Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Investir na qualidade

Esta temporada, o Sporting gastou cerca de 37 milhões de euros em contratações (16) para o futebol. No entanto, olhando para o nosso plantel não é notório um crescimento da sua qualidade média. Mais, muitos dos jogadores que entraram e não mostram rendimento apreciável estão a tapar a ascensão de jovens com um custo muito inferior na conta de exploração. 

 

Quando se fala na aposta na Formação há sempre quem se manifeste contra, essencialmente porque fica a pensar que tal significa jogarem como titulares 11 jogadores produzidos na Academia. Ora, o modelo que preconizo não é esse. Não que não fosse esse o cenário ideal, simplesmente não haveria qualidade suficiente em 1/2 gerações (previsivelmente) para que tal se pudesse materializar. 

 

Eu olho para o Ajax - não é de hoje, a análise já tem uns anitos - e vejo que há um racional por detrás da política desportiva. Assim, os lanceiros apostam em jovens formados na sua academia, mas potenciam o seu crescimento via aquisição cirúrgica de jogadores experientes no mercado. Faço aqui um aparte para lamentar a falta de visão inerente à contratação de Mathieu: enquanto o Benfica soube aproveitar a experiência acumulada de Luisão para o tornar uma espécie de artífice, artesão da última estação de desenvolvimento do Seixal, ajudando a lapidar jovens como Lindelof ou Ruben Dias, o Sporting mandou embora, definitivamente ou por empréstimo jogadores como Domingos Duarte, Ivanildo ou Demiral, não rendibilizando aquilo que o francês poderia aportar a esses activos provenientes da nossa Academia. Ora, o Ajax, desde Janeiro de 2018 foi buscar o lateral esquerdo argentino Tagliafico (25 anos), por 6 milhões, o experiente médio sérvio Dusan Tadic (30 anos), por 11,4 milhões, e fez regressar um jogador formado em casa, o central/lateral Daley Blind (28 anos), por 16 milhões. Estes jogadores, aos quais se junta o veterano (32 anos) dinamarquês Lass Schone, enquadram a "cantera" lançada por Peter Bosz na temporada de 2016/17 - há quem diga que o Ajax só está na moda porque ganhou em Madrid, mas a antiga equipa de Johann Cruiyff esteve presente na final da Liga Europa de 2016/17 - , onde se destacam o guardião Onana, o defesa De Ligt, os médios Van de Beek, De Jong e Ziyech e os avançados Neres e Dolberg, para além do marroquino Mazraoui, também ele produto das escolas do Ajax e que apareceu pela primeira vez na equipa principal em 2018.

 

Concluindo: como se pode verificar, os lanceiros não investem em "gorduras", aproveitam o que têm e só vão ao mercado para adquirir jogadores que possam fazer a diferença, algo bastante diferente daquilo que tem sido a nossa "estratégia". O Sporting, que em época e meia investiu 100 milhões de euros em contratações das quais só se destacam pelo rendimento desportivo os jogadores Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu, continua a gastar dinheiro que não tem em jogadores de uma classe média/baixa do futebol mundial que não se diferenciam positivamente face àqueles que produz. Mais, quando acerta numa contratação (Idrissa Doumbia) não a mete a jogar, não retirando daí rendimento desportivo ou financeiro (a manter-se a situação). E chega ao ponto de não ter pontas-de-lança no banco quando se lesiona um dos dois que compõe o plantel, preferindo adaptar Coates como plano de contingência, equívoco que faz pensar qual o motivo pelo qual existe uma equipa de Sub-23 (ou antigamente a "B"). 

 

O mais triste disto tudo é que poderíamos ter um plantel bem mais competitivo do que o actual e estarmos a gastar menos 20 milhões de euros, orlando uns sustentáveis 50 milhões de euros de custos com o pessoal, se apostássemos num misto de qualidade e desenvolvimento de jogadores da Formação.  

 

P.S. Alguém sabe quem são os jogadores da Formação que em Alcochete se considera terem potencial para jogar na equipa principal? De que forma é que isso se conjuga com o Scouting? É possível termos identificado meia-dúzia de miúdos nossos com elevado potencial e todos virem a ser "tapados" por aquisições para as mesmas posições feitas sem qualquer critério? 

ajaxsporting.jpg

Hoje giro eu - Ranking GAP

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 39 jogos - 22 para o Campeonato Nacional, 5 para a Taça de Portugal, 5 para a Taça da Liga e 7 para a Liga Europa -, obtendo 24 vitórias (61,5%), 6 empates (15,4%) e 9 derrotas (23,1%), com 81 golos marcados (média de 2,08 golos/jogo) e 41 golos sofridos (1,05 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (21,10,12), Bas Dost (21,2,0), Nani (9,6,4);

2) MVP: Bruno Fernandes (95 pontos), Bas Dost (67), Nani (43);

3) Influência: Bruno Fernandes (43 contribuições), Bas Dost (23), Nani (19);

4) Goleador: Bruno Fernandes e Bas Dost (21 golos), Nani (9);

5) Assistências: Bruno Fernandes (10), Nani e Acuña (6).

 

Algumas notas complementares:

  • Bruno Fernandes foi influente em 53,1% dos golos do Sporting;
  • Em toda a época passada, Bruno Fernandes fez 103 pontos no ranking de MVP (2º classificado, atrás de Bas Dost), 53 contribuições no ranking de Influência (1º), 16 golos (2º, já superado esta época) e 18 assistências (1º);
  • Bruno Fernandes continua a liderar todos os parâmetros de análise (GAP, MVP, Influência, Goleador, Assistências). E sem marcar a maioria dos penáltis;

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 21 10 12 95
Bas Dost 21 2 0 67
Nani 9 6 4 43
Diaby 6 2 6 28
Jovane Cabral 4 4 9 29
Fredy Montero 4 4 3 23
Wendel 3 4 0 17
Raphinha 3 1 4 15
autogolos 3 0 0 9
Sebastian Coates 2 1 2 10
Miguel Luís 2 0 1 7
Jeremy Mathieu 2 0 0 6
Acuña 1 6 5 20
Jefferson 0 2 1 5
Ristovski 0 2 1 5
Borja 0 1 0 2
Carlos Mané 0 0 2 2
Bruno Gaspar 0 0 1 1
Gudelj 0 0 1 1

Hoje giro eu - A crítica

Reiteradamente, leio críticas dirigidas a sócios ou adeptos leoninas que se manifestam contra uma qualquer Direcção do clube. Ora eu, enquanto receptor, estou habituado na minha actividade profissional a valorizar todo o tipo de críticas, sejam elas bem ou mal intencionadas. Desde logo, aquelas que não obedecem a bons princípios de carácter têm geralmente um efeito boomerang sobre quem as emite, de tão mesquinhas que são. Por outro lado, permitem conhecer melhor a índole de quem as sentencia e, até, antecipar os seus próximos movimentos. Quanto às críticas construtivas, elas são sempre bem-vindas: primeiro, porque o simples sinal de acusar a sua recepção granjeia a simpatia e o reconhecimento do emissor; depois, porque qualquer Homem não é uma ilha e nós somos o produto de todas as experiências e de todas as pessoas com que nos cruzámos, pelo que estamos sempre a aprender; finalmente, porque se eu quero tornar relevante a minha Organização, é meu dever envolver todas as pessoas, criando assim laços de união, simultaneamente aproveitando as competências que cada um pode trazer.

