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És a nossa Fé!

Basta!

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Não é necessário elencar argumentos, a realidade é mais do que sonora. O futebol é o fundamental do clube, em termos morais e económicos. A forma como o futebol sénior do clube tem sido gerido nesta presidência tem sido muito fraca. Atrapalhada e incompetente. Exceptuando Varandas - que várias vezes anunciou tutelar directamente essa área do clube - nenhum sportinguista negará essa realidade. Haverá uma excepção, pois nos últimos largos meses apenas o membro da direcção Zenha louvou esta, efectiva, deriva. Que eu saiba mais ninguém o fez. E isto dirá tudo sobre o estado actual da direcção do clube.

Face a este rosário de más e confusas decisões duas coisas serão de exigir. Que na próxima época de transferências, durante Janeiro, esta presidência se exima de dispender verbas. Pois a incompetência que tem mostrado anuncia que tomará mais medidas prejudiciais do clube. E que, com denodo e sacrifício sportinguista, apresente a sua demissão, possibilitando que associados mais preparados para tão difíceis tarefas se apresentem. A bem do clube.

E como já se disse aqui no blog, que as eleições sejam em Março. Haverá então tempo para preparar a nova época. Sem expectativas excessivas, sem exigências tresloucadas. Mas com conhecimento e experiência. E paciência. 

Jesus

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Como ontem Jesus disse, e repetidas vezes, a final da Libertadores é um acontecimento mundial, "transmitida em 176 países". E mais disse, que esta final foi em termos "tácticos e técnicos"  melhor do que a última final da Liga dos Campeões. Ou seja, não só catapultou o enorme Flamengo como faz por catapultar o contexto futebolístico em que está, é ele que "faz peito" à supremacia da imagem do futebol europeu. Não é só o Flamengo que lhe deve estar agradecido, é todo o mundo do futebol sul-americano que lhe deve, dívida de gratidão por tanta firmeza, até arrogância.

Nos últimos dias todos à minha volta, mais ou menos do futebol, estiveram com Jesus. Os benfiquistas - que o abominaram aquando da passagem para o Sporting, que lhe negaram as qualidades técnicas e a decência de carácter. Os sportinguistas - que o abominaram aquando do pérfido "lhimpinho, lhimpinho" e depois tanto nos cansámos de um projecto assente em opções demasiadamente dispendiosas para o clube, sem que chegassem os títulos (certo, esteve por uma "unha negra" mas isso não conta, como bem Jesus diz, pois o que interessa são os títulos). E todos os outros. A vitória de Jesus foi um pouco a vitória de quase todos nós (excepto os do fel mais empedernido). E acredito que foi excepcional para todos os nossos patrícios emigrados no Brasil (e na América Latina).

O que gosto em Jesus, para além desta magnífica foto - noto que é absolutamente inusitado que um treinador de futebol faça isto, contrariamente ao que fazem os jogadores. Será que, nos últimos anos, Klopp, Zidane, Di Mateo por exemplo, o fizeram quando ganharam a Liga dos Campeões em clubes de países que lhes são estrangeiros? Gosto de JJ porque é um "gajo da bola", fala como nós, tropeça na conjugação, engana-se. Ou seja, não tem valor facial, vale pela sua enorme competência e não pelo que (a)parece.

E gosto de outra coisa, desta óbvia arrogância que a tantos incomoda. Ainda ontem num zapping via um comentador qualquer apoucá-lo e vi vários notarem que "não gosto do estilo". Os portugueses (e isso nota-se nos comentários na internet) continuam presos ao ideal do "respeitinho", do "chapéu na mão", da "humildadezinha". Quando se fala das grandes figuras do desporto que têm sucesso no estrangeiro logo chovem impropérios, a eterna inveja face ao sucesso alheio - e que mais fluída se nota nos constantes dichotes com os emigrantes (com os "avéques", como se goza agora com todos os que foram para países francófonos), num povo em que todas as famílias têm ou tiveram emigrados, nota máxima da inconsciente mediocridade da mentalidade nacional.

Ou seja, não é apenas essa inveja, generalizada, contra quem parte para melhorar algo. É a raiva mesmo contra quem não é "humildezinho", não se desfaz em mesuras diante do "destino", "Deus Nosso Senhor" (mesmo sendo católico fervoroso), "o senhor doutor" ou o "senhor morgado", etc. Gente que imenso triunfa e sabe que o deve ao seu trabalho e competência e o proclama, que não pede licença para ter sucesso? JJ, Mourinho, Ronaldo, Queirós? Muitos de nós, os sãos, rejubilamos com os seus percursos. E há outros, mas tantos também, que somam os deslizes, os erros, as falhas desses vencedores. Para assim, apoucando-os nos momentos de grandes triunfos ou no mero quotidiano, se sentirem gente. Sobreviverem à comparação, que pobremente sentem necessidade de estabelecer.

Jesus  não ganhou no Sporting? E depois ...? Grande triunfo agora, grande momento, grande episódio, épico na história do futebol. É arrogante? (É? será isso que esta foto mostra?) Que seja. Pode sê-lo.

Obrigado, míster.

III Divisão e o resto

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1. Joga-se bem na III Divisão, mostrou hoje o Alverca. Bons jogadores, boa táctica de equipa, boa preparação física. Vitória limpa, sem porradas, sem anti-jogo. 

2. É de procurar a "tag" José Peseiro aqui no blog. Demitido porque não servia. De então para cá tem sido o que se vê - seria Peseiro o  mago necessário ao clube? Presumo que não. Os colegas subsequentes vieram melhorar? Não. Convém mesmo lembrar a "tag" e ver o que dele se escreveu: que ganhava muito, que é pé-frio, que é frouxo, etc. E, até, que jogou para uma Taça com uma equipa com poucos titulares tendo perdido em casa. Talvez que a consulta ao que sobre ele se escreveu permita que passemos a ser mais suaves nas críticas.

3. Ao que consta tem havido bom trabalho no difícil sector das finanças do clube. Nem comento, pois não percebo, mas saúdo. E isso implicou que saíssem jogadores para baixar despesas. Compreendo, "não há dinheiro, não há palhaço". Mas há coisas que me surpreendem. Uma delas é a mania de se dizer mal dos jogadores: lembro-me de há uns 2-3 anos ver na televisão um comentador, o radialista António Macedo, decerto que doutor honoris causa em futebol, dizer que Piccini não era jogador de futebol, era só "jogador da bola". É este tipo de atitude, flausina, que custa milhões ao clube e provoca imensos disparates.

