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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Só houve música quando o francês lançou o LP

Sporting 1 - Moreirense 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

8 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Recuperou a titularidade, com alguma surpresa, e agarrou a oportunidade com as luvas. Sendo este o típico jogo em que o Sporting remata dezenas de vezes e acaba por sofrer golo num contra-ataque que gela as bancadas (tarefa cada vez mais fácil, tendo em conta os poucos mais de 25 mil presentes numa tarde de domingo e o divórcio entre os vários sectores), Max encarregou-se de alterar o destino. Fê-lo de forma brilhante ao desviar para canto o remate de um adversário isolado – num lance que ditou a grave lesão de Neto –, logo na primeira parte, mas também desviou para longe da baliza o perigo que surgiu depois do intervalo. A haver algo de positivo a retirar desta triste temporada, que seja a sua afirmação. E a de Eduardo Quaresma, Rodrigo Fernandes e um ou outro jovem talentoso que a presente gerência ainda não tenha conseguido desbaratar.

Ristovski (3,0)

Sendo um lateral-direito de pendor ofensivo, a verdade é que se distinguiu sobretudo pelo bom trabalho a contrariar os velozes extremos dos visitantes. Devem-se-lhe belos cortes no coração da grande área, sendo muito mais eficaz a dobrar os centrais do que Rosier tem mostrado conseguir ser.

Neto (2,5)

O azar que persegue e esconde-se à espreita deste Sporting calhou, da pior forma, ao central português. Um choque com Luís Maximiano quando procurava alcançar um adversário em fuga resultou numa costela fracturada e num pneumotórax. Prevê-se uma longa paragem, retirando-o dos decisivos embates de Janeiro e colocando Tiago Ilori na rota de uma possível titularidade. Já ouviram falar de um moço chamado Eduardo Quaresma?...

Mathieu (4,0)

Prioridade para o planeamento da próxima temporada: convencer o central francês a adiar a reforma mais um ano. Antes da assistência para golo no cruzamento perfeito para Luiz Phellype, capaz de desbloquear o que começava a parecer um impasse, enviara um livre directo ao poste e servira na primeira parte Bruno Fernandes para um golo que não se concretizou. Mas ainda mais impressionante foi um corte que realizou na grande área, quando um avançado se esgueirava para aborrecer Luís Maximiano. Noventa e nove em cada cem centrais teriam cometido grande penalidade.

Borja (3,0)

Nunca 14 centímetros terão sido tão injustos (embora haja decerto quem possa discordar...) quanto aqueles que ditaram a posição irregular do colombiano na jogada em que recebeu o passe de Mathieu, ludibriou um adversário e cruzou para o golo anulado a Bolasie. Mas nem por isso se deixou abalar, embalando para uma das melhores exibições desde que chegou a Alvalade, tanto a defender como a auxiliar o ataque.

Idrissa Doumbia (3,5)

Exemplo acabado da tarde virada ao contrário vivida pelo Sporting foi o slalon realizado pelo jovem médio, capaz de ultrapassar adversários em drible como se fosse coisa que fizesse todos os dias. Ao nível demonstrado no domingo, com disponibilidade física e cultura táctica a compensar as limitações técnicas, haveria lugar para Idrissa num plantel leonino com maiores ambições do que os actuais. Veja-se a forma como ficou perto de contabilizar uma assistência para golo ao descobrir a cabeça de Bolasie.

Wendel (3,0)

Longe de deslumbrar, muito pelo contrário, pautou o jogo com a aura de quem sabe o que está a fazer. Mais do que um artista de rasgos, foi um homem da segurança, enchendo o meio-campo com a sua presença.

Bruno Fernandes (3,0)

Algum dia carregaria o fardo de não ter sido imprescindível, sendo assaz curioso que tal tenha sucedido logo após o treinador ter dito que a equipa é ele e mais dez. Além de uma quantidade anormal de passes falhados e combinações que não surtiram efeito também não teve mira afinada nas jogadas de perigo, mas além do eficaz trabalho a corrigir os erros dos colegas ainda assinou desmarcações que poderiam e deveriam ter sido bem melhor aproveitadas.

Vietto (2,5)

Outro que não teve engenho para ser decisivo, embora nada se lhe possa apontar no que toca a empenho. Convirá que assuma o jogo na quinta-feira, devido à ausência de Bruno Fernandes, pois o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa está garantido mas o Sporting precisa de pontos na UEFA como de pão para a boca.

Jesé Rodríguez (2,0)

Daquela hora em que ocupou espaço no relvado pouco mais ficou do que um remate em zona frontal travado pelo guarda-redes do Moreirense. Demasiado pesadão e não o suficientemente rápido, o espanhol tornou-se sempre presa fácil para os adversários.

Bolasie (3,0)

Além do golo que marcou à ponta de lança, tendo o infortúnio de o ver anulado pelos tais 14 centímetros de Borja, o franco-anglo-congolês testou os reflexos do guardião num remate de cabeça que levava selo de golo e de seguida manteve os laterais em sentido. Tendência que se manteve no segundo tempo, forçando um segundo amarelo que deu mais folga ao Sporting e cavalgando pelo meio-campo contrário, numa jogada individual a pedir Wagner como banda sonora em que o remate em forma de torpedo saiu muito perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

Coates (3,0)

Entrou muito cedo, substituindo o acidentado Neto, e foi igual a si próprio. Seguro nos cortes, ficou perto de marcar na outra baliza, num cabeceamento oportuno.

Luiz Phellype (3,0)

Fez o resultado e ganhou três pontos para o Sporting num lance em que, literalmente, voou como Jardel sobre os centrais. Tratando-se de um feito valoroso, bastante diferente do contributo deixado pelo espanhol que Frederico Varandas crê ser avançado-centro, não faz esquecer a legião de falhanços e indecisões que impediram Luiz Phellype de pôr os resistentes das bancadas a cantar o seu nome em várias outras ocasiões de perigo iminente.

Rafael Camacho (2,0)

Pouco ou nada acrescentou ao jogo. Mais uma vez.

Silas (3,0)

Chegou a pensar que teria um jogo sossegado, vendo-se em vantagem quase desde o início, mas a actuação do videoárbitro anulou o golo madrugador de Bolasie e encerrou o Sporting em mais um labirinto com muitos remates, muita posse de bola e nenhum resultado concreto. Poderia ter colocado Luiz Phellype em campo mais cedo, claro está, o que não invalida que seja um dos triunfadores de uma jornada em que ganhou dois pontos ao FC Porto, três ao Famalicão, três ao Sporting de Braga e nenhum ao clube que está autorizado a marcar golos precedidos de falta atacante.

Armas e viscondes assinalados: “Fast-forward” para o minuto 88

Gil Vicente 0 - Sporting 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Acabou por ter uma noite de relativo sossego, apesar do lamentável e já expectável ascendente que os suplentes da equipa da casa chegaram a ter na primeira parte, e até foi o guarda-redes brasileiro a encarregar-se de arranjar calafrios, cabeceando à entrada da área uma bola directamente para os pés de um avançado do Gil Vicente que teve a infelicidade de sair do Seixal antes do complexo futebolístico-mediático encarregue de produzir “golden boys” estar devidamente oleado. Certo é que chegou ao apito final sem ir buscar a bola ao fundo das redes, o que por estes dias passa por ser um homem que mordeu o cão.

Ristovski (3,0)

É combativo, aparenta sentir o peso da camisola bem mais do que a média do plantel e não tem culpa de não haver um lateral-direito melhor do que ele, transformando-o naquilo que é: um profissional digno, com talento quanto baste, que dá o melhor que tem - e até aparenta ter abandonado a maré de azar e descontrolo que lhe valeu tantas expulsões na época passada.

Coates (3,5)

O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.

Neto (3,5)

Espera-se que tenha retirado de vez qualquer dúvida quanto à ordem hierárquica dos centrais leoninos. Em vez da calamidade protagonizada por Tiago Ilori no domingo, Neto distinguiu-se pela voz de comando, por alguns cortes incisivos e bem arriscados e até pela forma como suplicou em vão a Rui Costa que não expulsasse Acuña.

Acuña (2,0)

Ultrapassado em velocidade por Romário Baldé, e provocado de modo sistemático pelos jogadores do Gil Vicente ao longo do jogo, o argentino depressa se viu à cunha do segundo amarelo. Descontrolado como há muito não se via, conseguiu manter-se no relvado bem mais do que seria expectável, sendo já em tempo de descontos que selou o destino – que o excluirá da recepção ao Moreirense no domingo – ao berrar com o quarto árbitro após ser esbofeteado por um adversário. No outro prato da balança está a garra de um dos raros elementos do plantel que nenhum Vítor Oliveira consegue rebaixar.

Idrissa Doumbia (2,5)

Aguentou melhor os suplentes do Gil Vicente do que tinha controlado os titulares no jogo anterior, o que também não quer dizer muito. Mas o certo é que desta vez não houve golos contrários a registar.

Miguel Luís (2,5)

Talvez tenha regressado à equipa titular por motivos estritamente regulamentares, pois não abundam formados na Academia de Alcochete que não tenham rescindido contrato ou entrado no carrossel dos empréstimos com cláusula de compra manhosa, mas não demorou a fazer-se notar. Pena é que tenha sido por um lance a que só um laureado com o Nobel da Paz pode chamar remate e por levar uma reprimenda do capitão de equipa. Melhorou ao longo do jogo, destacando-se um bom cruzamento para a cabeça de Luiz Phellype, o que não impediu que fosse o candidato óbvio à saída logo que Silas percebeu o impasse que por ali ocorria.

Wendel (3,0)

Tem mais talento do que tende a demonstrar, ainda que provavelmente menos do que considera ter, o que voltou a ser demonstrado neste segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Ganha pontos pela dinâmica que procurou dar ao anémico fio de jogo da equipa e por uma desmarcação genial que Bruno Fernandes encontrou forma de desperdiçar à boca da baliza.

Bruno Fernandes (4,0)

Falhou dois grandes golos, um dos quais numa tentativa de surpreender o guarda-redes do Gil Vicente ainda aquém da linha de meio-campo e o outro num excesso de confiança que o levou a tentar um toque acrobático quando bastava empurrar a bola para a linha de golo mesmo em frente. Pelo meio ainda fez a bola balançar as redes, só que em posição irregular, e serviu Luiz Phellype para um daqueles “expected goals” de que o inferno sportinguista está cheio. Pouco importa: façamos “fast forward” para o minuto 88, quando foi carregado por um adversário junto à grande área, encarregando-se de desfazer com um livre directo impecável o empate que retirava ao Sporting qualquer hipótese (ainda que remota) de defender os dois títulos consecutivos de “campeão de Inverno” na fase final da Taça da Liga. Não satisfeito, numa altura em que a equipa tinha menos um em campo, serviu Vietto para o argentino fazer o resultado final. Não tem o número 31 na camisola, mas tal como no célebre fado como ele não há nenhum.

Bolasie (3,0)

Chegou a ser o melhor da equipa na primeira parte, devendo-se-lhe um excelente remate que poderia ter desbloqueado o marcador, e lutou com todas as forças que tinha contra a desgraça que mais uma vez se anunciava. Ninguém lhe pode questionar o empenho, mesmo sem se traduzir necessariamente em resultados práticos.

Luiz Phellype (2,0)

Atravessa uma má fase e mesmo quando cabeceou como mandam as regras a bola cruzada por Miguel Luís não impediu a boa defesa do guardião do Gil Vicente. Pior foi a sua tentativa de inaugurar o marcador com um toque de calcanhar que lhe saiu truncado, num símbolo cruel das limitações técnicas que já deu provas de conseguir ultrapassar com força de vontade e capacidade de trabalho.

Rafael Camacho (2,5)

Continua a ser o talismã de Silas, sendo apenas triste que raras vezes traga sorte. Desta vez teve mais minutos, aproveitando-os melhor do que é hábito, tanto nas alas como no miolo.

Jesé Rodríguez (3,0)

Entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, numa lógica “és avançado-centro e não sabias” que lembra um cartaz do Iniciativa Liberal, e não se lhe pode negar impacto no resultado final. No lance de contra-ataque que culminou no livre directo cobrado por Bruno Fernandes foi ceifado por um adversário (que recebeu um amarelo do daltónico Rui Costa) quando se encaminhava para a baliza, e a jogada do 0-2 começa com uma recuperação de bola quando a equipa lidava com a expulsão de Acuña.

Vietto (3,0)

Entrou, viu e venceu. Muito bem servido por Bruno Fernandes, não hesitou perante a tentativa de mancha do guarda-redes e sossegou os corações leoninos.

