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És a nossa Fé!

Deve ter sido por isso que ele desta vez quis a indemnização toda

O até anteontem técnico do Sporting foi retratado de forma magistral neste blogue, num texto antigo de José Navarro de Andrade cuja leitura eu sugiro aos nossos leitores. Farto-me de rir com as notícias de que foram o Beto e, principalmente, o Hugo Viana a comunicarem ao José Peseiro o seu despedimento, e questiono-me se o diálogo terá sido como o relatado no texto que referi.

E Rui Vitória?

Rui Vitória não é o melhor treinador do mundo, mas aposta na formação e seria provavelmente a melhor opção para o Sporting nesta altura. Melhor do que qualquer uma das que são faladas. Eu, que nunca pude ver o Peseiro à minha frente, quer da primeira quer da segunda passagem pelo Sporting, verifico que se calhar teria sido melhor deixá-lo ficar mais uns dias, a ver o que Luís Filipe Vieira fazia.

Mais uma conferência de imprensa patética

O discurso "estamos a disputar as competições todas" foi muito usado, e muito justamente, por Jesus na época passada, mas numa altura em que estar a disputar todas as competições era um indício de sucesso, isto é, em Fevereiro e Março. Esse discurso nunca deve ser feito antes disso; tê-lo antes do Natal, então, não faz sentido nenhum.
O atual treinador do Sporting veio com esse discurso para defender o sucesso do seu trabalho... ontem, em pleno mês de Outubro, ainda nem a hora de inverno estava em vigor. O que é que José Peseiro acha portanto um sucesso? Não estar afastado do título ao fim de 7 jornadas, como sucedeu na época de 2012/13? Não ter sido eliminado da Taça à primeira pelo Loures?

Virar de página

A derrota de Bruno de Carvalho é total.

É total pela participação recorde que o ato eleitoral teve, contrariando assim a sua desvalorização e os apelos à não participação e demonstrando que a sua impugnação é um cenário em que os sportinguistas não se revêem.

É uma derrota total também pela vitória do candidato que Bruno de Carvalho e os seus apoiantes mais detestavam: o "fivelas"; o "traidor". Vítima de insultos, infâmias e difamações, manteve sempre a elevação que o caracteriza. E ao Sporting.

Parabéns ao presidente eleito Frederico Varandas. Parabéns aos candidatos derrotados, ao João Benedito acima de todos. Protagonizaram uma jornada que dignificou o nome do clube.

Viva o Sporting!

Algo que gostaria de entender

O início da época futebolística em Itália é só no próximo fim de semana. Já em Espanha o início da época é como a hora de jantar: no início de Setembro. São dois países produtores de azeite e vinho como Portugal. Por que razão cá se segue um calendário à inglesa, com as primeiras jornadas do campeonato a decorrerem com a maioria dos portugueses de férias? (Já referi neste blogue a minha proposta: em Agosto deveria jogar-se a fase de grupos da Taça da Liga.)

O exemplo de Mandela

No dia em que se cumpre o centenário do sócio de mérito do Sporting, recordo o filme "Invictus" onde é contada a forma como, através do desporto, já como presidente eleito e depois de tudo por aquilo que passou, conseguiu unir um país desavindo com fraturas profundas, recusando sempre o caminho da vingança. Recomendo este filme bastante inspirador, esperando que sirva de exemplo aos futuros dirigentes do Sporting, já que não serviu aos anteriores.

 

Comentários ao calendário (se for mesmo o definitivo...)

Geralmente era costume atribuir os prémios da época anterior e fazer o sorteio da nova época de manhã ou ao fim da tarde. Desta vez fizeram-no depois do jantar, onde devem ter sido servidos diversos cocktails, e deu nisto. Esta imagem vai entrar para a história como mais uma piada do futebol português.

 Quando vi o sorteio original (entretanto anulado) fiquei irritadíssimo. O Sporting jogava entre a 3ª e a 7ª jornadas os dois principais jogos da época em Alvalade, com tudo o que isso acarreta em prejuízo de interesse competitivo para o resto do campeonato e em dificuldades para os sócios e adeptos, principalmente os que não têm gamebox. Ter os dois jogos em casa tão próximos obrigaria a um esforço financeiro suplementar concentrado no tempo, numa altura do ano em que também existem outras solicitações financeiras extra. O jogo com o Benfica, na terceira jornada, era em pleno mês de Agosto, numa altura em que muitos sócios e adeptos se encontram ainda legitimamente de férias. Esta é uma altura em que o campeonato não deveria ainda ter começado. Quanto muito, poderia estar a começar, mas não deveria haver jogos entre equipas grandes. É absurdo o campeonato português começar tão cedo: compare-se por exemplo com o espanhol. A isto acresciam duas deslocações seguidas (Chaves e Tondela), nas jornadas 17 e 18, muito próximas no tempo e muito distantes geograficamente de Lisboa, a fazerem lembrar uma situação semelhante há duas épocas (jogos em Chaves e na Madeira no intervalo de uma semana, com um outro jogo para a Taça em Chaves a meio da semana).

