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És a nossa Fé!

Seninho

As décadas passam e vamos esquecendo. Seninho foi um magnífico extremo, rapidissimo e codicioso, com o grande defeito de jogar no F.C. Porto, quando este começou a ganhar títulos no final dos anos 1970. Foi um dos primeiros grandes emigrantes do futebol português, directo ao topo mundial de então - o milionário New York Cosmos, quando se começou a disseminar o futebol nos EUA. Era uma colecção de estrelas, na maioria já veteranas mas ele ainda no apogeu. Aqui está Seninho a marcar um grande golo após um toque genial do monumento Cruyff, num jogo contra uma selecção mundial.

Seninho morreu hoje. As minhas condolências a todos que, como eu, dele foram admiradores. E, claro, de modo especial, à sua família e amigos.

A selecção nacional (III República)

Alguns dos leitores do És a Nossa Fé! que têm conta no facebook já terão reparado na simpática corrente que ali decorre, com os utentes convidando os seus amigos para apresentarem os 10 (ou 15, depende) jogadores que influenciaram o seu gosto pelo futebol. Durante o confinamento, antes da festa do 25 de Abril e do festival do 1º de Maio em Lisboa, eu respondera a esse desafio. Agora fui de novo, e por um insigne co-bloguista desta sede, convidado para apresentar esse rol. Mas estando ele feito lembrei-me de um velho postal que aqui havia deixado em 2012 (o tempo voa, dizem os velhos quando já não batem as asas). E por  tudo isto, José Navarro de Andrade, repito o postal, pois estes jogadores nacionais muito marcaram o meu gosto pelo futebol (a corrente no FB serve para inserir os jogadores estrangeiros, e isso é outra conversa):

*****

Estava ao sol na praia e lembrei-me disto - uma inutilidade bem digna da inutilidade veraneante -, como se o tempo fosse homogéneo. Não é uma declaração política. Mas o primeiro jogo que vi ao vivo foi em 1975, o meu pai levou-me à central de "Alvalade" e ainda nos estávamos a sentar e já era "golo!!" e ainda me lembro do sorriso dele (afutebolístico que é) com a minha alegria, foi um glorioso Sporting-Olhanense (7-0), marcava muito o Chirola. E a primeira equipa de que me lembro é a que foi campeã em 1973-1974 [ainda a sei de cor: Damas, Manaca, Bastos, Alhinho, Carlos Pereira, Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, Yazalde, Dinis]. E o primeiro Mundial de que lembro é o de 1974 [vi a final, lembro-me do golo a seco, logo no início, da Alemanha; e lembro-me do sururu provocado por Luís Pereira, defesa do Brasil expulso num jogo anterior]. Daí que a minha selecção nacional só pode mesmo ser a da III República, pós-1974. Aqui ficam os 23, seleccionados para o campeonato do mundo do apocalipse. À antiga, os números das camisolas indicam a titularidade, claro, que é como deve ser.

A grande questão continua a ser a mesma, problemática que não angustiará os mais-novos, ainda imberbes nas coisas do futebol: o Oliveira e o Alves cabem na mesma equipa? Na minha opinião, de treinador de sofá, tenho que meter o Sousa para segurar aquilo. 

1.

Vítor Damas (guardião)

2.

Artur Correia (lateral-direito)

3.

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Humberto Coelho (defesa-central)

4.

Ricardo Carvalho (defesa-central)

5.

Fábio Coentrão (lateral-esquerdo)

6.

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Paulo Sousa (trinco)

7.

Luís Figo (médio direito)

8.

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António Oliveira (médio ofensivo)

9.

Rui Manuel Trindade Jordão (ponta-de-lança)

10.

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António Sousa (médio central)

11.

Paulo Futre (extremo-esquerdo)

12.

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Vítor Baía (guarda-redes)

13.

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António Veloso (lateral-direito)

14.

Jorge Andrade (defesa-central)

15.

Fernando Couto (defesa-central)

16.

Alberto (defesa-esquerdo)

17.

Sheu Han (trinco)

18.

Rui Costa (médio ofensivo)

19.

Cristiano Ronaldo (extremo-direito)

20.

João Alves (médio ofensivo)

21.

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Fernando Gomes (ponta-de-lança)

22.

Fernando Chalana (extremo-esquerdo)

23.

Jaime Pacheco (médio central)

+1

Manuel Fernandes (avançado)

Treinador

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Eriksson (treinador)

Adepto

Arquétipo

Direito de Resposta?

Se se instituir o Direito de Resposta no blog isto passa a órgão de comunicação social. Isso pode levantar algumas questões, interessantes decerto, que me ultrapassam. Pois a mim só uma questão se me impõe: se isto se comporta como um órgão de comunicação social, então quero ser pago pelos meus postais. Não exijo muito, um jantarzito com distância social em tasca esvaziada por causa da utopia sanitária.

Estou a esparvoar? Nada disso. Eu é que estou a falar sério.

Mas, como por enquanto isto segue grátis, deixo uma adenda antipática: eu sou livre de apoiar quem quero e de o divulgar como quero, e de atacar outrem que não o meu campeão. Mas é lixado fazê-lo num blog colectivo. Sublinho, num blog, não falo de órgãos de comunicação social. Lixado porquê? Porque dá merda.

Estou a praguejar? Sim. É porque estou a falar a sério.

Viva Quaresma!

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(postal encontrado no Facebook)

Abaixo o Pedro Correia enviou um abraço ao Quaresma (e eu subscrevo-o, tal como o fazem vários dos comentadores desse muito atinado texto).  Outros comentadores resmungam, destilando desapreço pela "ciganada". E outros, num registo totalmente diferente, atirando-se a Quaresma porque se tornou "andrade". Então quero intervir, sobre os dois assuntos. Sobre a coisa clubística é pacífico aqui botar. Mas não me é sobre a política, pois ainda que me farte de blogar politiquices sempre julgo que aqui, num blog de Sporting, não é sítio para elaborar sobre esses assuntos, que nos poderão dividir neste ideal sportingal. Mas, de facto, trata-se de um assunto que, sem tirar nem pôr, é racismo. E um racista é pior do que um árbitro que nos rouba um penálti. Ou seja, o Ventura é pior do que o João Capela que, num jogo contra o Benfica, não marcou um penálti aos 3 minutos, outro aos 7 e um livre directo na meia-lua aos 12. E por isso boto, mesmo que afrontando uns sportinguistas venturescos que possam existir, pois pouca e má gente há-a em todo o lado, pois, como na tropa se diz, "aqui há filhos de muitas mães":

O cidadão Quaresma esteve muito bem, à campeão. Quanto à temática que ele abordou, o malévolo disparate do comentador futeboleiro Ventura, esteve o primeiro-ministro Costa, do qual não sou apoiante, muito bem. Se há problema legais, nisto do reserva provocada pelo Covid-19 ou com outras coisas, é com os cidadãos, não com grupos pré-determinados. Coisa que alguns, esses do tal Chega, ainda que poucos (65 mil votantes, 1,4% de eleitores, um estádio da Luz não cheio) não percebem. A lei é suficiente? Aplique-se. Não é? Mude-se. E aplique-se. Aos cidadãos, não a "grupos" pré-determinados ("comunidades", dizem os mal-falantes). E adianto que o que Costa disse dará para elaborar sobre outras coisas - o radicalismo comunista racista que andou nas bocas do país até ao Covid, acima de tudo - mas isso é assunto para outros blogs.

