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És a nossa Fé!

Um clube de malucos?

 

A equipa técnica de que José Mourinho fez parte, liderada por um grande senhor da história do futebol, provavelmente mais conhecido do que qualquer treinador que até então tivesse trabalhado em Portugal, foi despedida para contratar um professor de educação física que nem chutos sabia dar.

Anos mais tarde, Mourinho tinha tudo acertado com o Sporting, mas o então presidente da SAD voltou atrás à última da hora, instantes antes de ser apresentado como treinador, por pressão das claques.

E há muitos outros episódios que nada têm a ver com Mourinho. O mais emblemático de todos foi o ato de loucura coletiva que constituiu a invasão a Alcochete, noticiada em todo o mundo, uma semana depois de o capitão da equipa ser recebido por uma chuva de tochas num jogo contra o Benfica em Alvalade. Acima destes episódios estava o então presidente, que escrevia posts no Facebook a altas horas da noite a insultar os jogadores - gostaria eu de saber em que condições mentais e em que estado de intoxicação física. Ao longo de todo o primeiro semestre de 2018 surpreende-me como nunca ninguém tentou pedir a sua interdição.

Não me choca, por isso, que alguém se refira ao Sporting como um "clube de malucos". No romance "Cem Anos de Solidão", Úrsula Iguarán referia-se constantemente à sua família como "uma casa de doidos". Mas nem por isso deixava de ser a referência da família.

O Sporting precisava de alguém como Úrsula Iguarán. Seria preciso coragem e inteligência emocional. Mas nunca a referir-se à suposta insanidade dos sportinguistas em tom de queixa. Todos os episódios que recordei ocorreram antes da eleição de Frederico Varandas como presidente. Não pode dizer que não soubesse onde se iria meter. Mas é o que transparece da sua entrevista, toda ela num tom que parece sobretudo uma confissão de impotência.

Não me faz confusão nenhuma que alguém considere o Sporting um clube de malucos. Faz-me muita confusão que um presidente do Sporting se venha queixar dos sportinguistas numa entrevista de televisão.

"Em cima do joelho"

Entre vários aspetos lamentáveis da entrevista de Frederico Varandas, já referidos por colegas de blogue, gostaria de destacar a admissão de que muitas decisões relativas à equipa de futebol foram tomadas "em cima do joelho". Isto já a gente desconfiava; por isso, esta parece-me ser a época mais mal planeada desde o tempo do Bettencourt (aliás, cada vez mais o presidente do Sporting me faz lembrar José Eduardo Bettencourt). A novidade está no tom apologético, como se quem é responsável pela estrutura não conhecesse os prazos e não tivesse culpa de não ter tomado as decisões a tempo. Não houve aqui nada que não pudesse ser controlado. Admitiram que "tomaram decisões em cima do joelho". Muito bem. E a culpa é de quem? É admissível uma época ser preparada assim?

Os treinadores

Mesmo tendo ganho uma taça de Portugal e uma taça da Liga - mesmo tendo ganho mais troféus, em menos tempo, que outros treinadores muito melhores que por cá passaram -, nunca achei que Marcel Keizer fosse treinador para o Sporting. Merece o meu respeito por ter sido sempre um cavalheiro, até na hora da despedida. Nesse aspeto Keizer foi absolutamente exemplar. Mas não me deixará saudades.

Acho um erro crasso estar a criar-se expectativas para Leonel Pontes. Ao contrário de Paulo Bento, Sá Pinto e Tiago Fernandes, três treinadores em início de carreira quando treinaram a equipa principal do Sporting, Leonel Pontes já tem experiência em vários clubes. E nunca foi bem sucedido. Nada parece demonstrar que seja adequado para o cargo de treinador principal. Em vez de o estarem a "queimar", deveria ficar claro desde o princípio que é uma solução de recurso, temporária, enquanto não se encontra um treinador definitivo.

O Sporting precisa de um treinador experiente, disponível (chega de pagar a outros clubes por rescisões), vencedor, com currículo, e que conheça bem o futebol português (condição indispensável para entrar com a época em andamento). A minha sugestão vai para Abel Braga, anterior treinador do Flamengo. Seria interessante ser comparado com Jorge Jesus em dois clubes diferentes ao mesmo tempo. 

