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És a nossa Fé!

Quem foi o presidente que trouxe Yazalde?

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Muitos adeptos do Sporting gastam imenso tempo nas redes sociais a falar de dirigentes e ex-dirigentes. Em comparação, pouco falam dos jogadores, o que me espanta. Em qualquer clube do mundo, só os jogadores são ídolos da massa adepta.

Mas o Sporting é diferente. Também nisto.

Não falta gente elogiando o jogador K e denegrindo o jogador W não pelo mérito ou demérito desses profissionais de futebol e do seu desempenho em campo, mas em função do nome do presidente que os trouxe para o Sporting.

Se vieram com X, só podem ser óptimos. Se vieram com Y, só podem ser péssimos. E vice-versa.

 

Tanta energia consumida com estas questiúnculas intestinas: dispara-se só para dentro e nunca para fora. Como se o inimigo estivesse dentro de casa. Como se todos os jogadores não fizessem parte do mesmo plantel e não trouxessem o mesmo emblema ao peito. 

A crise do Sporting é também uma crise de valores, bem simbolizada nestas discussões sem qualquer sentido. 

 

Alguém imagina, quando Héctor Yazalde chegou a Alvalade, que os adeptos perdessem um minuto sequer a debater os defeitos ou as virtudes de Brás Medeiros, o presidente que trouxe o saudoso craque argentino para o Sporting, ou a comparar esse dirigente com Homem de Figueiredo, seu antecessor na Direcção leonina?

Niinguém. O nosso interesse estava todo centrado nos jogadores, não nos presidentes ou nos vice-presidentes ou nos presidentes das assembleias gerais ou nos presidentes dos conseselhos fiscais ou nos anteriores dirigentes ou em putativos dirigentes que ansiassem ocupar futuros lugares nos órgãos sociais leoninos.

Felizmente a minha cultura clubística começou a ser forjada nessa época. Não queríamos saber quem fora o presidente responsável pela vinda do Yazalde: queríamos, isso sim, ver o argentino marcar golos. E aplaudi-lo sem reservas. 

Um tempo em que o Sporting Clube de Portugal era verdadeiramente um clube desportivo (e assim ganhava campeonatos) em vez de se parecer cada vez mais com um partido político (e assim continuará sem ganhar campeonatos no futebol, esteja quem estiver ao leme).

 

Problema dos dirigentes, dos técnicos e dos jogadores?

Em certa medida sim, mas este é sobretudo um problema de cada um de nós. Quanto mais deixarmos o pior da política infiltrar-se no clube, mais distante ficará o sonho de um dia voltarmos a festejar o título máximo no futebol.

Oriental

Em plena Lisboa um pequeno clube existe e resiste ao que a evolução dos tempos tem de pior. Um clube que se veste de vinho tinto, um clube que poucos sabem onde mora, onde se encontra o campo Eng. Carlos Salema, e onde corre a Azinhaga dos Alfinetes. O Clube Oriental de Lisboa.

 

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O Oriental está-me na memória porque em 73/74 estive em Alvalade algures em Fevereiro a ver o Sporting bater o Oriental por 8-0, depois dos 7-1 no então pelado do Oriental, para ver a cores e ao vivo o meu querido Yazalde marcar cinco dos nove golos que facturou nos dois confrontos. Muitos não vão acreditar, mas é verdade. Hector "Chirola" Yazalde era assim, meias em baixo, a bola passava perto, estava lá dentro. E Marinho, Dinis, Nelson e os outros encarregavam-se do assunto, da bola passar perto.

Está-me na memória também porque, quase 30 anos depois, fui lá ver o Sporting B derrotar o clube da casa por 0-1. Não consigo confirmar com a Wiki Sporting qual o onze, mas se calhar com José Fonte, Custódio e Miguel Garcia. Lembro-me de tentar ir por Marvila via Azinhaga e acabar por dar a volta e estacionar nos Olivais, por cima do estádio. 

Pois hoje foi mesmo o Oriental a apadrinhar o regresso do Sporting B, uma muito feliz decisão de Frederico Varandas. Trata-se duma equipa e dum patamar de exigência que muito deram no passado ao Sporting e à própria Selecção Nacional, e que só o desleixo e estupidez do ex-presidente conduziu ao interregno.

Por isso fiz questão de estar à frente do televisor para ver um jogo do Campeonato de Portugal disputado metro a metro, intenso e competitivo, com entradas a rasgar e amarelos a punir, onde é preciso encontrar o próprio talento para ultrapassar as dificuldades que adversários mais velhos e calejados causam, como foi o caso do Ivan, irmão do Ruben Dias, que ia partindo a perna do nosso trinco, o Edu Pinheiro.

