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És a nossa Fé!

Os melhores prognósticos

Nenhum leitor acertou exactamente no invulgar resultado do Vizela-Sporting (2-5). Mas, dada a extrema raridade deste desfecho, mesmo assim atribuo a vitória nesta ronda a um par de vaticinadores: Dário Barbosa e Soares Dias. O primeiro previu a vitória leonina por 4-2, com golos de Paulinho, Trincão e bis de Gyökeres (faltou-lhe só o de Coates). O segundo previu triunfo por 5-0, com golos de Gyökeres (2), Paulinho (2) e Coates: faltou-lhe o de Trincão.

Andaram ambos muito próximos, declaro-os vencedores. 

Imparáveis no início da segunda volta

Vizela, 2 - Sporting, 5

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Coesão colectiva, alegria a jogar, moral em alta: terceira goleada em quatro jogos, desta vez em Vizela

Foto: José Coelho / Lusa

 

O Sporting começa a segunda volta do campeonato como terminou: em grande. Com a 23.ª vitória em 29 jogos já disputados desde o início da temporada. Mantendo o posto de comando no campeonato e aspirações intactas em todas as outras provas. Com um futebol de ataque como raras vezes nos recordamos. Impulsionado, em larga medida, por Gyökeres, que consolida o lugar - indiscutível - de melhor futebolista da Liga 2023/2024.

Futebol de ataque, sim. Comprovado com números, num registo impressionante: 76 golos marcados nestas 29 partidas, portanto com média de 2,62 por jogo. Muito acima do desempenho do Benfica (59 golos, com o mesmo número de desafios disputados) e do FC Porto (53 golos, idem).

Vendo a questão de modo mais abrangente: somos neste momento a quinta equipa com melhor índice goleador do futebol europeu. Só atrás do Leverkusen (3,15 golos por jogo), Fenerbahce (2,94), PSV (2,93) e Bayern de Munique (2,76). É obra.

 

Mérito de quem?

Do treinador, acima de todos. Rúben Amorim tem moldado este conjunto de jogadores à sua imagem e semelhança, transformando-o numa equipa coesa, inspirada, motivada. Imparável. Com um balneário que irradia optimismo, uma alegria de jogar que contagia as bancadas e capaz de pôr em sentido qualquer adversário, como bem se viu no clássico contra a turma portista em Alvalade.

Sábia combinação entre a dinâmica colectiva e o aproveitamento dos talentos individuais. Tudo isto ficou evidente no desafio de anteontem em Vizela, frente ao penúltimo classificado, que tanto trabalho nos tinha dado no embate da primeira volta (vencemos à tangente, por 3-2, com o golo vitorioso a surgir só nos instantes finais).

Dominámos do primeiro ao último som do apito. Com muita vontade de garantir os três pontos em pouco tempo. Mas, contra a corrente de jogo, sofremos um golo, nascido de livre a cobrar falta inexistente - decisão infeliz do árbitro André Narciso, péssimo sobretudo no capítulo disciplinar e nada auxiliado pelo vídeo-árbitro Rui Costa.

A perder desde o minuto 13, pressionámos ainda mais. Chegando a suceder o impensável: Gyökeres falhou um golo de baliza aberta, à queima-roupa, fazendo a bola subir para a barra, aos 18'. Mas adivinhava-se a todo o momento que o internacional sueco estava em dia sim: ia desatar o nó. E desatou mesmo. Empatando a partida aos 45'+7, quase no limite do tempo extra.

 

No segundo tempo acentuou-se a nossa pressão ofensiva. Com Trincão em alta rotação: deixou de ser o Trinquinho de jogos anteriores e despachou o segundo golo logo a abrir a segunda parte. Paulinho exibiu sempre confiança lá na frente, ja não só para arrastar defesas mas também para a meter no sítio certo. É dele o terceiro golo e ajudou a construir outros dois. Também Pedro Gonçalves se destacou, com duas assistências. 

