Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

A propósito de estátuas

Têm dado muito que falar mundialmente (e também em Lisboa) as vandalizações de estátuas esta semana. Por princípio oponho-me à vandalização de estátuas, mas é sempre possível discutir o seu conteúdo, a sua finalidade, a homenagem que se pretende fazer. E, se for caso disso, removê-las do espaço público.
No caso do Sporting, não pretendo remover, e muito menos vandalizar a estátua da Rotunda Visconde de Alvalade. Mas creio que se deve discutir seriamente a pertinência de algumas mensagens - pelo menos uma - que lhe são adjacentes. Só vi algo semelhante a isto na Praça da Revolução em Havana. Até gosto muito de Cuba, mas por princípio também me oponho sempre a cultos de personalidade.

 

Alcochete e autocarro

É impressionante a analogia entre as motivações e os procedimentos dos fanáticos adeptos sportinguistas de Alcochete e dos fanáticos adeptos benfiquistas que atacaram o autocarro da sua equipa esta semana. Gente como esta tem que ser banida do futebol português, independentemente do clube.
Não vejam nisto de forma nenhuma uma defesa de Luís Filipe Vieira, que aliás tem muito que explicar sobre a relação do Benfica e da sua direção com esses (designados) "grupos organizados de adeptos". Mas onde de facto há uma diferença enorme é no contexto dos dois ataques (o do Sporting e o do Benfica, o da academia e o do autocarro), e tal diferença resulta da atitude dos presidentes. Luís Filipe Vieira falou com a equipa do Benfica no balneário e disse lá o que tinha para dizer. Não sei o que disse (nem me interessa): só sei que o disse lá. Não o disse em público, na comunicação social e muito menos nas redes sociais. Não procurou atirar os adeptos do seu clube contra os atletas. Presumo que tenha sido exigente, como um presidente tem todo o direito a ser. Presumo que tenha manifestado desagrado, como um presidente tem todo o direito a manifestar.
Ficou provado que Bruno de Carvalho nada teve a ver com a organização do ataque a Alcochete (e, por conseguinte, nem o Sporting teve). E ainda bem. Mas Bruno de Carvalho teve muito (ou tudo) a ver com a criação do contexto que tornou Alcochete possível. Episódios como este ataque ao autocarro da equipa do Benfica mostram que infelizmente o ataque a Alcochete nem é um caso único. Mas a loucura de Bruno de Carvalho, sim, essa é.

A voz do leitor (extra, bis)

É difícil dizer que os jogadores são culpados de terem virado as costas ao clube, quando foi o presidente que lhes virou as costas em primeiro. Ao aceitar que foguetes fossem lançados sobre Patrício e nada ter dito e sobretudo feito. Ao aceitar que os jogadores fossem confrontados na sua integridade física quando a claque entrou dentro das instalações do clube (garagem) e nada ter dito ou feito. Quando perante o "espetáculo" a que se assistiu em Alcochete e não ter acompanhado os jogadores quando se deslocaram à esquadra da GNR para apresentar queixa. Quando afirmou perentoriamente perante a Comunicação Social que acontecimentos daqueles eram chatos. Eu no meu local de trabalho se tivesse um patrão que me "defendesse" desta maneira perante sucessivas agressões, também batia com a porta. A minha opinião sobre o amor que Patrício e William têm ao Sporting viu-se na pressão exercida sobre os empresários para chegarem a um consenso com a Direção do Sporting. O amor que sentem pelo Sporting está patente no facto de irem ver jogos a Alvalade. Contudo, esta minha opinião não inviabiliza o facto de não estar minimamente satisfeito com aquilo que está a ser feito por esta direção.

Comentário, que subscrevo inteiramente, de Jorge Fernandes.

A voz do leitor (extra)

Pedindo licença ao Pedro Correia por me intrometer numa rubrica que, geralmente, é da sua responsabilidade, desta vez decidi eu destacar um comentário da autoria de António C. neste texto do Pedro Branco:

A decisão é irrelevante para o SCP porque o clube foi irremediavelmente destruído há 2 anos.
Para um dia voltar a existir algo que se assuma como "Sporting", ou 2/3 da massa adepta expulsa o outro 1/3, ou o inverso, não há outro meio.

Talvez o futuro não seja tão negro, talvez não seja necessário tanto pessimismo: talvez um dia, apesar de tão divididos, consigamos voltar a ser campeões, e nessa altura num cenário de vitória talvez até consigamos estar unidos e esquecer este tristíssimo episódio. Terá que ser com outra direção, com certeza: a atual direção não tem feito nada nem para unir o clube, mesmo sabendo que isso seria sempre uma tarefa ciclópica, nem para o colocar de regresso às vitórias. Mas uma coisa tenho como certa: o grande responsável por esta situação, quem instalou este clima de discórdia no clube, quem colocou adeptos contra adeptos, sócios contra sócios, sócios contra atletas, e quem se alimentou disso, foi Bruno de Carvalho.

