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És a nossa Fé!

Há coisas mais importantes do que os golos

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Na sequência do assassinato do professor francês Samuel Paty, devido a ter mostrado caricaturas aos seus alunos, a pastora da Igreja Protestante de Roubaix, Sandrine Maurot, convidou os crentes de todas as religiões a "publicarem uma caricatura na sua própria religião, defendendo a liberdade de expressão".

(O meu muito laico sportinguismo é o meu sentimento mais próximo, ainda que imensamente distante, da religiosidade. Ou seja, resta-me isto ...)

No Sporting-Porto

Vi o Sporting-Porto, e não via um jogo nosso há já meses. Fi-lo em casa de grande amigo, como tantas vezes acontece, dos jogos fazendo pretexto para petiscaria fina. O melhor camarote que há, onde congregamos grupo de sportinguistas amigos desde a infância. Teoricamente seria eu o mais atento, dado que os meus "manos" estão mais mergulhados nas proezas do Miguel Oliveira. De facto, talvez nem tenha sido assim tanto, dado que após o lance de Godinho me encontrei distraído sentado à mesa, costas dadas ao ecrã, bebericando, tasquinhando e palrando com as senhoras presentes, as amigas de décadas casadas com os aficionados ali espojados nos sofás, elas sempre algo superiores, ainda que solidárias, à nossa futebolite.

Mas lá me reintegrei na "moldura humana". Tenho entre aquele plantel algum prestígio futebolístico pois, ainda que todos da mesma idade, sou o único que me lembro do Manaca, Alhinho, Bastos e Carlos Pereira e, presumo, até mesmo do Miguel Garcia. E, cume dos cumes, escrevo no És a Nossa Fé, dimensão autoral que dá crédito às minhas doutas opiniões sobre o jogo. E como tal - entre o bom vinho (Douro Post Scriptum 2018, muitíssimo bebível a preço nada proibitivo), a muito composta tábua de queijos, um apreciável cajú (Loja Cafélia, ao que fui informado), alguns produtos de fumeiro de origem bem referenciada, e ainda antes da aguardente de excelência, a qual só depois assomou, a lavar a alma do desgosto do empate - lá fui, com sageza de especialista, resmungando com as desatinadas opções tácticas do treinador Ruben Amorim. A compor uma equipa sem avançado centro, que é coisa que Jovane Cabral não é nem será, a moldar um esquema assente no Adan para Coates, Coates pontapé para a frente há espera que algum extremo em correria a consiga apanhar, o que tanto me lembra as desventuras de Anderson Polga durante as infindas décadas em que infernizou o meu sono adepto. 

Depois vieram as substituições, a fazerem-me engasgar entre a devolução dos caroços de azeitona. E logo assinalei aos amadores espectadores que me ombreavam que "o gajo" (o Amorim) meteu uma série de jogadores avançados (Vietto, Tiago Tomás, Plata, João Mário e Sporar), típica solução desesperada aquando inexistem soluções tácticas. E assim partiu a equipa toda, o Sporting deixou de jogar para além dos repelões, a derrota - ainda para mais diante de um Porto algo sabido e ríspido - estava garantida. Enfim, a nossa tradicional incompetência, aliada à influência da manha arbitral. E todos anuíram a esta minha análise, mais avisada do que a deles.

Depois, lá para o fim do jogo, surgiu este golo, antecedido de uma bela Esporada à Sporar, já agora ... Riu-se o dono da casa e clamou(-me) "ouve lá, foram os tais avançados que fizeram o golo ..."! Escorropichei o copo, reenchi-o. "G'anda Rúben Amorim!", "que coragem", sublinhei, e viva ele pois "meteu a carne toda no assador", como agora se diz. Temos Homem! E plantel!

