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És a nossa Fé!

No meu tempo era com 'caricas'!

Adan vence Pizzi, nos penaltis, no subbuteo.

 

Saramago conta uma outra história:

«Devemos ter vivido na Rua Padre Sena Freitas uns dois ou três anos. Quando principiou a guerra civil espanhola era aí que residíamos. A mudança para a Rua Carlos Ribeiro terá sido em 38, ou talvez mesmo em 37. Salvo que esta minha por enquanto ainda prestável memória deixe vir à superfície novas referências e novas datas, é-me difícil, para não dizer impossível, situar certos acontecimentos no tempo, mas tenho a certeza de que este que vou relatar é anterior ao princípio da guerra em Espanha. Havia por essas alturas um divertimento muito apreciado nas classes baixas, que cada um podia fabricar em sua própria casa (tive pouquíssimos brinquedos, e, mesmo esses, em geral de lata, comprados na rua, aos vendedores ambulantes), o qual divertimento consistia numa pequena tábua retangular em que se espetavam vinte e dois pregos, onze de cada lado, distribuídos como então se dispunham os jogadores no campo de futebol antes do aparecimento das táticas modernas, isto é, cinco à frente, que eram os avançados, três a seguir, que eram os médios, também chamados halfs, à inglesa, dois atrás, denominados defesas, ou backs, e finalmente o guarda-redes, ou keeper. Podia-se jogar com um berlinde pequeno, mas, de preferência, usava-se uma esferazinha de metal, das que se encontram nos rolamentos, a qual era alternadamente empurrada, de um lado e do outro, com uma pequena espátula, por entre os pregos, até ser introduzida na baliza (também havia balizas), e assim marcar golo. Com estes pobríssimos materiais divertia-se a gente, tanto miúda como graúda, e havia renhidos desafios e campeonatos. Observado a esta distância parecia, e talvez o tivesse sido por alguns momentos, a idade de ouro. Mas não o foi sempre, como já se vai ver. Um dia, estávamos na varanda das traseiras, meu pai e eu, a jogar (recordo que, nesse tempo, as famílias de escassas posses passavam a maior parte do tempo nas traseiras das casas, principalmente nas cozinhas), eu sentado no chão, ele num banquito de madeira, como então se usavam e eram tidos por imprescindíveis, sobretudo para as mulheres, que neles costuravam. Por trás de mim, de pé, a assistir ao jogo, estava o António Barata. Meu pai não era pessoa para deixar que o filho lhe ganhasse, e, por isso, implacável, aproveitando-se da minha pouca habilidade, ia marcando golos uns atrás dos outros. O tal Barata, como agente da Polícia de Investigação Criminal que era, deveria ter recebido treino mais que suficiente quanto aos diferentes modos de exercer uma eficaz pressão psicológica sobre os detidos ao seu cuidado, mas terá pensado naquela altura que podia aproveitar a ocasião para se exercitar um pouco mais. Com um pé tocava-me repetidamente por trás, enquanto ia dizendo: «Estás a perder, estás a perder.» O garoto aguentou enquanto pôde o pai que o derrotava e o vizinho que o humilhava, mas, às tantas, desesperado, deu um soco (um soco, coitado dele, uma sacudidela de cachorrito) no pé do Barata, ao mesmo tempo que desabafava com as poucas palavras que em tais circunstâncias poderiam ser ditas sem ofender ninguém: «Esteja quieto!» Ainda a frase mal tinha terminado e já o pai vencedor lhe assentava duas bofetadas na cara que o atiraram de roldão no cimento da varanda. Por ter faltado ao respeito a uma pessoa crescida, claro está. Um e outro, o pai e o vizinho, ambos agentes da polícia e honestos zeladores da ordem pública, não perceberam nunca que haviam, eles, faltado ao respeito a uma pessoa que ainda teria de crescer muito para poder, finalmente, contar a triste história. A sua e a deles.»

 

In: Saramago, José – As pequenas memórias. Porto: Porto Editora, 2014. pp. 38 - 40

Beşiktaş, n’O museu da inocência...

... naquele que terá sido um dos melhores livros que porventura terei lido, O museu da inocência do Nobel da Literatura Orhan Pamuk. Este livro conta, não só aquilo que é mais antigo na humanidade, uma história de amor entre um homem e uma mulher (neste sentido, pois o narrador é masculino), como conta igualmente - de uma forma brilhante - uma história de amor por uma cidade: Istambul.

