Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Goleiro valeu por dois numa equipa que entrou a jogar com dez

Sporting 2 - Sp. Braga 1

Liga NOS - 2.ª Jornada

18 de Agosto de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Mesmo sem evitar que Wilson Eduardo voltasse a marcar ao clube que o formou, emprestou sucessivamente e pouco ou nada aproveitou antes da cedência final, o goleiro brasileiro fez o tipo de jogo em que é da mais elementar justiça atribuir-lhe os três pontos correspondentes à primeira vitória do Sporting de Marcel Keizer no espaço de três meses. Uma sucessão de grandes defesas na primeira parte foi concluída com a obra de arte que resolveu (mais uma) falha colectiva que deixou Hassan isolado frente à baliza. Capaz de concorrer com o portista Marchesín pelo título de guarda-redes mais impressionante a jogar em Portugal, Renan esteve menos certeiro nas reposições de bola, dirigindo-a repetidas vezes para zonas do terreno desprovidas de futebolistas de leão ao peito. Mas ainda assim foi mais certeiro do que um certo e determinado colega de plantel.

 

Thierry Correia (2,5)

Esforçou-se visivelmente por não cometer nenhum daqueles erros que resultam em golos do adversário. Cumpriu tal desiderato com brio, ainda que tenha beneficiado de incompetências alheias num ou noutro cruzamento. Com a bola rente ao relvado teve maiores hipóteses de impor a sua presença. Já no ataque pouco ou nada fez, até porque a sua convivência na ala com Raphinha é mais um daqueles detalhes que não devem andar a ser muito trabalhados nos treinos.

 

Coates (3,0)

Ficou bem perto de voltar a marcar, primeiro de cabeça e depois num remate cruzado desferido dentro da grande área. Falhou esse intento, tal como mais tarde faria no corte que permitiu o golo do Braga – mais clamorosa foi a má abordagem que deixou Hassan isolado na primeira parte, mas nesse momento Renan resolveu –, o que retira brilho a uma noite em que serviu de força de contenção a avançados bastante mais inspirados do que aqueles que costuma encontrar nos treinos.

 

Mathieu (3,0)

Anda um homem já próximo da “retraite” a correr pelo relvado para que um maliano estrague tudo? Assim terá decerto pensado o francês na segunda parte, vendo o seu esforço para sossegar os adeptos com um terceiro golo esfumar-se devido às más companhias a que o sujeitam no onze titular. No resto do tempo esteve à altura dos muitos apuros que os visitantes trouxeram a Alvalade até que observou impotente e resignado o ressalto que entregou a bola à chuteira pródiga de Wilson Eduardo.

 

Acuña (3,0)

Prova cabal do seu cada vez melhor feitio foi a ausência de gritos e cotoveladas no fulano que insistia em partilhar a ala esquerda consigo. Limitado pela inutilidade de Diaby, o argentino fez o que pôde, recorrendo à habitual garra e classe para resolver problemas na defesa e lançar a confusão no ataque. Imagine-se o que poderá fazer se Keizer lhe der a benesse de  lhe dar um parceiro que não suscite participações à ASAE e à APAV sempre que toca numa bola...

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Muitas vezes atabalhoado no controlo de bola, mesmo sendo um bailarino do Bolshoi quando comparado com Diaby, regressou ao onze titular após cumprir o jogo de suspensão decorrente do duplo amarelo na Supertaça. Incansável e cheio de vontade de ajudar, deu o seu precioso contributo para o regresso do Sporting às vitórias. Ainda tem muito para aprimorar, mas nada indica que tenha atingido o topo da sua curva de aprendizagem.

 

Wendel (3,5)

Inaugurou o marcador numa excelente combinação com Luiz Phellype, esticando o pé esquerdo para rematar de biqueira. Dificilmente poderia arrancar melhor numa exibição de pleno compromisso com a equipa, excelentes movimentações no meio-campo e muita solidariedade para com os colegas da linha defensiva. Uma das chaves para que o Sporting possa ter resultados acima das suas possibilidades é a manutenção do jovem brasileiro naquele selecto grupo de jogadores capazes de garantir que a equipa pula e avança.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Tirou um golo da cartola ao surripiar a bola a um adversário, partindo os rins ao adversário seguinte para poder fuzilar as redes e fazer o 2-0. Outras marcas poderia ter deixado, sobretudo na segunda parte, mas falhas de Luiz Phellype, Raphinha e Diaby inviabilizaram o aproveitamento das aberturas que lhe saem dos pés predestinados. Caso se mantenha em Alvalade em Setembro haverá razões objectivas para não temer o regresso dos leões aos tempos gloriosos do sétimo lugar conquistado a ferros.

 

Raphinha (2,0)

Persiste em não cumprir o potencial inegável que poderia catapultar a sua equipa para mais altos voos. Após o festival de desperdício de oportunidades frente ao Marítimo primou pela inoperância, deixando como principal marca no relvado um cruzamento mal medido que Luiz Phellype conseguiu aproveitar para uma assistência que valeu o 1-0 a Wendel. Também voltou a demonstrar uma bizarra incapacidade de combinar com Thierry Correia na direita, seja a atacar ou a defender. Talvez seja de recorrer à mediação das Nações Unidas.

 

Diaby (0,5)

Tivesse o avançado maliano falta de auto-estima e sabe-se lá o que teria feito após sair do relvado sob um coro de assobios e vaias dos trinta e tal milhares de sportinguistas que observaram uma das exibições mais nulas de que há memória no estádio. Mais de 75 minutos chegaram para que Diaby se cobrisse de vergonha à medida que falhava passes fáceis, estrangulava contra-ataques prometedores e dirigia os poucos cruzamentos que fazia para o lado errado da linha lateral. Pouco tempo demorou até os espectadores temerem os sentimentos para lá de negativos que a actuação do ilustre velocista contratado por Sousa Cintra lhes suscitava. Daí que as cinco décimas de ponto acima atribuídas recompensem a experiência psicossocial perversa, já que o desempenho futebolístico foi absolutamente nulo, como as estatísticas denunciam (tirando o caso do amarelo que lhe foi mostrado por simulação, visto que é possível que tenha sido mesmo derrubado na grande área do Braga), afastando a hipótese de Marcel Keizer ser o único imune a uma alucinação colectiva daquelas que até envolvem azinheiras. Manter Diaby no plantel principal do Sporting é um insulto àqueles que estão a ver o seu desenvolvimento cortado pela insistência do treinador holandês e um ultraje para os talentos que já envergaram a camisola verde e branca.

 

Luiz Phellype (3,0)

Menos dotado do que Bas Dost para o jogo aéreo, demonstrou igualmente escassez de “killer instinct” quando solicitado pelos colegas. Terá sido uma ocasião perdida, nos antípodas da série de jogos consecutivos a marcar no final da época passada, não fosse a engenhosa assistência para o golo de Wendel. Caso o holandês esteja mesmo de partida para Frankfurt precisará de mostrar bastante mais para justificar a titularidade. A não ser, claro está, que o orçamento não contemple alternativas para a posição 9.

 

Neto (2,0)

Entrou em campo para o regresso dos três centrais numa altura em que a equipa visitante aproveitava o “estouro” físico dos sportinguistas para tentar virar o resultado. Não conseguiu evitar o golo de honra do Braga, mas também ele contribuiu para os três pontos amealhados. E foi profusamente aplaudido aquando da entrada, até porque implicou a saída de Diaby, deixando a equipa a jogar com onze quando o cronómetro se aproximava do apito final.

 

Eduardo (2,0)

Entrou para segurar o resultado e dar merecido repouso a Wendel, destacando-se na muralha de aço erigida frente à baliza de Renan.

 

Vietto (1,0)

Apanhou a equipa completamente partida e nada conseguiu fazer para justificar o abatimento de tantos milhões na oficialização da perda de Gelson Martins para o Atlético de Madrid.

 

Marcel Keizer (2,0)

Conquistar três pontos frente a um adversário directo (pena que seja na luta pelo segundo ou terceiro lugar) deveria justificar nota positiva, mas todos aqueles que viram mais uma exibição desgarrada e à beira do precipício não puderam deixar de perguntar até que ponto o Sporting venceu apesar de Keizer. Um treinador capaz de entregar a titularidade a uma nulidade como Diaby, mantendo-o em campo contra todas as leis do mérito e da lógica, não anda longe de fazer gestão danosa. Pior ainda, como se fosse possível, foi a conferência de imprensa, repleta de elogios ao maliano e insinuações pouco veladas de total divórcio em relação aos dirigentes e aos gestores do futebol profissional do clube. Caso os seus jogadores vençam em Portimão, o Famalicão tropece e o FC Porto trave o Benfica na Luz ainda se arrisca a ser o primeiro treinador despedido quando se encontrava à frente da classificação desde “Sir” Bobby Robson.

Dutchexit

Um dos melhores pontas de lança da história do Sporting vai embora. Não por estar em má forma física e ainda pior forma digamos que espiritual, mas sim porque o seu vencimento se tornou incomportável para a realidade de um clube que aparenta ter entrado em espiral descendente.

Bas Dost deverá ir para Frankfurt, seguindo as pisadas de Balakov, também por culpa do compatriota que nada fez por encontrar um sistema de jogo que potenciasse um avançado com ética protestante do trabalho e nenhum remorso em marcar “shitty goals” por entre obras de arte como aquela com que presenteo o guarda-redes do Valencia no melhor momento do Troféu Cinco Violinos.

Talvez tudo corra melhor do que a encomenda nesta noite de domingo, mas não me espanta que a saída do grande avançado holandês, única verdadeira vítima do ataque a Alcochete (tirando, claro está, o óbito, talvez passível de ressurreição, do Sporting com ambição de vencer), seja acompanhada pela de Marcel Keizer.

Seria um verdadeiro Dutchexit em Alvalade. Mas esta temporada afigura-se, para nosso mal, pródiga em despedidas...