Silas (3,0)

Os trejeitos que fez quando Bruno Fernandes tentou marcar de antes da linha de meio-campo ficaram-lhe mal, mas há que reconhecer que montou a equipa melhor do que no embate anterior com o Gil Vicente, assumindo o objectivo de manter a esperança na qualificação para a “final four” da Taça da Liga. Dito isto, não há motivos para optimismo quando falta um mês para os embates com o FC Porto e o Benfica, restando-lhe sobreviver aos próximos jogos, pois como tantas vezes se diz em Portugal, “depois mete-se o Natal”...

Armas e viscondes assinalados: Aquele Sporting a quem todos cantam de galo

Gil Vicente 3 - Sporting 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

1 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,0)

Um dos retratos acabados desta temporada digna de dó do Sporting consiste no facto de o jovem guarda-redes contar com três derrotas entre os quatro jogos que leva a titular. Raramente a frase “fraco rei faz fraca a forte gente” se aplicou tão bem quanto ao efeito que a miserável planificação do plantel e os erráticos princípios tácticos estão a ter num miúdo cheio de valor e que pode fazer parte de um futuro mais risonho. No que toca à exibição propriamente dita, sem culpas nos três golos que sofreu, Maximiano abriu as portas ao azar ao driblar um adversário, sem piores consequências do que a cedência de um pontapé de canto.

 

Rosier (2,0)

Ainda que vá ganhando alguma confiança nas subidas falta-lhe precisão nos cruzamentos. Até ao final desta triste temporada pode ser que venha a permitir compreender os milhões de euros que génios na gestão de activos futebolísticos investiram no seu passe.

 

Tiago Illori (1,5)

Ofereceu o primeiro golo ao Gil Vicente de uma forma que desafia qualquer tentativa de explicação, embora se possa referir que a culpa é sobretudo de quem o contratou. No resto do jogo procurou concentrar-se o suficiente para não repetir a oferta, no que foi razoavelmente bem sucedido até ser retirado de campo para dar lugar a Eduardo.

 

Mathieu (2,5)

Quando até o francês comete erros infantis está visto que nada pode correr decentemente. Vários passes direitinhos para adversários pautaram uma noite para esquecer, e em que tomou o lugar do lesionado Coates como ponta de lança “special guest star” nos últimos minutos.

 

Acuña (2,0)

Cometeu o pénalti que deu origem ao 2-1 precisamente por ter deixado um adversário aparecer nas suas costas, o que é ainda mais gravoso por manchar a exibição do leão mais aguerrido por entre demasiados mansos.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Era bem capaz de ter a água do duche a correr quando foi mandado chamar pelo árbitro Hugo Miguel, entretanto recordado do protocolo do VAR, pelo que pode dizer que provocou uma hemorragia nasal a um adversário em plena grande área do Sporting sem qualquer punição (as imagens televisivas permitiram ver que houve fora de jogo antes do passe para o seu alvo). Pena é que seja essa a nota mais digna de crédito em 100 minutos tão esforçados quanto novamente evidenciadores das limitações que desaconselham o seu estatuto de titular praticamente indiscutível.

 

Wendel (3,0)

Realizou o primeiro remate do Sporting, já depois dos 40 minutos, numa jogada em que fez uma tabelinha com as pernas dos vários adversários que tinha pela frente, o que serviu de aquecimento para o golo que permitiu ao Sporting sonhar que poderia reaproximar-se do pódio, aproveitando o tropeção algarvio do Famalicão. Por muito que se fale em frango do guarda-redes há que reparar que o médio brasileiro conseguiu enganá-lo com a movimentação do corpo antes de tocar na bola. Na segunda parte procurou municiar os colegas, mas saiu antes dos 70 minutos para dar entrada a Bolasie, talvez por Silas considerar que havia demasiado talento presente.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Além de ter ajudado a explicar ao árbitro Hugo Miguel que teria de retirar o segundo amarelo a Doumbia ao anular a jogada que lhe deu origem, assinou mais uma obra-prima na assistência de longa distância para o golo de Wendel. Outras tentou fazer, mas Jesé e Rosier tinham outros afazeres que os impediram de encaminhar a bola para o fundo das redes. E quis o infortúnio que terminasse o jogo no chão, ludibriado pelo autor do terceiro golo do Gil Vicente. “Faltou personalidade, faltou atitude”, sentenciou na “flash interview”, revelando um poder de concisão tão notável que justifica a pergunta recorrente: tendo em conta o salário de Bruno Fernandes não seria melhor que acumulasse as funções de treinador e de presidente da SAD?

 

Vietto (2,0)

Pior do que um mau jogador só mesmo um bom jogador inconsequente. O argentino movimentou-se muito, mas raramente ou nunca bem, deixando como melhor cartão de visita um remate que embateu num adversário e não saiu longe da baliza.

 

Jesé Rodríguez (1,0)


Fez-se notar pelo número de vezes que caiu ao relvado dentro ou nas imediações da grande área do Gil Vicente. Numa dessas ocasiões até rematou contra o guarda-redes da equipa da casa, tombando de seguida. Valerá a pena recordar a existência de Pedro Mendes, aquele rapaz dos sub-23 que um comité de génios resolveu não inscrever na Liga e que neste fim-de-semana voltou a marcar dois golos, um dos quais de livre directo?


 

Luiz Phellype (1,5)

Grandes são os desertos, minha alma! Assim escreveu Fernando Pessoa, incapaz de prever a desventura de um ponta de lança que nada de bom conseguiu fazer ao longo de uma noite interminável.  

 

Bolasie (1,5)

Nada melhor conseguiu do que um bom cabeceamento, prontamente anulado por… (ler mais abaixo)

 

Rafael Camacho (1,0)

Colado à linha, quase sempre na faixa esquerda, colaborou com a linha defensiva do Gil Vicente ao bloquear um remate de cabeça de Bolasie. 

 

Eduardo (1,0)

Bons tempos aqueles em que ficava ligado a goleadas do Sporting, mais precisamente na visita ao Jamor em que até Idrissa Doumbia marcou à Belenenses SAD, então sua entidade empregadora. Dito isto, nada de especialmente mau fez, mas cientistas do futuro tentarão explicar o que Silas pretendia com a sua entrada.

 

Silas (1,0)

Descer do céu ao inferno em coisa de três dias começa a ser tão habitual que o ainda treinador escolhido pelo ainda presidente do Sporting aparenta estar conformado, contando ainda com a magnânima benevolência do triunfador Vítor Oliveira, lesto a justificar o desaire alheio com a má qualidade do plantel. Ora, sendo isso inquestionável numa equipa com Tiago Ilori e Jesé Rodríguez, supõe-se que – perante a ausência de talentos puros como Matheus Pereira e João Palhinha, para mencionar apenas dois casos de empréstimos com aroma de gestão danosa, aos quais se deve somar o de Francisco Geraldes e mesmo o de Gelson Dala – nada impede Silas de chamar a jogo Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Mendes ou Joelson Fernandes a mostrarem o que valem. Por outro lado, o turbilhão táctico em que lança a equipa leva a que se torne cada vez mais honesto falar de um plantel desorientado pelo treinador. Culpado em última instância pela péssima atitude em campo dos jogadores em Barcelos, falhou escandalosamente nas substituições e se hoje está a um passo do abismo teme-se que dê o passo em frente, dentro de dias e mais uma vez diante o Gil Vicente, na segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

Armas e viscondes assinalados: A bela noite a que os adeptos já tinham direito

Sporting 4 - PSV Eindhoven 0

Liga Europa - Fase de Grupos 5.ª Jornada

28 de Novembro de 2019

 

Luís Maximiano (4,0)

Ouviu o apito final deitado no relvado, com a bola nas mãos, na sequência de mais uma ocasião em que chegou primeiro do que os avançados do eliminado PSV Eindhoven. O modo como olhou para a bola diz tudo o que há para dizer acerca de exibição que teve um único defeito: a pérola da formação leonina a quem chamam “Max” merecia que tivesse sido aquela a sua estreia a titular pela equipa principal em vez de qualquer um dos dois jogos de má memória em que não conseguiu impedir derrotas do Sporting. Não foi o caso desta vez, como pôde testemunhar o renegado Bruma, a quem roubou um golo que poderia relançar o jogo para a equipa holandesa na primeira parte. Depois do intervalo voltou a mostrar ao que vinha numa defesa de recurso a um remate em posição frontal, tal como demonstrou ter velocidade suficiente para se lançar ao solo e agarrar bolas deixadas passar pelas fífias de colegas menos talentosos. Espera-se que esta noite tenha sido o início de uma lenda que faça esquecer de vez o actual titular do Wolverhampton.

 

Rosier (3,0)

Há qualquer coisa na sua abordagem defensiva que não convence, mas não deixa de ser verdade que se esforçou muito para não dar bronca, o que se traduziu numa quantidade de cortes bastante assinalável. No ataque foi aproveitando ao longo do jogo o baixar de braços do adversário para ganhar a linha e servir colegas que poderia ter feito um resultado final ainda mais impressionante.

 

Tiago Ilori (3,0)

Nem as falhas flagrantes que vieram recordar os sportinguistas de que Eric Dier faria ali mais falta do que os “Jesualdo boys” Ilori e Bruma tiveram consequências gravosas, o que demonstra a tranquilidade da melhor noite do Sporting nesta triste época. Muito bem escoltado por Maximiano e Mathieu, o já não assim tão jovem defesa central resolveu quase tudo quase bem, ainda que se tenha arriscado a ver um cartão de outra cor numa entrada a pés juntos mesmo no final da partida.

 

Mathieu (4,0)

A execução do 3-0, desde a sábia movimentação para o canto largo marcado por Bruno Fernandes até ao remate em esforço, de baixo para cima, como mandam as regras do futebol-espectáculo, é o melhor cartão de visita do adiamento da reforma do francês para meados da próxima década. Não contente, mostrou-se intratável para com os infelizes adversários que foram aparecendo no seu raio de acção, acumulando cortes a travar qualquer veleidade do PSV. Saiu uns minutos antes do fim para descansar as pernas e também para ouvir uma merecida ovação.

 

Acuña (4,0)

Os mais distraídos terão pensado que Diego Armando Maradona aparecera no relvado de Alvalade quando Acuña apanhou a bola na linha do meio-campo e passeou-a, à revelia de quem procurava desarmá-lo, até ser derrubado na grande área adversária. Haveria algo de justiça cósmica se lhe tivessem permitido marcar a grande penalidade que selou o resultado, tal como seria agradável que o recém-entrado Jesé Rodríguez tivesse aproveitado melhor um excelente cruzamento do argentino. Seja como for, do primeiro ao último minuto Acuña provou, a defender e a atacar, que é imprescindível num Sporting com ambição de fazer melhor.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Esteve mais certo do que é habitual, sobretudo no transporte de bola, marcando pontos numa competição interna algo esvaziada pelo estatuto de eterno lesionado de Battaglia e pela extrema juventude de Rodrigo Fernandes. Espera-se que esteja preparado para ser uma das chaves da conquista de três pontos na deslocação ao estádio do Gil Vicente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, cumprido o castigo, e não precisou de muito tempo para deixar claro que é melhor do que Eduardo e Miguel Luís a carburar o meio-campo. Mesmo sem deslumbrar, a sua competência contribuiu para a bela noite a que os adeptos já tinham direito. Veja-se o passe perfeito para o que teria sido o 5-0 se Vietto tivesse a pontaria mais afinada.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Dois golos e duas assistências valeram-lhe a distinção de melhor jogador da Liga Europa nesta semana, somando-se à inclusão na lista dos 50 melhores futebolistas nas competições da UEFA na temporada passada. Num jogo muito próximo da perfeição, o capitão começou por testar a atenção ao guarda-redes com um remate de longa distância, preparando-o para o que estaria para vir. Assim foi, poucos minutos depois de fazer a assistência para o golo inaugural de Luiz Phellype com a ponta da chuteira, quando recebeu a bola de Wendel, avançou pelo meio-campo e puxou o pé que a Europa já conhece para trás, com a bola a tocar no poste antes de se alojar nas redes. Não satisfeito com o resultado, e com o papel de maestro de uma orquestra muito bem afinada, fez a segunda assistência com o melhor pontapé de canto dos últimos tempos, e na segunda parte dedicou-se a controlar as operações. Isto, claro está, sem deixar de tentar remates de longe e de fazer o resultado final com uma cobrança de pénalti plena de classe. Garantido o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, e com “folga” na deslocação à Áustria devido ao cartão amarelo que viu na primeira parte, nada há temer tirando a tenebrosa hipótese de ter feito o último jogo europeu de leão ao peito, numa transferência destinada a compensar a sucessão de incompetências da actual gerência e da brilhante comissão de gestão cujo paladino Sousa Cintra fez custar mais três milhões ao Sporting devido ao despedimento ilegal do treinador Sinisa Mihajlovic.