Por isso, no meu entendimento, um gestor deve ficar mais preocupado quando à sua volta o comportamento é acrítico, pois isso não lhe vai trazer no futuro qualquer valor acrescentado.

Termino, descrevendo a frustração que é para um emissor formular propostas, ter uma determinada visão e isso não ser ouvido por quem de direito. Até ser tarde de mais. Não há pior sentimento do que aquele proveniente de ter razão antes do tempo. Já aconteceu comigo e já terá acontecido com muitos de Vocês. É triste, só nos traz maçadas e um sentimento de impotência total.

Hoje giro eu - Vitória épica no hóquei

Não sei se o meu colega Ricardo Roque, colaborador do És a nossa Fé que mais acompanha as modalidades, teve a oportunidade de ver o jogo desta tarde no Pavilhão Fidelidade, na Luz, e assim poder complementar esta minha peça. A ganhar logo no reínicio por 1-0 (Raul Marin), o Sporting viu-se sujeito a uma série interminável de suspensões de 2 minutos motivadas por cartões azuis recebidos pelos seus jogadores Marin, Girão e Ferran Font. Ao fim de 8/10 minutos - foram tantas as suspensões que perdi a conta aos minutos que os nossos jogadores estiveram fora - , e quando finalmente o 5º jogador nosso estava no ringue (há não mais de 5 segundos), eis que o leão Romero apanha novo cartão azul. O Benfica aproveita para finalmente empatar, situação que automaticamente permite repor a paridade de jogadores em campo. Depois, um jogador do Benfica também é suspenso por 2 minutos. Escândalo de lesa-Pátria para a BenficaTV, pois claro. Imediatamente, Ferran Font marca, no livre directo correspondente, através de uma belíssima execução. Seguidamente, através de uma penalidade, o mesmo jogador fez o 3-1. Finalmente, Pedro Gil colocou o 4-1 final no placard. 

Em toda a minha vida, nunca vi nada igual. Por isso, não consegui conter a indignação e decidi escrever. Também, para deixar o meu louvor a hóquistas, treinadores e restante estrutura da secção do hóquei, que nas condições mais adversas possíveis escreveram mais uma página de glória da história do Sporting Clube de Portugal. 

gil marin.jpg

(Fonte imagem: Record)

Hoje giro eu - Ranking GAP

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 31 jogos - 18 para o Campeonato Nacional, 4 para a Taça de Portugal, 3 para a Taça da Liga e 6 para a Liga Europa -, obtendo 22 vitórias (71%), 3 empates (9,7%) e 6 derrotas (19,3%), com 69 golos marcados (média de 2,23 golos/jogo) e 30 golos sofridos (0,97 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (16,8,12), Bas Dost (16,2,0), Nani (9,5,4);

2) MVP: Bruno Fernandes (76 pontos), Bas Dost (52), Nani (41);

3) Influência: Bruno Fernandes (36 contribuições), Nani e Bas Dost (18);

4) Goleador: Bruno Fernandes e Bas Dost (18 golos), Nani (9);

5) Assistências: Bruno Fernandes (8), Nani e Acuña (5).

 

Algumas notas complementares:

  • Bruno Fernandes foi influente em 52,2% dos golos do Sporting;
  • Em 14 jogos, Peseiro registou 9 vitórias, 1 empate e 4 derrotas, com 24 golos marcados e 14 golos sofridos; em igual número de jogos, Keizer tem 11 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, com 41 golos marcados e 15 golos sofridos;
  • Pela primeira vez, no histórico do Ranking GAP, um jogador (Bruno Fernandes) lidera todos os parâmetros de análise (GAP, MVP, Influência, Goleador, Assistências).
  • Na questão que mais divide os adeptos, os alas, os indicadores são os seguintes: Jovane é o ala com maior influência por minuto jogado, contribuindo para um golo a cada 53 minutos, seguido por Nani (110 minutos), Raphinha (121 minutos) e Diaby (145 minutos); Nani é o ala que necessita de menos minutos para marcar um golo (220 minutos), seguido por Jovane (225 minutos), Diaby (241 minutos) e Raphinha (322 minutos). Logo, pela análise estatística, Nani e Jovane deveriam ser os alas titulares.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 16 8 12 76
Bas Dost 16 2 0 52
Nani 9 5 4 41
Diaby 6 1 3 23
Jovane Cabral 4 4 9 29
Fredy Montero 4 4 3 23
Raphinha 3 1 4 15
autogolos 3 0 0 9
Wendel 2 4 0 14
Miguel Luís 2 0 1 7
Jeremy Mathieu 2 0 0 6
Acuña 1 5 4 17
Sebastian Coates 1 1 2 7
Jefferson 0 2 1 5
Ristovski 0 2 1 5
Carlos Mané 0 0 2 2
Bruno Gaspar 0 0 1 1
Gudelj 0 0 1 1

Hoje giro eu - Convicções

Tanto se tentou fragmentar a realidade, apontando os golos que o Sporting ia sofrendo numa caminhada avassaladora de 7 vitórias consecutivas, 30 golos marcados e 8 golos consentidos, que agora não temos nem defesa nem ataque e o "Keizerbol" (jogo pelo centro) foi substituído pelo "cruzabol" do passado do nosso descontentamento. Os laterais deixaram de fazer costa-a-costa e Gaspar trocou o incenso pelo "insonso" (insosso), o trinco está cego na escuridão da caverna onde se fez prisioneiro, Bruno Fernandes e Wendel (ou Miguel Luís) ficam permanentemente em inferioridade numérica e deixou de haver circulação pelo meio. Depois, também não ajuda não haver alternativa a Dost. Ainda se fosse o "Diaby a 7"... Agora, o 23, nem desordem cria nos adversários. Quando virá o dia em que seguiremos firmes nas nossas convicções, fazendo ouvidos moucos aos flautistas de Hamelin?

 

P.S. Alguém realmente acredita que a dinâmica da equipa em Guimarães e Tondela foi igual à que nos tinha habituado nos jogos anteriores? Keizer perdeu por desconhecimento do futebol português e manhas dos seus treinadores ou por uma adaptação (aculturação) ao futebol cá do burgo que descaracterizou em parte a sua dinâmica de jogo? O batalhão de defesas e de médios no banco nos últimos jogos dá-Vos que indicador? Pareceu-Vos que as 3 linhas do meio-campo estavam tão bem definidas como em partidas anteriores? Será que o facto de os laterais nos últimos jogos subirem menos obriga os alas a jogarem mais por fora e assim estarem menos bem posicionados para a transição adversária? Um último dado: na era Keizer, em 4 jogos estivemos em desvantagem no marcador. Nos 2 disputados em Alvalade demos a volta, nos 2 jogados fora perdemos.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Televisão e outras cenas

O futebol português é um negócio sui-generis, onde os estádios estão às moscas e os cafés, pastelarias, bares e tascas enchem à hora dos jogos. Neste ramo de actividade, e sem que a Liga ligue o suficiente ao que se passa, os consumidores de futebol não dão dinheiro aos clubes, mas sim ao sector de restauração e bebidas. (Às televisões também, embora mesmo assistindo do sofá contribuam indirectamente para os proveitos dos clubes via valor da venda dos direitos de transmissão televisiva.)