Mas - e falando de coisas mais nossas, estas do clubismo - há gente que abomina os profissionais que saem do clube e que ganham apreço a clubes onde prosseguiram a carreira, como se fossem apoucáveis por isso. Ora isso é como não gostar de Jordão, tão emotivamente celebrado há bem pouco, que veio do Benfica. Ou de Livramento, etc. Os atletas não são o mero adepto, como nós, que nunca mudamos de clube (muda-se de tudo, de igreja, partido, emprego, terra, mulher, e até - consta - de "orientação sexual", mas não de clube, é o dito de todos nós). São profissionais. E se vão para outro clube e lá são muito bem tratados, e por lá vivem com grande intensidade e sob grande carinho, é normal que se afeiçoem. As pessoas não conseguem perceber isso? Não conseguem perceber uma mudança dessas mas percebem mudanças ainda maiores, como as de nacionalidade, atletas do nosso clube ou de outros, que cresceram com outras nacionalidades e depois foram efusivamente representantes e até campeões por Portugal, usando as nossas cores? Isto é uma cegueira um bocado estranha. Amarão o clube, identificar-se-ão com o clube, mais do que com o próprio país?

Pois nunca ouvi Quaresma invectivar o Sporting. Foi formado no clube, seguiu a sua carreira, e foi muito bem tratado no Porto. Gosta daquele clube. A gente lamenta - quem me dera que ele tivesse jogado anos no Sporting, com grande sucesso. Mas foi o nosso clube que vendeu a sua licença desportiva ao Barcelona. E que não o recontratou quando ele saiu daquele clube. A gente lamenta, mas não há dolo aqui, nem culpas. Nem desrespeito.

Francamente, e ainda que possa estar em engano desmemoriado - e sim, nada gostei de ver Figo comemorar efusivamente um golo do seu Inter em Alvalade, mas compreendo-lhe o humano arreganho explodindo no momento -, de todos os futebolistas formados no clube e que saíram para outros clubes, o único que me desgosta francamente é Simão Sabrosa. Não por ter ido para o Barcelona, porque seria irrecusável. Não por ter ido para o Benfica, pois o Sporting não quis recuperá-lo, talvez porque não pudesse. Não por ter sido capitão do Benfica, porque isso foi corolário da sua carreira no clube. Mas porque, ele sim, teve declarações nada abonatórias, desrespeitosas, do clube que o formou. A mostrar uma muito pobre personalidade. E é essa a diferença que os mais empedernidos não conseguem ver.

 

O amor não é um labor

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Hoje publica-se o nº 4 da revista "Mordaz", dedicado ao tema "Trabalho". Aqui partilho o meu texto que lá vem incluído, esperando não agredir a vossa paciência sportinguista, forma algo atrevida de utilizar este blog para divulgar a revista (gratuita), criada durante este período confinado. Apesar desta não ser desportiva, nem escrita apenas por sportinguistas:

 

O Amor não é um Labor

São Martinho do Porto, verão frio como sempre, é sábado, eu no quarto, já não no tempo de Verne ou Salgari pois agora de “Vampiro”s, ouço o transístor vermelho minha companhia e, na tarde desportiva, Orlando Dias Agudo promete grande notícia para dali a uma hora, e logo caio no alvoroço, será o rumor verdade?..., e depois vem o júbilo!, sim, o Senhor João Rocha resgatava Rui Jordão, salvaguardando-o em Alvalade, e eu adoro-o, ao Rui Manuel Trindade Jordão, paixão ganha, traição minha, no 3-5 d’antes, no jogo em que Jázalde, Hector Casimiro Yazalde, dito Chirola, casado com Carmizé, marcou cabeceando junto à relva, mas ali Jordão, então feiticeiro do Benfica, enfeitiçara(-me), ainda que em magnífico ano de campeões, esses que sei de cor, Damas, Manaca, Alhinho, Bastos, Carlos Pereira, Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, o tal imenso Jázalde, Dinis, os quais bateram o Porto no 16 de Março, jogo transmitido em diferido ao fim da tarde, coisa tão rara, devido a não sei o que se passou nas Caldas, mas que não pude ver, maldição, pois a minha mana parira e obrigaram-me a visitá-la, como não vi ali o tal seguinte 3-5, esse de quando o estádio todo, sem clubismos, se levantou a saudar Marcelo, o “tio” deste, mas, logo depois, também ao Chirola e ao Jordão, e não os vi porque o meu pai nunca foi de bola, nem lá ia, nem os meus irmãos, queques da vela e do “rugby”, e sozinho me ganhei sportinguista na 1ª classe, ano de opções em ecrã preto-e-branco, no Barça 4-Valência 3 e assim até ao Futre, no Arsenal 3 (2 golos do Charlie George, cabelo à Beatles)-Leeds 2, lá nas taças deles e, na nossa, num 4-1 ao Benfica, com o King, como o conheci décadas depois, a marcar, e nós (sim, naquele exacto durante fiquei “nós”) com Damas na baliza. Vítor Damas, eu quero ser assim homem como ele, e ainda disso não desisti, no campo mas mais até cá fora, como se barbeia, com Palmolive, e aquela voz, cava, e com ele aprenderei, e não na tropa, a fazer o nó da gravata, naquele algo descaída,

e por tudo isso sigo Agostinho na França, meu pai dando-me dinheiro para comprar “A Bola” para lhe ler as aventuras, ele gigante batendo-se com Ocaña, Merckx, Thevenet, até trepando mais que Van Impe, Tourmalets acima, “Tinô!”, “Tinô!”, por lá o cantavam, ao nosso herói, poderia lá eu então perceber o quanto o era de facto, até, bem depois, se morrer numa coisa menor, e nós a esperá-lo, em esquife, na volta ao José de Alvalade, devastado como nunca vi, e seguindo para o túmulo em estrada recoberta pelo nosso povo, num silêncio pesado como nunca ouvi, ledes a minha ainda dor disto?,

por isso segunda-feira me baldei às aulas, subi ao aeroporto, junto ao Luís, azarado pois corcunda, nem corria nem nunca correria, merda de vida estará a ter se ainda a tem, a acolher os campeões Aniceto Simões, o barbudo, Carlos Cabral, Mamede e Lopes, o gigante, por quem Mariano Haro, o às espanhol, esperara quando ele caíra na lama, caval(h)eiro como já não havia, ao invés do bárbaro Lá-ce Viren, o maldito, o dopado que tanta dor causou até ao nosso Lopes daquela maratona olímpica, majestoso, correndo pujante, erecto, nada como os desengonçados que vieram a mandar, “vai Lopes!”, “vai, campeão!”, na angústia até às lágrimas mesmo, mas também venerando Mamede, intuindo-o Príamo d’agora, semi-divino nas suas dúvidas e fraquezas, assim vero herói, pois falho como todos, como eu, que nem sequer cheguei ao topo …,

esse topo de Livramento, o mago, eu miúdo no pavilhão, esfuziante com Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Xana e … Livramento, e o triunfo contra os inimigos espanhóis, então únicos, e depois obrigado a crescer, e nesse fervor descer às casas de bilhar, tão saudosas, SG Filtro e bejecas adornando-me da linhagem do Theriaga, que é nosso, e nessa névoa amando Big Mal, o do maior exemplo, pois champanhe, mulheres, charutos, jogo e … vitórias, rock n’roll para os nossos ouvidos, e nisto a vida escorreu, lesta, eu desapercebido disso, e o milénio acabou, fez-me largo trintão e só lembro na tv lá em Maputo de um autocarro estrada afora noite adentro, na via do Salgueiros a Alvalade, e a minha mulher, até surpresa, “andaste dias com um sorriso parvo” …

e há pouco, já cá, em casa do mano Bill num jogo qualquer, Benfica, Europa, sei lá, e mesmo no fim o tal golo de sempre, a derrota, claro, e após o belo manjar que ali é sempre, indo para o carro, a minha filha já adolescente resmunga “é sempre a mesma coisa, perdemos no fim”, e respondo-lhe “não é importante”, e ela devolve-me “ mas é uma chatice”. Sorrio e insisto “não é importante” e avante … Não lho disse, digo-lhe agora, se ela me ler, que não é importante pois não tem causa, nem razão, nem ganhos. É (como o) amor. Mas sem divórcio. Um arquétipo. E não um labor.