Esta situação relativa aos jogos grandes não se verificaria se tivessem sido mantidos os condicionantes razoáveis, que eram usados nas épocas anteriores, que Sporting e FC Porto queriam que se mantivessem mas que os restantes clubes da Liga rejeitaram. Seria bastante injusto ser um destes dois clubes penalizado pelo calendário por este motivo.

Felizmente houve a correção do sorteio e, no calendário entretanto corrigido, o que antes sucedia ao Sporting passou felizmente a suceder, como era justo, ao principal responsável pela alteração dos condicionantes: o Sport Lisboa e Benfica, que anteriormente votava com Sporting e FC Porto favoravelmente a um regulamento que não prejudicava nenhum dos clubes mais representativos e que movem multidões, mas recentemente passou a votar em conjunto com os clubes mais pequenos. As duas deslocações seguidas nas jornadas 17 e 18 de que falei passaram a ser, para o Benfica, ao campo do Santa Clara e a Setúbal (pena não ser a Chaves). Em contrapartida, nessas mesmas duas jornadas, o principal aliado do Benfica (e o outro grande responsável pela alteração dos regulamentos), o Sp. Braga, desloca-se a Portimão... e à Madeira. Como diria o saudoso João César Monteiro, adorei, adorei, adorei.

Sem dúvida um dos piores treinadores de sempre

O mais grave em José Peseiro é que continua a considerar-se um grande treinador, numa modéstia muito sua que deve ter aprendido com o seu mestre Carlos Queirós. Mas o pior mesmo de tudo é que muitos sportinguistas também ainda o consideram um grande treinador. Vejamos então o que possa justificar as saudades que alguns sportinguistas sempre sentiram de Peseiro.
Segundo o próprio, "esteve até ao final a disputar a Liga". Só que esquece-se de referir (e os sportinguistas que o apreciam pelos vistos também se esquecem) de que esse campeonato de 2004/05 foi o mais nivelado por baixo de que há memória nas últimas décadas em Portugal (ao contrário dos outros que Peseiro refere em que o Sporting esteve na luta até ao fim, nomeadamente os de 2006/07 e 2015/16 - campeonatos nivelados muito por cima). O Sporting de Peseiro terminou essa época com a fabulosa pontuação de 61 pontos em 34 jornadas, correspondendo a 18 vitórias, sete empates e nove derrotas, com 66 golos marcados e 36 sofridos. Na época passada, tal pontuação daria direito a um quinto lugar, e mais próximo do sexto (que seria o Rio Ave) que do quarto, o Sp. Braga (que fez 75 pontos - mais 14 que o Sporting de Peseiro). Nas últimas épocas o Sp. Braga tem consistentemente ficado acima dessa pontuação, pelo que num ano normal do futebol português o Sporting de Peseiro ficaria pelo 5º lugar. (Diga-se que o mesmo seria válido para o Benfica e o FC Porto dessa época de 2004/05 - por isso foi nivelada por baixo.)
Os saudosistas de Peseiro recordam ainda mais a "fantástica" época europeia do Sporting. Mas o que teve essa época de fantástico? Na fase de grupos da Taça UEFA o Sporting ficou em terceiro - só prosseguiu na competição porque foi repescado (ainda não havia a regra da repescagem dos terceiros classificados da Liga dos Campeões). Nos critérios atuais, o Sporting não teria passado da fase de grupos. Na fase a eliminar admito que houve mérito do Peseiro e alguns bons jogos, mas houve desde logo sorte nos sorteios - só calharam equipas inglesas e holandesas, que jogavam um futebol aberto, sendo que as equipas inglesas eram de segunda linha. A passagem da meia final só foi conseguida no último minuto (embora o Sporting tenha feito para a merecer). Mas quando, na final, lhe apareceu uma equipa matreira, viu-se do que aquele Sporting era capaz.
Em resumo: para consumo interno, a época foi uma miséria; na Europa, houve mérito misturado com muita sorte. Na época seguinte, nem isso: em 2005/06 o Sporting de Peseiro foi eliminado nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões pela Udinese e logo de seguida da Taça UEFA pelo poderoso Halmstad, não chegando sequer à fase de grupos. O início da época era desastroso também no campeonato, com três derrotas em sete jornadas, até Paulo Bento pegar na equipa.
O que é pior nisto tudo é que poderia ter-se dado o caso de Peseiro ter falhado no Sporting mas ter sido bem sucedido noutros clubes (algo que temos que admitir que foi o caso com vários outros treinadores como Bobby Robson, Fernando Santos ou Jorge Jesus). Mas não é esse o caso com Peseiro, que mais recentemente passou pelo FC Porto e por clubes com bem menos ambições que o Sporting, como o Sp. Braga e o Vitória de Guimarães. Em todos falhou, em nenhum deles deixou saudades. Sempre com os mesmos erros, sempre com o mesmo tipo de futebol ingénuo, sem demonstrar nenhuma evolução enquanto treinador. Não tenho dúvidas em incluí-lo no top-3 dos piores treinadores que passaram pelo Sporting, em conjunto com Carlos Queirós e Paulo Sérgio. E não compreendo como pode haver sportinguistas que esperem alguma coisa dele.