Hoje saímos de Marvila, do campo do Oriental, com a vitória: um golo bem oportuno do Tiago Rodrigues, que depois, na entrevista, esteve bem assertivo, a transpirar Sporting. Cinco estrelas. Parabéns, Tiago.

Outras figuras ficaram-me no olho: João Oliveira, Babacar Fati e Edson, um médio guineense de quase 2 metros que quando acelera leva tudo à frente. Isto quando sabemos que alguns dos melhores do escalão estão em Lagos a apoiar a equipa A no problema do Covid.

Uma equipa que jogou em 4-3-3 mas a ensaiar movimentos semelhantes à equipa A, de forma a que os jovens possam ser chamados quando forem necessários. Recordo-me das saídas a jogar pelo guarda-redes e dum contra-ataque pela esquerda que o adversário fechou. A bola fez um grande círculo até chegar ao flanco contrário para remate para um quase-golo do Mitrovski.

Enquanto isso, a equipa sub-23 vai pagando a factura e já vai com duas derrotas naquela competição, que tem o valor que tem. O que interessa é dar palco a jovens para poderem ascender à B ou serem mais-valias nas equipas inferiores.

Podem fazer muitas piadas com colchões e molas, mas a verdade é que o Sporting com Frederico Varandas relançou a formação. Temos um plantel A com quase 50% de jovens formados em Alcochete, que no conjunto valem muitas dezenas de milhões de euros, temos uma renascida equipa B que está a iniciar os seus passos.

Claro que também temos Iloris, Rosiers, Brunos Gaspares e outros a treinarem-se à parte, Eduardos e Battaglias a saírem por empréstimo, muitos milhões gastos em quem não conseguiu acrescentar a qualidade requerida para justificar o custo, mas temos de dar valor ao melhor que temos, e o melhor que temos é o produto de Alcochete, do projecto de José Roquette e da competência e da visão de Aurélio Pereira.

Concluindo, ficam aqui também os meus parabéns ao Clube Oriental de Lisboa. Mais do que um clube, uma paixão para os seus sócios e adeptos, que passou por uma fase complicada e agora está de volta sob o comando do nosso ex-defesa direito e treinador Francisco Barão. Desejo-lhes o melhor e espero poder estar presente na segunda volta em Alcochete.

SL

De pedra e cal - Chirola, por Carmen Yazalde

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Imagem: Jornal Sporting - edição 3777

Faria hoje 74 anos. Nasceu a 29 de maio de 1946, em Buenos Aires, e ocupa um lugar de destaque na galeria da 'Glória' do Sporting Clube de Portugal. 

Héctor Casimiro Yazalde, jogador que dispensa apresentações, aqui retratado pela sua mulher em entrevista a Rui Miguel Tovar:

Isso é amor.
Pois é, jajajaja. Eu sentia isso constantemente, era um homem arrebatador, muito sensível, muito humano. Quando acabava os treinos do Sporting, havia sempre uns meninos pobres à porta do campo e ele tinha sempre moedas boas, não daquelas de 5 escudos, para lhes dar. O Chirola sempre foi um homem atento aos pormenores e isso fazia a diferença nas relações humanas. Antes dos jogos, era costume haver um carro como prémio para o autor do primeiro golo. Como o Chirola era quase sempre o vencedor e já tinha um BMW bordeaux que adorava, ele fazia papelinhos e sorteava o carro pelos companheiros durante o treino do dia seguinte. Quando não era um carro, era um almoço do Gambrinus. Íamos lá muito com o Di Stéfano, antes e depois de ele ser o treinador do Sporting. Ainda está aberto?

E o Chirola acompanhava-te na bebida?
Antes de me conhecer, saía muito à noite com Damas e Laranjeira. [silêncio] [Carmen começa a fungar]. O Damas era sensacional e já sei que morreu. 

Dizia que o Chirola andava na noite com o Damas e o Laranjeira.
Jajajajaja, não deixas escapar nada. Antes de me conhecer, o Chirola não podia jogar no Sporting, porque chegou a meio a época, em fevereiro, e porque as duas vagas de estrangeiros já estavam ocupadas. Ele então saía com frequência. A partir do momento em que começámos a namorar, ele passou a fazer uma vida caseira que coincidiu com o início da época em que ele já jogava.

