução de um contra-ataque que deveria servir de exemplo para jogadores pouco mais velhos e que custaram um punhado de milhões de euros.

Coates (3,0)

Novamente patrão de uma linha defensiva que começa a estabilizar, procurou sempre descomplicar e impôs a sua qualidade,sendo digno do apelido Stromp que carregava na camisola. Pena que tenha sido menos eficaz a ajudar o ataque do que no jogo anterior.

Borja (2,5)

Cada bola que lhe vai parar aos pés é encarada pelo colombiano como se fosse uma mina anti-pessoal que ameaça rebentar-lhe as pernas. Dito isto, poderia ter feito bem pior.

Ristovski (3,0)

Esteve muito activo no apoio ao ataque, mas também fez sentir a sua presença nas missões defensivas, como poderá comprovar um ex-colega de balneário de cabelo oxigenado e sem dotes de rapper.

Matheus Nunes (2,5)

Ainda não foi desta que deslumbrou, limitando-se a pressionar os adversários e a garantir circulação de bola. Mas com demasiados passes errados.

Wendel (3,5)

Muitíssimo oportuno no lance do primeiro golo, no qual acorreu ao cruzamento atrasado de Gonzalo Plata, desperdiçou uma excelente oportunidade para bisar, novamente servido pelo equatoriano, mas permitiu a defesa do guarda-redes e falhou a recarga de cabeça. No resto do jogo procurou controlar as operações no meio-campo desguarnecido pelas opções tácticas de Ruben Amorim.

Nuno Mendes (3,0)

O jovem lateral-esquerdo é outro que não engana, conjugando velocidade de execução e inteligência táctica. Quando engrenar no um-contra-um poderá ser um caso muito sério.

Gonzalo Plata (3,5)

Um golo e uma assistência foram a resposta do adolescente equatoriano ao desafio de substituir o lesionado Jovane Cabral como acelerador do futebol leonino. Particularmente oportuno no lance do 2-0, que se deve à sua rapidez e perseverança, também cometeu umas quantas parvoíces, a maior das quais um passe de calcanhar quando Wendel lhe passou a bola de modo a que pudesse seguir isolado para a baliza.

Rafael Camacho (1,5)

Titular na ala esquerda, na sequência de mais um azar de Francisco Geraldes - ressentiu-se de um toque pouco antes de assumir a titularidade -, o fugitivo de Alcochete resgatado ao Liverpool por não querer ser lateral-direito voltou a demonstrar uma desconcertante apetência para as perdas de bola, passes disparatados e deficiência na atitude competitiva. É um crime de lesa-simbolismo atribuir-lhe a camisola 7, mas ainda fica mais aberrante com o nome de Luís Figo nas costas.

Sporar (2,5)

Embora tenha “lutado muito pela equipa” e todos os chavões do género, é bastante preocupante que um ponta-de-lança do Sporting, num jogo em casa, contra uma equipa de fundo da tabela, não faça um único remate à baliza.

Idrissa Doumbia (1,5)

Entrou para segurar a vantagem de 2-0 e não se lembrou de melhor do que cometer uma grande penalidade que deu um mínimo de “frisson” aos derradeiros minutos de jogo.

Battaglia (2,0)

Voltou a entrar para ganhar ritmo. E, provavelmente, para dar prova de vida na esperança de uma transferência que garanta alguma entrada de dinheiro e alivie a folha salarial.

Tiago Tomás (2,0)

O avançado com idade de junior estreou-se na equipa principal e procurou integrar-se na manobra ofensiva.

Joelson Fernandes (2,0)

O extremo com idade de juvenil estreou-se na equipa principal já nos descontos e assumiu a cobrança de um livre directo que saiu ao lado da baliza do Gil Vicente. Ainda bem. Se tivesse sido golo talvez tivesse já embarcado para um país com menos sol.

