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És a nossa Fé!

Premonições e Sortilégios

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Em tempos já recuados - desportivamente desengraçados mas colectivamente mais felizes, de ligeiros que seguiam - os bloguistas do nosso És a Nossa Fé! conviviam, e de modo não virtual. Periodicamente agregavam-se à mesa, usualmente a do consagrado e histórico Café Império, na qual se comia com o denodo que a cada um compete e se bebia com a moderação exigível numa amálgama de gente heterogénea com a qual não se tem qualquer intimidade. Falava-se bastante do Sporting, e ainda mais de futebol. Do actual e, alguns sábios, do passado (lembro-me de encontrar um co-bloguista que, tal como eu por vezes faço, perorava sobre o Zandonaide, um verdadeiro mito fonético no panteão da bola). Havia connoisseurs que versavam sobre temas algo druídicos como, por exemplo, a "formação" ou as "finanças", do clube claro. Outros assuntos iam sendo integrados ao longo dos repastos, em molde avulso mas apenas episódico, como a malvadez de Vieira e a de Costa - o Pinto, que não o António, pois sempre predominava o ecumenismo político -, os tiques e maneirismos blogais de alguns alguéns. E até mesmo se abordavam temas prementes da actualidade - ainda que estes dirimidos em pequenos comités algo desgarrados -, como a existência de excelentes restaurantes no âmbito do Universo Sporting, a produção vinícola e os recentes conhecimentos da vinicultura, a deriva cinematográfica ou a actualidade dos ritmos musicais. E, com especial ênfase, eram vasculhados programas televisivos e seus apresentadores e painelistas, os sempre criticáveis comentadeiros da bola. Eram momentos animados, dos quais se deixava breve (e meramente alusiva) memória em postais do blog, quais actas do seminário. Um dia, decerto que invejoso do fraterno e gentil associativismo que ali grassava, um actual comparsa da afamada e bem apessoada apresentadora Cristina Ferreira, bramou em comício contra estes repastos, inventando-os de "conspiratórios", invectivando-nos como o "grupo do Império" ao serviço de esconsas e decerto que benfiquistas agendas.

O último destes encontros ocorreu no passado 6 de Março de 2020. Debateu-se o então concluído consulado de Jorge Silas, invectivou-se a demencial (de dispendiosa) contratação do jovem Amorim, resmungaram-se apelos a um "idos de Março" dada a deriva da república clubística. Mas já nos cumprimentámos com essas cotoveladas que então tinham chegado para ficarem, pois a "gripe da China" já foi mais falada do que a infecção financeira do Sporting. E desde desde esse dia, no dealbar do maldito Covidoceno que nos submergiu, nunca mais houve convívios do famigerado "grupo conspirador". Várias vezes lamentei esse rumo blogal, incompreendendo a ausência de fervor clubístico e convivencial, que nem a apaixonante conquista do tão desejado título nacional reacendeu. Nem mesmo o propalado final da pandemia, quando o governo anunciou a libertação total do país (momento entretanto esquecido pelos acima referidos comentadeiros da bola e quejandos assuntos), ressuscitou o afã comensal dos ínclitos bloguistas. Enfim, nada mais me ocorreu do que me apartar dessas memórias, ainda que humanamente preocupado com o aparente esmagamento moral dos meus parceiros, encerrados nos seus confinamentos espirituais, como é notoriamente vigente entre vastos nichos dos compatriotas.

Ontem, a convite de casal amigo, regressei ao Café Império, dois anos depois. Ali se congregou um simpático grupo comensal, amigos que residiram em Maputo já neste XXI. Todos partilhando saudades da "terra" e dos "tempos", todos também partilhando saudades do entre-nós. Mas isso é matéria, até íntima, alheia a este blog... Pois o que quero significar é que ao entrar logo deparei com a transmissão do embate atlântico, o Santa Clara-Sporting. O qual acabou com a inédita derrota do nosso clube neste campeonato, um desaire já tão raro que tanto nos espanta - ao invés do que acontecia em temporadas provectas, onde nos eram costume tais desenlaces tristonhos.

Mas, no estertor da derrota, enquanto bebericava a imperial e encetava o (belo) bife da vazia, percebi a causa do evitamento que o grupo blogal do És a Nossa Fé! tem dedicado ao "Café Império" e aos nossos repastos. Não há dúvida, dois anos de sucessos continuados sem lá ter ido. E agora, indo lá eu ao bife o Sporting perde. Houve, evidentemente, uma premonição colectiva à qual eu não acedera, ateu incompetente face aos omnipresentes sortilégios: aquilo dá azar. Dieta, é o que nos cumpre...

Catar-22 (2)

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Este é um postal na sequência deste meu pré-Natal Catar-22. E estou ciente que algo apoquentará alguns adeptos que continuam a ter uma visão servil (ou seja, de servos que adoram a servidão) do mundo do futebol. Esses que reclamam uma fidelidade afectiva dos jogadores aos seus clubes (o célebre "amor à camisola", essa superstição consagrada nos malvados tempos da "lei do passe"). Enquanto estes últimos assumem uma visão empresarial, estipulando preços pela cedência (que nunca "venda") das licenças desportivas desses mesmos jogadores, e desde a mais tenra idade destes. E, inclusivamente, tratam essas licenças em termos económico-financeiros como património. Enfim, se o futebol e seu clubismo é espaço de paixão, não obrigando à reflexão, também não obriga ao mais radical impensamento. Convoca-o, é certo. Mas não obriga a tal. E, nisso, não obriga a que não se apreciem jogadores que não são do "nosso" clube. Ou que não tiveram uma percepção de si próprios como se de item patrimonial alheio fossem. Adiante...

Vi ontem o resumo de meia-hora do Manchester United-Wolverhampton. É evidente que não dá para perceber o jogo como se o tivesse visto na totalidade. E que assistir na tv - sempre atrás da bola - também é menos esclarecedor do que no campo. Ainda assim deu para perceber que o Wolverhampton foi superior. Um domínio que teve como corolário uma vitória no mítico Old Trafford, a primeira em mais de 40 anos. A equipa surgiu com 6 portugueses titulares: José Sá, que se tem destacado nesta sua primeira época no melhor campeonato do mundo, afirmando-se como saudável alternativa ao nosso querido Rui Patrício; Nelson Semedo, a reafirmar-se depois de um salto para o Barcelona, talvez para si exagerado; Rúben Neves, um jogador extraordinário e com uma regularidade impressionante; João Moutinho, um verdadeiro maestro; Daniel Podence, que fez uma jogatana; Trincão, que pouco vi mas que pode estar a passar por um processo similar ao de Semedo. Jogou ainda Fábio Vieira, o jovem avançado, entrado quando ainda se registava o 0-0. No banco estava ainda Bruno Jordão, jogador que desconheço. Na bancada, ainda a recuperar da gravíssima lesão que sofreu há já 8 meses, ficou o esplêndido ariete Pedro Neto. E jogaram também Gimenez e Marçal, que passaram pelo futebol português. No banco, como é sabido, estava Bruno Lage, o treinador já campeão nacional português e que, aquando desse seu período vitorioso, se destacou também pelo seu bom trato, uma elegância e até humor a que estávamos então desabituados e que, felizmente, teve recente continuidade, como bem sabemos.

