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És a nossa Fé!

Voto electrónico universal

Na AG de ontem uma grande maioria de sportinguistas, eu incluído, votaram favoravelmente os quatro pontos em discussão, sem contudo chegar à percentagem necessária em termos de votantes e de votos para viabilizar o voto electrónico universal.

Não era coisa que em conversas com outros sócios se pensasse que não pudesse acontecer, digamos que houve mais uma vez um deficit de comunicação e de debate interno que ajudou a dar motivos a quem os queria ter para votar contra. A quem formado nisto ou naquilo ou até com relevância política revela uma ignorância tão grande do estado das TI que faz supor que anda permanentemente com um maço de notas na carteira, ou a quem dizia que era completamente favorável mas que assim era completamente contra, o que faz o sentido que faz.

O que interessa salientar é que o Sporting é dos sócios, e são eles que têm razão e não os presidentes do momento, muito menos os aprendizes de ditadores. 

Se 75% dos sócios que votaram / votos qualificados não estão confortáveis com o voto electrónico universal, é porque ele para já não tem condições para ser uma ferramenta consensual e de confiança para decidir o futuro do Sporting.

E eu entendo isso sem qualquer problema, é talvez mesmo uma oportunidade para debater a questão com calma, em condições e sem sofismas. Vamos a isso? O Sporting Clube de Portugal agradece.

SL

Votar é fácil

Está mais do que inventado software que permita atribuir a um sócio identificado e qualificado para votar a capacidade de o fazer com segurança independentemente da sua localização.

Onde a coisa pode fiar mais fino, sobretudo num país com uma arreigada tradição de desconfiança nos mandantes - e abundam razões históricas para isso... - é na credibilidade dos resultados. Um ligeiro "toque" num dado algoritmo, realidade intangível para quem a ela não acede, ou seja a larga maioria dos humanos, e a votação fica viciada. Mas também é verdade que não faltam boas práticas e processos consolidados para validar a idoneidade de uma eleição. É só ir buscá-las e aplicá-las.

Domingo há AG

No próximo Domingo, dia 8, vai ter lugar mais uma AG ordinária do nosso clube.

Estão à votação a apreciação do R&C e de gestão 2022/2023, a venda de um imóvel destinado a sede do núcleo de Benavente, se aparecer um grupo de sócios disposto a "largar" 48.000€ para reactivar o núcleo. Não faço a mínima ideia se o valor é alto, baixo, ou assim-assim, mas parece-me que para reactivar o núcleo de Benavente, que até agora não funcionava, se calhar seria para eles mais fácil alugar uma casita, que 48K ainda são uns trocos valentes.

Há depois a votação para atribuição do nome de Cristiano Ronaldo à porta 7, que me parece mais que justo e merecido e me leva a pensar porque não foi tomada antes esta medida, em conjunto com a atribuição dos nomes de antigos jogadores a outras portas. Mais uma vez, desconheço se foi tentado e por diversas razões não foi possível, entre elas a anuência do próprio.

Mas o ponto mais importante a discussão e votação é aquele que configura uma alteração radical na relação dos sócios, nomeadamente os de longe no país e os radicados nos quatro cantos do Mundo. Estará em cima da mesa a votação de alteração estatutária que permitirá o voto electrónico não presencial (o voto electrónico presencial já está implementado há vários anos), ou seja, que permitirá que mais sócios, para além das poucas centenas da área de Lisboa que normalmente decidem os destinos do clube participando nas AG's, permitirá, dizia, que esses sócios expressem na urna a sua vontade e não deixem que mais ninguém por eles decida. É, quanto a mim, um enorme salto civilizacional que o clube dará, demonstrando que acompanha os tempos e não tem medo da modernidade.

Obviamente que a implementação desta novidade terá de ter a garantia de que a segurança do voto é assegurada sem falhas, não pode haver a mínima suspeita de "banhada", mas rodeando-se o clube de gente competente na área, tem toda a vantagem em fazê-lo mesmo gastando mais uns trocos, a desconfiança que alguns ainda poderão ter desvanecer-se-á gradualmente. Não nos esqueçamos que estas coisas são auditadas e terão, em actos eleitorais p.e. a fiscalização dos órgãos e representantes das listas concorrentes.

Não há que temer a mudança e como cantava tão bem as palavras (com mais de 500 anos) de Camões o José Mário Branco,

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

Eu vou lá, votar sem qualquer rebuço esta medida já tardia, lá metida no programa da primeira candidatura do presidente do Sporting. Mais vale tarde que nunca.

O voto electrónico - um contributo mais

Vivo o Sporting à distância física de 300 quilómetros.

