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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

sportingportotaçaportugal.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus (especial) - Ganhámos, não foi?

Afastado da primeira equipa para, alegadamente, curar algumas mazelas, eis que Bruno de Carvalho regressa ao terreno de jogo em Soure. Últimamente visto em pavilhões, não se pode dizer que a pequena vila do Concelho de Coimbra lhe possibilite um regresso aos grandes palcos. Ainda assim, não sendo um ambiente de Champions, os espectadores prestam-lhe uma ovação.

 

À primeira vista, Bruno apresenta boa cara, sinal de que o descanso lhe terá feito bem. Mas, a imagem é enganadora. Mal o jogo começa, já combalido e por terra, leva uma primeira pernada:

- "Uma familia não vê um membro no chão e dá-lhe pontapés" -, dirá, posteriormente, no Flash-Interview.

- "Pois não, pois não ... " -, dirão em coro os restantes jogadores, ouvidos na Zona Mista, ainda lembrados dos ecos da derrota em Madrid.

 

No entretanto, Bruno vai tentando galvanizar a restante equipa:

- "Apertem com eles" -, afirma resoluto, pedindo mais vontade em bater o adversário.

- "Apertem com eles como eu achar" -, responde-lhe o árbitro, pouco solícito em anuir à agressividade pedida.

 

O Juíz apita para o intervalo e Bruno aproveita para lêr alguns SMS. Um deles é de Carlos Carneiro, jogador de andebol, e o presidente-treinador-jogador partilha-o com o balneário, enquanto pede mais concentração aos seus defesas, melhor pontaria ao seu avançado, corrige alguns aspectos técnicos e combina umas "bojecas" com Coentrão após o jogo. De seguida, dá uma entrevista à Rádio-Soure, a exigir mais empenhamento aos jogadores. A equipa regressa para o segundo tempo, não sem antes Bruno piscar o olho à assistência, enquanto solta uma tirada filosófica em que põe a um canto o "penso, logo existo" de Descartes, que corrige para "blogo ... , perdão, espicaço, logo ganho". A massa adepta aprova, consciente de que para existir o clube tem de ganhar. É assim, à falta de umas "bojardas" no campo, que Bruno pretende levar a equipa à glória.

 

A verdade é que a segunda parte corre bem e a vitória é assegurada. Em conferência de imprensa, ao presidente-treinador-jogador é transmitido que os jogadores não terão ficado muito satisfeitos com as mensagens ao intervalo. Ufano, Bruno apenas diz:

- "Ganhámos, não foi?".

 

 

Aviso: vêr qualquer semelhança entre este texto e a realidade será um caso de pura ingratidão.

BrunoDeCarvalho.png

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Por cada Bruno que cair, outro se levantará

O jogo começou com quase um quarto de hora de atraso e o Sporting ainda entrou mais tarde. Logo aos 2 minutos, Bruno Paixão caiu ... na tentação de marcar uma grande penalidade após antecipação de Yazalde a Rui Patrício, na sequência de uma primeira defesa de Rui a remate de Licá. Já depois do cabeceamento do avançado, o guardião leonino deu um toque involuntário na cara do avançado e o árbitro marcou "penalty". Yebda converteu, pondo a equipa do Restelo na frente. 

 

Eis senão quando aparece no jogo outro Bruno, o Fernandes. Do lado esquerdo, e ainda dentro do seu meio campo, com a precisão de um relojoeiro suiço, o maiato colocou a bola a tempo e horas, direitinha no pé direito de Bas Dost que não perdoou. Pouco tempo depois, outra vez Bruno ... Fernandes. Com o diabo no corpo, penetrou pelo centro do ataque e assistiu Gelson na meia direita para o segundo dos leões. Estavam decorridos 16 minutos de jogo. O jogo ficou mais dividido, mas o Sporting parecia sempre mais incisivo. Assim, após um canto, Bruno Fernandes (who else?) visou Battaglia que desviou de cabeça rente ao poste. Logo no minuto seguinte, o nosso número 8 serviu Dost entre 2 defesas. O holandês, sem velocidade para sprints, preferiu contemporizar e servir Ristovski na direita. Centro do macedónio, bola deflectida e surgiu Acuña, de pé direito (!) a rematar com êxito.

 

O segundo tempo iniciou-se com um remate muito perigoso, outra vez de Bruno Fernandes, a poucos centímetros do alvo. O médio leonino começava a acusar o desgaste do jogo e da eliminatória europeia e, como ele, também Ruiz parecia dar alguns sinais de cansaço. A verdade é que o Sporting começou a perder o meio-campo e em 3 minutos (entre os 61 e os 64) o Belenenses empatou. Primeiro, num remate de Licá, depois num "penalty" cometido por Acuña sobre (outra vez) Licá e convertido por Fredy.

 

Confesso que temi o costumeiro fadinho leonino, mas, após um canto, Yebda acertou uma cotovelada na cara de Bas Dost na área e Bruno Paixão, após consulta do VAR e visionamento das imagens, assinalou a grande penalidade e expulsou o argelino. Sururu, muitos protestos belenenses e o árbitro a não permitir a reentrada em campo de Dost (antes assistido). Não houve Bas, mas Bruno Fernandes chamado a converter o castigo máximo marcou com categoria o 4-3 para os leões. JJ mexeu na equipa, tirando os dois criativos, Bruno e Ruiz, completamente esgotados, e colocando Petrovic e Lumor em campo, restabelecendo a táctica dos 3 centrais com Coates, Petrovic e André Pinto. O jogo não acabaria sem um remate ao poste de Florent, com São Patrício ainda a dar um pequeno desvio que impediu o golo do empate, numa altura em que parecia que o Belenenses é que tinha um homem a mais.

 

No Sporting, os melhores foram Bruno Fernandes (um golo e duas assistências), Acuña (um golo), Bryan Ruiz (muito bem a gerir os momentos do jogo) e Battaglia (grande pulmão). A defesa esteve muito irregular e Gelson (muito voluntarioso) e Dost complicaram situações fáceis de golo.

 

Numa noite em que houve um Bruno (Carvalho) ausente - mas ainda omnipresente na mente de apoiantes e opositores - e um Bruno (Paixão) que marcou 3 grandes penalidades e iniciou o jogo com grande atraso, valeu o terceiro Bruno, que, com uma exibição espectacular, principalmente no primeiro tempo, ajudou a resolver o jogo para o Leão Rampante, algo que o igualmente endiabrado Licá tentou ao máximo evitar. Uma vitória do Sporting contra os Velhos do Restelo e o segundo lugar já ali à vista. Uma palavra para o excelente futebol implementado em Belém por Silas. Chapeau !

