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És a nossa Fé!

Do Oito ao Oitenta sem rede

I-Voting. Não se fala por estes dias de mais nada. De acordo com as notícias que vão saindo, esta direcção quer fazer aprovar na próxima AG do clube, pensa-se que será em Setembro, uma alteração dos estatutos para permitir a implementação deste sistema de voto.

Vamos por partes: De acordo com os Estatutos em vigor, os mesmos só podem ser alvo de revisões em Assembleias gerais extraordinárias convocadas para ou também para esse efeito. Assim é estranho que surjam estas notícias e que as mesmas não sejam de imediato desmentidas pelo Presidente da mesa da Assembleia do nosso clube. A menos que se queira aproveitar a situação pandémica que vivemos como justificação para meter “a martelo” uma alteração tão significativa dos Estatutos do clube.

No presente já é permitido o voto electrónico, que se efectua no local de voto designado e previsto nos estatutos. O que esta direcção pretende é que cada sócio possa, a partir do seu computador em casa, exercer o seu direito, e dever, de voto.

E assim passamos do oito ao oitenta. No seu programa com que concorreu às eleições, Frederico Varandas prometeu descentralizar o processo eleitoral utilizando para isso alguns núcleos entre o norte, centro e sul.

O que agora pretende fazer não é nada do que se comprometeu em tempo de campanha.

E levar o voto aos núcleos, com voto electrónico, cadernos eleitorais digitais, que permitam com segurança descarregar os sócios votantes é a solução ideal. Os sistemas de verificação do voto presencial e por correspondência estão testados e mais que testados, são fiáveis e garantem que o voto permanece secreto, elemento fundamental na credibilização de um acto eleitoral.

Sobre o I-voting existem hoje sérias dúvidas sobre a sua fiabilidade. Estamos a falar muito concretamente de este sistema, do que se sabe até hoje, não assegurar de nenhuma forma que os resultados finais sejam de facto os reais e de não garantir que o voto permaneça secreto, levantando assim condicionalismos reais a quem vota.

Quando se discute uma possível 2ª volta na eleição do presidente do Sporting, a adopção do I-voting vai totalmente em sentido contrário à tão falada legitimidade que se quer para a eleição do nosso presidente.

Porquê então agora ser levantada esta questão?

Qual o objectivo de criar este ruido nesta altura?

Quando vivemos uma das maiores crises no clube, financeira, desportiva e de valores, qual o interesse de modificar um sistema eleitoral, trazendo sobre ele um espectro de suspeição?

Se qualquer pessoa com acesso à internet, consegue em poucos minutos de investigação, perceber as falhas de segurança que ainda existem neste processo embrionário, porquê insistir nele?

Sendo um mecanismo que vai controlar os votos expressos pelos sócios, faz algum sentido que seja o presidente da MAG e a direcção do Sporting a nomear um grupo de estudo? Qual a independência deste grupo quando são nomeados por parte interessada?

O nosso clube não pode ser um campo de experimentalismo, de interesses pouco claros. As eleições, o direito dos sócios de elegerem quem vai ocupar os órgãos sociais do clube, são demasiado importantes para que sejam sujeitos a este tipo de investidas das quais não são divulgados os reais propósitos.

O prémio pela extraordinária época

Em Outubro de 2019 levantou grande celeuma uma proposta de um significativo aumento da remuneração dos administradores da SAD do Sporting. 

Na altura foram os próprios accionistas da SAD que escreveram ao presidente da mesa da assembleia da SAD a questionar a oportunidade daquele aumento. A proposta não foi retirada e foi mesmo aprovada pela maioria dos accionistas da SAD. Salgado Zenha na altura, vendo toda a controvérsia que existiu, veio logo informar que embora aprovado este grande aumento das remunerações da administração, tinham decidido suspender por uma época estes aumentos.

Pois bem, a época terminou e não havendo qualquer outra novidade, a partir deste mês de Julho a administração da SAD foi recompensada, e bem recompensada, por esta extraordinária época.

Assim, no meio de todas as notícias sobre incumprimentos com terceiros, que arrastam o bom nome do nosso clube para a lama, a administração da SAD vai a partir deste mês ter as suas contas mais compostas, premiando deste modo a excelente gestão que foi feita ao longo desta extraordinária época. 

