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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Luiz Phellype evitou o calvário

Nacional da Madeira 0 - Sporting 1

Liga NOS - 30.ª Jornada

19 de Abril de 2019

 

Salin (3,0)

Arriscou-se a passar por turista, tão poucas foram as jogadas de ataque da equipa da casa, mas quando foi preciso mostrar serviço conseguiu estar à altura dos acontecimentos. Seja antecipando-se a quem procurava isolar-se, seja defendendo com os punhos os melhores de entre os raros cruzamentos.

 

Ristovski (3,0)

Teria sido uma viagem ainda melhor à Madeira caso controlasse melhor a bola ao ser desmarcado na grande área por Bruno Fernandes. Ainda que bastante recuado em relação a Acuña, integrou-se bem nas jogadas de ataque sem deixar de tapar os caminhos para a equipa da casa. Um seu corte “in extremis” travou o que seria a melhor jogada do Nacional da Madeira.

 

Coates (3,0)

Uma ou duas perdas de bola comprometedoras foram compensadas com a habitual dose de cortes providenciais. Como aquele em que travou sem falta um adversário que procurava acercar-se da baliza de Salin após um disparate de Jovane Cabral.

 

Mathieu (3,5)

Além do contributo para a inexpugnabilidade da baliza leonina, fenómeno raro nas deslocações, o central francês voltou a desbloquear marcações e tibiezas alheias com incursões pelo meio-campo contrário – tanto pelo corredor esquerdo como pelo centro do terreno – das quais resultou muito perigo. Ficou perto de voltar a marcar em duas ocasiões, sendo a segunda um remate cruzado, na ressaca de um canto, mesmo ao lado do poste. Há decerto quem pondere oferecer-lhe um contrato vitalício.

 

Acuña (3,5)

Um amarelo aos sete minutos condicionaria alguém menos competitivo do que o argentino. Não foi o caso do lateral-esquerdo que muitas vezes subiu até à linha para realizar os seus famosos cruzamentos. Viu todos desperdiçados até que a meio da segunda parte surgiu a emenda de Luiz Phellype a um livre que cobrou à entrada da área. Mais uma assistência para juntar à colecção de um dos mais incansáveis futebolistas da história do Sporting.

 

Gudelj (3,5)

Mesmo o amarelo que o afasta do próximo jogo foi uma demonstração de inteligência, na medida em que evitou o mal maior de um contra-ataque perigoso após perda de bola de Coates (outro dos muitos titulares leoninos à beira do jogo de castigo). O sérvio fez de longe a sua melhor exibição, com enorme influência na tranquilidade que fez de Salin mero espectador quase até ao fim. Implacável nos cortes, desarmes e antecipações, mesmo na saída com bola esteve muito melhor do que a sua (baixa) fasquia habitual.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Titular devido à excursão de Wendel a Turim, não rendilhou o futebol leonino como o jovem brasileiro costuma. Certo é que se fez valer da rapidez e da capacidade de choque para ajudar a manietar a equipa da casa e integrou-se em algumas jogadas de ataque, mantendo-se em campo até ao fim.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Rematou pela primeira vez ao segundo minuto de jogo e pouco depois isolou Ristovski  na grande área. Parecia que voltaria a ser decisivo para o triunfo do Sporting, mas o golo que baterá todos os recordes ficou guardado para o próximo jogo, em Alvalade, contra a Vitória de Guimarães. Sempre empenhado em dar instruções aos colegas, combinou bem com Acuña, esbanjou passes com Diaby e até desperdiçou uma boa assistência de Luiz Phellype, mesmo no final do jogo, faltando-lhe pernas para avançar para a baliza.

 

Diaby (2,0)

Cinco remates fez o maliano, sendo o melhor de todos, forçando o guarda-redes a esticar-se todo para evitar o golo, aquele que de mais difícil execução parecia ser. Adepto de estar no sítio certo à hora certa, pena é que tenha feito sempre a coisa errada, rematando contra defesas ao receber cruzamentos de frente para a baliza, ou permitindo a mancha do guarda-redes. Se dependesse de Diaby o Sporting teria saído da Madeira com um ponto tão mísero quanto o seu acerto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Um remate em arco que permitiu a melhor defesa do atarefado Daniel Guimarães, uma arrancada pela direita culminada com um remate à figura e um passe de rotura para Diaby foram o lado A de uma exibição em que o extremo terá batido recordes de passes errados e decisões erráticas. A arma secreta de José Peseiro terá de recalibrar-se para sobreviver ao possível regresso ao plantel de Mama Baldé (que voltou a marcar pelo Aves) e Matheus Pereira, bem como a total integração de Gonzalo Plata.

 

Luiz Phellype (3,5)

Ficou perto de se candidatar ao Prémio Puskas, correspondendo com um toque de calcanhar acrobático a um cruzamento de Acuña, mas a bola saiu ao lado do poste. Em vez disso, já na segunda parte, acorreu a novo cruzamento do argentino, na cobrança de um livre, e evitou o calvário dos sportinguistas ao garantir três pontos com o seu quinto golo em quatro jogos. À parte isso, primou pela luta com os defesas – dificultado pela carta branca que os centrais do Nacional receberam de Carlos Xistra para o carregarem pelas costas – e ainda fez uma assistência para o que poderia ter sido um golo histórico de Bruno Fernandes. Há dias felizes.

 

Jefferson (2,0)

Resgatado da lei do esquecimento pela lesão de Borja, e lançado para o jogo devido à progressiva inépcia de Jovane Cabral, entrou com ordens para ficar à frente de Acuña. A sua interpretação daquilo que é suposto um extremo fazer ainda chegou para um belo cruzamento que acrescentou mais um capítulo ao manual de desperdícios de Diaby.

 

Miguel Luís (2,0)

Dez minutos de jogo que serviram de prova de vida, ainda que parte desse tempo tenha servido para entender a sua posição em campo.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Cinco minutos à Sporting concedidos pelo treinador permitiram-lhe fazer uma boa combinação com aquele senhor que se chama Bruno Fernandes e o ofusca com a sua omnipresença, omnisciência e omnipotência. E algumas demonstrações de domínio de bola junto à linha lateral que serviram de aperitivo para melhores dias que vão tardando.

 

Marcel Keizer (3,0)

Conquistou mais três pontos num autêntico festival de desperdício que se traduz numa taxa de sucesso abaixo dos cinco por cento, tendo mérito na forma como dispôs uma equipa sem os castigados Renan e Raphinha, o castigado interno Wendel e os lesionados Battaglia e Bas Dost. Pronto a perdoar as ofensas dos seus jogadores aos adeptos, adiou as substituições ao limite, guardando-as para quando já tinha vantagem no marcador. Saiu feliz, mas ficou credor de uma goleada que os seus jogadores não souberam fazer.

Armas e viscondes assinalados: A arte subtil de dizer não nos f...

Desp. Aves 1 - Sporting 3

Liga NOS 29.ª Jornada

13 de Abril de 2019

 

Ruben Ribeiro (1,5)

Expulso sem sequer tocar na bola, divide culpas com Mathieu pela cerimónia com que não agarrou uma bola inofensiva e permitiu que um adversário a controlasse, optando por derrubá-lo, mesmo arriscando pénalti ou expulsão. Bem vistas as coisas, mais valeria ter cometido a falta dentro da grande área, pois o Sporting não teria de ficar com dez desde os cinco minutos. E sofrer golos fora de Alvalade tornou-se tão natural quanto promover fugas de informação de documentos internos do clube.

 

Ristovski (3,0)

O cruzamento com que assistiu Bruno Fernandes no lance do 1-3 foi o melhor prémio para uma exibição abnegada, sempre com grandes cautelas na hora de subir no terreno e incessante e quase sempre eficaz vigilância aos velozes extremos avenses.

 

Coates (3,0)

A pouca inspiração nas tentativas de irromper pelo meio-campo contrário, bem como a demora na reacção à jogada que resultou na grande penalidade que fez parecer que o Sporting estava destinado a lixar-se com f, impediram uma noite tranquila. No outro prato da balança estão a intervenção no lance do 1-2 e os sucessivos cortes que foram atrasando na segunda parte o que parecia inevitável: a reviravolta a favor da equipa que tinha mais um relvado quase desde o início.

 

Mathieu (3,0)

Muito tinha para redimir-se, na medida em que a sua hesitação inicial esteve na génese da expulsão de Renan. O sentimento de culpa toldou-lhe os movimentos, mostrando-se menos acutilante do que é habitual nas saídas com bola. O ponto de viragem foi a melhor redenção que poderia desejar, marcando o 1-2 numa emenda ao remate-assistência de Wendel. Muito teve que trabalhar na segunda parte, face à avalanche ofensiva da equipa da casa, e ocasionais descompensações de Acuña e Bruno Fernandes no corredor esquerdo. Mas sobreviveu a tudo, tal como o Sporting.

 

Acuña (3,5)

A assistência para o primeiro golo, com um cruzamento perfeito para Luiz Phellype, foi a marca mais tangível de uma exibição à altura do argentino. Devolvido a lateral-esquerdo, face à lesão de Borja e ao ocaso de Jefferson, percorreu o corredor muitas vezes, combinando na perfeição com o deslocado Bruno Fernandes. Capaz de driblar adversários se estivesse dentro de uma cabina telefónica, recebeu um amarelo na segunda parte por ser derrubado quando se aprestava a entrar pela grande área do Desportivo das Aves, sendo poupado a ver o segundo em algumas faltas. Também teve nos pés a possibilidade de fazer o 1-3 que sossegaria os leões, servido por Bruno Fernandes após ele próprio recuperar a bola, mas o talentoso guarda-redes adversário não permitiu que a bola lhe passasse por entre as pernas.

 

Gudelj (2,5)

Boa parte do ónus da inferioridade numérica dos leões recaiu sobre o sérvio, prejudicado pelo desvio de Bruno Fernandes para a esquerda e pelo défice de omnipresença de Wendel. Mesmo assim, Gudelj nem sequer começou mal, até porque as limitações na condução de jogo também são patentes quando o Sporting tem tantos em campo quanto o adversário. Mas a atitude contemplativa no lance do pénalti que resultou no empate, e o cartão amarelo que viu logo na primeira parte, condicionaram o desempenho e levaram a que Marcel Keizer optasse por retirá-lo.

 

Wendel (3,5)

Mais um bom jogo do jovem brasileiro, a quem foram entregues as chaves do meio-campo devido à inferioridade numérica. Forçado a multiplicar-se na construção de jogadas e na cobertura ao adversário, teve como principais feitos o remate torto que Mathieu desviou para o fundo da baliza e o lance de contra-ataque na segunda parte em que correu com bola mais de metade do campo e assistiu Raphinha para um enorme desperdício.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Seria o jogo perfeito para superar o recorde de Frank Lampard, tornando-se o médio europeu com maior número de golos numa só temporada, e igualar a marca do brasileiro Alex, médio com maior número de golos numa só temporada na Europa. Só que aos cinco minutos teve de sair da zona em que provoca desconforto alheio e fixar-se no corredor esquerdo, o que limitava as hipóteses de ser decisivo. Mas claro que quando a vida lhe dá limões, Bruno Fernandes abre uma barraquinha de limonadas que num ápice vai parar ao mercado de capitais: começou com um remate traiçoeiro de muito longe, urdiu com Acuña a jogada do 0-1, provocou pavor num defesa de que iria tentar marcar de livre directo e permitiu aos colegas avançarem para a grande área e fazerem o 1-2, e depois do intervalo serviu o argentino para uma das melhores oportunidades de sentenciar o jogo e voltou a testar o guarda-redes adversário com uma “bomba” disparada da quina da grande área. Sendo certo que nos últimos minutos aparentava estar desterrado na esquerda, e com flagrantes dificuldades para ajudar a defesa, avançou para a grande área contrária, viu o cruzamento de Ristovski e voou como Jardel sobre um central, marcando de cabeça, como mandam as regras, para o 1-3 do contentamento verde e branco. Como se tivesse acabado de escrever um “best seller” com o bonito título ‘A Arte Subtil de Dizer Não Nos F...’.

 

Raphinha (2,5)

Pedia-se-lhe que compensasse a falta de um colega com dribles e arrancadas. Assim tentou, mas não raras vezes com pouca sintonia em relação aos colegas. Da sua primeira parte ficou na retina um cruzamento a que Bruno Fernandes não conseguiu chegar a tempo e o derrube ainda distante da baliza que Bruno Fernandes, Coates, Wendel e Mathieu transformaram no 1-2. Símbolo do pouco acerto do talentoso extremo brasileiro foi o desperdício do terceiro golo, permitindo a mancha do guarda-redes após receber um passe de morte de Wendel.

 

Jovane Cabral (-)

O jovem extremo não costuma render tanto quando é titular, mas desta vez pareceu amaldiçoado. A expulsão de Renan levou a que fosse sacrificado antes de poder fazer algo certo ou errado. Talvez tenha melhor sorte na sexta-feira, frente ao Nacional da Madeira, pois a suspensão de Raphinha (que completou uma série de amarelos) limita ainda mais as escolhas de Keizer.

 

Luiz Phellype (3,0)

O quarto golo consecutivo em três jogos para a Liga NOS, num cabeceamento fulgurante ao centro de Acuña, revela a excelente taxa de sucesso nas ocasiões de perigo. Seguiram-se mais de 80 minutos de luta solitária, quase sempre de costas para a baliza e pressionado pelos centrais adversários. Cumpriu, sem deslumbrar e em crescente desgaste, até receber merecido descanso.

 

Salin (2,5)

Entrou quase sem aquecer e saiu atrasado ao adversário que derrubou, pouco lhe valendo adivinhar o lado para onde o pénalti foi cobrado. Desse momento em diante esteve nos sítios certos, encaixando remates não especialmente inspirados. Todos menos aquele que Derley desferiu, já aos 90 minutos, anulado pelo VAR por o avançado brasileiro ter apalpado o rosto de Coates no início da jogada.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Substituiu Gudelj e voltou a não melhorar aquilo que o sérvio tentava fazer. Ficou por receber um cartão amarelo alaranjado por uma entrada fora de tempo e não aliou discernimento ao acréscimo de velocidade que trouxe ao meio-campo leonino.