 

Quanto à arbitragem, há argumentos que podem justificar a marcação de cada uma das grandes penalidades. Eu só estranho duas coisas: não me recordo de um "penalty" marcado contra Benfica ou Porto aos 2 minutos de jogo; nem na RTP Memória consigo encontrar dois castigos máximos, marcados no mesmo jogo, contra Benfica ou Porto. Alguém acredita que venhamos a assistir a algo do género, envolvendo os nossos adversários, até final do campeonato? Se virem, avisem, que eu vou estar embrenhado na Torre do Tombo à procura de evidências históricas...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (inevitável)

belemsporting.jpg

 

Sustentabilidade - As Obrigações da Sporting SAD

Durante a passada semana e a propósito do vencimento em Maio de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros do Sporting - já lá iremos - , o jornalista Camilo Lourenço disse que "lhe cheirava a esturro". Num estilo leve, e certamente embalado pela brisa que emanava do rio que lhe servia de enquadramento, Camilo foi por aí fora e chamou a atenção para 4 coisas, das "continhas" (palavras dele) do Sporting. A saber:

 

  1. O Sporting está tecnicamente falido, ou seja, apresenta Capitais Próprios negativos;
  2. O Cash-flow é negativo;
  3. O Sporting tem de, nos próximos meses reembolsar "dívida, nomeadamente obrigações" no valor de 68 milhões de euros;
  4. Existe uma reserva do auditor PWC.

 

Adicionalmente, o jornalista pediu a todos que o ouviam para consultarem o último R&C depositado na CMVM. Confesso que já o tinha feito e daí apresentado resumo na rúbrica Sustentabilidade, mas dado aquilo que foi dito voltei lá, não fosse estar a precisar com urgência de uma consulta no oftalmologista. Dito isto, apresento aqui as minhas conclusões (que qualquer leitor/comentador pode verificar aqui), respondendo ponto-por-ponto ao enunciado por Camilo Lourenço. Então, aqui vai:

 

  1. O Sporting tem Capitais Próprios positivos superiores a 16M€ (exactamente 16.468M€), não estando portanto em situação de falência técnica;
  2. O Cash-Flow libertado no exercício (semestral) foi de 6.45M€, o que faz com que no final do período seja positivo em 12.756M€;
  3. De um analista como Camilo espera-se que saiba separar o que são financiamentos do que são obrigações e que não ponha tudo no mesmo saco. Falou em 12M€, 26M€ e 30M€, mas aqui cometeu diversos erros. Assim, os 2 primeiros valores referem-se, respectivamente, a um empréstimo bancário e ao factoring, sendo que eram arredondadamente (o correcto é, respectivamente, 12.682M€ e 26.19M€) os valores a 30 de Junho de 2017 e não ao período terminado em 31 de Dezembro de 2017 a que Camilo alude (último relatório). Estes valores desceram, sendo agora, respectivamente, de 8.285M€ e de 20.015M€. Quanto ao empréstimo obrigacionista, ele de facto existe e tem a sua maturidade em 25 de Maio deste ano. Sobre ele falaremos a seguir.
  4. Ao contrário do que é dito, não existe qualquer reserva (ou escusa de opinião) do auditor PWC. O que existe é um ênfase. Esse ênfase é dado ao abrigo do nº2, artigo 45º do Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (EOROC), que entre outros pontos diz, nomeadamente, que o auditor deve "referir outros aspectos através de parágrafos de ênfase sem afectar a opinião de auditoria". Nesse sentido, não afectando as conclusões apresentadas, o auditor chamou a atenção para o facto de o Passivo corrente suplantar o Activo corrente em 114.253M€. (por exemplo, no FC Porto este valor é deficitário em 148M€).

 

Arrumado este assunto, falemos agora da polémica em torno da emissão de 30 milhões de euros do Sporting. Em primeiro lugar, é importante dizer que o Sporting é, dos 3 grandes, o clube que tem um valor menor de emissões de obrigações. O FC Porto tem um valor de 79.5M€, o Benfica 152.5M€, o Sporting apenas 30M€. Todos os clubes têm vindo a renovar estas obrigações quando estas atingem a sua maturidade.

No caso do Sporting, a obrigação de 30 milhões de euros vence em 25 de Maio de 2018, foi emitida em 2015 (3 anos) e tem uma taxa de juro associada de 6,25%. Na altura da emissão, ela foi subscrita por 4241 investidores e a procura suplantou a oferta em 2,57 vezes.

Foi anunciado recentemente que devido à situação directiva o clube encarava reembolsar o título 6 meses mais tarde. Esta situação advém, provavelmente, da renitência do banco colocador em renovar a emissão dado o presumível vazio directivo. Esta percepção por parte do banco/investidores decorre primeiramente dos anunciados processos disciplinares e suspensões (que mais tarde não se vieram a se concretizar) a 19 futebolistas do plantel principal, e possíveis consequências financeiras desse acto, e foi muito agravada por declarações proferidas pelo nosso presidente da AG à TSF, em que anunciou a futura convocação de uma Assembleia Geral com o intuíto de demitir o presidente do clube/SAD (o que criou a perspectiva de vazio e concomitante incerteza).

Na minha modesta opinião, o Sporting deveria evitar postecipar o pagamento. Desde logo porque tal seria considerado como uma "moratória". Para os mercados obrigacionistas, uma moratória é considerada um evento de "default" e, como tal, afecta a notação de risco do emitente e terá consequências em futuras emissões, fazendo subir os prémios de risco (spread face à Euribor). O Sporting certamente apostava em conseguir uma taxa de juro bastante mais baixa em Maio e, por isso, nos últimos anos, ter-se-á escusado a emitir mais obrigações. Confrontado com este imponderável, o clube terá de reagir. É certo que a SAD não tem rating e que a colocação não deverá ser feita em mercados internacionais, mas sim em clientes domésticos, mas de qualquer forma dever-se-ia evitar a todo o custo o evento de "default". A liquidez necessária poderia ser encontrada via venda de um jogador. Acredito, no entanto, que a SAD não queira vender um activo ao desbarato, algo que poderia acontecer dada a percepção do mercado do futebol da necessidade do clube em vender. Por outro lado, o comprador raramente entrega a totalidade do dinheiro a pronto, pelo que o problema não se resolveria totalmente. Por tudo isto (e muito mais), tenho vindo a tentar sensibilizar no sentido de os problemas serem resolvidos em casa, evitando-se ao máximo declarações públicas que ponham em causa o clube/SAD perante investidores. A solução para esta crise tem de aparecer em breve, mas até lá pede-se sensatez e ponderação a todos os envolvidos.

 

Respondendo a algumas inquietações, aproveito a oportunidade para esclarecer porque, em certas situações, a um Resultado Liquido positivo pode não corresponder um abatimento de Passivo (ao contrário daquilo que já ouvi em certos comentadores afectos a outro clube da 2ª Circular). Os clubes portugueses ainda devem os seus lucros às vendas de jogadores. Estas vendas aparecem na Demonstração de Resultados como Resultados Extraordinários (rendimento com transação de jogadores). Imaginem agora que o Sporting vende um jogador por 50M€ e que o comprador paga a pronto 15M€. Então, teremos no Balanço, no Activo, em Caixa e Disponibilidades, um valor de 15M€ e, na rúbrica Clientes aparecerão os restantes 35M€, que constituirão um crédito do Sporting sobre o clube comprador. Como a maior parte do dinheiro está por receber, apesar de haver lucro, o clube poderá ter de recorrer a um financiamento, dado que a maior parte dos seus custos são de curto-prazo e existe um défice de exploração operacional (ordinário). O plantel é pago mensalmente e parte dos Fornecimentos e Serviços Externos também. Daí que, pedindo um financiamento, o Passivo aumenta.

 

Termino com uma declaração de interesses: não conheço ninguém do Conselho Directivo do clube e/ou do Conselho de Administração da SAD e apenas recorri ao conhecimento que tenho do funcionamento dos mercados financeiros e ao célebre relatório depositado na CMVM que Camilo Lourenço sugeriu ao seu auditório. 