É este o Sporting que hoje temos. É esta direcção que está na frente dos destinos do nosso clube. Que aceita este aumento salarial depois de uma das piores épocas de que há memória.

 

 

A "entrevista"

Isto não foi de todo uma entrevista.

Há uns anos ficámos a saber, pela divulgação dos famosos e-mails do Benfica, que as tradicionais entrevistas que o presidente dessa agremiação dava todos os inícios do ano, ao jornal A Bola, não passavam afinal de uma farsa. As “questões” eram enviadas para o clube, analisadas e,  presumo com conhecimento do “jornalista” eram respondidas por um ex-deputado, que se dispunha a fazer tal serviço. As fotos eram para inglês ver, e nada daquilo correspondia ao que era anunciado. Na altura ninguém ficou espantado, daquele lado era até natural que fosse esse o procedimento. A mim chocou sim a falta de decência e profissionalismo do jornal A Bola ao aceitar aquilo e pelos vistos ser já recorrente.

Pois bem, calhou-nos agora a nós. O que saiu hoje no Record é uma farsa, um embuste. As questões colocadas são, para dizer o mínimo, ridículas, sem sentido e parecem-me previamente alinhadas com o entrevistado.

Tenho muita pena e também receio, que um jornal de referência como o Record permita a publicação de uma peça como a de hoje. Não compreendo como um jornalista, qualquer um, se permita ser utilizado de forma semelhante.

Não há jornalismo desportivo, económico, cultural, de sociedade. Há jornalismo, há jornalistas. Todos se regem pelo mesmo código deontológico. Os jornalistas investigam, escrutinam e controlam o poder, obrigam a quem detém o poder a responder pelos seus actos. Os órgãos de comunicação social são um dos pilares mestre de uma sociedade livre. Um OCS não se deve vergar a nada nem a ninguém. Um jornalista é livre.

Por tudo isto, sobre a “entrevista” pouco há a dizer. Confirma aquilo que já todos sabemos. A total inaptidão do actual presidente para o cargo que ocupa. A falta de rectidão em prestar-se a esta figura. A cobardia no desempenho do cargo para o qual foi eleito.

Sim, o Sporting enquanto clube está cada vez mais em risco. Somos hoje governados por quem nada sabe, e pior, alapados e sem qualquer intenção de sair pelo próprio pé.

A esta catastrófica época seguir-se-á uma pior pré-época. O que nos anunciam dá-nos a certeza que iremos ter, novamente, milhões de euros a somar a mais défice.

Há alternativas, há Sportinguistas dispostos a colocar tudo o que sabem, e é muito, ao serviço do clube. Queira o presidente da MAG assumir o seu papel e o Sporting pode ser salvo.

Mais um clube ao fundo

Para os defensores da venda da maioria da SAD a um investidor, este final de campeonato não está a correr nada bem.

O Desportivo das Aves viu os donos da sua SAD fazer tudo o que podiam para que a equipa não dispute os últimos jogos desta liga. Esta situação surreal, em que os acionistas de uma SAD em sérias dificuldades financeiras, tudo fazem para a liquidar de vez, acontece em Portugal e não é caso único. Já existe uma longa lista de clubes que cederam a maioria do capital da sua SAD e que depois resulta no final da ligação da SAD com o clube, ou que leva mesmo o clube a descer aos distritais para de novo começar o caminho das pedras.

É sabido que os investidores que surgem a acenar com notas a clubes desesperados não estão, no fundo, muito interessados no real sucesso desportivo a longo prazo. Falamos de investidores obscuros, de quem nada ou pouco se sabe. O fim tem sido sempre o mesmo, separação litigiosa do clube, dívidas, falências, rescisões de contratos, salários em atraso.

