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És a nossa Fé!

Um erro colossal

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 Foto Record

 

Marco Silva parece ter os dias contados como técnico principal do Sporting. Eis a reprise do psicodrama que marcou o último Dezembro leonino, só encerrado na altura com uma declaração do presidente à Sporting TV em que manifestava confiança no treinador. Foi há menos de cinco meses mas já soa a frase de um passado longínquo.

A palavra "ruptura" é utilizada hoje na capa de um jornal. Mas não é um jornal qualquer, nem vem da pena de um qualquer jornalista: surge no Record, de longe o diário desportivo mais próximo da direcção leonina. Em texto assinado pelo próprio director do jornal, António Magalhães. Que falou com Bruno de Carvalho, como fica bem patente na prosa que escreveu e publica na página 2.

Tudo isto, note-se, a 16 dias da decisiva final no Jamor.

 

Depois desta manchete, validada com a chancela do director, parece cada vez mais evidente que Marco Silva não permanecerá no Sporting após 31 de Maio.

Se vencer a Taça de Portugal, como todos desejamos, a sua saída será um erro colossal da direcção leonina, aparentemente pronta a afastar o único técnico que se prepara para nos dar um título em futebol profissional desde o já longínquo ano de 2008 (quando Paulo Bento conquistou igualmente a Taça de Portugal, seguida da Supertaça).

Um erro somado a tantos outros.

Ao de João Rocha, que despediu Malcolm Allison no Verão de 1982, logo após o Sporting ter conquistado a dobradinha (campeonato nacional e Taça de Portugal), dando início ao longo inverno de 18 anos sem títulos.

Ao de Sousa Cintra, que na época 1993/94 afastou Bobby Robson do comando técnico da equipa, a pretexto de uma derrota na Taça UEFA, quando o Sporting seguia em primeiro (e a seguir o britânico sagrou-se campeão como treinador do FC Porto).

Ao de Luís Duque, que afastou Augusto Inácio (o treinador que nos conduziu ao título após 18 anos de jejum), contratou e despediu José Mourinho - tudo no mesmo dia, em Novembro de 2001: bastou-lhe ouvir uns berros de alguém numa conferência de imprensa para se borrar de medo e voltar com a palavra atrás (Mourinho, como Robson, seria campeão pelo FC Porto enquanto Inácio teve a dignidade de recusar manter-se em Alvalade quando lhe vieram pedir que afinal ficasse para aguentar o barco).

Ao de José Eduardo Bettencourt, que em Fevereiro de 2009 bradava "Paulo Bento forever!" - uma "eternidade" que durou sete meses, até ao despedimento do técnico que garantiu duas Taças e duas supertaças para o Sporting (as últimas até ao momento) e depois conduziria a selecção portuguesa a uma épica meia-final do Euro-2102.

 

Mudam as gestões, mudam os nomes inscritos no gabinete presidencial, mas o Sporting mantém-se fiel à péssima tradição de ser um cemitério de treinadores. O experimentalismo contínuo, que não permite sedimentar processos de jogo e modelos tácticos nem criar verdadeira empatia entre adeptos e equipas técnicas, tornou-se lei comum em Alvalade.

A instabilidade não vem de fora, vem de dentro.

 

Nem comento os nomes que circulam como eventuais sucessores de Marco Silva e aos quais o Luciano já se referiu aqui. Limito-me a questionar que estabilidade pode ter a nossa equipa perante cenários destes num período em que dela se exigiria concentração total no objectivo de garantir a Taça no Jamor. Cenários que não podem ser invenção pura do jornal mais conotado com Alvalade e que a todo o momento tem acesso ao presidente.

Mas se estamos apenas perante mais uma tentativa externa de desestabilizar o Sporting, nada como a prova do algodão, que não engana: bastará um comunicado claro e conciso do presidente, garantindo que Marco Silva - sua escolha pessoal, faz agora um ano, para treinar a equipa até à temporada 2017/18 - continuará como aposta única para o comando técnico na época que vai seguir-se.

