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És a nossa Fé!

Entradas & Saídas, Carregadores de Piano & Pianistas

Carregadores de piano: os produtores culturais como protagonistas dos  expetáculos

A lista de entradas&saídas continua a crescer, agora mais lentamente, muito mais pelas saídas do que pelas entradas, algumas situações estarão a aguardar o fecho do ano fiscal para serem concretizadas.

As equipas A e B do Sporting começaram já na 2ªF os trabalhos, duma forma um pouco estranha, o Rúben arrancou com um misto de A´s e B´s enquanto aguarda pelas contratações e pelos internacionais, o Filipe ficou com o resto. Nem faço ideia que equipa B vamos ter este ano com tanta limpeza feita no escalão etário 20-22.

Obviamente falta ainda muito para termos o plantel da equipa A completo e de acordo com os objectivos da época, mas nota-se uma estratégia arrumar a casa do ponto de vista financeiro e de ter uma base bem assente, a partir do núcleo duro da época passada, antes de partir para as contratações de craques para as 2 ou 3 posições mais carenciadas, que para mim até pelas saídas de Matheus Nunes (provável), Sarabia e Slimani são a "8" (box-to-box), "7" (interior) e "9" (goleador). 

Ou seja, carregadores de piano já temos, venham agora os pianistas.

 

Entradas :

1. Hidemasa Morita (27)  (A confirmar)

2. Jeremiah St Juste (25)

3. Franco Israel (22) (A confirmar)

4. Geny Catamo (21) (Regressado de empréstimo)

5. Eduardo Quaresma (20) (Regressado de empréstimo)

6. Diogo Abreu (19)

7. Fatawu Issahaku (18)

8. Jesús Alcántar (18)

9. Francisco Canário (18)

 

Saídas definitivas :

1. Islam Slimani (33) (A confirmar)

2. Zouhair Feddal (32)

3. Pablo Sarabia (30)

4. Rodrigo Battaglia (30) (A confirmar)

5. João Palhinha (26) (A confirmar)

6. Bruno Paz (24)

7. Eduardo Pinheiro (24)

8. Pedro Marques (24)

9. Matheus Nunes (23) (A confirmar)

10. João Virgínia (22)

11. João Goulart (22)

12. Diogo Brás (22)

13. Bernardo Sousa (22) 

14. Gonçalo Costa (22)

15. Pedro Mendes (22) (Rio Ave, a confirmar)

16. Anthony Walker (21)

17. Edson Silva (20)

18. Rodrigo Rêgo (20)

19. Rafael Fernandes (19)

20. Bruno Tavares (19)

21. Saná Fernandes (16) 

 

Empréstimos para rodar e regressar :

1. Rúben Vinagre (23) 

2. Gonçalo Esteves (18)

 

Empréstimos que podem conduzir a saídas definitivas :

1. Tiago Tomás (22) 

2. Joelson Fernandes (18)

 

Casos ainda pendentes de decisão (com algum entulho que algum dia chegou de para-quedas) :

1. Renan Ribeiro (32)

2. Tiago Ilori (28)

3. Filipe Chaby (27)

4. Andraž Šporar (27)

5. Luiz Phellyppe (27)

6. Eduardo Henrique (26)

7. Carlos Jatobá (26)

8. Idrissa Doumbia (23)

9. Marco Túlio (23)

10. Jovane Cabral (23)

11. Rafael Camacho (21)

12. Gonzalo Plata (20)

 

 

PS: No 1º jogo da época contra a equipa B, o Sporting alinhou com:

André Paulo; Esgaio, Neto, Marsà, Matheus Reis e Nuno Santos; Renato Veiga e Daniel Bragança; Pedro Gonçalves, Bruno Tabata e Geny Catamo.

Assim de repente parece que Marsá esteve a fazer de Coates, o Daniel Bragança de Matheus Nunes e o Tabata de Sarabia na versão ponta de lança móvel.

SL

Box to box

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No modelo de jogo 3-4-3 de Rúben Amorim o elemento fundamentar de ligação entre sectores e controlo do ritmo de jogo é o segundo médio, o tal "8" ou "box-to-box". Faz de "6" quando a equipa defende, de "10" quando a equipa ataca, descai para uma ala para receber a bola na construção ofensiva e corre para a frente com a mesma dominada provocando faltas em zonas perigosas para o adversário, corre para trás a tentar o desarme sem falta quando a equipa perde a bola.

A grande diferença entre o que foi o futebol do Sporting na primeira época e na segunda do Rúben deve-se muito à diferença de características entre João Mário e Matheus Nunes. Enquanto João Mário temporizava e tabelava, Matheus Nunes acelerava e passava longo, bem mais ao jeito dum Bruno Fernandes, que Jorge Jesus também bem soube adaptar à posição.

A importância de Matheus Nunes nesta temporada foi tremenda. Muitas vezes os adversários faziam-lhe marcação cerrada e nos jogos com o Porto então era um festival de faltas sofridas a que os artistas como o que surge na foto faziam vista grossa. Por isso Amorim raramente prescindia dele, foi um dos jogadores com mais minutos de utilização durante a época.

 

Saindo o rapaz provavelmente rumo à Champions, num dos melhores negócios de todos os tempos da história da SAD, considerando os valores de compra e venda e o retorno desportivo, o Rúben terá de encontrar o sucessor, ou apostar em quem já integra o plantel mas é bem diferente do Matheus como Morita (?), Daniel Bragança, Tabata ou Pedro Gonçalves, ou orientar o Sporting a contratar alguém com as características pretendidas.

Por aquilo que aqui fui dizendo, na minha opinião recuar Pedro Gonçalves é um desperdício. Daniel Bragança não tem esse perfil, Morita não faço ideia. Tabata seria aquele que me pareceria mais ajustado, mas a verdade é que Amorim o vê mais à frente no eixo central, até fez dele nalguns jogos um falso ponta de lança. Nos mais jovens, nem o Dário Essugo nem o Renato Veiga têm esse perfil, o Diogo Abreu não faço ideia também.

 

É claro que alguns dirão que Amorim deve é mudar o modelo de jogo, pôr o Sporting a jogar de outra forma qualquer para encaixar este ou aquele, mas os grandes treinadores não funcionam assim, não são cata-ventos nem... ia a dizer um nome dum nosso ex-treinador mas não digo, têm um modelo de jogo em que acreditam e que aperfeiçoam época a época e com isso vencem e coleccionam títulos.

Sendo assim, quem deveria ser no vosso entender o novo "box-to-box" do Sporting e que deveria ele trazer de novo ao modelo de jogo da equipa?

SL

Apesar de tudo foi uma época bem conseguida

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Numa época desportiva de alguma forma condicionada pela instabilidade decorrente do ano eleitoral, e temos de nos recordar das contas chumbadas em Assembleia Geral por uma minoria truculenta, o Sporting CP conseguiu apesar de tudo um conjunto de conquistas interessante no campo e no pavilhão nas modalidades com mais peso a nível nacional:

Futebol Masculino c/ Rúben Amorim:

  • Supertaça
  • Taça da Liga
  • 2º lugar na Liga
  • Chegada aos oitavos da final da Champions

Futebol Feminino c/ Mariana Cabral:

  • Supertaça
  • Taça de Portugal
  • 2º lugar na Liga

Andebol Masculino c/ Ricardo Costa:

  • Taça de Portugal
  • 2º lugar na Liga

Hóquei Masculino c / Paulo Freitas:

  • 3º lugar na Liga / Playoffs

Futsal Masculino c/ Nuno Dias:

  • Título nacional
  • Taça da Liga
  • Taça de Portugal
  • Supertaça
  • 2º lugar na Champions

Basquetebol Masculino c/ Luís Magalhães:

  • Supertaça
  • Taça de Portugal
  • Taça da Liga (Hugo dos Santos)
  • Quartos de final da Champions
  • 3º lugar na Liga / Playoff

Voleibol Masculino c/ Gersinho:

  • 2º lugar na Liga / Playoff

Voleibol Feminino c/ Rui Costa

  • Taça da Federação
  • 3º lugar na Liga / Playoff

 

Ganhando mais ou menos, todas estas equipas dignificaram o clube dentro do campo. Com excepção duma ou outra acção de algum atleta no calor da luta, todas me pareceram bem orientadas e se mais não ganharam foi porque do outro lado estão rivais que contam com argumentos financeiros e não só.

