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És a nossa Fé!

Competência e falta dela

Esta jornada dupla em Barcelos (que nos custou a aproximação perigosa do Braga e Guimarães na Liga e não nos livrou da eliminação na Taça da Liga) e aquilo que continuamos a ler e a saber do futebol do Sporting vieram ainda mais pôr a nu a incompetência da actual estrutura e o consequente estado de abandono e descontrolo emocional dos jogadores, entre os excessos de alguns e a falta de alegria e confiança e o olhar cabisbaixo doutros.

Temos um director desportivo que não dá a cara e que sonha em "encaixar no mercado de Janeiro para reforçar o plantel", e ouvimos que Acuña, Coates, Wendel e agora Palhinha estão à venda por tuta e meia e o Sporting anda à procura de Olas Johns algures, temos um team-manager que assiste impávido e sereno às provocações e pancadas sobre Acuña e não levanta o traseiro do banco para o defender, temos um treinador que mete a viola no saco quando o treinador contrário desvaloriza os seus jogadores, tem de ser chamado à razão pelos jogadores para se deixar de mudanças constantes que apenas os desorientam,  e se queixa (muito se queixa ele) que o Bruno Fernandes conhece o plantel melhor que ele, que os jogadores fazem o que querem em campo, e que não tem tempo, nunca tem tempo para treinar como deve ser. E fica enfadado, protestando com o adjunto quando o Bruno tenta um chapéu longo ao guarda-redes adversário.

Que chatice ser treinador do Sporting. No Belenenses não era assim?

 

O que ainda vai valendo é a competência do capitão de equipa, que vai marcando e dando a marcar golos decisivos, puxando pelos colegas e exigindo atitude, levando pancada mais ou menos tolerada pelos árbitros (no Bessa foi uma caça ao homem) mas não deixando de meter o pé sem medo mesmo incorrendo em faltas e cartões, ou seja, fazendo o trabalho dele e às vezes os dos outros. Se estamos assim com ele, o que seria do Sporting esta época sem Bruno Fernandes?

E se ele se aleija? Nem quero pensar nisso...

 

Confesso que não entendo como há gente do Sporting (do Benfica e do Porto entendo) que acha que o problema do Sporting é o que diz ou o que faz Bruno Fernandes, e que até advoga que devia deixar a braçadeira. Para ficar tudo nivelado na incompetência.

Por mim, e já que se dispôs a assinar um novo contrato, pelo menos era promovido já a treinador-jogador. Como no caso do Tiririca, pior não fica. 

Entretanto, amanhã, mais um confronto crucial em Alvalade: o penúltimo para a Liga antes dos embates com os dois rivais. Por muito desagradado e pessimista que esteja, lá estarei a apoiar nos 90 minutos e convido todos a fazer o mesmo.

 

PS: Hoje no João Rocha, às 15h, temos o dérbi do andebol. Na primeira volta ganhámos na Luz e temos todas as condições para vencer de novo. A não perder. 

SL

Armas e viscondes assinalados: Aquele Sporting a quem todos cantam de galo

Gil Vicente 3 - Sporting 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

1 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,0)

Um dos retratos acabados desta temporada digna de dó do Sporting consiste no facto de o jovem guarda-redes contar com três derrotas entre os quatro jogos que leva a titular. Raramente a frase “fraco rei faz fraca a forte gente” se aplicou tão bem quanto ao efeito que a miserável planificação do plantel e os erráticos princípios tácticos estão a ter num miúdo cheio de valor e que pode fazer parte de um futuro mais risonho. No que toca à exibição propriamente dita, sem culpas nos três golos que sofreu, Maximiano abriu as portas ao azar ao driblar um adversário, sem piores consequências do que a cedência de um pontapé de canto.

 

Rosier (2,0)

Ainda que vá ganhando alguma confiança nas subidas falta-lhe precisão nos cruzamentos. Até ao final desta triste temporada pode ser que venha a permitir compreender os milhões de euros que génios na gestão de activos futebolísticos investiram no seu passe.

 

Tiago Illori (1,5)

Ofereceu o primeiro golo ao Gil Vicente de uma forma que desafia qualquer tentativa de explicação, embora se possa referir que a culpa é sobretudo de quem o contratou. No resto do jogo procurou concentrar-se o suficiente para não repetir a oferta, no que foi razoavelmente bem sucedido até ser retirado de campo para dar lugar a Eduardo.

 

Mathieu (2,5)

Quando até o francês comete erros infantis está visto que nada pode correr decentemente. Vários passes direitinhos para adversários pautaram uma noite para esquecer, e em que tomou o lugar do lesionado Coates como ponta de lança “special guest star” nos últimos minutos.

 

Acuña (2,0)

Cometeu o pénalti que deu origem ao 2-1 precisamente por ter deixado um adversário aparecer nas suas costas, o que é ainda mais gravoso por manchar a exibição do leão mais aguerrido por entre demasiados mansos.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Era bem capaz de ter a água do duche a correr quando foi mandado chamar pelo árbitro Hugo Miguel, entretanto recordado do protocolo do VAR, pelo que pode dizer que provocou uma hemorragia nasal a um adversário em plena grande área do Sporting sem qualquer punição (as imagens televisivas permitiram ver que houve fora de jogo antes do passe para o seu alvo). Pena é que seja essa a nota mais digna de crédito em 100 minutos tão esforçados quanto novamente evidenciadores das limitações que desaconselham o seu estatuto de titular praticamente indiscutível.

 

Wendel (3,0)

Realizou o primeiro remate do Sporting, já depois dos 40 minutos, numa jogada em que fez uma tabelinha com as pernas dos vários adversários que tinha pela frente, o que serviu de aquecimento para o golo que permitiu ao Sporting sonhar que poderia reaproximar-se do pódio, aproveitando o tropeção algarvio do Famalicão. Por muito que se fale em frango do guarda-redes há que reparar que o médio brasileiro conseguiu enganá-lo com a movimentação do corpo antes de tocar na bola. Na segunda parte procurou municiar os colegas, mas saiu antes dos 70 minutos para dar entrada a Bolasie, talvez por Silas considerar que havia demasiado talento presente.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Além de ter ajudado a explicar ao árbitro Hugo Miguel que teria de retirar o segundo amarelo a Doumbia ao anular a jogada que lhe deu origem, assinou mais uma obra-prima na assistência de longa distância para o golo de Wendel. Outras tentou fazer, mas Jesé e Rosier tinham outros afazeres que os impediram de encaminhar a bola para o fundo das redes. E quis o infortúnio que terminasse o jogo no chão, ludibriado pelo autor do terceiro golo do Gil Vicente. “Faltou personalidade, faltou atitude”, sentenciou na “flash interview”, revelando um poder de concisão tão notável que justifica a pergunta recorrente: tendo em conta o salário de Bruno Fernandes não seria melhor que acumulasse as funções de treinador e de presidente da SAD?

 

Vietto (2,0)

Pior do que um mau jogador só mesmo um bom jogador inconsequente. O argentino movimentou-se muito, mas raramente ou nunca bem, deixando como melhor cartão de visita um remate que embateu num adversário e não saiu longe da baliza.

 

Jesé Rodríguez (1,0)


Fez-se notar pelo número de vezes que caiu ao relvado dentro ou nas imediações da grande área do Gil Vicente. Numa dessas ocasiões até rematou contra o guarda-redes da equipa da casa, tombando de seguida. Valerá a pena recordar a existência de Pedro Mendes, aquele rapaz dos sub-23 que um comité de génios resolveu não inscrever na Liga e que neste fim-de-semana voltou a marcar dois golos, um dos quais de livre directo?


