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És a nossa Fé!

Um novo treinador

«Jogador exímio de cartas, [João] Rocha sabe que precisa de um trunfo. De preferência, um ás, um treinador conceituado. Tenta por isso contratar José Maria Pedroto, o treinador nortenho mais bem-sucedido da década de 1970. Pedroto colocara no mapa as equipas do Vitória de Setúbal e do Boavista, antes de regressar ao FC Porto, em 1977, ali conquistando dois campeonatos dezanove anos depois do último triunfo. Tem aura de génio das táticas e bons amigos na imprensa. Em 1981, exilado em Guimarães, é um portista desconfiado de Américo Sá. Há várias versões sobre o desacordo entre [João] Rocha e o treinador: conforme alguns testemunhos, Pedroto exigiu um orçamento amplo para contratações e… despesas informais [*nr], para outros, o treinador apenas quis ganhar tempo (…)

(…) Entretanto, as páginas do calendário avançam sem resultado concretos. [João] Rocha aponta baterias para John Mortimore que, anos antes, brilhara ao comando do Benfica. Mortimore é polido mas categórico: a saúde da filha não lhe permite viver em Lisboa, pelo que lhe interessa mais o cargo que o Southampton lhe oferece perto de casa. Em jeito de despedida, talvez por delicadeza, o técnico sugere o nome de um amigo – Malcom Allison. Bom rapaz, assegura João Rocha. Um pouco extravagante, mas bom rapaz. (…)

(…) Por coincidência ou sugestão de Mortimore, o inglês estivera em Alvalade em observação de jogadores na última jornada da temporada. No camarote 65, estudara a equipa do Sporting e ficara desde logo impressionado com Jordão e Manuel Fernandes e Manoel (…). Percebe que o ritmo e a linguagem corporal da equipa expressam o saldo de uma temporada infeliz, mas vê qualidade em campo. Tem por isso um único pedido. Gosta de guarda-redes seguros, sempre gostou. Precisa de um nome forte para a baliza. (…)

(…) Com a mão esquerda, Malcom Allison formaliza o contrato com um ano de duração. À despedida, como se lhe anunciasse uma notícia menor, João Rocha deixa cair:

 

Preciso de si amanhã (…)”»

 

[*nr] Em artigo tardio do Diário Popular, de 16 de Maio de 1991 («José Maria Pedroto Homem Avançado no tempo»), o jornalista Neves de Sousa escreverá que Pedroto pedira a João Rocha quinze mil contos de luvas, salário para si e verba idêntica para os árbitros. «Caso contrário, o Sporting só ganha campeonatos lá para o fim do século.» (…)

 

In.: ROSA, Gonçalo Pereira - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. pp. 65-70

6 comentários

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    Chakraindigo 04.09.2019

    Sorte?

    Um dos melhores dirigentes do futebol português, um gentleman, e que compreendeu muito bem a relação de forças do futebol português.

    Com JR o Sporting foi mais ecléctico que nunca, aumentou muito o numero de sócios, ganhou títulos, e quando saiu o FCPorto tinha 7 ou 8 títulos, e o Sporting 16.

    Foi o ultimo grande presidente do Sporting, e um dos últimos grandes dirigentes do futebol português.
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    Elitista 04.09.2019

    Um grande senhor é certo mas um dirigente que, em 12 anos de mandato num clube grande, conquista apenas 3 campeonatos (de futebol, claro, que isso é 98% da importância), não pode nem nunca será, considerado um dos melhores dirigentes do futebol português.
    Temos, DE UMA VEZ POR TODAS, de largar essa mentalidade de pedinte que faz um festim com migalhas!
    Já que referiu o FCP, é bom referir que Pinto da Costa conquistou mais campeonatos no seu mandato do que o SCP nos seus 113 anos de existência.
    Dá que pensar...
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    Chakraindigo 04.09.2019

    Caro Elitista,
    esta é a minha visão de benfiquista, os sportinguistas terão mais conhecimento do que eu sobre o clube para opinar.
    Joao Rocha foi campeão europeu de hoquei, vencedor da Taça das Taças e Taça Cers, viu Carlos Lopes ser campeão olimpico, campeão em basquetebol, andebol, Rita Villas Boas na ginastica, fechou as bancadas do vosso antigo estádio com a pista de atletismo onde Carlos Lopes e Mamede bateram em simultâneo o recorde do mundo dos 10.000mts, construiu a Nave de Alvalade, trouxe Joaquim Agostinho de volta.

    Pode ser pouco, mas teve o azar de ser da época de Pinto da Costa, pessoa que não conto como dirigente, a não ser que se esteja a falar de organizações ligadas a Palermo.
    Foi ele que sozinho combateu Pinto da Costa, que se aproximou na época ao Benfica, na sua estratégia de se unir à vez a um dos grandes de Lisboa.

    Foi a má visão dos, na altura, mais titulados clubes de Portugal, que contribuiu em parte para a ascensão do FCPorto.
    O Sporting, no futebol, nunca mais se reergueu, e o Benfica teve de comer o pão que o diabo amassou para reconquistar o lugar que tinha atingido antes de PC.
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    AntónioF 04.09.2019

    Meu caro,
    uma pequena correcção, ao seu texto, que tive muito gosto em ler.

    Na pista do antigo Estádio de Alvalade foi batido o recorde da Europa dos 10 000 metros por Fernando Mamede no dia 30 de Maio de 1981, com a marca de 27.27,7.
    O recorde que faz referência «Carlos Lopes e Mamede bateram em simultâneo o recorde do mundo» ocorreu em Estocolmo no dia 2 de Julho de 1984 quando Fernando Mamede fez a marca de 27.13,81 minutos e Carlos Lopes 27.17,48, então a segundo melhor marca de sempre.
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    Chakraindigo 04.09.2019

    Coisas da memória, eu escrevo ao correr da pena e por vezes dá nisto.
    Obrigado pela reposição da veracidade dos factos.
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