O mercado

Começando pelas melhores notícias: achei ótimo despachar-se o Bruno Gaspar e o Diaby, mesmo só por empréstimo.

Achei normal a venda do Bas Dost, pois é um jogador sem grande margem de progressão, com 30 anos e com um salário elevado. Realizar um bom encaixe financeiro foi positivo. Claro que merecia ter saído noutras circunstâncias e com uma despedida condigna. Foi um excelente profissional que deixará saudades. Mas saiu bem.

Tenho mais dúvidas (e mais pena) em relação à saída do Raphinha. Embora o negócio seja bom, é um jogador que talvez tivesse ainda mais margem de progressão e era um titular indiscutível. Daqui a um ano não valeria menos, ao contrário do Bas Dost.

Acho inacreditável e indefensável a venda do Thierry Correia, o jogador mais promissor e entusiasmante do início de época, após ter realizado cinco partidas pela equipa principal. É assim que se quer apostar na formação? É esta a mensagem que se pretende transmitir aos jovens jogadores?

Depois das vendas do Raphinha e do Bas Dost, do acordo pelo Podence e do que se poupa em salários, a situação financeira do clube é assim tão periclitante que justifique uma venda tão precoce como a do Thierry? 

A responsabilidade criminal nem é o mais importante

Há cerca de um ano, desde as eleições, senti o alívio de não ter que falar mais de Bruno de Carvalho. Não tenho falado aqui no blogue, não tenho saudades nenhumas de falar sobre esse assunto e só abro aqui uma exceção.
Bruno de Carvalho continua exatamente com o mesmo tipo de discurso, o que nem é de espantar. O que me espanta é que ainda haja pessoas que acreditem que esta situação lhe "destruiu completamente a vida", e que não vejam que foi o próprio Bruno de Carvalho, independentemente desta mesma situação, que a destruiu. O que me espanta é que haja pessoas que se comovam por Bruno de Carvalho se queixar de que "ninguém lhe dá emprego", e não achem normal que ninguém dê emprego a quem tratou um grupo de funcionários da forma que ele tratou em público. Não me refiro ao ataque à Academia - o que eu digo não tem nada a ver com o ataque à Academia - mas ao assédio, às mensagens, aos ataques no Facebook, às entrevistas. É perfeitamente normal que ninguém dê emprego a alguém com este perfil - alguém a quem, como eu referi há ano e meio neste blogue, nenhum médico passaria um atestado de robustez psíquica. A justiça não tem culpa disto. Donald Trump pode tomar atitudes deste tipo, mas é um multimilionário. Não é Trump quem quer.
Se se comprovar que Bruno de Carvalho teve responsabilidades diretas no ataque à Academia, será muito grave. Mas será só um acrescento ao que já se sabe. Se, pelo contrário, Bruno de Carvalho for inocentado destas acusações, a impressão que tenho sobre ele agora não vai mudar em nada. A minha, a da maioria dos sportinguistas e a da maioria dos portugueses. A sua vida e a sua imagem pública continuarão as mesmas. Foi ele que as destruiu.
Parêntesis fechado, voltemos ao mais importante. Tragam a supertaça, leões.

De entrevistas destas à invasão de Alcochete vai um pulinho

A entrevista que Augusto Inácio deu cheia de acusações (não provadas) a Pedro Barbosa revela (para além de uma confrangedora ingenuidade) uma forma de estar no futebol que considero doentia. Considerar-se que, sempre que se perde, é porque houve uma conspiração dos jogadores que  não queriam ganhar é uma atitude doentia. É a mesma atitude que tomou quem insultou os jogadores do Sporting no aeroporto há um ano e, dias depois, invadiu a Academia. Por muito que me custe, por envolver figuras do Sporting (só dentro do Sporting é que ocorrem guerras destas), e ainda mais por dizer respeito a um treinador histórico (que acabou com o enorme jejum de títulos) e uma figura que será sempre muito querida e inesquecível para os sportinguistas, a verdade é que tenho que reconhecer que o resultado desta sentença me parece natural. Espero que o julgamento da invasão da Academia siga pelo mesmo caminho.

