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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (32)

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«ALGUNS ESTÁGIOS DA EQUIPA NACIONAL DE FUTEBOL

 

Fui convocado vinte vezes para fazer parte da nossa Selecção Nacional de Futebol, facto que me deu tempo de sobejo para apreciar como se cuidava da preparação da nossa equipa, com vista aos jogos internacionais.

Nomeado o seleccionador, eram-lhe prometidas todas as facilidades de modo a cumprir-se o plano de trabalhos estabelecido. Porém, escolhidos e convocados os jogadores para iniciarem os treinos de conjunto, surgiam as primeiras dificuldades: alguns dos jogadores, alegando razões de vária ordem, não compareciam, e outras vezes eram os próprios clubes a não os dispensarem, receosos de que os rapazes se aleijassem ou, mesmo, para não quebrarem o ritmo de preparação e treino da equipa do clube. E se compareciam à “chamada”, antes disso eram aconselhados a não se empregarem a “fundo” a fim de evitarem qualquer lesão…

Por tudo isto e, ainda, por outros motivos que me dispenso de referir, as sessões de treino da Selecção Nacional eram efectuadas utilizando meia dúzia (?) de jogadores tidos como “indiscutíveis”, de mistura com suplentes e, não raras vezes, para se formar equipa, recorria-se a elementos do chamado “grupo treinador”.

Decorridas umas escassas semanas de treinos quase todos realizados neste jeito, a equipa nacional seguia para o estágio, que tanto importava ser num magnífico hotel do Estoril ou Sintra, como na Colónia de Férias do Pessoal das Companhias Reunidas Gás e Electricidade, na Venda do Pinheiro.

Tantas vezes fiz parte da Selecção Nacional que, afastado dela há meia dúzia de anos, não experimento a mínima dificuldade em descrever o regime seguido nesses estágios, no respeitante às sessões de preparação física, treinos de futebol, alimentação, alojamento, etc. Com ligeiras alterações de ano para ano, o programa era mais ou menos este:

Das 8 às 9 - Ginástica;

Das 9,30 às 11,30 - Passeio - marcha (footing);

Das 12 às 13, aproximadamente - Almoço;

Das 13,30 às 15,30 - Descanso;

Às 15,30 - Passeio - marcha;

As 19 - Jantar

Das 22,30 às 23 horas - Recolher (deitar e silêncio…)

E cumpria-se? - perguntará o leitor. Eu conto: nos dias de treino de conjunto, a ginástica fazia-se no próprio campo de jogo, e porque não estavam presentes todos os componentes da equipa, impossível se tornava ensaiar esquemas de jogo-de resto o grupo representativo do nosso futebol ainda não estava escolhido e entrava-se naquilo a que eu chamava “o vira da Selecção”: trocava-se o extremo direito pelo esquerdo, substituia-se agora um médio, o defesa central passava depois para a ala direita, o interior esquerdo passava para extremo por troca com um “provável”, o defesa direito “virava” para a esquerda e, terminado este magnífico treino de conjunto, “virávamos” todos para o balneário, sendo a última volta do vira dada no sentido do hotel, porque o treino havia “puxado a reacção” para o almoço e a rapaziada tinha um apetite devorador… Após o almoço, os seleccionados descansavam; das 15,30 às 19 horas davam um passeio a pé e o regresso coincidia com a hora do jantar.

Recordando os bons tempos passados, vejamos qual a constituição normal das refeições, ou melhor, qual o regime alimentar e como se comportava e o que fazia a rapaziada durante as horas… vagas.

Por estar mais vivo na memória, tomarei por exemplo o que se passava na Venda do Pinheiro, onde o Pedro - excelente rapaz e óptimo mestre de cozinha - nos deliciava com os mais saborosos e bem apresentados manjares.

Esquema do horário de trabalho, refeições e sua composição

 

8 horas da manhã; - quadradinhos de chocolate e… uma hora de corta-mato, no decorrer do qual fazíamos alguns exercícios de ginástica. A seguir, quem achava conveniente fazia a barba e tomava um duche, mas também se podia lavar simplesmente a cara e ficar prontinho para o pequeno almoço, constituído por café com leite, pão com manteiga, compota, fruta ou sumo de laranja e, se o “cliente” quisesse, podia (em vez de tudo isto ou depois de tudo isto) pedir umas fatias de carne assada ou fiambre…

Depois do pequeno almoço, organizava-se um torneio de basquetebol ou voleibol entre equipas formadas, geralmente, por elementos do Sporting, Benfica e Belenenses. Os jogadores dos outros clubes, por serem em número reduzido, não chegavam para formar conjuntos, ficando como suplentes às outras equipas e, os restantes, enquanto duas turmas disputavam o renhido jogo, ora faziam “claque*’, ora contavam anedotas brejeiras para fazer rir os mais sizudos ou, alheando-se dos jogos, passeavam, pacatamente, pelas redondezas do edifício. A paródia acabava pouco antes do meio dia, para dar tempo aos preguiçosos que ainda não tinham feito a barba e, aos outros, para lavarem as mãos.

O almoço constava, invariavelmente, de:

Peixe: assado, frito ou cozido, acompanhado de batatas ou saladas de alface, tomate, etc. Às vezes surgia a riquíssima “bacalhoada com todos”;

Carne: bifes com batatas fritas, carne guisada com batatas ou assada, ou de qualquer outra maneira - ao gosto, talvez, do nosso Pedro, e que bom gosto ele tinha!!!

Como sobremesa, salvo erro, queijo, frutas várias e, por vezes, doce. Seguidamente, um cafezinho que, ou era servido - se assim se desejasse - na sala de jantar ou, então, a rapaziada ia ao café da terra tomá-lo. Depois, cada qual fazia o que lhe desse na real gana. Uns dormiam uma soneca, outros ouviam telefonia; havia um que “arranhava” umas coisitas no piano, jogava-se o loto e, às vezes, muito às escondidas - com uma sentinela a espreitar, não viesse alguém que proibisse e castigasse - jogavam o burro americano a “feijões sonantes” ou “papéis verdes de vintes”…

As 15,30 íamos para o pinhal e, logo que podíamos, sentávamo-nos à sombra das árvores e fazíamos… crítica! Ali é que era ouvir dizer mal - e bem… pudera não! - do regime dos estágios, de alguns dirigentes do futebol, dos males de que sofria - e infelizmente ainda sofre - o nosso desporto favorito e, como diria um espanhol, “de outras cosas más... Fervilhavam anedotas, trocávamos impressões sobre jogos passados e os futuros, recordávamos os marotos dos árbitros e chegávamos quase sempre à conclusão de que todos os jogos perdidos se deviam às más actuações dos homens do apito!!!