Os nomes dos campos de Alcochete

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Com a maldita abrilada não só se abandonaram as colónias àqueles pretos que por lá viviam, primitivos. Veio também este vício do divórcio, a avivar o imoral nas mulheres, delas visceral. E o do esbanjo, naquilo do salário mínimo, demasiada esmola aos preguiçosos, sempre avessos aos deveres e desde então ainda mais, armados de votos, como se isso percebessem, e mesmo no desaforo de sindicatos e partidos. E tantos outros defeitos, uns mesmo de cá, telúricos, do Minho ao Caldeirão, outros importados, desse malvado mundo de repente portas adentro já sem quem, sábio certeiro, cerceasse os desvarios noticiados, assim propagandeados. O pior dos quais, talvez ou mesmo decerto, esse do desprezo pela Santa Madre Igreja, o afastamento aos ditames do Livro - e que aluno saberá hoje soletrar, ou apenas invocar, Lucas 15: 11-32? nenhum decerto, embrenhados que estão nas cidadanias e desenvolvimentos, drogas, paneleirices, fufices e tabletes ... Nisso coisa menor terá sido aquilo no futebol, mas também importante pois sinal dos desatinados tempos, quando os comunistas de Moscovo acabaram com a lei da opção, desde então tornando qualquer jogador da bola, analfabeto quase sempre, gente mal medrada nos Barreiros, Rabos de Peixe ou Famalicões, importada das Lundas Bijagós Nampulas, moles de filhos de rupestres alcoólicos, brutos ratinhos, grotescos galegos, escória alfacinha, até ciganos só isso, putas de estrada, pastores bosquímanos, netos de canibais e quejanda gente silvestre,  povoléu ingrato por natureza, livre de decidir onde trabalhar, negociar contratos e até mudar de patrão, procurar quem melhor o trate e mais lhe pague, qual escarrando no equipamento, vero Sudário, Santo, que nós doutores ou apenas Senhores lhes vestíamos como se deles fosse ... E assim tornados rebanhos sem valores, sem valia, frutos de apetites mercenários e de outros mercadorias, desabridos desrespeitosos,

mas ainda assim nestes tempos, infaustos, continuámos a nossa obra, Obra mesmo, pois fiéis, certeiros e certos, e preservámos os símbolos e castos ideais, sabendo que esta era penosa decerto terminará no em breve que vingarmos, e para isso arroteámos e lavrámos, extirpámos o daninho do futuro, calafetámos os viveiros dos vindouros, entre os quais faremos vingar a bondade, no desapego por si-próprios, na dádiva à nossa fé, no amor ao nosso prazer, e, oleiros, aos benditos fornos dessas porcelanas baptizaremos segundo os Justos, os Exemplos, mas nunca pelos dos germinados nestes entretantos do até agora, esses apenas incapazes de suspenderem a sua vida dedicando-se à nossa sonhada glória, vagueando na incúria moral desses Figos e Futres, Cristianos Quaresmas, Dani Moutinhos, e tantos outros, infiéis desobedientes, tão ávidos no demandar o mundo que nos seus tempos viçosos nos abandonaram, indo calcorrear os ímpios rumos da glória e prazer alhures, 

e por tudo isto ao nomear estas nossas novas estufas do devir exaltaremos a Virtude, desta aspergindo os petizes nosso barro que nelas iremos moldar, convocando-os ao labor e à pertença, e assim serão sagrados os bons pastores, Mestres do rumo, Luzes nestas trevas que queremos findar, pois a cada campo será atribuído o nome de um dos bloguistas do És a Nossa Fé!, louvado seja o Sporting!

Selecção Nacional

Fernando Santos convocou 25 jogadores para os dois primeiros jogos da selecção A nesta era covídica, com a Croácia e a Suécia na primeira semana de Setembro, para a taça das nações, secundária mas da qual é Portugal o detentor do título.  Um conjunto que, com uma ou outra alteração devida ao correr da época, enuncia o plantel fundamental da selecção para o próximo Europeu.

O curioso é que o F. C. Porto, o campeão nacional, tem apenas 2 jogadores nesta convocatória. O Benfica, que em tempos dominava a selecção, tem só 1. Quanto ao Sporting? 0. Palavras para quê? É o estado a que isto chegou ...

O jornal A Bola e o Benfica

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Desde a sua fundação o jornal "A Bola" seguiu relativamente ligado ao Benfica. É pacífico dizer isso. Mas a tendência benfiquista, tanto por clubismo da maioria dos seus quadros como por opção comercial, em busca de maior aceitação popular, nem sempre foi de radical seguidismo à direcção daquele clube. Mas este seguidismo veio em crescendo nas últimas década. Hoje em dia é pungente. E ultrapassa a temática do clubismo, recai mesmo nas questões da democracia, seja a associativa desportiva seja mesmo a consideração do exercício democrático como molde do exercício da comunicação social. 

