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És a nossa Fé!

Sporting e Cabo Delgado

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Há demasiado futebol na sociedade portuguesa, omnipresente na imprensa, constante no bate-boca popular, viçoso como "futebolês" no linguajar e, assim, empobrecendo as interpretações do real. Mas isso também corresponde à competência do jogo nacional entre o espectáculo desportivo mais popular no mundo: o campeonato é o 6º europeu mais pontuado, a selecção sénior é a 5ª mundial mais cotada e actual campeã europeia, dados que muito ultrapassam a dimensão económica e a demográfica do país. Nisso treinadores, jogadores e o trio de clubes mais representativos têm uma enorme visibilidade internacional.
 
Neste quadro o Sporting conquista o tão ambicionado título após 19 anos. E assim congrega uma imensa atenção nacional e além-fronteiras. Três dias depois joga o "clássico" dos "clássicos", o Benfica-Sporting, a sempre "taça da 2ª circular" diante do eterno rival. Nas suas camisolas os jogadores trocam o seu nome de campeões pelo dístico "Cabo Delgado", convocando a atenção solidária para o drama ali vivido desde há 3 anos e meio. O qual durante tanto tempo conviveu com o silêncio da sociedade moçambicana, das suas instâncias estatais e da imprensa tradicional bem como, friso, da maioria da intelectualidade do país. E também com a "distração" internacional. Vivi 18 anos em Moçambique, e também no Cabo Delgado, região pela qual então me apaixonei. Muito por isso ontem tanto me comovi ao saber deste inesperado gesto do meu clube - naquilo do gratuito encenado e inútil que é o clubismo. (...)
 
[Deixei aqui uma versão extensa e mais abrangente, com temáticas extra-futebol]
 
 
 

Após a festa

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(O postal tem alusões políticas e por isso violento o que julgo apropriado a um blog clubístico, que deve ser isento dessas derivas pois unitário. Fica o aviso, para quem não tenha paciência para esse tipo de considerações logo o evite).

Ontem fui ao Marquês, logo após o jogo. Quando a mole começou a aumentar eu e o meu comparsa regressámos a casa, Covid oblige. Pois ainda não vacinados mas já velhotes - e vejo uma fotografia minha de ontem no metro e até me assusto com aquele Matusalém que já vou. Hoje leio muita gente incomodada com as multidões que se congregaram junto ao estádio, nas manifestações subsequentes ao jogo, com a violência ocorrida, com a hipotética indução de infecções (e até quem se queixa com os efeitos no turismo veraneante. A esses replico que melhor seria pensar em produzir algo em vez de vender vinho barato, raios de sol, peixe grelhado, sexo cálido e souvenirs reais e intangíveis aos estrangeiros, mas isso é coisa que não entendem os morcões infectados de estupidez que falam de "indústria hoteleira" e "indústria turística". Infecção estupidifadora que mata menos gerontes mas mais lixa o país do que o Covid-19).
 
Mas enfim aos ofendidos com as massas sportinguistas (com as gentes dos futebóis) convém lembrar duas coisas: nada disto foi surpresa, como não o foram as grandes ondas da Nazaré e as corridas de Portimão, quando também o povo se congregou em massa e sem futebóis, diante do estupor das autoridades. O que ontem aconteceu em Lisboa foi um estrondoso e apatetado exemplo de incapacidade, indecisão, incúria das autoridades: do governo de Cabrita, da câmara das ciclovias. E, acima de tudo, da polícia. Da PSP.
 
Os milhares de putos que se acotovelaram no Lumiar e nas avenidas novas, as dezenas de famílias, as centenas de graúdos? Somos aqueles que estamos há 15 meses (desde 2.2020) a levar com o rosário de incompetências, atrapalhações e desvario da "Super-Marta" e seus colegas. Com o Sousa e seus três jantares de Natal... Pois o campeonato acabou, nós saudámos com júbilo os tipos que foram competentes (e não corruptos, como tantos anteriores) nisto tão estrito do jogo da bola. E, também por isso, convençam-se de uma coisa indiscutível: quem esteve mal, e muito, quem foi javardo foi quem ontem andou aos tiros. Estão há 15 meses para se organizar. E ainda que os assalariados do ISCTE-IUL os digam "super" não o são. São tão maus que acabam em Maio de 2021 aos tiros sobre os putos da cidade. 
 