Armas e viscondes assinalados: Falhas de sistema defensivo e faltas de sistema atacante

Marítimo 1 - Sporting 1

Liga NOS - 1.ª Jornada

11 de Agosto de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Corria o jogo para um desfecho de 1X2, mas com maior tendência para 1X do que para X2, quando executou a primeira e única defesa digna desse nome, desviando para canto um remate forte e colocado vindo da direita. À parte isso, e alguns raros disparos de muito longe que encaixou sem dificuldade, nada pôde fazer no lance que deu golo ao Marítimo e nos lances que poderiam muito bem ter garantido mais uma derrota em vez de mais um empate caso os adversários estivessem num dia melhor.

 

Thierry Correia (1,5)

Elevado a símbolo da aposta de Marcel Keizer na Academia de Alcochete devido às lesões de Rosier e de Ristovski (e a tudo aquilo que as quatro sílabas do nome de Bruno Gaspar contêm), o jovem lateral-direito teve uma triste tarde na ilha da Madeira. Começou por deixar um adversário escapar em velocidade, sendo incapaz de o impedir de fazer a assistência para o golo madrugador do Marítimo, e embalou para uma exibição pautada por maus momentos no ataque (na segunda parte fez um cruzamento que parecia ser para programa de apanhados) e na defesa. Como quando se deixou antecipar e testemunhou placidamente o cabeceamento de Correa ao poste da baliza do Sporting.

 

Coates (3,0)

Merece nota positiva pelo golo de cabeça que permitiu o mísero ponto que tanto jeito poderá vir a dar – ainda que talvez só para o apuramento para as competições europeias –, pela quantidade de duelos aéreos ganhos e ainda por um facto capaz de estarrecer os adeptos: naquele seu jeito pesado-desengonçado ainda foi o jogador leonino mais capaz de driblar adversários. Pena é que nos últimos minutos se tenha juntado aos colegas na repetição sistemática de disparates que estiveram quase a dar a vitória ao Marítimo, vendo-se livre desse infortúnio quando Marcel Keizer lhe deu indicação para subir no terreno e brincar aos pontas de lança. Nada a que não se tenha habituado nos períodos finais do jorgejesuísmo e do peseirismo...

 

Mathieu (2,0)

Tal como Thierry repetiu o erro que já tinha custado a desvantagem inicial do Sporting, também o francês resolveu perder uma bola na grande área, valendo-lhe a sorte de o Marítimo não contar com Pizzi e Rafa no quadro. No resto do jogo deixou claro que é um defesa em que a classe e a forma parecem andar inversamente proporcionais.

 

Borja (1,5)

Uma boa combinação com Acuña não camufla a inépcia do colombiano, ao ponto de a mera ideia de o ter como titular indiscutível caso o argentino rume a outras paragens aconselhar a inscrição preventiva de Jefferson. Ficou gravada na retina a paragem cognitiva que o levou a não reparar na presença da bola no seu limitado raio de acção, permitindo o cruzamento que esteve a centímetros de resultar no 2-1.

 

Eduardo (2,5)

Amarelado muito cedo, segundos após uma jogada em que o inevitável Tiago Martins escolheu não ver a falta que travou a sua progressão com bola no meio-campo adversário, o brasileiro tentou servir de pêndulo a uma equipa que teve alguns minutos de bom futebol por entre mais um jogo mal orquestrado. Faltou-lhe a confiança para rematar quando estava em boa posição, mas há que dizer que a equipa esteve longe de melhorar aquando da sua saída.

 

Wendel (2,5)

Rendilhou boas jogadas com Bruno Fernandes no miolo e teve algumas ocasiões para marcar em remates de longa distância que lhe saíram sempre mais dignos de jogo de râguebi. As mexidas que o treinador fez no final vieram lembrar que nenhuma seguradora aceitará uma apólice que tenha como pressuposto a sua presença como médio mais recuado.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha pensado, num ou noutro momento de mais um triste jogo, que até o Championship poderia aparentar uma hipótese de progressão na carreira. Certo é que fez a assistência com conta, peso e medida para o golo de Coates, após uma pontapé de canto nascido de um daqueles seus míticos remates de muito longe e com muita força. Rendeu menos ao ser desviado para as faixas e a coabitação com Vietto nos minutos finais pareceu muito pouco trabalhada, para não dizer pior.

 

Raphinha (2,0)

Teve nos pés a hipótese de oferecer uma vitória contra a corrente do jogo em três ocasiões. Logo na primeira parte ficou na posse da bola desviada por um defesa após um cruzamento rasteiro que foi o melhor contributo de Thierry Correia, mas com tempo e espaço para fazer melhor rematou ao lado do poste. Na segunda parte foi isolado por Acuña e voltou a falhar a baliza, o que talvez o tenha levado a calibrar a chuteira bem ao ponto de fazer cair os ombros a milhões de sportinguistas com o jeito com que fez a bola embater duas vezes consecutivas no mesmo poste. Não é com esta taxa de aproveitamento que o extremo brasileiro dará algum dia o salto para o estrelato que aparenta estar-lhe destinado.

 

Acuña (2,5)

Continua em baixo de forma e sem ritmo, ainda que isso represente mais do que alguns dos seus colegas de balneário podem algum dia almejar. Infeliz nos remates, tanto nos rasteiros como nos mais elevados, fez um excelente cruzamento a que Luiz Phellype não conseguiu chegar a tempo na primeira parte e serviu Raphinha para um enorme desperdício na segunda. O que nunca lhe falta é a vontade de fazer melhor que, num mundo perfeito, continuaria a demonstrar de verde e branco vestido durante muitos e bons anos.

 

Luiz Phellype (2,0)

Escolhido para titular por razões tristemente óbvias, o quinto brasileiro da equipa titular (sem que por isso o Sporting possa ser acusado de ter sido uma escola de samba) demonstrou ser um homem da luta. Pena é que lhe tenha faltado o “killer instinct” que se traduz em golos, chegando invariavelmente atrasado às solicitações dos colegas. Pior ainda foi o seu controlo de bola na jogada em que, na sequência de um canto, a bola ficou à sua mercê em posição frontal. Abandonou o campo tarde, mas sem que disso adviesse qualquer melhora.

 

Bas Dost (1,0)

Outro galo cantaria se tivesse metade da destreza no lance de contra-ataque que matou ao atrapalhar-se com a bola do que demonstrou ao pedir pénalti após a bola embater no peito de um defesa do Marítimo. O ponta de lança holandês teve cerca de 20 minutos em campo que foram mais do que suficientes para recordar aos sportinguistas a sua má condição física e, sobretudo, anímica.

 

Vietto (1,5)

Entrou e tentou fazer alguma coisa. Não foi bem-sucedido nesse intento. Talvez mereça mais minutos e, perante o mau momento das duas opções para ponta de lança fixo, fica uma dica para Marcel Keizer: que tal resolver o problema da compatibilidade do argentino com Bruno Fernandes apostando no abatedor de valor a pagar por Gelson Martins para o papel de falso camisola 9? Como no caso do deputado brasileiro Tiririca, pior dificilmente fica...

 

Diaby (1,0)

Deixou crescer a barba, o que talvez lhe poupe chatices quando se cruza com adeptos no dia-a-dia. Na condição de bola continua, no entanto, igual a si próprio, tornando risível a ideia de que pudesse ser o salvador da pátria leonina. Mas há que referir que não foi por culpa dele que Gonzalo Plata ficou em Lisboa.

 

Marcel Keizer (1,5)

O momento em que o Sporting voltará a vencer um jogo começa a parecer uma lenda comparável ao momento em que alguém voltará a empunhar a espada Excalibur. Apesar da calma demonstrada pelo holandês, desta vez em claro contraste com o triste espectáculo das caretas feitas pelo presidente do clube, a equipa joga pouco, tem processos defensivos suicidas e as soluções fora da caixa tendem a ficar fora da convocatória quando não estão fora de Alvalade. Particularmente penoso foi assistir à forma como mexeu na equipa quando deixou de acreditar que a vitória chegaria de mansinho e as instruções a Coates para servir de ponta de lança tresandam a desespero. Estando os sportinguistas preparados para mais uma época ainda menos feliz do que três tigres, ao ponto de começarem a apontar para o tricampeonato de Inverno mais conhecido por Taça da Liga, Keizer precisará de tirar vários coelhos da cartola (ou de uma sorte sobrenatural) para obter a vitória no próximo domingo, em Alvalade, frente ao Sporting de Braga, que lhe permita permanecer despreocupado e com vínculo laboral.

Prognósticos só depois do manifesto de embarque

Tendo respondido ao apelo do Pedro Correia para apresentar o meu prognóstico para o Marítimo-Sporting com um optimista 1-3, em que um dos golos seria marcado por Gonzalo Plata, cumpre-me informar que revejo em baixa, após receber optimismo por via intravenosa, para 1-2.

Sou forçado a fazê-lo porque o treinador achou por bem reter o jovem e talentoso Plata em Lisboa, visto que Diaby lhe continua a dar mais garantias (em boa verdade, tal como o Dr. Cunhal, ninguém pode apontar falta de coerência ao maliano...).

Uma boa notícia no meio dos segredos de Estado

Lê-se hoje em “A Bola”, no seguimento de uma notícia de “O Jogo”, que o Sporting renovou contrato até 2022 com o lateral-esquerdo Gonçalo Costa, cujos dois anos no escalão de júnior foram perdidos para uma terrível lesão.

O Gonçalo era um dos maiores talentos da sua geração e fez muita falta ao longo dos últimos dois anos, esperando-se que esteja recuperado e pronto a reclamar o lugar que é seu por direito entre as grandes esperanças da formação leonina. 

Sabe-se que evoluirá nos sub-23, juntando-se a outros grandes valores que agora chegaram à maioridade futebolística.

