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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Dez milhões de razões para ter acabado muito mal (em versão reduzida, tão atrasada que quase prescreveu e que já vem contaminada pelo rombo no dinheiro que ficará para quem vier desfazer as varandices)

Famalicão 3 - Sporting 1

Liga NOS - 23.ª Jornada (ou qualquer coisa parecida)

3 de Março de 2020

 

Luís Maximiano (1,5)

Antes dos dez minutos sofreu dois golos, na segunda parte sofreu mais um e foi preciso esperar pelos últimos minutos para que conseguisse fazer uma defesa que impediu a repetição da bitola de Istambul. Corre sério risco de se deixar contaminar pelo caos que tomou conta do futebol leonino.

 

Rosier (1,5)

Existe uma realidade alternativa, tal qual no “The Man in the High Castle” de Philip K. Dick, em que Mama Baldé fez igual ou melhor do que o francês e algum empresário perdeu comissões relativas a uma mão-cheia de milhões de euros.

 

Coates (2,5)

Abstraindo as falhas e omissões que contribuíram para mais uma goleada sofrida pelo Sporting, aquele golo de cabeça que permitiu sonhar com a reviravolta e o empenho na segunda parte, ao ponto de sobre ele ter sido cometido um pénalti que o videoárbitro se encarregou de ignorar, mostraram que o herdeiro da braçadeira é o mais qualificado sucessor de brunos que existe no universo leonino.

 

Neto (2,5)

Ultrapassado no lance do 3-1, em parte devido ao medo de ver o segundo amarelo, mostrou-se particularmente acertado nos passes longos. Ainda assim, deu sobretudo nas vistas ao comparecer na “flash interview” e disparar para todos os lados, não se esquecendo de mencionar que “o dinheiro não compra tudo” na véspera de a SAD leonina concordar com o pagamento de dez milhões de euros ao Braga pela cláusula de rescisão de Ruben Amorim.

 

Acuña (3,0)

De longe o melhor jogador do plantel, o que certamente o coloca na rampa de lançamento para ser desbaratado no Verão, voltou a lutar quase sozinho contra as circunstâncias. Ninguém duvida que os tais dez milhões de euros entregues ao artista anteriormente conhecido por trolha seriam melhor empregues numa tentativa de clonar o polivalente argentino.

 

Battaglia (2,0)

Incapaz de ganhar a batalha do meio-campo, tanto permitiu excessivas veleidades ao adversário como travou jogadas de ataque.

 

Eduardo (1,5)

Fora de tempo, fora de espaço, mas pelo menos até maio dentro do plantel.

 

Gonzalo Plata (1,5)

Depressa esgotou os fogachos que tinha reservado para este jogo.

 

Jovane Cabral (2,5)

Só faltou sorte e pontaria ao mais mexido do ataque leonino. Muito remate, muito cruzamento e muito esforço inglório.

 

Vietto (1,5)

Faz lembrar as vedetas de Hollywood que a dado momento surgiram na lista de “venenos de bilheteira” pela forma desencontrada como lida com o golo. Voltou a falhar ocasiões fáceis neste jogo e em pelo menos numa delas, já na segunda parte, ao encostar da pior forma um cruzamento ao segundo poste, pareceu ficar esmagado pela tomada de consciência do mal que anda a fazer a uma equipa à qual tudo acontece.

 

Sporar (1,5)

Um pontapé na atmosfera quando se encontrava em posição frontal e uma recarga dirigida para as redes laterais constituem o parco pecúlio de um avançado que custou cerca de 65% do valor gasto no seu novo treinador ou perto de David Wang acrescida de dois irmãos gémeos.

 

Francisco Geraldes (1,5)

Pouco tempo, pouco discernimento, pouco ânimo.

 

Rafael Camacho (1,0)

Nas palavras de uma célebre banda musical portuguesa, “não dá, não dá, não dá”.

 

Pedro Mendes (1,5)

Bastaram-lhe minutos no relvado para protagonizar um lance que fica bem neste Sporting de contrafação: foi carregado inadvertidamente na grande área quando tentava ganhar posição, mas o videoárbitro entendeu por bem poupar a equipa de verde e branco à pressão de falhar um pénalti.

 

Silas (1,5)

Despedida inglória para quem se viu a perder por dois antes dos dez minutos de jogo e nunca pareceu acreditar na reviravolta, talvez crente de que estava a enfrentar o Alverca. Muito melhor esteve na conferência de imprensa, revelando o terceiro segredo de Varandas com a acuidade um alerta CM. Tragicamente impreparado para as funções que desempenha, faltou-lhe um Rogério Alves que impedisse a sua destituição.

Triunvirato em espiral descendente

Há muito que o digo, mas nunca como agora se tornou tão evidente: a história do último ano e meio do Sporting é uma narrativa escrita a três mãos por uma direcção que poderá ou não ser incapaz (dependendo do verdadeiro objectivo a que se propõe), um empresário de agenciamento de jogadores que tem lucrado incessantemente com as mais erráticas decisões dos actuais responsáveis leoninos e um grupo que tudo faz por dar o "spin" mais positivo possível ao que estado a que isto chegou.

A espiral descendente deste triunvirato ocorre com o negócio que poderá trazer para Alvalade um treinador sem provas dadas, mas com ligações ao complexo empresarial-mediático que sustenta Varandas (ou aquilo que ele representa), por uma exorbitância de dinheiro que manifestamente escasseia em Alvalade e incluindo a oferta de jogadores promissores (dois deles lutariam pela titularidade) a um rival directo pelo regresso à Champions que será a única porta de entrada no túnel de regresso à sustentabilidade do projecto futebolístico.

Aos potenciais candidatos à liderança do Sporting exige-se que façam ouvir a sua voz. Aos sócios e adeptos exige-se que deixem claro que basta. Acordem antes que seja tarde.

 

Armas e viscondes assinalados: Foram a Istambul e afogaram-se num dilúvio turco

Basaksehir 4 - Sporting 1

Liga Europa – 2.ª mão dos Dezasseis-avos de final da Liga Europa

27 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Ao longo dos séculos milhares de portugueses tiveram o azar supremo de atingir a maioridade em tempo de guerra, morrendo ou ficando estropiados nas trincheiras lamacentas europeias ou na curva de uma picada poeirenta africana. Mais afortunado, Luís Maximiano limitou-se a conquistar a titularidade na baliza do Sporting quando este é treinado por Silas, dirigido por Hugo Viana e presidido por Frederico Varandas. Algo que se traduz em 27 golos sofridos nos 21 jogos desta temporada em que lhe coube calçar as luvas, sendo as derrotas (9) quase tantas quanto as vitórias (11). Desta vez fica ligado a mais um recorde negativo da actual gerência, pois o Sporting nunca tinha perdido na Turquia, e com responsabilidades inegáveis no segundo golo, por muito que o livre directo tenha sido bem cobrado. Mas nem por isso deixou de ter intervenções que impediram o resultado de atingir proporções em que a humilhação pública da equipa superaria decerto a potente anestesia que leva os adeptos a convencerem-se de que o lema do clube é “esforço, dedicação, devoção (desde que bem-comportada, claro está) e miséria”. Assim foi no lance da segunda parte em que não só defendeu o remate de Demba Ba como também a recarga que o avançado – apenas um dos sete “trintões” que foram titulares no Basaksehir, juntando-se-lhe o veterano Robinho para as derradeiras estocadas ao leão assarapantado – teve liberdade de executar mesmo estando caído do relvado. Ou na forma como evitou um azarado autogolo de Tiago Ilori. Encontra-se entre os raríssimos jogadores que mereceriam uma passagem aos oitavos-de-final que só não aparentava estar garantida após o 3-1 trazido de Alvalade porque já toda a gente sabe do que este Sporting é capaz.

 

Ristovski (1,5)

Assenta sobre os seus ombros grande parte da responsabilidade pelo tardio terceiro golo turco que forçou o prolongamento, pois demorou a acercar-se do jogador que tinha a bola nos pés e concedeu-lhe ampla liberdade para o remate em arco que prenunciou um dilúvio no qual o Sporting voltou a ver-se sem arca. Fustigado ao longo de todo o jogo pelo caudal ofensivo do adversário, nem sempre esteve ao seu nível, tal como raramente contou com o auxílio de que necessitava, terminando o prolongamento em péssimas condições físicas. Ligeiramente melhor só mesmo em missões ofensivas, assinando um cruzamento com selo de golo que seria o 3-2, mas que Vietto carimbou para cima da barra.

 

Coates (1,5)

Merece mais meio ponto pela forma como pediu desculpa a todos os adeptos na “flash interview”, e prometeu uma autocrítica da equipa, sobretudo porque o adjunto que a UEFA finge acreditar ser treinador principal do Sporting preferiu mergulhar de cabeça na “verdade alternativa”, cantando loas ao domínio leonino num jogo em que foi goleado e saiu de cabeça baixa da única competição em que lutava por algo mais do que um terceiro a quinto lugar. Mas o central uruguaio teve uma noite muito abaixo do seu valor, começando por uma verdadeira assistência para o primeiro golo do Basaksehir, e nunca transmitiu tranquilidade aos colegas.

 

Tiago Ilori (1,5)

Teriam a goleada e o afastamento da Liga Europa ocorrido se Mathieu estivesse a jogar em vez desta esperança cancelada da formação leonina? Dificilmente, ainda que a presença do veterano francês permitisse toda outra qualidade na saída com bola, pois o problema de raiz foi mais uma das tácticas suicidas com que Silas vai distribuindo alegrias aos adversários do Sporting. Seria a hora certa para ir buscar Jesualdo Ferreira, apostar nos sub-23 e, sobretudo, eleger dirigentes que tenham noção daquilo que andam a fazer...

 

Acuña (3,0)

Ninguém lhe consegue apontar semelhanças físicas com Gary Cooper, mas chegou a parecer o xerife Will Kane de “High Noon – O Comboio Apitou Duas Vezes”, lutando contra tudo e contra todos por um desfecho melhor do que o esperado. Pertenceram ao lateral-esquerdo os melhores remates do Sporting na primeira parte, sendo um deles antecedido por uma maravilha de domínio de bola e de inteligência nos pés dentro da grande área turca. Já na segunda, quando havia mais alguns braços e pernas a remar contra a corrente, cruzou com precisão milimétrica para Vietto reverter o Alvaladexit que se adivinhava. Mas quis o destino que não fosse o suficiente, pelo que o argentino fica contido ao rectângulo à beira-mar plantado e poderá muito bem ser a próxima solução da gerência para conseguir mais uns trocos que paguem comissões dos próximos génios incompreendidos a aterrar na Portela.

 

Battaglia (2,5)

Esteve quase a ser o herói da noite, tão oportuno e preciso foi no corte que adiou o 3-1 por alguns segundos. Antes, quando pareceu que o Sporting poderia empatar ou até vencer o jogo, tamanha era a desorganização dos turcos em busca do prolongamento, teve uma arrancada em que recordou os adeptos de que não tem o remate de longa distância entre os pontos fortes. Resta-lhe a escassa compensação de ter sido um dos menos responsáveis por mais um desastre da equipa.

 

Wendel (2,0)

Melhor a transportar bola do que os extremos titulares, esforçou-se para que o jogo corresse melhor. E, sem culpa nenhuma, fica ligado à perda da eliminatória no tempo regulamentar, pois o “timing” da sua substituição contribuiu para abrir a cratera no posicionamento da equipa que permitiu o 3-1.

 

Bolasie (0,5)

Displicente no primeiro lance em que foi solicitado, ao ponto de permitir um contra-ataque perigoso, nunca mais se reencontrou, oscilando entre as habituais trapalhices na hora de driblar ou rematar e uma falta de atitude competitiva para a qual seria perfeitamente ajustado reagir com o proverbial “pano encharcado nas fuças”. Ter ficado perto de uma hora em campo só poderá ser explicado pela pulsão suicida que é marca de água do futebol de Silas.

 

Jovane Cabral (1,5)

Muito interventivo, faltou-lhe apenas o detalhe de intervir bem ou, no mínimo, decentemente. Remates de pendor surrealista mostraram que não era aquele o seu dia, embora não andasse muito distante de uma terra há uns milénios surgiu outro salvador que também parecia improvável.

 

Vietto (1,5)

Impõe-se a pergunta: será que o Sporting estaria agora a preparar-se para os oitavos-de-final da Liga Europa, vencendo o desempate da eliminatória através da marcação de grandes penalidades se o avançado argentino não tivesse feito tão lamentável e desnecessária falta na sua grande área quando faltava muito pouco para o final do prolongamento? É bem possível que assim fosse, o que não apagaria mais uma exibição vergonhosa, daquelas que causam danos reputacionais. E neste momento todos estariam a elogiar o cabeceamento irrepreensível de Vietto a desviar o cruzamento de Acuña para as redes do Basaksehir. No entanto, apesar do mérito nesse golo e na leitura de jogo, manteve-se o tendencial desacerto que o impeliu a desperdiçar um belo cruzamento de Ristovski.

 

Sporar (1,0)

Recordou-se tarde e a más horas de que estava presente no relvado e fez um remate descalibrado. Feita esta relativa prova de vida, remeteu-se à contemplação.

 

Gonzalo Plata (2,5)

Pôs a mexer a equipa, vergada pelo 2-0 aquando da sua tardia entrada no jogo. Bom a driblar e a encontrar espaços, pior esteve no instante em que era preciso decidir.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para segurar o resultado, mas a sua intervenção mais relevante foi a participação num contra-ataque em que quase voltou a marcar.

 

Eduardo (1,0)

Não tem culpa de que a sua entrada, com o claro objectivo de queimar mais uns segundos antes do iminente apito final, tenha aberto o buraco na defesa leonina que permitiu o 3-1. Mas também pouco ou nada ajudou a equipa durante o prolongamento.

