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És a nossa Fé!

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A derrota de Bruno de Carvalho é total.

É total pela participação recorde que o ato eleitoral teve, contrariando assim a sua desvalorização e os apelos à não participação e demonstrando que a sua impugnação é um cenário em que os sportinguistas não se revêem.

É uma derrota total também pela vitória do candidato que Bruno de Carvalho e os seus apoiantes mais detestavam: o "fivelas"; o "traidor". Vítima de insultos, infâmias e difamações, manteve sempre a elevação que o caracteriza. E ao Sporting.

Parabéns ao presidente eleito Frederico Varandas. Parabéns aos candidatos derrotados, ao João Benedito acima de todos. Protagonizaram uma jornada que dignificou o nome do clube.

Viva o Sporting!

Algo que gostaria de entender

O início da época futebolística em Itália é só no próximo fim de semana. Já em Espanha o início da época é como a hora de jantar: no início de Setembro. São dois países produtores de azeite e vinho como Portugal. Por que razão cá se segue um calendário à inglesa, com as primeiras jornadas do campeonato a decorrerem com a maioria dos portugueses de férias? (Já referi neste blogue a minha proposta: em Agosto deveria jogar-se a fase de grupos da Taça da Liga.)

O exemplo de Mandela

No dia em que se cumpre o centenário do sócio de mérito do Sporting, recordo o filme "Invictus" onde é contada a forma como, através do desporto, já como presidente eleito e depois de tudo por aquilo que passou, conseguiu unir um país desavindo com fraturas profundas, recusando sempre o caminho da vingança. Recomendo este filme bastante inspirador, esperando que sirva de exemplo aos futuros dirigentes do Sporting, já que não serviu aos anteriores.

 

Comentários ao calendário (se for mesmo o definitivo...)

Geralmente era costume atribuir os prémios da época anterior e fazer o sorteio da nova época de manhã ou ao fim da tarde. Desta vez fizeram-no depois do jantar, onde devem ter sido servidos diversos cocktails, e deu nisto. Esta imagem vai entrar para a história como mais uma piada do futebol português.

 Quando vi o sorteio original (entretanto anulado) fiquei irritadíssimo. O Sporting jogava entre a 3ª e a 7ª jornadas os dois principais jogos da época em Alvalade, com tudo o que isso acarreta em prejuízo de interesse competitivo para o resto do campeonato e em dificuldades para os sócios e adeptos, principalmente os que não têm gamebox. Ter os dois jogos em casa tão próximos obrigaria a um esforço financeiro suplementar concentrado no tempo, numa altura do ano em que também existem outras solicitações financeiras extra. O jogo com o Benfica, na terceira jornada, era em pleno mês de Agosto, numa altura em que muitos sócios e adeptos se encontram ainda legitimamente de férias. Esta é uma altura em que o campeonato não deveria ainda ter começado. Quanto muito, poderia estar a começar, mas não deveria haver jogos entre equipas grandes. É absurdo o campeonato português começar tão cedo: compare-se por exemplo com o espanhol. A isto acresciam duas deslocações seguidas (Chaves e Tondela), nas jornadas 17 e 18, muito próximas no tempo e muito distantes geograficamente de Lisboa, a fazerem lembrar uma situação semelhante há duas épocas (jogos em Chaves e na Madeira no intervalo de uma semana, com um outro jogo para a Taça em Chaves a meio da semana).

Esta situação relativa aos jogos grandes não se verificaria se tivessem sido mantidos os condicionantes razoáveis, que eram usados nas épocas anteriores, que Sporting e FC Porto queriam que se mantivessem mas que os restantes clubes da Liga rejeitaram. Seria bastante injusto ser um destes dois clubes penalizado pelo calendário por este motivo.