O caso das ênfases noticiosas expressas no jornal de hoje é exemplar do estado a que chegou aquele jornal. Álvaro Cordeiro Dâmaso, presidente da mesa da Assembleia-Geral da SAD do clube, apresentou a sua demissão. Isto apenas três meses depois de Luís Nazaré, o presidente da mesa da Assembleia-Geral do clube, se ter demitido em ruptura com o presidente do clube. Para além desta sequência de demissões poderem indiciar algumas cisões no núcleo dirigente das instâncias do clube, uma tão importante demissão na SAD em momento coincidente com o anúncio de enormes investimentos no plantel futebolístico acontecidos em plena crise económica. Para mais, em breve acontecerão eleições no Benfica e já se alinham várias candidaturas.

Diante de tudo isto qual o relevo que o jornal "A Bola", lido maioritariamente por benfiquistas, dá a esta demissão no quadro da SAD? É ver esta primeira página de hoje, uma quase invisível nota no canto inferior esquerdo, numa capa dominada por meros rumores sobre contratações futebolísticas. Isto já nem é pungente, é mesmo a negação do jornalismo.

Crepúsculo da época

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1. Em termos futebolísticos a época 2019/2020 acabou por não correr assim tão mal. Tendo-se conseguido obter mais 6 pontos do que o surpreendente Famalicão (e 5 do que o já veterano Rio Ave), conseguiu-se um até inesperado quarto lugar. Este possibilita mesmo a hipótese de um apuramento para as competições europeias do próximo ano, o que, a concretizar-se, terá efeitos económicos positivos directos (subsídios, bilheteiras, publicidades) e indirectos (hipotéticas valorizações das licenças profissionais dos jogadores). E alegrará a massa adepta, bem como animará o plantel.

2. Em termos de preparação do próximo ano também me parece que as coisas acabaram por correr bem, qual serendipidade. Nos últimos cinco jogos deste tão estranho campeonato, com jogos sem público, o clube empatou dois - com o forte Moreirense e com o aflito mas tão simpático Vitória de Setúbal (meu segundo clube, que muito espero que se safe hoje da descida de divisão) -, e  perdeu os dois "clássicos". Esta inesperada constatação de que o treinador Ruben Amorim afinal não é divino é muito bem-vinda. Pois talvez permita acalmar as hostes sportinguistas, esfriando cabeças e amornando teclas. Assim impedindo que desbragadas expectativas envenenem a próxima época.

O Sporting foi o 4º classificado, com esforço, e para o ano será candidato às competições europeias. Partimos com vantagem para isso: o Rio Ave deixará de ser treinado pelo excelente Carlos Carvalhal, o Braga e o Vitória de Guimarães também mudarão de treinador. E as peculiares características do futebol do Famalicão, plataforma giratória ao serviço de uma empresa de comercialização de licenças desportivas, deixa presumir alguma irregularidade qualitativa na constituição dos seus plantéis futebolísticos. Ou seja, a priori, o Sporting parte com alguma vantagem sobre os mais directos concorrentes, pois mantém a sua equipa técnica. Se houver competência nos sempre necessários ajustes do plantel isso será ainda  mais real.

3. Por outras razões também saúdo esta classificação final. Mesmo que em última análise ela tenha resultado de uma derrota com o sempiterno rival Benfica, como soube nesta madrugada, algo sempre resmungável. É certo que me afiançam ter o clube sido muito esbulhado, pois, há atrasado, li que em Moreira dos Cónegos houve uma grande penalidade favorável que não foi marcada (outros observadores constataram até duas, li relatos de uma violentíssima agressão a Coates dentro da grande área mesmo no final do jogo, para além do infracção sofrida no início por Jovane). E leio também que ontem, no estádio da Luz, logo no início do jogo houve um canto mal assinalado, desfavorecendo o clube. Ainda assim, mesmo com essas inacreditáveis decisões que mostram a sórdida campanha avessa aos interesses do Sporting, decerto que instaurada pelo conluio entre Vieira, Pinto da Costa, Proença e Fernando Gomes, não deixo de saudar este nosso 4º lugar, atrás do Braga. Pois, como escrevi a 4 de Março, poucos dias antes de nos confinarmos: "não há pinga de ética (do tal "sportinguismo" de que tantos fala[va]m) quando a um terço do final do campeonato se vai contratar o técnico do clube rival, com o qual se ombreia na luta pelo terceiro lugar. Esta manobra de Varandas (da qual o arguto Salvador se rirá, de bolsa cheia e sabedor da estrutura que tem em casa, que decerto entende suficiente para alcançar os objectivos que delineou) é uma vergonha, e será uma mácula indelével no historial moral do Sporting Clube de Portugal. Aliás, este tipo de manobras deveria ser proibida pelos organismos que gerem o futebol, tal como o são as contratações a destempo de jogadores."

