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És a nossa Fé!

Só para concluir este assunto

Obviamente orgulha-me que o Cantona seja sportinguista e sócio do Sporting, se for essa a sua vontade. Agora não me parece bem que o Sporting lhe ofereça um título honorífico.

Não estou a comparar o sportinguismo do Ronaldo com o do Cantona (embora acredite em ambos). A ligação do Ronaldo ao Sporting é bem mais forte, mais antiga e mais profunda, e também me enche (a mim e a todos os sportinguistas) de orgulho. Dito isto, o Cristiano Ronaldo ainda não fez o suficiente pelo Sporting para merecer uma distinção como a de dar o seu nome à Academia do clube. Talvez daqui a alguns anos a realidade seja outra, e esta distinção se justifique. Espero sinceramente que assim seja. Por agora, parece-me muito cedo para atribuir tal distinção. É a minha opinião.

Alguém sabe o que é feito do Cantona?

Há uma tendência recente do Sporting para dar reconhecimento a figuras muito conhecidas internacionalmente, mas não pelo que fizeram pelo clube. Essa tendência, que não me agrada nada, começou com Bruno de Carvalho e teve o seu auge na atribuição do número de sócio 150000 a Eric Cantona.
Eric Cantona, que Bruno de Carvalho anunciou aos quatro ventos como sócio 150000 do Sporting, só porque foi um futebolista notável (que foi), vivia em Portugal e manifestou simpatia pelo nosso clube e pela sua tradição formadora? Alguém ouviu falar nele desde que o presidente que o fez o sócio 150000 foi destituído?
Nada tenho contra o Cantona, mas tenho muito contra esta distinção para alguém que fez muito pelo futebol no Manchester United, mas nada pelo Sporting. O Cantona também se tornou conhecido por um célebre episódio envolvendo-o com um espectador, num estádio em Inglaterra. Quando eu via em pleno estádio de Alvalade os energúmenos da Juventude Leonina atirarem petardos ao Rui Patrício, ainda pensei que um Cantona com superpoderes pudesse saltar a vedação do estádio e dar-lhes uma lição. Mas, se era para premiar esse tipo de atributos, mais valia ter atribuído essa honra ao grande Sá Pinto. Ele, e muitos outros, fizeram muito mais pelo clube.

Coisas que eu mudaria no Estádio de Alvalade (I)

A discussão sobre a nomeação da Academia do Sporting como Academia Cristiano Ronaldo leva a que eu inicie uma série de três textos sobre três alterações que eu faria no Estádio José Alvalade e nas imediações. Não vou referir alterações com que mais ou menos todos concordam (a supressão do fosso e certos aspetos estéticos como a cor das cadeiras). Pretendo referir-me a outros aspetos. Há algum tempo que eu planeava escrever estes textos. A presente situação (em que infelizmente, mas justificadamente, não podemos ir a Alvalade) pode motivar esta reflexão, durante esta ausência tristemente tão prolongada.
Ao separar os lugares A e B, na bancada norte, existe uma faixa (visível na fotografia) com a enumeração do número de títulos, nacionais e europeus, no futebol e nas outras modalidades. Títulos do Sporting, obviamente. A isto acrescem as várias medalhas olímpicas conquistadas por atletas do Sporting, contribuindo para que o clube seja justamente a maior potência desportiva nacional desde 1906, como é anunciado a meio. Até aqui tudo bem - perfeitamente de acordo. Só que, incompreensivelmente, à direita são anunciados "2 FIFA World Players - Figo & Ronaldo". Como se estes "FIFA World Players" fossem títulos do Sporting. Não são, obviamente. São títulos daqueles dois jogadores, formados pelo Sporting, e de quem o Sporting se deve orgulhar. Mas são títulos (no caso do Ronaldo, são muitos!) que não foram conquistados ao serviço do Sporting, e com os quais o Sporting não tem nada a ver. A lista de títulos do Sporting é suficentemente longa e rica para o Sporting e os sportinguistas dela se orgulharem, sem nenhuma necessidade de lhe estar a acrescentar títulos alheios. Ronaldo e Figo merecem lugar de destaque na Academia do Sporting, sem nenhuma dúvida. Não ali. No lugar daqueles "FIFA World Players", mais valia estarem títulos europeus conquistados por jogadores do Sporting, ao serviço do Sporting: as botas de ouro de Jardel e do saudoso Yazalde - cada uma delas, à sua época, representava um recorde europeu.
A primeira alteração que eu proporia seria portanto esta - a remoção destes "FIFA World Players" que nada têm a ver com o Sporting.