Ruben Amorim (3,0)

Muitas ausências dificultaram a convocatória e a escolha do onze titular. Mas a equipa-base está escolhida, a aposta na juventude é assumida e vai dando frutos, e o Sporting voltou a aproximar-se de quem está à frente e a afastar-se de quem está atrás. Com os verdadeiros testes – as deslocações ao Dragão e à Luz – cada vez mais próximos, o treinador ainda sem derrotas na Liga NOS precisa de aprimorar aspectos importantes como os livres indirectos.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos e dois golos com “lay-off” a 50%

Belenenses SAD 1 - Sporting 3

Liga NOS - 28.ª Jornada

26 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Sofreu um golo a seco, sem que Licá tenha colocado primeiro uma musiquinha ou atenuado a iluminação - muito pelo contrário, o jovem guarda-redes teve o sol a fustigar-lhe os olhos na primeira parte -, mas esse dissabor serviu de aviso e ficou atento a outros desvarios de uma linha defensiva que se ressentiu do infeliz pendurar de chuteiras de Mathieu. Conseguiu evitar piores sarilhos sempre que o Belenenses SAD avançava pelo terreno, contribuindo para a tranquilidade pós-reviravolta. Estima-se que aproveite os tempos livres para consultar todos os compêndios que encontre acerca da nobre arte de executar alívios com os pés.

Eduardo Quaresma (2,0)

Quando foi substituído terá sentido um alívio tão grande quanto o dos adeptos - engano ledo e cego desses últimos, como a entrada de Tiago Ilori se apresentou a demonstrar -, pois o prodigioso adolescente viveu uma final de tarde de pesadelo na Cidade do Futebol. Co-autor moral do golo da Belenenses SAD, pois não só colocou atabalhoadamente a bola nos pés de Nilton Varela como deixou Licá em posição regular, sentiu o peso do erro e não mais se reencontrou. Mesmo os cortes oportunos saíram imperfeitos e as tentativas de saída com bola não resultaram. Melhores dias virão, certamente.

Coates (3,5)

Faltaram-lhe asas para impedir o golo do adversário, mas elevou-se nos céus para fazer o empate de cabeça e prestar homenagem ao francês que começou por ser colega e acabou por tornar-se amigo. Imperial como último reduto de uma defesa em dia não, o uruguaio ficou perto de bisar na segunda parte e assumiu como poucos seriam capazes a braçadeira de capitão e o estatuto de resistente, após as transferências de Bruno Fernandes e Bas Dost, o fim da carreira de Mathieu e a lesão de Acuña. Assim de repente, do alto dos seus 29 anos, agora é ele o “velhinho” do plantel.

Borja (1,5)

O adeus de Mathieu levou muitos (alguns dos quais nem sequer seus empresários) a reclamar a titularidade, o jovem central esquerdino com idade de júnior que poucos viram jogar, mas Ruben Amorim foi conservador e atribuiu um lugar no onze a Borja. Foi mais uma oportunidade de observar a falta de clarividência na abordagem dos lances, a escassez de critério com bola e as falhas escusadas de um profissional esforçado que não consegue fazer melhor. E que mais uma vez foi salvo pelo videoárbitro, o qual detectou fora de jogo antes de Borja ter cometido falta para grande penalidade.

Ristovski (3,0)

Muito sofreu no arranque do jogo, soterrado numa avalancha ofensiva da equipa da casa emprestada, mas logrou avançar no terreno e deixar marca no resultado. O cruzamento que permitiu a Jovane Cabral rematar de forma acrobática demonstra que o macedónio é bem melhor do que lhe dão crédito, repetindo a assistência na segunda parte, desta vez num cruzamento rente à relva para os pés de Francisco Geraldes, que quase elevou o resultado para 1-4.

Nuno Mendes (3,0)

Manteve a velocidade, maturidade e consistência que ameaçam fazer de si uma figura do futebol português. Mesmo afectado pela saída precoce de Jovane Cabral manteve-se em excelente ritmo, aproveitando a janela aberta pela lesão de Acuña.

Matheus Nunes (3,0)

Teve muito trabalho no arranque do jogo e reviengou por entre adversários como se nada fosse. Começa a ser claro que tem capacidade de sobreviver à hipérbole presidencial com que foi presenteado.

Wendel (3,0)

Voltou a ser maestro na construção de jogo, melhorando bastante depois do intervalo. Convém que assuma o estatuto de veterano prematuro do plantel, assumindo ter voz de comando.

