Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Suspeitos do costume superam terceiro escalão

Loures 1-Sporting 2

Taça de Portugal - 3.ª Eliminatória

20 de Outubro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Foi titular pela primeira vez, apesar de Salin estar recomposto do susto de Portimão, e num jogo inteiro sofreu apenas metade dos golos que havia sofrido em pouco mais de metade do anterior. Para tal contribuiu uma boa defesa com os pés perto do final, quando um avançado do Loures, equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional, lhe apareceu isolado à frente. Não conseguiu repetir o feito minutos mais tarde, em circunstâncias parecidas. Resta-lhe a esperança, se o francês não voltar ao pré-Algarve ou se Viviano não puder estrear-se frente a uma das suas antigas equipas, de que os avançados do Arsenal sejam menos velozes e eficazes na tarde de quinta-feira.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Logo no início da segunda parte protagonizou um lance que, com a equipa de edição de imagem certa, poderia justificar a sua contratação. Pegou na bola e ganhou a linha em velocidade, executando um cruzamento rasteiro para o coração da área que só não deu bingo porque Bruno Fernandes chegou um pouco atrasado. Pena é que no resto do jogo tenha primado pela inconsequência é permitido a mesma liberdade ao ex-Alcochete Luís Eloi que Ristovski outorgou ao ex-Alcochete Wilson Manafá. 

 

André Pinto (2,5)

Promovido a improvável patrão da defesa na ausência de Coates, quase sempre chegou e sobejou para os adversários - de uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional -, tendo ainda a sorte de Renan resolver o problema na jogada em que deixou escapar um avançado do Loures. Mas não foi desta vez que chegou ao fim do jogo sem ver uma bola alojada nas suas redes.

 

Marcelo (2,0)

Estreou-se antes de Viviano ter oportunidade de o fazer, aproveitando o descanso concedido a Coates. E sentiu de tal forma a responsabilidade que imitou o uruguaio numa incursão descabelada pelo meio-campo contrário - ainda que com menos suspense, decidindo-se por um lançamento longo para a linha de fundo, o que tem o mérito de impedir contra-ataques perigosos - e num cabeceamento executado de costas ao acorrer a um pontapé de canto - ainda que a bola tenha saído acima da barra e não ao lado do poste. Encaminhava-se para uma noite sossegada, daquelas em que ninguém se recorda do paradeiro de Demiral ou de Domingos Duarte, quando deixou em jogo o marcador do golo tardio do Loures.

 

Jefferson (3,0)

Tão perturbador quanto o dilema “que barulho faz uma árvore a cair na floresta se ninguém lá estiver para ouvir?” só o “para que serve encaminhar a bola em condições para a grande área se lá estiver Castaignos em vez de Bas Dost?”. O brasileiro passou o jogo a fazer belíssimos cruzamentos, os quais chegariam para uma goleada que evitasse assobios e cânticos depreciativos dirigidos à equipa após o apito final. Assim não aconteceu, não por culpa dele.

 

Gudelj (2,5)

Foi um dos poucos mártires de Portimão a repetir a titularidade e, perante uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional, saiu-se relativamente bem. Para o mesmo bem seria necessária pontaria nos recorrentes remates de média e longa distância, certamente poupada para o encontro com o Arsenal.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Permitiu que o guarda-redes defendesse o pénalti que teria sossegado os adeptos logo aos 50 minutos de jogo, mas no final da primeira parte conseguiu finalmente acertar nas redes com um dos seus mísseis teleguiados. Recuado no terreno para ajudar a construir jogadas na zona central do meio-campo, acabou o jogo no habitual papel de apoio ao ponta de lança, sendo que neste caso isso tinha o seu quê de missão impossível. Mesmo assim foi um dos suspeitos do costume que impediram Peseiro de explicar aos sportinguistas as vantagens de ficar com o calendário de jogos menos sobrecarregado ainda antes do Natal.

 

Nani (3,0)

Desviado das alas para o centro do terreno, lutou muito, fez o passe que Bruno Fernandes aproveitou para inaugurar o marcador e, já na segunda parte, aproveitou a defesa incompleta a um remate de Jovane Cabral para, numa recarga com elevada nota artística, marcar o 2-0. O capitão ainda esteve perto, numa jogada tão confusa quanto tudo aquilo que tenha toque de Castaignos, de marcar um segundo golo, certamente poupado para o encontro com o Arsenal.

 

Carlos Mané (1,5)

Numa semana em que muito se falou do regresso do Sporting ao basquetebol é impossível não reparar que o extremo fez a sua terceira falta ofensiva antes da meia hora, o que no desporto das tabelas e dos cestos o deixaria bem perto da exclusão. Muita falta de ritmo e de confiança impediram Mané de ter uma boa noite em tudo o que não envolveu passar a bola a Jovane Cabral para este ser derrubado na grande área do Loures. Foi o primeiro sair, cedendo o lugar a Petrovic.

 

Jovane Cabral (3,0)

Demorou a engrenar, como tende a suceder quando lhe fazem a maldade de pôr a jogar de início, mas no habitat natural a que chamam segunda parte conquistou o pénalti falhado por Bruno Fernandes e fez o remate que permitiu a Nani subir a parada para 2-0. É o acelerador por excelência do futebol leonino na ausência de Raphinha, o que permite perdoar os habituais disparates: desta vez foi um corte disfarçado de assistência para um avançado do Loures.

 

Castaignos (0,5)

Caberá aos arqueólogos do século XXV encontrar o registo do famoso jogo de treino realizado há poucos dias em que o avançado holandês que não se chama Dost marcou quatro golos. Lançado como titular para poupar Montero para o encontro com o Arsenal, Castaignos passou mais de 90 minutos, decerto tão penosos para ele quanto para os sportinguistas, como a personificação do gato de Schrödinger, pois tal como o felino podia estar vivo ou morto, também o avançado podia estar ausente ou presente no relvado. Bem vistas as coisas, melhor foi quando deixou a equipa a jogar com dez, fruto de movimentações indecifráveis, pois todos os momentos de contacto com a bola foram bastante mais aterradores. Menos do que péssima só uma desmarcação oportuna culminada com remate ao lado.

 

Petrovic (1,5)

Entrou para segurar o resultado favorável contra o poderoso Loures. E o certo é que esses minutos coincidiram com algum domínio por parte de uma equipa não muito pontuada do terceiro escalão do futebol nacional. Eis um caso extremo de culpa por associação.

 

Miguel Luís (-)

Teve direito a estrear-se pela equipa principal do Sporting ao minuto 90. Logo a seguir o Loures reduziu. Melhores dias virão, decerto, até porque mesmo o terror dos jovens da formação utilizou Jovane, Rafael Leão e Demiral contra o Oleiros.

 

José Peseiro (2,0)

Poupou Coates, Acuña, Battaglia e Montero, recuou Bruno Fernandes e ficou à espera de que algo de bom acontecesse. Demorou a ver luz ao fundo do túnel, mas logo conseguiu vislumbrá-la e, talvez encadeado pela claridade, voltou a investir no duplo pivot defensivo que começa a revelar-se o primo maléfico do losango de Paulo Bento. Sem os suspeitos do costume - Bruno Fernandes e Nani, mas também Jovane Cabral e também Jefferson -  e com mais alguns minutos de tempo de compensação era bem capaz de ser tão histórico em Alverca quanto foi em Portimão.

 

Os milhões perdidos de Rui Patrício (que a Katharina Blum não é chamada para o caso...)