 

O público que aí se concentra funciona como caixa de ressonância do que se passa num campo por vezes distante em muitas centenas de quilómetros. De facto, há todo um mimetismo a acompanhar este fenómeno: uma grande penalidade a favor da nossa equipa é usualmente comemorada com um “penalty” numa taça de vinho branco - a sua concretização merece logo um golo num cálice de Brandymel (o Santo Graal do “merchandising da bola” no seu estado líquido) - e o seu grau de conformidade, que no estádio envolve a figura do VAR, pode ser atestado por uma visita de um perito da ASAE. E todo o adepto impersonifica o treinador sentado no banco e emite comentários mais ou menos doutos e elaborados sobre o que vê e o que é preciso fazer, como se o simples acto de escovar os dentes e neles passar fio dentário numa base diária lhe desse automaticamente qualificação como estomatologista. Isto não acontece por acaso: é que, de todas as ciências, o futebol é a mais intuitiva, aquela em que o conhecimento se democratizou e se estendeu ao homem comum. Por exemplo, no que concerne aos sportinguistas, toda a gente sabe que em cada um de nós há um treina-(a)-dor. Também “olheiro”, ou membro do Scouting como agora pomposamente se diz, aparentemente qualquer um pode ser. Proponho até que se passe a designar de “zarolho”, principalmente a partir do momento em que um clube do sul de Itália (Nápoles) ultrapassou os nossos e foi o primeiro a ver valor num tal de Carlos Vinícius que jogava no Real (Massamá) e agora anda por aí, emprestado ao Rio Ave, a levantar as redes adversárias, perante alguns defesas que mais valia se dedicarem à pesca, de tal maneira são infernizados em terra por esse dianteiro brasileiro.

 

Tal como nos filmes, é da ilusão de se estar lá dentro que se faz o sortilégio do futebol. Disso e de se fazer parte de algo grandioso, maior do que nós e do que as nossas vidas, razão pela qual em Portugal (Guimarães talvez seja a excepção) quase todos escolhem um “grande” como clube da sua paixão (razão?), mesmo que o estádio do clube da nossa cidade esteja ali ao virar da esquina.

Passada esta introdução, esta noite o Sporting desloca-se a Tondela, uma cidade do distrito de Viseu com cerca de 29000 habitantes e um clube na Primeira Liga. Ao contrário da época de 2016/17, em que após uma viagem acidentada de carro, que envolveu o rebentamento de um pneu a cerca de 200 km/h (os senhores da Brigada de Trânsito queiram fazer o favor de saltar esta parte) e a concomitante impossibilidade de degustação prévia de um leitãozinho, ainda assim observei os leões a vencerem ao vivo os tondelenses, em Aveiro, com um golo marcado nos últimos minutos por Adrien e, no fim, celebrei…a vida - e de uma noite longa (golo de Coates aos 98 minutos) na temporada passada em que acabei com um nó no estômago e quase agarrado ao desfibrilador - , desta vez o jogo disputar-se-á no estádio João Cardoso, em Tondela, e eu, com essas emoções fortes ainda bem presentes (e de novo sem leitão), irei optar pelo conforto do sofá cá de casa para acompanhar a partida através das imagens, que não os sons, que me chegarão por via da SportTV. Que venha a décima (vitória de Keizer)!

Hoje giro eu - Keizer, o encantador de leões

As notícias de hoje indicam que Bruno Paulista, emprestado ao Vasco da Gama, e Tiago Ilori, anteriormente vendido ao Liverpool e actualmente no Reading, podem estar de regresso a Alvalade. A novidade primeiro estranha-se, mas depois começa a fazer algum sentido. Tal como Sérgio Conceição, que reabilitou jogadores como Marega, Aboubakar, Oliver Torres, Adrián Lopez ou Herrera, Marcel Keizer tem vindo a aproveitar futebolistas que já eram dados como descartáveis e a melhorar outros. Wendel, para quem o dialecto de JJ era mandarim e que, mais tarde, também não se enquadrou na táctica do pudim Molotov, de Peseiro, mostra-se agora perfeitamente fluente em flamengo. "Muttley" Acuña impôs-se como um lateral esquerdo que morde as canelas aos alas adversários e ainda arranja tempo para impulsionar o ataque com cruzamentos cheios de raiva, algo para o qual a oposição ainda não encontrou a vacina adequada (tentarem expulsar o homem todos os jogos não conta). Bruno Fernandes, o MVP, parece bom demais para ser verdade e Miguel Luís vai crescendo e até já marcou dois golos na sua época de estreia. Até os "patinhos feios" Diaby, Gudelj e Bruno Gaspar parecem melhorar: o maliano é o jogador de King do baralho leonino. Ele, que em 17 jogos com Peseiro e Tiago Fernandes jogou para nulos, já marcou seis golos (10 jogos) nesta nova era de (números) positivos; o sérvio, é apesar de tudo mais intimidador (By the way, faz lembrar um Jigsaw bonzinho que dá mais opções de vida do que de morte aos seus adversários) como um "6" do que como um "8", posição à qual não dá a fluidez necessária; finalmente, o português, embora continue a apresentar um futebol sofrível, descobriu agora inimanigáveis artes no bilhar, o que já garantiu à equipa uma carambola decisiva.

Com estes exemplos de sucesso, como resistir à oportunidade de dar um novo fôlego à carreira destes dois ainda jovens futebolistas? Ilori é um jogador que perde frequentemente a concentração nos jogos, mas tem algo que parece faltar aos nossos centrais: é supersónico na recuperação defensiva. Limados os pontos-fracos, um perfil assim pode permitir à equipa subir a sua zona de pressão, a partir de um bloco defensivo colocado alguns metros à frente. Também Paulista pode vir a ser importante. Originalmente um "6" que Jorge Jesus insistiu em ver como um "8", o brasileiro tem capacidade de transporte de bola e de passe à distância, necessitando de melhorar a sua intensidade defensiva. Ambos são bons projectos a carecer de desenvolvimento, razão pela qual as suas carreiras ainda não explodiram. Mas, dado aquilo que vamos conhecendo neste mês e meio, haverá melhor treinador do que Keizer para potenciar o seu talento? É que, a continuar assim, o holandês ameaça transformar-se num encantador de leões.

Marcel_Keizer sorriso.jpg

Hoje giro eu - Detalhes

No futebol, como na vida, muitas vezes o sucesso/insucesso depende de um detalhe. Por uns meros onze milímetros (bola vs linha de golo) o Liverpool não se adiantou no marcador no Etihad Stadium de Manchester, curtíssima distância que a ter sido eliminada deixaria a equipa da cidade dos Beatles mais perto do título inglês. Um pequeno pormenor que pode vir a fazer toda a diferença nas contas finais do campeonato. 