Se do passeio voltávamos relativamente cedo, ainda havia quem, antes do jantar, bebesse um sumo de laranja, comesse uma ou duas bananas, ou então, numa visita à cozinha, o bom Pedro sempre arranjava uma “sandwich” de qualquer coisa boa e apetitosa. Entretanto, o relógio marcava as 19,30. Ao jantar tínhamos sopa, um prato de peixe e outro de carne, frutas e doce. Mas se alguém não tivesse gostado do peixe ou da carne, arranjava-se outra coisa. Ovos? Uma “tortilha”? Ordem para a cozinha e o Pedro executava-a sempre de bom grado, prontamente. Quanto ao vinho, servia-se em garrafinhas individuais de três decilitros, mas porque uns bebiam pouco ou nada, os outros - alguns, claro - aproveitavam os restos e ainda as garrafinhas dos jogadores que, por qualquer motivo, faltavam às refeições. Entenda-se, no entanto, que não se exagerava na bebida. Depois do jantar, uma nova visita ao café, tomava-se uma “bica”, acompanhada de uma bebida mais forte - por estarem habituados a isso - jogava-se uma partidinha de bilhar e… vamos embora porque já são dez e meia. Às 11 horas, mais ou menos, a rapaziada entrava nas camaratas, não para dormir porque ainda era cedo - lá em casa deitavam-se mais tarde… -e havia muito que fazer… Por exemplo: endireitar a cama, que aparecera posta ao contrário; fazê-la de novo porque o lençol estava à “espanhola”, ou colocar os ferros no seu lugar para não darmos um trambulhão, pois a cama estava posta em “sentido” !!! Aos que tinham a infelicidade de adormecer rapidamente, pintavam-se-lhe façanhudos bigodes. Aí por volta das onze e meia, estando já alguns rapazes com apetite, enviava-se um emissário ao amigo Pedro, e lá vinham umas “ Sandwiches” de carne assada (segundo se afirmava, alguns rapazes, lá em casa, estavam habituados à ceia).

Na camarata dos “sportinguistas”, o Jesus Correia era o “apaga a luz”, porque o interruptor estava junto da sua cama. Aí por volta da meia noite o Necas fazia funcionar o aparelho por ordem do nosso “capitão de equipa”, e à excepção de um travesseiro vindo do “exterior” ou do “interior” que atravessava, pelo ar, a escuridão do quarto para cair em cima de um pacato futebolista, o “resto era silêncio”…;

Passou-se um dia na Venda do Pinheiro; no outro…”vira o 'disco e toca a mesma”- como por lá se dizia!

É verdade que nem todos os estágios decorreram do mesmo modo, não sendo minha intenção criticar agora o que se fazia há meia dúzia de anos. Tudo isto serve apenas para ilustrar a minha discordância com alguns estágios da Selecção Nacional - tal como se faziam no meu tempo, não lhe encontrando outro benefício que não fosse o de permitirem a cura de mazelas físicas, o que, diga-se desde já, era muito pouco… E por não concordar com eles, fui alvo dos mais desencontrados comentários, alguns mais picantes e salgados do que os suculentos cozinhados confeccionados pelo Mestre Pedro!

A minha ausência causava engulhos não só a alguns jogadores como, também, a uns tantos dirigentes e ao público que, por ser o “Zé Pagante” dos campos da bola, se julgava no direito de criticar os meus actos, aliás sem curar de saber dos motivos do meu procedimento. Claro que os colegas, dirigentes e alguns adeptos do futebol que, directamente, me falavam no caso, ficavam completamente esclarecidos e, no geral, acabavam por me dar razão.

O pomo da discórdia resumia-se nisto: “Pois se os outros seleccionados vão para o estágio, porque não havia de ir eu?” Diziam-me em tom de conselho ou censura: “Não vês que a tua atitude pode não ser compreendida pela grande maioria dos teus companheiros de equipa e daí resultarem desentendimentos entre vocês todos? E se todos procedessem como tu, o que sucederia?”. E foi exactamente por pensar nos efeitos da reação de alguns colegas, que estive quase um mês num hotel do Estoril - um mês de almoços e jantares opíparos, porque o resto do dia era absorvido, em Lisboa, pelos meus afazeres verdadeiramente profissionais-eu e outros companheiros de equipa. Foi, ainda, pela mesma razão que estive vários dias na Venda do Pinheiro - duma vez quinze dias seguidos. De resto, ia para estágio à quarta ou quinta-feira, para “acamaradar” com a rapaziada, fazer ambiente e regressava à segunda-feira.

Se, naquele tempo, pudesse responder clara e publicamente à observação-censura…”e se todos procedessem como tu, o que aconteceria?” - responderia apenas isto: era o melhor que poderia suceder à equipa! Explico porquê: em minha modesta opinião que, claro está, poderá não ser a melhor e mais acertada, tal como decorriam alguns estágios da Selecção Nacional de Futebol, eram prejudiciais aos jogadores e, consequentemente, à equipa nacional. Seguia-se uma orientação a todos os títulos inadequada, imprópria e, por vezes, até condenável, nos capítulos da higiene alimentar e preparação atlética, independentemente de ocorrerem outros factores não menos condenáveis e que, por razoes bem compreensíveis, não desejo relembrar.

Apresentava-se como razão fundamental dessas concentrações da equipa nacional a necessidade de submeter os jogadores a uma raciona] e cuidada preparação físico-atlética, por se entender, talvez, que nos seus clubes os jogadores não eram rodeados dos cuidados indispensáveis. Mesmo que assim fosse, era lógico pensar-se que chegariam quinze ou vinte dias de estágio para se conseguir tão almejado e útil fim? Em meu entender, não. E para melhor se preparar a equipa nacional, seria benéfico sujeitar os jogadores, durante quinze ou vinte dias, a um regime de treinos inteiramente diferente daquele que lhes era imposto nos seus clubes? Creio também que não. Mesmo que os responsáveis pela preparação da equipa nacional considerassem enfermiça, defeituosa ou insuficiente a preparação dos jogadores nos seus respectivos clubes, seria aconselhável aumentar, intensificar, forçar a preparação atlética dos seleccionados nos quinze dias que durava o estágio e antecediam a realização de um jogo de futebol com a responsabilidade de um encontro internacional? Salvo melhor e mais abalizada opinião, eu discordo! Se pelo contrário, nos seus clubes os jogadores estivessem sujeitos a preparação considerada violenta - o que, na verdade, não se verificava - seria aconselhável fazê-la baixar, repentinamente, no curto prazo de quinze ou vinte dias? Creio que não. A indiscriminada higiene alimentar, a sobrecarga nesses quinze dias, não seria propícia a desequilíbrio orgânico, más digestões, aumento ou diminuição de peso - por vezes inconvenientes? Creio que sim.

Todos nós sabemos o que nos acontece quando, uma vez por outra, vamos jantar fora, num hotel ou restaurante. A mudança de ambiente, a profusão de luzes, o movimento, os pratinhos com rolinhos de manteiga espalhados sobre a mesa, a convidativa apresentação das travessas onde nos é servido o peixe ou a carne, a gentileza dos criados, tudo, enfim, contribui para que nessa noite de paródia se coma e beba mais do que é normal. Aos rapazes escolhidos para constituírem a Selecção Nacional de Futebol, acontecia a mesma coisa, quando entravam em estágio.

Ninguém se convence, nem eu quero insinuar, que os rapazes, só pelo facto de haver muito e bom, apanhavam indigestões ou bebiam em demasia. Nada disso, entenda-se. Apenas se passava com eles aquilo que acontece a qualquer cidadão pacífico que, uma ou outra vez, muda de ambiente, janta ou almoça fora de casa e, mercê de variadíssimos factores concorrentes, ultrapassa a bitola normal.