Do outro lado, neste Manchester United menos, que é o da actualidade, jogou o nosso CR7 e o treinador deixou Bruno Fernandes no banco. Ter-se-á arrependido, fê-lo entrar aos 60 minutos e ele foi o mais perigoso dos jogadores do seu clube. Diante deste painel não pude deixar de torcer pelo Wolverhampton, e não só pela minha habitual tendência para apoiar o "underdog". Como deixar de apoiar uma verdadeira selecção portuguesa, caminhando no melhor campeonato do mundo, um colectivo pejado de futebolistas de diversa origem clubística (Porto, Sporting, Benfica, Braga) com um simpático e competente treinador português?

No final do jogo realço alguns pontos:

a) insisto no que venho aqui dizendo há anos, Rúben Neves é um grande jogador, está há cinco épocas no mais difícil e intenso futebol mundial, brilha no cerne da sua equipa, defende e ataca (é um grande rematador de meia-distância - e ontem ia marcando um golo "de bandeira"). É totalmente incompreensível que não seja, e desde há muito, titular da nossa selecção;

b) João Moutinho, aos 34 anos, depois de uma excelente carreira no Sporting, Porto e Mónaco, tornou-se um verdadeiro símbolo neste histórico do futebol inglês (há algum tempo foi escolhido como o melhor profissional de sempre deste clube com 150 anos). É um grande profissional e um magnífico jogador. Ontem jogou os 90 minutos, pautou o jogo da sua equipa, actuando na pressão defensiva, estipulando o constante contra-ataque, marcando o ataque continuado. E marcou o golaço decisivo aos 80 minutos. E esta sua prestação (tal como a dos outros jogadores) tem sido uma constante ao longo deste campeonato, tal como foi nas épocas transactas. Ou seja, não venham os comentadeiros da bola, os jornalistas desportivos, os bloguistas e seus comentadores, os frenéticos das redes sociais, botar que Moutinho já não tem "pedalada", arcaboiço físico, para jogar na selecção. O que lhe pode faltar, como a qualquer outro, é um verdadeiro enquadramento táctico, uma equipa - viu-se isso muito bem no naufrágio da Luz face à Sérvia.

c) Lage está a fazer um excelente campeonato na sua estreia a titular em Inglaterra (fora adjunto de Carvalhal, outro tipo com um discurso nada abrasivo). Herdou equipa e molde de Espírito Santo, que fez uma belíssima carreira no clube - promoção à Premier League, dois 7ºs consecutivos e um 13º, num ano fustigado de lesões graves nos avançados titulares. E vem desenvolvendo, e não estragando, o que herdou. Um futebol de contenção, jogando argutamente com as armas que tem face a clubes com orçamentos muito maiores, e estando no topo daquilo a que será normal almejar. Julgo que é caso para dizer que os nossos rivais cometeram um erro histórico ao despedi-lo devido a uma época atabalhoada e - ao que constou - alguma instabilidade ou irreverência do plantel. E não é por pirraça, qual "boca" para o lado, que digo isso. Pois esse frenesim da aversão aos treinadores também é histórico no nosso clube. Que seja passado para nós. E que continuem eles assim, é o meu desejo.

João Mário no Benfica?

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Para o nosso clube começa mal este 2022. Pois notícias muito plausíveis apontam que o excelente João Mário, que integra o plantel do Sporting por empréstimo, se transferirá para o rival Benfica. Algo que se deverá ao elevado custo da sua licença desportiva e, talvez ainda mais, face ao seu milionário salário - consta que cerca de 4 milhões de euros anuais -, o qual em muito supera o limite salarial praticado pelo Sporting.

Espero sinceramente que tal não aconteça. Pois, e por mais que se diga que de insubstituíveis está o inferno cheio, na realidade é capital a influência de João Mário na equipa, e não creio que no actual plantel haja alternativas capazes ao seu contributo. E, mais do que tudo, a confirmar-se a transferência creio que a excelência do seu futebol catapultará o Benfica para patamares superiores, decerto que prejudicando o Sporting em termos classificativos.

Rogo pois à direcção do clube que tudo faça para impedir a saída de João Mário.

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

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Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

O moçambicano Geny Catamo estreou-se ontem pelo Sporting. E brilhou - ao que leio -, tendo sido fundamental no golo decisivo para a vitória - a 11ª consecutiva, e há 30 anos que o clube não tinha tamanha série no campeonato, só suplantada por uma sequência feita nos anos... 1940s.

Catamo tem 20 anos, foi formado no Maxaquene, veio para o Amora em 2018 e joga nos escalões juniores do SCP desde 2019. Ascende agora à primeira equipa, nesta tão bem sucedida era amorinesca, na qual tanto se acarinham e desenvolvem os jovens futebolistas. Melhor ambiente e melhor clube para a sua afirmação não poderia ter pedido. Que tenha muita saúde e muito sucesso é o meu desejo.

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

 

Folhetim em Carnide

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Confesso que este folhetim em fascículos que vem decorrendo há já algum tempo ali no seio do popular clube sito nas cercanias da simpática Carnide me faz lembrar recuados tempos no nosso clube, com mais ou menos atrapalhadas presidências. Ainda assim conseguiram "chegar ao Natal". Enfim, goste-se ou não de Jorge Jesus, o consagrado técnico e mui adepto sportinguista, o que este romanesco episódio demonstra é que por aquelas bandas escasseia... presidência.

Catar-22

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Sobre o desejável apuramento para o Mundial-22 já muito foi resmungado, aquando dos últimos jogos da selecção. Ficou este travo azedo, no deslizar do mais do que acessível apuramento até esta já desfocada miragem da sua obtenção. Tudo o que bem espero não se vir a tornar verdadeiro azedume. E agora, no sprint final do campeonato de Inverno, após as qualificações nas taças europeias, com o dealbar do "mercado de Inverno" futebolístico e, ainda para mais, com a concentração de boas festas natalícias e melhores intenções, as questões da selecção estão em pousio. Até porque a Federação foi renitente a mudanças - espero que com acertada visão - mantendo a crença na fé do seleccionador Santos. Para quê vir então, agora, perturbar a quadra com tal horizonte? 

Faço-o porque tenho visto, a espaços, jogos do campeonato inglês, no qual participam vários dos nossos habituais internacionais. É certo ser geral a tendência de mais se prezar os jogadores seleccionáveis com os quais se têm (ou imaginam) afinidades clubísticas, mas isso pode ser ultrapassado ou, pelo menos, matizado, em momentos de crise. E é também certo que no nosso campeonato também muito há para ponderar. E dessa atenção endógena três exemplos logo se realçam, denotativos do conservadorismo vero imobilismo de Santos: o relativo apagamento do habitual convocado Sérgio Oliveira; a grande época de Ricardo Horta, sempre esquecido. E a quase nula integração do campeão Matheus Nunes - ainda mais clamorosa quando o naufrágio contra a Sérvia passou pela titularidade de Sanches em nome do seu repentismo, do inesperado galopante que traz ao jogo, mesmo que seja jogador com fortes deficiências tácticas. E se são essas as características que o catapultam para os momentos decisivos bastará recordar a extrema competência táctica de Nunes e convocar o seu recente golo na Luz para perceber que o erro não é dos treinadores de sofá, pois é ele bem mais superior como centrocampista actual.