Em todas elas encontramos atletas que nos enchem as medidas e constituem mais um factor de atracção pela modalidade e um pretexto para ir ao estádio ou ao pavilhão.

Sendo assim, parabéns a todos, especialmente aos técnicos atrás citados.

Para dois deles acabou o ciclo dentro do clube, não tanto pelos resultados mas mais pela necessidade de renovação das equipas respectivas. Esperamos ver no basquetebol e no hóquei aquilo que aconteceu no andebol nesta época, uma equipa rejuvenescida no corpo e na alma e de volta aos sucessos.

 

PS: Não esquecer de votar no site respectivo para que o Sporting regresse na próxima época à Champions do Andebol.

SL

Aposta na formação

A cerimónia de comemoração dos 20 anos da Academia de Alcochete deixou claro nas intervenções realizadas e nos projectos de desenvolvimento apresentados que, depois dum período de estagnação e de completa ultrapassagem pelo Seixal marcado pelo desleixo e falta de visão estratégica, o Sporting regressou ao projecto inicial centrado no jogador imaginado pelo mestre Aurélio Pereira.

E se a Academia de Alcochete, bem como o Pólo da EUL, são fundamentais na aposta firme e sustentada do Sporting na formação, o treinador principal não deixa de ser uma peça fundamental nessa aposta também.

Curiosamente a relação entre Aurélio Pereira e Rúben Amorim vem de longe. Já em 1998 o teria convidado a vir treinar ao Sporting, depois a coisa não se concretizou, se calhar por isso deve ser com grande orgulho que disse agora: "Há uma estratégia da administração e o treinador é funcionário do clube, tem de responder a essa chamada. Rúben Amorim é um rapaz que se interessa pela formação, muito acessível. Sai do treino dos seniores e vem logo direito aqui aos campos para ver o que se passa. Está sempre atento."

Outra peça essencial na aposta é o recrutamento. Na Academia não podem existir lugares cativos, a sua porta tem de estar permanente aberta ao talento nacional e internacional, dentro dum quadro de integração e respeito pelos valores do clube. Foi assim e terá de ser assim que jogadores como Nani, Palhinha, Jovane ou Matheus Nunes se formaram no Sporting, cada um chegando na idade que chegou e integrando-se da melhor forma com quem lá estava desde tenra idade.

Neste momento existem por lá, além de africanos das ex-colónias, dois ou três noruegueses, mas se calhar faria sentido haver mais talento estrangeiro do tipo Plata, Duscher ou Ugarte, dentro dos condicionalismos FIFA existentes. Para isso é necessário um scouting eficaz. Para descobrir Catena ou Marsà não é preciso grande scouting.

Por último, não podia deixar de falar da equipa B, que mais uma vez vai ser completamente remodelada e ainda mais jovem que a anterior. Ao contrário do que eu gostaria, a B vai continuar a não ter nem plantel nem estatuto próprio de acordo com a responsabilidade de defender o clube nas ligas profissionais. Prevejo que vá mais uma vez ter dificuldades para se manter na Liga 3.

Era um debate que gostava de ver feito, se faz sentido continuarmos assim ou apostarmos (e gastarmos) para ter a equipa a bater-se com os rivais na Liga 2.

SL

Entradas & Saídas

E a lista continua a crescer, muito fruto da limpeza que mais uma vez está a ocorrer na equipa B, e ainda falta decidir o futuro de uma dúzia de emprestados. 

Por ordem de idades temos:

Entradas :

1. Hidemasa Morita (27)  (A confirmar)

2. Jeremiah St Juste (25)

3. Franco Israel (22)

4. Diogo Abreu (19)

5. Fatawu Issahaku (18)

6. Jesús Alcántar (18)

7. Rodrigo Abreu (15)

Saídas :

1. Islam Slimani (33) (A confirmar)

2. Zouhair Feddal (32)

3. Pablo Sarabia (30)

4. Rodrigo Battaglia (30) (A confirmar)

5. João Palhinha (26) (A confirmar)

6. Bruno Paz (24)

7. Eduardo Pinheiro (24)

8. Pedro Marques (24)

9. Matheus Nunes (23) (A confirmar)

10. João Virgínia (22)

11. João Goulart (22)

12. Diogo Brás (22)

13. Bernardo Sousa (22) 

14. Gonçalo Costa (22)

15. Anthony Walker (21)

16. Edson Silva (20)

17. Rafael Fernandes (19)

18. Saná Fernandes (16) 

 

Emprestados / encostados / casos pendentes de decisão :

1. Renan Ribeiro (32)

2. Tiago Ilori (28)

3. Filipe Chaby (27)

4. Andraž Šporar (27)

5. Luiz Phellyppe (27)

6. Eduardo Henrique (26)

7. Carlos Jatobá (26)

8. Idrissa Doumbia (23)

9. Marco Túlio (23)

10. Jovane Cabral (23)

11. Pedro Mendes (22)

12. Rafael Camacho (21)

13. Gonzalo Plata (20)

14. Eduardo Quaresma (20)

15. Rodrigo Rêgo (19)

16. Bruno Tavares (19)

17. Joelson Fernandes (18)

De salientar que, como fui aqui prevendo, quase tudo o que ficou dos campeões de juvenis e juniores de 2016/2017 acabou por sair do clube pela porta pequena. Daniel Bragança é o "último moicano", como referiu e bem o Luis Barros.

Entradas e saídas fazem parte do normal dum grande clube, para que uns lá cheguem outros terão de sair de lá. Importa que saiam com retorno financeiro e/ou desportivo, no fundo são ciclos de vida dos jogadores dentro do clube que importa gerir da melhor forma.

SL

A época de afirmação do Daniel Bragança

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Se realmente é verdade que Palhinha e Matheus Nunes estão de saída, se para as duas posições do meio-campo irão existir apenas Ugarte, Essugo, Morita e o próprio Daniel Bragança, não acreditando eu minimamente que Amorim vá recuar a máquina de golos que é Pedro Gonçalves e teimando ele que o lugar de Tabata é mais à frente, então a próxima época parece ser forçosamente a época de afirmação do... Daniel Bragança.

Se a questão se resolvesse por votação dos sócios com plenos direitos para o efeito, o Daniel chegava próximo dum apoio pleno. Porque entrou muito novinho pelo Sporting, porque foi campeão nos escalões jovens, porque já cá estava com o Bruno, porque cá ficou com o Varandas, porque teve um percurso de empréstimos similar a Adrien, porque ainda cá está depois destes anos todos e tem contrato até 2025, porque é um injustiçado do Amorim, porque há desmaios das moças do estádio e dos tasqueiros das redes sociais quando ele acelera em campo, porque é agenciado pelo Jorge Mendes mesmo que aqueles que odeiam o homem façam por esquecer o facto, porque é uma jóia de moço, porque a namorada é bonita, porque é daqui ao lado onde vivo, porque parece um surfista, porque isto, porque aquilo, tem mesmo de ser.

Tenho até o previlégio de ter sentado em Alvalade à minha frente um "velhote" que passa meio jogo aos berros: "Mete o Bragança!" Até que um dia, entrando ele atrasado, o enganei apontando para Ugarte ou outro qualquer e dizer-lhe que o Bragança naquele dia era titular. Como a visão dele, como a minha, já teve melhores dias... a aldrabice ainda aguentou um pedacito.

O problema é que... a próxima época não pode ser a de Daniel Bragança à custa do Sporting, tem de ser a do Sporting muito ajudado pelo Daniel Bragança. Tem de ser ele a levar o Sporting ao topo, e não o inverso.

E aqui é que a porca torce o rabo. Embora tenha visto (e estranhado) o Daniel a jogar a trinco nos sub23, entra pelos olhos de todos que o lugar dele é de médio ofensivo, nem 6, nem 8 mas a 10, a jogar pelo meio bem de frente para a defesa contrária. Se para a frente ele parece um carro de competição, para trás parece um cavalo a trote. Mas quantos jogadores desse tipo existem por esse mundo fora, ou existiram no passado no Sporting? Samuel Fraguito, por exemplo.