 

Hoje giro eu - Ranking GAP

Agora que entrámos na fase decisiva da época infelizmente os nossos indicadores deterioraram-se um pouco. Assim, o Sporting disputou até agora 53 jogos - 29 para o Campeonato Nacional, 8 para a Liga dos Campeões, 6 para a Liga Europa, 5 para a Taça de Portugal e 5 para a Taça da Liga - , a que corresponderam 32 triunfos (60.4%) , 12 empates (22.6%) e 9 derrotas (17%), com 98 golos marcados (1.85 golos/jogo) e 42 sofridos (0,79 golos/jogo).

 

Perguntas: Em que jogo ocorrerá o golo 100 da época? E quem será o seu autor?

 

Classificações (Estatísticas Ofensivas):

 

1) MVP: Bas Dost (108 pontos), Bruno Fernandes (87), Gelson Martins (63);

2) Influência: Bruno Fernandes (45 contribuições para golo), Bas Dost (41), Gelson Martins (29);

3) Goleador: Bas Dost (31 golos), Bruno Fernandes (13), Gelson Martins (12);

4) Assistências: Bruno Fernandes (16 passes decisivos), Gelson Martins (10), Marcus Acuña(9).

 

Nota:  Bruno Fernandes contribuiu em 45.9% dos golos da equipa; Bas Dost marcou 31.6% dos nossos golos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva):

 

  G A P Pontos
Bas Dost 31 5 5 108
Bruno Fernandes 13 16 16 87
Gelson Martins 12 10 7 63
Doumbia 8 1 1 27
Marcus Acuña 5 9 4 37
Sebastian Coates 4 3 2 20
Fredy Montero 4 0 0 12
Rodrigo Battaglia 3 3 2 17
Jeremy Mathieu 3 1 2 13
Bryan Ruiz 2 2 3 13
Rafael Leão 2 1 0 8
Bruno César 2 0 1 7
João Palhinha 2 0 0 6
Fábio Coentrão 1 4 4 15
Iuri Medeiros 1 1 1 6
William Carvalho 1 0 2 5
Mattheus Oliveira 1 0 0 3
Adrien Silva 1 0 0 3
Daniel Podence 0 7 2 16
Cristiano Piccini 0 2 4 8
Ruben Ribeiro 0 2 1 5
Ristovski 0 1 0 2
Alan Ruiz 0 0 2 2
autogolos 2 0 0  

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Os notáveis

O Sporting fez um grande jogo contra uma equipa que disputou duas finais da Champions nos últimos 3 anos. Sem sete opções disponíveis - Fábio Coentrão, Bas Dost, Bruno César, Podence, Rafael Leão, Piccini e William -, a que durante o jogo se juntou um oitavo (Mathieu), o Sporting mostrou em campo o notável investimento que foi feito pela direcção no plantel desta temporada. O treinador desenhou um esquema táctico notável, com 3 centrais, nas laterais Acuña mais profundo que Ristovski, 3 médios centro com Bruno Fernandes mais descaído numa ala e Gelson, partindo do meio, a apoiar Montero. Os jogadores, também eles, estiveram notáveis, bem como os entusiásticos adeptos expostos à intempérie que não se cansaram de apoiar a equipa. 

 

A primeira parte então foi fantástica. Uma pena que não tenhamos chegado ao intervalo a vencer por 2-0. Teria sido justo face às oportunidades que a equipa criou. Fosse por escassos centímetros (Acuña), por deficiente finalização (Gelson) ou pela categoria extra de Oblak, a verdade é que chegámos ao intervalo a vencer por apenas 1-0, cortesia do oportuno golo de Fredy Montero, o seu quarto desde que chegou em Janeiro. O segredo esteve na recuperação da bola. Rodrigo ´Batman` foi o justiceiro de Alvalade, policiando todas as movimentações na sua área de jurisdição, bem apoiado pela classe e generosidade de Bruno Fernandes, aquele jogador que ´Cholo` Simeone não hesitou em identificar como o melhor do Sporting. Depois, Montero, não se dando à marcação, obrigou a defesa colchonera a andar à roda, abrindo brechas para as penetrações de Gelson e de Acuña nas alas.

 

O desgaste acumulado no primeiro tempo notou-se na segunda parte. Com tantos jogadores lesionados, Jorge Jesus não tinha soluções no banco capazes de serem efectivas mais-valias no jogo. Ainda tentou, substituindo Bryan Ruiz, pouco certeiro no passe, por Ruben Ribeiro (recuando Bruno para a posição do costa-riquenho), mas o ex-vilacondense mostrou uma vez mais ser um jogador de espaços curtos, ideal para o futsal. A quebra física foi mais notória a partir dos 70 minutos, valendo aí São Patrício com duas manchas excelentes, uma desviando a bola, outra reduzindo ao máximo o ângulo para Griezmann rematar.

 

Exibição muito digna de uma equipa que prestigiou um grande clube. A meu ver Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Petrovic - sim, eu sei, o que querem que vos diga(?), o homem entrou a frio e esteve em grande plano - e Montero foram os melhores em campo, mas globalmente os onze que entraram de início estiveram todos bem. 

 

Acabou por vencer a eliminatória a equipa que menos erros cometeu, mas o Sporting Clube de Portugal honrou o futebol português e foi o clube que deu mais pontos para o ranking de Portugal na UEFA esta temporada.

 

Até ao final da época, estes notáveis que estiveram ontem nas bancadas e os outros que "falaram" no campo precisavam que os deixassem em paz. Temo, no entanto, que dentro de momentos se retome o desfilar de outro tipo de "notáveis" numa televisão à beira de si. Para alguns, é preciso não deixar esfriar...  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

sportingatletico.jpg

 

Hoje giro eu - O Sporting e o futuro

Vejo por aqui no blogue muitos sportinguistas cheios de certezas, uns e outros irredutíveis defensores do seu lado da trincheira. Mas, observo igualmente, progressivamente, o crescimento daqueles que têm dúvidas, inquietações e que desejam vêr uma solução equilibrada, que acautele o presente e não prejudique irremediavelmente o futuro.

 

Na contabilidade específica de um clube de futebol, os direitos económicos sobre os jogadores são activos intangíveis do Balanço de uma Sociedade Desportiva. Esses direitos quando alienados a outro clube (venda do jogador), como têm um valor de mercado, vão reflectir-se na Demonstração de Resultados como um Proveito (extraordinário). Existe porém uma fundamental diferença para outro tipo de sociedades. Se eu tiver uma corticeira, não vou ter de negociar com os sobreiros, os quais por sua vez não me vão apresentar o seu empresário, nem chamar o seu sindicato. Muito menos me intimarão com um pedido de rescisão com justa causa e/ou ameaçarão abandonar a propriedade onde se encontram. Vendo ao preço que consigo, para o mercado que mais me interesse e pronto, negócio despachado. Já um futebolista é um ser pensante, tem as suas expectativas, as suas ambições e com ele é necessário estabelecer acordos. Posso ter uma proposta fantástica para o clube proveniente da China e esta não interessar à estratégia desportiva do jogador e o negócio já não se faz. Posso não querer vender o jogador, este começar a fazer birra e não treinar, ter de lhe instaurar um processo disciplinar, suspendê-lo e acabar toda a situação por ser um "loose-loose", visto o jogador, parado, perder valor.

