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És a nossa Fé!

11 Jogos?

11 jogos sem ganhar? Vamos ao contrafactual: se o treinador se chamasse Fernando Vaz, Juca, Mário Lino, Rodrigues Dias, Malcolm Allison, Augusto Inácio, Lazlo Boloni, que se diria, que aconteceria?

Varandas teve um "palpite". Foi buscar um treinador de meia idade, sem currículo, desconhecido. Apresentou-o como "alguém especial" que traria algo novo, um perfume de Ajax. Ok, passou quase um ano. O plantel é, grosso modo, o mesmo. Quais os progressos? Em termos de futebol, tácticos e técnicos, nada se nota - uns laivos ocasionais de um 3x5x2, hoje nem raro, e desconexo. E nada mais, num futebol triste, de repelões. Há outras qualidades? Apoio à formação, que era mote na sua contratação, é nulo. Capacidades na cooptação de reforços acessíveis - com conhecimento de "mercados alternativos" - não se mostrou no defeso. Discurso mobilizador da equipa e da massa adepta, nenhum. Que haverá mais que seja equilibrável com este rosário de insucessos e horizonte de pobre época? Qualidades organizativas, de coordenação interna? Metodologias de treino muito inovadoras que darão  frutos a seu tempo? Talvez, mas então que a direcção o diga, que explicite essa crença diante de associados e adeptos, e assim fundamente a continuidade de uma aposta que cada vez mais se mostra o que logo anunciou ser: um erro.

Varandas, por mais capitão do Afeganistão que tenha sido, não é um comandante. É presidente de um clube, primum inter pares, por decisão desses mesmos seus pares. Justifique-se, com a humildade necessária. E arrepie caminho. Mesmo que ocorram mais algumas vitórias de Pirro, esta pobre via está condenada. Só a sua soberba o incompreende. 

De regresso à Pátria Amada

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Regressei à Pátria Amada, terminada que foi a minha missão belga. Num destes primeiros dias tive um muito prazeroso jantar com o Pedro Correia, o "camarada coordenador" deste (e não só) blog. Belo manjar - num restaurante barato, friso-o para que não venham os comentadores acusarem-nos de esbanjarmos as putativas fortunas que os "poderes croquetes" nos pagariam se as pagassem. E durante a simpática (e acolhedora, num "bem-vindo" amigável) conversa o Pedro Correia insistiu que eu mantinha o lugar cativo (aquilo a que agora a turba chama gameboqse-qse-qse, como se atiçam os cães na caça aos gambozinos) no blog, apesar das minhas birras. E então venho aqui publicamente agradecer-lhe a tamanha paciência para os meus humores. De facto voltei a Portugal, já assisti ao Benfica-Sporting ali em Palmela, no meu lugar cativo (qse-qse-qse). E como tal, após este quase início da época futebolística, aqui vos desejo, em particular a todos os adeptos do nosso Sporting mas também aos outros visitantes, um Feliz Natal.

Sobre o tal jogo particular que preenche demasiadamente as conversas (e o blog) - de facto tratou-se apenas de um jogo de preparação, sem importância, ainda que sempre custe uma derrota, mesmo que a feijões, com o Benfica (talvez fosse melhor evitar agendar jogos com os rivais para estes períodos, comovem demais a massa adepta) - pouco haverá a dizer e nem muito a lamentar. É notório que a preparação está um bocado atrasada, em particular nos "índices tácticos", o que é normal dado o pouco tempo de trabalho e o ainda desconhecimento que o novo treinador tem do plantel. Mas há bastantes razões para ter esperança, em particular na sua argúcia táctica. Percebi-o durante o jogo, aqui vos trago a ilustração: aos 2 minutos e 5 segundos do filme vê-se o lance do terceiro golo, num livre directo. Durante a sua execução, que foi um lance pausado, o nº 37 do Sporting (que julgo ser Wendel, um recém-chegado prometedor reforço brasileiro, mas também ele ainda em adaptação ao ritmo do futebol europeu e ao nosso plantel e a novos métodos de trabalho) cruzava a área da execução, num lento movimento transversal, qual cortina móvel. Nos meus 55 anos, 49 dos quais a ver futebol, nunca tinha visto uma manobra assim. Uma verdadeira inovação. A deixar entender que o novo treinador do clube tem (na manga) um amplo manancial de inovações tácticas. Quando, em muito breve, os automatismos estiverem criados, os sucessos surgirão.

 

Festas Felizes. E um Bom e Saudável 2020.

Para o ano é que é!

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(Contrariamente ao que sempre aqui fiz - pois penso que o clubismo deve estar apartado da vida político-partidária - este postal explicita algumas posições políticas. Permito-me a isso dado que se trata de uma despedida. E como é despedida é um texto longo.)

 

Após o acidente de viação acontecido com o antigo presidente do clube Santana Lopes deixei aqui um breve postal desejando-lhe rápida e total recuperação. De imediato surgiram os comentários no tom que aqui se tornou comum há já um ano, desde a crise presidencial no clube: "Só um blog como este é que enaltece Santana Lopes e critica BDC e Carlos Vieira", diz um anónimo, tratando-me sarcasticamente por "Sr. Jpt", e (ele ou outro anónimo) completa considerando-me entre uns "groupies" do Santana", enquanto [(ele ou outro(s) anónimo(s)] aproveitam o acidente para lançar(em) críticas ao actual presidente Varandas. Isto para além de críticas à competência política de Santana Lopes e dichotes sobre o acidente que o deixou hospitalizado. Note-se que este tom é radicalmente diverso do surgido noutros locais de discussão político-partidária, nos quais a oposição ao indivíduo não se expressa com tamanho acinte. E é um tom típico dos comentários aqui no blog, seja lá qual for o tema do postal comentado, bem como do que se vem passando em inúmeros locais de debate sportinguista.