Hélder Amaral, Bruno de Carvalho, Adrien Silva e o rebanho

Só me recordava do nome de Hélder Amaral por ter sido deputado, e por ter alegadamente agredido (ou pelo menos sido fisicamente agressivo) uma colega de partido num congresso. Mas é também sportinguista, e daqueles que mesmo depois de tudo o que se passou consideravam Bruno de Carvalho "o homem certo no lugar certo". Confesso que não fico surpreendido. Fiquei recentemente a saber isto, e ainda que Amaral prefere "um exército de ovelhas comandado por um leão do que um exército de leões comandado por uma ovelha".
A metáfora do "exército de leões comandado por uma ovelha", parece-me óbvio, aplica-se à situação atual do Sporting e à sua fraca liderança, que eu critico e lamento. Mas verdadeiros leões não aceitam por muito tempo serem comandados por ovelhas. E é este o Sporting que todos deveríamos querer. O comandante é importante, de acordo, e a metáfora do "exército" nem sei se é a mais adequada. Mas o mais importante é, ou deveria ser, sermos sempre leões. Para o sr. Amaral, pelos vistos, não: "leão" deve ser o líder, e os restantes devem ser literalmente um rebanho. Esta parece ser a concepção de clube dos aficionados do anterior presidente, que partilham e comentam este depoimento em termos elogiosos. E é mesmo assim que, na sua maioria, tais apoiantes agem. Ainda bem que é o próprio Hélder Amaral, num momento de lucidez, a reconhecer isto.
Menos lúcido esteve Hélder Amaral ao recordar a derrota na Madeira no último jogo do campeonato de 2018, ao deitar todas as culpas pela mesma para os jogadores, em especial os capitães da equipa, entre os quais... Adrien Silva. Ora o saudoso Adrien (que eu ainda espero voltar a ver jogar pelo Sporting, tal como os outros capitães a que se referia Amaral) naquela altura já não era jogador do Sporting há um ano... A confusão de Amaral deve-se provavelmente a Adrien nunca ter escondido de que lado estava no conflito entre os seus ex-colegas e o então presidente.
Amaral insiste, ainda assim, na tese da "pouca entrega" dos jogadores. Reconhece que "depois, até poderiam dizer 'vamos sair, ou muda a direção ou saímos nós'". Defende, portanto, que havia problemas no clube, mas que o principal problema eram os jogadores. E diz que um dia gostaria de "os confrontar". Eu gostaria que essa confrontação acontecesse, e que Amaral e quem defende esta tese respondessem pela situação interna que se vivia, pelas suspensões e os comunicados do presidente, e pelas tochas lançadas ao Rui Patrício em Alvalade.

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

Lamentável

Verdadeiramente lamentável o papel a que Maria José Valério se prestou, com as suas declarações ao microfone do estádio de Alvalade esta tarde. Os assobios que levou de uma parte significativa do público eram perfeitamente escusados para alguém que deveria ser unânime no clube, mas que nesta tarde optou por não o ser. Era uma reação mais do que previsível. Se esta atitude de Maria José Valério partiu da sua iniciativa, foi lamentável. Mas se por acaso alguém lhe pediu para a tomar, foi mais do que lamentável: foi baixo.

Eu dou-te o frustrante

Frustrante mesmo é dar uma oportunidade para o indivíduo que nos últimos anos mais tem gozado com o Sporting ainda se armar em vítima. Por culpa do Sporting. Espero que ele devolva o Palhinha, e se quiser devolver o Esgaio, não seja por isso. O Wilson Eduardo não está em fim de contrato? (Refiro-me ao topo direito desta capa deste jornal que também adora colocar o Sporting ao nível dos clubes regionais.)

 

Só vendo é que acreditei

Pagar uma boa maquia por um treinador consagrado, como Bruno de Carvalho fez com Jorge Jesus, seria uma opção discutível e polémica num clube que dispensa jogadores de indiscutível categoria,  alguns dos quais seus símbolos, por motivos financeiros. Mas seria uma opção válida.

Pagar uma fortuna - uma das maiores da história em todo o mundo - por alguém que treinou doze ou treze jogos como sénior na vida está para além da incompetência.

A diferença entre não pagar nada - como com o Silas - e pagar uma fortuna - como com o Rúben Amorim - é que, no primeiro caso, pensa-se "pode ser que corra bem". No segundo, é inevitável questionar "e se correr mal?" Se foi assim com o Jesus, muito mais com o Rúben. Convencer os sportinguistas a pensarem só que "pode correr bem", como se fosse a mesma coisa não pagar nada ou pagar dez milhões, como se fosse a mesma coisa o Rúben ou um consagrado, é gozar com a nossa inteligência.