Se a invocação da sorte ou do azar é válida para este caso, já o ocorrido na recepção do Sporting à Belenenses SAD deveu-se muito mais a questões relacionadas com (in)competência. Assim, fui dar-me ao trabalho de cronometrar e medir os lances dos golos do Sporting e cheguei às seguintes conclusões: no primeiro golo, Diaby esteve dois segundos e vinte e seis centésimos parado, com a bola nos pés, na meia-lua da área da SAD vestida de azul, à espera da desmarcação de Bruno Gaspar, sem que nenhum adversário (entre os vários que tinha à sua volta) esboçasse a mínima intenção de lhe tirar a bola; finalmente, no segundo golo, Zacarya foi recuando dentro da área perante Miguel Luís, dando muito espaço (precisamente três metros e cinquenta e nove centímetros) para o fantástico remate do promissor médio leonino.

Se no clássico do Norte de Inglaterra podemos falar de um pormenor, no derby lisboeta a diferença fez-se de "pormaiores".  

manchester city liverpool.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Pirilampo vermelho

Alguém explique ao Rui Vitória que o objectivo (goal, em inglês) do jogo é o golo, não o auto-golo. Não é normal, é paranormal, caso suficiente para convocar (S)vilar (dois golos na Champions de 2017/18) das Perdizes, a fim de esconjurar o mal, pelo menos enquanto não surge uma solução das Arábias. Vitória com Abel foi um monstro, com José esteve para ir de Mota e em Portimão viu fazerem-lhe a Folha. Por isso, estou em crer que, a acender e a apagar desta forma, se calhar a luz que Luis Filipe Vieira viu foi a de um pirilampo. Em todo o caso, termino, desejando um bom ano de 2029 (estão 10 anos à frente) a todos os benfiquistas!

Hoje giro eu - Uma história (ím)par!

Quando os Cinco Violinos chegaram ao fim - o quinteto original, seguido da formação onde João Martins substituiu Fernando Peyroteo (despediu-se em 1949) - , o Sporting liderava o histórico de campeonatos nacionais ganhos. Já sem Jesus Correia, forçado a optar entre o futebol e o hóquei em patins aos 29 anos de idade, ainda vencemos o campeonato de 1954, completando uma sequência de 7 títulos conquistados em oito possíveis, com um tri (47,48,49) e um tetra (51,52,53,54). No final dessa temporada, o Sporting detinha 9 vitórias no Campeonato Nacional contra 7 do Benfica, ou, se considerarmos os Campeonatos de Portugal como "nacionais" (e os primeiros 4 Campeonatos da Liga como experimentais), um total de 13 triunfos contra apenas 7 do seu rival encarnado. Foi o fim de uma era e o início do ciclo mundialista, em que nunca falhámos a conquista da prova maior do calendário nacional durante 6 edições consecutivas do Mundial de Futebol (54,58,62,66,70,74), pese embora nada tenhamos ganho nos anos intermédios desse ciclo, o que levou a que a razão da progressão do nosso número de títulos até à Revolução dos Cravos tenha diminuído, permitindo ao Benfica destacar-se como a grande potência histórica do futebol português. Sobrepondo ao "efeito Cinco Violinos" o "efeito Eusébio", os nossos rivais da 2ª Circular tornaram-se os mais titulados de sempre, com a temporada de 1968/69 a marcar a passagem de testemunho. O Sporting falha, pela primeira vez em 24 anos, a conquista de um campeonato em ano de Mundial em 1978, naquilo que resultou num "boicote" involuntário - ao contrário do protagonizado pelo holandês Johann Cruijff, que se recusou a participar no certame por não concordar com o regime totalitário da Junta Militar do General Videla - mas volta a recuperar esse sortilégio em 1982, ano em que o Mundial se disputou em Espanha. Pelo meio, apenas mais um campeonato nacional: o disputado dois anos antes. Com o triunfo em 82, o presidente João Rocha completou o tri de vitórias em campeonatos nacionais em 9 anos de mandato. O pior veio depois: enfraquecido pela "entente" estabelecida entre o emergente Pinto da Costa e Fernando Martins, o Sporting (e o próprio João Rocha, que doente abandonaria a presidência leonina em 1986) não voltaria a ser futebolisticamente o mesmo, pese embora os esforços do presidente Sousa Cintra em criar boas equipas de futebol, o que nos poderia ter rendido títulos em 94 e 95. Terá valido ao clube, de forma a sobreviver a tantos anos de inêxitos, a visão de Rocha do ecletismo e as sólidas fundações que criou nas modalidades, algo que foi permitindo a sócios e adeptos respirarem e a mística se perpetuar. Técnicos como o Professor Moniz Pereira e atletas como Carlos Lopes ou Fernando Mamede escreveram a ouro páginas de glória do desporto nacional e do Sporting em particular, juntando-se a Chana, Livramento ou Joaquim Agostinho no panteão de grandes campeões sportinguistas. Mesmo quando sucessivas Direcções foram desmobilizando na aposta nas modalidades, o atletismo continuou a ser um motivo de orgulho para a nação leonina. Com o estrelato além fronteiras de Paulo Futre - o primeiro futebolista português a triunfar no estrangeiro - e, mais tarde, de Luís Figo e de Cristiano Ronaldo, o Sporting pôde hastear uma nova bandeira: a da sua Formação de futebolistas. Interrompido um interregno de 18 anos sem títulos no futebol (Inácio, 2000), o Sporting parecia ir ressurgir no novo milénio. O título de 2002, retomando a tradição de vitória em ano de mundial, mais reforçaria essa ideia, mas tal não passou de uma quimera e rapidamente o clube se viu estrangulado financeiramente fruto da acção conjugada de uma gestão do negócio futebol que o deixou à beira da falência e da megalomania de um projecto empresarial que conduziu a um super-endividamento. Desde aí, houve poucos sinais de retoma, os mais significativos dos quais terão ocorrido em 2005, com Dias da Cunha como presidente e José Peseiro como treinador, em duas temporadas com Filipe Soares Franco como presidente e Paulo Bento como treinador e durante o consulado de Bruno Carvalho, primeiro com Leonardo Jardim e , depois, na primeira época de Jorge Jesus, período em que as modalidades voltaram à ribalta mas onde o futebol voltou a falhar. 

 

Olhando para o histórico, importa dar relevo ao facto de em 36 anos apenas termos ganho duas vezes. Talvez isso ajude a explicar a razão do descontentamento dos "jovens turcos", das novas gerações, que sofrem com o facto de não ver o clube ser campeão, algo que é mais relativizado pelos mais velhos, os quais ou nasceram no período dos "Cinco Violinos" ou nas décadas de 60 e 70 onde o Sporting ainda ia ganhando. 

Outro dado histórico que não deixa de ser surpreendente prende-se com a maldição dos anos ímpares. De facto, olhando para os 22 títulos (18 Campeonatos Nacionais e 4 Campeonatos de Portugal), verificamos que apenas 6 ocorreram em ano ímpar. Mais, o último campeonato nacional ganho em ano ímpar ocorreu em 1953, ou seja, há 66 anos(!).

