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És a nossa Fé!

“Se fosse com o Benfica ou com o FC Porto,

queria ver se ele tinha força para fazer o que fez», atira, em referência à decisão do árbitro”, diz o presidente do clube que ontem foi nosso adversário, referindo-se ao golo (e que bonito golo) anulado à sua equipa.

 

Concordo com ele.

Se o nosso adversário de ontem fosse um destes dois clubes, qualquer árbitro português iria, naturalmente, prejudicar o Sporting e beneficiar uma dessa equipas.

Alguém duvida?

Eu não!

Mártires de Marrocos

P-M.jpg

Não, não me refiro aos jogadores que ontem defrontaram e foram eliminados por Marrocos.

Refiro-me a outros, àqueles que tiveram alguma importância no Portugal medieval e que a propósito do jogo de ontem me vieram à memória.

Na hagiologia portuguesa foi relevante o culto aos Mártires de Marrocos, nomeadamente na região de Coimbra e no Mosteiro de Santa Cruz (o local onde verdadeiramente se pode dizer a frase salazarenta que consta no Castelo de Guimarães: “Aqui nasceu Portugal” – mas isso é história de outros quinhendros).

 

Mas quem eram estes Mártires?

Eram frades franciscanos enviados por Francisco de Assis em 1219 para a conversão dos muçulmanos e que se chamavam Beraldo, Oto, Pedro, Adjuto, Acúrsio e Vidal. Reza a história que este último, por ter adoecido, não chegou a entrar na Península Ibérica, pelo que não terá ascendido ao panteão católico da santidade. Os restantes chegaram a Coimbra, então a capital do Reino (dizem os mais coimbrinhas que continua a ser capital de jure) onde foram recebidos pela rainha Urraca (esposa do rei Gordo ou Gafo: Afonso II). Daí avançaram para sul, passando por Alenquer (não, não foram visitar a “Sãozinha de Alenquer”, essa só apareceria muito mais tarde na catolicidade popular portuguesa), onde foram acolhidos pela piedosa Sancha, irmã do rei que, por palavras reais, basicamente lhes disse para terem juízo.

Prosseguiram e chegaram a Marrocos, onde foram acolhidos por Pedro, não era o Apóstolo, era um homónimo irmão do rei de Portugal, que aí se encontrava por estar “às avessas” com o seu real irmão. Este repetiu-lhes as palavras de sua irmã, porém os frades fizeram ouvidos de mercador (neste caso mercador de almas) e continuaram na missão a que se propunham e iniciaram as pregações. É bem de ver que sofreram alguns reveses, os quais o infante português ia, como podia, livrando. Mas eles continuavam na sua prosélita missão, até o chefe-maior lá sítio – miramolim de seu ofício – se aborreceu e os mandou prender, julgando-os demover da sua missão. Em vão...

Assim que foram soltos, como pessoas cientes da sua razão, teimosos dizem outros, pregaram em praça pública que, como se está a adivinhar, não foi uma atitude muito ajuizada. Foram maltratados e levados, novamente ao chefe-maior lá sítio – miramolim de seu ofício – que se sentiu enfurecido face ao "pelo na venta" das respostas que estes frades lhe iam dando. E assim, talvez para não os ouvir mais, achou que seria melhor que ficassem sem cabeça. Assim o fez.

Os seus corpos foram recolhido pelo tal irmão do rei português, que acompanhado por um crúzio (não, não é o bolo), João Roberto de seu nome, trouxeram os restos mortais de volta para Coimbra. Conta a história que o local de destino seria a Sé, porém um milagre aconteceu: a mula que os levava fincou pé à porta do Mosteiro e, como uma mula teimosa, daí não saiu enquanto as suas portas não se abriram. Por aí ficaram… Bem, algumas ossadas foram mudadas para outros sítios, coitados dos santos católicos que têm os seus ossos espalhados por vários sítios.

 

Porém, isto não é o fim da história… claro que o culto a estes mártires faz-se em toda a cristandade, porém, como disse no início, foi em Portugal e em particular na região de Coimbra que foi mais relevante, estando hoje, contudo, esquecidos.