Mas vou aceitar como racionalmente prudente que não será no futuro próximo, em embate(s) tão decisivo(s), que Santos introduzirá alterações no seu naipe preferencial de trunfos. Por isso olho os consagrados que jogam nos campos ingleses. O novo treinador do M. United não só mantém a confiança no binómio atacante Fernandes-CR7 (o que tanto poderá/poderia beneficiar a selecção) como catapulta Dalot, este firmando-se como alternativa incontestável à direita podendo deixar a esquerda para um Cancelo, a jogar esplendidamente. Enquanto Bernardo Silva brilha como nunca (e muito já brilhara) e Dias se mantém um rochedo. Mas não vim fazer um postal cobrindo de A a Z os jogadores seleccionáveis. Pois o que me convocou este postal foi ter assistido ao recente Wolverhampton-Chelsea. O Wolverhampton de Bruno Lage jogou com 4 titulares portugueses e ainda fez entrar um outro. Enfrentando o campeão europeu, uma equipa que segue no topo da tabela, um dos três reais candidatos ao título (conjuntamente com o Manchester City e o Liverpool) e que se caracteriza por um futebol muito pressionante, de grande exigência física e táctica. A equipa de Lage jogou muito bem, algo consentâneo com o belo campeonato que vem fazendo (um actual 8º lugar, na senda dos dois primeiros anos após o seu regresso a esta Liga nos quais, sob Espirito Santo, obteve 7ºs lugares). O relevante é que durante aqueles 90 exigentíssimos minutos - contra o actual campeão europeu, repito - no meio-campo do Wolverhampton esteve João Moutinho, a jogar e a fazer jogar, pressionante e pausando o jogo da sua equipa.

Olhando aquele jogo lembrei-me dos comentários após o jogo da Sérvia, seja dos emproados comentadores televisivos seja dos convictos bloguistas: face ao tal naufrágio em que João Moutinho fora abandonado diante do meio-campo sérvio, dado que Danilo se afundara num quase trio de centrais e Sanches cavalgava pelo estádio da Luz, decerto que devido a instruções que ambos haviam recebido, todos - assalariados, avençados e voluntários - coincidiam na doutoral sentença de que o veterano Moutinho "já não tem pedalada" para jogos daquele quilate. Ora se há coisa que se pode afirmar é que quem arranca uma jogatana daquelas, no seu peculiar estilo quase mudo, diante do super-Chelsea tem todo o pedal necessário para jogar contra a mediana Sérvia. Precisa apenas, para não sofrer os dislates dos comentadeiros arrivistas, de estar inserido numa equipa tacticamente estruturada, nisso imaculada se possível. E não a remar sozinho contra... as divergentes correntes.

Ou seja, isto de chegarmos ao Catar não periga devido aos jogadores. (Nem aos comentadeiros). Pois há jogadores suficientes de grande qualidade para "dar a volta" à situação, veteranos como Moutinho ou Cristiano, maduros como os Silva ou Cancelo, jovens como Nunes ou Mendes. Mas o que é necessário é que Santos "dê a volta" a si mesmo, suas certezas e teimosias. Que o Pai Natal lhe traga essa flexibilidade é o que eu peço. Para a nossa alegria.

Não embandeirar em arco: as potencialidades do Benfica

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É sempre bom ganhar o dérbi da Segunda Circular, melhor ainda quando na Luz. E no jogo de ontem ainda foi mais saboroso: após longos meses de desvalorização do plantel do Sporting - por ser "mais curto" (ou "menos profundo", como agora também se diz) - relativamente ao dos rivais; após a repetição - na própria semana passada a seguir à escandaleira do Jamor - da "narrativa" benfiquista de que o título de 21 foi perdido devido ao Covid, apesar dos cento e tal milhões que o clube havia gasto e de ter um treinador que prometera "jogar três vezes mais" do que o técnico anterior (actualmente bem comandando o Wolverhampton no mais difícil campeonato do mundo) fizera; e, num plano mais técnico, após a polémica do último defeso - em que tantos de nós também entrámos - com a opção de deixar sair o excelente mas caro João Mário dada a consciência de que havia no plantel suficientes opções jovens e mais baratas, sublinhando uma política financeira e desportiva virtuosa. Sob estas condições ir à Luz jogar sem Palhinha, dito por todos "insubstituível", e sem Coates, afectado pelo tal Covid da "narrativa" de Rui Costa & Jorge Jesus, e ver jogar Matheus Nunes e Ugarte e toda a defesa, esta sem dois centrais titulares (ainda para mais depois daquele descalabro do Ajax sem Coates), mostra bem a justeza do rumo na constituição do plantel. E a excelência do trabalho da equipa técnica, venha ou não a conquistar títulos neste 21/22.

E em relação a esta jornada há um outro ponto interno ao Sporting que quero realçar. Pois é uma vitória sempre saborosa, e mais significante pelo contexto que descrevo, para além de fazer recuar o velho rival (que já teve 4 pontos de vantagem sobre os actuais comandantes ex aequo e vai agora 4 pontos atrás, o que lhe fará mossa). E porque foi indiscutível, sem "casos", e mostrando uma superioridade que não foi apenas do dia, "conjuntural" - nos dérbis tantas vezes a equipa que está pior vem ao de cima para ganhar. Mas sim uma vitória que denota uma superioridade "estrutural", a vigência actual de um melhor rumo do que o do velho rival. E neste contexto, "sem espinhas", da vitória na Luz - e é esse o factor interno que muito quero realçar -, não se vê o presidente Varandas assomar, em bicos dos pés, em declarações públicas, mais ou menos abrasivas, a querer "mostrar-se para a fotografia". Forma virtuosa de presidir, em particular nas boas horas, deixar o palco para artistas e seus maestros e mestres. Tal como também não se vêem outros membros da direcção. Nem o director do futebol Hugo Viana. Nem "bocas" abrasivas de directores de comunicação do clube, tais como é habitual (e foi-o no clube) naqueles que confundem essa função necessária às grandes empresas com o exercício do trauliterismo mais rústico. Em suma, no rescaldo do jogo de ontem nota-se que não é só no futebol sénior que a atitude é a correcta, mas a sua superestrutura directiva está a marchar e pensar bem.