 

Pedro Mendes (-)

Pôde entrar como quarto substituto durante o prolongamento, adoptando um registo muito parecido com a contemplação de Sporar.

 

Silas (0,5)

Ao contrário de Groucho Marx, Silas é capaz de mudar os seus princípios de jogo mesmo que gostem deles. Portanto, aquilo que fez depois de uma agradável exibição frente ao Boavista foi instruir os jogadores a darem a iniciativa ao adversário e retirar do onze titular Gonzalo Plata, que dias antes assinara a melhor exibição individual pós-Bruno Fernandes de que há memória. Vendo-se a perder e com a Liga Europa a fugir-se-lhe pelos dedos, teve a sanidade ao retardador de mexer na equipa à hora de jogo e quase de tal colheu agridoce fruto. Mas uma substituição pessimamente gerida ajudou a que o Basaksehir empatasse a eliminatória, servindo de prenúncio do dilúvio de água gelada que se iria abater. Este é mais um desaire que tem a marca de Silas, que provavelmente será mantido em lume brando para que as suas insuficiências sirvam de manto de ocultação de incompetências alheias. A não ser que seja goleado na visita a Famalicão, o que também já não espantaria ninguém...

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

Armas e viscondes assinalados: Disseram sim à vida enquanto aprovavam a eutanásia

Sporting 3 - Basaksehir 1

Liga Europa - 1.ª mão dos dezasseis-avos de final

20 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Passou quase toda a primeira parte como um espectador, sendo praticamente o único naquele sector do estádio que conseguiu presenciar o jogo desde o apito inicial – e presumivelmente sem lhe revistarem as chuteiras. A segunda parte foi mais parecida com o registo da equipa leonina nos tempos mais recentes, e fez uma defesa providencial antes de não conseguir travar o pontapé de pénalti que tornou ligeiramente menos certo que a melhor exibição do Sporting nesta temporada garanta que não haverá Alvaladexit após a viagem à Turquia.

 

Ristovski (3,5)

Além da assistência que terminou a seca de golos de Sporar, o macedónio destacou-se pelo contributo na construção de ataques, provando conseguir ser mais perigoso no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou lá o que é do que no 3-5-2. Do ponto de vista defensivo viu-se acossado com a presença de muita actividade subversiva no seu quadrante ao longo da segunda parte. Mas não foi por aí que os turcos chegaram ao cuscuz.

 

Coates (4,0)

O Sporting estava à beira do abismo e o central uruguaio deu o passo em frente. No sentido em que se adiantou aos adversários, esticou a perna e desviou o pontapé de canto cobrado de forma irrepreensível por Acuña. Colocou a equipa em vantagem logo no arranque e depois esmerou-se nos passes longos e na custódia da sua grande área, acumulando mais triunfos nos duelos aéreos com os turcos do que a aviação do regime sírio. Próximo desafio, depois de não poder ajudar na recepção ao Boavista: garantir que os leões passam aos oitavos de final da Liga Europa com Tiago Ilori no onze titular.

 

Neto (2,5)

Realizou dois ou três cortes importantes “à queima”, fruto da contra-ofensiva turca na segunda parte, pelo que não deixa de ser irónico que lhe tenha sido assinalada uma grande penalidade num lance em que está muito longe de ser evidente que tenha cometido qualquer infracção. Assustou os adeptos que puderam entrar a tempo em Alvalade ao parecer tocado durante o aquecimento, numa antecipação do que será ver Ilori elevado à titularidade nos próximos dois jogos.

 

Acuña (4,0)

Executou o canto que arrombou o marcador “à patrón” e nunca mais deixou de fazer coisas acertas e de pôr tudo aquilo que é nas mais pequenas coisas que faz. Intratável apenas na conquista, manutenção de posse e endosse de bola, pareceu possuído pelo espírito de Maradona (é possível que qualquer familiar de Diego que estivesse a ver o Sporting-Basaksehir tenha corrido a aproximar um espelho da sua boca para verificar se este se havia finado) numa arrancada junto à linha. Ter o lateral-esquerdo, médio, extremo e tudo no plantel é uma das maiores alegrias que restam aos sportinguistas que preferem vencer as equipas adversárias a derrotar as suas próprias claques.

 

Battaglia (3,5)

Vincou a sua principal diferença em relação à concorrência interna: sabe o que fazer com uma bola de futebol. Mais do que ser uma primeira barreira ao ataque turco – incipiente na primeira parte, mas cada vez mais constante na segunda –, revelou-se um primeiro urdidor de futebol ofensivo, no sentido da palavra que não gera assobiadelas. E ainda voltou a ficar perto de marcar, num remate dentro da grande área que foi desviado pelo guarda-redes turco.

 

Wendel (3,0)

Foi o mais discreto da equipa na fulgurante primeira parte, sem por isso deixar de cumprir na circulação criteriosa de bola que foi uma das chaves do sucesso depois de sucessivos jogos feitos de marasmo. E o certo é que tirou proveito das reservas de energia de que ainda dispunha no final da segunda parte, altura em que diversos colegas já davam sinais de desgaste preocupantes.

 

Vietto (4,0)

Regressou à equipa titular com intenção de deixar marca e assumiu-se como o substituto de Bruno Fernandes que teria sido desde o início da temporada caso a transferência do capitão tivesse ocorrido em Agosto e Raphinha e Bas Dost ainda trajassem de leão ao peito. Rei do meio-campo ofensivo e municiador dos colegas, ficou perto de marcar logo no início do jogo, sendo atrapalhado por Bolasie. Nem por um instante esmoreceu, impondo a sua construção, tijolo por tijolo, para gáudio das bancadas e desconforto dos visitantes. Quando na segunda parte chegou a hora de marcar, vendo-se frente a frente com o guarda-redes, agiu com uma frieza difícil de encontrar em quem tantas vezes se vê legitimamente acusado de “não ter golo”. Provou que não teria de ser necessariamente assim e agradeceu com uma vénia aos milhares que o aplaudiram, sem distinguir entre “croquetes” e “escumalha”. Mantenha a qualidade de jogo, a assertividade de decisão, e a inteligente leitura do ambiente que o rodeia e poderá ser uma das chaves para um Sporting mais saudável. Juntou-se, para já, a Coates na equipa da semana da Liga Europa e, tendo até em conta que a sua transferência é desaconselhada pelo acordo que Jorge Mendes engendrou, convém que por Alvalade se mantenha por muitos e bons.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ciente de que a aura de “arma secreta” o condena a longos minutos de banco e aquecimento, acelerou o futebol leonino desde o primeiro instante, em absoluto contraste com a contemplativa placidez demonstrada por Rafael Camacho enquanto titular recorrente. Sendo verdade que nem sempre decide da forma mais perfeita, ao ponto de o seu melhor remate ter sido precisamente a recarga para o golo apenas anulado por ter sido antecedido por fora de jogo de Sporar, teve o condão de nunca se esconder e de fazer tudo para resolver a eliminatória. Detalhes como o toque de calcanhar que serviu de alicerce ao terceiro golo do Sporting impõem que seja a primeira opção, ainda que o seu tipo de desgastante movimentação desaconselhe que permaneça em campo muito mais do que uma hora.

 

Bolasie (3,0)

O “trapalhonismo” que dele irradia custou um golo cantado que teria ampliado o marcador nos primeiros minutos de jogo, pois não aproveitou a assistência de Sporar e não deixou que Vietto a aproveitasse. Também voltou a enredar-se na sua afamada finta, quase tão autofágica quanto a incapacidade de voar foi para os extintos dodós, e até a assistência que assinou para o terceiro golo teve o seu quê de mal-amanhada. Dito isto, voltou a dar o seu melhor, a impor a estampa física e a recorrer à velocidade em prol da equipa, numa exibição a todos os níveis positiva, ainda que nada se tivesse perdido caso tivesse saído mais cedo, permitindo a progressão daquele moço Gonzalo Plata que por Alvalade continuará se não for entretanto trocado por um punhado de feijões mágicos. Aquele seu remate que estremeceu os ferros da baliza como nenhuma pirotecnia conseguiria simboliza a falta de sorte que Bolasie carrega nos ombros.

 

Sporar (3,5)

A persistente seca de golos parecia destinada a terminar logo após o apito inicial, mas o esloveno preferiu contornar o guarda-redes e servir os colegas, tendo o supremo azar de haver demasiados pés para uma só bola. Mas o recado estava dado: Sporar consegue render quando a equipa agrega talento suficiente para carrilar jogo ofensivo que, mais do que cruzamentos para a cabeça (como nos tempos de goleadores trocados por feijões mágicos), assenta na bola a rolar na relva. Começou por atirar ao lado, depois rematou ao poste (em posição ligeiramente irregular, o que invalidou a recarga certeira de Jovane) e finalmente marcou o que se espera ser o melhor de muitos, tirando o melhor proveito de um cruzamento em esforço de Ristovski. Quebrado o encanto, o que lhe permitiria apanhar o melhor marcador da Liga Europa, graças aos cinco golos marcados pela anterior equipa, permaneceu envolvido nos muitos contra-ataques até ser poupado por Silas para o jogo de domingo em que poderá perceber-se quais são as hipóteses de Bruno Fernandes vir a ser suplantado como melhor marcador do Sporting na Liga NOS.

 

Pedro Mendes (2,5)

Teve direito a mais de duas dezenas de minutos para demonstrar a sua arte. Pena é que esses minutos tenham coincidido com a pior fase do Sporting, pelo que o jovem avançado teve sobretudo de ser o primeiro factor dissuasório das incursões turcas. Esteve à altura da missão, e tratou de apoiar os colegas, de costas para a baliza, a levar perigo aos visitantes.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para tentar travar o avanço do Basaksehir e não se pode dizer que tenha sido particularmente incompetente nessa missão. Mas não restam dúvidas de que não deve ser considerado como mais do que um suplente de Battaglia ou, se tudo correr melhor para o ano, de João Palhinha.

 

Gonzalo Plata (3,0)

Há que ovacionar o aproveitamento dos poucos minutos a que teve direito. Diversas acções em que mostrou velocidade e capacidade de finta serviram de aperitivo para um belíssimo remate que o desmancha-prazeres turco evitou que se convertesse num merecido 4-1.

 

Silas (3,0)

Retirou dividendos imediatos de uma ideia muito louca e inovadora chamada colocar os melhores jogadores disponíveis na equipa titular (só Bolasie poderia ter tal estatuto posto em causa pelo jovem Gonzalo Plata). É uma incógnita que tenha dado conta disto, por muito que seja difícil não reparar na diferença entre o futebol castrado e lamentável demonstrado em Vila do Conde e as jogadas empolgantes testemunhadas pelos compradores de bilhete e receptores de borlas presentes em Alvalade na tarde de quinta-feira, agarrando a equipa à vida ao mesmo tempo que a despenalização da eutanásia era aprovada na Assembleia da República. Bafejado pelo talento dos bons jogadores que restam no plantel (faltava Mathieu, mas Neto esteve à altura até ter que a arbitragem vislumbrou o pénalti sem falta que culminou no tento de honra do Basaksehir), ainda que não pela sorte (outros tantos golos ficaram por marcar), tardou a refrescar a equipa na segunda parte, o que resultou num ascendente do adversário que se vai tornando natural em quem enfrenta o Sporting. Continua, assim, na corda bamba e com a garantia de que será o próximo saco de areia a atirar por Frederico Varandas para manter acima do solo (e ao sabor do vento) o balão de uma presidência feita de ar quente.

Armas e viscondes assinalados: Equipa pequena consegue ponto fora de casa e contra a corrente do jogo

Rio Ave 1 - Sporting 1

Liga NOS - 21.ª Jornada

15 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Contrariou a estatística, pois nenhum dos outros 44 golos do Rio Ave que se adivinhavam após sofrer o primeiro antes dos dois minutos de jogo encontrou o caminho das redes. Entre as excelentes intervenções que contribuíram para que o Sporting saísse de Vila do Conde com um ponto, apesar de mais uma exibição digna de dó e que desta vez nem sequer teve o álibi da falta de apoio das claques, destaca-se a leitura que fez da jogada mesmo ao cair do pano em que o ex-leão Carlos Mané teve nos pés a hipótese de dar justiça ao marcador. À medida que os sobreviventes do Sporting que contava para o Totobola são vendidos, acabam expulsos por apitadores sempre prontos a ajudar e sofrem lesões, a importância do jovem guarda-redes aumenta. Pelo seu valor intrínseco e pela triste realidade (tão triste que chega a ser “estriste”) de uma equipa apequenada como raras vezes se viu entre a rapaziada de leão ao peito.

 

Ristovski (2,0)

Apontaram-lhe a “autoria moral” do golo do Rio Ave, visto que a assistência ocorreu na sua área de jurisdição, mas não deixa de ser verdade que havia dois adversários para o macedónio cobrir (um dos quais até lhe deu um empurrão nas costas, sem que o sempre atento videoárbitro desse por isso). Ultrapassado o primeiro embate, procurou ofereceu soluções à incipiente manobra ofensiva, ainda que o seu melhor cruzamento tenha encontrado a cabeça desvairada de Rafael Camacho em vez de alguém que soubesse o que andava por ali a fazer. Mas, tal como todo o resto à sua volta, não deu para mais. Pensar que a expulsão de Coates levou a que Ristovski fosse até ao apito final o elemento com maior número de jogos pela equipa principal do Sporting deveria fazer pensar todos os adeptos.

 

Coates (2,0)

Impotente para contrariar o desastre no golo do Rio Ave, o uruguaio mostrou aos colegas como se faz uma jogada de ataque ao galgar terreno com bola até ficar perto de provocar um autogolo do defesa que arriscou cortar a bola à entrada da grande área. Melhor nota teria não fosse ter caído nas armadilhas do avançado iraniano que no jogo da primeira volta também lhe valera um vermelho por acumulação. Repetiu-se o mesmo cenário em Vila do Conde, com o árbitro Fábio Veríssimo a ser tão implacável quanto todos adivinhavam que iria ser, mas pelo menos foram-lhe assinalados três pénaltis a menos do que no jogo da primeira volta em Alvalade.