 

Luiz Phellype (1,5)

Grandes são os desertos, minha alma! Assim escreveu Fernando Pessoa, incapaz de prever a desventura de um ponta de lança que nada de bom conseguiu fazer ao longo de uma noite interminável.  

 

Bolasie (1,5)

Nada melhor conseguiu do que um bom cabeceamento, prontamente anulado por… (ler mais abaixo)

 

Rafael Camacho (1,0)

Colado à linha, quase sempre na faixa esquerda, colaborou com a linha defensiva do Gil Vicente ao bloquear um remate de cabeça de Bolasie. 

 

Eduardo (1,0)

Bons tempos aqueles em que ficava ligado a goleadas do Sporting, mais precisamente na visita ao Jamor em que até Idrissa Doumbia marcou à Belenenses SAD, então sua entidade empregadora. Dito isto, nada de especialmente mau fez, mas cientistas do futuro tentarão explicar o que Silas pretendia com a sua entrada.

 

Silas (1,0)

Descer do céu ao inferno em coisa de três dias começa a ser tão habitual que o ainda treinador escolhido pelo ainda presidente do Sporting aparenta estar conformado, contando ainda com a magnânima benevolência do triunfador Vítor Oliveira, lesto a justificar o desaire alheio com a má qualidade do plantel. Ora, sendo isso inquestionável numa equipa com Tiago Ilori e Jesé Rodríguez, supõe-se que – perante a ausência de talentos puros como Matheus Pereira e João Palhinha, para mencionar apenas dois casos de empréstimos com aroma de gestão danosa, aos quais se deve somar o de Francisco Geraldes e mesmo o de Gelson Dala – nada impede Silas de chamar a jogo Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Mendes ou Joelson Fernandes a mostrarem o que valem. Por outro lado, o turbilhão táctico em que lança a equipa leva a que se torne cada vez mais honesto falar de um plantel desorientado pelo treinador. Culpado em última instância pela péssima atitude em campo dos jogadores em Barcelos, falhou escandalosamente nas substituições e se hoje está a um passo do abismo teme-se que dê o passo em frente, dentro de dias e mais uma vez diante o Gil Vicente, na segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

A voz do leitor

«Espero que Wendel deixe de estar acordado pela madrugada fora nas redes sociais. Tem que viver no nosso fuso horário e não no brasileiro e ser mais profissional nesse aspecto. Se não descansa o suficiente, isso leva às desconcentrações e a falta de energia. Que as desconcentrações e facilitismos como no lance do livre que originou o golo do Boavista não se repitam. E que comece a conseguir aguentar mais que 60 minutos em campo.»

 

Ângelo, neste meu postal

E ainda só estamos em Agosto

Saí com a sensação de que poderia ter sido eu se estivesse no lugar de Coates. Levar de frente com tudo, assim à bruta, porque quem estava à minha frente devia ter tapado alguma coisa e não tapou nada é coisa que mói o discernimento do mais maduro.

No fim do jogo tive também pena de Wendel, o principal culpado em campo do descontrole que acabou por toma conta da equipa. Pena porque na verdade foi como pedir a um canhoto que passe a escrever com a mão direita sem lhe dar tempo para se adaptar. Pena ainda de Doumbia porque já deve ter percebido que assim não consegue aprender, evoluir, melhorar.

Foi preciso uma arbitragem sinistra e malévola para descarnar a absoluta inépcia de Keizer em todos, mas todos mesmo, aspectos do jogo. Desde Vercauteren que não se sentava tamanho idiota no banco do Sporting.

 

PS - Por falar em idiota, quem teve a ideia idiota de atrasar a entrada de "O mundo sabe que..." de modo termos de cantá-lo com o jogo já em andamento?

Vejo a vida de outra maneira

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Wendel cumpriu a exigência do presidente do Sporting. Visitou o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e entregou donativo.

Transformou-se assim da melhor forma uma questão sempre delicada: um jogador a brincar com a sorte e apanhado a conduzir sem carta pela GNR, num evento que causou a melhor impressão em Alcoitão, e que por acaso foi testemunhado pela (sócia Sportinguista) minha mulher, em visita a uma amiga nossa convalescente.

Isto sim, é boa gestão. Isto sim, é boa comunicação. Muito bem!

SL

Horas bem gastas

Dormir um par de horas à pressa para acordar, arrastar-me para o sofá e esperar pelo jogo. Hoje reunião às oito da manhã, o que faz com que tenha sido uma noite mal dormida. Pelo meio, o mais interessante jogo do Sporting desta pré-época.

Empate a duas bolas contra o campeão europeu. O jogo durou noventa minutos mas podia ter durante três ou quatro horas, tal é a sensação de agrado com que fiquei.

Não, nem tudo foi perfeito. Foi mais um jogo onde se percebeu que Ilori não acrescenta enquanto defesa direito, que Doumbia ainda está à procura de rotinas com Wendel e muitas outras coisas para Marcel Keizer lidar.

Mas para mim, enquanto adepto, gostei muito de ver este jogo do Sporting. O único amargo de boca é que o final me fez lembrar um célebre jogo contra o Manchester em 2003...

Balanço (33)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - V

 

Wendel, no Feirense-Sporting

(16 de Janeiro de 2019)

 

Quartos-de-final da Taça de Portugal, em Santa Maria da Feira. Wendel pegou na bola no meio-campo, progrediu com ela dominada no corredor esquerdo, afastou um defesa e rematou bem colocado, numa zona mais central, fazendo a bola seguir uma trajectória indefensável para o guarda-redes adversário, ligeiramente adiantado. Um belo golo do jovem médio brasileiro, que assim consolidava a sua posição como elemento do onze titular leonino.

Balanço (17)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre WENDEL:

 

Pedro Azevedo: «É difícil destacar algum jogador no Sporting. No entanto, pelas movimentações verticais durante o jogo, recuperação de bola e remate no lance do golo escolheria Wendel.» (1 de Novembro)

- Pedro Oliveira: «Depois de ter sido o melhor em campo no último jogo de Peseiro, Wendel voltou a ser um dos melhores, ontem... que seja para continuar.» (25 de Novembro)

Leonardo Ralha: «Manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador.» (17 de Janeiro)

- Francisco Chaveiro Reis: «Acredito que alguns, como Dost, Raphinha, Nani ou Wendel, saibam fazer muito mais (aliás, já o fizeram). Outros há que acredito que não possam dar muito mais.» (4 de Fevereiro)

Eu: «O melhor em campo. Utilíssimo na construção de lances ofensivos, progredindo com a bola dominada e capaz de distribuí-la com precisão. Sempre em jogo, sempre acutilante. Foi dele o passe que funcionou como assistência para o primeiro golo e foi ele também a fechar a conta, marcando o terceiro com um disparo muito bem colocado, aos 54'. Primeiro golo do jovem brasileiro nesta Liga 2018/2019.» (8 de Abril)

- José Navarro de Andrade: «Dizem que o Wendel entrou em campo. Será verdade?» (25 de Maio)

Wendel, o mais valorizado

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Perguntei há dias aos nossos leitores quais foram os jogadores que terão sido mais valorizados desde a chegada de Marcel Keizer ao Sporting. Houve muitas e variadas respostas: registei todas com agrado.