 

Por tudo o que enunciei no parágrafo anterior, é fundamental uma boa gestão destes recursos humanos. Nesse sentido, uma boa cultura corporativa, com valores bem incutidos e regras de conduta bem delineadas e aceites por todos é essencial, na medida em que é a cola que vai unir todo o grupo. Este pormenor não é dispiciendo, porque é exactamente nas organizações em que esta cultura está mais sedimentada que existem menos problemas. Transposto para o futebol, isso significaria que a cultura (no jargão da bola, "a mística") se sobreporia a treinadores e jogadores. Há múltiplos exemplos disso no futebol, mas o Sporting, infelizmente, não é um deles.

 

Um clube sem essa cultura bem incutida está mais dependente do perfil e da personalidade dos elementos de toda a Estrutura. Que engloba Presidente e/ou dirigente responsável pelo futebol, treinador principal e jogadores, entre outras figuras menos mediáticas mas não necessáriamente menos importantes na tal dimensão da mística. Estou convencido que o que está a acontecer ao nosso Sporting tem muito a vêr com isto e não deixa de ser surpreendente. Desde logo, porque o Sporting é, há longos anos, a equipa em Portugal que tem mais jogadores provenientes da sua Formação, o que deveria apertar mais os laços entre jogadores e clube. O clube é reconhecido em Portugal e no mundo como formador de um tipo de jogador especial, ainda não muito formatado tácticamente e estimulado no seu talento, chegando aos séniores ainda com algum "jogo de rua". Ainda assim, na minha ideia, poderá faltar em termos de complemento uma maior cultura de exigência, de excelência e de superação. Esses valores deveriam ser interiorizados desde cedo e fazer parte do ADN futebolistico de cada jogador. 

 

Chegámos à situação que todos conhecemos. Divergências profundas entre presidente (e treinador?) e jogadores ficaram subitamente expostas, faltou senso e temos um problema para resolver. Digo temos, porque cabe aos sócios encontrarem a melhor solução para o clube. Uma solução que não aliene definitivamente o que deve ser a estrutura orgânica e hierárquica de uma organização, mas que também não permita que se possam depreciar importantes activos da SAD/clube. Por isso, é preciso bom senso, equilíbrio e ponderação. Mais estudo e reflexão e menos intervenções públicas provenientes de todos os quadrantes e, especialmente, de dentro do clube. Aproveitar este tempo também para pensar o clube e a sua cultura. Temos uma direcção que foi eleita anteriormente com Bruno de Carvalho, mostrou competência e pode gerir interinamente, sem o actual presidente, o clube. Que, sujeita posteriormente a eleições, poderá vir a ser uma solução definitiva, porque não? O principal papel de um gestor é comprar tempo. Nunca, como agora, essa competência foi tão necessária e será tão posta à prova. É que o algodão não engana e os sportinguistas estarão atentos ao que os actuais Orgãos Sociais e sócios "ilustres" com expressão pública fizerem ao clube. 

 

Hoje giro eu - O Sporting, sempre!

Há muito tempo que digo que no futebol, depois da bola, o melhor são os jogadores. Enquanto ninguém se desloca a um estádio para ver um presidente ou um treinador, já um passe mágico, um drible enganador ou um bom golo são a ilusão que justifica a militância nas bancadas. Se os jogadores necessitam dos adeptos e da sua paixão pelo jogo para poderem ter bons contratos, também os adeptos precisam dos jogadores para poderem ter algum sortilégio nas suas vidas e assim libertarem as suas muitas vezes, pessoal e profissionalmente, reprimidas emoções.

 

Esta introdução pretende demonstrar a admiração e o respeito que nutro pelos profissionais da bola e as tardes e noites de glória (manhãs é que não, que ainda tenho presente na memória aquele jogo contra o Belenenses) que me têm feito viver. Cresci a tentar imitar as fintas saídas do pé esquerdo de Bruno Conti, a visão de jogo de Platini ou o toque de Midas de Diego Armando Maradona (hoje, já menos activo nas "peladinhas", é Bruno Fernandes quem me encanta) e com eles aprendi uma das minhas primeiras lições: é que prezando muito o valor do trabalho, ainda assim há coisas que só com trabalho não se conseguem obter, é preciso talento e inspiração. 

 

Posto isto, regresso à minha ideia inicial expressa em Posts anteriores: o presidente não deveria ter publicado no Facebook críticas à equipa e os jogadores não deveriam ter reagido de igual forma. Ambos estiveram mal. Agora, é difícil de compreender ou aceitar que o adepto, de tão envolvido com o jogo, ignore um princípio básico de gestão e dê loas ao grito de Ipiranga dos jogadores. Bem sei que falamos de futebol, um fenómeno geralmente acompanhado de paixões exacerbadas, mas em que empresa é que esse comportamento seria tolerado? O que se vem passando por estes dias em Alvalade abre um perigosíssimo precedente, só não o vê quem está sedento de ver Bruno de Carvalho pelas costas e acha que vale a pena tudo, pois nenhuma organização resiste à inversão da hierarquia de comando.

 

É certo que o presidente procedeu mal em primeiro lugar (um péssimo acto de gestão de recursos humanos) e que, de seguida, entrou num descontrolo emocional de múltiplas publicações no Facebook - a primeira irreflectida e mortal, decretando a suspensão dos jogadores - e conferência de imprensa que, na minha opinião, não aconselham a sua continuidade, no sentido em que se tornou mais um problema do que uma solução para o clube. Mas o facto de ter sido o causador da rebelião que se seguiu não justifica que, qual circo romano, Alvalade tenha vaiado de polegar para baixo o seu presidente enquanto glorificava os seus "gladiadores", ao mesmo tempo que nos estúdios da SportTV, Carlos Manuel e Sousa gozavam com as suas "dores nas costas".

 

Nas últimas horas quem me conhece sabe que é genuino o meu sofrimento. Sofro por ver um clube dividido, com um presidente autista na avaliação da situação e uma vasta maioria de antigos apoiantes a serem instrumentalizados pela oposição do costume e pela imprensa e a não saberem criar condições para que o presidente saia com a dignidade devida. É verdade que Bruno de Carvalho já poderia e deveria ter saído pelo seu pé, mas é publico e notório o seu cansaço, o seu desgaste (aparentemente estará também doente) e, neste momento, o seu pouco discernimento e instabilidade emocional.

 

Bruno de Carvalho não voltará a ter o meu voto. Já houve presidentes que saíram devido aos maus resultados desportivos e/ou financeiros, o actual presidente desaparecerá da liderança do clube de Alvalade por questões essencialmente comunicacionais. Não parece real, mas é, e só isso já dá a entender o conjunto de diatribes que protagonizou e que terminou de uma forma absolutamente insólita com o presidente em rota de colisão com os principais activos da SAD/clube. Na minha opinião, nos próximos tempos seria importante que o presidente se afastasse e que abrisse espaço para que a sua Direcção restabeleça a natural hierarquia de comando, apoiando treinador e jogadores nas importantes batalhas que se avizinham, até que se encontre uma solução definitiva.