Felizmente houve a correção do sorteio e, no calendário entretanto corrigido, o que antes sucedia ao Sporting passou felizmente a suceder, como era justo, ao principal responsável pela alteração dos condicionantes: o Sport Lisboa e Benfica, que anteriormente votava com Sporting e FC Porto favoravelmente a um regulamento que não prejudicava nenhum dos clubes mais representativos e que movem multidões, mas recentemente passou a votar em conjunto com os clubes mais pequenos. As duas deslocações seguidas nas jornadas 17 e 18 de que falei passaram a ser, para o Benfica, ao campo do Santa Clara e a Setúbal (pena não ser a Chaves). Em contrapartida, nessas mesmas duas jornadas, o principal aliado do Benfica (e o outro grande responsável pela alteração dos regulamentos), o Sp. Braga, desloca-se a Portimão... e à Madeira. Como diria o saudoso João César Monteiro, adorei, adorei, adorei.

Sem dúvida um dos piores treinadores de sempre

O mais grave em José Peseiro é que continua a considerar-se um grande treinador, numa modéstia muito sua que deve ter aprendido com o seu mestre Carlos Queirós. Mas o pior mesmo de tudo é que muitos sportinguistas também ainda o consideram um grande treinador. Vejamos então o que possa justificar as saudades que alguns sportinguistas sempre sentiram de Peseiro.
Segundo o próprio, "esteve até ao final a disputar a Liga". Só que esquece-se de referir (e os sportinguistas que o apreciam pelos vistos também se esquecem) de que esse campeonato de 2004/05 foi o mais nivelado por baixo de que há memória nas últimas décadas em Portugal (ao contrário dos outros que Peseiro refere em que o Sporting esteve na luta até ao fim, nomeadamente os de 2006/07 e 2015/16 - campeonatos nivelados muito por cima). O Sporting de Peseiro terminou essa época com a fabulosa pontuação de 61 pontos em 34 jornadas, correspondendo a 18 vitórias, sete empates e nove derrotas, com 66 golos marcados e 36 sofridos. Na época passada, tal pontuação daria direito a um quinto lugar, e mais próximo do sexto (que seria o Rio Ave) que do quarto, o Sp. Braga (que fez 75 pontos - mais 14 que o Sporting de Peseiro). Nas últimas épocas o Sp. Braga tem consistentemente ficado acima dessa pontuação, pelo que num ano normal do futebol português o Sporting de Peseiro ficaria pelo 5º lugar. (Diga-se que o mesmo seria válido para o Benfica e o FC Porto dessa época de 2004/05 - por isso foi nivelada por baixo.)
Os saudosistas de Peseiro recordam ainda mais a "fantástica" época europeia do Sporting. Mas o que teve essa época de fantástico? Na fase de grupos da Taça UEFA o Sporting ficou em terceiro - só prosseguiu na competição porque foi repescado (ainda não havia a regra da repescagem dos terceiros classificados da Liga dos Campeões). Nos critérios atuais, o Sporting não teria passado da fase de grupos. Na fase a eliminar admito que houve mérito do Peseiro e alguns bons jogos, mas houve desde logo sorte nos sorteios - só calharam equipas inglesas e holandesas, que jogavam um futebol aberto, sendo que as equipas inglesas eram de segunda linha. A passagem da meia final só foi conseguida no último minuto (embora o Sporting tenha feito para a merecer). Mas quando, na final, lhe apareceu uma equipa matreira, viu-se do que aquele Sporting era capaz.
Em resumo: para consumo interno, a época foi uma miséria; na Europa, houve mérito misturado com muita sorte. Na época seguinte, nem isso: em 2005/06 o Sporting de Peseiro foi eliminado nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões pela Udinese e logo de seguida da Taça UEFA pelo poderoso Halmstad, não chegando sequer à fase de grupos. O início da época era desastroso também no campeonato, com três derrotas em sete jornadas, até Paulo Bento pegar na equipa.
O que é pior nisto tudo é que poderia ter-se dado o caso de Peseiro ter falhado no Sporting mas ter sido bem sucedido noutros clubes (algo que temos que admitir que foi o caso com vários outros treinadores como Bobby Robson, Fernando Santos ou Jorge Jesus). Mas não é esse o caso com Peseiro, que mais recentemente passou pelo FC Porto e por clubes com bem menos ambições que o Sporting, como o Sp. Braga e o Vitória de Guimarães. Em todos falhou, em nenhum deles deixou saudades. Sempre com os mesmos erros, sempre com o mesmo tipo de futebol ingénuo, sem demonstrar nenhuma evolução enquanto treinador. Não tenho dúvidas em incluí-lo no top-3 dos piores treinadores que passaram pelo Sporting, em conjunto com Carlos Queirós e Paulo Sérgio. E não compreendo como pode haver sportinguistas que esperem alguma coisa dele.