De frente para a defesa adversária o Daniel é extremamente intuitivo, percebe extremamente bem os movimentos dos colegas, acelera o jogo através do passe em profundidade ou temporiza muito bem deixando a equipa posicionar-se, tem pronta reacção à perda, boa chegada a área e remate pronto. 

Na recuperação defensiva, o Daniel nem consegue correr mais que o adversário nem lhe consegue ganhar metendo o físico, e com isso é forçado a deixá-lo ir ficando a defender com os olhos ou a incorrer a faltas que geram livres perigosos. Ou seja, nada que ver com Matheus Nunes, nem mesmo com João Mário. Nem no meu entender, que pelos vistos não é o de Amorim, com Tabata. Deixo aqui Morita de fora da análise, espero para ver. Dois dos golos sofridos pelo Sporting esta temporada,  aquele do Odday Dabagh em Arouca e o segundo do Benfica em Alvalade, ilustram bem este meu ponto de vista.

Pelo que me parece que para o Daniel ser titular, entrar de início, ganhar embalagem que lhe permita triunfar no Sporting e até chegar à Selecção Nacional, o sistema táctico do Sporting tem de deixar de ser o 3-4-3 e tem de ser outra coisa, seja um 4-4-2 ou um 3-5-2. Neste ultimo caso, a entrada do Daniel quase obrigava a sair... o ponta de lança/pivot/avançado-centro. Ou seja, o Paulinho... Mas este corre e luta bem mais...

Irá isso acontecer? Sinceramente, duvido... O que virá mesmo a ser uma pena para o rapaz de que muito gosto. Mas por alguma razão os clubes ingleses andam loucos por Matheus Nunes e nada se ouve sobre o Daniel Bragança.

Mas isto sou eu a pensar alto. Qual é a vossa opinião sobre este assunto?

A próxima época vai mesmo ser a época de afirmação do Daniel Bragança ao serviço do Sporting?

SL

Aposta na formação

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A duas jornadas do fim o Sporting conquistou o título nacional de sub17, o seu 14.º título no escalão.

A campanha demolidora desta equipa do Sporting na fase final do campeonato foi ainda mais relevante quando sabemos que os jogadores mais destacados da categoria andavam a competir em patamares avançados, casos de Dário Essugo e Rodrigo Ribeiro.

Diz quem conhece melhor do que eu que estamos na presença da melhor fornada de Alcochete desde a de João Mário/Esgaio/Bruma. 

E no escalão abaixo dos sub15 estamos prestes a conquistar também o título nacional.

Ganhar títulos nas camadas de formação só por si não chega, é um instrumento para atingir um fim. E o fim é formar jogadores para a equipa A. 

E a verdade é que dos campeões nacionais de sub17 e sub19 de 2015/2016 muito poucos alinharam pela equipa A e apenas um, Daniel Bragança, lá continua. Depois tivemos três ou quatro que quiseram sair e lançar a carreira noutro lado, incluindo um fugitivo Rafael Leão. O que mais houve foi jovens que desperdiçaram o seu talento, passando ao lado duma carreira de sucesso. Se calhar os dois títulos mascararam muita coisa.

Formar jogadores não é apenas ensinar futebol e treinar gestos técnicos, é formar pessoas, entrar na cabeça deles para os alinhar nas exigências do futebol profissional, no espírito de equipa e no respeito pela camisola e pelos valores do clube. Para que depois não possa alguém do Sporting vir dizer que "Estamos a fazer um exame de consciência, porque de certeza absoluta que formámos um grande jogador mas não conseguimos formar uma pessoa com carácter", como disse em tempos Manolo Vidal sobre Simão Sabrosa.

Para essa formação, além do suporte multidisciplinar que existe na academia, e de muita sessão de formação comportamental e de atitude, são precisas também muitas derrotas à chuva e ao frio em campos esburacados, castigados por árbitros incompetentes ou pior do que isso, como acontece com a equipa B.

Nas derrotas aprende-se tanto ou mais do que com as vitórias. Aliás esta equipa sub17 perdeu os dois jogos com o Benfica na primeira fase da competição. 

E não há formação que resista à falta de boa matéria-prima. O cuidado com o recrutamento é fundamental. Estes sub17 e sub15 não chegaram ontem ao Sporting, é importante que os mais dotados, os mais talentosos, escolham o Sporting. Para isso todos os detalhes são importantes, dos técnicos aos ginásios, dos relvados aos colchões.

PS: A esta hora a equipa sub15 do Sporting já é também campeã nacional da categoria, batendo em casa o Vitória de Guimarães por um expressivo 6-0. Parabéns a todos.

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SL

ADN do Sporting

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Parece que foi ontem, mas já passaram mais de três anos desde o dia em que vi a equipa de andebol do Sporting liderada pelo Hugo Canela a ganhar ao FC Porto no João Rocha, e a demonstrar todo um conjunto de qualidades na altura ausentes da equipa de futebol do clube.

Mal sabia eu que essa equipa de andebol bicampeã nacional, depois duma campanha brilhante na Champions, iria fracassar na recta final da temporada, e que depois a saída de Anti com o Covid a levaria a atravessar um deserto que apenas agora, graças à família Costa, se está a ultrapassar.

Enquanto isso, no futebol, Marcel Keizer conseguiria ganhar na garra a Taça de Portugal ao FC Porto, e mais tarde Rúben Amorim traria consigo os valores bem distintivos do ADN do Sporting (esforço, dedicação, devoção, jogo limpo, decência competitiva) potenciados por uma mistura bem conseguida entre jogadores formados localmente, jogadores que deram provas nas competições internas e estrangeiros diferenciados que rapidamente se transformam em ídolos dos adeptos. 

Ricardo Costa soube muito bem reconstruir uma equipa de andebol que orgulha o clube. Os seus dois filhos tiveram um crescimento desportivo incrível durante a temporada, mas Salvador Salvador, Manuel Gaspar e o grupo da formação, o alemão e o esloveno mais latinos de sempre que por aqui passaram e que puxaram pelo dinamarquês e pelo georgiano, a troupe espanhola com muita garra do Ruesga, mais aquele rapaz tunisino intuitivo na baliza que quando engata é um caso sério, todos eles integram uma equipa honesta e que vale muito mais do que o conjunto de jogadores que a integram.

 

Neste último jogo da temporada, num pavilhão do grande Porto, contra a actual melhor equipa portuguesa que contava com muitos quilos e centímetros a mais, dominado pelos Superdragões e pelo público afecto ao adversário, presidente incluído, com algumas decisões pelo menos infelizes da arbitragem nos momentos mais decisivos dos prolongamentos, muito em particular daquele senhor "fiscal" que inventou uma exclusão de 2 minutos ao Francisco Costa, a equipa do Sporting soube aguentar-se em campo. Mesmo a perder por 5, quase conseguia ganhar o jogo nos últimos instantes, ter o jogo praticamente perdido no 1.º prolongamento, para entrar no 2.º a dominar e conquistar brilhantemente a Taça. 

 

Foi uma jornada épica do andebol do Sporting CP. Quem não viu que tente ver. Poderá ser o início duma nova fase de triunfos, se calhar ajudado pela reentrada na Champions através dum "joker", decisão que vai ser tomada brevemente pela federação europeia da modalidade.

Muitos parabéns a todos, Ricardo Costa e Salvador Salvador à cabeça. Mas esta vitória muito se deve a Miguel Afonso e a Carlos Carneiro que conseguiram segurar quase todos os melhores do plantel do assédio do FC Porto e responder à saída do então capitão Pedro Valdez com a vinda dos irmãos Costa.

SL

Grande filho da puta

Foi com um golo dum filho da puta que Portugal conseguiu um empate sofrido com a Espanha.

Pelo menos foi o que aquele trauliteiro naturalizado a martelo publicou da festança, aquele que foi substituído sem nada acrescentar à selecção no jogo de hoje em Sevilha.

E o que cantou o guarda-redes tripeiro na emoção dos festejos.