Sobre o Covid-19

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Hoje é o fim deste exagerado "estado de emergência". No És a Nossa Fé eu não escrevo sobre política, considero que aqui podemos muito discordar mas por razões de clubismo, não por razões outras. Mas acabo de escrever um texto em que aludo à contratação de Ruben Amorim. Não é sobre o Sporting, mas também sobre o Sporting. Tem um posição política mas deixo a ligação, para aqueles que mesmo assim o queiram ler: "Taça Covid-19?".

 

And now for something completely different ...

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Estou até algo surpreendido pela forma como Bruno Fernandes não só "pegou de estaca" como também "pegou na batuta" do Manchester United. Não esperava que fosse desta maneira tão notória, até abrasiva. Não tanto pela concorrência no plantel, o qual já não é o que foi e que, ainda por cima, tem a primadona Pogba lesionada. Mas por três razões: aquilo do ritmo do jogo inglês ser bem mais intenso do que o português; a demora no processo de transferência, que poderia ter afectado a forma de BF; acima de tudo, isso de ter chegado a meio da época, a ter que se integrar numa equipa já em andamento (aos soluços, é certo). Mas a forma como tudo está a correr muito mostra a grandeza de Bruno Fernandes - em Portugal (mesmo junto de alguns sportinguistas, durante tempo excessivo) posta em causa. Lembremo-nos, por mero exemplo, que ainda há não muito tempo o bom jogador Pizzi foi votado melhor jogador do que ele ...

Mais estranho ainda, aquilo da selecção A. Bruno Fernandes, que já tem 25 anos, nela jogou 19 vezes apenas. E sem particular relevância. Ou seja, temos um fazedor de jogo que é capaz de chegar ao Manchester United a meio da época e de imediato embolsar a equipa e encantar o futebol inglês. E a nossa selecção ainda não encontrou forma de o verdadeiramente mobilizar. Nas selecções há pouco tempo para treinar, moldar tácticas e jogadores, dirão. E o seleccionador di-lo. Mas houve esse tempo, agora no Manchester United?

Enfim, todos nós gostamos do Engenheiro Fernando Santos, que nos trouxe o título de 16, e tão felizes nos fez. Para além da outra liga das nações, simpática vitória, ainda que algo secundária. Mas está na altura de lhe cobrar alguma maleabilidade. Tem Bruno Fernandes. E tem também Rúben Neves, a fazer uma extraordinária carreira em Inglaterra, e Diogo Jota, um belíssimo avançado. Já para não falar de Bernardo Silva, um magnífico jogador que na selecção já vem melhorando mas ainda não chegou ao que faz no Manchester ... City. E este percurso imperial (veni, vidi, vici) de Bruno Fernandes é o sinal, Fernando Santos terá que se deixar de conservadorismos nas escolhas de jogadores e terá que armar tacticamente a equipa num patamar mais elevado do que o que vem fazendo - até porque o apuramento para o Europeu foi muito mau e o terrível grupo em que se caiu foi devido a essa mediocridade da selecção. Cristiano Ronaldo é muito bom mas há um punhado de grandes jogadores a conjugar. E não se tem visto isso. Não é apenas o "resultadismo" de Santos é mesmo uma equipa que joga pouco. Demasiado pouco para quem tem este Bruno Fernandes, este Bernardo Silva, este Rúben Neves, este Diogo Jota. E aquele Cristiano Ronaldo.

E, como se mostra em Manchester, não é preciso assim tanto tempo, para colocar jogadores destes com a batuta na mão e afinar a orquestra.

 

Força Rúben Amorim!

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Há cerca de um ano o director da SIC Daniel Oliveira teve a iniciativa, surpreendente, de contratar a apresentadora televisiva Cristina Ferreira, então conhecida por ser a coadjuvante do veterano e reconhecido Manuel Luís Goucha, parelha actuante na rival TVI, e campeã dessa actividade.

Quando a transferência foi anunciada os conservadores - eu próprio, claro - contestaram-na. Na ânsia do opinar, catapultada por estas possibilidades tecnológicas das redes sociais, invectivaram (invectivámos) os custos milionários dessa tranferência, que fez da apresentadora a mais bem paga dos animadores televisivos. E puseram (pusemos) em causa a pertinência dessa opção, face ao âmbito da sua especialidade - os programas de entretenimento matinal, preferencialmente dedicados à terceira idade e um público consumidor de baixo poder de compra (influenciando o tipo de publicidade convocada) e com uma apetência pela "cultura popular" (influenciando o tipo de conteúdos a propagar). E face ao próprio perfil da apresentadora, considerando-a quanto muito uma figura "agradável" (dado o seu fenotipo, valorizado nas apreciações estéticas predominantes no Portugal actual) e "simpática" (dada a jovialidade que sempre apresentou), mas muito dependente do profissionalismo competente do seu parceiro veterano e, quiçá, mentor Goucha. Em suma, considerou-se (consideraram, considerámos) que aquela contratação "da" Cristina (e é notável como este artigo definido, constantemente usado para se lhe referir, mostra o quanto a apresentadora faz parte do nosso quotidiano, vejamos ou não o seu programa), era uma medida irresponsável, incompetente, talvez mesmo  desesperada, da SIC e do seu director.

Um ano depois os resultados estão à vista. Impulsionada por esta transferência, que serviu como locomotiva da alteração dos hábitos de consumo televisivo da grandes parcelas da população nacional, e acompanhada de alguns outros reforços entretanto conseguidos, a estação SIC tornou-se líder das audiências televisivas. Campeã do seu campeonato, por assim dizer. Apesar dos veementes resmungos dos caturras, esses "jpt"s mais ou menos intelectuais que procuram fazer valer as suas vácuas opiniões neste novo-mundo da opinião (auto)publicada.

É-me inevitável o paralelismo com esta inesperada e aparentemente excêntrica contratação de Rúben Amorim por parte de Frederico Varandas. Que, dissipado o meu primeiro (autocentrado) estupor reactivo, já tendo algo reflectido sobre o assunto, me enche de esperanças.

Pois, de facto, foi uma grande jogada! Força Rúben Amorim! Para o ano é que é!

 

Sem ponta por onde se lhe pegue

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1. Em 25 de Janeiro (há cinco longas semanas) aqui escrevi sobre a inaceitável actuação da comunicação da direcção do Sporting. Nesses dias a imprensa aventara algo sobre a utilização pelo clube de médicos da clínica de que Varandas é proprietário e também noticiara que membros da direcção anunciavam a saída de Jorge Silas, provavelmente ainda durante esta época. Pois a direcção do clube entendeu necessário exarar um comunicado sobre a primeira questão mas ficou em total silêncio sobre a segunda. Assim mostrando a hierarquia de importâncias relativas dos assuntos relacionados com a vida do Sporting: a colaboração (eticamente inatacável, ao que julgo saber) de médicos externos ao departamento médico do clube era assunto relevante. Mas o destino da equipa técnica do futebol (mola económica e moral do clube) e a sua imagem diante dos jogadores e da massa adepta era coisa de somenos. Com os custos (desportivos e económicos) que essa instabilidade no plantel poderia implicar, ainda por cima face a uma eliminatória europeia que se aproximava.