Do que não me restam dúvidas - sendo este o meu ponto discordante - é que o conjunto de circunstâncias verificado nos estágios, alterava, repentinamente, os hábitos dos jogadores, facto que, quanto a mim, não gerava benefícios. Quase se pode dizer que quando o indivíduo começava a aclimatar-se ao novo regime, quer dizer, quando desapareciam os efeitos do período transitório, realizava-se o jogo e findava o estágio. Claro que em quinze ou vinte dias muito pouca coisa útil se pode fazer e alguma coisa se fez nalguns períodos de estágio - mas, na maioria deles, a “mecha não dava para o cebo”…

Na realidade, os seleccionados disfrutavam, roesse lapso de tempo, de comodidades excepcionais, vivendo quinze dias como se lhes tivesse saído a sorte grande. Dispor de quarto com casa de banho anexa; descansar após o almoço, comodamente sentado num confortável “maple” de hotel de primeira classe, situado na maravilhosa Costa do Sol; gozar de mesa farta e, por fim, tomar o café no “hall” do hotel, servido por criados fardados, tudo isto, na nossa terra, constitui luxo dispensável, sobretudo para se atingir o fim em vista, com o estágio de atletas. É que a brusca transição prejudica em vez de beneficiar. Admite-se, porém, que aos jogadores fossem oferecidas todas essas comodidades, sobretudo no tocante a alojamentos: bom quarto e boa cama. Contudo, embora muitos jogadores saibam cuidar de si próprios relativamente à higiene alimentar, esse importante pormenor não pode, nem deve, deixar-se ao critério do atleta. Porquê? Não vejo necessidade de repetir algumas passagens do que atrás deixei escrito.

Ora, eu evitei sempre desfrutar de tantas comodidades. Preferi manter a disciplina, a regra, o método que a mim próprio impus, no meu modesto lar, durante todo o tempo em que pratiquei desporto, e confesso não estar arrependido ainda hoje.

Fui censurado e a minha atitude comentada em vários tons. Afinal, de que lado estava a razão?

Também, enquanto joguei futebol, fugi sempre dos “banquetes” logo após o jogo entre as duas equipas. Tal facto, claro, como não podia deixar de ser, deu ocasião aos mais desencontrados e azedos comentários… E por que não gostava eu de assistir a tais festanças? Di-lo-ei em poucas palavras: depois de hora e meia de esforço físico, de tanta emoção, de tanto desgaste de nervos, não me parecia aconselhável sentar-me a uma mesa e vá de comer uma sopa de camarão, uns filetes de pescada com molho de “mayonaise”, escalopes de vitela com batatas salpicadas, muito bem temperadinhos, etc., tudo isto regado a bom vinho. Depois café e conhaque; aos brindes, espumante, licores e outras bebidas que tais…

Não, amigos. Depois dos jogos… o melhor será uma refeição cuidada, higiénica, em nossa casa, em sossego, em ambiente limpo do fumo de bons cigarros e óptimos charutos…

É certo - e já o afirmei - que o jogador deve saber cuidar de si, pelo que, nos “banquetes de confraternização”, deveria limitar-se a comer pouco e beber pouco também, ou, mesmo, nada. Creio que isso seria tarefa algo difícil. É que sempre aparece quem nos convide a brindar pela Suíça - se o jogo foi com os helvéticos e… um “Arriba Espana” é inevitável… O melhor é não ir lá…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). p 203 - 2011

Memórias de Peyroteo (31)

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«PORTUGAL - ESPANHA

Portugal, 1 - Espanha, 1

Estádio Nacional 20-3-49

 

Equipa Portuguesa: - Barrigana; Virgílio, Felix e Serafim; Canário e Francisco Ferreira; J. Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

 

No Jornal “A Bola” de 21-3-49, acerca deste Portugal - Espanha, Ribeiro dos Reis escreveu o seguinte:

“O encontro de ontem no Estádio Nacional foi um autêntico jogo de “Taça” a eliminar, em que a vitória se busca por todos os processos, legais ou ilegais, aceitáveis ou condenáveis. Houve de tudo: a entrada violenta ou com o pé ao alto para magoar; a agressão clara a pontapé, depois da bola já passada: “queimar” tempo com bolas para fora do rectângulo, provocar a demora na execução dos castigos, não se colocando à distância regulamentar; ficar estendido no rectângulo, a simular acidente grave, para gastar tempo ou enganar o árbitro sobretudo em lances desenrolados na área de grande penalidade. Houve, até, descortesias, perfeitamente dispensáveis quando dos lançamentos da linha lateral. Em ambiente desta natureza, não é possível jogar bem”.

Não me parece necessário acrescentar muita coisa - ou mesmo nada - ao comentário do distinto jornalista Ribeiro dos Reis e meu prezado amigo. Em poucas palavras ficou tudo dito. Sim, porque dum jogo em que impera a maldade e a descortesia, apenas se deveria exigir uma derrota para cada equipa.

Enfim, um encontro para esquecer !!!

Fui eu o autor do golo do “team” Nacional. De resto… nada mais fiz digno de registo neste Portugal - Espanha de péssima recordação … E como foi este o meu último jogo internacional, não poderei dizer que fechei com “chave de ouro” a minha carreira na equipa das “cinco quinas”…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). p 203

Manifestação

[IMAGEM  A Bola]

(anedota)

Após o anúncio de expulsão de sócio de Bruno de Carvalho de sócio, uma multidão, de 75 pessoas, manifestou-se durante o jogo, em que o Sporting defrontava o Portimonense, a exigir a demissão do presidente Frederico Varandas, a realização de eleições assim como a implementação de um voto por sócio.

13 segundos…

nesta entrevista:

 

«(...)

Fernando Alvim: Bruno, quem é que tramou Bruno Carvalho?

Bruno Carvalho: Isso parece um bocado anos ‘80…

Xana Alves: Pergunta para um milhão de euros…

Bruno de Carvalho: …quem tramou Roger Rabbit!

Xana Alves: … quem tramou Bruno Carvalho?

Bruno Carvalho: O Bruno de Carvalho!

Fernando Alvim: O Bruno de Carvalho?

Bruno de Carvalho: Óbvio!

(...)»

 

Ontem na Prova Oral, na Antena 3, entre o minuto 3:20 e 3:33.

Obrigado Nani…

… também por isto:

«William Carvalho revelou que Nani foi determinante para o seu ingresso no Sporting há nove anos, quando ainda jogava no Mira Sintra. O internacional luso-angolano despertou a atenção dos olheiros do Sporting em 2005, quando ainda representava o Mira Sintra, e em declarações aos órgãos oficiais da Liga dos Campeões.

"Comecei no Mira Sintra e com 13 anos fiz um jogo contra o Sporting. Fui chamado e nem hesitei. Sou do Sporting, sempre fui e o meu pai também. A possibilidade de integrar a equipa principal era muito grande e aceitei logo", começou por recordar William Carvalho.