O caso do Aves é o mais recente, não será o último. Foi um clube que não se importou de servir os interesses do Benfica, acolhendo jogadores supostamente vendidos, mas que depois de documentos apreendidos em casa da mãe de um dos seus dirigentes, foi descoberto que as vendas não eram bem vendas. Adulterou-se assim a verdade desportiva de uma competição, com jogadores que pela lei em vigor estavam impedidos de jogar contra o Benfica, a fazerem-no. E foram estes dirigentes, que aceitaram estas condições para o seu próprio clube que foram os responsáveis pela actual situação. Penso que já não há qualquer dúvida que resta ao clube Desportivo das Aves o mesmo caminho do Belenenses. Começar lá em baixo. Pelo meio há uma SAD, ou o que resta dela à venda, por 5 milhões de euros, que são a totalidade das dívidas. Aguardam mais um “investidor”.

Uma das equipas revelação desta época foi o Famalicão, cuja sad também não pertence ao clube. Ainda está, tal como a maioria dos clubes que optaram por esta via esteve, a viver a euforia da chegada de dinheiro fresco, de jogadores com um custo claramente acima das reais possibilidades de um clube da dimensão do Famalicão. A história diz-nos como vai acabar esta parceria do Famalicão.

No meio desta dimensão de casos, olhamos atónitos para o silêncio da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga. Se se verificar a não comparência do Desportivo das Aves nos dois últimos jogos do campeonato, os dirigentes da Liga devem de imediato pedir a demissão e não voltar a pensar em ocupar qualquer cargo no dirigismo desportivo nacional. É inacreditável que seja possível num campeonato profissional de futebol que esta situação ocorra e de forma corrente.

Quando o clube Os Belenenses chegar à primeira liga e por cá ainda estiver o Belenenses SAD, como vai a liga descalçar esta bota? O mais certo é ignorar e fazer de conta que sempre foram clubes diferentes.

É este o estado do futebol português.

 

PED Talks

O Pedro Azevedo está no seu blog pessoal a dinamizar as PED Talks - Princípios, Estratégia, Desporto.

Quem quiser ficar a conhecer ainda melhor o projeto estrutural que o Sporting precisa, pode e deve passar pelo Castigo Máximo.

Quando vemos surgir candidaturas sem ideias, sem qualquer projecto, quando temos o silêncio estratégico de muitos dos que se consideram candidatos eternos, temos o Pedro Azevedo a oferecer aos Sportinguistas um projecto que visa levar de novo o nosso clube às conquistas. 

É fundamental para o nosso clube que mais e mais Sportinguistas se inteirem do projecto Ser Sporting do Pedro Azevedo, o questionem, discutam e contribuam.

O nosso clube merece.

Sporting, Sad, Maioria e Investidor

Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a questão da perda ou não da maioria do capital da SAD pelo clube.

Importa primeiro esclarecer que o Sporting clube não detém, directamente, a maioria do capital da SAD. Quando se fala em perder a maioria do capital da SAD, está se a falar não da maioria das acções mas sim da cedência, pelo Clube, da prerrogativa de apenas este e só este, poder deter acções preferenciais de categoria A. Esta acções, que actualmente representam 26,656% do capital da SAD, dão ao Sporting Clube o poder de veto em determinadas matérias, consideradas vitais para o clube, o poder de nomear um elemento da administração da SAD, os outros são eleitos em AG da SAD e o poder de veto, deste elemento, na eleição dos outros elementos da administração da SAD. Esta protecção, em vigor, permite ao clube controlar os destinos da SAD e do futebol profissional. Actualmente já temos um investidor, a Holdimo, que detém 29,851% do capital da SAD e tem um representante na administração, Nuno Correia da Silva, administrador não executivo.

Em 2026 vão vencer as famosas VMOC´S. Se o Sporting Clube não adquirir estas acções, conforme está estipulado no acordo efectuado com as entidades bancárias, a percentagem que deterá do capital social da SAD irá diminuir, mas não o seu poder de veto e nomeação por via das acções de categoria A que, reforço, pelos estatutos em vigor, apenas o clube pode deter. Assim, em tese, o clube até poderia ter apenas 1 acção da SAD e não veria os seus poderes e direitos diminuídos.

O Sporting clube só perderá este direito especial que detém na SAD se os estatutos da mesma forem alterados e para isso é obrigatório que o clube, os seus dirigentes, obtenham esse mandato em assembleia do clube. Está assim na mão dos sócios.

Agora sobre o investidor, ou a entrada de novos investidores.