 

Sobre a questão política - excêntrica ao sportinguismo, repito - a coisa é simples: eu blogo há 15 anos, muito botei sobre esse tipo de matérias. Alguns dos co-bloguistas conhecerão (parcialmente) o que fui botando, quiçá também um ou outro dos leitores. Não sou militante nem mesmo simpatizante do partido de que PSL foi presidente, ainda que ocasionalmente nele tenha votado - mas nunca, por coincidência, em legislaturas nos quais ele tenha pertencido ou presidido ao governo. PSL lançou agora um partido novo e eu, desgostoso com as grandes forças da oposição, botei noutros blogs onde escrevo que oscilo na simpatia entre dois partidos, bem contrastantes, para estas próximas eleições, devido ao apreço que alguns candidatos dessas listas me convocam. Um desses é exactamente o partido de PSL e explicitei que a minha simpatia advém de um candidato colocado em lugar inelegível, um confrade bloguista, e isso apenas porque ele - do qual me separam perspectivas ideológicas - tem um imenso mau feitio que muito me agrada. Entenda-se, dá porrada que se farta nos poderes instituídos. Sobre a minha propalada ligação política a PSL está tudo dito.

 

Sobre a sua presidência do clube já aqui referi, e até por mais do que uma vez, um texto meu de 2008: O Sporting e o Projecto Roquette. Não julgo que esteja muito conseguido. Mas nele expressei (repito, em 2008) o meu radical desagrado com a gestão do Sporting desde a chegada a presidência de ... Santana Lopes. Mesmo sabendo que ele foi então um presidente episódico. Considerando que entre esta e a de Bettencourt ocorreu uma devastação estrutural do clube, conduzida por um grupo social, constituído por uma elite socioeconómica ligada à construção civil e à banca (por isso aparto Godinho Lopes, do qual não tenho boa memória mas que me parece proveniente de outras dinâmicas sociais). Considerei na altura que o Sporting era como que um micro-cosmos do país, como os anos subsequentes vieram a demonstrar. Mais ainda, já aqui escrevi que foi durante a sua presidência que me apartei da vida associativa do clube: ele pediu aos associados um ano de quotas adiantadas enquanto contratava um caríssimo jogador checo que nada fez. Achei que tudo isso era um despautério e neguei-me. E depois emigrei ... Sobre a minha propalada ligação à presidência clubística de Santana Lopes está tudo dito.

 

Tanto nesse postal como no imediato - um postal sobre o "A Bola", que eu tinha em rascunho e terminei hoje -, surgem comentários dizendo-me ao serviço de uma agenda, obscurecedora, defensora de Frederico Varandas. Eu não blogo por agenda, faço-o por mero prazer. Nem este blog tem agenda, a gente não combina nada, não há instruções nem contactos internos para conduzir os textos ou os temas. De vez em quando há um jantar, aparecem alguns dos co-bloguistas, a gente come um bife, fala (muito) do Sporting, bebe umas imperiais, fala (um bocado) de outras coisas. E até à próxima ... Mas continuamos, sistematicamente, a ter comentários anónimos dizendo-nos "ao serviço" de algo e de alguém. Eu desejo todos os sucessos a Frederico Varandas. Mas quando ele anunciou a sua candidatura aqui expressei o meu desagrado pelas suas declarações, pelo conteúdo cultural que veicularam.  E critiquei a demissão de Peseiro, e a forma como escolheu o treinador seguinte. E bastante resmunguei com a continuidade deste, o que chamei, se não estou em erro, uma teimosia ingénua do actual presidente. Só espero estar enganado. Mesmo assim os anónimos invectivam-me (e aos co-bloguistas) de estar(mos) "ao serviço" ... Sobre a minha propalada avença (moral que seja) da presidência de Frederico Varandas está tudo dito.

 

Sobre Bruno de Carvalho já repeti ene vezes o percurso. Apoiei-o desde que foi em campanha a Maputo. Até mesmo aos momentos em que a mínima razoabilidade deixou de existir no seu percurso. O Pedro Correia tem vindo a lembrar os postais do ano transacto, dia a dia. Terei sido dos últimos deste blog a esperar uma inflexão, diante do evidente desatino (disse-o com alguma ironia aqui, ainda em Fevereiro de 18, e depois já em Abril, ainda que de facto já descrente dessa possibilidade, num #Je suis Bruno). E ainda propus que se afastasse uns tempos, para repousar, recalibrar, deixando a gestão à sua equipa - então ainda em torno dele congregada. Mais ainda, quando em Setembro foi noticiada a hospitalização de Bruno de Carvalho aqui deixei um enfático postal desejando-lhe rápida melhoria do seu estado de saúde (bem mais enfático do que o agora deixado a Pedro Santana Lopes, ainda que este tenha sofrido algo fisicamente mais gravoso). Mesmo assim os anónimos apoiantes de Bruno de Carvalho aqui vêm invectivar, de modo sarcástico e insultuoso, o acto curial de desejar uma rápida e total recuperação a um antigo presidente do Sporting.