Finalmente, aos meus amigos: vim ontem de madrugada do para-além-do-Tejo. À saída o benfiquista que me acolhe saudou-me sorridente num "porta-te bem". Depois, já na capital, o amigo (neutral de clube) ao volante despediu-se como "diverte-te". Logo abanquei em esplanada bairrista diante de meia-dúzia de vizinhos, onde era o único sportinguista. Bebemos vinho do Porto, qual homenagem aos dignos "vices". Almocei em Marvila - e muito bem - com o meu padrinho benfiquista e meu afilhado belenense, que fizeram questão de pagar a refeição "do título". Também por isso não me mandem mais um texto desse Luís Osório, uma merda vácua e apatetada de óbvia a saudar familiares e amigos que são adeptos do Sporting, que corre por aí como se fosse exemplo de algo peculiar - quando é mera condição normal. (...)

Benfica-Porto, hoje

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O mais prestigiado clube da cidade natal do meu pai e do meu avô paterno. Agremiação com grandes sucessos e capacidade mobilizadora daquelas gentes. Faço votos dos seus bons sucessos hoje diante dos sempre malvados. E que os sucessos sportinguistas não se alimentem de trambolhões alheios ou - muito menos - de quaisquer feitos dos arrebitados de Carnide.
Força Porto!!!

O futebol é um país à parte?

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O esloveno Sporar veio trabalhar para Portugal. Durante um ano esteve na empresa SCP. Depois foi trabalhar para a empresa SCB. Presumo que naquele primeiro ano terá construído relações de companheirismo, talvez até de amizade, com os seus colegas - algo até potenciado pela sociabilidade típica da sua actividade, desporto colectivo em equipa de topo, envolvendo jovens em constantes estágios e deslocações. Ao fim deste ano e meio os seus colegas iniciais aprestam-se a uma conquista rara e muito desejada. Na qual ele participou. Isso não só lhe trará a satisfação de ver os seus pretéritos companheiros bem-sucedidos como lhe dará a ele próprio recompensas: estatutárias (tem a possibilidade de se tornar campeão). E porventura até económicas, pois admito a hipótese de ainda receber o prémio devido se tal conquista acontecer. Mais, esse hipotético sucesso da empresa SCP, com a qual Sporar ainda tem contrato laboral, nada prejudica o seu actual empregador. 

Dito tudo isto: numa rede social Sporar saúda um seu ex-colega que celebra um triunfo. E o patronato multa-o! Pode-se dizer que estes rapazes ganham muito, pode-se aventar que a multa até será simbólica, pouco relevante para as quantias que um futebolista internacional recebe. Mas isso não é o relevante. Pois isto é inacreditável. Estamos em 2021 e um homem é multado porque saúda a alegria dos colegas e o resultado do que foi também o seu trabalho. Portugal 2021. E o pessoal encolhe os ombros...

Jogo a Jogo

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(eu mesmo, jpt, durante o Europeu 2004 e o de 2016)

Em 2000, e após 18 anos de jejum, o Sporting foi campeão, o último jogo em Vidal Pinheiro. Eu vivia em Maputo, lembro-me de ter andado a apitar pelas avenidas Julius Nyerere, Eduardo Mondlane, praça Robert Mugabe e por aí afora, esfuziante. E depois ter passado horas diante da televisão a acompanhar, via RTP-África, o autocarro do clube naquele regresso ao Estádio José de Alvalade. Vendo o povo - o Universo Sporting como ainda não se dizia - orlando viadutos e rodovias, saudando os até-que-enfim campeões. Que bebedeira naquela madrugada, que saborosa ressaca no dia seguinte! Meses depois dir-me-ia a minha mulher "andaste dias com um sorriso esparvoado, feliz"... E quão difícil me estava a ser aquele 2000, por razões que nada têm a ver com isto. E que, a bem-dizer, já nem recordo.

Agora neste "jogo a jogo", em todos estes "jogo após jogo", sinto-me quase assim. Sem euforias, sem clímax precoces, sem nada mais do que a satisfação do "jogo a jogo", do gozo prolongado, requintado, destes preliminares. Mas a angústia, ansiosa, até com riscos de disfucionalidade, assoma...