Ontem, as tais 5 semanas passadas, em dia de jogo para o campeonato, no qual o Sporting discute o periclitante apuramento para as próximas competições europeias, rebentam as notícias de que Jorge Silas seria substituído hoje mesmo. O clube nada disse. O Sporting tem uma televisão, um jornal com portal digital, e um sector profissional de comunicação (decerto que bem remunerado). Tem uma direcção, da  qual consta um presidente até palavroso. Tem um director profissional de futebol (nada palavroso). E toda essa mole de gente se calou. Tal como se havia calado anteriormente, depois do plantio das notícias do afastamento de Silas.

No final do jogo de Famalicão, foi o treinador Jorge Silas - que deu, nestes últimos tempos, uma enorme e vibrante lição de ética profissional e de sportinguismo - que nos informou, à massa associativa e ao Universo Sporting (bem como àquele acrónimo que coordena o mercado de acções da SAD, o que só por si é algo verdadeiramente inacreditável em termos de competência e de credibilidade institucional), que estava de saída do clube. E também foi ele que nos informou (bem como ao mercado de acções da SAD, repito-o) de quem o substituiria. Silas foi de uma extraordinária elegância - explicitamente salvaguardou o presidente Varandas e o director Viana, saudou e louvou o seu sucessor Amorim. E já havia dito que nada exigiria do clube. Vénia. Mas essa excelsa postura de Jorge Silas não nos pode fazer esquecer a desajustada atitude da direcção do clube: falta de ética associativa, com desrespeito total pelos funcionários e pelos associados e adeptos; falta de tino desportivo, reforçando a instabilidade lesiva dos resultados da equipa; e uma total irresponsabilidade económica.

Friso isto, a direcção deixou esta instabilidade interna germinar durante mais de um mês. E deixou-a culminar deste modo. O silêncio (envergonhado? estuporado?), a sonsice, da direcção presidida por Varandas em todo este processo é simplesmente inaceitável. Não tem ponta por onde se lhe pegue.

2. Ontem de madrugada, neste meu "À bolina", tentei louvar esta direcção, no sentido de consagrar a necessidade das poupanças. Tão alardeada por Varandas, tão demonstrada no depuramento do plantel que vem sendo realizado no último ano. Pois, por mais que custe, se não há dinheiro - e se não o há é porque várias direcções anteriores alienaram, de modo muito duvidoso, o enorme património do clube e se endividaram de modo irresponsável - não pode haver despesas sumptuosas, e aquisições inflaccionadas. Essa é a realidade do clube, bem mais importante do que um ou outro título. Pois neste mesmo dia, em total contra-ciclo com o que vem fazendo até agora, Varandas contrata por um preço milionário o neófito Amorim - ao que me diz o leitor/comentador Luís Ferreira, trata-se da terceira transferência de treinador mais cara de sempre no futebol mundial (atrás de André Villas-Boas - do FC Porto para o Chelsea - e de Brendan Rogers - do Celtic para o Leicester).

Em primeiro lugar refiro aquilo de que não vejo ninguém falar: não há pinga de ética (do tal "sportinguismo" de que tantos fala[va]m) quando a um terço do final do campeonato se vai contratar o técnico do clube rival, com o qual se ombreia na luta pelo terceiro lugar. Esta manobra de Varandas (da qual o arguto Salvador se rirá, de bolsa cheia e sabedor da estrutura que tem em casa, que decerto entende suficiente para alcançar os objectivos que delineou) é uma vergonha, e será uma mácula indelével no historial moral do Sporting Clube de Portugal. Aliás, este tipo de manobras deveria ser proibida pelos organismos que gerem o futebol, tal como o são as contratações a destempo de jogadores.

Ou seja, esta contratação de Amorim é um total desatino, mostrando o desnorte, a falta de rumo de Varandas. E é um vergonha, mostrando o "atrevidismo" desta direcção. E, acima de tudo, a sua candura.

3. Este será o sexto treinador neste ano e meio de presidência, uma coisa patética. É nitidamente uma tentativa de "fuga para a frente", de através de um novo treinador que se afigura prometedor encontrar um novo ânimo a uma desnorteada condução dos assuntos do clube. E é um "tiro no escuro" - deixemo-nos de encantamentos, Amorim pode ser muito bom (e espero que seja) mas tem cerca de uma dezena de jogos de futebol sénior, comandou um plantel bem coerente, num clube muito bem estruturado, numa equipa preparada por outro treinador e que muito bem jogava sob este. E ganhou a um Sporting que é o que é, a um Benfica em crise, e alguns jogos in extremis. E ao  Porto, que falhou "penaltis". O que digo não faz dele um embuste, mas é surpreendente toda esta ânsia em contratá-lo, não me parece justificada. Mas, repito, a questão crucial não é o mérito (possível e desejável) de Amorim. É a pertinência de o contratar, com estes custos e com esta metodologia. 

4. Tenho escrito sobre a irresponsabilidade de Varandas. Resumi isso aqui, há um mês (2 de Fevereiro) explicitando que "foi a imprudência, a gulodice, a "fezada", que conduziu Varandas a este angustiante e apressado final da sua presidência.". Insisto nas datas dos postais pois o estertor desta direcção e o desatino do seu presidente, o seu culto das "fezadas", é notório e continuado. E nada aprende com o tempo. Não se trata de ser casmurro. Trata-se, pura e simplesmente, de inadequação ao posto, impreparação. E, fundamentalmente, de ininteligência. Entenda-se bem isto, Frederico Varandas não é um homem inteligente. E é isso que o torna incompetente. E, como é característico desse tipo de pessoas, está mal rodeado, pois só os inteligentes se sabem rodear. O que só incrementa a tal incompetência.

5. Urge uma onda verde, de repúdio por esta deriva. Sim, na imprensa. Por parte dos locutores sportinguistas, sejam ou não esses patéticos e patetas "paineleiros" (não é o momento de discutir a impertinência desse molde radialista de fazer televisão rasca e barata em Portugal, às custas da imbecilização do público). Mas acima de tudo urge que os apoiantes desta direcção dela se demarquem. Publica e sonoramente. 

E é necessário que os próprios membros da Direcção do clube digam "Alto!". A Direcção de um clube, de uma Associação Desportiva, é um órgão colegial, um conjunto de associados que se une para gerir os assuntos associativos - e sublinho para que se perceba bem do carácter da instituição, que não é uma igreja profética nem um partido carismático, ou seja não apela a um qualquer presidencialismo, mais ou menos iluminado (ou fundido, como no caso do Sporting actual). 

No tétrico ocaso da presidência anterior, face ao total desatino do  seu presidente, aqui neste blog, tal como tantos outros associados e adeptos, se exigiu com veemência aos membros da direcção que se demitissem para que o clube pudesse seguir, pelos trilhos estatutários, para um processo eleitoral e rever o seu rumo. É altura de exigir isso mesmo aos actuais membros da direcção. Pois o que se está a passar hoje no clube, um corolário de  verdadeiro delírio ou êxtase de candura, é um conglomerado de "más práticas". Se dolosas ou não já será ou outro assunto. Mas são lesivas do clube. E cumpre aos membros do colégio directivo terminá-las. E permitir ao clube que se reorganize.