Pena é que a comunicação do Sporting seja particularmente opaca, ainda pior do que noutras áreas, em tudo o que diz respeito aos sub-23 e restantes escalões de formação, levando a que ainda hoje não tenha sido anunciada a renovação do extremamente promissor Bernardo Sousa, que a certo momento parecia perdido para o Sporting.

Continuo à espera de ver um plantel dos sub-23 antes do arranque desse campeonato. E duvido que seja o único.

 

Armas e viscondes assinalados: Descalabro para mais tarde recordar

Benfica 5 - Sporting 0

Supertaça

4 de Agosto de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Consolidou o seu lugar na história do Sporting, já garantido com as duas taças conquistadas no desempate por grandes penalidades, mas desta vez pelos piores motivos: tornou-se o primeiro guarda-redes leonino a sofrer um 5-0 (Lemajic chegaria mais tarde à meia-dúzia, naquele funesto 3-6) frente ao Benfica desde... Vítor Damas, num pesadelo a contar para a Taça de Portugal na época que antecedeu o memorável 7-1. Dos cinco golos que sofreu tem sobretudo responsabilidades no terceiro, pois a magnífica execução de Grimaldo não bastaria caso não tivesse decidido posicionar-se tão distante do poste para onde tentou estirar-se, enquanto nos restantes limitou-se a não fazer milagres. Ainda assim, perante o erro de sistema que assolou tantos dos seus colegas, evitou um resultado ainda mais catastrófico com um punhado de  boas defesas, especializando-se em tirar o pão da boca de Seferovic.

 

Thierry Correia (3,0)

Teve uma primeira parte agridoce, pois múltiplas intervenções positivas, tanto a defender, nomeadamente o corte “in extremis” ao remate do isolado Seferovic, como a criar jogo (apesar da difícil coabitação com Raphinha na direita), não apagam a gravosa consequência do seu calcanhar de Aquiles: a tendência para deixar que apareçam adversários nas suas costas à hora e no local mais inconveniente, como voltou a acontecer no golo inaugural de Rafa. Na segunda parte manteve a chama o mais que pôde, ainda que pudesse fazer melhor no lance que resultou no 4-0. Único representante da Academia de Alcochete nas escolhas do treinador que supostamente iria retirar proveito da formação leonina – e apenas porque a presente gerência contratou um lateral-direito lesionado, tem outro lateral-direito lesionado e um terceiro lateral-direito ainda a recuperar da CAN (aquele que, ao contrário de Gelson Dala, teve direito a número de camisola na apresentação da equipa) –, chorou copiosamente no final do jogo. As lágrimas de quem sentiu a humilhação, enquanto o treinador optava pela táctica do escapismo mental como se fosse o Houdini neerlandês e o presidente do clube fazia as declarações mais desprovidas de noção desde a reacção de Bruno de Carvalho ao “ataque terrorista” à Academia de Alcochete, são para mais tarde recordar, de preferência após serem aprendidas todas as lições daquilo que aconteceu no Estádio do Algarve.

 

Neto (1,5)

Surpresa no onze titular, com o regresso ainda mais surpreendente de Keizer à experiência dos três centrais, distinguiu-se no início do jogo pelo poder de choque e pela facilidade com que lançou jogadas de ataque, tendo sempre a mira no espaço de progressão de Raphinha. Espelho perfeito da sua equipa, iniciou a descida aos infernos perto do intervalo, naquele lance em que deixou Thierry a cobrir dois adversários, o que facilitou a tarefa de Rafa. Dono e senhor do eixo da defesa, ao ponto de o provável futuro capitão de equipa ser encaminhado para o banco de suplentes quando o treinador do Sporting desfez o triunvirato de centrais, foi mais um a ver passar papoilas saltitantes a caminho da baliza defendida por Renan.

 

Coates (1,5)

Descarregou no banco de suplentes a compreensível frustração por sair do relvado em troca com Diaby, mas a triste verdade é que o provável futuro capitão de equipa nunca se encontrou no esquema dos três centrais e a forma como tendeu a ficar ligeiramente mais recuado do que Neto e Mathieu auxiliou diversas vezes o ataque benfiquista. Da primeira parte deixou como cartão de visitas um excelente passe longo para Bas Dost, que logo serviu Bruno Fernandes para um grande remate, mas depois do intervalo ficou marcado pelo disparate a meias com Mathieu que deu origem ao 2-0.

 

Mathieu (1,5)

Um excelente passe a desmarcar Bruno Fernandes na ala esquerda poderia ter servido de arranque para uma terceira taça consecutiva, mas logo no início do jogo ficou claro que não era noite para tão coisa. Raras vezes bem coordenado com Acuña e com os outros dois centrais, o francês manteve a classe até ao lance aziago em que, desentendendo-se com Coates e com as leis da lógica, perdeu a bola no interior da grande área e ofereceu o 2-0 ao Benfica. Incapaz de trazer tranquilidade a uma equipa cada vez mais fragmentada terá decerto questionado a decisão de adiar a reforma por mais um ano.

 

Acuña (2,0)

Nem a ele saíram assim tão bem os cruzamentos, à excepção de uma magnífica desmarcação que teria mitigado a goleada se Raphinha não tivesse decidido acumular um número de más decisões só comparável ao saudoso passatempo “quantas pessoas cabem num Mini”, embora tenha servido Bruno Fernandes para o que, noutra noite qualquer, poderia ser um bom golo ou uma excelente assistência para Bas Dost empurrar para as redes. Ausente durante a maior parte da desastrosa pré-temporada do Sporting, provavelmente ainda muito aquém da melhor forma física, nunca deixou esgotar a vontade de vencer que o manteve a empurrar a equipa para a frente quando o marcador já estava mesmo muito pesado, mas Diaby encarregou-se de dar maus seguimentos com aquela coerência que caracteriza o maliano.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Viu-se muitas vezes rodeado de adversários no início das jogadas leoninas e saiu-se quase sempre bem, servindo-se da velocidade e capacidade de choque para fazer avançar a bola. E sendo verdade que muito ainda tem a aprimorar no passe e na posse, dir-se-ia que é um dos talentos com maior margem de progressão no plantel. Resta saber se poderá melhorar assim tanto com Keizer e se conseguirá aprender a dosear o ímpeto que o levou a ser o único contemplado com um duplo amarelo entre a legião de advertidos pelo árbitro Nuno Almeida.

 

Wendel (1,0)

Prisioneiro do meio-campo do adversário, raras vezes encontrou sentido para a sua presença naquele relvado. Numa época que terá de ser forçosamente de afirmação, sobretudo se ocorrer a tão adiada quanto aparentemente inevitável transferência de Bruno Fernandes, o jovem e talentoso brasileiro será um dos sportinguistas que mais beneficiará da penosa experiência de ver (e rever) os vídeos deste descalabro.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Também chorou no final do jogo, ainda que as suas lágrimas se possam distinguir das vertidas por Thierry sem recurso a análises laboratoriais. O ainda capitão do Sporting poderá ter feito o último jogo de verde e branco, deixando como última memória, aos adeptos e a si próprio, um resultado histórico no pior sentido da palavra. E esteve nas suas mãos, melhor dizendo nos seus pés, a hipótese de fazer uma noite muito diferente. Logo no início, com Bas Dost completamente isolado à entrada da área, fez um cruzamento terrível (que, mesmo assim, Ferro ainda fez questão de encaminhar para a baliza, valendo os reflexos de Vlachodimos), repetindo a asneira bem mais tarde, ao preferir ganhar o duelo com o guarda-redes grego em vez de servir o holandês, tão bem posicionado que só teria de empurrar para o fundo das redes. Terá sentido saudades de Svilar noutro lance, quando um “daqueles” remates de longa distância foi desviado para canto com uma excelente defesa, mas a propensão para rematar à primeira oportunidade, chegando a tentar fazê-lo da linha de meio-campo, num lance em que o árbitro até já tinha assinalado falta contra o Sporting, foi sintoma de duas maleitas assaz preocupantes: a absoluta falta de soluções da equipa e a vontade de tirar um coelho da cartola que desbloqueasse a transferência que parecia certa antes do 5-0 e provavelmente continuará certa, para mal de uma equipa que se tornou demasiado dependente de um enorme futebolista que, também ele, teve uma noite de profunda desvalorização.

 

Raphinha (1,5)

Vítima do seu próprio talento, apaixonado pelos seus dribles, esteve muito em jogo mas decidiu quase sempre muito mal. O exemplo acabado disso ocorreu no final do jogo, ao receber a bola cruzada por Acuña no coração da grande área benfiquista. Em vez de arriscar o remate em esforço procurou controlar a bola, perdendo ângulo, e acabou por encaminhá-la para as mãos de Vlachodimos quando tinha dois colegas na grande área. Também se distinguiu pela falta de ligação com Thierry, optando por ignorar o jovem lateral nos lances de ataque, e pelos remates descabelados. Precisa de, em bom português, acordar para a vida.

 

Bas Dost (2,0)

Pois que é lento, pois que aparenta ser um corpo estranho quando a equipa não se dedica a jogar para a sua cabeça, mas a verdade é que esteve em posição de marcar em dois lances em que Bruno Fernandes errou no cruzamento ou preferiu desfeitear a grande baleia branca greco-germânica que tinha pela frente. Também combinou bem com o capitão e outros colegas, servindo Bruno Fernandes para o remate que permitiu a defesa da tarde a Vlachodimos. Na segunda parte começou realmente a desaparecer do relvado até à inevitável substituição.

 

Luiz Phellype (1,0)

Entrou em campo em vez daquele cavalheiro argentino avaliado em 7,5 milhões de euros por metade do organismo que Jorge Mendes e o Atlético de Madrid incluíram na negociata de Gelson Martins. Nada fez e ainda teve umas boas dezenas de minutos.

