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És a nossa Fé!

Um empate que acaba por saber a pouco

Benfica, 2 - Sporting, 2

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Pedro Gonçalves comemora o segundo golo na Luz, que marcou de penálti

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Foi uma exibição acima do que tem sido a nossa média no campeonato actual. Bem acima, aliás, nos primeiros 25 minutos. O Sporting começou muito bem este clássico no estádio da Luz - outro jogo com um rival directo disputado fora de casa na primeira volta da Liga 2022/2023, cujo calendário em nada nos favoreceu. Recordo que também os confrontos com FC Porto e Braga decorreram em casa das equipas adversárias.

Não era um confronto nada fácil: estamos perante o melhor Benfica da última década, muito bem orientado pelo actual técnico alemão. Os encarnados chegaram a estar 28 jogos sem vencer - facto digno de registo. 

Mas este SLB que anteontem defrontámos parece já longe do fulgor inicial. Não fez nada de relevante para justificar uma eventual vitória - tirando dois lances em que Gonçalo Ramos, mostrando-se ponta-de-lança competente, aproveitou da melhor maneira lapsos defensivos do Sporting. Aos 37' e aos 64'.

De qualquer modo, estivemos duas vezes em vantagem. Abrimos o marcador com um autogolo de Bah, aos 27', pressionado por Trincão - na sequência de um cruzamento milimétrico de Edwards. E voltámos a adiantar-nos aos 53', na marcação de um penálti, muito bem convertido por Pedro Gonçalves.

Dispusemos de duas outras excelentes oportunidades. A primeira, desperdiçada por Trincão aos 38', ao deixar-se antecipar por António Silva, vindo de trás, quando tinha a baliza à sua mercê. A segunda, aos 90'+2, com o estreante Chermiti a vacilar no momento da finalização. Ter-se-á deslumbrado e falhou: é algo que acontece com frequência a quem veste pela primeira vez a Verde e Branca na equipa principal. Nada que justifique forte censura.

 

Em resumo: a exibição não deslumbrou, o resultado não escandalizou. Embora na época anterior tenhamos vencido o Benfica por 3-1 na Luz.

O que nos faltou para conseguirmos os três pontos?

Faltou sobretudo maior consistência no sector defensivo, que tem feito a diferença para melhor noutras partidas. Coates desta vez não funcionou como pêndulo na definição das linhas do fora-de-jogo. Gonçalo Inácio falhou a marcação no primeiro golo, Matheus Reis teve uma abordagem deficiente no segundo.

Exibições muito positivas de Pedro Gonçalves, na transição do meio-campo para o ataque sem descurar o apoio à defesa. Também de Edwards na primeira parte, antes de rebentar fisicamente. E sobretudo de Ugarte, um poço de energia: está a tornar-se num novo Palhinha. Falta agora descobrir-se quem será o substituto dele. Existem alguns candidatos, mas a escolha ainda não está feita.

 

A entrada de Chermiti, aos 78', foi um dos factos marcantes deste jogo. Outro jovem oriundo da Academia leonina em quem Rúben Amorim aposta. Mesmo tendo feito apenas seis jogos nesta temporada pela equipa B e vindo de uma lesão algo prolongada. A estampa atlética do avançado (1,92m) parece impressionar o nosso treinador, consciente de que a falta de estatura dos jogadores é um dos nossos problemas do meio-campo para a frente.

O jovem nascido nos Açores, com apenas 18 anos, necessita de apurar a cultura táctica. Mas a verdadeira aprendizagem faz-se lá dentro, nos jogos a doer - como agora aconteceu. Mérito de Amorim por acreditar nele.

 

Este empate na Luz acabou por saber a pouco porque a vitória esteve perfeitamente ao nosso alcance e continuamos 12 pontos atrás do Benfica, líder da Liga. Mas um empate naquele estádio nunca poderá ser visto como resultado negativo.

Mau foi termos perdido 0-3 no Dragão no início deste campeonato.

Péssimas foram as derrotas absolutamente inesperadas que nos tiraram da corrida ao título. Perder com o Chaves (em casa), o Boavista, o Arouca e o Marítimo é inadmissível. Tal como é inaceitável sermos atirados fora da Taça de Portugal pelo Varzim.

 

Os jogos são para ganhar.

Podem ser ganhos ou não, mas nunca se entra em campo com outra atitude senão esta: querer vencer.

Sem dizer que os jogos «não contam para nada» ou que «nem vale a pena pois os árbitros roubam-nos sempre». Adeptos de um clube tão grande como os maiores da Europa não devem exprimir-se assim.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Transmitiu segurança à equipa ao anular três jogadas que levaram perigo à nossa baliza: a maturidade conta muito nestes clássicos. Sem culpa nos golos sofridos.

Gonçalo Inácio - Oscilante. Facilitou a progressão adversária no lance do primeiro golo que sofremos (o pior). Grande passe de ruptura a isolar Chermiti quase no fim (o melhor).

Coates - Faltou-lhe definir melhor a linha do fora-de-jogo, missão que costuma protagonizar com brilhantismo. Bons cortes aos 43' e aos 76' neste seu 14.º dérbi no Sporting.

Matheus Reis - Decisivo corte aos 61', neutralizando Rafa. Mas falhou a abordagem na jogada de que saiu o segundo golo encarnado, deixando Ramos movimentar-se à vontade.

Porro - Marcou de forma exímia um livre directo travado por Vlachodimos, logo aos 6'. E é ele a iniciar, com um toque de classe do seu pé menos bom, o lance do nosso primeiro golo.

Ugarte - Todo-o-terreno na linha daquilo a que Palhinha nos habituou. Melhora de jogo para jogo, vencendo sucessivos confrontos no nosso meio-campo. Foi o melhor dos nossos.

Nuno Santos - Muito assobiado cada vez que tocava na bola, mostrou-se bastante mais retraído do que o habitual. O desafio impôs-lhe prioridade às tarefas defensivas.

Pedro Gonçalves - Muitos furos acima das suas mais recentes exibições. Acutilante na construção ofensiva, transportando bem a bola. Marcou o segundo golo, de penálti.

Edwards - Momento alto: a assistência para o primeiro golo - curiosamente de pé direito, ele que é canhoto. Quinta assistência na Liga. Quebrou fisicamente no segundo tempo.

Trincão - O melhor: pressionou à boca da baliza, dando origem ao primeiro golo - marcado por Bah na própria baliza. O pior: desperdiçou soberana hipótese de marcar, aos 38'.

Paulinho - Ganha o penálti, ao ser derrubado em falta por António Silva. Foi o melhor momento do nosso avançado-centro neste clássico, em que não fez um só remate à baliza.

St. Juste - Saltou do banco aos 67', rendendo Matheus Reis - Gonçalo passou para central à esquerda, ele ficou à direita. Tem velocidade, mas precisa de conter algum ímpeto.

Arthur - Entrou aos 78', substituindo Edwards. Mas não demonstrou alguns dos dotes que já lhe vimos noutros desafios. Parece atravessar uma crise de inspiração.

Chermiti - Estreia absoluta na equipa principal, logo num Benfica-Sporting: aos 78', rendendo Paulinho. Movimentou-se bem na área aos 90'+2, mas pecou pela má finalização.

Jovane - Entrou muito tarde para o lugar de Trincão, aos 89'. Mal teve tempo para se destacar, tanto pela positiva como pela negativa. Vai-se tornando irrelevante.

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