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És a nossa Fé!

Viva o VAR, mas ...

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Jogo engraçado, ontem o Manchester City-Tottenham (vi-o pois aqui passou em canal aberto). Mal jogado, surpreendentemente mal jogado entre equipas destas e com tais jogadores. Erros de marcação, imensos passes errados, perdas de bola absurdas, um rol já nada usual em jogos de elite. Resultado? Espectacular. Não um jogo bom, mas um jogo espectacular. Divertidíssimo.

Torci pelo Tottenham, apesar de Bernardo Silva (já agora, porque não é ele tão relevante na selecção como o é no clube?). Torci pelo Tottenham muito pela minha tendência para torcer pelo desfavorito (o "underdog", ainda que "abaixo de cão" não seja bem aplicável ao duplo vice-campeão inglês nas 3 últimas épocas). Mas, e acima de tudo, pela minha falta de simpatia por estas grandes equipas europeias construídas com oleodutos de dinheiro, proveniente das economias paralelas e das apropriações das riquezas estatais ("oligarcas" russos, nobreza árabe, "tycoons" yankees, testas-de-ferro extremo-asiáticos, etc.), uma gigantesca lavandaria financeira que procura, mais do que tudo, comprar "portos seguros" para essa camada hiper-bilionária e, também, influência política - a nobreza qatariana despejando dinheiro para alegrar os parisienses mostra, acima de tudo, o quão incómoda é a vizinhança saudita, mas a gente fala é do Neymar e do Mbappé ... Processo este que conduzirá, mais cedo do que mais tarde, ao tal festival da Eurovisão do futebol, a liga europeia que será letal para os clubes dos países excluídos, a morte do futebol como o conhecemos. Enfim, deambulo, divago, apenas para sublinhar as razões pelas quais torci pelo Tottenham (um clube que não contratou jogadores para esta época, julgo que não estou em erro, mostrando o quão diferente vai o clube, que acabou de inaugurar um novo estádio).

Tudo isto é mero preâmbulo. Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clube e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. 

Assim, as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçar, duas tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada: por um lado a velha questão da intenção de jogar com os braços. Agora, mal a bola bate lhes toca logo se clama ilegalidade. Ontem o golo de Llorente é paradigmático: é difícil comprovar se a bola bateu no braço do jogador mas assim parece. E depois? Salta com o braço encostado ao corpo, não tem intenção de o fazer actuar, até prejudica a sua acção saltadora com isso, e, quanto muito, a bola talvez lhe tenha também resvalado. Ainda bem que o árbitro validou um golo que não tem qualquer ilegalidade, mas muito clamam o contrário. Há que defender esta valorização da intenção, que cada vez mais é posta para trás. Em suma, os braços pertencem ao corpo, se não são agitados com o intuito de impulsionar (ou de cobrir espaço) não há infracção. Era assim dantes, deve continuar a ser e isso está a ser posto em causa com o frenesim do fotograma.

Mas o segundo ponto ainda mais relevante é o fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá. 

Onde está o Benfica?

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Há 23 anos uma família perdeu, de modo absurdamente trágico, um dos seus mais queridos. Era adepto do Sporting, num campo de futebol, e morreu devido a um acto bárbaro mas também estúpido de adeptos do Benfica. Ao longo dos anos - e mesmo neste último Sporting-Benfica - o acto, o disparo da munição assassina, é constantemente glosado pelas claques benfiquistas. Com toda a certeza fazendo avivar a dor da família. Um festejar da morte que também passa por estas regulares pinturas, como agora, mais uma vez aconteceu em Sintra.

Isto não é o Benfica, não representa a massa enorme de sócios e adeptos, ou as pequenas franjas dos seus dirigentes. Mas é um sentir de parcelas dos seus adeptos, das suas claques. Gente cruel, de modo hediondo recusando dar paz a uma família, recusando-lhe o término do seu luto. 23 anos depois. 

O que se me escapa, porventura não terei atentado mas julgo que não estarei assim tão distraído, são os actos de pedagogia das direcções do Benfica, de veemente condenação a todas estas práticas, irónicas, festivas, provocatórias, das claques ou adeptos avulsos. Em particular as direcções de Luís Filipe Vieira, pois eleito presidente do Benfica em 3 de Novembro de 2003, há já quinze anos, tempo suficiente para marcar a mentalidade clubística, mesma das suas margens mais agressivas. Que vigorosos actos, enfáticas declarações, teve o Benfica para condenar os seus adeptos que prosseguem sob esta mentalidade holiganesca (como o Sporting também tem, e outros clubes), que se dedicam a estas vergonhosas atitudes? Alguém tem registo disso? É que quem cala - e, neste horrível caso, mesmo quem apenas sussurra - consente. 

