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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Na Mata Real, Sporting deu dois "Paços" a caminho da coroação

 

Um jogo do Sporting não seria a mesma coisa se Jorge Jesus não realizasse uma substituição, a equipa caísse vertiginosamente e, em consequência, os adeptos fizessem fila para uma visita ao psicólogo. Menos mal, porque na capital do móvel os divãs devem ser mais em conta...

A partida até começou bem para a equipa leonina e, com 17 minutos jogados, já o Sporting perdera duas soberanas oportunidades de golo, através de Gelson e de Bas Dost. Em sequência, num lance de carambola que envolveu Bruno Fernandes, William, Battaglia, Mário Felgueiras, Dost e, outra vez, o guardião pacense, "Batman" daria a tacada final, colocando de cabeça a bola na rede.

O golo, mais do que tranquilizante, serviu de soporífero e o Sporting começou a jogar demasiadamente cedo para o lado e para trás, até que se chegou ao intervalo. No reatamento, algumas arrancadas de Battaglia ameaçaram abanar o jogo. Uma delas seria concluída por Bruno Fernandes com um remate ao poste. Até que Gelson - que tinha perdido um saco cheio de bolas por más decisões - decidiu desligar o complicómetro e com uma rotação surpreendente e tiro rápido apontou o segundo da noite.

Antes desse golo, JJ já tirara Acuña (substituído por Bruno César) e Battaglia saíra, aparentemente lesionado, embora a sua expressão corporal indicasse descontentamento, no que pareceu a repetição do episódio de Coentrão em Turim. Para substituir o box-to-box, Jesus realizaria o seu habitual número de suspense, colocando o ressuscitado Lázaro, perdão, Ruiz, dando nova vida a Bryan. A ideia inerente à entrada do costa-riquenho era controlar a bola, mas para tal seria necessário tê-la e nos últimos 15 minutos, de bola, o Sporting teve "bola". Assim, o treinador leonino adicionaria um jogador sem ritmo (estreou-se nesta época) e sem vocação defensiva a um desgastado e pouco intenso William e cedo se viu que iríamos sofrer. Pedrinho, aos 76 e 77 minutos, e Whelton, aos 81 e 84, ameaçaram as nossas redes - sempre sem qualquer oposição dos nossos médios - até que, finalmente, após enorme defesa de Patrício, sem grande alarido, o Paços falou Baixinho e marcou.

Os últimos 3 minutos terão sido pródigos em AVCs em muitos lares portugueses, com toda a gente, menos Jorge Jesus, a ver que a vitória poderia fugir, especialmente de cada vez que Mabil, o aditivado - ou o seu nome não se assemelhasse ao de uma conhecida gasolineira - jogador proveniente do Sudão do Sul, pegava na bola e avançava em velocidade.

No final, recuperámos dois pontos ao Porto e temos a possibilidade de passar a liderar caso ganhemos ao Belenenses e os dragões não vençam o Benfica, na próxima jornada. Essa esperança acabou por ser o melhor desta noite. 

 

 

Os nossos jogadores, um a um (em escala musical):

 

Rui Patrício: Dizem que São Patrício usou o trevo de três folhas para explicar a Santíssima Trindade aos pagãos. No futebol e em Alvalade, a santíssima trindade é presidente, treinador e banco financiador. Com o Espírito Santo falido e alvo de resolução, Jesus a laborar no Ensaio sobre a Cegueira e Bruno entretido com os trabalhos Manuais, Rui Patrício não teve trevo, mas bastou a sua figura mítica para que os capões se convertessem. Duas enormes defesas: uma, logo aos 5 minutos, a remate de Mabil, outra, mesmo no final do jogo, sacudindo por reflexo um remate de cabeça desferido à boca da baliza (da recarga resultaria o golo pacense).

Nota:

 

Piccini: Piano, em italiano, significa macio, mas Piccini, certamente perdido na tradução, pareceu carregar um peso excessivo - quiçá um piano de cauda - de cada vez que entrava no meio-campo pacense, arrastando até ao limite e complicando desnecessariamente as suas acções ofensivas. Defensivamente, recuperou a leveza do seu ser, o que tornou sustentável a sua presença em campo.

Nota:

 

Coates: Formou com Mathieu uma dupla de betão, nomeadamente nos últimos 15 minutos quando a alucinação se apoderou de Jesus e os médios e avançados pacenses foram conseguindo construir verdadeiras autoestradas que terminavam à entrada da área leonina. Deu o corpo às balas, perante as tentativas de Pedrinho e Whelton, ajudando a segurar o resultado. O Ministro da Defesa.

Nota:

 

Mathieu: Se o seu colega de "governo" tem a pasta da Defesa, o francês é o Ministro das Obras Públicas, tantos foram os muros que construiu com o uruguaio para melhor defender as investidas do Paços. Para além disso, foi sempre um pronto-socorro, ocorrendo inúmeras vezes, quão líbero, a estancar qualquer tentativa de golo adversária, mantendo a sanidade das nossas hostes, sinal de que poderá ocupar o Ministério da Saúde numa próxima remodulação.