Exemplifico: li, e muito aqui também, que Bruno Gaspar era dos piores, ou talvez mesmo o pior, dos jogadores que passaram pelo clube (centenário). Foi despachado e foi-se buscar um Rosier que custou o que se poupou com Bas Dost. Já viram como joga?, é assim tão melhor do que o Bruno Gaspar? Li que André Pinto não acrescentava nada: é pior do que Ilori ou Neto? Li verdadeiros autos-de-fé sobre Jefferson. É assim tão pior que Borja? Li certidões de óbito de Bruno César, oficiais até. É pior do que os Jésés? Li vontades assassinas sobre Petrovic. É pior do que Eduardos ou afins? Este Luís Filipe heterógrafo tem alguma coisa a ver com décadas de avançados titulares do Sporting? Etc, etc. Quem é que escolhe os jogadores?, é pergunta necessária. Mas, também, quem é que põe os sportinguistas a dizer mal (e a blogar mal) sobre os jogadores, induzindo e até mesmo provocando tanto disparate, neste afã de caras novas, de carinhas larocas até ...

4. Há três semanas aqui disse que as eleições se aproximavam. Em mensagens privadas alguns simpáticos correspondentes contestaram o que lhes pareceu a minha vontade numa queda da direcção. Explicito o que poderá ter sido mal entendido por defeito de forma: eu não quero a queda da direcção. Ela vai cair, o que é bem diferente, e isso devido à péssima gestão do futebol sénior, independentemente de outros méritos que venha apresentando. E fico-me nesta: se Varandas tivesse deixado ficar Peseiro grande parte desta confusão se teria evitado. Certo, se a minha avó não tivesse morrido ainda estaria viva. Mas uma coisa é a célebre "lei da vida" outra são decisões irreflectidas, fundadas no auto-convencimento.

Ou seja, urge cabeça fria. E a haver caras novas, até larocas ..., que surjam com parcimónia. E que sejam bem escolhidas. E que as teclas - e os lamirés dos comentadores televisivos - percebam uma coisa: quando as ideias são de lata o silêncio é d'oiro. Não rima mas é verdade.

A Crendice e a Hipocrisia

Durante anos, décadas mesmo, as claques foram acarinhadas. Pelo clube, pelos associados, pelos adeptos. No registo da crendice mais rasteira, do analfabetismo ufano, as pessoas acreditam que o "apoio" das bancadas leva à vitória. E que quanto mais barulhento for esse apoio mais as bolas obedecerão aos intuitos dos jogadores do clube. Por isso tudo foi induzido, potenciado e louvado. Isto não foi Bruno de Carvalho que começou nem que fez crescer. Gera-se mesmo a ideia de que é saudável que os jovens pertençam às claques (o próprio Varandas reclamou essa pertença na sua juventude), como se isso seja uma "ocupação de tempos livres" louvável. Como tal e com o passar dos anos, independentemente das claques albergarem interesses económicos pouco credíveis, o seu grande efeito foi o de sedimentar, até sacralizar, a imagem de que o bom adepto é o barulhento, histriónico e, se "necessário" (aos bons destinos das bolas) praguejador. E, hoje em dia, só um cândido insultará o sô árbitro de "gatuno", como tanto acontecia nos "velhos tempos"

Assim, de forma mais ou menos organizada, mais ou menos espontânea, é normal que os adeptos que são associados saiam dos estádios (e pavilhões) onde praticam - para apreço generalizado do "Universo Sporting" - as suas ululantes coreografias e javardas cantorias, e vão até às assembleias-gerais para, exactamente nos mesmos propósitos, insultar aqueles que - para além de não lhes darem os bilhetes para revenda a preços simpáticos à rapaziada amiga - não têm conduzido as bolas com o sucesso desejado (imensos golos nas redes alheias, poucos e pouco significativos golos nas redes próprias). 

Os sucessivos dirigentes, tantos deles saídos dessas "Academias" do basismo intelectual e todos eles apreciadores desse tipo de "molduras humanas" entusiásticas, ficam depois um pouco embaraçados quando o coro de impropérios não é dirigido aos jogadores, técnicos e dirigentes de outros clubes, jornalistas, polícias ou outros profissionais avulsos, mas sim a eles próprios, ali a tentarem explicar propostas (boas ou más) que têm para a condução do clube.

Ora o que é engraçado é que isso apenas significa que os dirigentes do clube desrespeitam os estatutos, esses que estão obrigados a preservar - pois a isso se candidataram e para isso foram eleitos:. Pois:

o Artigo 21º (Deveres dos Sócios) diz: "g) manter impecável comportamento moral e disciplinar de forma a não prejudicar os legítimos interesses do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, nomeadamente defendendo e zelando pelo património do Clube;"

e o Artigo 28º (Infracções e Sanções Disciplinares) diz: "3 -  (...) consideram-se infracções disciplinares, nomeadamente, as seguintes:b) injuriar, difamar e ofender os órgãos sociais do Clube ou qualquer dos seus membros, durante ou por causa do exercício das suas funções; c) proferir expressões ou cometer actos, dentro ou fora das instalações do Clube, ofensivos da moral pública; d) atentar contra, prejudicar ou por qualquer outra forma impedir o normal e legítimo exercício de funções dos órgãos sociais do Clube".

Trata-se de uma questão educacional (cultural, se se quiser). Pois gente (dirigentes e seus eleitores) que considera simpático que as componentes do Universo Sporting, vestidas com as cores e símbolos do clube, se passeiem desde o Lumiar até qualquer recanto do país, e mesmo além-fronteiras, a insultar as genealogias do senhor Pinto da Costa, do senhor Vieira, dos seus simpatizantes, e restantes participantes na "indústria do futebol" e seus sucedâneos, ululando nos estádios (e pavilhões) e confrontando nas ruas, não percebe que tem por obrigação estatutária sancionar esta constante boçalidade. Mas como punir aquilo que tanto gostam? Só porque o feitiço se vira contra o feiticeiro?

Ou seja, se há alguém que deve ser punido por coisas como as que aconteceram ontem na Assembleia-Geral do clube são as pessoas que integram os órgãos sociais. Porque, mais uma vez, se recusam a cumprir os estatutos, a sancionar os associados que cometem o que está explícito como sanccionável.

Pungente

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Vejo nesta madrugada a entrevista do presidente do clube. É pungente. Ouço, com piedade, os primeiros 4 minutos: que atitude subjaz as declarações iniciais de Varandas? O clube em crise, insatisfação generalizada, preocupação de associados e adeptos. Como começa Varandas? Como sempre o auto-elogio, agora recorrendo a elementos externos: gaba a sua própria coragem, a sua própria paciência. E fá-lo através das palavras de treinadores (Mourinho, Jardim). Ou seja, nesses primeiros 4 minutos Varandas - marcando, de forma letal, o rumo da entrevista - sufraga a ideia de um "clube de malucos" (ideia que muitos de nós até partilharíamos, se em privado) para propagandear a sua "coragem" e a sua "paciência". Isto não é só  pequenez, é desnorte. Para quê? Não entende ele que o fundamental é ser gabado por sportinguistas e não por treinadores que lhe recusam os convites?