 

Neto (3,0)

Foi uma barreira quase intransponível ao ataque do Rio Ave, ao ponto de levar Fábio Veríssimo a pedir perdão à equipa da casa, quiçá esfolando os joelhos, por não ter assinalado pénalti na jogada em que o central viu um remate embater-lhe no braço encostado ao corpo. Quase sempre eficaz a afastar o perigo da sua baliza, Neto foi um dos dois esteios que permitiram o melhor resultado desta época em confrontos com o Rio Ave. Calha bem que tenha acabado com a braçadeira de capitão, um adereço que já esteve mais longe de ser oferecido nas embalagens de corn flakes.

 

Borja (2,5)

Permitir o cruzamento que deu origem ao golo do Rio Ave foi a única falha grave do colombiano. Elevado à titularidade devido à ausência de Acuña, Borja esforçou-se por dinamizar um ataque impregnado de espírito pacifista e fechar os caminhos para a baliza de Maximiano. Um ou outro cruzamento que poderia levar perigo ao Rio Ave se houvesse alguém para corresponder constituíram um fogacho numa exibição apenas esforçada, sendo evidente que raramente se poderá pedir mais do que isso ao lateral-esquerdo colombiano.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

Recuperou a titularidade sem ter aprendido grande coisa no banco de suplentes. Deambulou pelo relvado sem razão e sem sentido, enquanto no Estádio da Luz um cavalheiro chamado João Palhinha marcou o golo que permitiu ao Sporting de Braga derrotar o Benfica. Dizem que cada um tem aquilo que merece, mas o Sporting Clube de Portugal merece certamente melhor do que o jovem e honrado meio-campista poderá dar.

 

Eduardo (2,0)

Deve-se-lhe o melhor remate do Sporting em todo o jogo, num disparo potente de longa distância que embateu com estrondo na barra. Um lance que pareceu inserido digitalmente por um estúdio de Hollywood numa exibição miserável de toda a equipa e também do seu autor, incapaz de tomar as rédeas do jogo e mais empenhado em fazer atrasos do que em progredir com a bola. É tristemente provável que Eduardo tenha sentido alívio no momento em que foi retirado do campo.

 

Wendel (1,5)

A saída de Bruno Fernandes, já patrão do meio-campo do Manchester United após dúzia e meia de treinos, exigia que o brasileiro desse o passo em frente, assumindo a liderança que tarda a confirmar. Dos noventa e muitos minutos que esteve em campo nada de particularmente positivo há a registar. Apenas uma tristeza latente perante a incapacidade demonstrada uma e outra vez por Wendel de cumprir todo o potencial do seu futebol.

 

Rafael Camacho (1,0)

Conseguiu ser ainda mais nulo enquanto extremo a flectir para o centro do terreno do que como segundo avançado descaído para as alas. Não é preciso ter excesso de má vontade para constatar que não teria sido nada diferente (a não ser que fosse para melhor) caso o Jubas ocupasse o seu lugar no onze titular. Talvez possa vir a ser útil para o clube em dificuldades financeiras que investiu meia-dúzia de milhões de euros no seu passe, mas neste momento já seria muito bom para a atual realidade do Sporting se algum clube aceitasse uma cláusula de compra obrigatória de dez milhões de euros no seu futuro empréstimo.

 

Bolasie (2,5)

Da lei da irrelevância se libertou mesmo ao cair do pano, quando tirou partido da força para irromper pela grande área do Rio Ave até ser derrubado em falta. Pouco importa que não tenha convertido a grande penalidade por si conquistada, pois a si e apenas a si se deve um dos pontos mais injustos que o Sporting amealhou neste século. Até então pouco se distinguira da esmagadora maioria dos colegas, especializando-se em floreados, perdas de bola e incapacidade de justificar o estatuto de elemento do plantel profissional de um dos trinta e tal melhores do ranking da UEFA.

 

Sporar (1,0)

Questão de ovo e galinha: terá sido Sporar inútil na deslocação a Vila do Conde por nunca ter sido servido pelos colegas ou será que os colegas nunca o serviram porque o avançado se revelou inútil do primeiro ao último minuto? Seja qual for a resposta, é inegável que nada andou a fazer no relvado, fazendo recordar que o seu país natal terá sido provavelmente o menos belicista de todos aquando da implosão da Jugoslávia.

 

Jovane Cabral (2,5)

Voltou a entrar com a missão de alterar o resultado e o certo é que cumpriu mais uma vez: depois de fazer uma assistência para o autogolo do Portimonense, encarregou-se desta vez de marcar de forma exímia um pénalti que o forçou a tirar a bola das mãos de Bolasie. Mas é de inteira justiça fazer notar que o seu contributo ficou por aí, pois as restantes jogadas e remates que protagonizou estiveram em linha com a mediocridade que grassa no futebol leonino.

 

Gonzalo Plata (1,5)

Chegou tarde ao jogo e nada de positivo logrou fazer.

 

Battaglia (2,0)

Contribuiu para que o segundo golo do Rio Ave não chegasse a acontecer, mas também esteve longe de deslumbrar.

 

Silas (1,0)

Ponto prévio: não tem culpa de que Matheus Pereira e Domingos Duarte tenham sido rifados, de que Raphinha e Bas Dost tivessem sido transferidos para que Bruno Fernandes permanecesse em Alvalade, de que o mesmo Bruno Fernandes tivesse acabado por sair na reabertura de mercado, de que Vietto tivesse completado uma série de cartões amarelos e de que Mathieu e Acuña se tivessem juntado a Luiz Phellype no rol de lesionados. Bem vistas as coisas, Silas não é o principal culpado da amarga realidade de o onze inicial do Rio Ave parecer manifestamente superior ao onze inicial do Sporting. Mas ficam por aqui as atenuantes: o treinador que escalou aqueles jogadores, regressados ao 4-3-3 com a mesma falta de qualidade que revelam no 3-5-2, 3-4-3 e no 4-4-2, tem de ser responsabilizado pela inexistência de um fio de jogo, pelas falhas nas marcações que originaram o golo do Rio Ave, pelo pavor de praticar futebol que impele dez em cada onze a privilegiarem os atrasos de bola (a bem dizer, só Luís Maximiano não os faz, até porque isso resultaria certamente em autogolo) e por escolhas de titulares que começam a tornar-se inexplicáveis, com Rafael Camacho à cabeça. A expressão derrotada de Silas quando se viu a perder tão cedo é o espelho de um vírus de conformismo e de, passe o neologismo, perdedorismo que só não atravessa por inteiro o futebol leonino porque decerto o mítico Paulo Gama continua a entregar os equipamentos sem buracos e as bolas sem estarem furadas. Isto para não falar na falta de oportunidades que a equipa técnica concede a jogadores como Francisco Geraldes e Pedro Mendes, os quais nada mais puderam além de fazer uns minutos de aquecimento e que, perante a falta de qualidade e de compromisso demonstrada pelos colegas que estavam no relvado, precisarão de uma auto-estima elevadíssima para não se considerarem escumalha – isto para não falar de Miguel Luís, de quem já começa a ser difícil recordar o nome quando se pensa no plantel principal do Sporting, ou de Rodrigo Fernandes e Matheus Nunes, promovidos ao plantel principal num golpe de teatro desprovido de consequências práticas. Pouco importa que Silas tenha a humildade de reconhecer a péssima figura do Sporting na visita ao Rio Ave, apresentando-se como uma equipa pequena que conseguiu um ponto fora de casa e contra a corrente do jogo. Mais importante seria que pudesse contrariar esse estado de coisas. Algo que a cada jogo se vai tornando mais improvável. Ao ponto de, como já li de um excelso jornalista da nossa praça, este Sporting se arriscar a ficar no segundo lugar se for a única equipa inscrita numa competição.

Armas e viscondes assinalados: Reviravolta baseada numa lógica de “contra trintão, trintão e meio“

Sporting 2 - Portimonense 1

Liga NOS - 20.ª Jornada

9 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Voltou a mostrar-se à altura das ocorrências, e mesmo no golo do Portimonense quase conseguiu desviar para fora da baliza o remate do trintão colombiano Jackson Martínez, apenas um dos vários elementos do plantel do penúltimo classificado que lutariam pela titularidade no Sporting. Minutos depois impediu o 0-2 que transformaria Alvalade num cenário de livro de Dante, e na segunda parte aplicou-se com denodo à neutralização dos tão fugazes quanto perigosos contra-ataques da equipa visitante. Se melhorar no jogo de pés talvez possam deixar de “soprar” notícias sobre a aquisição de guardiões veteranos estrangeiros livres do apelido Viviano.

 

Ristovski (2,5)

Aproveitou o 3-5-2 com que Silas dispôs a equipa perante o an-te-pe-núl-ti-mo classificado da Liga NOS, sabendo que a vitória garantiria o regresso ao lugar do pódio que, parafraseando um génio incompreendido do futebol português, é “muito bom para a situação actual do Sporting”. Muito subido na ala direito, tirou partido da velocidade e de uma atitude competitiva mais apropriada a outros tempos, só que... não combinou particularmente bem com os colegas, não centrou por aí além e em nada contribuiu para sossegar os ânimos de um estádio só ligeiramente mais composto e menos amorfo do que na última jornada em casa. Manteve-se em campo até ao fim, sem brilhar, mas con a vontade de fazer qualquer coisa intacta. Prova de que a sorte nem sempre protege os audazes foi a falta de direcção do seu remate de longa distância.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra fífia sem consequências de maior impede melhor avaliação do melhor capitão que o Sporting tinha naquele estádio, e não necessariamente só no relvado. Talvez chegue o dia em que voltará a manter as redes imaculadas, mas por enquanto vai fazendo o que está ao seu alcance. Já não é pouco.

 

Neto (2,5)

Regressado à titularidade à boleia do novo amor de Silas pelo 3-5-2, procurou cumprir com o sistema táctico mas não conseguiu evitar que Jackson Martínez passasse pela sua área de jurisdição com manifesta e concretizada intenção de inaugurar o marcador. O castigo não se fez esperar: foi sacrificado ao intervalo, quando Silas trocou o 3-5-2 por mais um dos ETNI (esquema táctico não identificado) que nos últimos tempos têm sido avistados a pairar sobre Alvalade.

 

Mathieu (4,0)

Permitiu que o estádio fizesse uma viagem do tempo para temporadas que parecem extremamente distantes e tristemente irrepetíveis ao marcar aquele exemplar livre directo que relançou a equipa para a reviravolta. Exemplo máximo de inteligência, brio e vontade, o trintão francês empurrou o Sporting para a sua melhor versão possível, sendo tão acutilante a defender como criterioso a construir. Vê-lo cair no relvado, confirmando-se mais tarde uma lesão que o afastará até Março, levou a que todos os sportinguistas falhassem uma batida cardíaca. E tornou mais provável que a gestão de Frederico Varandas possa igualar ou superar mais um dos recordes dos tempos de Godinho Lopes.

 

Acuña (3,0)

Mesmo um todo-o-terreno como o polivalente argentino, decerto capaz de fazer boa figura caso lhe fosse substituir Harry Potter naquele jogo esquisito, sentiu notórias dificuldades de adaptação ao mais recente arrumo de Silas. Melhorou bastante na segunda parte, ao ponto de ficar ligado ao resultado positivo de uma coligação negativa de más ideias de jogo. Quis o acaso que estivesse na ala direita e capacitado para fazer o belo cruzamento para Jovane Cabral que deu origem ao autogolo que selou a reviravolta.

 

Battaglia (2,5)

Ficou perto de inaugurar o marcador, cabeceando pouco acima do poste na sequência de um canto, mas a sua principal missão era conter veleidades do contra-ataque do penúltimo classificado da Liga NOS. Cumpriu de forma tão incompleta quanto o resultado final permite concluir e, ainda que tenha um domínio de bola e inteligência táctica que aconselham a sua titularidade, mantém um défice de ritmo que torna a intenção de fazer regressar João Palhinha a melhor notícia que se consegue retirar das mais de dez páginas de amena entrevista de Frederico Varandas ao “Record”. Isso e, claro está, não haver qualquer referência a um regresso de David “justificativo de dois milhões a menos nos cofres” Wang, claro está.

 

Wendel (3,0)

Exasperou as bancadas com a atitude displicente na primeira parte, parecendo não raras vezes um daqueles empregados de escritório cuja única função assenta no transporte de copos de café. Melhorou bastante depois do intervalo e não raras vezes assumiu a batuta quando era preciso, até porque o maestro titular foi ver que tal se está no Brexit. Tem é de perceber que, não obstante pertencer à selecção olímpica brasileira, vencer continua a ser mais importante do que competir.

 

Rafael Camacho (2,0)

Ao contrário de Joaquin Phoenix, premiado com o Óscar de Melhor

Ator, o jovem extremo não convence  enquanto “joker”. Falta-lhe objectividade na hora do passe e do remate, e até alguma necessária  matreirice para ludibriar os adversários para entrar na grande área alheia.

 

Vietto (2,5)

Uma equipa como o Sporting dos nossos tempos não pode desperdiçar um recurso tão escasso quanto oportunidades claras de golo. Torna-se por isso preocupante que ninguém tenha ficado demasiado espantado quando o argentino permitiu a defesa do guarda-redes nipónico do Portimonense ao ser desmarcado por Sporar. Ficou perto de marcar num livre directo, mas não é Mathieu quem quer e sim quem pode. O que não impede que o amarelo recebido, e a consequente ausência na visita ao Rio Ave, sejam mais uma dor de cabeça.