21206943_zhn73[1].jpg

 

Defendi Rui Patrício, como tendo a defender todos os que vêm da formação (sorry, Yannick...), ainda antes daquela noite na Madeira linda em que ele defendeu o pénalti e começou a construir a sua lenda. Naquele tempo era bem mais difícil seguir os jogos dos escalões jovens, mas nem por isso me passava despercebido o potencial do adolescente de Marrazes.

 

Defendi Rui Patrício quando muitos dos seus admiradores se lhe referiam por “franguício”. Defendi Rui Patrício quando à custa de inspiração e transpiração conquistou a camisola 1 do Sporting e de Portugal.

 

Defendi Rui Patrício quando fez grandes defesas e também quando cometeu graves erros. Defendi Rui Patrício quando deu a todos os portugueses o título europeu e quando ajudou a que o Sporting fizesse tão boa figura nos jogos da última temporada disputados contra os gigantes Juventus, Barcelona e Atlético de Madrid. Até defendi Rui Patrício quando o seu descalabro exibicional coincidiu com o descalabro da equipa inteira.

 

Defendi Rui Patrício quando acéfalos lhe fizeram chover projécteis no derby e quando foi atacado cobardemente em Alcochete.

 

Não defendi, mas compreendi, que tivesse vontade de mudar de vida bastante para rescindir com alegada justa causa. Não defendi, mas tentei compreender, que tenha assinado pelo clube barriga de aluguer de Jorge Mendes em Inglaterra, indexando a resolução do seu problema a interesses (eventualmente justos e certamente litigáveis) milionários do supracitado empresário.

 

Só não me peçam para defender, compreender ou sequer tentar compreender que se tenha Rui Patrício por enorme benemérito por ter abdicado de receber cinco milhões de euros virtuais, contratualizados no instante em que assinou um vínculo com o Wolverhampton que poderia ou não vir ser a considerado válido. Isso é de profundo mau gosto numa história em que o Sporting fica com alguns milhões para pagar os dedos que ficaram e Mendes sai a ganhar.

 

A Rui Patrício, muito sinceramente, desejo a maior das sortes. Merece um grande clube, tão grande quanto os maiores da Europa. Como aquele de onde saiu.

E que tal falarmos de coisas bonitas?

Sem qualquer desprimor para o passe de Solange Carvalhas que isolou Carolina Mendes, permitindo-lhe inaugurar o marcador do Sporting-Estoril com um chapéu bem calculado, percam uns segundos do vosso tempo a ler a minha tentativa de descrever a forma como Rita Fontemanha recebeu a bola na esquerda (a ausência de Joana Marchão forçou a meio-campista transformada em lateral-direita a nova adaptação), olhou para a área e só depois, mesmo junto à linha de fundo, cruzou à beira da perfeição para o cabeceamento da nossa goleadora de serviço, que bisou e sossegou espíritos inquietos por um onze desfalcado (espera-se que não por nada especialmente grave) de Ana Borges. E ainda o melhor que consigo descrever do cruzamento em arco que Tatiana Pinto executou junto à quina da área, na sequência de um canto curto, levando a bola a passar pelas jogadoras esquipadas de amarelo até encontrar o pé da central goleadora sérvia Nevena Damjanovic.

 

O jogo esteve longe de ser perfeito, mas estes lances vieram recordar como o futebol pode ser bonito. Venham mais assistências tão vistosas quanto estas.

Nem o vento cala a desgraça

Em semana de desgraça até o futsal consegue desbaratar a parca vantagem de 2-0 e permitir o empate com o Quinta dos Lombos nos últimos minutos de jogo no Pavilhão João Rocha. Fica entregue a liderança ao Benfica e resta esperar que este fim-de-semana traga o fim do feitiço. Há muito para ganhar nas mais diversas modalidades.

Et tu, Brute?

Nesta noite foi o andebol a perder na Maia, frente ao ISMAI, por 26-25. Não consegui ver, mas pelo que fui seguindo nas redes sociais e blogues a equipa teve uma noite má, compreensível pela sobrecarga de jogos de elevada dificuldade.

 

Lá se foi a liderança isolada e, sem nada estar perdido, muito pelo contrário, o andebol juntou-se à semana negra do clube. Talvez seja melhor benzer os equipamentos da equipa de futsal.

Armas e viscondes assinalados: Haraquíri perante o samurai do Barlavento

Portimonense 4 - Sporting 2

Liga NOS  - 7.ª Jornada

7 de Outubro de 2018

 

Salin (2,0)

Noite de extrema desgraça para o guarda-redes francês, até agora titular acidental do Sporting. Pouco fez para evitar o 1-0 e melhor seria se nada tivesse feito para tentar evitar o 2-0, primeiro dos dois golos com que o japonês Nakajima (também autor de duas assistências) destroçou os leões. Salin embateu de forma violenta com a cabeça no poste e saiu de maca, directo para o hospital. Que as consequências sejam menos graves do que aparentam e que a recuperação seja rápida.

 

Ristovski (1,0)

Nada de positivo fez no ataque e a defender tornou-se presa fácil para Nakajima e para Manafá, que ainda há pouco tempo era suplente na equipa B do Sporting. Parece impossível, mas fez com que os adeptos sentissem falta de Bruno Gaspar. Ou de figuras de papelão com o rosto de Piccini ou de Schelotto.

 

Coates (2,5)

No lance do 1-0 ficou mal na fotografia, permitindo a Manafá rematar pelo meio das pernas, e a noite do seu 28.° aniversário fica manchada pela inaudita hecatombe leonina. A seu favor, o verdadeiramente importante (a forma como socorreu de imediato Salin ao ver o estado em que o colega ficara) e o tardio golo de cabeça (já estivera perto disso na primeira parte) que pôs o resultado em 3-2 e permitiu sonhar com o empate ou até com a reviravolta. Mas sempre que o uruguaio é chamado a fazer de ponta de lança - acontecia muito na fase senil do jorgejesuísmo e também sucede na fase inqualificável do peseirismo - coloca-se aquele problema que os físicos designam por impossibilidade de um futebolista ocupar duas posições no terreno ao mesmo tempo.

 

André Pinto (2,0)

Longe de ter cometido os piores erros defensivos, também nada de bom trouxe para juntar ao currículo na aziaga deslocação ao Algarve. O próximo jogo do Sporting será contra o Arsenal, daqui a duas semanas e meia, e é possível que Mathieu já esteja recuperado. 

 

Acuña (2,0)

O extremo portimonense Tabata fez literalmente o que quis dele numa primeira parte em que nada lhe correu bem. Depois de ambos serem amarelados, na sequência de uma rixa junto à bandeirola de canto, libertou-se mais e conseguiu fazer a arrancada que culminou no primeiro golo do Sporting.

 

Battaglia (2,0)

Pouco mais ofereceu do que algum poder de choque, sem demonstrar ter as baterias recarregadas depois de ser poupado aos últimos jogos. Na construção de jogo levou a que os adeptos sentissem falta de William Carvalho e, no limite, até de Petrovic.

 

Gudelj (1,5)

Deu-se pela sua presença em campo a meio da segunda parte, quando teve a hipótese de fazer o 2-2, beneficiando de uma sequência sobrenatural de ressaltos, e em vez disso rematou contra a cara do guarda-redes. Chegou a temer-se pela saúde do agredido, mas até ao apito final este foi espectador privilegiado da incapacidade do duplo pivot do meio-campo leonino para construir jogo e para suster contra-ataques dos seus colegas.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Melhorou na segunda parte, ao assumir a esquerda, sem que os deuses responsáveis pela trajectória das bolas rematadas de longe se tenham reconciliado consigo. Talvez não fosse má ideia fugir à convocatória de Fernando Santos e aproveitar as próximas semanas para fazer terapia regressiva. Até à época passada, de preferência.

