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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o canário na mina do carvão

A expressão "o canário na mina de carvão" deriva de uma prática antiga dos mineiros. Levado o canário para a mina, se este morresse era um sinal para os mineiros de que os níveis de monóxido de carbono estavam elevados, ou seja, havia um perigo iminente.

Na antevisão deste jogo, os sinais de alerta foram mais do que evidentes: a direcção insistiu na apresentação de uma proposta de revisão estatutária, em Assembleia Geral, que já se sabia iria dividir os sócios. Nesse transe, após uma reunião algo tumultuosa, o presidente ameaçou demitir-se. A equipa já vinha mostrando alguma falta de ideias e de fulgor. Faltavam Dost e Gelson. O treinador, em vez de moralizar aqueles que podia utilizar - e já depois dos episódios Wendel e Lumor - , entrou numa espiral de choradeira que incluiu um "Gelson e Dost são mais de 50% da equipa", chegando ao ponto de inventar os números de Gelson, dizendo que era o segundo melhor marcador e o melhor assistente (duplo erro, esse jogador é Bruno Fernandes) para melhor reforçar a sua argumentação. Depois, os jogadores, alegadamente, precisavam de tempo e treino para conhecerem as ideias de jogo do treinador e poderem jogar, mas Ruben Ribeiro entrou logo na equipa. Ah e tal, é porque é "avançado", explicou JJ, mas Rafael Leão, o único ala disponível com as características que Jesus precisa, continua fora das convocatórias. E assim, criando problemas e focando-nos em excesso neles, em vez de procurarmos soluções, lá nos deslocámos à Amoreira, curiosamente para defrontar uma equipa apelidada de "canarinha". Ele há coisas...

A manhã e início de tarde até começou bem para o clube. O Sporting provou uma vez mais ser a maior potência desportiva nacional, conquistando de uma assentada mais duas taças dos campeões europeias, mérito da aposta que o presidente tem feito nas modalidades, da organização da secção e da raça e querer dos atletas. 

Talvez por osmose, a nossa equipa de futebol continua a querer mostrar ser a mais eclética do mundo. Nos últimos jogos, ao vêr a circulação da bola, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, em sucessivas basculações, sem profundidade nem remates, esperando uma oportunidade para servir o "pivot" Dost, parecia-me que estávamos a ressuscitar o Andebol de 11. Noutros jogos, como referi neste espaço pela primeira vez a propósito da partida do Bessa, alguns jogadores pareciam tão amarrados que a coisa assemelhava-se a assistir a uma partida de Xadrez, com os peões a bloquearem-se mutuamente e tudo a ficar dependente das torres, porque "bispos", felizmente, não é para nós. Jogos houve onde a qualidade tenística de um jogador fez a diferença, como aconteceu na quarta-feira, quando Mathieu aplicou uma raquetada, um vólei, com o seu pé esquerdo. Pelos vistos para Vela é que não temos muito jeito, pois caso contrário ter-nos-íamos adaptado sem problemas aos conhecidos ventos do Estoril. Assim, fomos de vela. Lá está, a preparação é meio caminho para o sucesso. Em contrapartida, a equipa mostrou aptidão para o hóquei em campo, em especial o costa-riquenho Bryan Ruiz, tal a quantidade de cantos curtos que marcou, após ter entrado no relvado para, incompreensivelmente, substituir o até aí melhor jogador em campo do lado leonino, o lateral Fábio Coentrão. Enfim, muito jeito para várias modalidades, mas o futebol jogado é muito pouco...

Uma equipa rápida não é, necessáriamente, aquela que tem jogadores rápidos. Velocidade de pensamento e de execução, essa sim, é essencial. E o Estoril colocou isso em prática hoje, com Lucas Evangelista e Ewerton em grande evidência. Notou-se que a equipa da linha preparou bem melhor os lances de bola parada, nomeadamente, os cantos, resultando daí o seu primeiro golo. Nada que não pudesse ter sido trabalhado na ventosa Alcochete. De seguida, caímos no engodo de uma manobra de diversão criada por um avançado canarinho, que arrastou com ele Coates, deixando um estorilense na cara de Rui Patrício, o qual ainda defendeu a primeira tentativa, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Talvez as coisas tivéssem sido diferentes, caso Bruno César não desperdiçásse uma oportunidade escandalosa e chegássemos ao intervalo a perder por dois de diferença.

No início do segundo tempo - já com Montero no lugar de Battaglia - perdemos vários golos. A equipa parecia determinada a dar a volta ao jogo, com William a comandar superiormente as operações. Fábio Coentrão subia proeminentemente pelo seu flanco, sempre na origem de lances de perigo, mas eis que, subitamente, e após o vilacondense ter sido admoestado com um cartão amarelo, Jesus decide tirá-lo do campo. Foi o canto do cisne. Com um Doumbia trapalhão, um Montero ausente do jogo, lento a executar e incapaz de jogar entrelinhas, um Ruben Ribeiro que engasga o jogo, flectindo sempre para o superpovoado miolo do terreno e um desinspirado e muito cansado Bruno Fernandes, a equipa, perdida a explosão que ia tendo pelo flanco esquerdo - até porque, concomitantemente, Acuña, hoje muito interventivo, recuou para lateral - perdeu a chama. Restava-nos Bryan Ruiz, mas este, no registo a que recentemente nos vem habituando, parece estar a executar bolas paradas com a bola em movimento...

Mathieu ainda tentou repetir (por duas vezes) a gracinha contra o Vitória de Guimarães, mas a sorte do jogo também não esteve connosco. São Patrício ainda evitou dois golos certos, mas já nada havia a fazer. O Estoril, bem preparado para as contingências deste jogo, foi um vencedor justo. Não sei se foi o adeus ao título, mas temo que esta derrota traga alguma desmobilização. De uma forma autofágica, como tão bem disse o Pedro Correia, continuamos a dar tiros nos pés. Não quero desprezar a equipa da Linha, mas hoje quem perdeu fomos nós. Sózinhos! Erros meus, má fortuna, a sina do costume...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

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