E isto não tem nada a ver com Benfica ou Sporting ou outros. Nem com taças, trafulhices de árbitros, e-toupeiras, cashballs, apitos dourados. Tem apenas a ver com humanidade. Neste caso, com um enorme défice dela. Um défice institucional, parece-me. E esse défice, esse, já respinga sobre toda a massa adepta daquele clube. Uma vergonha.

 

Memórias a propósito do Braga-Porto

Não tenho acompanhado os jogos portugueses, literalmente perdi a paciência. Não é a primeira vez que isto me acontece. A primeira vez, assim tão radical, foi no início dos anos 1990s. Tinha por costume ir ver os jogos em casa, antes na superior, depois na "bancada nova". Num Sporting-Porto, que terminou 0-0 (1990?, 1991?, por aí ...), saí tão irritado com o árbitro - um mariola muito sabido, que controlou o jogo com "faltas" e "desfaltas" a meio-campo, assim sem ter que recorrer aos "roubos de catedral" - que jurei não voltar aos estádios. Com efeito, para quê gastar dinheiro e, fundamentalmente, tempo, em algo que se sabe estar viciado? Só regressei a Alvalade para ver o Real Madrid (1994/1995), numa eliminatória que o Sporting ingloriamente perdeu por défice de guarda-redes.* Já emigrado, durante umas férias no país em 2002, ali voltaria ainda para me despedir do estádio antes da sua patética demolição - a estupidez de construir um estádio novo em vez de um municipal é uma coisa tão vergonhosa que os adeptos continuam a falar de outras coisas -, numa derrota caseira contra o Porto, mas tendo tido o prazer de ver o recém-titular Quaresma, então em puro estado mustang, e também um jovenzito ex-júnior (como se dizia antes desta patetice de chamar "academia" às escolas de jogadores), um tal de Cristiano.

Depois, neste novo Alvalade - um estádio feio, piroso mesmo, mal-construído, como se percebeu pela rábula do relvado, e desconfortável, de tão empinado que é - estreei-me, também quando em férias, para ver o Inter ainda com Figo. Percebi que estava velho para este desporto de bancada. Ainda via bem, só usei óculos para ler passados uns anos, e levei cerca de 10 minutos para reconhecer o Figo, lá em baixo no relvado. Pagara 13 ou 14 contos pelo bilhete (65-70 euros, qualquer coisa assim) e estava tão acima que nem percebia em quem eram os jogadores! Após regressar a Portugal fui para aí 10 vezes ao estádio: levei a minha filha a estrear-se, a seu pedido; levei os meus sobrinhos-netos; um afilhado de casamento moçambicano (benfiquista); velhos amigos que nunca lá tinham ido, pretexto para patuscadas; a convite de um amigo com quem venho ombreando desde os tempos da primária (e da superior do velho estádio); a convite de afilhado. Sempre coisas assim, sempre com algum motivo para além do jogo ou do clube.

Enfim, dito isto não serei um adepto exemplar, principalmente para gente que se orgulha de "não perder um jogo", como se disso retirassem um qualquer mérito. Estar no estádio é bonito, dá azo a sensações extra-ordinárias, fora do quotidiano? Sim, tal como os jovens adoram discotecas, são modalidades ruidosas e colectivas de atingir formas de êxtase, episódico. Para esses "meritocratas" um tipo opor que essa coisa do "êxtase", um lampejo de suprema alegria que os pobres de espírito confundem com felicidade, pode ser encontrado num registo privado (ou mesmo solitário) - num trecho de um livro, numa música, num vinho especial, numa desgarrada de gargalhadas, num estremecer feminino (ou masculino, para não me acusarem de homofóbico), num cena bíblica exposta numa penumbra eclesiástica, num belo debate - é sempre apupado como dado à "intelectualice", quando não à mera "cagança" - e isto mesmo se o exemplo for o tal erótico, pois nesse eixo de entendimento, o da idolatria do adeptismo, o importante é o "golo", um gajo vem-se, limpa-se às cortinas, e abala. Enfim, há gente que para prescindir do hamburguer só se for para se dedicar ao bitoque. Ou à bifana. Por mim gosto de bifanas e de bitoques, da festa do "golo!!!!". Mas, e repito-me, esta coisa do jogo estar mafiado cansou-me. Enjoei hamburgueres. Sim, tem piada (tem "mérito", para os meritocratas do "não falho um jogo", "amo o clube" - meu Deus clamo, ateu que sou, sempre que ouço estes "amores" a um mero clube da bola) que os "nossos" rapazes ganhem, jogando limpo, com um bocado da malandragem (o "pisão" do bom do Jorge Andrade) necessária à vida. Agora assim, no meio do mais puro aldrabismo? Passei. 

