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És a nossa Fé!

Um pontapé em Domingos Duarte

domingos-duarte.jpg

 

Há coisas que não consigo entender. E, talvez por isso, me custam imenso a aceitar.

Vai fazer um ano, abdicámos de um promissor central parcialmente formado em Alcochete, o turco Demiral, por via de um empréstimo ao Alanyaspor com opção de compra de 3,5 milhões de euros. Ou seja: tratou-se de um empréstimo sem retorno. O clube turco, rendido à qualidade do jogador, activou a cláusula.

Foi, literalmente, um pontapé dado pela SAD leonina a Demiral. E um rombo nas finanças do Sporting: como é sabido, o jovem defesa transitou posteriormente para o Sassuolo por 9 milhões de euros e a Juventus acaba de adquiri-lo por 18 milhões. Tudo em poucos meses. Nesta mais recente transacção, recebemos uns trocos ridículos: 180 mil euros. 

 

Acabo de saber que outro defesa formado em Alcochete, o igualmente muito promissor Domingos Duarte, foi agora também liminarmente excluído do Sporting: após empréstimo ao Deportivo da Corunha, deixa Alvalade a título definitivo, rumo ao Granada, por apenas 3 milhões de euros. Outro a levar um pontapé.

Lembro que Domingos tinha uma cláusula de rescisão fixada em 45 milhões de euros e vestiu 25 vezes a camisola da selecção nacional nos escalões juniores.

Lembro que foi titular absoluto no Deportivo, onde fez 33 jogos e marcou quatro golos, tendo sido incluído pelo jornal Marca no onze ideal da segunda liga espanhola, onde se destacou por ser o defesa central com mais passes correctos.

Lembro ainda que há um ano o nosso rival FC Porto vendeu ao Manchester United um dos seus jovens defesas da formação, Diogo Dalot, por 22 milhões. Um pouco mais, convenhamos.

 

Espero que alguém, lá por Alvalade, explique muito bem o que se passou.

13 comentários

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    Pedro Correia 15.07.2019

    Que interessa a clausula quando somos os primeiros a tornar esses valores irrisórios ou mesmo ridículos? DD, recordo, tinha clausula de 45 milhões
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    João Gil 15.07.2019

    Interessa pouco, porque se sabe que o “mercado” é distorcido e viciado e não há verdadeiramente relação entre a mesma e o valor desportivo do jogador, a não ser em pouquíssimos casos, que são as excepções que nos levam a todos a alimentar comparações sem sentido. O Sporting não está no circuito das negociatas da bola. Veja-se o que é noticiado hoje sobre a transferência que evolveu o jogador Pastore do PSG, para se perceber em que árvores nascem os milhões e como é que se processam as tais transferências estratosféricas dos astros do futebol. Se ao menos DD fosse um astro do futebol, mas não é. As cláusulas pretendem ser dissuasoras de assédio aos jogadores pelos clubes mais fortes. Mas a escala da lavandaria hoje faz com que as cláusulas não signifiquem coisa nenhuma. É como apresentar-se vestido com um fato comprado no alfaiate em Saville Row. Se quer dar-se com os poderosos e vender à realeza por preços que só Reis e Sultões podem pagar não vai apresentar-se vestido com um corte de fazenda da Dielmar (que tem belos cortes e faz belos fatos, diga-se de passagem...).
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    Pedro Correia 15.07.2019

    Se o mercado é "distorcido e viciado" (e é), nós em nada contribuimos para o desviciar ao vendermos por 3 o que tabelámos por 45.
    Na mesma linha, não faz o menor sentido fixar uma cláusula de rescisão de 45 milhões a um jogador da nossa cantera ao qual não concedemos sequer um minuto de jogo ao serviço da equipa principal. Num um só minuto.
    É o mesmo que dizermos ao mercado: não levem minimamente a sério as cláusulas que fixamos.
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    João Gil 15.07.2019