 

Diaby (1,5)

Entrou para fazer descansar Luiz Phellype, mas desde os primeiros toques na bola deixou claro que não estava ali para ajudar. Desastroso quando não irrelevante, voltou a mostrar que o seu maior valor para a equipa é habituar os colegas a terem menos um em campo mesmo quando os árbitros não lhes mostram cartões vermelhos.

 

Marcel Keizer (3,0)

Mais três pontos muito esforçados, com a equipa a superar uma desvantagem numérica quase desde o início do jogo, são o prémio para uma equipa bem arrumada e que fez das tripas coração. Forçado a sacrificar Jovane para a entrada de Salin, jogou o melhor que pôde com as poucas peças que restavam no tabuleiro e manteve pressão sobre o Sporting de Braga, que precisa de vencer o Tondela para reduzir a vantagem leonina para três pontos.

Armas e viscondes assinalados: Para quê pedir a Lua se temos as estrelas?

Sporting 3 - Rio Ave 0

Liga NOS - 28.ª Jornada

7 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Voltou a terminar um jogo sem sofrer golos, mas desta vez não contou com as facilidades decorrentes da inépcia dos avançados benfiquistas, pelo que teve mesmo de se esforçar para travar as investidas do Rio Ave. Deu nas vistas ao antecipar-se a um avançado com um corte de cabeça à saída da grande área e, já com o resultado feito, ao encaixar um remate muito forte e colocado, tendo ainda reflexos suficientes para impedir a bola de passar leve, levemente, pela linha de golo.

 

Ristovski (2,5)

Não foi um jogo em que os laterais se tenham destacado muito. Mas no caso do macedónio pode falar-se em culpa por associação, pois a presença de Diaby na direita não só impediu jogadas com cabeça, tronco e membros como levou a que o resto da equipa optasse por uma saudável ostracização desse sector.

 

Coates (3,0)

Melhor seria se não tivesse apostado em incursões catastróficas com bola pelo meio-campo contrário. Não estava no seu dia para aventuras dessas, ao contrário do que sucedeu na prestação defensiva, novamente ao nível dos seus pergaminhos pela relva e pelo ar.

 

Mathieu (3,5)

Não só desfez uma ou duas asneiras cometidas pelo parceiro de eixo central como cumpriu a habitual quota de cortes e antecipações. Mas ainda mais impressionante foi a qualidade com que iniciou jogadas e deu cartas enquanto lateral-esquerdo (e logo num jogo em que Marcel Keizer teve três colegas diferentes a desempenhar essa posição), conquistando a linha e cruzando como se fosse um adolescente tardio.

 

Borja (2,0)

Presenteado pela impetuosidade adversária logo nos primeiros minutos, viu-se retirado de maca, regressou ao relvado e não raras vezes pareceu estar a mais entre Acuña e Wendel. Saiu ao intervalo e tarda em afirmar-se como verdadeira solução.

 

Gudelj (3,0)

Não lhe peçam para dar início a uma jogada de ataque, mas na parte de destruir e condicionar jogo alheio está irreconhecível de há umas semanas para cá. Quase como aqueles funcionários que demonstram as qualidades mais escondidas quando se aproxima o momento da renovação de contrato.

 

Wendel (4,0)

Muitas vezes jogador de equipa, o jovem brasileiro resolveu ser jogador que faz a equipa ganhar com sossego. Não satisfeito com a assistência brilhante para o primeiro golo, vendo Acuña e Luiz Phellype a desmarcarem-se, assinou o primeiro golo na Liga NOS com um remate em arco, ogiva, cristal. O guarda-redes não sabe, nem sonha, como a bola colorida foi parar uma terceira vez ao fundo das redes.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Igualou o recorde de Frank Lampard como meio-campista mais goleador de sempre na Europa ao cobrar um daqueles pénaltis em que o guarda-redes melhor faria em beber uma chávena de chá de tília. E, entre muitas demonstrações aleatórias de grandeza, ganhou a linha, entrou na grande área do Rio Ave pela esquerda e centrou rasteiro e atrasado para o golo de Wendel. Até ao final do jogo várias vezes tentou que os colegas dilatassem o marcador além da conta que Deus fez, mas ninguém quis fazer a desfeita ou se lembrou de devolver a bola para que o tal recorde do inglês passasse a ser história medieval. O “Lampardexit” fica para a próxima.

 

Diaby (1,5)

O Sporting venceu por três golos de diferença, e sem nunca causar apertos no coração dos poucos mais de 26 mil irredutíveis alvaladenses nas bancadas, apesar de contar com o maliano em noite não de tendência nunca. Trapalhão, atrapalhado, quando não simplesmente alheado, manteve-se até ao apito final. Será que Marcel Keizer teme intervenções sacerdotais na luta pelo terceiro lugar e resolveu treinar a possibilidade de se ver a jogar com menos um campo?

 

Acuña (4,0)

Será possível retirar a bola ao polivalente argentino? As estatísticas provam que não é muito fácil, e nem se pode falar em falta de dados, tantas foram as vezes que Acuña bailou com a bola frente a um, dois ou três adversários, talvez inspirado num moço com quem por vezes divide balneário chamado Lionel. Para a história de um jogo que procurou sempre descomplicar fica o domínio de bola com que facilitou a missão de Luiz Phellype no lance do primeiro golo, aberturas traçadas a régua e esquadro e a disponibilidade para ser extremo, lateral e tudo. Tal como Mathieu, teve direito a uns minutos de descanso e a uma ainda mais merecida ovação.

 

Luiz Phellype (3,5)

Mais um golo, concluindo com calma glaciar um contra-ataque que ajudara a lançar, e o pénalti que sofreu, ao ser abalroado por um defesa após um cabeceamento em esforço, são as faces mais visíveis de uma exibição muito positiva. O feitiço parece ter sido quebrado de vez, e o brasileiro peitudo e raçudo da lei dos erros de casting se vai libertando.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou para agitar a esquerda e quase que o conseguiu, ficando muito perto de servir Luiz Phellype para o mais próximo de 4-0 que se viu na segunda parte. Ainda não é o milagreiro de Peseiro, mas ninguém lhe pode contestar a utilidade.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O prémio por ter segurado o forte na meia-final da Taça de Portugal foram minutos enquanto lateral-esquerdo. Não se portou mal do lado contrário, jogando seguro, e até poderia ter marcado, servido por Bruno Fernandes. Mas como não é o homónimo optou por alvejar as bancadas.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para o descanso (e aplauso das bancadas) de Mathieu. Sem ser aquele rapaz turco que marca golos em Itália e que Cintra & Peseiro resolveram emprestar com uma cláusula de compra acessível ao mesmo tempo que preferiam contratar Diaby em vez de Fábio Coentrão, também não esteve nada mal.

Marcel Keizer (3,5)

Adiantou-se aos críticos e reconheceu que o Sporting não jogou tão bem quanto na quarta-feira. Mas jogou bastante bem, venceu com folga e sem qualquer tremelique, e só ficou a dever a si próprio uma goleada das antigas. Do treinador só se questiona a necessidade de fazer descansar Acuña e não Bruno Fernandes, elevando a fasquia para “vencer três a zero com Diaby e Bruno Gaspar em simultâneo”. Será que Francisco Geraldes foi apanhado a ler um romance durante uma das palestras do holandês?

Armas e viscondes assinalados: O nome dele é lenda

Sporting 1 - Benfica 0

Taça de Portugal - 2.ª Mão da Meia-Final

3 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Raras são as tardes e noites em que não recolhe uma bola do fundo da baliza. Mas assim sucedeu ao encontrar o poderoso ataque de um Benfica incapaz de fazer um remate em condições ao longo de todo o jogo. E ainda teve a bondade de afastar para canto, logo na primeira parte, o mais próximo de uma ocasião de perigo que a equipa visitante conseguiu arranjar.

 

Bruno Gaspar (3,0)

É provável que na hora dos festejos tenha conseguido que Rafa perdesse a cabeça ao ponto de ser expulso por dizer “para dar conta de vocês basto eu”. Elevado à categoria de “disco pedido”, por entre a sucessão de oligofrenias que resultou na expulsão e castigo a Ristovski, o lateral-direito de recurso até começou o jogo a assustar o facilmente assustável Svilar com um remate de longe que saiu ao lado. Com o passar dos minutos perdeu fulgor, enfrentou adversários mais versados na arte de chutar bolas do que ele, mas cumpriu até ao momento em que Marcel Keizer abdicou do seu contributo para apostar ainda mais no único resultado que interessava.

 

Coates (3,0)

Cumpriu sem deslumbrar, mas também sem dar os sinais de erro sistémico observados no jogo anterior. E convém admitir que os artistas vestidos de encarnado ajudaram ao final feliz.

 

Mathieu (3,5)

Limpou o que tinha a limpar, subiu no terreno quando foi preciso, e terminou um jogo com a satisfação que os adeptos teriam caso resolvesse anunciar que adia a reforma por mais uma temporada.

 

Borja (3,0)

Ficou muito bem na capa dos jornais desportivos agarrado às costas de Bruno Fernandes. Também nada fez de mal enquanto esteve em campo.

 

Gudelj (3,5)

Não só começa a orientar os remates para a baliza adversária, dando por terminada a guerra contra os apanha-bolas, como controlou de forma bastante eficaz as veleidades contrárias. 

 

Wendel (3,0)

Mais uma exibição plena de esforço, dedicação e devoção, desta vez coroada com glória, que pôde ser testemunhado “in loco” por Jorge Jesus, o treinador que o viu chegar a Alvalade, em troca de um punhado de milhões de euros, e preferia pôr Misic a jogar.

 

Raphinha (3,0)

A recuperação de bola no lance do golo do Sporting foi uma demonstração de capacidade de luta de quem se arrisca a assumir a responsabilidade de fazer o Sporting grande outra vez na próxima temporada. Mas para que tal suceda é bom que vá melhorando a pontaria nos remates.

 

Acuña (3,5)

Ainda não é muito clara a sua motivação no final do jogo, quando teve de ser agarrado pelos colegas para não cometer algo de que decerto nem se arrependeria. Sendo debatível que tenha os maiores tomates do Mundo, como divulgou a sua legítima esposa, ninguém duvida que se trata do jogador mais combativo do plantel leonino. E um dos dois ou três mais capazes de ficarem a dormir com a bola quando vão jantar a casa dos seus pais.

 

Bruno Fernandes (4,0)

O nome dele é lenda, preparando-se para bater recordes que tornam menos agridoce a perspectiva de que só vá fazer, na ausência de lesões ou castigos, mais oito jogos com o leão ao peito. Depois de ter deixado o Sporting com a porta do Jamor entreaberta, mercê de um livre directo memorável na primeira mão, carimbou o acesso à final da Taça de Portugal com um remate forte e colocado que nem um guarda-redes de elevada qualidade defenderia. Antes disso já fustigara a barra da mesma baliza com um livre directo a punir uma falta em que Pizzi o rasteirou por trás e sem amarelo quando se preparava para rematar. 

 

Luiz Phellype (3,0)

Desta vez não marcou, ainda que o tivesse tentado com intenção e técnica. Mas esteve particularmente bem de costas para a baliza, complicando a vida aos centrais encarnados.

 

Tiago Ilori (3,0)

Não ganhava ao Benfica desde a adolescência. Espera-se que retome esse bom hábito.

 

Diaby (3,0)

É tecnicamente correcto dizer que fez a assistência para o golo de Bruno Fernandes, e esse passe rápido e eficiente para quem sabe fazer melhor do que ele compensa todas as diabyices cometidas no relvado.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para segurar o resultado e descansar Wendel sem que fosse preciso utilizar algum produto da Academia de Alcochete.

 

Marcel Keizer (3,5)

Escolheu a noite certa para acertar nas substituições, nas adaptações tácticas no decorrer do jogo e sabe-se lá no que mais. Só Bruno “Lenda” Fernandes tem mais responsabilidade do que ele na hora e meia feliz que permite ao Sporting pós-invasão a Alcochete ter a possibilidade de fazer melhor nesta temporada do que naquela em que Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins ainda estavam no plantel, Battaglia não era um lesionado de longa duração e Bas Dost mantinha o estatuto de máquina de fazer golos.

Armas e viscondes assinalados: Para lá do Marão, à beira de um ataque de coração

Desp. Chaves 1 - Sporting 3

Liga NOS - 27.ª Jornada

30 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Quase tão inevitável quanto a morte, os impostos e a nomeação de competentíssimos familiares de governantes para gabinetes ministeriais, o golo dos adversários chegou quando o Sporting tinha mais um jogador em campo. O brasileiro bem tentou fazer a mancha quando o avançado do Chaves lhe apareceu isolado pela frente, mas não resultou, ao contrário do que sucedera minutos antes, quando os centrais também deixaram que alguém cabeceasse ao segundo poste. Há dias assim - quase todos os dias em que a rapaziada de verde e branco pisa o relvado. 

 

Ristovski (2,5)

As expulsões descabeladas do macedónio em véspera de jogos com o Benfica são o new black do futebol português. Teve que ser o videoárbitro com nome de personagem e de actor de clássico da comédia portuguesa portuguesa a descortinar jogo perigoso num corte, permitindo ao árbitro Manuel Mota cobrir-se mais uma vez de vergonha, ao mesmo tempo que conseguia desfazer a decisão igualmente errada de expulsar um defesa flaviense que derrubou Raphinha sem que este se estivesse a dirigir para a baliza adversária. Antes deste infecto episódio Ristovski fez a assistência para o primeiro golo, ajudando a quebrar um encanto digno de conto infantil, esteve atento às movimentações de todos os adversários (menos daquele que marcou o golo do empate) e integrou-se mais ou menos bem na manobra ofensiva. Uma parte dele terá de ficar lisonjeada por o quererem assim tanto afastar da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal.

 

Coates (2,0)

Começou ao seu melhor estilo, arriscando o autogolo para cortar um cruzamento que daria golo quase de certeza. Depois foi o dilúvio: incontáveis passes errados, faltas de concentração na cobertura, aquele lance em que deixa escapar nas suas costas o autor do golo do Chaves... Que melhores dias e noites venham depressa. De preferência já nesta quarta-feira.