 

Raphinha (1,5)

Foi uma sombra do extremo decisivo que tem feito sonhar os adeptos e faz salivar os entusiastas de História Alternativa que adivinham o que teria sucedido na época passada se tivesse sido ele a chegar em Janeiro em vez de Rúben Ribeiro. Saiu lesionado ao intervalo, abrindo caminho para o único verde e branco com nota positiva. Que volte depressa e bem.

 

Jovane Cabral (1,0)

Mais uma vez ficou provado que o ainda apenas cabo-verdiano é o tipo de profissional que trabalha melhor com prazos apertados. A titularidade parece não lhe assentar bem nos ombros e os demasiados minutos que esteve em campo foram uma sucessão de disparates para mais tarde recordar. Pior de todos: o remate para as bancadas, tendo a baliza aberta, desperdiçando o melhor cruzamento de Bruno Fernandes.

 

Montero (2,0)

Perdido entre os centrais e rodeado de gente desinspirada por todos os lados, esteve no sítio certo à hora certa na jogada em que assinou o 2-1. O resto da noite foi uma caça aos gambozinos.

 

Renan Ribeiro (1,5)

Estreou-se na equipa devido à lesão de Salin, pouco antes do intervalo. Na segunda parte sofreu dois golos, sem grandes culpas e também sem qualquer intervenção relevante. Talvez tenhamos chegado ao momento de apurar se Viviano é mais do que um sósia de actor de filmes pornográficos ou de apostar de uma vez por todas no jovem Luís Maximiano.

 

Nani (3,0)

Entrou ao intervalo e terminou o jogo com duas assistências para golo, numa jogada de insistência dentro da grande área e num cruzamento em que ludibriou o defesa que o tentava marcar. Nem sempre conseguiu ser o patrão que o meio-campo necessitava, mas foi o único a cumprir com o que se espera de um jogador do Sporting.

 

Diaby (1,0)

Foi tão nulo em 15 minutos quanto Ristovski no jogo inteiro. Na retina ficou apenas uma queda na grande área adversária. Desafio de História Alternativa: e se Marcelo tivesse entrado em vez do avançado maliano, ficando Coates fixo no ataque sem desguarnecer a defesa?

 

José Peseiro (1,0)

Mais um marco histórico ao comando do Sporting, pois sofrer quatro golos do lanterna vermelha não é para qualquer um. Conseguiu não perceber que o duplo pivot do meio-campo foi incapaz ao longo de todo o jogo e das suas declarações depois do desaire não se denota consciência da gravidade daquilo que sucedeu. A seu favor só a pausa nas competições que poderá devolver-lhe Bas Dost e Mathieu. E o elevado salário que torna José Mourinho e Leonardo Jardim sonhos impossíveis.

Perder supertaças é o novo normal?

Nem a arbitragem, sempre indecisa entre o habilidoso e o escandaloso, retira mérito à equipa do FC Porto pela conquista da Supertaça de Hóquei em Patins, conseguida à custa de um Sporting em que só Girão esteve ao nível habitual (os árbitros gostaram tanto de o ver defender livres e pénaltis que até mandavam repetir só para o verem defendê-los outra vez).

 

Foram-se as supertaças de Futebol Feminino, de Andebol, de Voleibol e de Hóquei em Patins, ficámos com as de Futsal, de Rugby Feminino e de Ténis de Mesa. Quase dá para desconfiar que este é o novo normal, não muito diferente daquilo que sucedia antes da anomalia da época passada, mas como é sempre melhor ver o copo meio cheio, há que esperar pelo melhor das equipas que não conseguiram suplantar os rivais directos. Afinal, continuam a ser grandes equipas (e só a de voleibol sofreu alterações profundas no plantel), continuam a ser treinadas pelos mesmos treinadores que as conduziram à vitória e continuam a ser apoiadas pelo Sporting (ultrapassado que parece estar aquele ‘balão de ensaio’ das modalidades esbanjadoras que a Comissão de Gestão tão bem endossou para a comunicação social).

 

A diferença entre a vitória e a derrota não pode ser a presença ou ausência de um cavalheiro barbudo de quarenta e tal anos que costumava assistir aos jogos em estado de absoluto descontrolo emocional. Recuso-me a acreditar que ele fosse a única fonte de mentalidade ganhadora disponível no universo leonino. Mas convém encontrar outras quanto antes, pois as modalidades do Sporting (incluindo nelas o próprio futebol) devem rever-se mais no visconde de Alvalade, almejando a ser tão grandes quanto as maiores da Europa, e menos no barão de Coubertin, para quem o mais importante não era vencer, mas sim competir.

Perder três a zero nos dérbis da formação is the new black?

Desta vez foram os juniores a perder 3-0 em Alcochete, tal como os iniciados tinham ido perder ao Seixal por 3-0.

 

Sem ter visto o jogo do início ao fim sei que o Benfica (que fez descer ‘habitués’ de escalões superiores, como o central Pedro Álvaro, tal como o Sporting fez descer Diogo Brás) marcou cedo, esteve quase a ser apanhado na segunda parte (Bernardo Sousa não teve êxito na cobrança de um pénalti) e seguiu-se o descalabro que ameaça repetir-se.

 

Não é preciso acreditar naquele célebre ensinamento da Revolução Francesa (o “rolarão mil cabeças”, bem entendido) para admitir que é capaz de ser melhor trocar umas ideias acerca do assunto.

Com a bola a cair para o lado contrário

O terceiro e último jogo da final da Supertaça de Voleibol foi decidido por 36-34, o que chega para provar que se mantém o extremo equilíbrio entre Benfica e Sporting. Mas a triste verdade é que os vice-campeões em título venceram por 3-0 e pareceram quase sempre ligeiramente superiores.

 

É sempre um prazer ver Miguel Maia de verde e branco, tal como foi muito bom rever Angel Dennis, mas a equipa de voleibol do Sporting perdeu elementos importantes, como o australiano Luke Smith a juntar-se aos veteranos, e aparenta haver falta de entrosamento dos muitos reforços. Dos novos gostei sobretudo do português Roberto Reis, apesar das falhas técnicas que custaram pontos nos serviços.

 

Há muita temporada pela frente, mas esta Supertaça já não tem volta.

Armas e viscondes assinalados: Traumatismo para os ucranianos

Vorskla 1 - Sporting 2

Liga Europa - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Nada pôde fazer no lance do golo madrugador que deu vantagem aos ucranianos até aos 90 minutos, e cedo percebeu que não se podia fiar no quarteto à sua frente. Evitou o 2-0 apressando-se a desarmadilhar um atraso que prometia ser a segunda assistência para golo alheio de jogadores do Sporting. Depois disso teve tempo para recordar outros franceses que não se deram bem no Leste, pois o único remate enquadrado do Vorskla já fizera os estragos que tinha de fazer.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Saltou para a titularidade da mesma forma que alguns estados falhados saltaram para a independência. Permeável a defender e emperrado a atacar, aumentou as legítimas esperanças de quem espera ver Thierry Correia a concorrer ao lugar de Ristovski no decorrer desta temporada.