 

Bolasie (3,0)

Merece mais a nota pela presença e arrancadas que puseram em alerta a defesa contrária do que por qualquer efeito prático da sua prestação. Na retina ficou a tentativa atabalhoada de marcar com um pontapé acrobático de costas para a baliza e a conquista do canto que valeu o 3-0. Aqui que ninguém nos ouve, foi poucochinho. Mas tudo está bem quando acaba bem.

 

Vietto (3,0)

Também não foi o “verdadeiro artista” a que começou a habituar os adeptos, perdendo a hipótese de deixar marcar ao falhar um remate em arco em posição frontal. Perdeu uma boa oportunidade de provar à Europa que voltou para conquistar o mundo.

 

Luiz Phellype (3,5)

A subtileza no desvio da bola e a assertividade na conquista de posição para o cabeceamento que inaugurou o marcador antes dos dez minutos lançou uma promessa de noite memorável que não foi totalmente cumprida. O avançado brasileiro pode queixar-se de falta de ajuda dos laterais e dos extremos, mas a verdade é que demonstrou os limites que o cerceiam no controlo de bola deficiente que o impediu de seguir isolado para a baliza num lance na segunda parte.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou para o lugar de Luiz Phellype e tentou demonstrar a tese de Frederico Varandas que lhe atribui qualidades de avançado-centro móvel. Por azar dos Távoras chegou atrasado a um excelente cruzamento de Acuña e concentrou-se em impor respeito aos adversários.

 

Neto (2,5)

Tirando uma antecipação escusada a Luís Maximiano, cumpriu sem dificuldades a missão de manter a baliza do Sporting inviolada nos minutos em que tomou o lugar de Mathieu.

 

Rafael Camacho (1,5)

Poucos minutos pouco aproveitados. Contribuiu apenas para o chavão “três da formação” em campo.

 

Silas (4,0)

Desta vez conseguiu que a equipa não desse meia hora de avanço ao adversário, montando uma equipa dominadora e que não permitiu quase nada ao PSV Eindhoven. Sendo certo que beneficiou do estado de graça dos melhores do plantel (Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu), teve uma noite que deverá ser recordada e repetida, de preferência com Wendel a cimentar-se no meio-campo e com outras opções nos extremos. Será que Gonzalo Plata ou até os adolescentes Joelson Fernandes e Bruno Tavares não conseguem fazer melhor do que os “incumbentes”?

Armas e viscondes assinalados: Sem saber ler nem escrever nem fazer contas nem atravessar a rua, mas com Bruno & Vietto

Sporting 2 - Belenenses SAD 0

Liga NOS - 11.ª Jornada

10 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Teve ocasião de aquecer as mãos logo no arranque do jogo, desviando para canto um remate traiçoeiro, e depois aqueceu as pernas ao recolher e despachar a bola nas muitas ocasiões em que os colegas não sabiam o que fazer com tão estranho objecto que a outra equipa fazia rolar no relvado. Sem muitas oportunidades para demonstrar o seu valor, pois também o Belenenses SAD não converteu em nada o absoluto domínio numa das primeiras partes mais vergonhosas a que o estádio já assistiu, levando não poucos resistentes a invejarem aqueles que viram as gameboxes canceladas pela actual gerência, o guarda-redes brasileiro disse presente sempre que foi chamado a tal, quase sempre para acorrer a atrasos dos colegas da defesa e do meio-campo. Ainda conseguiu ver um cartão amarelo por demorar a cobrar um livre quando o resultado estava em 0-0, numa pequena sacanice do árbitro Manuel Oliveira, cuja actuação manhosa até fez parecer que o Sporting ainda mete medo a alguém.

 

Rosier (2,5)

Foi dos primeiros a tentar agitar as águas, faltando-lhe convicção e concentração para se desenvencilhar dos adversários que surgiam na sua área de jurisdição. Bastante permeável a defender, melhorou na segunda parte e contribuiu para as jogadas que levaram à conquista de três pontos que a certo momento do jogo pareceria ser ficção científica.

 

Neto (2,0)

Ficou incrédulo quando Silas o retirou do relvado, por volta de uma meia hora de terror para qualquer adepto a quem a Beatriz Costa não tenha passado os miolos pela água fria da ribeira. Tinha alguma razão, pois as suas más abordagens, fossem entradas sem tino e para as quais nunca há perdão para quem jogue de leão ao peito, alívios à queima que causavam apuros aos colegas ou passes directos para adversários, em nada destoavam das más abordagens dos outros jogadores do Sporting. Resta-lhe a compensação de que, na realidade, Silas desfez por volta da meia hora o seu próprio sistema táctico.

 

Coates (2,5)

As ausências de Mathieu e de Acuña reduziram a metade o número de futebolistas acima de qualquer dúvida que restam no plantel. E a má notícia é que mesmo o uruguaio esteve aquém daquilo que sabe fazer, errando mais do que é habitual nas abordagens e nos posicionamentos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Tirando a descoordenação flagrante com Borja, ao ponto de passar a impressão que os dois nunca treinam juntos, fez mais uma exibição esforçada, ao seu nível, conseguindo compensar o que não sabe fazer com o que tenta fazer. Curiosamente, logo no dia seguinte Fernando Santos convocou Domingos Duarte, despachado para o Granada por menos dinheiro do que custou recuperar o passe de Ilori.

 

Borja (2,0)

Chega a ser comovente observar o terror que o colombiano sente de avançar pela ala esquerda, preferindo voltar atrás e fazer aos potenciais contra-ataques aquilo que os assassinos fazem com uma almofada a quem está a dormir. Mas claro que não só tentou conter os adversários com algum sucesso como em dados momentos, contando com concentração de talento à sua volta, contribuiu para algumas jogadas de ataque.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

O ainda junior foi a última alteração que Silas fez em relação aos titulares que deram conta do Rosenborg. Respondeu bem à prova de confiança, mas o caos em seu redor levou a que visse muito cedo o amarelo, sendo esse o motivo apontado para ser substituído ao intervalo. Melhores dias virão, sabe-se lá quando.

 

Eduardo (1,0)

Autor de um cabeceamento que foi a primeira jogada de relativo perigo, passadas já umas penosas dezenas de minutos, distinguiu-se dos demais pela concentração de defeitos do actual futebol leonino. Desprovido de visão de jogo, desprovido de qualidade de passe, desprovido de motivo para integrar o plantel de uma equipa que, apesar dos pesares, ocupa a 30.ª posição no “ranking” da UEFA, arrastou-se demasiado tempo no relvado e não foi por acaso que a equipa melhorou após recolher ao banco de suplentes.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Andou perdido e de braços caídos, como todos os colegas, naquela primeira parte do nosso descontentamento. Nem um livre directo que saiu muito perto do tal sítio onde a coruja dorme logrou animá-lo, pouco melhorando de estado de espírito face às limitações de vários colegas. Valeu a ele, e ao Sporting, que nunca desistiu, envolvendo-se com enorme critério no ataque apesar de ser forçado a recuar no terreno pelas constantes variações tácticas. O passe longo que Vietto não conseguiu converter em “hat-trick” merece por si só uma estrela Michelin.

 

Bolasie (3,0)

Também ele andou pelo deserto de ideias e de jogadas, parecendo candidato evidente à saída para dar lugar a mais um capítulo da redenção em curso de Jesé Rodríguez. Mas a dado momento soltou-se, mostrando estar muito mais à vontade na ala direita do que como avançado móvel (onde foi capaz de perdidas escandalosas), e foi decisivo nas jogadas dos dois golos.

 

Vietto (3,5)

Se o actual Sporting ainda tem uns “fab four” em Coates, Mathieu, Acuña e Bruno Fernandes, certo é que necessita de “quintos Beatles” como a Lucy precisa do Sky with Diamonds. Wendel consegue por vezes sê-lo, Renan vai ajudando no que consegue, mas é Vietto quem tem as condições intrínsecas ideais para desempenhar o papel. Demonstrou-o ontem: atravessado o vale da primeira parte lutou para construir jogadas e esteve no sítio certo à hora certa para selar um resultado muito acima da realidade presenciada por menos de 30 mil espectadores. A execução no primeiro golo é o tipo de coisa de que os sonhos são feitos e o segundo mostra-o como um “falso 9” oportuno e oportunista. Pena é que não tenha conseguido fazer o 3-0 após fintar o guarda-redes, mas pelo menos assim não voltou a festejar virado para as claques, arriscando-se decerto a ser contemplado com uma pesada multa por isso.

 

Rafael Camacho (2,0)

Deu entrada em campo ainda durante a primeira parte, contribuindo para retirar a equipa do coma induzido do 5-2-1-2 ou lá o que aquilo era. Foi, no entanto, mais simbólico do que outra coisa o seu contributo, ficando sobretudo ligado a um falhanço clamoroso, com a bola a sair para as bancadas dos grupos organizados de bodes expiatórios, ao ser isolado por Bruno Fernandes.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou ao intervalo e fez por impor a sua lei com simplicidade de processos e o habitual entusiasmo que disfarça a memória de que aquela posição já foi ocupada por Oceano e William Carvalho, ou que João Palhinha vai no segundo ano de empréstimo ao Sporting de Braga. Se a equipa melhorou na segunda parte também foi em boa parte pelo seu contributo.

 

Luiz Phellype (2,5)

Mais do que um ponta de lança, valeu pela presença que coarctou a liberdade de movimentação da defesa contrária, contribuindo para os dois golos que aqueceram um final de tarde gélido. E o primeiro de Vietto até nasce da recarga ao seu remate.

 

Silas (2,0)

Claro que não tinha Mathieu e Acuña, claro que a planificação do futebol leonino (por assim dizer) deixou-lhe um plantel que torna válida a piada de mau gosto de que pior do que o 11 de Setembro só mesmo o 11 do Sporting... Ainda assim, foi sua a iniciativa de montar um esquema táctico que valeu meia hora de vergonha colectiva e poderia ter resultado em humilhação caso fosse tentado contra uma equipa melhor do que a do Belenenses SAD. O Sporting very sad que apresentou, forçando-o a desfazer os seus próprios equívocos enquanto o relógio avançava, exige maior humildade e reconhecimento de erros do que aqueles que demonstrou no final de um jogo em que a vitória sem saber ler nem escrever, resultante da qualidade de um punhado de jogadores, permite manter o Sporting a “apenas” dez pontos da liderança. Urge aproveitar mais um longo intervalo sem jogos para perceber o que pode retirar mais dos jogadores e que soluções pode encontrar nos sub-23 e nos emprestados. Assim como está é que não pode ficar.

Obrigadinho à gerência pela apatia

Como estaria a minha tensão arterial após este vexame chamado primeira parte do Sporting-Belenenses SAD se não fosse a apatia que a miserável gestão do futebol leonino conseguiu incutir-me?

Suponho que devo agradecer a Frederico Varandas e à estrutura que construiu este plantel, hoje aliviado de dois dos quatro jogadores que restam com inquestionável dimensão daquilo que deve ser o futebol do Sporting. Sofri pouco ao observar aqui deste meu lugar no topo do segundo anel aqueles 11 cavalheiros a verem o adversário jogar. Alguns dos nossos - Ilori e Borja, Rodrigo Fernandes e Eduardo - aparentam nem sequer se conhecerem, tamanha é a descoordenação entre eles.

Espero que o esforçado e caótico Silas tenha seguido o exemplo de Bruno Lage, dizendo aos jogadores que vai ser pai para os motivar. Talvez se disser que vai ter trigémeos...

 

Armas e viscondes assinalados: O melhor ataque é a defesa

Rosenborg 0 - Sporting 2

 Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

7 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Regressa da Noruega com aquilo a que uma tradução selvagem chamaria um “lençol lavado” e deve a ausência de golos sofridos não só à profusão de colegas com missões defensivas e à incapacidade dos adversários para fazerem melhor. Sempre que foi chamado a intervir esteve mais do que à altura e na segunda parte fez defesas essenciais para impedir que o Rosenborg sonhasse com outro resultado.

Rosier (2,5)

Tem físico e até alguma velocidade, mas cada uma das suas exibições leva o contabilista viciado em Football Manager que vive em cada um de nós a calcular quanto custaria resgatar Cédric Soares ao Southampton. Até porque conviria ter um lateral-direito menos permeável em jogos em que haja menos de cinco defesas.