Pungente? Logo de seguida, a partir dos 4 minutos, decide dar uma mensagem "directa", que entende necessária, aos sportinguistas. E balbucia uma longa deriva afirmando a "humildade" dele próprio e dos corpos dirigentes. Entenda-se, numa entrevista importante num  momento de crise, Varandas começa por recorrer a um dichote externo propagandeando a ideia "de um clube de malucos" para poder sublinhar a sua "coragem" e a sua "paciência". E de seguida diz que a mensagem fundamental a transmitir é a da sua "humildade". Vejam os primeiros 7 minutos, e é isto, nada mais do que isto.

A importância de uma entrevista televisiva é muito relativa. De facto só tem relevância pelo que demonstra da personalidade do entrevistado e do estado da sua auto-consciência. E é notório que Varandas não se percebe a si próprio, devido às suas características. Ao longo do tempo, desde a sua apresentação como candidato, que o venho referindo: trata-se de alguém basto auto-convencido -. o que não é defeito, é característica. E que gere segundo intuições, crê na sua intuição, e em demasia. Isso dá azo a imprudências, e a opção Keizer disso foi exemplo. Letal. A ponderação, a prudência, apesar do tom repousado da sua expressão pública, é-lhe estranha.

Varandas será um belo profissional da medicina. É com toda a certeza um grande sportinguista, dadivoso. A sua disponibilidade para liderar o clube após o descalabro do anterior presidente é mais do que elogiável. Tudo aponta para que seja um homem probo. Mas torna-se óbvio, e ontem a televisão mais uma vez o demonstrou, que não tem as capacidades intelectuais necessárias para administrar um clube como o Sporting. 

Como tal, mais do que discursos louvando a "estabilidade" ou sacralizando regulamentares prazos de mandatos, é importante que se perceba que vai haver eleições a curto ou médio prazo no clube. Pois após apenas um ano a direcção Varandas está esgotada, na trapalhada da gestão do futebol, nos tiques autoritários (o caso da elisão do campeão mundial de judo é totalmente inaceitável), na incapacidade de apreensão do real, na demagogia (o financista Salgado Zenha especulando sobre futebol), na desastrada comunicação com os associados e a massa adepta. Etc. Ou seja, estes corpos sociais ofertaram-se, generosamente, ao clube. E falharam. Urge compor  nova opção, e o quanto antes para evitar maiores maleitas.

Não conheço as pessoas, não vivo a vida interna do clube. Mas vendo-o de fora parece-me que a solução é interna. Vendo de longe parece-me, e apenas especulo, que Miguel Albuquerque, o homem do sucesso das modalidades amadoras sob Bruno de Carvalho e que vem mantendo esse barco com Varandas, tem as características para inverter a deriva  presente e passada. Congreguem-se as tendências sportinguistas, suspendam-se os desbragados egos, desistam os interesses esconsos. E mude-se isto, antes do Natal se for possível.

 

A cadeia de comando é sagrada

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Aquando do radical desatino do anterior presidente o dr. Varandas apareceu como candidato, acto muito saudável e elogiável. Mas armou-se de um discurso oco, patético para não dizer pateta. Qual "O Homem Que Queria Ser Rei", de Kypling, Varandas hasteou-se herói do Afeganistão, tique auto-engrandecedor que não despega, veja-se uma recente entrevista onde regressa às memórias de ter percorrido (bíblicos) "caminhos de pedras" sobre "o fogo do inimigo". Nessa fragilidade de referências (algo bacoca, já agora) Varandas anunciou que, em seu entender, "A cadeia de comando é sagrada". E presume-se que será assim que o nosso Podalírio entende o exercício do "comando" de uma associação desportiva, dado o tom com que se anunciava para o futuro.

A cadeia de comando é sagrada? É capaz de ser. E então é óbvio quem é o responsável por este triste estado de coisas.  Humildade (sinónimo de "cautela", como bem se sabe) e caldos de galinha é o que se pode receitar ao Presidente Podalírio. Deixe-se lá de invenções. Deixe-se de mimetizar o vizinho do lado. Contrate um treinador que saiba da poda - que é coisa que não falta em Portugal. Vamos lá ver se ainda dá para chegar ao habitual 3º lugar (ainda dá, falta muito e o Braga está mal).

E a ver se o recruta presidente chega a primeiro cabo. Que ainda lhe falta muito para furriel.

 

Nos Países Baixos

Não vi o jogo. Transmitido em "canal aberto" avisaram-me. Portanto, e mesmo por causa disso, um quarto de hora antes saí de casa, fui para a esplanada do bairro, beber um uísque com algum amigo que por lá estivesse (e estavam). Pois não me quero chatear, para isso já basta a vida. Depois jantei, com os farripos de família que restam. E adjacentes. Saí de novo. Voltei, vi o blog, os jornais. E fui ver o resumo.

Haveis reparado, e falo apenas para quem se restringiu ao resumo, que "só deu" Bruno Fernandes? E que, no meio daquilo, apareceu um rapaz, rabo-de-cavalo ou parecido, da "formação" que marcou um golaço, tipo puto sem medo?

O tempo que se perdeu ... E o resto tudo. (Dizem que o Palhinha jogou bem em Inglaterra, lá na equipa do Sá Pinto. Mais um sinal ...). Este ano é para perder. A ver se para o ano é que é!

O Vitória Sport Porno

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Eu não sou moralista. Nem fui. Vive e deixa viver, o primado do livre-arbítrio, sob a tutela da lei, ainda que esta matizada pelo bom senso. E nisso ainda mais no que toca ao domínio do pessoal, das questões íntimas. E a pornografia, e a relacionada mas diferenciada prostituição, são áreas preferenciais nesse matizar. Eu não pago para foder, nunca o fiz, nestes meus 55 anos. Andei por cabarets, quantas vezes bordéis, muitos, nas noites austrais. Fiz amigas, paguei copos. Até financiei a reforma de uma amiga, proporcionando-lhe o sonho de se estabelecer como patroa de "barraca", vender copos e galinha na noite. E outras coisas, "que fazes tu aqui, princesa?" resmungo já com a sensibilidade etilizada diante da Fatinha, vinda do Norte. Está ali perdida, dou-lhe o dinheiro para regressar à origem, onde a conhecera, então resplandecente, mas agora ali ao engano. Encontro-a depois, afinal ficou, nada comigo, eu apenas dera o dinheiro, o critério foi o dela. Mas é uma pena, pois a pobreza extrema, material e/ou de expectativas, não é o forno do livre-arbítrio, como querem, aldrabões, os hipócritas. Eu gosto de pessoas - eu não gosto de comentadores anónimos, mas gosto de pessoas -, e quando mulheres muito mais ainda. Fui boémio. E na noite, fora dos sítios finos da burguesia lisboeta, a vida vai como vai.