Tudo isto me veio à memória ao ver imagens do resumo do jogo Braga-Porto para o campeonato. Lembrou-me um Braga-Porto de início de 1990, não posso precisar o ano. Mesmo no final do jogo, com o resultado a 0-0, o árbitro (que julgo ter sido um tipo chamado Fernando Correia) marcou um penálti escandaloso contra o Braga, inventando uma mão na bola mesmo à sua frente. Uma óbvia encomenda. Acho que o Porto, para cúmulo do ridículo, falhou o penálti (Kostadinov?), mas isso pouco importa. Passaram quase trinta anos. Ao fim de anos a fio a pedir-se a introdução das "novas tecnologias", como se estas viessem dar "novas oportunidades" a um negócio desacreditado, em plena era do VAR o Porto vai a Braga e a equipa de arbitragem rouba descaradamente o clube da casa. Tal e qual os maus velhos tempos.

E lembrado disso fui googlar imagens ou informações desse velho jogo. Não encontrei mas os algoritmos conduziram-me a uma bela entrevista de Manuel José, publicada em Agosto de 2018. Muito  interessante, é uma "história de vida", cheia de episódios sumarentos, tanto sobre o mundo do futebol desde a sua juventude até ao seu apogeu como técnico em Portugal, com referências a inúmeros agentes conhecidos. E também sobre as suas presenças no estrangeiro. Mais interessante ainda pois  Manuel José aborda os contextos laborais e sociais das épocas passadas, constituindo um lampejo da história social do país através do futebol. Tudo isso narra, com interesse, humor, sageza, e uma apreciável franqueza, até com episódios algo pícaros. A primeira parte dessa belíssima entrevista está aqui, e a segunda aqui.

Ora é nessa segunda parte que ele diz, sem complexos, que "naquela época" [a década de 1990] "compravam-se equipas de arbitragens como se fossem tremoços". E que ele próprio aconselhou determinado presidente do clube no qual estava a comprar árbitros para ser campeão. O futebol era assim, como havia sido em décadas passadas.

E assim continua a ser. Mostra-o o jogo de Braga. Aliás, mostra-o os jogos de Braga. O da roubalheira do jogo da Liga, a cargo de um tal de Xistra, ao que julgo lembrar (vai sem google). E o da meia-final da Taça, importante jogo apitado por aquele Mota, assim recompensado da inacreditável expulsão de Ristovski no jogo anterior.

Honestamente, o que me custa a entender é o masoquismo generalizado (e também o meu), décadas passadas de "paixão" (e alguns, coitados, até de "amor") por um jogo que é esta javardice. Não está uma javardice. É esta javardice.

 

*Para confirmar a data pesquisei o jogo. Encontrei a ficha do jogo. O Sporting alinhou com Lemajic, Nelson, Marco Aurélio, Valckx, Paulo Torres, Oceano, Figo, Peixe, Sá Pinto, Juskowiak, Balakov. Ontem o Pedro Correia fez um postal interrogando os leitores sobre que jogadores deveriam sair. Um tipo vê a qualidade individual de uma equipa de há 25 anos e constata que tirando o guarda-redes, que destoava, todos entravam sem qualquer hesitação na equipa actual. E nisso se percebe o quanto decaíu o clube neste quarto de século.

O Cabotino

 

Da entrevista do sobrinho do dr. Mário Soares já algo foi dito neste blog, e ela é o suficientemente explícita. Defendendo eu o que o título dessa entrevista anuncia e entendendo eu o que Barroso afirma (atendendo ao que se passou sob a sua presidência, mesmo para continuar Godinho Lopes tem que se legitimar através de eleições) gostaria de realçar o ponto central dessa entrevista. Logo no início quando o ilustre cirurgião refere que o seu filho o aconselhara a não conceder a entrevista.

 

Para mim a questão é outra: o que passa na cabeça de alguém para convidar este cabotino absurdo para presidente da mesa da assembleia-geral do clube? Muito me diz sobre a sua fragilidade. Pois este homem não serve. E alguém que o convoca também não tem o tino suficiente para servir.

Sporting-Paços de Ferreira

 

 

Vou a Portugal passar o Natal. Preparando as férias pesquisei que jogo do Sporting poderei ver (não há jogos no Natal nem no Ano Novo, aquilo não é como em Inglaterra, está visto). Na 13ª jornada (6.1.2013) haverá o Sporting-Paços de Ferreira. Lá estarei em Alvalade, excepto se algo de inesperado acontecer. A matar saudades.

 

Nisto consulto a classificação actual (11ª jornada) e os próximos jogos. Torço o nariz. Se as coisas em vários jogos correrem normalmente, como têm corrido nesta época, arrisco-me a ir a Alvalade à 13ª jornada com o Sporting abaixo da linha de descida. Ano Novo, Vida Nova? Esta vida de sportinguista anda difícil.

A falta de auto-estima portuguesa

 

 

Uma das coisas que me angustia na sociedade portuguesa é a falta de auto-estima, a incapacidade de valorizar o que de bem se faz no país, e apoiar os bons agentes sociais, os competentes que tanto desenvolvem o país.