 

André Pinto (2,5)

Fica marcado pelo ‘ammorti’ que permitiu manter a tradição leonina de não regressar a Portugal sem pelo menos um golo nas redes. Tão perfeita foi a disponibilização da bola para o remate que, havendo justiça, ser-lhe-ia reconhecida a assistência. No resto do jogo mostrou aquela competência interina que o torna invisível. Até aos olhos do selecionador nacional.

 

Coates (3,0)

Atormentado pela desvantagem madrugadora, para a qual pouco ou nada contribuiu, dedicou-se a ganhar duelos aéreos nas duas grandes áreas. Como é tradição, não se furtou a duas incursões (como sempre mal sucedidas) com a bola nos pés naquela fase da segunda parte em que a viagem de regresso a Lisboa prometia ser ainda mais longa e silenciosa. No universo alternativo em que já existe videoárbitro na Liga Europa sofreu um pénalti quando o resultado ainda estava 1-0.

 

Jefferson (3,5)

Mais insólito do que o equipamento branco que a UEFA forçou os leões a envergar só o facto de o brasileiro ter sido o melhor da defesa. Regressado à titularidade, o lateral-esquerdo arrancou o jogo com cruzamentos displicentes que chegavam a parecer combinados com os adversários. Sucede, porém, que no final da primeira parte calibrou as chuteiras, oferecendo um golo a Nani que a haver justiça contaria como assistência, fartou-se de ganhar espaço no corredor que tinha a seu cargo e municiou o ataque com bolas nem sempre bem compreendidas. Até ao momento em que Montero recebeu um cruzamento longo no peito e...

 

Petrovic (3,0)

Enquanto não há Battaglia continua a ir à guerra. Começou mal, reagindo tarde e a más horas à oferta de André Pinto aos anfitriões, mas cedo conquistou espaço no meio-campo com o estilo forte, feio e formal que as suas limitações aconselham. Assim se manteve, muitas vezes tomado pela angústia do futebolista no momento em que tem a bola nos pés, até ser devolvido ao banco de suplentes.

 

Acuña (3,5)

Voltou para o meio-campo com o ímpeto de quem já estava a ser avisado pelo árbitro ao quarto de hora de jogo. Foi o sportinguista mais focado na primeira parte, depois do intervalo fez um remate em arco que merecia ser desviado para a ‘gaveta’ da baliza por um fenómeno meteorológico e iniciou o contra-ataque que selou a reviravolta. Nem o amarelo que acabou por levar, tão natural quanto a própria sede, retira mérito ao argentino.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Abriu as hostilidades com um passe de 30 metros para Diaby e empenhou-se sempre na batalha do meio-campo, testando o remate de longa distância em mais do que uma ocasião e com mais do que um defeito de execução. Mesmo no final esteve à beira de marcar o golo que valeu os três pontos, cedendo a honra ao suspeito do costume.

 

Nani (2,5)

Recuperou a titularidade, a braçadeira de capitão e a tendência para desacelerar os ataques. Particularmente infeliz na finalização, teve a baliza contrária a seus pés no final da primeira parte, perdendo uma excelente oportunidade de causar uma boa primeira impressão nas redes. Ficou até ao fim em campo, o que terá contribuído para uma quebra nos rendimentos dos especialistas em leituras de lábios que prestam serviços aos canais de televisão.

 

Carlos Mané (2,0)

Mais uma novidade na deslocação à Ucrânia, após um minuto inteiro no relvado de Alvalade. Alternando entre a faixa e o miolo do terreno, pecou pela falta de pragmatismo (e por ter feito um remate com a canela) apesar de ter demonstrado, numa ou noutra jogada, que ainda sabe ludibriar quem lhe vem tentar tirar a bola. Mas quando saiu para dar lugar a Montero houve a leve impressão de que já ia tarde.

 

Diaby (2,0)

Desta vez já conseguiu demonstrar as qualidades de velocista, ficando a faltar outro tanto no que diz respeito à arte de marcar golos. Teve boa oportunidade logo a abrir o jogo, mas chutou tão mal quanto combinou com os colegas nas jogadas de ataque em que se envolveu. Saiu aos 70 minutos para dar lugar a quem, até ver, resolve.

 

Montero (4,0)

Saltou para o relvado com a convicção de que iria salvar a equipa de um traumatismo ucraniano. E se de início manteve a tendência de criar jogo longe da zona de perigo, quase sem se dar por isso fez um belo pontapé de bicicleta que poderia ter valido o empate. Redimiu-se logo a seguir, com uma sequência de decisões correctas que permitiram festejar o empate e transformaram os cinco minutos de compensação numa auto-estrada para a reviravolta.

 

Raphinha (3,5)

Assumiu o jogo ofensivo do Sporting desde o instante em que entrou em campo. Entre muitas intervenções preciosas destaca-se o passe para Bruno Fernandes que, por linhas tortas, permitiu que houvesse festa no final de tarde.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser talismã tem destas coisas. Demora-se mais a entrar no jogo do que o colega da direita, vai-se ganhando confiança e está-se à hora certa no lugar certo. Assim se fez o golo da vitória e começa a ser difícil acreditar que todas estas intervenções decisivas não passam de uma sucessão de coincidências.

 

José Peseiro (3,0)

Descansou uns quantos titulares, o que se torna compreensível devido à deslocação à Portimão na noite de domingo. Mas recebeu pouco em troca da confiança depositada em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby, viu uma falha tremenda da defesa adiantar o Vorskla, e até ao último minuto do tempo regulamentar viu-se metido em grandes sarilhos. Que por uma vez o universo tenha conspirado a favor do Sporting deve-se em grande parte às substituições acertadas que fez no decorrer da segunda parte, ciente de que, para mal dos seus pecados e do departamento médico, o plantel que orienta não se dá assim tão bem com poupanças.

Uma equipa fantástica

Nunca dou por mal gastos os minutos que invisto a acompanhar os jogos da nossa equipa de andebol.

 

Foi no ecrã do telemóvel, devidamente equipado com a aplicação da NOS, que fui assistindo ao arrepiante Sporting-Benfica desta noite. Fomos para intervalo a perder, demos a volta nos últimos minutos e nem um contra-ataque falhado pelo magnífico Frankis Carol evitou que chegássemos aos últimos segundos com um golo de vantagem.

 

Podia o Benfica empatar? Podia, mas precisaria de ter alguém para marcar o livre com barreira igual a Carlos Ruesga. E como esse só há um, numa equipa fantástica, de verde e branco trajada.

Revelação mostra imagens desfocadas

Devem os sportinguistas estar gratos à equipa de sub-23 da Académica, sem a qual o Sporting teria a pior defesa da Liga Revelação. Seria um paradoxo assaz curioso, pois também tem o ataque mais concretizador, em igualdade com os jovens do Rio Ave. Justamente aqueles que golearam os leões por 5-2 nesta segunda-feira.

 

Em defesa dos sub-23 leoninos, nove dos 16 golos sofridos até agora ocorreram em circunstâncias muito particulares. Ambos os centrais titulares foram expulsos ontem, a equipa da casa fez o 3-2 no lance livre a punir a falta que valeu o segundo amarelo a Kiki Kouyaté e assinou o 5-2 final no pénalti que levou Tiago Djaló a sair instantes antes do apito final. Algo parecido sucedera em Alcochete, na goleada aplicada pelo Vitória de Guimarães (0-4), também marcada por um balanceamento kamikaze para o ataque em busca de melhor resultado.

