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És a nossa Fé!

Entre Zidane e Jesus

Criticamos nós (eu também) tantas vezes Jorge Jesus por gerir tarde e de forma um tanto incompreensível as substituições no campeonato e afinal, se repararmos, Zidane está a receber críticas em Madrid pelo mesmo motivo. Os adeptos, que no Santiago Bernabéu também são de assobio fácil, contestam o técnico por excessiva passividade na gestão do jogo. Ontem, por exemplo, demorou 81 minutos a mexer na equipa em San Mamés, no Atlético de Bilbau-Real Madrid que terminou empatado a zero.

O Real segue em quarto lugar na Liga espanhola, atrás do Barcelona, do Valência e do Atlético madrileno. Já está a oito pontos do líder. Pior: nas 14 jornadas já decorridas, empatou quatro vezes e perdeu duas, concluindo três jogos sem marcar.

Lembro este facto para relativizar as críticas internas a Jesus. Zidane - lenda viva do futebol, campeão mundial e campeão europeu, três vezes eleito melhor jogador do mundo - também hesita, enquanto treinador, na hora de mexer no onze titular e nem sempre consegue superar em termos tácticos os seus antagonistas.

O futebol, que vive de emoções imediatas, é igualmente um jogo de paciência. Conciliar a momentânea pressão dos adeptos com uma visão sustentada de longo prazo é o desafio supremo para qualquer treinador da alta roda do futebol. E que permite distinguir o trigo do joio nesta profissão a que muitos aspiram mas que poucos abraçam com sucesso.

 

Figo, Figo... o que foi não volta a ser, decididamente

A propósito destas declarações que nos chegaram ontem. 

"Eu tive a felicidade de jogar no meu tempo com grandes jogadores, tanto na minha equipa como contra, possivelmente melhores do que Cristiano e Messi"

Eu despedi-me de Luís Figo no dia 10 de junho de 95, sei porque foi na final da Taça com o Marítimo. Despedi-me no  Jamor e ainda em Alvalade quando fomos ao estádio, mais tarde, no mesmo dia. Também me despedi de Balakov, mas foram despedidas diferentes. Sempre vi no Figo pressa no salto lá para fora, mas não só isso, havia um voltar de costas iminente que veio a confirmar-se com atitudes e comentários ao longo dos anos.
Ele saiu e todos sabemos o que foi depois disso. E eu quis continuar a gostar do Figo do pós-Sporting, na selecção onde toda a gente gostava de o ver, e que belo capitão, ai que low profile tão espectacular (eu própria achava isto) e era cada vez menos fácil. Do jogador, da corcunda pré-finta, do sobrolho franzido antes de decidir um jogo, gostei sempre muito, não havia como não. Do homem, talvez não tenha acompanhado de perto o suficiente, é mais que provável que tenha muitas qualidades e feito muitas coisas bem feitas, mas cada declaração que chega é mais um desapontamento. Também sei que já tem torcido pelo primeiro lugar do Sporting, mas já não me convence. Mau feitio meu, talvez. 
O Figo não tem de ser do Sporting, pode até celebrar golos marcados ao Sporting, já se sabe que todos somos Charlie e cada um é livre de celebrar os golos de quem quer. O que o Figo não pode esperar (e não espera certamente) é que essas coisas nos sejam indiferentes.
Eu percebo o que Figo diz ao falar de ter jogado com os melhores. Percebo que ache - não que ele o tenha dito - um histerismo o que se vive em torno de Ronaldo e Messi. Meço por amigas, por exemplo: poucas sabiam quem eram Rivaldo, Matthaus, Nedved (todos bola de ouro) e todas sabem quem é Messi. Todos quantos não acordámos só agora para o futebol sabemos como o nível de pop star dos jogadores tem aumentado, como se não se está com um parece que tem de se estar com o outro e que todos os outros estão muito longe. Não estão assim tanto, todos sabemos.

Que o Figo não tenha paciência para histeria e pense "grande coisa, eu joguei com o Zidane e o Ronaldo", eu percebo, esteve numa esfera superior e não tem de ver como um comum mortal estas coisas. Mas cai-me mal na mesma, já não é a primeira vez que se manifesta assim directa ou indirectamente com Ronaldo. Em anos em que Messi ganha a Bola de Ouro não vejo tanta indignação, mas posso ser eu que preciso de óculos. Tem direito à sua opinião, como eu tenho à minha sobre ele. E com pena, não é a melhor já há algum tempo. 

{ Blog fundado em 2012. }

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