    Faz sentido, porque é dissuasor e os clubes não devem estar à mercê de ataques permanentes de concorrentes em períodos de vigência dos contratos e durante a competição. É por isso também que há “janelas” de transferências. A lógica aliás é simples. Trata-se de impedir que se percam jogadores para formações equivalentes ou de menor capacidade financeira e desportiva, ao mesmo tempo que as transações financiam os mais pequenos, em contrapartida da formação dos milhares de jogadores que este colocam no mercado futebolístico e que não conseguem afirmar-se (todos) nas equipas donde provêem. A perder, portanto, que seja apenas para quem é mais forte, a troco de mais dinheiro. Não é manifestamente o caso de DD, um jogador dos muitos feitos no Sporting sem procura por grandes emblemas e que por isso nunca seria vendido por valores significantes. Não quer isso dizer que entre quem compra e quem vende não se possa negociar fora das balizas que estabelecem os contratos. Cabe às partes e a mais ninguém negociar o preço da transação. Apesar do mercado estar viciado (e há vários segmentos dentro do mercado específico do futebol), no limite o preço é sempre fixado em função da(s) procura(s) e da(s) oferta(s) e obviamente também é função da maior ou menor habilidade negocial dos intervenientes. Nós dizemos coisas ao mercado, mas o mercado também fala connosco.
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    Pedro Correia 15.07.2019

    Insisto: o mercado jamais nos levará a sério se vendermos sistematicamente por 3 aquilo que (lhe) dissemos que só venderíamos por 45.
    Recordo que Demiral também tinha uma cláusula de rescisão de 45 milhões. Saiu por três e meio. Começa a tornar-se padrão.

    Recordo as cláusulas de alguns jogadores já considerados excedentários pelo Sporting nesta pré-temporada.
    Ryan Gauld: 60 milhões
    Mattheus Oliveira: 60 milhões
    Jefferson: 45 milhões
    André Geraldes: 45 milhões
    Lumor: 45 milhões
    André Pinto: 45 milhões
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    João Gil 15.07.2019

    Os jogadores que lista são todos de uma banalidade confrangedora. Se fixar cláusulas de três milhões, saem por 500mil. É justamente por isso. Porque se trata de jogadores com baixíssimo valor de mercado. Não se esqueça que nesta altura os jogadores do Sporting não têm o mesmo valor de mercado que tem qualquer suplente de terceira linha de um Atlético de Madrid, do Real Madrid , do Barcelona, do Manchester Unitel ou do Bayern de Munique e por aí fora. Podemos não gostar e até achar que somos uns nabos a negociar, mas a realidade é o que é. O mercado onde se movimenta o Jorge Mendes leva estas coisas do dinheiro muito a sério. O Sporting pode sempre ir buscar uma “parceria estratégica” a um “investidor” como esse. Porque é um investidor e não um simples agente de jogadores. Depois fica na mão desse e tem de procurar a proteção desse investidor, que passa a dominar as decisões da SAD, que tem interesses em vários clubes de maneira indirecta, etc.. tudo aquilo que apontamos ser factor de viciação das competições. Se for assim o Sporting se calhar consegue entrar no circuito do grande dinheiro, da grande lavandaria e das conquistas. Em Portugal o problema é que esse papel já tem protagonistas e tem fortes barreiras à entrada. E como o Sporting tem uma SAD falida ou semi, tem de se começar por algum lado. E despachar o que não interessa, aos preços melhores possíveis, é um bom princípio de gestão quando se está apertado e é preciso pagar contas, para tentar preservar os melhores. E quem já esteve em posição de decidir e de gestão em organizações com alguma dimensão, sabe que é exactamente assim que as coisas se passam na vida real.
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    Pedro Correia 15.07.2019

    A SAD está falida?
    Tem a certeza de que será essa a informação que constará do próximo relatório e contas?
    Sou incapaz de afirmar tal coisa com tanta convicção.
    Desde logo porque, se fosse assim, a SAD não andaria à procura de mais um extremo quando já temos pelo menos sete no plantel: Acuña, Camacho, Diaby, Jovane, Matheus Pereira, Plata e Raphinha.
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    João Gil 15.07.2019