Jovane Cabral (4,0)

Assume-se como o melhor jogador da Liga NOS no desconfinamento, acumulando exibições que estão longe de se explicar apenas com a boa condição física. Acelerador das partículas de futebol leonino, Jovane Cabral rematou de forma acrobática e espectacular no golo que selou a reviravolta e urdiu na perfeição a troca de bola com Sporar que resultou no pénalti marcado à segunda tentativa. Problemas físicos levaram a que fosse substituído ao intervalo (tal como farão com que fique de fora da recepção ao Gil Vicente), comprovando que se consegue ser muitíssimo produtivo mesmo estando em “lay-off” a 50%. Resta saber se o peso da sua ausência será tão sentido quanto a da sua presença.

Gonzalo Plata (3,0)

Fez por assumir mais o jogo após a saída de Jovane Cabral, mas ainda lhe falta objectividade e, no limite, golo nos pés. Já arriscou bastante, mas tem de arriscar mais para subir mais alguns degraus.

Sporar (3,0)

Surpreendentemente decisivo para um avançado que ficou em branco, o esloveno não só “sacou” um pénalti como desviou as atenções da defesa, permitindo a Jovane acorrer sossegado ao cruzamento de Ristovski. Mesmo quando se viu mais sozinho deu luta aos centrais da Belenenses SAD e fez sempre pela vida, abrindo espaços para os colegas.

Francisco Geraldes (3,0)

Teve direito a meio jogo e tirou partido do voto parcial de confiança, mostrando-se rematador e empenhado em deixar marca. Encontrou pela frente um excelente guarda-redes, o que impediu maior glória a recompensar o esforço, dedicação e devoção. Mas fez a pré-candidatura ao onze titular e à permanência no plantel na próxima temporada, curiosamente pouco depois de ter dado uma entrevista em que confessou ver o seu potencial demasiado irrealizado.

Tiago Ilori (1,5)

Regressou à equipa para salvar Eduardo Quaresma de si próprio, mas nada de melhor conseguiu fazer do que o adolescente no relvado, recordando os adeptos daqueles tempos infaustos em que era visto com maior frequência de leão ao peito. Salvo pelo videoárbitro num lance de contra-ataque da Belenenses SAD, mostrou que a porta de saída deveria ser serventia da casa.

Idrissa Doumbia (2,5)

Descomplicado e despretensioso, refrescou o meio-campo defensivo com pouco brilho e muito razoável eficiência. Talvez possa ser útil ao plantel, talvez possa evoluir, mas manter João Palhinha nos quadros do Sporting seria melhor ideia.

Rafael Camacho (1,5)

Conseguiu-se fintar-se a si próprio nas tentativas de envolvimento na manobra ofensiva. Ristovski poderá não ser um Zambrotta, mas Rafael Camacho não é, definitivamente, a aposta mais segura para pôr termo à maldição da camisola 7.

Battaglia (2,0)

Poucos minutos em campo, sem cometer erros graves ou justificar o estatuto de que goza no plantel desde o resgate pós-rescisão.

Ruben Amorim (3,5)

Resistiu a arriscar em Gonçalo Inácio e também não deu a estreia a Joelson Fernandes que muitos sportinguistas esperavam, preferindo jogar pelo seguro com a entrada do tecnicista Francisco Geraldes após Jovane Cabral dar sinal de problemas físicos. Aceita-se o conservadorismo do treinador, claramente insatisfeito com a forma como a equipa se deixou pressionar no arranque do jogo, tal como se deve salientar a estrelinha da sorte que o leva a observar o descalabro dos rivais directos, a jusante e a montante, ao ponto de uma vitória na recepção ao Gil Vicente (sem Mathieu, Acuña, Vietto e Jovane Cabral...) poder colocar o Sporting a nove pontos do Benfica e com cinco de vantagem sobre o Sporting de Braga.

Que notícia triste, Jérémy Mathieu

Isto é terrível, Jérémy Mathieu. Um central da tua qualidade termina a carreira longe do Estádio de Alvalade, de preferência cheio de adeptos em tua honra, dispostos a suspender a discórdia que tomou conta do Sporting.

 

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Do futebolista não há muito mais a dizer, embora a forma abnegada como serviste de engodo para o livre certeiro de Jovane Cabral simbolize a vontade de ajudar os outros e a equipa.