Competência, tempo e paciência

Mesmo não tendo sido campeão na época de estreia, era claro para os sportinguistas minimamente racionais que era uma questão de tempo até o Sporting ser campeão com o Jorge Jesus. Qualquer pessoa via que, com Jesus, o Sporting voltaria a ser campeão. Pela forma como abordava cada jogo, pela confiança e mentalidade ganhadora - que era incutida pelo treinador. Era uma questão de tempo e de paciência. Não funcionava sempre. Era natural que custasse a implementar - ainda mais no Sporting. No Benfica, Jesus numa época perdeu tudo para Vilas Boas, tendo sido eliminado em casa da taça e perdido por 5-0 no Dragão para o campeonato. Na época seguinte também não ganhou nada de jeito, e na outra perdeu tudo numa semana, incluindo a final da taça para o Guimarães. Mas havia uma avaliação da forma de jogar da equipa e houve paciência para deixar que o ciclo do adversário chegasse ao fim para começar a ganhar. E o Benfica ganhou com Jesus. No Sporting a história poderia ter sido semelhante. A confirmação veio na noite de hoje.
A qualidade da Liga Portuguesa tem vindo a baixar significativamente nos últimos anos. Têm emigrados muitos bons jogadores, têm emigrado sobretudo muitos bons treinadores, a um ritmo muito elevado, e os que ficaram não estão à altura. Esse decréscimo de qualidade não é só no Sporting. Só que no caso específico do Sporting ele é particularmente evidente, com a onda de rescisões de 2018 pelas razões que são bem conhecidas. A queda do Sporting é bem mais acentuada. E o resultado é este: o Sporting está muito pior do que os seus rivais, quando poderia estar muito melhor. Tivesse havido mais paciência com quem tinha provas dadas e estava a fazer um bom trabalho (e continuou a fazê-lo nos clubes por onde passou). Em circunstâncias normais, a equipa hoje não seria a mesma de 2018 (pelo menos Rui Patrício e William, e quase de certeza Gelson, já teriam saído), mas teria sido possível manter a mesma base e dar continuidade a um trabalho. E creio que ninguém duvida que, com a mesma estrutura de 2018, o Sporting nesta época seria melhor que este Benfica e este FC Porto e seria campeão sem dificuldade. Só que tudo começou a ir por água abaixo com uma célebre postagem no facebook após um jogo em Madrid, a que se seguiram muitas outras até tudo acabar com a consequência dessas postagens que foi a invasão à Academia.
Não venho aqui e agora defender a atual estrutura diretiva e no futebol, que cometeu muitos e enormes erros. Só estou a pensar nos erros dos outros. Também convém. Um clube como o Sporting tem que saber aproveitar os erros dos outros. E tem que ser servido por pessoas competentes. Pessoas competentes é o que eu não vejo na atual estrutura do futebol, de alto a baixo. Mas não basta ter pessoas competentes. Há que lhes dar tempo e ter paciência.

Uma questão de oftalmologia?

Conheço bem o Minho, e impressiona-me a ideia frequente naquelas paragens (talvez pelo merecido prestígio que o curso de Optometria na universidade local tem) de que "ir ao optometrista" é o mesmo que consultar um oftalmologista. Ora tal não é o mesmo; um optometrista pode ser (e é) competente para avaliar o tipo de lentes e graduação que eventualmente necessitemos de usar, mas tal não é suficiente para avaliar o estado da nossa saúde ocular. Há exames (corriqueiros) que só um oftalmologista faz, e doenças que só um oftalmologista pode diagnosticar.

O SC Braga emitiu recentemente um comunicado que evidencia esses problemas de visão. Deve haver por ali algum problema com a tensão ocular

Sinais de desespero

Primeiro foi o ataque descabido a João Benedito. Se há virtude que deve ser reconhecida em João Benedito é a de saber estar calado, gerir o seu silêncio, só falar quando deve e jamais, até hoje - e espero que continue sempre assim - ter contribuído para alimentar a instabilidade no Sporting.

Agora foi esta capa lamentável do Jornal Sporting, já referida noutros textos aqui no blogue. Mais uma, depois da que ignorava o título mundial de judo do sportinguista - mas "incómodo" - Jorge Fonseca. Não estou de forma nenhuma a defender quem intimidou física e verbalmente os dirigentes do Sporting e da sua família, mas essa lamentável e condenável ocorrência não justifica essa capa. Uma capa assim justificar-se-ia depois do ataque à Academia: "Isto não é o Sporting". Estou certo de que tal capa, nessa altura, refletiria o que pensava a maioria dos sportinguistas. Não há comparação entre a gravidade dos acontecimentos dessa altura e os atuais, pelo que da mesma forma estou certo que a maioria dos sportinguistas também não se revê nesta capa, nesta altura.

A luta desta direção do Sporting contra os malfeitores presentes nas claques é justíssima, mas deve ser travada com o clube unido. Esta direção só está a dividir o clube. Mesmo que ganhe a guerra contra as claques, só fragiliza o Sporting. Equiparar sportinguistas insatisfeitos e membros das claques é de uma profunda desonestidade. Mas é isso que a atual direção tem vindo a fazer. Dá ideia de que trava esta luta não por convicção, mas por uma tentativa desesperada de ganhar alguma popularidade. Não o vai conseguir. E assim compromete esta luta justa, e o resultado final pode ser desastroso.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D