Com esta escolha de Cintra para treinador, já não sei se o Bruno seria destituído

E não percebo como, com esta escolha de treinador, a Comissão de Gestão pode falar em querer recuperar os jogadores que rescindiram. Que bom jogador quer ser treinado por Peseiro? Obrigar um jogador a ser treinado pelo Peseiro é motivo para rescisão com justa causa, tanto ou mais que ter como presidente o Bruno de Carvalho.

Obrigado, Bryan

 

penálti marcado pelo Bryan Ruiz contra a Suíça é o melhor penálti da história do futebol. Não foi por acaso: nos instantes antes de o marcar o Bryan calculou a trajetória ideal da bola considerando todos os graus de liberdade devidos; não só os do esférico, mas os da baliza (nomeadamente da trave) e do guarda redes (nomeadamente das suas costas), e a sua melhor influência na trajetória ideal, resultando assim um penálti verdadeiramente indefensável. O Bryan é uma pessoa educada e que confia na ciência: no seu país, faz campanhas em prol da vacinação obrigatória. E é uma pessoa muitíssimo bem formada, capaz de numa noite gelada ceder um casaco a uma criança que alguém estupidamente obrigou a usar calções e camiseta (não me admiraria se quem mais tarde o chamou e aos colegas "menino mimado" o tivesse repreendido por esta quebra de protocolo). Só foi pena, num célebre Sporting-Benfica em Alvalade, ter calculado também outra trajetória ideal para uma bola, mas ter sido traído por uma falha na relva à boca da baliza. Foi um enorme prazer e um orgulho contar com este excelente ser humano ao serviço do Sporting Clube de Portugal. Obrigado, Bryan. 

A primeira medida

Mesmo sendo somente uma Comissão de Gestão e não uma direção eleita, a primeira medida a tomar, com caráter de urgência, deve ser a apresentação de um pedido de desculpas formal, incondicional e sincero a todos os envolvidos na invasão da Academia, no passado dia 15 de Maio: jogadores e anterior equipa técnica. Acredito que o clube não tenha tido nada a ver com esse ato tresloucado, mas não pode ignorar que esse ato foi feito em seu nome (do clube) e nas suas instalações. Não podendo apagar esse vergonhoso episódio, restaura-se pelo menos a ainda mais vergonhosa reação da direção anterior. De seguida, espero que se possa falar, na maioria dos casos, na reversão das rescisões.

...e uma proposta

Este anúncio de Bruno de Carvalho vem atrapalhar todo o trabalho da Comissão de Gestão - deve ser esse mesmo o seu objetivo. Seja esse trabalho a contratação de um treinador credível, seja sobretudo a resolução do problema (criado por Bruno de Carvalho) das rescisões dos jogadores. Nada disto será possível enquanto Bruno de Carvalho permanecer como uma sombra. O Sporting não pode estar refém de Bruno de Carvalho até Setembro. Na impossiblidade de uma interdição rápida, proponho à Mesa da Assembleia Geral ainda em exercício a convocação de uma nova assembleia geral, tendo como ponto único a expulsão definitiva e irrevogável de Bruno de Carvalho como sócio.

Um apelo e uma questão

Já aqui tinha insinuado "falta de robustez psíquica" no passado mês de Fevereiro. Desde então, os indícios (que já eram evidentes) só têm vindo a agravar-se e parecem querer dizer algo mais sério. Embora eu não possua autoridade nenhuma para afirmá-lo (não sou médico), parece cada vez mais óbvio que Bruno de Carvalho tem um problema psiquiátrico grave. A sua atitude nas últimas 24 horas torna esta constatação indiscutível a meu ver. Gostaria por isso de apelar a todos os portugueses (e não só aos sportinguistas),  mas principalmente à comunicação social e às entidades oficiais, que passassem a tratá-lo como tal, de tal forma isto é óbvio. E gostaria mesmo de saber quais são os mecanismos para pedir a interdição de alguém.