 

Ora neste mundo global, super-competitivo, e de enorme expansão das "indústrias" de entretenimento, em tempos ditas de "conteúdos", é notório que o futebol é o desporto mais importante e nisso o espectáculo desportivo mais seguido, e apaixonadamente, por milhares de milhões de espectadores. Nesse âmbito é surpreendente que um país com a dimensão demográfica como o nosso tenha tamanha importância, tamanho sucesso. Não apenas na pleiâde de jogadores aparecidos nos últimos anos - e não falo apenas dos absolutamente fora-de-série, com Futre, Rui Costa, Figo ou Ronaldo, mas também de dezenas de excelentes jogadores, com excelentes carreiras internacionais, tornando o país num grande "exportador" desta mão-de-obra artística. Falo também do sucesso da nossa selecção sénior, nas últimas décadas sempre no topo do rigíssimo ranking da FIFA e com excelentes desempenhos nas grandes competições internacionais. Acompanhado do bom comportamento das selecções dos escalões mais jovens. Tudo isso, como é óbvio, sublinhado pelas excelentes prestações dos clubes portugueses nas competições europeias, que colocam Portugal também no topo desse ranking, bem à frente de países com demografias bem mais extensas, desenvolvimentos socioeconómicos e da indústria comunicacional, e suas receitas, bem superiores, e nos quais também habita um grande interesse nacional pelo fenómeno futebolístico.

 

Tudo isto convém lembrar. Tudo isto convém convocar ao referir o campeonato nacional (ou a liga, como se diz agora). Porque sendo o campeonato-sede de um futebol de tamanho gabarito, ele tem um excelente nível. Talvez não tão visível devido ao centramento das atenções, dos orgãos de informação e também dos adeptos, nos históricos três grandes clubes. Mas é óbvio que este campeonato, palco de grandes jogadores nacionais (tantos deles exportáveis) e estrangeiros (um verdadeiro trampolim para os campeonatos mais ricos), é de excelso nível.

 

Com tudo dito parece-me óbvio que só a falta de auto-estima nacional é que implica que o campeonato nacional da I divisão tenha apenas 16 clubes. Pela sua qualidade merece, pelo menos, ter 18 clubes concorrentes - não é que o Sporting tenha algo a ganhar com isso, claro ...

e pluribus unum

 

 

Um clube desportivo não é um país. Neste coexistem interesses diversos, divergentes e contrastantes - apesar das cançonetas patrióticas que nos vão impingindo a dizer que somos um só. Por isso de quando em vez, de muitos em muitos séculos, há guerras civis. E sempre nos confrontamos, conflituamos, quantas vezes nos manipulamos, nos exploramos, nos preferimos, nos traímos. Não somos um. Não velejamos todos para o mesmo porto - nem quando os espanhóis entram portas dentro (para contratar o Pauleta), como bem sabemos. É assim. Cá. E em todos os países. Somos todos compatriotas. Mas temos (alguns) objectivos diversos, os quais às vezes nos apartam. Mesmo.

 

Num clube desportivo não há qualquer razão para isso. Os interesses são mesmo unos: e pluribus unum (isto faz-me lembrar qualquer coisa, não me lembro bem de onde).

 

O que quer um sportinguista? Aumentar o museu do clube. Mais nada. Podemos divergir no modo como pensamos fazê-lo (exigir mais taças de andebol júnior, ambicionar campeonatos de hóquei em campo feminino, trocar isso por uma taça ibérica de futebol sénior, requerer o sevens de râguebi mundial, há imensos itens para sonhar). Podemos até divergir no modo como pensamos divulgar esse amado museu (mostrá-lo ao presidente do Braga, não mostrá-lo ao presidente do Braga). Mas o objectivo é o mesmo.

 

A crise presente, que tem no futebol sénior apenas o seu lado mais tonitruante, é assustadora. E o que assusta menos ainda é o futebol sénior, diga-se. É o estado económico do clube, um futuro agónico no horizonte. É normal que isto nos torne iracundos. E que nos entre-acusemos das maleitas, de hoje e de ontem, e que, nisso, nos zanguemos. A situação é tão grave que a busca do "inimigo interno" explode. Pois as nossas almas doridas já não saram com as invectivas a Pinto da Costa e sua corte ou aos índios de Carnide. Pois estas já nem como placebos funcionam.

 

Não tenho simpatia - e já aqui o escrevi - por esta direcção, ou pelo que dela resta. Nem pelo bloco sociológico que ela representa, e que tem gerido o  Sporting nas últimas duas décadas. Ainda que convenha discernir que nem tudo foi mau nesse período, o descalabro económico-financeiro é notório. Também não acredito que o actual presidente, eleito por uma pequena margem, apoiado por uma minoria sociológica, e já desprovido dos "trunfos" eleitorais que lhe terão permitido vencer as eleições, possa ter sucesso. Está francamente fragilizado. Uma boa campanha do futebol sénior, de ora em diante, poderá permitir-lhe cumprir o resto do mandato, tipo cuidados paliativos. Mas não creio que possa continuar, para um novo mandato. Se isso acontecer será porque mergulhámos numa inesperada senda de sucessos futebolísticos. Será fantástico. Mas não é crível. Neste contexto penso que é preciso pensar em eleições, rapidamente. 