 

Que estes resultados se repitam é responsabilidade dos jogadores, alguns dos quais com grande potencial, mas também de José Lima e da equipa técnica por si comandada. E se o ataque vai sobrevivendo à falta de aposta num avançado de raiz (depois do empréstimo de Leonardo Ruiz os suplentes Pedro Marques e Pedro Mendes têm sido preteridos, em favor da adaptação de Mitrovski), devido à magia de Elves Baldé (ausente ontem por estar a cumprir castigo), aos coelhos tirados da cartola pelos intermitentes brasileiros Paulinho e Marco Túlio, e ao futebol que Daniel Bragança, Miguel Luís e Mitrovski têm nos pés, mais atrás percebe-se uma falta de coordenação que torna qualquer resultado possível e os jogos dos sub-23 impróprios para apostadores cardíacos.

 

O próximo jogo é já no sábado, às 11h00, recebendo em Alcochete um Estoril-Praia que tem um ponto a mais e chega na quarta posição. Sem desprimor para nenhum dos cinco titulares da linha defensiva na deslocação a Vila do Conde (Vladimir Stojkovic, Thierry Correia, Kiki Kouyaté, Tiago Djaló e Abdu Conté, que foi o melhor de todos eles), seria boa ideia aproveitar a obrigatória alteração nos centrais expulsos e fazer um ‘reboot’ completo e dar oportunidades aos menos utilizados. Numa competição que, sendo para vencer, deve servir para testar a capacidade dos talentos da formação, há que fazer o possível por não deixar ninguém para trás. 

 

Armas e viscondes assinalados: Só fez falta quem lá esteve

Sporting 2 - Marítimo 0

Liga NOS 6.ª Jornada

29 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Perdeu uma excelente oportunidade para reler clássicos da literatura gaulesa, ou para aliviar a caixa de correio electrónico, tão pouco foi o trabalho que o ataque do Marítimo lhe deu. Ainda assim poderia ter sofrido um golo mesmo antes do intervalo, mas teve a felicidade de um certo argentino ter sido adaptado a lateral-esquerdo.

 

Ristovski (2,5)

Diga-se, em sua justiça, que qualquer um se arrisca a parecer um Robin se tiver um Batman ao lado. Muito solicitado por Raphinha, que criou espaço à direita suficiente para mais três novos partidos como o de Santana Lopes, o macedónio executou todo o género de cruzamentos para a grande área adversária tirando os cruzamentos eficazes. A defender também esteve algo permeável, devendo-se-lhe a melhor ocasião do Marítimo em toda a noite, mas foi salvo pelo colega da esquerda. Na segunda parte, enquanto o colectivo colapsava, melhorou na travagem das ofensivas madeirenses e ainda  tentou o golo com um remate forte o suficiente para criar aflições.

 

Coates (3,0)

Voltou a perder a bola para um adversário na zona de perigo, tendo o mérito de resolver a sua malfeitoria com um corte arriscado. Mas no resto do jogo foi o muro que ajuda a manter a equipa na corrida, sendo que a habitual arrancada pelo meio-campo contrário teve desta vez consequências de somenos: um contra-ataque facilmente resolvido pelos colegas da linha defensiva menos obcecados em subir na vida.

 

André Pinto (3,0)

Tal como sucede com os árbitros, acaba por ser meritório que não se dê muito pela presença do substituto de Mathieu. Tanto assim foi que se fez notar pela primeira vez ao ser-lhe mostrado o cartão amarelo, pois agarrou um adversário que o deixara mal ao fazer passar a bola por cima de si. Desse momento em diante regressou para um estado de invisível eficiência que é a sua imagem de marca.

 

Acuña (3,5)

O corte providencial que impediu o Marítimo de reduzir para 2-1 foi a cereja no topo do bolo constituído por mais uma exibição repleta de raça nas bolas divididas (e nas bolas confiscadas), de clarividência no lançamento do contra-ataque e de brilho no posicionamento.    Talvez fosse boa ideia fazer um clone para precaver lesões ou castigos internos por insultar o treinador.

 

Petrovic (3,0)

Recebeu audíveis aplausos das bancadas ao fazer a versão adriática da roleta marselhesa para salvaguardar a posse de bola perante a cobiça de dois fulanos vindos da pérola do Atlântico. Titular devido à gripe de Battaglia, superou as baixas expectativas dos adeptos, sem nunca comprometer a segurança da baliza leonina. Ainda se aventurou em lances de ataque, mas a sua técnica muito particular de ganhar lances (avançar a bola e atirar-se para cima do adversário) ainda carece de ser aprimorada.

 

Gudelj (2,5)

Viu o cartão amarelo muito cedo, o que poderá muito bem explicar que tenha estado ligeiramente mais calmo. Na segunda parte foi parte integrante da perda gradual do meio-campo, chegando-se ao paradoxo de o Sporting ter menos posse de bola num jogo que pareceu controlar desde o início.

 

Raphinha (3,5)

Sofreu a falta para grande penalidade tirando partido da velocidade com que se desmarca e marcou o livre que permitiu a Montero fazer o resultado final. No resto do jogo combinou (bem) com Bruno Fernandes e (nem por isso) com Ristovski, quase conseguiu oferecer o 3-0 ao capitão e reforçou a ideia de que aqueles 6,5 milhões de euros irão multiplicar-se mais tarde ou mais cedo.

 

Jovane Cabral (3,0)

Eis os factos: o ainda apenas cabo-verdiano fez o passe de ruptura para Raphinha que originou o pénalti do 1-0 e sofreu a falta junto à linha lateral que abriu caminho para o 2-0. Mas tal como Narciso se deixou enfeitiçar pela sua imagem reflectida na água, também Jovane está demasiado apaixonado pela capacidade de driblar, sucedendo-se jogadas em que enfrentou um trio de adversários, perdendo invariavelmente a bola para o terceiro. Se o olhar de Acuña pudesse matar estariam os sportinguistas de luto pela funesta consequência da segunda tentativa de penetração na grande área que o habitual suplente culminou deixando sair o esférico pela linha de fundo...

 

Bruno Fernandes (3,5)

Capitão de equipa devido ao castigo imposto a Nani, poupou-se às discussões com homens do apito que lhe têm valido a maioria dos recorrentes cartões amarelos que recebe. Preferiu gastar energias na construção de jogadas e mesmo que os remates de longe insistam em não sair, o certo é que voltou a marcar, de pénalti, sem apelo nem agravo. Eleito homem do jogo, teve atitude de capitão e ofereceu o troféu ao regressado Carlos Mané.

 

Montero (3,5)

Pôs termo ao seu pequeno jejum (desde a aziaga final da Taça de Portugal) com um toque pleno de oportunidade, a mesma que demonstrou ao roubar uma bola logo no início do jogo, forçando o espoliado do esférico a agarrá-lo antes que fugisse para a baliza. Lutador incansável, rematou muito e só não teve grande taxa de sucesso nos duelos aéreos com os defesas.

 

Misic (2,0)

Entrou aos 77 minutos para o lugar de Jovane, numa substituição que colocou três médios defensivos oriundos de países balcânicos no relvado em simultâneo - e isto sem contar com o macedónio Ristovski ou com o argentino Acuña, que facilmente obteria cidadania honorária de um desses países. E o certo é que o Marítimo não marcou.

 

Diaby (=)

Mais cinco minutos em campo. Mas a acreditar nos jornais a culpa é da selecção do Mali, cuja convocatória atrasou a integração no grupo.

 

Carlos Mané (-)

Um dos raros representantes da Academia de Alcochete no actual plantel regressou a Alvalade e aos relvados após prolongada ausência por lesão e empréstimos decididos por Jorge Jesus. Merecia mais do que um mísero minuto.