Os defensores da entrada de novos investidores na SAD argumentam, entre outras considerações, que apenas com um reforço do capital da SAD, a entrada de gestores profissionais, com outra experiência na gestão de grandes empresas, é que será possível voltar a ter contas equilibradas e por isso, ou também, conseguir ganhar títulos no futebol profissional.

Importa aqui realçar alguns pontos que julgo importantes.

O Sporting, pelo menos desde a entrada de José Roquette e do seu famoso projecto (foi na sua presidência que se criou a SAD) que é dirigido por gestores profissionais. Temos tido na direcção do nosso clube e da SAD gestores profissionais, detentores de empresas e na sua maioria administradores de empresas privadas. Assim, não vejo que seja relevante a entrada de um novo investidor para que cheguem ao Sporting gestores profissionais. O que precisamos, isso sim, é de uma nova política desportiva e financeira. São coisas diferentes.

Com a entrada de um investidor, o que se espera, pela perda de controlo da sociedade, é um retorno financeiro, isto é, entrada de capital.

Neste momento, de acordo com o último relatório de Maio de 2020 a SAD tem um passivo corrente e não corrente, superior a 300 milhões de euros.

É isto que actualmente temos para oferecer a um investidor. Uma dívida gigantesca. Numa eventual negociação, com este passivo, quais seriam os argumentos que o Sporting clube teria para conseguir convencer um investidor a colocar capital na SAD? Será este cenário atractivo para quem tem disponibilidade financeira para investir? Quanto vale hoje a nossa SAD com mais de 300 milhões de passivos? Podemos argumentar que em causa está o maior clube de Portugal. Mas tal não é verdade, neste caso, pois aqui apenas estamos a ceder a nossa posição na SAD que controla o futebol profissional. A formação é do clube (até aos 16 anos), os sócios são do clube, as modalidades são do clube, o estádio, embora com o direito de superfície da SAD, e o pavilhão são do clube. O que temos para “oferecer” é a equipa de futebol profissional, os sub-23, o futebol feminino e porventura a equipa B, toda a gestão destes activos. Sempre com os 300 milhões de passivos. Parece-me óbvio que estamos em clara desvantagem negocial nas condições actuais.

Mas, imaginando que apareceria algum investidor interessado em entrar para o capital da SAD, o que aconteceria ao dinheiro investido? Serviria principalmente para diminuir o passivo de 300 milhões actual. Assim o cenário seria: Sporting clube sem o controlo da SAD do futebol profissional, a SAD sem dinheiro para investir e com o passivo reduzido. O mais sensato será sempre, se se optar pela venda do controlo da SAD, fazê-lo apenas com uma sociedade com saúde financeira, podendo nessa altura encaixar um valor muito mais significativo com a alienação pretendida. Porque no presente, sejamos honestos, um valor aceitável pelo controlo da SAD seria 1€.

Depois levanta-se a questão sobre o tipo de investidor. Qual seria na perspetiva do Sporting clube o investidor ideal? O histórico do investimento em clubes e sad´s, na Europa em particular, leva-nos a concluir que a maioria dos investidores são pessoas totalmente estranhas ao fenómeno desportivo em si. É isto que queremos? Qual o nosso interesse em ter alguém a controlar o futebol profissional do Sporting sem qualquer experiência em gestão desportiva? Queremos apostar no mesmo modelo  de gestão que nos trouxe até aqui?

O que precisamos mesmo é de alterar de forma definitiva a gestão desportiva do nosso clube. O que precisamos é de uma equipa que consiga gerir os destinos do clube e que entenda o que uma gestão rigorosa significa.

Somos 3.5 milhões de Sportinguistas.

Queremos perder o controlo do futebol profissional para quê?

Ética e bons costumes, CAL

Andamos a ser lidos, o que é bom para o Sporting.

Vamos ao que interessa.