Assim como o Benfica tem a maldição europeia de Bela Guttmann, o Sporting tem a maldição dos anos ímpares. 

 

Se olharmos para as causas do nosso insucesso, as arbitragens tenebrosas dos anos 80 e 90 vêm-nos logo à ideia. Mesmo depois disso, o contexto nunca deixou de nos ser desfavorável. No entanto, agarrar-nos exclusivamente a isso, na minha opinião, será um erro a não incorrer. Atenção, creio que o clube deve estar atento e manifestar-se em sede própria no sentido de não ser prejudicado, mas penso que o essencial da nossa atenção deve estar voltado para dentro, daquilo que depende de nós. Se formos muito competentes, dificilmente nos abaterão. Reparem, vivemos uma época de esperança, marcada pela contratação de um técnico holandês que trouxe com ele uma ideia de futebol positivo que muito tem deleitado as bancadas. Estranhamente, esse facto não tem vindo a ser acompanhado pelo número de assistentes aos jogos em Alvalade. E não vale sequer a pena estarmos a falar nos descontentes com o afastamento de Bruno Carvalho, pois se este foi destituído e se não viu a sua condição de sócio com plenos direitos ser restituída foi porque uma maioria assim o decidiu. Assim, caberá (não só, mas também) a essa maioria mostrar que não é só forte na demonstração política e aparecer a apoiar a principal equipa do clube. Aliás, em boa verdade, essa missão deverá ser a de todos os sócios e adeptos, gostem ou não dos presidentes, do actual ou do(s) antigo(s), pois estes são conjunturais e só o clube é perene. Isto para dizer que, se nós, sportinguistas, somos os primeiros a deixar a equipa sozinha como podemos depois ter legitimidade de acusar seja quem for? Falemos agora dos jogadores: em Guimarães deixámos ficar 3 pontos que se podem vir a revelar decisivos nas contas do campeonato. Uma equipa que quer ser campeã não pode desperdiçar trunfos desta maneira. É evidente que os jogadores lutaram pela vitória, mas também foi notório que à frustração das coisas não estarem a correr de feição se sobrepôs algum desespero que só pesou em perda de discernimento. Ora, se queremos ser campeões, teremos de dominar os nossos estados de alma. Qualquer profissional tem dias em que não está inspirado, mas são exactamente esses dias e a forma como se consegue entregar ainda assim a "carta a Garcia" que marcam a carreira de um profissional de referência. Temos de ser mais frios e saber lidar melhor com as situações de pressão extrema. Em relação ao treinador, penso que deve continuar de ouvidos não voltados para o que diz a comunicação social. Tal como adeptos e sócios, aliás. A mim, pouco me interessa se sofremos 10 golos em 9 jogos, pois marcámos 34 golos nessas mesmas partidas. Essa é a realidade una e indivisível. Tudo o resto são fragmentos dessa realidade ou apenas percepções da mesma. Por isso, Keizer deve deixar também Sérgio Conceição ficar a falar sozinho quando diz que prefere ganhar 1-0 do que 3-2, até porque o ranking dos clubes portugueses na UEFA vem dar muito mais razão ao holandês do que ao nosso concidadão. É que há uma relação directa - que um dia aqui trarei - entre o número de golos marcados nos seis principais campeonatos nacionais pelos clubes classificados entre a quinta e a oitava posição e a posição de cada país no ranking uefeiro. O futebol luso só melhorará quando a sua intensidade de jogo subir e houver mais equipas a lutarem pelo golo, o objectivo ("goal" em inglês) do futebol. Com isto não digo que não devamos melhorar a nossa transição defensiva, aspecto que ainda Keizer não era nosso treinador e eu já apontava como uma debilidade, mas se perdemos em Guimarães não foi por sofrermos um golo, foi por não marcarmos no mínimo três (dois até bastariam) como de costume. E, certamente, tendo tempo para treinar os posicionamentos ofensivos (algo muito difícil quando não se fez a pré-época e se joga de 3 em 3 dias), no sentido de os jogadores estarem melhor posicionados para a reacção à perda de bola, esse problema há-de ser corrigido (não digo eliminado porque não nos podemos esquecer de que há sempre duas, quando não infelizmente três, equipas em campo). Agora, o que importa realçar das diferenças existentes entre o futebol de Jesus (já nem digo de Peseiro) e o de Keizer é que se ambos buscaram influências noutros desportos, então onde eu via a procura de profundidade e basculações típicas do andebol em Jesus, agora observo a preocupação com o domínio do centro do terreno e um conjunto de movimentos em triângulo que vão aproximando vários jogadores nossos à área adversária, que são influências, respectivamente, do xadrez e do rugby em Keizer.

Para finalizar, se formos mais fortes e exigentes connosco - adeptos, sócios, jogadores, treinador, presidente - estaremos mais próximos de tornar uma época inicialmente configurada como atípica numa temporada memorável. É que há que quebrar a maldição dos números ímpares e isso só se tornará possível se todos forem também ímpares na sua adesão, coerência, profissionalismo e amor ao clube.  

 

Um Bom Ano de 2019 para todos os portugueses e, em particular, para os Leitores e Autores do "És a nossa FÉ"! Para todos os sportinguistas, o desejo de um ano ímpar de glórias!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

vorskla liga europa.jpg

Hoje giro eu - A "vaca verde"

O Sporting é conhecido por ser um vulcão em permanente actividade. A lava produzida não lava a alma e a tragédia está sempre ali ao pé da porta (10A). Frederico Varandas fala em proteger o Sporting, mas essa é uma ideia difusa e sujeita à interpretação de cada um. O melhor para o futuro do clube será investir, sim, na conectividade. Uma ideia é uma rede, espalha-se, dissemina-se, chega a milhões de pessoas. Nesse sentido, a escolha de Marcel Keizer foi genial: se andarmos pelo campo e virmos uma vaca, provavelmente não lhe iremos ligar nenhuma. Agora, imaginemos que a vaca é verde...Tal vai ser notado, a diferença vende. Na vida, às vezes o mais arriscado é optar pelo seguro. Ser notável é o segredo. Keizer, com as suas tácticas e forma diferente de estar no futebol, já incomoda alguns dos nossos treinadores e jornalistas. Isso é um excelente sinal de influência e o treinador holandês arrisca-se a revolucionar o panorama futebolistico nacional. Em breve veremos seguidores, isso irá criar um "momentum"  que só beneficiará o nosso futebol e o Sporting será visto como o líder dessa mudança de paradigma. E tudo começou por uma ideia...

keizer.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

sportingaves1819.jpg

Hoje giro eu - O som do silêncio

Para mim, que desde tenra idade me habituei a identificar o Sporting com os futebolistas e atletas que semanalmente via representar o clube nos estádios, pavilhões e pistas deste país, este momento de crispação da massa associativa é particularmente doloroso. Primeiramente, porque é mais do que óbvio que o foco dos adeptos está deslocado do essencial, o apoio às equipas que ostentam o nosso símbolo no peito; em segundo lugar, porque o ruído insuportável e a radicalização de discurso das facções, com constante adjectivação, não auguram nada de positivo para o futuro; em terceiro, porque não há criação que perdure no tempo quando a motivação de base assenta no ódio e não no amor. 