O Sporting é sempre prejudicado pela malvadez alheia ? Talvez. Mas colocar os túbaros de molho é capaz de ser mais útil. Para que se pense o 2020/2021. E para que nos deixemos - ou seja, que se deixe o clube - de artimanhas. 

Revelação em Espanha

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Leio que Domingos Duarte, antigo jogador do Sporting, foi eleito para a equipa revelação da I Liga espanhola. Saúdo o facto, dada a simpatia que voto aos jogadores formados no clube. E não venho contestar a sua transferência. Por vezes os jogadores jovens saem porque não se prevê a sua utilização ou por necessidades de tesouraria ou porque assim o exigem, ou pressionam. Julgo saber que Duarte saiu por decisão interna. Legítima e nada dolosa, ainda que a possamos resmungar. No entanto também é possível que se Duarte tivesse ficado no plantel não se tivesse desenvolvido tanto, "tapado" por uma consistente e experiente parelha de defesas-centrais titulares e por um suplente de excelente currículo.

Venho saudar o facto também por outra ideia. Abaixo fui lembrando que nem todos os jogadores da formação cabem no plantel sénior, algo defendido pelo treinador La Palice. Mas também esta prática de fazer dos clubes uma placa giratória de jogadores é economicamente catastrófica. É uma deriva que implica dispensar jogadores da formação que podendo não ser Ronaldos ou Figos caberiam perfeitamente nos plantéis, seriam mais baratos - independentemente das remunerações, pois não haveria comissões e licenças desportivas a pagar.  E lembro dois jogadores que este ano foram notícia, Daniel Carriço e Wilson Eduardo, pois terminaram contratos de longa duração com as equipas para as quais se transferiram do Sporting. Sobre ambos correu o parecer colectivo de que "não eram jogadores para o Sporting". Carriço por razões de altura, perfeitamente estapafúrdias como o seu percurso posterior veio a demonstrar. Ambos são excelentes jogadores, muito melhores do que imensos contratados nos últimos anos. Teriam sido importantes para o clube. Isso poderá ser uma lição sobre como enquadrar estes novos jogadores. Não lhes exigir genialidade, titularidades absolutas. Mas perceber que, mesmo não tendo uma excepcional qualidade, será melhor integrá-los do que ir contratar fogos fátuos ...

Já agora, outro assunto: a trapalhada que acontece no Aves, que vem no seguimento do que se tem passado em vários outros clubes que independentizaram as suas "SAD"'s, mostra bem os riscos dessa suicidária opção. Também aqui o referi. Tenhamos muito cuidado com os defensores dessa opção, que nos vendem a ideia de que é o único caminho para o sucesso na bola. Alguns serão meros aldrabões, interesseiros na pilhagem do património espiritual do clube. Outros são bem-intencionados. Estes últimos são os piores, pois, como é consabido, são sempre agentes do demo.

Jorge Jesus no Benfica

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Como com quase todos acontecerá, sigo com vários familiares e amigos, além de inúmeros conhecidos, que são adeptos do Benfica. Têm eles agora, no âmbito destas nossas paixões clubísticas, toda a minha solidariedade e carinho. Bem lembro a raiva com que vituperaram o treinador de futebol, sentindo-o e sabendo-o desonrado traidor dos seus elevados sentimentos, no desprezo pelo Benfica que adoram, mas também como incompetente, incapaz de valorizar os recursos do clube, decerto também porque até homem e profissional de comportamentos desviantes, bem como imoral agente  ... Bem lembro a ânsia, ao que me diziam totalmente justificada, de ver o tribunal fazê-lo pagar bem caro as aleivosias que praticara contra o popular clube do qual são adeptos.

E agora, passado nem tanto tempo assim, encontram tal homem a regressar ao clube que é deles, a que tanto se dedicam e amam. E regressa pela "porta grande", como que se em triunfo. O futebol é assunto de rivalidades mas não pode ser estufa de inimizades. Por isso neste estranho e injusto momento os benfiquistas, meus amigos reais, meus familiares, meus conhecidos, e todos os outros, têm a minha sentida, profunda, humanitária, solidariedade ...