Hoje ao entrar no blog dei com este post da CAL, em que discorre longamente sobre um post em que disse que Miguel Poiares Maduro utilizou ideias do Pedro Azevedo sobre a gestão do Sporting, sem mencionar o autor das mesmas. Fiquei a saber que a CAL empreendeu diligências junto do autor para o confrontar com este facto. 
A conclusão, da CAL, é que "duvidas houvesse..." Bem, cara colega de blogue, aqui não se tratam de dúvidas. Li com a devida atenção o ensaio publicado no Público, como acredito que a CAL também leu. Estamos a falar de um ensaio sobre o que Miguel Poiares Maduro, decorrente da sua nomeação para um cargo na Fifa, pensa sobre a organização do futebol europeu e mundial e, acima de tudo sobre quem e como circula pelos órgãos de poder, quem efectivamente manda no futebol. O ensaio mostra-nos a opinião do autor, sobre a dificuldade de alguém "sério" singrar neste mundo. No fim aborda e aqui de uma forma superficial, em comparação com a totalidade do ensaio, o panomara dos clubes e menciona o desejo de ver implementadas no Sporting algumas das ideias que explanou.


Não dúvido que Miguel Poiares Maduro não esteja verdadeiramente interessado em contribuir para uma mudança no nosso clube.


Tal como também não tenho quaisquer dúvidas que as propostas do Pedro Azevedo, assim explicadas e organizadas foram de facto dele e foi quem primeiro as formulou de forma tão directa e concreta, fruto da sua experiência profissional e direccionadas em exclusivo para o Sporting.
Aceito que tudo não passe de uma, neste caso, feliz coincidência, porque tudo o que seja para melhorar o nosso clube tem que ser positivo.
Sobre a disponibilidade de Miguel Poiares Maduro connosco debater o futuro do Sporting, penso que é unânime a vontade de todos em faze-lo.

.A CAL devia, enquanto tudo fazia para esclarecer o tema junto de Miguel Poiares Maduro, fazê-lo também junto de mim. Nada me perguntou, nada me disse. No mínimo poderia ter me contactado, se se sentiu assim tão ofendida com a minha publicação. Em último caso deveria ter, pelo menos, no seu post, feito uma ligação à minha publicação.

Acho o seu comportamento deselegante e lamentável.

Por último CAL, a ingenuidade e deslumbramento têm limites. O futuro nos dirá ou não.

Passe bem.

Prospecto de venda da SAD

Quatro pilares.

Pessoas; Estrutura; Sistemas de Suporte e Interacção com o Sócio.

É clara a intenção por parte desta direcção de continuar a cavalgar a onda da culpabilização alheia. Este pobre documento, hoje apresentado, demonstra-nos a incapacidade desta direcção. Ao fim de quase dois anos é aqui que estamos, num documento de 14 páginas em que para lá do folclore habitual desta direcção, ficamos a saber que vai ser desta. Não sabemos é o que é que vai ser. O documento - Visão estratégica para o futuro - traz-nos as ideias que esta direcção demorou quase dois anos a preparar. Ficamos a saber que as pessoas são importantes, devem ser retidos os talentos, e farão esta retenção dos melhores, por um processo holístico na transformação organizacional interna. Nem sei que diga a isto. Qualquer clube, qualquer empresa poderia ter esta visão. Os talentos? São para reter, claro. Como? através da nossa organização. Bem vindos à Varandas & Filhos, Lda., fazemos por medida.

Depois temos a Estrutura, a famosa estrutura. Era dela que Varandas falava, no início da época passada, sentado no meio do relvado do nosso estádio, e afirmava que esta época havia já uma estrutura sólida, silenciosa, que permitia almejar o sucesso. Afinal não havia, os reforços foram um flop, a equipa foi dizimada, os seus melhores jogadores foram vendidos e da formação apenas outros clubes puderam aproveitar. Bem, mas afinal parece que vai ser para o ano e ainda por cima uma estrutura eco-friendly. Sim, no prospecto de venda da sad a nossa estrutura aspira a ser eco-friendly. É óbvio que isto nada quer dizer, mas havia espaço em branco para preencher.

Vamos ao terceiro pilar, Sistemas de Suporte. Não, não pense que é aqui que entram os Sócios, ainda não. Aqui somos informados que vão implementar um software. É verdade, esta direcção considerou que a implementação de um software é um dos pilares do Sporting. Uma dica: não é a implementação do software que é o pilar, mas sim o modelo de gestão integrado, que um ERP permite. Não havendo um modelo integrado de gestão, um software de nada serve. 

