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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Xeque-mate

Confesso que este jogo me inspirava cuidados. Jogávamos num estádio tradicionalmente difícil para as nossas cores e o anterior jogo contra uma equipa de xadrez, em Moreira de Cónegos, não deixara bons augúrios. A acrescentar a isso, na hora de dispor as nossas peças no tabuleiro, sabemos que nunca podemos contar com os bispos, ou seja, temos logo menos 12,5% das armas disponíveis para o xeque-mate. Restavam-nos um Rei (Patrício), uma Rainha (Bruno Fernandes, a peça até agora com maior amplitude), duas Torres (Mathieu e Bas Dost), dois Cavalos (Gelson e Piccini) e oito voluntariosos Peões - dos quais três ficaram de reserva para futuros ataques/defesas - e com isso apresentámo-nos a jogo com a nossa FÉ.

De um lado da mesa, o consagrado Jesus, do outro o seu discípulo Simão, o zelote (ou zeloso) xadrezista boavisteiro. Um Grande-Mestre a lutar por reconquistar o título contra um membro dos "jaquinzinhos" (G15), aspirantes ao trono.  

O nosso Jesus começou por inventar: Battaglia ficou no banco, obrigando Bruno Fernandes a jogar longe da área adversária, perdendo assim influência, levando William a desdobrar-se em acções defensivas. Podence não acertava uma, não conseguíamos segurar a bola e o Boavista dominava a seu bel-prazer o miolo. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, muito por influência dos movimentos em "L" (alternadamente verticais e horizontais) de Piccini, começámos a aproximar-nos do último reduto axadrezado. Estava a partida a caminho do intervalo quando Dost ganhou uma bola de cabeça, o peão Podence rodopiou como um pião vezes sem conta sobre um defesa, cruzou e o insuspeito Coentrão surgiu no lado oposto a cabecear para golo. Xeque-ao-Rei. 

Na segunda parte, Jesus mexeu cedo na equipa, entrando primeiro Acuña, depois Battaglia, para os lugares de Bruno César e de Podence. Os dois argentinos acabariam por ser providenciais: o extremo apontou o canto de onde resultaria o segundo golo, Batman recuperou inúmeras bolas em diversas zonas do terreno, permitindo à equipa respirar. Ainda houve tempo para uma decisão controversa do VAR - suspeito que os nossos Leitores benfiquistas, à semelhança do Freitas Lobo, tão categórico quanto ao fora de jogo de Dost em Paços, desta vez não se vão pronunciar pois o jogador axadrezado aparece na câmara numa diagonal à frente da bola - que permitiu ao emblema do Bessa aproximar-se, mas após jogada iniciada em Bruno Fernandes,  as Torres de Alvalade combinaram para o xeque-mate que pôs termo ao encontro.

Destaque para os golos terem sido apontados por jogadores poupados no início do jogo em Barcelona, pormenor que JJ não deixou passar em claro na "flash-interview", referindo-se aos críticos como "atrasados mensais". Independentemente da razão que lhe assista (afinal ganhou e a sua aposta provou-se correcta), JJ e a restante estrutura leonina poderiam sentar-se à mesa e entre os comensais ponderar abrir uma escola para alunos com necessidades especiais - tantos são aqueles já apelidados de "burros" ou "atrasados mensais" -, um modelo alternativo às escolas que Vieira pretende criar no Seixal...

Mais humildade e menos adjectivação precisam-se, até porque tão importante como saber perder, é saber ganhar e nós vamos ganhar.

Uma última nota, esta à margem do jogo, mas não do dia de ontem: pode ser apenas coincidência, mas dá-me a ideia de que quem contrapuser a conferência de imprensa de Ivo Vieira - após o Benfica x Estoril - com o "flash-interview" de Abel após o Sporting x Braga fica com uma parábola quase perfeita do que é o futebol português.

 

Os nossos jogadores um a um:

 

Rui Patrício - Invariavelmente, em jogos em que tem pouco ou nenhum trabalho, acaba por sofrer um golo estúpido ao qual é completamente alheio. No resto do tempo limitou-se a jogar (e bem) com os pés, fosse através de competentes pontapés de baliza ou por via de atrasos de colegas seus.

Nota: Sol

 

Piccini - (Madame) Butterfly está para Puccini como (o efeito) Bitterfly está para Piccini. "The Bitterfly effect" é um estado  que se apodera de uma pessoa e que a faz não reconhecer culpa própria sobre qualquer acção por si desencadeada. Felizmente que foi esse o caso do futebolista italiano, esta noite, no Bessa. Qualquer outro jogador teria ficado afectado com sucessivas perdas de bola e más decisões durante uns bons 25 minutos da primeira parte, mas não Piccini. À conta de ir culpando os companheiros, o vento, o corte da relva e a iluminação, o nosso lateral manteve a confiança no seu jogo e foi a primeira peça leonina a mostrar inconformismo com o empate e a levar a equipa para a frente com sucessivas cavalgadas durante a primeira parte, arrancando para uma exibição muito conseguida no resto do tempo, com grande equilíbrio entre os movimentos atacantes e os defensivos.