Mas com tudo isto de positivo é preciso não embandeirar em arco e manter a humildade atenta. Pois apesar da derrota o Benfica mostrou que tem grandes potencialidades para cruzar esta época com sucesso. Já o havia demonstrado, em particular em alguns jogos na Liga dos Campeões. Mas ontem ainda mais, afirmou-se como um clube preparado para enfrentar este futebol do Covidoceno, com as suas características especiais. Será, apesar da derrota, talvez mesmo o clube com mais potencialidades para tal, com maiores energias para soluções originais e criativas: pois estou crente que estas "máscaras brancas" mostradas a Jorge Jesus são uma solução inovadora a nível mundial, e para sempre simbolizarão esta era covidocénica no desporto-rei, no maior espectáculo mundial. E temos que estar atentos, um clube que tem no seu seio estas energias inovadoras, estas soluções criativas, poderá sempre surpreender-nos. E talvez isso demonstre que até possa encontrar outras formas de criatividade.

O futebol pode ajudar a acabar guerras?

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(Fotografia de DR, Record)

[Postal do Sol de Carvalho]

O futebol pode ajudar a acabar guerras? Eu digo, pode. Ontem, o jornal Record publicou uma reportagem sobre um menino de Cabo Delgado que além de ter recebido umas botas novas, estava na iminência de seguir para a Academia para se mostrar a Rúben Amorim. Não foi... por causa dessa maldita pandemia mas espero que vá em breve.
 
Falamos de guerras? Sim, já lá vamos. Por motivos profissionais tive de fazer uma pesquisa junto dos jovens de Cabo Delgado que se juntam aos do Al Shabab, o nome porque é conhecido um suposto ramo do Estado Islâmico que tem semeado a morte no norte de Moçambique. Há entre eles um claro denominador comum: falta de opções, desespero sobre o futuro, desemprego. Em resumo, a morte da esperança.
 
Quando fiz o texto criativo resultante dessa pesquisa inclui a possibilidade de criação de academias de futebol. E porquê? Porque existem poucas profissões como o futebol onde pode singrar uma pessoa sem estudos, que conta apenas com o seu próprio corpo e com a sua habilidade,  Fi-lo porque acredito que o futebol, para além da cara sem vergonha que nos mostra todos os dias, pode ter um lado cuja importância social é inestimável.
 
E não é que percebo que, por iniciativa de um miúdo, porventura desesperado como o reflectiam as suas sapatilhas já rasgadas, o meu clube toma uma iniciativa que vai muito para além do gesto caridoso, porventura de um paternalismo ou de uma solidariedade falsa que apenas nos faz dormir mais descansados?
 
É que é, realmente, muito mais do que o simples gesto de solidariedade ou de amizade. Trata-se de colocar uma semente de esperança que pode levar dezenas e dezenas de jovens a ver uma luz eventual no fundo do túnel. Não será a solução? Obviamente que não. Mas pode ser uma grande ajuda? Pode, sim senhor. Não sei se a Direcção do clube percebeu que a iniciativa de levar o jovem de um cenário de guerra para uma academia de futebol de um país em Paz, é muito mais do que o gesto possa significar na superfície. 
 
Mas, de qualquer forma, vivendo em Moçambique, tal como o colega de blog jpt viveu e ama tanto quanto eu, não deixo de sentir uma ponta de orgulho pelo meu clube estar envolvido em tal iniciativa.

B SAD - Benfica

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Ontem, na mesma semana em que Leonardo Jardim ganhou a Liga dos Campeões asiáticos, Abel Ferreira bisou o triunfo na Taça dos Libertadores. Momento glorioso do futebol nacional, a comprovar a excelência da "escola portuguesa" de técnicos, acoplada à da plêiade de jogadores que vêm brilhando nos clubes mundiais, secundados por inúmeros outros, menos celebrizados, que abundam no futebol internacional. Algo que deverá ser associado aos bons percursos das selecções jovens, bem como às prestigiantes posições do país nos "rankings" de selecções seniores e de clubes.

Neste âmbito, em que o futebol português mostra uma competência profissional bem acima do que a economia e a demografia poderiam determinar, continua a vigorar uma mazela grave, o seu dirigismo. A rábula de ontem, o jogo B SAD-Benfica, é demonstrativo dessa incompetência. A questão não se restringe às direcções dos dois clubes (seja lá o que for o tal B SAD). As equipas foram a jogo, como lhes competia. A direcção da tal empresa que joga no Jamor talvez pudesse ter sido mais previdente, a do Benfica mandou a equipa entrar em campo, como lhe era mandatório.

A questão é outra, pois dois anos após a chegada do Covid-19 este caso não pode ser considerado inesperado mas sim um cenário muito previsível. E ao longo deste biénio a Liga de Clubes, instituição que decerto tem vastos recursos jurídicos, teve a obrigação de se rodear de consultores na área da epidemiologia e da saúde pública, que sublinhassem a efectiva possibilidade de tal situação. E é evidente que essa conjugação de especialistas já devia ter produzido um enquadramento regulamentar destinado a situações excepcionais. 

Assim sendo, não se justifica atirar as responsabilidades do acontecido para instituições externas ao futebol, à DGS e seus quadros locais, ao Ministério da Saúde, ao Governo, seja lá qual for. A responsabilidade da trapalhada de ontem - um escândalo internacional -  é da Liga dos Clubes, inerte. É certo que os regulamentos são aprovados pelo colectivo das direcções clubísticas mas deve ser evidente que é à Liga que compete a sua sistematização, ponderação e apresentação.

A barracada de ontem tem uma cara, a de Pedro Proença. O resto é fogo de vista. E compete aos adeptos do futebol chamar os "bois pelos nomes", não se deixarem enredar em discussões eivadas de clubite. Há que olhar para o dirigismo (o dos clubes também, claro, mas nisso cada massa associativa escolherá...) e fazê-lo ascender à qualidade excepcional apresentada pelos restantes intervenientes no futebol (jogadores, técnicos, muito presumivelmente as áreas de medicina desportiva e de fisioterapia).

E para isso há que calibar os olhares críticos dos adeptos, que muito se distraem com o saltar da bola e os hinos clubísticos. Para o sublinhar insisto nisto: os adeptos portugueses tiveram frémitos de indignação desapontada com o falhanço do apuramento directo da selecção para o Mundial-22. Discutiu-se (e discute-se) até à exaustão a pertinência do seleccionador, as prestações de determinados jogadores, o modelo táctico, o empenho, etc. Mas ninguém discute o facto fundamental do percurso da selecção nacional neste Mundial - e que talvez lhe provoque a eliminação, para acabrunhamento generalizado e enormes perdas económicas para o futebol português. É que, mais do que provalmente, a selecção não conseguiu o apuramento directo para o Catar-22 porque a direcção da Federação Portuguesa não pediu VAR para o jogo na Sérvia. Que maior demonstração da incompetência radical do dirigismo do futebol português se poderá encontrar?

Suspenda-se, por momentos, o clubismo. E as críticas pessoalizadas. E encare-se que as instituições têm de ter melhores dirigentes.