Com esta escolha de Cintra para treinador, já não sei se o Bruno seria destituído

E não percebo como, com esta escolha de treinador, a Comissão de Gestão pode falar em querer recuperar os jogadores que rescindiram. Que bom jogador quer ser treinado por Peseiro? Obrigar um jogador a ser treinado pelo Peseiro é motivo para rescisão com justa causa, tanto ou mais que ter como presidente o Bruno de Carvalho.

Obrigado, Bryan

 

penálti marcado pelo Bryan Ruiz contra a Suíça é o melhor penálti da história do futebol. Não foi por acaso: nos instantes antes de o marcar o Bryan calculou a trajetória ideal da bola considerando todos os graus de liberdade devidos; não só os do esférico, mas os da baliza (nomeadamente da trave) e do guarda redes (nomeadamente das suas costas), e a sua melhor influência na trajetória ideal, resultando assim um penálti verdadeiramente indefensável. O Bryan é uma pessoa educada e que confia na ciência: no seu país, faz campanhas em prol da vacinação obrigatória. E é uma pessoa muitíssimo bem formada, capaz de numa noite gelada ceder um casaco a uma criança que alguém estupidamente obrigou a usar calções e camiseta (não me admiraria se quem mais tarde o chamou e aos colegas "menino mimado" o tivesse repreendido por esta quebra de protocolo). Só foi pena, num célebre Sporting-Benfica em Alvalade, ter calculado também outra trajetória ideal para uma bola, mas ter sido traído por uma falha na relva à boca da baliza. Foi um enorme prazer e um orgulho contar com este excelente ser humano ao serviço do Sporting Clube de Portugal. Obrigado, Bryan. 

A primeira medida

Mesmo sendo somente uma Comissão de Gestão e não uma direção eleita, a primeira medida a tomar, com caráter de urgência, deve ser a apresentação de um pedido de desculpas formal, incondicional e sincero a todos os envolvidos na invasão da Academia, no passado dia 15 de Maio: jogadores e anterior equipa técnica. Acredito que o clube não tenha tido nada a ver com esse ato tresloucado, mas não pode ignorar que esse ato foi feito em seu nome (do clube) e nas suas instalações. Não podendo apagar esse vergonhoso episódio, restaura-se pelo menos a ainda mais vergonhosa reação da direção anterior. De seguida, espero que se possa falar, na maioria dos casos, na reversão das rescisões.

...e uma proposta

Este anúncio de Bruno de Carvalho vem atrapalhar todo o trabalho da Comissão de Gestão - deve ser esse mesmo o seu objetivo. Seja esse trabalho a contratação de um treinador credível, seja sobretudo a resolução do problema (criado por Bruno de Carvalho) das rescisões dos jogadores. Nada disto será possível enquanto Bruno de Carvalho permanecer como uma sombra. O Sporting não pode estar refém de Bruno de Carvalho até Setembro. Na impossiblidade de uma interdição rápida, proponho à Mesa da Assembleia Geral ainda em exercício a convocação de uma nova assembleia geral, tendo como ponto único a expulsão definitiva e irrevogável de Bruno de Carvalho como sócio.

Um apelo e uma questão

Já aqui tinha insinuado "falta de robustez psíquica" no passado mês de Fevereiro. Desde então, os indícios (que já eram evidentes) só têm vindo a agravar-se e parecem querer dizer algo mais sério. Embora eu não possua autoridade nenhuma para afirmá-lo (não sou médico), parece cada vez mais óbvio que Bruno de Carvalho tem um problema psiquiátrico grave. A sua atitude nas últimas 24 horas torna esta constatação indiscutível a meu ver. Gostaria por isso de apelar a todos os portugueses (e não só aos sportinguistas),  mas principalmente à comunicação social e às entidades oficiais, que passassem a tratá-lo como tal, de tal forma isto é óbvio. E gostaria mesmo de saber quais são os mecanismos para pedir a interdição de alguém.

