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És a nossa Fé!

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

Lamentável

Verdadeiramente lamentável o papel a que Maria José Valério se prestou, com as suas declarações ao microfone do estádio de Alvalade esta tarde. Os assobios que levou de uma parte significativa do público eram perfeitamente escusados para alguém que deveria ser unânime no clube, mas que nesta tarde optou por não o ser. Era uma reação mais do que previsível. Se esta atitude de Maria José Valério partiu da sua iniciativa, foi lamentável. Mas se por acaso alguém lhe pediu para a tomar, foi mais do que lamentável: foi baixo.

Eu dou-te o frustrante

Frustrante mesmo é dar uma oportunidade para o indivíduo que nos últimos anos mais tem gozado com o Sporting ainda se armar em vítima. Por culpa do Sporting. Espero que ele devolva o Palhinha, e se quiser devolver o Esgaio, não seja por isso. O Wilson Eduardo não está em fim de contrato? (Refiro-me ao topo direito desta capa deste jornal que também adora colocar o Sporting ao nível dos clubes regionais.)

 

Só vendo é que acreditei

Pagar uma boa maquia por um treinador consagrado, como Bruno de Carvalho fez com Jorge Jesus, seria uma opção discutível e polémica num clube que dispensa jogadores de indiscutível categoria,  alguns dos quais seus símbolos, por motivos financeiros. Mas seria uma opção válida.

Pagar uma fortuna - uma das maiores da história em todo o mundo - por alguém que treinou doze ou treze jogos como sénior na vida está para além da incompetência.

A diferença entre não pagar nada - como com o Silas - e pagar uma fortuna - como com o Rúben Amorim - é que, no primeiro caso, pensa-se "pode ser que corra bem". No segundo, é inevitável questionar "e se correr mal?" Se foi assim com o Jesus, muito mais com o Rúben. Convencer os sportinguistas a pensarem só que "pode correr bem", como se fosse a mesma coisa não pagar nada ou pagar dez milhões, como se fosse a mesma coisa o Rúben ou um consagrado, é gozar com a nossa inteligência.

Competência, tempo e paciência

Mesmo não tendo sido campeão na época de estreia, era claro para os sportinguistas minimamente racionais que era uma questão de tempo até o Sporting ser campeão com o Jorge Jesus. Qualquer pessoa via que, com Jesus, o Sporting voltaria a ser campeão. Pela forma como abordava cada jogo, pela confiança e mentalidade ganhadora - que era incutida pelo treinador. Era uma questão de tempo e de paciência. Não funcionava sempre. Era natural que custasse a implementar - ainda mais no Sporting. No Benfica, Jesus numa época perdeu tudo para Vilas Boas, tendo sido eliminado em casa da taça e perdido por 5-0 no Dragão para o campeonato. Na época seguinte também não ganhou nada de jeito, e na outra perdeu tudo numa semana, incluindo a final da taça para o Guimarães. Mas havia uma avaliação da forma de jogar da equipa e houve paciência para deixar que o ciclo do adversário chegasse ao fim para começar a ganhar. E o Benfica ganhou com Jesus. No Sporting a história poderia ter sido semelhante. A confirmação veio na noite de hoje.
A qualidade da Liga Portuguesa tem vindo a baixar significativamente nos últimos anos. Têm emigrados muitos bons jogadores, têm emigrado sobretudo muitos bons treinadores, a um ritmo muito elevado, e os que ficaram não estão à altura. Esse decréscimo de qualidade não é só no Sporting. Só que no caso específico do Sporting ele é particularmente evidente, com a onda de rescisões de 2018 pelas razões que são bem conhecidas. A queda do Sporting é bem mais acentuada. E o resultado é este: o Sporting está muito pior do que os seus rivais, quando poderia estar muito melhor. Tivesse havido mais paciência com quem tinha provas dadas e estava a fazer um bom trabalho (e continuou a fazê-lo nos clubes por onde passou). Em circunstâncias normais, a equipa hoje não seria a mesma de 2018 (pelo menos Rui Patrício e William, e quase de certeza Gelson, já teriam saído), mas teria sido possível manter a mesma base e dar continuidade a um trabalho. E creio que ninguém duvida que, com a mesma estrutura de 2018, o Sporting nesta época seria melhor que este Benfica e este FC Porto e seria campeão sem dificuldade. Só que tudo começou a ir por água abaixo com uma célebre postagem no facebook após um jogo em Madrid, a que se seguiram muitas outras até tudo acabar com a consequência dessas postagens que foi a invasão à Academia.
Não venho aqui e agora defender a atual estrutura diretiva e no futebol, que cometeu muitos e enormes erros. Só estou a pensar nos erros dos outros. Também convém. Um clube como o Sporting tem que saber aproveitar os erros dos outros. E tem que ser servido por pessoas competentes. Pessoas competentes é o que eu não vejo na atual estrutura do futebol, de alto a baixo. Mas não basta ter pessoas competentes. Há que lhes dar tempo e ter paciência.