 

José Peseiro (2,5)

Tinha tudo para ser uma noite relaxada. Mesmo com Nani na bancada, e apenas três titulares da época passada no onze titular, viu-se a vencer cedo, recebeu o golo da tranquilidade antes do intervalo e... deixou-se adormecer. O Marítimo ganhou espaço e bola, vários jogadores estavam esgotados (Jovane ficou a dever uns bons 20 minutos ao banco de suplentes) e mesmo assim esperou aos 77 minutos para mexer na equipa, acrescentando mais um médio defensivo aos dois já existentes. Será que o treinador do Sporting protelou as substituições com medo de que mais algum substituído o mandasse para um lugar desagradável?

Aquele momento Petrovic

Faço sempre o possível e o impossível por respeitar os atletas que envergam o equipamento do Sporting. Dito isto, ler que Petrovic será titular daqui a poucos minutos, estando prestes a sair de casa para o estádio, é o tipo de informação que me põe os pés tão pesados como se fossem de chumbo.

 

Ficarei feliz se voltar aqui no final da noite para engolir as minhas palavras...

Os lamentos de Rúben

Naquela noite de 12 de Abril, uma semana depois das calamidades no relvado e no Facebook que marcaram a visita ao Atlético de Madrid, o caldo verde e branco estaria irremediavelmente entornado?

 

Cheguei a crer que não, mesmo sem poder estar em Alvalade - acreditei até às sete e pouco que conseguiria acabar aquilo que tinha em mãos a tempo, mas optei pelo realismo e emprestei a gamebox a uma colega de redacção. Montero marcou cedo, redimindo-se do tardio falhanço em Madrid que teria minorado os erros de Mathieu e de Coates, e bastava outro golo para levar o acesso às meias-finais da Liga Europa para uma decisão através de grandes penalidades que permitiria a Rui Patrício amargar Griezmann, ao melhor estilo da final do Europeu de 2016.

 

Só que a rapaziada perdeu o fôlego, o intervalo nada melhorou, os minutos esgotaram-se, e Jorge Jesus olhou para o banco, fazendo entrar o irreverente júnior Elves Baldé para o lugar de Bryan Ruiz... Mas não, não foi assim que aconteceu. Quem entrou em campo, aos fatídicos 70 minutos de jogo, foi Rúben Ribeiro, que nada acrescentou à modorra que ainda assim permitiu a única vitória caseira da temporada (até àquela data, pois ainda foi possível derrotar o FC Porto na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, obtendo nos pénaltis o infausto salvo-conduto para o Jamor) do Sporting contra os muitos tubarões que o visitaram.

 

Temo ser injusto, mas a entrada de Rúben Ribeiro naquela altura daquele jogo foi terrivelmente simbólica por tudo o que representou de previsível no esgotado consulado de Jorge Jesus. Nunca saberemos se Elves Baldé teria o desplante e a destreza para dinamitar a defesa do Atlético de Madrid, mas já o extremo contratado no mercado de Inverno ao Rio Ave foi igual a si próprio: para mal dele, e para mal do clube, demasiado pequeno para o Sporting.

 

Na entrevista exclusiva hoje publicada pelo ‘Record’, aquele que terá sido o único jogador do anterior plantel a alegrar a maioria dos adeptos ao avançar para a rescisão, alegando justa causa, lamentou-se por não poder jogar, tal como se lamentou por a comissão de gestão e pelos novos dirigentes terem exigido um ou mais milhões pelo seu passe a clubes interessados em contar consigo. E por terem travado a disponibilidade que demonstrou de regressar ao Sporting, seguindo os passos de Bas Dost, Bruno Fernandes e Battaglia...

 

Quanto à tristeza de Rúben Ribeiro por não estar a fazer aquilo de que gosta, e que é a sua profissão, compreendo-a - por mais do que um motivo. Mas nem assim admito voltar a vê-lo de leão ao peito, nem desejo que o clube abdique de ser devidamente ressarcido pelo investimento que fez neste futebolista, a quem desejo, sinceramente, o melhor futuro possível. Bem longe de Alvalade.

Armas e viscondes assinalados: Mandaram a liderança abaixo em Braga

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 5.ª Jornada

24 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Consciente de que a sua titularidade está indexada às vitórias em todos os outros jogos e empates em casa de adversários directos, o guarda-redes que não custou três milhões de euros, não foi uma aposta da comissão de gestão para substituir esse último e não é uma das maiores promessas de Alcochete fez tudo o que estava ao alcance para garantir pelo menos o segundo objectivo. Se no próximo jogo ficar sentado no banco a recordar os tempos passados no mesmo local, empenhado em mediar a comunicação entre Jorge Jesus e Doumbia, poderá agradecê-lo a Dyego Sousa, inclemente no desvio de bola que deu golo. Até então, e depois disso, Salin mostrou-se à altura das exibições anteriores, com boas defesas e ainda maior eficácia a desviar uma bola rematada por João Novais, logo na primeira parte, recorrendo apenas ao poder da mente.

 

Ristovski (2,5)

A frequência com que os ataques bracarenses se desenrolaram literalmente nas suas costas e a falta de coordenação com Coates contribuíram para que a noite lhe fosse menos memorável do que para Jefferson, que não só ficou isento de culpas, na condição de suplente não-utilizado, como ainda reviu os amigos que fez no ano em que foi emprestado aos minhotos.

 

Coates (2,5)

Terminou o jogo plantado no ataque, à espera de um milagre, como aquando da fase terminal de Jesus no Sporting, mas não estava escrito que um golpe de cabeça certeiro traria a redenção por permitir o cruzamento que resultou no único golo do jogo. Tirando isso voltou a ser imperial nos duelos aéreos com os avançados e, mantendo a tradição, incorreu numa arrancada pelo meio-campo adversário, cuja única consequência foi um lançamento de linha lateral a beneficiar a equipa da casa.

 

André Pinto (3,0)

Assobiado por milhares sempre que tocava na bola, o central português portou-se maravilhosamente bem para quem é o ‘understudy’ de Mathieu. Seguro em quase toda a partida, tirando a ocasião em que Dyego Sousa passou por si, entrou na grande área e rematou para as mãos de Salin, não merecia sair derrotado de Braga após um enxovalho público tão atroz que o árbitro Artur Soares Dias se apiedou e limitou o tempo de compensação a apenas três minutos. Como escreveu o italiano Cesare Pavese, nada é mais inabitável do que um estádio de onde saímos após recusar a renovação de contrato e sem render um cêntimo ao clube que nos empregava.

 

Acuña (3,0)

Voltou a desempenhar funções de lateral-esquerdo, empenhando-se nessa missão com a costumeira garra, acompanhada desta vez por alguns erros de posicionamento e cortes deficientes. Manteve, no entanto, a vantagem de saber o que fazer com a bola e ser o melhor do plantel a fazer passes longos agora que William Carvalho vive em Sevilha e Mathieu recebe demasiadas visitas de médico.

 

Gudelj (2,0)

O facto de o aguerrido sérvio só ter sido amarelado aos 83 minutos, não obstante a constante prática de artes marciais mistas na disputa de bola, pode fazer com que alguns questionem a razão de ser da interminável guerra entre o Sporting e os árbitros portugueses. Quando saiu de campo, para a entrada de Diaby, ninguém teria ficado demasiado surpreendido se um escolta militar o tivesse levado para o Tribunal Penal Internacional de Haia.