Quando temos dúvidas sobre um caminho é sempre bom voltar aos "básicos". Os tempos de criança e as razões pelas quais fizemos uma escolha. Somos do Sporting pelo mimetismo da verde-e-branca, o sortilégio do leão rampante, os valorosos atletas que ao longo de gerações defenderam as nossas cores e protagonizaram gestas de glória. A grande maioria dos adeptos leoninos são moderados, não se revêem em posições extremadas (dos dois lados da barricada) de gente que pensa que, falando mais alto, melhor se faz ouvir. Como tal, e apelando à reflexão serena, inspirado pela versão que o Ministro da Cultura e das Artes australiano - um exemplo de como a criatividade pode ser usada para fazer passar uma mensagem - fez há dias sobre o imortal "The sound of silence", de Paul Simon e Art Garfunkel, aqui deixo o meu "O som do silêncio", que deve ser acompanhado pela música original. Com os votos de um Santo Natal para toda a familia leonina, com muita saúde e paz. Viva o Sporting Clube de Portugal!!!

 

"O som do silêncio"

 

"Olá, Sporting, velho amigo,

vim falar-te uma vez mais.

De momentos de eterna glória

e de percalços da nossa história.

A visão de que todos não serão demais,

quando cais e só se importam contigo.

 

Com as eleições, um novo rumo,

nasce esperança e fé em prumo,

mas viver num cerco permanente

é sinal de um clube decadente

 

E os meus olhos ainda choram

o facho daquela tocha ardente.

E toda a gente

rasgou o som do silêncio

 

A partir daí eu vi

cento e setenta mil ou mais.

Sócios falam sem dialogar.

Sócios ouvem sem nada escutar.

 

Há quem erga a voz

só p`ra emitir ruído,

um alarido.

Não dão voz ao silêncio.

 

Tolos nós que já esquecemos

que aquele ruído vai crescendo.

Logo nós que até já o vivemos,

não é o Sporting que nós merecemos.

Escutem, não gritem, dêem as mãos, em união.

 

Assim deve ser o Sporting!

 

Curvando-se e louvando,

o novo leão que rugia.

E os sinais mostravam o caminho,

todos os sócios davam o seu carinho.

 

E os sinais ecoavam

as palavras do Visconde escritas em letras de ouro,

desígnio vindouro,

não mais sussurradas em silêncio."

 

Ser Sporting - Sporting é campeão europeu de judo

O Sporting sagrou-se hoje campeão europeu de judo, ao bater na final os russos do Yamara-Neva, até aí campeões em título, por 3-2. Antes de atingirem a fase derradeira, os leões venceram os espanhóis do Valência (3-2) e os igualmente russos do Edel-Weiss (devem ter a música no coração...), por 4-1, numa competição que decorreu em Bucareste, na Roménia. David Reis (-66Kg), Ganbaatar (-73Kg) e Sherazadishvili (-90Kg) ganharam os combates decisivos. É o 30º título europeu do clube, o 1º de uma das modalidades olímpicas com mais praticantes no mundo inteiro. Parabéns aos protagonistas, os judocas, a Pedro Soares, responsável técnico da secção, à anterior Direcção que reabilitou a modalidade e a dotou dos recursos financeiros e humanos necessários e, obviamente, à Direcção presidida por Frederico Varandas e que tem Miguel Albuquerque como Director-Geral para as modalidades, a qual deu continuidade ao investimento e proporcionou condições de estabilidade. Com este triunfo, o judo torna-se a sexta modalidade do clube campeã europeia, após andebol (2 títulos), atletismo (16 em corta-mato, 3 em pista), hóquei em patins (6), futebol (1) e goalball (1). Estamos TODOS de parabéns, isto é o Sporting Clube de Portugal! (não confundir com o Sporting política de Portugal no qual não tenho afiliação.)

 

Hoje giro eu - Ranking GAP

As recentes derrotas de Cristiano Ronaldo nos prémios "The Best" e "Bola de Ouro", da FIFA e do France Football, respectivamente, reavivam a discussão sobre os critérios pelos quais um jogador deve ser avaliado. Embora os puristas do jogo continuem de alguma forma a renegar o que as estatísticas nos mostram e a observação contemplativa ainda se sobreponha à forma como os americanos, por exemplo, analisam um jogo, a verdade é que causa muita confusão que um jogador que venceu a Champions League e foi o melhor marcador dessa competição (15 golos), para além de ter feito um bom Mundial (4 golos), não tenha vencido os prémios de desempenho do ano. Com este recente encorajamento, cá continuarei a mostrar os indicadores ofensivos quantitativos dos jogadores do nosso Sporting, segundo o critério GAP que em tempos criei. Então aqui vai:

 

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 20 jogos - 11 para o Campeonato Nacional, 2 para a Taça de Portugal, 2 para a Taça da Liga e 5 para a Liga Europa -, obtendo 14 vitórias (70%), 2 empates (10%) e 4 derrotas (20%), com 41 golos marcados (média de 2,05 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,95 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (10,3,9), Bas Dost (9,1,0), Nani (7,5,3);

2) MVP: Bruno Fernandes (45 pontos), Nani (34), Bas Dost (29);

3) Influência: Bruno Fernandes (22 contribuições), Nani (15), Jovane (12);

4) Goleador: Bruno Fernandes (10 golos), Bas Dost (9), Nani (7);

5) Assistências: Nani (5), Wendel (4), Fredy Montero, Jovane e Bruno Fernandes (3).

 

De realçar que, desde que Keizer pegou na equipa, o Sporting disputou 3 jogos para 3 competições diferentes (Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Liga Europa) e venceu os 3 jogos, com 13 golos marcados (média de 4,33 golos/jogo) e 3 golos sofridos (média de 1 golo/jogo). Bruno Fernandes e Bas Dost foram os goleadores de serviço deste curto período (4 golos cada), com a curiosidade de terem marcado em todos os jogos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 10 3 9 45
Bas Dost 9 1 0 29
Nani 7 5 3 34
Jovane Cabral 4 3 5 23
Fredy Montero 3 3 3 18
Diaby 3 1 0 11
Raphinha 2 1 4 12
Wendel 1 4 0 11
Acuña 1 2 1 8
Sebastian Coates 1 0 1 4
Jefferson 0 2 1 5
Ristovski 0 2 0 4

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arco do triunfo

O Sporting deslocou-se a Vila do Conde e logo se inspirou com os Arcos do estádio do Rio Ave. Os vilacondenses bem tentaram absorver o futebol de (bi)toque do Sporting, mas a digestão revelou-se difícil - o problema terá sido do ovo a cavalo (ovo=huevo, em castelhano, alcunha argentina de Acuña, que após cavalgar todo o campo ofereceu a Dost o golo que repôs o Sporting na frente do marcador) - e no final a vitória foi dos suspeitos do costume, os pupilos de Keizer (Soze?). O arco do triunfo começou a ser erigido logo aos 8 minutos, quando Bruno Fernandes - lançado por Coates - tabelou com Nani e acabou a finalizar na área de pé esquerdo. Infelizmente, pouco tempo depois, num livre directo em que a barreira pareceu mal definida, o Rio Ave empatou. O jogo estava bom e em três minutos o Sporting teve quatro oportunidades: Dost (por cima), Bruno Fernandes (enorme defesa de Leo Jardim), Diaby (outra vez Leo) e Dost (outra vez por cima). Até que, ao quarto desses alucinantes minutos (entre os 18 e os 22), Bas Dost marcou (grande centro de Acuña). Todos os jogadores jogavam mais a dois do que a um toque, mas Diaby cometia a proeza de dar dois toques num, com a bola invariavelmente a ressaltar-lhe do pé esquerdo para a canela direita e a perder-se. Em cima do intervalo, os vilacondenses podiam ter empatado após um momentâneo lapso de razão, eufemismo para paragem cerebral, de Renan.