Dizia que não é o fim da história, pois estiveram na origem de um outro fenómeno: o do português mais conhecido de sempre em todo o mundo. Não, não se trata de Cristiano Ronaldo. Há um português mais conhecido, se bem que os italianos o queiram nacionalizar (um pouco à semelhança dos espanhóis quando Cristiano Ronaldo jogava no Real Madrid).

 

O episódio da chegada dos restos mortais destes frades a Coimbra e o seu exemplo foi motivo de inspiração a um cónego que estava, por esta altura, no Mosteiro de Santa Cruz: Fernando de seu nome e Bulhões de apelido. Este cónego resolveu abandonar este mosteiro, o seu nome e seguir o exemplo destes frades. Abraçou a Ordem dos Frades Menores, recém-instalada nos arrabaldes de Coimbra e aí tomou o nome de António.

 

O resto da história, a história de Santo António penso que conhecem…

 

Leitura complementar

Texto de Nélson Correia Borges, publicado no Correio de Coimbra n.º 4769, de 09-Jan-2020 e republicado no blog À cerca de Coimbra em 14-Jan-2020

O Olimpo aos 37

Escrevo estas linhas poucos minutos antes do Portugal – Marrocos, apenas porque me ocorreu este número: trinta e sete. Com trinta e sete anos duas figuras do universo sportinguista alcançaram o Olímpo:

Carlos Lopes ganhou o ouro olímpico;

Joaquim Agostinho ganha a mítica etapa no Alpe d’Huez no Tour de France.

Com a mesma idade, trinta e sete anos, o que ganhará Cristiano Ronaldo neste Mundial?

Vamos ver, o jogo começa dentro de momentos e CR7 inicia o jogo no banco…

 

(adenda)

 

... e perdemos!

Arco-íris

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Leio, na TSF, a notícia que “morreu o jornalista que usou uma t-shirt arco-íris quando cobria o Mundial no Catar”. É sempre triste saber da morte de um ser humano, principalmente quando não se tem idade para isso, o jornalista tinha – segundo a notícia – 48 anos.

Curiosamente ontem à tarde a meteorologia deu-me o privilégio de observar um dos bonitos espectáculos que a natureza, de quando em vez, nos proporciona: o arco-íris.

Deixo aqui uma das fotografias que tirei, da varanda, e que aqui coloco em homenagem não só a este jornalista, como principalmente a todos aqueles que lutam pela igualdade entre os Homens (com letra maiúscula, sinónimo de homens e mulheres) na raça, na religião, nas diferenças políticas e pelo direito de amar quem quiserem.

Igualmente e de forma simbólica, dou uma bofetada aos dirigentes do Catar e da FIFA.

Gratidão

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Por certo não serão as palavras indicadas para este momento de euforia, fruto da vitória de Portugal sobre a Suíça, porém também eu comungo das palavras de César Mourão:

Preferia Ronaldo a titular a não ganhar o jogo com a Suíça

 

Adenda

Palavras de José Alberto Carvalho, que sublinho:

«“Cristiano Ronaldo e os portugueses. Ele, e nós, merecem que o extraordinário exemplo de vida, talento e tenacidade de um menino pobre sejam cristalizados no tempo. Aqueles que defendem o ‘elevador social’ só podem encontrar no Ronaldo o mais perfeito exemplo da batalha; do árduo esforço; da dedicação e compromisso; da vontade. Somos um país pequeno, bem o sabemos. Mas se os portugueses não fossem grandiosos já teríamos perecido enquanto nação. Isso nunca aconteceu, porque há figuras entre nós que nos lembram o que somos e do que somos capazes”, começou por dizer.

“Cristiano Ronaldo lutou toda a vida contra tudo: contra as suas circunstâncias; contra a inveja; contra os lobbies (até fazer parte deles); mas nunca perdeu o brilho no olhar de que só são capazes aqueles que verdadeiramente acreditam que é possível moldar o nosso próprio destino. Cristiano Ronaldo é um herói improvável. É nosso. Eu, gostava de lhe dar uma palmada nas costas, abraçá-lo e dizer-lhe: obrigado. E dar-lhe um beijo no rosto de agradecimento por tudo o que ele fez por todos aqueles que não nasceram em berços confortáveis. Queria só dizer-lhe: ‘obrigado por nunca desistires de ti’”, acrescentou José Alberto Carvalho, (…).»