Recomendo a leitura.

Hoje, que o Sporting jogou em Beşiktaş, um bairro de Istambul, extraí este pequeno trecho deste livro:

 

«De súbito, uma expressão estranha e embaraçada assomou-lhe ao rosto, e ele começou a falar com impaciência, como se algo o tivesse irritado. - Lembras-te daquela rapariga muito bela?... Sabes, aquela que vimos os dois quando fomos a Beşiktaş? Quando a viste, o que pensaste?

- Qual rapariga?

O meu pai ficou ainda mais impaciente.

- Oh, pára com isso, estou a falar daquela rapariga muito bonita que vimos os dois no Parque de Barbaros, há dez anos, quando fomos a Beşiktaş.

- Pai, não tenho qualquer lembrança disso.

- Filho, como podes não te recordar? Eu e tu olhámo-nos nos olhos. Ao meu lado estava sentada uma rapariga muito bonita.

- O que aconteceu depois?

- Não quiseste embaraçar o teu pai, e por isso desviaste educadamente o olhar. Já te lembras?

- Não, não me lembro.

- Mentira, tu viste-nos!

Sinceramente não me recordava daquele episódio, mas não havia forma de convencer o meu pai. Depois de uma demorada e desajeitada discussão, concordámos que provavelmente eu quisera esquecer o sucedido, e conseguira. Ou talvez ele e a rapariga tivessem simplesmente entrado em pânico, julgando que eu os vira. E foi assim que chegámos ao verdadeiro assunto.

- Aquela rapariga foi minha amante durante onze anos, e era muito bela - revelou o meu pai, combinando orgulhosamente os dois factos mais importantes numa única frase.

Era óbvio que o meu pai sonhava há muito falar-me a respeito da beleza daquela mulher, e a ideia de eu poder não ter visto tal coisa com os meus próprios olhos - ou, pior ainda, que eu pudesse tê-la visto e esquecido quão bela era - desanimou-o um pouco. Tirou uma pequena fotografia a preto e branco do bolso. Mostrava uma rapariga - muito jovem - de tez escura e ar desolado, apoiada no convés traseiro de um dos ferry-boats do Bósforo, em Karaköy.

- Esta é ela - esclareceu o meu pai. - Esta fotografia foi tirada no ano em que nos conhecemos. E uma pena que ela aqui esteja tão triste; não dá para ver como era bela. E linda, não é? Já te lembras?

Não respondi. Incomodava-me ouvir o meu pai falar sobre uma relação amorosa, ainda que esta tivesse terminado há muito tempo. Mas naquele momento não percebi exactamente o que me estava a incomodar.

- Ouve-me com atenção, não quero que repitas nada do que aqui te vou dizer ao teu irmão - avisou o meu pai, tornando a guardar a fotografia na carteira. - Ele é demasiado austero, não iria entender. Tu estiveste na América, e nada do que eu contar te vai chocar. De acordo?

- Claro, pai querido.

- Então ouve - disse ele, começando a contar a sua história ao mesmo tempo que beberricava o rakı.

Fora há «dezassete anos e meio, num nevoso dia de Janeiro de 1958», que ele conhecera aquela rapariga, ficando imediatamente enamorado da sua beleza pura e inocente. A rapariga trabalhava na Satsat, que o meu pai acabara de fundar. A princípio era apenas uma relação profissional, mas, apesar da diferença de vinte e sete anos entre os dois, acabara por se tornar algo mais «sério e emocional». Um ano depois de a rapariga ter iniciado uma relação amorosa com o seu bem-parecido patrão (o meu pai, calculei rapidamente, teria quarenta e sete anos na altura), ele forçou-a a deixar a Satsat. Por ordem do meu pai, ela não procurou outro emprego; em vez disso, passou a levar uma vida discreta num apartamento em Beşiktaş, que o meu pai lhe arranjara, sonhando que um dia se casariam.

- Ela era muito bondosa, muito sensível e inteligente; uma pessoa muito especial - contou o meu pai. - Não era de forma nenhuma igual às outras mulheres. Tive algumas escapadelas na minha vida, mas nunca me apaixonei por ninguém como me apaixonei por ela. Pensei muito em casar com ela, meu filho... Mas, o que teria sido da tua mãe? O que teria sido de ti e do teu irmão?

Ficámos em silêncio por algum tempo.