 

Mathieu (3,0)

Esteve ao nível que é o seu, destoando pelo desnível no resto da linha defensiva. Além de desfazer problemas com a competência que lhe é reconhecida, tirou partido da vontade de criar soluções para empurrar a equipa na direcção da baliza adversária. Num desses lances entrou na grande área do Chaves e tentou servir um colega, mas a bola desviou num adversário e acabou por ser encaixada pelo guarda-redes.

 

Borja (2,0)

Também não leva grandes recordações daquilo que está para lá do Marão. Incerto nos cruzamentos e pouco dinâmico a construir jogadas, distinguiu-se sobretudo ao sair para a entrada de Jovane Cabral quando chegou a hora do aperto.

 

Gudelj (2,5)

Recuperou a titularidade, como era expectável, mesmo sem dar provas de conseguir ser o motor de arranque do meio-campo leonino. Mas há que reconhecer que fez o seu melhor remate de longa distância - no sentido de que saiu enquadrado com a baliza e forçou uma defesa de dificuldade média-alta - e que contribuiu para um enganador sossego da equipa ao sofrer a entrada que levou à expulsão de um adversário. Pouco depois saiu de campo, talvez por Marcel Keizer temer que seria ele o próximo a ver um segundo amarelo.

 

Wendel (3,0)

Faltou-lhe o golo, apesar de uma tentativa mais prometedora do que bem conseguida, num jogo em que teceu jogadas como as aranhas tecem teias. E em que não esmoreceu na hora em que a deslocação a Chaves parecia destinada a correr mesmo muito mal.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Para o jogo 100 com a camisola do Sporting nada melhor do que um golo de longa distância, igualando o lesionado Bas Dost como melhor marcador da equipa na Liga. Poderiam ter sido dois, mas o guarda-redes António Filipe roubou-lhe esse prazer antes de sair lesionado. Mas logo no primeiro tempo fora vítima do capitão dos leões, que desmarcou Ristovski para o cruzamento que deu origem ao primeiro golo. Graças a um daqueles passes magníficos que, na bitola de Bruno Fernandes, são apenas mais um dia no escritório.

 

Raphinha (3,0)

Todo ele é técnica no domínio de bola, aliada a uma das velocidades mais perigosas da Liga NOS. Mas desta vez não tinha as chuteiras calibradas no momento do remate e ainda viu a jogada de maior perigo apagada pelo árbitro Manuel Mota depois de um “think tank” na Cidade do Futebol discernir falta anterior e cartão vermelho para o sanguinário Ristovski.

 

Acuña (3,0)

Tem o seu quê de irónico que o argentino se torne mais perigoso quando recua de extremo para lateral-esquerdo. Assim voltou a suceder, com uma assistência primorosa para o golo de Bruno Fernandes e boas combinações com Jovane. Mas bem poderia ter evitado uma carga de ombro dentro da sua grande área que poderia ter resultado num pénalti a favor do Desportivo de Chaves.

 

Luiz Phellype (3,5)

Desatou a chorar quando marcou o primeiro golo desde que foi contratado ao Paços de Ferreira no mercado de Inverno. Talvez tenha sido de alívio, talvez tenha sido de emoção ou talvez tenha sido de dor, pois o seu gesto técnico a empurrar a bola cruzada por Ristovski envolveu lançar o corpo para a frente como se estivesse numa final de salto em comprimento. No resto do jogo tirou sobretudo partido do poderio físico, regressando aos holofotes ao minuto 100, quando foi desmarcado por Jovane Cabral, aguentou a pressão de um defesa, e rematou de forma descomplicada para o 1-3 que sossegou milhões de corações que viam a conquista do terceiro lugar em risco.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e, ao contrário do que é seu bom hábito, pouco ou nada melhorou na circulação de bola do Sporting. Pareceu preso de movimentos e pouco confiante.

 

Jovane Cabral (3,0)

Logo no primeiro lance depois de entrar em campo rematou um pouco ao lado do poste. Empenhado em readquirir o estatuto de resolvedor, mesmo que os minutos a que teve direito se devessem à lesão do prodigioso Diaby, integrou-se nas acções ofensivas do Sporting com mais afã do que critério. Até fazer a assistência extraordinária para Luiz Phellype bisar, bem entendido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Chamado para recompor a linha defensiva após a expulsão de Ristovski, o lateral-direito comprado por mais milhões de euros do que cabe aqui dizer procurou não desmerecer a confiança nele depositada. Neste caso a confiança do treinador e não a confiança das pessoas que tanto apreciam expulsar o seu colega na véspera de jogos com o Benfica.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de somar os três pontos que permitiram a subida ao pódio da Liga NOS (em igualdade pontual com o Braga) sem lograr que a equipa jogasse bem. Sem Bas Dost e Diaby disponíveis caçou com Luiz Phellype e não se deu mal com o método, até porque Bruno Fernandes recuperou a tempo da lesão que o impediu de salvar a Selecção de Portugal de si própria. Continua é a procurar-se a alegria dos primeiros tempos do keizerbol e a aposta na formação que não há maneira de aparecer.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos em depressão frontal

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

15 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Esteve sempre no sítio certo nos raros remates do Santa Clara, segurando tudo menos o mais perigoso, ainda com o marcador a zeros, que foi desviado para canto pelas costas de Ristovski. Menos solicitado a fazer lançamentos longos que tende a ser habitual, visto que o adversário não é dado a pressões, tentou não fazer asneiras com a bola nos pés.

 

Ristovski (3,0)

Além de ter impedido o golo do Santa Clara com as suas costas largas, mesmo sem combinar às mil maravilhas com Raphinha, claramente influenciado pelo individualismo reaganiano dos pais, o lateral-direito macedónio foi um dos aceleradores da equipa, executou cruzamentos que poderiam ter surtido melhor efeito se alguém tivesse ido resgatar o Bas Dost do passado recente e vigiou quase sempre de forma muito competente alguns dos elementos mais competentes do plantel açoriano.

 

Coates (3,0)

Teve uma noite mais normal do que tem sido comum, concentrando-se na missão de cortar lances de perigo do Santa Clara. Assim fez, com o zelo que lhe é habitual, tendo o golo de Raphinha evitava aquele registo em que começa por construir jogadas de contra-ataque e quando se dá por isso passou a ser o segundo ponta de lança leonino.

 

Mathieu (2,5)

Uma perda de bola à entrada da grande área poderia ter estragado de vez uma exibição menos bem conseguido do central francês, ainda que também tenha ficado perto de marcar num livre directo em posição frontal.

 

Borja (2,0)

Durante a primeira parte foi o pior jogador do Sporting, parecendo diversas vezes perdido no relvado e sem saber o que fazer com a bola. Quando parecia fixar-se como terceiro central, prometendo mais do que o lateral-esquerdo, Keizer abdicou da sua permanência.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Recebeu a titularidade apenas devido à suspensão de Gudelj, e desde o apito inicial vincou as diferenças em relação ao sérvio. Nomeadamente naqueles detalhes de ganhar a posse aos adversários, acelerar o meio-campo e avançar para a grande área do adversário com a bola controlada. Capaz de melhorar a equipa do Sporting com a sua presença, Idrissa Doumbia viu-se mesmo assim substituído a meio da segunda parte, fazendo adivinhar que na deslocação a Chaves poderá voltar a ficar sentado no banco.

 

Wendel (2,5)

Muito rendilhou no meio-campo, suprindo incapacidades alheias (sobretudo as de Borja) e procurando posicionar-se para o que desse e viesse. Numa dessas ocasiões, servido por Raphinha em posição frontal, fez um remate fraco à baliza. Na segunda parte continuou a trabalhar muito, sem conseguir disfarçar o cansaço para todos os presentes no estádio tirando Marcel Keizer, que preferiu tirar Idrissa Doumbia na hora de refrescar a equipa.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Tal como os romanos nada fizeram pelos judeus de “A Vida de Brian” tirando o aqueduto, as estradas, a numeração ou os tribunais, também o jovem capitão nada fez pelo Sporting tirando a assistência para o golo de Raphinha ou outra assistência com que o brasileiro ficara perto de inaugurar o marcador. Numa noite menos bem conseguida, na qual os remates de longe saíram sempre à figura, quando não para as bancadas, Bruno Fernandes viu-se muitas vezes manietado pelas pernas dos adversários. Aqueles que, no apurado critério do árbitro Manuel Oliveira, terminaram o jogo com metade dos cartões amarelos exibidos aos futebolistas da casa.

 

Raphinha (3,5)

Marcou o golo que valeu três pontos praticamente caídos do céu, impedindo o guarda-redes Marco de lhe voltar a roubar os festejos, num dos remates com que procurou concretizar a sua missão de agitador do ataque do Sporting. Logo na primeira parte ficou na retina de todos uma jogada em que entrou na grande área do Santa Clara, rodeado de adversários, servindo Wendel para o que poderia ter sido mais do que uma ocasião de golo.

 

Acuña (3,5)

Facto: o Sporting conseguiu a vitória miserável que lhe valeu três pontos indistintos de outros eventuais três pontos conquistados através de uma ainda mais eventual grande exibição porque o argentino executou um lançamento de linha lateral, no limite da força dos braços e aproveitando o posicionamento de Bruno Fernandes, muito adiantado em relação à defesa do Santa Clara. Por essa altura do cronómetro já voltara a ser lateral-esquerdo, sem abrandar minimamente o ritmo e o ímpeto, pois aparentar ser algo que lhe está no sangue. Talvez pudesse fazer umas quantas transfusões aos colegas...

 

Bas Dost (1,5)

Começou trapalhão e desinspirado, travando jogadas de contra-ataque e fazendo remates inofensivos, mas com o passar do tempo deixou cair os braços até ao ponto de fazer figura de corpo presente no relvado. Mas ainda assim continuou até ao apito final, numa demonstração de solidariedade do compatriota que é pago para escolher os melhores jogadores do Sporting. 

 

Diaby (1,5)

Entrou para trazer velocidade ao ataque, à medida que o nulo no marcador começava a eternizar-se, mas nada de bom trouxe à equipa. Nem as arrancadas nem o toque de bola justificaram a sua presença no relvado. Quiçá mesmo no estádio.

 

Miguel Luís (2,0)

Voltou a ser aposta, muito tempo após marcar um belíssimo golo e emocionar o avô, mas também não conseguiu melhorar o desempenho do Sporting.

 

Marcel Keizer (2,5)

É impossível que não tenha visto que Idrissa Doumbia é melhor solução do que Gudelj? Veremos no próximo jogo, mas ninguém deverá apostar muito dinheiro na presença do sérvio no banco. Também o regresso de Bas Dost ao onze titular só não merece maiores reparos devido à horrível exibição de Luiz Phellype no jogo com o Boavista, tornando claro que se o Sporting conseguir melhor do que o quarto lugar praticamente assegurado será apenas graças a uma conjugação feliz dos astros e ao valor de algumas das suas peças, com Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Coates à cabeça. Muito pouco para o orçamento e, sobretudo, para a dimensão da equipa treinada por um homem que, semana após semana, reconhece ser necessário jogar melhor. Mas demora a consegui-lo, tal como voltou a nem sequer conseguir fazer a terceira substituição (Jovane Cabral chegou a tirar o fato de treino...) antes do apito final.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos certos por linhas tortas

Boavista - Sporting

Liga NOS - 25.ª Jornada

9 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofrer o golo do costume logo ao terceiro minuto, da primeira vez em que o Boavista se acercou da sua baliza e sem responsabilidade no funesto acontecimento, retirou ao guarda-redes brasileiro a habitual pressão da inevitabilidade dessa ocorrência. Mais solto e mais seguro, fez frente aos adversários no resto do jogo, concedendo-lhes escassas veleidades, ao ponto de na segunda parte pouco mais fazer além de umas saídas a cruzamentos.

 

Ristovski (2,5)

Responsável moral em primeiro grau da desvantagem madrugadora, sendo tragicamente incapaz de afastar a bola semeada pelo abominável Luiz Phellype, nunca mais teve influência preponderante no relvado. Até porque Raphinha tende a ser um “one man show” na ala direita.

 

Coates (3,5)

Começou a celebrar o jogo 150 de verde e branco na Liga NOS, meta que dificilmente tão cedo será atingida por um futebolista do Sporting, da pior forma: uma escorregadela impediu-o de chegar a tempo à bola oferecida por Luiz Phellype ao jogador do Boavista que assistiu o colega para o 1-0. Em vez de correr atrás do prejuízo, o uruguaio fez com que outros corressem, apostando em passes longos tão bem calibrados quanto desaproveitados. Também mostrou ser o melhor cabeceador do actual Sporting, fazendo a bola passar a centímetros do poste direito - na segunda parte, para desenjoar, fez a bola passar a centímetros do poste esquerdo -, antes de perceber que teria de ser ele a salvar a equipa. Tantas e tão boas foram as incursões pelo meio-campo adversário que Coates liderou o ranking de dribles (seis), sucedendo-se slalons como aquele em que serviu Raphinha para um remate contra um adversário que permitiu a Bruno Fernandes tentar marcar de bicicleta. Ninguém mais do que Coates, um capitão sem braçadeira que já voltou a ser o ponta de lança de recurso em que se tornara no ocaso de Jorge Jesus, merecia os três pontos literalmente caídos do céu.

 

Mathieu (3,0)

É muito possível que esteja de saída, regressando à terra natal para terminar a carreira, mas enquanto não chega essa funesto dia o francês tratou de recordar os sportinguistas que ainda ali está. Tanto a cortar o pouco perigo que o Boavista causou depois do golo como a lançar colegas no ataque.

 

Borja (2,5)

Muitas vezes cruzou para a grande área do Boavista, sem particulares consequências, pois Luiz Phellype foi quase tão ausente quanto Bas Dost, demonstrando uma capacidade de desmarcação ainda assim menos impressionante do que as suas deficiências no jogo de cabeça, pelo que qualquer tentativa de alívio tanto pode ir parar à linha lateral como aos pés de um adversário. Saiu de campo quando Marcel Keizer acordou e percebeu que os três pontos nunca mais apareciam.