Chegou o momento de revelar que jogadores foram esses. Fica a tabela com as pontuações obtidas, sabendo-se que os leitores podiam mencionar quantos entendessem. 

 

Wendel                  16 

Luiz Phellype        12

Bruno Fernandes  9

Renan                      7

Gudelj                      6

Raphinha                 5

Acuña                       4

Diaby                        4

Ristvoski                   3

Borja                         2

Idrissa                       2

Coates                      1

Mathieu                    1

 

Principal omissão, também com algum significado: Bas Dost. 

Outros jogadores que não mereceram referência alguma dos leitores: Salin, Bruno Gaspar, André Pinto, Jefferson, Petrovic, Miguel Luís, Francisco Geraldes e Jovane. Por terem sido pouco utilizados ou terem ficado aquém das expectativas.

Há ainda o caso específico de Battaglia, que se lesionou gravemente no início da época e não chegou a actuar às ordens do técnico holandês.

Wendel

Pelos vistos mais um caso de más influências de empresários que se aproveitam da ingenuidade alheia para criarem condições para negociatas chorudas, à revelia das responsabilidades do jogador e dos interesses legítimos da sua entidade patronal.

Wendel veio muito jovem do Brasil, família pobre, enfrentou dificuldades, custou a encontrar o seu lugar, teve a sorte de ter chegado um treinador que apostou nele sem reservas, num momento em que tinha equipa e treinador a precisar do melhor dele, resolve ir viajar e mostrar-se ao mundo bem longe do seu local de trabalho de braço dado com um empresário qualquer.

Esteve muito bem o Sporting e o seu presidente a mostrar-lhe o cartão amarelo e deixá-lo em Alcochete a pensar no assunto, teremos concerteza o Miguel Luís ou outro na Madeira a defender a camisola e a ajudar a equipa a conquistar os três pontos.

O Sporting não pode nunca pactuar com este tipo de situações.

 

PS: Estamos realmente num clube que não tem sossego. Dívidas de Março pagas, lugar no Jamor assegurado e 3º lugar na Liga, logo aconteceu fuga de informação da auditoria, caso com jogador, enfim... 

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

 

Da nossa quinta vitória consecutiva na Liga. Derrotámos facilmente o Rio Ave em casa, por 3-0, num jogo com domínio leonino do primeiro ao último minuto. Mais três pontos amealhados e a certeza de que a equipa não perdeu embalagem após ter afastado o Benfica do acesso à final da Taça de Portugal. 

 

De Bruno Fernandes. Voltou a ser um elemento fundamental. É ele quem marca o segundo golo, de grande penalidade. E é ele quem faz a assistência para o terceiro. Já contabiliza 27 golos nesta temporada (15 dos quais na Liga), igualando nesta marca - rara para quem actua na sua posição - o inglês Frank Lampard, um dos melhores médios de sempre do futebol europeu.

 

De Luiz Phellype. Está de pé quente: segundo jogo como titular no campeonato, três golos amealhados. Desta vez inaugurou o marcador logo aos 12', abrindo caminho para uma vitória segura, dando a melhor sequência a um lance rapidíssimo, aliás iniciado por ele ainda na nossa zona defensiva. Tudo jogado ao primeiro toque, com o ponta-de-lança a descobrir Wendel na ala esquerda, este a executar um fabuloso passe longo, Acuña a amortecer a bola já na grande área e o avançado brasileiro a fazer um sprint rapidíssimo e a metê-la lá dentro. Polegar ao alto.

 

De Wendel. O melhor em campo. Utilíssimo na construção de lances ofensivos, progredindo com a bola dominada e capaz de distribuí-la com precisão. Sempre em jogo, sempre acutilante. Foi dele o passe que funcionou como assistência para o primeiro golo e foi ele também a fechar a conta, marcando o terceiro com um disparo muito bem colocado, aos 54'. Primeiro golo do jovem brasileiro nesta Liga 2018/2019. Mais que merecidos, os fortes aplausos que recebeu enquanto apontava para o emblema do Sporting na sua camisola. É o jogador que mais tem evoluído sob a orientação de Marcel Keizer.

 

De Mathieu. Outra exibição de grande classe. Fundamental em vários cortes - aos 7', aos 11' e aos 30'. Muito influente também na fase de construção, dando por vezes ele próprio o exemplo ao transportar a bola com segurança e eficácia. Substituído por precaução aos 72', atendendo ao seu desgaste físico. Foi aplaudido de pé pelos adeptos. Mereceu esta ovação.

 

De não termos sofrido golos. Segunda partida consecutiva sem vermos as nossas redes trespassadas.

 

Que o jogo tivesse terminado sem cartões. Nem um só amarelo para amostra nesta partida dirigida pelo árbitro Luís Godinho. Merece registo por ser cada vez mais raro no nosso futebol. 

 

De ver Fábio Coentrão novamente em Alvalade. Pena não estar a jogar com a nossa camisola, mas pela equipa adversária. Teria certamente lugar neste Sporting 2018/2019.

 

De ver a alegria de regresso ao nosso estádio. A vitória de quarta-feira contra o Benfica funcionou como um poderoso tónico: os cânticos de incentivo à equipa foram incessantes. Pena não haver mais gente: éramos apenas 26.194 nas bancadas. Mas houve atenuantes para as clareiras que se registavam no estádio: noite chuvosa, num domingo, com o apito inicial a soar só às 20 horas. Continuamos a ser o clube mais prejudicado por estes horários, o que é inaceitável.

 

Do balanço dos últimos nove jogos. Sete vitórias e dois empates. Positivo, claro.

 

De estarmos isolados no terceiro lugar. Após novo tropeção do Braga, derrotado pelo Moreirense, levamos agora três pontos de vantagem face à turma minhota. Três que, na prática, são quatro. Porque nos confrontos entre as duas equipas a vantagem é nossa.

 

 

 

Não gostei

 
 
 

De ver entrar o Rio Ave com mais elementos da formação leonina. Rúben Semedo, ex-defesa do Sporting, alinhou pela equipa de Vila do Conde. O Sporting não tinha ninguém formado em Alcochete no onze titular.

 

Que três jogadores ocupassem a posição de lateral esquerdoO titular foi Borja, que teve de ser rendido por lesão. Acuña recuou no corredor mas acabou por sair também, aos 65', com problemas físicos. Com Jefferson fora da convocatória, Keizer viu-se forçado a improvisar outra solução, mandando entrar Bruno Gaspar em estreia na ala oposta àquela que costuma ocupar.

 

Que Bruno Fernandes não pudesse ter sido poupado, mesmo após o 3-0Noutras circunstâncias, talvez o capitão recolhesse mais cedo ao balneário. Mas havia que gerir a condição física de Acuña e Mathieu, que mereceram prioridade. Percebe-se a decisão do treinador.

 

De Jovane. Desperdiçou uma boa oportunidade, revelando-se uma sombra do que foi no desafio da primeira volta frente à mesma equipa, quando marcou um golaço ao Rio Ave. Keizer apostou nele na segunda parte, por troca com Borja, mas o jovem luso-caboverdiano teve uma exibição fraquinha. Aos 52', bem servido por Bruno Fernandes, em posição frontal, fez um autêntico passe ao guarda-redes. Aos 57', dominou mal a bola cruzada por Diaby, permitindo a Coentrão neutralizar o lance. Está sem confiança, como ficou bem evidente. 