Estatísticas por terminação

Os leitores desculpem, mas eu acho piada a estas patetices. Partilho-as porque pode ser que haja quem também goste.

Há 70 anos que o Sporting não ganhava uma prova importante no futebol num ano terminado em "9". A última vez correspondia justamente ao título de campeão nacional de 1949. Nunca o Sporting havia ganho a Taça de Portugal num ano destes.

Foi a antepenúltima vez que o Sporting foi campeão nacional num ano ímpar. Desde 1953, tal nunca se repetiu. Esperemos que seja em 2021 e que tal corresponda a um bicampeonato, algo que também não ocorre para o Sporting desde 1953.

A diferença entre o Sporting e os clubes do sistema

Tenho algumas dúvidas sobre se pedir o castigo ao Sérgio Conceição após a agressão ao Renan terá sido a melhor atitude da parte do Sporting. O facto de o pedido de castigo ter partido da parte do Sporting poderá funcionar como um motivador extra para a equipa do FC Porto. O melhor mesmo seria que o Sérgio fosse castigado sem necessidade de o Sporting ter pedido a abertura do processo. Seria esse o procedimento se, em vez do Sporting, esta situação dissesse respeito a algum clube do sistema.

Os cânticos

Compreendo as críticas a alguns adeptos do Sporting pelos cânticos entoados aquando da receção aos campeões europeus de futsal. Sou daqueles que sempre viram o Sporting como o clube exemplar, e justamente por isso acham que o Sporting deve dar o exemplo em tudo. Mas o dever dar o exemplo não implica que não vejamos as coisas como elas são. Incomparavelmente mais graves que os cânticos ouvidos na semana passada no Pavilhão João Rocha são cânticos evocando mortes e reproduções do som de "very-lights". Era isto que uma imprensa desportiva imparcial deveria fazer ver. Mas, pela atenção que dedicam a uns e não aos outros, não parece ser essa a opinião deles.

Desculpem lá, mas hoje eu sinto-me mesmo assim

 