Sporting 2021

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Resmunguei qualquer coisa no postal do Pedro Correia, no qual ele profetiza os desenhos e desígnios do futuro da bola sportinguista. E o camarada coordenador "propôs" (uma proposta superior é uma ordem, como é consabido nas organizações democráticas) que eu evoluísse o comentário/resmungo para postal próprio. Então, e como sou muito bem mandado, esventro as minhas aves e pronuncio os meus augúrios.  Que são mesmo oriundos dos dizeres daquelas entranhas, pois de bola pouco percebo e, ainda por cima, não tenho tido paciência (nem assinatura televisiva) para ver os jogos. Talvez por isso mesmo sejam mais significativos, verdadeiros dizeres do Além-da-bola.

1. O melhor reforço será o calibrar dos objectivos e expectativas. O Sporting não ganha há 20 anos e depois das últimas demenciais épocas o fundamental será contratar o genial "jogo a jogo". Pois objectivos exarcebados para a próxima época serão algo exagerados, e não só pelos traumas e défices herdados. Para além dessa canga teremos que enfrentar um poderoso F. C. Porto campeão, o qual manterá a sua até lendária "estrutura", comandada pelo excelente treinador Sérgio Conceição, e no qual pontificam excepcionais jogadores como Marega, Uribe e o eterno jovem Pepe. E o clube, ainda que espartilhado pelas regras do fair-play financeiro (uma delícia semântica) e uma dívida de alguma monta, verá o seu orçamento reforçado pelos ganhos advindos do título nacional, ao que dizem os jornais. Portanto reforçar-se-á com o habitual olhar clínico, quase sempre certeiro, que o caracteriza desde há décadas. E quaisquer sonhos de campeonice terão também de enfrentar o Benfica, alentado pela renovação do contrato com o play-maker Proença e, ainda mais, pelo regresso do Grande Jorge Jesus, desde há muito esperado pela enorme massa adepta sebastianista, a qual sempre, e sem excepção, nele reconheceu grande competência técnica e vínculo moral exaltador do clube. Regresso que será também acompanhado de gigantesco investimento para reforçar o plantel, mais de 100 milhões de euros, garantem as notícias, num magnífico esforço para afirmar que dura lex, sed lex, sob tutela da agremiação nossa vizinha.

Assim sendo, entre velhas mazelas e a extrema grandeza dos nossos rivais que poderemos ambicionar? O tal "jogo a jogo". Para quem não saiba o que isso  significa, e fugindo à sempre cansativa configuração conceptual, ilustro essa estratégia de comando, qual Maquiavel actual: há anos o Sporting teve um fugaz treinador que propalou esse modelo táctico. As coisas iram correndo muito bem. Um dia o seu trinco que muita influência tinha, Carvalho, teve o seu 4º cartão amarelo. Dois jogos depois o clube iria jogar a Carnide, cujo Sport local ombreava connosco na classificação. A lógica da campeonice mandava que o tal Carvalho fosse "poupado" no jogo intermédio, para não ser admoestado com o cartão que o impediria de jogar com o tal rival. Mas o referido treinador, fiel aos objectivos e desígnios, não o poupou, fê-lo jogar, o homem foi punido e, claro, impedido de jogar no "clássico" alfacinha. "Esse é o espírito" ..." (como se diz na língua inglesa). Precisamos mesmo disto. Esta é a única forma de um clube macerado como o Sporting vir a crescer na área do futebol. A única.