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que ganha expulsa-se o Jefferson

Villarreal 1 - Sporting 1

Liga Europa - 16 avos de final - 2.ª mão

21 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,5)

Entrou no relvado com vontade de ser herói e não andou longe de cumprir esse objectivo. Ainda mal o jogo começara e já estava a defender um remate perigoso, levando a missão tão a sério que ainda bloqueou o primeiro de dois remates de um adversário que estava um par de metros fora de jogo. Sendo essa primeira desfeita às suas redes anulada, o guarda-redes francês pôde celebrar o golo de Bruno Fernandes que igualou a eliminatória, regressando para uma segunda parte ainda mais atarefada devido à expulsão de Jefferson. Coube-lhe adiar o golo do Villarreal com toda a sua atenção e reflexos, e mesmo depois de se cumprir o fado leonino não desistiu de demonstrar valor, adivinhando para onde iria a bola num lance em que, com a defesa do Sporting desbaratada, outro adversário apareceu solto na grande área.

 

Tiago Ilori (2,5)

Diversos passes errados e maus posicionamentos, nomeadamente na compensação às subidas de Ristovski, impediram que o 3-4-1-2 surtisse em Espanha o mesmo efeito que paralisou o Sporting de Braga em Alvalade. Se o filho pródigo de Alcochete ainda chegará a justificar a recontratação é uma das poucas incógnitas que restam até ao final desta temporada.

 

Coates (3,5)

Patrão da linha defensiva do Sporting, seja qual for o número de futebolistas que a constituem, o uruguaio utilizou a presença física e mestria táctica para antecipar o que a equipa do Villarreal pretendia fazer. Pela terra e pelo ar voltou a demonstrar que se “mais um corte de Coates” fosse a frase destinada a accionar assassinos adormecidos, ao estilo do filme “The Manchurian Candidate”, já ninguém restaria vivo. Merecia como poucos que, contra todas as hipóteses, o Sporting tivesse podido continuar na Liga Europa.

 

Borja (3,0)

O lateral colombiano voltou a ser o central descaído para a esquerda e não foi por ele que a táctica de Marcel Keizer não surtiu o efeito desejado, pese embora uma ou outra distração sem consequências. Mal o jogo tinha arrancado e já estava a fazer um corte providencial, pelo que acaba por ser uma pena que a expulsão de Jefferson o tenha devolvido ao habitat natural.

 

Ristovski (2,5)

Tentou tirar proveito da velocidade para formar uma ala direita supersónica com Diaby, embora o entendimento com o colega tenha limitado o sucesso da empreitada. Na defesa sentiu-se grandes dificuldades na primeira parte, parecendo contaminado com o vírus Ilori, e na segunda parte, pese embora o esforço que fez até ser substituído, na hora do tudo ou nada, fica marcado ao golo que atirou o Sporting para fora da Europa.

 

Gudelj (3,0)

Rodeado de adversários tão duros e caceteiros que poderiam perfeitamente obter a nacionalidade sérvia, lutou melhor do que é habitual para manter o perigo distante da sua baliza, compensando as recorrentes arrancadas de Wendel. 

 

Wendel (3,0)

É uma pena que se tenha enrolado na grande área do Villarreal, desperdiçando um passe magnífico de Bruno Fernandes, pois a sua actuação no resto do jogo fica marcada por uma força de querer que vai rareando em Alvalade. Procurou sempre fazer slalons por entre os adversários, mesmo sabendo que o interesse dos espanhóis em descobrir tudo acerca das articulações do seu joelho tinha entusiástico apoio do árbitro, e mais uma vez acelerou jogadas que, sem a sua presença, corriam o risco de ficarem para mais tarde.

 

Jefferson (2,0)

Foi a única verdadeira novidade em relação ao onze que desbaratou o Sporting de Braga - Salin tomou o lugar de Renan, mas já tinha sido titular no jogo da primeira mão -, substituindo o castigado Acuña. Também o brasileiro foi expulso por acumulação de amarelos, logo aos 50 minutos, mas dificilmente pode ser responsabilizado pelo segundo amarelo justificado por ter pisado um adversário que fez um corte em carrinho quando o sportinguista se preparava para flectir para a grande área. Nem quis acreditar no que lhe estava a suceder, e por instantes pareceu que Jefferson iria demonstrar ao árbitro as consequências que a ejecção do Sporting teria para a sua integridade fisionómica. Acabou por ser afastado pelos colegas, a bem do “fair play” e da repetição de mais decisões deste género na época de 2019/2020. Quanto à sua actuação até este momento de viragem, quando a eliminatória ainda estava empatada, cabe dizer que nunca conseguiu fazer um cruzamento capaz de justificar a sua titularidade, vendo um cartão amarelo na primeira parte por motivos que só a consciência do enviado checo a Villarreal poderá explicar.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Dizer que os jogadores do Villarreal estavam avisados é pouco. Vigiado de perto por um ou dois adversários em permanência, teve o azar de ver a bola embater em Wendel no primeiro remate de longe que conseguiu fazer. Já estava tudo à espera do intervalo quando aproveitou um mau controlo de bola do central Funes Mori, e correu com níveis de adrenalina ao máximo desde a linha de meio campo à entrada da grande área contrária, fuzilando as redes com o 0-1 que deixavam tudo empatado. Não conseguiu repetir o golo na segunda parte, mas além de demonstrar uma solidariedade a toda a prova nas acções defensivas ainda fez um passe de morte para Wendel e, mesmo no final do tempo de compensação, um cruzamento perfeito para o segundo poste a que Bas Dost não deu valor acrescentado, impedindo o Sporting de, contra tudo, contra todos e contra si próprio, permanecer nas competições europeias. A maior das tragédias neste final de temporada é a firme convicção de que estamos a assistir aos últimos jogos de um dos melhores médios de sempre com o leão ao peito.

 

Diaby (3,0)

Todas as esperanças do Sporting recaíam na velocidade do maliano e este fez por retribuir a confiança depositada, irrompendo pelo meio-campo adversário em contra-ataques condenados à nulidade pela falta de rapidez de Bas Dost, pelo mau entendimento com Ristovski e pela ausência de Raphinha ou Jovane do lado esquerdo. Muito tentou, desafiando o ímpeto sarrafeiro do Villarreal, mas não era a sua tarde. Quando cedeu o lugar a Raphinha estava tão cansado como se costuma estar num dia de trabalho intenso que não teve bons resultados.

 

Bas Dost (2,0)

Quis o destino que a sua melhor acção em todo o jogo - o passe de calcanhar com que procurou isolar Jefferson no caminho para a grande área do Villarreal - tenha culminado na expulsão do colega. Incapaz de se entender com os sprints de Diaby e desprovido de cruzamentos de Jefferson e Ristovski, o holandês não raras vezes paralisou contra-ataques promissores e voltou a demonstrar que não se encontra em grande forma para tudo o que não envolva marcar pénaltis. Podendo ser o herói do jogo, assinando o golo da vitória tardia que qualificaria o Sporting para os oitavos de final da Liga Europa, preferiu rematar acima da baliza, com a canela, para alívio do guarda-redes do Villarreal.