Pois a minha filha telefonou-me há dias, ao ler que a minha faixa etária será vacinada até 13 de Junho. Que fazer?, logo me suspendi... acabrunhado com a tardia data. Pois, se assim, como farei num destes próximos "jogo a jogo", num qualquer deles, durante este Maio que agora começa, como poderei eu andar noite longa, apenas de calções e cachecol, abraçando e beijando conhecidos e desconhecidos, entoando coros, infindas transacções de suores e perdigotos - essas agora famigeradas "gotículas" -, que a idade já pouco convoca outras mais pudibundas interacções de fluidos? Como me desvairar nessa nem tão longínqua noite junto ao Estádio José de Alvalade (o qual nunca mudou de nome) - mas jamais no "Marquês" dos sem-abrigo? 

Mas já me decidi, ainda que não o diga à minha filha. Nesse dia, no do "apenas mais um jogo", clamarei "Que se foda o Covid"!

Rui Moreira

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São 40 anos disto. O historial das influências manipuladoras dos resultados desportivos nunca será completado, muitas esquecidas na voragem dos tempos, outras silenciadas, por falta de provas e de coragens. Modo de estar amparado por acólitos que tendiam a sovar jornalistas - ainda me recordo da impunidade com que, no Aveiro de 1988, foi agredido o grande jornalista Carlos Pinhão, aos seus 64 anos. E modo de estar catapultado pela inércia judicial e pela cumplicidade política, em particular autárquica - poucos ainda se lembrarão quando o presidente da câmara Fernando Gomes, encavalitado no clube, desceu a Lisboa arvorado em ministro e com sonhos de conquistar não o Jamor mas sim São Bento. Foi-lhe breve o enleio, logo tendo regressado, capachinho entre as pernas, para a administração do F.C. Porto entre outras sinecuras. 

Neste longo consulado de "Jorge Nuno", como o saúdam os apaniguados, o hábito de atiçar jagunços para espancar jornalistas seguiu algo viçoso nas suas duas primeiras décadas. Depois feneceu, pois a sucessão de triunfos internos desestruturou clubes rivais, amainou a competição. Nesse rumo mais favorável impôs-se a procura de respeitabilidade pública. E nisso o culto da "mística" do clube foi apelando cada vez mais a uma qualquer "alma" feita de arreganho desportivo, depurando-se da imagem de corsários em abordagem: a fleuma de Robson e a sua versão lusa, por isso algo mais arisca, em Santos, Jesualdo Ferreira, e mesmo no júnior Villas-Boas, foi-se sedimentando, apesar da alguma irascibilidade bem-sucedida de Pereira ou Mourinho.

É certo que a vigência de uma placidez - democrática - nunca foi absoluta, e que a vertigem provocatória e agressiva nunca desapareceu, com a própria conivência da imprensa. Lembro-me que há alguns anos um conhecido comentador televisivo atreito ao SLB foi "abanado" num restaurante portuense por um famigerado líder de claque portista. Como tantos deixei eco disso no meu mural de FB, lamentando o facto. De imediato recebi um bem-disposto comentário desvalorizando o abanão no sexagenário mediático, algo tipo "foi coisa pouca". Respondi-lhe, indignado, "como é possível que sendo V. o nº 1 da Lusa desvalorize uma situação destas em nome do seu clubismo?". Logo o arauto me insultou e cortou a ligação-FB. Lembro este "fait divers" para sublinhar isso da vontade agressora não residir apenas nos aprendizes de proxeneta medrados na Invicta, pois sempre seguiu robusta naquele mundo de "senhores doutores".

As décadas passaram. O natural ocaso do octogenário "Jorge Nuno" é este, o que agora acontece. O controlo do jogo algo se reduziu, devido à dança de poderes nos meandros nacionais mas também à introdução de tecnologias electrónicas na arbitragem. E nisso, no envelhecimento do prócere e no crescimento do imprevisto futebolístico, voltou-se ao culto do "pancadarismo". O rufia treinador, desde ontem cognominado "Sérgio Confusão", cujo histrionismo passa incólume, afirma-se como "imagem de marca" do clube ressuscitando a velha ideia da tal "mística" corsária. O que inclui, claro, o espancamento avulso de jornalistas - agora já não por obscuros seguranças de bordéis portuenses mas por "empresários" montados em carros de estatuto, uma óbvia gentrificação da escroqueria portista.

No meio de tudo isto, antigo exaltado porta-voz televisivo das manobras clubísticas e agora eleito figura-maior dos órgãos do clube - apesar da propalada actual renitência do poder político em associar-se aos mariolas do futebol -, qual putativo Delfim, flana Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto. De (quase) tudo soube, de tudo sabe, a tudo anui. E assim ... a tudo conspurca.