Nota: Si

 

Coentrão: A boa notícia é que a partida não precisou de ser abreviada no seu tempo de jogo para que o vilacondense conseguisse chegar ao fim. Com o passar dos meses, o coração dos adeptos já não sucumbe de cada vez que Fábio cai e se enrola com dores. É fita, sussurram para os mais aflitos as vozes que infelizmente não chegam ao banco de suplentes. Coentrão esteve hoje no melhor e no pior da equipa. Ofensivamente, na primeira parte assistiu Bas Dost para uma clara oportunidade de golo e, na segunda parte, foi ele que centrou no lance de golo de Gelson. Defensivamente, teve dois lapsos imperdoáveis em dois cantos. Num, deixou a bola passar-lhe por cima e do cabeceamento de Mabil a bola embateria na barra, no outro, deixou-se antecipar no primeiro poste, permitindo o cabeceamento de um jogador pacense que Patrício ainda conseguiria parar, mas de cuja recarga resultaria o golo dos Paços de Ferreira.

Nota: Sol

 

William: Por muito que custe encarar a verdade, o "Sir" tem estado a anos luz do jogador que já foi (e pode voltar a ser). Talvez ainda a recuperar o ritmo após lesão, William foi lento de processos com a bola nos pés e, sem ela, teve grandes dificuldades em estancar o miolo pacense, especialmente a partir do momento em que Battaglia saiu. Marcar com os olhos não dá, especialmente quando os adversários não se comovem com o sobrolho carregado do capitão. Influente no 1º golo leonino, desviando ao primeiro poste um canto apontado por Bruno Fernandes.

Nota:

 

Battaglia: Aqueles que ainda duvidam da capacidade do argentino deverão pôr os olhos nos últimos 15/20 minutos da partida jogada na Mata Real. Desta vez regressou ao nível daquilo que mostrou na pré-época, aventurando-se mais nos movimentos ofensivos, galgando terreno com a bola e aparecendo junto da área. Numa ocasião, em lance de bola parada (canto), marcaria de cabeça após recarga a um remate seu defendido pelo guarda-redes pacense. O melhor em campo. Saiu mais cedo, alegadamente por lesão num pé.

Nota: Si

 

Bruno Fernandes: As coisas até podem não lhe estar a sair bem, mas nunca desiste. E depois, a qualidade está lá. Ou então, como classificar aquele remate de primeira (64 minutos), ainda fora da área, que terminou a beijar o poste da baliza de Mário Felgueiras? Dez minutos antes havia isolado primorosamente Gelson pela direita, mas este, siderado pela qualidade do passe, parou para aplaudir.

Nota: Sol

 

Gelson: Como a agulha de um gira-discos antigo, a sua finta quando chega ao fim da leitura do "single" - acto solitário em que desafia meia equipa adversária com sucessivas reviengas e passos de bailado - regressa sempre ao início e assim sucessivamente, de forma iterativa. Uma canseira para quem assiste, no relvado ou na bancada, mas pelo menos dispensa o "replay" para quem observa o jogo via TV. Surpreendentemente, optou pela objectividade em detrimento da subjectividade e, num movimento artístico próprio do ballet, viria a transformar a Mata Real no Teatro do Bolshoi, o que lhe valeu a aclamação pelo segundo golo leonino.

Nota:

 

Acuña: Pareceu à beira de um ataque de nervos desde o início do jogo, especialmente após um adversário ter conseguido limpar-lhe o suor estampado no rosto através de um movimento tipo limpa-pára-brisas. Jesus temeu a sua expulsão e, bem, substituiu-o por Bruno César, um homem insuspeito de algum dia vir a ter a pressão arterial alta.

Nota:

 

Bas Dost: Perdulário, desperdiçou uma soberana oportunidade de golo na cara do guarda-redes. Combinou bem com o resto da equipa, sempre tentando jogar a um toque, mas desta vez não "dostou" e o golo é a melhor forma de avaliar a exibição de um ponta-de-lança.

Nota: Sol

 

Bruno César: Combinou bem com Coentrão no lance do segundo golo, mas o seu melhor está sempre reservado para a Liga Milionária pelo que a Capital do Móvel não o despertou para uma realidade diferente daquela forma cómoda com que encara estes desafios menores.

Nota:

 

Bryan Ruiz: Por ter treinado à parte desde o início da época, JJ deve ter-se esquecido das suas características, motivo pelo qual o lançou como uma espécie de mescla entre box-to-box e trinco. Acabou por ser uma coisa em forma de assim e, não fora o golo pacense ter surgido quase no fim, poderia ter dado um belo assado. Ainda se pensou que Jesus desviasse Bruno César para o meio, entregando a faixa esquerda a Bryan, mas isso seria eliminar o drama e acalmar os adeptos e o treinador leonino quer-nos sempre em "stress" e agarrados ao desfibrilhador. Ainda assim, saúde-se o regresso do costa-riquenho, jogador que ainda poderá ter um papel importante esta época, permitindo, por exemplo, o recuo de Acuña para lateral, nos jogos em que Coentrão esteja impedido de jogar.

Nota:

 

André Pinto: Esteve em campo?

Nota: - 

 

Tenor "Tudo ao molho": Rodrigo Battaglia "Batman" (melhor em campo)

 

bryan ruiz.jpg

 

 

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