 

Raphinha (2,5)

Entrou para agitar a ala direita e conseguiu fazê-lo, mesmo que à custa de um total balanceamento para o ataque que poderia ter resultado num segundo golo do Villarreal.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nada de novo, tirando a capacidade de confundir ligeiramente os centrais do Villarreal, o que deu alguma liberdade ao titular do ataque leonino. Talvez numa próxima ocasião. Ou talvez não.

 

Marcel Keizer (3,0)

Repetiu o 3-4-1-2 e, mesmo sem conseguir surpreender o adversário numa escala de zero a Abel, não se deu totalmente mal com a aposta, ainda que a velocidade de Wendel e Diaby não chegasse para tudo. Vendo-se com a eliminatória empatada meteu três suplentes a aquecer na segunda parte, talvez para confundir o colega de profissão ou talvez por achar que estava muito fresquinho, mas a decisão tão previsível quanto inacreditável de expulsar Jefferson alterou-lhe os planos. Forçado a apostar no 4-4-1, terá acreditado que Salin, Coates & Cia chegariam para as encomendas, arriscando a entrada de Luiz Phellype após o golo do Villarreal. Mais uma vez deixou uma substituição por fazer, o que talvez conste de um manual de motivação de recursos humanos ainda não traduzido do neerlandês.

Pódio: Wendel, Acuña, Salin

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Feirense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Wendel: 19

Acuña: 19

Salin: 19

Bruno Fernandes: 18

Mathieu: 16

Gudelj: 16

Ristovski: 15

Luiz Phellype: 14

Coates: 14

Nani: 14

Raphinha: 14

Petrovic: 11

André Pinto: 11

Bas Dost: 10

 

 

O Jogo e o Record elegeram Acuña como melhor em campo. A Bola optou por Wendel.

Armas e viscondes assinalados: Desperdício abatido com dois tiros disparados de longe

Feirense 0 - Sporting 2

Taça de Portugal - Quartos de final

16 de Janeiro de 2018

 

Salin (4,0)

Os adeptos do Feirense foram os primeiros a levar perigo à sua baliza, fazendo rebentar um petardo junto ao francês, mas logo os jogadores da equipa da casa seguiram o exemplo vindo das bancadas. Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio não se deixou intimidar pelo cartão amarelo que viu cedo e vá-se lá saber porquê - ao ponto de ser reconhecido como dificilmente explicável pelo comentador da RTP antes de este lavrar a salomónica sentença “também se aceita” - e controlou as movimentações do Feirense sem deixar de dar precioso contributo nas jogadas de ataque. Pena que os cruzamentos nem sempre lhe tenham saído bem.

 

Coates (3,0)

Invejosos irão catalogar como inadvertida a assistência para o golo da relativa tranquilidade, desviando a bola de cabeça para a entrada da área, onde surgiu Bruno Fernandes. Mas foi apenas um dos momentos em que o central uruguaio se integrou bem no ataque, tal como esteve inspirado nos passes longos, oferecendo a Raphinha um golo que o brasileiro não soube marcar. Nos últimos minutos, já com Edinho empenhado em fazer aquilo que lhe valeu um cântico quando estava em Setúbal, acabou por cair também no desnorte que poderia ter causado dissabores ao Sporting.

 

Mathieu (3,5)

Com liberdade suficiente para actuar como lateral-esquerdo em boa parte do tempo, tirando partido da visão de jogo e da qualidade de passe longo, nem uma ou outra fífia lhe retirou mérito nas missões defensivas. Teve direito a alguns minutos de descanso após o segundo golo, e o mínimo que se pode dizer é que a sua ausência foi sentida.

 

Acuña (3,5)

A magnífica assistência para Bas Dost abrir o marcador que teimava em manter-se a zero, após fazer um ‘cabrito’ para ludibriar um adversário, não merecia ficar associada a um desperdício escandaloso. Extremamente lutador, mas desta vez só no bom sentido da palavra, recordou aos sportinguistas o quanto ficarão a perder se 20 milhões de euros chegarem para lhe pagar a viagem para a Rússia.

 

Gudelj (3,0)

Ainda não foi desta que marcou num pontapé de ressaca, mas talvez se possa inspirar naquele que Bruno Fernandes executou para estabelecer o resultado final. Já na posição mais recuada do meio-campo, para a qual acaba de ser contratado Idrissa Doumbia, foi útil no ataque à bola e dedicou-se melhor do que o habitual à ligação entre a defesa e o ataque. Subiu ligeiramente no campo aquando da entrada de Petrovic sem que daí adviesse nada de bom para a sua exibição e para o desempenho da equipa.

 

Wendel (4,0)

Mostrou estar pronto para tudo logo na primeira parte, sendo capaz de se desenvencilhar do árbitro Fábio Veríssimo quando este lhe tentou atrapalhar a progressão com bola. Ainda que não tenha conseguido aproveitar uma boa desmarcação saída dos pés de Nani, permitindo a defesa do guarda-redes, manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador. Recebeu como prémio merecidos 15 minutos de descanso, pois no sábado existe mais um compromisso daquela competição em que também se luta com o FC Porto, Benfica e Braga.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cedeu protagonismo a Wendel e Nani na primeira parte, o que não o impediu de ficar perto do golo num remate muito forte e de muito longe. Depois do intervalo abriu o livro e encadernou-o a folha de ouro com passes magníficos para isolar colegas e, para não destoar, remates perigosos. O primeiro saiu perto do poste, mas o segundo, na consequência de um canto, alojou-se de forma tão decidida nas redes que talvez pudesse pôr em risco a integridade do guarda-redes caso saísse à figura.

 

Nani (3,0)

Entrou no jogo à patrão, assumindo o controlo tanto nos flancos como no miolo do relvado, para onde flectia com a intenção de servir os colegas. Destaca-se nesse período do jogo um passe para as costas da linha defensiva do Feirense que isolou Wendel. Só que à medida que o cronómetro avançava perdeu protagonismo e discernimento, falhando duas oportunidades de golo em posição frontal, num cabeceamento e num remate em arco. Ficou até ao apito final, pois Keizer preferiu poupar Wendel, mas mais uma vez nada se teria perdido se Jovane Cabral pudesse ter uns minutos para mostrar a sua arte.

 

Raphinha (3,0)

Especializou-se em passes impossíveis que aparenta fazer sem qualquer esforço e mostrou-se muito melhor do que nos minutos finais do Sporting-FC Porto, faltando-lhe o essencial: confiança no momento em que ganha espaço para rematar.

 

Bas Dost (2,0)

Também muito melhor nas trocas de bola com os colegas, teve o azar de Fábio Veríssimo estar mais atento à sua impulsão apoiado nos centrais do que aos agarrões desses mesmos centrais noutros lances, fora e dentro da grande área. O golo de cabeça que lhe foi anulado no primeiro tempo pode ter sido um factor de desestabilização, pois ainda antes do intervalo conseguiu rematar contra o guarda-redes na recarga a um grande remate de Bruno Fernandes, e na segunda parte abraçou a missão impossível de, sem cobertura e a poucos metros da baliza escancarada, desviar para o lado errado do poste a assistência perfeita de Acuña. Que o Sporting esteja a atingir uma fase decisiva da época com a principal referência atacante num tão baixo nível de inspiração não é nada que tranquilize os adeptos...

 

Luiz Phellype (2,5)

Teve direito ao seu primeiro quarto de hora de leão ao peito e fez por aproveitá-lo. Boas movimentações e velocidade na disputa de bola - tivessem os dois péssimos atrasos para o guarda-redes a que Bas Dost nem tentou chegar ocorrido com o brasileiro em campo... - foram o prenúncio de um remate forte, desferido de fora da grande área, que embateu no poste, impedindo uma estreia de sonho.