    Como sabe a SAD do Sporting apresentou contas recentemente e nas últimas contas apresentadas tinha capitais próprios negativos em quase 6M€. Significa isso que o tal dos activos da SAD não chega para pagar o total das responsabilidades que a SAD tem inscritas no seu balanço. Caso estas fossem exigíveis instantaneamente a sociedade entrava imediatamente em insolvência e tinha os credores à porta e estaria a resolver os seus contratos em tribunal (e teve alguns em pré, ou ameaça de, contencioso, como foi público. Não fosse o factoring de parte do contrato da NOS e não teria conseguido recursos financeiros para resolver esses litígios anunciados com agentes, clubes, fornecedores de conta corrente, etc. Por isso a premência em fazer dinheiro e arrumar a casa. Certamente que no próximo reporte apresentará já um balanço ligeiramente positivo (espera-se, pelo menos) se conseguir esse equilíbrio positivo entre as alienações de passes, empréstimos, rescisões e novas aquisições, programa de redução de custos, etc. Não esqueça que dentro de um par de meses o Sporting tem de pagar um empréstimo obrigacionista de várias dezenas de M€ que empurrou 6 meses para diante por não ter como reembolsar o dinheiro aos investidores. A SAD e o Sporting o que fizeram foi uma inflexão de política. Repare bem no total do investimento em jogadores e o custo e o potencial já reconhecido dos mesmos. Lembre-se da fotografia do presidente da SAD (FV) com o conjunto de jogadores jovens a quem foi assegurado contrato profissional ou renovação, onde se incluem jogadores de futuro como Bruno Tavares (notícia de hoje), Joelson, Bruno Paz, Nuno Mendes e vários outros. Há uma mão cheia de jogadores por colocar, vender e rescindir com o Sporting daqui até o campeonato começar. Esse processo começou em Jan, com alguma incompreensão pública, até. A SAD é um negócio. Nos negócios que querem prosperar não se pode deixar de comprar e vender. Faz-se é na exacta medida dos recursos disponíveis, com planeamento e pés na terra. É o que o Sporting está a procurar fazer, parece-me. E se assim for, muito bem. Os Sportinguistas devem estar optimistas.
    Abraço e SL
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    Pedro Correia 15.07.2019

    Meu caro, de nada adianta estar a renovar contratos com jogadores e a fixar-lhes astronómicas cláusulas de rescisão se eles não calçarem.
    Domingos Duarte sai do Sporting aos 24 anos, após ter cumprido em Alvalade todos os escalões de formação, sem ter calçado um só minuto pela equipa principal.
    Tinha cláusula de 45 milhões e contrato até 2022.
    Valeu de quê?

    Considero isto inaceitável.

    Estamos a caminhar em sentido inverso ao da nossa melhor tradição. E, lamentavelmente, andamos a deixar que a "formação do Seixal" dê cartas do outro lado da Circular enquanto nós desprezamos a nossa. E não me refiro só aos treinadores, que se estão marimbando para os jovens talentos. Refiro-me também aos adeptos, que são sempre os primeiros - regra geral - a disparar contra os jovens que formamos. Sem conceder o benefício da dúvida a nenhum deles.
    Ouvi centenas de vezes, no nosso estádio, gritos e urros nas bancadas contra o Rui Patrício, o William, o Adrien, o Nani, o Gelson, o João Mário, etc, etc, etc. Adeptos de cachecol a insultarem os nossos jogadores. Todos estes foram assobiados sem pudor algum.
    Agora já se erguem vozes contra o Camacho. Caramba, não escapa um.

    Tenha paciência, mas assim não vamos lá.