 

Gudelj (2,5)

Os adeptos mais cínicos esfregaram as mãos quando o sérvio chocou de cabeça com um adversário, mas o rápido regresso ao relvado só permitiu um suspiro quando João Pinheiro foi buscar ao bolso o cartão amarelo muitas vezes esquecido nas “entradas viris” dos jogadores do Boavista, afastando Gudelj da recepção ao Santa Clara. Ao longo de noventa e tal minutos pouco fez de muito grave, ainda que uma rara tentativa de acelerar o jogo o tenha motivado a executar uma trivela directa para a linha lateral.

 

Wendel (2,5)

Ninguém consegue convencer o treinador de que o jovem brasileiro está cansado e necessita de alguma gestão de esforço. Mas não se pode culpar Wendel disso, pois não disfarçou as dificuldades em manter um ritmo elevado, para alegria dos boavisteiros que tão cedo se viram em vantagem. Não por acaso, o meio-campo leonino ficou a carburar melhor após a sua saída.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Começou por dar menos nas vistas do que é habitual, vendo-se obrigado a compensar a falta de fulgor dos colegas de meio-campo. Mesmo assim fez alguns passes longos extraordinários e mostrou-se disposto a ajudar tanto a defesa quanto o ataque. Depois do intervalo assumiu a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, rematando sempre que teve oportunidades e preparando o guarda-redes do Boavista para o que lhe estava reservado. Bem tentou Bracalli evitar que o Sporting saísse dali com três pontos, defendendo mesmo o notável pontapé de bicicleta com que Bruno Fernandes quase fez o 13.° golo nesta edição da Liga NOS. Para o capitão dos leões, cujo rosto inquieto espelha o momento da equipa, coube a responsabilidade de cobrar o pénalti assaz duvidoso que valeu a vitória, três pontos e a manutenção da luta pelo terceiro lugar.

 

Raphinha (3,0)

Melhor jogador leonino no um contra um, o extremo brasileiro fez o que quis dos adversários no lance do 1-1, terminado com um cruzamento que Edu Machado desviou para o fundo das redes. Velocidade e capacidade de drible para dar e vender poderiam ser compensadas com maior frieza na hora de alvejar a baliza e critério nos cruzamentos. Mas o certo é que, por motivos que só João Pinheiro e o VAR podem explicar, foi-lhe concedida a grande penalidade fora do tempo regulamentar que permitiu ao Sporting conquistar três pontos merecidos.

 

Acuña (3,5)

Edu Machado roubou-lhe o “golo de m...” com que se aprestava a empatar o jogo, aparecendo à ponta de lança na pequena área. Seria um prémio adequado para o argentino, desta vez posicionado como extremo-esquerdo, mais uma vez um oásis de engenho e empenho entre a rapaziada ouçam lá o que eu vos digo. Não só urdiu inúmeras jogadas na esquerda, mesmo depois de recuar para lateral, na sequência da saída de Borja, como demonstrou várias vezes que é quase impossível tirar-lhe a posse de bola sem recurso a falta. E nesses casos provou que mudou o “chip”, sofrendo múltiplos atentados à sua integridade física sem responder na mesma letra aos perpetradores ou invectivar o árbitro que a tudo dizia “siga”.

 

Luiz Phellype (1,5)

O festival começou bem cedo, com um desvio de cabeça destrambelhado que só é menos responsável pelo golo do Boavista do que o seu posicionamento ainda mais destrambelhado no interior da pequena área, permitindo que o autor do tento ficasse em posição legal. Pior do que isso só mesmo a prestação ofensiva do substituto de Bas Dost, oscilando entre o alheamento e o escandaloso. Assim foi o cabeceamento ao poste, a dois metros da baliza e com Bracalli batido, acorrendo ao desvio de Raphinha. Na segunda parte esteve mais discreto, sendo sobretudo autor de faltas atacantes que só João Pinheiro conseguiu percepcionar, recorrendo ao mesmo sexto sentido que lhe permitiu marcar aquela grande penalidade. Se Luiz Phellype não consegue fazer melhor do que isto quando substitui Bas Dost será melhor o Sporting começar a entrar em campo com dez jogadores.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para acelerar o meio-campo e só não cumpriu melhor o objectivo porque Diaby se recusou terminantemente a combinar com ele. Na sexta-feira receberá a titularidade, a não ser que Keizer leve a sua predilecção por Gudelj ao extremo e prefira perder na secretaria a prescindir do seu fetiche balcânico.

 

Diaby (1,5)

Conseguiu ser tão trapalhão em 15 minutos quanto Luiz Phellype no jogo inteiro. Mas ainda poderia ser sido o herói do jogo num universo em que a sua execução não fosse lenta o suficiente para que dois - atente-se no detalhe de ter sido mais do que um - adversários desviassem para canto uma oportunidade de golo.

 

Marcel Keizer (2,5)

Fez um “mind game” a si próprio, convocando quatro centrais sem aparente intenção de adoptar o sistema de três centrais. Cometida a surpresa do 4-3-3, desfeita pela desvantagem logo aos três minutos, tendo apenas um português no onze inicial e nenhum da formação que supostamente chegou para estimular, o holandês observou placidamente como os seus jogadores ganharam natural ascendente e desperdiçaram uma quantidade de oportunidades que também começa a ser natural. Deixando as substituições para o último quarto de hora, apesar de Gudelj e Wendel parecerem substituíveis desde o início do jogo, Keizer recebeu o brinde de uma grande penalidade para lá de questionável, mantendo-se a três pontos do terceiro lugar e ampliando para dez a vantagem para o quinto. Quase desfez a mancha de não ter nenhum “made in Alcochete” em campo, mas João Pinheiro apitou para os balneários antes de Jovane Cabral poder tirar proveito do meio minuto que lhe estava reservado.

Armas e viscondes assinalados: “This shit is a joke” (tirando o resultado e os primeiros 15 minutos)

Sporting 3 - Portimonense 1

Liga NOS - 24.ª Jornada

3 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Reencontrou o adversário que lhe permitiu conquistar a titularidade, naquela terrível algarvia em que a cabeça de Salin embateu no poste e as bolas rematadas pelos adversários tendiam a embater no fundo das redes. Voltou a ter muito trabalho na primeira parte, apesar de o Portimonense já não contar com Nakajima, Manafá e (nesse caso por castigo) Jackson Martínez. Depois de um primeiro quarto de hora inicial magnífico, que deixou o Sporting a vencer por 2-0, coube ao brasileiro salvar a equipa de si mesma. Chegando a fazer duas grandes defesas na mesma jogada, só nada conseguiu fazer no lance do golo da equipa visitante, merecendo a sorte de ver a barra devolver a bola ao relvado do lado certo da linha de golo e a relativa acalmia ao longo da segunda parte.

 

Ristovski (2,5)

Aquele cruzamento que deu origem ao pénalti sobre Bruno Fernandes foi a melhor forma de terminar uma exibição pouco conseguida do macedónio, incapaz de fazer a diferença no ataque (para o que contribuiu a costumeira violência dos adversários, sob o contemplativo beneplácito do árbitro João Capela) e muitas vezes ultrapassado nas missões defensivas.

 

Tiago Ilori (2,0)

Mais do que aquilo que não conseguiu fazer no lance do golo do Portimonense, o que mais sobressai da exibição do ”made in Alcochete” é a quantidade de bolas que passou directamente para os pés dos avançados algarvios. Nenhum desses lances teve consequências gravosas, mas o filho pródigo tarda em justificar o regresso.

 

Mathieu (3,0)

Voltou em boa hora, recuperado de mais uma lesão, e substituiu o ausente Coates enquanto patrão da defesa leonina. Ao longo da sufocante primeira parte fez cortes preciosos e deu literalmente o corpo à bola para evitar um golo, embora não tenha sido imune ao disparate, permitindo um contra-ataque perigoso ao hesitar se deveria ser ele ou Acuña a afastar uma bola. Na segunda parte fez por acalmar a equipa e ainda se integrou no ataque, sendo avistado a fazer cruzamentos junto à bandeirola de canto, o que contrasta com a aparência física de quem já atingiu a idade da “retraite”.

 

Acuña (3,5)

Partes houve deste jogo em que muitos dos vinte e poucos mil que estavam nas bancadas de Alvalade se ofereceriam de bom grado como testemunhas do argentino se ele quisesse processar os colegas pela disparidade de empenho demonstrado. Relegado a lateral-esquerdo com o regresso do 4-3-3, trabalhou muito e bem no corredor, revelando-se um muro intransponível para os adversários e um artífice capaz de aproveitar meio metro quadrado de relvado para ganhar o espaço de que necessita para fazer cruzamentos como aquele Bruno Fernandes desperdiçou, adiando o sossego do Sporting até ao final do tempo regulamentar.

 

Gudelj (2,0)

Está ligado ao lance do golo do Portimonense, tanto pela perda de bola (que recebeu “à queima” e quis controlar, em vez de chutar com o pé que tinha mais à mão) como pelo mau posicionamento. E também voltou a emperrar a fase de construção do futebol leonino, sobrecarregando Wendel e Bruno Fernandes com uma ineficácia novamente premiada por Marcel Keizer com a permanência em campo até ao apito final.

 

Wendel (3,0)

Muito lutou o jovem brasileiro, incansável acelerador do meio-campo do Sporting, mas o maior impacto que teve na ficha de jogo foi o cartão amarelo mostrado por João Cajuda, numa dualidade montypythoniana de critério que nada fez por sossegar a equipa da casa. Saiu na segunda parte, exausto e claramente necessitado de descanso. 

 

Bruno Fernandes (3,5)

Fez duas assistências para golo, marcou o pénalti que fez o resultado final, punindo falta cometida sobre ele próprio, e ultrapassou António Oliveira como o meio-campista do Sporting que mais golos marcou numa só época. Será, por tudo isto, muito injusto escrever que não esteve na sua noite mais inspirada? Retraído em algumas fases do jogo, falhou um golo feito com um cabeceamento desastroso e nem tentou marcar de livre directo. Mas também é verdade que, além das assistências e do pénalti, pertenceu-lhe a melhor jogada do Sporting na segunda parte, defendida “in extremis”, pelo que o estatuto de “ele e mais dez” está cada vez mais consolidado.

 

Raphinha (3,0)

Começou muitíssimo bem e quando fez aquele imparável remate para o 2-0, tirando doce fruto de um passe extraordinário de Bruno Fernandes, já tinha ficado perto de inaugurar o marcador numa jogada semelhante. Ainda assistiu Bas Dost, que reencaminhou a assistência para Diaby, mas depois começou a perder protagonismo e desapareceu do jogo bem antes do embate que forçou a sua substituição.

 

Diaby (2,5)

Inaugurou o marcador com um excelente golo de cabeça que só o maliano poderá confirmar se nasceu de um cabeceamento deficiente. Certo é que esgotou nessa jogada o seu engenho e sorte, mostrando-se igualmente incapaz de tirar partido da velocidade para causar problemas aos adversários. Para a história da sua passagem por Alvalade fica o lance em que a simulação de Bas Dost o deixou com a bola controlada, dentro da grande área, mas conseguiu demorar tanto a decidir que permitiu o desvio num defesa. Menos escandalosa, mas ainda assim sintomática, foi a oportunidade desperdiçada na segunda parte, cabeceando mal e porcamente (e desta vez sem sorte) uma bola oferecida por Acuña.

 

Bas Dost (2,0)

Mesmo antes do intervalo isolou-se, a passe de Bruno Fernandes, e viu-se cara a cara com o guarda-redes. E o que fez o avançado holandês? Um passe curto para o lado, onde a olho nu ninguém se discernia, talvez destinado a fazer uma abnegada assistência para o golo que esperava ver concretizado pelo fantasma de Peyroteo. Ainda ficou em campo um quarto de hora na segunda parte, cada vez mais afastado das ocorrências, até que o compatriota decidiu poupá-lo a mais 30 minutos de demonstração de irrelevância. Na primeira parte fez uma única coisa certa, numa simulação destinada a permitir que Diaby fizesse o 3-1, o que teria sucedido em condições normais, e muitas tremendamente erradas. Um cabeceamento mais apropriado ao râguebi e a incapacidade de esticar a cabeça para um cruzamento de Raphinha foram as provas de vida. Má vida, neste caso.

 

Luiz Phellype (1,5)

Teve meia hora para demonstrar que é capaz de ser ainda mais irrelevante do que o actual Bas Dost. Membro do clube dos amarelados por Capela, deixou novamente a impressão de que se trata de um Castaignos lusófono com um passe mais barato e que recebe menos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Muito mais mexido do que Gudelj, tirou o meio-campo do Sporting do ponto morto. Caso estivesse inspirado no passe poderia ter deixado marca.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Entrou para os seis minutos de tempo de compensação, o que bastou para ser amarelado e fazer um ou dois toques do tipo de classe que merecia ser vista antes do minuto 90.

 

Marcel Keizer (2,5)

Ele próprio admite que o Sporting esteve mal a partir dos 15 minutos de jogo, faltando-lhe confessar que também a segunda parte não foi flor que se cheire. Expulso no jogo anterior devido ao desabafo “this shit is a joke”, levou a que os escassos adeptos que aceitaram deslocar-se a Alvalade saíssem a pensar o mesmo. Com o Sporting de Braga a três pontos, e um calendário razoavelmente simpático até à última jornada, urge que deixe de confiar tanto no génio de Bruno Fernandes e na raça de Acuña, melhorando os processos defensivos e encontrando solução (ou, vá lá, remendo) para o fraquíssimo desempenho dos recorrentes titulares nas posições 6 e 9. Curiosos números esses, como diria Mota Amaral...

Grande prémio em Monza

A acreditar no “live score” do site Bet365 o voleibol do Sporting acaba de vencer a grande equipa do Monza por 2-3, após ter estado a perder por 2-0. Agora há que confirmar este grande momento no Pavilhão João Rocha.

 

O mais notável é que, após um primeiro set renhido, o Sporting apanhou uma tareia tremenda no segundo set e foi a partir daí que ganhou força para a reviravolta. 

 

Eis como tudo se passou.