A fonte de todos os problemas

Talvez o derradeiro argumento dos apoiantes de Bruno de Carvalho seja o de que fazer a direção cair agora prejudicaria a defesa do clube no caso das rescisões. Ora este é um argumento muito curioso, uma vez que os jogadores várias vezes anunciaram que não rescindiriam se Bruno se demitisse. Não posso honestamente prever o que se vai passar a este respeito se a revogação do mandato da direção for aprovada, mas espero que os jogadores voltem atrás com as rescisões, seja para continuarem ao serviço do Sporting ou para saírem de forma negociada e a bem, sem prejuízo do clube. Sei, porém, prever que se a direção continuar as rescisões se manterão e este problema se arrastará por muito tempo, com óbvio prejuízo para o Sporting (por muito que a atual direção tente manobras de diversão como esta para entreter os mais incautos, este é um assunto que tem que ser resolvido pelos tribunais e não por quem criou o problema). Mas o que é mais extraordinário é quererem convencer-nos de que a única pessoa responsável pela criação deste e de outros problemas é também o único capaz de os resolver! Admito que Bruno de Carvalho resolveu muitos problemas no Sporting quando chegou mas, dado o seu caráter, vaidade e prepotência, são muitos mais (e mais graves) os problemas que cria. Neste momento a sua permanência no Sporting não vai resolver nada e só pode trazer ainda mais problemas.

Ler os outros

As 12 lições que Bruno aprendeu com Trump, por Daniel Oliveira (acesso aberto a todos). Alguns destaques:

 

"A maioria dos intervenientes políticos e cívicos está limitada por algumas regras sociais de civilidade. Desfazer essas regras pode ser uma grande vantagem. Como se costuma dizer, não vale a pena atirares-te para a lama com um porco, ficas sujo e ele gosta. Banalizar o insulto permite retirar da contenda quem quer proteger a sua credibilidade. Quando repetido muitas vezes o insulto deixa de chocar. E quando deixa de chocar, a ausência dos oponentes nesse nível de debate passa a ser percecionada como sinal de fraqueza. No fim, resistem os mais agressivos, que conseguem acompanhar a violência do debate, o que leva o espectador desatento a equiparar os dois lados. Nisto, Bruno de Carvalho é uma cópia quase decalcada de Donald Trump. Apenas um pouco mais grosseiro. (...)

Quem tem acompanhado as polémicas do Sporting nas redes sociais fica varado com o cerco feito a qualquer pessoa que ouse fazer a mais pequena crítica a Bruno de Carvalho. Os ataques não passam apenas pela repetição dos argumentos dados pelo presidente, por mais estapafúrdios que sejam. Quase sempre recorrem ao insulto e à perseguição em matilha ou à ameaça explícita. A violência é tal que até os mais corajosos e persistentes desistem de participar no debate, deixando as tropas de choque sozinhas na arena. Dirão que tudo isto é o habitual das redes sociais. A diferença é que, neste caso, é coordenado. Muitos dos perfis são falsos ou anónimos e há fortes suspeitas de que a empresa de comunicação contratada pelo Sporting estreou em Portugal a estratégia experimentada por Trump e políticos de extrema-direita europeus. (...)

Qualquer fact-checking às intervenções de Bruno de Carvalho exigiria muito mais espaço do muito que ele usa. Tal como sucedia com Donald Trump. Em muitos casos a mentira é fácil de desmontar, de tal forma é descarada. Só que as mentiras são como as dívidas: uma é um problema para o mentiroso, muitas é um problema para quem queira repor a verdade. Perante uma sucessão de mentiras, que permitem construir uma realidade paralela (o fanático é condicionado a não acreditar na imprensa e em mais ninguém que não seja o líder), o adversário tem duas hipóteses: repor a verdade e ficar preso à agenda imposta pelo líder ou deixar que a mentira se instale como verdade."