As comemorações na Ilha de Moçambique

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Ontem à noite a vitória do Sporting em Braga foi deste modo comemorada na Ilha de Moçambique, adeptos que são também do Sporting da Ilha. 

Ao longo dos anos várias vezes escrevi em blogs (e neste também) sobre o peculiar Sporting da Ilha de Moçambique. Sei que apelar a uma maior ligação entre clubes neste contexto convoca sempre por um lado a ladainha dos saudosistas e, por outro lado, os remoques dos críticos do neo-colonialismo (alguns dos quais são grandes adeptos dos manchesters e barcelonas, outros sócios dos olympiques de foucault, club spivak ou spartak chomsky). Pouco me importa, não vou discutir isso. Apenas vejo as imagens de ontem na llha. E repito um dos postais que sobre ela escrevi, aquando da minha última visita

A Ilha de Moçambique foi considerada há cerca de 25 anos cidade património cultural pela UNESCO. Está, como em vários momentos da sua história, muito arruinada, ainda que venha recebendo alguma reabilitação. Na sua zona nobre existe a ruína da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique. Não é um edifício classificado, e a sua recuperação nunca teria grandes custos. Visitei a Ilha inúmeras vezes, quase 30, desde os anos 1990s. Sobre este assunto escrevi para Alvalade, bloguei, resmunguei, ironizei - nunca tive qualquer eco. E tão simbólico seria dinamizar um pequeno apoio para que o edifício viesse a ser recuperado, e utilizado pelo clube, filial do nosso Sporting Clube de Portugal. Os custos não seriam grandes, o bonito que seria ter a sede de um clube leonino - que continuou a funcionar nas zonas "populares", o chamado "macuti", casas de bloco ou pau-e-pique - no centro de uma cidade património mundial, a olhar o Índico. Ainda para mais onde desde há uma década o estado português estabeleceu um dos seus pólos de cooperação, o que teria facilitado alguma pequena intervenção. 

Agora voltei à Ilha, à qual não ia desde 2012. O edifício está mais arruinado. E dos vários símbolos antes existentes já só este sobrevive. É um requiem pelo Sporting Clube da Ilha de Moçambique? Talvez nem tanto. Mas é o fim de uma oportunidade bonita do sportinguismo. Pois há sempre quem prefira discutir a bola na barra num qualquer jogo dos sub-não-sei-quantos.

Superstições

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(Sou ateu, daqueles mesmo racionalistas. Alheio a quaisquer crenças, desde as mais complexas teologias aos mais comezinhos tiques e manias. Sou antropólogo e nisso está-me vedada a aversão a essas  explicações ou intuições sobre as coisas do mundo. São assuntos, problemáticas a entender, representações do mundo que devemos interpretar. Mas não há forças metafísicas, nem mesmo sorte ou azar, não há qualquer entidade salvífica ou punitiva. Mas ainda que respeite essas construções tenho um particular menosprezo pelas crendices chãs, os agoiros e maus-olhados, meras superstições obscurantistas...)

Devido a sucessos próprios e a insucessos dos clubes rivais ali ocorridos nestes últimos meses, nos meus locais facebook/whatsapp tenho, com evidente satisfação sarcástica, repetido este dito: "O meu coração está no distrito de Braga ... De Terra de Bouro a Vizela, de Cabeceiras de Basto às águas de Esposende ..."

E tremo hoje, angustiado: será que esta minha atitude, este meu pecado de soberba, minha impiedade, terá agoirado algo, virá a prejudicar os nossos rapazes, impedindo até o nosso desiderato? E, arrependido, vergado, faço a promessa à(s) Entidade(s) reguladora(s), ao Grande Árbitro: se ganharmos hoje naquela Pedreira cruzarei o Trancão e irei banhar-me nas gélidas águas de Esposende...

Liga Europeia de Clubes

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Diante do há anos esperado anúncio da Liga Europeia de Clubes: está no momento de regressar a Marx, àquilo da concorrência e concentração do capital.
 