"É uma história engraçada. Quando vim para o Sporting falei com o Aurélio Pereira e ele passou o telefone ao Nani, que já estava na equipa A. Contou-me o que passou para chegar à equipa principal e que o Sporting apostava na formação. Sendo do Sporting, tinha no Nani e no Veloso jogadores que admirava", acrescentou William Carvalho.»

"... uma lamentável ideia de intocabilidade..."

«Apaguem a Luz e fechem o estádio

Vítor Serpa (Editorial)

Benfica foi condenado, pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, a quatro jogos de interdição e ainda ao pagamento de uma multa de 28 mil euros. Se tivermos em vista a proposta apresentada pela Comissão de Instrução da Liga, que previa uma interdição que poderia ir até 21 jogos, foi uma pena suave ou, se acompanharmos a época, foi uma pena de saldo.

O crime assinalado diz respeito a sete jogos, há cerca de dois anos, onde o Benfica teria sido apoiado, no Estádio da Luz, por claques organizadas e que o Benfica não reconhece como oficiais, mas a Comissão de Instrução, depois de uma fase em que propôs o arquivamento, veio a encontrar, não provas, mas «suficientes indícios».

A primeira questão que deve ser observada é que o Benfica tem vindo, há anos, a correr riscos despropositados e que só se justificam por uma lamentável ideia de intocabilidade na autodenominada instituição. E essa atitude deve ser profundamente criticada. Mesmo que pense ter a razão jurídica do seu lado, o desafio permanente e as dificuldades em que coloca o sistema disciplinar do futebol e até o sistema político é injustificado.

A segunda e também essencial questão é que nenhum sistema disciplinar desportivo pode vir a pedir uma condenação brutal em razão de jogos que se realizaram há dois anos.

A terceira e definitiva questão, que também será de óbvia importância, é que tendo por certo que, nestes últimos dois anos, nada se alterou na Luz, em relação ao apoio das claques nos jogos do Benfica, o caminho iniciado levaria ao absurdo de uma interdição definitiva. Está o CD da FPF disposto a tal?»

 

In. A Bola, n.º 16478, de 14 de Fevereiro de 2019

Somos diferentes...

Confesso que não vi o jogo, ontem era impossível eu ver jogo algum. Tinha a expectativa de, à posteriori, o rever, porém não o fiz. Sei o resultado e chega para não querer saber mais nada sobre ele. Não sei as ocorrências nem tão pouco quem marcou os golos. Não sei nada, nem quero saber, aliás, sei que perdemos!

 

Sim, perdemos! Mas ganhámos, pois dentro da nossa tristeza, sinto um enorme orgulho em ler os vários textos que aqui foram escritos.

 

Somos diferentes!

Dualidades...

Não houve um jogo, esta temporada, em Alvalade, em que foi marcada uma grande penalidade contra o Sporting num lance parecido com aquele que aconteceu com o jogador do F C Porto, Herrera?

Qual foi esse jogo?

Tenho ideia que foi com o Nacional...

 

Não questiono se é penalty ou não, acho que não, mas se foi marcado ao Sporting porque não foi este?

Memórias de Peyroteo (30)

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PORTUGAL - ESPANHA

Estádio Nacional 11-3-94

Resultado: 2-2

 

A 11 de Março de 1945, fiz o meu segundo jogo contra a Espanha e o sétimo na ordem cronológica de internacionalizações. Novamente empatámos a duas bolas mas, desta vez, não houve dúvidas e registou-se, justamente, que fui eu o autor dos dois golos da equipa portuguesa.

Este jogo Portugal - Espanha seria o primeiro encontro internacional a disputar no nosso magnífico Estádio Nacional e, como sempre, a população dos dois países viveu mais um grande acontecimento desportivo. Duas semanas antes do desafio já não havia bilhetes e os próprios jogadores se viram embaraçados para conseguir satisfazer as “encomendas” dos amigos. Para servir pessoas amigas que não acreditariam na minha impossibilidade de arranjar bilhetes, fui obrigado a socorrer-me de um contratador “amigo” que, por muito favor, me vendeu duas bancadas a cem escudos cada uma!…

O mesmo entusiasmo e espectativa dominavam os adeptos do futebol.

A nossa selecção perdeu uma boa oportunidade de ganhar à Espanha porque, desta vez, realmente, os espanhóis' nos enviaram uma equipa de fracos recursos, embora no país vizinho se dissesse que ela estava em óptimas condições, composta por elementos de classe e categoria comparáveis aos grandes Zamora, Langara, Regueiro, Quincoces, etc. Viriam a Lisboa jogadores capazes de realizar uma exibição demonstrativa do incontestável valor do futebol espanhol. Felizmente para nós tais afirmações não correspondiam à verdade, e digo felizmente porque, se assim fosse, teríamos sofrido uma das maiores derrotas. A nossa equipa não estava convenientemente preparada, bastando di2er que, em quase três meses de pseudo-preparação, nem uma só vez fizemos um treino no qual tivessem tomado parte os jogadores que defrontaram os espanhóis! E isto mais por culpa dos clubes a que pertenciam os jogadores convocados, do que por culpa do seleccionador. Assim foi e assim continua a ser. Mas adiante.

Empatámos um jogo que poderíamos ter ganho. Os espanhóis, jogando a medo, chegaram a estar a ganhar por 2-0! Calcule-se, pois, o que nós valíamos!!! Depois, mais pontapé, menos pontapé, mais corrida, menos corrida, lá conseguimos empatar… ,

Para alguns, joguei mal mas… fiz os dois golos da nossa equipa, cabendo-me ainda a sorte - que se transformou em glória inapagável dos anais do futebol português - de marcar o primeiro golo contra estrangeiros no Estádio Nacional.

Não quero alongar-me em considerações acerca da forma como a nossa equipa foi preparada para este jogo, já porque o tempo decorrido lhe fez perder o interesse, como também porque, referindo tudo em seus pormenores, teria de escrever um livro só para recordar os meus vinte jogos internacionais. Darei a vez aos jornalistas, transcrevendo o que alguns deles escreveram a meu respeito, a propósito do XV Portugal - Espanha em futebol:

 

Diário de Lisboa de 11-3-45:

“O avançado-centro com uma “cabeça” magistral fez o “goal”, o mais lindo “goal” da tarde. Uma ovação espantosa premeia o lance”

E mais adiante:

…”O avançado-centro leonino, num remate estupendo, conse guiu o 2,° golo e, com ele, o empate, sem quê a estirada de Eiza' guirre salve a situação.”

O jornal “O Século”, pela pena do seu redactor desportivo, ofereceu aos leitores o balanço dos meus sete jogos internacionais começando por escrever em título:

Sele jogos internacionais com oilo golos é o aclivo do popular avançado-centro Peyroteo, que neles foi o único português a marcar

“Fernando Peyroteo, avançado-centro do Sporting, autor das duas bolas marcadas no XV Portugal - Espanha é, hoje, sem dúvida alguma, o jogador verdadeiramente indispensável à equipa nacional. Sobre este assunto, não há a menor discordância nos meios futebolísticos.