 

André Pinto (1,5)

Substituiu Mathieu em circunstâncias menos dramáticas do que as habituais, o que talvez tenha contribuído para que fosse muitíssimo menos capaz de desempenhar o papel de ‘understudy’ do francês. Lento e desorientado nas disputas de bola, contribuiu para o ascendente da equipa da casa nos últimos minutos do jogo.

 

Petrovic (2,0)

Costuma dar ordem ao meio-campo e tirar proveito do físico. Tende em regra a resultar, o que não impede que o jogo de Santa Maria da Feira tenha sido a excepção, pois a sua presença no relvado fica ligada a grandes atribulações que só não foram preocupantes porque Salin se preocupou em resolvê-las.

 

Marcel Keizer (3,0)

Começou bem na convocatória, deixando Diaby em Lisboa, e viu a equipa a gerir bem o jogo, não obstante o festival de desperdícios que poderia ter impedido o Sporting de disputar a Taça de Portugal com as mesmas três equipas com que disputa a Taça da Liga e a Liga NOS. Disse que a equipa esteve no melhor que já lhe viu, o que envolve um certo optimismo, mas desta vez até pôde descansar alguns dos mais desgastados (Mathieu e Wendel) ou desinspirados (Bas Dost), com o vírus resultadista a transformar Petrovic no 14.° jogador e a relegar Jovane Cabral para o estatuto de primeiro entre os que nem chegam a entrar no relvado.

Quente & frio

Gostei muito do regresso do Sporting às vitórias folgadas associadas às boas exibições em campo. Aconteceu nesta noite fria e húmida, em Santa Maria da Feira: triunfo leonino por 2-0 para a Taça de Portugal. Com passagem natural da nossa equipa às meias-finais da competição que promete jogo grande: vamos defrontar o Benfica a 5 de Fevereiro. Vencemos e convencemos, com dois grandes golos - o primeiro, aos 64', marcado pelo buliçoso Wendel, que com um tiro indefensável disparado em diagonal, de fora da área, se estreia como artilheiro de verde e branco na Taça verdadeira, coroando uma exibição muito positiva nesta partida; o segundo, aos 66', apontado pelo incansável Bruno Fernandes, num potente remate de ressaca, de meia-distância. Voto no brasileiro para melhor em campo: foi ele que desatou um nó que persistia bem atado, certamente para alguma irritação e muito nervosismo dos adeptos.

 

Gostei  que não tivéssemos sofrido nenhum golo pelo segundo desafio consecutivo. E das mexidas feitas na equipa pelo treinador Marcel Keizer. Apostou em Salin na baliza - e fez muito bem, pois o francês protagonizou grandes defesas aos 39', 71', 84' e 89'. Bruno Gaspar, tocado, deu lugar a Ristovski, que demonstrou ser mais dinâmico e acutilante nas acções ofensivas. Acuña, após castigo, retomou sem surpresa a titularidade como lateral esquerdo, antes confiada a Jefferson. Raphinha destaca-se mais como extremo do que Diaby: o maliano desta vez nem foi convocado. Gostei sobretudo de ver enfim Luiz Phyllipe mostrar o que vale ao serviço do Sporting, hoje com o belo equipamento Stromp: entrou aos 76', rendendo um apático Bas Dost, e mostrou que se pode contar com ele quando disparou um petardo ao poste, iam decorridos 83'. Um grande momento do jogo que merecia ter resultado em golo.

 

Gostei pouco da exibição de Bas Dost, que parece atravessar uma crise de confiança. É certo que marcou um golo, aos 34', mas pareceu-me bem anulado pelo árbitro Fábio Veríssimo por ser precedido de falta (o holandês apoiou-se num defesa adversário no momento do cabeceamento). Aos 44', numa recarga, permitiu a defesa do guarda-redes Brígido. Nada mais conseguiu fazer de relevante nos 76 minutos em que permaneceu em campo. Excepto - pela negativa - numa escandalosa perdida à boca da baliza, desperdiçando um excelente cruzamento de Acuña, que aos 51' lhe proporcionou um meio-golo servido de bandeja. Irreconhecível.

 

Não gostei  de ver o Feirense com dupla linha defensiva estacionada bem atrás da divisória do meio-campo durante praticamente o jogo todo, dominado pelo Sporting do primeiro ao último minuto. Este dispositivo hiper-defensivo, confinando toda a actuação da equipa da casa num espaço de 40 metros, dificultou a manobra ofensiva leonina, com Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Acuña e Nani a enfrentarem uma floresta de pernas que persistia em encurtar-lhes margem de manobra e anular-lhes linhas de passe. Felizmente os nossos jogadores souberam reagir com maturidade e paciência, insistindo em ataques envolventes não apenas pelas alas mas também pelo corredor central. Esta persistência deu bons frutos. E a vitória impôs-se com toda a naturalidade, para enorme satisfação das claques leoninas, que compareceram em grande número no apoio vibrante à nossa equipa.

 

Não gostei nada  de ver petardos rebentar junto da baliza do Sporting, em clara provocação ao guarda-redes Salin, procurando perturbar a sua actuação ou mesmo causar-lhe danos físicos. É inaceitável que a Federação Portuguesa de Futebol permita agressões deste tipo no decurso de jogos da Taça, competição que organiza. É urgente que as acções punitivas sejam rápidas, eficazes e exemplares. Não podem ficar-se por multas com valor pouco mais do que simbólico: só assim se conseguirá pôr ponto final ao vandalismo que se pratica nos estádios deste país.

Armas e viscondes assinalados: A tradição ainda é o que era

Sporting 0 - FC Porto 0

Liga NOS - 17.ª Jornada

12 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Começou o jogo com nota artística, arriscando fintar um adversário, e evitou o golo do FC Porto que elevaria a série de vitórias consecutivas de Sérgio Conceição para 19. A rara proeza de manter a baliza inviolada (sucedera-lhe até agora em duas ocasiões, a última das quais há dois meses, em Londres, frente ao Arsenal) implicou apenas uma boa defesa ao remate em zona frontal de Soares e uma saída atempada a um mau atraso, mas o brasileiro não tem culpa de Alvalade ser a kriptonite do FC Porto, menos activo do que é habitual.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Diaby atirou os foguetes e apanhou as canas na ala direita, pelo que o lateral limitou-se sobretudo a missões defensivas, sem nunca comprometer, até que se ressentiu de um problema físico e saiu logo no início da segunda parte.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra falha, a mais grave ao deixar passar o cruzamento para o remate de Soares, não desvirtuam mais uma boa exibição do uruguaio, desta vez poupado a assumir a falsa identidade de ponta de lança.

 

Mathieu (3,5)

Nos últimos minutos de jogo era um dos raros sportinguistas que ainda lutavam pela vitória, esquecendo-se da idade enquanto corria pelo meio-campo do FC Porto. No resto do tempo revelou a qualidade habitual na vigilância a Marega e ainda tentou o golo de livre directo.

 

Jefferson (3,0)

Levou tão a sério a missão de substituir Acuña que esteve a um passo de ser expulso ao crescer para Hugo Miguel depois de o árbitro o ter amarelado por uma falta cometida junto à linha de meio-campo. Mas a verdade é que se lhe devem três grandes iniciativas ofensivas no corredor esquerdo, desperdiçadas com assinalável diligência por Bas Dost. Espera-se que dentro de cinco jogos, quando o argentino cumprir a próxima suspensão por nova série de amarelos, Jefferson tenha mais sorte no destino dos seus cruzamentos.