Ai jogava, jogava.
Ele era um íman, todos gostavam dele. E não digo só os adeptos do Sporting, os do Benfica também. Notava-se na rua, o carinho dos adeptos. Ele retribuía com golos, golos e mais golos. Quando foi receber a Bota de Ouro como melhor marcador da Europa, a organização fechou o Lido e o Beckenbauer disse-lhe ‘tens a mulher mais linda de todos os jogadores do mundo’. A mulher do Beckenbauer, a segunda, não a primeira que se parecia com um homem, jajajajaja, também lhe disse o mesmo.

O Chirola sempre se deu bem com o Eusébio, por exemplo. Às vezes, jogavam o dérbi de Lisboa e depois jantávamos juntos num restaurante em Lisboa. Eles e nós, as mulheres.

O Chirola ia visitá-lo a casa quando ele não estava bem e o Eusébio retribuía as visitas durante as lesões do Chirola. Era uma amizade boa. Mas há mais do Sporting, como o Marinho.

O Chirola morreu lá em casa, em 1997.

Ainda vivia o Sporting?
Claaaaaaro, foi a melhor experiência da vida dele.

Entrevista completa, aqui.

Peça Jornal Sporting, páginas 3 e 4 da edição n.º 3777 (gratuita). [Detectados problemas no servidor que poderão impedir a consulta do jornal] 

Ler em tempo de isolamento, 1

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Texto de Rui Miguel Tovar sobre Yazalde:

“Na estreia oficial, demora um, dois, três, quatro, cinco, seis minutos a encontrar o caminho da baliza. Pobre Boavista (4-1). Antes do intervalo, 2-0 de Yazalde. O futuro está mais do que garantido. Três dias depois, a estreia europeia corre-lhe às mil maravilhas, com um golo aos noruegueses do Lyn, em Alvalade (4-0), para a Taça das Taças. A semana acaba com um 2-1 no D. Manuel de Melo, casa do Barreirense. Adivinhe lá quem assina o resultado final?”

In.: TOVAR, Rui Miguel – Fome de golo. 1ª ed. Clube do Autor, 2018. p. 150

Os prognósticos passaram ao lado

Desta vez ninguém acertou. Mas por um excelente motivo: há 45 anos que não se registava um triunfo tão desnivelado do Sporting fora de portas: 8-1 contra o Belenenses SAD, no Estádio Nacional.

A última vez, em 1973/1974, havia sido numa saudosa época com dobradinha: vencemos campeonato e Taça (como só voltaria a acontecer em 1981/1982 e 2001//2002). Com o saudoso Yazalde no plantel leonino, a espetar quatro dos nossos sete golos ao Oriental.

Yazalde… por quem o viu jogar

Fiquei deliciado ao ler o texto inicial de Pedro Azevedo onde fala do seu ídolo, essa glória do Sporting que foi Yazalde. Não tenho memória de o ver jogar, as minhas memórias são posteriores, pelo que me socorro de outros olhos para imaginar o que teria sido:

 

« O cheiro, a adivinhação e o timing são o jogador. Yazalde estava de costas - e voltava-se para fazer o golo: o golo já ia quase feito na maneira de rodar o corpo, o pé e a bola tinham encontro marcado -, o futebol tem essa triunfante fatalidade.»

 

In: MACHADO, Dinis - A liberdade do drible : crónicas de futebol. 1ª ed. Lisboa : Quetzal, 2015. p. 32

(texto original no jornal A Bola Magazine de 16 de Outubro de 1993)

Recordar - Hector YAZALDE

Tendo recebido um amável convite do Pedro Correia, que muito me honrou, início hoje a minha participação no ÉS A NOSSA FÉ. Desde há alguns meses a esta parte, tenho vindo a acompanhar o blog, o qual me captou a atenção pelo alto nível de Autores e pela urbanidade com que se discute o futebol, seja ele jogado nas quatro-linhas (o que mais me agrada), seja nos bastidores. Espero não deslustrar. Posto isto, aqui vai a minha declaração de interesses: sou do Sporting desde pequenino, os meus pais e irmão são do Sporting, os meus sogros, sportinguistas são, e a minha mulher e filhos, também. Não ocupando nenhum cargo público e não tendo responsabilidades em órgãos federativos ou da Liga, serei obviamente parcial.

Outra coisa é a questão da independência. Neste campo, garanto aos leitores que serei independente e não alinhado com qualquer ideia que não emane do meu próprio pensamento, o que não me impede de reconhecer que apoio, anonimamente, Bruno de Carvalho, desde a primeira hora e que lhe vejo óptimas qualidades - voltar a dar energia ao clube, será uma delas - e, também, alguns defeitos. Mas, nunca escreverei por agenda pessoal, pois nunca tive nenhum objectivo de me candidatar a qualquer Órgão Social do clube e apenas pretendo que o Sporting compreenda e vença os desafios ao seu futuro.