 

Tenho muita pena que tenhamos chegado aqui, mas permitam-me que não me junte ao coro de virgens ofendidas que anda por aí. A começar no do costume e a continuar na figura do presidente da AG do clube, que tão mal tratou, na Assembleia Estatutária, os sócios que pediram para falar contra Bruno de Carvalho, ameaçando cortar-lhes o microfone. O Sporting jamais encontrará um paradigma de sucesso enquanto as vaidades, as ambições pessoais e a pequena política se sobrepuserem ao interesse do clube. Para mim, o clube estará sempre em primeiro lugar. Por isso, embora não queira que Bruno de Carvalho continue e compreenda a indignação quase generalizada, não vaio, não apupo, não injurio. Apenas fico triste, muito triste.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - In your Face...

Gosto sempre mais de vêr os jogadores comunicarem em campo, assim quem ganha é o Sporting. Hoje, apesar de algumas mensagens não terem chegado ao seu destino (muitos passes falhados), a equipa jogou bem a (es)paços e ganhou. 

 

Tinha de haver jogo e tinha de haver jogo com os melhores. Isso, felizmente, foi conseguido e assim se defendeu o Sporting e os seus sócios e adeptos. Apesar de tudo, os sinais foram inquietantes. A obstinação presidencial em ir para o Facebook conheceu mais um insólito episódio horas antes do início do jogo. Em resposta, aquando do segundo golo, os jogadores uniram-se em círculo junto ao banco onde estava Bruno de Carvalho, mostrando na cara do presidente que o poder caiu na rua. Uma parte das bancadas corroborou e Jesus solidarizou-se com os jogadores.

 

O Sporting foi algo intermitente na pressão sobre a bola e teve, na primeira parte, algumas dificuldades em criar ocasiões de golo. Ainda assim, aos 19 minutos, uma bela triangulação entre Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Bas Dost acabou no fundo das redes do Paços.

 

Na segunda parte, os leões mostraram melhor dinâmica e criaram mais oportunidades. Numa única jogada, Battaglia, Ruiz e Coates falharam 3 golos. Mais tarde, Bruno descobriu Gelson à entrada da área e este centrou atrasado para Bryan Ruiz colocar em jeito dentro da baliza de Mário Felgueiras. Dost ainda bisaria após magistral assistência de Bruno Fernandes, mas Bruno Esteves anularia (mal) o golo perante a complacência dos comentadores da SportTV e sua interpretação da linha de fora-de-jogo.

 

Desse lance resultaria a lesão do guarda-redes pacense e o defesa Rui Correia ocupou o seu lugar. Ainda assim, conseguimos, nesses 13 minutos, não efectuar um único remate à baliza, dando razão ao velho desabafo de Bobby Robson de que o leão não tinha (tem) "killer instinct".

 

Os destaques foram Bruno Fernandes, Battaglia (recuperou inúmeras bolas) e Wendel (que se estreou a titular e a fazer a tal pressão alta que tempos atrás recomendei que um "8" deveria executar).

 

Ganhámos o jogo, mas não ganhámos um clube. À hora em que escrevo estas palavras, Carlos Manuel e Sousa, nos estúdios de um operador televisivo, gozam com a dor nas costas do presidente. Bruno Carvalho, em conferência de imprensa, volta a dirigir-se aos sócios de forma menos própria, falando das bancadas poente e nascente. Que o Sol se venha a pôr de novo em Alvalade e que o renascimento a que assistimos da maior potência desportiva nacional possa ser continuado. Isto, como está, simplesmente não dá. 

 

P.S. os adeptos, nas bancadas, gritam SPORTING, SPORTING, SPORTING!!! Esse sim, é inalienável...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Hoje giro eu - E o Sporting?

Parece-me óbvio que as partes - presidente e jogadores - estão condenadas a entender-se. Todo o ruído altamente vexatório para o Sporting e os sportinguistas acabará por ser desvalorizado, à laia de um "fait-divers". No entanto, é difícil encontrar algo de positivo neste pesadelo mediático a que clube e adeptos foram submetidos nas últimas horas. Em primeiro lugar, ficou bem visível que o ambiente já não seria o melhor. Estas coisas não acontecem de geração espontânea, vão crescendo e há um dia em que detonam. O presidente já tinha criticado a atitude da equipa por esta não ter correspondido a um pedido para se juntarem a uma campanha de solidariedade. Simultaneamente, as palavras azedas dirigidas por Bruno de Carvalho a Adrien também não terão caído bem. O ex-capitão é percepcionado por todos como um líder de balneário e a sua influência ainda estará bem presente na memória de quem com ele privou no balneário. Agora aconteceu isto...

 

Em Post anterior critiquei também os jogadores (aqui), porque independentemente das razões que lhes assistiam nunca, em nenhuma circunstância, deveriam ter tornado esse sentimento público. Adicionalmente, os sócios e adeptos estão agastados por verem que o potencial da equipa não se consuma nos relvados e isso não me parece que seja culpa do presidente.

 

Uns e outros estiveram mal e subordinaram o Sporting ao seu interesse pessoal, tentando influenciar as massas no sentido de apoiarem a sua posição, em vez de resolverem em privado as suas divergências em nome do respeito que deveriam ter pelo clube.

 

Bruno de Carvalho não pode continuar com este seu registo "single", ao ritmo de 45 revoluções por minuto. Não pode ser um Che Guevara, doente e isolado na selva (há dúvidas?) do futebol português. Também não se deve sujeitar a si, e ao clube, a fazer aquela figura do cavaleiro do "Em busca do Cálice Sagrado", decepado e já com a cabeça separada do tronco, a desafiar tudo e todos em busca da glória da conquista do campeonato nacional. Pelo contrário, o presidente pode aproveitar a sua reconhecida energia para ser o agente de mudança que o futebol português precisa. Como um estadista e de uma forma reformista, reunindo apoios, não confundindo linguagem acessória com a mensagem fundamental.

 

Se sócios e adeptos compreendem a luta pela verdade desportiva e as suas múltiplas batalhas que vão desde os vouchers aos emails e aos jogos para perder, já as guerras intestinas com epicentro em Alvalade soam à maioria como pura autofagia.

 

Publicamente, o presidente preside, os jogadores jogam, sócios e adeptos criticam e avaliam o trabalho de todos, este deve ser o princípio básico de uma Organização com estas características. No resguardo dos gabinetes e do balneário é diferente e o presidente tem todo o direito de se dirigir aos jogadores e de os espicaçar. Mas deverá ter cuidado com a forma como o faz, nunca deixando no ar a hipótese de se querer pôr de fora: uma coisa é ter poder - Bruno foi eleito pelos sócios - outra é ser uma autoridade. Esta última é uma qualidade reconhecida (ou não), por quem é dirigido, ao seu líder e nunca deve ser confundida com autoritarismo. 

 

Hoje giro eu - Assim, não!!!