 

Diaby (1,0)

O velocista maliano que Sousa Cintra legou ao Sporting em troca do dobro do dinheiro obtido com a venda de Demiral recebeu vários passes de Acuña, chegou primeiro do que o adversário e... nada conseguiu. A culpa é, sobretudo, de quem o mantém num plantel sem espaço para Gelson Dala e Matheus Pereira. E que vai travando a progressão de Gonzalo Plata.

 

Borja (1,5)

Acostumado a ser um dos piores em campo, teve a felicidade de entrar tarde, só para evitar que Acuña recebesse um segundo amarelo.

 

Marcel Keizer (0,5)

Tentou surpreender Bruno Lage com a táctica dos três centrais, e talvez até o conseguisse caso o capitão prestes a zarpar tivesse as chuteiras mais calibradas. Resultou, mais ou menos, até perto do intervalo, mas o golo de Rafa foi o prenúncio de uma segunda parte de profundo pesadelo a que nunca soube reagir, tal como foi ainda mais incapaz de evitar. Nada conseguiu melhorar com as substituições, às quais não poderia faltar o seu “fétiche” Diaby, e ainda pior sucedeu depois do apito final. Passou a imagem, seguindo o exemplo do homem responsável pela sua contratação, de que perder por 5-0 com o Benfica é “business as usual”, perdendo todo o capital decorrente da conquista de dois troféus na temporada passada. Depois de uma pré-temporada muitíssimo negativa, com uma nova falsa aposta na formação, fica com tolerância abaixo de zero para um início de temporada com visitas ao Marítimo e ao Portimonense, a meio da recepção ao Braga, aquele Sporting que aposta a sério na formação leonina, com Sá Pinto no banco e Ricardo Esgaio, Diogo Viana, João Palhinha e Wilson Eduardo no relvado.

Ainda a quente

Das lágrimas de Thierry Correia retenho o facto de ainda haver quem sinta o clube. Pena que o clube não encontre espaço para outros que o sentem, como Francisco Geraldes ou Matheus Pereira, e em vez disso tenda a afastá-los para o mais longe que consegue.

Impressões a quente

Uma equipa que pretende ser campeã não pode desviar o melhor jogador da Liga Portuguesa da posição onde rende mais para arranjar espaço para um projecto de valorização do passe de um avançado que chega a Alvalade como presente envenenado (se falhar o problema é do Sporting, mas se resultar a venda é a dividir com a filial madrilena do carrossel), por muito que esteja longe de ser um Wang.

Borja não tem qualidade para ser titular de uma equipa que ambicione ser campeã nem margem de progressão para vir a sê-lo. Podia ser um daqueles negócios de 3M€ em que a presente gerência se especializou, com Nuno Mendes a suplente de Acuña e Thierry Correia como nono defesa do plantel principal.

Diaby voltou a ser tal Diaby quanto era no ano passado. Ter o velocista num plantel sem lugar para Matheus Pereira e Gelson Dala só pode ser justificado com o não querer perder a face com os milhões surrealistas que custou. Mas sai mais caro mantê-lo.

Bas Dost fez um grande golo algo atípico e boas movimentações antes de perder gás. Esperemos que fique e que melhore de forma.

Dos que entraram no final destaque para Ilori, muito razoável a central, e para a capacidade de progressão com bola de Eduardo Henrique.

Crónica de um crime anunciado

A estátua equestre a que Sousa Cintra supostamente teria direito poderia ser facilmente custeada com umas migalhas dos 18 milhões de euros que a Juventus pagou ao clube italiano que resgatou o central Demiral do clube turco ao qual um dos mais promissores de Alcochete foi emprestado no final do defeso transacto, com uma inopinada e baixa opção de compra, depois de não cumprir os mínimos para o campeão virtual (na mente do supracitado Cintra, pelo menos) José Peseiro e não ter lugar num plantel em que poderia ter ombreado com Bruno Gaspar, Marcelo e Diaby.

É uma felicidade que a Juventus tenha critérios mais benevolentes e possa acolher o segundo melhor defesa central que não dará alegrias aos adeptos sportinguistas depois de Pepe. Ainda que Demiral tenha tido direito a uns minutos num jogo para a Taça de Portugal (terá sido com o Oleiros?...) em que o mestre da táctica fingiu estar atento ao que se fazia na formação leonina.

Sem querer imitar uma certa procuradora, diria que assistimos todos, cantando e rindo, a um acto de terrorismo económico, num crime anunciado contra as finanças leoninas. E convém retirar algumas lições.

Quer-me parecer que...

...Keizer pode gostar tanto do 3-5-2 que acabe por estruturar o plantel desse modo, com um mínimo de cinco centrais e menos de oito opções para os dois corredores (aposto em sete se Acuña ficar).

...a saída de Bruno Fernandes não será compensada com um substituto directo, mas sim com a aposta na dupla de avançados, com Bas Dost, Luiz Phellype, Vietto, Gelson Dala e alguém mais a concorrerem por dois lugares.

...ainda não será desta que a importância de Alcochete será reconhecida, como indicam as notícias sopradas acerca da vontade de obter uns punhados de milhões de euros com o talento de Francisco Geraldes, Matheus Pereira, Domingos Duarte ou até Mama Baldé, cuja passagem pela formação leonina foi mais fugaz.

...que João Palhinha ainda se arrisca a ser o segundo caso Demiral.

...que Miguel Luís e Jovane Cabral são candidatos a um ano de rodagem noutros clubes da Liga.

...que adoraria estar enganado e que, olhando para as raras decisões lícitas que conduziram ao sucesso do rival, a idade deixe de ser documento e Bernardo Sousa (caso renove, o que para mim é uma principais dúvidas deste final de época) possa ir à pré-temporada, no mínimo, tal como o proscrito Félix Correia, na condição de renovar para lá de 2020 e ganhar juízo na cabeça.

 

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Primeiras notas

Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Mérito a Marcel Keizer por ter desviado o maliano para a esquerda, impedindo que uma ala inteira ficasse entregue a dois profissionais tão dignos de respeito quanto de qualidade técnica manifestamente inferior ao que se deve exigir de um futebolista leonino.

Enquanto a noite cai

947ABF6B-EFD2-40DE-9D57-1DD6AD6BE531.jpeg

0B60B1DD-6176-488D-B470-6AE354F2A88F.jpeg

CDFCA2ED-1629-4E14-A936-B5075778C7C5.png

Hoje foi o futsal, bem auxiliado pela arbitragem, que engendrou a expulsão de Léo Jaguará e o livre directo do quinto golo do adversário, e a disputa do tetracampeonato fica a depender de duas vitórias no Pavilhão João Rocha, sem poder contar com Guitta (bem expulso por defender com a mão em cima da linha de meio-campo, após uma incursão ofensiva infeliz) e Léo.

Ontem foram o hóquei em patins e o andebol a entregarem de vez o título ao FC Porto, com duas derrotas tangenciais em deslocações teoricamente acessíveis. 

Tratando-se de duas equipas campeãs europeias e de uma terceira que não andou demasiado longe disso (e caminhava para o tricampeonato nacional), este fim-de-semana negro nas modalidades não deve servir para atirar o bebé com a água do banho, claro está. Mas convém reflectir e aumentar níveis de exigência que já viram melhores dias.

Armas e viscondes assinalados: O futebol é um jogo de onze contra dez e no final perde o Sporting

FC Porto 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

18 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Fez por garantir os três pontos, depois tentou salvar um ponto, e no final só conseguiu juntar-se à fila interminável de pessoas que co-protagonizam incidentes com Sérgio Conceição. Foi um desfecho pesado para o guarda-redes brasileiro, deixado indefeso pelos colegas de ocasião que formavam a linha defensiva nos lances dos dois golos. Começou no primeiro tempo a defender um livre perigoso de Herrera e na segunda parte, com o Sporting cada vez mais empurrado para as cordas pela inferioridade numérica, sofreu uma agressão de Marega encarada com benevolência no Dragão e na Cidade do Futebol, viu a sua equipa adiantar-se no marcador no único lance de perigo de que dispôs e adiou o que ia parecendo cada vez mais inevitável. Na retina ficaram grandes defesas, sobretudo o desvio de um cabeceamento de Danilo num dos muitos pontapés de canto em que os verdes e brancos pouco fizeram por afastar o esférico da zona de perigo, e uma saída perfeita quando Aboubakar aparecia isolado. Espera-se que daqui a uma semana repita tudo menos a parte dos confrontos com o treinador do FC Porto e a retirada de bolas dentro da baliza.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Forçado a ser titular devido ao olho de abutre que discerniu a sanguinária pisadela de Ristovski, entrou no relvado com as cautelas de quem conhece os seus limites – ao contrário do mais optimista Bruno Fernandes, que lhe ofereceu uma daquelas aberturas a que talvez só o saudoso Puccini chegasse a tempo – e esforçou-se por fazer esquecer que entregar a direita a Bruno Gaspar e Diaby ultrapassava as piores sondagens que o PSD e CDS-PP têm registado. Ficou ligado ao lance que destruiu qualquer hipótese de gestão científica de esforço no jogo-que-nada-contava-antes-da-final-da-Taça-de-Portugal ao fazer um atraso de bola singelo e honesto que provocou um erro sistémico a Borja. Desde que o Sporting ficou com menos um em campo, como tantas vezes sucede, fez das tripas coração por não fazer com a subida do seu peso, de nove para dez por cento, no conjunto da equipa tivesse um impacto muito negativo. Conseguiu-o, no limiar mais baixo do intervalo de competência, até que Marcel Keizer resolveu testar novas oportunidades que não surtiram o efeito desejado.