 

Gudelj (3,0)

Um excelente corte junto à pequena área e um remate de muito longe que contribuiu para que Casillas tivesse (ligeiramente) mais trabalho do que Renan foram os destaques de uma exibição segura, mesmo tendo pela frente alguns dos melhores jogadores da Liga.

 

Wendel (3,5)

Policiou com brio as movimentações do adversário, recuperando bolas em zonas perigosas que poderiam ter levado o Sporting a encurtar a distância para cinco pontos se os colegas de equipa estivessem mais inspirados. Saiu cansado, mas não menos valorizado.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Antes do início do jogo recebeu os galardões de melhor médio e de melhor jogador da Liga NOS em Dezembro, arriscando-se a ir contemplá-los mais cedo, pois antes do intervalo fez uma falta pela qual poderia ter visto o segundo amarelo. Os melhores momentos foram um remate fortíssimo, desferido na quina esquerda da grande área, que Casillas defendeu para a frente, e o passe que isolou Ristovski para o que viria a ser a maior perdida do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Toda a estratégia ofensiva da primeira parte assentou num simples princípio: passem a bola ao Diaby. E se é verdade que o maliano aproveitou a velocidade para se impor na ala direita, não menos verdade é que as suas aptidões para cruzar e rematar estiveram quase ao nível do festival de péssima execução que impediu a conquista de pelo menos um ponto em Tondela. Cedo começou a desaparecer na segunda parte, e a sua substituição pecou por muito tardia.

 

Nani (3,0)

Compensou a falta de velocidade com a classe que os seus pés deixam no relvado. E se poderia ter rematado melhor no único bom cruzamento de Diaby, fazendo embater a bola num defesa, na segunda parte criou o espaço necessário para o remate perigoso de Bruno Fernandes e fez um cruzamento perfeito que Militão tirou dos pés de Bas Dost, arriscando-se a fazer um autogolo. Ainda assim, nada se teria perdido se no último quarto de hora tivesse dado o lugar a outro cidadão português de origem cabo-verdiana, só que mais jovem e mais veloz.

 

Bas Dost (2,0)

A parte menos vazia do copo foi a supremacia do holandês nos duelos aéreos, mas naquele departamento que o levou a receber o prémio da Liga NOS de melhor avançado de Dezembro, nada de bom há a assinalar. Começou por cabecear muito por alto uma bola cruzada com peso, conta e medida para a pequena área por Jefferson, terminou a primeira parte com um remate frouxo e à figura de Casillas, ao ser servido por Jefferson à entrada da grande área, e sonegou dois pontos ao Sporting com a forma como, livre de adversários e perto da linha de golo, cabeceou o cruzamento do outro lateral que passará a estar em campo. 

 

Ristovski (3,0)

Entrou a frio, com a segunda parte a decorrer, e fez alguns bons cortes antes de combinar bem com Bruno Fernandes, entrar na grande área portista em velocidade e fazer o cruzamento que Bas Dost conseguiu, vá-se lá saber como, cabecear para fora da baliza. Digamos que o clássico não foi a melhor demonstração de que o maior problema do Sporting reside nos laterais...

 

Raphinha (1,5)

Existe um jogador no plantel leonino que tem o hábito de aproveitar dez ou quinze minutos no relvado para deixar marca, mas esse jogador não é o extremo brasileiro. Lançado tarde e a más horas, tendo em conta as limitações estruturais e a fatiga conjuntural de Diaby, Raphinha pouco mais conseguiu do que ver o cartão amarelo.

 

Petrovic (-)

Ouviu apupos e assobios aquando da sua entrada, sem ter a menor culpa de que o treinador preferisse assegurar um ponto nos descontos do que arriscar o zero ou três com cinco minutos à Jovane.

 

Marcel Keizer (2,5)

Interrompeu a série vitoriosa do FC Porto e manteve a sobrenatural tradição da invencibilidade leonina aquando da visita dos dragão, não sofreu golos pela primeira vez desde que assumiu o comando da equipa e teve mais oportunidades para chegar à vitória. Nada disto seria negativo, ou sequer mediano, não fosse o caso de o Sporting ter semeado pontos em Guimarães e Tondela que o deixam a oito pontos do líder e na quarta posição, pelo que é legítimo questionar se Keizer não percebeu a ironia de manter no banco o autor do melhor golo de Dezembro, não reparou que Diaby (escolha questionável mas compreensível pelo critério da velocidade) estoirou muito antes dos 80 minutos e não se deu conta de que, perante as circunstâncias muito particulares desta temporada, tem margem para ser menos resultadista. Sendo o título definitivamente uma miragem, resta ao holandês reflectir se não será melhor repensar algumas apostas e tirar partido dos reforços de Inverno nas próximas jornadas.

E você?

Eu devo estar maluco na medida em que ontem vi um belo jogo de futebol pela televisão, a partir de Alvalade. Pelo que assisti, em especial na primeira parte, Belenenses e Sporting jogaram uma partida intensa, com oportunidades criadas (e aproveitando erros do oponente), sem cacetada, autocarros, perdas de tempo ou arbitragens protagonistas. Se o SCP não espetou quatro foi porque não se pode sempre espetar quatro e sobretudo porque a equipa de Silas defendeu bem, pressionou e se tornou venenosa no contragolpe. Também vi um onze do SCP com dois jogadores em posições nucleares vindos de lesões (e do Natal e do Ano novo), um risco que o treinador quis assumir e que, obviamente, se notou a espaço, embora tanto Wendel como Nani tenham estado bastante bem. E sem o nosso melhor jogador, óbvio.
No segundo tempo, vi boas combinações no jogo interior, que acabaram por dar dois golos.
Vi uma equipa solidária nos últimos minutos (já sem Wendel e sem Nani), a defender contra uma bela equipa orientada por um Silas que merece todo o aplauso.
Viemos de um jogo recente – em Santa Maria da Feira – e se o Belenenses também, é verdade que a equipa de Silas poupou quase todos, apostando as fichas neste jogo de ontem. Perdeu e ganhamos nós. É assim, ganhando estes jogos complicados e disputados, que se vai longe. E cá para mim, e felizmente, foi uma bela e intensa partida de futebol em 60 a 70% do tempo.

Eu ainda sou do tempo de mestres da tática, de gelo nos jogos e teimosias em jogadores em posições que não lembram ao careca, com desenho tático imutável. E você?

Armas e viscondes assinalados: A falta que um Bruno faz

Sporting 2 - Belenenses SAD

Liga NOS - 15.ª Jornada

3 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

O desconsolo que exteriorizou ao sofrer o golo da praxe, desta vez à beira do fim do jogo, é compreensível. O brasileiro emprestado pelo Estoril ainda defendeu o primeiro remate de um adversário que lhe surgiu isolado à frente, mas a recarga selou mais um dos momentos “you can’t win, Charlie Brown” que vão pautando a sua passagem por Alvalade. No resto do jogo viu remates com selo de golo passarem a rasar um poste, passarem a rasar o outro, embaterem violentamente nesse mesmo poste, mas parece que os jogos só acabam quando uma bola se anicha nas redes. Mesmo sem culpa alguma de um guarda-redes que, muitas vezes instado a repor a bola em jogo, distinguiu-se pela elevada percentagem de passes para zonas do relvado desabitadas por colegas de equipa.