É o avançado-centro ideal, no jogo moderno, em que a primeira missão ou mais alta qualidade a exigir do eixo do ataque é a de ter um grande poder de realização na zona de remate,

“Avançado-centro atlético, duro, combativo, com espírito de sacrifício para o choque insistente com os defesas e, sobre tudo isto, marcador de bolas, é, na verdade, uma exigência do futebol moderno, em todos os países. Zarra, Mundo, Campanal, Langara e outros grandes jogadores valorizaram-se por essas características. Em Portugal porém, depois de dois avançados-centro estilistas, de grande nomeada, Vítor Silva e Espírito Santo, apareceu um avançado-centro de tipo moderno, - verdadeira máquina de marcar bolas. E não tem sido pequena a sua tarefa na equipa do Sporting-e sobretudo na equipa de Portugal. Sem Peyroteo, tanto aquele clube como a equipa nacional perdem, com qualquer formação, sessenta a oitenta por cento do seu poder de ataque, a despeito de, hoje, ser lugar comum, em todas as equipas contrárias, este conceito: é preciso anular Peyroteo se queremos vencer…

“Realmente, tanto nos jogos de clube, como nos jogos internacionais, a preocupação dominante está em “marcá-io” estreitamente, de modo a evitar que ele consiga atirar à baliza. Nos jogos recentes, com o Atlético Aviación e com a equipa de Espanha, foi visível que o popular avançado-centro jogou sempre com “sentinela à vista” I Por vezes, a barreira de oposição era formada por dois ou três adversários. E isto, compreende-se bem, dificulta em extremo a sua missão, donde não ser difícil concluir-se, quando não marca, que nesse dia, Peyroteo se apagou um pouco… Mas, isso, nada tém de extraordinário. Aquilo que afinal surpreende é que, apesar de tão vigiado, de tão marcado e, às vezes, tão mal tratado pelos adversários, ele consiga ainda marcar tão elevado número de bolas.

“Anteontem foi autor dos dois pontos da equipa portuguesa - as duas bolas que fizeram o resultado. Mas a sua colaboração à equipa nacional espelha-se melhor nos sete jogos internacionais em que tomou parte.

A sua estreia de internacional realizou-se em Frankfurt, no jogo com a Alemanha, em que se empatou a uma bola - marcada por Fernando Peyroteo, Na semana seguinte, jogou-se em Milão o Suíça-Portugal, para o Campeonato do Mundo, em que se perdeu por 2-1 -sendo ele o marcador da única bola dos portugueses. No Portugal - França, em Paris, venceram os franceses por 3-2 - sendo as duas bolas marcadas por ele. Nos dois últimos Portugal - Espanha em que se empatou por 2-2, no domingo, e em 1941, das duas vezes foi ainda Peyroteo o único marcador. Dos sete jogos contra a Suíça - em Lausana e em Lisboa, - não marcou uma única vez, devendo, ainda, estar lembrada a severa marcação de que ele foi alvo por parte do famoso Minelli.

“Peyroteo é, assim, a pequena máquina de marcar bolas para o Sporting - e para a equipa nacional. Mas esta qualidade está ainda valorizada pela circunstância deste jogador nunca recorrer ao jogo violento ou irregular para marcar, É, ao mesmo tempo, um jogador correctíssimo e, tanto, assim que, há anos, recebeu o prémio da sua correcção desportiva, tendo sido enviado pelo “Século” a Londres para assistir ao maior espectáculo futebolístico do Mundo: a final da Taça de Inglaterra. Os desportistas portugueses, nessa altura, prestaram homenagem ao seu espírito desportivo, elegendo-o como <o jogador mais digno do magnífico prémio que este jornal instituiu para premiar o culto da ética desportiva. E agora, não há motivo algum para se dizer que ele não tem conservado as mesmas .excelentes qualidades desportivas.

“Peyroteo, em verdade, é um bom desportista e um magnífico avançado-centro, como já tivemos ocasião de verificar no jogo de anteontem.”

Penso que esta interessante resenha se deve a um grande mestre de futebol, cujo nome é de todos nós bem conhecido e que, ao tempo, tinha a seu cargo a secção desportiva do grande jornal O “Século”. Mas o mestre, falível como todos os homens, enganou-se ao afirmar que fui eu o marcador do golo português no nosso jogo contra a Alemanha, em Frankfurt; na verdade, esse golo foi marcado pelo Pinga. Tais enganos acontecem sem maldade, e por eles não vem mal ao Mundo!…

 

Cerca de dois meses depois deste jogo no nosso magnífico Estádio Nacional, seguimos para Espanha a fim de disputarmos novo prélio a 6 de Maio de 1945.

Não conhecia a cidade de La Coruna nem podia supor que o povo dessa linda terra era tão acolhedor, tão amigo dos portugueses e tão hospitaleiro. Os futebolistas que compunham a equipa nacional, atendendo à sua popularidade, foram alvo de carinhosas manifestações dé simpatia, mas o povo de La Coruna envolveu, no mesmo fraterno abraço, todos quantos acompanharam os nossos jogadores,

La Coruna estava em festa! Houve feira e touradas, nas quais tomaram parte os maiores matadores de Espanha. Respirava-se alegria, boa disposição, felicidade, Que boa gente, que bons amigos foram ali encontrar os portugueses nesta digressão por terras de Cervantes! Jamais a esquecerei, por tantas amabilidades e gentilezas que recebemos. Não me faltasse o espaço e muito teria de recordar, mas a finalidade deste livro é a de falar em futebol…

Perdemos por 4-2 o XVIII Portugal - Espanha em futebol.

A nossa equipa poderia ter vencido o encontro? É verdade que sim. Mas se o resultado nos tivesse sido favorável, seria lógico acreditar na nossa superioridade futebolística? Não e não! O futebol espanhol foi sempre e continua a ser superior ao nosso, e o facto de, neste jogo, as coisas poderem ter sido, talvez, resolvidas a nosso favor nos primeiros trinta minutos, em que os portugueses, jogando bem, perderam algumas ocasiões de fazer golos e, mesmo, depois do intervalo, quando o. marcador acusava 2-1 e F. Ferreira não transformou uma grande penalidade que nos daria o empate, tudo isso não chega para negar a incontestável superioridade dos nossos adversários.

Daqui não há que fugir: os espanhóis cedo compreenderam que o profissionalismo é indispensável ao progresso do jogo; sem jogadores inteiramente profissionais - orientados, claro está, por orgânica futebolística capaz - o futebol não passará de uma brincadeira de rapazes mais ou menos jeitosos para darem pontapés na bola. O problema- no país vizinho - foi encarado a sério e os resultados surgiram naturalmente - nem podia ser doutra maneira. Pena foi, porém, que na ilusão de que os modernos processos de jogo destruiriam a tradicional “fúria espanhola”, os técnicos espanhóis não tivessem acompanhado os progressos da táctica do jogo. Erro incompreensível e que Jevou a equipa nacional espanhola a sofrer tremendos desaires…

Por cá, a quando da realização do XVIII Portugal - Espanha, que jogámos na Corunha em 6 de Maio de 1945, continuava a pensar-se, como num sonho, que a guerra civil havia destruído o futebol espanhol e dava-se, como amostra, a fraca exibição da equipa que defrontámos dois meses antes no Estádio Nacional!!