Armas e viscondes assinalados: Do Atlântico não veio mais do que uma mísera pérola de plástico

Marítimo 0 - Sporting 0

Liga NOS - 23.ª Jornada

25 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Tão raras vezes foi chamado a intervir que conseguiu não sofrer nenhum golo. Coube-lhe fazer uma defesa incompleta no único lance de verdadeiro perigo que o Marítimo conseguiu construir e observou atentamente enquanto ninguém aparecia para empurrar a bola para dentro da baliza. Tal como controlou a saída da bola ao lado do poste num livre directo e agarrou algo semelhante a um remate de fora da área e que também poderia ter sido defendido por Roosevelt em 1943.

 

Ristovski (3,0)

É o elemento da linha defensiva leonina que mais beneficia com a opção pelos três centrais, mas a inconstância táctica demonstrada por Marcel Keizer na Madeira não impediu o macedónio de dar tudo por tudo, combinando bastante bem com Raphinha na segunda parte. Quase tão bem quanto as chuteiras dos adversários combinaram com as suas pernas.

 

Coates (2,0)

Era um dos muitos sportinguistas à mercê dos cartões amarelos de Tiago Martins e é de elementar justiça reconhecer o quanto fez por merecer a suspensão que o afastará (pelo menos) do próximo jogo em Alvalade. Já tinha permitido o lance de maior perigo do Marítimo quando fez uma falta mesmo à entrada da grande área sobre outro adversário que se preparava para o ultrapassar. Viu um primeiro cartão que poderia muito bem ser de outra cor, recebendo o segundo já em tempo de descontos, quando já tinha recebido a frequente equivalência de ponta de lança, ao empurrar o guarda-redes adversário, grande responsável por a excursão à pérola do Atlântico não render mais do que um mísero ponto. Seria impossível um desfecho mais apropriado para um jogo do uruguaio em que as incursões pelo meio-campo contrário nem a ele o convenceram e em que um defesa desviou o remate em zona frontal que poderia tê-lo transformado em herói da noite.

 

Tiago Ilori (3,0)

Pese embora a tradicional dificuldade em acertar nos passes, e alguns alívios mal calibrados, o único representante da Academia de Alcochete no onze (e no 14) teve um desempenho mais positivo do que tem sido habitual. Calha bem, pois no próximo jogo não haverá Coates mesmo que haja Mathieu.

 

Borja (2,5)

Viu um amarelo por alegada simulação ao cair na grande área contrária e já não regressou após o intervalo. Até então lograra surpreender os adversários graças às suas trocas de posição no corredor esquerdo com Acuña.

 

Acuña (3,0)

Classe é o seu nome do meio, sobretudo quando não perde demasiado tempo a gritar com os enviados pelo Conselho de Arbitragem. Nem o facto de ter jogado mais recuado ainda antes da saída de Borja obstou a que fizesse um passe de morte para Bas Dost logo no início do jogo e a que realizasse variados toques de elevadíssima nota artística junto à linha.

 

Gudelj (2,0)

Nem sequer entrou mal no jogo, mas à medida que a primeira parte avançava foi perdendo concentração e posicionamento. O cúmulo foi o lance em que se atirou literalmente para as costas de um adversário, vendo o cartão amarelo, numa falta grosseira ao ponto de não poder ser ignorada pelo árbitro mesmo que o sérvio envergasse uma camisola encarnada em pleno Estádio da Luz. Também saiu ao intervalo, pelo que pode dizer que o resto da ocorrência não foi culpa sua.

 

Wendel (2,5)

Passou os últimos minutos no banco de suplentes, notoriamente nervoso com a falta do golo que permitiria encurtar a desvantagem em relação ao Sporting de Braga para apenas um ponto. Pena é que nos quase 80 minutos anteriores pouco tenha conseguido fazer para garantir melhor destino à equipa. Muito cansado pela sucessão de jogos, raramente ou nunca conseguiu desequilibrar.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Quando avançou para a cobrança de um livre directo em posição frontal todos os sportinguistas deram por certo o festejo de mais um golo. Mas a bola saiu ligeiramente ao lado, tal como o desvio ao ver-se isolado frente ao guarda-redes dentro da grande área saiu-lhe ligeiramente baixo. Foi o autor do primeiro lance de perigo, num potente remate de longe que foi ligeiramente à figura de Charles e fez um cruzamento perfeito para a cabeça de Raphinha que só não levou a festejos leoninos porque o guarda-redes brasileiro resolveu ser um enorme desmancha-prazeres. Mas ter sido o melhor que o Sporting teve para oferecer ao longo dos noventa e poucos minutos (é compreensível que Tiago Martins não tenha compensado o tempo perdido por Charles, assistido diversas vezes ao longo do jogo, pois havia outro jogo logo a seguir e podia ser que houvesse BTV no balneário dos árbitros) não esconde o facto de ter acumulado uma quantidade insólita de passes falhados e perdas de bola.

 

Diaby (2,5)

Se o Sporting fosse uma jangada lá estaria o maliano a remar vigorosamente para tentar levar o resto dos náufragos a um ponto qualquer do oceano. Voltou a pegar na bola, desta vez com melhor critério do que noutras ocasiões, e fez por servir os colegas. Também tentou visar a baliza defendida por Charles, obtendo os mesmos resultados que todos os colegas.

 

Bas Dost (2,0)

Estava o jogo a acabar quando houve um lance em que Charles deixou cair a bola no relvado mesmo à sua frente, mas sem que disso adviesse qualquer perigo, pois o holandês fechou literalmente os olhos com a frustração de mais um jogada mal resolvida. Um bom exemplo daquilo que foi mais um jogo desinspirado do holandês, incapaz de emendar um excelente passe de Acuña, incapaz de rematar ao receber um excelente passe de Bruno Fernandes - preferiu passar a bola a Diaby, que estava em pior posição - e incapaz de fazer uma assistência de calcanhar em condições no lance que acabaria por culminar num remate de Coates. Uma parte nada ligeira da crise leonina - que tem agora o Braga a três pontos, mas já vê o Mo-rei-ren-se a apenas quatro - está directamente relacionada com o fraco desempenho do avançado que não foi para a liga norte-americana.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Supera Gudelj em velocidade, posse de bola, visão de jogo, eficácia de passe é tudo aquilo que não implique remates disparatados. Entrou ao intervalo, com aproximadamente 45 minutos de atraso.

 

Raphinha (3,0)

Chegou na segunda parte para mudar o mundo leonino e dinamizou a ala direita com velocidade e dribles que perturbaram os adversários - Ruben Ferreira agarrou-lhe o pé mesmo à entrada da área após levar um nó cego –, mas faltou-lhe alguma sorte no lance em que desviou de cabeça um cruzamento de ouro de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (1,5)

Talvez seja uma boa altura para, no melhor registo “muro das lamentações“, recordar que se a última visita do Sporting ao Marítimo não tivesse resultado no ataque a Alcochete talvez fosse Rafael Leão a saltar do banco de suplentes.

 

Marcel Keizer (2,5)

Pareceu hesitar entre sistemas tácticos, mas a falta de resultados práticos na primeira parte levou-o a repensar tudo após o intervalo. Tendo mérito ao retirar do relvado os dois jogadores que já tinham sido amarelados por Tiago Martins, o que demonstra que Keizer já percebe umas coisas acerca do funcionamento do futebol nacional, assistiu com fleumática impotência ao desacerto dos seus jogadores, cedendo ao vício de pensamento de lançar Luiz Phellype em vez de refrescar o meio-campo com Francisco Geraldes para descansar o esgotado Wendel. Ainda viu o seu terceiro ponta de lança Coates receber ordem de expulsão no final do jogo, seguindo-lhe o exemplo. Mas sendo Portugal três sílabas apenas, o mais provável é que no domingo esteja firme e hirto no banco, talvez com o Moreirense (que joga na véspera) a apenas um ponto de distância.

Quando as redes sociais estão rotas

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O Twitter do Sporting anunciou a derrota dos iniciados em Portimão, desmoralizando ainda mais os adeptos leoninos que sabiam do empate dos juniores em Tondela. Até porque, sem o potencial dos juvenis, aos iniciados ninguém pode apontar vinte pontos de desvantagem em relação ao rival mais directo.

Só que... alguns sportinguistas mais interessados em descobrir a verdade foram à procura dos sites da FPF, do Zero Zero e até do Portimonense. E não é que todos indicavam uma vitória do Sporting por 2-1?

 

Horas mais tarde lá foi corrigido o “lapso”, mas o descalabro nas redes sociais do Sporting desde que mudou a gerência chegou a um patamar que não pode não ter consequências,

 

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que ganha expulsa-se o Jefferson

Villarreal 1 - Sporting 1

Liga Europa - 16 avos de final - 2.ª mão

21 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,5)

Entrou no relvado com vontade de ser herói e não andou longe de cumprir esse objectivo. Ainda mal o jogo começara e já estava a defender um remate perigoso, levando a missão tão a sério que ainda bloqueou o primeiro de dois remates de um adversário que estava um par de metros fora de jogo. Sendo essa primeira desfeita às suas redes anulada, o guarda-redes francês pôde celebrar o golo de Bruno Fernandes que igualou a eliminatória, regressando para uma segunda parte ainda mais atarefada devido à expulsão de Jefferson. Coube-lhe adiar o golo do Villarreal com toda a sua atenção e reflexos, e mesmo depois de se cumprir o fado leonino não desistiu de demonstrar valor, adivinhando para onde iria a bola num lance em que, com a defesa do Sporting desbaratada, outro adversário apareceu solto na grande área.

 

Tiago Ilori (2,5)

Diversos passes errados e maus posicionamentos, nomeadamente na compensação às subidas de Ristovski, impediram que o 3-4-1-2 surtisse em Espanha o mesmo efeito que paralisou o Sporting de Braga em Alvalade. Se o filho pródigo de Alcochete ainda chegará a justificar a recontratação é uma das poucas incógnitas que restam até ao final desta temporada.

 

Coates (3,5)

Patrão da linha defensiva do Sporting, seja qual for o número de futebolistas que a constituem, o uruguaio utilizou a presença física e mestria táctica para antecipar o que a equipa do Villarreal pretendia fazer. Pela terra e pelo ar voltou a demonstrar que se “mais um corte de Coates” fosse a frase destinada a accionar assassinos adormecidos, ao estilo do filme “The Manchurian Candidate”, já ninguém restaria vivo. Merecia como poucos que, contra todas as hipóteses, o Sporting tivesse podido continuar na Liga Europa.

 

Borja (3,0)

O lateral colombiano voltou a ser o central descaído para a esquerda e não foi por ele que a táctica de Marcel Keizer não surtiu o efeito desejado, pese embora uma ou outra distração sem consequências. Mal o jogo tinha arrancado e já estava a fazer um corte providencial, pelo que acaba por ser uma pena que a expulsão de Jefferson o tenha devolvido ao habitat natural.

 

Ristovski (2,5)

Tentou tirar proveito da velocidade para formar uma ala direita supersónica com Diaby, embora o entendimento com o colega tenha limitado o sucesso da empreitada. Na defesa sentiu-se grandes dificuldades na primeira parte, parecendo contaminado com o vírus Ilori, e na segunda parte, pese embora o esforço que fez até ser substituído, na hora do tudo ou nada, fica marcado ao golo que atirou o Sporting para fora da Europa.

 

Gudelj (3,0)

Rodeado de adversários tão duros e caceteiros que poderiam perfeitamente obter a nacionalidade sérvia, lutou melhor do que é habitual para manter o perigo distante da sua baliza, compensando as recorrentes arrancadas de Wendel. 

 

Wendel (3,0)

É uma pena que se tenha enrolado na grande área do Villarreal, desperdiçando um passe magnífico de Bruno Fernandes, pois a sua actuação no resto do jogo fica marcada por uma força de querer que vai rareando em Alvalade. Procurou sempre fazer slalons por entre os adversários, mesmo sabendo que o interesse dos espanhóis em descobrir tudo acerca das articulações do seu joelho tinha entusiástico apoio do árbitro, e mais uma vez acelerou jogadas que, sem a sua presença, corriam o risco de ficarem para mais tarde.

 

Jefferson (2,0)

Foi a única verdadeira novidade em relação ao onze que desbaratou o Sporting de Braga - Salin tomou o lugar de Renan, mas já tinha sido titular no jogo da primeira mão -, substituindo o castigado Acuña. Também o brasileiro foi expulso por acumulação de amarelos, logo aos 50 minutos, mas dificilmente pode ser responsabilizado pelo segundo amarelo justificado por ter pisado um adversário que fez um corte em carrinho quando o sportinguista se preparava para flectir para a grande área. Nem quis acreditar no que lhe estava a suceder, e por instantes pareceu que Jefferson iria demonstrar ao árbitro as consequências que a ejecção do Sporting teria para a sua integridade fisionómica. Acabou por ser afastado pelos colegas, a bem do “fair play” e da repetição de mais decisões deste género na época de 2019/2020. Quanto à sua actuação até este momento de viragem, quando a eliminatória ainda estava empatada, cabe dizer que nunca conseguiu fazer um cruzamento capaz de justificar a sua titularidade, vendo um cartão amarelo na primeira parte por motivos que só a consciência do enviado checo a Villarreal poderá explicar.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Dizer que os jogadores do Villarreal estavam avisados é pouco. Vigiado de perto por um ou dois adversários em permanência, teve o azar de ver a bola embater em Wendel no primeiro remate de longe que conseguiu fazer. Já estava tudo à espera do intervalo quando aproveitou um mau controlo de bola do central Funes Mori, e correu com níveis de adrenalina ao máximo desde a linha de meio campo à entrada da grande área contrária, fuzilando as redes com o 0-1 que deixavam tudo empatado. Não conseguiu repetir o golo na segunda parte, mas além de demonstrar uma solidariedade a toda a prova nas acções defensivas ainda fez um passe de morte para Wendel e, mesmo no final do tempo de compensação, um cruzamento perfeito para o segundo poste a que Bas Dost não deu valor acrescentado, impedindo o Sporting de, contra tudo, contra todos e contra si próprio, permanecer nas competições europeias. A maior das tragédias neste final de temporada é a firme convicção de que estamos a assistir aos últimos jogos de um dos melhores médios de sempre com o leão ao peito.