Uma questão de oftalmologia?

Conheço bem o Minho, e impressiona-me a ideia frequente naquelas paragens (talvez pelo merecido prestígio que o curso de Optometria na universidade local tem) de que "ir ao optometrista" é o mesmo que consultar um oftalmologista. Ora tal não é o mesmo; um optometrista pode ser (e é) competente para avaliar o tipo de lentes e graduação que eventualmente necessitemos de usar, mas tal não é suficiente para avaliar o estado da nossa saúde ocular. Há exames (corriqueiros) que só um oftalmologista faz, e doenças que só um oftalmologista pode diagnosticar.

O SC Braga emitiu recentemente um comunicado que evidencia esses problemas de visão. Deve haver por ali algum problema com a tensão ocular

Sinais de desespero

Primeiro foi o ataque descabido a João Benedito. Se há virtude que deve ser reconhecida em João Benedito é a de saber estar calado, gerir o seu silêncio, só falar quando deve e jamais, até hoje - e espero que continue sempre assim - ter contribuído para alimentar a instabilidade no Sporting.

Agora foi esta capa lamentável do Jornal Sporting, já referida noutros textos aqui no blogue. Mais uma, depois da que ignorava o título mundial de judo do sportinguista - mas "incómodo" - Jorge Fonseca. Não estou de forma nenhuma a defender quem intimidou física e verbalmente os dirigentes do Sporting e da sua família, mas essa lamentável e condenável ocorrência não justifica essa capa. Uma capa assim justificar-se-ia depois do ataque à Academia: "Isto não é o Sporting". Estou certo de que tal capa, nessa altura, refletiria o que pensava a maioria dos sportinguistas. Não há comparação entre a gravidade dos acontecimentos dessa altura e os atuais, pelo que da mesma forma estou certo que a maioria dos sportinguistas também não se revê nesta capa, nesta altura.

A luta desta direção do Sporting contra os malfeitores presentes nas claques é justíssima, mas deve ser travada com o clube unido. Esta direção só está a dividir o clube. Mesmo que ganhe a guerra contra as claques, só fragiliza o Sporting. Equiparar sportinguistas insatisfeitos e membros das claques é de uma profunda desonestidade. Mas é isso que a atual direção tem vindo a fazer. Dá ideia de que trava esta luta não por convicção, mas por uma tentativa desesperada de ganhar alguma popularidade. Não o vai conseguir. E assim compromete esta luta justa, e o resultado final pode ser desastroso.

O exemplo do Barcelona

Tudo bem que o Barcelona tem argumentos que o Sporting não tem - dificilmente algum treinador recusaria um convite do Barcelona (consta que só o Pochettino recusou). É mais fácil arranjar um treinador para o Barcelona que para o Sporting. Mesmo assim, a substituição de Ernesto Valverde foi exemplar de como deve ser feita uma substiuição de treinador a meio da época (vulgo uma "chicotada"). Foi anunciada a sua saída, e imediatamente a seguir foi anunciado o treinador substituto. Um treinador que é uma primeira e efetiva aposta, e não uma solução experimental interna "a ver se funciona". O Barcelona é um clube com ambições e que não tem tempo (e dinheiro, e pontos) a perder com Oceanos, Leonéis Pontes e Tiagos Fernandes (a propósito: alguém sabe o que é feito deste rapaz que, nas suas próprias palavras, percebia tanto de futebol?).

As substituições de treinador a meio da época são sempre de evitar. Se a situação está mesmo insustentável, mais vale mesmo assim ir aguentando o treinador enquanto se procura uma alternativa a sério do que estar a mandá-lo embora, devido a um estado de alma, para entregar a equipa a alguém sem capacidade.

{ Blog fundado em 2012. }

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