Anseio pelo dia em que terei oportunidade para assistir a mais partidas ao vivo, no Pavilhão e no Estádio. Reconheço que ser Sportinguista não se esgota na possibilidade de assistir às partidas, pagar quotas, comprar merchandising, e trocar impressões - sempre muito gratificantes - neste espaço que me é tão caro.

Nas últimas eleições fui traída por um internamento hospitalar imprevisto que me impediu de votar (não tive coragem de pedir que me tratassem das formalidades associadas: reconhecimento da assinatura, colocação cuidada dos documentos nos envelopes e expedição). Foi no ano passado e essa foi a última ocasião em que lamentei não haver possibilidade de votar de forma electrónica. Sabia-se à partida quem saíria vencedor mas nem essa circunstância me faz sentir menos obrigada e menos em falta para com uma obrigação. Nem falo das Assembleias que se destinam a votar Relatórios de Contas e Planos de Actividades.

A minha ordem profissional - a dos psicólogos - terá sido das primeiras a adoptar o método agora proposto e que, por isso, e de alguma forma, não estranho.

Reconheço, contudo, que a realidade desportiva desperta sentires que tendem a ser exacerbados e que podem encontrar nesta metodologia uma forma de manipulação mais acessível. Por isso mesmo, tenho algumas reservas quanto ao método mais indicado para alargar a (oportunidade) de participação efectiva na vida do Clube.

Em complemento ao texto do caro Luís Lisboa, deixo-vos os contributos de Miguel Poiares Maduro, na sua conta twitter, e que dão corpo à reserva com que, em parte, encaro esta metodologia aplicada à realidade desportiva. No final, duas referências: a de um texto da autoria do próprio e uma outra que versa a realidade estoniana.

«A propósito da proposta de voto online (electrónico à distância, não confundir com electrónico presencial) no Sporting recordo um artigo que escrevi sobre propostas partidárias semelhantes. Segue um thread relativo ao tema no Sporting:

1 - Ponto prévio: um sistema eleitoral não pode ser escolhido com base na confiança que temos em quem ocupa naquele momento o poder, mas sim com base no pressuposto de que o poder (e esse sistema) pode vir a ser controlado por alguém de quem profundamente desconfiamos…

2 - Não vou valorizar a questão mais discutida: a segurança. Refiro apenas que só a Estónia o mantém e que outros que o testaram não o implementaram. Partilho no final links para alguns artigos científicos que avaliam o sistema da Estónia e tb esses outros testes.

3 - Vamos presumir que seria possível ter um sistema online totalmente seguro. Essa segurança será controlada por uma entidade escolhida para assegurar o escrutínio eleitoral. Isto pressupõe uma mudança quântica no pressuposto de confiança em que assentam os atos eleitorais.

4 - Hoje o voto é controlado pelo eleitor e o escrutínio feito pelos representantes das diferentes candidaturas. Este escrutínio passaria a ser delegado numa entidade terceira. No caso do clube, uma entidade escolhida pela direção em funções. Este é um salto enorme de confiança.

5 - Aqueles que agora apoiam este sistema tb o fariam se fosse um Presidente de quem desconfiassem a escolher a entidade a quem passaria a ser confiado o escrutínio do voto?… Estas regras vão valer quer para Presidentes em que confiamos quer para alguns em que não confiemos.

6 - E essa confiança será de todos e permanente? Num clube com as divisões do Sporting, numa próxima eleição em ambiente de conflitualidade uma lista derrotada aceitará um resultado escrutinado por uma entidade escolhida pela direção (qualquer que seja a direção em funções)?

7 - O voto online tb acaba com a confidencialidade do voto, agravando-nos riscos de controlo e compra de votos. Estas práticas já existem, mas estão limitadas por voto presencial ocorrer em última instância em segredo, onde ninguém poder ser pressionado ou controlado.

Passa a permitir, por ex, que grupos orgs estejam junto dos seus membros para garantir que eles votam como pretendido. Permite também a venda e controlo do voto (na prática vendem-se os dados - senha, número etc - que permitem exercer aquele direito de voto online)

Estes são apenas alguns dos argumentos. Temos um problema sério de baixa participação. No Sporting e na política também. Mas a solução não pode trazer problemas ainda piores…

No mínimo, qualquer avanço nesta matéria deve ser gradual (para gerar confiança) e ser controlado por uma entidade totalmente independente que não pode ser escolhida por quem exerce o poder num determinado momento mas resultar de uma maioria qualificada numa AG presencial por ex.

https://www.tsf.pt/opiniao/uma-boa-ideia-extremamente-perigosa-15887840.html

https://dl.acm.org/doi/10.1109/TIFS.2009.2033230»

 

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