 

Sporar (2,5)

Manteve a seca apenas porque um adversário teve má vontade suficiente para preferir fazer autogolo em vez de deixar o esloveno aproveitar a assistência perfeita de Jovane Cabral. Antes já tinha servido Vietto de forma tão perfeita quanto imperfeito foi o remate. Tarda apenas a fazer aquilo que justifica a presença de pontas de lança nos onzes.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou ao intervalo e contribuiu, no seu jeito algo desengonçado, para dar a ignição à alteração táctica promovida por Silas. Apesar de um remate calamitoso não servir de bom cartão de visitas, a assistência para o autogolo que rendeu três pontos ao Sporting constitui uma retoma ao estatuto de “salvador da pátria”.

 

Gonzalo Plata (3,0)

É possível que seja mesmo um diamante por lapidar, sendo inegável que ninguém lhe pode apontar falta de coragem na hora do um contra um. Cada minuto que tem no relvado, ao invés do digno Bolasie e do inexplicável Jesé, é um oásis na péssima condução do futebol profissional leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Regressou à equipa para colmatar a lesão de Mathieu, ainda que tenha sido Battaglia a juntar-se mais a Coates na cada vez mais caleidoscópica linha defensiva. Cumpriu sem deslumbrar, como é seu hábito nos dias bons.

 

Silas (2,5)

É mesmo necessário reconhecer-lhe mérito por desfazer os seus equívocos ao intervalo? Aproveitar jovens extremos que estão entre os raros projectos de futuro (sendo Maximiano já o presente) no plantel principal deveria ser mais evidente do que anda a ser para um treinador que ficou enfeitiçado pelos três centrais, mas não se lembrou que tinha um lateral-esquerdo com rotina de central no banco na hora de substituir o lesionado Mathieu. Formar um onze sem o francês, sem o castigado Vietto e sem o lesionado Acuña para conseguir um primeiro triunfo (ou um primeiro empate) ao terceiro jogo da época com o Rio Ave será um desafio interessante de seguir.

Leão “muito bom para a realidade” extraterrestre do Sporting

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Afazeres profissionais levaram a que caminhasse ontem pela Rua do Alecrim, podendo revelar em primeira mão este leão, disponível numa das montras das lojas requintadas dessa artéria lisboeta, que poderá servir de símbolo ao clube gerido por um autodesignado extraterrestre, a coberto de uma Mesa da Assembleia Geral tomada por uma filosofia, tristemente popular entre muitos sportinguistas, de "agarrem-no enquanto puderem".

 

Tristes tempos de leão assarapantado. 

Procura-se alguém que seja equivalente

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"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

Salgueiro Maia

 

Armas e viscondes assinalados: Não têm barqueiro nem em que remar, procuram um caminho novo para andar

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 19.ª Jornada

2 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Continua a afirmar o seu potencial como uma perseverança só comparável à da vegetação que consegue irromper por entre as fendas do asfalto. Com toda a sua defesa condicionada pela febre amarela do árbitro Jorge Sousa e com o esquema táctico com que Silas sonhou sair de Braga ainda no lugar mais miserável do pódio, Maximiano viu-se muitas vezes desamparado e deu conta do recado com defesas vistosas que adiaram o desfecho esperado. Mas quis o destino cruel que a equipa da casa marcasse na única ocasião em que perdeu o controlo dos acontecimentos, impedindo-lhe uma noite de glória que só não estava a ser melhor devido às estruturais dificuldades nos lançamentos longos.

 

Ristovski (2,0)

Aquela célebre profecia do “sem o nosso capitão estamos fodidos” acabou por ser autocumprida pelo macedónio, que abriu muitos espaços à direita com as suas incursões pela linha, o que também contribuiu para que o pânico tomasse conta da equipa. Com a agravante de que Wendel privilegiou sempre a ala esquerda, levando a que Ristovski avançasse no terreno quase sempre em vão, acabando por ser sacrificado na hora de correr atrás do prejuízo que se vai tornando tão habitual quanto a “hora Coca-Cola light”.

 

Coates (2,0)

Ainda o jogo mal havia começado e já estava amarelado, recebendo como prenda de Jorge Sousa pela subida a capitão a garantia de que poderia juntar-se ao visitante Bruno Fernandes nos camarotes se cometesse mais alguma infração. Terá sido isso, aliado a uma notória prisão de rins, que o levou a ser mais permissivo do que o habitual com os avançados contrários, compreensivelmente mais apostados em manter a bola junto à relva do que a aventurarem-se pelos ares. No final, quando tudo estava perdido, inovou no desespero, pois além de ponta de lança improvisado também chegou a aparecer na posição de lateral-direito numa ou noutra jogada.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto pelo corte que esteve quase a evitar o golo que selou a perda do terceiro lugar e, sobretudo, pelo grito de revolta na “flash interview” que decerto lhe valerá uns quantos jogos de suspensão – abrindo caminho, se a tendinite de Mathieu não melhorar, à titularidade de Ilori na recepção ao assim menos aflito Portimonense – e forçou Frederico Varandas a presentear os sportinguistas com dotes de oratória que ombreiam com os dotes para a gestão do futebol leonino. Esforçado e atento, o internacional português funcionou durante quase todo o jogo como uma espécie de libero que foi chegando para as encomendas, pese embora as limitações na saída com bola desaconselharem tal papel.

 

Borja (2,0)

Depois de uma exibição muito agradável enquanto lateral-esquerdo, face à ausência de Acuña, manteve a titularidade enquanto... falso lateral-esquerdo. Claramente empenhado em errar da melhor forma possível, o colombiano procurou ajudar Coates e Neto a afastarem o perigo da baliza do Sporting. Sabendo-se como a história terminou é evidente que não lhe correu totalmente bem. Tal como foi tragicamente expectável que, já depois da saída de Acuña, se tenha esquecido de que passava a ser ele o verdadeiro lateral-esquerdo.

 

Acuña (2,5)

Começou muito bem, combinando com Rafael Camacho para a primeira oportunidade de golo, e demonstrou que os seus cruzamentos podem servir para algo quando existe um avançado na área, mas começou a apagar-se e a enervar-se com a arbitragem. Terá sido o segundo factor que pesou numa substituição precoce, sobretudo porque o argentino é um dos cada vez mais raros activos valiosos que a presente gerência de Alvalade recebeu como pesada herança.

 

Battaglia (2,5)

Voltou a regressar a uma casa onde já foi feliz, contrabalançando o contingente de “made in Alcochete” que fez da Pedreira a sua casa, e nos primeiros minutos fez valer a qualidade na posse de bola que o distingue de Idrissa Doumbia e torna impossível que o confundam com os pinos utilizados nos treinos. Não chegou, no entanto, para assegurar a vitória na batalha a um meio-campo órfão daquele mago que trocou a crise leonina pela crise de um clube que tanto fez pela formação de Cristiano Ronaldo e Nani.

 

Eduardo (3,0)

Surpresa indigesta no onze titular, só não marcou num dos primeiros lances do jogo devido a um desvio de um defesa bracarense. Melhor esteve na construção de jogada, na medida que revelou uma rapidez na progressão com bola que chegou a parecer fora de sincronia com o futebol deste Sporting. Sem dar espectáculo, ou sequer justificar os milhões que foram gastos no seu passe, o médio brasileiro terá sido o jogador que mais entendeu a necessidade de crescer após a saída de Bruno Fernandes.

 

Wendel (3,0)

Pedia-se-lhe que assumisse a batuta do meio-campo do Sporting e o jovem brasileiro assumiu a tarefa com mais querer do que saber. Sendo legítimo perguntar o motivo de tantas vezes ter ignorado o posicionamento de Ristovski, preferindo servir a ala esquerda, ainda mais legítimo será inquirir como é que escapou a ser expulso ao gritar com Jorge Sousa a escassos centímetros da cara do árbitro. Ficou em campo e poderia ter sido herói, aparecendo na grande área servido por Sporar, mas Matheus rechaçou a tentativa de chapéu.

 

Rafael Camacho (3,0)

Cabia-lhe ser o “joker” da equipa e fez por desempenhar bem o papel, ficando na retina o cruzamento para o coração da área, onde Eduardo fez suar os adeptos da casa, e remates traiçoeiros, ainda que sem selo de golo. Mas também ele acabou por esmorecer quando o Sporting de Braga descodificou aquilo que Silas pretendeu fazer na Pedreira, perdendo protagonismo até ser retirado de campo.

 

Sporar (2,5)

Chegará o dia em que o esloveno fará mais do que deixar boas indicações e demonstrações de técnica apurada. Infelizmente, tal dia não foi o domingo passado. O guarda-redes do Sporting de Braga opôs-se bem aos seus remates e com o decorrer do jogo foi ficando cada vez mais sozinho no ataque.

 

Vietto (3,0)

Avaliado em 7,5 milhões de euros por cada perna, o argentino regressado de lesão assistiu a grande parte do jogo no banco de suplentes. Quando finalmente foi lançado por Silas foi fundamental para que o Sporting encostasse a equipa da casa às cordas, embora persista a falta de golo que ameaça deixar Bruno Fernandes como o goleador da equipa quando esta triste temporada terminar.

 

Jovane Cabral (3,0)

Merecia ter marcado o golo do empate, mas a muralha defensiva bracarense impediu que a bola se alojasse nas redes. Entrou, tarde e a mais horas, para agitar e cumpriu nesse agito. Talvez convenha apostar na sua velocidade e capacidade de execução mais cedo. Ou até desafiar a superstição que não rende absolutamente quando lhe é concedida a titularidade.

 

Gonzalo Plata (2,0)

Derradeira aposta de Silas, numa altura em que Rafael Camacho tornara gritante o quanto estava arrasado, integrou-se no ataque leonino com mais vontade do que acerto. Veja-se o pontapé assaz deficiente que teve, no entanto, o condão de servir de assistência inadvertida para o “quase empate” de Jovane Cabral.

 

Silas (2,5)

Enganou a Sport TV e o adversário durante alguns minutos, dispondo a equipa num 3-5-2 que a realidade foi transformando em 5-3-2, e mesmo as apostas em Eduardo e Rafael Camacho começaram por dar frutos no primeiro jogo após a saída de Bruno Fernandes. Mas voltou a nada conseguir alterar quando a equipa da casa se adaptou à surpresa inicial, vendo impávido e sereno como o Braga se foi acercando da baliza de Luís Maximiano até cumprir o objectivo. Tarde mexeu na equipa, desgastada pelo vírus do perdedorismo, e mais uma vez pôde constatar que a sorte não protege quem não prima pela audácia. Regressado ao quarto lugar, com Famalicão, Rio Ave e Vitória de Guimarães à espreita, com os recordes negativos de maior número derrotas e maior distância em relação ao primeiro classificado à espreita, Silas ainda teve de lidar com a presença de Leonardo Jardim na tribuna da Pedreira, mesmo atrás de António Salvador e Frederico Varandas, sendo que após a sequência de vitórias consecutivas não parece que seja Ruben Amorim quem mais deverá temer a chicotada psicológica...

 

Armas e viscondes assinalados: Herói inesperado na noite fria de adeus a um imenso

Sporting 1 - Marítimo 0

Liga NOS - 18.ª Jornada

27 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

O Marítimo revelou-se a equipa ideal para o arranque de uma primeira volta em que o Sporting corre atrás de todos os recordes negativos, a começar pela pior assistência do estádio em jogos para a Liga NOS, com 12.798 espectadores, ao ponto de por uns instantes se conseguir ouvir uns tímidos gritos de “mar’itmo!”, mas poderia muito bem ter sido o tipo de equipa dominada do primeiro ao último minuto e que sai de Alvalade com um ou três pontos graças ao aproveitamento de uma ou duas ocasiões de golo. E se tal não aconteceu muito se deve ao jovem guarda-redes, que fez uma defesa extraordinária depois de um adversário enganar os centrais e rematar na grande área. Apesar de continuar sofrível nas reposições de bola, Maximiano esteve para as encomendas.

 

Ristovski (3,0)

Embora tenha falhado uma ocasião de golo magnífica, desaproveitando o cruzamento de Bruno Fernandes com um remate para a bancada sul tão silenciosa e desprovida de claques quanto as outras bancadas estiveram quase sempre silenciosas e quase sempre desprovidas de adeptos, continua a ser um dos raros resquícios de melhores tempos do que estes. Viu-se mesmo forçado a enfiar-se dentro da baliza para evitar que o Marítimo marcasse na segunda parte e, perante a debandada em curso, parece estar a um passo de subir ao grupo dos capitães.

 

Coates (3,0)

O magnífico golo que marcou, dominando de peito o cruzamento teleguiado de Bruno Fernandes antes de desferir um remate acrobático com a elegância de um hipopótamo do “Fantasia”, foi o primeiro dos golos (surpreendentemente) bem anulados ao Sporting. Lá atrás, naquilo que é pago para fazer, nem sempre demonstrou acerto, ainda que bem mais do que o parceiro que lhe coube em sorte, mas o certo é que desta vez não houve quem marcasse à equipa da casa.

 

Neto (2,5)

Substituir Mathieu, não raras vezes o maior responsável pela condução de bola criteriosa para o ataque leonino, pesou toneladas ao central português, não mais do que esforçado nessa missão. Também algo permissivo face aos pouco inspirados visitantes, teve um resultado melhor do que a exibição. Mas que atire a primeira pedra aquele que não tiver sentido vontade de correr para o Marquês ao saber que Mathieu estará disponível para a visita a Braga.