 

Estive a pensar e compartimentarei os meus comentários futuros em cinco rubricas:

- Recordar: espaço onde evocarei e homenagearei algumas das Glórias que tornaram o Sporting grande;

- Hoje giro eu: rubrica onde porei à consideração do leitor o que fariam se fossem o "manager";

- Tudo ao molho e FÉ em Deus: análise bem-humorada (vocês dirão) ao nosso onze, pós-jogo;

- Sustentabilidade: rubrica onde darei novidades sobre as contas do clube e comparativos com os outros;

- Ética: espaço que procurará interpretar os sinais que vão chegando e propor caminhos alternativos para o futuro.

 

Como o que nos move a todos é o futebol jogado, escolhi para inauguração a rubrica Recordar. Hoje, homenagearei Hector Yazalde, o grande Chirola, o meu primeiro ídolo, à memória de quem, primeiramente, dedico este pequena estória que escrevi, dedicatória extensível a todos os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting e a todos os amantes de futebol que nos visitam diariamente, na expectativa de que os mais velhos se possam rever neste texto e que os mais jovens possam conhecer quem foi este argentino de altíssimo nível futebolístico e humano. Um Senhor!

Aqui vai e desculpem qualquer coisinha: "Um anjo com cara de índio".

"O menino permanecia imóvel, como que hipnotizado, diante do imponente Blaupunkt com gravador de bobines, gira-discos e, mais importante, radio de válvulas onde se podia ouvir a BBC. Nesse dia, 31 de Março de 1974, à rádio não estava sintonizado na popular estação britânica, mas sim na Emissora Nacional. A dupla Fernando e Romeu Correia relatava um Sporting-Benfica, o último derby antes da Revolução de Abril, e a vibração da sua narrativa exercia um magnetismo ímpar no menino.

Eram 15h08 e Portugal inteiro parou: os locutores tentavam descrever, ainda incredulos, o que haviam presenciado. Hector Yazalde, o anjo com cara de índio, desafiara o impossível, qual cavaleiro alado mergulhara em voo rasante entre os pés do Monstro Humberto e do intratável Barros e, a vinte centímetros do solo, cabeceara (!) a bola na direcção da baliza. Golo!

O jogo continuaria, mas já não seria o mesmo. Naquele momento, ao minuto 8, os espectadores no Estádio sentiram-se recompensados por anos de "idas à bola". Yazalde ainda voltaria a marcar e o Benfica até acabaria por ganhar, mas o Jogo, esse, terminara há muito.

A última aparição pública de Marcelo Caetano (Abril estava mesmo ali), a ovação tremenda e, ver-se-ia, tão enganadora, foi simplesmente olvidada, menosprezada. O momento era de Yazalde, o corajoso e temerario Chirola, o Homem que nunca esquecera as suas origens humildes e que sempre que saía de um treino, presenteava todos os jovens desfavorecidos que o abordavam com tudo o que tinha nos bolsos, entretanto previamente provisionados, o colega que, uns meses depois, quando lhe atribuíram um Toyota, como prémio pela Bota de Ouro europeia, decidiu vender o automóvel e distribuir o dinheiro que daî resultou, equitativamente, por todos os colegas de equipa.

Nesse dia, todos queriam ser Yazalde, até os políticos e os capitães queriam ser Yazalde e Yazalde deixou de ser humano para se tornar um mito em Alvalade, génio impulsionado pela sua musa, a bela Carmén, a quem um dia Beckenbauer, no Lido de Paris após a cerimónia de entrega do Bota de Ouro, disse ser a mais bela de todas as mulheres de jogadores de futebol.

E, o menino? O menino imaginava aquele momento do golo, a ousadia do dianteiro, o espanto dos defesas, o desespero do guarda-redes José Henrique, o Zé Gato, que nesse transe perdera a última das suas sete vidas, sendo substituído ao intervalo por Manuel Galrinho Bento (esse mesmo). E o menino sonhava com isto tudo, estado que se prolongou por todo o Domingo.

No dia seguinte, vestiu a mítica camisola verde-e-branca, com o número 9 cosido nas costas (comprada na Casa Senna), bola na mão, e abalou a caminho da escola, confiante de que a partir daí, nada na sua vida seria impossível de alcançar. Aprendera com o melhor..."