2. É importante que o clube melhore a política de empréstimos e de rescisões. Fazendo-a com todo o respeito pelos indivíduos em causa, pelas suas expectativas futuras, pelo desenvolvimento das suas carreiras e, acima de tudo, pela sua maturação como Homens (no sentido de Pessoas, independentemente do género/sexo). É neste âmbito que tenho que referir os vários sportinguistas que vêm propondo a cedência da maioria da SAD futebolística a investidores privados. Em questões de paixão clubística não vale mentir. Temos que reconhecer que todos nós, sportinguistas, contestamos/detestamos/criticamos grupos de mariolas que nos rodeiam: os energúmenos brunistas, os malvados croquettes (com dois "t"s), os jogadores da bola, os das claques, os da bancada central, os jornalistas (em especial os da Cofina mas também os da "Travessa da Queimada" [ai, que saudades, ai, ai]), muito mais do que tudo os árbitros, o pérfido Pinto da Costa e seus sequazes, o Dura Lex Vieira e a malta da Outra Banda. Mas também outros, alheios ao mundo do futebol, os brancos (ex)colonialistas, os ciganos (em especial o Quaresma, que é do Porto), alguns negros (mas não os nossos bons jogadores), os do cavaco, os socialistas, que são todos o mesmo, os da descentralização, os da centralização, os banqueiros e bancários, os polícias, os ladrõeszecos, os mafiosos, os pedófilos, os comunistas (que são do Benfica), os do Chega (que também são do Benfica), as mulheres (raisparta que já não ficam nos carros a fazer tricot ou crochet), os maricas (que agora até há na bola), os "tóxicos" que só querem é gajas, os velhos que têm reformas, os putos que não querem sair de casa, os da meia-idade que só têm é direitos, os franceses que compram casas, os chineses que compram tudo, os bangladeshes que são bangladeshes, pior do que tudo os espanhóis, e nisto só se safam (ou safavam) as boas das suecas, que são boa gente ...

Ora se a gente não gosta nada destes mariolas todos ou de quase todos, vamos querer entregar o nosso amado Sporting a uns filhosdamãe mafiosos comerciantes tailandeses, cafres chineses, yankees refinadíssimos saídos dos filmes, russos "oligarcas", árabes pretos de petróleo, mariolas de carteira bojuda? Ou seja, quando ouvirmos ou lermos - como vamos sofrendo - alguns doutores sportinguistas no choradinho de que para ter sucesso é preciso entregar a SAD a "investidores" convém a gente reclamar a cada um deles "desnasce, pá!". E para quem  não perceba esta figura jurídica (entre o empréstimo e a rescisão) explicito que é dizer-lhes, a cada um e com a veemência do mais radical vernáculo, que devem regressar aos orgãos genitais dos respectivos progenitores. 

Estabelecido este modelo de jogo, o nosso tiki-taka ou lá como se diz, avanço para as minudências da constituição do plantel: 

3. Ou o puto Max chega ou não chega, nisto não há meias medidas. Ou, de outra forma, ou é a la Patrício ou nunca o será. Seja lá como for contratar um Conhé não me parece adequado. Ou vem o Beto como "mestre" ou então um guarda-redes titular, estrangeiro, que se imponha e ensine. O Porto resolveu muito bem o caso, na última época. É verdade, não vale a pena resmungar, os andrades acertaram.

4. À direita é a crise, tal como no país. Rosier é um flop anunciado - mas a quem é que lhe passou na cabeça contratá-lo por aquele dinheiro todo?, até eu logo percebi a asneira. Ristovski é esforçado e  chega como ... suplente. E por mais apreço que haja no seminário ainda não vi ninguém que gabasse Camacho como ... suficiente. Alguns propõem o resgate de Esgaio. Será um absurdo, o Braga do empresário Salvador receberá sempre um preço excessivo, que o homem, justiça lhe seja feita, não é parvo lisboeta nenhum. Mas urge um bom lateral-direito. Não é preciso um artista, basta um tipo que saiba defender e que tenha fôlego para ir lá à frente passar a bola. Se conseguir cruzar com alguma ponderação será melhor, mas isso custa dinheiro.

4. Sem Mathieu, mandar embora Ilori - mas quem se lembrou de ir buscar o rapaz? E logo quando finalmente tinha encontrado um sítio onde jogava, foi mesmo crueldade, uma vingança de clube ressentido pela malandragem que ele tinha feito ao forçar a saída. Não sei se Neto será suficiente como titular (veio com "planta" de tal). Eu continuo a pensar que Coates é insuficiente para uma equipa com aspirações grandes (ver ponto 1), para mim ele é o novo Polga, com o qual ainda tenho pesadelos. Para se perceber melhor, se Polga é meu inverso de Damas, Coates é o meu inverso de Jordão. Se àqueles amo a estes mais recentes ... (não digo porque o governo anda a perseguir a linguagem menor curial na internet). Ou seja, ou jogaremos sossegados a evoluir, e seja o que Deus Nosso Senhor quiser, e Coates fica ou queremos saltar para um patamar mais aprazível e será preciso trazer dois centrais de gabarito. E desejar felicidades ao estimável central na sua carreira na leste europeu ou na Ásia.