E o porno? Em Portugal? Não, apenas uma vez que me lembre, um tal de D. Fradique, espelunca ali à Sé de Lisboa visitada numa despedida de solteiro. Quinze tipos impulsionados por uma patética tradição, ainda quase vigente nos inícios dos 1990s. Quando começou o show erótico, sexo lésbico ao vivo, aquilo tornou-se demais, escorropichámos os uísques e "vamos onde?". E Plateau connosco, ainda que keke, pois era dia de semana, tarde, e íamos dançar, e a onda não era o nosso Tokyo (ou Jamaica) e o Kremlin era tantantantan em demasia. Porno? Sim, desde novo, ali aos 14 anos no Olympia, eu e o Raul fomos lá com o Fanã, mais velho, esse nos seus já 17, belo pé esquerdo, bom jogador da bola aqui no Maracangalha da rua, sempre o primeiro a ser escolhido, conhecido pelo "Fuça, fuça e não se cansa", glosando o anúncio do Optilon, fecho-éclair, que o rapaz levava tudo à frente no seu driblar e depois era só dar ao gajo que estava à mama, para este marcar. Lá nos levou, aos putos, ao tal Olympia, para vermos um porno, afinal só "lite", como vim a saber depois, umas mamas à vista e pouco mais. No ano seguinte lá voltámos, o mesmo plantel, mas já para ver um "hard", cricas e pilas, estas gigantescas - porra, como é possível?, instrumentos daqueles? Um tempo depois, ainda adolescente, entristecido a olhar para a pobre oferta que Deus  ou o azar genético me concedera, li a biografia de Hemingway, de Carlos Baker: o Fitzgerald com o mesmo problema que eu - e não vira filmes porno, presumo - a perguntar ao biografado sobre o palmo que lhe faltava, preocupado, e o arquétipo do escritor-rústico a dizer-lhe "vai ao Louvre ver os gregos e deixa-te de coisas". Eu fui, não ao Louvre mas aos livros. E era verdade, os sacanas dos gregos, que se enrabavam uns aos outros - pelo menos os filósofos e escritores - não apareciam lá muito dotados. Sosseguei. E segui a vida. Talvez desiludindo algumas senhoras mas quem faz o que pode a mais não é obrigado. Depois, nos meus 40s, apareceu aquilo da internet, que eu passara incólume a cena dos videoclubes - que quereis, o porno desinspirava-me a juventude - e fui ver a pornografia de agora. É como antes, as tipas mamalhudas (francamente, a velha página 3 não é o meu anseio), proto-varizes à mostra, os gajos de pilas monstruosas, uma canseira. Vi isso, as garotas umas com as outras, línguas linguarudas, os gajos uns com os outros - não me digam fóbico mas esteticamente aquilo é terrível, deus nosso senhor os tenha na sua santa guarda ... Não me lixem, chamem-me o que quiserem, mas neste meu estertor cinquentão (e até antes) dá-me mais alento uma foto a preto-e-branco da Katharine Hepburn, um laivo de memória da Lange, um sorriso da Bassett, ou, e muito mais, um mero meneio da vizinha cinquentona, do que meia hora de truca-truca (meia hora?, era o que faltava) num qualquer ecrã. Esta verborreia é só para resmungar, eu não consumo dessa tralha mas se gostais será convosco, desde que não seja eu obrigado a assistir. E não sou. Cada um como cada qual, e se há quem se anime, porque não? Desde que, claro, e já agora, se perceba que há coisas que não são para ser vistas. Não pelo que mostram mas pela forma como os participantes são induzidos ou forçados.

Mas agora esta célebre Mia Khalifa é algo diferente. De repente soube da sua existência, figura pública, a cicciolina d'hoje em dia. Googlei. Nada de especial na rapariga. Muito afã nos filmes, é certo. Mas nada de peculiar no físico. Eu não me vou pôr a fazer um ensaio semiológico mas o que a tornou uma estrela não foi a sua gulodice vaginal ou a capacidade gargarejadora. É ser Mia ... Khalifa. Funcionou como catarse no mercado americano. Os espectadores a ver foder, enrabar, a árabe Khalifa, a fazê-la chupar. "Éh tu, árabe, taliban, fodemos a tua filha!", foi esse o segredo para catapultar a curta carreira fílmica da actriz. Sim, ela não é árabe, nem sequer islâmica. Mas funcionou no (sub)consciente espectador como tal ...  A rapariga retirou-se, e é bom, haverá melhor forma de ganhar a vida do que se fazer filmar a fazer sexo. E mais do que tudo o retirar-se mostra autonomia, ela podia sair daquilo - o que não é a regra universal no mundo porno e ainda menos no da prostituição, já agora, e sempre convém lembrar isto para matizar a suspensão dos juízos críticos. A rapariga quis sair, saiu. E ganha dinheiro, como sei lá, mas vai aparecendo por aí afora. Maravilhoso mercado global, magnífico "marketing"! Tudo bem, vive e deixa viver, repito.

Mas, caramba, por razões lá do seu "métier", ofício actual, seja lá qual for, veio resmungar contra o Arsenal de Londres. E lá em Guimarães entusiasmam-se, tornam-na uma do plantel, dão-lhe visibilidade, imprimem-lhe camisola e tudo ... O que é isto? Que javardice é esta? O mundo da bola acabou nisto? Os vimaranenses são só isto, um miserável filme porno, um paupérrimo bordel? É isso a cidade? E, mais do que tudo, é isso uma "instituição de utilidade pública"?

 

Crónica do anunciado

Não é uma "morte", termo demasiado. Mas é uma demissão anunciada. Desde a sua ... excêntrica contratação. O Sporting tem uma "chicotada psicológica" após a 4.ª jornada, demitindo um treinador que estava em funções há quase um ano. Isto é uma derrota estrondosa de quem fizera, porque julgando-se iluminado, tão ... excêntrica contratação. Já o botei aqui, há meses, naquela convulsa altura Varandas deveria ter sido prudente, a isso o obrigava a situação do clube, a situação do plantel, a situação financeira. Quis inventar, quis "mostrar-se". Espalhou-se ao comprido, e bem. A  soberba tem destes problemas, impede de ver o óbvio. 

Agora trata-se de não se pensar que "a cadeia de comando é sagrada". Pelo contrário, aconselhar-se (e parece que Jorge Mendes irá ter uma palavra nisto, fica óbvio nestas maquinações de "mercado") com quem sabe. Posto de outra forma? Que tenha juízo o nosso doutor.