 

Borja (3,5)

O remate certeiro e de ângulo difícil do lateral-esquerdo valeu os três pontos, apesar de o inefável Rui Costa ainda ter alimentado a esperança de que o videoárbitro encontrasse irregularidade no início da jogada. Foi um momento particularmente comovente, pois basta assistir a duas ou três intervenções do colombiano para desconfiar que não terá tido muito contacto com bolas de futebol nos anos formativos. Só que mais uma vez Borja compensou a falta de domínio de bola com muita vontade de ajudar, sendo tão eficaz a defender o seu flanco como a dar o apoio possível ao ataque. Sobretudo na segunda parte, a partir do momento que ficou sem uma má companhia que por ali andou, fazendo além do golo um excelente cruzamento que resultou no tento anulado a Rafael Camacho.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Titular vá-se lá saber porquê apesar de Battaglia estar disponível e sentado no banco de suplentes, não teve problemas suficientes para ver emergirem as suas piores insuficiências. Mesmo assim escapou ao amarelo em duas ocasiões, o que se torna ainda mais espantoso pela conhecida vontade de amarelar sportinguistas que o árbitro Rui Costa não cessa de demonstrar.

 

Wendel (3,0)

A falta de Mathieu e a incapacidade de Idrissa fizeram com que fosse o criador de jogadas substituto, esforçando-se por fazer “slalons” por entre os adversários que permitiram um domínio das operações muito superior do que a real qualidade do Sporting. Pena é que não esteja com confiança para ensaiar o remate de longa distância que já provou fazer parte do seu repertório, ainda mais necessário quando o especialista das últimas duas temporadas e meia está de malas aviadas para o seu “Alvaladexit”. Razão mais do que suficiente para que Wendel perceba que chegou a hora de assumir o comando.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Mais triste do que o último jogo de um dos melhores de sempre do Sporting coincidir com um novo recorde negativo de assistência em jogos da Liga? Mais triste do que apenas uma fracção dos poucos que foram a Alvalade terem ficado mais uns minutos para aplaudirem o capitão claramente de partida? Mais triste do que qualquer encaixe financeiro obtido com o seu passe, que à hora de escrita destas linhas ameaça constituir um dos raros recordes positivos da actual gerência? Só mesmo o facto de Bruno Fernandes não se ter conseguido despedir com um grande golo ou uma grande assistência. E não foi por falta de tentativa, pois os cruzamentos com que serviu Ristovski e Coates na grande área mereciam melhor aproveitamento ou posicionamento face à linha de fora de jogo, e o remate estrondoso que fez na segunda parte continuará a ser sentido pelo poste da baliza norte muito depois de ter partido para outras paragens. No resto, foi igual a si próprio, quer a comandar os colegas no terreno (quem raio é que o fará doravante?), quer a questionar a abantesma da arbitragem que ali foi parar, quer a inventar aquilo que os restantes não conseguem. Parte sem glória e com o amargo de boca de deixar ainda mais à deriva aquilo que teve tudo para ser um espada cravada nos interesses instalados do futebol português. E se muitos são culpados do estado a que o Sporting chegou, de Bruno de Carvalho a Jorge Jesus, de Sousa Cintra a José Peseiro, de Frederico Varandas a todos os desgraçados que aceitam ser profetas do perdedorismo transformado em religião oficial, a Bruno Fernandes nada há a apontar e muito a agradecer.

 

Rafael Camacho (2,5)

Ainda marcou, fuzilando a baliza escancarada, mas o videoárbitro encontrou uma falta alheia que adiou o alívio aos poucos que combateram a chuva, o frio, o adiantado da hora e sobretudo o desânimo. Teria sido um bom incentivo para o jovem resgatado de Liverpool que muito promete, sem que no entanto grande coisa cumpra por enquanto.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Elevado à titularidade por entre uma chuva de ausências (Bolasie e Vietto) e uma hesitação em apostar no futuro (Gonzalo Plata e Jovane Cabral), o espanhol voltou a exibir a sua pesada e milionária mediocridade no relvado. Todos os minutos que passou em campo foram um desperdício de recursos e um espelho de tudo o que está errado neste Sporting que começa a segunda volta com os mesmos 19 pontos de desvantagem com que terminou a primeira.

 

Luiz Phellype (1,5)

Estava mais uma vez a passar ao lado do jogo quando um dos muitos sarrafeiros do Marítimo lhe desferiu um golpe junto à linha lateral que não chegou para que Rui Costa assinalasse falta mas culminou numa rotura dos ligamentos cruzados do joelho. Terminou a época para o avançado brasileiro, o que é uma tragédia pessoal e mais um problema para um plantel que parece um viveiro de dificuldades.

 

Sporar (2,5)

Claramente abaixo de forma e debilitado, o esloveno teve de entrar ao quarto de hora para o lugar de Luiz Phellype e quase se manifestou de forma precoce, pois o seu primeiro toque na bola foi um remate perigoso que o guarda-redes do Marítimo conseguiu suster. Refreou o entusiasmo a partir daí, ainda que numa jogada da segunda parte tenha dado indicações de estar familiarizado com o funcionamento das bolas de futebol, e além de ser o responsável pela anulação do golo de Rafael Camacho, visto que terá empurrado um defesa, chegou atrasado ao cruzamento de Jovane Cabral que Borja se encarregou de dirigir para a baliza.

 

Gonzalo Plata (2,5)

Entrou para agitar o jogo e cumpriu razoavelmente, ainda que não raras vezes fosse mais trapalhão do que uma jovem esperança do futebol sul-americano deveria ser. Seja como for, tem a vantagem de fazer parte do futuro.

 

Jovane Cabral (3,0)

Sem ser o marcador do golo, como nos tempos em que se tornou o salvador de José Peseiro, o regressado de lesão ligou o Sporting à corrente e assinou o tal cruzamento que conta como assistência. Poderia ter marcado, mas não conseguiu desviar o cabeceamento de Coates para dentro da baliza, tendo ficado perto de marcar num livre directo em que Bruno Fernandes lhe passou o testemunho,

 

Silas (2,5)

Condicionado por lesões e castigos, montou uma equipa titular em que as titularidades de Idrissa Doumbia e Jesé Rodríguez não são fáceis de explicar e contribuíram para que um jogo fácil tivesse alguma incerteza. Mais acertado na hora de fazer substituições, conseguiu os três pontos que devolvem o Sporting ao terceiro lugar da Liga. Manter a equipa no pódio será, no entanto, um desafio que nada indica ser fácil de superar por um treinador que tarda em encontrar um fio de jogo e perde agora a grande referência. Conviria que conseguisse integrar a juventude leonina de Alcochete, mas a verdade é que Rodrigo Fernandes, Matheus Nunes e Pedro Mendes têm sido tratados como escumalha na ordem de prioridades de Silas.

Armas e viscondes assinalados: Em vez da pedrada no charco, o charco na pedreira

Sporting 1 - Sporting de Braga 2

Taça da Liga - Meia-final

21 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Incapaz de se esticar o suficiente para desviar o (muito bom) remate com que Ricardo Horta inaugurou o marcador, o guarda-redes leonino revelou-se exímio na ciência de desviar com a força da mente, impávido e sereno, os livres directos que os adversários iam cobrando. Face ao domínio que o Braga intensificou quando se viu a jogar contra dez, dedicou-se a demonstrar melhoras nas saídas aos cruzamentos e estagnação nas reposições de bola, por vezes destinadas a uma terra de ninguém de verde e branco vestido. Certo é que esteve quase a manter o empate que levaria a que fosse substituído, pois a melhor forma que Silas encontrou para motivar o jovem foi colocar Renan Ribeiro a fazer exercícios de aquecimento, reservando a substituição final para uma entrada destinada ao desempate por grandes penalidades que nunca viria a suceder. Uma falha colectiva da defesa do Sporting permitiu ao Braga recuperar a vantagem quase em cima dos 90 minutos e abriu caminho a um tempo de compensação que veio trazer ainda mais vergonha a uma época de pesadelo.

 

Ristovski (2,0)

A estranha táctica com que o Sporting entrou em campo entregava-lhe todo o flanco direito, sob a vigilância não necessariamente executiva do descaído Bruno Fernandes, sempre disposto a gesticular para que o amigo macedónio subisse no terreno. Claro está que tais subidas criaram buracos na linha defensiva, expondo Coates a riscos tormentosos, mas quando depois do intervalo voltou a ter alianças à direita, com a entrada de Bolasie, este encarregou-se de fazer com que fosse sol de pouca dura. Seguiu-se meia-hora de resistência contra o que veio a suceder, numa jogada em que toda a linha defensiva esteve abaixo do exigível. Mal sabia Ristovski no ano passado, à saída do Jamor aonde só voltará para enfrentar o Belenenses SAD, que mesmo com o capitão também estamos f...

 

Coates (2,5)

Amarelado desde cedo, num derrube a um adversário supersónico, o central uruguaio foi o melhor da defesa, compensando em colocação e técnica o défice de velocidade. Se o Sporting esteve perto a cumprir a tradição de vencer jogos da “final four” nas grandes penalidades em muito deve ao acerto nos cortes de quem voltou a terminar o jogo enquanto ponta de lança designado.

 

Mathieu (1,0)

Apontar o golo do empate do Sporting, numa movimentação rápida e remate eficaz que tirou partido da cobrança de um livre por Bruno Fernandes, tornou-o o mais velho marcador de sempre na “final four” da Taça da Liga e ameaçava fazer dele o herói que abriria portas à qualificação para a terceira final consecutiva. Também seria a melhor forma de fazer esquecer os diversos erros de cobertura, que infelizmente se manifestaram nos dois golos que afastaram o Sporting. Pior do que isso, apesar das desculpas públicas a Ricardo Esgaio, foi a entrada violenta que levou à sua expulsão e provavelmente o afastará não só da recepção ao Marítimo como da nova visita à Pedreira, desta vez a contar para a Liga NOS e que pode levar à perda do quarto lugar para o Sporting de Braga. Que o elemento mais experiente e titulado do plantel tenha sido capaz daquilo é o espelho do desvario pantanoso em que se tornou todo o futebol leonino. Tirando Paulinho, que ainda não entrega bolas furadas e calções esburacados...

 

Acuña (2,5)

Esteve regular, sem grandes erros e mesmo o amarelo que o afasta da recepção ao Marítimo (junta-se a Bolasie, Mathieu, Eduardo e talvez Bruno Fernandes e Vietto, o que não é o início de segunda volta mais propício à conquista dos três pontos) só ocorreu num sururu final em que até se comportou relativamente bem. Mas a verdade é que as circunstâncias, sobretudo após a expulsão de Bolasie, exigiam aquele Acuña que se transcende, valendo por dois ou adversários. E essa entidade não foi avistada em Braga.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Saiu ao intervalo para que a equipa voltasse a ter mais gente na direita do que o Chega na Assembleia da República, com as consequências que todos sabemos. No tempo em que esteve no relvado não deslumbrou, mas revelou sentir muito menos pânico devido à presença de Battaglia por perto e até se integrou de forma eficiente em algumas tentativas de construção de jogo que culminaram no empate que permitia sonhar com o único “tri” possível em tempos de Frederico Varandas.

 

Battaglia (3,0)

Em boa hora regrssado à titularidade, aparenta estar refeito da longa recuperação do azar que o persegue e esconde-se à espreita. Pressionante no melhor sentido da palavra, capaz de combinar com os colegas mais criativos, ainda ficou perto de marcar num cabeceamento que foi um dos escassos aproveitamentos das bolas cruzadas para a área.

 

Wendel (3,0)

Também ele estava cheio de vontade de virar a página após exibições muito pouco conseguidas que fazem deste Janeiro de 2020 um novo Setembro de 2019. Rápido e criterioso no transporte de bola e criação de jogadas, lutou com todas as forças mesmo quando o jogo se desequilibrou de vez, com a inferioridade numérica a juntar-se a tantas outras inferioridades que fazem desta época aquilo que é.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Quem inventou a expressão “não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão” não poderia imaginar a quantidade de oportunidades que Bruno Fernandes tem tido para deixar uma boa última impressão. Desta vez até juntou mais uma assistência ao pecúlio, servindo Mathieu para o golo do empate, e não ficou longe de aplicar o remate de longa distância, mas todo o esforço para virar o resultado foi traído pela imbecilidade de Bolasie e pelas insuficiências de Silas. A imagem final do capitão do Sporting a gesticular para um agente da PSP enquanto decorria a batalha campal no tempo de compensação animou a Internet e serve de espelho ao descalabro reinante no clube e cada vez menos circunscrito ao futebol jogado. Um dia depois, um cavalheiro que não é agente de Bruno Fernandes nem presidente da SAD prestou declarações sobre o “timing” da saída do capitão do Sporting. Sendo tal fenómeno tão aberrante quanto a demonstração de como o complexo agencial-mediático destruiu um Sporting que está agora mais interessado em infinitas purgas internas, sobressai a espantosa coincidência de esse porta-voz do futuro de Bruno Fernandes ser a pessoa que mais lucrou, em poder e em euros, com o Alcácer-quibir que conduziu à presente situação directiva e que serve de escudo às suas gritantes e catastróficas incapacidades.

 

Rafael Camacho (2,0)

Tinha a missão de ser um “joker” no corredor esquerdo e quase cumpriu num lance que culminou com um remate perigoso. Mexido e cheio de vontade de justificar os milhões de euros empregues no seu regresso a Alvalade, viu-se condenado à irrelevância quando, após a expulsão de Bolasie, lhe foi entregue a missão de fingir ser a referência de ataque. Incapaz de ganhar duelos aéreos e de suplantar os centrais arsenalistas, quase todas as bolas despejadas para as suas imediações terminaram em “turnovers” para o adversário e imediata construção de novo ataque.

 

Luiz Phellype (1,0)

A forma como se arrasta em campo é potenciada pelos esquemas tácticos de Silas e pela descrença que reina entre os colegas, mas o brasileiro tende a ser sempre o primeiro a deixar cair a toalha. Será que Bruno Fernandes estaria a fazer participação ao agente da PSP do desaparecimento do avançado competente e sua substituição por um gémeo incapaz de fazer aquilo que se pede a esse tipo de futebolista?