 

Este longo texto não é auto-justificativo. Com ele quero apenas sedimentar a perspectiva que esta barreira constante de comentários anónimos defendendo a anterior presidência e invectivando o(s) bloguista(s) não se relaciona com o conteúdo dos postais (seja Jovic, seja Santana Lopes ou outro tema qualquer). Desde a crise presidencial do ano passado que os comentários do És a Nossa Fé conhecem esse registo abrasivo, insultuoso e, acima de tudo, deturpador. Mas algo mudou desde então. Pois no ano passado aqui abundaram comentários cuja forma muito concordava com o que se encontra nas páginas digitais dos jornais desportivos: o uso recorrente das maiúsculas, o exagero da pontuação, a estreiteza lexical e, acima de tudo, as imensas incorrecções ortográficas e sintácticas. Nisso demonstrando que muitos dos aqui invectivadores apoiantes de BdC provinham de núcleos sociais pouco letrados, por ele e seu peculiar carisma congregados. Isto não é uma crítica, é uma constatação de um fenómeno sociológico. Ora isso desapareceu, aqui e em alguns outros locais, correspondendo ao óbvio esvair desse fenómeno, o qual, como sempre nestas questões, não se repetirá com o mesmo formato. As insatisfações e os anseios, refractados naquela "onda verde", estão aí para serem captados por alguém (partidos, igrejas carismáticas, agentes de clubes, etc.). Até um neo-brunismo poderá surgir. Mas já não aquele, com aquela personagem.

 

O que ficou neste blog, enquanto comentadores residentes e abrasivos, foi outro núcleo que já então também abundava. São todos anónimos e letrados. Uns serão adeptos daquilo. Mas outros são muito mais do que isso: já então se percebia mas a constatação surgiu há pouco. O Sporting encomendou uma auditoria. Inaceitavelmente os resultados desse trabalho surgiram na imprensa - e eu não acredito que tenha sido a empresa a provocá-lo, as empresas levam por demais seriamente o seu trabalho para se arriscarem a prejudicar a sua reputação e o seu futuro dessa forma. Mas essa indiscrição, que julgo responsabilidade interna do clube (não afianço, presumo apenas), permitiu saber os sobre-gastos com trabalhos de comunicação oficiosa. Entenda-se, a presença na internet, a "contra-informação", exercida de modo anónimo, constante. Essa actividade não foi monopólio ou invenção do Sporting, é habitual noutros clubes, existirá nas empresas, e está viçosa na política. E subsiste, pelos vistos, nos resquícios do "brunismo".

 

Creio que o que se passa neste blog é apenas isso, um total abastardamento do debate sportinguista por parte não só de alguns adeptos do antigo presidente mas também de alguns dos seus agentes. Para além daqueles que defendem essa economia paralela, que subsiste nas claques, e que enfrentam a renitência da actual presidência em continuar a financiar as suas chefias e facilitar o seu pobre fruir existencial. 

 

Cada vez que abro o És a Nossa Fé, para ler ou para blogar, encontro um rosário desses comentários anónimos. Concebo, e já o disse aqui, o bloguismo como um espaço conversacional - isto não é um órgão de comunicação social, é um ponto de encontro entre pessoas que têm interesses algo comuns e opiniões compatíveis, mesmo que discordantes. É uma mesa de tasca, uma esplanada de café, um bom balcão de bar. Locais de convívio, entre amigos, conhecidos, vizinhos ou meros desconhecidos. Mas nunca anónimos. Nós frequentamos esses locais convivenciais porque nos agrada o ambiente, porque encontramos aqueles com quem nos sentimos bem. E porque neles não somos constantemente incomodados por gente desagradável. E eu esgotei toda a paciência para estar em sítios onde sou, e os meus convivas também, sistematicamente incomodados por gente anónima, insultuosa, que utiliza este espaço não para conversar, criticamente que seja, sobre os temas abordados mas para tentar manter viva a possibilidade de obterem recursos do clube, aparentar um viço brunista que inexiste. E fazendo-o de um modo desonesto. Pois anónimo. E deturpador. Insisto no que muitas vezes botei, e aqui também: não há espaço numa sociedade democrática para a opinião anónima. Haverá para a criação literária e artística. Mas para o apoiar ou desapoiar exige-se o nome. Mesmo que seja apenas sobre a, de facto, nada importante bola. Não é aceitável o anonimato explícito ou o mero amontado de letras. E não há espaço para esta contra-informação em busca da pilhagem dos recursos das instituições para benefício próprio.

 

Ou seja, vou comer codornizes (caracóis não) para outra tasca, beber umas imperiais para um qualquer café, e um ou outro uísque (novo, que é o que posso agora) num bar da vizinhança. Onde a clientela não tenha também desta gente. Intrusiva, deturpadora, incomodativa. Anónima. A ralé letrada. 

 

Aos co-bloguistas, aos tantos comentadores simpáticos (concordantes e discordantes) deixo um óbvio "Para o ano é que é!". E desejos que tenham muita paciência para aguentar estes visitantes. Anónimos. E deixo ainda um agradecimento por me terem aturado.

O "A Bola"

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A série de capas históricas do "A Bola" que o Pedro Correia vem mostrando é bastante denotativa do clubismo exarcebado que aquela empresa imprimiu ao seu negócio. É seu direito, estratégia em busca de lucros. Mas de há muito tempo  apenas uma falsidade enviesada, se pensada em termos de jornalismo.

Mas não é apenas uma coisa histórica. Um dos exemplos desse seguidismo ao Benfica e, acima de tudo, à sua direcção actual é a sucessão de manchetes sobre o jogador Jovic, contínua na página digital do jornal.

O processo deste jogador é perfeitamente normal: decerto que o Benfica o contratou por lhe reconhecer potencialidades. Chegado ao plantel, o jovem Jovic não teve espaço para se afirmar, face à concorrência que encontrou: Jonas, que é um jogador de grande classe; Seferovic, que não sendo um jogador extraordinário é muito competente (nos primeiros jogos que fez no Benfica, antes de se apagar durante a época passada, fartei-me de resmungar: "raisparta que os tipos acertaram ..."); e Mitroglou, um jogador pouco interessante mas que funcional, em particular num campeonato como o português, uma espécie daquele "pinheiro" que há anos um treinador sportinguista pretendia (imagem que sempre me faz lembrar um Peter Houtman que nunca me encantou, nem me deixa saudades). Sendo este Mitroglou um "pinheiro" até mais móvel, mais competente, concedo. Face a essa situação o Benfica emprestou o jogador, para que ele evoluísse. A um bom clube, de um excelente campeonato, e que - o que é, nestas coisas, o fundamental - realmente o pretendia, enquadrando-o e dando-lhe tempo de jogo. E visibilidade. Assim muito o valorizando. Crítica minha? Nem uma gota. 

