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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arsenal do Alfeite

Desde que o Cova fez a Folha, sem Piedade, ao Super-Portimonense do nosso descontentamento que já não sei onde enterrar o meu desgosto. Nesse sentido, tinha a ideia fisgada de que o jogo de ontem oferecia-se como uma oportunidade de dar a volta por cima. Ao fim de uma série de jogos a tratar Davids como Golias, nada como medir forças com um verdadeiro gigante do futebol europeu. 

 

De um lado tínhamos o poderoso Arsenal de Londres, do outro o Arsenal do Alfeite, a nova identidade da equipa de futebol do nosso Sporting. Que até poderia ser coisa boa, caso tal reflectisse a reparação e reconstrução de uma grande equipa, mas afinal é tão só um estaleiro. De jogadores. Ontem, Ristovski foi a nova baixa, a juntar a Mathieu, Bas Dost, Wendel, Battaglia e Raphinha, tudo jogadores que já pararam por lesão desde que a época começou.

 

O Sporting iniciou o jogo com três tristes trincos(*), dispostos sob a forma de um triângulo de área mínima. Petrovic era o elemento mais recuado, Battaglia e Gudelj jogavam a par. Na frente, Montero no meio, Nani e o armador Bruno Fernandes, desterrado, a revezarem-se nas alas. A defesa foi a habitual, com Acuña no lado canhoto, e na baliza a novidade Renan. (É verdade, o futebol evoluiu muito desde os meus tempos de juventude. Nas "peladas", que fazia com os amigos, o gordo ia sempre à baliza(*), agora não deixam o Viviano jogar.) 

 

O Arsenal, que tinha tido um jogo na segunda-feira (Leicester) e terá outro no Domingo (West Ham) parecia disposto a cumprir os serviços mínimos, isto é, a jogar para o pontinho. Deste modo, a primeira parte arrastou-se sem grandes oportunidades de golo e com o Sporting a conseguir dar réplica e dividir a posse de bola. A melhor oportunidade até terá sido um remate muito bem executado por Nani, com força e colocação, que passou muito perto da barra da baliza defendida por Leno. O pior viria depois. Desde logo porque Gudelj, que já não estivera famoso, não voltou do balneário, fazendo-se substituir por um holograma, projecção de um jogador cheio de estilo mas com intensidade nula. Assim, a equipa partia-se constantemente em duas, com 3 elementos praticamente inofensivos no ataque e os restantes barricados uns bons 20 metros atrás. Exceptuando Montero, que conseguiu variadas vezes segurar a bola e (des)esperar por uma linha de passe, toda a equipa parecia amorfa. Mesmo a melhor unidade do primeiro tempo, o argentino Acuña, parecia reclamar por uma botija de oxigénio, tal o cansaço que começou a aparentar. Peseiro demorou, mas acabou por fazer o óbvio: retirou Gudelj e colocou Jovane em campo. A ideia parecia boa, mas a forma como o treinador mexeu na disposição da equipa no terreno estragou o resto: Petrovic, outra das melhores unidades, passou a jogar a par com Battaglia e Bruno Fernandes assumiu o meio, só que foi jogar muito perto de Montero, cavando um fosso ainda maior no meio campo. Assim, embora ganhando com a agitação que Jovane trouxe ao jogo, as perdas foram superiores, dado que deixou de haver qualquer tipo de ligação entre sectores. Aproveitando este desnorte táctico, o Arsenal, que entrou no segundo tempo a todo o gás e já vira Renan negar-lhe duas ou três ocasiões e o árbitro outra, acabou por marcar, num lance em que, primeiramente, Aubameyang beneficiou do duplo-pivot leonino para com um subtil toque de calcanhar colocar a bola entrelinhas e, seguidamente, aproveitou uma fífia de Coates (um clássico a este nível) para marcar, por Welbeck, ocasião não desperdiçada por Peseiro para dar os 5 minutos da praxe a Diaby, o tal jogador que Cintra escolheu com o "Dr Pedro Pires que é uma enciclopédia de futebol" e afirma que encanta o treinador, mas que cheira a "flop" por todos os poros.