Sporting, comunicação e jornal

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Dia de fecho do mercado de transferências de jogadores de futebol. Apesar do Sporting ter anunciado que tinha tudo planificado, e que por isso começara a planificação e identificação de reforços bastante cedo - até mesmo no Inverno passado - segue uma azáfama no plantel: Diaby, em quem Keizer tanto confiou ao longo de meses, parece que já está na Turquia; um jovem lateral-direito que não dava garantias, tanto que se contratou um jogador sistematicamente lesionado, segue para Valência (óbvia manobra de Jorge Mendes), Raphinha saíu ontem para França, talvez haja outras saídas, mais ou menos saudáveis. Entram jogadores que não se esperavam, e o Sporting nisso anuncia uma mudança de perfil - a ver se é para continuar se é apenas fruto dos constrangimentos actuais: empréstimos de jogadores estrangeiros, decerto que algo caros, a valorizarem-se aqui. Reforços de segunda linha, mas nunca se sabe: um Fernando Santos, a ver vamos; um Jesé que dá vontade de rir; e fala-se ainda de um extremo veterano. Mas nunca se sabe, pode funcionar. 

Mas o que é interessante, e denotativo do estado do clube, é o que acabo de ver: São 19 horas deste afinal frenético dia. Os jornais, desportivos e não só, têm catadupas de notícias sobre jogadores a aportar para o clube - parece que vem um tal de Jesé, que dá vontade rir ou mesmo de chorar. Eu vou ao "site" do clube, vejo a secção "plantel de futebol": não há uma única notícia. Nem Raphinha, está anunciado. Vejo o plantel do clube.  Não está alterado, nem mesmo Raphinha.   Bas Dost é ainda - depois de ter sido maltratado na página FB do clube - o rosto que anuncia a venda de lugares cativos (aos quais os analfabetos funcionais insistem em chamar, e até com orgulho, patetas ambulantes que são, gameboxes).

Depois vou ao jornal Sporting. Nenhuma notícia sobre o que se está a passar no plantel sénior. E ainda encabeçado pelas fotos e notícias do jogo com o .... Portimonense, em cabeçalhos glorificadores.

Isto é a total incompetência. Ou então é mesmo uma inconsciência. Para quê ter estes serviços, gastar algum dinheiro, por pouco que seja, com este tipo de abordagem? De, entenda-se, falsificação. 

Dirão que é marginal, que o que interessa são as xistradas. Sim, é verdade. Mas com esta monumental mediocridade e este vil seguidismo, os tipos da comunicação com o chapéu na mão à espera da autorização de um qualquer doutor para noticiar, isto é uma vergonha. Feche-se aquela loja. Fede.

Keizer? Não me f....!

(Há algumas horas publiquei este postal. Pouco depois retirei-o. Recoloco-a aqui, agora já de manhã, depois de o ter reescrito, de facto censurado, amputando-o de letras. Faço-o porque o blog é colectivo e, de alguma forma, publicar algo é fazê-lo em nome de todos, ainda que a responsabilidade seja de cada um e não do colectivo. Fosse um blog individual e eu não retiraria qualquer letra ... Modifico-o ainda pois coloquei-lhe uma adenda, advinda da memória matinal.)

Fim de tarde junto ao Tejo, no belo Clube Naval, com casal amicíssimo. Um gin a abrir, Gordon´s, o básico sem essas mariquices d'agora, algumas imperiais, ostras deliciosas, uma salada de polvo basto aceitável, uma belíssima garrafa de vinho tinto, carpaccio de carne com florescente apresentação e condizente degustação, no final café e uísque novo. Excelente. Falou-se bastante, de amor (sim, de amor, do nosso amor entre nós e mulheres, entre ela e homens), de amizade, de felicidade, da Ilha de Moçambique (onde fui imensamente feliz, onde eles turistas foram felizes), da vida, de amigos, de amigos. No entrementes o dono, um tipo porreiro, assomou à mesa e, entre outras coisas, avisou que o Sporting-Rio Ave estava 1-1, e que seguia jogo entre solteiros e casados. A mesa de sportinguistas, e havíamos esquecido que havia jogo, sorriu e continuou a conversa - eu vivo "isto" menos que tantos outros, que encontram mérito pessoal em ir à bola, em "não perco um jogo desde 1964" e patacoadas dessas, mas cada um como cada qual pois, enfim, "ele" há os méritos que cada um pode ter. Continuámos, o tal carpaccio, as nossas conversas. Seguimos ao Cais do Sodré, foram-me mostrar o bar do Hernâni Miguel, eu ainda não o conhecera, veterano que sou das Noites Longas, do Lábios de Vinho, do já tardio Targus, até mesmo daquilo desta era da Fábrica de Lisboa que os patetas chamaram em inglês. Magnífico sítio, flippers e tudo - e eu conhecia a máquina, ainda que não tenha conseguido tirar bónus, tenho que voltar para reconquistar os trejeitos necessários -, umas imperiais. Voltámos para casa, que a idade já não está para mais. 

E lembro-me do jogo, vou ver o resultado. O Rio Ave ganhou 3-2. Sorrio, foi o resultado que previ para o habitual postal de prognósticos do Pedro Correia. Mas não o coloquei, meti um glorioso 6-2 para o Sporting, auto-censurei-me, pois num ambiente de fanáticos supersticiosos (entenda-se, imbecis) prever uma derrota parece não apenas uma traição como um esforço para que ela aconteça. Googlo o resumo. E vejo-o.

Depois venho aqui, e vários dos prezados co-bloguistas - como decerto muitos dos sportinguistas - pedem a cabeça de Keizer devido à derrota e ao pobre futebol apresentado. Não me f....! Não vi o jogo, repito-o. Acredito que o Sporting não tenha jogado a ponta de um c....... Creio-o mesmo. Não me admira nada. Não gosto de Keizer, é o homem errado no lugar certo, tenho-o aqui escrito há quase um ano. Como não gosto de Varandas, o homem que nele insiste, escrevo-o aqui desde que veio com a patética rábula do herói do Afeganistão. E, tal  como o Zé Navarro de Andrade não gosta do Bruno Fernandes, eu abomino, visceralmente, demencialmente até, o Coates, ainda que o Pedro Correia discorde de mim, o qual acho uma reencarnação de Anderson Polga, um dos poucos homens que odiei na vida, tamanho o desespero que durante anos me provocou. 

Mas, f...-.., não me f...! Do jogo só vi este resumo. Repito, talvez o Sporting não tenha jogado a ponta de um c...... Mas, c......, nestas imagens - e se calhar dar-me-ão imensos outros ângulos para me mostrarem que estou errado - o primeiro pénalti  não é pénalti, o segundo penálti não é penálti, e o terceiro penaltí ... muito dificilmente será penaltí, um choque de pernas apenas. Este jogo foi o maior roubo que me lembro em Alvalade, e já vi muita m...., nacional e internacional [Adenda: pensando bem, houve um jogo para a Liga dos Campeões há alguns anos onde o árbitro, que apitara a final do ano transacto, não assinalou 4 grandes penalidades ...]. Talvez o Rio Ave de Jorge Mendes e Carvalhal esteja muito bem estruturado mas, p... que pariu esta m.... toda, isto foi um roubo do c......, f............  E como tal este não é o momento de estar para aqui a guinchar contra o Keizer, o Varandas e o Coates e os outros todos. O Sporting está aflito, sem taco, a precisar de sucessos, e é f...... desta forma e viramo-nos uns contra os outros? F...-se, está tudo maluco?