Ainda assim é também possível argumentar que se tivesse o Benfica no início da época que ora finda uma outra perspectiva de futuro, e particularmente se tivesse um técnico mais afoito na opção por jogadores jovens, muito provavelmente Jovic teria feito uma época ainda mais sonante - a vida dos avançados dos 3 grandes é mais fácil em Portugal do que no campeonato alemão, isso é indiscutível. Digo-o como mera hipótese. Pois se calhar o peso de Jonas, a imposição até algo exuberante de Seferovic, e a explosão de João Félix (que é um belíssimo jogador, mesmo que se possa dizer que o habitual empolamento dos jovens do Benfica o poderá sobrevalorizar um pouco) poderiam ter obstado a uma afirmação de Jovic. Nunca se saberá, é mera especulação. Fica a minha conclusão: nada da condução da carreira de Jovic no plantel benfiquista transpira incompetência. Mas também poderia ter sido diferente. Com toda a franqueza - e até porque gosto muito do treinador Lage - julgo que Jovic teria sido uma grande revelação no Benfica. 

Mas tudo isto que digo é apenas para sublinhar que não estou a criticar ou a cutucar a secção de futebol sénior do Benfica. Não é essa a questão. Estou apenas a falar do "A Bola". Jovic vai ser transferido para o Real Madrid, por uma enorme quantia. O Benfica vai lucrar com essa transferência. Mas, de facto, o não ter apostado no jogador conduziu a que a parte fundamental do lucro será para o clube alemão. O Benfica perderá assim algumas dezenas de milhões de euros. Ou melhor dizendo, deixará de ganhar algumas dezenas de milhões de euros. 

Repito o que disse, não estou a criticar o Benfica. Nem a "gozar". Foi um processo normal. O que me é interessante é a sucessão de notícias do "A Bola". Sistematicamente informando os seus leitores - na maioria benfiquistas - que haverá "Encaixe significativo para os cofres da Luz com a transferência de Jovic", descurando uma hipótese de análise crítica perfeitamente sustentável. Sempre enfatizando que o clube beneficiará. Mas nunca aflorando o evidente desperdício económico que irá acontecer. Chama-se a isto moldar opiniões. Um verdadeiro condicionamento, em particular da massa adepta daquele clube. Há quem lhe chame "jornalismo". Mas não é. "A Bola" é, de facto, e já há muito tempo, um departamento de comunicação de uma empresa.

 

Um ano depois

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Um ano depois do desvairado atentado de Alcochete surge-me a questão: quem diria, no final desse infausto e incrível 15 de Maio de 2018, e nas semanas imediatamente subsequentes, que passado apenas um ano o clube estaria repousado, vivendo em normalidade, é certo que enfrentando as conhecidas dificuldades económico-financeiras mas fazendo-o com esperança, sem alaridos? Continuando numa senda de sucessos desportivos, com um alargadíssimo leque de actividades e vasto universo de atletas profissionais e amadores, e nisso arrecadando títulos nacionais e europeus. E tendo o futebol sénior, a força motriz do clube, a culminar um ano de total normalidade, concordante com o perfil de resultados dos últimos anos, apesar da hecatombe no plantel pretérito e das dificuldades de estruturação da época que agora vai terminar. Quem diria que a recuperação, organizativa e, acima de tudo, moral, seria conseguida de forma tão célere?

Estão de parabéns vários dos candidatos eleitorais, que se ofereceram ao clube em tão delicado momento. E que tudo têm feito, antes e depois, para a acalmia e recuperação do SCP, leais a um espírito de congregação. Está de parabéns Frederico Varandas e a sua direcção - e exemplifico-a com Miguel Albuquerque, quadro ímpar do clube. Estão de parabéns os funcionários do clube, que tantas agruras terão sofrido e que, talvez mais do que todos, mantiveram o barco no rumo. E estão de parabéns os sportinguistas: a gente gosta mesmo do clube, fê-lo sobreviver à demência de Nero e à invasão dos bárbaros. 

O futuro é agora. E é radioso.

Benfiquistas

O VAR serve para isto, para uma turba que se auto-designa benfiquista fazer o culto da ladroagem. Que fique explícito, não há nessa turba ninguém relapso a esse culto - todos gostam deste tipo de vitórias. Não têm o monopólio dessa adoração. Mas têm-na.

Vejo isto porque estava a ver o meu FB e um amigo partilhou o queixume sobre esta malandragem - eu já não vejo os jogos portugueses (comecei logo por perder o 8-1 ao Belenenses). E francamente não percebo como as pessoas ainda são espectadoras deste lixo. Não vejo os jogos. E procuro - ainda que seja uma via difícil - não consumir produtos que anunciem no futebol português. Quixotismo, talvez. Por outras palavras, pqp.

Onde está o Benfica? (2)

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Mais uma vez a turba benfiquista surge a provocar - agora vandalizando os veículos que transportaram os adeptos do Sporting para um jogo de andebol. Nessa provocação glorificando o assassínio: o de um adepto sportinguista, perpetrado num estádio de futebol, acontecido há já 23 anos; e outro, mais recente, de um adepto sportinguista, atropelado intencionalmente nas imediações do estádio da Luz. Como há já algum tempo aqui referi (e não vou agora repetir argumentos ...) esta já tradição benfiquista, um verdadeiro culto da morte, não provoca nenhum repúdio da direcção daquele clube. E convém lembrar que o presidente do Benfica, no momento mais baixo dos seus quinze anos de presidência, chegou ao cúmulo de comentar, aquando do mais recente assassinato (cujo autor está em liberdade, ao que julgo saber), sobre a pertinência do assassinado estar nas redondezas do estádio benfiquista.