Depois do jogo, vá de nos lembrarmos dos remates a razar a trave ou a bater nela, as defesas de sorte do guardião espanhol, uma grande penalidade que se perdeu e mais algumas que o maroto do árbitro não marcou, etc., etc… O costume… Quando, afinal, perdemos em La Coruna porque a equipa adversária nos foi superior e porque o futebol do País que defrontámos era e é - não tenhamos dúvidas nem ilusões! - melhor do que o nosso.

No que respeita à minha exibição nesse jogo, limito-me a dizer que, mais uma vez, fui o autor dos dois golos da equipa nacional portuguesa, e a transcrever parte de um artigo escrito por Cândido de Oliveira:

- “…Quem esteve na Corunha pôde confrontar, durante os 90 minutos, a classe dos cinco avançados espanhóis e dos cinco avançados portugueses e concluir: a diferença é flagrantemente favorável aos espanhóis. Peyroteo é, entre os portugueses, o único que pode ombrear com os espanhóis; os restantes, não”.

Javier Barroso, presidente da Federação Espanhola, afirmou: “Peyroteo simplesmente espantoso!” (Revista “Stadium”)

 

Portugal, 4 - Espanha, 1

 

Pela primeira vez na história do futebol dos dois países, Portugal venceu a Espanha ein jogo oficial por 4-1, em Lisboa, no dia 26 de Janeiro de 1947.

É certo que em encontros anteriores, o nosso grupo representativo poderia ter batido o da Espanha, mormente nos dois jogos realizados em Lisboa, empatados a duas bolas e, mais recentemente, no que se disputou na linda cidade de La Coruna, do qual os espanhóis sairam vencedores por 4-2. Mas, se de qualquer desses encontros a nossa equipa tivesse saído vencedora, não seria acertado atribuir a vitória à maior valia do futebol lusitano em confronto com o espanhol. Os nossos adversários apresentaram-se nesses encontros melhor preparados física e tecnicamente do que a grande maioria dos jogadores portugueses, e já me referi às razões que justificaram essa superioridade. Apenas num só ponto os portugueses deram clara indicação de supremacia: na táctica do jogo.

As equipas espanholas utilizaram processos tácticos antiquados, semelhantes aos que quase todas as equipas do Mundo adoptaram antes do advento do WM, apenas com a “variante” de fazerem recuar o médio centro e um médio lateral, entregando-se ambos à permanente vigilância ao avançado-centro português; no respeitante à tarefa imposta aos restantes componentes da equipa, o sistema táctico assentava em processos que o moderno WM destronara. Quer dizer: enquanto os médios, interiores e extremos espanhóis sofriam as consequências de uma marcação cerrada, imposta pelos modernos sistemas tácticos - quando se defende a própria baliza, claro está - os nossos interiores, alternadamente, os médios e extremos gozavam de relativa liberdade, o que, evidentemente, causava dificuldades à equipa espanhola. Só a comprovada inferioridade técnica e atlética de grande parte dos nossos jogadores em relação à dos espanhóis impediu a derrota destes.

Poderá agora objectar-se que, tendo as nossas equipas beneficiado de certa liberdade de movimentos, mercê das deficiências tác- ticas dos nossos adversários, não_ seria ilógico pensar-se e admitir-se a vitória da equipa portuguesa! É exacto; e por isso mesmo já disse que poderíamos ter ganho alguns dos jogos disputados imediatamente a seguir ao fim da guerra civil, quando os espanhóis estavam já mais ou menos bem preparados técnica e atlèticamente, mas inferiores a nós quanto aos sistemas tácticos baseados no moderno WM que os portugueses praticavam com razoável acerto e conhecimento. Mas a verdade é que a táctica está em tudo dependente do maior ou menor apetrechamento técnico dos jogadores, e os espanhóis, à maior capacidade táctica dos portugueses, opuseram sempre um muito superior conhecimento dos pormenores da técnica do jogo - boa finta, bom toque e domínio de bola, óptimo jogo de cabeça e, a culminar, remate fácil, rápido, fulgurante - tudo isto assente numa capacidade físico-atlética impressionante: boa corrida, bom tempo de entrada à bola (antecipação), bons no jogo alto e… fôlego de gato!

Sendo assim, aceite-se, com verdadeiro sentido das realidades futebolísticas, que a maior capacidade técnico-atlética dos jogadores espanhóis, anulava e vencia a melhor táctica dos portugueses, só não acontecendo isso quando a sorte e tantos outros imponderáveis do jogo penderam para o nosso lado.

As considerações que acabo de fazer acerca dos encontros disputados anteriormente pelas equipas de Portugal e da Espanha podem, à primeira vista, parecer descabidas neste momento em que mais apropriado seria apreciar o que se passou no XIX Portugal - Espanha, até mesmo porque, ao referir-me, a seu tempo, aos anteriores prélios, deveria ter abordado, também, e com maior clareza, o único ponto em que chegámos a ser superiores aos espanhóis: táctica de jogo. Porém, julguei ,mais aconselhável guardá-lo para agora, evitando, tanto quanto possível, repetições escusadas e, até, para que os elementos que me ajudarão a estabelecer certos pontos de contacto entre os jogos de então e os actuais, estejam mais vivos na memória de todos nós.

Ficou dito e, quanto a mim, sobejamente provado, que o futebol espanhol, no respeitante ao poder atlético e capacidade técnica dos seus jogadores, era muito superior ao nosso, superioridade que vinha sendo notada desde os tempos dos Zamoras, dos Regueiros, Langaras e tantos outros grandes futebolistas.

Durante muitos anos as duas equipas adoptaram processos tácticos idênticos, e como os espanhóis eram tecnicamente mais perfeitos, aliando à técnica, ou seja, à execução, um superior poder atlético, o prato da balança tinha, fatalmente, de pender para o seu lado. Mas à medida que o tempo foi passando e o futebol evoluindo, começou a notar-se que a anterior supremacia espanhola não era tão acentuada como em épocas mais distantes. É que os espanhóis acompanharam a evolução técnica do jogo e sempre cuidaram da preparação física dos seus atletas, mas mantiveram os mesmos processos tácticos, ao passo que os portugueses, melhorando um pouco no capítulo técnico do jogo, embora esbarrando com dificuldades de toda a ordem, não podendo, por isso, atingir o mesmo grau de perfeição técnica, valiam-se, de mistura com vontade e querer, de sistemas tácticos para dificultar a acção dos seus eternos rivais.

O futebol deu um grande passo em frente quando da alteração dás suas leis, relativamente ao “fora de jogo”, alteração que motivou o estudo e adopção do célebre WM de Chapman.

 

Abro aqui um parêntesis para esclarecer os leitores menos conhecedores, de que David Jack, antigo”jogador inglês e autor do livro intitulado “ Soccer”, afirma ter sido Buehatt o criador do WM e que Chapman apenas o passou dá teoria à prática.

Retomemos o fio da meada.

Algum tempo depois de já noutros países o WM ser um facto, os nossos orientadores técnicos e treinadores apadrinharam-no e as nossas equipas (qual delas a primeira?) passaram a utilizá-lo. A partir desse momento -com os espanhóis ainda arreigados às antigas tácticas - a selecção nacional portuguesa começou a impor-se e a baixar o nível de supremacia espanhola.