 

Mas estas não podem surgir como resultado de acusações, mas sim como corolário de uma reflexão sobre o entroncamento em que o clube se encontra. Não um beco sem saída, mas uma problemática encruzilhada. Eleições que também não poderão ser o trampolim de acusações, ou destas antecâmara. É um clube desportivo. Torcemos todos para o mesmo lado. Ou seja, há toda a razão para o debate mas nenhuma para o contraste. E é já tempo de sarar.

 

Este nosso projecto Godinho Lopes não está a funcionar, apesar do extremo sportinguismo do seu líder e da sua devoção ao clube. Precisamos de um novo projecto. Se calhar outro projecto Godinho Lopes, se calhar não. Que seja congregador. E não será a equipa de futebol sénior que congregará, num qualquer futuro, os sportinguistas. É a atitude destes, agora, que deve ser congregadora. Insisto na tal frase, que li algures, e pluribus unum.

 

Uma nova direcção (insisto, se calhar de Godinho Lopes, se calhar não) é urgente. Mas a sua eleição deverá correr em processo congregador. E não poderá assentar em promessas eleitorais (repito, isto não é um país ...). Ou seja, quem se propuser às eleições, quem "se chegar à frente", em louvável coragem, quem tiver meios e talentos para enfrentar a crise, e nos apoiar neste nosso transe, tem que partilhar os pressupostos e os supostos que tem para gerir o clube. Não agitando treinadores de futebol, conhecidos ou não, nem hipotéticos investidores bengalis ou texanos, ou cartões de visita de empresários de futebol. Tem que dizer ao que vem e como vem. Alguns dirão que "o segredo é a alma do negócio". Estão certos. Mas gerir um clube não é um negócio, desses. É um projecto, explicável.

 

Pois para homens providenciais, espertos das negociatas, artistas das entrelinhas da bola, já não há tempo nem espaço. Nem património. 

 

Nas crises brota, quase sempre, o pior. O populismo, a artimanha, a demagogia. Às vezes germina o melhor. Se formos juntos.

 

Isto, este ano, não está a correr nada bem,

 

 