Acabei de chegar a Lisboa depois de uma cansativa viagem de 1200 Km, por estrada, entre as capitais ibéricas. Sim, na companhia dos Antónios, do Gonçalo e do Tiago fui a Madrid ver o nosso Sporting. Como outros sportinguistas vivi uma jornada de militância leonina. Depois de um jogo frustrante, com um resultado final que não expressou minimamente o que se passou no terreno, foi a esse sentimento de vitalidade do leão que me agarrei ontem à noite antes de adormecer. Vi um produto da nossa Formação (Paulo Futre), mais uma descoberta do nosso Aurélio Pereira, ser engolido à entrada do estádio por uma enorme mole humana de adeptos do Atlético, ao som de "es lo mejor", ouvi os cânticos dos adeptos madrilenos serem ofuscados pelas vozes saídas da alma indomável de 3500 sportinguistas, observei os nossos jogadores equivalerem-se aos milionários "colchoneros", assisti à serenidade irrepreensível com que as nossas claques e adeptos comuns aguentaram os 45 minutos de reclusão na caixa de segurança pós-jogo. Antes, a caminho da capital espanhola, haviamo-nos entretido com um animado "quiz" sobre a história do clube e dos seus jogadores. Tudo razões para atenuar a enorme azia que se apoderou de mim à medida que o jogo se encaminhava para um desfecho desolador. Afinal havia esperança e muitas coisas boas a merecerem o devido relevo.

 

Hoje, ao acordar, tudo se desmoronou. Um compincha de viagem, enquanto preparávamos o regresso a casa, informou os restantes que Bruno de Carvalho tinha usado o Facebook para criticas individualizadas a jogadores. Não queria acreditar! O presidente não é o provedor dos sócios, é o homem que dirige o clube, que foi eleito e é pago para resolver os problemas. Para encontrar soluções, não para ser, em si mesmo, um problema adicional. 

 

Um grupo de trabalho tem regras. É suposto estar blindado. O presidente tem todo o direito de ir ao balneário, de se dirigir aos jogadores e de lhes dar conta da sua frustração. Que será equivalente à de todos os que estiveram no Wanda Metropolitano, à daqueles que, não podendo ir, assistiram pela televisão e, pormenor a não desprezar, à dos próprios jogadores. Mas podendo, não deve em momento algum desvirtuar a relação tácita de confiança entre as partes e tornar público os seus queixumes. Isso caberá ao adepto comum. Até porque ao criticar desta forma os jogadores pode sempre ser acusado de desviar as atenções para outrem. E um presidente deve sempre assumir as suas responsabilidades. Todos nós assistimos a uma noite de terror de Coates, a um erro grave de Mathieu, a falhanços de Dost, Gelson ou Montero. Claro que os jogadores se esforçaram, que queriam e quiseram ganhar, mas isso faz parte de ser profissional, é o mínimo que se lhes deve exigir e nem devia fazer parte do lema de qualquer clube com pretensões. Lema, aliás, que deve urgentemente ser revisto, independentemente da disponibilidade demonstrada por quem entrou em campo, algo que não discuto. Esforço, dedicação, devoção? Substituam-nos por exigência, excelência e superação. Com esses valores bem incutidos, aí sim, teremos um clube temido e respeitado pelos seus adversários.

 

Entenderam os jogadores emitir um Comunicado. Na minha opinião, também não estiveram bem. E não estiveram bem porque acabaram por, também eles, tornar pública uma posição, violando assim as tais regras que enunciei acima e perdendo toda a razão que justamente lhes assistia.

 

Estamos assim perante um impasse e é difícil entender como desta crise se pode extrair algo de positivo para o futuro próximo do clube. As partes, não cedendo, estarão a prestar um péssimo serviço ao Sporting Clube de Portugal. Se o presidente se vê como o provedor dos sócios é bom que perceba que os sócios não querem isto. Um clube falado na Comunicação Social pelos piores motivos, vexado e gozado pelos rivais é um atentado à história de um enorme clube e à memória de todos aqueles que tiveram a honra de alguma forma o servirem, como dirigentes, atletas, sócios, adeptos ou meros simpatizantes e, paradoxalmente, destrói inequivocamente todo o reconhecido trabalho de recuperação do clube executado por Bruno de Carvalho e sua direcção. Por outro lado, os jogadores têm de perceber que estão ao serviço do clube e que isso significa estar ao serviço dos sócios durante o tempo que estiverem no clube. É a paixão destes que estimula patrocinadores e permite gerar receitas que vão alimentar os seus salários. Assim, o interesse comum, o do "nós", sócios, deveria ter prevalecido, por muito que os jogadores, que tinham razões para se sentirem indignados, tivessem de cerrar os dentes.

 

Em todo este processo, as partes, treinador incluido, pretendem influenciar a opinião pública, em vez de assumirem as suas responsabilidades e estabelecerem os devidos compromissos entre si e com o clube, no recato dos gabinetes e do balneário. Por isso, a todos me dirigindo, termino desta maneira: meus senhores, isto não é um "Beauty Contest", não queremos saber quem é mais simpático ou mais fotogénico. O que nós queremos, aliás, nós exigimos é que se entendam, trabalhem juntos, tenham RESPEITO pelo clube e guardem as vossas lamentações para vós próprios. Não só não estamos em Jerusalém, como também não ficaremos em cima do muro a assistir a este definhar do clube que amamos. A continuarem neste registo, a história vos julgará. A TODOS!!!

 

#savingprivateryan

Hoje giro eu - O pedal de Deus

São 21H05. Sob a luz dos projectores do antigo Delle Alpi, Cristiano Ronaldo, procurando corresponder a um passe atrasado de Carvajal, roda sobre si mesmo e, de costas para a baliza, inicia o vôo. O seu tronco está agora paralelo ao plano da relva, a uma altura aí de 1,70 m. Os jogadores à sua volta sustêm a respiração. A "máquina" começa a dar aos pedáis: primeiro o esquerdo para dar propulsão, logo o direito que vai de encontro ao esférico quasi perdido. Nunca uma bola foi tão redonda como aquela saída do pé direito de Ronaldo, cinquenta centímetros acima da cabeça de um já aí desesperado DiSiglio, também ele a subir e a procurar o Céu. Buffon, espectador privilegiado do lance, não se mexe, como que hipnotizado pela grandeza do gesto. A bola, obediente, entra inapelávelmente junto ao poste da sua baliza. Das bancadas do estádio irrompe um aplauso generalizado. Adeptos da Juventus e do Real, outrora rivais, levantam-se e batem palmas. Há um sorriso nas sua bocas. Estão agora unidos pelo mesmo sentimento: tocado por Deus, Cristiano (o nome será coincidência?) acaba de protagonizar um momento único, um sortilégio, uma recordação eterna na memória de todos. O resultado já pouco interessa. Mais do que a vitória do seu clube, todos em uníssono celebram o triunfo do futebol.

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Hoje giro eu - Pentinha

Penta na Pontinha: o Sporting acaba de vencer, pela quinta vez consecutiva, o Torneio Internacional da Pontinha (Sub-13), batendo na final a equipa espanhola do Levante (2-0). Aconselho todos os nossos Leitores/comentadores a vêr e ouvir as entrevistas finais ao treinador Pedro Pontes e, principalmente, ao capitão Guilherme Santos (passou agora na SportTV1). Exemplares! 

Hoje giro eu - Dois Sportings

Esta época pascal foi reveladora: existem dois Sporting diferentes, o das modalidades e o do futebol profissional. Na sexta-feira, ao verificar a forma senhorial como os nossos andebolistas dominaram o seu rival da Luz esta ideia veio-me à cabeça. O professor Hugo Canela foi investido interinamente como treinador principal em meados da época passada, substituindo o espanhol Zupo Equisoain. As expectativas não eram demasiado elevadas e a imprensa noticiou que o Sporting tinha tentado assegurar Carlos Resende, na época treinador do ABC e actual treinador do Benfica. A equipa estava praticamente afastada do título e os sportinguistas apenas desejavam que a época terminasse com dignidade. Hugo Canela e a sua equipa começaram por nos conquistar pela humildade no discurso, eram uns rapazes simpáticos, dizia-se. A verdade é que Hugo começou a mostrar liderança quando conseguiu unir a sociedade de nações que era o plantel leonino, alguns já cansados de grandes batalhas passadas, em torno de um objectivo comum. Jogadores como Ruesga ou Kopco pareceram ganhar uma nova vida, a equipa começou a crescer e, beneficiando da quebra do FC Porto, acabou por ganhar o campeonato. A que ainda juntaria uma nova Taça Challenge. 