Cada equipa com suas qualidades e defeitos, entrámos no relvado do Estádio Nacional na tarde de 26 de Janeiro de 1947 para disputarmos o XIX Portugal - Espanha.

A Espanha perdeu e perdeu bem! O resultado de 4-1 dispensaria comentários ao jogo se os números, em futebol, não fossem, muitas vezes, enganadores, e, neste encontro, assim aconteceu. Derrotámos o adversário por 4-1, mas se no final do jogo o marcador acusasse um saldo a nosso favor de 6 ou 7 golos, não havia razão para se reclamar da justeza do resultado!

A turma espanhola era muito melhor do que as que defrontámos nos jogos empatados a duas bolas e, porventura, um tanto superior à apresentada na Corunha. Todos os jogadores se mostraram óptimos no controle da bola, no passe curto, jogo de cabeça, bom toque de bola e bons atletas. Mas num pormenor a equipa espanhola foi confrangedoramente inferior - pior até do que nos jogos anteriores: na “ Tácticà”. Começaram o jogo com a formação WM mas a breve trecho compreenderam não estarem à altura de prosseguir. Tentaram, depois, enquadrar-se no sistema táctico do adversário, o que de nada lhes valeu, evidentemente.

Em Espanha nenhuma equipa de clube utilizara, ainda, o WM e, sabido como é que as selecções nacionais são constituídas por elementos vindos das equipas de clube, como poderiam os jogadores espanhóis - por muito bons executantes que fossem - adaptar-se, em poucos minutos, a um processo de jogo que para eles era, apenas, conhecido em teoria? De maneira nenhuma - é a resposta. Foi um erro indesculpável do seleccionador espanhol.

Na meia dúzia de treinos que a equipa representativa da Espanha realizou, experimentou - ao que parece com bons resultados - o nosso já muito conhecido WM, impondo-o à equipa como se fosse para defrontar um conjunto desconhecedor do sistema ou de baixa valia!!! Os nossos amigos erraram no prognóstico, porque encontraram pela frente onze rapazes perfeitamente identificados e integrados no sistema que eles vinham experimentar!

O futebol não permite nem admite improvisações; os nossos adversários para este XIX encontro, não pensaram como nós e, por isso, desceram ao relvado com um sistema táctico improvisado, não tendo em consideração que os antagonistas, por mais experimentados, melhor saberiam tirar partido dessa improvisação… Uma táctica não pode assimilar-se de um momento para ó outro nem dela se tirará pleno rendimento, senão depois de um longo período de experiência e adaptação, maior ou menor conforme a inteligência e condição técnica dos jogadores da equipa.

Vistos os factos, analisados e ponderados à luz do que se passou neste Portugal - Espanha, provou-se a grande vitória dos modernos processos tácticos - WM e suas possíveis variantes - em contraposição aos antigos sistemas defensivos e atacantes. Este um dos aspectos curiosos do prélio de que vimos tratando.

E chegámos ao momento de tirar conclusões acerca dos jogos anteriormente disputados. Não é difícil concluir-se, pois, que os resultados conseguidos pela “equipa de todos nós” -e que não podem considerar-se maus de todo - não assentaram na maior valia do futebol português em relação ao do País vizinho, relativamente aos pormenores físico-atlético-técnicos do jogo. Apenas nos servimos de melhor processo de jogo e com ele pudemos disfarçar um pouco a nossa inferioridade atlético-técnica, mas daí a pensar-se em igualdade ou superioridade do nosso futebol em confronto com o dos espanhóis, vai um grandíssimo passo… Esta é a verdade, que suponho não poder sofrer contestação, pelo menos contestação séria…

Ora, ao referir-me a um anterior encontro entre as duas selecções, escrevi: Mas um dia virá em que os espanhóis encontrem pela frente uma equipa portuguesa atlético-técnico-tacticamente bem preparada. Se isso suceder, então os nossos vizinhos terão muito que contar… assim eles se mantenham agarrados aos antiquados processos de jogo!

Tal pensamento tornou-se, felizmente, em realidade, e a equipa de Espanha perdeu por 4-1, resultado lisongeiro para o nosso adversário, como já disse.

Pois é verdade; para este XIX Portugal - Espanha, foi possível, mercê de excepcional forma em que se encontravam os jogadores, formar-se uma selecção capaz de praticar bom futebol e de levar de vencida o nosso antagonista. Resumindo: Se em encontros anteriores a superioridade da equipa portuguesa foi notória no capítulo táctico do jogo, contra a superioridade atlético-técnica dos espanhóis, donde resultava, muito naturalmente, a supremacia do futebol do País vizinho em relação ao nosso, e uma vez a nossa equipa constituída por jogadores em óptima condição atlético-técnica comparável à dos adversários e tàcticamente a eles superiores, não foi algo difícil vencer por 4-1 essa equipa espanhola. E não foi só vencer: foi vencer e convencer, tanto os espanhóis como todos quantos assistiram a este encontro, da justeza do resultado conseguido pela nossa equipa nacional.

Desta feita pelo menos, o nosso futebol foi algo superior ao espanhol.

E assistiu-se, também, a uma esmagadora vitória dos modernos processos de jogo sobre os antigos…

 

E, agora, falemos um pouco de outros pormenores de equipa que, sem dúvida nenhuma, muito contribuíram para a boa exibição do conjunto português e que, por outro lado, destroçaram a equipa antagonista.

Desde há muito que os grupos espanhóis vinham adoptando o sistema de recuar um dos médios de ataque com o objectivo de reforçarem a guarda ao avançado-centro contrário, já de si confiada ao médio-centro. Por isso, não seria descabido admitir-se que, neste XIX Portugal - Espanha, o processo se manteria, muito embora estivéssemos prevenidos contra a hipótese de o adversário utilizar o WM como base de movimentação e colocação dos seus elementos no terreno. Mesmo assim, quanto a este pormenor, estávamos certos de que os espanhóis não confiariam a um só jogador o “policiamento” do eixo do ataque português e, por via disso, além do estudo e ponderação das forças e fraquezas do adversário, estudámos jogadas que facilitassem, quando bem executadas, a missão do ataque português. Assim, tendo em atenção o recuo do defesa central e de um dos médios de ataque da selecção espanhola, pensou-se em tirar todo o proveito possível da liberdade que tal plano de jogo daria, alternadamente, a cada um dos nossos interiores.

Os esquemas seguintes dão uma mais perfeita noção de como esperávamos que os espanhóis actuassem e do aproveitamento dessa circunstância:

o quadro n.° 1 indica-nos que toda a linha atacante da equipa portuguesa tem guarda à vista, excepto o nosso interior direito, que dispõe de liberdade total; vê-se, também, que o avançado-centro tem atrás de si o defesa-central e à frente o médio esquerdo adversários.