Contratado ao Barcelona, tudo fizeste para que o Sporting ganhasse títulos. Conseguiste uns quantos, mas não o mais importante. Ainda assim, o momento que te define é o pós-ataque a Alcochete, no qual foste um dos homens firmes no meio de miúdos assustados e rotinados oportunistas. Tu que não foras nascido e criado no clube, mas que tiveste em consideração o Sporting e os seus adeptos, mais do que uns punhados de vândalos promovidos a terroristas ou um presidente em rota de colisão com o plantel.

Honraste a camisola do primeiro ao último jogo, mesmo quando falhaste, e num mundo perfeito ficarias mais um ano a fazer a transição tranquila para novas gerações.

Duvido que o Sporting possa manter o terceiro lugar reconquistado no desconfinamento sem a tua presença na linha defensiva. Mas isso pouco importa perante o golpe injusto que termina a carreira de quem ainda muito teria a dar ao clube, aos adeptos e ao futebol.

É mesmo uma notícia muito triste, Jérémy Mathieu. Mas és muito maior do que isto que te aconteceu nesta quarta-feira, demasiado longe do estádio onde tantas vezes te aplaudi de pé. Quero acreditar que um dia te encontrarei por lá e poderei resumir tudo isto no pouco francês que me resta na memória.

Armas e viscondes assinalados: Jogo mexido resolveu-se nas bolas paradas

Sporting 2 - Tondela 0

Liga NOS - 27.ª Jornada

18 de Junho de 2020

Luís Maximiano (3,0)

Na primeira parte foi o único espectador permitido no estádio de Alvalade, tanto que só Mathieu o conseguiu inquietar ao atirar ao poste no desvio de um canto. Só depois do intervalo provou que integrava a ficha de jogo, aplicando-se em algumas boas defesas, a melhor das quais ao desviar com a ponta dos dedos um remate em arco, tendo sido o melhor que o Tondela conseguiu fazer num jogo em que nem parecia aquela equipa que nasceu para subtrair pontos ao Sporting.

Eduardo Quaresma (3,0)

O adolescente que ameaça tornar-se uma lenda, e que já nem foi o mais jovem de entre os titulares, não só policiou a contento a sua área de jurisdição como voltou a mostrar uma capacidade de saída rápida e criteriosa na condução de jogo que, se não existir um desastre na gestão de carreira habitual entre os verdes e brancos,  fará dele um futuro capitão de equipa e um indiscutível da seleção de Portugal. Mesmo sem grande ajuda de Rafael Camacho teve arrancadas que poucos esperam de um central.

Coates (3,5)

O central uruguaio terá levado ao engano aqueles que ouviam o relato, pois tantas vezes ouviram “corte de Coates” que poderão ter esquecido que Sebastián é o seu verdadeiro nome próprio. O gigante que enverga a braçadeira de capitão executou corte após corte, tirando partido da altura e do timing de abordagem aos lances, e contribuiu de forma decisiva para que o ataque do Tondela fosse uma nulidade na primeira parte e não tenha obtido resultados na segunda. Para que tudo tivesse corrido da î de drible invulgar, Jovane Cabral provocou tremores à defesa adversária até sair de campo, deixando as faltas como único recurso para o tentar impedir.

Mathieu (3,0)

Sendo certo que foi o autor do lance de maior perigo para a baliza do Sporting, cabeceando ao poste no desvio de um canto, e que fez alguns cruzamentos em direcção incerta, mesmo assim notou-se a diferença de contar com a classe do veterano francês. Tendo o condão de sair com a bola controlada pelo flanco esquerdo, o que potenciou as melhores exibições da equipa, o central regressou em boa hora à equipa titular. Só não conseguiu ficar até ao fim, pois o estouro físico num contra-ataque que o deixou furioso com a má execução de Ristovski levou a que fosse substituído pelo esforçado Borja.