 

No Sporting, Montero foi o melhor. Renan esteve bem, mas a sua colocação de pés, no lance do golo inglês, não pareceu pacífica (bola entre as pernas). Petrovic e Acuña desceram muito de produção no tempo complementar. Os piores terão sido mesmo a equipa - nenhuma desmultiplicação na transição ofensiva - e o árbitro, que deixou passar em claro, ainda na primeira parte, uma falta de um "gunner" sobre Montero, quando este corria isolado para a baliza, lance que, na minha opinião, mereceria a amostragem do cartão encarnado e poderia ter mudado o jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

 

(*) Agradecimento aos Leitores JG e Rute Rockabilly pela inspiração

arsenalsporting.jpg

 

10 comentários

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    Pedro Azevedo 26.10.2018

    Ainda sobre Gudelj, só uma nota: de que vale ter um Departamento de Scoutong, nome todo pomposo ( e que implicará custos), se depois as contratações se resolvem numas conversas com o Dr Pires e nuns visionamentos de uns 300 jogadores por parte do treinador? Se é este o nosso nível de profissionalismo, então entende-se porque estamos tão atrás dos rivais de há muitos anos a esta parte.

    SL
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    Sportingsempre 26.10.2018

    Sobre Gudelj, tem um curriculum respeitavel mas vem de ferias bem prolongadas. Jogador possante e pesado, sem ritmo para fazer a diferenca no miolo.
    E voltamos a questao do preparador fisico ou falta dele. Sabe quem e por onde passou antes ? Eu nao faco ideia... SL
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    Pedro Azevedo 26.10.2018

    Faltaram as aspas no fim.
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    SportingSempre 26.10.2018

    Sempre ouvi dizer que para ganhar a equipas melhores há que correr mais do que eles. Sem correr mais não há táctica Molotoff, Pudim Francês ou Estebes (tudo à molhada, que isto agora é futebol total) que resista.

    Mas voltando ao tal triplo trinco, ele funcionou na 1ª parte enquanto houve pernas permitindo bloquear a circulação de bola do Arsenal, e tenho para mim que o Peseiro perdeu o jogo aos 44mnts da 1ª parte quando Ritskovski se lesionou e ele chamou de pronto o B.Gaspar para a substituição, quando podia simplesmente ter reuado o Battaglia e esperar que o intervalo chegasse. E na 2ª parte renovar logo o ataque com Jovane, para martelar o faltoso e sarrafeiro suiço ex-Juventus, mantendo o triplo trinco agora com B.Fernandes no meio (com outra capacidade de progredir no terreno) e deixando a direita entregue a Battaglia, bem melhor a defender que B.Gaspar. E a 3ª substituição seria tirar Nani e meter Mathieu para a defesa adiantando um Acuna já desgastado pelas incursões dos ingleses pelo seu lado.

    Enfim, outra forma de ver o jogo.

    Sl
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    Pedro Azevedo 26.10.2018

    Molotoff, Molotof, Molotov, Malakof, vários nomes para o mesmo pudim. Uns atribuem-no ao antigo ministro dos negócios estrangeiros soviético (Segunda Guerra Mundial), célebre pelo acordo de não agressão com o alemão Ribbentrop, outros ao Duque de Malakof (fortaleza que protegia a cidade de Sebastopol), o general francês Pelissier, que recebeu o título por heroísmo na Guerra da Crimeia. Em comum, a similaridade das tácticas futebolísticas com algumas estratégias de guerra.

    Saúdo o bom humor do seu parágrafo inicial, mas penso que os "gunners" optaram, na primeira parte, por circularem a bola, numa estratégia de poupança sua e desgaste do adversário. O jovem Guendouzi foi o grande protagonista nesse período. Na segunda parte, os canhões ("gunners") dispararam e nós em vez de marcharmos, recuámos, recuámos (vêr o "lateral esquerdo").