Há silêncios que são tonitruantes. E há silêncios que são abjectos. Este silêncio da direcção benfiquista é tonitruante e desprezível, denotando explicitamente de que matéria (i)moral é feita a gente que a integra. O silêncio do Estado diante disto é também inaceitável. E denota a incompetência ensonada dos seus governantes.

 

Foder os lampiões?

A rivalidade é estruturante dos clubes desportivos. Talvez não tanto dos clubes formativos, como o Ginásio Clube Português ou o Algés e Dafundo, ou dos antigos clubes-empresa, como os saudosos Riopele ou CUF (onde brilhou o nosso grande Manel Fernandes). Mas nos outros clubes as formas de congregação e mobilização são sempre fruto da mescla entre as capacidades de exercício demonstradas (as "vitórias") e as de afirmação face a "outros", tornados adversários preferenciais. Uns "outros" escolhidos por critérios geográficos - a aldeia ao lado, o vizinho (Varzim-Rio Ave), a recusa dos centralistas (Vizela vs Guimarães), o histórico oponente (Braga-Guimarães, o arcebispado vs o berço da nação), o lado de lá do rio (S.L. Olivais vs Alcochetense), bairros urbanos contíguos (Atlético-Oriental, mas aqui forço um pouco pois a rivalidade não era tão marcante) os pólos dominantes (Porto vs Lisboa), etc. - ou histórico-sociais (Benfica popular vs Sporting burguês ou Belenenses "classe média" e o Atlético operário, mesmo que essas fossem construções algo míticas mas que tinham o efeito de nelas se acreditar). Num país homogéneo como Portugal não surgem clubes "nacionais", representando "comunidades político-culturais", "étnico-religiosas" (como a ex-Liga Muçulmana de Moçambique, as origens do Tottenham ou o actual Barcelona).

Arengo para reforçar, as rivalidades são constitutivas dos clubes, principalmente dos que se centram em desportos colectivos. Não há qualquer mal nisso. O mal está no estado de boçalismo a que essas dinâmicas opositivas podem conduzir, de "incultura", de "incivilidade". Um boçalismo que é induzido pelas direcções dos clubes, pelas autoridades político-administrativas que a estes tutelam, pois uma massa adepta boçal e energúmena é mais dócil face aos poderes, mais rastejante face à qualquer cenoura que se lhe acene. E que na actualidade também o é pela imprensa, por razões parcialmente mercantis (ânimos exaltados aumentam os lucros) mas também pelo baixo nível da mescla de jornalistas e comentadores que a habita, eles-próprios frutos desta ... educação.

O Sporting é um enorme clube europeu, eclético como quase nenhum, com um precioso rol de títulos continentais, e de atletas com títulos mundiais e olímpicos. Um rol que continua a enriquecer-se, e de que forma, nesta era de tão diferente economia desportiva. Ganha agora mais um título europeu. E os adeptos, em euforia, juntam-se para celebrar e são conduzidos pelo clube (pela organização do evento) a cantar "De  manhã começa o dia a foder os lampiões ...". É um sinal de pequenez atroz, de nanismo clubístico, e também, e acima de tudo, de um culto da imundície. Mas é também a violação dos estatutos do clube (que explicitam a expulsão de quem ofenda a moral pública) e do seu enquadramento institucional - o clube é uma instituição de utilidade pública, com benefícios por isso, devido a ser considerado uma associação de intuitos formativos, educacionais. No javardismo actual, do vale tudo para ganhar, isso está esquecido, até pelo Estado - mais interessado em cobrar impostos e sacar votos.

E num clube que há um ano passou a maior crise da sua história devido às liberdades dadas à sua ralé interna é inacreditável que nada se tenha aprendido, que se continue a acarinhar este tipo de mentalidade, a acoitar (e até a contratar, como "animador" de actividades, como "excitador" das massas) gente desta.  A visão de uma mole de adeptos sportinguistas a comemorar uma grande vitória europeia gritando "a foder os lampiões" é a maior derrota que já vivi no clube. Jogadores campeões no palco, com os filhos no braços, a ulular "de manhã começa o dia a foder os lampiões" é tétrico, vergonhoso, patético.

Mas o pior de tudo é o silêncio da direcção. Que nem de uma forma suave, pedagógica, mesmo que humorística tipo num "não havia necessidade" a la Herman José, surge a afastar-se deste tipo de mentalidade, de expressão, a convidar, até a convocar, os sportinguistas a outro tipo de mentalidade, de visão do mundo. E não o faz porque a direcção ... é isto. É constituída por gente educada, doutores, alguns com apelidos compósitos até conhecidos, e vestem os fatos daquele azul-mais-que-Carris típicos da elite administrativa portuguesa. Por isso tudo, por essa "elevação" social, dirão ao levantar-se "de manhã começa o dia ... a fornicar os lampiões".

Estamos fodidos. Não exactamente os sportinguistas. Não os tais lampiões. Mas a gente. Que sofre este país.

Viva Bielsa

No dia deste escandaloso Braga-Benfica, do qual retiro o final ensinamento que não se justifica esperar que isto do futebol português venha alguma vez a melhorar do estado de aldrabismo visceral no qual vive há décadas, é emocionante ver o que Marcelo Bielsa mandou fazer no Leeds United-Aston Villa, ainda por cima numa decisão que impede a sua própria equipa de ascender imediatamente ao ambicionado e riquíssimo campeonato inglês. Bielsa passou assim do consabido "El Loco" a consagrado "El Justo".