Por fim temos os Sócios. Não é bem assim. Temos a interacção com o Sócio. Basicamente passámos a clientes do nosso clube. Bem sei que sim, o somos de certa forma. Somos aqueles para quem, em teoria, a direcção trabalha. Mas o conceito de interacção diz-nos muito. Diz-nos que de sócios, passámos a experiências. Vamos experimentar, ser experimentados.

Isto está na página 1 do prospecto de venda da SAD. As outras 13 páginas não passam de exercícios de mitómanos, distorcendo a realidade a seu favor.

Precisamos urgentemente de parar isto. 

Precisamos urgentemente de salvar o nosso clube.

Precisamos urgentemente de Ser Sporting.

 

Ser Sporting - A ética

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

(Mário Sá-Carneiro)

 

Ontem ne edição escrita do Record, Miguel Poiares Maduro, político, ex-ministro, professor, comentador de temas vários, deu a sua opinião sobre o estilo de governação que deverá ser a ideial para o nosso clube. Como gosto sempre de ler, lá fui e qual não foi o espanto quando, ao ler, ficar com a sensação que nada do que lia era novidade. Como podem ver aqui Pedro Azevedo numa publicação neste blog, em 2018, sim em 2018, leram bem, já tinha elencado, e de forma original, a sua visão, o caminho que ele próprio, com as suas ideias, achava, e sei que continua a achar, ser o caminho ideal para o nosso clube, sobre o que deve ser um presidente, o que se deve esperar dele.

Custa um pouco, admito, porque não é a primeira vez que alguém que "mete a cabeça de fora" numa putativa candidatura não anunciada, utiliza ideias publicadas pelo Pedro Azevedo. Não estou a afirmar que as ideias quando tornadas publicas não devam ser utilizadas por outros. É alias essa umas das intenções de as publicar. Mas não custa, deve ser sempre assim, reconhecer a sua autoria. 

Até porque o original é sempre melhor que a cópia. Sempre.

Até onde se pode cavar?

Soubemos hoje, pela voz do próprio presidente Frederico Varandas, que com Rúben Amorim vai esta direcção alterar o paradigma, no que concerne à gestão desportiva do futebol profissional. Isto é, com o quarto treinador esta época, estamos no início de Março, ficamos a saber que vai ser desta que o Sporting vai apostar na formação. Infelizmente recordo-me da última grande entrevista que Frederico Varandas deu, onde afirmou sem reservas que no presente e num futuro próximo, com excepção do guarda-redes Max, não havia mais nenhum jogador com qualidade suficiente para integrar no imediato a equipa principal do Sporting.

Não espanta a ninguém esta aparente contradição. É esperado deste presidente que diga uma coisa e o seu contrário. O que começou como uma evidente dificuldade de se expressar, falando de forma atabalhoada, com discursos ou frases sem sentido, uma terrível utilização da língua portuguesa, depressa se percebeu que não era apenas uma suposta dificuldade de expressão, mas sim uma total inépcia para o cargo para que foi eleito. Todas as suas intervenções públicas resultaram em episódios que nos deixaram a todos, por um lado, envergonhados, e pior, com a certeza do enorme erro cometido ao eleger tal personagem.

Hoje fomos informados que o novo treinador do Sporting valoriza os plantéis por onde passa em 30-40 milhões de euros. Frederico Varandas dixit. É estranho, por assim dizer, pois não me recordo do plantel do Casa Pia, onde Rúben Amorim estava há seis meses, ter esse valor. Sobre a sua experiência no Sporting Clube de Braga, não podemos aquilatar qual a sua importância na valorização do plantel, pois apenas participou em pouco mais de dez jogos como treinador principal. Temos pois um presidente que justifica ter investido mais de 10 milhões de euros na aquisição de um treinador, valor que corresponde a um dos maiores investimentos realizados por um clube a nível mundial, num pressuposto que apenas ele, e talvez o seu comparsa Hugo Viana, acreditam. Aliás, nem precisam de acreditar, o facto é que não há, nem haverá, qualquer justificação racional para o que fez hoje Frederico Varandas. O que fez Frederico Varandas foi o que melhor achou para dizer na patética apresentação de Rúben Amorim.

Quando achamos que batemos no fundo, há sempre um Frederico Varandas da vida que nos lembra que é sempre possível ir mais fundo. O problema é que o mais fundo representa o fim do nosso clube.