Mundial 2022

1 - Todo este ruído, recentemente criado à volta da relação de Cristiano Ronaldo com a sua equipa, desvia a atenção para o óbvio:

as escolhas de Fernando Santos - em não convocar nenhum jogador do Sporting - são um insulto para muitos portugueses.

Eu senti-me insultado.

 

2 - O sr. Presidente da República proferiu afirmações que me causaram espanto, diz ele:

«O Qatar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa.»

Esqueçamos isto!?!?!?

"Verdade e fair-play desportivo" ou falta de vergonha?

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Felizmente a UCI, a União Ciclista Internacional, fez aquilo que as autoridades desportivas nacionais não tiveram coragem de fazer: impedir a equipa que veste com as cores do FCPorto de participar na Volta a Portugal, devido a caso de doping organizado.

Se esta prova, infelizmente, não tem qualquer prestígio internacional, com a eventual presença da participação desta seria um exemplo de «verdade e fair-play desportivo» (*) que dignificaria de sobremaneira o desporto português.

 

(*) - Palavras retiradas do último comunicado desta equipa.

"No andebol, nem com um golo fantasma"...

   

A «prova rainha de andebol teve um golo atribuído pela mesa aos dragões que não existiu. Os leões acabaram por levantar o troféu, mas Ricardo Costa denunciou esse momento».

Recordo que golos-fantasma são especialidade desse clube, não nos podemos esquecer daquele que houve também na Taça de Portugal, mas no futebol.

 

Recordo o episódio, contado no Record:

«A 18 de outubro de 1975 (…), dragões e leões encontraram-se para o campeonato no Estádio das Antas. Venceram os de Lisboa por 3-2, apesar de o adversário ter contado com um goleador único: o apanha-bolas.

Os relatos da época falam num forte nevoeiro, uma informação confirmada a Record por Manuel Fernandes, antigo avançado do Sporting que esteve nesse jogo. “Eu estava ali perto da área, mas nem precisava: toda a gente viu que a bola não entrou. Menos o árbitro”, recorda o segundo melhor marcador da história dos leões. “O Gomes rematou, a bola bateu atrás da baliza e ficou embrulhada na rede pelo lado de fora. O árbitro assinalou o golo por ilusão de ótica e depois o apanha-bolas meteu-a lá dentro”, acrescenta

Alder Dante, antigo juiz internacional de Santarém, manteve-se firme e deu o 2-2 aos dragões, que assim recuperavam de uma desvantagem de 0-2. Perguntou a dois jogadores do FC Porto e eles juraram que tinha sido golo. Após o jogo, apercebeu-se que tinha errado, escreveu uma carta à Comissão Central de Árbitros e acabou por levar uma repreensão por escrito. “Ele, ao ver a nossa reação e forma pouco exuberante como os jogadores do FC Porto festejaram, sentiu que a razão estava do nosso lado. Alguns de nós até nos ajoelhámos”, refere Manuel Fernandes, recordando que o colega Valter foi mesmo expulso. “Eu também estava de cabeça perdida e pedi ao Juca, que era o treinador, para me substituir. Entrou o Baltasar, que fez o golo da nossa vitória. Estávamos com menos um e ganhámos. Escreveu-se direito por linhas tortas...”, conclui.

Dois dias mais tarde, o Sporting viajou para Budapeste, para defrontar o Vasas, em jogo da Taça UEFA. No mesmo avião seguiu... Alder Dante, também ele a caminho de um jogo europeu. “Aproveitámos e mandámos-lhe umas bocas valentes...”, conclui Manuel Fernandes.»

 

Permitam-me que sublinhe esta frase, pois assim se vê o sentimento de honra válido para os jogadores do “Clube Que Não Sabe Quando Nasceu”:  «Perguntou a dois jogadores do FC Porto e eles juraram que tinha sido golo.»

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