- Não me interpretes mal, filho; não estou a dizer que me sacrifiquei para que vocês pudessem ser felizes. Na verdade era ela que queria mesmo casar-se, claro. Mantive-a na expectativa durante anos. Simplesmente não podia imaginar a minha vida sem ela, e quando era impedido de a ver sofria muito. Mas não tinha ninguém com quem partilhar a minha dor. E então um dia ela disse-me: «Resolve-te!» Ou eu deixava a tua mãe e me casava com ela, ou ela deixava-me. Serve-te de rakı.

Fez-se silêncio.

- Quando recusei abandonar a minha mulher e os meus dois filhos, ela deixou-me - contou o meu pai. Admitir tudo aquilo deixou-o exausto, mas também descontraído. Quando olhou para mim e viu que podia continuar a desabafar comigo, descontraiu-se mais ainda.

«Eu estava em sofrimento, num enorme sofrimento. O teu irmão tinha-se casado e tu estavas na América. Mas claro que tentei ocultar a minha angústia à tua mãe. Esconder-me pelos cantos como um ladrão e sofrer em segredo era outra agonia. A tua mãe apercebera-se da existência desta amante, tal como acontecera com as anteriores; ao compreender que algo sério se passava, guardou silêncio. A tua mãe, a Bekri e a Fatma Hanım; vivíamos os quatro juntos como personagens a imitar uma família feliz num quarto de hotel. Eu bem via que não conseguiria encontrar alívio, que se as coisas continuassem como estavam eu enlouqueceria, mas não era capaz de fazer o que era preciso. Ao mesmo tempo, ela - (o meu pai nunca mencionou o seu nome) - estava a sofrer tanto quanto eu. Anunciou-me que um engenheiro a pedira em casamento e que, se eu não me resolvesse depressa, ela aceitaria o pedido. Mas eu não a levei a sério... Fui o primeiro homem com quem ela esteve. Achava que era impossível ela desejar outro, que aquilo só podia ser bluff. Mesmo quando duvidei do meu raciocínio e comecei a entrar em pânico, continuei paralisado. E então tentei não pensar no assunto. Lembras-te do Verão em que o Çetin nos levou a todos à feira de Izmir? Quando regressámos ouvi dizer que ela se tinha casado, mas não consegui acreditar. Estava convencido que ela apenas anunciara aquilo para chamar a minha atenção e fazer-me sofrer. Recusou todas as minhas tentativas para a ver, ou sequer para falar com ela; não atendia o telefone. Chegou mesmo a vender a casa que eu lhe comprara e mudou-se para um lugar onde eu não a pudesse encontrar. Teria ela realmente casado? Quem era o seu marido engenheiro? Teria tido filhos? O que andaria a fazer?»

 

Pamuk, Orhan - O museu da inocência. Lisboa: Presença, 2010. pp. 120 - 123

Grandes entre os maiores

Pany Varela, o melhor jogador (de facto) do Mundial de Futsal!

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João Matos, Gigante!

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Parabéns, Erick, Miguel Ângelo, Pauleta, Tomás Paçó e Zicky

C  A  M  P  E  Õ  E  S 

D  O   

M  U  N  D  O  !

P  a  r  a  b  é  n  s  , 

S  p  o  r  t  i  n  g  !

 

P  a  r  a  b  é  n  s  ,

P  o  r  t  u  g  a  l  !

Uma mentira muitas vezes repetida…

... torna-se verdade, assim dizia um certo ministro da propaganda.

 

Ontem, ouvimos em diversos órgãos de comunicação social que o FCPorto, em dia de aniversário, foi goleado.

Nada a dizer sobre o goleado, porém sobre o dia de aniversário e os seus putativos 128 anos interrogo-me sobre o papel dos jornalistas que replicam tal notícia.

 

Leia-se esta notícia, a título de exemplo, do Jornal I, de ontem

e esta do jornal O Porto (jornal oficial do FCPorto), de outros tempos.

A 9 de Setembro de 1940...

... era noticia:

Sporting-Athetic Aviacion_1940.jpg

«Abertura da temporada

Os campeões de Espanha foram batidos facilmente

Sporting, 5 [Peyroteo (2), Cruz (2) e Pireza] - Athetic Madrid, 1[Pruden]

 

A jornada de abertura da época de 1940-41 ainda que revestida de importância pela natureza dos contendores, não forneceu a luta que se esperava.

A equipa visitante não chegou para criar dificuldades ao Sporting.