 

Battaglia (2,5)

Regressou a Braga com a vontade de transformar o caos em cosmos que lhe é reconhecida, mas não era noite para isso. Lutou como um leão depois do intervalo, sem evitar o progressivo domínio da equipa da casa, e terá percebido mais depressa do que muitos que amanhã seria um novo dia. Assinala-se a forma como pediu desculpa a Dyego Sousa, no lance em que viu o cartão amarelo, na senda de outro latino-americano, também natural da Argentina, para quem também era importante ser um duro sem nunca perder a ternura.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Na peugada da luta pela introdução do videoárbitro, levada a cabo pela anterior gerência, urge que os actuais dirigentes leoninos pugnem pela alteração nas regras do jogo que permita a equivalência a golo a todos os remates dirigidos ao ponto imaginário, mesmo ao lado do poste direito, para onde Bruno Fernandes esteve a fazer pontaria toda a noite. Talvez a culpa seja das chuteiras descalibradas.

 

Nani (2,5)

Desviou de cabeça um livre superiormente cobrado por Bruno Fernandes, no que foi a principal ocasião de perigo do Sporting na primeira parte. Pena é que o lance só tenha servido para a afirmação do jovem guarda-redes Tiago Sá, a quem caiu a titularidade ao colo no Braga pelos mesmos motivos (lesão do titular e desânimo do suplente) que poderão ainda fazer de Luís Maximiano o próximo Rui Patrício... Mesmo antes do intervalo distinguiu-se no modo como travou um contra-ataque leonino, contemplando o defesa que tinha pela frente como se estivessem num filme europeu, pelo menos até ao momento em que decidiu por um atraso e deu ensejo a Soares Dias para apontar o caminho para os balneários. E o pior é que isso foi um prenúncio do que seria a sua intervenção no relvado até ceder o lugar a Jovane Cabral.

 

Raphinha (3,0)

Rematou muito, construiu muitas jogadas, ganhou muitos duelos graças à velocidade e ao jeito natural para a coisa. Mas os remates teimaram em sair ligeiramente desenquadrados, quase sempre acima da barra, pelo que à luz da exibição em Braga estará mais próximo de ser convocado para a selecção brasileira de râguebi do que para a de futebol.

 

Montero (3,0)

O remate, de muito longe e muito à figura de Tiago Sá, executado pelo colombiano no final da primeira parte, fez lembrar os convites para jantares e saídas nocturnas que alguns homens ainda trancados no interior de móveis do Ikea fazem a mulheres. É possível que Montero tente disfarçar o desinteresse em procurar o golo, mesmo sendo certo que faz tudo o que está ao alcance para ajudar os colegas a agitarem as redes. Assim fez na segunda parte, protagonizando uma arrancada épica pela direita, na qual ultrapassou uns quantos adversários até conseguir cruzar, com conta, peso e medida, para Bruno Fernandes. Coube a este, em vez de passar ao também isolado Raphinha, culminar o lance com um remate para o ponto imaginário mesmo ao lado do poste direito - e a recompensa que Montero recebeu pelo esforço, dedicação e devoção inglória consistiu em ser substituído por Castaignos.

 

Jovane Cabral (3,0)

O talismã do Sporting entrou em campo com a equipa em desvantagem, mas como o jogo só ia no minuto 72 havia tempo mais do que suficiente para a reviravolta, talvez mesmo para a goleada. Assim pensaram os adeptos ao vê-lo tomar a bola nos pés, ultrapassar meia-dúzia de adversários tomados pelo pânico, ganhar posição na grande área bracarense e fazer um magnífico remate. Só que o inopinado Tiago Sá resolveu evitar o que seria o golo do empate, e os colegas de Jovane, muitos dos quais cristãos devotos ao ponto de temerem falsos ídolos, evitaram passar-lhe o esférico durante os minutos que faltavam para o apito final. E da vez em que voltou a conseguir apossar-se da bola, ludibriando os outros 21 jogadores em campo, fez um daqueles seus remates para a bancada que até agora compensavam as intervenções decisivas.

 

Castaignos (1,5)

Chamado a jogo com a missão de garantir a presença de um avançado mais fixo, assim como aquele seu compatriota mais velho, mais alto e mais marcador de golos, falhou miseravelmente. Teme-se que um segredo ultra-secreto de Fátima, ainda por revelar, seja a verdadeira razão para Castaignos ter ficado no plantel do Sporting enquanto Gelson Dala e Leonardo Ruiz partiam para novos empréstimos.

 

Diaby (1,5)

Teve direito a menos de dez minutos para demonstrar o faro para o golo e a velocidade estonteante que justificaram a sua contratação por mais do que meia-dúzia de tostões. Talvez consiga demonstrar uma e a outra numa próxima ocasião.

 

José Peseiro (2,0)

Mathieu impediu-o de repetir o mesmo onze que apresentou contra a Qarabag e o Sporting de Braga impediu-o de obter o mesmo resultado que conseguiu na quinta-feira passada. Muito solicitado no regresso a um estádio que talvez lhe seja habitável por não ter sido especialmente feliz no Minho, reagiu tarde e a más horas às alterações tácticas feitas por Abel na segunda parte. Quando resolveu reagir estava em desvantagem, tinha pela frente vários jogadores esgotados e opções algo duvidosas no banco. Perdeu a liderança e a única compensação é que não fez pior na Pedreira do que o antecessor, então longe de imaginar que seria o novo Lawrence das Arábias, na época transacta.

Desvendado o mistério de Matilde

Mesmo sendo claro que Matilde Fidalgo, a lateral-direita que foi titular da equipa campeã na época passada, pretendia prosseguir a carreira fora do Sporting, não deixa de ser uma surpresa vê-la reforçar o Sporting de Braga.

 

Além de tornar mais forte o maior obstáculo que as leoas enfrentam no caminho para o tricampeonato e a ‘tritaça’, Matilde conseguiu baralhar todos quantos esperavam que ela optasse por um ano sabático numa equipa estrangeira antes de representar o Benfica em 2019-2020. Não só é prima de Bernardo Silva como uma notória adepta dos encarnados, cuja permanência em Alcochete se devia à mesma razão que leva Cardinal a representar o futsal leonino enquanto o FC Porto não se estreia na competição.

 

Nada de dramático, claro está, pois se o Sporting concentra quase todas as melhores futebolistas que jogam em Portugal é praticamente impossível que algumas não sejam adeptas de outros clubes, tal como pelo menos uma das melhores que joga fora de Portugal é sportinguista fanática. Convém apenas acautelar a duração dos contratos com as melhores e esperar que a formação garanta novos talentos com estreita ligação ao clube.

Armas e viscondes assinalados: O azeri só bateu à porta de Mathieu

Sporting 2 - Qarabag 0

Liga Europa - Fase de Grupos 1.ª Jornada

20 de Setembro de 2018

 

Salin (3,5)

Passam os jogos e o francês insiste em não dar motivos para a perda da titularidade acidental, conquistada no aquecimento para o primeiro jogo da temporada. Sendo verdade que os azeris aparentam guardar a agressividade para os arménios, erros surrealistas de colegas deram origem a ocasiões de golo para o Qarabag que permitiram a Salin cumprir a quota necessária de defesas providenciais. Segue-se novo teste de fogo em Braga, na próxima segunda-feira.