Neto (3,0)

A frase “Neto fez o cruzamento que deu origem ao primeiro golo” pode parecer tão indecifrável quanto uma profecia dos maias. Mas é a mais pura verdade e a assistência do central português, na ressaca de um canto cobrado por Bruno Fernandes, poderia ser apresentada como exemplo de trajectória de bola para os laterais do plantel. Nas missões defensivas esteve seguro, embora não se tenha esquecido de somar faltas disparatadas, vendo numa delas um cartão amarelo prematuro.

Coates (3,5)

Desbloqueou o jogo com uma cabeçada que não ficaria mal a Bas Dost e foi o esteio de uma defesa marcadamente superpovoada. O uruguaio fez uma exibição “à patrão” e ainda teve a sorte de ver um adversário rematar para os fiordes, estando a poucos metros da baliza de Renan, na única jogada em que se deixou ludibriar.

Tiago Ilori (2,5)

Graves problemas de coordenação com Borja potenciaram os moderados calafrios sentidos pelos sportinguistas na segunda parte. Mas nem algumas perdas de bola disparatadas tiveram efeitos irreversíveis no resultado.

 

Borja (2,0)

É interessante que tenha protagonizado a primeira jogada de perigo do ataque leonino, avançando pela ala esquerda até fazer um cruzamento que foi desviado para canto. Mas logo se apagou o engano ledo e cego, seguindo-se mais uma demonstração das limitações técnicas e tácticas que fazem do colombiano um corpo estranho no futebol leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Voltou a ser o “pivot” bipolar do meio-campo do Sporting, tão capaz de fazer cortes e lançar de imediato o contra-ataque – assim nasceu o 0-2 de Bruno Fernandes – como de fazer toques disparatados que os adversários agradecem como se fossem pães quentes, ou neste caso bacalhaus secos.

 

Eduardo (2,0)

Wendel foi reabilitado e voltou a integrar a convocatória. No entanto, foi o seu compatriota a manter a titularidade no meio-campo, sem no entanto demonstrar valor suficiente para ser uma opção válida.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parecia fadado para mais um jogo aquém das suas possibilidades, com várias tentativas de remate descalibradas, até que recebeu a bola de Idrissa Doumbia e fez o que quis dos adversários que encontrou pela frente. Prejudicado pelos esquemas tácticos experimentados por Silas, o capitão da equipa luta para voltar a dar nas vistas e os três tentos em quatro jogos permitem colocá-lo no grupo de perseguidores ao melhor marcador da Liga Europa.

 

Vietto (2,5)

Andou ligeiramente às aranhas enquanto um dos dois avançados móveis do sistema táctico engendrado por Silas. Melhor na segunda parte, foi carregado de forma escandalosa dentro da grande área do Rosenborg sem que a equipa de arbitragem desse conta. Poderia vingar-se da injustiça aproveitando melhor uma bola que interceptou na grande área contrária, mas em vez de fazer golo vingou-se acertando no nariz do guarda-redes, provocando-lhe uma hemorragia.

 

Bolasie (2,0)

Mais mexido e intervertido do que o colega de ataque na primeira parte do jogo, o franco-congolês também não conseguiu deixar marca. E quando saiu esgotara há algum tempo a sua vontade de fazeramigos, influenciar pessoas e trazer pontos para o Sporting e para Portugal.

Rafael Camacho (2,0)

Cerca de 20 minutos em campo permitiram-lhe fazer um remate em arco que saiu perto da baliza e algumas boas movimentações. Mas ainda se encontra a longa distância de justificar os milhões quero seu passe custou aos cofres do Sporting.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

Pouco tempo teve para demonstrar que é uma opção válida para o meio-campo. Certo é que em nada comprometeu, alimentando a ideia de que poderá ser uma alternativa válida a Doumbia.

 

Pedro Mendes (2,0)

Tentou repetir o golo marcado em Eindhoven, mas desta vez o remate potente e de fora da área passou ao lado. Para quem saltou do banco de suplentes aos 90 minutos...

 

Silas (3,0)

Louve-se-lhe a coragem de deixar em Lisboa dois dos quatro melhores jogadores do plantel – precavendo o cansaço muscular de Mathieu e o possíveli amarelo que afastaria Acuña da recepção ao PSV – e de deixar iioutrios dois muito razoáveis (Wendel e Luiz Phellype) a enregelarem no bancio de suplentes. E ainda a aposta num 5-3-2 que não só disfarçou as fragilidades defensivas da equipa como abriu espaços para que os raros jogadores mais adiantados no terreno pudessem fazer a sua arte. Com o Sporting agora na liderança do seu grupo da Liga Europa, necessitando apenas de uma vitória nos próximos dois jogos para seguir em frente. No outro prato da balança está o facto de o futebol do Sporting ainda estar a anos-luz do mínimo exigível a um candidato ao título

Armas e viscondes assinalados: Fraco rei faz fraco plantel que faz fraco futebol que faz fraca a forte gente

Tondela 1 - Sporting 0

Liga NOS - 10.ª Jornada

3 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

É muito provável que tenha adivinhado o que iria acontecer logo que Fábio Veríssimo assinalou aquele livre fatídico, ainda distante da grande área, a três minutos do fim. Até então pouco tivera que fazer, sendo raras as tentativas de remate de uma equipa que ainda não tinha conseguido melhor do que um empate a zero em casa. Claro está que este Sporting torna todos os sonhos possíveis. Infelizmente, para Renan e para dois a três milhões de adeptos, torna possíveis todos os sonhos de todos os adversários.

 

Ristovski (2,5)

O futebol é um jogo de tal forma injusto que o melhor jogador em campo até então ficou ligado ao golo do Tondela, permitindo o cabeceamento fulgurante de Bruno Wilson, um ex-capitão dos juniores do Sporting que a anterior gerência não aproveitou. Até ao momento decisivo sucedera o seguinte: o macedónio controlou o corredor direito, ofereceu um golo que Miguel Luís desperdiçou no coração da área, liquidou veleidades dos extremos tondelenses e revelou-se mais incansável do que seria de esperar em quem perdeu a primeira fase da temporada. Não merecia tamanha desdita, pois foi dos poucos a quem assentaria bem a improvável vitória em vez da repetição da derrota que se vai tornando habitual nas deslocações à Beira Alta.

 

Coates (2,5)

Depois do golo do Tondela cumpriu-se aquilo que sucede ao central uruguaio a cada final de ciclo no futebol leonino: foi enviado para a grande área contrária na vã esperança de que pudesse cabecear para o fundo das redes. Antes do golo distinguiu-se por incursões com bola – quase sempre por lhe faltarem melhores soluções – que acabaram sempre mal e deram origem a contra-ataques que não tardaram a ser resolvidos.

 

Tiago Ilori (3,0)

Logo que apareceu a equipa titular veio aquela sensação de que Ilori quer dizer “vão entrar três” em romeno. Há, por isso, que curvar a cabeça e reconhecer que o central resgatado do Liverpool pelo intrépido Frederico Varandas fez uma das suas melhores exibições desde aquela temporada em que era um adolescente e o Sporting terminou em sétimo. Não falhou nos cortes, trocou bem a bola e só lhe pode ser apontada falta de pontaria quando foi cabecear à outra área.

 

Acuña (2,5)

Muito cruzamento fez, mas infelizmente nem as suas pernas permitem fazer chegar a bola a Frankfurt, para onde foi enviado o abre-latas deste género de jogos desinspirados que responde pelo nome de Bas Dost. Também se viu alvo de provocações de adversários que já repararam que a sua fase calma e serena foi parar ao Museu do Sporting. Calha bem, pois é cada vez mais claro que será o único contributo do departamento de futebol profissional para esse acervo nos tempos mais próximos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Se alguém for apanhado a tentar assassinar o jovem médio poderá sempre contar com o mesmo videoárbitro que convenceu Fábio Veríssimo a anular o cartão vermelho exibido ao tondelense que lhe quis separar os ossos da perna. Ligeiramente menos trapalhão do que em jogos anteriores, mesmo tendo visto o amarelo muito cedo, Idrissa não complicou e teve pouca culpa no infausto desfecho da dupla jornada.

 

Miguel Luís (2,5)

Poderia ter sido herói caso acertasse na baliza quando lhe foi parar aos pés a melhor ocasião do Sporting. Não foi, claro está, mas este até foi um dos últimos jogos em que deu provas de merecer um lugar no plantel mais fraco que o Sporting teve desde a tal época do sétimo lugar, o que começa a dar ares de ser um mau presságio.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Pode até ser coincidência, mas desde que Silas contrariou a canção do “Streets of Fire” e proclamou, nos escombros da eliminação da Taça de Portugal aos pés de um Alverca de terceiro escalão, que a equipa não precisava de heróis, o capitão tem diminuído a sua influência no jogo leonino. Demasiado distante da carreira de tiro em que enchia de terror todos os guarda-redes – e ainda mais os que apanham o cabelo com bandolette –, ainda tentou alguns livres directos, um dos quais poderia ter inaugurado o marcador para a equipa certa, mas voltou a não ser o superlativo que é a última esperança dos adeptos em tempos de miséria futebolística.

 

Vietto (2,5)

Outro que correu muito, rematou bastante e lutou o que conseguiu contra um destino tenebroso. Ao ver que faltava arte para chegar ao objectivo com boas jogadas ainda ensaiou os remates de longe, sem particular sucesso.

 

Bolasie (2,0)

Mais interveniente do que no jogo com o Paços de Ferreira, tentou levar perigo à baliza de Cláudio Ramos. Raramente conseguiu, o que também se ficou a dever ao “profiling” que leva as equipas de arbitragem a ignorarem quase todos os toques e agarrões de que é alvo.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nem muita parra nem muita uva: o ponta de lança que a estrutura liderada por  Frederico Varandas não chegou a vender, emprestar ou deixar por inscrever na Liga nunca se libertou dos centrais da casa. Saiu abatido, talvez por saber o que costuma acontecer ao Sporting sempre que não marca - e em algumas vezes em que o faz.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou com vontade de ser solução, ficando na retina uma belíssima finta numa jogada de contra-ataque. Pena é que não tenha logrado combinar como deve ser com os colegas que poderão eventualmente evitar que o Sporting faça igual ou pior do que na tal temporada em que Ilori era adolescente.

 

Eduardo (2,0)

Mal entrou no relvado e já tinha visto um amarelo. Procurou empurrar a equipa para a frente mas aquilo que nasce torto...

 

Rafael Camacho (1,5)

O segundo resgatado de Liverpool por Frederico Varandas teve direito a um quarto de hora sem conseguir mostrar mais do que um ou outro controlo de bola. E, claro está, colocar em jogo Bruno Wilson, com quem é capaz de se ter cruzado em Alcochete, no lance que colocou o Sporting a dez pontos da liderança no início de Novembro.

 

Silas (2,0)

Se os jogadores tiverem olhado para o banco, vendo a expressão do treinador, decerto ficaram à espera de que o pior chegasse, mais cedo ou mais tarde. Conhecido no Belenenses por um futebol alegre e ambicioso, Silas aparenta contaminado pelo célebre verso de Camões sobre um fraco rei que faz fraca a forte gente. Mesmo com um plantel limitado e cheio de equívocos, fruto de um planeamento medíocre e opções de “gestão de activos” a raiar a gestão danosa, o treinador leonino precisa de pôr a equipa a jogar muito melhor do que isto e tarda a demonstrar que o conseguirá fazer antes de Frederico Varandas o juntar às claques na gaveta dos bodes expiatórios.

 

Armas e viscondes assinalados: Quando os três pontos que somas sabem a merda

Paços de Ferreira 1 - Sporting 2

Liga NOS - 9.ª Jornada

31 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Só não merece melhor nota, tendo em conta o contributo decisivo para impedir mais golos da equipa da casa (a defesa mais espectacular foi em vão, pois o remate acrobático foi precedido de falta atacante), pelo cartão amarelo que recebeu ao queimar tempo numa reposição de bola, simbolizando a falta de ambição de um “grande” do futebol português que sofria para manter a vantagem mínima perante o penúltimo classificado. Nada pôde fazer no lance do golo do Paços de Ferreira, mas adiou o empate com a palma da mão quando um avançado da casa fez o que quis com a defesa leonina. Se o resultado fosse outro não seria decerto por sua culpa.

 

Ristovski (2,5)

Mostrou que mesmo sem ritmo de jogo é o melhor lateral-direito do plantel, o que também não é a constatação mais animadora. Entendeu-se bem com os colegas no ataque e foi eficaz quanto baste na defesa, apesar de ter ficado condicionado muito cedo por um cartão amarelo. Espera-se que o macedónio agarre o lugar o mais depressa possível.