Os melhores golos do Sporting (15)

 

Golo de YAZALDE

Sporting-Benfica

31 de Março de 1974, Estádio José Alvalade

 

O golo de que vos venho falar foi marcado em Março de 1974 por Hector Yazalde (Buenos Aires, 29 de Maio de 1946 - Buenos Aires, 18 de Junho de 1997), o primeiro de um desafio que o Sporting viria a perder em Alvalade por 5 – 3 naquele que foi o derby mais antigo de que tenho memória de presenciar ao vivo, para mais acontecido numa gloriosa época em que o Sporting se sagraria campeão nacional. Escolho este porque é da autoria de uma das maiores glórias leoninas de sempre que convém relevar mais e mais vezes contra o esquecimento, mas também pela forma acrobática como foi marcado - ainda hoje o tenho gravado na minha retina. Acontece que o presenciei de uma perspectiva privilegiada sobre a grande área Benfica na primeira parte. Nesse Domingo eu acompanhava o meu Tio Manel excepcionalmente em “Dia de Clube” – ocasião em que todo o público, sócios ou simples adeptos, tinham que adquirir ingresso pago, numa época louca em que no Estádio José de Alvalade cabia sempre mais um espectador. O ambiente resultava electrizante, como que explosivo.
Dizem que golos acrobáticos como este só podem acontecer quando facilitados pela defesa adversária, mas o que é facto é que, sem a facilidade dos dias de hoje de rever uma jogada de vários ângulos repetidamente durante a semana seguinte, eu nunca mais me esqueci daquele cabeceamento em voo planante para projectar a bola para o fundo da baliza de José Henriques - sem dúvida um golo de rara beleza que levantou todo o Estádio em imensa alegria (no vídeo ao minuto 1,24). O jogo, esse, que o Sporting viria a perder, foi para mim uma lição cabal da mística que possui um embate entre os dois vizinhos da 2ª Circular.
Quanto ao saudoso Yazalde que foi meu herói de menino, nessa época viria a conquistar a Bota de Ouro com 46 golos marcados, facto que ainda hoje constitui uma das maiores marcas desse prestigiado troféu europeu.

 

Nota: publica-se este artigo no dia do aniversário natalicio do meu saudoso pai, o primeiro responsável pelo meu sportinguismo. Em sua memória deixo esta nota de homenagem.

Yazalde Sporting - Armazém Leonino - Sporting 197

 

Os nossos ídolos (8): Yazalde

 

3.500 contos em moeda antiga. Corria o ano de 1971 e, para o jovem Hector Casimiro Yazalde, então com 25 anos, a soma oferecida pelo Sporting era uma pequena fortuna.
Oriundo de uma família pobre de Buenos Aires, obrigado a sustentar pais e irmãos trocando o sonho de estudar medicina pela dura realidade de trabalhos como picador de gelo, vendedor de jornais ou de bananas, o dinheiro permitiu a “Chirola” – como era chamado – cumprir a missão sagrada de todo o bom filho nas mesmas circunstâncias e oferecer uma vivenda aos pais numa zona nobre da capital argentina, enquanto rumava a Alvalade.
Dizem as crónicas que o período de adaptação não foi fácil nesse primeiro ano, mas na história e na memória de todos os sportinguistas ficou registado aquele jogo em que ganhámos a Taça de Portugal na época de 1972/73 e durante o qual marcou um dos três golos sofridos pelo Vitória de Setúbal num 3-2 vivido ao minuto. E, principalmente, o seu trabalho nas épocas seguintes quando conquistou primeiro uma Bota de Ouro, com 46 esféricos entrados nas redes adversárias e, logo de seguida em 1974/1975, uma Bota de Prata.
Após a conquista da Bota de Ouro, o argentino mostrou mais uma vez o seu bom coração e provou que valores como a gentlemanship e o desportivismo não são pertença de nenhuma classe social. O Toyota que recebeu como prémio, vendeu-o ele para repartir o dinheiro com os restantes camaradas da equipa porque – e bem – considerava que todos eram parte contributiva dos resultados que alcançara.
Era assim Yazalde e por isso o recordo aqui: Atleta de excepção e Leão do coração, algo que não escolhe fronteiras nem origens. Que se revela dentro e fora dos relvados. Que distingue aqueles que são verdadeiramente grandes de todos os outros. Algo que pertence apenas aos verdadeiros campeões.

As mulheres dos jogadores

 

Num repasto recente veio à conversa o assunto, esse das mulheres dos jogadores, agora já quase estrelas. Claro que não pude deixar de me lembrar da mais bela delas todas, a Carmizé mulher do Hector Casimiro Yazalde, esse que a gente da rádio (transístores) gritava a cada um dos muitos golos Jázaldé! Carmizé fez carreira cinematográfica (ver a ligação), era lindíssima e quarenta anos depois ainda tem um blog que lhe é dedicado.

 

O Yazalde, o maior, é uma saudade. Enorme.

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