 

Bolasie (0,0)

Um quarto de hora de jogo bastou para cometer a imprudência que deixou a equipa a jogar com menos um. E ainda que a entrada assassina sobre o adversário possa ter sido causada por uma escorregadela, nem isso perdoa a falta de inteligência do franco-congolês que se propunha revitalizar a direita  de uma entidade que anda pelas ruas da amargura sem que o seu presidente siga o exemplo de Assunção Cristas quando conduziu o CDS-PP a igual destino.

 

Neto (2,0)

Os minutos que passou em campo, num esquema de três centrais que visava levar o jogo até ao desempate por grandes penalidades não foram perfeitos, mas tiveram o condão de sossegar os sportinguistas: a expulsão de Mathieu não implica necessariamente a titularidade de Ilori.

 

Silas (1,0)

Além de ter entrado no jogo com a sua equipa inspirada no decepado da Batalha de Toro, abdicando do braço direito, demorou eternidades para corrigir posicionamentos e rechaçar o domínio do Sporting de Braga, animado pelo golo madrugador. Quando finalmente deu indicações aos jogadores nesse sentido até viu a equipa empatar, deixando tudo em aberto para uma segunda parte em que apostou (bem) na entrada de Bolasie. Ora, se o infeliz treinador do Sporting não tem culpa da burrice do jogador que se fez expulsar, a aposta em Rafael Camacho como avançado desterrado não só foi um erro de “casting” como contribuiu para emperrar o contra-ataque, ficando desprovido de um jogador rápido como o jovem extremo, como empurrou a equipa adversária para a grande área até que o destino se cumpriu. E ainda por cima numa altura em que se tornara evidente que poupara a terceira substituição para a entrada de Renan Ribeiro a tempo do desempate por pénaltis. Ignora-se em que manual de motivação leu tal estratégia, mas a verdade é que Luís Maximiano sofreu o 2-1. E embora a falta de competência do actual treinador do Sporting possa parecer uma nota de rodapé face ao nível do Conselho Directivo, do departamento de futebol profissional e do próprio plantel, a triste verdade é que Silas ainda não está preparado para a missão que lhes entregaram e que ele aceitou.

E esta m... é toda deles, olé

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Admito a extrema dificuldade que sinto para entender quem autorizou o Benfica a decorar desta forma o balneário a que teve acesso, durante curtas horas e no estatuto de equipa visitante, no Estádio de Alvalade. Assim de repente, parece coisa de "conquestadores" a chegarem a terras distantes que reclamavam para a coroa espanhola.

Mas este triste episódio tem o condão de revelar uma enorme verdade. "Somos um só Benfica" poderia passar muito bem por lema desta direcção que presta vassalagem ao poder instalado e se agacha tanto quanto possível for perante quem manda, sem se preocupar demasiado com as sucessivas derrotas frente ao eterno rival que já vai redecorando o estádio com a mesma eficiência com que inclina o pavilhão e dele retira alguns dos mais promissores atletas formados em Alvalade, ainda que o latente descalabro nas modalidades esteja a ser contido pelo querer de um grupo de jogadores e treinadores de compromisso e de eleição e pela aguerrida figura de Miguel Albuquerque. Tivesse o futebol tanta gente assim tão valorosa no relvado, no banco e nos gabinetes e outro galo cantaria...

Se o perdedorismo é uma das marcas de água da presidência de Frederico Varandas, o perdedorismo militante perante qualquer equipa do Benfica é o traço cultural dominante nestes tristes tempos. Urge reencontrar a vontade de vencer, a exigência que cada um deve ter para consigo próprio (em campo ou na bancada) e em relação a todos os outros que também estão com o leão.

Caso contrário, mais valerá dar carta branca aos benfiquistas para redecorarem tudo o resto.

Armas e viscondes assinalados: Mais duas tacadas para o buraco 19

Sporting 0 - Benfica 2

Liga NOS 17.ª Jornada

17 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Tivesse o "derby" apenas 79 minutos e teria saído de Alvalade com a sensação de dever cumprido, seja a disfarçar as gritantes e abissais insuficiências dos colegas de titularidade ou a retirar do relvado as tochas com que as claques deram prova de vida nada inteligente no início da segunda parte – até então tinham ficado em silêncio, permitindo apurar o quanto as bancadas amorfas, passivas e afónicas estavam dispostas a ouvir os cânticos da claque benfiquista a ecoar em Alvalade. Ainda o jogo não tinha completado dois minutos e já o guarda-redes leonino estava a fazer uma mancha que impediu uma desvantagem precoce, aplicando-se da mesma forma para travar remates rasteiros e aéreos (apesar de os avançados benfiquistas tirarem escasso proveito da enorme superioridade no jogo de cabeça na grande área). Nada pôde fazer nos lances dos dois golos tardios que colocam o Sporting a 19 pontos do Benfica quando ainda falta disputar uma segunda volta em que será preciso visitar os estádios das melhores equipas da Liga. E muito provavelmente sem o contributo do maior dos quatro ases que ainda sobravam no baralho.

 

Ristovski (3,0)

Tem a grande qualidade de ainda pertencer ao Sporting que contava para o Totobola e nunca se esquece disso, enfrentando cada adversário pelo que vale e não pelo que as orquestrações de Jorge Mendes irão fazer com que supostamente vá valer. Ainda que pouco integrado na manobra ofensiva, o macedónio contribuiu para que alguma fraca gente, orientada por um fraco treinador, escolhido por ainda mais fraco presidente, ficasse perto de perturbar a narrativa da Liga NOS aprovada em comité.

 

Tiago Ilori (1,5)

Quando evitou o golo madrugador do Benfica, cortando com o rosto o remate dirigido para a baliza momentaneamente desprovida de guarda-redes, terá inquietado aqueles que lhe asseguraram a titularidade ao garantirem que Coates levaria um amarelo em Setúbal “by all means necessary”. Reforçou essa impressão com uma sucessão de cortes importantes que evitaram desventuras à equipa, embora o desacerto nos passes longos e nos lances de ataque fosse um indicador das suas reais (in)capacidades. E o central contratado pela mesma gerência que vendeu Domingos Duarte a desbarato acabou por não desiludir os fãs nos dois golos do Benfica, sobretudo no segundo, que nasce da sua abordagem suicida em dois momentos da jogada.

 

Mathieu (3,0)

O remate acrobático que executou no final do jogo saiu por cima da baliza do Benfica, e que já pouca diferença faria mesmo que tivesse entrado, serviu para recordar que o francês tem mais futebol no dedo mindinho do pé esquerdo do que alguns colegas de plantel teriam caso nascessem dez vezes. Concentrado nas bolas aéreas, generoso nas compensações e capaz de iniciar jogadas de ataque com um critério que falta a quase todos os jogadores leoninos, lamenta-se que se esteja a aproximar o final da carreira de um grande futebolista. E ainda mais que o seu maior objectivo nesta triste segunda volta que se inicia, passando à frente do eventual “tri” na Taça da Liga que fará as delícias dos irredutíveis da actual gerência do Sporting, seja assegurar a (difícil) qualificação do Sporting para a próxima edição da Liga Europa.

 

Acuña (3,0)

Nem o cartão amarelo que viu relativamente cedo, num lance em que foi traído por um inconseguimento de Wendel, limitou o argentino que faz da raça e da classe armas capazes de pôr adversários em sentido. Até marcou um golo notável, aproveitando o já conhecido e recorrente défice de ângulo morto de Vlachodimos, mas Luiz Phellype encarregou-se de o fazer anular devido ao seu posicionamento. Estando na iminência de ser promovido a estrela da equipa, ainda que nunca se saiba se algum génio da lâmpada o “basdostará” por uma dúzia de milhões de euros (ou até por uns feijões mágicos), dedicou-se a dar esperança num resultado melhor do que a encomenda. Mas voltou a não ser dia para isso.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

A angústia do jovem médio ao ver-se rodeado por papoilas pressionantes é a imagem de marca do triste "derby" em que o Benfica passou a ter vantagem sobre o Sporting em jogos disputados em Alvalade. Incapaz de estar à altura do momento, perdeu a posse uma, duas, milhentas vezes, sendo certo que a sorte e os colegas impediram que os seus constantes erros tivessem as consequências catastróficas que poderiam ter. Centenas de quilómetros mais a Norte, João Palhinha esteve na vitória do Sporting de Braga na visita ao Estádio do Dragão, mas o mais certo é que nunca mais vista uma camisola que, a manter-se este rumo, será mais talhada para quem não consegue fazer melhor do que o pobre Idrissa, só retirado de campo quando o empate já estava desfeito e o buraco 19 mesmo ali à frente. Antes tivera o seu melhor momento, num remate colocado, à entrada da grande área, que Vlachodimos desviou para canto.

 

Wendel (2,0)

Ter maior familiaridade com a bola de futebol do que o colega de duplo "pivot" permitiu que evitasse cometer tantos “turnovers” quanto Idrissa, mas nem por isso os efeitos práticos da sua melhor técnica foram muito visíveis na construção de jogadas. Tarda a afirmar-se num meio-campo em que se arrisca a ser o elemento mais virtuoso.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha feito o último jogo pelo Sporting, sendo improvável que o Manchester United lhe permita tentar juntar mais uma Taça da Liga ao palmarés pessoal, e uma derrota em casa contra um rival directo estará longe de ser a forma como sonharia despedir-se. Verdade seja dita que, embora pouco rematador, esteve ligado aos melhores momentos do Sporting. Logo no início, com uma assistência de longa distância que deixou Rafael Camacho frente a frente com o guarda-redes do Benfica, e numa arrancada em que o seu amigo Pizzi pôde fazer-lhe uma entrada assassina sem ver amarelo e sem evitar o passe para Bolasie, o qual rematou fraco e à figura. Massacrado pelos adversários, ao ponto de Gabriel ser amarelado por atingir o capitão leonino numas coordenadas que podem pôr em causa que a sua filha venha a ter irmãos, Bruno Fernandes voltou a demonstrar uma classe que não se encontra todos os dias, todos os anos ou todas as décadas. Se com ele na equipa já o Sporting estava à beira do abismo, a sua saída pode ser o passo em frente.

 

Rafael Camacho (3,0)

O excesso de pontaria que demonstrou ao rematar ao poste, engrossando as sobrenaturais estatísticas do Sporting nesta temporada, após aproveitar o passe longo de Bruno Fernandes e os pés de barro de um central com nome de Ferro, impediu que o Sporting fizesse o improvável. Também não teve sorte num cabeceamento que Vlachodimos conseguiu rechaçar, mas a verdade é que foi o único elemento do ataque à altura do emblema que trazia ao peito, conseguindo participar na construção de jogadas e tendo pés dotados o suficiente para driblar os adversários que foi encontrando pela frente. Espera-se que ganhe confiança e músculo, pois a partir daqui tudo se tornará ainda mais complicado.

 

Bolasie (2,0)

Ninguém lhe pode negar vontade e coragem, embora a sua “famosa” finta raras vezes engane alguém e o domínio de bola explique o ponto em que se encontra a sua carreira à entrada dos 30 anos. Tivesse tanto jeito para acertar com a bola na baliza quanto tem para produzir vídeos motivacionais e o Sporting estaria numa posição muito menos desesperada.

 

Luiz Phellype (1,0)

Teve concorrência de monta na luta pelo posto de pior em campo, mas sobressaiu pela forma como fez anular o golo de Acuña e teve de contar com a complacência de Hugo Miguel e de Jorge Sousa para que o seu amarelo nao assumisse outras cores. Perdido no relvado e fora de sintonia com os colegas, primou quase sempre por uma atitude indolente que reflecte o mau momento de forma física e anímica de quem chegou a parecer uma opção válida para o ataque do Sporting no final da época passada. A este não foi preciso que Ruben Dias desse um “abraço” na grande área...

 

Gonzalo Plata (1,0)

Desperdiçou os minutos que lhe deram, sendo incapaz de fazer melhor do que, mal ou bem, Bolasie ia tentando fazer.

 

Pedro Mendes (1,0)

Talvez seja de o testar em melhores circunstâncias, não?

 

Borja (1,5)

Entrou já depois dos 90 minutos para que Acuña pudesse subir no terreno. Cumpriu, como cumprira em Setúbal, e voltará a poder cumprir no próximo jogo, pois Acuña fica de fora devido ao cartão amarelo que viu em Alvalade.

 

Silas (1,5)

A insistência em Idrissa Doumbia perante a evidente inadequação do jovem para a tarefa que lhe era pedida, deixando Battaglia sentado no banco, é o melhor retrato da intervenção do treinador em mais um "derby" do nosso descontentamento. Ainda que o resultado tenha estado quase a ser positivo, ainda que algumas das melhores oportunidades tenham pertencido aos leões, a verdade é que o Sporting atravessou largos períodos de marasmo e de domínio benfiquista, demonstrou uma incapacidade de construção aterradora e tornou evidente que o pior ainda estará a caminho. Por muito que seja um profissional digno de respeito, Silas só não é o elemento menos capacitado para as funções que desempenha no Sporting porque o plantel profissional está cravejado de calamidades e a tribuna presidencial ainda é pior.

Bom seria que no Outono estivesse em Pequim

Às segundas, quartas e sexta garante desejar paz no futebol e união no Sporting, às terças, quintas e sábados revela-se um Instigador de ódio e promotor de discórdias internas que só servem para esconder os seus inúmeros e sucessivos erros. Manso com quem manda no futebol português, ameaça arrancar cabeças a dirigentes do Vitória de Setúbal (pelo menos assim terá sucedido, tal como Sidónio haverá dito “morro bem” na Estação do Rossio). Não ter contribuído com o meu voto para que isto esteja a suceder ao meu clube em nada me alivia...