O apuramento para o Catar-22

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E para que não se resmungue que esta questão sobre o jogador da semana na Liga dos Campeões é remoque advindo de "costela sportinguista" - a qual é sempre invocada quando alguém reclama Palhinha a titular, por exemplo, mas que não se impõe quando um tipo (eu) anda há anos a reclamar que Rúben (não o Amorim sim o Neves) tem que jogar na selecção - que tal ler como Guardiola (mais uma vez) louva Bernardo Silva, quando este joga tanto que é o "homem do jogo" na vitória frente ao PSG de Mbappé, Messi, Neymar? E perguntar porque é Bernardo um jogador fulgurante na sua equipa e não engrena na equipa de todos nós? Ou até perguntar porque não são os titulares indiscutíveis campeões nacionais chamados à selecção, quando tão bons desempenhos têm tido?

Isto é um naufrágio anunciado. Lamento, mas já não tenho qualquer crença em Fernando Santos. E não serei o único. Entre os adeptos e, acredito, entre muitos jogadores.

 

NOTA: colocara no postal um gráfico que mostrava os jogadores seleccionados para a equipa da semana da Liga dos Campeões, no qual constavam Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves. Um comentador, a quem agradeço esclareceu-me que era errado, pois a selecção oficial é algo diferente - nela está Pedro Gonçalves mas não Inácio (e está Otamendi do Benfica, entre outras diferenças). Quero crer que esse meu erro, tendo seguido um "fake graphic" não torpedeia o que quero aqui recordar, o défice que as opções do actual seleccionador vêm provocando na nossa selecção.

Fui ao Sporting-Borussia

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Devido a um inesperado impedimento do consagrado espectador titular - felizmente pouco gravoso pois, e para descanso do nosso "mister", isso não o afastará do próximo episódio desta bela senda de "jogo a jogo" - fui convocado à última hora para assistir ao decisivo embate com os teutões de Dortmund. Para o efeito tive de tratar, in extremis, dos trâmites burocráticos necessários à compita, um verdadeiro "frisson" ao imaginar-me qual Adrien barrado por minutos. Mas que muito me foi matizado pela simpaticíssima ajuda telefónica que obtive da funcionária da Federação Portuguesa de Espectadores que, paciente e eficientemente, me ajudou a obter um "Certificado de Vacinação Digital", documento que até à data me fora desnecessário para as competições regionais em Nenhures.

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Logo, e ainda alvoraçado, mergulhei no metropolitano na rota do Sacro Recinto, já pejada de adeptos em trânsito, entre os quais era notória a extrema concentração competitiva, discernível no silêncio nada ululante que reinava nas carruagens e estações. Exultante de "ir a jogo" disso dei notícia por via telefónica, mostrando-me nestes preparos, à panóplia de familiares e amigos mais futeboleiros. Disso recebi ecuménicas saudações e votos de alento para o embate. A surpresa era geral, sabendo-se que este veterano há muito pendurara as almofadas de bancada. E antes do Campo Grande já dois grandes amigos, viscerais sportinguistas - desses do lugar cativo no velho e para sempre "o" nosso José de Alvalade, adquirido depois das nossas juvenis pelejas no peão, da ascensão às superiores e da comoção com o fecho de estádio - me questionavam "porra, estás com guito para isso?", num óbvio "estás a tirar do rancho para ir à bola!?". Questão assisada que só à nós surgirá, aos encanecidos naúfragos desta tormenta que é a crise vivida em idade avançada, ainda para mais decorrida sob desajustados rumos profissionais, tudo isso que neste Outubro da vida nos tornou proibitivo o que nos fora um mais que acessível jovem hábito prazeroso. Lá me legitimei, expressando o convite de que fora alvo, e logo acolhendo um duplo sms similar: "ainda há gente caridosa!". E há. Chamar-se-á agora "solidariedade (social)". Ou, melhor dizendo, gajos porreiros...

Aportado ao estádio constatei o fervilhar de gente, filas gigantes placidamente serpenteando, prenúncio de "casa cheia". A aproximação da hora do apito inicial causou-me o dito "stress", o desajuste à situação, no verdadeiro pavor de perder o apito inicial... Já na cercania dos acessos ao interior do estádio amalgamámo-nos, em magotes de centenas... Lembrei-me então, saudoso, dos bons velhos tempos antes desta era Covidocena, em que tais momentos nos eram até normais, ainda que talvez um pouco desconfortáveis. Escoaram-se minutos naquele ombrear literal, no constante roçagar rizomático, em até encontrões pacíficos, na miríade de bafos d'associados e alguns solos de pragas perdigotantes. Mas a fé sportinguista impõe alento e crença, e em momento algum invoquei a sanitária protecção da dra. Freitas ou da "super-Marta", nem mesmo a do dr. Sousa Martins, pois limitei-me a rogar que me fosse concedida a via aberta até ao hino da "Champions". E, para nosso júbilo, assim aconteceu - fiquei apenas, já no meu belo lugar Central, num breve resmungo disto de que sendo o futebol um espectáculo tão caro talvez fosse de tratar melhor a gentrificada assistência...

Já arrumados nos lugares devidos fui perguntado pelo meu prognóstico e saio-me com aquilo que venho repetindo, a ver se pega: "três secos, tricórnio do Paulinho". Logo o vizinho da frente se volta, sorrindo, "não, três do Pote!", ao que lhe deixo "que seja assim, até se forem autogolos, pouco importa". Mas ele esclarece, orgulhoso, e abarcando os dois amigos - um talvez dele filho - que o acompanham: "ele é da nossa terra!", e estão eles aqui também para o apoiar, com particular desvelo. E logo ficamos comungados com o trio transmontano - porventura de Vidago onde o jogador cresceu - no redemoinho de comentários verbais e faciais que se seguirá ao longo do jogo... O estádio está quase cheio, espectadores apoiantes, entusiastas mas não eufóricos, a apreensão diante do colosso teutónico é adivinhável. Ainda assim noto, com surpresa, que atrás da mítica baliza "Vítor Damas" está um grande espaço vazio de espectadores, talvez devido a razões de segurança. Mas não, explicam-me que é a zona reservada aos portadores do deficiente "Cartão de Adepto", uma imposição legal postulada pelo governo, que colheu total inutilidade. Ou seja, se estão ali 41 mil espectadores, como viremos a ser informados, a empresa desportiva SCP foi prejudicada nas receitas provenientes da venda de alguns milhares de bilhetes. E isto é já hábito antigo, ao que me garantem. Enfim, uma peculiar noção de exercício governativo, estava eu pronto a resmungar, atascando-me em politiquices, quando me perguntam "sabes de onde é o árbitro?" - espanhol, anunciou um vizinho -, a sacramental pergunta que antecede o apito inicial do jogo, como é consabido. "Pelo menos não é russo nem turco", suspiro, lembrando as roubalheiras indecentes que na Liga dos Campeões sofremos às mãos desse tipo de agentes durante consulados anteriores.