Pensem na rescisão do Rúben

De todos os jogadores que até agora rescindiram, o mais recente, Rúben Ribeiro, é o único que claramente não tem uma oportunidade de ter outro contrato ao nível do que tem no Sporting. De certeza não tem outro convite como o que teve do Sporting (a menos que Jesus o queira no seu novo clube). Parece-me uma rescisão desinteressada e sem outros motivos que não sejam o de defender a posição dos jogadores, mesmo no caso do Rúben com prejuízo pessoal. Este jogador sempre mereceu todo o meu respeito, e agora ainda merece mais. E os sportinguistas que chamam "mercenários" aos jogadores que pensem nisto.

Não falem mais mal do Bruno

Das discussões que vou lendo e tendo, não tenho dúvida de que a esmagadora maioria dos sportinguistas condena a ação de Bruno de Carvalho - as exceções constituem uma "cesta de deploráveis", para usar uma expressão que se tornou célebre, que não merece grande discussão. Apesar de tudo, uma parte significativa ainda parece disposta a aceitar Bruno de Carvalho como um mal menor.
O tema mais fraturante entre os sportinguistas, tão fraturante que eu receio que não haja mesmo conciliação possível (a menos que as rescisões sejam revertidas) é a razão - ou não - dos jogadores no seu procedimento. Uma parte dos sportinguistas (entre os quais eu me conto) julga que os jogadores, apesar de serem principescamente pagos (ao preço de mercado, a maior parte deles), são homens livres e que têm que ser tratados com dignidade: não são escravos, e nem um clube de futebol é a tropa ou a Igreja. Outra parte, pelo que me apercebo pelo que vou lendo e ouvindo bastante significativa, condena Bruno de Carvalho sem margem para dúvidas, MAAAAAAASSSSSS.... (este "mas" é mesmo enorme) também julga que os jogadores "não tinham o direito" de responderem como responderam ao post de Madrid; que muitos deles "devem tudo ao Sporting" e, ao rescindirem, "estão a ser uns ingratos". Por isso mesmo creio que já não vale mais a pena discutir a bondade da ação de Bruno de Carvalho, e antes perder algum tempo a discutir e clarificar este assunto. Bruno de Carvalho, que pode ser psicopata mas de burro não tem nada, já se deve ter apercebido de que esta é a grande divisão, e por isso reparem que já nem perde grande tempo a tentar defender-se: procura antes atacar os jogadores, procurando criar mais divisões entre os sportinguistas e explorando essas divisões como forma de lhe render votos. Se esta visão de que os jogadores também são culpados de alguma coisa for a maioritária no seio dos sportinguistas, provavelmente mais vale deixar estar Bruno de Carvalho na presidência.
Oponho-me totalmente a esta visão: os jogadores foram humilhados publicamente após Madrid, e limitaram-se a reagir publicamente em defesa do seu bom nome e dignidade profissional. Na sequência houve quem passasse a ver os jogadores como estando em guerra com o presidente e o clube, e graças a isso deu-se a invasão de Alcochete. Na sequência dessa invasão os jogadores não receberam nenhum apoio da parte do clube. Foram à polícia sozinhos, com o treinador mas sem nenhum responsável. No momento mais negro da história do clube, a direção não apoiou os atletas. Pelo contrário, disse que era tudo normal (ou "chato"). E isto depois de ter passado semanas a instigar os sportinguistas contra os jogadores. Quem achar que, perante este cenário, os jogadores devem aceitar tudo sem reagir e ficar, "por gratidão ao Sporting", enfim... prefiro nem classificar. Só direi que não pode ser boa pessoa.
É evidente que nenhum sportinguista quer que os jogadores saiam, e ninguém acha que os jogadores não têm que ser gratos ao Sporting, pelas oportunidades que tiveram de demonstrarem que são bons jogadores e pela faixa de adeptos (que não são todos, mas é uma grande parte) que sempre os apoiou. Mas achar que "devem tudo ao clube" é capaz de ser um bocado demais, mesmo relativamente aos jogadores formados no Sporting (recordo que Bruno de Carvalho chegou a afirmar que William Carvalho devia a sua carreira a ele, Bruno). Achar que "se não fosse o Sporting, Rui Patrício seria um operador de call center" (como li num post inenarrável publicado num blogue que me habituei a respeitar) é triste, pelo que revela de sobranceria, paternalismo e sobre a forma de encarar os jogadores. Quem escreve isto, sim, é profundamente ingrato para com o Rui Patrício e, no fundo, considera que os clubes deveriam ser donos dos seus jogadores. O futebol de quem pensa assim morreu mesmo - e já não foi agora.
Também eu gostaria que houvesse mais amor à camisola, mas os futebolistas são profissionais. Os adeptos não podem esperar que tenham o mesmo amor à camisola que eles. Outros clubes não se queixam de que os seus jogadores tenham falta de "amor à camisola" como se queixa o Sporting: não será porque dão mais condições para que esse amor se realize? Dito isto, nunca deixei de ver amor à camisola e respeito ao clube da parte destes jogadores. E a prova de que têm amor ao clube consiste na sua palavra de que estão dispostos a ficar, desde que não seja com o presidente que tanto os maltratou (e com quem não creio que nenhum jogador queira trabalhar). Não é uma imposição aos sócios do Sporting, que são livres de escolherem quem quiserem para a presidência, menos Bruno de Carvalho. E também são livres de escolherem Bruno de Carvalho: os jogadores é que são livres de não quererem trabalhar mais com ele, e deixaram isso bem claro.
Termino como comecei: esta discussão sobre a culpa ou não dos jogadores, bem mais do que a culpa do presidente, é o assunto mais fraturante por que o Sporting já passou. Não há concliliação possível, a não ser que as rescisões voltem atrás. Estarão os sportinguistas dispostos a procurar esta conciliação?