Se ele não existisse teria de ser inventado, não pelos mesmos demiurgos que criaram a sua candidatura, mas por alguém com outra qualidade criativa e literária. Talvez o saudoso Boris Vian, especialista em arrancar partes do corpo humano e autor de um romance que não se passa nem no Outono nem em Pequim. Tal como, na espuma dos dias de um verde tão desbotado quanto o das bandeirinhas de plástico espalhadas pelas bancadas na tarde do clássico, muitas vezes parece que o Sporting deixou de estar lá e, infelizmente, que os sportinguistas e o sportinguismo também se encontram em parte incerta.

Armas e viscondes assinalados: Um vírus destinado a surtir efeito na noite de sexta-feira

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 3

Liga NOS - 16.ª Jornada

11 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (1,5)

O remate saiu forte mas de tal forma à figura que não há forma de o catalogar sem recorrer a metáforas galináceas. A abordagem extremamente deficiente ao lance que causou calafrios aos adeptos leoninos foi, no entanto, apenas um dos pontos negativos de uma exibição em que o jovem guarda-redes andou literalmente aos papéis nas raras ocasiões em que os adversários se acercavam dele e primou pela falta de critério nas reposições de bola.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio ficou ligado ao resultado com um cruzamento fulgurante que, à falta de maior acerto por parte dos colegas, acabou desviado para a baliza por um defesa do Vitória de Setúbal. Mas não só. Presente tanto na defesa como no apoio ao ataque, tem como única mancha a incapacidade de evitar, atrapalhado por Bolasie, que um adversário fosse na direcção de Coates. E o resto é história.

 

Coates (2,5)

Tinha como única missão evitar que algum adversário se aproximasse de si, o que resultaria no inevitável cartão amarelo com que o previsível Tiago Martins o afastaria do derby da noite da próxima sexta-feira. Conseguiu ser afastado do Sporting-Benfica sem cometer nenhuma falta, e muita falta fará num jogo em que os seus cortes pela relva e pelo ar poderiam pôr em causa o guião do desfecho da Liga NOS previamente aprovado em comité.

 

Mathieu (2,5)

Pareceu contaminado com o vírus gripal que supostamente dizimou o plantel dos sadinos ao dar o toque na bola que a deixou nos pés do marcador do 1-2. Tirando esse momento de desnorte foi mais uma noite à grande e à francesa de um veterano tão indestrutível que decerto poderá tentar fazer resultar a dupla com Tiago Ilori que a arbitragem lhe impôs para a próxima sexta-feira.

 

Borja (3,0)

Destacou-se na primeira parte pela forma como se integrou no ataque, auxiliado pela presença de Bruno Fernandes no flanco esquerdo, e pelo acerto na cobertura defensiva. Sendo certo que só foi titular para evitar que Tiago Martins conseguisse o pleno e afastasse também Acuña do derby, o colombiano fez dos melhores jogos ao serviço do Sporting, pertencendo-lhe a antecipação que iniciou o contra-ataque terminado no 1-3.

 

Battaglia (3,0)

Continua a parecer algo preso de movimentos, e aquém daquilo que conseguia fazer antes das graves lesões que travaram a sua afirmação na selecção argentina. Ainda assim, primou pela leitura de jogo e fez circular a bola com muito melhor critério do que consegue o castigado Idrissa Doumbia. Sem falar na assinalável quantidade de cortes e de recuperações de bola.

 

Wendel (2,5)

A forma como comemorou o lance do primeiro golo fez desconfiar que teria sido ele a desviar o cruzamento de Ristovski, mas não passou da expressão de vontade de não deixar que a visita aos engripados de Setúbal corresse ainda pior ao Sporting. Muito mexido na primeira parte, na qual foi derrubado dentro da grande área sem que isso perturbasse um dos maiores artistas que algum dia enfiaram um apito na boca, perdeu gás no segundo tempo e adiou a tranquilidade no marcador ao fazer um (mau) passe para Vietto quando estava em posição de alvejar a baliza vitoriana.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Limitado pelo posicionamento à esquerda e pela carta branca que Tiago Martins concedeu aos jogadores do Vitória de Setúbal para testarem a consistência dos ossos das suas pernas, o capitão respondeu com intervenções como a jogada em que se isolou e foi agarrado de forma tão flagrante pelo defesa apanhado em contramão que nem um exímio desnivelador de campos pôde ignorar o pénalti que cobrou logo de seguida. Mesmo sem estar ao melhor nível, e de ter chegado a dar mostras de estar lesionado, não terminou o jogo sem bisar, concluindo um contra-ataque bem conduzido por Rafael Camacho. Espera-se que tenha guardado algumas munições para um dos seus “clientes” favoritos se até sexta-feira ainda não tiver sido despachado para Manchester, num daqueles negócios que envolvem pagamentos de supostas dívidas a Jorge Mendes e verbas destinadas a pagar protocolos de expansão da marca do Sporting na Polinésia Francesa.

 

Vietto (2,5)

Saiu lesionado num lance em que talvez tenha sofrido grande penalidade, vendo-se quase de certeza afastado do Sporting-Benfica. Encarregue durante a primeira parte de fazer as vezes de Bruno Fernandes, algo que infelizmente talvez se venha a tornar um hábito, voltou a demonstrar mais jeito para construir jogadas do que para fazer aquele detalhe que fica bem aos avançados, sejam ou não móveis.

 

Bolasie (2,5)

A excelente abertura para Ristovski foi a coroa de glória de uma exibição mexida do franco-congolês, igualmente considerado alvo a abater pelos engripados adversários. Pelo menos desta vez não foi expulso por agressões fictícias.

 

Luiz Phellype (1,5)

O cartão amarelo que lhe ofertaram logo no início do jogo, honra que na época passada foi reservada a Tiago Ilori por ter ousado tocar em João Félix, toldou os movimentos e as ideias de um avançado que também já deve ter reparado nas manchetes que atiram Sporar à cara dos sportinguistas. Foi de uma nulidade absoluta que causa calafrios a quem tenha reparado no calendário que a equipa terá nas próximas semanas.

 

Rafael Camacho (3,0)

Entrou para o lugar do lesionado Vietto e estreou-se com um bom remate cruzado após uma incursão pela esquerda, batalhando numa fase B da equipa que poderia ter acabado com mais uma humilhação. E teve a melhor recompensa para o seu esforço ao ficar ligado ao resultado final, servindo de bandeja o 1-3 a Bruno Fernandes.

 

Pedro Mendes (2,0)

A estreia na Liga NOS do avançado finalmente inscrito poderia ter sido doce caso tivesse acertado na bola ao executar um remate acrobático na grande área do Vitória de Setúbal. Mas nada melhor conseguiu do que sacar um cartão amarelo e meter a defesa contrária em respeito devido ao poderio físico.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Andou pelo campo uns quantos minutos. Ameaça voltar a repetir esse padrão em jogos vindouros.

 

Silas (2,5)

Quando se viu a ganhar por dois golos de diferença, apesar da presença de Tiago Martins, deveria ter pensado: será mesmo boa ideia deixar em campo um dos meus melhores jogadores, sendo que ele está mesmo à calha para ver o amarelo que o deixará de fora no próximo jogo, que até é contra uma equipa cujo vírus não é propriamente o da gripe? Pois que Silas não pensou nisso, apesar de ter deixado Acuña de fora, e também não é crível que seja capaz de arriscar um golpe de asa como lançar Eduardo Quaresma contra o Benfica. Mas também há que reconhecer que o treinador leonino está longe de ser o mais culpado num cenário que tem tudo para agravar-se nos próximos dias, caso se confirme a saída de Bruno Fernandes, o que forçará uma reconstituição do plantel executada por mentes que até agora deram provas de serem perigosas ao ponto de deverem ser banidas do site Transfermarkt.de.    Quanto a Silas propriamente dito, e ao jogo em apreço, lamenta-se que continue a demorar demasiado a reagir quando o paradigma do jogo muda. Só o desacerto de Guedes na recarga ao seu cabeceamento que embateu na trave impediu o Vitória de Setúbal de chegar ao empate.

Armas e viscondes assinalados: A vida tal como ela é

Sporting 1 - FC Porto 2

Liga NOS - 15.ª Jornada

5 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,5)

Certamente não estaria à espera de um início digno de pesadelo, com um golo sofrido a frio num lance em que mais valeria ter ficado na baliza e recolher calmamente a bola controlada em esforço por Marega. Sendo certo que pouco mais fez até observar a bola alojar-se nas redes para o tardio duche de água fria do 1-2, limitando-se a demonstrar que precisa de treinar os pontapés longos, redimiu-se nos últimos minutos, evitando que o resultado final fosse ainda mais injusto do que a vida tende a ser para os sportinguistas. A uma excelente mancha que o deixou combalido, pois o joelho do avançado portista que seguia para a baliza embateu no seu queixo, seguiu-se uma palmada que desviou um remate rasteiro em zona frontal. Melhores dias virão para um jovem cheio de talento.

Ristovski (2,0)

Manchado pelo segundo de atraso com que reagiu à diagonal de Marega, tentou controlar as investidas do ataque portista e potenciar o ataque leonino. Sem grandes resultados, ainda que também nada de especialmente bom tenha resultado da sua substituição.

Coates (3,0)

Merecia que aquele seu cabeceamento enrolado valesse o empate à equipa que mais fez por vencer, mas o raio da vida é como é, pelo que a bola embateu do lado cimeiro da trave. Apesar de ser co-responsável pelo primeiro golo do FC Porto, e de não ter conseguido evitar o cabeceamento de Soares, remou contra a maré, como sempre, não hesitando em substituir-se a colegas mais talentosos na construção de jogadas.

Mathieu (3,0)

Outro bravo do pelotão, capaz de encontrar forças onde outros só gritariam de desespero. Uma das raras unanimidades que subsistem nas bancadas balcanizadas de Alvalade é a reacção nos momentos em que o francês pega na bola e convida-a para uma “promenade” no meio-campo do adversário.

Acuña (4,0)

Além daquilo que só pode ser descrito como uma tentativa de furar redes, com golo do empate à mistura, numa jogada de contra-ataque iniciada pela sua disponibilidade para reagir antes dos adversários? Mais de 90 minutos daquela raça que nunca se vergará, municiando os colegas com cruzamentos sucessivamente desperdiçados e impedindo os adversários de garantirem mais cedo que terminaria naquela tarde de domingo a tradição de saírem de Alvalade sem três pontos. Tivesse ficado mais uma meia-dúzia como ele e a mesma gerência que pondera transferi-lo por dois ou três dostilhões até seria capaz de ficar ligada ao fim do jejum.

Idrissa Doumbia (3,0)

Outro que merecia melhor do que o lance em que, no meio do caos instalado na grande área leonina, foi incapaz de impedir que Soares se elevasse o bastante para desviar a bola para a baliza. Por muito que o jovem médio resgatado à Tchechénia não seja um bafejado pelos deuses do futebol, o muito trabalho que está disposto a fazer vai contrabalançando as limitações de que padece. Assim foi no clássico de Alvalade, sucedendo-se intervenções acima das expectativas, incluindo o derrube de Danilo quando este se encaminhava para a baliza que lhe valeu um amarelo que o põe de fora da deslocação a Setúbal. Mas na hora fatídica permitiu o 1-2, sendo recompensado com a saída de campo na hora do tudo por tudo.

Wendel (3,0)

Incansável operário do meio-campo leonino, contribuiu para que o FC Porto deixasse a equipa da casa mais sossegada do que o resultado final permitirá adivinhar. Beneficiaria, no entanto, de ter maior liberdade para aparecer na carreira de tiro.

Bruno Fernandes (2,5)

A incapacidade de marcar golos ao FC Porto foi a única tradição que saiu reforçada no clássico, ainda que o capitão tenha rematado sempre que teve oportunidade. Vigiado de perto pelos adversários, cedeu protagonismo a Acuña e Vietto e quando deu por si já estava amarelado por protestos, tendo desde então o cuidado de evitar que Jorge Sousa voltasse a expulsá-lo como fez no Bessa. Ainda ameaçou o golo num livre directo, marcado de muito longe, mas terminou o jogo quase como médio defensivo. Foi uma oportunidade desperdiçada de dar algum sentido à temporada do Sporting e, de igual forma, de dar sentido à permanência do melhor jogador português a jogar em Portugal.

Vietto (2,5)

Só a assistência para o golo de Acuña faz o possível por compensar minimamente o festival de desperdício de golos que Vietto ofereceu aos adeptos que não deixaram milhares de lugares ocupados apenas pelas bandeirinhas de plástico verde desbotado que roubaram ainda mais sonhos de infância a Greta Thunberg. Sendo lamentável o excesso de pontaria que o levou a golpear o poste no lance em que o bombeiro entrou no relvado para retirar uma tocha, lances como aquele em que rematou ao lado após ser isolado por Luiz Phellype dão razão a quem encara a “falta de golo” do argentino como uma verdade absoluta que explica a inclusão de metade dos seus direitos desportivos no negócio que legitimou a presença de Gelson Martins no Atlético de Madrid como primeira voltinha no carrossel.

Bolasie (2,0)

Movimenta-se como um comboio desgovernado e na maioria das ocasiões prima pela coerência com tal característica. Poderia ter ficado ligado ao resultado se Jorge Sousa assinalasse pénalti num lance em que foi derrubado na grande área, mas a vida é como é. Sem fazer melhor uso da velocidade do que um amarelo atribuído a quem o travou num contra-ataque, teve a parca compensação de ser substituído, já com o jogo a acabar, por alguém que fez manifestamente pior.

Luiz Phellype (3,0)

Incluído numa equipa montada para jogar apesar da sua presença, mostrou-se decisivo no lance do golo do Sporting, ainda que tenha demorado instantes a acreditar que não se encontrava em posição irregular, e na segunda parte ofereceu um golo que Vietto se encarregou de esfumar. Já naquilo que os avançados-centro costumam fazer foi bastante menos eficaz, ao contrário dos homólogos vestidos de azul e branco.

Rafael Camacho (2,0)

Lançado por Silas como lateral-direito ofensivo, na hora do desespero, não conseguiu repetir a receita do jogo de Portimão.