 

Coates (3,0)

Não chegou a tempo de compensar falhas alheias no lance do empate, o que não o impediu de acumular os cortes providenciais que lhe servem de assinatura. E foi ainda mais providencial ao impedir Acuña de prosseguir o tipo de frutuoso diálogo com o árbitro Rui Costa que deixaria o Sporting com menos um em campo.

 

Mathieu (2,5)

Ludibriado mais do que uma vez pelos avançados pacenses, compensou essas falhas com a entrega de sempre. Veja-se a forma decidida com que avançou pelo terreno logo após o golo do empate.

 

Acuña (2,5)

Voltou a soltar a fúria argentina que vive dentro de si, aproximando-se perigosamente da expulsão por acumulação de amarelos (na melhor hipótese) ao ponto de ser substituído por Silas para a entrada de Tiago Ilori, o que o deve ter irritado ainda mais do que já estava.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

Primou pelas perdas de bola e pela incapacidade de auxiliar a defesa que enfrentava aquilo que, de repente, nem parecia o ataque do penúltimo classificado da Liga. Com a recuperação de Battaglia sucessivamente adiada, urge perceber se Rodrigo Fernandes está preparado para assumir a titularidade. Dizem que em Braga existe um moço com algum jeito, de seu apelido Palhinha...

 

Eduardo (2,0)

Falhou no lance do golo do Paços, deixando um adversário cabecear nas suas costas, mas nem por isso deixou de ser o melhor elemento da dupla formada com Idrissa Doumbia, reforçando a sabedoria popular que envolve “terra de cegos”. Ainda assim, não seria melhor aproveitar o jogo contra o pé-núl-ti-mo classificado para apurar se Matheus Nunes está pronto para assumir o desafio?

 

Bruno Fernandes (3,5)

Demiurgo dos três pontos amealhados nesta vitória miserável, fez tudo o que estava ao seu alcance para servir os colegas e não hesitou na hora de marcar o golo que fez o resultado. Desde o engano ledo e cedo do início fulgurante, com sucessivas oportunidades de golo, à assistência perfeita para o remate desbloqueador de Luiz Phellype, passando pelas tentativas de remar nas águas turvas que culminaram no livre que deu origem à grande penalidade, assumiu-se salvador de uma equipa que parece lutar contra si própria.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Pouco teve para festejar, ao contrário do que sucedera no jogo anterior, mesmo que não se possa pôr em causa o empenho enquanto lhe duraram as pernas. E a verdade é que a equipa não melhorou com a sua saída.

 

Vietto (2,5)

Habituara-se a ser o novo homem do jogo, mas desta vez ficou aquém, sem deixar de mostrar pormenores de “verdadeiro artista”. Tendo em conta que o Tondela não é o Paços de Ferreira, convém que volte a ser acutilante já no próximo domingo.

 

Luiz Phellype (3,0)

Ficou muito perto de marcar no início do jogo e não perdoou a antiga equipa a perceber o que Bruno Fernandes iria fazer. Sendo eficácia na hora certa aquilo que se pede a um ponta de lança, há que reconhecer que o brasileiro cumpriu com a missão até dar lugar à “retranquização” total do futebol leonino decidida por Silas.

 

Bolasie (1,0)

Lançado para refrescar o ataque, foi uma nulidade na ala direita, chegando a perder-se na deficiente execução da finta que pretende tornar famosa.                Estivesse o Sporting na luta pelo título e haveria decerto um VAR disposto a ver grande penalidade no desastrado choque de cabeças que protagonizou no último lance de ataque do Paços de Ferreira.

 

Borja (1,5)

Mal tinha acabado de entrar e já escorregava no relvado, facilitando uma ofensiva pacense que os colegas lá conseguiram resolver. O colombiano muito se esforça, conseguindo muito pouco, o que faz gelar o sangue a quem lê as notícias plantadas aqui e acolá sobre a possível venda de Acuña em Janeiro.

 

Tiago Ilori (-)

Cumpriu os últimos minutos sem fazer nada de errado, o que deixou um peso na consciência a quem achou que os seus três dedos levantados no momento em que entrou no relvado não queriam dizer “três centrais” e sim “vamos sofrer três golos”.

 

Silas (2,0)

Terminou o jogo contra o p-e-n-ú-l-t-i-m-o classificado da Liga com três centrais, dois laterais e dois médios defensivos, pelo que quando Silas esgotou as substituições, com Tiago Ilori a dar entrada em campo, é provável que Luís Maximiano tenha sentido o alívio de perceber que não iria ter de dividir a baliza com Renan. Apesar de o Sporting ter entrado dominador, procurando a vantagem muito cedo, depressa viu a equipa perder fulgor e permitir o domínio do Paços de Ferreira que se traduziu no empate que poderia muito bem ter prevalecido não fosse a grande penalidade caída do céu. Reconquistada a vantagem, foi lamentável assistir à forma como o Sporting baixou linhas, enchendo-se de jogadores de carácter defensivo sem por isso deixar de ser permeável. Quando os três pontos que somamos sabem a merda, o que faz falta? Silas precisa de animar a malta com melhor futebol do que este que vamos vendo, procurando alternativas viáveis à escassez de talento em algumas posições-chave.

Armas e viscondes assinalados: Três minutos à Sporting permitiram subir ao quarto

Sporting 3 - Vitória de Guimarães 1

Liga NOS – 8.ª Jornada

27 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

A falta de pontaria dos avançados vimaranenses, que desde o primeiro lance se encarregaram de atirar bolas para fora quando estavam em condições de fazer melhor, foi uma constante num jogo em que o guarda-redes brasileiro teve pouco para fazer e mesmo assim encaixou mais um golo.

 

Rosier (2,0)

Tentou integrar-se no ataque, servindo Bruno Fernandes para a primeira ocasião de golo do Sporting, mas também conseguiu a proeza de fazer com que um remate (supostamente) à baliza se perdesse pela linha lateral. Permissivo na hora de defender, o que contribuiu para o golo do Vitória, o francês está longe de ser um garante de serenidade.

 

Coates (3,5)

Impediu que a equipa voltasse a entrar num labirinto ao selar o resultado final com a recarga oportuna ao seu próprio remate de cabeça. Mas também cortou bons cruzamentos, desarmou adversários que procuravam isolar-se e tentou sair com a bola controlada quando não encontrava a quem entregá-la. Parece totalmente recuperado do Setembro do descontentamento de todos os sportinguistas.

 

Mathieu (3,0)

Tratou de evitar veleidades a uma das equipas mais perigosas da Liga  com a mestria que os anos apuraram e sem deixar de ter velocidade de execução que deveria estar a ser ensinada a aprendizes mais talentosos do que Tiago Ilori.

 

Acuña (3,5)

A forma como finalizou o lance do 2-0, ludibriando o guarda-redes Miguel Silva, foi a conclusão perfeita de um lance de contra-ataque iniciado com um oportuno corte de cabeça em que a garra do argentino faz com que pareça meio metro mais alto. Mais perfeita seria a noite não fossem os indícios de regresso da atitude quezilenta que lhe pode trazer grandes dissabores.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Se ao menino e ao borracho põe sempre Deus a mão por baixo, o que dizer de quem coleccionou perdas de bola comprometedoras sem que disso resultasse danos para a sua equipa? Suficientemente jovem e esforçado para melhorar, Idrissa ainda não pode ser o trinco titular de uma equipa com ambições de vencer títulos.

 

Eduardo (1,5)

Titular devido ao afastamento temporário de Wendel, demasiado interessado no lado errado da noite, desperdiçou a oportunidade concedida. Tirando a desmarcação de Bruno Fernandes para o lance em que Artur Soares Dias demorou minutos a não ver uma carga do guarda-redes (verdade seja dita, haveria falta de Acuña no início do lance), o médio brasileiro decidiu quase sempre mal. Saiu tarde e a más horas para dar lugar a um dos “made in Alcochete” em que o Sporting deve apostar para um plantel em que as contratações sejam cirúrgicas e de grande impacto.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Uma série tão grande de jogos em que não factura e não é o melhor em campo tem o seu quê de alarmante, embora o melhor médio crónico do futebol jogado em Portugal tenha levado, além do olho negro do lance em que Soares Dias resolveu não ver grande penalidade, recordações de um toque de calcanhar que poderia dar um golo artístico se não tivesse saído à figura. E, entre outros momentos em que procurou ajudar a equipa, o arranque do contra-ataque que permitiu inaugurar o marcador.

 

Bolasie (2,5)

Tão encantado pela sua célebre finta quanto uma determinada figura mitológica pelo reflexo na água, o franco-congolês perdeu quase sempre o melhor “timing” para soltar a bola. E não foi isento de cruzamentos tão maus quanto os do semicompatriota Rosier.

 

Vietto (3,5)

Voltou a assumir-se como o homem do jogo, servindo Jesé Rodríguez e Acuña para os dois primeiros golos leoninos. Veloz e com tanta visão de jogo quanto destreza com os pés, o argentino descomplicou aquilo que se afigurava difícil, faltando-lhe apenas oportunidade para tentar a sorte nos remates de longe.

 

Jesé Rodríguez (3,0)

Colocado a ponta de lança móvel, aquela posição que o actual presidente do Sporting acredita ser sua, estava a exasperar colegas e adeptos com falhas no domínio de bola e até absoluto alheamento em jogadas de ataque até que recebeu a bola de Vietto no limite do fora de jogo e, podendo devolver a bola ao argentino, resolveu fintar o guarda-redes vimaranense só com o poder da mente. Resultou bem ao ponto de quebrar o enguiço que o impedia de se estrear a marcar de leão ao peito e a alegria redentora embalou-o para uma exibição no limiar do decente.

 

Borja (2,5)

Entrou para segurar o resultado, fazendo Acuña avançar para extremo, e há que reconhecer que não esteve nada mal nas missões defensivas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Não estava na sua noite, perdendo muitos duelos com a defesa vimaranense, que contou com a complacência do árbitro para o travar por qualquer meio necessário.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

Menos de dez minutos em campo para a estreia do adolescente que é uma das grandes esperanças do futuro do meio-campo leonino – ou, melhor dizendo, sê-lo-ia  não fosse ter contrato válido apenas até ao final da época e ser agenciado por Jorge Mendes. Não tremeu e destacou-se pelo bom posicionamento numa altura em que o adversário ainda sonhava virar o jogo.

 

Silas (3,0)

Forçado a fazer alterações devido à indisciplina de Wendel e ao aparente cansaço de Luiz Phellype, viu a equipa voltar a demonstrar escassez de encadeamento. Valeram-lhe aqueles três minutos à Sporting em que brotou do relvado uma vantagem de dois golos que não espelhava minimamente a diferença entre as duas equipas. Também foi mais acertado do que tem sido hábito nas substituições, embora seja legítimo questionar quando é que Gonzalo Plata e Matheus Nunes, dois potenciais craques dos quadros do Sporting, terão a possibilidade de provar que são opções válidas para as respectivas posições em campo. Chegado ao quarto lugar da Liga NOS, ainda distante dos líderes FC Porto e Benfica e do ex-líder Famalicão, seguem-se testes importantes para apurar os limites da recuperação.

Armas e viscondes assinalados: Quem não tem solução caça com carambola

Sporting 1 - Rosenborg 0

Liga Europa - Fase de Grupos 3.ª Jornada

24 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

É provável que já no balneário, terminado o duche, tenha sentido aquela impressão de ter deixado algo por fazer. Mas a verdade é que desta vez não foi preciso ir buscar a bola ao fundo das redes, algo que não sucedia em Alvalade há demasiado tempo. O brasileiro contribuiu para tão inusitado desfecho com a sua competência, contando com Coates para resolver a mais evidente ocasião de golo dos noruegueses, criada por um desvio do próprio Coates contra Idrissa Doumbia.

 

Rosier (2,0)

A forma infantil como deixou que uma bola se perdesse pela linha lateral quase a meio do terreno não teve consequências gravosas devido à distância em relação à baliza, mas serve às mil maravilhas enquanto metáfora das limitações de um lateral que custou mais dinheiro do que Mário Centeno consegue cativar num dia em que tenha muitas reuniões na agenda. O francês pode ter muito potencial e convirá demonstrá-lo ainda durante esta legislatura, pois até agora o melhor argumento para a sua titularidade é a falta de inscrição de Ristovski.

 

Coates (3,0)

Terminada a fase dos autogolos, ficou perto de inaugurar a fase das assistências para autogolo, no tal alívio providencial que embateu em Idrissa Doumbia e quase traiu Renan. Mas eis que desta vez o uruguaio corrigiu o erro, retirando a bola da linha de golo com um pontapé digno de bailarina de can-can. Não foi a única ocasião em que desfez os sonhos mais lindos dos noruegueses, contribuindo de forma decisiva para a ausência de golos alheios.