a culpa disto tudo é do Oliveira e Costa, que meneia.  Do Fernando Mamede, que não ganhou a medalha. Do Radisic, já nem me lembro. Do Ribeiro Cristovão, mais do que todos. Do Pinto da Costa, que é ele. Do João Gobern, também, malandro. Do Vitor Serpa, que "bola". Do Alexandre Pais, que desrecorda. Da Adília Silvério, que não lança. Do dr. Laurentino Dias, que é de Fafe. Do João Moutinho, já agora, traidor. E da raposa, que dizia que as maçãs estavam verdes, acho eu. Do Jorge Theriaga, que açambarcou. Do Lourenço Pinto, nem vou dizer porquê. E do Carlos Pinhão, amais a Leonor Pinhão. Do Cubillas, montonero. Do dr. Mesquita Machado, prestigiado edil. Da praga do Bela Gutmann (ou estarei enganado?). Da Conceição Alves, que não salta. Do Buba, do Beira-Mar, esse tricórnio. Da Bulgária, que tem búlgaras. Do Durão Barroso, qu'europa. Do Eusébio, traidor. Do Futre, traidor. E da raposa, que dizia que as maçãs estavam verdes. Do Jorge Gabriel, que presenta. Do dr. Silva Resende, latinista. Do Costinha, malandro que maltratou o Izmailov. Do Izmailov, malandro que desrespeitou o Costinha. De Manuel Brito, eterna saudade. Do Meszaros, que deu passos. Do Katzirz, que nem passos dava. Do Ivkovic, que foram passos. Repito, do Vitor Serpa e de toda a redacção do jornal "A Bola", esse da travessa da Queimada.  Do Valentim Loureiro, que é de vista. Do Varela, traidor. E do Carlos Martins, idem. Da raposa, que dizia que as maçãs estavam verdes. Do Alberto, que partiu a perna ao Jordão. Do José Eduardo, que partiu a perna do Jordão. Do Rui Santos, que perora. Da Rosa Mota, que não correu pelo Sporting.  Do peão, velho povo. Do dr. Dias Ferreira, de painel. Do Vítor Baptista, que desatinou. Do Pedro Correia, que escreve num blog. Dos filhos do João Rocha, porque sim. Do Rony, que tem uma mão divina. Do Jorge Gonçalves, mais do que tudo, e até já me esquecia dele, do Jorge Gonçalves, claro. E do Eskilsson, pensando bem. Do bar 10-A. E da p... da raposa, que dizia que as maçãs estavam verdes. Do Shéu, mais o Bento e o Humberto Coelho, todos eles. Da Rita Vilas-Boas, que nem salta. Da Naíde Gomes, que salta. Do Rui Tovar, que já não fala. Do Celtic de Glasgow, que tem calções brancos. E daquele médico que bota noutro painel.  Do Isaltino de Morais, do estádio Nacional. Do Carlos Queirós, que tirou o Paulo Torres. Do Lasse Viren, que sprintou. Do Djaló, traidor. Do Quaresma, cigano.  Da raposa, que dizia que as maçãs estavam verdes. Do Francisco José Viegas, que porto. Do Nené, que não suja os calções. Do Sousa Cintra, de fatos brilhantes. Do Fernando Gomes, o quase-primeiro-ministro. E, porque não?, também do bibota. Do Cavungi, apesar do nome. Até do António Silva, já morto. Do Dr. Pinto de Sousa, mas com amizade e respeito o digo, a isso sou obrigado. Do Aniceto Simões, barbudo. Do Jimmy Hagan, e sem comentários. Do "bom gigante", que bem nos prejudicou. Dos notáveis dos camarotes, porque notáveis. Do Luisão, que fez falta. Do Rendeiro, que faz falta. Do Laranjeira, traidor. Do Peixe, traidor. Do José Mourinho, traidor, que preferiu a UDL. Da malandra da raposa, que disse que as maçãs estavam verdes. Do senhor Luís Filipe Vieira e do senhor António Salvador, prestigiados promotores imobiliários de Maputo. E, a talho de foice, também do Witsel e do Lima, nisso do dêem cá toma lá, que uma mão lava a outra e isso é que é uma operação mãos limpas. Do Araújo, do Carlos Manuel, do Frederico e do Jorge Martins, aquela malta toda da outra banda.  Do Fernando Cabrita, e os seus tarzões. Do Rui Albuquerque e do Nelson Serra, onde andam eles? Do José Maria Pedroto, e sem mais. Do João Pinto, antes de ser Vieira. Do Pedro Lamy, lento. Do Cadete, que é de Pemba, traidor. Do Hugo Viana, quase-traidor. Daquela raposa, a que disse que as maçãs estavam verdes. Do Filipovic, acho que marcava.  Do Paulinho Cascavel, que já não marca. Do dr. Jorge Sampaio, presidente. Do Polga, que era Duílio. Do Vale e Azevedo, que fugiu. Do Mário Luís, que não era chinês. Do Lucílio Baptista, que é chinês. Do Firmino Bernardino, que não se foi ao Tourmalet. Do sr. Robson, mister. Do Isaías, o da bola que não o da tasca. Do Armando Aldegalega, a correr para quê?

 

Falta de jeito ...

No dia em que, finalmente, o Sporting regressa às vitórias o presidente Godinho Lopes menoriza o clube, com a pirraça de levar o presidente do Braga a visitar o Museu, como se um morgado arruinado a mostrar as pratas ao torna-viagem que lhe cobiça a filhota roliça. Levou a resposta que se impunha.

 

Desculpem-me a franqueza. É um bimbo.

 

O que realmente importa neste domingo? Que a gente ganhou, e que renasce a esperança que possamos subir até, até, até ...

Os jornais desportivos, "as verdades a que temos direito"

 

Hoje mesmo, para aí três horas depois do "apito final" no Sporting-Genk, o sítio electrónico do "jornal" "A Bola" abria a sua secção "Sporting" com esta fotografia relativa aos festejos do nosso golo, adornada com o título "Sporting derrotado no minuto 90"! Um acto falhado? Ou, mais presumivelmente, uma pirraça, rasteira provocação a tantos dos clientes do "jornal" e dos seus anunciantes?  (Horas depois, agora na alvorada lusa, o título já está emendado)

 

 

Em registo diverso, mais doloso, o ex-jornal "Record" titula esta fotografia (a qual faz regressar à tal questão da encenação através do "momento fotográfico" que aqui recentemente levantou polémica) "Wolfswinkel com gesto polémico". Mais doloso, repito, pois pode apelar a castigo ao jogador, seja institucional seja moral, junto dos adeptos. Quem viu o jogo viu, com toda a certeza, a pouca vontade celebratória do goleador. Mas também viu que ele estava a saudar privadamente, beijos endereçados e/ou similares. Mas para o "Record" basta um clic adequado, e faz-se um proto-caso ... Pura desonestidade. A lembrar os jornalistas retratados pela pena de Eça de Queirós. Do mais baixo nível.

 

(postal dedicado ao comentador Fernando Albuquerque)

 

Adenda: no facebook encontro esta introdução no youtube em que se comprova, para quem não tenha visto ou jogo ou guardado memória do momento, a desonestidade dos jornalistas do Record e da sua direcção. Basta ver. Inaceitável "peça" de jornalismo:

 

 

Saudações Leoninas

Foi um relativo prazer colaborar no És a Nossa Fé! Agradeço ao Pedro Correia o convite para aqui escrever. E fico a acarinhar a memória de um muito agradável jantar em Alvalade, aquando de uma deslocação a Portugal, onde pude conhecer vários dos co-bloguistas. Gentis.