Nota: Si

 

Coates - Não teve um jogo muito conseguido. Provavelmente acusando algum desgaste mental, tal a atenção que lhe tinha sido requerida em Barcelona, onde de resto realizou uma excelente exibição, o uruguaio mostrou falta de tempo de entrada aos lances, o que lhe motivou uma cartolina amarela na primeira parte e a culpa no golo do Boavista, na segunda. Nada disto abala, do meu ponto-de-vista, a tremenda confiança que temos nele, mesmo que hoje se tenha limitado a ser um peão no tabuleiro axadrezado (onde só pode haver duas Torres).

Nota:

 

Mathieu - "Souplesse" e Mathieu andam de tal forma ligados que por vezes imagino se não terá sido para caracterizar o gaulês que a expressão foi criada. Na sua área, resolve qualquer problema com uma facilidade extraordinária, seja através de um providencial corte de carrinho, de um subtil desvio de cabeça, parecendo que tem uma varinha mágica sempre disponível para fazer face a qualquer problema. Com estilo, muito estilo, e calma. Aliás, imagino-o a mudar um pneu sobresselente, sem sujar um dedo, ou a encontrar o ponto de cozedura ideal do peru de Natal, sem suar. O tipo de "cool dude" que encontramos num Paul Newman ou num Steve McQueen. Como se tudo isto já não fosse praticamente inalcançável a qualquer comum mortal, aventurou-se duas vezes no ataque e com muita cabeça esteve na origem dos dois golos de Bas Dost. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Fábio Coentrão - Primeiro, dizia-se que não aguentava um jogo completo. Depois, que não era o jogador influente de outros tempos. Apostado em evidenciar que tudo isto não passava de mitos urbanos, o vilacondense agora dura 90 minutos e, imagine-se, até já marca e de que maneira: em cima do 3º minuto de compensação do primeiro tempo - período em que o imaginário popular já o via caído no relvado, entubado e com diversas mialgias de esforço - eis que Coentrão lá estava, oportuno, a corresponder a um centro perfeito de Podence, inaugurando assim o marcador.

Nota: Si

 

William - Devido à arriscada táctica que JJ trouxe para o primeiro tempo, foi nesse período um verdadeiro dois-em-um, assegurando a devida protecção aos seus centrais. A entrada de Battaglia trouxe-lhe tal alívio que praticamente deixou de se ver no relvado, remetendo-se provavelmente a um merecido descanso, tal a intensidade do esforço despendido no primeiro tempo. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - A sua actuação saíu prejudicada pela posição em que JJ o colocou em campo. Desgastado por missões que não são aquelas em que se sente como "peixe na água", nas aproximações à área adversária os remates saíram-lhe sempre frouxos. Em todo o caso, ainda teve tempo para deixar uma nota artística quando repetiu, no mesmo lance na grande-área do Boavista, uma roleta. 

Nota: Sol

 

Gelson Martins - Mais rectílineo e acutilante do que vinha sendo hábito, embora não tenha tido influência nos golos, protagonizou o momento artístico do jogo quando dançou entre quatro boavisteiros, a todos ultrapassando, acabando por ser travado à margem da lei pelo último homem, o defesa Rossi, em lance que o árbitro não puniu com o cartão vermelho. Uma jogada à craque!

Nota: Si

 

Bruno César - Durante a primeira parte, foi dos jogadores mais esclarecidos, procurando sempre dar linhas de passe aos colegas, encontrando muitas vezes espaço na meia esquerda do ataque leonino. Infelizmente, os centros saíram-lhe sempre desajustados e um pouco antes da hora de jogo Jesus substituiu-o.

Nota: Sol

 

Podence - Como classificar um jogador que protagonizou um sem-número de más decisões até ao último minuto da primeira parte, momento em que sacou um coelho da cartola, rodopiou vezes sem conta sobre um pobre defensor boavisteiro e concluiu com uma assistência que Fábio Coentrão classificou como "só tive de empurar"? O futebol e os seus sortilégios. No xadrez do Bessa, Podence foi um (cam)peão que fez xeque ao rei boavisteiro.

Nota: Sol

 

Bas Dost - Dost rima com "post" e eu vou gostar de "postar" que fiquei muito feliz de ver Bas voltar a "dostar". O carteiro ("postman", ou será "dostman"?) Dost raramente falha a entrega. Ontem, foram mais dois "selos" para a colecção. São dezasseis até ao momento...

Nota: Dó Maior

 

Acuña - Ainda mal tinha entrado no jogo e, após um canto por si executado, chegámos ao segundo golo. No resto do jogo ajudou a defender a vantagem duas vezes conquistada, assegurando-se de que não a voltaríamos a perder. Ofensivamente está a faltar-lhe aquele "punch" do início da época. 

Nota: Sol

 

Battaglia - O jogo entrava numa fase electrizante e Jorge Jesus fez sinal a Battaglia de que iria render Podence. Recuperou imensas bolas, em diferentes zonas do terreno, com destaque para uma ganha à saída da grande-área adversária, lance em que, posteriormente, assistiria Bruno Fernandes, o qual, cansado, desperdiçaria a oportunidade. Com ele em campo, qualquer veleidade do Boavista caiu por terra ou não fosse ele o nosso Batman, o vigilante de Alvalade City.

Nota:

 

Bryan Ruiz - Rendeu o esgotado Bruno Fernandes aos 85 minutos, não tendo estado tempo suficiente sobre o relvado para lhe poder ser atribuida uma nota. Ainda assim, saúde-se mais uma presença, ele que procura a melhor condição e ritmo de jogo.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Monsieur Mathieu 

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