A culpa é toda de Bruno de Carvalho. Toda.

Para mim, nunca houve desde o triste comunicado do Facebook do "não quiseram jogar a segunda mão" e dos "meninos mimados" a mais pequena dúvida em estar do lado dos jogadores. Não posso tolerar que nenhuma entidade patronal faça esse tipo de assédio moral público - friso obviamente o "público" - aos seus funcionários (eu não falo em "colaboradores"), e não posso aceitar quem não se solidarize incondicionalmente com eles. Quem não o fizer, é porque ou é patrão (e trataria assim os seus funcionários), ou é trabalhador, e aceitaria ser publicamente tratado assim. Em ambos os casos não merece o meu respeito.

Temos portanto um presidente que, ultrapassando todas as suas funções, destrata os jogadores publicamente. Os jogadores reagem, obviamente também publicamente. O presidente suspende-os coletivamente, e é pela primeira vez notícia no mundo inteiro. Segue-se um clima de guerra fria, que rebenta finalmente na véspera da jornada final do campeonato. Seguem-se esperas e ataques verbais aos jogadores no aeroporto e no estádio, e finalmente o ataque físico, no local de trabalho. Mais uma vez é notícia, sempre pelos piores motivos, em todo o mundo. Não posso afirmar que a entidade patronal esteja diretamente implicada neste ataque, mas é responsável por ter criado o ambiente para ele se ter realizado. E isto confirma-se por não ter estado ao lado dos trabalhadores, atacados no seu local de trabalho, nas denúncias à polícia, nem por não ter havido a mínima solidariedade ou empatia da parte da entidade profissional, limitando-se a reação ao já célebre "foi chato".