 

Há várias formas de viver o clubismo. O meu é exarcebado. Motivo de prazer e, também, de humor. Intra-clubístico, inter-clubístico. Aceito (tenho que aceitar) que haja outras formas, cada um como cada qual.

 

Mas há um modo de clubismo que me chateia, desinteressa. O que vive no apelo à unicidade, que reclama o silêncio em prol do clube, como se este fosse majestade. E, pior do que tudo, como se ainda vivessemos em tempos de majestades. Absolutas. Silenciadoras.

 

E aqui, seja lá qual for o assunto sobre que se bote quase sempre logo aparece alguém apelando ao silêncio, até exigindo-o, pelo menos louvando-o. Sportinguistas, ou de outros clubes. Será, acredito, coisa do mundo da bola.

 

Blogo há nove anos. Já tive muitas (demasiadas) picardias in-blog. Mas nunca vi tantas invectivas, tanto elogio do silêncio como aqui. Nunca recebi, ou assisti, a tantas críticas ao facto de se escrever como aqui. E pouco tenho escrito, poucos comentários tenho recebido. É um pouco como se o mundo (dos espectadores) da bola fosse a última das caves dos censores.

 

Anteontem afivelei um sorriso e meti um pequeno texto, inimportante (como, afinal, tudo o que se liga ao futebol o é, que é essa a sua grandeza). Até os nossos putos andam desiludidos, vim partilhar. Logo, mais uma vez, me aparecem sportinguistas e não-sportinguistas resmungando porque se fala. Mesmo nesse pequeno registo, de conversa, mesa de café partilhada entre gente do clube, dos clubes. Como se isso prejudique alguém. Como se isso prejudique o(s) clube(s). Como, também, se o pequeno texto caracterize alguém, ou um grupo. Como, o  que é recorrente aqui, os do Sporting sejam realmente diferentes dos do Benfica ou dos do Porto ou dos de outra coisa qualquer.

 

E não são. Não somos.

 

Vou perorar para outro lado. Para cafés onde não ofenda essas "identidades" tão firmes. Fixas. Vazias, acho eu, mas é só a minha opinião. Porque tudo isto, todos estes, pura e simplesmente me chateiam. E um gajo não bloga para se chatear.

 

Um abraço para todos os co-bloguistas. Tirando este salazarentismo e isto do hiper-clubismo, deshumorado, coisas que lhes são estranhas, foi um prazer ombrear com eles. E com elas.

 

Saudações leoninas.

A selecção de Portugal (III República)

Peço já desculpa, de antemão. Por sair do estrito eixo sportinguista. E pelo pecado do egocentrismo. Mas acabo de ver "partilhado" no facebook um velho postal que coloquei lá no meu blog, há mais de um ano. E pensei que não ficará totalmente mal aqui. Até porque recorda o grande Chirola. E não só. Daí que o repartilhe nesta nossa tertúlia. E, quem sabe, a despertar outras opiniões. Aqui fica: 

 

 

Estava ao sol na praia e lembrei-me disto - uma inutilidade bem digna da inutilidade veraneante -, como se o tempo fosse homogéneo. Não é uma declaração política. Mas o primeiro jogo que vi ao vivo foi em 1975, o meu pai levou-me à central de "Alvalade" e ainda nos estávamos a sentar e já era "golo!!" e ainda me lembro do sorriso dele (afutebolístico que é) com a minha alegria, foi um glorioso Sporting-Olhanense (7-0), marcava muito o Chirola. E a primeira equipa de que me lembro é a que foi campeã em 1973-1974 [ainda a sei de cor:  Damas, Manaca, Bastos, Alhinho, Carlos Pereira (ou Da Costa), Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, Yazalde, Dinis]. E o primeiro Mundial de que lembro é o de 1974 [vi a final, lembro-me do golo a seco da Alemanha; e lembro-me do sururu provocado por Luís Pereira, defesa do Brasil expulso num jogo (ver google)]. Daí que a minha selecção nacional só pode mesmo ser a da III República, pós-1974. Aqui ficam os 23, seleccionados para o campeonato do mundo do apocalipse. À antiga, os números das camisolas indicam a titularidade, claro, que é como deve ser.

 

A grande questão continua a ser a mesma: o Oliveira e o Alves cabem na mesma equipa? Na minha opinião, de treinador de sofá, tenho que meter o Sousa para segurar aquilo. 



1.

 

Vítor Damas

 

 

2.

 

Artur Correia (lateral-direito)

 

3.

 

Humberto Coelho (defesa-central)

 

4.

 

Ricardo Carvalho (defesa-central)

5.

 

Fábio Coentrão (lateral-esquerdo)

 

6.

 

Paulo Sousa (trinco)

 

7.