 

Mathieu (3,0)

Um ou outro tropeção no relvado não puseram minimamente em causa a dedicação do francês em cada lance que passou pela sua área de jurisdição, ficando perto de marcar num livre directo ao seu melhor estilo. Há que aproveitá-lo enquanto existe, até porque os putativos substitutos foram todos vendidos ao desbarato.

 

Acuña (3,0)

 

Dono e senhor da ala esquerda, onde nenhum adversário conseguiu fazer-lhe frente, traçou cruzamentos como se tivesse um compasso escondido nas chuteiras. Pena é que a falta de pontaria dos colegas e a miopia do árbitro não tenham dado o devido seguimento às suas iniciativas, tal como se pode lamentar que volte a enveredar por um registo quezilento que esteve prestes a retirá-lo das contas para o próximo jogo da Liga Europa.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Aproveitou da melhor forma as limitações técnicas do adversário para garantir o sossego no meio-campo que não conseguiu com uma equipa do terceiro escalão do futebol português. Marcou alguns pontos com a velocidade e capacidade de antecipação, o que lhe vem mesmo a calhar numa altura em que Battaglia estará quase recuperado e Rodrigo Fernandes foi promovido ao plantel principal.

 

Wendel (2,5)

Mais um jogo em que o jovem brasileiro não conseguiu ter a influência na construção de jogadas de ataque leoninas que se exige a quem tem artistas como Bruno Fernandes e Vietto por perto. A melhoria do Sporting para níveis dignos dA sua camisola depende de muitos factores, mas o desempenho de quem tem a cargo a posição 8 é um dos principais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Voltou a fazer tremer a barra da baliza adversária num livre directo, o que só valia pontos num programa televisivo, valendo-lhe o facto de o Rosenborg ser muito menos perigoso do que o Alverca. Sem nunca conseguir o melhor “timing” na hora de rematar, até porque os adversários estão mais do que avisados quanto à sua arma secreta, limitou-se a empurrar os colegas para a frente com o critério de sempre e a servir de alvo para as recorrentes entradas faltosas dos noruegueses. Aberrante só o facto de não ser o melhor da equipa em vários jogos consecutivos.

 

Vietto (3,0)

Começou com um cabeceamento perigoso e não mais desistiu de deixar marca no resultado. Acabou por consegui-lo, indirectamente, pois o ressalto de um dos seus remates sobrou para Bolasie decidir o resultado.

 

Bolasie (3,0)

Assume o “um contra um” com uma coragem difícil de encontrar no resto do plantel, recorrendo à força e ao engenho para ganhar a linha e cruzar. Embora tal aptidão pudesse trazer maiores dividendos caso Bas Dost não tivesse sido vendido em saldo, o certo é que o franco-congolês esteve no sítio certo à hora certa, cabeceando a bola de modo a bater no pé de um defesa e trair o guarda-redes do Rosenborg. Certo é que as vitórias obtidas por carambola valem o mesmo que as vitórias conseguidas com golos dignos do Prémio Puskas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Houvesse VAR na Liga Europa e o seu momento mais próximo da glória, num remate de cabeça desviado pelo braço de um adversário, daria origem a uma grande penalidade. É possível que a injustiça tenha marcado a sua exibição, que esteve longe de ser brilhante, não obstante a capacidade de trabalho que demonstra em todos os jogos.

 

Pedro Mendes (2,5)

Recebido pelas bancadas de Alvalade com uma enorme ovação, o goleador dos sub-23, acabado de promover ao plantel principal - embora só possa jogar na Liga Revelação até janeiro, visto que a inigualável preparação desta temporada incluiu a sua não-inscrição na Liga –, não repetiu o feito do golo-relâmpago de Eindhoven. Fica, no entanto, ligado à vitória pelo bloqueio digno de Jorge Jesus que permitiu o cabeceamento de Bolasie.

 

Borja (2,0)

Entrou para proteger a magra vantagem e ajudou a que esta não desaparecesse.

 

Eduardo (-)

 

Mal deu para fazer jus ao “que a camisola é para suar” dos novos bodes expiatórios da direcção leonina.

 

Silas (3,0)

Lançou para o relvado uma equipa apostada em dominar, o que se traduziu numa percentagem de posse de bola esmagadora. Mas ainda há muito a melhorar na finalização, pois receber o Vitória de Guimarães promete ser mais complicado.

Leonardo, Johnson e Rui Jordão na Cova da Moura

Estava a caminhar por uma das ruas mais inóspitas da Cova da Moura, onde nem a companhia de um residente prestigiado do bairro nem o desviar das câmaras dos camaradas de reportagem para o chão aplacavam os olhares desconfiados de residentes e comerciantes informais, quando me apercebi, a meio da conversa, de que partilhava um ídolo de infância com o Johnson Semedo, cujo fantástico trabalho na promoção da educação e do desporto tem ajudado a que centenas de jovens não trilhem o caminho que em tempos idos o conduziu ao crime e ao castigo da prisão.

A meio daquela rua percebemos que um miúdo da Alvalade traçada a régua e esquadro por urbanistas do Estado Novo tardio e outro miúdo da Cova da Moura em que os prédios brotam por necessidade e à revelia de qualquer noção de urbanismo se tornaram sportinguistas mais ou menos ao mesmo tempo. E em grande parte por influência do mesmo homem, de seu nome Rui Jordão, avançado elegante como um bailarino do Bolshoi e letal como um ninja. Separados por tudo e mais alguma coisa, tirando o essencial, Johnson e Leonardo, agora homens crescidos, a meio caminho entre a infância e a velhice, mantinham a admiração pelo ídolo.

Quis contar esta história ao Rui Jordão, desde há muito distanciado por vontade própria do mundo de futebol, dedicado sobretudo à pintura, mas nunca consegui convencê-lo a dar uma entrevista. Tentei as redes sociais, deixei recados no número de telemóvel arranjado por amigo em comum, sem qualquer sucesso. Ele não gostava de aparecer e muito menos de entrevistas. Agora já é tarde.

Que descanse na paz da eternidade quem partiu tão cedo e deixou tão grande marca. Pode ser que nos venhamos a encontrar noutro mundo e espero que nessa ocasião, após vencer a resistência de quem continuará a não querer aparecer, tenha tido o cuidado de verificar que o gravador tem as pilhas carregadas.

Armas e viscondes assinalados: Um filme hardcore do terceiro escalão

Alverca 2 - Sporting 0

Taça de Portugal

17 de Outubro de 2019

ERRATA: Tal como foi apontado por vários leitores, foi Luiz Phellype e não Tiago Ilori o autor moral do 2-0. Assim sendo, mantendo-se a má avaliação do central, é de elementar justiça irmaná-lo com o avançado, que desce para 2,0 para 1,5.

 

Luís Maximiano (2,5)

Uma das medidas do nível de tragédia em que o futebol leonino se encontra atolado reside no facto de o guarda-redes mais promissor da Academia de Alcochete desde o titular do Wolverhampton ainda não ter conseguido ganhar ou empatar um jogo pela equipa principal. Desta vez viu-se traído por centrais hesitantes e por um trinco fora de posição no primeiro golo e por um corte de cabeça com aspecto de assistência para golo no segundo. O Sporting foi eliminado da Taça de Portugal pelo Alverca, equipa do Campeonato Nacional de Seniores, mais conhecido por terceira divisão, mas o resultado poderia ser ainda mais humilhante não fossem as belas defesas do jovem a quem tratam por Max – não necessariamente por estar rodeado de mulas da cooperativa... –, a começar pelo desvio por instinto de um pontapé de bicicleta.

 

Rosier (2,0)

A escassa utilização de Rafael Camacho, outra das compras milionárias feitas pela mesma gerência que dispensou Nani e Montero antes de vender Bas Dost a preço de saldo, tem permitido que os sportinguistas se inquietem-se menos com o lateral-direito francês, não obstante tarde a confirmar o estatuto de última Coca-Cola de Kandahar. Assim voltou a suceder na despedida do Sporting ao troféu de que era detentor, após ter saído derrotado da traumática final disputada na época anterior a essa no Estádio Nacional: presença física quanto baste e cruzamentos mais para menos do que para mais em nada contribuíram para a felicidade da equipa e sossego dos adeptos.

 

Neto (2,0)

A sucessão de faltas duras e desnecessárias cometidas após ver o cartão amarelo fizeram temer que estivesse a conduzir uma experiência científica com o árbitro Luís Godinho. Conseguiu escapar à expulsão que o libertaria do compromisso seguinte do Sporting, mas revelou menos talento para impedir que Apolinário se acercasse da grande área até desferir o remate que inaugurou o marcador.

 

Tiago Ilori (1,5)

O alívio disparatado que permitiu ao Alverca selar o resultado final foi o enorme disparate específico que serviu de cereja no topo do bolo à quantidade habitual de pequenos e médios disparates genéricos, embora o passe errado que permitiu a primeira ocasião de golo da equipa da casa se destaque dos demais.

 

Borja (2,5)

O internacional colombiano continua a viver na linha defensiva do Sporting aquilo que uma pessoa livre e em busca de diversão,,,,, ou de algo mais, vive numa noite de sexta-feira: a sua avaliação depende do valor relativo dos amigos que tem ao lado. Sucedendo que Rosier, Neto e Ilori o acompanharam no relvado, Borja destacou-se e aproveitou a ocasião para demonstrar razoável critério a defender e mesmo a atacar, beneficiando da presença de Vietto nas imediações. Deve-se-lhe uma das primeiras das muitas ocasiões de golo do Sporting que ficaram por marcar, num fortíssimo remate de muito longa distância, mas na segunda parte foi perdendo fulgor até chegar a hora de ser trocado por Acuña.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Tão esforçado quanto dessincronizado, naquele seu jeito diligente-trapalhão, o jovem médio defensivo remou contra a corrente mas pouco ou nada conseguiu, mantendo-se ainda assim até ao final de um jogo ainda mais desolador do que os anteriores. E espera-se que imensamente mais do que os jogos vindouros.

 

Eduardo (1,5)

Esteve no relvado com o equipamento Stromp vestido, mantendo-se 45 minutos num registo equivalente ao da figuração especial. Velho  conhecido do novo treinador dos leões, o brasileiro tarda em justificar a sua presença mesmo que o resto do meio-campo leonino também não seja flor que se cheire.

 

Miguel Luís (2,0)

Envergou a braçadeira de capitão, o que terá parecido estranho a todos quantos não se deram ao trabalho de reparar que era mesmo ele o mais veterano de entre os titulares. Seguiu-se uma exibição marcada pela dificuldade em fazer cruzamentos, ou contribuir de forma decisiva para um desfecho diferente daquele que mostrou aos sportinguistas que continua a haver mais túnel no fundo do túnel.

 

Vietto (3,0)

Fossem os deuses do futebol clementes e um ou mais dos seus potentes e colocados remates teriam encontrado as redes, pois o argentino não só foi o jogador leonino que mais se empenhou na tentativa de marcar um número de golos superior à soma daqueles que inevitavelmente acabariam por entrar na baliza de Luís Maximiano como garantiu um toque de classe na circulação de bola e construção de jogadas que vai rareando no Sporting. Na segunda parte sentiu maiores dificuldades em manter o ritmo e em não ceder à tentação de deixar cair os braços, cedendo protagonismo para o recém-entrado Acuña.

 

Jesé Rodríguez (2,5)

Momentos houve em que o encharcado relvado de Alverca pareceu um DeLorean carburado a plutónio e capaz de devolver a eterna esperança adiada do futebol espanhol à glória que lhe esteve reservada. Tal como a persistente propaganda varandista fez saber nos últimos dias, Jesé está mais magro e consegue acrescentar alguma velocidade à qualidade inata dos pés, pelo que a defesa adversária tremeu com as suas arrancadas em drible pela direita, infelizmente desaproveitadas pelos colegas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Na hora em que a equipa precisava de um matador resolveu assinar o perdão das redes da baliza contrária, desviando a bola para o lado errado dos postes nas duas maiores ocasiões que teve, muitíssimo bem servido pelo livre de Vietto e pelo cruzamento do recém-entrado Bolasie. Longe de ser o maior erro de entre as muitas contratações das épocas pós-Alcochete, nem sempre consegue superar as suas circunstâncias.