Quanto ao resto, e à aparente surpresa de tantos com tudo isto: 1) não é nada mais do que a réplica da NBA, que tantos acompanham; 2) nos últimos anos a mariolagem da bola nacional, apoiada por adeptos portistas e benfiquistas - tantos dos quais querem ganhar a todo custo, mesmo que "lhimpinho" - tudo tem feito para ascender a este comboio, na angústia de só haver um lugar para o futebol português. Entre outras coisas chama-se a isso falsificação de apostas desportivas. É crime. E há milhões de compatriotas ("bons pais de família") que defendem isso, ululando semanas após semanas, ao longo de anos! E até votam em gente dessa: para presidentes da câmara (ver o que se passa na Invicta, por exemplo), para o parlamento, etc.

Os 2 centímentros de Moreira de Cónegos

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A propósito dos dolorosos dois centímetros cónegos recordo o que botei, aqui e alhures, em Abril de 2019, a propósito de um Manchester City-Tottenham. Resmungando sobre "...o anti-clímax que está a ser o vídeo-árbitro. Tecnologia que é preciosa, para reduzir erros e para combater a mariolagem arbitral. Mas cuja utilização trouxe uma vertente "tecnocrática", uma mania de "justiça" que de tão maximalista, pois milimétrica, não é ... justa. (...) Feito intelectual da bola, julgo que para manter o entusiasmo do jogo e para preservar a boa tecnologia são precisas duas mudanças: uma alteração legislativa e uma diferente jurisprudência."

Pois "Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. 

Assim, as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. (...) [No caso do] fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá."

Mas, infelizmente, não sou consultor da FIFA ou da International Board, qual Arsène Wenger luso. E que jeito me daria o emprego ou a consultoria...

Ceferin

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O esloveno Ceferin sucedeu na presidência da UEFA ao inaceitável Platini. Por razões que nada terão a ver com a organização desportiva, a UEFA amputou a maior e mais importante competição desportiva em que participa da rotina tecnológica que já perfaz os seus torneios séniores masculinos. O que aconteceu no sábado tem laivos de uma "tramóia jugoslava", não tanto de um afecto entre povos muito desavindos mas de um acordo de geoeconomia futebolística. Mas talvez não seja algo assim tão linear, uma perseguição à selecção portuguesa em defesa da Europa central austral. Mas mostra bem uma deriva da UEFA para tentar influenciar, em termos gerais, o acesso ao milionário Mundial árabe.

Não é imaginação delirante do adepto, sempre disponível para teorias conspiratórias: há apenas duas décadas Portugal foi afastado de um  Mundial por manigâncias de um árbitro já anteriormente acusado de corrupção em competições internacionais. Favorecendo a enorme economia alemã. Quando o chefe da organização desse Mundial era Platini, que veio a ser banido do associativismo. Quando o chefe da FIFA era Blatter, também acusado de graves desmandos. E agora quando a opção Qatar também tanto tem que se lhe diga, quanto à lisura de procedimentos que conduziram a essa escolha. Ou seja, tudo aponta para que esta opção anti-tecnológica da UEFA tenha a ver com vontade de manter poderes discricionários que sustentem interesses económicos em detrimento da mera competição desportiva. 

A cara do polvo é esta, a do esloveno Ceferin. 

 

A braçadeira do capitão

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Nesta ilustrativa ilustração patenteia-se o cérebro e o cerebelo daqueles - sportinguistas, portistas, benfiquistas, e outros istas - que discutem, ofendidos, a reacção de Cristiano Ronaldo após lhe ter sido espoliado um golo. Tremem irados esses "istas" como se o CR7, ao atirar a braçadeira que o identificava como representante da equipa dentro de campo, tivesse ofendido as placentas que, infelizmente, lhes permitiram aceder a este mundo. 

 

2020/1: o sucesso da Academia de Alcochete

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Julgo saber que nas últimas temporadas, com esta direcção, houve uma contracção dos gastos com as "modalidades", mas a qual tem convivido com uma continuidade de sucessos desportivos. Presumo também que seja acompanhada pelo esforço na formação desportiva nessas disciplinas - mera presunção minha, pois isso é algo não mensurável apenas pela leitura da imprensa.