Sporting: página oficial do FB

Esta é a página oficial do Sporting no Facebook. Veja-se a legenda do filme com que o clube se despede do jogador. É de uma mesquinhez atroz. Quem escreveu isto é um profissional, está contratado pela direcção de Frederico Varandas. Ou seja, é a direcção que publica isto. Mesquinho, abjecto. Infantil. Incompetente. Não é um problema da "comunicação" do clube. É de quem manda nele. 

11 Jogos?

11 jogos sem ganhar? Vamos ao contrafactual: se o treinador se chamasse Fernando Vaz, Juca, Mário Lino, Rodrigues Dias, Malcolm Allison, Augusto Inácio, Lazlo Boloni, que se diria, que aconteceria?

Varandas teve um "palpite". Foi buscar um treinador de meia idade, sem currículo, desconhecido. Apresentou-o como "alguém especial" que traria algo novo, um perfume de Ajax. Ok, passou quase um ano. O plantel é, grosso modo, o mesmo. Quais os progressos? Em termos de futebol, tácticos e técnicos, nada se nota - uns laivos ocasionais de um 3x5x2, hoje nem raro, e desconexo. E nada mais, num futebol triste, de repelões. Há outras qualidades? Apoio à formação, que era mote na sua contratação, é nulo. Capacidades na cooptação de reforços acessíveis - com conhecimento de "mercados alternativos" - não se mostrou no defeso. Discurso mobilizador da equipa e da massa adepta, nenhum. Que haverá mais que seja equilibrável com este rosário de insucessos e horizonte de pobre época? Qualidades organizativas, de coordenação interna? Metodologias de treino muito inovadoras que darão  frutos a seu tempo? Talvez, mas então que a direcção o diga, que explicite essa crença diante de associados e adeptos, e assim fundamente a continuidade de uma aposta que cada vez mais se mostra o que logo anunciou ser: um erro.

Varandas, por mais capitão do Afeganistão que tenha sido, não é um comandante. É presidente de um clube, primum inter pares, por decisão desses mesmos seus pares. Justifique-se, com a humildade necessária. E arrepie caminho. Mesmo que ocorram mais algumas vitórias de Pirro, esta pobre via está condenada. Só a sua soberba o incompreende. 

De regresso à Pátria Amada

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Regressei à Pátria Amada, terminada que foi a minha missão belga. Num destes primeiros dias tive um muito prazeroso jantar com o Pedro Correia, o "camarada coordenador" deste (e não só) blog. Belo manjar - num restaurante barato, friso-o para que não venham os comentadores acusarem-nos de esbanjarmos as putativas fortunas que os "poderes croquetes" nos pagariam se as pagassem. E durante a simpática (e acolhedora, num "bem-vindo" amigável) conversa o Pedro Correia insistiu que eu mantinha o lugar cativo (aquilo a que agora a turba chama gameboqse-qse-qse, como se atiçam os cães na caça aos gambozinos) no blog, apesar das minhas birras. E então venho aqui publicamente agradecer-lhe a tamanha paciência para os meus humores. De facto voltei a Portugal, já assisti ao Benfica-Sporting ali em Palmela, no meu lugar cativo (qse-qse-qse). E como tal, após este quase início da época futebolística, aqui vos desejo, em particular a todos os adeptos do nosso Sporting mas também aos outros visitantes, um Feliz Natal.

Sobre o tal jogo particular que preenche demasiadamente as conversas (e o blog) - de facto tratou-se apenas de um jogo de preparação, sem importância, ainda que sempre custe uma derrota, mesmo que a feijões, com o Benfica (talvez fosse melhor evitar agendar jogos com os rivais para estes períodos, comovem demais a massa adepta) - pouco haverá a dizer e nem muito a lamentar. É notório que a preparação está um bocado atrasada, em particular nos "índices tácticos", o que é normal dado o pouco tempo de trabalho e o ainda desconhecimento que o novo treinador tem do plantel. Mas há bastantes razões para ter esperança, em particular na sua argúcia táctica. Percebi-o durante o jogo, aqui vos trago a ilustração: aos 2 minutos e 5 segundos do filme vê-se o lance do terceiro golo, num livre directo. Durante a sua execução, que foi um lance pausado, o nº 37 do Sporting (que julgo ser Wendel, um recém-chegado prometedor reforço brasileiro, mas também ele ainda em adaptação ao ritmo do futebol europeu e ao nosso plantel e a novos métodos de trabalho) cruzava a área da execução, num lento movimento transversal, qual cortina móvel. Nos meus 55 anos, 49 dos quais a ver futebol, nunca tinha visto uma manobra assim. Uma verdadeira inovação. A deixar entender que o novo treinador do clube tem (na manga) um amplo manancial de inovações tácticas. Quando, em muito breve, os automatismos estiverem criados, os sucessos surgirão.

 

Festas Felizes. E um Bom e Saudável 2020.

Para o ano é que é!

98_jose_alvalade.jpg

(Contrariamente ao que sempre aqui fiz - pois penso que o clubismo deve estar apartado da vida político-partidária - este postal explicita algumas posições políticas. Permito-me a isso dado que se trata de uma despedida. E como é despedida é um texto longo.)

 

Após o acidente de viação acontecido com o antigo presidente do clube Santana Lopes deixei aqui um breve postal desejando-lhe rápida e total recuperação. De imediato surgiram os comentários no tom que aqui se tornou comum há já um ano, desde a crise presidencial no clube: "Só um blog como este é que enaltece Santana Lopes e critica BDC e Carlos Vieira", diz um anónimo, tratando-me sarcasticamente por "Sr. Jpt", e (ele ou outro anónimo) completa considerando-me entre uns "groupies" do Santana", enquanto [(ele ou outro(s) anónimo(s)] aproveitam o acidente para lançar(em) críticas ao actual presidente Varandas. Isto para além de críticas à competência política de Santana Lopes e dichotes sobre o acidente que o deixou hospitalizado. Note-se que este tom é radicalmente diverso do surgido noutros locais de discussão político-partidária, nos quais a oposição ao indivíduo não se expressa com tamanho acinte. E é um tom típico dos comentários aqui no blog, seja lá qual for o tema do postal comentado, bem como do que se vem passando em inúmeros locais de debate sportinguista.