 

Bruno Fernandes (2,5)

O golo madrugador do Alverca retirou-lhe qualquer esperança de ficar descansado no banco de suplentes, tendo a realização da RTP mostrado um plano em que a sua expressão apreensiva era o prenúncio daquilo que estava para vir. Substituiu ao intervalo o pouco presente Eduardo, esforçando-se por construir jogadas dignas de uma equipa que não há muito tempo lutava de igual para igual com o Real Madrid ou a Juventus. Ainda enviou a bola à trave num dos seus magníficos livres directos, e tentou servir os colegas, mas não era a sua noite. Pior seria caso Luís Godinho tivesse mostrado o cartão vermelho num lance em que a frustração o levou, com ou sem intenção, a pontapear um adversário que tentava queimar mais uns segundos do tempo de compensação.

 

Acuña (2,5)

De capitão da Argentina contra a Alemanha a impedido de regressar ao Jamor por uma equipa do terceiro escalão do futebol português. Eis um resumo dos últimos dias de Acuña, colocado em campo com dois golos de desvantagem no placard e poucos minutos no cronómetro. Procurou fazer da ala esquerda uma alameda para a reviravolta, servindo-se da capacidade de drible e da atitude que falta a muitos colegas, mas os seus cruzamentos (cada vez mais disfarçados de remates) não surtiram efeito prático.

 

Bolasie (3,0)

Faltou-lhe um pouco de pontaria na melhor ocasião que o Sporting teve para marcar, mas a forma como se desenvencilhou de adversários dentro da grande área prova que poderá ser útil se algum dia a equipa estabilizar. Também na ala direita demonstrou capacidade de progressão no um contra um e muito razoável eficácia na hora de cruzar.

 

Silas (1,5)

Pouca ou nenhuma culpa tem na qualidade do plantel que aceitou treinar, mas tal como existe um motivo para Bruce Wayne e Batman não serem vistos no mesmo sítio, também há razões ponderosas que desaconselham a titularidade em simultâneo de Ilori e Miguel Luís, aliada ao fraco desempenho de Eduardo e Luiz Phellype. Chegada a hora de recorrer aos habituais titulares já pouco ou nada havia a fazer, até porque o segundo golo do Alverca serviu de coro grego, logo secundado pelo “joguem à bola” que veio substituir o “só eu sei porque não fico em casa”. Mas pior do que o resultado, e do que a eliminação precoce que deixa o Sporting praticamente sem objectivos concretizáveis nesta temporada,   foi o discurso após o jogo, abrindo caminho às piores interpretações acerca do estado do balneário leonino.

Visto que a essa hora estarei a trabalhar...

...agradeço se alguém puder perguntar por mim qual foi o benefício até agora retirado pelo Sporting daquele protocolo com o Wolverhampton que diluiu ainda mais o que sobrava da dentada de Jorge "Incobrável não consta do meu dicionário" Mendes nas verbas recebidas em troca do fim do litígio com o ex-capitão Rui Patrício.

 

Muito agradecido, como diria o Raul Solnado.

Armas e viscondes assinalados: Serviços mínimos chegaram para resultado máximo

Sporting 2 - LASK Linz 1

Liga Europa - Fase de Grupos 2.ª Jornada

3 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Antes de o primeiro minuto chegar ao fim já tinha impedido o golo dos visitantes duas vezes na mesma jogada. Deixado à sua sorte pela inadaptação da defesa ao esquema táctico dos três centrais, só não conseguiu chegar ao fortíssimo remate de Raguz. Teve direito à sorte dos audazes noutros lances, mas na segunda parte foram mesmo os seus braços a impedir que os austríacos retirassem do inquestionável domínio um dividendo de um ou três pontos.

 

Neto (2,5)

Convirá referir que dos três centrais até foi aquele que menos falhou. Debalde, coube-lhe ficar no balneário ao intervalo quando Silas percebeu que teria de fazer novas todas as coisas. Ossos do ofício de quem é a terceira opção, atrás de uma dupla que nesta temporada nem sequer parece estar rotinada.

 

Coates (2,5)

Conseguiu não cometer grande penalidade aos primeiros segundos de jogo, mas nem por isso demonstrou mínima concentração na tenebrosa primeira parte. Melhorou ligeiramente depois do intervalo, sem nunca deslumbrar e muito menos deixar descansados os adeptos.

 

Mathieu (2,0)

Quando ofereceu a bola para o golo do LASK Linz já levava uma série de erros ainda sem consequências graves. Poderia perfeitamente ter sido sacrificado ao intervalo, mas estatuto e rotinas com Acuña mantiveram até ao apito final um veterano que aparenta estar cansado.

 

Miguel Luís (2,5)

Encontrou algum propósito enquanto responsável por uma ala direita que tem andado inoperante e azarada desde a célebre Supertaça. Há que lhe fazer a justiça de que não fez pior do que Rosier, mantendo uma qualidade mínima garantida ao recuar definitivamente para lateral-direito.

 

Acuña (3,0)

Invejosos dirão que poderia ter sido expulso (um deles, com coluna na imprensa, experiência de apito na boca e odiozinho incontido ao Sporting, assacou-lhe um amarelo, um vermelho e um pénalti, o que chegaria para encher o cartão de bingo), mas o argentino voltou a ser a garantia de classe que vai faltando a esta equipa. Incansável na esquerda, onde foi saco de pancada dos adversários, executou cruzamentos que fizeram os adeptos suspirar por Bas Dost. Saiu  com o resultado feito, para a entrada de Borja, cansado e dorido do amor demonstrado pelas chuteiras do adversário.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Pareceu perdido, quando não submerso pela vaga austríaca, durante a primeira parte. Melhoraria após a saída de Wendel, mas ainda terá de tomar muitos suplementos de vitaminas para chegar aos pés outrora considerados pesados de William Carvalho.

 

Wendel (2,0)

Recuperou a titularidade sem ter recuperado a razão de ser titular. Sem grandes argumentos para travar os visitantes e ajudar a construir ofensivas lusitanas, quando saiu deixou a leve impressão de que já ia tarde.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Ser o melhor também significa que se consegue fazer a diferença mesmo estando naquele tipo de noite que se convencionou chamar pouco sucedida. Tantas iniciativas não deram em nada, tantas bolas ficaram por casar com o destinatário desejado, mas na hora das decisões estava no lugar certo, desmarcou-se e rematou para o golo da vitória com uma frieza que mais ninguém teria naquele plantel.

 

Bolasie (2,5)

Começa a ser evidente que o franco-anglo-congolês será sempre desconcertante, tão potencialmente útil como tendencialmente desastrado. Encaremo-lo como um mistério da fé cujas aparições deixarão de ser vistas pelos pastorinhos em maio.

 

Luiz Phellype (3,0)

Assentou os pés de milhões de sportinguistas no chão ao falhar o 3-1 que tornaria os minutos derradeiros próprios para cardíacos. Isolado, e com colegas ainda mais isolados a seu lado, permitiu a defesa ao guarda-redes. Talvez nunca seja um ponta de lança de 20 ou 30 milhões de euros (facilmente conversíveis em seis ou sete desde que o negociador seja especialmente astuto), mas ninguém lhe tira o golo de cabeça que empatou o jogo e a assistência perfeita para Bruno Fernandes resolver.

 

Vietto (2,5)

Perdeu a oportunidade de fazer figura nas redes sociais ao desaproveitar o adiantamento do guarda-redes num remate de muito longe. Entrado ao intervalo para mudar o jogo, contribuiu para a melhoria na circulação de bola e para os efémeros minutos em que o Sporting dominou a pera-doce do seu grupo.

 

Eduardo (2,5)

Retomou o lugar que voltou a ser de Wendel a meio da segunda parte e o mínimo que se poderá dizer é que trouxe sorte aos colegas. E também vontade de virar o jogo, já agora.

 

Borja (2,0)

Chamado a substituir Acuña na hora do aperto, cumpriu dentro das suas limitações para que o Sporting não perdesse três pontos conquistados em serviços mínimos.

 

Silas (2,5)

Continua a fazer experiências e a contar com a relativa boa vontade dos adeptos. Na sua maioria serão capazes de perdoar-lhe o descalabro provocado pela tentativa de jogar em

3-5-2, ainda que entregar 45 minutos de jogo não conste em nenhum manual de obtenção de sucesso. Pelo menos acertou nas alterações, e na forma como mexeram com a equipa. Mas há muito caminho a percorrer antes de entrar no túnel que terá luminosidade ao fundo.

Armas e viscondes assinalados: Para acabar de uma vez por todas com o Setembro Negro

Desportivo das Aves 0 - Sporting 1

Liga NOS - 7.ª Jornada

30 de Setembro de 2019

 

 

Renan Ribeiro (3,0)

Nem terá acreditado quando não encontrou o golo (ou golos) do costume no placard quando o árbitro mandou toda a gente para casa. Há 19 jogos consecutivos (18 deles presenciados “in loco” pelo brasileiro) que o Sporting consentia golos aos adversários. Assim não foi desta vez, o que contribuiu de forma decisiva para a conquista de três pontos que havia caído em desuso entre os verdes e brancos. Por culpa das gritantes limitações do lanterna vermelha, talvez, mas também porque Renan esteve à altura sempre que o perigo rondou a sua baliza, sendo bafejado pela sorte nas raras ocasiões em que não poderia ter feito nada para evitar o habitual.

 

Rosier (2,0)

Muito limitado no contributo para o ataque do Sporting – não só a arrumação táctica decidida por Silas não ajudava, pois raros foram os momentos em que lhe apareceu alguém para combinar no flanco, como o francês pareceu conformado com a sua incapacidade. Mais eficaz a defender, mas não o suficiente para se tornar inquestionável, tem a titularidade em risco com a recuperação de Ristovski.

 

Coates (3,0)

Voltou de cabelo aparado e cabeça limpa, acumulando cortes providenciais e impondo a sua presença. Exemplo daquilo a que Bruno Fernandes chamaria atitude caso estivesse a ser gravado por um falso amigo foi o lance em que desmontou uma jogada de perigo na sua grande área, saiu com bola, combinou com o capitão e irrompeu pela direita, galgando longos metros até fazer um cruzamento magnífico a que Bolasie não deu o melhor andamento. Entre os que entraram de início foi o melhor.

 

Mathieu (2,5)

Ficou a poucos centímetros de ser o azarado de serviço, pois um ressalto nas suas costas quase traiu Renan Ribeiro. Igualmente surreal foi o momento em que se viu impedido de chegar à bola por uma obstrução do árbitro Carlos Xistra, provocando-lhe a expressão facial de “ennui” mais francesa de que há memória. Menos influente do que é seu costume, o mínimo a dizer é que também não comprometeu.

 

Borja (2,0)

Recebeu a titularidade em detrimento de Acuña e a contastação de que isso envolve uma grande de realismo mágico tolheu-lhe os movimentos, concentrando-se em não dar bronca. Sendo certo que nada fez de particularmente errado (mesmo os cabeceamentos foram menos aleatórios do que é a sua bitola), houve alívio partilhado por todos os adeptos quando cedeu o lugar ao melhor jogador em campo.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

O duplo pivot do meio-campo teve o seu esteio mais defensivo neste jovem de assinalável potencial. Cumpriu sem brilhantismo, ao ponto de ser destacado por Augusto Inácio, treinador da equipa adversária, como um ofertador de fruta, tantas terão sido as pancadas que distribuiu aos seus jogadores. Dir-se-ia que se tratou de um ligeiro exagero, mas é assim que se vai criando uma reputação.

 

Eduardo (3,0)

Surpresa no meio-campo do Sporting, como clara aposta do treinador que já trabalhou consigo no Belenenses SAD, o brasileiro foi o autor dos dois maiores momentos de perigo conseguidos na primeira parte apática e sonolenta da equipa leonina. Enviou a bola à trave num remate de muito longe e, poucos minutos depois, perante a ausência de colegas interessados em criar linhas de passe, reincidiu na intenção, forçando o guarda-redes adversário a ceder canto. Foi perdendo fulgor e critério, acabando por ser substituído por Wendel.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha sido da táctica, talvez tenha sido da divulgação das mensagens, talvez tenha sido das alterações climáticas, mas a verdade é que o capitão do Sporting perdeu protagonismo e, em simultâneo, rapidez e eficácia de execução. Também pouco feliz nos remates, invariavelmente prensados nas pernas de defesas (que desta vez foram punidos por fazerem às suas pernas o que os pica-paus fazem às árvores), e até nos “pas de deux” com Vietto, Bruno teve o condão de nunca desistir. E de mostrar ter nervos de aço na hora de marcar a grande penalidade que pôs termo a um Setembro negro em que o Sporting disse mais vezes a palavra desaire do que Frederico Varandas repetiu o primeiro nome da sua entrevistadora na SIC.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

A azia demonstrada aquando da inevitável substituição é a prova acabada de que o avançado espanhol vive numa realidade paralela. Neste mundo em que todos os outros são obrigados a existir sucedeu o seguinte: uma promessa adiada do futebol europeu, a quem a passagem dos anos não está a ser caridosa, com excesso de peso e escassez de velocidade de arranque, nada fez para justificar a titularidade.