Mais uma pré-época preparada por esta direcção e seremos confrontados por uma suposta inevitabilidade: a venda da maioria do capital da Sad a um "investidor". Parece claro hoje que é este o objetivo. Por que por mais incompetente que Frederico Varandas seja, e é o de facto, ninguém pode ser assim tão inábil.

E no meio desta tempestade que devasta o nosso clube, Rogério Alves, presidente eleito da mesa da assembleia geral do Sporting, oferece-nos o seu silêncio conivente com a direcção do clube. Quando teria que ser Rogério Alves a defender os interesses do clube e dos seus sócios, pelo contrário, alia-se, com o seu silêncio, a um dos períodos mais negros da vida do nosso clube.

Peço, melhor, exijo, como sócio do Sporting Clube de Portugal, que o presidente da MAG, que me, nos, representa, que tome uma posição na defesa do nosso clube. Que acabe com esta destruição do clube e que rapidamente devolva o poder de decisão aos sócios, os únicos donos do clube.

Ser Sporting - Liderar e promover a mudança

Fizemos o pleno. Todos os clubes portugueses foram hoje eliminados da liga europa. Não, não foi sequer da liga dos campeões, foi mesmo na segunda divisão europeia. Agora, e estamos ainda em Fevereiro, resta a todos os clubes hoje eliminados, a disputa do campeonato português, sendo que Benfica e Porto têm para Maio a final da taça de Portugal.

A falta de competitividade do nosso campeonato pode ajudar a explicar esta total incapacidade dos clubes portugueses perante adversários que não fazem parte dos chamados colossos europeus. Hoje em dia qualquer clube português é encarado na europa como um clube acessível, da terceira divisão europeia. E este cenário só tende a piorar. Andamos meses atrás de meses, épocas atrás de épocas, enredados num futebol menor, clubes sem adeptos, sem estádio, assistências miseráveis que se conjugam com um futebol também ele miserável e pobre, muito pobre. É este o nosso estado actual.

Mas, houvesse coragem e podia, aliás devia ser diferente.

O Sporting não pode ter medo de liderar, de promover uma mudança radical no futebol português e ibérico. Temos as condições para o fazer, poderá ser mesmo a salvação dos clubes portugueses e mesmo uma solução para um problema político e social dos nossos vizinhos. Já vimos como funciona a Uefa quando confrontada por clubes poderosos. Poderia inclusive ser o motor de arranque de outras ligas supranacionais na Europa, uma forma de ligação de Estados, de Nações, onde o futebol seria o elo perfeito. 

Temos no Sporting quem tem coragem de o propor e de o fazer.

Não há mais tempo

Depois da entrevista de Frederico Varandas tivemos no jornal Expresso, uma pequena entrevista do responsável financeiro do Sporting. Entre contradições e lugares comuns, a única certeza com que ficamos é que os dois acham que, embora com alguns erros cometidos, desvalorizados por ambos, o caminho a seguir será o definido há cerca de dezasseis meses. Isto é, a política desportiva vai ter por base o histórico apresentado por esta direcção. 

Como o Pedro Azevedo aqui explica de forma tão clara, o grande problema do nosso clube está a montante, isto é, na gestão desportiva que assenta em custos com pessoal, vulgo salários de jogadores e equipa técnica, totalmente incomportáveis para a actual realidade do nosso clube. A juntar a esta opção suicida, temos o péssimo planeamento, digno do mais incompetente gestor, que transforma um investimento de cerca de 47 (quarenta e sete) milhões de euros, fruto da incompetência generalizada, num dos piores planteis de que há memória. Como se isto não bastasse, assistimos, incrédulos, a declarações surreais sobre a menor valia da nossa formação e ao desbaratar de jogadores valiosos, vendidos por valores que até os clubes compradores acharam estranhos, de tão baixos. 