4. Borja já mostrou que não chega. Pode ser bom jogador, até. Mas não há história de um maduro que tenha sido suplente durante duas épocas e que depois tenha vindo a adquirir qualquer relevância. Assim, se Acuña sair (o que não seria mau), serão necessários dois jogadores para a ala esquerda que saibam defender. Caso Acuña fique (o que não seria mau) bastará um para concorrer com o puto Mendes.

5. Doumbia perdeu crédito. É uma pena, pareceu que iria crescer. Palhinha deve ficar, até porque o Covid lixou a artimanha do empresário Salvador que contratualizou que a venda de Palhinha até Setembro lhe iria dar benesses - mas quem é que assinou aquilo? Aliás, no próximo Europeu será o suplente de Ruben Neves se o engenheiro Santos se deixar de tradicionalismos - já agora, o engenheiro do Penta e do Euro deveria ser obrigado a assinar um contrato com o país, comprometendo-se a não entregar a titularidade de trinco ao jogador Danilo ou ao jogador Carvalho. Li aqui entendidos da bola bramirem que Battaglia deve sair. Um absurdo. Bom jogador, bom profissional, polivalente e generoso.

6. Adrien de novo? Mesmo que baixe o ordenado chegaria para pagar dois bons jogadores. Adrien é uma boa memória (mas, já agora, passou anos a tentar sair, não devemos ir em choradinhos sentimentais). Deve seguir para a Turquia ou mais a Oriente. E muito espero que aforre o suficiente para ter uma bela vida, que me parece ser um tipo decente. 

7. Geraldes e Pedro Mendes não são jogadores para o Sporting. É uma pena, mas é a realidade. Geraldes parece óbvio, ainda que me pareça um tipo interessante. Pedro Mendes nem vi jogar, para além de fugazes aparições, sprints de quem vem do banco de suplentes. Disse-me quem sabe muito de bola e acompanha o clube, profissionalmente: "grande atleta, grande profissional, um puto porreiro. Mas não chega para o Sporting". Deve o Sporting, em respeito pela sua Academia, vender o seu passe desportivo a um clube onde possa singrar. E quanto a Geraldes deve deixá-lo seguir uma boa carreira, consciente do que o prejudicou nos últimos anos de gestão apatetada do plantel.

8. André Martins, simpático e talentoso jogador que vestiu alguns anos a nossa camisola, acaba de se sagrar campeão polaco. Está a ter uma bela carreira, recompensada desportivamente. Espero que com acompanhada com felicidade e desafogo financeiro. O Sporting deve cuidar, sem prejuízo próprio mas também sem ganância, que jogadores como Miguel Luís tenham o mesmo rumo. 

9. Nem Sporar nem o rapaz brasileiro de nome estranho são pontas de lança para um equipa de topo. Vai ser caro mas terá que se contratar alguém para o lugar. Nunca Slimani, o passado não se revive. E pagar milhões por um Taremi ou lá como se chama? Deixá-lo ir para o banco do Porto. Dala seria bom, mas muito duvido que venha a pegar no clube. Insisto, não há história de jogadores que tenham chegado, depois passado anos de Herodes para Pilatos, e depois regressado para vingar. 

Enfim, um guarda-redes, dois laterais, dois centrais, um médio de ataque (com Palhinha de regresso) e pelo menos um avançado centro capaz. Muito dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro limpo. Dinheiro limpo.

10. Uma contratação grátis seria a de melhores adeptos. Entenda-se, menos ansiosos. A ver se a Academia os consegue produzir.

Seninho

As décadas passam e vamos esquecendo. Seninho foi um magnífico extremo, rapidissimo e codicioso, com o grande defeito de jogar no F.C. Porto, quando este começou a ganhar títulos no final dos anos 1970. Foi um dos primeiros grandes emigrantes do futebol português, directo ao topo mundial de então - o milionário New York Cosmos, quando se começou a disseminar o futebol nos EUA. Era uma colecção de estrelas, na maioria já veteranas mas ele ainda no apogeu. Aqui está Seninho a marcar um grande golo após um toque genial do monumento Cruyff, num jogo contra uma selecção mundial.

Seninho morreu hoje. As minhas condolências a todos que, como eu, dele foram admiradores. E, claro, de modo especial, à sua família e amigos.