 

Apesar da saga vitoriosa, Hugo ainda era olhado com desconfiança no início desta época. O Sporting iria participar na Champions League e ainda estava por demonstrar se o triunfo nacional se deveria mais a mérito próprio ou a demérito dos rivais. A equipa leonina acabou por ter uma participação muito prestigiante na prova raínha do andebol europeu, batendo-se de igual para igual com gigantes como os franceses do Montpellier. Aqui chegados, um treinador que duvidasse das suas capacidades teria encontrado na pré-eliminatória e nos 10 jogos da fase de grupos da referida competição uma justificação para o cansaço e para uma época menos positiva. Canela não! O treinador leonino usou a experiência europeia como a especiaria, o condimento que iria aprimorar o "prato" que iria servir aos adversários. A elevação do nível de jogo do Sporting foi notória e isso, conjugado com um plantel profundo e bastante homogêneo, tem tornado a equipa praticamente invencível intramuros. No final, o que fica é a liderança de Hugo Canela, que transformou o que muitos veriam como uma ameaça numa oportunidade de melhorar.

 

Noutras modalidades, como o voleibol e o hóquei em patins, também se nota essa vontade de suplantar permanentemente obstáculos. No vólei, após um longo interregno, a conjugação de esforços entre o treinador Hugo Silva e o seu mais experiente jogador e grande dinamizador da secção, Miguel Maia, tem permitido transformar um conjunto de jogadores que nunca tinham jogado juntos numa equipa firme e determinada na procura de novos objectivos. Como consequência, estamos na final do campeonato, onde iremos defrontar o rival de sempre. No hóquei, passo-a-passo temos vindo a diminuir a "décalage" face a adversários com muito maior experiência, progressivamente atenuando o "gap" criado pelos longos anos em que a secção esteve interrompida. Liderados por Paulo Freitas, um treinador com um discurso muito assertivo, a equipa tem vindo a crescer a olhos vistos e, pasme-se, está na liderança do campeonato, ao mesmo tempo que já tem um pé nas semi-finais da Liga Europa, a Champions do hóquei patinado europeu. É certo que Benfica e Porto são muito fortes e o Sporting não pode ser qualificado de nenhuma maneira como o favorito, mas nota-se ali um grande entusiasmo, motivação e vontade de superação.

 

Superação é o termo ideal para ilustrar também o que se passa noutras modalidades como o ténis de mesa, onde chegámos às semi-finais da Champions, o atletismo - acabámos de ganhar os campeonatos masculinos e femininos de corta mato - o goalball, que nos fez campeões europeus, ou o rugby feminino, tradicional vencedor de cada vez mais renhidos confrontos com o eterno rival. Já para não falar da consagradíssima secção de futsal do Sporting.

 

E chegamos ao futebol. A ideia que fica é que os nossos jogadores não compreendem na sua totalidade a responsabilidade do que é servir o Sporting e/ou que não estão devidamente motivados para o desafio que têm pela frente. A permanente desculpabilização do insucesso, incutida pelo treinador, é, a meu ver, a principal razão da pouca correspondência entre investimento avultado e sucesso desportivo. O vento, os árbitros, a relva, a sobrecarga de jogos, as lesões tudo tem servido para antecipadamente justificar os fracassos. E digo antecipadamente, por ser verdade e para que melhor se compreenda o erro crasso em que temos vindo a laborar. Em vez de se preparar uma equipa para a vitória, comunicam-se previamente razões para um eventual insucesso. E continuamos com aquele discurso de que estamos a fazer melhor do que no antigamente, algo que constitui uma afronta à história do Sporting Clube de Portugal. Talvez fosse bom fazer sentir à famosa Estrutura do futebol que estamos na final do campeonato de uma modalidade após um interregno de mais de 20 anos, que quebrámos a malapata no andebol, onde também não ganhávamos há muito tempo, e que voltámos a liderar um campeonato de hóquei, algo que não acontecia há muitos anos e depois já de uma épica vitória na Taça CERS, jogada fora de casa, com uma equipa de tostões e contra o anfitrião e todo-poderoso Reus.

 

A história do Sporting é feita da superação de homens e mulheres como Carlos Lopes, Fernando Mamede ou Joaquim Agostinho, Patrícia Mamona, Carla Sacramento ou Sara Moreira. Superação que vem ao encontro do nível de exigência que sócios, adeptos e simpatizantes históricamente têm com quem defende as cores do clube. Essa exigência deve ser um estímulo, nunca uma inibição. Muito mais para profissionais pagos regiamente.

 

#savingprivateryan

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sábado Negro

(escrito no final do dia de Sábado)

Sábado Negro para todos os cristãos e, este ano, em particular também para os sportinguistas, pois as esperanças leoninas de vencer o campeonato ficaram hoje enterradas em Braga. Com uma enorme diferença: quando amanhã celebrarmos com fé aquilo que é a base do Cristianismo, teremos presente que as hipóteses dos leões não se reerguerão.

 

A derrota de hoje foi a consequência lógica de uma série de equívocos que se têm evidenciado desde que Jesus chegou a Alvalade. A aposta em bons jogadores saídos da nossa Formação foi escassa e quando ocorreu foi mais para tapar o sol com a peneira, como na temporada passada após tudo estar perdido. Hoje, sem William, Palhinha foi para a bancada - o "extraordinário" Petrovic esteve no banco - , Wendel não jogou de início e tivemos de colocar Battaglia, um "8", um (sempre esforçado) vassalo, a fazer de Sir. Para apoiá-lo esteve um deslocado Bryan Ruiz, mais o seu motor a diesel e a sua lenta engrenagem, quando na véspera, em Vila do Conde, Francisco Geraldes, um produto da nossa academia, alardeou toda a sua enorme visão de jogo e rapidez de execução. Com Bruno Fernandes a jogar muito longe dos outros médios-centro, não tivemos bola e o nosso jogo ofensivo secou. Esta obstinação em tentar manter um 4-4-2, sem ter jogadores para tal, só poderia acabar desta forma.

 

As substituições operadas pelo treinador também foram um "must": primeiro, entrou o "promissor" Ruben Ribeiro, um jogador ainda a tempo de desenvolver uma grande carreira desde que ela não envolva a ocupação de mais do que um metro quadrado de terreno por jogo; depois, demorou 80 minutos a fazer entrar um segundo avançado, como se a passagem de Bruno Fernandes para uma posição mais recuada, onde pusesse finalmente pegar na bola, não fosse ainda assim um mal menor face à anterior presença do costa-riquenho Ruiz; finalmente, já depois dos 90 minutos colocou em campo a "arma secreta" Wendel, certamente para queimar tempo e paciência (dos adeptos). Aliás, o brasileiro, é um artigo de luxo em Alvalade, pois cada minuto de sua utilização (6 no total) custou até agora a módica quantia de 1,45 milhões de euros. 