 

Luís Figo (médio direito)

 

8.

António Oliveira (médio ofensivo)

 

9.

 

Rui Manuel Trindade Jordão (ponta-de-lança)

 

10.

António Sousa (médio-centro)

António Sousa (médio central)

 

11.

 

Paulo Futre (extremo-esquerdo)

 

12.

 

Vítor Baía (guarda-redes)

 

13.

 

António Veloso (lateral-direito)

 

14.

 

Jorge Andrade (defesa-central)

 

15.

 

Fernando Couto (defesa-central)

 

16.

 

Alberto (defesa-esquerdo)

 

17.

 

Shéu Han (trinco)

 

18.

 

Rui Costa (médio ofensivo)

 

19.

 

Cristiano Ronaldo (extremo-direito)

 

20.

 

João Alves (médio ofensivo)

 

21.

 

Fernando Gomes (ponta-de-lança)

 

22.

 

Fernando Chalana (extremo-esquerdo)

 

23.

Jaime Pacheco (médio central)

 

+1

 

Manuel Fernandes (avançado)

 

Treinador

 

Eriksson (no tempo do Benfica) (treinador)

 

 

Adepto

Arquétipo

Os nossos filhos

 

O Litos está por cá (Maputo) pela segunda vez, a treinar o Liga Muçulmana. O campeonato ficou decidido esta semana, felizmente ganhou o Maxaquene, o meu clube por cá. O Litos é um tipo simpático, era presença no nosso núcleo quando ainda o havia, que agora a especulação imobiliária está de tal forma que foi impossível manter a sede onde petiscávamos para amainar as fúrias, tornando-nos assim, ao Núcleo Sportinguista de Moçambique, num conjunto de sem-abrigos, tal e qual a equipa de futebol lá na longínqua Liga e na agora pérfida Europa.

 

Enfim, ontem veio ele, o Litos, dizer que o filho, um catraio de doze anos, lhe perguntou ao telefone, lá de Portugal, se podia mudar de clube. E da mágoa paternal que sentiu. Pois, compreendo-o.

 

Cá em casa não é bem assim. Com toda a certeza que não se vive tanto o Sporting. Nem eu fui jogador do Sporting (e dos bons), nem tenho rapazola com sonhos de se chegar ao que o pai foi ou mesmo a Moutinho ou Carlos Martins, internacionais campeões que ele vê na TV. Por cá habita a minha princesa, já nos seus dez anos, que não tem pinga de paciência para o futebol, e está muito bem assim, que a quero é nas coisas da ginástica rítmica, de um hipotético voleibol ou coisa assim, da natação, chamem-me lá o que quiserem.

 

Mas tem vindo a dita princesa a sportinguizar-se desde cedo, ainda em idade de achar piada ao pai e às coisas dele, a pensar-me digno de algum crédito. Sempre atenta às minhas alegrias, sempre carinhosa nas (cada vez mais) tristezas, "deixa lá pai, é só um jogo" ou mesmo (sportinguista, está visto) "ganhamos para a semana". Pois acontece que nos últimos tempos, e não só pelo incómodo da varicela, fruto do surto escolar que por aí anda, tem ela evitado perguntar-me dos resultados, indagar do andar do campeonato, um notório desinteresse no assunto, elegância (que terá herdado da mãe) e carinho por este velho pai. Alquebrado. E nisso ela dessportinguizando-se.

 

E vou ser franco. Como para ela só quero o melhor do que o mundo tem, talvez seja melhor assim.

E agora, José?

 

Antes do jogo encontrei esta suave brincadeira no facebook - e partilhei-a no meu perfil, que quem ri seus males espanta. Agora, após o jogo, deambulo qual leão expulso de casa, por estas vielas internéticas, fazendo horas para um sofá pouco-conjugal. E encontro aqui o Pedro Correia apelando a uma cura de silêncio aos sportinguistas.

 

Pois discordo. Pois discordo sempre que se apela ao silêncio, em nome de não prejudicar a equipa, e nisso o clube. Se teclar valesse golos o Sporting ganhava jogos, qu'a gente teclaria até nos sangrarem os dedos. Esta ideia de que falar ou escrever influencia o que se vai passar quando 22 tipos andam a correr à volta de uma bola para a meter numas balizas é um eco nas crenças mais básicas da feitiçaria, nas mezinhas, nos ai-jesus que lá vou eu.

 

Sei o que o Pedro Correia quererá dizer. Está irritado (estamos). E farto da língua de pau das desculpabilizações e de alguns notáveis que pertencem à pantomina dos paineis da bola (estamos). Mas o que o Sporting não precisa é de silêncio.

 

É que se isto continua assim, com o futebol a perder e a gente sem sequer falar, mais dia menos dia e ... koniec, como diria o Juskowiak. Vamos mas é falar. Lavar a alma. E encontrar a grandeza de um sorriso.

{ Blog fundado em 2012. }

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