A selecção nacional (III República)

Alguns dos leitores do És a Nossa Fé! que têm conta no facebook já terão reparado na simpática corrente que ali decorre, com os utentes convidando os seus amigos para apresentarem os 10 (ou 15, depende) jogadores que influenciaram o seu gosto pelo futebol. Durante o confinamento, antes da festa do 25 de Abril e do festival do 1º de Maio em Lisboa, eu respondera a esse desafio. Agora fui de novo, e por um insigne co-bloguista desta sede, convidado para apresentar esse rol. Mas estando ele feito lembrei-me de um velho postal que aqui havia deixado em 2012 (o tempo voa, dizem os velhos quando já não batem as asas). E por  tudo isto, José Navarro de Andrade, repito o postal, pois estes jogadores nacionais muito marcaram o meu gosto pelo futebol (a corrente no FB serve para inserir os jogadores estrangeiros, e isso é outra conversa):

*****

Estava ao sol na praia e lembrei-me disto - uma inutilidade bem digna da inutilidade veraneante -, como se o tempo fosse homogéneo. Não é uma declaração política. Mas o primeiro jogo que vi ao vivo foi em 1975, o meu pai levou-me à central de "Alvalade" e ainda nos estávamos a sentar e já era "golo!!" e ainda me lembro do sorriso dele (afutebolístico que é) com a minha alegria, foi um glorioso Sporting-Olhanense (7-0), marcava muito o Chirola. E a primeira equipa de que me lembro é a que foi campeã em 1973-1974 [ainda a sei de cor: Damas, Manaca, Bastos, Alhinho, Carlos Pereira, Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, Yazalde, Dinis]. E o primeiro Mundial de que lembro é o de 1974 [vi a final, lembro-me do golo a seco, logo no início, da Alemanha; e lembro-me do sururu provocado por Luís Pereira, defesa do Brasil expulso num jogo anterior]. Daí que a minha selecção nacional só pode mesmo ser a da III República, pós-1974. Aqui ficam os 23, seleccionados para o campeonato do mundo do apocalipse. À antiga, os números das camisolas indicam a titularidade, claro, que é como deve ser.

A grande questão continua a ser a mesma, problemática que não angustiará os mais-novos, ainda imberbes nas coisas do futebol: o Oliveira e o Alves cabem na mesma equipa? Na minha opinião, de treinador de sofá, tenho que meter o Sousa para segurar aquilo. 

1.

Vítor Damas (guardião)

2.

Artur Correia (lateral-direito)

3.

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Humberto Coelho (defesa-central)

4.

Ricardo Carvalho (defesa-central)

5.

Fábio Coentrão (lateral-esquerdo)

6.

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Paulo Sousa (trinco)

7.

Luís Figo (médio direito)

8.

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António Oliveira (médio ofensivo)

9.

Rui Manuel Trindade Jordão (ponta-de-lança)

10.

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António Sousa (médio central)

11.

Paulo Futre (extremo-esquerdo)

12.

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Vítor Baía (guarda-redes)

13.

av.png

António Veloso (lateral-direito)

14.

Jorge Andrade (defesa-central)

15.

Fernando Couto (defesa-central)

16.

Alberto (defesa-esquerdo)

17.

Sheu Han (trinco)

18.

Rui Costa (médio ofensivo)

19.

Cristiano Ronaldo (extremo-direito)

20.

João Alves (médio ofensivo)

21.

fg.jpg

Fernando Gomes (ponta-de-lança)

22.

Fernando Chalana (extremo-esquerdo)

23.

Jaime Pacheco (médio central)

+1

Manuel Fernandes (avançado)

Treinador

sven.jpg

Eriksson (treinador)

Adepto

Arquétipo

Direito de Resposta?

Se se instituir o Direito de Resposta no blog isto passa a órgão de comunicação social. Isso pode levantar algumas questões, interessantes decerto, que me ultrapassam. Pois a mim só uma questão se me impõe: se isto se comporta como um órgão de comunicação social, então quero ser pago pelos meus postais. Não exijo muito, um jantarzito com distância social em tasca esvaziada por causa da utopia sanitária.

Estou a esparvoar? Nada disso. Eu é que estou a falar sério.

Mas, como por enquanto isto segue grátis, deixo uma adenda antipática: eu sou livre de apoiar quem quero e de o divulgar como quero, e de atacar outrem que não o meu campeão. Mas é lixado fazê-lo num blog colectivo. Sublinho, num blog, não falo de órgãos de comunicação social. Lixado porquê? Porque dá merda.

Estou a praguejar? Sim. É porque estou a falar a sério.

{ Blog fundado em 2012. }

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