Entre os filhos da puta e a puta desta máfia que controla tudo e todos, fica uma selecção cada vez mais divorciada de todos nós.

Digo eu, que sempre soube separar clube e selecção, e que na campanha de França vibrei com Renato Sanches e muitos outros que de Sportinguistas não tinham nada.

SL

Uma guerra necessária

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Pinto da Costa tem quase tantos anos de responsável directo do futebol do FC Porto como eu tenho de bancada de Alvalade, pelo que pude acompanhar com mais ou menos atenção a sua carreira de dirigente desportivo, sem dúvida recheada de sucessos mas também de zonas bem cinzentas, eticamente reprováveis, indecentes ou potencialmente criminosas, das quais consegue sempre arranjar maneira de se safar devido à sua enorme habilidade política que lhe permitiu construir uma teia de amizades e cumplicidades transversal a toda a sociedade do grande Porto e não só.

João Rocha, sempre distraído com a sua ideia que o Sporting CP era muito mais que futebol, apenas pontualmente conseguiu travar a ascensão do clube liderado por aquele que tratava como "Pintainho da Costa". E foi assistindo à fuga de jogadores importantes, como Dinis, Alhinho, Eurico, Inácio e Futre.

Damas e Manuel Fernandes só não sairam porque não quiseram. João Rocha foi buscar jogadores de segunda linha, como Romeu e Gabriel, ou tipo "boomerang" de compromisso duvidoso (que o diga Manuel José), como António Oliveira, Jaime Pacheco e Sousa. E foi muito desgastado por essa guerra, para a qual nunca contou com o apoio do SL Benfica e do seu presidente Fernando Martins.

Depois de quatro épocas sem nada ganhar João Rocha saiu de Alvalade por uma porta bem mais pequena daquela que merecia.

 

Dias da Cunha foi outro presidente que denunciou "o sistema", o controlo mafioso pelo Porto das instâncias de poder do futebol em geral e da arbitragem em particular, cujas origens estão bem descritas no livro "Golpe de Estádio" (que custou ao autor uma monumental sova à porta de casa). E, conquistando campeonato e Taça, logo viu a estrela do plantel, Jardel, ser "trabalhada" rumo à sua perdição.

 

Frederico Varandas chegou a presidente conhecendo bem quem e como mandava no futebol português e tentou uma aproximação com os poderes instituídos numa óptica de boa vontade e de ganho de tempo para a recuperação do clube, grandemente fragilizado pelo assalto a Alcochete e pelo processo que levou à expulsão do ex-presidente.

Isto permitiu-lhe encontrar, apesar de tudo (da Unilabs, do CD da FPF, do CA/APAF, do Soares Dias em Braga, etc), a tranquilidade necessária para ganhar. Assim, no seu primeiro mandato, o Sporting ultrapassou o FC Porto em termos de títulos internos (6).

 

Reeleito, esmagando nas urnas um candidato com raízes no Porto, muito acarinhado pelo jornal desportivo da cidade e apoiado pela franja devota do ex-presidente que pelos vistos se tornou grande amigo do tal "Pintainho" de que falava João Rocha, o FC Porto fez de Varandas o inimigo a abater e, com ele, o Sporting CP.

Isto aconteceu de todas as formas possíveis, como se viu no confronto do Dragão para a Liga e em tudo o que se passou no relvado e fora dele. Foi esse o ponto de decisão desta temporada. O FCPorto fez de tudo para não perder e conseguiu-o no relvado, pela mão de João "2 cms" Pinheiro, e fora dele embuscou e roubou o nosso presidente.

 

Tendo conseguido triunfar na temporada através dum percurso marcado pelos mergulhos acrobáticos, pelos deslizes de jogadores adversários e por análises de VAR azuladas, os ladrões do Dragão por punir e as penas dos seus para serem gozadas nas férias, Pinto da Costa foi aproveitando para gozar e achincalhar Frederico Varandas e o Sporting CP. 

O que disse Frederico Varandas no domingo em Carregal do Sal, por muito que custe ouvir a muita gente, é verdade. E não devia ser. O jogo devia ser limpo, os árbitros honestos, os dirigentes corruptores serem condenados e deixarem o dirigismo, os cargos serem ocupados por gente idónea e com vergonha na cara. Mas não é isso que temos em Portugal.

Goste-se ou não das consequências imediatas das palavras do nosso presidente, a questão é que é uma guerra mesmo necessária que o clube tem de enfrentar para prosperar. A guerra pela verdade desportiva, pelo futebol dentro do campo, pelo poder da representatividade e capacidade de mobilização de cada clube, pelo acabar do financiamento encapotado a organizações muito perigosas que mandam na noite e por vezes são visitas não desejadas de estabelecimentos de árbitros e familiares.

A guerra que João Rocha entendeu travar, na qual não teve sucesso porque se calhar não quis sujar as mãos, e que outros presidentes do Sporting depois dele atraiçoaram.

 

A estratégia de Pinto da Costa sempre foi dividir para reinar. Dum lado da circular um amigo, do outro um inimigo, alternado conforme o momento e o idiota útil disponível.

No dia em que os dois lados se entenderem sobre este assunto, e ultrapassarem os excessos anti de um e doutro lado (alguns derivados de guerras de claques com motivações extra-futebol) em benefício de objectivos de ambos, o domínio do FC Porto "è finito".

Para mim é claro como água. 

 

Para o benfiquista José Manuel Delgado director de "A Bola", também:

"E já que se fala em política, talvez seja bom recordar que ao longo das quatro décadas de mandato de Pinto da Costa muitas foram as vezes que procurou aliar-se, à vez, a um dos grandes de Lisboa (mais ao Sporting do que ao Benfica...), diabolizando e ostracizando o outro, com uma constante desta estratégia: o Porto saiu sempre a ganhar, comendo as papas na cabeça ao aliado de circustância."

Só faltou demonstrar que foi mesmo mais o Sporting que o Benfica, se calhar foi mesmo o oposto...

 

Até lá vai ser bem complicado, mesmo que um dia destes alguém caia da cadeira, e em vez de "pintainho" tenhamos "ruizinho" ou outro "inho" qualquer.

Como muito bem disse Rui Gomes da Silva  (veja-se o post que fiz sobre o assunto e respectivos comentários) do outro lado da 2.ª circular:

"É proibitivo apoiar para novo mandato na Federação Portuguesa de Futebol qualquer dirigente que não tenha feito nada para acabar com a impunidade do FC Porto ou de qualquer outro clube que ache estar acima das leis."

 

PS: Pergunta Gonçalo Guimarães, também n'"A Bola": "Porque é que havia jogadores do Braga a chorar após perderem no Seixal, frente ao Benfica, o jogo que deu o título de juniores ao Benfica em detrimento do Porto? Alguém me explica?"

Porque será, Gonçalo? Será do Guaraná?

SL

Filipe Çelikkaya

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Aqui mais abaixo o Pedro Correia promoveu e muito bem uma homenagem a Mariana Cabral, uma treinadora que veio dos escalões de formação para no primeiro ano como treinadora principal ganhar duas taças. Venho agora chamar a atenção para um treinador que também veio dos escalões de formação, que não ganhou nada em dois anos e se prepara para nada ganhar no próximo pelos motivos que abaixo indico, mas que tem cumprido muito bem a missão que lhe confiaram. E que, em termos humanos e profissonais, me parece ter muito em comum com a Mariana.

 

Passou hoje na Sporting TV, pelas 13h, uma extensa entrevista com o Filipe onde ele explicou muito bem o projecto de formação do Sporting, coordenado por Thomaz Morais, orientado ao abastecimento regular de jovens à equipa A, que não apenas se distingam pelos seus dotes técnicos mas demonstrem a maior inteligência emocional e saibam integrar-se e projectar-se ao mais alto nível no futebol profissional. Coisa que, como sabemos, faltou a muitos que passaram por Alcochete: uns perderam-se nos seus vícios, outros desertaram à primeira oportunidade e cuspiram na sopa que comeram. Alguns, como Simão Sabrosa, ainda hoje falam do clube com o maior desprezo.