O caminho que esta direcção está a trilhar leva-nos, de uma forma imparável, a défices anuais crónicos e monstruosos. O fim desta gestão imprudente, amadora e danosa só pode acabar com a inevitável entrada de um qualquer fundo que esteja disposto a injectar umas centenas de milhões de euros para "salvar" a sad da falência. Mas, há sempre um mas, as centenas de milhões de euros nada resolverão, antes pelo contrário. Sabemos, pela experiência de outros clubes, que o aparecimento destes fundos, com reservas de capitais prontos a "investir" em clubes em pré falência, nada trazem de mais valias aos clubes. Se num curto prazo existe a ilusão de um super plantel, do fim das dificuldades de tesouraria, a médio prazo o resultado é sempre o mesmo, um aumento astronómico da dívida, jogadores que afinal não acrescentam nada e o final definitivo da ligação entre clube e sad. 

É para este cenário que esta direcção nos está a levar. 

E eu questiono: vamos esperar quanto tempo mais? 

 

Claques, trincheiras e o que é mais importante

O presidente Frederico Varandas foi há dois dias entrevistado no jornal da noite da TVI. O que era anunciado pela própria estação como um entrevista onde seriam abordados diversos temas, entre eles a política de contratações, a venda de Bruno Fernandes, a planificação desta época, limitou-se a ter um tema único, durante os cerca de vinte minutos que o presidente Frederico Varandas teve disponível no jornal da noite de um dos canais com maior audiência na televisão portuguesa. O presidente Frederico Varandas resumiu a realidade do Sporting a um tema. Alguém acredita que se por um acaso o actual presidente conseguisse resolver este problema, o Sporting teria pela frente épocas de sucesso desportivo e financeiro? Claro que não. Aliás o tema das claques, da sua violência, dos seus actos criminosos, não é exclusivo do nosso clube, bem pelo contrário. É um problema transversal da sociedade portuguesa e que reflecte em muito essa mesma sociedade. É por isso um tema que extravasa um clube e os seus dirigentes. Não se compreende assim que o presidente Frederico Varandas queira tomar a rédea de um problema do qual é apenas uma das vítimas, em que pela cargo que ocupa, representa o clube, nos representa. Um presidente do Sporting, pela dimensão que o nosso clube tem, deve conseguir perceber que neste caso concreto, a responsabilidade na sua resolução cabe inteiramente ao poder político e judicial. É ao governo, às autoridades policiais e judiciais que o presidente do Sporting deve pedir responsabilidades. Nestes cerca de dezasseis meses que leva de mandato o presidente Frederico Varandas não teve ainda tempo de solicitar uma audiência ao primeiro-ministro? Ao presidente da república? Ser recebido por um desconhecido secretário de estado, sem qualquer autoridade na tomada de qualquer decisão, só nos mostra que o presidente Frederico Varandas não percebeu, ainda ou de todo, o cargo para o qual foi eleito. 

Ao Sporting cabe apenas identificar os membros das claques que prejudicaram de forma concreta o nosso clube e, de acordo com os estatutos, expulsá-los de sócios. Para tudo o resto o clube não tem instrumentos oficiais e legais para resolver o que quer que seja. Por tudo isto pede-se ao actual presidente do Sporting que entregue a quem de direito este problema e que se centre na gestão do clube.

Mas, infelizmente, pelo histórico desta direcção, já percebemos que porventura este presidente quer mesmo continuar a cavalgar este tema e apenas este tema. Cavou uma trincheira e está a tentar abafar as justas críticas de que a sua direcção é alvo. Se Bruno de Carvalho extremou e radicalizou muitos dos adeptos seus apoiantes, Frederico Varandas está a seguir o mesmo caminho, ou estão comigo ou estão contra mim e com as claques. Alguma comunicação social já foi atrás desta fraca versão do "dr. coragem" tecendo loas de herói a Frederico Varandas. O que eu como sócio e adepto do Sporting gostaria de saber é qual o plano, se o tem, para inverter a situação catastrófica do nosso clube. Se para a próxima época os custos com pessoal vão reduzir de forma drástica, se vamos ou não apostar na formação ou se pelo contrário vamos voltar a seguir o modelo desta época. Se os FSE's vão ser efectivamente escrutinados e fortemente reduzidos. Se existe, se há alguma política concreta relativa aos sócios, aos núcleos, qual a política para conseguir inverter a notória redução das assistências no estádio?

São apenas poucas questões, mas muito mais importantes para a vida e para o futuro próximo do nosso clube, do que o problema das claques.

 

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