Mas o futebol sénior (masculino, agora já é preciso especificá-lo) é a grande mola, moral e económica, do clube. E sobre este todos conhecemos, e sofremos, o que veio acontecendo. O desabar da anterior presidência trouxe o caos. Algo minorado por uma comissão de gestão. E a ascensão da nova direcção, que logo iniciou um trajecto deslustrado, apesar de duas taças conquistadas. Não surpreendeu, pois a situação era péssima. E as declarações, em particular do novo presidente (logo que apenas candidato), não auguravam nada de consistente. O primeiro ano da sua vigência correu muito mal, com decisões improvisadas em cima do legado da comissão de gestão. E o ano seguinte, já com planificação sob responsabilidade de Varandas, assentou em más opções quanto a plantel, equipa técnica, tudo com aspecto de improvisos, infantilidades até. A situação financeira, afiançavam os especialistas, era proto-catastrófica. E os resultados surgiram muito maus. A comunicação da direcção com o "Universo Sporting" seguiu péssima. E tudo culminou com a decisão, arriscadíssima, de contratar Amorim - jovem inexperiente, sem verdadeiras provas. E tornado o terceiro treinador mais caro do mundo, estando o Sporting economicamente de rastos e nas vésperas da crise pandémica. Foi um all in, que a mim - e a tantos - causou estupor e indignação. Pois todo o trajecto da direcção de Varandas não tinha "ponta por onde se lhe pegue". É certo que isso não afrouxou o fervor clubístico, a eterna esperança, os votos de "Força, Rúben Amorim". Mas alimentou descrença, desconfiança. E a percepção de um amadorismo infantil ao leme sob ventos dignos de marinheiros de barba rija.

Um ano passado é óbvio que a opção correu bem. Boas opções em termos de plantel - e sob o modelo que tanto ansiamos, sportinguistas sempre ciosos do clube de formação e não qual placa giratória empresarial, que havia sido nos últimos anos. Bons, como se sabe, em resultados desportivos. Excelente em termos de comunicação (ligação) com o "Universo Sporting" e com a sociedade - Amorim é muito bom nisso, não há membros da direcção a perorar sobre futebol e Varandas amainou a sua verve. E tornou-se verdadeiramente presidente ao pôr no sítio o velho mandante Pinto da Costa, dia em que Varandas assumiu o estatuto de "capitão" que antes tantas vezes invocara a despropósito.

Enfim, aconteça o que acontecer no final deste entusiasmante "jogo a jogo" 20-21, há uma conclusão que se pode já tirar. A da excelência, bem sucedida, da Academia de Alcochete: que lançou ainda imaturos os júniores Varandas, Viana & Companhia, os segurou durante as derrotas, ainda que impiedosamente apupadas pela sempre exigente "moldura humana". E os vê agora, amadurecidos, a entrarem como titulares na selecção de todos nós, sportinguistas.

(Para que não fiquem dúvidas: as ligações incluídas no postal são a textos meus de 2020, 3 deles a zurzir nesta direcção)

Coates

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Coates não jogará na próxima jornada, por suspensão devida ao seu quinto amarelo no campeonato - não é muito, para um defesa-central após vinte e tal desafios. Julgo que o seu substituto, porventura Neto, cumprirá a preceito o papel diante do Vitória de Guimarães, o jogo mais importante do ano, pois todos o são neste tão salutar ideário do "jogo a jogo".

Recordo o que várias vezes aqui botei, em postais próprios ou em comentários a alheios. Durante as últimas épocas abominei Coates. Tanto que o considerei maldição, avatar de Anderson Polga, o quase eterno central titular que me causou pesadelos infindos, stress traumático, destrambelhamentos para a vida. Julguei-o, a Coates, uma verdadeira reencarnação, enviada pelos demónios manipulados pelos hediondos xamãs das Antas em conúbio com os pérfidos imãs de Carnide.

Agora, ao ver este Coates-21, capitaneando com excelência a caravana do jogo a jogo, carregando-a em momentos mais tempestuosos, alentando-a diante de maus ventos, tenho que me retractar, injusto, e retratar, ignóbil. Por isso - e não pela primeira vez - aqui anuncio que como o meu chapéu, em versão invernal, para me punir pelas palavras que em tempos proferi contra o nosso para sempre Seba.

Cristiano Ronaldo

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O Porto elimina a Juventus (até eu botei sobre isso). Como é normal nestas ocasiões adeptos do clube vencido, jornalistas, comentadores e até técnicos italianos cairam sobre a equipa derrotada. E sobre a sua estrela maior, Cristiano Ronaldo. É certo que Juventus parece um pouco em fim de ciclo, talvez por exaustão vencedora (nove campeonatos seguidos) ou por veterania do plantel, ou mesmo por inexperiência do actual treinador. Ainda assim foi notório nos dois jogos contra o Porto que Ronaldo não esteve em grande plano.