 

Diaby (3,0)

Todas as esperanças do Sporting recaíam na velocidade do maliano e este fez por retribuir a confiança depositada, irrompendo pelo meio-campo adversário em contra-ataques condenados à nulidade pela falta de rapidez de Bas Dost, pelo mau entendimento com Ristovski e pela ausência de Raphinha ou Jovane do lado esquerdo. Muito tentou, desafiando o ímpeto sarrafeiro do Villarreal, mas não era a sua tarde. Quando cedeu o lugar a Raphinha estava tão cansado como se costuma estar num dia de trabalho intenso que não teve bons resultados.

 

Bas Dost (2,0)

Quis o destino que a sua melhor acção em todo o jogo - o passe de calcanhar com que procurou isolar Jefferson no caminho para a grande área do Villarreal - tenha culminado na expulsão do colega. Incapaz de se entender com os sprints de Diaby e desprovido de cruzamentos de Jefferson e Ristovski, o holandês não raras vezes paralisou contra-ataques promissores e voltou a demonstrar que não se encontra em grande forma para tudo o que não envolva marcar pénaltis. Podendo ser o herói do jogo, assinando o golo da vitória tardia que qualificaria o Sporting para os oitavos de final da Liga Europa, preferiu rematar acima da baliza, com a canela, para alívio do guarda-redes do Villarreal.

 

Raphinha (2,5)

Entrou para agitar a ala direita e conseguiu fazê-lo, mesmo que à custa de um total balanceamento para o ataque que poderia ter resultado num segundo golo do Villarreal.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nada de novo, tirando a capacidade de confundir ligeiramente os centrais do Villarreal, o que deu alguma liberdade ao titular do ataque leonino. Talvez numa próxima ocasião. Ou talvez não.

 

Marcel Keizer (3,0)

Repetiu o 3-4-1-2 e, mesmo sem conseguir surpreender o adversário numa escala de zero a Abel, não se deu totalmente mal com a aposta, ainda que a velocidade de Wendel e Diaby não chegasse para tudo. Vendo-se com a eliminatória empatada meteu três suplentes a aquecer na segunda parte, talvez para confundir o colega de profissão ou talvez por achar que estava muito fresquinho, mas a decisão tão previsível quanto inacreditável de expulsar Jefferson alterou-lhe os planos. Forçado a apostar no 4-4-1, terá acreditado que Salin, Coates & Cia chegariam para as encomendas, arriscando a entrada de Luiz Phellype após o golo do Villarreal. Mais uma vez deixou uma substituição por fazer, o que talvez conste de um manual de motivação de recursos humanos ainda não traduzido do neerlandês.

Armas e viscondes assinalados: Uma surpresa que já tardava em chegar

Sporting 3 - Sp. Braga 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

17 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Conseguiu terminar um jogo sem sofrer golos, feito assinalável mesmo tendo em conta que os avançados bracarenses pouco ou nada fizeram ao longo de mais de 90 minutos, ficando de tal forma encadeados pela surpresa táctica de Marcel Keizer que pareciam estar a fazer um remake da goleada sofrida na última deslocação à capital. De tal forma assim foi que o guarda-redes brasileiro teve de inventar um momento de suspense, ao fintar um adversário na grande área, e fez a sua melhor defesa ao sair em voo para afastar um cruzamento quando o árbitro assistente já tinha assinalado fora de jogo.

 

Tiago Ilori (3,0)

Coube-lhe ser o central descaído para o flanco direito e cumpriu a missão com brio e sem excessivas dificuldades. A única excepção foi um alívio disparado contra um adversário que levou a bola a encaminhar-se para a sua grande área, felizmente a tempo de o problema ser resolvido pelo senhor do costume.

 

Coates (3,5)

Ministro da Defesa que se preze rende em qualquer sistema. E assim foi: o central uruguaio controlou todas as movimentações terrestres e aéreas, garantiu que nenhuma incursão pelo seu território surtiria efeito e chegou ao final do jogo com a rara recompensa de não ter sofrido qualquer golo. Algo que compensa perfeitamente que tenha estado menos afoito a integrar-se no ataque, ao ponto de nem sequer subir para a maioria dos lances de bola parada.

 

Borja (3,0)

Contratado para acautelar a saída de Acuña, eis que o lateral colombiano deu por si a tomar o lugar do indisponível Mathieu. Facto é que não comprometeu enquanto central descaído para a esquerda, combinando bastante bem com Acuña na hora de lançar contra-ataques.

 

 

Ristovski (3,5)

Grande beneficiário da nova táctica, o macedónio serviu-se da velocidade e rapidez de execução para fazer muitos estragos à ala esquerda dos visitantes. Tanto assim é que na primeira parte foi o principal fornecedor de Bas Dost, oferecendo-lhe aquele que deveria ter sido o primeiro golo do jogo. Depois do intervalo foi menos solicitado pelos colegas, destacando-se sobretudo nas missões defensivas.

 

Gudelj (2,5)

Começa a parecer que nenhum sistema de jogo se consegue adequar ao trinco que não é trinco sérvio. A companhia mais esclarecida de Wendel disfarçou os seus inconseguimentos na posse e distribuição de bola, tal como o poderio físico deu jeito perante adversários tão dados ao “full contact”, mas passa por ser o maior equívoco dos onze titulares do Sporting.

 

Wendel (3,5)

Foi o médio de transição por excelência, acelerando o jogo leonino de uma forma que há muito não se via. Pagou essa ousadia com inúmeras pancadas nas pernas, raramente punidas pelo árbitro Jorge Sousa, conivente com a experiência científica conduzida pelos visitantes em que procuravam apurar se os joelhos do médio brasileiro são capazes de dobrar ao contrário. Quando finalmente teve direito a descanso já estava o resultado feito e pela frente aparece o desafio de virar a eliminatória da Liga Europa em Espanha.

 

Acuña (3,0)

Já foi lateral, já foi extremo, já foi médio de transição e agora tornou-se qualquer coisa como um híbrido de interior e extremo-esquerdo. Serviu-se da sua técnica e domínio de bola para dar dores de cabeça à defesa contrária, mas o mais impressionante foi o modo calmo (ao ponto de parecer induzido por medicamentos) com que lidou com as decisões do árbitro e a cobertura dos adversários.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tão grande é o seu grau de confiança que perto do final do jogo tentou repetir o golo com que gelou o Estádio da Luz, esquecendo-se de que Tiago Sá é bastante mais promissor do que Svilar. Teria sido magnífico bisar, algo que já tentara minutos antes, com um remate de longa distância que saiu pouco ao lado do poste, mas a missão do capitão cada vez menos interino do Sporting estava cumprida. Aproximado da baliza adversária pelo novo sistema, Bruno Fernandes inaugurou o marcador logo na primeira parte, com outro livre directo bem cobrado ao ponto de até meter impressão. E, fruto das combinações com Ristovski e Diaby na direita, ainda serviu Bas Dost no lance do 3-0.

 

Diaby (3,5)

Assentou-lhe como uma luva o papel de segundo avançado que tira partido da velocidade. Várias tentativas na primeira parte serviram de aquecimento para a jogada iniciada junto à linha de meio-campo em que suportou faltas de quatro adversários até ser derrubado na grande área do Sporting de Braga.

 

Bas Dost (3,5)

Ficou a dever a si próprio um hat trick que lhe devolveria a liderança isolada da lista de goleadores da Liga NOS, pois desperdiçou um passe para concretização de Ristovski e chegou atrasado a um bom cruzamento do macedónio. Nada disso apaga a forma gelidamente calma como marcou o pénalti e o posicionamento perfeito para desviar o cruzamento de Bruno Fernandes e fazer o 3-0. Teve direito a uns minutos de descanso e espera-se que na quinta-feira esteja cheio de força.

 

Luiz Phellype (2,0)

Ainda não foi nesta noite que justificou a contratação, preocupando-se mais com o contacto físico do que a bola.

 

Raphinha (2,0)

Mais um jogo pouco conseguido do extremo brasileiro, pouco eficaz no papel de avançado solto que interpretou durante um quarto de hora.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou para que o departamento médico pudesse soldar as fissuras nas pernas de Wendel, o que não o impediu de ser o único suplente lançado por Marcel Keizer a deixar boa impressão, tanto nas missões defensivas como no lançamento de contra-ataques.

 

 

Marcel Keizer (4,0)

Única reclamação: não poderia ter antecipado a surpresa há alguns jogos, poupando-se a queda no abismo que levou decerto muitos dos 27 mil que se deslocaram ao Estádio de Alvalade a não saírem de casa sem levar um lenço branco? Certo é que o 3-4-1-2 cumpriu a missão de manietar o Braga e os destaques individuais encaminharam os leões para uma vitória contundente que no início da tarde de domingo ninguém adivinharia.

Armas e viscondes assinalados: Submarino afundou o Sporting logo ao primeiro torpedo

Sporting 0 - Villarreal 1

Liga Europa - 16 avos de final

14 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,0)

Há dias em que um guarda-redes não devia sair do banco de suplentes, terá pensado o francês ao ir buscar a bola dentro da baliza logo no início do jogo. No resto do tempo teve escassas ocasiões para ser bom, desviando para canto um remate com selo de golo, ou mau, saindo-se de forma tão despassarada a um cruzamento que a eliminatória poderia ter ficado logo resolvida. Já nos últimos minutos de compensações salvou o Sporting do segundo golo ao correr para fora da grande área ainda a tempo de controlar com o peito uma bola perigosa.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Nada estava a fazer de particularmente bom ou de tragicamente mau quando uma tentativa de desmarcação terminou consigo agarrado à perna. Espera-se que o infortúnio pessoal do lateral-direito, provavelmente afastado dos relvados por umas semanas sem necessidade de adeptos mais exasperados recorrerem a uma acção judicial com esse fim, contribua para fixar Thierry Correia no plantel principal.

 

Coates (3,5)

Parcialmente culpado pelo golo do Villarreal, pois amorteceu com o peito a bola anteriormente desviada por André Pinto para a entrada da grande área leonina, o central uruguaio passou o resto da noite qual protagonista de romance épico que tudo faz para se redimir de uma falha. Mais alguns cortes providenciais se juntam à galeria de obras valorosas, mas o mais impressionante foi o modo como se integrou no ataque, demonstrando uma crença capaz de comover mesmo quem tenha pêlos no coração. Aquela jogada individual aos 58 minutos, em que avança no seu estilo determinado-desengonçado, enfrenta quatro adversários e faz um cruzamento-remate que provocou calafrios ao guarda-redes do Villarreal, merecia por si só uma estátua equestre à entrada do estádio.

 

André Pinto (2,5)

Sejamos francos: tirando o segundo degrau que ocupa no pódio das culpas no golo espanhol, não cometeu erros gravosos e esteve bastante atento às movimentações dos avançados adversários. Faria Tiago Ilori melhor?

 

Acuña (2,0)

Aos três minutos já deixara escapar o extremo do Villarreal que cruzou para o 0-1 e aos seis minutos já tinha visto o cartão amarelo por protestar a gritante dualidade de critérios do árbitro francês com que a UEFA assolou Alvalade da mesma forma que uma divindade sacana poderia ter lançado uma praga de gafanhotos sobre Dresden em 1945. Tão impressionantes credenciais não impediram o argentino de lutar tanto quanto sempre luta e de tirar proveito da técnica que é sua, mas a pouca inspiração de Jovane e de Raphinha prejudicou as suas incursões. Borrou ainda mais a pintura ao deixar a equipa com dez nos últimos 20 minutos, recebendo o vermelho por acumulação devido a uma “entrada impetuosa” que valeria um cartão alaranjado.

 

Petrovic (2,0)

Demonstrou que Gudelj não precisa de ser titular para o Sporting circular a bola mal e porcamente. Além de um provável recorde de passes para as linhas laterais, pouco fez para que as bancadas esquecessem que não teria sido má ideia incluir Idrissa Doumbia na lista de jogadores da Liga Europa e foi substituído sem deixar obra ou saudades. Apesar de ser difícil não reparar que um cavalheiro de elevada estatura deambulou pelo relvado, nem que seja pela máscara que lhe protege o nariz e pelo cabeceamento desastrado que, ainda assim, foi do menos distante da baliza adversária que o Sporting conseguiu na primeira parte.

 

Miguel Luís (2,5)

Voltou a ser titular, após uma longa travessia do keizererto, procurando ser o médio de transição que desse liberdade a Bruno Fernandes. Não brilhou, fosse por falta de ritmo ou de inspiração, ficando a noite aziaga de Alvalade como mera prova de vida.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Nenhuma imagem traduz de forma tão verdadeira o actual estado do futebol leonino quanto a tragédia estampada no rosto do capitão do Sporting, ainda assim sempre disposto a avançar contra moinhos de vento. Menos inspirado do que em alguns jogos em que conseguiu rebocar a equipa para o triunfo, não parou por um instante de combater o desconsolo que cansou de conhecer. Foi seu o primeiro remate, com pouca força e pouca pontaria, tal como mostrou qualidades de velocista ao percorrer todo o campo para evitar que o artífice do primeiro golo aproveitasse o adiantamento de Acuña para repetir a desgraça. Ainda ficou a centímetros de amealhar uma assistência para golo, mas nem os postes querem nada com o Sporting.

 

Raphinha (3,0)

A prova acabada de que poderia ter saltado do banco a meio da segunda parte foram os seus primeiros 45 minutos, grande parte dos quais passados caído na relva, reclamando com a cegueira do francês do apito. Infeliz nas iniciativas individuais e quase sempre descoordenado com os colegas, acordou para a vida após o intervalo. Não só desviou um canto de Bruno Fernandes para o poste, antecipando-se à defesa espanhola, como fez um momento de magia junto à linha de fundo que lhe permitiu servir Bas Dost para o que, infelizmente, ficou como a defesa da noite. Forçado a recuar no terreno após a expulsão de Acuña, é uma das raras esperanças para a segunda mão e, antes disso, para a recepção ao Sporting de Braga, marcada para a noite de domingo naquele edifício lisboeta que 2019 transformou no teatro dos pesadelos sportinguistas.

