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És a nossa Fé!

Triunfo folgado em jeito de vingança

Sporting, 3 - V. Guimarães, 0

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Gyökeres e Pedro Gonçalves celebram com alegria um dos golos em Alvalade ao V. Guimarães

Foto: Manuel de Almeida / Lusa

 

Há lances que demonstram a saúde anímica de uma equipa. O Sporting protagonizou um deles no final do primeiro tempo, na partida em casa contra o V. Guimarães. Era já o terceiro minuto desse período extra quando oito jogadores leoninos protagonizaram um baile cheio de classe, com a bola a ser transportada de pé para pé.

Nuno Santos, Gonçalo Inácio, Morten, Daniel Bragança, Trincão, Geny, Pedro Gonçalves e Gyökeres: eis, por ordem de entrada em cena, os artistas desta jogada de antologia. Para mais tarde recordar.

Um total de 48 segundos de exibição superlativa no relvado: 23 toques que culminaram no disparo fulminante do craque sueco, a fuzilar as redes à guarda de Bruno Varela.

Era o segundo golo do Sporting nesta recepção à turma minhota. Era também o regresso do melhor ponta-de-lança da Liga portuguesa aos golos após cinco partidas em jejum. Mais de 45 mil pessoas nas bancadas explodiram de alegria: íamos para o intervalo a vencer 2-0, os vitorianos foram incapazes de levar perigo à nossa baliza, abria-se uma avenida para novo triunfo das nossas cores. O 15.º em 15 jogos disputados em nossa casa na Liga 2023/2024 - algo inédito na história deste estádio, inaugurado há 21 anos. 

 

O desafio começou com o V. Guimarães muito fechado lá atrás, apresentando duas linhas defensivas muito compactas, procurando fechar as vias de acesso dos nossos jogadores à linha de tiro. Esta estratégia própria de equipa pequena, que desiste de discutir o jogo para estacionar o autocarro, não faz jus aos pergaminhos dos minhotos. Merecia castigo por delito de lesa-espectáculo. 

O que acabou por acontecer.

A primeira brecha na muralha vitoriana ocorreu aos 21', quando Geny esteve a um passo de marcar: foi impedido in extremis pelo croata Borevkovic, melhor elemento da equipa visitante, mesmo à boca da baliza. Era o aperitivo para o que sucederia nove minutos depois: num remate cruzado, Pedro Gonçalves não perdoou. Varela foi buscá-la lá dentro.

 

A partida ficou sentenciada quatro minutos após o recomeço, quando Gyökeres bisou, correspondendo da melhor maneira ao trabalho iniciado por Pedro Gonçalves a picar a bola da meia-esquerda para a grande área e prosseguido numa espectacular recepção orientada de Trincão, que serviu de bandeja ao sueco.

Atingia-se a excelência em Alvalade onde a equipa estreou equipamento, todo branco, em homenagem à triunfal campanha da Taça das Taças de 1964, irá fazer em breve 60 anos. O resultado ficava fixado naquele instante. Com eficácia máxima: quatro remates enquadrados, três golos. Difícil exigir melhor.

Ficava também consumada a vingança face à mesma equipa que nos havia derrotado 2-3 no desafio da primeira volta, em Guimarães. Nossa última derrota até agora, já lá vão mais de quatro meses.

Consequencia imediata: o título de campeão nacional passou a ser uma hipótese cada vez mais provável. É convicção dominante, mesmo junto dos nossos rivais: já não nos irá fugir.

Faltam quatro jornadas, há 12 pontos em disputa, lideramos com sete de vantagem sobre o Benfica, segundo na tabela classificativa. Cenário que muitos adeptos do Sporting julgariam impensável no início da época. 

O que nos falta?

Ir ao Dragão, no domingo que vem. Depois recebemos o Portimonense, vamos ao Estoril, recebemos o Chaves.

 

Enquanto não erguemos o caneco, celebramos as exibições. E os números já alcançados. Oitenta pontos na Liga à 30.ª jornada: ainda podemos conquistar 92, estabelecendo recorde nacional absoluto.

E que mais?

Há 50 anos, desde aquele inesquecível Título da Liberdade (com Yazalde) que não marcávamos acima de 85 golos no campeonato: vamos com 87 e sempre a somar.

No conjunto das provas, temos agora 131 golos em 49 jogos disputados em todas as provas. Média: 2,6 golos por jogo. Desde os memoráveis Cinco Violinos, em 1946/1947, não ultrapassávamos a marca dos 130 golos. Batido um máximo com 77 anos.

É obra.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Encaixou um bom remate de Kaio César (17'). Aos 32', saiu muito mal da baliza, correndo o risco de cometer penálti. Ponto mais positivo: há três jogos seguidos que não sofre golos.

St. Juste - Notável precisão de passe. Venceu quase todos os duelos, sobretudo ao accionar a sua principal virtude: a velocidade. Diomande estava ausente por castigo, mas não se notou a falta.

Coates - Segurança, maturidade, enorme capacidade de temporizar o jogo e de motivar os colegas com a sua capacidade de liderança a partir do centro da defesa. Uma vez mais.

Gonçalo Inácio - Destacou-se nos passes longos, tentando esticar o jogo para servir Gyökeres logo aos 4' e aos 7'. Intervém na inesquecível jogada colectiva de que resultou o segundo golo.

Geny - Quase marcou aos 21', confirmando o seu virtuosismo com bola dentro da área. Intervenção activa nos dois primeiros golos. Ala com propensão ofensiva, cada vez mais maduro.

Morten - Mal o Vitória lhe concedeu espaço, mostrou toda a qualidade do seu futebol. Quase marcou, de cabeça, após um canto (26'). Teve intervenção decisiva no segundo golo.

Daniel Bragança - Cada vez mais influente. No passe, no transporte, na capacidade de variar flancos e distribuir jogo. Nunca se esconde: pelo contrário, participou nos três golos do Sporting.

Nuno Santos - Esforçado, nem sempre as acções ofensivas lhe correram bem. Ou centrava sem ninguém para receber na área ou optava com demasiada frequência pelo passe à retaguarda. 

Pedro Gonçalves - Melhor em campo. Iguala Paulinho como segundo artilheiro da equipa. Desta vez marcou o primeiro, assistiu no segundo e fez a pré-assistência no terceiro.

Trincão - Mantém excelente forma, como se verificou no segundo golo, em que participa, e sobretudo na espectactular assistência que fez para o terceiro. Outra grande exibição.

Gyökeres - Regressou aos golos - e logo a bisar - após cinco jogos sem a meter lá dentro. Para óbvia alegria dele. E para imensa alegria de todos nós. Todo o estádio gritou o seu nome.

Edwards - Substituiu Pedro Gonçalves aos 78'. Ainda não foi desta que voltou a brilhar. Marcou aos 80', mas estava fora-de-jogo. Podia ter marcado aos 82', mas não conseguiu.

Morita - Entrou aos 78', rendendo Daniel Bragança. Ajudou a equilibrar o meio-campo, em eficaz parceria com Morten.

Paulinho - Rendeu Trincão aos 78'. Conduziu bem um contra-ataque aos 80', tirando partido da sua frescura física. E ajudou a segurar a bola.

Eduardo Quaresma - Entrou para o lugar de St. Juste aos 82'. Muito atento, concentrado, dinâmico. Ninguém passou por ele.

Fresneda - Substituiu Geny aos 86'. Chegou a tempo de protagonizar duas intervenções, numa das quais perdendo a bola.

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