Os campeões da Liga de Espanha evidenciaram falta de preparação. O conjunto raras vezes ligou com entendimento e faltou energia- e folego para impor andamento vivo, que pelo menos costuma ser a nota saliente da primeira meia-hora destes jogos de abertura.

O futebol espanhol acusa ainda o efeitos das provações que os seus homens passaram durante a guerra. Todos os sectores da actividade do País vão a caminho da recuperação desejada, mas notam-se claramente as dificuldades a vencer para conseguir tal objectivo.

Não é de estranhar por isso que o Athletic não tenha podido corresponder á expectativa.

Além das dificuldades acima indicadas, fez-se sentir tambem com nitidez o handicap do terreno duro.

O Campo do Lumiar parecia um court de tenis.

Habituados aos terrenos de relva, os jogadores visitantes mostraram-se notavelmente embaraçados no primeiro quarto de hora.

Foram lentos, dominando a bola com dificuldade. despachando mal e levantando o jogo em demasia.

Ao intervalo havia 1-0, mas só a falta de remate do ataque do Sporting não permitiu que a diferença fosse mais expressiva.

Na segunda parte o jogo teve um pouco mais de animação.

O Sporting fez três goals de enfiada no breve espaço de três minutos e sete minutos depois o marcador passava para 5-0.

Como havia ainda mais de vinte minutes por jogar supôs-se que os visitantes iriam sofrer- desaire mais pesado, mas precisamente nessa altura, em vez de se entregarem os homens do Athletic reagiram com vontade e equilibraram melhor a partida.

Aproveitando faltas de actuação da defesa do Sporting os madrilenos apresentaram-se algumas vezes em frente da baliza de Azevedo, e com mais segurança no remate podiam ter ido além do ponto de honra que conseguiram marcar a cinco minutos do fim.

Sob a arbitragem de Carlos Fontaínhas, os dois grupos alinharam os seguintes elementos:

Athletic: Guiilermo; Mesa (cap.) e Cabo: Gérman e Escudero; Enrique, Arencibia, Gabilondo (no segundo tempo Urquidi), Muñoz (substituído por Pruden, aos 25 minutos, por se ter magoado), Campos e Vazquez.

Sporting: Azevedo; Barrosa (substituído aos 20 minutos por Rui de Araújo) e Cardoso; Paciência, Gregório e Marques; Mourão (cap.), Ferreira, Peyroteo, Pireza e Cruz.

 

* * *

 

O Sporting levou a bola à baliza do adversário logo na primeira descida, e podia ter feito um goal logo ao primeiro minuto. Peyroteo fez uma boa fuga pela ponta direita, centrou com boa conta, mas Mourão e Cruz falharam lamentavelmente o remate só com o guarda-redes na sua frente.

Azevedo só aos dez minutes entrou em acção para defender um bom tiro de Muñoz.

Na altura do primeiro quarto de hora, uma mão intencional de Mesa, a cortar um passe perigoso, forçou o arbitro a assinalar uma grande penalidade que Cruz não soube transformar, apontando por forma que Guillermo pôde mergulhar por terra e defender.

O único goal do primeiro tempo foi marcado aos 20 minutos por PEYROTEO.

Centro bem medido de Cruz e entrada oportuna de cabeça do avançado-centro do Sporting. A bola faz tabela no poste e segue ao seu destino, surpreendendo o guarda-redes que se lançou já atrasado.

A sete minutos do intervalo, o interior esquerdo espanhol. Campos, tentou um remate a cerca de trinta metros, apanhando Azevedo desprevenido. A bola bateu na barra, ficou quasi sobre a linha, mas não entrou.

Perto já do intervalo houve ainda um remate perigoso de Pruden, que Azevedo defendeu com dificuldade.

Os primeiros dez minutos do segundo tempo foram mornos e pareciam indicar que o resultado não se desnivelaria muito não obstante a superioridade demonstrada pelo- Sporting.

O Sporting animou-se porém com um segundo goal marcado per CRUZ ao doze minutos e fez mais dois a seguir, o terceiro aos treze minutos novamente por CRUZ e o quarto por PIREZA aos quinze minutos.

Os dois goals do extremo esquerdo do Sporting foram magnifico«. O primeiro do lado esquerdo e com o pé direito, imparavel. O segundo, apontado quasi da extrema direita-onde aparecera como por encanto - com o pé esquerdo, remata a cair sobre d angulo da baliza e em que Guillermo teve grandes culpas.