 

No geral, toda a equipa foi lenta a definir as jogadas, com Bryan Ruiz, Bas Dost e Acuña a alargarem os limites da expressão, mesmo quando sózinhos dentro da área adversária. Como se já não bastassem estes, JJ ainda colocou em campo RR7. Confesso que olhei variadíssimas vezes para o comando da minha "Box" para vêr se não tinha acidentalmente accionado o "slow-motion". Gelson lutou contra o monotonia e animou a nossa primeira meia-hora, apoiado aqui e ali por Bruno Fernandes, período em que o Sporting foi dominante mas sem aquela agressividade e combatividade que nos vinha caracterizando. Estranhamente, na segunda parte, praticamente só se deu pelo ala quando foi apanhado num fogo cruzado levando com a bola na cara. Nem assim terá despertado, ele que provavelmente ainda estará em transe com o guião ubíquo que Jorge Jesus, inspirado pela quadra pascal, lhe entregou e que consistia em estar em todo o lado ao mesmo tempo. Coates era o meu candidato a homem do jogo, mas o uruguaio está a vivenciar uma daquelas épocas em que a nódoa cai sempre no melhor pano e lá acabou por ter culpas no golo bracarense, pondo em jogo Raul Silva.

 

Vamos para o final do terceiro ano com Jorge Jesus e continuamos sem vencer o campeonato. Mas parece que vai ficar por cá. Ou porque ainda há quem acredite nele ou porque a sua cláusula de rescisão é cara, o mais certo é continuar. Como está na moda citar o tio-avô do nosso presidente eu diria que estarmos sequestrados pelo treinador é uma coisa que me chateia. De um Almirante para um General, sem medo, dá vontade de parafrasear o "obviamente demito-o"...

 

Abel ganhou e está de parabéns, mas perdeu definitivamente o meu respeito. Pode citar pais e avós e usar de falinhas mansas, mas o ressabiamento está lá e fica-lhe muito mal. O episódio com Fábio Coentrão foi simplesmente para lastimar. E mais não digo (e menos, seguramente, deveria ter dito) que a época é de paz. Para todos, uma Santa e Feliz Páscoa! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": os adeptos leoninos que se deslocaram à "Pedreira"

 

#savingprivateryan (*)

 

(*) inicio hoje uma campanha de sensibilização a favor da valorização de jogadores formados na Academia. Uns porque fazem falta ao actual plantel, outros porque a sua carreira está a ser travada por uma política de empréstimos desastrosa. Personifico em Ryan Gauld este sentimento e esta campanha (#savingprivateryan), a qual constará em rodapé em futuros "posts".

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Hoje giro eu - A Luz ao fundo do túnel

Em partida a contar para a Fase Final do campeonato nacional de andebol, o Sporting deslocou-se ao Pavilhão da Luz e derrotou o até aí 2º classificado por 29-24, reforçando assim a sua liderança. O Sporting, aliás, é o único clube só com vitórias nesta fase decisiva do campeonato. Temos agora mais 3 pontos que o FC Porto e mais 4 que o Benfica (a vitória vale 3 pontos, o empate 2 e a derrota 1). Faltam 8 jornadas.

 

P.S. entretanto, hoje em Vila do Conde, Francisco Geraldes “pintou a manta”...

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Hoje giro eu - Selecção: a ponta do iceberg do futebol luso

Portugal é campeão da europa de futebol e tem os melhores jogadores do mundo em futebol, futsal e futebol de praia. Factos destes deixam felizes os portugueses e, em particular, a Federação Portuguesa de Futebol, mas reflectirão o verdadeiro nível global do nosso futebol, e o seu peso social e económico, à escala europeia e mundial? 

 

Em contrapeso, Portugal ocupa a sétima posição no Ranking UEFA de clubes - onde só está representada a elite do futebol luso -  e tem vindo a descer, perdendo recentemente posições, primeiro para a França, depois para a Rússia, facto que nos custou já um lugar na Champions. Adicionalmente, um estudo da Associação das Ligas Europeias Profissionais coloca a nossa 1ª Liga apenas em 12º lugar no que respeita a média de assistências nos estádios, com um número médio de 11838 espectadores, onde só Benfica, Sporting, Porto e Vitória de Guimarães têm assistências superiores a esse valor. Por outro lado, no referido estudo apresentado em Janeiro deste ano, a nossa 2ª Liga encontra-se na 46ª posição (em 47 alvo do estudo), com médias de assistências inferiores a 1000 espectadores por jogo. Paralelamente, ontem soubemos que os árbitros principais e os árbitros auxiliares portugueses não estarão representados no Mundial de Selecções, não constando de um elenco que inclui 99 árbitros provenientes de 46 países.

 

Estamos perante uma enorme divergência de dados, onde se nota uma gradual perda de competitividade interna que parece estar mascarada pelas competências e experiência que os nossos principais futebolistas têm vindo a adquirir externamente e que têm contribuido para o sucesso internacional das nossas selecções.

 

Perante estas duas realidades paralelas, como podem as autoridades competentes ajudar a construir o novo edifício do futebol português? A ideia que me dá é que o nosso futebol necessita urgentemente de maior equidade entre as equipas (a negociação em bloco dos DireitosTV teria ajudado a isso), maior transparência (é só estar atento às televisões, jornais e blogues, faz falta um Código de ética que vincule todos os agentes desportivos), mais e melhor formação de árbitros, uma maior promoção do espectáculo desportivo e regras que garantam a defesa do jogador made-in Portugal e que assegurem a continuidade do trabalho feito na Formação. Em suma, uma muito melhor Organização, que dê resposta às alterações demográficas, sociais, culturais e económicas do meio envolvente, assegurada por verdadeiros decisores e estrategos que saibam pensar o futebol nas suas multiplas vertentes.

 

Eu noto muito pouco a ser feito ao nível das reformas que se impõem e, principalmente, não vejo acento tónico na assumpção de erros e na necessidade de mudança. Quem passa a vida a resistir à mudança, um dia acaba por ter de resistir à extinção. Têm a palavra a FPF/ Liga de Clubes/ APAF e outros agentes do fenómeno desportivo, sem esquecer o papel do governo e do poder judiciário, este último enquanto segunda derivada da garantia do cumprimento das regras, que deveria, em primeira mão, ser assegurado por Federação e Liga.

 

Hoje giro eu - Zero árbitros lusos no Mundial

O próximo Mundial de futebol não contará com quaisquer árbitros do país campeão europeu. Ao todo foram escolhidos 99 árbitros (36 principais e 63 assistentes), de 46 países diferentes. Outros países latinos, como Espanha, França ou Itália estarão representados. Relembro que, no Euro 2016, a nossa arbitragem também não tinha estado presente. Ironicamente, ou não, existe ainda a possibilidade de em Abril, após seminário da FIFA, vir a ser escolhido um árbitro luso para as funções de... vídeo-árbitro. VAR que foi implementado em Portugal após insistentes pedidos do presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho. Ele há coisas...

 

Esta ausência deveria merecer uma profunda reflexão da Federação Portuguesa de Futebol, da Liga de Clubes e, em especial, do Conselho de Arbitragem e dos próprios árbitros, entre outros agentes...

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