 

André Pinto (2,5)

Foi uma das surpresas no onze titular, fazendo dupla com o central francês a quem costuma substituir aquando das lesões decorrentes da idade avançada do homem que parece ser o gémeo louro de Francis Obikwelu. Começou por distinguir-se pela precisão com que atrasava a bola para Renan, gabando-se-lhe a sabedoria de nunca ter destinado tais passes a Borja. Na hora do aperto fez por tapar os caminhos para a baliza, mas nada pôde para obstar ao descalabro defensivo dos minutos finais. É provável que tenha sido a sua despedida, e não se pode dizer que não tenha dado o que estava ao seu alcance.

 

Mathieu (3,0)

Foi o único titular ideal no quarteto defensivo e marcou a diferença que torna essencial que, por entre negócios maravilhosos que valorizam excedentários crónicos do Atlético de Madrid em 15 milhões de euros, os responsáveis leoninos gastem uns minutos a acciomar o direito de opção do francês. Tentou salvar a equipa de si própria, roubando um golo ao FC Porto com um desvio de cabeça providencial, mas não chegou. Cabe-lhe melhorar o palmarés pessoal com algo mais substancial do que um par de vitórias na Taça da Liga.

 

Borja (0,0)

Desta vez não conseguiu oferecer uma ocasião de golo a um adversário logo no primeiro minuto de jogo. Limitou-se a perder a bola pela linha lateral, permitindo aos adeptos um alívio que mostoru ser exagerado. Andou pelo relvado a manietar jogadas prometedoras, a atrapalhar Acuña e a demonstrar aos mais novos como não se cabeceia. Assim foi até que, numa jogada inócua, vendo a bola a vir na sua direcção, resolveu fugir dela e desacelerar, acordando para a realidade quando viu Coroña a encaminhar-se para a grande área. Agarrou-o uma primeira vez, sem derrubar o portista, e numa segunda tentativa fez um corte limpo. Viu o amarelo primeiro, mas o videoárbitro fez notar a Fábio Veríssimo que o colombiano fez falta sobre um atacante que se iria isolar. E foi assim que deixou os colegas em inferioridade numérica com mais de 70 minutos para jogar, sendo a única boa notícia decorrente disto a garantia de que não poderá repetir esta, e outras proezas,  no Jamor.

 

Petrovic (2,5)

De todos os elementos sem qualidade suficiente para integrar o plantel do Sporting foi sempre o que demonstrou ter maior coração, fosse ao ficar em campo com o nariz partido ou ao fingir não reparar quando desempenha funções muito acima das suas reais capacidades. Encarregue de conter o meio-campo portista, e de assegurar repouso a Wendel, o sérvio ter-se-á despedido com mais uma exibição esforçada, alguns bons cortes e uma intervenção assaz balcânica no sururu ocorrido perto do final do jogo. Mas não poderá chegar para um Sporting que queira ser campeão mesmo ficando muitas vezes com menos um no relvado.

 

Gudelj (2,5)

A maior mancha na sua exibição foi o posicionamento que deixou Danilo em posição legal no lance do golo do empate. Até então distinguiu-se na difícil tarefa de tapar o acesso à baliza do Sporting, sem abusar demasiado das faltas que o poderiam afastar do clássico que tinha verdadeira importância para os leões – e também para os dragões, à medida que a goleada doa Benfica sobre o Santa Clara se avolumava na Luz.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Melhor forma de anular o melhor futebolista desta edição da Liga NOS? Expulsar um dos seus colegas, o que leva invariavelmente a que o treinador lhe peça para descair para o flanco, afastando-o da zona do campo em que é decisivo. Muito castigado pelas chuteiras adversarias, com o beneplácito da equipa de arbitragem, fez um passe longo que pedia a presença do ausente Raphinha e sofreu uma falta junto à grande área portista que não teve a oportunidade de cobrar, pois estava a receber assistência fora das quatro linhas. Só provocou perigo logo no início do jogo, na cobrança de um livre que Marega desviou de forma arriscada. Sendo provável que tenha feito o último jogo na Liga NOS por muitos e bons anos, sonharia decerto com melhor desfecho para a época de todos os recordes pessoais. Felizmente ainda tem a final da Taça, da qual poderia ter sido afastado devido a encontros imediatos do segundo grau com elementos do banco de suplentes do FC Porto.

 

Diaby (2,0)

Teve participação no golo do Sporting e é bem possível que tenha sofrido pénalti num lance em que foi projectado por Felipe contra os painéis publicitários, deixando a equipa com nove durante uns minutos. Isto poderia fazer esquecer profundas debilidades intrínsecas caso os adeptos sofressem de amnésia e tivessem ido à casa de banho em momentos como aquele em que o maliano tentou driblar dois adversários na grande área do FC Porto e acabou por fintar-se a si próprio. Dizer que esteve ao seu nível é uma constatação pouco lisonjeira.

 

Acuña (3,0)

Bem o tentam posicionar a extremo, mas o destino empurra-o para lateral, mesmo que para isso seja preciso que o Sporting fique a jogar com dez. Seja como for, o argentino sem medo voltou a dar mostras que é ele e mais nove, sabendo gerir a impetuosidade – ainda que não tenha acabado o jogo sem ver um amarelo numa jogada em que foi agredido... – e tratando a bola por alcunhas belas e secretas, como no passe com que assistiu Luiz Phellype para o golo que permitiu sonhar com um triunfo que desafiaria as estatísticas. Deus livre Alvalade de o ver partir no próximo sábado.

 

Luiz Phellype (3,0)

Pôs fim à interminável seca de um jogo inteiro sem marcar na única verdadeira oportunidade de que dispôs, primando pela calma e colocação na hora de enfrentar Vaná. Antes disso fora o homem da luta, não raras vezes ensanduichado pelos centrais portistas, valendo-se do físico para reter a bola o máximo de tempo possível. Saiu para recuperar forças para o Jamor, com maus resultados para a equipa.

 

Tiago Ilori (2,0)

Entrou a meio da segunda parte, tendo tempo suficiente para contemplar o remate acrobático com que Herrera, literalmente nas suas costas, fuzilou a baliza do Sporting e fez o resultado final. Resta-lhe a compensação de que Borja elevou muito a fasquia na competição para pior reforço de Inverno desta temporada.

 

Bas Dost (2,0)

Menos de meia hora esteve o holandês em campo. Aproveitou para tentar ganhar duelos aéreos e chegou a fazer um bom passe a lançar um contra-ataque diligentemente desperdiçado por um colega. Pode ser que recupere influência, mas dificilmente a tempo de fazer a diferença no derradeiro compromisso da temporada.

 

Wendel (-)

Entrou já com o tempo regulamentar esgotado e o resultado final definido.

 

Marcel Keizer (2,5)

Só ele saberá os motivos para fazer descansar Wendel e Raphinha, após ficar sem Ristovski e Coates, mas qualquer gestão lógica do esforço caiu por terra quando Borja fez um dos maiores inconseguimentos da época. Também infeliz na forma como refrescou a equipa na segunda parte, há que admirar a coerência do holandês. Toda a gente devia ter alguém na sua vida que visse em si aquilo que Keizer vê em Diaby, provável titular na final da Taça de Portugal a não ser que Acuña possa ficar mais à frente, promovendo a titularidade de Jefferson na esperança de que no seu presumível último jogo de verde e branco possa soltar o Rodrigo Tiuí que há em si.

Armas e viscondes assinalados: Um chega-para-lá em vários sonhos

Sporting 1 - Tondela 1

Liga NOS - 33.ª Jornada

11 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Mal o jogo tinha começado quando lhe apareceu um adversário isolado pela frente e  teve de fazer uma mancha que desviou a bola da linha de golo. Passado esse susto, tinha tudo para passar a noite a pôr a leitura em dia, pois o primeiro tento dos leões prenunciava a goleada que deixaria o Tondela perto de poder competir na mesma divisão que a oficial equipa B do Benfica, quando o diligente árbitro Tiago Martins contou com a prestimosa ajuda do videoárbitro para descortinar uma agressão de Ristovski num chega-para-lá que nem motivou protestos da suposta vítima da fúria macedónia além do tradicional mergulho para o relvado. Seguiram-se mais de 50 minutos em que o Sporting jogou com menos um sem que o brasileiro tivesse trabalhos de maior – intervindo sobretudo para gerir atrasos de bola e demonstrar que melhorou bastante nos lançamentos longos – até à fatídica ocorrência do golo do empate, aquele que elimina o sonho de ainda chegar ao segundo lugar através de uma conjugação não muito provável de resultados. Nada pôde fazer para suprir o mau posicionamento dos colegas, ao contrário do que fizera antes, quando teve rins suficientes para assegurar que um remate desviado nas pernas de Coates passaria do lado mais tranquilo do poste. E selou a exibição com elevada classe ao afastar um livre directo muito bem cobrado em posição frontal.

 

Ristovski (2,0)

Talvez seja coisa de apreciador dos livros de Chuck Palahniuk e dos filmes de Quentin Tarantino, mas é difícil ver uma agressão no lance insólito que deixou o Sporting com dez em campo mais de meio jogo e aumentou as hipóteses de o Tondela se manter no escalão principal mais um ano. Sendo a terceira expulsão do lateral-direito nesta época – uma delas por ter feito um corte em carrinho em chegou primeiro à bola e a outra por gritar com o árbitro que não assinalou falta depois de um adversário lhe desferir uma cotovelada na testa –, há que pensar se  não será melhor mudar-se para um campeonato em que os macedónios sejam menos perseguidos, como a Sérvia ou a Grécia. No que toca às ocorrências antes desse lance há que reconhecer que Ristovski esteve muito activo na ala direita, combinando bem com Bruno Fernandes e Raphinha e tendo intervenção directa no lance em que foi assinalado pénalti a favor do Sporting. Enfrentar o FC Porto duas vezes sem o seu contributo – embora não fosse má ideia tentar a despenalização para a final da Taça – foi a pior de muitas más notícias da noite.