 

Ao intervalo, soube-se uma coisa do arco da velha (senhora): a Bola de Ouro de 2018 não havia sido atribuída a Cristiano Ronaldo, preterido por Modric. Parabéns ao France Football por ter adoptado a causa da diversidade, dado que o conjunto de votantes formou o arco do cego. Bom, na verdade, invisuais não eram, pois estes têm os (outros) sentidos bem despertos e isso teria sido suficiente para uma boa decisão. Apenas não quiseram vêr o óbvio, o que não fez qualquer sentido. Enfim, anda um homem a fazer acrobacias com uma bicicleta, a 2 metros de altura, para isto...

 

O Sporting reentrou bem no segundo tempo e marcou imediatamente, mas Bas Dost estava ligeirissimamente adiantado em relação ao passe de Acuña e o golo foi invalidado. Este viria a ser rendido à hora de jogo por o nosso "mona lisa" ter temido que o argentino (já amarelado) lhe estragasse a obra-prima de Mestre. O pior foi que entrou Jefferson e com ele o cabo dos trabalhos. Valeu o "arqueiro" (guarda-redes brasileiro) Renan, já recomposto da comoção da primeira parte, que evitou por duas vezes o golo do empate, primeiro, e mais tarde a reentrada no jogo dos vilacondenses (negando o golo a Coentrão que ainda recargou perante a apatia do lateral esquerdo leonino). Mas o Sporting jogava melhor, agora com a preocupação de privilegiar só um toque e com a entrada de Jovane (saída de Diaby) viria a sentenciar a partida. O ala formado em Alcochete, de fora da área, fez tiro ao arco com o seu pé esquerdo e a bola entrou como uma flecha "lá onde a coruja dorme" (ângulo superior). Uma obra de arte digna de figurar na ArCo.

 

Com alguns aspectos ainda a corrigir, a equipa leonina continua a ganhar e ontem superou aquilo que os doutos comentadores do televisivo ludopédio luso chamavam de "prova de fogo". Como se já não bastasse este escriba tratar o Keizer como um personagem de ficção cinematográfica ou uma figura do Renascimento, agora é bombeiro...

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes e Coates, este último um muro de betão onde embateram e se esbateram todas as ofensivas vilacondenses. Nani também esteve bem, apoiando atrás e à frente, apenas com o senão de por vezes ter temporizado sem sentido (ao contrário da leitura correcta da desmarcação de Acuña no lance do 2º golo). Gudelj continua a subir de rendimento e Wendel trabalhou muito, embora tenha sido menos vistoso que anteriormente. Renan, que me fez exasperar no primeiro tempo, acabou por ser providencial. Bas dostou e ofereceu-se ao jogo, tanto em largura como em profundidade. E claro, last but the least, uma menção especial para o jovem Cabral. No geral, os jogadores foram menos felizes que no jogo anterior nos movimentos de aproximação à bola (desgaste do jogo europeu) e, quando em posse, demoraram mais o passe. Adicionalmente, nem sempre a pressão alta foi bem executada, pois algumas vezes as linhas média e defensiva não acompanharam os avançados, estabelecendo-se espaço por onde o Rio Ave assustou o nosso último reduto. Ainda assim, jogámos bem (face ao passado é um nirvana), ganhámos, temos 13 golos marcados em 3 jogos com Keizer, e continuamos a perseguir o pote de ouro no fim do arco-iris. FIM.

 

P.S. Que tal um estádio cheio para receber a equipa no próximo Domingo?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

brunofernandesrioave.jpg

Hoje giro eu - Concílio leonino

O Sporting é hoje (outra vez) um clube desunido, desavindo com o seu passado recente, onde o ruído, o excesso e a intransigência se sobrepõem à reflexão, temperança e tolerância. Como em todos os períodos pós-revolucionários, estão ainda abertas chagas profundas entre sócios e adeptos em geral. Estas feridas advêm dos traumatizantes acontecimentos de Alcochete que levaram à destituição do antigo presidente, mas também da incontinência verbal que marcou o acto eleitoral subsequente. Ora, a pior coisa que se pode fazer numa situação destas é deitar sal em cima do problema, pois isso só irá aumentar a dor, a aflição ou a mágoa das pessoas e acentuará o mal que está instalado.

 

O que se passou em Alcochete foi mau demais. Os sócios mostraram que queriam uma clarificação sobre o governo do clube. As coisas demoraram a acontecer e os Tribunais foram chamados a dirimir o diferendo. Houve uma assembleia geral destitutiva e os sócios, por esmagadora maioria, votaram na saída de Bruno de Carvalho. E seguimos para eleições, onde foi eleita uma nova Direcção presidida por Frederico Varandas. O problema é que se mudou a liderança mas não se virou a página. E porquê?

 

Eu creio que as coisas correram muito mal nos últimos 3 meses de Bruno de Carvalho. Tal acabou por fazer instalar a Lei de Murphy e levou ao descarrilar de toda a situação. Chegados aqui, é preciso dizer que do meu ponto-de-vista foi inconcebível esse último trimestre de presidência de Bruno e que isso, só por si, avalizaria a sua destituição ou derrota eleitoral. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Os excessos próprios da campanha eleitoral levaram à diabolização do antigo presidente, entretanto impedido de participar no acto eleitoral. Vários indicadores sobre a gestão da anterior Direcção foram adulterados ou, no mínimo, truncados. Desde a insinuação sobre irregularidades nas contas até à falácia da dívida a Fornecedores (onde se olvidou propositadamente que se tratava de planos de pagamento de transferência de jogadores, algo corriqueiro no futebol), passando pelo "buraco" das modalidades ou necessidades de financiamento. À boa maneira portuguesa misturou-se tudo, porque tudo valia para afastar o homem caído em desgraça. Comparações perfeitamente desajustadas foram feitas sobre o desempenho financeiro face às duas imediatamente anteriores Direcções e tudo o que de bom foi feito foi silenciado de uma forma quase estalinesca, como se se reescrevesse a história. Adicionalmente, uma e outra e ainda outra vez se tocou na ferida aberta de Alcochete. A detenção para interrogatório de Bruno de Carvalho foi recebida por muitos com regozigo. Testemunhos houve de que era "o melhor dia" das suas vidas. Mas não era o cidadão Bruno que estava preso e sim o ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, e na vida estas coisas pagam-se no futuro, com juros bem mais elevados do que aqueles a que estamos sujeitos no empréstimo obrigacionista.

