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És a nossa Fé!

Um reforço chamado Danny

 

O futebol é um jogo colectivo que muitas vezes é decidido por rasgos ou falhas individuais. Isso ficou bem patente esta noite, na vitória que o Zenit - treinado por André Villas-Boas e comandante destacado do campeonato russo - impôs ao Benfica no estádio da Luz, a contar para a Liga dos Campeões. Hulk fez de Eliseu gato-sapato, sobrepondo-se claramente no confronto com o lateral esquerdo encarnado no lance em que marcou o primeiro golo da equipa russa. Imprimindo enorme velocidade de circulação à bola, o Zenit voltou a marcar, decidindo a partida, já com Paulo Lopes na baliza do SLB: Artur fora expulso pouco antes ao fazer falta sobre Danny que lhe valeu o cartão vermelho.

Qualquer dos golos, se repararmos bem, nasceu de passes deficientes de Jardel para jogadores russos no meio-campo encarnado. Jardel foi neste jogo o anti-Hulk, marcando a diferença pela negativa enquanto o brasileiro (ex-FCP) se destacava com todo o mérito.

 

Mas não era disto que eu queria falar. Só aqui vim para destacar a exibição de Danny, um avançado sempre perigoso, muito dinâmico, capaz de fazer pressão intensa sobre a defensiva adversária, desequilibrando-a. Tem já 31 anos mas revela uma capacidade física digna de causar inveja a jogadores bastante mais novos.

É quase um crime mantê-lo fora da selecção nacional, que precisa de bons avançados como de pão para a boca. Danny deve regressar sem demora à equipa das quinas: esta é uma das missões prioritárias do novo seleccionador, chame-se ele como se chamar.

5 comentários

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    Pedro Correia 17.09.2014

    Esse é o bom problema para qualquer seleccionador, João.
    Afinal, CR combina com Bale, Modric, Benzema e James Rodríguez no Real, não deve ser difícil estabelecer parceria com Danny na selecção.
    E Danny, já agora, faz uma grande parceria com Hulk no Zenit, como ontem ficou bem evidente na vitória da equipa russa na Luz em que ambos se destacaram.

    Mau problema é vermos Éder na frente de ataque da selecção, sem alternativas. Um jogador que ao fim de 12 jogos(!) continua sem se estrear como marcador de golos não pode ser primeira opção para o ataque.

    Quanto ao Ruben: eu ainda me lembro da estreia do Chalana e do Futre, ambos com 17 anos (a idade do Ruben), nos clubes e logo a seguir na selecção principal. Nessa altura ninguém lhes chamava "meninos": batiam-se por igual com os mais velhos.
    Talvez se tivessem tornado adultos mais cedo do que deviam, mas hoje o quadro é inverso - e não sei se mais recomendável. Agora ouço chamarem "meninos" a jogadores com 21 ou 22 anos: há uma infantilização crescente da idade adulta nas sociedades contemporâneas que se ajusta pouco à lógica do futebol, que também é escola de vida.
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    João André 17.09.2014

    Hulk não pisa os mesmos terrenos que Danny. São complementares. Modric, Bale e Benzema também fazem o mesmo com Ronaldo (já com James ainda temos que ver). Seja como for, nenhum deles joga na posição onde Ronaldo é mais efectivo.

    Concordo que Éder é parte do problema. Tenho por vezes a sensação que Bruno Alves a ponta de lança faria melhor figura. Talvez Portugal devesse jogar com um falso nove de algum tipo, fosse lá quem fosse.

    Futre e Chalana acabaram na prática as carreiras ao mais alto nível por volta dos 26 a 28 anos de idade. Parte disso porque se batiam com os mais velhos. Bater é o termo certo: levaram pancada que se fartaram. Por isso o corpo não se aguentou. Terem levado com cargas físicas de adulto quando o corpo ainda crescia também não terá ajudado. Ronaldo (o brasileiro) sofreu o mesmo: vários especialistas disseram que os problemas de joelhos dele foram de ter levado com cargas físicas de adulto quando ainda não tinha acabado de crescer. Como disse um médico brasileiro: em 1994 ele tinha uns 75 kg e em 98 uns 85 (ainda não gordo), mas em 94 já andava a levar as mesmas cargas físicas.