Em Portugal temos esta merda. A mim resta-me, algo quixotesco, uma decisão: tentar nunca consumir qualquer produto que anuncie no futebol português.

Quanto ao resto? Que se foda, não dou mais para este peditório abjecto.

 

Viva o VAR, mas ...

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Jogo engraçado, ontem o Manchester City-Tottenham (vi-o pois aqui passou em canal aberto). Mal jogado, surpreendentemente mal jogado entre equipas destas e com tais jogadores. Erros de marcação, imensos passes errados, perdas de bola absurdas, um rol já nada usual em jogos de elite. Resultado? Espectacular. Não um jogo bom, mas um jogo espectacular. Divertidíssimo.

Torci pelo Tottenham, apesar de Bernardo Silva (já agora, porque não é ele tão relevante na selecção como o é no clube?). Torci pelo Tottenham muito pela minha tendência para torcer pelo desfavorito (o "underdog", ainda que "abaixo de cão" não seja bem aplicável ao duplo vice-campeão inglês nas 3 últimas épocas). Mas, e acima de tudo, pela minha falta de simpatia por estas grandes equipas europeias construídas com oleodutos de dinheiro, proveniente das economias paralelas e das apropriações das riquezas estatais ("oligarcas" russos, nobreza árabe, "tycoons" yankees, testas-de-ferro extremo-asiáticos, etc.), uma gigantesca lavandaria financeira que procura, mais do que tudo, comprar "portos seguros" para essa camada hiper-bilionária e, também, influência política - a nobreza qatariana despejando dinheiro para alegrar os parisienses mostra, acima de tudo, o quão incómoda é a vizinhança saudita, mas a gente fala é do Neymar e do Mbappé ... Processo este que conduzirá, mais cedo do que mais tarde, ao tal festival da Eurovisão do futebol, a liga europeia que será letal para os clubes dos países excluídos, a morte do futebol como o conhecemos. Enfim, deambulo, divago, apenas para sublinhar as razões pelas quais torci pelo Tottenham (um clube que não contratou jogadores para esta época, julgo que não estou em erro, mostrando o quão diferente vai o clube, que acabou de inaugurar um novo estádio).

Tudo isto é mero preâmbulo. Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clube e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. 

Assim, as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçar, duas tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada: por um lado a velha questão da intenção de jogar com os braços. Agora, mal a bola bate lhes toca logo se clama ilegalidade. Ontem o golo de Llorente é paradigmático: é difícil comprovar se a bola bateu no braço do jogador mas assim parece. E depois? Salta com o braço encostado ao corpo, não tem intenção de o fazer actuar, até prejudica a sua acção saltadora com isso, e, quanto muito, a bola talvez lhe tenha também resvalado. Ainda bem que o árbitro validou um golo que não tem qualquer ilegalidade, mas muito clamam o contrário. Há que defender esta valorização da intenção, que cada vez mais é posta para trás. Em suma, os braços pertencem ao corpo, se não são agitados com o intuito de impulsionar (ou de cobrir espaço) não há infracção. Era assim dantes, deve continuar a ser e isso está a ser posto em causa com o frenesim do fotograma.

Mas o segundo ponto ainda mais relevante é o fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá. 

Onde está o Benfica?

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Há 23 anos uma família perdeu, de modo absurdamente trágico, um dos seus mais queridos. Era adepto do Sporting, num campo de futebol, e morreu devido a um acto bárbaro mas também estúpido de adeptos do Benfica. Ao longo dos anos - e mesmo neste último Sporting-Benfica - o acto, o disparo da munição assassina, é constantemente glosado pelas claques benfiquistas. Com toda a certeza fazendo avivar a dor da família. Um festejar da morte que também passa por estas regulares pinturas, como agora, mais uma vez aconteceu em Sintra.

Isto não é o Benfica, não representa a massa enorme de sócios e adeptos, ou as pequenas franjas dos seus dirigentes. Mas é um sentir de parcelas dos seus adeptos, das suas claques. Gente cruel, de modo hediondo recusando dar paz a uma família, recusando-lhe o término do seu luto. 23 anos depois. 

O que se me escapa, porventura não terei atentado mas julgo que não estarei assim tão distraído, são os actos de pedagogia das direcções do Benfica, de veemente condenação a todas estas práticas, irónicas, festivas, provocatórias, das claques ou adeptos avulsos. Em particular as direcções de Luís Filipe Vieira, pois eleito presidente do Benfica em 3 de Novembro de 2003, há já quinze anos, tempo suficiente para marcar a mentalidade clubística, mesma das suas margens mais agressivas. Que vigorosos actos, enfáticas declarações, teve o Benfica para condenar os seus adeptos que prosseguem sob esta mentalidade holiganesca (como o Sporting também tem, e outros clubes), que se dedicam a estas vergonhosas atitudes? Alguém tem registo disso? É que quem cala - e, neste horrível caso, mesmo quem apenas sussurra - consente. 

E isto não tem nada a ver com Benfica ou Sporting ou outros. Nem com taças, trafulhices de árbitros, e-toupeiras, cashballs, apitos dourados. Tem apenas a ver com humanidade. Neste caso, com um enorme défice dela. Um défice institucional, parece-me. E esse défice, esse, já respinga sobre toda a massa adepta daquele clube. Uma vergonha.