Gonzalo Plata (1,5)

Algumas perdas de bola e pouco discernimento.

Jesé Rodríguez (0,5)

O “ponta de lança móvel” descoberto pelo inventor de novos paradigmas do futebol moderno destacou-se pela quantidade de quezílias em que se envolveu em pouquíssimos minutos. Na véspera, o finalmente inscrito na Liga Pedro Mendes deu a vitória aos sub-23 com um golo no coração da área. Como diria o outro, isto anda tudo ligado.

Silas (2,5)

Viu a estratégia desfeita pelo golo madrugador do FC Porto, marcado quando as faixas a recordar glórias passadas do Sporting ainda não tinham sido recolhidas, toldando a visão do relvado aos resistentes à mancha de lugares vazios nos lugares mais elevados do estádio, numa excelente metáfora da incompetência e apatia que se generalizaram no reino do leão. Mesmo assim nada temeu, viu os seus jogadores tirarem partido das gritantes limitações da equipa da Sérgio Conceição e chegou a um empate que parecia prenúncio da vitória que teve todas as condições (menos a pontaria) para ocorrer na segunda parte. Ao ver-se a perder, contra a corrente do jogo, arriscou substituições que em nada melhoraram o desempenho do Sporting, abrindo caminho para minutos de domínio portista que poderiam agravar mais alguns recordes negativos. Começa 2020 a 16 pontos do líder, a 12 pontos do segundo lugar e apeado do pódio da Liga NOS. Também para ele a vida é o que é.

Seria mais do que merecido para as leoas

Dos três “jogos grandes” que o Sporting disputou neste primeiro domingo de 2020 foi a equipa feminina de futebol que conseguiu a vitória, com um trunfo por 2-4 na visita ao Sporting de Braga. Ficou praticamente selado o destino das campeãs em título, já com oito pontos de desvantagem para o Sporting, que consolidou a segunda posição, e ainda mais três para o Benfica, que soma por vitórias todos os jogos que disputou.

A capacidade de superação de atletas como a Nemena, a Ana Borges, a Raquel Fernandes, a Diana Silva, a Carolina Mendes, a Carole Costa, a Joana Marchão, a Tatiana Pinto e tantas outras grandes leoas deve forçosamente ser recompensada. Mesmo que não em dinheiro, certamente escasso apesar de ainda não ter sido desferida a temida estocada na aposta no desporto feminino, pelo menos em reconhecimento do clube que tão bem representam.

E que melhor forma de o fazer do que realizar no Estádio de Alvalade o Sporting-Benfica marcado para o fim-de-semana de 23 de Fevereiro? Embora seja assaz improvável que as leoas possam vencer as rivais por 4-0, o que lhes daria vantagem em caso de igualdade pontual, nunca se sabe se o Sporting de Braga comete uma gracinha e rouba dois ou três pontos às actuais líderes no jogo que ainda irão disputar. E, nesse caso, bastaria vencer o Benfica, sendo certo que mesmo nos tempos da RDA havia provas de atletismo que não vencidas pelas alemãs de Leste, pese embora o seu assinalável poderio físico.

Tendo em conta que a equipa masculina joga em casa para a Liga Europa na quinta-feira anterior, o que atirará a recepção ao Boavista para a noite de domingo, porque não marcar o Sporting-Benfica para a tarde de sábado, abrindo o jogo aos detentores de gameboxes que queiram demonstrar àquelas valentes futebolistas, dignas do respeito de todos os sportinguistas, que acreditamos nelas?

Até porque seria o mínimo que a atual gerência poderia fazer para homenagear aquele excelente grupo após a desconsideração de ter tomado posse à mesma hora a que a centenas de quilómetros a equipa feminina de futebol disputava a Supertaça que só perdeu com o Sporting de Braga nos pénaltis.

Recordo-me muito bem das lágrimas da Carlyn Baldwin ao ficar ligada à nossa derrota, ainda sem poder imaginar as provações que uma lesão terrível lhe iria trazer. Mas também vou acompanhando a forma como a nossa polivalente norte-americana vai sentindo a equipa e o clube, e a esperança em voltar a pisar relvados. Bem que poderia ser o relvado de Alvalade, daqui a pouco mais de um mês e meio.

Chamem a polícia

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Tem de ser a PSP a dizer o óbvio: a estratégia que só com infinita boa vontade se pode chamar desastrada de tornar menos vazias as bancadas de Alvalade nos jogos grandes do início de 2020 foi feita a régua e esquadro para embolsar uns punhados de euros com o entusiasmo dos adeptos benfiquistas, mesmo que à custa do apoio que a rapaziada ouçam lá o que vos digo deveria receber das bancadas.

Quem fica muito incomodado com o “joguem à bola” e com o “varandas, o que é que fazes aqui” ficará descansado.

No domingo pode até ser que não se note muito, pois a dragonagem entra em Alvalade sempre com medo de tropeçar na casca de banana que insiste em meter-se debaixo dos seus pés, mas suspeito que testemunharei numa noite de sexta-feira pouco distante um coro de “glorioso sêlêbê” no coração do estádio escancarado por um burro que talvez nem seja oriundo de uma estância balnear próxima de Setúbal, embora já tenha trabalhado na cidade banhada pelo Sado antes de ser eleito por masoquistas.

Armas e viscondes assinalados: Foram realistas e exigiram de si próprios o impossível

Portimonense 2 - Sporting 4

Taça da Liga - Fase de Grupos 3.ª Jornada

21 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Ainda mal o jogo começara e já tinha desviado para canto um remate perigoso de Jackson Martínez, voltando a distinguir-se com uma defesa de recurso que, infelizmente, inspirou Rafael Camacho a cometer grande penalidade. Adivinhou o lado para onde o avançado colombiano iria marcar, mas nada pôde fazer, tal como no autogolo de Mathieu, não obstante a tentativa de golpear os seus rins. Tudo parecia apontado para mais uma das recorrentes humilhações que polvilham a temporada do Sporting, mas o jovem guarda-redes entendeu que não seria esse o dia. Uma excelente defesa no início da segunda parte, quando o 3-1 parecia inevitável, deu impulso para a improvável recuperação que abriu portas à terceira “final four” da Taça da Liga. Segurança e maturidade são os nomes do meio de quem promete tornar-se uma lenda.

Ristovski (3,0)

Chegou atrasado no lance do 2-0, claro está, mas nem por isso deixou de mostrar que é muito superior ao outro lateral-direito do plantel. Ainda que aquilo que sucedeu após ter saído do relvado, sacrificado para a aposta total no ataque, mostre que poderá encontrar forte concorrência de onde já não se adivinhava.

Coates (3,5)

Foi como se fosse um Maradona tão desengonçado como bafejado pelos deuses do futebol que irrompeu pelo meio-campo do Portimonense, ainda com o resultado em 2-1, ludibriou vários adversários e serviu Vietto, capaz de falhar o que era mais fácil. O compromisso do subcapitão não rendeu golo nesse momento, ainda que se possa tecnicamente atribuir-lhe uma assistência diferida pela forma como descobriu Rafael Camacho na direita no lance que selou o empate. Também teve erros e perdas de bola escusadas, mas voltou a encher o relvado com a sua exibição.

Mathieu (3,0)

Desta vez coube-lhe preencher a quota de autogolos que fazem parte das habituais desgraças que recaem sobre o Sporting, o que bastaria para fazer cair um francês mais dado a rendições. Em vez disso, sendo Mathieu quem é, dedicou-se a fazer cortes que valem pontos, um dos quais ainda roubou literalmente o golo da cabeça de um adversário.

Acuña (3,0)

A primeira, a segunda e a terceira regra do seu clube coincidem: ninguém lhe tira a bola dos pés. Utilizou esse poder de forma mais decisiva a defender do que a atacar, mas também contribuiu na ala esquerda para fazer com que a inferioridade numérica se reduzisse a um detalhe estatístico ao longo da segunda parte.

Idrissa Doumbia (3,0)

É possível que a presença de Battaglia no banco de suplentes sirva de incentivo para melhorar a sua presença no relvado. Desta vez revelou-se mais interventivo do que é habitual na construção de jogadas, acabando por ser alvo de faltas duras ao driblar adversários. Sacrificado na hora do tudo por tudo, voltou a deixar boa imagem.

Wendel (3,0)

Tão discreto quanto influente, o jovem brasileiro continua a dar mostras de grande amadurecimento táctico. Excelente posicionamento, qualidade na circulação de bola e muito esforço ajudaram a levar a equipa para a frente até receber merecido descanso para a entrada de Battaglia.

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por deixar Bolasie na cara do golo, sem que o franco-congolês lograsse ludibriar o guarda-redes do Portimonense, mas quando o resultado já ia em 2-0 e o Sporting parecia dispensado do compromisso em Braga no final de Janeiro, traçou o 2-1 executado por Vietto como se tivesse um compasso na chuteira. E como se fosse fácil seria para outros liderou a resistência leonina no segundo tempo, correndo mais do que permitia a força humana, somando uma nova assistência, daquelas que só ele poderia fazer tão bem e depressa, para a reviravolta no resultado. O abraço que deu e recebeu a Gonzalo Plata, a quem corrigira movimentos minutos antes, como um líder e como um mestre, ilustra a insubstituível importância que tem na equipa. Pena é que o rumo ao “tri” ocorra na menos festejada de todas as competições.

Rafael Camacho (3,5)

Tendo em conta que começou por fazer o tipo de pénalti que seria assinalado mesmo que vestisse de papoila saltitante no Estádio da Luz, arrastando a equipa para o desastre iminente, dificilmente poderia ter corrido melhor o jogo ao resgatado ao Liverpool. Mas é curioso que o melhor de Rafael Camacho tenha ocorrido quando passou a lateral-direito com jurisdição alargada à ala inteira, justamente aquela posição em que Klopp, que mais ou menos à mesma hora disputava o Mundial de Clubes contra o Flamengo de Jorge Jesus, tanto o quis experimentar. Certo é que o lance do 2-2, com movimentos momentaneamente perpétuos dentro da grande área do Portimonense a antecederem o remate em arco, foi a demonstração mais perfeita do que deve sair dos pés de um camisola 7 que o Sporting viu em muitos e muitos anos.

Vietto (3,5)

Depois da elevação que conseguiu para cabecear o cruzamento de Bruno Fernandes seria de esperar que conseguisse bisar após ver-se servido por Coates em posição frontal para a baliza. Assim não foi, prolongando o sufoco de uma equipa que se dava ao luxo de desperdiçar golos feitos estando a correr atrás do prejuízo e com menos um em campo. Certo é que o argentino se redimiu da falta de pontaria nessa (a bem dizer, não só nessa) ocasião e ainda fez a assistência para o 2-4 que confirmou o bilhete dourado para Braga, carimbado com a vitória do Gil Vicente sobre o Rio Ave.

Bolasie (2,5)

Vítima da expulsão mais ridícula de um futebolista do Sporting desde que Ristovski viu o vermelho directo por ter sido agredido, há que valorizar a contenção demonstrada pelo franco-congolês perante a sabujice do árbitro João “I Want to Believe” e a vergonhosa pantominice do “agredido” do Portimonense. Escolhido para ponta de lança móvel devido aos problemas gástricos de Luiz Phellype e ao nascimento de mais um filho de Jesé Rodríguez – capaz de competir com o ex-colega de equipa Cristiano Ronaldo no que toca à prole –, Bolasie estava preparado para lutar até ao limite das suas limitadas capacidades, ainda que tenha permitido a defesa ao ver-se isolado frente ao guarda-redes. Talvez pudesse redimir-se do falhanço não fosse a tal expulsão que o motivou a descarregar no Twitter.

Luiz Phellype (3,5)

Poupado para os últimos vinte minutos de jogo devido aos efeitos de uma gastroenterite, o brasileiro ainda lançou o contra-ataque que permitiu a reviravolta e fez um grande golo, tranquilizando a equipa em tudo o que estava ao seu alcance. Desferiu um remate na passada, sem dar hipóteses ao guarda-redes, quase como se fosse o goleador de nível mundial que nada permite garantir que virá a ser.

Gonzalo Plata (3,5)

O jovem extremo equatoriano entrou sem instruções para ficar colado à linha, tornando-se um apoio para o ponta de lança. Nem sequer acertou à primeira, o que motivou uma palestra instantânea do treinador-em-campo, mas no lance do 2-3 não só contribuiu para que o Portimonense perdesse a posse de bola (numa acção quase decerto faltosa, há que reconhecer...) como finalizou de forma simples e perfeita o contra-ataque. Começava a parecer esquecido no plantel, mas terá feito com que se lembrem dele.

Battaglia (2,5)

Entrou para recompor o meio-campo defensivo e cumpriu com a missão. É bom vê-lo a reconquistar o seu espaço na equipa.

Silas (4,0)

Capaz do bom e do muito mau, o treinador leonino não menosprezou as escassas hipóteses de qualificação. Tudo jogava a favor da vitória do Rio Ave no grupo, mas a incapacidade dos vilacondenses e a desgraça que o azar, o destino e o Pinheiro iam fazendo no Algarve encaminhavam o Portimonense para a “final four”. Aquilo que mudou na segunda parte, com os jogadores a serem realistas ao ponto de exigirem o impossível, teve muito de raça da rapaziada de leão ao peito mas também houve dedo do treinador. Ultrapassado o primeiro embate da equipa que tinha vantagem no marcador e na contagem de cabeças, Silas começou a alterar as circunstâncias com substituições arriscadas e apropriadas a quem nada tinha a perder. Espera-se que retenha a boa experiência de Rafael Camacho a lateral e de Gonzalo Plata como segundo avançado. E que goze bem as férias de Natal, ciente de que Janeiro é o tipo de pesadelo em potência que só muito trabalho e engenho poderão transformar na matéria de que os sonhos são feitos.

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