Uma nomeação ridícula

A Universidade de Cambridge não se chama Universidade Isaac Newton. O Actor's Studio não se chama Escola Marlon Brando. A École Polytechnique de Paris não se chama Escola Poincaré ou Fourier. A Escola Politécnica de Zurique não se chama Escola Albert Einstein. O Instituto Superior Técnico não se chama Instituto António Guterres.
As grandes escolas obviamente orgulham-se dos seus melhores alunos. Mas nenhuma instituição de referência muda o seu nome por causa deles. Isto a propósito da estúpida - não tem outro nome - decisão de mudar o nome da Academia do Sporting para Cristiano Ronaldo. Antes fosse Aurélio Pereira!

O Rúben Amorim também quer o Arco da Porta Nova? E o Bom Jesus?

Pelos vistos, o treinador pelo qual o Sporting (ainda não) pagou dez milhões de euros mais juros é daqueles que só sabem trabalhar com um grupo restrito de jogadores. Será por isso que não quer o Adrien (o tipo de jogador que faz falta no balneário do Sporting)? Será por medo de que lhe faça sombra? Eu não gosto de treinadores com medo de jogadores.

Ai que saudades, ai ai

O jornalista (e sportinguista) Nuno Ramos de Almeida escreve no seu facebook, e eu aqui transcrevo com a devida vénia:

"Antigamente o jornalismo era a procura da verdade sobre aquilo que era notícia. Agora em muitos sítios é a procura de um efeito político."

Antigamente, "A Bola" era um jornal. Agora é uma página web que decide que a melhor forma de apurar a verdade sobre o diferendo entre o Sporting e Mihajlovic é abrir um inquérito online.

Mais uma oportunidade perdida

Um clube sem grandes hábitos de vitória, como é infelizmente o Sporting no futebol nas últimas décadas, não pode deixar de aproveitar as falhas dos seus rivais e os momentos em que estão menos bem.
Neste século, esta época foi a terceira em que isto aconteceu, depois das de 2001 e 2005. Esses foram os campeonatos mais mal perdidos pelo Sporting de que eu me lembro. Em ambos ficámos incrivelmente em terceiro, com os nossos principais rivais enfraquecidos. Com um pouco mais de paciência, estabilidade e bom planeamento, foram dois títulos que não deveriam ter fugido ao Sporting. E o mesmo se pode dizer nesta época. O FC Porto foi um justo campeão, mas foi o campeão mais fraco dos últimos anos. A campanha europeia não engana. Poucos discordarão que aquela equipa de 2018 que Bruno de Carvalho tanto destratou levando os jogadores a rescindir teria sido tranquilamente campeã este ano. Mesmo se, naturalmente, entretanto alguns jogadores tivessem saído, desde que se tivesse mantido a equipa técnica e o núcleo duro. Convém os sportinguistas terem isto presente. Agora a realidade não foi essa, e não podemos fingir que nada sucedeu. Os acontecimentos do verão de 2018 fragilizaram muito a equipa e o clube. Talvez fosse irrealista exigir um Sporting tão competitivo como aquele de 2018. Mesmo assim, estes foram o Benfica e o FC Porto mais fracos (simultaneamente) da década. Seria exigível que o Sporting estivesse, pelo menos, ao nível destes clubes. Ter tido um Sporting tão longe daqueles dois clubes este ano é inaceitável e só revela incompetência.

A propósito de estátuas

Têm dado muito que falar mundialmente (e também em Lisboa) as vandalizações de estátuas esta semana. Por princípio oponho-me à vandalização de estátuas, mas é sempre possível discutir o seu conteúdo, a sua finalidade, a homenagem que se pretende fazer. E, se for caso disso, removê-las do espaço público.
No caso do Sporting, não pretendo remover, e muito menos vandalizar a estátua da Rotunda Visconde de Alvalade. Mas creio que se deve discutir seriamente a pertinência de algumas mensagens - pelo menos uma - que lhe são adjacentes. Só vi algo semelhante a isto na Praça da Revolução em Havana. Até gosto muito de Cuba, mas por princípio também me oponho sempre a cultos de personalidade.