 

Sobre a questão política - excêntrica ao sportinguismo, repito - a coisa é simples: eu blogo há 15 anos, muito botei sobre esse tipo de matérias. Alguns dos co-bloguistas conhecerão (parcialmente) o que fui botando, quiçá também um ou outro dos leitores. Não sou militante nem mesmo simpatizante do partido de que PSL foi presidente, ainda que ocasionalmente nele tenha votado - mas nunca, por coincidência, em legislaturas nos quais ele tenha pertencido ou presidido ao governo. PSL lançou agora um partido novo e eu, desgostoso com as grandes forças da oposição, botei noutros blogs onde escrevo que oscilo na simpatia entre dois partidos, bem contrastantes, para estas próximas eleições, devido ao apreço que alguns candidatos dessas listas me convocam. Um desses é exactamente o partido de PSL e explicitei que a minha simpatia advém de um candidato colocado em lugar inelegível, um confrade bloguista, e isso apenas porque ele - do qual me separam perspectivas ideológicas - tem um imenso mau feitio que muito me agrada. Entenda-se, dá porrada que se farta nos poderes instituídos. Sobre a minha propalada ligação política a PSL está tudo dito.

 

Sobre a sua presidência do clube já aqui referi, e até por mais do que uma vez, um texto meu de 2008: O Sporting e o Projecto Roquette. Não julgo que esteja muito conseguido. Mas nele expressei (repito, em 2008) o meu radical desagrado com a gestão do Sporting desde a chegada a presidência de ... Santana Lopes. Mesmo sabendo que ele foi então um presidente episódico. Considerando que entre esta e a de Bettencourt ocorreu uma devastação estrutural do clube, conduzida por um grupo social, constituído por uma elite socioeconómica ligada à construção civil e à banca (por isso aparto Godinho Lopes, do qual não tenho boa memória mas que me parece proveniente de outras dinâmicas sociais). Considerei na altura que o Sporting era como que um micro-cosmos do país, como os anos subsequentes vieram a demonstrar. Mais ainda, já aqui escrevi que foi durante a sua presidência que me apartei da vida associativa do clube: ele pediu aos associados um ano de quotas adiantadas enquanto contratava um caríssimo jogador checo que nada fez. Achei que tudo isso era um despautério e neguei-me. E depois emigrei ... Sobre a minha propalada ligação à presidência clubística de Santana Lopes está tudo dito.

 

Tanto nesse postal como no imediato - um postal sobre o "A Bola", que eu tinha em rascunho e terminei hoje -, surgem comentários dizendo-me ao serviço de uma agenda, obscurecedora, defensora de Frederico Varandas. Eu não blogo por agenda, faço-o por mero prazer. Nem este blog tem agenda, a gente não combina nada, não há instruções nem contactos internos para conduzir os textos ou os temas. De vez em quando há um jantar, aparecem alguns dos co-bloguistas, a gente come um bife, fala (muito) do Sporting, bebe umas imperiais, fala (um bocado) de outras coisas. E até à próxima ... Mas continuamos, sistematicamente, a ter comentários anónimos dizendo-nos "ao serviço" de algo e de alguém. Eu desejo todos os sucessos a Frederico Varandas. Mas quando ele anunciou a sua candidatura aqui expressei o meu desagrado pelas suas declarações, pelo conteúdo cultural que veicularam.  E critiquei a demissão de Peseiro, e a forma como escolheu o treinador seguinte. E bastante resmunguei com a continuidade deste, o que chamei, se não estou em erro, uma teimosia ingénua do actual presidente. Só espero estar enganado. Mesmo assim os anónimos invectivam-me (e aos co-bloguistas) de estar(mos) "ao serviço" ... Sobre a minha propalada avença (moral que seja) da presidência de Frederico Varandas está tudo dito.

 

Sobre Bruno de Carvalho já repeti ene vezes o percurso. Apoiei-o desde que foi em campanha a Maputo. Até mesmo aos momentos em que a mínima razoabilidade deixou de existir no seu percurso. O Pedro Correia tem vindo a lembrar os postais do ano transacto, dia a dia. Terei sido dos últimos deste blog a esperar uma inflexão, diante do evidente desatino (disse-o com alguma ironia aqui, ainda em Fevereiro de 18, e depois já em Abril, ainda que de facto já descrente dessa possibilidade, num #Je suis Bruno). E ainda propus que se afastasse uns tempos, para repousar, recalibrar, deixando a gestão à sua equipa - então ainda em torno dele congregada. Mais ainda, quando em Setembro foi noticiada a hospitalização de Bruno de Carvalho aqui deixei um enfático postal desejando-lhe rápida melhoria do seu estado de saúde (bem mais enfático do que o agora deixado a Pedro Santana Lopes, ainda que este tenha sofrido algo fisicamente mais gravoso). Mesmo assim os anónimos apoiantes de Bruno de Carvalho aqui vêm invectivar, de modo sarcástico e insultuoso, o acto curial de desejar uma rápida e total recuperação a um antigo presidente do Sporting.

 

Este longo texto não é auto-justificativo. Com ele quero apenas sedimentar a perspectiva que esta barreira constante de comentários anónimos defendendo a anterior presidência e invectivando o(s) bloguista(s) não se relaciona com o conteúdo dos postais (seja Jovic, seja Santana Lopes ou outro tema qualquer). Desde a crise presidencial do ano passado que os comentários do És a Nossa Fé conhecem esse registo abrasivo, insultuoso e, acima de tudo, deturpador. Mas algo mudou desde então. Pois no ano passado aqui abundaram comentários cuja forma muito concordava com o que se encontra nas páginas digitais dos jornais desportivos: o uso recorrente das maiúsculas, o exagero da pontuação, a estreiteza lexical e, acima de tudo, as imensas incorrecções ortográficas e sintácticas. Nisso demonstrando que muitos dos aqui invectivadores apoiantes de BdC provinham de núcleos sociais pouco letrados, por ele e seu peculiar carisma congregados. Isto não é uma crítica, é uma constatação de um fenómeno sociológico. Ora isso desapareceu, aqui e em alguns outros locais, correspondendo ao óbvio esvair desse fenómeno, o qual, como sempre nestas questões, não se repetirá com o mesmo formato. As insatisfações e os anseios, refractados naquela "onda verde", estão aí para serem captados por alguém (partidos, igrejas carismáticas, agentes de clubes, etc.). Até um neo-brunismo poderá surgir. Mas já não aquele, com aquela personagem.

 

O que ficou neste blog, enquanto comentadores residentes e abrasivos, foi outro núcleo que já então também abundava. São todos anónimos e letrados. Uns serão adeptos daquilo. Mas outros são muito mais do que isso: já então se percebia mas a constatação surgiu há pouco. O Sporting encomendou uma auditoria. Inaceitavelmente os resultados desse trabalho surgiram na imprensa - e eu não acredito que tenha sido a empresa a provocá-lo, as empresas levam por demais seriamente o seu trabalho para se arriscarem a prejudicar a sua reputação e o seu futuro dessa forma. Mas essa indiscrição, que julgo responsabilidade interna do clube (não afianço, presumo apenas), permitiu saber os sobre-gastos com trabalhos de comunicação oficiosa. Entenda-se, a presença na internet, a "contra-informação", exercida de modo anónimo, constante. Essa actividade não foi monopólio ou invenção do Sporting, é habitual noutros clubes, existirá nas empresas, e está viçosa na política. E subsiste, pelos vistos, nos resquícios do "brunismo".