Perante estes factos, não tenho a menor dúvida de que qualquer observador imparcial só pode estar com os jogadores. Mas o desporto, e particularmente o futebol, não é muito dado a observadores imparciais, e há muitos sportinguistas que defendem Bruno de Carvalho. Há quem o apoie nas críticas que fez e no modo como as fez - como eu já atrás expliquei, não me merece respeito quem assim pense. Há quem pense que se os jogadores tivessem amor ao clube - provavelmente o amor que eles têm - não rescindiriam nunca, mesmo sentindo-se com justa causa. É este tipo de adeptos que mais me preocupa - os fanáticos. Preferem ser poucos mas "puros" e "verdadeiros". Muitos dos jogadores ofendidos, sendo profissionais, são também sportinguistas, e fizeram ao longo de anos muito mais pelo clube do que qualquer um destes fanáticos (onde incluo o presidente). A estes adeptos só posso responder que nenhum amor a nenhum clube deve ser o valor principal na vida. Há valores mais importantes, como o respeito e a dignidade, que o presidente do Sporting violou consistentemente. Sempre julguei que a maioria dos sportinguistas tinha bem presente uma hierarquia correta de valores - sem deixar de amar o clube. Infelizmente não parece ser esse o caso, não só dos energúmenos que invadiram a Academia, mas também de muitos sportinguistas anónimos nas redes sociais. Apesar de tudo, creio que são uma larga minoria, mesmo se os efeitos da sua presença são infelizmente bem visíveis.

Resta ainda uma outra categoria de defensores de Bruno de Carvalho - creio que a maioritária, dentro do que me parece ser (e espero que seja) uma minoria, os sportinguistas que ainda apoiam Bruno de Carvalho. Os sportinguitas desta categoria consideram esta desgraça que se tem abatido sobre o futebol, mas quando a comparam com os inegáveis sucessos das modalidades não sabem o que pensar, ainda mais por terem receio de um regresso a um passado recente que também não é nada brilhante. Dentro dos ainda apoiantes do presidente, são os únicos que eu ainda consigo compreender. Vivemos uma situação de chantagens mútuas - do presidente aos jogadores e dos jogadores ao presidente. Noutras circunstâncias, esta situação de jogadores a imporem condições ao clube seria inaceitável, mas não nestas. Estes jogadores foram consistentemente atacados, para além do aceitável, e só estão, legitimamente, humanamente, a defender-se como podem. Toda esta situação é insustentável, mas poderia ter sido perfeitamente evitada e só foi criada por Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho é o único responsável por se ter chegado a esta situação. Provavelmente perdemos o acesso à Liga dos Campeões, de certeza que perdemos uma taça, por culpa de Bruno de Carvalho. Se se confirmar a perda dos jogadores, eventualmente para os rivais, a culpa será toda de Bruno de Carvalho. Isto não pode compensar o trabalho nas restantes áreas (modalidades e não só). Enquanto Bruno de Carvalho continuar à frente do clube, a tragédia continuará.

"Salvar o Sporting de Bruno de Carvalho"

Daniel Oliveira escreveu no Expresso um artigo cuja leitura recomendo vivamente, pois trata-se de um balanço (creio que justo) da presidência de Bruno de Carvalho por quem o apoiou, seguido da explicação dos motivos por que já não o pode apoiar.

A dada altura pode ler-se:

Como sportinguista, não quero alimentar os argumentos que possam favorecer rescisões unilaterais em que os clubes que levam jogadores ficam dispensados de compensar o Sporting pelo investimento feito. E não penso ser legítima a insinuação de que Rui Patrício (que justamente é e será para sempre um símbolo do Sporting) poderia desistir desta rescisão se Bruno de Carvalho se demitisse. Apesar de compreender a situação do jogador, ser solidário pelo que passou e até perceber o racional desta condição, não se pode abrir um precedente em que jogadores podem, de alguma forma, determinar quem é e quem deixa de ser o presidente do clube para o qual trabalha. Como trabalhador do Sporting, é livre de lutar pelos seus direitos e tem, como não podia deixar de ter, a minha total solidariedade. Ao Sporting cabe tentar minimizar os danos deste processo. E é evidente que outro presidente o fará em muito melhores condições do que Bruno de Carvalho. Mas uma coisa é ser eu a dizer isto, outra é ser Rui Patrício ou alguém por ele.

 

Concordo sem dúvida, mas não deixo de apontar que pelo menos alguns dos jogadores (e o anterior treinador) não são meros trabalhadores do Sporting: são também verdadeiros sportinguistas que desejam o bem do clube. Nessa qualidade, e conhecendo-o melhor do que ninguém, é natural que desejem o afastamento de Bruno de Carvalho. 

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