 

Alcochete e autocarro

É impressionante a analogia entre as motivações e os procedimentos dos fanáticos adeptos sportinguistas de Alcochete e dos fanáticos adeptos benfiquistas que atacaram o autocarro da sua equipa esta semana. Gente como esta tem que ser banida do futebol português, independentemente do clube.
Não vejam nisto de forma nenhuma uma defesa de Luís Filipe Vieira, que aliás tem muito que explicar sobre a relação do Benfica e da sua direção com esses (designados) "grupos organizados de adeptos". Mas onde de facto há uma diferença enorme é no contexto dos dois ataques (o do Sporting e o do Benfica, o da academia e o do autocarro), e tal diferença resulta da atitude dos presidentes. Luís Filipe Vieira falou com a equipa do Benfica no balneário e disse lá o que tinha para dizer. Não sei o que disse (nem me interessa): só sei que o disse lá. Não o disse em público, na comunicação social e muito menos nas redes sociais. Não procurou atirar os adeptos do seu clube contra os atletas. Presumo que tenha sido exigente, como um presidente tem todo o direito a ser. Presumo que tenha manifestado desagrado, como um presidente tem todo o direito a manifestar.
Ficou provado que Bruno de Carvalho nada teve a ver com a organização do ataque a Alcochete (e, por conseguinte, nem o Sporting teve). E ainda bem. Mas Bruno de Carvalho teve muito (ou tudo) a ver com a criação do contexto que tornou Alcochete possível. Episódios como este ataque ao autocarro da equipa do Benfica mostram que infelizmente o ataque a Alcochete nem é um caso único. Mas a loucura de Bruno de Carvalho, sim, essa é.

A voz do leitor (extra, bis)

É difícil dizer que os jogadores são culpados de terem virado as costas ao clube, quando foi o presidente que lhes virou as costas em primeiro. Ao aceitar que foguetes fossem lançados sobre Patrício e nada ter dito e sobretudo feito. Ao aceitar que os jogadores fossem confrontados na sua integridade física quando a claque entrou dentro das instalações do clube (garagem) e nada ter dito ou feito. Quando perante o "espetáculo" a que se assistiu em Alcochete e não ter acompanhado os jogadores quando se deslocaram à esquadra da GNR para apresentar queixa. Quando afirmou perentoriamente perante a Comunicação Social que acontecimentos daqueles eram chatos. Eu no meu local de trabalho se tivesse um patrão que me "defendesse" desta maneira perante sucessivas agressões, também batia com a porta. A minha opinião sobre o amor que Patrício e William têm ao Sporting viu-se na pressão exercida sobre os empresários para chegarem a um consenso com a Direção do Sporting. O amor que sentem pelo Sporting está patente no facto de irem ver jogos a Alvalade. Contudo, esta minha opinião não inviabiliza o facto de não estar minimamente satisfeito com aquilo que está a ser feito por esta direção.

Comentário, que subscrevo inteiramente, de Jorge Fernandes.

A voz do leitor (extra)

Pedindo licença ao Pedro Correia por me intrometer numa rubrica que, geralmente, é da sua responsabilidade, desta vez decidi eu destacar um comentário da autoria de António C. neste texto do Pedro Branco:

A decisão é irrelevante para o SCP porque o clube foi irremediavelmente destruído há 2 anos.
Para um dia voltar a existir algo que se assuma como "Sporting", ou 2/3 da massa adepta expulsa o outro 1/3, ou o inverso, não há outro meio.

Talvez o futuro não seja tão negro, talvez não seja necessário tanto pessimismo: talvez um dia, apesar de tão divididos, consigamos voltar a ser campeões, e nessa altura num cenário de vitória talvez até consigamos estar unidos e esquecer este tristíssimo episódio. Terá que ser com outra direção, com certeza: a atual direção não tem feito nada nem para unir o clube, mesmo sabendo que isso seria sempre uma tarefa ciclópica, nem para o colocar de regresso às vitórias. Mas uma coisa tenho como certa: o grande responsável por esta situação, quem instalou este clima de discórdia no clube, quem colocou adeptos contra adeptos, sócios contra sócios, sócios contra atletas, e quem se alimentou disso, foi Bruno de Carvalho.