O jogo começou em breve fogacho dos nossos. Mas logo se impôs um ritmo que se anunciou como o que iria vigorar durante a hora e meia. "Isto vai ser sofrer muito", foi-me sentenciado enquanto eu, trémulo, desperdiçava molhos de tabaco ao tentar enrolar um cigarrito. O Sporting entrou tenso, os jogadores algo apreensivos, ultrapassados pela rapidez dos de Dortmund, e a equipa manietada pela melíflua envolvência do adversário, num rendilhado de meio-campo, com tenazes em forma de interiores perfurantes, com aparência de viperino. A meu lado decide-se que a culpa de tudo aquilo é do Matheus Nunes, rapaz algo jeitoso mas incapaz de imprimir ritmo ao jogo e de exercer múltiplas tarefas em campo, uma penosa inutilidade que castra o futebol do nosso "team". Na fila de trás o parecer é diferente, o culpado - com sentença já transitada em julgado - é Saravia, o qual não corre, não defende, não pressiona, um verdadeiro mono por assim dizer. Opinião que me é contestada, quase em surdina, por um adepto incondicional do mesmo Saravia, o qual, afiança-me, "faz tudo bem". Neste ambiente de contornos cáusticos tento argumentar que aquela lentidão dos nossos talvez se deva a instruções de Amorim, um comando de que entrassem eles com cautelas miles, não fosse o caldo entornar-se ainda morno, como já acontecera. Enfim, lá consigo enrolar o cigarrito, marca Amber Leaf, e fumá-lo. Entretanto olho para o relógio e algo sossego, dez minutos já passaram, nem Saravia nem Nunes, ou outro qualquer, afundaram a equipa, e posso sentenciar: "pelo menos estamos melhor do que contra o Ajax" - lembrando que os agora neerlandeses nos meteram 2 golos logo até aos 9 minutos.

O que veio a seguir é por todos consabido. A minutos tantos o capitão Coates - infatigável e sábio durante todo o jogo, numa actuação espantosa - faz um passe longo para a frente avançada, fazendo-me reviver Polga nos tempo de Paulo Bento, em manobra que eu tanto abominava, e Pedro Gonçalves, o tal "Pote" de ouro, aproveita uma fífia alheia e abre o activo. Nem foi com a celebrada codícia, aquilo é mesmo... placidez. Pois o homem chuta à baliza com muito mais calma do que eu teclo para blog. Não haja dúvidas, é um predestinado... psicológico. E logo de seguida, quase à minha frente, dispara um "toma lá pinhões" mas mesmo esse à sua maneira, quase só em jeito. Caíramos antes, e caímos de novo nos braços dos transmontanos, eu lembrando-de de também o ser, na minha via materna, gente rija de Mogadouro e Gimonde.  E, de repente, estamos nos oitavos-de-final, arrumámos os alemães. Agora é só preciso aguentar! É certo que os malvados reagem a cada golo que sofrem, e sempre têm uma hipótese após lhe termos afagado as redes. Uma só de cada vez, sublinho-o, e após o nosso segundo golo valeu-nos a experiência do veterano Inácio, a saber dobrar o guarda-redes e a impedir o golo alheio.

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Chegado o intervalo fui invadido pela angústia. Pois se é sabido que o futebol é um jogo com bola, de onze contra onze e no qual a Alemanha ganha, a derrota seria ainda mais custosa depois de tanta ilusão e alegria, é a minha dor. A minha filha, sabendo-me no estádio, faz-me uma videochamada, lá da Inglaterra onde vive: "Querida, não te consigo ouvir", despacho-a, apesar de pai tão saudoso, incapaz de conter a ansiedade. Nesse intervalo doloroso o meu  aspecto, envelhecido, timorato, era este que aqui comprovo.

De seguida, os Dortmundos entraram ao ataque, empurrando-nos para as trincheiras. E, para piorar o estado aterrorizado em que me sentava, o Sporting tem alguns contra-ataques perigosos, coisa que na primeira parte não conseguira, criando hipóteses para mais um golo, em especial na sequência de um belo safanão do inquieto "Pote" desperdiçado por Saravia - esse "que faz tudo bem", insistia  o meu vizinho, vero anfitrião, em desespero com aquele falhanço. Ora, como é sabido, "quem não marca sofre" e nisso estava eu já em desesperança.

O jogo lá continuou, vigorando uma defesa sportinguista de grande valia, exímia em atirar os dortmundos, cada vez mais minúsculos, para o charco do fora-de-jogo. De súbito há uma trapalhada qualquer mesmo à minha frente, nem percebi o quê pois distraído a olhar o rumo da bola, seguido de um inusitado, e saudoso, sururu à latino-americanos. E nisso uma ronda de amarelos e a expulsão de um dos deles, saudada como se golo nosso fosse. Pois, mas "jogar contra dez é muito difícil!", lamento, prenunciando o agigantar adversário. Com sarcasmo, resistente, o sábio vizinho remata "e jogar com dez também", mostrando uma crença menos quebradiça do que a minha. Entretanto, e se Matheus Nunes havia já sido remetido para uma pena suspensa, com o alfobre das invectivas que lhe serão dedicadas reservado para o próximo "jogo a jogo", o juiz atrás de mim ia causticando, ainda que menos veemente, o Saravia, o tal que não se mexe. Ficou um pouco desasado com as substituições, pois agora quem iria ele criticar? Substituo-o, resmungando constantemente com esse Paulinho - o qual tanto defendo em blog - que não corre, não joga, não se desmarca, não recebe a bola, não a passa, e segue em constante footing, etc. E que, pior do que tudo, se atira para o chão, a pedir faltas sem perceber que o árbitro não vai naqueles trinados. O Amorim, que é nosso óbvio vice-almirante, que meta o TT, deixe jogar o puto. Tanto insisto nesta via analítica que o Paulinho lá saca um penalti. E surge um tricórnio possível, ainda que afinal do Pote? Certo, acaba por não ser assim, mas que Porro, que Porro.

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Desde então, dos 3-0, só me lembro de resmungar, alto e sonoro, "não há olés!!", quando os patetas começaram nesse sempre contraproducente ritmo, que tanto leva ao asneirar dos jogadores. E, depois, de passar os infinitos 7 minutos de descontos - ainda por cima durante os quais sofremos um golo de futebol de solteiros vs casados - num ladainha mais ou menos murmurada de "caralho, foda-se, acaba o jogo, foda-se, caralho, acaba o jogo, coño!". E acabou. "Eu nem acredito", diz um veterano ali vizinho, "andei décadas a ver merda aqui e agora vive-se isto", e comovo-me com isso, porque é verdade e lembro-me desse ror de dislates clubísticos, ainda que então vivendo longe, tão apartado do estádio.

E nisso seguimos às roulottes - há quantos anos não ia eu às roulottes! Fervilhantes, literal e metaforicamente, que foi dia histórico, arrombar alemães é coisa inédita, passar nas "champions" é coisa rara e já só quase memória. E queremos esta festa. Segue-se uma bifana e uma entremeada, alimentos rituais. E duas imperiais. "Queres mais uma?", pergunta. E eu "não, ganhámos por dois, bebemos duas!". Nisso, nessa recusa frugal, e quem me conhece logo o perceberá, proclamando que estou completamente exausto! Que grande festa!!! Até me comovi, cara...mba!