 

Na minha opinião, antes da união vai ser necessário promover o concílio da familia leonina. Para tal, será necessário muito equilíbrio, moderação, inteligência e bom-senso. Há que necessariamente reconhecer alguns excessos, algumas inverdades que foram proferidas, como primeira medida para acalmar as hostes. Nestas, não me refiro à claque que esteve na origem de tudo isto, obviamente, a qual tanto prejudicou o clube e que não deverá merecer nos tempos próximos qualquer concessão. Falo do adepto/sócio comum que se revia (e ainda se revê) em Bruno de Carvalho na presidência do Sporting. De cada vez que espalhamos boataria e falsidade sobre Bruno e sua equipa de gestão estamos a adensar a chaga, a deitar gasolina para a fogueira, a dar azo ao extremismo. Desumanidade cria desumanidade. No tempo do Bruno presidente como agora. Nesse sentido, creio que esta Direcção e restantes Orgãos Sociais têm dado alguns passos num caminho positivo. Mesmo enfrentando algumas críticas de inquisidores do anterior regime, julgo terem compreendido que a reconciliação seria o mais importante. Mais até do que Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha tem tido oportunidade, nas suas intervenções públicas, de desmistificar alguns labéus acusatórios, contribuindo assim para a pacificação do clube. Rogério Alves terá também feito algumas "démarches" de bastidores apaziguadoras. Mais passos terão de ser dados, mesmo sabendo-se que o calendário coloca para Dezembro uma assembleia geral onde se irão apreciar as sanções propostas/impostas pela Comissão de Fiscalização. 

 

Sendo certo que um clube de futebol, e o Sporting em particular, não é fácil de gerir, a liderança musculada de Bruno de Carvalho teve o fim que todos sabemos. Precisamos de paz. E de tempo, embora este no futebol não cure tudo, nomeadamente se os títulos não aparecerem. O bom futebol que a equipa agora orientada por Marcel Keizer vem apresentando, embora contribua para a união, pode não ser suficiente. De uma vez por todas temos de deixar para a Justiça aquilo que é da Justiça e seguirmos o nosso caminho. Andar para a frente. Virar a página. Sem termos de estar sempre a olhar para o retrovisor. A mim, envergonha-me a exposição pública constante, por maus motivos, a que vejo o clube sucessivamente sujeito. Muitas vezes regada a gasolina por sportinguistas, alguns deles sempre dispostos a maldizer o clube nas televisões em troca de trinta moedas de prata e sem arrependimento. Preocupa-me o que aconteceu anteontem e o que está a ser preparado para o futuro plebiscito, onde já se estão a arregimentar os lados das trincheiras. É preciso, portanto, pôr o clube em primeiro lugar. Regresso ao "virar de página": a coisa é relativamente simples e ou o conseguimos fazer com equidade e respeito ou seremos no futuro um rodapé das páginas do futebol português, um qualquer canto de "sportingados", "brunistas", "croquetes" ou "melancias", subdenominações que enegrecem a história gloriosa do Sporting, do qual não rezará a história. Eu prefiro um livro de ouro escrito por leões rampantes, a nossa única identidade. Têm a palavra todos os sportinguistas.

assembleia geral.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Carrossel em Baku

A semana europeia começou com o jogo entre o Hoffenheim e o Braga, perdão, entre o Bayern e o Benfica, ou seja, entre o quinto classificado do campeonato alemão e o quarto do campeonato português. Todavia, julgo que há que dar desconto à derrota do Benfica: depois do Black Friday tivemos o Benfica Tuesday, uma mão-cheia de presentes de fazer corar qualquer e-Toupeira, que veio confirmar que o Benfica não se dá bem com arianos, pois já no Jamor - where the teams have no name - havia perdido com uma SAD de marca branca. A continuar assim, iremos ouvir mais o "venham mais cinco" do Zeca que o "papoilas saltitantes..." (Ser Benfiquista) do Piçarra...

 

De seguida, o Porto não alinhou em brindes  venceu o Schalke, qualificando-se para a próxima fase da Champions. E chegámos a Quinta-feira e ao jogo dos leões. O Sporting é um clube "sui-generis", onde se discute mais o número de horas que um presidente deve dormir do que se os jogadores estão acordados em campo. Mas a verdade é que com Keizer eles parecem bem despertos. Há quem diga que jogamos fácil, mas no futebol o mais difícil é jogar fácil, ao primeiro/segundo toque, com movimentação constante dos jogadores a darem linhas de passe e com a baliza sempre na mira. Tal exige recepção de bola, leitura de jogo e passe, capacidade de remate e muita disponibilidade física.

 

Hoje, de um lado estava o Qarabag, do outro um clube que quer "bago". E a verdade é que a jogar assim estamos mais próximos de melhorarmos as nossas finanças. O jogo praticamente começou com o golo de Bas Dost: Bruno Gaspar foi solicitado na direita por Diaby, olhou, e não vendo ninguém na área centrou atrasado para Dost. O holandês rodou sobre a bola e foi carregado já na grande área. Na conversão do "penalty" dostou como de costume. Um-azeri para o Sporting. O Qarabag não acusou o toque e aproveitou uma falha de Bruno Gaspar, que não respeitou a linha de fora-de-jogo, para igualar o marcador. Temia-se a tremideira, mas a partir daí só deu Sporting: Bruno Fernandes, a passe de Wendel e com a colaboração do guarda-redes islandês dos azeris, marcou o segundo, e Nani, num grande trabalho individual (iludiu 4 azeris), novamente servido por Wendel, o terceiro. De referir que essa jogada teve ainda a participação de Coates, Diaby e Dost e que foi feita sempre em progressão. Ainda houve tempo para o brasileiro perder o quarto e para Bruno Fernandes salvar sobre o risco um golo da equipa do Azerbeijão. No segundo tempo, Wendel (sempre ele) serviu Diaby para o poker de golos e voltou a aparecer (uff) para servir Bruno Fernandes para a "manita". Pelo meio voltou a desperdiçar uma boa oportunidade. Finalmente, numa jogada iniciada por Bruno Fernandes e continuada por Jovane Cabral, Diaby facturou o sexto com um bom apontamento técnico. 

 

Respira-se ar fresco hoje em Alvalade. Em muito pouco tempo, Keizer conseguiu pôr o Sporting a jogar à bola. Um futebol fuido, de passe e desmarcação, num carrossel mágico assente no centro do terreno. Para além disso, a reacção à perda de bola melhorou bastante desde Viseu, o que mostra que os jogadores estão a assimilar bem os processos. Todavia, há um aspecto que cumpre melhorar e que se prende com a deficiente cobertura do segundo poste, aquando dos cruzamentos.

O treinador leonino deu ainda durante o jogo oportunidade a miúdos saídos da nossa Formação, fazendo entrar o renascido Mané, Jovane Cabral e o estreante Thierry Correia. E depois há o caso Wendel: um jogador "lost in translation" de mandarim, mas que parece ter aprendido bem o holandês...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

qarabagsporting.jpg

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D