 

Creio que o que se passa neste blog é apenas isso, um total abastardamento do debate sportinguista por parte não só de alguns adeptos do antigo presidente mas também de alguns dos seus agentes. Para além daqueles que defendem essa economia paralela, que subsiste nas claques, e que enfrentam a renitência da actual presidência em continuar a financiar as suas chefias e facilitar o seu pobre fruir existencial. 

 

Cada vez que abro o És a Nossa Fé, para ler ou para blogar, encontro um rosário desses comentários anónimos. Concebo, e já o disse aqui, o bloguismo como um espaço conversacional - isto não é um órgão de comunicação social, é um ponto de encontro entre pessoas que têm interesses algo comuns e opiniões compatíveis, mesmo que discordantes. É uma mesa de tasca, uma esplanada de café, um bom balcão de bar. Locais de convívio, entre amigos, conhecidos, vizinhos ou meros desconhecidos. Mas nunca anónimos. Nós frequentamos esses locais convivenciais porque nos agrada o ambiente, porque encontramos aqueles com quem nos sentimos bem. E porque neles não somos constantemente incomodados por gente desagradável. E eu esgotei toda a paciência para estar em sítios onde sou, e os meus convivas também, sistematicamente incomodados por gente anónima, insultuosa, que utiliza este espaço não para conversar, criticamente que seja, sobre os temas abordados mas para tentar manter viva a possibilidade de obterem recursos do clube, aparentar um viço brunista que inexiste. E fazendo-o de um modo desonesto. Pois anónimo. E deturpador. Insisto no que muitas vezes botei, e aqui também: não há espaço numa sociedade democrática para a opinião anónima. Haverá para a criação literária e artística. Mas para o apoiar ou desapoiar exige-se o nome. Mesmo que seja apenas sobre a, de facto, nada importante bola. Não é aceitável o anonimato explícito ou o mero amontado de letras. E não há espaço para esta contra-informação em busca da pilhagem dos recursos das instituições para benefício próprio.

 

Ou seja, vou comer codornizes (caracóis não) para outra tasca, beber umas imperiais para um qualquer café, e um ou outro uísque (novo, que é o que posso agora) num bar da vizinhança. Onde a clientela não tenha também desta gente. Intrusiva, deturpadora, incomodativa. Anónima. A ralé letrada. 

 

Aos co-bloguistas, aos tantos comentadores simpáticos (concordantes e discordantes) deixo um óbvio "Para o ano é que é!". E desejos que tenham muita paciência para aguentar estes visitantes. Anónimos. E deixo ainda um agradecimento por me terem aturado.

O "A Bola"

JovicChelsea1.jpg

A série de capas históricas do "A Bola" que o Pedro Correia vem mostrando é bastante denotativa do clubismo exarcebado que aquela empresa imprimiu ao seu negócio. É seu direito, estratégia em busca de lucros. Mas de há muito tempo  apenas uma falsidade enviesada, se pensada em termos de jornalismo.

Mas não é apenas uma coisa histórica. Um dos exemplos desse seguidismo ao Benfica e, acima de tudo, à sua direcção actual é a sucessão de manchetes sobre o jogador Jovic, contínua na página digital do jornal.

O processo deste jogador é perfeitamente normal: decerto que o Benfica o contratou por lhe reconhecer potencialidades. Chegado ao plantel, o jovem Jovic não teve espaço para se afirmar, face à concorrência que encontrou: Jonas, que é um jogador de grande classe; Seferovic, que não sendo um jogador extraordinário é muito competente (nos primeiros jogos que fez no Benfica, antes de se apagar durante a época passada, fartei-me de resmungar: "raisparta que os tipos acertaram ..."); e Mitroglou, um jogador pouco interessante mas que funcional, em particular num campeonato como o português, uma espécie daquele "pinheiro" que há anos um treinador sportinguista pretendia (imagem que sempre me faz lembrar um Peter Houtman que nunca me encantou, nem me deixa saudades). Sendo este Mitroglou um "pinheiro" até mais móvel, mais competente, concedo. Face a essa situação o Benfica emprestou o jogador, para que ele evoluísse. A um bom clube, de um excelente campeonato, e que - o que é, nestas coisas, o fundamental - realmente o pretendia, enquadrando-o e dando-lhe tempo de jogo. E visibilidade. Assim muito o valorizando. Crítica minha? Nem uma gota. 

Ainda assim é também possível argumentar que se tivesse o Benfica no início da época que ora finda uma outra perspectiva de futuro, e particularmente se tivesse um técnico mais afoito na opção por jogadores jovens, muito provavelmente Jovic teria feito uma época ainda mais sonante - a vida dos avançados dos 3 grandes é mais fácil em Portugal do que no campeonato alemão, isso é indiscutível. Digo-o como mera hipótese. Pois se calhar o peso de Jonas, a imposição até algo exuberante de Seferovic, e a explosão de João Félix (que é um belíssimo jogador, mesmo que se possa dizer que o habitual empolamento dos jovens do Benfica o poderá sobrevalorizar um pouco) poderiam ter obstado a uma afirmação de Jovic. Nunca se saberá, é mera especulação. Fica a minha conclusão: nada da condução da carreira de Jovic no plantel benfiquista transpira incompetência. Mas também poderia ter sido diferente. Com toda a franqueza - e até porque gosto muito do treinador Lage - julgo que Jovic teria sido uma grande revelação no Benfica. 

Mas tudo isto que digo é apenas para sublinhar que não estou a criticar ou a cutucar a secção de futebol sénior do Benfica. Não é essa a questão. Estou apenas a falar do "A Bola". Jovic vai ser transferido para o Real Madrid, por uma enorme quantia. O Benfica vai lucrar com essa transferência. Mas, de facto, o não ter apostado no jogador conduziu a que a parte fundamental do lucro será para o clube alemão. O Benfica perderá assim algumas dezenas de milhões de euros. Ou melhor dizendo, deixará de ganhar algumas dezenas de milhões de euros. 

Repito o que disse, não estou a criticar o Benfica. Nem a "gozar". Foi um processo normal. O que me é interessante é a sucessão de notícias do "A Bola". Sistematicamente informando os seus leitores - na maioria benfiquistas - que haverá "Encaixe significativo para os cofres da Luz com a transferência de Jovic", descurando uma hipótese de análise crítica perfeitamente sustentável. Sempre enfatizando que o clube beneficiará. Mas nunca aflorando o evidente desperdício económico que irá acontecer. Chama-se a isto moldar opiniões. Um verdadeiro condicionamento, em particular da massa adepta daquele clube. Há quem lhe chame "jornalismo". Mas não é. "A Bola" é, de facto, e já há muito tempo, um departamento de comunicação de uma empresa.

 

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