 

Memórias a propósito do Braga-Porto

Não tenho acompanhado os jogos portugueses, literalmente perdi a paciência. Não é a primeira vez que isto me acontece. A primeira vez, assim tão radical, foi no início dos anos 1990s. Tinha por costume ir ver os jogos em casa, antes na superior, depois na "bancada nova". Num Sporting-Porto, que terminou 0-0 (1990?, 1991?, por aí ...), saí tão irritado com o árbitro - um mariola muito sabido, que controlou o jogo com "faltas" e "desfaltas" a meio-campo, assim sem ter que recorrer aos "roubos de catedral" - que jurei não voltar aos estádios. Com efeito, para quê gastar dinheiro e, fundamentalmente, tempo, em algo que se sabe estar viciado? Só regressei a Alvalade para ver o Real Madrid (1994/1995), numa eliminatória que o Sporting ingloriamente perdeu por défice de guarda-redes.* Já emigrado, durante umas férias no país em 2002, ali voltaria ainda para me despedir do estádio antes da sua patética demolição - a estupidez de construir um estádio novo em vez de um municipal é uma coisa tão vergonhosa que os adeptos continuam a falar de outras coisas -, numa derrota caseira contra o Porto, mas tendo tido o prazer de ver o recém-titular Quaresma, então em puro estado mustang, e também um jovenzito ex-júnior (como se dizia antes desta patetice de chamar "academia" às escolas de jogadores), um tal de Cristiano.

Depois, neste novo Alvalade - um estádio feio, piroso mesmo, mal-construído, como se percebeu pela rábula do relvado, e desconfortável, de tão empinado que é - estreei-me, também quando em férias, para ver o Inter ainda com Figo. Percebi que estava velho para este desporto de bancada. Ainda via bem, só usei óculos para ler passados uns anos, e levei cerca de 10 minutos para reconhecer o Figo, lá em baixo no relvado. Pagara 13 ou 14 contos pelo bilhete (65-70 euros, qualquer coisa assim) e estava tão acima que nem percebia em quem eram os jogadores! Após regressar a Portugal fui para aí 10 vezes ao estádio: levei a minha filha a estrear-se, a seu pedido; levei os meus sobrinhos-netos; um afilhado de casamento moçambicano (benfiquista); velhos amigos que nunca lá tinham ido, pretexto para patuscadas; a convite de um amigo com quem venho ombreando desde os tempos da primária (e da superior do velho estádio); a convite de afilhado. Sempre coisas assim, sempre com algum motivo para além do jogo ou do clube.

Enfim, dito isto não serei um adepto exemplar, principalmente para gente que se orgulha de "não perder um jogo", como se disso retirassem um qualquer mérito. Estar no estádio é bonito, dá azo a sensações extra-ordinárias, fora do quotidiano? Sim, tal como os jovens adoram discotecas, são modalidades ruidosas e colectivas de atingir formas de êxtase, episódico. Para esses "meritocratas" um tipo opor que essa coisa do "êxtase", um lampejo de suprema alegria que os pobres de espírito confundem com felicidade, pode ser encontrado num registo privado (ou mesmo solitário) - num trecho de um livro, numa música, num vinho especial, numa desgarrada de gargalhadas, num estremecer feminino (ou masculino, para não me acusarem de homofóbico), num cena bíblica exposta numa penumbra eclesiástica, num belo debate - é sempre apupado como dado à "intelectualice", quando não à mera "cagança" - e isto mesmo se o exemplo for o tal erótico, pois nesse eixo de entendimento, o da idolatria do adeptismo, o importante é o "golo", um gajo vem-se, limpa-se às cortinas, e abala. Enfim, há gente que para prescindir do hamburguer só se for para se dedicar ao bitoque. Ou à bifana. Por mim gosto de bifanas e de bitoques, da festa do "golo!!!!". Mas, e repito-me, esta coisa do jogo estar mafiado cansou-me. Enjoei hamburgueres. Sim, tem piada (tem "mérito", para os meritocratas do "não falho um jogo", "amo o clube" - meu Deus clamo, ateu que sou, sempre que ouço estes "amores" a um mero clube da bola) que os "nossos" rapazes ganhem, jogando limpo, com um bocado da malandragem (o "pisão" do bom do Jorge Andrade) necessária à vida. Agora assim, no meio do mais puro aldrabismo? Passei. 

Tudo isto me veio à memória ao ver imagens do resumo do jogo Braga-Porto para o campeonato. Lembrou-me um Braga-Porto de início de 1990, não posso precisar o ano. Mesmo no final do jogo, com o resultado a 0-0, o árbitro (que julgo ter sido um tipo chamado Fernando Correia) marcou um penálti escandaloso contra o Braga, inventando uma mão na bola mesmo à sua frente. Uma óbvia encomenda. Acho que o Porto, para cúmulo do ridículo, falhou o penálti (Kostadinov?), mas isso pouco importa. Passaram quase trinta anos. Ao fim de anos a fio a pedir-se a introdução das "novas tecnologias", como se estas viessem dar "novas oportunidades" a um negócio desacreditado, em plena era do VAR o Porto vai a Braga e a equipa de arbitragem rouba descaradamente o clube da casa. Tal e qual os maus velhos tempos.

E lembrado disso fui googlar imagens ou informações desse velho jogo. Não encontrei mas os algoritmos conduziram-me a uma bela entrevista de Manuel José, publicada em Agosto de 2018. Muito  interessante, é uma "história de vida", cheia de episódios sumarentos, tanto sobre o mundo do futebol desde a sua juventude até ao seu apogeu como técnico em Portugal, com referências a inúmeros agentes conhecidos. E também sobre as suas presenças no estrangeiro. Mais interessante ainda pois  Manuel José aborda os contextos laborais e sociais das épocas passadas, constituindo um lampejo da história social do país através do futebol. Tudo isso narra, com interesse, humor, sageza, e uma apreciável franqueza, até com episódios algo pícaros. A primeira parte dessa belíssima entrevista está aqui, e a segunda aqui.