Mas se os dois goals de Cruz tinham sido fartamente aplaudidos, o de Pireza, com um excelente remate à entrada da área, mereceu plenamente a ovação que o público lhe dispensou.

O quinto e último goal do Sporting marcou-o PEYROTEO aos 22 minutos, aproveitando uma fase à boca das redes, com a bola abandonada.

Mourão deu o toque e Peyroteo confirmou, barrando bem a entrada de Mesa.

Aos 30 minutos, o avançado-centro espanhol é carregado pelas costas dentro da grande área, mas o arbitro não atende as justas reclamações dos visitantes.

Cinco minutos tiepois Vázquez foge bem, faz um excelente cruzamento ao seu colega da direita, mas Enrique, com a baliza vista, perde a oportunidade.

Finalmente aos 40 minutos, e novamente em fase iniciada por Vázquez - o mais perigoso avançado do Athletic - surge o único goal dos visitantes.

Vázquez fez o lançamento da bola da linha lateral e o avançado-centro PRUDEN, mal marcado pela defesa do Sporting, pode acercar-se da baliza e rematar com boa direcção. Azevedo nem esboçou sequer a defesa.

 

* * *

 

O Athletic acusou pouco treino, estranhou o terreno e alguns dos seus homens não estão devidamente apetrechados sob o ponto de vista de condições físicas.

Não devemos esquecer, na apreciação do seu trabalho, as grandes dificuldades que a Espanha atravessou e está ainda atravessando.

O guarda-redes GUILHERMO. embora com culpas em dois dos goals sofridos, mostrou valor e decisão

MEZA é seguro, mas está pesado demais. Sustentou hem o embate com Peyroteo. Pouca direcção no shot. Levantou muito a bola.

COBO fraquito. Na linha de médios falou a experiencia de GERMÁN, que deu boa luta ao trio central, e teve algumas aberturas bem vistas aos extremos, sobretudo a Enrique, mas de que este não soube tirar partido.

GABILONDO foi o que melhor bateu a bola em terreno duro, e foi o elemento que mais nos agradou na defesa.

ESCUDERO e URQUIDI, ambos diligentes, foram dos mais uteis,

Na linha de ataque VÁZQUEZ foi o mala efectivo e o mais perigoso. Domina bem a bola e sabe centrar.

CAMPOS deve ter estado abaixo do seu normal, porque não correspondeu ás referencias

que temos lido a seu respeito.

MUNOZ e PRUDEN denunciaram shot fácil, mas o fraco rendimento do conjunto não lhes permitiu pôr mais vezes à prova essa qualidade.

ARENCIBIA serviu por vezes com precisão, revelando bom domínio de boia, mas não se mostrando muito afoito na luta de perto.

ENRIQUE foi o mais fraco dos avançados. Recebeu muito jogo em excelentes condições - pois o defesa contrário deu-lhe muitas largas-mas não soube dar-lhe o necessário seguimento. Em vez de caminhar para a baliza voltava atrás, para passar com o pé esquerdo, impondo assim um compasso de espera que só favorecia a colocação da defesa do Sporting.

 

* * *

 

O «onze» lisboeta fez uma partida multo aceitável para começo de época.

Na defesa os melhores elementos foram Azevedo, Cardoso e Gregorio.

Rui de Araújo ainda cumpriu multo satisfatoriamente. quando entrou a substituir Barrosa (reserva).

Na linha da frente o extremo esquerdo Cruz foi o mais valioso. Peyroteo esforçado ao máximo, mas muito vigiado pelos adversários e vitima da standardização do sistema de ataque do Sporting, em que lhe cabe sempre tarefa igual.

Pireza com o mesmo assombroso domínio de bola. mas por vezes lento demais, travando um pouco o ataque.

Ferreira esteve pouco feliz a passar, fazendo gorar por isso -algumas descidas.

Mourão podia ter tirado mais partido do defesa fácil que defrontou.

 

RIBEIRO DOS REIS»

 

In.: Os Sports. dir. Raul de Oliveira, nº 2395 de 9 de Setembro de 1940.

Para aqueles que previam o fim...

... de Cristiano Ronaldo, A. M. Pires Cabral tem um poema em que podem rever:

 

«VIOLA NO SACO

 

Mil luzes acendi - e a radiosa

escuridão prevaleceu intacta.

 

Mil palavras disse - e o silêncio

reboou nas longas arcadas sombrias.

 

Mil passadas dei - e o que estava longe

não ficou um milímetro mais perto.

 

... ... ... ... ... ... ...