Nuno Mendes (3,5)

A estreia a titular, na véspera de celebrar 18 anos e horas antes de renovar contrato com uma cláusula de rescisão milionária, só poderia ter sido ainda mais positiva caso tivesse direcionado melhor um remate de ressaca à entrada da grande área do Tondela. O lateral-esquerdo combinou às mil maravilhas com Jovane Cabral, ficando numa dessas jogadas isolado a poucos metros da baliza de Cláudio Ramos. Em vez de rematar preferiu servir um colega, tendo a bola sido cortada pelo braço de um adversário, o que levou à cobrança do pénalti que selou o resultado final. No resto do jogo mostrou-se incansável nas recuperações e antecipações ao adversário, com a particularidade de não ter cometido uma única falta.

Matheus Nunes (3,0)

Conseguiu uma exibição bem conseguida, na qual sobressaiu a qualidade de passe longo, procurando cumprir da melhor forma a missão de servir de pêndulo entre defesa e ataque, o que contribuiu para o jogo fosse bem mais mexido do que os adeptos leoninos estão habituados a ver nos tempos mais recentes. A continuar assim terá a titularidade garantida e merecida apesar da sombra do decreto presidencial.

Wendel (3,0)

Há ocasiões em que a inferioridade numérica no meio-campo imposta pelo esquema táctico de Ruben Amorim se torna particularmente ingrata. Assim sucedeu com o internacional olímpico brasileiro na recepção ao Tondela, ainda que tenha demonstrado em vários momentos a qualidade intrínseca que o acompanha.

Gonzalo Plata (3,0)

Bailou com a bola, deixando vários adversários a rodopiar, na jogada em que tiveram de o ceifar para impedir que entrasse na grande área. Daí nasceu o livre que desbloqueou o resultado e tornou mais fácil um encontro em que voltou a dar-se melhor no miolo do que na linha, no que é uma característica algo insólita para um extremo.

Jovane Cabral (4,0)

Habituado ao estatuto de protagonista, apoderou-se na bola com voragem de açambarcador, patente no segundo golo de livre directo consecutivo, desta vez (ainda) mais em jeito do que em força. Antes já tinha caído na grande área, e logo a seguir executou a assistência de calcanhar que deixou o seu "discípulo" Nuno Mendes isolado na baliza. E mesmo quando a equipa começou a perder gás, algures por meados da segunda parte, encontrou reservas de energia que lhe permitiram conduzir contra-ataques venenosos. O jovem que deve o lugar no plantel a José Peseiro, e aos seus desentendimentos com Matheus Pereira, agora irremediavelmente perdido para a pérfida Albion.

Sporar (3,0)

Marcou o pénalti com tanta força que pouco importou Cláudio Ramos ter percebido o lado para onde a bola seguia. Mas deu sobretudo nas vistas a sua vontade de sair em drible. Na primeira parte terminou caído no relvado, sem que o videoárbitro desse devida nota do empurrão que lhe deram, mas na segunda parte teve tudo para fazer o 3-0 e acabou por rematar ao lado depois de passar por um punhado de adversários.

Ristovski (2,0)

Entrou para o lugar do desinspirado Rafael Camacho e pouco mais ofereceu à manobra ofensiva leonina. Mau nos cruzamentos e no entendimento com os colegas, falhou a oportunidade de reconquistar o lugar.

Battaglia (2,0)

Regressou aos relvados com mais confiança do que havia deixado. Mas tarda em reencontrar-se.

Francisco Geraldes (1,5)

Uma espécie de assistência mal amanhada a que Ristovski não chegaria nem se tivesse asas foi o exemplo acabado do desaproveitamento do quarto de hora a que o talentoso meio-campista teve direito.

Pedro Mendes (-)

Entrou muito tarde e não teve tempo para fazer absolutamente nada.

Ruben Amorim (3,5)

A primeira parte foi o seu melhor momento desde que trocou o Sporting de Braga pelo Sporting. Apesar de o Tondela não ser propriamente um Barcelona, o domínio das operações foi extraordinário e a aposta em adolescentes como Eduardo Quaresma e Nuno Mendes totalmente conseguida. Ainda que o plantel não tenha melhorado com a pandemia, e de o meio-campo ficar por vezes à deriva, certo é que apareceram sete pontos nos últimos três desafios e o seu ex-clube passou a estar atrás na luta pelo terceiro lugar da Liga NOS.