E a verdade é que os produtos mais recentes dessa estratégia - por exemplo Diego Callai, Dário Essugo e Rodrigo Ribeiro, na sequência das apostas em Gonçalo Inácio, Tiago Tomás e Nuno Mendes - parecem realmente demonstrar a justeza da estratégia seguida. E se no escalão 18-21 anos temos de facto poucos jovens de grande nível, já nos 14-17, e aí está a campanha da selecção dos sub17 para o demonstrar, estamos bem apetrechados.

Como o Filipe explicou, em Alcochete os jovens são formados numa perspectiva 360º, com psicólogos, nutricionistas, especialistas em desempenho físico, monitorização e análises individuais constantes de desempenho, desafios em diferentes ambientes de competição, exigência de superação no treino interno e no jogo contra adversários (e árbitros) "mauzinhos" e complicados, elevado número de minutos de jogo durante a temporada. Dário Essugo deve ter tido uma carga competitiva durante a temporada três ou quatro vezes superior ao que teria há uns anos no seu escalão etário de juvenil, não falando dos cartões amarelos e vermelhos que encaixou.

 

A meu ver faltou na entrevista abordar as questões que tenho vindo aqui a colocar, nomeadamente, porque havendo sub23 não está a B mais próxima da A em termos de  sistema táctico e plantel, e porque não é feita uma aposta séria na subida da B à 2.ª Liga.

Pelo contrário, parece que a ideia é baixar mais uma vez a idade do plantel da B para enquadrar e desenvolver aqueles que se destacaram nesta temporada na Youth League, hipotecando desde logo as ambições de subida.

Foi mais um excelente trabalho da Sporting TV, instrumento extraordinariamente importante no relacionamento do clube com sócios e adeptos. Ainda ontem vi um trabalho magnífico sobre Hector "Chirola" Yazalde, com intervenções da viúva, "Camizé", do enorme treinador Mário Lino, do grande defesa esquerdo de então Carlos Pereira e do "9" suplente, o Dé "Aranha", que me trouxe lágrimas aos olhos. Acho que muitos sócios e adeptos ainda não perceberam bem a qualidade actual do canal que tem à sua disposição.

SL

O dia seguinte

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Não sendo eu propriamente um entendido em futebol feminino, e pensando que não fará muito sentido ver ou avaliar da mesma forma futebol masculino e feminino, não podia deixar de fazer aqui um apontamento sobre o que aconteceu ontem no Jamor. 

Até porque foram elas este ano que conseguiram lá estar, que conseguiram que muitos Sportinguistas vindos um pouco de todo o lado lá rumassem para uma bela tarde de futebol, que conseguiram ganhar o jogo categoricamente, que conseguiram trazer para o museu do clube mais uma Taça. Antes disso já tinham conquistado a Supertaça frente ao Benfica, e na Liga lutaram quase até ao fim pelo título.

Mais que merecem este meu pequeno esforço.

 

Foi um jogo em que uma equipa "fórmula Sporting", com mais de metade proveniente da formação, algumas mais experientes e com muitos anos de casa, e algumas estrangeiras diferenciadas, defrontou uma equipa do Famalicão mais velha e mais poderosa fisicamente. Foi preciso competência técnica e táctica, mas também muita crença e muita raça para dominar o jogo e conquistar a vitória.

O Sporting entrou em campo em modo Amorim, uma disposição em campo que parecia 3-4-3 com Diana Silva mais fixa à frente, Brenda a deambular pelo centro e Chandra pelas alas. E como o Famalicão tentava antes do mais ganhar a luta de meio-campo e defender o centro, era Chandra que procurava o melhor espaço para acelerar, tabelar e posicionar-se para concretizar.

Estivesse o remate de entrada da área afinado e não teria sido preciso uma mão na bola do adversário para chegar ao 1-0. Depois o jogo continuou na mesma toada, Diana Silva cabeceia ao poste e minutos mais tarde Chandra marca um golo improvável, daqueles que só marca quem acredita.

Com 2-0 aos 60 minutos, a equipa foi perdendo gás, se calhar a defesa sentiu a falta da central bósnia Melisa Hasanbegović para impor respeito ali atrás. O Famalicão foi atrás do prejuízo, ainda conseguiu um penálti muito bem defendido por Bacic e um golo de oportunidade duma bela assistência da nossa ex-jogadora Raquel Fernandes. Ana Capeta, outra nossa ex-jogadora, foi das mais lutadoras do adversário.

 

Quem assistiu à reportagem da Sporting TV pode perceber por um lado o magnífico ambiente daquela equipa muito "made in Sporting". Confirmando-se a qualidade do projecto de formação que está por detrás desta equipa, com Thomaz Morais e Mariana Cabral como peças-chave, em que uma ou outra das jogadoras seniores e uma adjunta de Mariana Cabral são também treinadoras ou preparadoras físicas de escalões jovens, e a capacidade de integração de atletas estrangeiras de qualidade, como Doris Bacic, Chandra Davidson e Brenda Perez e a tal Melisa Hasanbegović. 

Temos de recordar-nos que no final da época passada sairam várias jogadoras importantes que tinham estado noutras conquistas de títulos e taças, talvez rumo a melhores contratos, e foi preciso construir uma nova equipa e novos lideres de balneário.

 

Esta equipa merece também uma aposta mais forte da Sporting SAD no que respeita ao futebol feminino. Aposta essa que passa por aproximar a equipa dos sócios, trazendo para Alvalade os jogos mais importantes e incentivando a ida gratuita de jovens e famílias, procurar reter os melhores valores e reforçar o plantel com jogadoras diferenciadas relativamente às que conseguimos formar, muito em especial no aspecto físico, capacidade de remate e jogo aéreo.

Porque, tal como acontece no futebol masculino, já temos o mais importante, uma treinadora educada, humilde e competente, Mariana Cabral de seu nome, e uma estrutura sólida por detrás que efectivamente funciona.

Muitos parabéns a todas e a todos os envolvidos nesta grande vitória do Sporting Clube de Portugal.

  

SL

O Ferguson do Sporting

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Já disse aqui que Rúben Amorim devia ficar no Sporting pelo menos até ao seu miudo entrar no liceu.

Pelas suas qualidades humanas, nas antípodas dos batoteiros malcriados doutras paragens, pela sua forma tranquila e determinada de ser e estar na liderança do grupo, pela defesa intransigente que faz do espírito de corpo "Onde vai um vão todos" e pelo seu enorme potencial enquanto treinador.

É mesmo por causa deste último item que Amorim deve ficar esse tempo todo, porque se é verdade que já demonstrou muita coisa, tem ainda imenso para crescer e evoluir, e capacidade e vontade para tanto. Isso pode ser fundamental para o Sporting dos próximos anos.

Amorim afirma, e eu assino por baixo, que o futebol do Sporting evoluiu substancialmente da época passada para esta, com muito mais controlo sobre o jogo e os adversários, conseguindo ganhar mais jogos por dois ou mais golos, criar maior perigo em situações de ataque organizado. Mas reconhece também que se marcaram poucos golos quer por falta de inspiração individual quer também por falta de sistematização ofensiva, e que apenas o upgrade permanente do modelo de jogo (as tais variantes de que fala) e a introdução de jogadores novos a fazer coisas diferentes impede a sua estagnação e o seu bloqueio por adversários preparados que muito o estudam e tentam anular.

 

Se bem se recordam, Amorim chegou na fase final da época de 2019/2020, apanhou com os cacos do que tinha sido a equipa vencedora do Jamor um ano antes, e focou-se no casting interno para o 3-4-3 que queria implantar, testando, escolhendo, dando guia de marcha aos restantes e deixando bem claro que tipo de reforços seriam necessários para o Sporting triunfar.

A época seguinte, já com um plantel ao seu jeito, foi de afirmação plena do seu modelo de jogo diferenciado e dalguma forma estranho à realidade nacional, com uma construção desde trás pelo guarda-redes e os três defesas que atraía o adversário e logo dava cabo dele através de lançamentos directos para os atacantes ou de contra-golpes venenosos pelos alas, com um verdadeiro predador lá na frente, Pedro Gonçalves, que em cada duas oportunidades marcava três.