 

Vietto (2,5)

É um artista, o único artista capaz de ombrear com Bruno Fernandes neste plantel. Dito isto, é um artista a quem faltou acertos nas muitas ocasiões que criou e ajudou a criar, chegando a ter cravado no rosto o terror de que a fase desastrosa da equipa não terminasse ali.

 

Bolasie (2,5)

Redimiu-se de uma sucessão de erros clamorosos, incluindo uma variedade de domínios de bola que seriam inaceitáveis no INATEL, ao ser abalroado pelo guarda-redes contrário depois de fazer um chapéu na grande área avense. A força, vontade e (relativa) velocidade poderão vir a ser muito úteis, mas os remates atabalhoados estão a ser uma enorme pecha no seu desempenho. Exemplo acabado disso é o lance em que, servido na perfeição pelo cruzamento de Coates, dominou bem de peito mas perdeu uma ocasião flagrante de golo de uma forma que nem ele saberá explicar.

 

Luiz Phellype (2,0)

Esteve meia-hora em campo sem causar perigo, o que não é o melhor cartão de visitas para o único ponta de lança de raiz que o Sporting inscreveu na Liga. Reconheça-se-lhe, ainda assim, o muito trabalho em prol da equipa.

 

Wendel (2,0)

Entrou para refrescar o meio-campo e assim fez, embora tenha visto um cartão amarelo prematuro para evitar um contra-ataque. É outro caso em que a longa paragem de Outubro (depois do compromisso da próxima quinta-feira para a Liga Europa) só poderá fazer bem.

 

Acuña (3,0)

Quinze minutos chegaram para ser o melhor jogador em campo. Entrou tarde e a más horas, por motivos que talvez nem valha a pena apurar, e assumiu uma equipa que caminhava sobre brasas. Deu vida à ala esquerda como Borja nunca tinha conseguido, contaminou os colegas com a garra que esbanja em todos os lances, forçou os adversários a travá-lo em falta (dois deles foram amarelados) e quando Bruno Fernandes fez um cruzamento muito longo e de muito longe, saltou mais do que permitia a força humana, e cabeceou na direcção de Bolasie a bola que pôs termo à maldição. Qualquer caminho para o sucesso do Sporting tem de passar por ele.

 

Silas (3,0)

Nem tudo está bem quando acaba bem. Sobretudo quando o “bem” é uma vitória tangencial sobre o último classificado da Liga, obtida mesmo no final do jogo e mantida com o adversário reduzido a dez devido a uma lesão quando Inácio tinha esgotado as substituições. Sendo Silas digno do respeito e apoio de todos os sportinguistas, não só pelo seu valor intrínseco enquanto treinador e pelo potencial de evolução (o que vai muito além do curso que o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol tanto reclama...) como pela coragem de aceitar o desafio, a verdade é que a equipa não jogou particularmente melhor do que nos jogos em que foi orientado pelo infeliz Leonel Pontes,

sendo necessário um carregamento de benefício da dúvida para entender que Acuña tenha ficado no banco. Posicionamentos, combinações e atitudes terão de ser trabalhadas ao longo das próximas semanas, definindo o caminho para uma temporada melhor do que a do infame sétimo lugar. Espera-se que assim seja, a bem do Sporting, dos adeptos que merecem tudo e do próprio novo timoneiro do varandoproclamado “clube de loucos”.

Pensamento perturbador ao centésimo "ó Teresa" repetido pelo atual presidente do Sporting na entrevista à SIC...

...apesar do inconveniente que seria a imposição da "sharia" e a insistência em queimar uma bandeira dos Estados Unidos antes de "O Mundo Sabe Que", o que seria desagradável para a nossa Carlyn Baldwin nos jogos de futebol feminino (modalidade que, bem vistas as coisas, talvez fosse suspensa indefinidamente), cada vez mais me parece que nove em cada dez talibans contemporâneos de Frederico Varandas no Afeganistão fariam melhor figura enquanto presidente do Sporting.

Armas e viscondes assinalados: O Carvalhal bate sempre duas vezes

Sporting 1 - Rio Ave 2

Taça da Liga - Fase de Grupos 1.° Jogo

26 de Setembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,5)

Demorou tanto tempo a calçar as luvas que não terá aparecido na fotografia de conjunto antes do início do jogo. Para quem fazia a estreia no plantel principal não foi o melhor presságio, e as nuvens carregadas que cobrem Alvalade acabariam por não o poupar. O que dizer de um jogo em que fez quase tantas defesas quanto viu entrar bolas na baliza? Na retina ficou a rapidez com que saiu da grande área para desfazer um atraso negligente de Ilori e o toque providencial com que atrasou por uns segundos o 1-2. Já no lance do primeiro golo foi deixado à sua sorte por dois incompetentes. É muito possível que “Max” seja o futuro, mas o presente é a versão reduzida do mini.

 

Rosier (2,0)

Fica ligado ao lance do golo inaugural do Rio Ave, que Carlos Carvalhal levou a vencer o Sporting em casa pela segunda vez no mesmo mês, pois estava em parte incerta aquando da perda de bola de Wendel e não mais conseguiu apanhar o veloz Ronan no seu rumo à baliza, e talvez também ao segundo, na medida em que alguém deveria estar a vigiar Pedro Amaral, que cruzou da esquerda para a grande área do Sporting sem ter um jogador leonino num raio de dez metros. À parte isso, verdade seja dita que o lateral francês demonstrou estar com mais energia e vontade de combinar com os colegas nas jogadas de ataque.

 

Tiago Ilori (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo desta época e gastou alguns preciosos segundos a contemplar a forma decidida com que Ronan se acercava da baliza. No resto do tempo dedicou-se a trapalhices variadas, como o tal atraso que o guarda-redes teve de resolver, fazendo lembrar que os órgãos dirigentes que o resgataram ao esquecimento no estrangeiro foram os mesmos que venderam Domingos Duarte, emprestaram Ivanildo Fernandes e não conseguiram desarmadilhar o empréstimo de Demiral feito pela genial gerência interina de Sousa Cintra.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto por ter aceite ir à “flash interview”, durante a qual foi perdendo gradualmente a voz até deixar a impressão de estar a ser esmagado pelas circunstâncias. Perder e sofrer dois golos num jogo que esteve quase sempre controlado é o tipo de provação que, como diria Cole Porter, lhe fez ver mais céu cinzento do que qualquer peça de teatro russa poderia garantir.

 

Borja (2,5)

Há que referir que o limitado colombiano esteve tão bem quanto consegue estar, chegando a fazer circular a bola com qualidade e a ser mais do que o habitual empecilho a Acuña na ala esquerda. Mesmo o amarelo que lhe foi mostrado teve sentido, pois travou um adversário que se preparava para entrar na grande área com a bola controlada.

 

Battaglia (2,5)

Estava a continuar a reaprender a ser útil ao clube com que rescindiu e voltou a assinar contrato quando, na sequência de continuados contactos de jogadores do Rio Ave, caiu agarrado ao joelho e foi substituído antes do intervalo. Se voltar a ficar indisponível por um longo período será apenas mais uma dor de cabeça para Silas, o novo treinador do Sporting e o terceiro consecutivo com défice capilar.

 

Wendel (2,5)

Talvez seja injusto apontar-lhe responsabilidades pelo 0-1, ainda que a sua perda de bola tenha servido de ignição a uma série de infaustos eventos. Mais estranha, no entanto, foi a jogada em que se desentendeu com Bruno Fernandes e conseguiram perder a posse de bola a meias para um adversário. Mas também se deve referir que o jovem brasileiro trabalhou mais e melhor pela equipa do que tem sido seu hábito nos tempos mais recentes.

 

Acuña (3,0)

Pudesse ser clonado em série e Marcel Keizer continuaria a torturar a língua inglesa, deixando Leonel Pontes feliz a assistir a goleada após goleada dos sub-23. O argentino foi novamente incansável, tão capaz de desarmar adversários (e de nunca desistir de uma marcação) como de fazer aberturas e cruzamentos para os colegas, falhando apenas redondamente numa recarga a um remate de Jesé Rodríguez quando estava em excelente posição para fazer o 2-1. E ainda se deu o caso, perturbador tendo em conta os antecedentes, de ser visto a acalmar colegas furibundos com o árbitro Manuel Mota.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Precisou da ajuda de um desvio em Diogo Figueiras para marcar de livre directo, mas essa foi a recompensa possível para mais uma exibição em que remou contra a maré sem ser bafejado pela sorte em mais nenhum instante. Não só foi amarelado por ser alvo de ameaças e insultos de um adversário, que o acusou de falta de “fair play” por não devolver uma bola mandada para fora para haver assistência médica, como viu o guarda-redes e a falta de pontaria resolverem cerca de uma dezena de remates de todos os géneros e feitios. De igual modo, também as suas assistências surtiram pouco efeito prático, mantendo-se crente mesmo quando recuou no campo após as alterações tácticas com que Leonel Pontes procurou desesperadamente a vitória ou, logo a seguir, pelo menos o empate.

 

Jesé Rodríguez (3,0)

Convém não lhe pedir para correr, mas quando a bola surge no raio de acção da promessa cancelada do Real Madrid podem suceder coisas espantosas. Fez duas assistências primorosas que Vietto se encarregou de desperdiçar, atirou um cruzamento-remate ao poste e lançou outras bombas que só o azar e o guarda-redes do Rio Ave impediram de abanar o resultado. Saiu a poucos minutos do fim, na hora do desespero, deixando a indicação de que poderá vir a ser útil quando localizarem a caveira de bode que está a amaldiçoar o relvado do estádio.

 

Vietto (2,5)

Torna-se cada vez mais óbvio que é a operação contabilística com melhores dotes de futebolista que anda por aí, sucedendo-se jogadas em que mostra ser capaz de fazer coisas com a bola que nem o demónio desconfia. Só é pena que tenha sido tão incrivelmente perdulário: o cabeceamento ao lado, depois de muito bem servido por Jesé Rodríguez, foi apenas o exemplo mais flagrante dos constantes desacertos do argentino, incapaz de revelar-se super-herói quando os habitantes de Alvalade City mais necessitavam de um.

 

Eduardo (3,0)

Entrou ainda antes do intervalo, devido a nova lesão de Battaglia, e conseguiu impressionar pela qualidade no controlo e circulação da bola, empenhando-se em fazer avançar a equipa no terreno. Merece mais tempo que provavelmente lhe será concedido por Silas, que já foi seu treinador na Belenenses SAD.

 

Luiz Phellype (2,0)

Regressou de lesão com pouco ritmo e mais não fez do que ser uma presença na grande área do Rio Ave que prendeu mais os centrais e dinamizou a conquista de espaços pelos colegas. Convirá voltar quanto antes à bitola jogo feito-golo feito que foi sua no final da época passada.

 

Jovane Cabral (2,0)

Esteve quase a entrar em campo com a camisola de Gonzalo Plata, o que seria o culminar perfeito para a tragicomédia em curso no Sporting. Tendo pouco tempo, certo é que se esforçou para que a bola rondasse a baliza do Rio Ave.

 

Leonel Pontes (3,0)

Sinal de que a vida foi especialmente cruel para o interino que deverá sair com o recorde negativo de um empate e três derrotas em quatro jogos ao comando do Sporting é que o Rio Ave fez dois golos em pouco mais do que duas ocasiões de golo. E, mais precisamente, que o Sporting não jogou mesmo nada mal, sucedendo-se as combinações entre Bruno Fernandes, Vietto e Jesé Rodríguez, bem municiados sobretudo por Acuña e não raras vezes por Wendel. Mesmo os pontos fracos do onze que pôs em campo não tinham grande solução - Coates e Mathieu precisavam de descanso, por motivos diferentes, e a lesão de Ristovski, a venda de Thierry Correia e a falta de inscrição de João Oliveira obrigam à utilização intensiva de Rosier até alguém reparar que o Sporting pagou uns quantos milhões pelo passe de Rafael Camacho, aquele a quem Klopp antevia futuro como lateral-direito – e o facto de os poucos milhares de adeptos que estavam nas bancadas se terem dedicado mais a confrontos físicos e cânticos contra os órgãos dirigentes do que propriamente a apoiar os jogadores também não terá dado muito jeito. Espera-se que, tendo em conta o seu anterior local de trabalho antes do Jamor, o sucessor Silas traga consigo a estrela de Belém.

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