Armas e viscondes assinalados: Foguete imparável em mais uma noite sem arraial

Sporting 1 - Paços de Ferreira 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

12 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (4,0)

Compensou os dois pontos oferecidos em Guimarães com dois ou mesmo três pontos numa triste noite de Santo António, na qual a pandemia deixou as bancadas vazias e isentou vários jogadores de assobios e milhares de espectadores de uma nulidade intervalada por raros grandes momentos de futebol. A crise em curso no ex-clube de Ruben Amorim deixou-o em igualdade pontual com o clube que vai pagar 14 milhões de euros pelo treinador, mas convém não esquecer que o Paços de Ferreira, antepenúltimo classificado da Liga NOS superou a equipa da casa em remates enquadrados e saiu de Alvalade a queixar-se da sorte e do videoárbitro. Maximiano teve uma noite de excepção, impedindo a bola de encontrar as redes em sucessivas ocasiões, incluindo aquela em que a sua linha defensiva permitiu que um adversário lhe aparecesse isolado à frente. Sempre atento aos remates dos adversários, evitou males maiores numa equipa que precisaria de uma quarentena muito mais duradoura do que esta.

Eduardo Quaresma (3,0)

Só a intervenção no lance de maior perigo do Paços de Ferreira, deixando um avançado em posição regular, e a fraca percentagem de sucesso nos duelos aéreos – algo que poderá ser ultrapassado com treino, pois ninguém com 185 centímetros pode ser acusado de nanismo – impediram que a primeira titularidade em Alvalade fosse ainda mais memorável. Excelente no controlo das operações e saída da bola, apesar de desta vez ter menos ajuda do colega de ala direita, cimentou o lugar na equipa e no imaginário dos adeptos.

Coates (3,0)

Voltou a mostrar-se patrão, e até os seus vigorosos e sensatos protestos no lance em que chegou a ser assinalado pénalti contra o Sporting ajudaram a ganhar tempo para que o videoárbitro revertesse uma decisão que poderia permitir a Maximiano ser o homem do jogo, forçar Jovane Cabral a horas extraordinárias ou impedir os três pontos que tanto jeito dão numa corrida em que o terceiro lugar é tão possível quanto o sétimo. Pior acompanhado do que é costume, o uruguaio não deu tréguas aos adversários.

Borja (2,0)

Podemos recorrer à suspensão da descrença e dizer que o colombiano não cometeu qualquer irregularidade no lance do pénalti revogado, mas é inegável que deixou escapar um adversário rumo à baliza. Foi apenas a manifestação mais flagrante das limitações de um profissional que decerto procura dar o melhor, tendo o problema irresolúvel de não ser capaz de estar ao nível exigível como central descaído para a esquerda. Falta-lhe, além de tudo o resto, a capacidade de saída com bola que deveria fazer de Mathieu imprescindível enquanto as pernas aguentarem e o contrato for válido.

Rafael Camacho (2,0)

Fez o primeiro remate do Sporting, desenquadrado da baliza, e depois lançou-se numa colectânea de falhas técnicas indignas de quem custou mais ou menos o mesmo que o orçamento de algumas equipas da Liga NOS. Todas as boas indicações que deixou em Guimarães foram esquecidas, quase como se procurasse provar que não foi feito para lateral-direito.

Acuña (2,5)

Gastou quase tudo o que tinha para dar ao jogo logo nos primeiros minutos, arrastando a sua inegável classe no relvado até que Ruben Amorim decidiu recorrer ao trabalho infantil.

Matheus Nunes (3,0)

Manteve o lugar no onze titular, desta vez como médio mais defensivo, e esteve bem na missão de garantir posse de bola e servir de pêndulo entre defesa e ataque, arriscando-se a ficar na ficha de jogo ao fazer a recarga bem sucedida de um livre que entrou na baliza antes de ser devolvido ao campo de jogo. Pouco depois começou a perder gás, o que não é um bom cartão de visita num jovem de 21 anos, e deu lugar a quem fez bem pior do que ele.