    Para mim, esta estratégia leonina foi a "Crónica de uma morte anunciada". Com pesar, porque a verdade é que, dos grandes ingleses, o Arsenal é a equipa com pior registo recente e histórico nas provas europeias, um time algo irregular e que nos dava uma chance de vitória.

    Já não é a primeira vez que o Sportingsempre levanta essa possibilidade, de o Batta poder jogar a lateral direito e não serei eu a contrariá-lo. Creio até que já ocupou essa posição o ano passado, quando Piccini se lesionou em Santa Maria da Feira(?). Julgo, no entanto, que o Batta do ano passado, a transportar a equipa para a frente, seria indiscutível no nosso meio campo, de preferência na posição 6, com 3 médios a jogarem de perfil e não em figuras geométricas que ainda poderão acabar num duplo-duplo pivot, assim a modos que um problema de quadratura do círculo.

    O que me parece é que temos vários equívocos: Acuña seria melhor num esquema de 3 centrais, a fazer a banda esquerda, mas jogamos só com 2 centrais; Bruno Fernandes é um médio criativo, com passe de ruptura e deslocamento com bola, mas é mandado para uma ala; Montero é essencialmente um segundo avançado, mas joga sozinho na frente e, quando digo sozinho, é mesmo sozinho, cativo, isolado.
    A proliferação de trincos, fechaduras e cadeados teve ontem um momento ridículo quando, com a equipa a contra-atacar pela direita, Nani teve de parar e esperar pois o médio mais próximo estava a uns bons 20 metros, não houve qualquer desmultiplicação.

    SL

    P.S. A sério: mais formas de ver o jogo é óptimo e muito bem-vindo ao blogue, porque obriga a se falar de futebol puro e duro; a brincar: uma forma (de culinária) que não a tradicionalmente usada para o pudim também não era mal vinda.
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    SportingSempre 26.10.2018

    Pois… Acuna seria melhor com 3 centrais… Por isso mesmo eu acho que Petrovic é o melhor nº 6 que o Sporting tem. Com Petrovic a fazer de "libero" adiantado, ou de trinco posicional, podemos ter Acuna e Ritskovsky / Battaglia muito mais confortáveis a fazer piscinas...

    O que falta a Battaglia para ser um bom nº 6 ? leitura de jogo, capacidade de passe, posicionamento para desarmar sem falta, etc... Muito parecido com Gudelj (ou com Herrera), vagabundo do meio campo, lutador, box to box…

    SL
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    Pedro Azevedo 26.10.2018

    O único problema que vejo nesse encaixe de Battaglia no esquema dos 3 centrais é que jogando Coates, André Pinto e Mathieu como centrais, Ristovski e Acuña como laterais, admitindo que Petrovic joga a 6, só haverá lugar para Bruno Fernandes no meio, com Nani, Raphinha e Dost. A não ser que Montero acompanhe Dost e joguem 3 médios interiores ( Petrovic, Batta e BF), ficando Nani e Raphinha (Jovane) de fora.

    SL
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    SportingSempre 26.10.2018

    Não me fiz entender. O 3º central / cabeça de área / libero adiantado seia Petrovic.
    A equipa tipo seria:
    Salin; Battaglia, Coates, Petrovic, Mathieu e Acuna; B.Fernandes e Gudelj; Nani, Dost e Raphinha
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    Pedro Azevedo 26.10.2018

    Ok! Um 3-4-3. Só não sei, mas isto é uma duvida estrutural que, como tal, nada tem a ver com os jogadores em si, se faz sentido ter dois laterais adiantados para depois chocarem com dois alas. Por isso , julgo que um 3-5-2 é o melhor suporte ao esquema dos 3 centrais, podendo o segundo homem da frente ser Montero ou Nani ( mais difícil para Raphinha ou Jovane ocuparem essa posição ).
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