 

Ristovski (3,5)

Integrou-se bem no ataque e nas missões defensivas não se deixou abater pela perda de titularidade de Jefferson, que está mais ou menos para si como Rui Rio está para António Costa. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: primeiro ao obrigar o guarda-redes a desviar para canto a bola que lhe sobrou no ressalto de um remate de Bruno Fernandes e depois através de um cabeceamento no coração da grande área. Dir-se-ia que o lateral-direito ficou a centímetros de igualar um certo Alexandre como o maior macedónio de todos os tempos.

 

Coates (3,0)

Várias falhas no início da partida, uma das quais esteve quase a adiantar os visitantes, criaram a ideia nas bancadas que entrara em campo o gémeo menos talentoso do gigante uruguaio. Com o avançar do cronómetro retomou o indicador de confiança, mas é aconselhável que tome vitaminas: se a nova lesão de Mathieu for grave arrisca-se a não ter descanso até Maio de 2019.

 

Mathieu (4,0)

Jacques Brel, que era belga (embora não tivesse um apelido típico do país plano, assim como Lukaku, Nainggolan ou Fellaini), escreveu uma canção chamada ‘Mathilde’, acerca do regresso de uma mulher fatal. Também a vinda de Jeremy Mathieu a Alvalade levou os adeptos a trautearam belas melodias, pese embora o central francês não tenha chegado a ser letal para os visitantes. Mas não por falta de tentativa, pois Mathieu testou o guarda-redes num livre directo, rematou (bem) e cabeceou (mal) em jogadas consecutivas, e até fez uma assistência para Montero que deveria, havendo justiça antes daquela que nos esperará no reino dos céus, contar para as estatísticas apesar de não ter sido concretizada pelo colombiano, alegadamente em posição irregular. Sucederam-se ainda as antecipações em velocidade aos esforçados avançados azeis, os passes para colegas a 30 ou 40 metros e toda a classe que tornou ainda mais doloroso aquele momento em que caiu à relva para ser substituído. 

 

Acuña (4,0)

Cumpriram-se as profecias e ocupou a posição em campo que lhe permite integrae uma selecção onde por vezes passa Messi. Do retrato do artista enquanto lateral-esquerdo constam o perfeito timing no desarme de adversários, só comparável à dificuldade que estes demonstraram na hora de tentar tirar-lhe a bola. E a técnica de quem sabe muito bem tratar a bola - e tem energia para tratá-la a noite inteira.

 

Battaglia (3,5)

Nunca seria escolhido para prémios de simpatia se o colégio eleitoral fosse constituído por aqueles que encontra no meio-campo. Voltou a especializar-se na resolução de problemas por meios vigorosos, lamentando-se apenas alguns inconseguimentos nos contra-ataques. Particularmente notória a falha que transformou em pontapé de baliza aquilo que dava ares de ser o 3-0.

 

Gudelj (3,0)

Noventa e tal minutos em campo sem uma única roleta marselhesa - ou então, caso não quisesse repetir a homenagem a Zidane, uma mão de Deus ao estilo de Maradona? Assim foi a titularidade do sérvio, capaz de oferecer poder de choque mas também autor de um episódio de diletantismo com bola que garantiu a maior ocasião de perigo do Qarabag na segunda parte.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Mais uma vez encheu o relvado com jogadas de fino recorte, mantendo-se na retina uma arrancada pela direita com cruzamento que merecia cabeça mais rotinada nesse ofício do que a de Ristovski. Que o regresso aos golos-bomba ocorra já em Braga é o que todos os sportinguistas auguram...

 

Nani (4,0)

A assistência de longa distância que permitiu a Raphinha inaugurar o marcador merece uma sala no Museu do Sporting. Mas não se esgota nesse instante de génio o mérito do capitão, ovacionado aquando da substituição por outro cabo-verdiano de elevadíssimo potencial.

 

Raphinha (4,0)

Limitou-se a estar no sítio certo para encostar a assistência de Nani para o fundo das redes, limitou-se a estar no sítio certo para receber a bola de Montero e encaminhá-la para o ponto da grande área do Qarabag para onde Jovane Cabral se dirigia a alta velocidade. Se o extremo brasileiro continuar assim é possível que, no limite, chegue mesmo à selecção brasileira.

 

Montero (3,5)

Mantém a seca de golos como alguns religiosos prescindem disto ou daquilo ao fazerem os votos. Só assim se explica o artístico toque de calcanhar com que testou os reflexos do guarda-redes adversário, pois o passe de Mathieu o deixou completamente isolado junto à linha de golo, valendo-lhe a bandeirinha levantado do árbitro assistente para o escândalo não ser maior. Mais cintilante foi o colombiano na construção de jogo, esmerando-se aquando de costas para a baliza. E superlativo se mostrou ao servir-se de uma bola sinalizada pela Comissão de Protecção de Esféricos, abandonada junto a uma bandeirola de canto, para fazer um túnel ao defesa azeri que deu origem ao tardio e desejado 2-0.

 

André Pinto (3,0)

Voltou ao relvado para o lugar do neolesionado Mathieu, mostrando-se um central de confiança que joga seguro e, sem ser um ex-Barcelona, serve de barreira à entrada de Marcelo ou Petrovic para o eixo defensivo.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ser um talismã é... saltar do banco aos 87 minutos e marcar um golo no minuto seguinte. Talvez para disfarçar, o jovem que não recorre às redes sociais quando espoliado da titularidade fez alguns disparates, incompreensíveis mas sem consequências de maior. Contam-se os segundos até alguém registar a expressão “15 minutos à Jovane”.

 

Diaby (2,0)

Voltou a somar minutos, embora cheguem os dedos das mãos para a operação matemática. Chamado para refrescar o ataque, com o resultado final feito e o tempo de compensação a contar, o renomado velocista pouco mais fez além de atrapalhar-se (e a Raphinha) num contra-ataque.

 

José Peseiro (3,5)

Nunca se cansa de salientar que o Sporting joga cada vez melhor e os factos não o desmentem. Resistiu a poupanças em vésperas de uma deslocação difícil a Braga, colocando em campo o onze tipo (menos Bas Dost) e pouco há a apontar tirando alguma hesitação nas substituições. Algo que não deixa de ser compreensível, pois a entrada de Jovane Cabral é o tipo de decisão que implica a saída de Nani ou de Raphinha.

O futuro está na Bancada B

image.jpg

 

Mal se conseguem ver na fotografia, mas à minha frente estão dezenas de jogadores dos escalões de formação do Sporting. Reconheço alguns dos iniciados e outros que estão nos juvenis, diria que também há mais novos e aos maus velhos reservaram lugares mais perto do relvado.

 

Que uns quantos de entre eles possam numa noite destas estar em campo, e que nós possamos estar nas bancadas a aplaudi-los, são os meus votos.

Ainda sem um único minuto em competições oficiais...

...além dos três guarda-redes suplentes, continuam o central Marcelo, o lateral-esquerdo Lumor, o médio Bruno César e o polivalente Carlos Mané.

 

Ainda a época vai em apenas cinco jogos oficiais mas há quem vá descolando do pelotão de Peseiro, tal como também acontece aos médios Misic e Petrovic e ao avançado Castaignos, estando por apurar qual será a utilização futura de Wendel e Diaby.

 

Entre aqueles que ainda não fizeram a estreia nesta temporada destaco o caso de Lumor, que não é opção apesar das exibições aquém de cintilantes de Jefferson, tornando-se cada vez mais evidente que a luta pela posição está a ser travada com Acuña. Mas qualquer treinador dirá que os suplentes têm que trabalhar ainda mais do que os titulares e que os não convocados têm que trabalhar ainda mais do que os suplentes.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D