 

Bruno Gaspar (3,5)

Pouco importa que o golo com que inaugurou o marcador pareça dever-se quase por inteiro ao desvio na cabeça de um jogador da Belenenses SAD. Num jogo vespertino em que ficou patente a falta que o castigado Bruno Fernandes faz ao Sporting, o lateral-direito contratado à Fiorentina foi um dos raríssimos jogadores que pôde sair verdadeiramente satisfeito aquando do apito final. Muito forte nas missões defensivas quando o Sporting estava a ser sufocado pelos visitantes, Bruno Gaspar soltou-se na segunda parte e foi à luta como nunca antes se tinha visto, permitindo que pelo menos numa tarde de 2019 não fosse preciso recordar César Prates, Abel, Cédric Soares, João Pereira ou Piccini com os olhos marejados.

 

Coates (2,0)

Quis o impiedoso destino que o central uruguaio terminasse um dos seus piores jogos envergando a braçadeira de capitão que lhe foi entregue após a saída de Nani. Incapaz de alcançar Freddy na cavalgada que só terminou com um remate ao poste na primeira parte (optando por não cometer uma falta que valeria o cartão vermelho), Coates é o principal responsável pelo golo da Belenenses ML, numa jogada que só deixou de acompanhar com os olhos quando viu dois adversários a correrem para a grande área. Claro que cumpriu a quota de cortes antiaéreos, mas a alguém com a qualidade de Coates exige-se sempre mais.

 

Mathieu (3,0)

A ausência de Bruno Fernandes e a incapacidade de Gudelj e Miguel Luís levaram a que lhe fosse entregue a missão de iniciar a maioria das jogadas leoninas. Assim sucedeu sobretudo na primeira parte, na qual o francês procurou servir de antídoto para o desnorte colectivo, mas a qualidade de sempre manteve-se até ao fim, com mais uma série de cortes providenciais e uma nova tentativa de marcar de livre directo.

 

Acuña (2,5)

Esteve quase a inaugurar o marcador, com um remate rasteiro junto ao poste que foi defendido pelo irmão do guarda-redes mais valioso do Mundo, mas logo a seguir teve um “momento Secretário” que esteve quase a resultar num golo da Belenenses (R) ou na expulsão de Coates. Muito porfiou ao longo de todo o jogo, a atacar e a defender, mas sem o acerto habitual, vendo-se incapaz de resolver a inércia do uruguaio no lance do 2-1, após o que conseguiu somar mais um daqueles cartões amarelos por motivos disciplinares que levarão, mais tarde ou mais cedo, a interromper as férias pagas de Jefferson.

 

Gudelj (2,5)

Incapaz de conduzir jogo, por vezes pouco criterioso na escolha entre dureza e macieza ao enfrentar adversários, e nada convincente na hora de rematar. Assim foi o sérvio, ligeiramente melhor quando subiu no terreno devido à entrada do compatriota Petrovic.

 

Miguel Luís (3,0)

O magnífico golo que acabou por revelar-se decisivo para a conquista dos três pontos resgata uma exibição titubeante, retrato de um meio-campo que não sabe carburar sem combustível BF. Muito lutou o jovem “made in Alcochete”, claro está, mas raramente lutou bem.

 

Wendel (3,5)

Regressou à equipa em boa hora, dedicando-se a tentar suprir a falta do melhor jogador do Sporting. Esteve em todo o lado, acelerou o que tendia para a lentidão, combinou bem com os colegas e saiu cansado, mas com a satisfação do dever cumprido.

 

Nani (3,0)

A assistência para Acuña e o remate ao poste foram pedradas no charco de uma primeira parte em que o Sporting de Keizer parecia repetir a lição que lhe fora dada pelo Vitória de Guimarães. Mesmo sendo excruciantemente lento na execução, demonstrou que quem sabe nunca esquece, procurando rendilhar lances de ataque que acabaram por abrir brechas na muralha dos assaz talentosos SADicos do Jamor.

 

Diaby (3,0)

Ineficaz na cara do golo, nomeadamente na jogada em que procurou fintar o irmão do guarda-redes mais valioso do Mundo, serviu-se da velocidade e do voluntarismo para meter os adversários em sentido. E fez uma assistência para Bruno Gaspar que deveria valer golo mesmo sem intervenção inadvertida de um adversário.

 

Bas Dost (2,0)

Muitos sentiram falta de Bruno Fernandes, mas ninguém sentiu tanta falta quanto o avançado holandês. Teve uma oportunidade de golo, logo na primeira parte, procurou ajudar na luta no meio-campo, viu um adversário roubar-lhe o 1-0, mas... deu-se mal com a solidão e com a falta de bolas à medida das suas capacidades. O Sporting recuperou o segundo lugar, e passou a ter o melhor ataque da Liga NOS, mas desta vez não foi graças a Bas Dost.

 

Raphinha (1,5)

Entrou tarde e para a esquerda, onde não engatou. Quando finalmente passou para a direita também não engatou e pouco ajudou Bruno Gaspar. Melhores dias virão.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado aos aplausos que as bancadas lhe dedicam sempre que faz algo supostamente inesperado, como uma finta de corpo ou um passe bem medido, o sérvio cumpriu com o papel de barreira às iniciativas contrárias que Keizer lhe destinou. Em tempos de entradas e de saídas de Inverno, será aconselhável manter quem tanto se dedica a fazer aquilo que sabe.

 

Jovane Cabral (-)

Teve poucos minutos para ser talismã, até porque o final do jogo foi dedicado sobretudo a golos do adversário e a sururus.

 

Marcel Keizer (2,5)

Retirou oxigénio às chamas ao reconhecer que o Sporting fez um mau jogo. Diagnóstico certeiro, tendo em conta o domínio exercido pelo adversário nos primeiros minutos, a falta de acerto nas movimentações da equipa, as falhas que poderiam ter saído caras. Traído por más exibições individuais de alguns dos seus melhores jogadores, acabou por virar a tendência do jogo mesmo sem atingir o brilhantismo de jogos transactos. Na segunda-feira volta a contar com Bruno Fernandes na ida a Tondela, mas há que aperfeiçoar a equipa para que o Sporting-FC Porto possa trazer verdadeira emoção à Liga NOS.

E agora sem Wendel?

Se esta pergunta surgisse há umas semanas atrás, iriam concerteza dizer que estava maluco ou a abusar em determinadas substâncias que fazem mal ao raciocínio, e temos muitos exemplos por aí...

Mas feita a pergunta agora, parece realmente que uma peça importante do 4-3-3 de Keizer se avariou e importa substituir.

E por quem ?  Por Bruno César, um jogador que sempre vi mais como médio central do que nas laterais ? Por Acuña adiantando Bruno Fernandes ? Por Miguel Luís, que teve a sua oportunidade com Tiago Fernandes ? Por Nani passando para uma zona mais central ? Uma nova oportunidade para Misic ? Por Petrovic adiantando Gudelj ? Por quem ?

Não falando em nomes como Adrien e F. Geraldes, para mim havia um jogador que encaixava como uma luva no modelo de Keizer. Um jogador rápido, objectivo, intuitivo, com visão de jogo, titular do Farense, meia-leca com muito talento, Ryan Gauld.

SL

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