Wendel (3,5)

Regressou a Alvalade sem o mesmo grau de exposição corporal e com visual renovado. A barba talvez tenha servido para o brasileiro se assumir como o ancião de 22 anos em que se tornou, tendo em conta a quantidade de adolescentes ao seu lado e a veterania decorrente da terceira época no plantel principal, apenas superada por Coates e Acuña entre os titulares. Mas o mais importante de Wendel são os pés com que executa arrancadas como a que deu origem ao livre que resolveu a embrulhada. Tenha ele confiança para repetir mais vezes tais iniciativas, em vez de se deixar enredar na modorra, e o Sporting poderá ir mais longe, mesmo que à custa de o internacional olímpico brasileiro ir para ainda mais longe.

Jovane Cabral (4,0)

Também ele passou a maior parte da primeira parte à espera do comboio na paragem do autocarro. Mas quando engrenou, ocupando-se da esquerda, fez o que faltava ser feito. Já tinha partido os rins a um adversário, cruzando para um Sporar em dia nunca, quando pegou na bola para marcar um livre ainda a uns passos da grande área e soltou um foguete imparável para animar mais uma noite sem arraial em Alvalade. A pontaria e potência com que a bola embateu na trave, bateu dentro da baliza e voltou a sair  pareceu uma segunda passagem de Bruno Fernandes pelo estádio, com o detalhe do festejo de mãos na orelha, a homenagear o ex-capitão leonino, que a partir de Manchester continua a servir de mentor. Seria justo que Jovane conseguisse bisar mesmo no final da partida, após um fulgurante contra-ataque, mas dessa vez a barra reagiu mal ao estrondo da bola.

Vietto (3,0)

Pouco antes de se lesionar num embate com um adversário, ficando com uma luxação que lhe poderá custar as oito jornadas restantes, protagonizou o melhor momento da primeira parte, numa assistência de génio a que Sporar não deu seguimento. E estava a conseguir fazer acelerar o processo ofensivo da equipa, impondo o seu estilo de camisola 10 vendido como avançado.

Sporar (1,5)

Foi a antítese do aproveitamento pleno de oportunidades em Guimarães, desperdiçando duas boas ocasiões de golo. Na primeira parte, servido por Vietto, conseguir avançar até à grande área mas rematou muito acima da baliza, e na segunda parte dessincronizou-se com o cruzamento de Jovane Cabral, mesmo em frente à linha de golo. Tirando estes dois momentos foi discreto, quando não inexistente.

Gonzalo Plata (1,5)

Passou mais de 50 minutos em campo sem propósito e quase como um corpo estranho na equipa, falhando no flanco e no miolo. Tem de afinar o seu enorme potencial, o que talvez passe por uns telefonemas de Bruno Fernandes.

Nuno Mendes (2,0)

Estreou-se na equipa principal ainda com 17 anos, reforçando a ideia de que a pandemia está a fomentar o trabalho infantil. Algumas arrancadas deram boas indicações de quem já parece estar à frente de Borja.

Eduardo (1,5)

Pouco depois de entrar já tinha cometido uma fífia que felizmente não foi aproveitada pelo Paços de Ferreira. Não satisfeito, participou num sururu, recebendo um amarelo dois minutos após substituir Matheus Nunes. Seguiram-se mais uns 15 minutos de incapacidade a níveis pré-pandémicos.

Francisco Geraldes (1,5)

Terá percebido que conta muito pouco quando Vietto ficou agarrado ao braço e Ruben Amorim mandou aquecer Gonzalo Plata. Teria direito a pouco mais de dez minutos, destinados a fazer descansar Wendel e num momento do jogo em que o domínio dos visitantes era cada vez mais pronunciado, nos quais nada mais pôde fazer além de cometer faltas.

Ruben Amorim (2,5)

Alcançou o Sporting de Braga, que mantém o terceiro lugar por todos os critérios, mas para lá chegar venceu pela margem mínima o antepenúltimo, jogando em casa, e ficando atrás no número de remates. Dizer que é poucochinho passa por eufemismo, havendo muito trabalho para fazer de modo a garantir que Alvalade verá jogos europeus nos próximos tempos sem ser enquanto barriga de aluguer de fases finais da UEFA. Louva-se-lhe a aposta nos mais jovens e na formação, mas há que aprimorar a qualidade existente no plantel. E também a comunicação, pois a rábula final da explicação da ausência de Mathieu foi um acto falhado que não prestigia o treinador e desrespeita um dos melhores jogadores que honraram a camisola nos tempos mais recentes.

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