 

Coates (3,0)

Falhou no lance do golo da Tondela, tal como uma panóplia de colegas, esteve quase a encaminhar a bola para a própria baliza num ressalto e não tirou partido das várias ocasiões em que cabeceou na grande área contrária. À parte isto, o central uruguaio teve a garra de sempre e voltou a apostar nas incursões pelo meio-campo contrário que ainda virão a dar resultado antes da segunda vinda de Cristo (espera-se que não a do outro Jesus...).

 

Mathieu (3,5)

Merecia ter marcado o golo da vitória no remate acrobático com que respondeu ao cruzamento de Raphinha após percorrer toda a ala esquerda em sprint. Não foi a única ocasião em que tirou partido da frescura física que faltava a vários colegas desgastados pela inferioridade numérica, pelo que a vontade que confessou em manter-se por Alvalade mais um ano deve ser encarada de forma muito séria pela SAD leonina. Entre muitas intervenções num jogo em que até começou por não conseguir desfazer uma burrice alheia, destacam-se um livre directo cobrado pouco acima da barra e um corte providencial que evitou aborrecimentos a Renan Ribeiro.

 

Borja (2,0)

Ainda corria o primeiro minuto quando fez um passe disparatado para o seu meio-campo que fez isolar o adversário que chegou primeiro à bola do que Mathieu e testou as capacidades de Renan. Mas as suas debilidades técnicas e gritante falta de soluções fizeram-se notar outras vezes, sendo curioso que tenha melhorado ligeiramente ao assumir o corredor direito, na sequência da expulsão de Ristovski. Embora nada se tenha perdido quando cedeu o lugar a Ilori.

 

Gudelj (2,5)

Outro que teve um jogo com que não contava, vendo-se muitas vezes em inferioridade numérica na sua zona de acção. Destacou-se pouco, sem nada de particularmente errado fazer.

 

Wendel (3,0)

Melhor do que na goleada à Belenenses SAD, o jovem brasileiro exerceu influência no meio-campo e não se furtou a roubar bolas aos adversários. Foi com uma ponta de estranheza que se assistiu à sua substituição quando Keizer apostou tudo na procura do segundo golo.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parte dos sonhos deste jogo passavam pelo capitão, que provavelmente se terá despedido do Estádio de Alvalade. Nomeadamente a marcação de um número de golos suficientes para assegurar a liderança dos melhores marcadores. O primeiro chegou cedo, num pénalti a castigar um agarrão a Luiz Phellype, mas por aí ficou a conta, até porque a necessidade de ocupar outros terrenos após a expulsão afastou Bruno da zona de tiro. Mesmo assim poderia ter feito o segundo golo, bem servido por Raphinha, mas permitiu a defesa de um guarda-redes com nome de apresentador de programa das manhãs. Não faltará quem fosse capaz de abdicar de uns dedos das mãos ou dos pés se em troca ficasse mais um ano no Sporting, algo que este escriba assegura que sucederá caso vença um jackpot acumulado do Euromilhões nas próximas semanas.

 

Raphinha (3,0)

Autor de cruzamentos magníficos que foram pornograficamente desaproveitados por colegas, pena é que não se tenha lembrado de testar um daqueles potentes remates que prometem transformá-lo numa grande estrela.

 

Acuña (3,0)

É da raça que nunca se vergará, como já toda a gente percebeu, e caso tenha sido o último jogo em Alvalade será sentida a sua falta. Somou desarmes e intercepções que ajudaram a aliviar o sufoco na segunda parte. E quando avança pelo terreno só o conseguem travar em falta.

 

Luiz Phellype (2,5)

Terminou a série magnífica de jogos consecutivos a marcar, responsável por ter recebido o prémio de melhor avançado da Liga Nos em Abril. Tirando o lance do pénalti, no qual foi agarrado pelo eterno Ricardo Costa quando procurava rodar o corpo para marcar, esteve sobretudo em foco pelas oportunidades falhadas. Uma das quais particularmente escandalosa, ao atirar para as bancadas a recarga a um remate de Bruno Fernandes, embora não tenha ficado melhor na fotografia ao atirar ao lado do poste ao isolar-se frente a Cláudio Ramos. Antes de ceder o lugar ao inefável Diaby ainda desviou de cabeça um pontapé de canto para uma grande defesa do tondelense. Sentiu nesse instante o peso da maldição e pontapeou o poste, felizmente sem que o videoárbitro avisasse Tiago Martins para mostrar cartão vermelho por tamanha violência.

 

Tiago Ilori (2,5)

Voltou a ser chamado, desta vez para lateral-direito, antecipando as novas oportunidades nos próximos jogos com o FC Porto. Nem sempre esteve à altura, mas se não lhe aparecessem tantas vezes adversários em duplicado talvez tivesse corrido melhor.

 

Bas Dost (2,5)

Entrou para ajudar a fazer o 2-1 que permitiria sonhar com o segundo lugar durante pelo menos 24 horas. Integrou-se no ataque, distinguindo-se nos duelos aéreos mas sem ter oportunidades para fazer a diferença.

 

Diaby (2,0)

Uma arrancada com bola, embalado pelo tipo de velocidade em que ninguém consegue agarrá-lo, é o que tem para mostrar nos escassos minutos que lhe permitiram.

 

Marcel Keizer (3,0)

Há que reconhecer coragem ao treinador holandês na forma como apostou tudo na vitória após o golo do empate do Tondela. Não estava escrito nas estrelas que fosse possível contrariar as circunstâncias, e a expulsão de Ristovski pode abrir um buraco no Jamor (Bruno Gaspar está lesionado e Thierry Correia vai para o Mundial de Sub-20), mas Keizer pode aproveitar para começar a refazer a equipa.

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Armas e viscondes assinalados: Começou com ph elevado e terminou a curar insónias

Sporting 2 - Vitória de Guimarães 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

28 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

A forma diligente como acorreu à bola mal dominada pelo único adversário que se conseguiu isolar na primeira parte (e em todo o jogo) evitou que só entrasse verdadeiramente em acção por volta dos 90 minutos, ao agarrar um cabeceamento que foi o mais aparentado com um remate de que a equipa visitante foi capaz. Só não sucumbiu ao tédio devido ao hábito irritante que os colegas têm de perturbar o seu descanso com atrasos de bola.

 

Ristovski (3,0)

Formar ala com um colega que estava em modo “one-man show” não permitiu que se integrasse assim tanto no ataque, embora tenha ficado perto de marcar num remate atabalhoado que embateu num defesa. Já nas missões defensivas cumpriu quase sempre, contribuindo para anular os criativos do Vitória de Guimarães.

 

Coates (3,5)

Aquela sua vontade indomável de fazer um golo à Maradona, caso o argentino fosse um gigante desengonçado, esteve perto de se concretizar num dos raros momentos do Sporting após o 2-0 que não pareceram uma experiência de cura de insónias digna de Nobel da Medicina: o uruguaio recebeu a bola atrás da linha do meio-campo, avançou pelo relvado entre o drible e a capacidade de resistir a tentativas de desarme, chegou a entrar na grande área contrária, levando atrás de si um quarteto de adversários, e... atrapalhou-se na hora H. Quer a fortuna que seja muito mais concentrado nas funções que justificam o salário que aufere, contribuindo para que chegar ao apito final sem golos sofridos esteja a tornar-se menos insólito. E não é todos os dias que os adeptos vêem alívios na grande área executados com pontapés de bicicleta.

 

Mathieu (3,5)

Só não conseguiu marcar aquilo que seria um grande golo, num livre directo em zona frontal, ainda muito distante da baliza, que todos pensaram destinar-se a Bruno Fernandes. Miguel Silva esticou-se o suficiente para ser o desmancha-prazeres que nenhum dos colegas sem luvas nas mãos conseguiu ser para o francês. Tanto assim que, pouco a pouco, deu por si a avançar cada vez mais e já não só pelo corredor esquerdo, pois chegou a fazer um grande passe a partir do miolo do terreno que foi desperdiçado por Bruno Fernandes.

 

Acuña (3,0)

Terá feito uma falta, ainda fora da grande área, que não foi assinalada e esteve na origem da jogada do primeiro golo. O facto de ter ficado ligado a um lance em que o árbitro Rui Costa poderia ter prejudicado o Sporting e não o fez já chegaria para assegurar um lugar ao argentino no museu do clube – embora o facto de o Vitória de Guimarães ter chegado a recuperar a posse de bola entre a falta não assinalada e a assistência de Bruno Fernandes para o golo de Raphinha torna-se, segundo regras do videoárbitro mais difíceis de entender do que os universos paralelos dos filmes da Marvel, impossível de reverter –, mas voltou a mostrar que dele se pode esperar tudo e mais alguma coisa. E a falta de aproveitamento de tudo o que fez no jogo em nada desmente tal afirmação.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Muito mais mexido do que o castigado Gudelj, assegurou bem melhor o transporte de bola – numa das suas arrancadas foi derrubado de tal forma que o árbitro rompeu a linha com que tinha cozido o bolso de onde se tiram os cartões amarelos – e deixou claro que lá por ser o futuro não deixa de fazer parte do presente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, ultrapassado o castigo interno da excursão a Turim, esforçando-se por carrilar jogo. Não esteve brilhante, nem particularmente inspirado na hora de puxar a perna para trás e rematar, mas nada deve temer: é dos poucos visíveis que os carecas holandeses gostam mais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Terminou o jogo a passo, bastante irritado com o árbitro, os adversários, os colegas e aquele tipo que lhe aparece no espelho quando não faz a barba. Até pareceu tentar forçar o amarelo que o afastaria da primeira das deslocações que o Sporting tem agendadas ao Jamor – na próxima semana será só para defrontar o Belenenses SAD –, permitindo que o golo com que irá bater o recorde de meio-campista mais goleador de sempre na Europa ocorresse na provável e temida despedida ao Estádio de Alvalade, quando o Sporting receber o Tondela. Antes disso fez trinta por uma linha aos adversários, servindo Luiz Phellype, Raphinha e (infelizmente) Diaby para ocasiões de golo que ficaram por concretizar, tal como só conseguiu torturar o poste ao lançar uma bomba, de ângulo quase impossível, servido por Raphinha. Retribuiu a gentileza com o passe monumental com que o brasileiro inaugurou o marcador e foi adiando o momento mais esperado por si e pelos mais de 40 mil adeptos que enchiam as bancadas. Só que nunca chegou. Não por falta de tentativa, pois Bruno empenhou-se em fazer grandes golos, daqueles que não precisam de notário para terem assinatura reconhecida (uma bomba em arco saiu bem perto do alvo...), tentou fazer golos normais (isolado por Raphinha, fez a bola passar rasteira e rente ao poste) e assistiu vários colegas que, por enorme azar, por vezes se chamavam Diaby.