A fonte de todos os problemas

Talvez o derradeiro argumento dos apoiantes de Bruno de Carvalho seja o de que fazer a direção cair agora prejudicaria a defesa do clube no caso das rescisões. Ora este é um argumento muito curioso, uma vez que os jogadores várias vezes anunciaram que não rescindiriam se Bruno se demitisse. Não posso honestamente prever o que se vai passar a este respeito se a revogação do mandato da direção for aprovada, mas espero que os jogadores voltem atrás com as rescisões, seja para continuarem ao serviço do Sporting ou para saírem de forma negociada e a bem, sem prejuízo do clube. Sei, porém, prever que se a direção continuar as rescisões se manterão e este problema se arrastará por muito tempo, com óbvio prejuízo para o Sporting (por muito que a atual direção tente manobras de diversão como esta para entreter os mais incautos, este é um assunto que tem que ser resolvido pelos tribunais e não por quem criou o problema). Mas o que é mais extraordinário é quererem convencer-nos de que a única pessoa responsável pela criação deste e de outros problemas é também o único capaz de os resolver! Admito que Bruno de Carvalho resolveu muitos problemas no Sporting quando chegou mas, dado o seu caráter, vaidade e prepotência, são muitos mais (e mais graves) os problemas que cria. Neste momento a sua permanência no Sporting não vai resolver nada e só pode trazer ainda mais problemas.

Ler os outros

As 12 lições que Bruno aprendeu com Trump, por Daniel Oliveira (acesso aberto a todos). Alguns destaques:

 

"A maioria dos intervenientes políticos e cívicos está limitada por algumas regras sociais de civilidade. Desfazer essas regras pode ser uma grande vantagem. Como se costuma dizer, não vale a pena atirares-te para a lama com um porco, ficas sujo e ele gosta. Banalizar o insulto permite retirar da contenda quem quer proteger a sua credibilidade. Quando repetido muitas vezes o insulto deixa de chocar. E quando deixa de chocar, a ausência dos oponentes nesse nível de debate passa a ser percecionada como sinal de fraqueza. No fim, resistem os mais agressivos, que conseguem acompanhar a violência do debate, o que leva o espectador desatento a equiparar os dois lados. Nisto, Bruno de Carvalho é uma cópia quase decalcada de Donald Trump. Apenas um pouco mais grosseiro. (...)

Quem tem acompanhado as polémicas do Sporting nas redes sociais fica varado com o cerco feito a qualquer pessoa que ouse fazer a mais pequena crítica a Bruno de Carvalho. Os ataques não passam apenas pela repetição dos argumentos dados pelo presidente, por mais estapafúrdios que sejam. Quase sempre recorrem ao insulto e à perseguição em matilha ou à ameaça explícita. A violência é tal que até os mais corajosos e persistentes desistem de participar no debate, deixando as tropas de choque sozinhas na arena. Dirão que tudo isto é o habitual das redes sociais. A diferença é que, neste caso, é coordenado. Muitos dos perfis são falsos ou anónimos e há fortes suspeitas de que a empresa de comunicação contratada pelo Sporting estreou em Portugal a estratégia experimentada por Trump e políticos de extrema-direita europeus. (...)

Qualquer fact-checking às intervenções de Bruno de Carvalho exigiria muito mais espaço do muito que ele usa. Tal como sucedia com Donald Trump. Em muitos casos a mentira é fácil de desmontar, de tal forma é descarada. Só que as mentiras são como as dívidas: uma é um problema para o mentiroso, muitas é um problema para quem queira repor a verdade. Perante uma sucessão de mentiras, que permitem construir uma realidade paralela (o fanático é condicionado a não acreditar na imprensa e em mais ninguém que não seja o líder), o adversário tem duas hipóteses: repor a verdade e ficar preso à agenda imposta pelo líder ou deixar que a mentira se instale como verdade."

Pensem na rescisão do Rúben

De todos os jogadores que até agora rescindiram, o mais recente, Rúben Ribeiro, é o único que claramente não tem uma oportunidade de ter outro contrato ao nível do que tem no Sporting. De certeza não tem outro convite como o que teve do Sporting (a menos que Jesus o queira no seu novo clube). Parece-me uma rescisão desinteressada e sem outros motivos que não sejam o de defender a posição dos jogadores, mesmo no caso do Rúben com prejuízo pessoal. Este jogador sempre mereceu todo o meu respeito, e agora ainda merece mais. E os sportinguistas que chamam "mercenários" aos jogadores que pensem nisto.

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