 

O Nosso Vice-Almirante

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Rúben Amorim tem vindo a fazer um trabalho superlativo. E a sua pertinência técnica é acompanhada - de modo que entendo até glorioso - pela total perspicácia das suas declarações. Algo tão notório após a grande vitória de ontem - ainda mais preciosa pois seguindo-se a anos tão convulsos no clube -, com a sua extraordinária, de rara e exemplar, conferência de imprensa final (já aqui colocada).

Se Gouveia e Melo - com o seu rigor, competência, ponderação e elevação - marcou este acabrunhado país durante 2021, este rumo magnífico de inteligente do nosso treinador torna-o o "nosso" Vice-Almirante. 

Devemos fruir e apoiar o seu trabalho, claro. Mas também por ele ser algo influenciados, coligir e fazer actuar as "lições aprendidas" que o nosso Vice-Almirante nos vem dando. Pelo menos nesta vertente de desdramatizar e de não "embandeirar em arco", pólos opostos tão comuns na mentalidade colectiva - e, em particular, no Universo Sporting.

Por isso também será desta forma desdramatizada que deveremos acolher esta notícia do jornal "A Bola". Não com enraivecidas invectivas ao periódico do nosso rival. Mas com um enorme sorriso, até carinhoso, animado pela iluminada postura de Rúben Amorim. Pois às 00.17 desta quinta-feira, 25.11.21, o jornal desportivo "A Bola" noticiava os apurados para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões (notícia inalterada pelo menos até às 9.13):

"Ou seja, em termos de acesso à próxima fase está tudo decidido no Grupo A (Man. City e PSG), no C (Ajax e Dortmund), no D (Real Madrid e Inter de Milão) e no H (Chelsea e Juventus). Já no B (Liverpool), E (Bayern) e F (Man. United) há apenas um apurado. Nota final para o grupo G, que parte para a última jornada sem qualquer definição no apuramento: Lille, Salzburgo, Sevilha e Wolfsburgo, qualquer um deles pode passar." Lampionice furibunda, como é óbvio. Enfim... Toca a rir. E a desejar-lhes saúde. E vacina para tamanho azedume.

Viva o nosso Vice-Almirante Amorim. E siga a Marinha...

 

O Catar-22 e o Covid-19

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1. No último Europeu escrevi três postais sobre os jogos da selecção: Portugal-Hungria, Portugal-Alemanha, Portugal-França. Em todos coloquei, repetindo-me: "Como é óbvio contestei com vigor e sageza veterana o pendor conservador do nosso engenheiro seleccionador, antevendo uma deslustrada campanha sob tal "motorista". E elogiei a extrema capacidade do nosso engenheiro seleccionador - sempre avesso à fugaz embriaguês do espectáculo - montando uma equipa tacticamente irrepreensível, delineada para enfrentar os gigantes que se sucederão, e clarividente nas letais e oportunas alterações que decidiu, mostrando que iremos longe sob tal "motorista".".

Tal enfática repetição impôs-se, por um lado, para enfrentar o ferino diagnóstico do nosso lendário Otto Glória: "(Em Portugal) quando se perde o treinador é chamado de "Besta". Quando vence, de "Bestial".". Mas, por outro lado, e muito mais importante, porque gosto de Fernando Santos. Estou-lhe grato - como estará a esmagadora maioria dos portugueses, mesmo os que não são adeptos de futebol e até aqueles que estão fartos da orgia futebolística na imprensa e na sociedade - pelo enorme e esfuziante alegria de 2016, um momento lindo no país. E também pelo torneio que posteriormente ganhou, ainda que esse secundário mas que também nos alegrou. Alguns dirão que os triunfos se deveram à sorte do jogo, mas isso quer apoucar a boa condução da equipa nacional e fazer esquecer a competência do seleccionador - que foi eleito "treinador da década" na Grécia, coisa que não é de somenos - e tem uma longa e rica carreira. Mas gosto de Santos não só por gratidão, aprecio-lhe o perfil público, educado, simpático ainda que sempre tenso sob pressão, tão contrastante com o insuportável perfil abrasivo, e até gabarola, de alguns outros treinadores portugueses de sucesso, que todos conhecemos.

2. Dito tudo isto parece-me que a época de Santos na selecção está esgotada. Portugal tem um plantel seleccionável bastante bom, excelentes jogadores titulares em excelentes equipas de excelentes campeonatos, orientados por excelentes técnicos. E esse "ínclita geração" de jogadores preenche todos os sectores, ainda que talvez escasseie a verdadeira excelência em extremos puros e duros, "à antiga". E a selecção portuguesa joga mal, desde há muito, quantas vezes em repelões desordenados, numa quase demissão táctica, como se inacção racional face à esperança nos talentos que ali abundam. E muito do que vem ganhando se deve à fabulosa codícia de Cristiano Ronaldo.

Afirmar a fraca qualidade do futebol da selecção não é maledicência, nesta hora de derrota. Há tanto futebol na televisão, de clubes e de selecções, que a comparação torna evidente essa mediocridade. Vemos selecções jogar ordenamente, mesmo que tenham tão pouco tempo de treino como a portuguesa. Este deficiente futebol da selecção vem causando um enorme desperdício, um quase "deitar fora" desta(s) geração(ões) de futebolistas. Tal mostrou-se na medíocre campanha no Mundial-18, concluída nuns meros oitavos-de-final - numa equipa abúlica, pressionada, e tanto que incapaz de ganhar até ao modesto Irão e assim desperdiçar o acesso a uma sequência de sorteio mais fácil que a poderia ter conduzido tão longe, até porque galvanizando-a. Tal e qual se mostrou no Euro-20(1), também culminado nuns medíocres oitavos-de-final, num percurso desde logo prejudicado dado ter a equipa calhado num "grupo da morte" inicial (com Alemanha e França), exactamente devido à sequência de maus resultados que a fez tombar no "ranking" que ordena os sorteios.

Nesses dois grandes torneios torneios a abundância de bons jogadores, as extraordinárias exibições dos veteranos Cristiano Ronaldo e Pepe, o arreganho colectivo e alguma boa sorte, evitaram o péssimo. Mas conduziram - sempre - a resultados medíocres, ao tal desperdício de tombarmos apenas entre os melhores 16, manifestamente pouco para a qualidade do potencial do ror de seleccionáveis. Qualquer adepto, qualquer "treinador de sofá"  percebe isto, a sequência de resultados menores do que o possível. E mais ainda, Fernando Santos é seleccionador há já 7 anos. E todos podemos perceber que a equipa não flui, não joga sequer "à Santos". Pura e simplesmente, joga pouco. Dá a sensação, nada malévola, que Fernando Santos já não contribui. Já não tem soluções, é assim ele o problema.