Obviamente, demite-se

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Não venho falar de política, pois nessa a cada sportinguista os seus credos e concepções. Mas, diante do que se vem passando e do que acontece hoje, evoco e invoco a frase que ficou célebre na nossa História. Como antes Bettencourt, como antes Lopes, como antes Carvalho - e esta sucessão mostra que há algo de mais profundo que vai mal no clube -, Varandas não poderá acabar o seu mandato presidencial, enredado nas dificuldades estruturais e nos meandros da sua mente e, quiçá (pois assim já o parece), da sua psique.

As notícias da contratação de Amorim, a custos desproporcionados, e surgidas em momento de verdadeiro despautério - hoje é dia de jogo de campeonato, importante no processo de apuramento para as tão necessárias competições europeias, e a direcção permite este rebuliço todo? Com que espírito, com que concentração, Silas e os jogadores cumprirão esse difícil confronto? - mostram o final de um ciclo. Doloroso. Varandas estará já só, pois quem no Universo Sporting ainda tem alguma crença nele?

Vamos esperar que caia da cadeira? Saia hoje mesmo, com a dignidade do sportinguista que percebe que o seu contributo se esgotou. Ou então, se o médico se agarrar, indignamente, ao papel que é incapaz de cumprir, que se diga, em uníssono, "obviamente, demito-o". 

E que venha o futuro.

All In

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Nunca fui grande jogador, que a bolsa não me tem sido bojuda, mas, sim, "eu tive o meu poker". E a cena do "all in" é, lembro-o bem, muito agradável, excitante, dá aquela - se me permitem a expressão brejeira - tusa da adrenalina. Certo, eu sempre fui muito mais daqueles do "pago para ver", deixar correr. Mas, repito, o "all in", ah! ...

Esta notícia do Amorim é isso, Varandas a fazer um "All in".

(És um puto atrevido, pá!, imprudente. Apatetado de mimado, sabes?. Pode ser que te corra bem, pá! Pode ser! Caso contrário não terás mais jogo. E deixarás isto de rastos, pois estás a jogar com o dinheiro dos outros. Terás fodido isto tudo. Caralho, puto de merda ...).

The Next Big Thing

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Se o que os jornais proclamam é verdade é porque a direcção do Sporting - os 2Vs, Varandas & Viana - está absolutamente convicta de que Ruben Amorim é mesmo "the next big thing". Entenda-se, o "novo Mourinho". Têm informações sobre isso, relatórios sobre a sua extraordinária metodologia e testemunhos da sua (quase) inédita capacidade de liderança, já demonstrados na equipa secundária do Braga, e confirmados nesta sua ainda breve passagem pelo plantel principal do "Arsenal minhoto". Pois dar meia dúzia de milhões de euros, a um rival directo ainda para mais, juntando-lhe as licenças desportivas de central, trinco e avançado que poderão, se com maus fígados de Salvador e dedo de Mendes, chegar a valer 30 ou 45 milhões de euros no "mercado" futebolístico actual (para além do que jogam e jogarão pelo clube), é totalmente excêntrico. Para não dizer mais.

Não digo que seja disparate, pois se o homem Amorim é mesmo "The Next Big Thing" valerá o investimento. Não será um disparate mas decerto que completamente imprudente, pois haverá sempre a hipótese de que Amorim seja apenas um bom, ou mesmo excelente, treinador. Ou seja, que não valha tamanho pagamento a um, repito, rival directo. Enfim, se isto é verdade é mais uma varandice, uma "fézada!", concordante com a forma como tem (têm) gerido o futebol. Suicidária, dir-se-ia. Dir-se-á.

O meu contributo para a lida dos 2Vs? Amorim é para contratar? Não há dinheiro para pagar a sua cláusula de rescisão? Venda-se, pelos tais 6 milhões e tal de euros que custou, este Rosier, outra das "fézadas" dos 2Vs. E passe-se o dinheiro ao Braga. E então que venha o Amorim, que bem poderá treinar o clube sem este lateral-direito suplente.

Agora, pagar e ainda por cima dar 3 jogadores daqueles? Estes 2Vs estão loucos? Ou a gozar connosco? Cada vez mais me inclino pela segunda opção.

Adenda: que fique explícito, que me parece não o ter ficado no postal, pois sei que a minha ironia, infelizmente, é pouco talentosa. Estas notícias são falsas (só o podem ser). E foram "plantadas" (especulo, claro) para que, a posteriori, se louve uma qualquer outra decisão relativa à contratação de um novo técnico. Que será menos onerosa. E, sempre, muito menos irracional. Mas tudo isto se trata de uma estratégia comunicacional indigna, desrespeitando os associados (e a massa adepta) do qual a direcção depende e face aos quais está obrigada à lisura de comportamentos. Ou seja, à lealdade na comunicação. Entenda-se bem, se isto está a ser veiculado por fontes da direcção, como é tão óbvio que o esteja a ser, seguindo esta estratégia confusionista, é razão suficiente para a sua demissão. Não digo razão estatutária, jurídica. Mas razão moral.

À bolina

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Jogar à bolina é uma verdadeira arte. Não será para todas as equipas, pois o célebre "triângulo latino" é uma  táctica  - uma espécie de 5x3x2 muito plástico - que exige uma grande disponibilidade física. E, sempre, um bom timoneiro, um 10 quase "box-to-box" arguto e eficaz, daqueles "à antiga". Mas em havendo isso pode-se jogar olhos nos olhos, e em qualquer campo, contra ventos e até marés. Dias, grande jogador que injustamente nunca ganhou a "Bola de Ouro", foi nisso perito, e como poucos. O  que o levou a ter sido o primeiro a apurar-se para o Cabo. Razão pela qual depois, já veterano, fez a campanha de apuramento na selecção de 98, com Gama. E ainda foi fundamental no campeonato seguinte,  com Cabral, durante o qual se lesionou gravemente, tendo ali terminado a carreira sem jogar a final. Para os mais novos, que não o viram jogar, Dias foi uma espécie do que será Ruben Neves (se o Grande Engenheiro abrir os olhos e se deixe de Adamastores ...) nas armadas de João Félix e Diogo Jota, almirantadas pelo Cristão Ronaldo.

Lembro agora esse grande capitão de equipa, figura até lendária do nosso clube, por causa do que aconteceu nas meias-finais de 88, o célebre jogo de Port Elizabeth (no estádio que hoje leva o belo nome "Nelson Mandela", então chamado "Lagoa"). Como se sabe a campanha estava a ser um sucesso mas o plantel, já exausto devido ao terrível calendário, pois a selecção caíra num verdadeiro "grupo da morte", exigiu mudanças. E Dias, um grande líder, percebeu a situação, soube recuar, mudou a táctica e os objectivos mas mantendo os princípios de jogo, assim salvaguardando a equipa num necessário "que se lixe a taça". E uma década depois o clube foi campeão. E voltou a sê-lo pouco depois, numa senda de sucessos até Queirós e Santos. Sempre, repito, com esta filosofia de jogo, neste ideal da bolina.