Hélder Amaral, Bruno de Carvalho, Adrien Silva e o rebanho

Só me recordava do nome de Hélder Amaral por ter sido deputado, e por ter alegadamente agredido (ou pelo menos sido fisicamente agressivo) uma colega de partido num congresso. Mas é também sportinguista, e daqueles que mesmo depois de tudo o que se passou consideravam Bruno de Carvalho "o homem certo no lugar certo". Confesso que não fico surpreendido. Fiquei recentemente a saber isto, e ainda que Amaral prefere "um exército de ovelhas comandado por um leão do que um exército de leões comandado por uma ovelha".
A metáfora do "exército de leões comandado por uma ovelha", parece-me óbvio, aplica-se à situação atual do Sporting e à sua fraca liderança, que eu critico e lamento. Mas verdadeiros leões não aceitam por muito tempo serem comandados por ovelhas. E é este o Sporting que todos deveríamos querer. O comandante é importante, de acordo, e a metáfora do "exército" nem sei se é a mais adequada. Mas o mais importante é, ou deveria ser, sermos sempre leões. Para o sr. Amaral, pelos vistos, não: "leão" deve ser o líder, e os restantes devem ser literalmente um rebanho. Esta parece ser a concepção de clube dos aficionados do anterior presidente, que partilham e comentam este depoimento em termos elogiosos. E é mesmo assim que, na sua maioria, tais apoiantes agem. Ainda bem que é o próprio Hélder Amaral, num momento de lucidez, a reconhecer isto.
Menos lúcido esteve Hélder Amaral ao recordar a derrota na Madeira no último jogo do campeonato de 2018, ao deitar todas as culpas pela mesma para os jogadores, em especial os capitães da equipa, entre os quais... Adrien Silva. Ora o saudoso Adrien (que eu ainda espero voltar a ver jogar pelo Sporting, tal como os outros capitães a que se referia Amaral) naquela altura já não era jogador do Sporting há um ano... A confusão de Amaral deve-se provavelmente a Adrien nunca ter escondido de que lado estava no conflito entre os seus ex-colegas e o então presidente.
Amaral insiste, ainda assim, na tese da "pouca entrega" dos jogadores. Reconhece que "depois, até poderiam dizer 'vamos sair, ou muda a direção ou saímos nós'". Defende, portanto, que havia problemas no clube, mas que o principal problema eram os jogadores. E diz que um dia gostaria de "os confrontar". Eu gostaria que essa confrontação acontecesse, e que Amaral e quem defende esta tese respondessem pela situação interna que se vivia, pelas suspensões e os comunicados do presidente, e pelas tochas lançadas ao Rui Patrício em Alvalade.

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

Lamentável

Verdadeiramente lamentável o papel a que Maria José Valério se prestou, com as suas declarações ao microfone do estádio de Alvalade esta tarde. Os assobios que levou de uma parte significativa do público eram perfeitamente escusados para alguém que deveria ser unânime no clube, mas que nesta tarde optou por não o ser. Era uma reação mais do que previsível. Se esta atitude de Maria José Valério partiu da sua iniciativa, foi lamentável. Mas se por acaso alguém lhe pediu para a tomar, foi mais do que lamentável: foi baixo.

Eu dou-te o frustrante

Frustrante mesmo é dar uma oportunidade para o indivíduo que nos últimos anos mais tem gozado com o Sporting ainda se armar em vítima. Por culpa do Sporting. Espero que ele devolva o Palhinha, e se quiser devolver o Esgaio, não seja por isso. O Wilson Eduardo não está em fim de contrato? (Refiro-me ao topo direito desta capa deste jornal que também adora colocar o Sporting ao nível dos clubes regionais.)

 

Só vendo é que acreditei

Pagar uma boa maquia por um treinador consagrado, como Bruno de Carvalho fez com Jorge Jesus, seria uma opção discutível e polémica num clube que dispensa jogadores de indiscutível categoria,  alguns dos quais seus símbolos, por motivos financeiros. Mas seria uma opção válida.

Pagar uma fortuna - uma das maiores da história em todo o mundo - por alguém que treinou doze ou treze jogos como sénior na vida está para além da incompetência.

A diferença entre não pagar nada - como com o Silas - e pagar uma fortuna - como com o Rúben Amorim - é que, no primeiro caso, pensa-se "pode ser que corra bem". No segundo, é inevitável questionar "e se correr mal?" Se foi assim com o Jesus, muito mais com o Rúben. Convencer os sportinguistas a pensarem só que "pode correr bem", como se fosse a mesma coisa não pagar nada ou pagar dez milhões, como se fosse a mesma coisa o Rúben ou um consagrado, é gozar com a nossa inteligência.

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