 

Cada hora que passar durante o resto do dia de hoje, o silêncio soará a confirmação de tudo quanto ficou escrito.

Com as consequências daí decorrentes: o hipotético divórcio entre treinador e presidente alastrará inevitavelmente às relações entre o presidente e os adeptos.

Como escrevi aqui em Dezembro, "o destino de um está ligado ao destino do outro. Ou seja, o fracasso de Marco Silva representaria também o fracasso de quem o contratou e o vinculou contratualmente ao Sporting durante quatro anos".

Não é preciso nenhum especialista externo em "gestão de crises" soprar-lhe esta evidência ao ouvido para Bruno de Carvalho ter a certeza absoluta de que será assim.

6 comentários

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    Pedro Correia 15.05.2015

    Fala de quem?
    Nos últimos dois anos, tanto quanto me apercebi, foram contratados dois treinadores competentes: Leonardo Jardim (como hoje se comprova no Mónaco) e Marco Silva. Nenhum deles medíocre, longe disso.
    Não concebo aliás que a direcção leonina tivesse assinado um inédito contrato de quatro anos de duração com um treinador medíocre, fosse ele quem fosse.
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    RMSCP 16.05.2015

    Marco Silva, no Sporting, só mostrou ser medíocre. A direcção nunca comete erros? Eu também teria escolhido a contratação de MS mas depois desta época posso dizer que estava errado.

    Cumps
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    Pedro Correia 16.05.2015

    Essa é a lógica dos que assobiam o Nani nas bancadas de Alvalade quando o vêem temporizar o jogo para melhor decidir um lance. Bastam três segundos para logo choverem as vaias.
    Um Pirlo, por exemplo, não resistiria meia época no Sporting.

    Diz você que Marco Silva é "medíocre". É o mesmo que chamar medíocre ao presidente: foi Bruno de Carvalho quem o escolheu.
    Mas é curioso: ao longo de toda a temporada não vi um só analista de futebol, na imprensa, na rádio ou na TV, chamar medíocre ao nosso treinador.
    É como eu escrevo no texto: a verdadeira instabilidade no Sporting vem sempre de dentro, nunca vem de fora.

    São os que assobiam o Nani.
    Os que querem correr com o treinador à primeira derrota ou ao segundo empate. Sem perceberem que no futebol a estabilidade é um valor e um contrato de quatro anos não pode ser avaliado com justiça quando apenas foi cumprido 25% do seu prazo. E quem definiu o prazo, neste caso, foi Bruno de Carvalho.

    Marco Silva será responsável pelo facto de o Sporting só ter sido campeão duas vezes em 30 anos?
    Será responsável pelo facto de o nosso último troféu, em futebol profissional, ter sido conquistado há sete anos?
    Se ele é "medíocre", quais as sumidades que deveriam substituí-lo?
    Cajuda?
    Carvalhais?
    Manuel José?
    Rui Vitória?
    Paulo Fonseca?
    Carlos Queiroz?
    Nelo Vingada?
    Mandando regressar Paulo Sérgio ou Couceiro ou Peseiro?

    Jorge Jesus?
    E como quer pagar-lhe? Com dinheiro que não temos? Com o nome do estádio? Com José Alvalade a passar a chamar-se Jorge Jesus para fazer baixar a massa salarial?
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    Raúl 16.05.2015

    Caro Pedro,

    Por muito que eu defenda a permanência do Marco Sila, que defendo, esse comentário só veio defender o contrário. A comparação com Nani é só infeliz, porque nenhum treinador antes de se lançar para uma conquista da Taça UEFA contemporiza com 10 empates a uma bola. Tenho a certeza que se o Marco Silva saísse do Sporting pela Backdoor este ano, entraria no universo dos Treinadores flops porque não tinha lugar em mais lado nenhum que não equipas de segunda.