3. Todos os ciclos se encerram. Quero crer que depois do triunfo do Euro-16 e da Liga das Nações, Santos teria completado o seu percurso de seleccionador após o Euro-20. Seria o normal em termos de selecção, após dois Europeus e um Mundial. Um outro seleccionador teria sido indicado - talvez Rui Jorge, se num rumo federativo, talvez um outro consagrado que estivesse disponível. Acontece que o Covid-19 atrasou o Europeu-20 e encavalitou-o no apuramento para o Mundial-22. Tornou-se assim difícil, até impraticável, mudar de seleccionador - até pelo prestígio e simpatia de Santos. Estamos então diante de uma situação serôdia, um verdadeiro anacronismo. A equipa pouco joga, segue em deriva táctica e sofre desajustadas opções de jogadores, como mostrou o atrapalhado percurso do meio-campo titular no último Europeu e, talvez ainda mais, no desastre de ontem. E assim já perde o que não seria de perder.

Fernando Santos, usualmente contido em declarações, tanto sente este rumo negativo, a sua incapacidade real, já impotência, em potenciar o material que tem, que já algo desatina em expressões públicas: imediatamente após a derrota no Europeu prometeu o título mundial no Catar, prosápia algo desajustada ao seu perfil. E agora, neste término da classificação para o Mundial, vem não só somar más decisões tácticas como fazer proclamações que demonstram "stress", desajuste: ser "igual empatar ou ganhar 5-0" à Irlanda é realidade pontual mas um tiro no pé sob o ponto de vista moral. E o descalabro, táctico mas também psicológico, neste jogo com a Sérvia é demonstrativo de um seleccionador exausto. Que acumula desperdícios.

4. Há três meses para preparar uma equipa para o apuramento ao Mundial. É tempo suficiente, ainda por cima com tão rico plantel. É também tempo para decisões corajosas. E respeitosas. Escolha-se um novo seleccionador - que dado o momento complicado não poderá vir dos quadros da federação, terá de ter não só competência mas também peso simbólico. E que esteja adequado, actualizado, com as tácticas dominantes no actual topo do futebol mundial, que de nada serviria apelar  a um consagrado em nome de um passado bem-sucedido, aportado para encerrar a carreira em lugar honorífico. Trata-se de chamar um Jardim (se sair das Arábias), um Fonseca, um Vilas-Boas, para exemplos, gente que esteja no topo da carreira. E então poderemos dizer, com respeito, com carinho, com desportivismo, com gratidão: "Fernando, Obrigado pelas memórias, mas é tempo para dizermos Adeus"!

5. Nesta noite em que a Sérvia veio ganhar a Lisboa, apurando-se para o Catar-22 e remetendo-nos para um insondável "play-off", e em que todos resmungamos com o seleccionador Santos e com (alguns) jogadores, será avisado lembrar um facto que causou esta situação. Portugal foi jogar à Sérvia para o apuramento do Mundial. A Federação Portuguesa de Futebol não requereu o funcionamento do VAR nesse jogo, como lhe competia. O jogo terminou empatado devido à invalidação de um golo limpo de Cristiano Ronaldo que lhe teria dado a vitória, e que a tecnologia teria validado. E muito provavelmente o apuramento directo. 

Ou seja, é totalmente incoerente pedir a demissão de Santos e não exigir a essa instituição de utilidade pública que assuma a sua inenarrável incúria. E que anuncie a demissão dos quadros directivos responsáveis por tamanha incompetência.

 

Calibrar o olhar

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Uma boa vitória, a mais dilatada de sempre do clube na Liga dos Campeões. (Mais) alento moral, e a mostrar (a confirmar) que a equipa não se esboroou mentalmente após a entrada aziaga nesta competição. E ganhos muito objectivos: apuramento garantido para a próxima etapa europeia - que seria o indito objectivo predeterminado no clube (que não na equipa), dado o historial de dois dos integrantes do grupo; mais pontos no ranking de clubes da UEFA, preciosos para o futuro; uns milhões de euros encaixados devido às vitórias, os quais grosso modo equivalem a duas contratações futuras de defesas no assisado regime actual do Sporting; valorização dos jogadores no mercado internacional - em particular nos endinheirados mercados médios do futebol europeu, pois o campeão turco foi abalroado em dois jogos. E ganhos subjectivos: a maturação da equipa como um todo, que parece outra em relação à do naufrágio com o Ajax, e de vários jogadores até agora inexperientes nestas andanças; o presumivel transportar deste saudável ambiente interno para os jogos do campeonato, algo catapultado pelo enorme tino verbal do treinador.

Nisto tudo fica esta sensação: já só "basta" vencer ao Dortmund para seguirmos em frente na Liga dos Campeões. É possível, claro, mas será difícil, e se acontecer será mesmo um escândalo em termos europeus. Mas o importante é lembrar: quem há um ano pensaria ser possível um momento destes? Ou mesmo, quem há um mês isto apregoaria em voz alta, tantos os "apóstolos da desgraça" a bradarem um afinal fogo-fátuo do clube?

 

 

Das habilidades críticas

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A bela vitória de ontem na Turquia é muito importante, em termos desportivos e morais - para além dos financeiros e dos sempre necessários pontos para o "ranking" europeu, os quais necessários serão para futuros sorteios -, potenciando o ambiente de maturação da equipa e de vários dos seus jogadores, e sendo decerto factor de sua galvanização. Tudo isto é crucial, mas o impulso moral - e até acalmia após o rombo Ajax - é precioso. Pois mostra algo: a época está a correr bem. E isso é fundamental num clube que não ganha um bicampeonato há 70 anos, longuíssimo período durante o qual os raros títulos nacionais têm sido sucedidos por épocas deslustrantes. Ou seja, onde a continuidade no sucesso (relativo, que seja) é um bem raríssimo, esquecido.

Nada do que se tem passado nesta época é gravoso: a equipa joga melhor do que o ano passado - quando foi campeã com justiça, mas também é justo dizer que tudo o que podia ter corrido bem correu... bem. Até agora (e longe vá o agoiro) nada piorou em termos de resultados: no campeonato tudo igual ao que se passou na época transacta, e a um ponto do líder. Na Europa um mau jogo inicial - tal como o ano transacto -, com alguma nervoseira e algum azar (que faz parte do jogo), contra um poderoso adversário, recente semi-finalista da Liga dos Campeões. E com esta vitória o percurso europeu associa-se, quantitivamente falando, às duas últimas participações nesta Liga (16/17, 17/18) - as quais foram muito boas, pois jogou-se contra colossos (Juventus, Barcelona [o verdadeiro], Real Madrid, Dortmund) e jogou-se muitíssimo bem, memória que aliás poderia servir para reduzir o actual e anacrónico afã crítico sobre o antigo treinador Jesus, que então comandou grandes campanhas futebolísticas tendo sossobrado pois diante de clubes extraordinariamente poderosos. E é isso a Liga dos Campeões. Insisto, ainda que seja algo lateral ao tema do postal: continuar a criticar Jesus é fazer por esquecer o excelente futebol com que o Sporting então se apresentou no grande palco europeu. É apoucar o recente historial do clube.

 

 

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