É certo que este modelo de jogo, ziguezagueante, por vezes até soluçante, é menos popular. As "molduras humanas" preferem o raçudo "armada invencível" castelhano, o rendilhado da táctica flamenga do tiqui-taca, o coriáceo "quadrado oco" transalpino (dito catenaccio). Ou mesmo o "sem quartel", a imperial razia do pontapé-e-correria britânica. As hostes animam-se vendo os jogos dessas equipas, dizem-nos "jogatanas". E nem pensam nos custos milionários das esquadras que os praticam, impraticáveis na nossa mareação. Por isso assomam aos promontórios, às Superiores e Centrais, ancoram nos areais, quais o Alcochete que não o de Caminha, e imprecam o bolinar, aos plantéis votam escorbutos e sífilis. E até lhes acenam sudários brancos, augurando-lhes a morte. Por vezes acorrem aos cais para os apedrejar, se e quando aportados sem troféus de saques. E aos capitães anseiam chicoteá-los, e apenas isso porque agora proibidas as fogueiras, por sábia e pia determinação da Santa Federação.

Lembro este bolinar por dois acontecimentos destes dias. Idos agora a terras do Mafoma, a dois minutos do final da peleja os nossos marcaram o golo necessário à glória. Nessa mesma noite logo os louvámos, em concorrida procissão entre o Cais da Portela e a Sé do Lumiar, tantos dos mais populares flagelando-se em agradecimentos. A Silas, vero general, outorgámos o devido cognome, Senhor da Selva. E içámos-lhe triunfo, pela boa táctica com que conduziu o combate, sobrevivendo até a erros dos nossos mais novos. Pela argúcia de ter colocado o núbio Doumbia para trancar o castelo de popa, pela coragem de ter resguardado o caboclo Plata, lançando-o aquando os infiéis já exaustos e assim tornando-o tão decisivo. E pela confiança que vem transmitindo à nossa grei, visível nestes recentes triunfos, sucessivos e esclarecedores de que algo vai melhorando, fruto também das nossas preces. 

(Hum, o Diabo desviou a bola para a barra? É tudo tão diferente ... Silas é afinal só selvagem, nem cristão-novo, pagão mesmo. O resto é miserável, gente pecaminosa assim desprovida de favores divinos.)

E consta também que não há dinheiro. Que os banqueiros da Flandres, e os venezianos e genoveses, e, piores do que todos, os malditos judeus, querem que se lhes pague os empréstimos, todo esse ouro e prata com que se armaram as equipagens dos anos anteriores, tantas delas naufragadas, outras regressadas com contas bem esconsas daquelas andanças pelas índias. "Aqui d'El-Rei!", grita-se, urra-se, e até aqui neste rossio blogal. Que se acorra ao paço, que se defenestre Varanda fora, clamam. Pois que venha mais ouro, que se largue a prata. Que se gaste! Que se gaste! Que se ganhe! Que se ganhe!

E aquilo da bolina? Do à bolina? Como, se nem para as galés esta gente serviria?

Teresa Machado

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Com apenas 50 anos morreu Teresa Machado, ímpar figura do atletismo nacional e, sem qualquer dúvida, uma das grandes figuras da secular história do Sporting. O nosso És a Nossa Fé já como tal a havia consagrado, num belo texto de João Paulo Palha (em 26.8.2014). Aqui o reproduzo parcialmente, forma de comovida homenagem à nossa extraordinária campeã, por duas vezes galardoada com o Prémio Stromp, a forma máxima do clube reconhecer os que reclama como seus.

[É] um dos mais altissonantes nomes dos anais do Sporting Clube de Portugal e deste fabuloso desporto no nosso país: Teresa Machado. Não fora o esmagamento a que o futebol sujeita qualquer outra actividade desportiva em Portugal e escrever um texto sobre esta fantástica atleta seria bem mais exigente, já que obrigaria a um esforço suplementar de pesquisa e a um especial vigor da imaginação. Seria como escrever sobre Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Mário Coluna ou Eusébio, saber-se -ia  quase tudo sobre ela e eu seria forçado a procurar estes e aqueles detalhes mais incógnitos ou obscuros.

Assim, com a vida facilitada pelo desconhecimento geral de um nome que não está ligado ao futebol - não quero com isto dizer que o mal esteja radicado nos leitores ... ele está, antes, no clima criado, acima de tudo, pela imprensa desportiva, cujos critérios mercantilistas, muito mais do que quaisquer outros, se é que estes existem, trucidam implacavelmente tudo o que escape ao dia a dia em redor do sacrossanto e adorado esférico - basta-me fazer uma resenha dos triunfos e resultados obtidos por esta nossa inacreditável atleta para que qualquer interessado fique, como eu, imediatamente convencido da elementar justiça de a colocar entre as grandes figuras da história do Sporting Clube de Portugal.

Teresa Machado veio para o Sporting aos 17 anos de idade, em 1986, ano em que, representando o Galitos - centenário clube e relevantíssima instituição aveirense, em que vale a pena pôr os olhos - foi pela primeira vez campeã nacional de lançamento do disco. Até ao final da sua carreira, foi campeã nacional de peso e disco por cinquenta e três vezes (53!), dezasseis vezes no lançamento do disco, dezoito no do peso e dezanove no do peso em pista coberta. No decurso dos dezassete anos em que representou o Sporting, entre 1986 e 2003 - a excepção foi 1994, ano em que os muitos problemas financeiros que afectaram o clube a levaram a praticar o atletismo ao serviço da Junta de Freguesia de São Jacinto - Teresa Machado conquistou quarenta e quatro títulos nacionais. A lista  das suas vitórias, recordes nacionais e participações em competições internacionais não pode ser minimamente exaustiva num texto deste género. Aconselho, por isso, os mais interessados a recorrerem à WikiSporting, cuja involuntária ajuda muito agradeço, para se porem a par de um historial de tirar a respiração.

Teresa Machado, além da conquista dos campeonatos nacionais acima referidos, participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas,  em sete Campeonatos do Mundo, em três Campeonatos da Europa, em cinco Campeonatos Ibero-Americanos, em cinco Challenges e Taças da Europa de Lançamentos, em dezoito Taças da Europa (em Peso e Disco), num Campeonato do Mundo de Juniores e num Campeonato da Europa de Juniores. Tudo isto,é claro, sem falar de uma grande série de importantes eventos desportivos internacionais que, no currículo de qualquer atleta, serão mencionados com justificadíssimo alarde.

Se nos campeonatos Ibero-Americanos Teresa Machado nos brindou com excelentes vitórias, tendo ganho a medalha de ouro do lançamento de disco em 1990, em Manaus, a medalha de ouro, também do lançamento do disco, em 1994, em Mar del Plata, a medalha de ouro, ainda do lançamento do disco, em 1998, em Lisboa, e a medalha de bronze do lançamento do peso, igualmente em 1998, em Lisboa, já nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo pareceu, quase sempre, atingida por síndrome idêntica à que travou a, mesmo assim, extraordinária carreira internacional de outro dos maiores nomes da história do Sporting, o do inesquecível Fernando Mamede. Apesar desta limitação, Teresa Machado conseguiu um 10º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta e um 11º nos de Sidney, um 6º no Mundial de Atenas e um 10º no de Paris e, ainda, um 7º e um 9º lugares nos Europeus de Munique e Budapeste, respectivamente. Repare-se que estamos a falar dos lançamentos do disco e peso, provas de enorme dificuldade técnica que, muito mais do que hoje, levantavam grandes problemas aos atletas nacionais.