 

Diaby (1,5)

Voltou a homenagear os Xutos & Pontapés, nomeadamente os célebres versos “nunca dei um passo/que fosse o correcto/eu nunca fiz nada/que batesse certo”. Além de um controlo de bola calamitoso e de passes disparatados, tornando um suplício para as bancadas pressentir a hipótese de o verem a ter intervenção nas jogadas, rematou sempre de forma deficiente ao usufruir de passes que o deixavam de frente para aquela caixa em que é suposto enfiar a bola. Não chegou ao nível “volta Sinama-Pongolle, estás perdoado”, mas andou lá perto.

 

Raphinha (4,0)

Começou o recital com um remate fortíssimo que a barra devolveu e ficou perto de marcar de cabeça antes de executar um cruzamento teleguiado que Luiz Phellype desviou para o poste mais distante, tal como antes servira Bruno Fernandes para outra agressão aos ferros da baliza Vítor Damas. Melhor sorte e engenho teve ao receber o passe de Bruno Fernandes, desviando-se de Miguel Silva apenas o suficiente para conseguir ganhar posição para um remate imparável. Desfeito o nulo, mesmo sem festejar por respeito ao antigo clube, sentenciou o destino dos vimaranenses no início da segunda parte, fazendo o que quis do defesa que o tentou cobrar até servir Luiz Phellype para o 2-0. Até ao fim não desistiu de marcar e de ajudar a marcar, embora tenha ficado progressivamente contaminado com o adormecimento em curso no jogo leonino. Em linguagem de “A Guerra dos Tronos”, dir-se-ia que pode ser ele o “príncipe que foi prometido” da temporada 2019/2020.

 

Luiz Phellype (3,5)

Dois remates à barra e ao poste, com os pés e com a cabeça, ambos logo na primeira parte, foram a prova de que pretendia continuar uma série que a todos surpreende e transforma os problemas físicos de Bas Dost numa nota de rodapé. Sempre pronto a lutar pela equipa, voltou a estar no sítio certo à hora certa, desviando para o fundo das redes o cruzamento rasteiro de Raphinha. Vão cinco jogos consecutivos a marcar na Liga NOS, com meia-dúzia de golos assaz prometedores para quem chegou a parecer mais um equívoco.

 

Borja (2,5)

Entrou para lateral-esquerdo quando Keizer reparou na nulidade de Diaby, levando a que Acuña se adiantasse no terreno. Não se pode dizer que os dois tenham combinado especialmente bem, ou que o colombiano tenha sido particularmente esclarecido na sua actuação, mas nada fez de muito errado.

 

Miguel Luís (2,0)

Teve direito a mais alguns parcos minutos, destinados sobretudo a fazer descansar Wendel. Integrou-se sem problemas num meio-campo desde há muito concentrado em fazer os minutos passarem até ao apito final.

 

Jovane Cabral (1,5)

Entrou em cima dos 90 minutos, ainda a tempo de fazer um disparate que resultou num contra-ataque prontamente contido pelos colegas.

 

Marcel Keizer (3,0)

A sua equipa dominou completamente a quinta melhor equipa da Liga NOS (ainda que nem sempre o pareça), marcou dois golos, não sofreu nenhum e levou a bola a embater quatro vezes nos ferros da baliza. E ainda assim ouviu assobios das bancadas à medida em que se dedicou durante metade da segunda parte a fazer circular a bola entre os defesas e os guarda-redes, reduzindo o ritmo do jogo até à “flatline”. Não foi bonito, após um excelente arranque e muitas provas de virtuosismo individual e de trabalho colectivo, mas pode ser explicado com a necessidade de gerir esforço. Mais difícil de explicar é a aposta em Diaby, apesar dos pesarosos pesares, tal como a demora nas substituições e a incapacidade de retirar alguns jogadores mais esgotados.

Armas e viscondes assinalados: Luiz Phellype evitou o calvário

Nacional da Madeira 0 - Sporting 1

Liga NOS - 30.ª Jornada

19 de Abril de 2019

 

Salin (3,0)

Arriscou-se a passar por turista, tão poucas foram as jogadas de ataque da equipa da casa, mas quando foi preciso mostrar serviço conseguiu estar à altura dos acontecimentos. Seja antecipando-se a quem procurava isolar-se, seja defendendo com os punhos os melhores de entre os raros cruzamentos.

 

Ristovski (3,0)

Teria sido uma viagem ainda melhor à Madeira caso controlasse melhor a bola ao ser desmarcado na grande área por Bruno Fernandes. Ainda que bastante recuado em relação a Acuña, integrou-se bem nas jogadas de ataque sem deixar de tapar os caminhos para a equipa da casa. Um seu corte “in extremis” travou o que seria a melhor jogada do Nacional da Madeira.

 

Coates (3,0)

Uma ou duas perdas de bola comprometedoras foram compensadas com a habitual dose de cortes providenciais. Como aquele em que travou sem falta um adversário que procurava acercar-se da baliza de Salin após um disparate de Jovane Cabral.

 

Mathieu (3,5)

Além do contributo para a inexpugnabilidade da baliza leonina, fenómeno raro nas deslocações, o central francês voltou a desbloquear marcações e tibiezas alheias com incursões pelo meio-campo contrário – tanto pelo corredor esquerdo como pelo centro do terreno – das quais resultou muito perigo. Ficou perto de voltar a marcar em duas ocasiões, sendo a segunda um remate cruzado, na ressaca de um canto, mesmo ao lado do poste. Há decerto quem pondere oferecer-lhe um contrato vitalício.

 

Acuña (3,5)

Um amarelo aos sete minutos condicionaria alguém menos competitivo do que o argentino. Não foi o caso do lateral-esquerdo que muitas vezes subiu até à linha para realizar os seus famosos cruzamentos. Viu todos desperdiçados até que a meio da segunda parte surgiu a emenda de Luiz Phellype a um livre que cobrou à entrada da área. Mais uma assistência para juntar à colecção de um dos mais incansáveis futebolistas da história do Sporting.

 

Gudelj (3,5)

Mesmo o amarelo que o afasta do próximo jogo foi uma demonstração de inteligência, na medida em que evitou o mal maior de um contra-ataque perigoso após perda de bola de Coates (outro dos muitos titulares leoninos à beira do jogo de castigo). O sérvio fez de longe a sua melhor exibição, com enorme influência na tranquilidade que fez de Salin mero espectador quase até ao fim. Implacável nos cortes, desarmes e antecipações, mesmo na saída com bola esteve muito melhor do que a sua (baixa) fasquia habitual.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Titular devido à excursão de Wendel a Turim, não rendilhou o futebol leonino como o jovem brasileiro costuma. Certo é que se fez valer da rapidez e da capacidade de choque para ajudar a manietar a equipa da casa e integrou-se em algumas jogadas de ataque, mantendo-se em campo até ao fim.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Rematou pela primeira vez ao segundo minuto de jogo e pouco depois isolou Ristovski  na grande área. Parecia que voltaria a ser decisivo para o triunfo do Sporting, mas o golo que baterá todos os recordes ficou guardado para o próximo jogo, em Alvalade, contra a Vitória de Guimarães. Sempre empenhado em dar instruções aos colegas, combinou bem com Acuña, esbanjou passes com Diaby e até desperdiçou uma boa assistência de Luiz Phellype, mesmo no final do jogo, faltando-lhe pernas para avançar para a baliza.

 

Diaby (2,0)

Cinco remates fez o maliano, sendo o melhor de todos, forçando o guarda-redes a esticar-se todo para evitar o golo, aquele que de mais difícil execução parecia ser. Adepto de estar no sítio certo à hora certa, pena é que tenha feito sempre a coisa errada, rematando contra defesas ao receber cruzamentos de frente para a baliza, ou permitindo a mancha do guarda-redes. Se dependesse de Diaby o Sporting teria saído da Madeira com um ponto tão mísero quanto o seu acerto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Um remate em arco que permitiu a melhor defesa do atarefado Daniel Guimarães, uma arrancada pela direita culminada com um remate à figura e um passe de rotura para Diaby foram o lado A de uma exibição em que o extremo terá batido recordes de passes errados e decisões erráticas. A arma secreta de José Peseiro terá de recalibrar-se para sobreviver ao possível regresso ao plantel de Mama Baldé (que voltou a marcar pelo Aves) e Matheus Pereira, bem como a total integração de Gonzalo Plata.

 

Luiz Phellype (3,5)

Ficou perto de se candidatar ao Prémio Puskas, correspondendo com um toque de calcanhar acrobático a um cruzamento de Acuña, mas a bola saiu ao lado do poste. Em vez disso, já na segunda parte, acorreu a novo cruzamento do argentino, na cobrança de um livre, e evitou o calvário dos sportinguistas ao garantir três pontos com o seu quinto golo em quatro jogos. À parte isso, primou pela luta com os defesas – dificultado pela carta branca que os centrais do Nacional receberam de Carlos Xistra para o carregarem pelas costas – e ainda fez uma assistência para o que poderia ter sido um golo histórico de Bruno Fernandes. Há dias felizes.