Em caso de emergência, Amorim recorria ao plano B, anarquia total, médios para a defesa, Coates para ponta de lança, como dizia o Estebes "vamos lá cambada, todos à molhada, qu'isto é futebol total." E a coisa até funcionou, fomos campeões nacionais.

 

Nesta época o modelo de jogo teria forçosamente de ser diferente, os adversários já não iriam ao engano, havia a Champions para disputar e tentar a passagem à fase seguinte.

Então, mantendo a arrumação base dos jogadores em campo do 3-4-3, toda a equipa avançou no terreno e houve muito muito menos contra-ataque rápido e ataque à profundidade e muito mais ataque organizado, a equipa até preferia pausar o ataque para melhor eficácia do mesmo e melhor reacção a uma possível perda de bola.

Este atrevimento estratégico funcionou bem a nível interno na 1ª parte da época, com destaque para a vitória por 3-1 na Luz. A nível da Champions, a derrota pesada com o Ajax, que se repetiu depois com o Man.City, demonstrou que havia ainda muito para melhorar.A linha defensiva subida convidava a lançamentos em profundidade que desmanchavam a linha de fora de jogo, no ataque a equipa perdia-se em improvisações, faltavam movimentos estudados que colocassem jogadores vindos de trás frente ao golo.

Se no início da época todos dizíamos que o plantel era curto, que faltava pelo menos um defesa central de pé direito e um ponta de lança que soubesse jogar de cabeça, ainda mais curto se tornou, apesar de gratas surpresas como Sarabia e Matheus Reis, com lesões de uns, como Feddal, Porro e Pedro Gonçalves, desadaptações de outros a uma nova forma de jogar, como TT e Jovane, e aquisições falhadas, como Vinagre.

Além disso parecia que Coates tinha esgotado a sua quota de milagres na época anterior, não ficou um para amostra. 

Quando finalmente vieram os reforços Edwards e Slimani o Sporting já tinha hipotecado a vitória no campeonato, os 6 pontos perdidos no início de Janeiro demonstraram-se irrecuperáveis.

 

Sempre com base no tal 3-4-3 do primeiro dia de Amorim no Sporting, que muito exige dos dois médios para contrariar a superioridade numérica do adversário no miolo, podemos dizer que nesta época tivemos basicamente três formas de organização ofensiva :

Fórmula A - A do pivot ofensivo, com Paulinho deambulando entre o espaço do 3.º médio e o do ponta de lança, ajudando os dois médios nas recuperações, lançando os avançados interiores, aparecendo na área para tentar o golo. Foi aquele que prevaleceu na 1.ª parte da temporada e permitiu a passagem à fase seguinte da Champions. E foi aquele que nos deu a vitória na Luz, por um claro 3-1. Para mim esteve na base do melhor futebol praticado pelo Sporting.

Fórmula B -  A do "bulldozer" ofensivo, com Slimani a infernizar os defesas e Paulinho a alternar entre interior e segundo ponta de lança. Começou mal no Funchal e acabou ainda pior no dérbi lisboeta pelas razões que conhecemos. Mas num ou noutro jogo deu sinais bem positivos, com tempo e melhor conhecimento e articulação com Paulinho e Sarabia podia estar ali um tridente ofensivo bem interessante. E finalmente havia um avançado com razoável jogo de cabeça para acudir aos centros de Porro ou Nuno Santos.

Fórmula C - A dos três baixinhos lá na frente, com Sarabia (ou Tabata) a ser aquele vagabundo que costuma ser na selecção espanhola, que surgiu mais no final da temporada muito pela quebra de rendimento de Paulinho e falência de Slimani. Sem referência ofensiva, os centrais dos adversários ficam a marcar-se uns aos outros, dando espaço e tempo para trocas e combinações. 

 

Penso que será muito por aqui que Amorim irá prosseguir na próxima época, mantendo o 3-4-3 e as bases do modelo de jogo, cada vez mais interiorizado pelo plantel, e ajustando a organização ofensiva ao momento e aos avançados disponíveis, porque o resto está bem e recomenda-se.

Na baliza será Adán mais uns anitos e depois o Callai (até a altura é a mesma) quando estiver pronto. Na defesa, Coates e dois ajudantes que corram mais do que ele e que alternarão conforme o momento. Nas alas serão dois "piscineiros" colados à linha que saibam defender como defesas laterais e atacar como extremos clássicos. No meio-campo, dois todo-o-terreno com enorme capacidade nos duelos individuais e chegada à area contrária.

No ataque as palavras-chave são mobilidade e adaptabilidade. O Sporting não pode atacar da mesma forma perante diferentes tipos de adversários, os que jogam no campo inteiro e os que se fecham lá atrás, e não pode andar a centrar bolas para a cabeça do Edwards. Precisa dum ponta de lança forte no jogo aéreo, que definitivamente não é o Paulinho. E depois a constituição da linha atacante obriga toda a restante equipa a ajustar-se às suas características. No fundo, trazer de novo ao relvado o tal Sporting camaleónico que confundia os adversários, e antes deles derem conta, já foram.

Para já, ficando Paulinho, Edwards, Pedro Gonçalves e Tabata (este até acho que podia ser um dos dois médios, mas Amorim é que sabe), importa substituir Sarabia e Slimani. Mas se viesse mais alguém não seria demasiado, porque muitas vezes as vitórias e títulos são decididos por quem acabou de saltar do banco e pouco jogou durante a época.

Depois temos alguns projectos interessantes de avançado, mas apenas isso. 

 

Concluindo, Amorim pode e deve ser o Ferguson do Sporting.

E deve ter, da Direcção do Sporting, por um lado confiança total nas suas escolhas, por outro dotar o clube/SAD de profissionais que o consigam complementar, para termos, por exemplo, a equipa B de volta à 2.ª Liga a servir de retaguarda operacional ao plantel principal e uma capacidade de recrutamento diversificado, sempre percebendo bem a pessoa que está por detrás do jogador, para evitar um ou outro erro de casting que têm acontecido nos últimos tempos.

 

PS: Podem ler aqui a história de Ferguson no Man. United e apontar as semelhanças: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manchester_United_Football_Club#A_Era_Ferguson

SL

Entradas & Saídas

A época terminou agora mesmo e as entradas e saídas de jogadores vão surgindo na imprensa, algumas até foram acontecendo na fase final da temporada.

Naturalmente a lista irá crescer bastante até ao início dos trabalhos, até devido aos muitos emprestados que importa libertar, irei fazendo de tempos a tempos a respectiva actualização.

Por ordem de idades temos:

Entradas :

1. Hidemasa Morita (27)  (A confirmar)

2. Jeremiah St Juste (25)

3. Diogo Abreu (19)

4. Fatawu Issahaku (18)

5. Rodrigo Abreu (15)

Saídas :

1. Islam Slimani (33) (A confirmar)

2. Zouhair Feddal (32)

3. Pablo Sarabia (30)

4. Eduardo Pinheiro (24)

5. João Goulart (22)

6. Diogo Brás (22)

7. Bernardo Sousa (22) 

8. Edson Silva (20)

De salientar que, como fui aqui prevendo, quase tudo o que ficou dos campeões de juvenis e juniores de 2016/2017 acabou por ir saindo do clube pela porta pequena. Julgo que restam apenas o Daniel Bragança e o Gonçalo Costa, e vamos ver o que acontece a estes dois também. Pelos vistos a "cultura de vitória" não chegou para triunfarem no futebol profissional do Sporting.