    As expectativas para o Marco Silva eram de facto muitas (daí os 4 anos), mas nunca me passou pela cabeça que com um plantel para ficar em 3º lugar no campeonato, não lutássemos pelo segundo. E isto foi o Marco este ano, goleado duas vezes no Norte.

    E finalmente, as "blindagens ao balneário" em relação ao presidente é a razão pelo qual não temos ouvido vozes na CS em flagelo ao Marco Silva. Atacar o Marco Silva tornou-se defender BdC. Portanto não sejamos ingénuos...
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    Pedro Correia 16.05.2015

    As suas "certezas" são infundadas.

    Com Marco Silva, o Sporting desperdiçou dez pontos em casa. Mas com Jardim, há um ano, tínhamos desperdiçado onze.
    Às vezes as coisas não são o que parecem.

    Apoiei Bruno de Carvalho na escolha de Jardim e de Marco como treinadores.
    Jardim saiu pelo seu pé. Pela porta grande. E rendeu dinheiro ao Sporting - nunca antes tinha acontecido algo semelhante com um treinador nosso. Está a fazer um grande trabalho no Mónaco.
    Não admito um cenário diferente para Marco Silva.
    Aqueles que dizem apoiar Bruno batendo no Marco Silva estão afinal a vergastar o presidente. Porque o treinador é escolha directa do presidente.

    Eu vi uma época globalmente positiva.
    Você viu o Sporting "goleado duas vezes no Norte". Foram as nossas únicas derrotas da temporada no campeonato.
    Não viu mais nada?

    Eu vi um Sporting, como há muitos não se via, eliminar o Porto no Dragão (também é Norte!) numa eiminatória dificílima da Taça de Portugal.
    Eu vi o Sporting bater-se duas vezes com garra leonina contra o Benfica, mais que provável campeão nacional. Na Luz e em Alvalade, onde eles empataram num golpe de sorte no último minuto depois de terem jogado cheios de medo sem fazerem um só ataque em 90 minutos.
    Eu vi o Sporting vencer em Braga (também é Norte!), onde outros grandes baquearam.
    Eu vi o Sporting com uma magnífica exibição frente aos alemães, na Champions, com uma vitória categórica em Alvalade e uma eliminatória que só não ultrapassámos porque o árbitro não quis.

    Eu vi o Sporting com um futebol mais atractivo do que o da época passada apesar de termos feito muito mais jogos e portanto o desgaste ser maior.
    Vi um Sporting com mais golos - e golos magníficos (o do Tanaka em Braga, o do Nani frente ao Gil Vicente, um golo do Gauld na Taça Lucílio...)
    Um Sporting com actuação individuais soberbas. A de Rui Patrício em Alvalade frente ao poderoso Chelsea, por exemplo.
    Vi um Sporting a apostar nos jogadores portugueses. A orgulhar-se da sua formação. A lançar João Mário e Tobias na equipa principal.

    Vi um Sporting onde quase todos os jogadores se valorizaram. A começar no Nani, que esteve parado durante quase toda a época passada, em Inglaterra.
    Mas outros também se valorizaram.
    O Rui Patrício, por exemplo: bastaria aquela exibição, que lhe valeu um cumprimento especial do Mourinho. O Jefferson e o Carrillo, que jogaram melhor que nunca. O Slimani e o Montero. O Carlos Mané, cada vez mais consistente. O Cédric, cobiçado por vários clubes europeus. O Paulo Oliveira, titular da selecção sub-21. O Ewerton. Até o Tanaka, que ninguém conhecia.

    Tudo isto me enche de orgulho. O que nada me orgulha é ler comentários como o seu, depreciando a época e o treinador e os jogadores (e, por arrasto, o presidente que os contratou). Nada me orgulha ler os textos de intriga rasca do José Eduardo no jornal dos lampiões e perceber que alguns adeptos o acompanham julgando que assim se tornam mais "sportinguistas".
    São os mesmos que assobiam o Nani.
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