 

Jovane Cabral (2,5)

Tão desinspirado quanto Raphinha na primeira parte, destacou-se pela capacidade de avançar pelo centro do terreno e a triste verdade é que foi dos que mais procuraram reverter o resultado. Mas convém deixar um anúncio dos perdidos e achados para ver se alguém encontra o toque de Midas com que o extremo adiou tantas vezes a ejecção de José Peseiro.

 

Bas Dost (2,5)

“Faz qualquer coisa de ponta de lança!”, pede o Nanni (Moretti, bem entendido) dentro de cada adepto. E o holandês lá fez, aplicando um toque declasse à assistência de Raphinha. Teria chegado para o miserável empate numa conjuntura em que as nuvens negras não tivessem chegado para ficar, mas mesmo assim foi o melhor sinal de que o encantamento que tolda Bas Dost poderá ser quebrado mais depressa do que será recuperada a visão do árbitro de baliza que conseguiu não ver o avançado a ser agarrado por um defesa na grande área do Villarreal.

 

Ristovski (2,5)

Entrou logo na primeira parte, substituindo o lesionado Bruno Gaspar, e trouxe alguma dinâmica e critério ao corredor direito. Mas nada que chegasse para alterar os tristes velhos factos que num álbum de retratos o Sporting teima em coleccionar, só não agravados porque Salin resolveu a má abordagem do macedónio a um cruzamento na segunda parte.

 

Luiz Phellype (1,5)

Diz a profecia que o avançado brasileiro justificará a contratação, tal como Gudelj acabará por ver um daqueles remates de longe alojar-se nas redes, mas tal não aconteceu nos 20 minutos passados no relvado. Também não ajudou que tenha ficado tocado logo no primeiro lance que disputou.

 

Wendel (2,0)

Entrou tarde e logo a seguir o Sporting ficou com menos um em campo, o que desviou Bruno Fernandes para o flanco esquerdo. Pouco mais fez do que recordar os adeptos de que é bom de bola.

 

Marcel Keizer (1,5)

Pior do que o resultado, mesmo sendo uma derrota caseira com uma equipa tão desabituada de triunfar que a alcunha “submarino amarelo” já lembrava mais o Kursk do que o álbum dos Beatles, e ainda pior do que a lenta reacção ao descalabro em curso, foi a atitude corporal, circunspecta e derrotada, do treinador holandês. Bem que ele avisou, naquele distante tempo do vinho, das rosas e das vitórias por 5-2, para os dias maus que inevitavelmente chegariam, mas talvez seja hora de fazer qualquer coisa para pôr fim ao futebol depressivo de que é o maior responsável. Tem dois testes nos próximos dias, e qualquer cenário em que o Moreirense passe a estar a quatro pontos de distância e em que o ranking na UEFA não tenha hipóteses de ser melhorado deve ter consequências mais concretas do que lenços brancos.

Armas e viscondes assinalados: Iluminados pelo capitão perante a lanterna vermelha

Feirense 1 - Sporting 3

Liga NOS - 21.ª Jornada

10 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Pode agradecer ao videoárbitro Bruno Esteves por não ter sofrido um golo marcado pelos glúteos de um adversário. Tenha havido ou não a obstrução que levou Manuel Mota a anular aquele que seria o 1-0, certo é que o guarda-redes brasileiro se deixou contaminar pelo desacerto generalizado dos colegas, capazes de reagir a um pontapé de canto mais ou menos da mesma forma que o bosquímano enfrentava a lata de Coca-Cola no filme ‘Os Deuses Devem Estar Loucos’. Redimir-se-ia ao longo do jogo com algumas boas defesas, permitindo adiar o inevitável golo que o Sporting sofre sempre que sai de Alvalade (e quase sempre que fica), fruto de um magnífico remate a culminar um lance em que Renan é o único interveniente sem mérito ou sem responsabilidade.

 

Ristovski (3,0)

Retomou a titularidade após os dois jogos de castigo que encolheram três horas antes do Benfica-Sporting, cumprindo aquele que seria decerto o principal objectivo: não ser expulso após ser agredido com uma cotovelada na testa. No que toca aos detalhes ligados ao futebol mostrou-se razoavelmente acertado, mais a defender do que a atacar, sobressaindo numa linha defensiva pouco inspirada.

 

Coates (3,0)

Receber a merecida braçadeira de capitão não costuma trazer-lhe sorte e a tradição voltou a ser o que é na visita ao último classificado. Lá teve que testemunhar a forma penosa como Ilori e Borja foram ludibriados no tento de honra do Feirense, sem conseguir vingar-se na baliza contrária, da qual se acercou umas quantas vezes.

 

Tiago Ilori (2,5)

Sendo certo que não marcou nenhum autogolo, ao contrário de um colega de profissão da equipa adversaria, voltou a demonstrar falhas de concentração e más abordagens que começam a ser preocupantes. Até porque quando os sportinguistas pensavam no regresso do filho pródigo ao eixo da defesa talvez estivessem mais inclinados para Eric Dier e Daniel Carriço, ou até Ruben Semedo. Para não falar naquele cavalheiro que se senta no banco de suplentes chamado Roberto Luís Deus Severo e a quem os amigos chamam Beto.

 

Borja (2,5)

A noite nem estava a correr mal ao colombiano, promovido a titular precoce para que Acuña suba no terreno em vez de subir na proximidade em relação ao Árctico. Algumas boas combinações, velocidade de execução e o centro que permitiu inaugurar o marcador ficaram, no entanto, manchadas pela tentativa de corte, decerto inspirada em coreografias de Pina Bausch, que deu origem ao 1-3.

 

Gudelj (2,5)

Podia ter corrido melhor? Decerto, mas enfrentar o lanterna vermelha tem o condão de adocicar a alma. E de conseguir chegar primeiro à bola do que o adversário mais vezes do que é habitual. Pena que a sua passagem à posição 8, após a entrada de Idrissa Doumbia, tenha voltado a recordar os adeptos das lágrimas de emoção choradas pelo avô de Miguel Luís da última vez que o neto teve a oportunidade de justificar o salário num relvado.

 

Wendel (3,0)

Naquele vale das sombras da morte a que se convencionou chamar primeira parte foi aquele que mais vezes pegou na bola e avançou pelo relvado, sujeitando-se à complacência com o sarrafeirismo feirense com que Manuel Mota contrabalançou o tal golo anulado. Houve um pingo de justiça poética na forma como o seu cabeceamento extremamente disperso foi direccionado para a baliza pelo braço de um adversário, e também bastante justiça keizeriana nos minutos de descanso a que o jovem brasileiro teve direito, pois na quinta-feira aparece o Villarreal e no domingo há que tentar pôr Abel a dar murros na mesa e com os dentes todos de fora.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Quis o destino que Jorge Andrade não advogasse qualquer malfeitoria perpetrada contra as suas pernas, pelo que uma entrada assassina que sofreu antes dos dois minutos de jogo não teve direito àqueles cartões amarelos que podem ser exibidos a qualquer altura do jogo. Refeito do atropelamento, sério ao ponto de Francisco Geraldes começar a aquecer antes de iniciar um capítulo do romance nobelizado que decerto levou para o banco de suplentes, o capitão na ausência de Nani viu-se forçado a recuar bastante, suprindo as dificuldades de condução de bola de Gudelj. Só pôde adiantar-se na segunda parte, e com magníficos resultados: após fazer o 0-2 de cabeça, à ponta de lança, como os adeptos leoninos costumavam ver outra pessoa a fazer, repetiu aquela sua gracinha dos livres directos cobrados de forma perfeita. Resultou, mau grado a ausência de Svilar, e teve a recompensa de vinte e poucos minutos de descanso. Que lhe façam bom proveito.

 

Diaby (3,0)

Facto 1: o maliano fez a assistência para o 0-2, num cruzamento perfeito vindo da direita. Facto 2: o maliano sofreu a falta que permitiu marcar o 0-3, arrancando tão depressa pela esquerda que só o puderam travar à margem das leis, ficando provavelmente um cartão vermelho por mostrar. Será mesmo preciso exigir qualidade técnica e discernimento táctico a quem contribuiu de tal modo para a vitória que reduz o atraso em relação ao líder para módicos nove pontos?

 

Acuña (3,5)

Começa a parecer que ficará pela ocidental praia lusitana mais alguns meses, o que deveria justificar sacrifícios de nacos generosos de picanha argentina. Combativo até mais não, dotado de uns pés que não desmereceriam a um astro do tango e capaz de vislumbrar jogadas como aquela que resultou no 0-1, Acuña é ele e mais oito, acrescidos de Coates e Bruno Fernandes.

 

Bas Dost (2,0)

Teve uma única oportunidade e permitiu a defesa do mesmo André Moreira que permitiu um golo marcado por um colega, sofreu outro num cabeceamento praticamente à figura e nem se mexeu no livre directo de Bruno Fernandes. Por muito que se tenha esforçado a combinar com os colegas, nem sempre da forma mais brilhante, dir-se-ia que anda distante da melhor forma. Ao ponto de ter sido apanhado por Bruno Fernandes enquanto goleador verde e branco da Liga NOS.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Nem o amarelo que recebeu por ter sido empurrado por um adversário na formação de uma barreira impediu o reforço de Inverno de ser mais interventivo no meio-campo do que Gudelj. Sobretudo mais rápido e com melhor critério a fazer circular a bola, mas convirá entregar-lhe a titularidade de vez em quando para apurar se é preciso gastar mais uns milhões de euros num trinco daqui a poucos meses.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Lançado aos 75 minutos, pela primeira vez desde que regressou do semestre passado a familiarizar-se com a Escola de Frankfurt, logo mostrou ao que vinha. Um toque de bola superlativo e excelente visão de jogo encalharam, todavia, na falta de entrosamento com os colegas. Espera-se que os merecidos melhores dias venham a caminho.

 

Raphinha (-)

Tanto tempo demorou a entrar que talvez nem valesse a pena aumentar a pegada ecológica da lavagem de equipamentos do Sporting. Volta a ficar para a próxima.

 

Marcel Keizer (3,0)

Regressou às vitórias, ainda que sem levar taças no autocarro, tirando proveito da visita ao último classificado. Nada que o tenha livrado de passar calafrios, pois não só as rotinas defensivas da equipa parecem ter-se evaporado como a dinâmica ofensiva anda pelas ruas da amargura. Vendo-se a ganhar inequivocamente quase sem saber como, desatou a fazer descansar elementos mais sobrecarregados, o que vem a calhar quando se aproxima dois objectivos do género “série B”: amealhar mais uns pontos para o ranking na Liga Europa e reduzir para os dedos da mão de Lula da Silva os pontos de desvantagem em relação ao Sporting de Braga.

Armas e viscondes assinalados: Novas oportunidades mesmo no final do jogo

Benfica 2 - Sporting 1

Taça de Portugal - 1.ª mão da Meia-Final

6 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Voltou a quase defender um golo do Benfica, pois ainda tocou na bola rematada por Gabriel, mas não evitou ser vítima de fogo amigo, sofrendo um segundo tento por inteira culpa de Tiago Ilori. Curiosamente, depois da tempestade que o assolou em Alvalade, teve um jogo de (relativa) bonança na Luz, pois as suas principais defesas foram facilitadas pela pontaria dos adversários e uma saída da baliza assaz disparatada, logo após o 1-0, não teve consequências graves.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Desta vez não foi o pior em campo, algo que já é digno de nota. Denotando as limitações técnicas que lhe servem de marca de água, concentrou-se o bastante para não afundar a equipa. Mesmo ajudando pouco ou nada no ataque, tem mais razões de queixa de Jovane Cabral do que o jovem extremo terá razões de queixa dele.

 

Coates (3,0)

A inteligência do uruguaio salvou a equipa de um pénalti ao cair do pano, quando agarrou um adversário que escapava para a baliza mesmo antes de este chegar à grande área. Numa noite de muito trabalho, com mais um novo colega de eixo defensivo ao lado, evitou um 2-0 madrugador ao substituir-se ao despassarado Renan Ribeiro. E mais uma vez não lhe faltou força e vontade para pegar na bola e avançar pelo terreno quando mais ninguém o fazia. Resta saber quem o fará no domingo, em Santa Maria da Feira, pois estará a cumprir um jogo de castigo.

 

Tiago Ilori (1,5)

Foi quem teve de pagar pelas incendiárias palavras proferidas pelo comentador Jorge Andrade na RTP3, vendo um cartão amarelo ao segundo minuto por fazer uma falta sobre João Félix em que a nova coqueluche do Benfica demonstrou que se isto do futebol não correr assim tão bem pode matricular-se na Escola Superior de Teatro e Cinema. Tão mau arranque não desanimou o central regressado ao Sporting, e Ilori até fez um ou outro corte assinalável, mas na segunda parte foi o descalabro. Pouco depois de permitir um cabeceamento de Ruben Dias no coração da área, ao melhor estilo de André Pinto, aproveitou a assistência de João Félix para fazer um autogolo que lhe fez cair o queixo e poderia ter sido o início de uma goleada não fosse o esforço final dos colegas.

 

Borja (2,5)

Estreou-se em circunstâncias difíceis, e durante longos e penosos minutos parecia um violinista talentoso contratado para a orquestra do Titanic. O colombiano demonstrou possuir técnica e velocidade, mas o verdadeiro teste será nos jogos vindouros, sobretudo se um dos melhores jogadores do plantel tiver mesmo de roer a rolha da garrafa do rei da Rússia.

 

Gudelj (2,0)

É difícil aceitar que não tenha confiança e rasgo para sequer fingir que sabe sair com a bola. Na vigilância aos adversários esteve ligeiramente melhor, mas parece cada vez mais o principal (ainda que não único) responsável pelo baixo desempenho do meio-campo do Sporting.