 

Jefferson (2,0)

Resgatado da lei do esquecimento pela lesão de Borja, e lançado para o jogo devido à progressiva inépcia de Jovane Cabral, entrou com ordens para ficar à frente de Acuña. A sua interpretação daquilo que é suposto um extremo fazer ainda chegou para um belo cruzamento que acrescentou mais um capítulo ao manual de desperdícios de Diaby.

 

Miguel Luís (2,0)

Dez minutos de jogo que serviram de prova de vida, ainda que parte desse tempo tenha servido para entender a sua posição em campo.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Cinco minutos à Sporting concedidos pelo treinador permitiram-lhe fazer uma boa combinação com aquele senhor que se chama Bruno Fernandes e o ofusca com a sua omnipresença, omnisciência e omnipotência. E algumas demonstrações de domínio de bola junto à linha lateral que serviram de aperitivo para melhores dias que vão tardando.

 

Marcel Keizer (3,0)

Conquistou mais três pontos num autêntico festival de desperdício que se traduz numa taxa de sucesso abaixo dos cinco por cento, tendo mérito na forma como dispôs uma equipa sem os castigados Renan e Raphinha, o castigado interno Wendel e os lesionados Battaglia e Bas Dost. Pronto a perdoar as ofensas dos seus jogadores aos adeptos, adiou as substituições ao limite, guardando-as para quando já tinha vantagem no marcador. Saiu feliz, mas ficou credor de uma goleada que os seus jogadores não souberam fazer.

Armas e viscondes assinalados: A arte subtil de dizer não nos f...

Desp. Aves 1 - Sporting 3

Liga NOS 29.ª Jornada

13 de Abril de 2019

 

Ruben Ribeiro (1,5)

Expulso sem sequer tocar na bola, divide culpas com Mathieu pela cerimónia com que não agarrou uma bola inofensiva e permitiu que um adversário a controlasse, optando por derrubá-lo, mesmo arriscando pénalti ou expulsão. Bem vistas as coisas, mais valeria ter cometido a falta dentro da grande área, pois o Sporting não teria de ficar com dez desde os cinco minutos. E sofrer golos fora de Alvalade tornou-se tão natural quanto promover fugas de informação de documentos internos do clube.

 

Ristovski (3,0)

O cruzamento com que assistiu Bruno Fernandes no lance do 1-3 foi o melhor prémio para uma exibição abnegada, sempre com grandes cautelas na hora de subir no terreno e incessante e quase sempre eficaz vigilância aos velozes extremos avenses.

 

Coates (3,0)

A pouca inspiração nas tentativas de irromper pelo meio-campo contrário, bem como a demora na reacção à jogada que resultou na grande penalidade que fez parecer que o Sporting estava destinado a lixar-se com f, impediram uma noite tranquila. No outro prato da balança estão a intervenção no lance do 1-2 e os sucessivos cortes que foram atrasando na segunda parte o que parecia inevitável: a reviravolta a favor da equipa que tinha mais um relvado quase desde o início.

 

Mathieu (3,0)

Muito tinha para redimir-se, na medida em que a sua hesitação inicial esteve na génese da expulsão de Renan. O sentimento de culpa toldou-lhe os movimentos, mostrando-se menos acutilante do que é habitual nas saídas com bola. O ponto de viragem foi a melhor redenção que poderia desejar, marcando o 1-2 numa emenda ao remate-assistência de Wendel. Muito teve que trabalhar na segunda parte, face à avalanche ofensiva da equipa da casa, e ocasionais descompensações de Acuña e Bruno Fernandes no corredor esquerdo. Mas sobreviveu a tudo, tal como o Sporting.

 

Acuña (3,5)

A assistência para o primeiro golo, com um cruzamento perfeito para Luiz Phellype, foi a marca mais tangível de uma exibição à altura do argentino. Devolvido a lateral-esquerdo, face à lesão de Borja e ao ocaso de Jefferson, percorreu o corredor muitas vezes, combinando na perfeição com o deslocado Bruno Fernandes. Capaz de driblar adversários se estivesse dentro de uma cabina telefónica, recebeu um amarelo na segunda parte por ser derrubado quando se aprestava a entrar pela grande área do Desportivo das Aves, sendo poupado a ver o segundo em algumas faltas. Também teve nos pés a possibilidade de fazer o 1-3 que sossegaria os leões, servido por Bruno Fernandes após ele próprio recuperar a bola, mas o talentoso guarda-redes adversário não permitiu que a bola lhe passasse por entre as pernas.

 

Gudelj (2,5)

Boa parte do ónus da inferioridade numérica dos leões recaiu sobre o sérvio, prejudicado pelo desvio de Bruno Fernandes para a esquerda e pelo défice de omnipresença de Wendel. Mesmo assim, Gudelj nem sequer começou mal, até porque as limitações na condução de jogo também são patentes quando o Sporting tem tantos em campo quanto o adversário. Mas a atitude contemplativa no lance do pénalti que resultou no empate, e o cartão amarelo que viu logo na primeira parte, condicionaram o desempenho e levaram a que Marcel Keizer optasse por retirá-lo.

 

Wendel (3,5)

Mais um bom jogo do jovem brasileiro, a quem foram entregues as chaves do meio-campo devido à inferioridade numérica. Forçado a multiplicar-se na construção de jogadas e na cobertura ao adversário, teve como principais feitos o remate torto que Mathieu desviou para o fundo da baliza e o lance de contra-ataque na segunda parte em que correu com bola mais de metade do campo e assistiu Raphinha para um enorme desperdício.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Seria o jogo perfeito para superar o recorde de Frank Lampard, tornando-se o médio europeu com maior número de golos numa só temporada, e igualar a marca do brasileiro Alex, médio com maior número de golos numa só temporada na Europa. Só que aos cinco minutos teve de sair da zona em que provoca desconforto alheio e fixar-se no corredor esquerdo, o que limitava as hipóteses de ser decisivo. Mas claro que quando a vida lhe dá limões, Bruno Fernandes abre uma barraquinha de limonadas que num ápice vai parar ao mercado de capitais: começou com um remate traiçoeiro de muito longe, urdiu com Acuña a jogada do 0-1, provocou pavor num defesa de que iria tentar marcar de livre directo e permitiu aos colegas avançarem para a grande área e fazerem o 1-2, e depois do intervalo serviu o argentino para uma das melhores oportunidades de sentenciar o jogo e voltou a testar o guarda-redes adversário com uma “bomba” disparada da quina da grande área. Sendo certo que nos últimos minutos aparentava estar desterrado na esquerda, e com flagrantes dificuldades para ajudar a defesa, avançou para a grande área contrária, viu o cruzamento de Ristovski e voou como Jardel sobre um central, marcando de cabeça, como mandam as regras, para o 1-3 do contentamento verde e branco. Como se tivesse acabado de escrever um “best seller” com o bonito título ‘A Arte Subtil de Dizer Não Nos F...’.

 

Raphinha (2,5)

Pedia-se-lhe que compensasse a falta de um colega com dribles e arrancadas. Assim tentou, mas não raras vezes com pouca sintonia em relação aos colegas. Da sua primeira parte ficou na retina um cruzamento a que Bruno Fernandes não conseguiu chegar a tempo e o derrube ainda distante da baliza que Bruno Fernandes, Coates, Wendel e Mathieu transformaram no 1-2. Símbolo do pouco acerto do talentoso extremo brasileiro foi o desperdício do terceiro golo, permitindo a mancha do guarda-redes após receber um passe de morte de Wendel.

 

Jovane Cabral (-)

O jovem extremo não costuma render tanto quando é titular, mas desta vez pareceu amaldiçoado. A expulsão de Renan levou a que fosse sacrificado antes de poder fazer algo certo ou errado. Talvez tenha melhor sorte na sexta-feira, frente ao Nacional da Madeira, pois a suspensão de Raphinha (que completou uma série de amarelos) limita ainda mais as escolhas de Keizer.

 

Luiz Phellype (3,0)

O quarto golo consecutivo em três jogos para a Liga NOS, num cabeceamento fulgurante ao centro de Acuña, revela a excelente taxa de sucesso nas ocasiões de perigo. Seguiram-se mais de 80 minutos de luta solitária, quase sempre de costas para a baliza e pressionado pelos centrais adversários. Cumpriu, sem deslumbrar e em crescente desgaste, até receber merecido descanso.

 

Salin (2,5)

Entrou quase sem aquecer e saiu atrasado ao adversário que derrubou, pouco lhe valendo adivinhar o lado para onde o pénalti foi cobrado. Desse momento em diante esteve nos sítios certos, encaixando remates não especialmente inspirados. Todos menos aquele que Derley desferiu, já aos 90 minutos, anulado pelo VAR por o avançado brasileiro ter apalpado o rosto de Coates no início da jogada.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Substituiu Gudelj e voltou a não melhorar aquilo que o sérvio tentava fazer. Ficou por receber um cartão amarelo alaranjado por uma entrada fora de tempo e não aliou discernimento ao acréscimo de velocidade que trouxe ao meio-campo leonino.

 

Diaby (1,5)

Entrou para fazer descansar Luiz Phellype, mas desde os primeiros toques na bola deixou claro que não estava ali para ajudar. Desastroso quando não irrelevante, voltou a mostrar que o seu maior valor para a equipa é habituar os colegas a terem menos um em campo mesmo quando os árbitros não lhes mostram cartões vermelhos.

 

Marcel Keizer (3,0)

Mais três pontos muito esforçados, com a equipa a superar uma desvantagem numérica quase desde o início do jogo, são o prémio para uma equipa bem arrumada e que fez das tripas coração. Forçado a sacrificar Jovane para a entrada de Salin, jogou o melhor que pôde com as poucas peças que restavam no tabuleiro e manteve pressão sobre o Sporting de Braga, que precisa de vencer o Tondela para reduzir a vantagem leonina para três pontos.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D