    Saudações Leoninas
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    João Gi 15.07.2019

    Caro Pedro Correia,
    Acho que a sua apreciação rejeita a questão de fundo e principal. E eu percebo porquê. Todos temos urgência em ver resultados da mudança que nos dêem a todos (adeptos e sócios do Sporting) o conforto de sabermos que estamos a confiar no rumo certo, finalmente. Nesta altura é claríssimo que o Sporting está a colocar jogadores de menor qualidade e a privilegiar jovens de maior potencial, formados em Alvalade e adquiridos externamente, num passo crítico para a melhoria a relativamente curto prazo da equipa principal. E quanto à formação do Seixal aceitar a ideia que após 11 anos a criar e a dirigir a academia do Sporting com investimento em RH de topo, em gestão científica, rigorosa e de nível mundial se passa de um Pedro Mil Homens para um qualquer Virgilio, esperava o quê como resultado? Isto de um clube achar que o caminho era apostar numa presidência demencial e numa gestão desportiva à melhor maneira do Pablo Escobar tem consequências que levam tempo a reparar. Gonzalo Plata comprado por ao que se diz pouco mais de 1M€ foi mau? Rafael Camacho não presta? Renovar com Joelson, Nuno Mendes, Bruno Paz, Bruno Tavares, é errado? Queria antes ve-los no Benfica? Eles bem os queriam lá. E não foi por não tentar que alguns destes lá não estão neste momento. É que se insistirmos em querer por força ver na equipa A do Sporting o Domingos Duarte, o Ryan Gauld, o Carlos Mane, o Palhinha, o Yuri Medeiros e outros do mesmo nível, pois se calhar quando tiverem os caminhos tapados é mesmo para o outro lado rua que se viram os nossos melhores. Parar a sangria, como está a fazer o Sporting, parece uma boa política, mesmo que não se consigam segurar todos. Se até os do Seixal gostam de dinheiro, imagine os de Alcochete, onde o dinheiro abunda menos e onde os jogadores estão hipoteticamente mais susceptíveis a serem aliciados.Tenho a certeza que como eu prefere ver os melhores na equipa principal (mesmo que a prazo) do que continuar a dar oportunidades a jogadores que não vingaram mesmo em clubes modestos, com isso tapando inexoravelmente o caminho aos nossos melhores valores, obrigando-os consequentemente a escolher outros projectos futebolísticos. Isso seria desportivamente (e financeiramente) trágico para o Sporting. E do ponto de vista da gestão, incompreensível. O tema tem pano para mangas e o debate mais do que interessante. É mesmo dos que vale a pena.
    Abraço e obrigado pela troca de ideias já longa.
    JG
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    Pedro Correia 15.07.2019

    Você insiste em não entender alguns pontos essenciais da minha argumentação.
    Vou, portanto, recapitulá-los.

    1. É de uma injustiça sem nome um jogador que chegou à formação do Sporting como sub-17 (vindo do Estoril) ter percorrido todos estes escalões e vestido 25 vezes a camisola da selecção sem ter tido um minuto sequer de experiência na equipa principal do nosso clube. Isto após sucessivos empréstimos - incluindo ao Deportivo, onde foi titular absoluto, integrou o onze ideal escolhido pelo influente jornal 'Marca' e foi designado o central com mais passes acertados em toda a segunda divisão espanhola.

    2. É mais injusto ainda "castigar" um jogador que sempre deu provas públicas de sportinguismo seis meses após termos trazido para a equipa principal, para a mesmíssima posição, um outro jogador que - ao invés - renegou o Sporting. Não pode haver pior exemplo em matéria de pedagogia: recompensamos quem não merece, punimos quem nunca nada fez para receber castigo. Que lição estamos a dar aos mais jovens?

    3. Além de injusto, é ridículo deixarmos sair por 3 milhões um jogador que tinha cláusula de 45 milhões e contrato até 2022 - como se não tivéssemos aprendido lição alguma com o ocorrido há dez meses com Demiral, vendido por 3,5 milhões e agora adquirido pela Juventus por 18 milhões. O sinal que damos ao mercado, a partir de Alvalade, é este: não liguem às cláusulas, pois andamos desesperados por dinheiro fresco. Será a atitude mais correcta? Parece-me que não.
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    João Gil 15.07.2019

    É como quiser
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