SL

Ordem de Mérito 1.ª Liga - Resultados finais

Finalizada a 34.ª jornada da Liga, com base nas apreciações dos três grandes jornais desportivos diários que o Pedro Correia aqui nos traz, podemos então estabelecer a seguinte ordem de mérito que reflecte a opinião dos melhores jornalistas desportivos portugueses:

1. Pontuação total:

Adan 504
Matheus Nunes 486
Nuno Santos 476
Coates 449
Sarabia 448
Paulinho 435
Gonçalo Inácio 407
Palhinha 402
Pedro Gonçalves 382
10  Matheus Reis 375
11  Porro 352
12  Ugarte 328
13  Esgaio 322
14  Daniel Bragança 305
15  Neto 280
16  Feddal 195
17  Tabata 176
18  Edwards 171
19  Vinagre 162
20  Slimani 142
21  Jovane 112
22  Tiago Tomás 107
23  Gonçalo Esteves 53
24  Nuno Mendes 28
25  Rodrigo Ribeiro 27
26  Názinho 25
27  Dário Essugo 15
28  Virgínia 15
29  Catamo 14
30  Marsá 7
31  André Paulo 6


2.Desempenho médio: 

Sarabia 16,0
Porro 15,3
Adan 15,3
Matheus Nunes 15,2
Paulinho 15,0
Dário Essugo 15,0
Virgínia 15,0
Coates 15,0
Palhinha 14,9
10  Nuno Santos 14,9
11  Pedro Gonçalves 14,7
12  Gonçalo Inácio 14,5
13  Matheus Reis 14,4
14  Edwards 14,3
15  Neto 14,0
16  Nuno Mendes 14,0
17  Catamo 14,0
18  Feddal 13,9
19  Ugarte 13,7
20  Vinagre 13,5
21  Rodrigo Ribeiro 13,5
22  Gonçalo Esteves 13,3
23  Slimani 12,9
24  Názinho 12,5
25  Daniel Bragança 12,2
26  Esgaio 11,9
27  Jovane 11,2
28  Tiago Tomás 10,7
29  Tabata 10,4
30  Marsá 7,0
31  André Paulo 6,0

 

3. Melhores em campo (Num. vezes):

Sarabia 9
Nuno Santos 5
Coates 4
Paulinho 3
Matheus Reis 3
Adán 3
Edwards 3
Porro 3
Pedro Gonçalves 2
Slimani 2
Matheus Nunes 2
Daniel Bragança 2
Palhinha 2
Gonçalo Inácio 1
Jovane  1
Gonçalo Esteves 1
Neto 1
Esgaio 1
Ugarte 1

 

Adán, Matheus Nunes e Nuno Santos foram os baluartes da equipa nesta competição, o melhor foi claramente Sarabia.

Pedro Gonçalves, Porro e Palhinha aqueles cujo desempenho foi bem inferior à temporada anterior.

Fica então aqui aberta a discussão sobre estas pontuações.

SL

O dia seguinte

Antes do mais é preciso realçar a grande noite de Sportinguismo que se viveu ontem em Alvalade. Um estádio em festa repleto de famílias, mulheres e criançada, aplausos demorados a Sarabia ao minuto 17, cânticos dedicados ao mesmo Sarabia, a Palhinha e a Amorim, uma goleada àquela equipa que nos conseguiu derrotar na 1.ª volta. E ainda oportunidade para dar palco aos guarda-redes suplentes Virgínia e André Paulo, e ainda a Marsà e Rodrigo Ribeiro. No início os jogadores a entrar com os filhos, no final a volta de honra de jogadores e técnicos, bolas para a bancada, não poderia ter sido melhor.

No que respeita a futebol, existiu algum equilíbrio e incerteza no marcador até ao 1-0, que aconteceu quase a cair o intervalo. Depois disso só deu Sporting, e acabou em 4-0. Podia ter terminado em números mais expressivos, mesmo com as substuições "para a fotografia" que Amorim fez.

Nesse período de algum equilíbrio veio ao de cima a falta de peças-chave desta temporada: Adán, Matheus Reis, Matheus Nunes e Paulinho. Com Bragança o Sporting não tinha meio-campo, Palhinha era completamente abafado pelo meio-campo contrário, e com os três baixinhos no ataque frente a uma defesa bem posicionada não havia ninguém que fizesse o que um ponta de lança faz. Rematar à baliza e marcar golos, com o pé ou com a cabeça. Sucediam-se os erros na construção que davam origem a contra-ataques muito perigosos, com duas ocasiões claras de golo desperdiçadas pelo Santa Clara. No melhor do Sporting estavam Porro e Nuno Santos nas alas, claramente os melhores em campo.

 

Depois do primeiro golo, tudo foi diferente. A pressão dos jogadores do Santa Clara sobre os defesas do Sporting foi-se esvaindo, começou a haver espaço e tempo para o Sporting manobrar com confiança e as oportunidades foram-se sucedendo. 

No final foram quatro bonitos golos. Marcaram Tabata, Porro, Sarabia e Edwards, um veio do Portimonense com passe partihado, outro do Man.City por empréstimo com opção de compra, outro do PSG por empréstimo também e o outro do Guimarães. O que só pode dizer capacidade de negocíação com grandes emblemas estrangeiros e com clubes em Portugal que desenvolvem e lançam jogadores jovens doutras paragens.

 

Com Palhinha e Sarabia na porta de saída,  Matheus Nunes se calhar também, Tabata e Daniel Bragança com certeza a ver o que é melhor para eles, Virgínia e André Paulo parece que há interesse de continuarem como suplentes de Adán. Sobre Morita... tudo depende dele, boa leitura de jogo, bom passe, mas parece que lhe falta nas veias aquilo que Ugarte tem de sobra.

Melhor em campo? Porro. Cruzamentos perfeitos, assistência para golos desperdiçados, um golo. Que falta fez este Porro este ano...

 

#JogoAJogo

SL

Amanhã à noite em Alvalade

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O Sporting encerra amanhã a época do futebol masculino com a recepção ao Santa Clara, o 2.º lugar está assegurado e a revalidação do título perdido devido a muita coisa, incluindo um senhor João Pinheiro que no Jamor como VAR no Sporting-Braga e no Benfica-Porto e no Dragão como árbitro no Porto-Sporting fez um trabalho profissional, com muito mérito, merece de facto o Dragão de Ouro. Nem que seja uma miniatura de 2 cms.

Rúben Amorim estragou-me um pouco esta rubrica. Anunciou já o onze e através dele percebe-se a intenção de, não comprometendo o modelo de jogo da equipa, pôr a jogar quem passou um pouco ao lado da temporada ou quem talvez pise pela última vez o relvado de Alvalade com a camisola do Sporting.

O problema é que do outro lado estará a equipa que, conjuntamente com o tal senhor João Pinheiro, se calhar futuro Dragão de Ouro e especialista de arbitragem d´O Jogo, talvez até dirigente do CA ao lado daquele ex-árbitro do Porto do tempo do Apito Dourado, irmão do árbitro Rui Costa, já me perdi... pois, o Santa Clara, que naquele jogo apitado por... Rui Costa? O mesmo? Não acredito...  que conseguiu expulsar o Daniel Bragança por vermelho directo, o que deve ter acontecido pela primeira vez na carreira do hiper-correcto rapaz, agora já me perdi completamente...

Bom, o Santa Clara que nos impôs a primeira derrota no campeonato desta época, no início de Janeiro, e que depois conseguimos derrotar com esforço na "Final Four" da Taça da Liga. Uma equipa que vale muito pelo seu contra-ataque rápido e objectivo, e pelas bolas paradas a cargo de Lincoln.

 

O onze anunciado por Rúben Amorim é o seguinte:

Virgínia; Neto, Coates e Gonçalo Inácio; Porro, Palhinha, Daniel Bragança e Nuno Santos; Sarabia, Tabata e Pedro Gonçalves

 

Virgínia vai ter a sua oportunidade de mostrar que poderá ser o sucessor de Adán na baliza do Sporting, coisa que até agora não conseguiu, nem sequer fazendo esquecer Luis Maximiano.

Daniel Bragança e Tabata vão também ter mais uma oportunidade de entrarem no onze inicial, foram muito poucas ao longo da temporada, e demonstrar que mereciam outras oportunidades.

Palhinha e Sarabia se calhar é mesmo para as despedidas, e com certeza quererão sair em grande.

Fico então a aguardar os vossos comentários relativamente ao jogo, e a sugestão de voltarem a amanhã a Alvalade para um último aplauso nesta época ao grande treinador Rúben Amorim, ao grande capitão Sebastián Coates e aos jogadores, alguns deles se calhar pela última vez com a camisola do Sporting.