 

 

Se nos propusermos falar de recordes nacionais, salientemos, não nos preocupando com os tantos e tantos que Teresa Machado bateu ao longo da sua carreira e já passaram à história, os que ainda estão em vigor: peso, 17,18 m, em 1996; peso em pista coberta, 17,26 m, em 1998; disco, 65,40, em 1998; peso, sub 23, 16,46, em 1991; peso, juniores, 15,54, em 1988; peso em pista coberta, sub 23, 16,41, em 1990 e peso em pista coberta, juniores, 15,69, em 1988. Repito, trata-se de recordes que ainda perduram, como os mais desconfiados ou incrédulos podem verificar no site da Federação Portuguesa de Atletismo. Sublinho, já que estou a falar em recordes nacionais, que Teresa Machado também chegou a ter o do lançamento do martelo. Quase me esquecia de o mencionar, por aqui se vendo a importância que mais um ou outro máximo vem a ter na avaliação final da carreira da atleta.

A vida de Teresa Machado dava um filme. Os interessados podem vê-lo no site Atletismo Estatística, em que Manuel Arons de Carvalho desenha com brevidade a história desportiva da nossa grande atleta. Como conta este jornalista, em toda a sua carreira, aqui se incluindo os dezassete anos no Sporting, Teresa Machado manteve-se sempre em Aveiro, onde, inicialmente trabalhava numa fábrica de confecções, sem nunca deixar de ser orientada pelo seu primeiro e único treinador, Júlio Cirino. Chegou a treinar-se num jardim público, a tomar cuidado com os seus utentes, treinou-se num parque de estacionamento, com Júlio Cirino a dar-lhe orientações pela janela do seu escritório, e conseguiu, finalmente, que lhe cedessem um areal vedado, ao pé da lota do peixe da Gafanha da Nazaré.

Por motivos que desconheço, Teresa Machado, ao fim de dezassete anos no Sporting, acabou por ir parar aos Açores, onde, durante quatro anos, representou o Clube Operário Desportivo. No final da carreira, ainda esteve um ano no F.C. Porto, ao serviço do qual, já com quarenta anos, ainda foi a terceira melhor portuguesa no lançamento do disco.

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o que está reservado, na história do Sporting Clube de Portugal, para esta  excepcional desportista, que foi distinguida, entre outras honrarias, com dois Prémios Stromp, em 1988 e 1997. Um lugar dos mais altos, como é óbvio.

O Caso Marega

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Sobre este caso Marega botei um texto. Como nele incluo considerações de teor político, as quais considero extravasarem o teor de um blog clubístico, não o colocarei aqui. De qualquer forma, e ainda que não queira utilizar este espaço colectivo para divulgar o meu blog de pequena audiência, deixo, para hipotéticos interessados, a ligação ao que escrevi. É este texto: "O caso Marega".

O mito da "União"

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(Há leitores [demasiado] apaixonados pelo tema [e desabituados de ler sobre outras coisas, o que se nota na forma como desinterpretam, invectivam, "julgam"]. São esses que, em não concordando com um texto, logo reagem apenas em função do "sei bem o que é que este gajo quer...". Por isso insisto em convocar o que fui escrevendo ao longo dos anos sobre o SCP. Não é que não mude de ideias, mas é na continuidade do que fui botando que devo ser discordado, desprezado, insultado e não em função desse miserável e corrente "sei bem o que é que este croquette filhodaputa quer ...":

Em 8.6.18 disse-me avesso a Varandas; em 9.7.18 insisti que Varandas não era o homem adequado. Em 4.2.19 apontei a sua falta de ponderação ... que causara "este naufrágio, este descalabro anunciado". Em 29.9.19 insisti que o presidente falhava e que as eleições antecipadas iriam acontecer, mais tarde ou mais cedo. Antes, neste blog, terei sido dos últimos (eu julgo que fui o penúltimo) a apoiar Bruno de Carvalho, ainda que com alguma ironia já desencantada, descrente que ele se reequilibrasse: 10.4.18 #JeSuisBruno. O qual vinha elogiando, como em 5.6.15 por tentar fugir à pérfida economia do futebol. E o qual dissera a personalidade portuguesa do ano em 2013.

Bem antes,  vivendo muito longe, fui vendo como o Sporting ia decaindo num rosário de presidências algo estranhas: a 28.4.06 questionei como podia Soares Franco queixar-se da herança de ... Sousa Cintra. Em 14.3.08. irei-me sobre a rábula do "Projecto Roquette", algo encetado então há quase 15 anos, e que devastou o clube (ainda há pouco li a notícia sobre o início do projecto imobiliário nos terrenos do antigo estádio, coisa que não será pacífica). A 6.11.09 notava a total inaptidão de Bettencourt. Etc.)

Encimo este postal com a fotografia do convívio da Juventude Leonina (que agora, para minha vergonha, um co-bloguista chama em retórica ilusionista "grupo organizado de adeptos"), ocorrido em Fafe, cerca de dois meses após o ataque a Alcochete. Não é necessário grande elaboração. Apenas repetir o óbvio. A crise futebolística e económica que o clube sofre é, em grande percentagem, devida ao indigno e inaceitável ataque que o tal "grupo organizado de adeptos" fez às instalações do clube. Nem discuto se o então presidente teve responsabilidades, directas ou indirectas, nem se os jogadores se aplicavam ou não o suficiente, nem se tinham ou não direito moral e jurídico para rescindir. Digo que o mais antigo e conhecido "grupo organizado de adeptos" do clube, com as suas lideranças participantes, atacou as instalações do clube, agrediu funcionários e causou enormes prejuízos, económicos e morais, ao clube. Digo que meses depois, em confraternização, os outros "adeptos" "organizados" em "grupos" demontraram solidariedade com os agentes dessa acção. E digo que desde então não houve qualquer demonstração de repúdio dessa acção por parte dos "adeptos" que se "organizam" nesse "grupo": nem cisões dentro do "grupo", nem abandonos em massa por parte desses "adeptos", nem eleições internas sob o signo da ruptura. Mais ainda, digo que as suas atitudes nos estádios e pavilhões não têm demonstrando nem repúdio por este passado, nem inflexões comportamentais, nada disso.

Mais, como nos lembrou Paulo Bento, esta pressão agressiva destes "grupos organizados de adeptos" sobre as direcções do clube tem sido constante ao longo já de décadas, com efeitos morais lamentáveis e económicos e desportivos gravosos.

A questão actual fundamental não é se Frederico Varandas é ou não um bom presidente, se é competente ou não na gestão do futebol. Para avaliar se o presidente deve ficar ou se é fundamental realizar eleições antecipadas, convirá saber como estão as finanças e a economia do clube. E se a gestão actual é dolosa. Ou se nessa área tem conseguido, dentro dos constrangimentos conhecidos, conduzir o clube num sentido positivo ("sentido positivo" quer dizer "um bocado melhor do que antes"). Quanto às outras actividades julgo que nada de gravoso se passa. Resta o futebol sénior: onde o panorama é ... algo habitual. Um pouco mais cinzento do que em anos transactos, mas não pior do que em alguns deles. Tudo o resto - como dizer que isto é o pior de que há memória, - não é uma democrática divergência de opiniões, é pura demagogia. Pois não tem base em dados factuais, apenas numa ileitura do passado recente. E do real actual. 

Ontem houve uma manifestação contra a direcção. Faz parte. Há notícias que houve agressões a membros da direcção e a uma familiar. As reacções são tétricas, e mostram o tipo de gente com quem se partilha a paixão clubística: a) alguns dizem que como não há imagens, não será verdade. Ou seja, na cabeça de alguns destes meus concidadãos o que não está filmado não é crível. O que significa isto? Que tenho em meu torno abjectos cidadãos que querem tudo filmado. Isto não é exagero meu. É apenas a reacção ao fedor da bronquidão circundante, de "adeptos organizados" e de "adeptos atomizados"; b) outros exclamam que se é a direcção que o afirma então é uma falsidade. Ou seja, desconfia-se não dos "grupos organizados de adeptos" que têm este historial de violência, intra e extra-muros, mas sim de cidadãos normais que, por paixão, se dedicaram à administração do clube (com alguma falta de jeito para tal, penso eu, mas isso é outra coisa).

