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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Realidades paralelas

Num célebre filme sobre as transformações na Alemanha, pós perda da influência soviética (Good bye, Lenin!), uma familia do leste de Berlim (antiga RDA) tenta esconder da sua ortodoxa matriarca - acabada de sair de um prolongado coma e ainda convalescente - a recente queda do Muro, recreando todo um mundo paralelo. Antes, já Kusturica tinha explorado o tema da realidade alternativa, no extraordinário "Underground", onde um secretário do Partido Comunista Soviético mantinha num subterrâneo, sequestrados, uma série de cidadãos russos que lá se tinham refugiado durante a 2ª Grande Guerra, aquando da invasão pela Alemanha de Hitler. Já tendo a guerra terminado há muito, esse facto fora convenientemente escondido desses seus camaradas, cujo único elo de ligação com o exterior era esse membro do partido. O hilariante da situação é que, um dia, alguns cidadãos decidem ousar subir à superfície onde acabam por encontrar "alemães" - figurantes de um filme sobre a Guerra que está a ser rodado naquele momento - acabando por matá-los, confundindo assim a ficção com a realidade.

Toda esta parábola introdutória vem a propósito das 3 realidades alternativas (ou 3 jogos paralelos) a que hoje assistimos no Dragão. A primeira destas "realidades" foi o jogo visto por Luis Freitas Lobo: o comentador da SportTV conseguiu vêr o Sporting a jogar com 5 defesas, nunca entendendo que Ristovski, embora com preocupações defensivas, foi sempre mais ala do que lateral direito - este foi Piccini, enquanto no flanco oposto muitas vezes Coentrão também se adiantava, formando-se ocasionalmente uma linha de apenas 3 defesas - , de forma a libertar o ainda convalescente Gelson (que actuou numa posição mais central) das constantes subidas e descidas por este corredor; outra "realidade" foi a forma como João Pinheiro viu a partida: na óptica do árbitro, qualquer toque sobre um jogador do Sporting raramente foi merecedor de falta. Assim foi, logo no início, quando Ristovski foi carregado por Alex Telles, em falta que se iniciou dentro da área portista e que terminou já fora da mesma, prosseguindo na não observação de uma falta clara sobre Gelson nas imediações da área do FC Porto, para não referir as inúmeras infrações cometidas sobre Bruno Fernandes que passaram sem punição ou a desigualdade do critério disciplinar; finalmente, tivemos a  "realidade" segundo Jorge Jesus: este conseguiu transformar um 6-2 em oportunidades para o Porto numa injustiça de um resultado que "deveria ter terminado 2-2 ou 3-3".

Alucinações à parte, vamos ao jogo que todos nós pudemos observar: o Sporting raramente conseguiu ter posse e trocar a bola dentro do meio-campo adversário. Ao fim de 2/3 toques, a nossa equipa era sufocada pela entreajuda da defesa e miolo portistas e perdia a bola. Isso foi criando um ascendente do Porto, o qual só não se materializou mais cedo no marcador devido à acção de Rui Patrício e a alguma inépcia dos avançados portistas.

Bruno Fernandes jogou demasiadamente recuado, desgastando-se sem sentido, na posição "8" (terminou a "trinco" !!!). Alinhando longe de uma zona de maior influência, parecendo fora da sua melhor forma e muito vigiado pelo par de médios portista, Bruno não conseguiu ser o motor de jogo que a equipa precisava. Sem ele a equipa definhou, ficando muito dependente da velocidade e capacidade de drible de Gelson. Este foi conseguindo encontrar espaços, mas quando procurou tabelar com Doumbia encontrou neste um par de tijolos impossível de cimentar algo de positivo. 

As substituições também não melhoraram a equipa. Ruben Ribeiro, quando não entretido a entregar a bola ao adversário, por vezes nas imediações da sua própria área, recreava-se com toques de praia a fazer lembrar aquele "free-styler" que um dia Jorge Gonçalves trouxe da Costa da Caparica para Alvalade para animar os intervalos dos jogos. Por fim, quando, isolado, teve a oportunidade de visar a baliza de Casillas, assustou-se e entregou a bola a um jogador dos andrades. Montero bem que poderia ter sido enquadrado no lote das realidades alternativas, pois não há memória de ter tocado na bola, nos cerca de 10 minutos em que esteve em campo. Bruno César ainda assim foi o melhor dos substitutos, ele que só jogou 7 minutos.

A nossa defesa teve o seu bom comportamento habitual, embora Mathieu tenha estado no lance do golo, devido a um mau alívio.

Acuña mostrou a sua qualidade de lutador, bem como a insuficiência já conhecida enquanto desequilibrador. Battaglia e Ristovski não deslumbraram e o melhor foi mesmo Rui Patrício, providencial em 3 lances: duas "manchas" e uma defesa extraordinária, em vôo.

O realizador deste filme continua no reino da invenção: depois de uma derrota atribuida ao vento, criou agora uma nova realidade paralela, feita de um placebo ilusório para que os "pacientes" (adeptos leoninos) se sintam bem. Eu também tenho uma: na minha, o treinador não é o Dr. Feelgood (nem o Professor Pardal), não "muda as características(!?)" dos jogadores, não vê ameaças onde podem haver oportunidades (se as alternativas estiverem minimamente rodadas, o que não é o caso) e as suas soluções não são o problema. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

portosporting.jpg

 

2 comentários

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    Pedro Azevedo 08.02.2018

    Caro Leão de Queluz, este regulamento da Taça é igual ao das provas europeias. Teria sido importante marcar pelo menos 1 golo fora. Perdemos sem marcar golos. Se ganharmos em Alvalade por 2-1 somos eliminados. Não considero que tenha sido um bom resultado.
    Na frente temos um problema: Acuña, muito poderoso fisicamente, não desequilibra tecnicamente e não dá velocidade, Doumbia tem deficiências técnicas gritantes e quando esticamos o jogo para ele fica um fosso para o resto da equipa, Gelson excluído. Ainda ontem se viu, na Austria, o jogador que é Rafael Leão. Este rapaz já deveria ter tido mais oportunidades.
    Também acho que não se vai jogar ao Dragão, contra uma equipa poderosa fisicamente, com vários galgos, com um meio campo central com apenas 2 elementos. Poderíamos ter jogado com Batta, BCésar e BFernandes ou Palhinha (outro que não tem oportunidades), Batta (ou BCésar) e BFernandes, o que permitiria maior controlo do jogo e da posse de bola. O nosso Leitor JHC alude em cima a umas estatísticas de posse de bola, mas lá está - e isso foi falado numa troca de opiniões com o Pedro Correia, estando ambos de acordo quanto ao filtro que se deve fazer das estatísticas - se a posse de bola é no nosso meio campo, os números tornam-se enganadores.

    Saudações Leoninas
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