 

#JogoAJogo

SL

Até sempre e muito obrigado, Zouhair Feddal

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Entrou de mansinho em Alvalade, ninguém dava muito por ele, de mansinho continuou sem grandes histórias sobre a sua vida privada, e de mansinho sai agora, com uma palavra de grande carinho para com o nosso roupeiro Paulinho.

Tal como Mathieu, veio com algumas mazelas que lhe afectavam o rendimento continuado, puxava agora ressentia-se depois. Mesmo assim, a sua contribuição como fiel escudeiro de Coates pelo lado esquerdo foi fundamental para constituir uma das defesas mais sólidas de sempre da história do Sporting e para a conquista, nas duas épocas que acaba de passar em Alvalade, de um campeonato nacional, duas Taças da Liga e uma Supertaça.

Já tivemos melhores defesas centrais? Já, mas por cada um que tivemos melhor, tivemos largas dezenas de piores. E melhores que o Feddal em compromisso com a ideia do treinador e os interesses da equipa se calhar não tivemos assim tantos.

No fundo um defesa central na linha dum Phil Babb, também fundamental ao lado de André Cruz para o título de 2001/2002.

Até sempre e muito obrigado, Zouhair Feddal.

SL

Casa cheia

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O Sporting acaba de anunciar um encaixe record em termos de quotização que ultrapassou os 9M€, o que só pode querer dizer uma grande união dos sócios em torno do clube num ano marcado por eleições que reelegeram o actual presidente por uma esmagadora maioria de votos.

O que, numa temporada de relativo sucesso desportivo do futebol e das modalidades, deveria ter reflexo directo na ocupação do estádio e no pavilhão.

Mas a verdade é que casa cheia em Alvalade ou no João Rocha acontece raramente. Muitas vezes sucede ao contrário: uma casa desoladoramente vazia para a qualidade do espectáculo desportivo em causa. 

Falando com este ou aquele sócio, o que ressalta é o comodismo do sofá acompanhado por um conjunto de argumentos que apenas convencem os próprios. Falam em Covid e testes, falam nas saudades do tempo do outro e que detestam este, falam no preço dos bilhetes. Como se gastar 5€ para ir ver um Sporting-Porto em andebol, decisivo para a atribuição do título, fosse um roubo. Mais que isso gastam em bifanas e imperiais.

E quando a Direcção do clube tenta encher a casa oferecendo bilhetes ou abrindo os torniquetes, na prática está a dar uma mensagem negativa a quem regularmente lá vai e comprou bilhetes de época/Gameboxes para o efeito.

 

Centrando agora a conversa no estádio, a verdade é que tudo o que é acessibilidade tem vindo a degradar-se ao longo dos anos: espaços de estacionamento desapareceram, faixas de rodagem foram canibalizadas por inúteis faixas de bicicletas, as entradas /saídas da garagem continuam um filme de terror, o estaleiro a céu aberto perdura, vieram agora as obras do Metro piorar ainda mais a situação.

Dentro do estádio, cadeiras à parte, tudo está como dantes, sem espaços de restauração e/ou convívio decentes, com os sócios amontoados numa catacumba ao intervalo ou na bicha para os acanhados WC. A olhar para o chão quando saem de lá porque podem partir uma perna se esquecerem o degrau "taveira" ali existente.

O Alvaláxia continua na decadência, a cervejaria há muito fechou, metade das lojas estão encerradas, aguarda a clientela da urbanização que se irá construir em frente.

As roulottes lá continuam num passeio público com os clientes de bifana na mão espalhados pela faixa de rodagem.

 

Depois temos a situação nas bancadas. Se por um lado o Covid de facto afastou muita gente mais velha e rejuvenesceu bastante as bancadas, também pela atracção dos mais novos pelo título nacional alcançado, por outro o famigerado cartão de adepto apenas veio agravar a situação já complicada que atravessam as claques do clube. O que temos hoje é um conjunto de bandos sem controlo a insultar adversários, atirar tochas e rebentar petardos em diferentes pontos das bancadas, na maior impunidade e com o maior desprezo pelos restantes sócios, sem que a Direcção do clube faça seja o que for quanto a isso.

Para terminar, as horas a que têm decorrido os jogos em Alvalade, muitas vezes às 20h30, às vezes ao domingo. Isto, além dos problemas de acessibilidade atrás referidos, desmotiva muitos sócios que moram mais longe.

Assim não admira que as ocupações em Alvalade, sem comparar com números doutros tempos em que o que se ouvia não tinha qualquer correspondência com aquilo que se via, sejam muito inferiores ao desejável, e que bastante seja necessário fazer para que a casa cheia seja norma em Alvalade.

 

SL

ADN Sporting

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Foi mais um fim de semana de diferentes emoções e sentimentos. Ao vivo no João Rocha para ver uma exibição verdadeiramente do outro mundo do Francisco Costa quase chegar para derrotar o Porto em andebol, depois pela TV para ver Sarabia dar a volta a um desafio que inexplicavelmente se complicou. Ainda pela TV para ver uma Diana Silva incapaz de inverter a sorte do jogo do futebol feminino, e o Travante a conseguir levar toda a equipa atrás e trazer para Alvalade a Taça de Basquetebol.

Quem vá o estádio ou ao pavilhão, ou assista pela TV, só mesmo cego é que não vê treinadores, capitães, jogadores extraordinários e equipas que demonstram bem o que é o ADN do Sporting Clube de Portugal. Uma ética de trabalho e de jogo limpo, de esforço, dedicação, devoção e glória.

Pelo que se pode perceber desde fora, tem havido uma grande preocupação de transmitir visão e sentido de pertença a treinadores, capitães e jogadores de diferentes origens e idades. É um verdadeiro prazer ouvir falar uns e outros e perceber que jogando mais ou menos são mesmo pessoas de 5 estrelas, ou vê-los no pavilhão a apoiar os colegas de diferentes modalidades. Obviamente que em centenas de atletas há sempre um ou outro que foge ao padrão e tem algum tipo de comportamento menos digno, mas não há no Sporting Conceições, Pepes e Otávios, nem Robinhos ou Jacarés. No limite, se calhar prefiro perder com Amorim e Coates do que ganhar com essa gente que nem vale a pena qualificar.

Para mim o Sporting é Hector Yazalde, é Manuel Fernandes, é Joaquim Agostinho, é Carlos Lopes, é Frankis Carol, é Travante Williams, é Patrícia Mamona, é Auriol Dongmo. São esses e muitos mais, são todos aqueles que ao longo dos tempos foram exemplos inspiradores de humildade, excelência desportiva e do tal ADN Sporting.

 

Não se pode ganhar sempre porque os rivais não andam a dormir, nem se pode apostar para ganhar numa dúzia de modalidades distintas e ter plantéis recheados de craques pagos a peso de ouro em todas elas.

Acreditamos no ecletismo, não nadamos em dinheiro, não temos as ajudas dos poderes locais e regionais de outros, continuamos a ter demasiadas vezes um clima arruaceiro e mal-educado no estádio e no pavilhão imposto pelas claques que penaliza fortemente o clube e afasta muitos sócios e adeptos de ir desfrutar e apoiar as equipas e que oxalá termine um destes dias (atirar uma tocha ao Pedro Porro que atacava pelo seu flanco num jogo com resultado desfavorável é apenas mais uma de muitas, antes e depois da invasão a Alcochete).

Ter o ADN Sporting como farol fundamental no recrutamento e gestão dos planteis é fundamental.

 

Fica aqui o meu profundo respeito a treinadores como Rúben Amorim, Mariana Cabral, Luís Magalhães, Rui Costa, Gersinho, Paulo Freitas, Ricardo Costa, Nuno Dias, Luís Magalhães - só para falar das modalidades colectivas de maior expressão e dos treinadores mais conhecidos, a ordem é completamente arbitrária.

Hoje ganham uns, amanhã são os outros, a receita é a mesma para todos, que independentente da sua origem dignificam o Sporting Clube de Portugal. Hoje levámos mais uma Taça para o museu. E algumas mais lá estarão no final da época.

Jogo a jogo, sempre. Como dizia o Diogo Araújo, do basquetebol, logo após a euforia da vitória, na cabeça dele já está o jogo seguinte. Este já era.

 

#JogoAJogo

SL

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