Há muita gente, e neste blog também, que continua a defender que é necessário "unir" os sportinguistas, quem ataque os "divisionistas", aqueles a quem repugna a co-pertença desta gente. Só me pergunto, que género de comunhão é possível com este tipo de cidadãos? Que objectivos comuns se têm (ganhar a "taça"?)? Que racionalidade comum se tem? Aqueles que pugnam pela necessidade da união com a malta das catacumbas, dos insultos, das agressões, pugnam por terem os mesmos valores, de algo comungarem com essa turba? Alguns dirão que o valor é o "Sporting" mas seria interessante que explicitassem isso, sem debitarem o lema "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", pois isso é o lema, não são valores. Que comunhão há com esta gente? Gritar ao mesmo tempo quando uma bola entra entre postes? É importante que o explicitem. Um clube é uma associação desportiva, "é-se" de um clube por "associação" voluntária com outros. Que associação tendes com estes holigões, que associação quereis ter com estes holigões, que ideias e práticas comungais com estes holigões? São importantes porque fazem barulho no estádio? "Animam"? Não vedes o resultado, moral, económico, securitário, desportivo, desse "barulho", dessa "animação"?

Finalmente: um blog é um espaço de diálogo. Mas até que ponto é que é aceitável produzir textos, promover o debate entre gente que partilha a paixão do clube, ou a paixão de clubes (temos aí um pequeno núcleo de comentadores benfiquistas, que nos vem cutucar), e ao longo de anos acoitar, e nisso até promover, vozes insanas, adeptas da violência, do desrespeito cívico, da apropriação do património moral e da dissipação do património económico do clube? Qual é a lógica de continuar a aceitar a boçalidade, a agressividade, o insulto, a perfídia caluniosa, e até a ameaça, a aleivosia constante, que alguns continuam a deixar, continuamente, nos comentários deste blog? Democracia não é aceitar isso. Democracia é aceitar que estas gentes, na sua hediondez, têm direito a ter blogs, a neles escreverem. E aí dizerem as baboseiras que os caracterizam, e a pugnarem pelas desideias que os comandam. Ou seja, qual a razão de continuarmos, nós, co-bloguistas, a aceitar este lixo internético neste espaço gratuito, sem agenda interesseira? Porque damos nós palco a isto? Chega.

Parabéns CR7

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35 anos, é hoje o aniversário deste quase-velhote. E continua ... imparável. O nosso maior de sempre. Grande Sportinguista!

Campeão europeu de selecções; Vencedor da Liga das Nações; 5 Ligas dos Campeões; 4 campeonatos mundiais de clubes; 2 Supertaças europeias; 6 campeonatos nacionais (Inglaterra, Itália e Espanha); 3 taças nacionais (Espanha, Inglaterra); 2 taças da liga; 5 supertaças nacionais (Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal). Mais de 700 golos de carreira, maior goleador da liga dos campeões; 2º melhor goleador nas selecções nacionais, 4º melhor marcador da história do futebol; mais internacional de sempre por Portugal (154)., Inúmeros troféus de melhor marcador, nacional e internacional. 5 vezes eleito melhor jogador do mundo.

O que é necessário para o futuro

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(Antes que os leitores disparem:)

1. Quando no imediato pós-Alcochete, Frederico Varandas avançou para a candidatura logo aqui resmunguei, várias vezes, que não era o homem certo. Nada me movia contra o arreigado sportinguista. Mas aquela insistência no "capitão do Afeganistão" que crê que "a cadeia de comando é sagrada" soou-me a vácuo.

2. Em 29.9.19 aqui escrevi: "E é notório que Varandas não se percebe a si próprio, devido às suas características. ... trata-se de alguém basto auto-convencido -. o que não é defeito, é característica. E que gere segundo intuições, crê na sua intuição, e em demasia. Isso dá azo a imprudências, e a opção Keizer disso foi exemplo. Letal. A ponderação, a prudência, apesar do tom repousado da sua expressão pública, é-lhe estranha. Varandas será um belo profissional da medicina. É com toda a certeza um grande sportinguista, dadivoso. A sua disponibilidade para liderar o clube após o descalabro do anterior presidente é mais do que elogiável. Tudo aponta para que seja um homem probo. Mas torna-se óbvio, e ontem a televisão mais uma vez o demonstrou, que não tem as capacidades intelectuais necessárias para administrar um clube como o Sporting. 

Como tal, mais do que discursos louvando a "estabilidade" ou sacralizando regulamentares prazos de mandatos, é importante que se perceba que vai haver eleições a curto ou médio prazo no clube. Pois após apenas um ano a direcção Varandas está esgotada, na trapalhada da gestão do futebol, nos tiques autoritários (o caso da elisão do campeão mundial de judo é totalmente inaceitável), na incapacidade de apreensão do real, na demagogia (o financista Salgado Zenha especulando sobre futebol), na desastrada comunicação com os associados e a massa adepta. Etc. Ou seja, estes corpos sociais ofertaram-se, generosamente, ao clube. E falharam. Urge compor  nova opção, e o quanto antes para evitar maiores maleitas."

(E agora o postal para hoje)

3. O Sporting é um enorme clube, carregado de títulos e de atletas magníficos. Mas não ganha no futebol sénior. Nos meus 55 anos só me lembro de 5 campeonatos nacionais ganhos. O clube está numa crise monumental: identitária, pois moral; organizativa, pois aos constantes solavancos; financeira, e porventura económica.

O que o clube precisa é de prudência, de ponderação prudente. O pior que pode acontecer não é Varandas continuar, é ser substituído por alguém que venha prometer títulos no imediato - vendendo a SAD, pressionando árbitros, batendo no peito, reclamando pergaminhos bancários, augurando investidores "chineses", toda essa demagogia avulsa. Comum.

O clube precisa de recomeçar. O futebol de se reorganizar. Só precisa disso. Há alguns dias aqui escrevi - com alguma ironia pois não devemos levar a bola demasiado a sério -, que "o futuro é radioso". E sê-lo-á se for ponderado. Sem gulodices. Preparando ano após ano um ressurgimento de grande clube de futebol.

Por isso ilustro este postal com a imagem de José Peseiro. Não que esteja a propor o seu regresso. Pois creio que o seu tempo no Sporting passou definitivamente. E porque não acredito - até por tudo o que disse acima - em "Salvadores do Clube". Mas porque me parece óbvio que, independentemente dos méritos e deméritos de José Peseiro, se Varandas tivesse tido a prudência de o manter na época transacta, num ano sem grandes expectativas, alguns frutos teriam surgido. Talvez não duas taças (que aqui já disse terem sido "vitórias de Pirro"). Mas estabilidade. E depois, com tempo, poderia até ter mudado de treinador, se assim o entendesse. 

Foi a imprudência, a gulodice, a "fezada", que conduziu Varandas a este angustiante e apressado final da sua presidência. Depois de tudo o que de irracional houve na presidência anterior, o que ainda torna mais imperdoável esta sua metodologia, esta administração por repentes.

Vamos ultrapassar este ciclo. Pensando ponderadamente, escolhendo ponderadamente. Seguindo prudentemente. Ou então continuaremos assim, mergulhados na internet a pedir cabeças cortadas após cada derrota. O que é uma grande seca, diga-se.

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