O quadro n.° 2 mostra-nos que o interior esquerdo português de posse da bola, a endossou ao seu companheiro da direita que correu na direcção da baliza contrária, ao mesmo tempo que o interior esquerdo, depois de ter passado o esférico ao seu companheiro, tomou, igualmente, o caminho das redes, deixando atrás dele o médio que o guardava. Entretanto, mais adiantado, o avançado-centro, no intuito de deixar terreno livre para a manobra do interior direito, desmarcou-se para este lado levando consigo o defesa-central - seu guarda permanente.

Por último, o quadro n.° 3, dá-nos o resultado final da jogada: vê-se que o médio esquerdo veio ao encontro do nosso interior direito e que este entregou a bola, rapidamente, ao seu colega da esquerda, mantendo o avançado-centro a mesma posição no flanco direito, obrigando o defesa central a não interferir na jogada, sob pena de falhar na missão que lhe foi imposta; e se o fizesse, deixaria o centro-avançado ém condições de receber o passe e alvejar a baliza.

Deste modo, ora Travassos, ora Araújo, dispuseram da liberdade suficiente para iniciarem e concluírem os ataques da equipa portuguesa, marcando, cada um, dois golos, mas toda a liberdade que lhes foi dada nasceu da preocupação da defesa espanhola que destacou os seus melhores elementos defensivos (2) para anularem a acção do avançado-centro português.

A ideia dos espanhóis, ao recuarem um dos seus médios, tinha como objectivo tirar ao avançado-centro adversário toda a possibilidade de rematar à baliza, contando e esperando que neste jogo, como nos outros, ele recebesse dos seus interiores passes longos, em profundidade que, invariàvelmente, seriam interceptados. Mas se já por três vezes caíramos nesse erro, não era de admitir a repetição e, por isso, se estudou o processo, aliás simples, de contrariar as intenções dos nossos adversários.

Os espanhóis sacrificaram dois elementos da defesa, pondo-os como sentinelas ao avançado-centro português; nós sacrificámos o nosso avançado-centro, impondo-lhe a tarefa de desorientar a defesa espanhola, desmarcando-se e levando atrás de si os seus dois guardas e deixando, por consequência, o terreno livre a Travassos e Araújo - autores dos quatro golos de Portugal. Tanto assim foi que, no final do encontro, o seleccionador, Dr. Tavares da Silva e o treinador Augusto Silva - dois bons amigos - felicitaram-me pela vitória e acrescentaram: - “Cumpriste o teu dever é certo, mas por teres sacrificado as tuas qualidades de bom rematador em favor do plano táctico da equipa, sem azedume nem egoísmo, aqui estamos a dar-te os merecidos parabéns. Da tua actuação resultou o óptimo rendimento dos nossos dois interiores (Travassos estava presente) que permitiu à equipa levar de vencida os espanhóis”.

Sem dúvida, cumpri o meu dever, esforçando-me por colaborar no bom rendimento da equipa; sabe bem, no entanto, verificar que que o nosso sacrifício é compreendido e apreciado.

O distinto jornalista José Olímpio - que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente - escreveu o seguinte no jornal “A Bola” de, salvo erro, 27-1-947:

- “Olhe-se, por exemplo, os casos particulares de Zarra e de Peyroteo. Ao primeiro lance de olhos, ambos “fracassaram” (deixai o pobre do galicismo!) na sua missão especial: “marcar tentos”. No entanto, pondere-se nos diferentes resultados que a sua ida ao choque, deliberadamente, deu para suas equipas. Enquanto Zarra não conseguiu libertar, no verdadeiro instante, os seus interiores, graças à relativa perfeição “estratégica” do conjunto português, Peyroteo arrastou consigo toda a defesa espanhola. E disso beneficiaram os interiores”.

Depois, noutro lugar, o mesmo jornalista pergunta:

-”Onde estavam os interiores quando Peyroteo precisou deles?”

Pelo que ficou exposto, verificou-se que os interiores portugueses gozaram, alternadamente, de plena liberdade de manobra, e isso porque o médio espanhol a quem deveria caber a missão de guardar um dos nossos meias pontas, veio reforçar o “bloqueio” ao avançado-centro lusitano. Ora, dessa movimentação livre de Araújo e de Travassos nasceu a marcação dos quatro golos da nossa equipa. Deu resultado, portanto, o sistema táctico do conjunto da equipa das quinas, mas era lógico admitir, também, que os defensores espanhóis, mormente o médio que recuara, se apercebesse de que deveria cuidar um pouco mais do que até aí do nosso interior!!! E, na verdade, isso sucedeu. Assim, por ter sido hipótese prevista e esperada, assentou-se em que, a partir desse momento, melhor seria começar a utilizar-se o passe em profundidade ao avançado-centro, para terreno apropriado, visto dispor ele agora de maior liberdade. Esta uma hipótese, e, entre outras, mais esta: os interiores e médios lançariam os extremos e estes procurariam enviar a bola para o terreno central de modo a permitir a entrada do avançado-centro de frente para o esférico. Enfim, em tais circunstâncias, seria aconselhável procurar-se uma maior troca de passes de bola entre os cinco da frente, uma vez que os dois interiores já não dispunham da liberdade inicial de manobra. Por outras palavras: seria acertado procurar a colaboração do centro dianteiro de modo diferente daquele que em princípio se fez. E o que sucedeu? A esta pergunta respondeu já, por mim, José Olímpio. No entanto, quero acrescentar que, dentro do campo - e cá fora também - se começou cedo de mais a “viver”, a antegozar a certeza da vitória e se esqueceu o normal seguimento do jogo… É natural que assim tivesse acontecido; pois não era a primeira vez que se ganhava à Espanha?… E de que maneira!!!

Enfim, o que lá vai, lá vai, e o que é preciso é fazer desporto. Tudo o resto são… cantatas e paisagem…

A terminar, um episódio curioso: A Federação Portuguesa de Futebol, que estabelecera um prémio de 3.000$00 (três mil escudos) em caso de vitória da nossa equipa, acabou por aumentá-lo para 5.000$00 (cinco mil escudos)… Não teria sido por iniciativa própria, mas demonstrou boa vontade em atender uma “torcidazinba” feita pelos jogadores junto do Inspector dos Desportos Sr. Capitão António Cardoso, e deste nosso amigo - muito particularmente - aos dirigentes federativos… E ao fim e ao cabo, foram cinco mil escudos -o maior de todos os prémios que recebi em dezasseis anos de futebol! E sabem o que aconteceu? Para satisfazer os pedidos de bilhetes para este memorável XIX Portugal - Espanha, levantei na Federação a bagatela de quatro mil e quinhentos escudos de “papelinhos” de entradas no Estádio; depois, os amigos foram aparecendo, fui entregando os bilhetes e recebendo o dinheiro de cada um dos “clientes” - fora algumas borlas - escudos que fui gastando sem dar por isso… Quando me preparava para receber o chorudo prémio de cinco mil escudos, lembrei-me de que tinha de lá deixar quatro mil e quinhentos escudos. Quer dizer: o prémio não me serviu de proveito. 6 dinheiro recebido por “conta-gotas”, desaparece cómo o fumo dum cigarro. Não tive o prazer de receber, inteirinhos, os famigerados cinco mil escudos de prémio.

Sempre os bilhetes, meu Deus! Malvados bilhetes!!!»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 185 – 203

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