    Seja como for, esses exemplos que citas são óptimos para demonstrar o que não se deve fazer. Foram talvez os dois melhores jogadores que Portugal produziu entre Eusébio e Figo (possivelmente mesmo Ronaldo). Não tiveram as carreiras que poderiam ter tido, parcialmente por causa das lesões, parcialmente porque não aguentaram psicologicamente.

    Não é uma questão de infantilização Pedro. Um miúdo de 21 anos é, sem qualquer dúvida, um miúdo. Poderá haver quem seja mais maduro, mas ainda não têm a mesma capacidade para lidar com o mundo em redor. Para mais hoje, quando qualquer coisinha que digam vai parar aos jornais e redes sociais (e por isso só dizem vacuidades). Os jogadores de futebol (como qualquer talento em qualquer área) custam dinheiro, tempo e suor a desenvolver. Deixá-los crescer por geração espontânea não faz qualquer sentido.
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    Pedro Correia 17.09.2014

    Meu caro: o Pelé foi campeão do Mundo na Suécia, em 1958, com 17 anos. Aos 21, quando os actuais candidatos a craques ainda recebem tratamento de "meninos", já se sagrava bicampeão mundial, no Chile.
    Não me parece que isso o tenha afectado ou condicionado psicologicamente. Pelo contrário: é ainda hoje encarado como um dos melhores - senão mesmo o melhor - futebolistas de todos os tempos.

    É verdade que o Chalana e o Futre, tendo começado cedo, também acabaram cedo. Isso deve-se a vários factores - desde logo, como bem sublinhas, à falta de protecção que então havia em relação aos chamados 'artistas da bola', que levavam pancada de criar bicho num tempo em que por vezes ainda se jogava sem chuteiras. Nada a ver com as medidas disciplinares hoje vigentes em qualquer estádio do mundo.
    Deve-se também - há que reconhecer - a factores extra-desportivos, pois muitos jogadores não preservavam a condição física fora dos períodos de estágio. Era o tempo das grandes farras, dos copos, das noitadas, das comezainas, em que muitos fumavam (Futre reconhece hoje isso), e como é óbvio estoiravam ainda antes de completarem 30 anos.
    Hoje em dia, com as novas metodologias de treino, com o acompanhamento dos atletas pelas estruturas profissionais dos clubes e pelo próprio ambiente social reinante, tudo é bem diferente.
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    João André 18.09.2014

    Ainda bem que referes o Pelé. Em 1968-69 ele estava visto como velho (aos 28 anos!) e incapaz de aguentar o jogo. Por essa altura decidiu melhorar ainda mais a sua condição física (a qual ele sempre tinha acautelado) e apareceu na melhor forma física da sua carreira no mundial de 1970. Ou seja, Pelé soube ter cuidado com a forma física, coisa que Futre e Chalana não fizeram. Culpa destes? Não, simplesmente uma demonstração da excepcionalidade (e não apenas técnica) de Pelé.

    Isso viu-se também na forma como lidou com a pressão no mundial de 1958. Pelé era excepcional e foi também protegido pelo treinador, que não o colocou a jogar nos primeiros jogos. E comparar um jogador excepcional, - técnica, física e mentalmente - dos anos 50-60 aos jogadores de hoje, com toda a exposição dos meios de comunicação social e comunicação instantânea das redes sociais, não faz sentido. Aliás, basta ver o que sucedeu, ainda nessa altura, a Garrincha, que não aguentou a fama (felizmente conseguiu ainda brilhar tempo suficiente).

    Há também hoje jogadores excepcionais em termos mentais. Ronaldo desde muito cedo o foi. Messi também. Moutinho nasceu aos 10 anos de idade. A maioria, no entanto, se demonstrar talento, acaba por receber contratos milionários (literalmente) ainda antes de ter carta de condução. Num mundo onde tudo sobre eles se sabe isso afecta a esmagadora maioria. Também nos afectaria a nós. E aparentemente afectou inclusivamente Futre e Chalana, que passaram pelo mesmo.
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