 

Conclusão: é tempo de meter, meu caro,

a viola no saco.»

 

 

Cabral, A. M. Pires - Frentes de fogo. Lisboa: Tinta-da-china, 2019. p. 28

Honra

Terminou ontem mais uma edição da Volta a Portugal em bicicleta. Venceu o ciclista da "W 52" graças a um infortúnio do seu principal adversário, Maurício Moreira, que mesmo tendo sofrido uma queda recuperou tempo na etapa final. O tempo perdido na queda, mais de dez segundos, iria fazer deste ciclista o natural vencedor desta edição da Volta.

Sabendo isso compreendo os efusivos festejos do ciclista desta equipa a "W 52" que fizeram dele um vencedor sem honra.

Conhecendo os antecedentes de desonestidade (leia-se doping) que o passado desta equipa encerra, não se estranha esta forma de comemoração.

Se me permitem, eu dou os parabéns ao ciclista da Efapel: Maurício Moreira.

Ainda o Sp. Braga – Sporting

Na Liga Bwin joga-se o futebol classificado como profissional em Portugal.

No último Sp. Braga – Sporting, jogou pela equipa da casa um menino nascido a 21 de Nov. de 2005, com 15 anos, portanto.

Desconheço os regulamentos da dita Liga Profissional de Futebol, porém olhando para a lei geral do trabalho, nos seus artigos 3, 68 e 76 leio o seguinte:

“art. 3 - O menor com idade inferior a 16 anos não pode ser contratado para realizar uma atividade remunerada prestada com autonomia, exceto caso tenha concluído a escolaridade obrigatória ou esteja matriculado e a frequentar o nível secundário de educação e se trate de trabalhos leves.”

“art. 68 - A idade mínima de admissão para prestar trabalho é de 16 anos.”

“art. 76 - É proibido o trabalho de menor com idade inferior a 16 anos entre as 20 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte.”

 

P.S.: Dário Essugo, quando se estreou pela equipa profissional do Sporting tinha 16 anos e 6 dias.

Parabéns, aos nossos amigos portistas…

… hoje o seu clube celebra o 115.º aniversário, alguns de vós dirão que não – querendo reescrever a história. Mas a história é o que é, e para assinalar esta data dedico-vos um artigo evocativo desta efeméride, publicado no jornal do vosso clube, no n.º 493, de 14 de Agosto de 1963.

 

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Se me permitem, transcrevo:

«No 57.º aniversário do F. C. Porto.

Por volta do ano de 1905, José Monteiro da Costa empreende uma viagem ao estrangeiro e regressa entusiasmado com um novo jogo, o jogo da bola. Comunica o seu entusiasmo aos seus amigos que se reuniam no Grupo do Destino, a que também pertenceu o saudoso José Bacelar. É através do carinho que José Bacelar votava às suas recordações e, muito especialmente, a tudo o se relacionava com o SEU F. C. Porto, o nosso [deles] Clube pode orgulhar-se de possuir, entre tantas autênticas preciosidades, que lhe legou a inultrapassável dedicação clubística de José Bacelar, uma flor de papel que esteve presente num dos jantares do Grupo do Destino.

Do entusiasmo de Monteiro da Costa pelo novo jogo da bola e do Grupo do Destino, nasceu a 2 de Agosto de 1906, o Futebol Clube do Porto. É oportuno, por isso, quando se comemora o 57.º aniversário do nosso [deles, obviamente] grande Cube, recordar e homenagear José Monteiro da Costa, o primeiro Presidente do F. C. Porto, e o Grupo do Destino, e todos os seu componentes, entre eles José Bacelar, grande figura do nosso [deles, repito] querido Clube, pois a todos se ficou a dever a criação do F. C. Porto.

E quando hoje, a cinquenta e sete anos de distância, se evoca essa data festiva de 2 de Agosto de 1906, e se tem presente essa pequena flor de papel do Grupo do Destino, legada ao nosso clube por José Bacelar, que é um verdadeiro símbolo da fundação do F. C. Porto, e quando se tem memória o grandioso aspecto da actual Sala de Troféus, onde se arquivam os testemunhos de tantas vitórias do F. C. Porto em todos os ramos do Desporto, bem se pode concluir que essa pequena flor do Grupo do Destino, apesar de ser de papel, floresceu em centenas de taças, salvas e troféus que são a medida da grandeza do Futebol Clube do Porto de hoje!

 

RAÚL CASTRO»

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