Que li nos comentários, em blogs, no facebook, e nos comentários dos leitores de jornais desportivos? Invectivas a Cristiano: "está acabado", "dedica-te aos negócios", "que vergonha, arrasta-se nos relvados" e outras até ordinárias. Elaborações amadoras, de mero espectador, sobre como o Porto minorou a capacidade ofensiva da Juventus? Como a marcação (à zona) ao CR7 o constrangeu? Nenhuma, nem uma para amostra. Apenas a raiva contra o melhor jogador português.

Quatro dias depois Cristiano Ronaldo está a jogar no campeonato italiano, esse que tem a fama e o proveito de ser o mais fechado, o mais competente defensivamente. À meia hora já marcou um tricórnio. Aos 36 anos, já agora. Um "penalti" bomba, e outros dois grandes golos, em termos de execução técnica.  

Porquê este azedume, patético, de portugueses contra um jogador que tanto tem contribuído para as festas nacionais com a selecção nacional? Que nem sequer, apesar da sua origem sportinguista, tem um largo passado no futebol sénior afrontando os clubes rivais? Isto é mesmo a mediocridade, a raiva contra o sucesso do compatriota. Nada mais do que isso. Gente pungente.

 

A sair do armário

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Considero que aos 56 anos chegou o momento de me libertar, de me assumir tal qual sou, de finalmente ter a coragem de "sair do armário". Até hoje sempre proclamei, em público mas também, e quantas vezes, apenas para mim próprio, face ao ecrã feito espelho, que quando o F. C. Porto joga sempre torço para que perca. Seja contra qualquer clube, nacional ou estrangeiro. Excepto, claro, se o seu adversário for o inominável SLB. Minha posição oficial, minha página de missal, minha pessoa e "persona" para todos, para mim mesmo. Sempre negando quem isso pusesse em dúvida, sempre ripostando ferino a quem me criticasse a postura. 

Ontem mais uma vez isso vivi. Contra a bela "velha Senhora", do nosso amado Cristiano Ronaldo, surgiu o tétrico Porto, sob uma presidência que há 40 anos manipula o futebol nacional - e com tantos danos para o Sporting mas também com custos para a cultura nacional, na perversão desse culto do "vale tudo". Com um arrogante e ríspido treinador, irritante de soberba azeda. Com um feixe de jogadores medianos e de irascível comportamento, como o patético filho-família dos escarros, ou  o ressabiado Sérgio Oliveira do tão recente mau fígado naquilo da invectiva ao "empate com sabor a Champions" aos nossos jogadores. Que fossem eliminados, e que levassem 5 ou  6 se possível, foi o meu sincero desejo e prognóstico. Com um tricórnio do nosso CR7, para ser ainda mais saboroso.

E depois, neste camarote sofá, lá me encontrei a exclamar, veemente, "penálti!!!" quando o nosso desperdício Demiral abalroou aquele qualquer sempre-aldrabão avançado andrade. E cuspindo impropérios ao árbitro e sua ascendência, holandeses claro (dessa gente sempre ressentida após a Batalha de Nuremberga), quando expulsou o tipo do Irão, "que nunca o faria se fosse um Chiesa ou outro assim". Para culminar no esganiçado e bem audível "Gooooolo!!!!" aquando daquilo do chuto do Sérgio Oliveira - sim, esse mesmo, o pateta do "empate com saber a Champions". E, já em pé, para a frente e para trás, cigarro trémulo, nos  últimos segundos, clamando "gatuno, está na hora", diante do olhar espantado da companhia teleespectadora, ouvindo resmungos "f...-se, saíste-nos um nacionalista...". "Não, é por causa dos pontos do ranking de clubes", ainda me tentei justificar, manter a pose. Mas não, tenho que me assumir tal qual vou sendo.

Enfim, ainda que esta Juventus não seja áurea, grande jogo, grande Porto o de ontem. E, já agora, e porque em momento de difíceis confissões: fabuloso Pepe, aos 38 anos ainda por cima. Se já fora o melhor jogador do (nosso) campeonato europeu de 2016, se tem sido a base das excelentes campanhas da selecção, agora ainda mais brilha neste seu nada ocaso. É o melhor central da história do futebol português. Mesmo melhor do que ... Humberto Coelho.

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