 

Wendel (2,0)

Não deixa de ser estranho, mas é a mais pura verdade: tivesse o jovem brasileiro demonstrado o mesmo discernimento a rematar que teve nas movimentações e o Sporting teria saído do Estádio da Luz com um empate ou mesmo uma vitória mais contra a corrente do jogo do que a desova dos salmões. Desaparecido numa primeira parte de intenso domínio encarnado, Wendel correspondeu a um passe brilhante de Acuña, tendo pela frente apenas Svilar, mas nem na baliza logrou acertar, tal como alguns minutos mais tarde rematou ao lado do poste, servido por Luiz Phellype em posição frontal. Acabou por sair mais cedo, numa altura em que Marcel Keizer optou pelo 4-4-2.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Forçado a jogar mais recuado, não só para conter o adversário mas porque alguém tem de sair com a bola e a ausência de Mathieu torna gritante a falta de apetência de Gudelj para tais afazeres, foi dos menos maus na primeira parte, rematando forte mas à figura de Svilar. Quando o Sporting começou a procurar dar a volta ao jogo, já com dois golos de desvantagem, contribuiu de forma decisiva para que o regresso dos leões ao Jamor seja mais do que uma miragem. Nem o facto de Svilar ser um dos exemplos acabados da fábrica de fazer sobrevalorizados que existe no Benfica desvaloriza a magia de um livre directo que só está ao alcance dos enormes jogadores. Sobretudo dos enormes jogadores que são mesmo enormes e não caem ao chão, exigindo faltas e amarelos, de cada vez que uma rajada de vento sopra por perto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Recuperou a titularidade e pouco fez com ela. Muito lento a reagir no lance do primeiro golo, deixou Bruno Gaspar sozinho na direita e estendeu a passadeira para que Gabriel rematasse. Incapaz de ultrapassar os adversários em drible, nomeadamente Grimaldo, não conseguiu fazer melhor do que um passe atrasado para Bruno Fernandes encher o pé. Mantido no relvado mais tempo do que merecia, saiu sem glória nem proveito.

 

Acuña (3,5)

É um dos grandes jogadores do plantel, seja em que posição for. Após lutar contra o marasmo generalizado da primeira parte leonina, na qual não se esqueceu de sublinhar em altos decibéis a dualidade de critérios do árbitro (que, por uma vez, se esqueceu do argentino ao distribuir cartões), fez uma bela segunda parte. Na retina ficou o passe assombroso a que Wendel se encarregou de retirar o valor acrescentado de um 1-1 ou um lance em que apareceu junto à baliza contrária, como se tivesse sido adaptado a ponta de lança, e terá sido carregado por um adversário quando se preparava para cabecear - ou pelo menos assim foi numa realidade paralela em que um lance desses pode dar direito a pénalti contra o Benfica em pleno Estádio da Luz. Se este tiver sido o seu último jogo deixará (muitas) saudades.

 

Luiz Phellype (2,5)

Esteve a um passo de roubar a bola a Svilar num lance em que a encarnação de uma célebre personagem da televisão nos anos 70 - só que com luvas e um género diferente nos documentos de identificação  – teve mais um daqueles excessos de confiança que animam os adversários do Benfica. Sempre muito sozinho, fez o que pôde e a forma como ofereceu posição de remate a Wendel merecia melhor aproveitamento. Tal como a breve aposta no 4-4-2 merece ser testada noutro tipo de jogo.

 

Diaby (2,5)

Entrou com a missão de agitar o ataque leonino e, sem ser minimamente brilhante, conseguiu fazê-lo bem melhor do que o mais lento Jovane Cabral.

 

Bas Dost (2,0)

Ainda meteu a bola no fundo das redes, mas o árbitro assinalara antes uma daquelas faltas ofensivas fora da pequena área que constam da apólice de seguros da equipa da casa.

 

Raphinha (-)

Sem tempo para mostrar nada.

 

Marcel Keizer (2,5)

Arriscou nos reforços de Inverno, acabando por ser traído pela confiança em Ilori, e depois de um período inicial de domínio sufocante viu os seus jogadores equilibrarem minimamente o jogo. Ainda que não raras vezes aparente estar desnorteado no banco de suplentes acertou nas substituições, como sempre tardias, e fica a dever a Bruno Fernandes mais meia garrafa de oxigénio, essencial para preparar a visita de um grupo descrente e pouco organizado de jogadores ao Feirense e a recepção a um Villarreal que ainda está em piores lençóis do que o Sporting. Para Abril fica a segunda mão que lhe pode dar acesso à segunda final de uma taça.

O desconforto da cabeça mal virada e da alma mal entendendo

Mais uma convocatória só menos difícil de decifrar do que se torna suspender a descrença quanto ao resultado da incursão à Luz.

Miguel Luís, Francisco Geraldes e Montero continuam em parte incerta, Nani junta-se a Mathieu e Ristovski entre os indisponíveis, e só a chamada de Acuña e de Idrissa Doumbia permite alguma limitada esperança numa noite de vingança, lá mais para o final da temporada no estádio manchado no domingo passado.

Mas pior do que o presente, marcado por um plantel com lugar para Bruno Gaspar, Gudelj e Diaby, casos mais flagrantes de uma falta de excelência que trava qualquer veleidade, é pensar no futuro.

Se Miguel Luís, Francisco Geraldes e Jovane Cabral marcam passo, tal como Luís Maximiano, o que dizer de Matheus Pereira e de Iuri Medeiros, perdidos pelo velho continente, de Daniel Bragança, de Elves Baldé, dos melhores que se arrastam pelos sub-23, pelos que se afundam nos equívocos tácticos dos sub-19?

E ainda se pode chorar pelo talento derramado, seja o do central do futuro Demiral, perdido por três milhões e tal de euros que lembram o pão que sabe a merda do Sérgio Godinho? E Tiago Djaló empenhado em dar a facada no clube que o criou, não apenas por ganância mas também por testemunhar que a formação leonina tem as portas do plantel principal fechadas a cadeado? Já sem falar em Rafael Leão, talvez a pior consequência a longo-prazo do nosso Alcochete-Quibir.

Verdade triste: o emprestado que melhor figura tem feito ainda é o esforçado e limitado Mama Baldé. Há que despertar antes que a rapaziada acredite que, se pior não fica, venha o Tiririca.

 

Armas e viscondes assinalados: Nem o VAR impediu um tremendo keizercídio

Sporting 2 - Benfica 4

Liga NOS - 20.ª Jornada

3 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Será que o brasileiro só carregou o jogador do Benfica pelo prazer de tentar defender uma grande penalidade, claramente o tema da sua dissertação na universidade pontifícia dos goleiros? Ficou a centímetros de voltar a  superiorizar-se ao marcador, mas lá foi buscar a bola ao fundo das redes. Algo que fez seis vezes em cerca de 100 minutos, valendo-lhe que um dos golos do Benfica foi anulado por fora de jogo e outro por uma falta no início da jogada que o videoárbitro forçou Artur Soares Dias a assinalar apesar de o árbitro portuense estar tão interessado nisso quanto a Rússia e a China estão interessadas em reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. (Diga-se, em abono da verdade, que Renan Ribeiro fez algumas defesas providenciais, contribuindo para que a goleada ficasse aquém do estatuto de humilhação histórica.)

 

Bruno Gaspar (1,5)

Esforça-se sempre muito, o que por vezes permite disfarçar a sua gritante falta de apresentação formal à arte do futebol. Não foi o caso deste jogo, pois abriu avenidas para o ataque benfiquista mais largas do que aquelas que Albert Speer iria construir em Berlim caso os nazis vencessem a II Guerra Mundial. Mas felizmente os boches acabaram da mesma forma que os lances de perigo do Sporting tendem a acabar sempre que passam pelos pés do lateral-direito a quem Hélder Malheiro, artista convidado do Vitória de Setúbal-Sporting, ofereceu a titularidade neste e no seguinte derby lisboeta – já na quarta-feira, no Estádio da Luz, e a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal –, ao expulsar o macedónio Ristovski.

 

Coates (2,0)

A tarde de pesadelo voltou a terminar com o uruguaio enquanto único central leonino, numa variação dos tempos em que Jorge Jesus o forçava a tornar-se ponta de lança nos últimos minutos. Mais lento a reagir do que o habitual, o que indicia aquele cansaço físico que lhe é sempre negado, deu excessiva liberdade aos avançados adversários e contribuiu para o 0-1, melhorando à medida que o jogo avançava para o fim. Só que entretanto a equipa já tinha sofrido quatro golos.

 

André Pinto (1,0)

Entrou em campo com uma máscara a proteger-lhe o nariz, após ter feito uma cirurgia na sequência daquele banho de sangue que valeu a Taça da Liga ao Sporting. E é bem possível que a dita máscara lhe tenha prejudicado a percepção do tempo e do espaço, tendo em conta a forma como deixou Seferovic e Ruben Dias cabecearem para golo – sem falar na incapacidade de cortar a bola rasteira que isolou João Félix. Foi substituído quando Marcel Keizer acordou, tarde e a más horas, para a hipótese de ainda virar o resultado, e com um pouco de sorte ninguém o reconhecerá sem a máscara, como tantas vezes sucede nos livros de banda desenhada.

 

Jefferson (2,5)

Tinha Borja no banco e Acuña ainda longe da Rússia, mas foi de longe o único elemento da linha defensiva do Sporting que sabia minimamente o que estava a fazer. Sempre lutador, fez diversos cruzamentos de qualidade, um dos quais poderia perfeitamente resultar em golo se Diaby não tivesse desviado para a baliza, estando em fora de jogo, a bola que iria chegar a Bas Dost.

 

Gudelj (1,5)

A derrota leonina na batalha do meio-campo passou em grande parte pelo elemento que deveria ter maior capacidade de impor o físico a Samaris, Gabriel e Pizzi. Não só não conseguiu como voltou a demonstrar extrema debilidade na saída com bola, ao contrário de Idrissa Doumbia (aquele reforço que passou de titular a não-convocado em menos de uma semana), e fraquíssima eficácia nos remates de longa distância. Muito do que tem de mudar no futebol do Sporting passa por esta posição.

 

Wendel (2,5)

Bom de bola, e mexido ao ponto de compensar a falta de poder de choque, o jovem brasileiro procurou levar a equipa a melhor destino do que aquele que lhe estava reservado. Mas nada resultou como planeado, muitos passes foram interceptados e o cansaço acumulado nas pernas, sobretudo desde que Miguel Luís deixou de contar para as contas do Keizer, impediu-o de chegar mais longe.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Levou os sportinguistas a sonharem com uma improvável reviravolta quando fez o 1-2, através de um remate magnífico em força e colocação, mesmo no final da primeira parte. Antes e depois disso distinguiu-se sempre pela vontade indomável de enfrentar um adversário que muitos colegas encararam como um adamastor, lutando por cada bola como se fosse a última. Mas nem ele está imune à desconcentração. Perdido que está o título, tal como provavelmente o lugar de acesso à pré-eliminatória da Champions, talvez até o terceiro lugar, é hora de gerir melhor o seu talento. Indispensável nas meias-finais da Taça de Portugal e na Liga Europa, será que tem mesmo de aguentar todos os minutos de todos os jogos?

 

Nani (2,5)

Fez a excelente assistência para o golo de Bruno Fernandes e recebeu como recompensa... ser substituído no intervalo. Não estava a ser o pior de entre os verdes e brancos, combinando muito melhor com Jefferson na esquerda do que Raphinha com Bruno Gaspar na direita, mas Keizer optou por sacrificá-lo numa jogada estratégica que implodiu logo após o reatamento, com o terceiro golo do Benfica.

 

Raphinha (2,0)

Todo o seu inegável talento revelou-se infrutífero num jogo em que pareceu contaminado pelos desajustes estruturais do colega de ala. Manteve-se ainda assim no relvado quase até ao fim, tendo como melhor momento um livre directo que embateu no poste.

 

Bas Dost (2,5)

Teve de ser o videoárbitro a permitir-lhe cobrar com sucesso a grande penalidade a castigar o guarda-redes do Benfica que não tem cara de adolescente de género fluido, expulso (muito) “a posteriori” por derrubar o holandês. Traumatizado com a indiferença de Artur Soares Dias, sempre disposto a deixar que os adversários o carregassem pelas costas, o avançado começou a resguardar-se nos duelos aéreos, rubricando mais uma exibição que leva os adeptos a suspirarem pelos bons tempos de há um ou dois meses.

 

Diaby (2,5)

Lançado ao intervalo para mexer com o ataque leonino, cumpriu melhor a missão do que tem vindo a ser seu hábito. Na retina ficou um lance em que se embrenhou na grande área adversária, junto à linha de fundo – pena é que o árbitro já tivesse decidido marcar canto –, tal como uma diagonal em que o remate saiu torto e fraco. Ainda fez abanar as redes, reagindo ao cruzamento de Jefferson, mas estava (mesmo) em posição irregular.

 

Jovane Cabral (-)

Reapareceu na equipa perto do final do tempo regulamentar, jogando dez minutos que na era Peseiro bastariam para marcar golo, sofrer penálti ou assistir um colega. Mas a ausência prolongada secou-lhe a aura de salvador e pouco ou nenhum efeito teve a sua entrada.

 

Luiz Phellype (-)

Entrou depois da expulsão do guarda-redes do Benfica, sem nada conseguir demonstrar nos sete minutos de descontos.

 

Marcel Keizer (1,0)

Deve ao videoárbitro João Pinheiro, capaz de impedir Artur Soares Dias de se envergonhar tanto quanto a esmagadora maioria dos jogadores do Sporting, não ter ficado associado a um dos piores desaires caseiros frente ao Benfica. E não se pode dizer que tenha merecido a relativa salvação, pois o keizercídio começou logo na convocatória, na qual Petrovic era a única opção para o meio-campo, e continuou ao longo de toda a segunda parte, adiando a segunda e terceira substituição enquanto o adversário fazia o terceiro e o quarto golo da mesma forma que poderia perfeitamente ter feito o quinto e o sexto. Ultrapassada a fase da euforia, directamente para o Inverno do descontentamento dos sportinguistas, o treinador holandês vem de uma sucessão de jogos mal conseguidos, quase sem rotação de titulares cada vez mais exaustos, e precisa de procurar no espelho o principal responsável pelo adeus definitivo ao principal objectivo da temporada. Volta a encontrar o Benfica na quarta-feira, espetando-se que algo mude e que, já agora, não seja para tudo ficar igual.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

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