Começou a caminho do estádio. Em cima da hora para o jogo, cruzava apressado o campus da Faculdade de Ciências quando me apercebi de um homem - vestido à Sporting, mas isso é o menos importante - a cambalear e a sentir-se mal. Procurei ajuda e felizmente consegui alertar para a situação um grupo de polícias que se encontravam nas redondezas, certamente por ser um local de afluência ao estádio num dia de jogo. Os polícias dirigiram-se prontamente para o local onde o adepto se encontrava, e com certeza terão prestado a melhor ajuda possível.
Tinha levado uma contribuição em géneros alimentícios, modesta mas de boa vontade, para o povo de Moçambique, conforme havia sido solicitado pelo clube. Num passado recente já havia participado noutras ações de solidariedade como esta, da iniciativa do Sporting, nomeadamente de auxílio aos bombeiros. À volta do estádio, procurei pontos de recolha, como das outras vezes. Não encontrei nenhum. Dada a enorme fila de adeptos para entrar, acabei por me colocar na mesma, decidido a procurar os pontos de recolha no fim do jogo. Afinal, pensei ingenuamente, talvez até houvesse pontos de recolha no interior do estádio.
Aqui faço um parêntesis na minha história, para lamentar profundamente toda a desorganização envolvida nesta operação de recolha de auxílio para o povo de Moçambique, quando comparada com a organização de eventos semelhantes anteriores. Compreendo que talvez fosse difícil, se não mesmo impossível, compatibilizar uma organização eficiente com os requisitos de segurança de um jogo como o de hoje. Talvez fosse melhor, por isso, esta campanha ter sido feita num jogo previsivelmente mais tranquilo como o do próximo fim de semana. O que não faz sentido foi fazer sportinguistas que responderam ao apelo do clube passarem pela situação que eu e muitos outros passámos.
Voltando à história. Estava eu na fila para entrar quando, finalmente, ao chegar a minha vez de ser inspecionado, o segurança me diz que não posso entrar com nenhum tipo de comida no estádio. Nem mesmo para o auxílio a Moçambique. Esta deve ser uma regra geral e justificável, mas que não me passou pela cabeça. Perguntei-lhe onde era a recolha de géneros, e ele disse-me que era só na Porta 1, do outro lado do estádio. Perguntei-lhe se ele ou os colegas não poderiam guardar o que eu trazia, nem que fosse até ao fim do jogo e depois eu levá-la-ia à porta 1. O segurança repetiu que eu não poderia entrar assim. Quanto muito poderia abandonar os géneros que tinha trazido à porta do estádio, mas ninguém se poderia responsabilizar por eles. Faltando pouco tempo para o início do jogo, ainda pensei em abandonar ali a modesta contribuição que tinha trazido, mas desistir nunca foi comigo. Dirigi-me a correr à porta 1 do Estádio. Procurei por algum ponto de recolha e não encontrei nenhum. Perguntei a outro segurança que disse que não sabia e não tinha nada a ver com isso. Em desespero de causa, perguntei a uma senhora junto do bengaleiro ao lado da entrada VIP, que me informou que afinal a recolha era, não na porta 1, mas junto ao Pavilhão João Rocha. Já mesmo sem tempo para lá ir, perguntei-lhe se ela própria não poderia responsabilizar-se por recolher a doação. Ela respondeu-me que excecionalmente poderia aceitar, e que já tinha feito o mesmo a pedido de outros adeptos.
Neste ponto da história volto a fazer outro parêntesis: por respeito pelos adeptos que aderem a estes apelos, estas iniciativas, a serem feitas, devem ter um mínimo de organização. A organização desta iniciativa, desta vez, foi uma vergonha, e o que mais me entristeceu esta noite.
Voltei a correr para a minha porta de entrada, sujeitei-me mais uma vez à fila de adeptos (felizmente já bem mais pequena). Não encontrei o segurança da primeira vez, ou ter-lhe-ia dito que espero que ele nunca venha a estar numa situação como aquela em que se encontra o povo da Beira. Consegui entrar mesmo a tempo do início do jogo, e com a agradável sensação de que tinha feito tudo o que deveria. E quando é assim nada mais se pode exigir. Em campo, a equipa do Sporting hoje também fez tudo o que deveria fazer. E quando é assim é mais fácil conseguir-se o que se quer. Mesmo como se tem a sensação, que eu tive hoje, de que deve ter sido com a colaboração de algum anjo. Talvez chamado Bruno.

Estou curioso para ver

Dadas as notícias de hoje, já assinaladas no blogue, e considerando a situação que recentemente aqui relatei, fico mesmo curioso à espera de saber se, nas semanas antes do Portugal-Luxemburgo, haverá anúncios do tipo "venha ao Estádio José Alvalade" nos placares publicitários do Estádio da Luz. Mesmo considerando que o nosso estádio não se chama "Estádio do Sporting Clube de Portugal", e a cor do patrocinador da seleção responsável por tais anúncios é o encarnado.

Do que eu não gostei mesmo nada hoje

IMG_20190315_210048.jpg

Não gostei mesmo nada de estar periodicamente a ser bombardeado com a publicidade que a fotografia ilustra, durante um jogo do Sporting no estádio de Alvalade. Era propaganda do hipermercado "Continente", e dizia respeito a um jogo da seleção nacional, é certo. Mas não deixa de ser muito perturbador para a vista de um sportinguista - tal como os fumos da Juve Leo. (A questão de por que joga a seleção nacional no "Estádio do Sport Lisboa e Benfica" se o estádio é "do Sport Lisboa e Benfica" é relevante mas não a quero discutir agora.) A intenção provocatória, num evento oficial (um jogo da liga), é evidente e não deveria ser aceite por um clube que se dá ao respeito. Esta publicidade é muito mais grave que outras polémicas mesquinhas (por serem privadas e só dizerem respeito a privados) em que o Sporting se envolveu, como a cor dos carros dos futebolistas e das sapatilhas que eles usam, ou o equipamento que convidados de crianças sportinguistas usam nas suas festas de anos.

 

{ Blog fundado em 2012. }

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