Ora é nessa segunda parte que ele diz, sem complexos, que "naquela época" [a década de 1990] "compravam-se equipas de arbitragens como se fossem tremoços". E que ele próprio aconselhou determinado presidente do clube no qual estava a comprar árbitros para ser campeão. O futebol era assim, como havia sido em décadas passadas.

E assim continua a ser. Mostra-o o jogo de Braga. Aliás, mostra-o os jogos de Braga. O da roubalheira do jogo da Liga, a cargo de um tal de Xistra, ao que julgo lembrar (vai sem google). E o da meia-final da Taça, importante jogo apitado por aquele Mota, assim recompensado da inacreditável expulsão de Ristovski no jogo anterior.

Honestamente, o que me custa a entender é o masoquismo generalizado (e também o meu), décadas passadas de "paixão" (e alguns, coitados, até de "amor") por um jogo que é esta javardice. Não está uma javardice. É esta javardice.

 

*Para confirmar a data pesquisei o jogo. Encontrei a ficha do jogo. O Sporting alinhou com Lemajic, Nelson, Marco Aurélio, Valckx, Paulo Torres, Oceano, Figo, Peixe, Sá Pinto, Juskowiak, Balakov. Ontem o Pedro Correia fez um postal interrogando os leitores sobre que jogadores deveriam sair. Um tipo vê a qualidade individual de uma equipa de há 25 anos e constata que tirando o guarda-redes, que destoava, todos entravam sem qualquer hesitação na equipa actual. E nisso se percebe o quanto decaíu o clube neste quarto de século.

O Cabotino

 

Da entrevista do sobrinho do dr. Mário Soares já algo foi dito neste blog, e ela é o suficientemente explícita. Defendendo eu o que o título dessa entrevista anuncia e entendendo eu o que Barroso afirma (atendendo ao que se passou sob a sua presidência, mesmo para continuar Godinho Lopes tem que se legitimar através de eleições) gostaria de realçar o ponto central dessa entrevista. Logo no início quando o ilustre cirurgião refere que o seu filho o aconselhara a não conceder a entrevista.

 

Para mim a questão é outra: o que passa na cabeça de alguém para convidar este cabotino absurdo para presidente da mesa da assembleia-geral do clube? Muito me diz sobre a sua fragilidade. Pois este homem não serve. E alguém que o convoca também não tem o tino suficiente para servir.

Sporting-Paços de Ferreira

 

 

Vou a Portugal passar o Natal. Preparando as férias pesquisei que jogo do Sporting poderei ver (não há jogos no Natal nem no Ano Novo, aquilo não é como em Inglaterra, está visto). Na 13ª jornada (6.1.2013) haverá o Sporting-Paços de Ferreira. Lá estarei em Alvalade, excepto se algo de inesperado acontecer. A matar saudades.

 

Nisto consulto a classificação actual (11ª jornada) e os próximos jogos. Torço o nariz. Se as coisas em vários jogos correrem normalmente, como têm corrido nesta época, arrisco-me a ir a Alvalade à 13ª jornada com o Sporting abaixo da linha de descida. Ano Novo, Vida Nova? Esta vida de sportinguista anda difícil.

A falta de auto-estima portuguesa

 

 

Uma das coisas que me angustia na sociedade portuguesa é a falta de auto-estima, a incapacidade de valorizar o que de bem se faz no país, e apoiar os bons agentes sociais, os competentes que tanto desenvolvem o país.

 

Ora neste mundo global, super-competitivo, e de enorme expansão das "indústrias" de entretenimento, em tempos ditas de "conteúdos", é notório que o futebol é o desporto mais importante e nisso o espectáculo desportivo mais seguido, e apaixonadamente, por milhares de milhões de espectadores. Nesse âmbito é surpreendente que um país com a dimensão demográfica como o nosso tenha tamanha importância, tamanho sucesso. Não apenas na pleiâde de jogadores aparecidos nos últimos anos - e não falo apenas dos absolutamente fora-de-série, com Futre, Rui Costa, Figo ou Ronaldo, mas também de dezenas de excelentes jogadores, com excelentes carreiras internacionais, tornando o país num grande "exportador" desta mão-de-obra artística. Falo também do sucesso da nossa selecção sénior, nas últimas décadas sempre no topo do rigíssimo ranking da FIFA e com excelentes desempenhos nas grandes competições internacionais. Acompanhado do bom comportamento das selecções dos escalões mais jovens. Tudo isso, como é óbvio, sublinhado pelas excelentes prestações dos clubes portugueses nas competições europeias, que colocam Portugal também no topo desse ranking, bem à frente de países com demografias bem mais extensas, desenvolvimentos socioeconómicos e da indústria comunicacional, e suas receitas, bem superiores, e nos quais também habita um grande interesse nacional pelo fenómeno futebolístico.

 

Tudo isto convém lembrar. Tudo isto convém convocar ao referir o campeonato nacional (ou a liga, como se diz agora). Porque sendo o campeonato-sede de um futebol de tamanho gabarito, ele tem um excelente nível. Talvez não tão visível devido ao centramento das atenções, dos orgãos de informação e também dos adeptos, nos históricos três grandes clubes. Mas é óbvio que este campeonato, palco de grandes jogadores nacionais (tantos deles exportáveis) e estrangeiros (um verdadeiro trampolim para os campeonatos mais ricos), é de excelso nível.

 

Com tudo dito parece-me óbvio que só a falta de auto-estima nacional é que implica que o campeonato nacional da I divisão tenha apenas 16 clubes. Pela sua qualidade merece, pelo menos, ter 18 clubes concorrentes - não é que o Sporting tenha algo a ganhar com isso, claro ...

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