O quarto foi apontado por Coates, em estreia como artilheiro neste campeonato - para compensar um erro individual que minutos antes o levara a perder a bola, possibilitando o segundo e último do Vizela. É o único problema que subsiste: ainda sofremos demasiados golos. Dezanove, só na Liga.

O jogo não terminou sem novo momento alto de Gyökeres, fixando o resultado com o seu quarto bis da temporada. Um espectáculo: acaba de igualar a sua melhor época de sempre, em que marcou 22 pelo Coventry. Agora atingiu a mesma marca, em apenas 25 jogos.

Resta acrescentar: entrámos em campo sem três titular habituais. Diomande, Geny e Morita continuam ausentes, ao serviço das respectivas selecções. Mas quase não se deu por isso. É outra forma de comprovar como o Sporting está forte.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Quase não foi incomodado. Não podia fazer nada nos dois golos sofridos: no primeiro, Esgaio falha a intercepção; no segundo, Coates perde a bola. De resto, noite tranquila.

Eduardo Quaresma - Está cada vez mais confiante - e o treinador contribui, apostando nele. Toda a partida como central à direita neste seu centésimo jogo como profissional (21.º pelo Sporting).

Coates - Esteve muito mal ao perder duelo com Essende que nos custou o segundo golo (63'). Mas redimiu-se marcando, à ponta-de-lança, o nosso quarto (72') na sequência de um livre.

Gonçalo Inácio - Exibe crescente maturidade. Não só na dinâmica defensiva, desta vez fazendo também de lateral para compensar avanço de Nuno Santos, mas também no passe longo.

Esgaio - Apático, deixou Soro movimentar-se à vontade no sector defensivo à sua guarda no lance de que resultou o golo inicial do Vizela. Défice também no capítulo ofensivo.

Morten - Imprescindível no controlo do corredor central, colando linhas. Atento nas acções de corte e recuperação, seguidas de passes verticais. Injustamente amarelado aos 16'.

Pedro Gonçalves - Médio muito activo no apoio da linha da frente. Soube trabalhar para a equipa. Assistiu nos dois últimos golos - o primeiro num livre marcado de forma exemplar.

Nuno Santos - Actuou como extremo, tendo Gonçalo a vigiar-lhe a retaguarda. Desta vez os centros não lhe saíram com a precisão habitual. Deu nas vistas com uma trivela aos 38'.

Trincão - Segundo jogo a dar nas vistas, destacando-se como um dos melhores. Exibição coroada com o segundo golo, ao minuto 46. E assistiu no terceiro, com excelente cruzamento.

Paulinho - Uma das suas melhores actuações da época. Recupera a bola no lance do primeiro golo, marca o terceiro impondo-se no jogo aéreo (57'). E viu outro talvez mal anulado (45'+1).

Gyökeres - De novo o melhor em campo: começa a tornar-se monótono. Sai de Vizela com um bis (45'+7 e 86'). Ninguém se entrega tanto ao jogo como ele, ninguém exibe tanta pujança física.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 60'. Deixou marca de qualidade no jogo, em posição mais adiantada do que o dinamarquês. Participação decisiva no quinto golo.

Edwards - Substituiu Paulinho (79'). Ainda a tempo de protagonizar acção ofensiva que foi travada em falta já dentro da área. Devia ter sido penálti, mas o árbitro não viu e o VAR fingiu não ver.

Dário - Rendeu Pedro Gonçalves aos 90'+1. Entrou essencialmente para queimar tempo. Chutou para ninguém aos 90'+2, perdendo a bola de forma infantil.

Portelo - O brasileiro recém-contratado ao Leixões estreou-se na Liga 1 aos 90'+1, rendendo Coates. Entrou só para a equipa queimar alguns segundos com esta troca.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De outra goleada leonina, a terceira de 2024. Desta vez em Vizela, no jogo que assinalou o início da nossa campanha na segunda volta da Liga 2023/2024. Vencemos por 5-2 a equipa minhota, superando a prestação face ao desafio inaugural deste campeonato, que terminou com a nossa vitória tangencial (3-2) em Alvalade, arrancada a segundos do apito final. Agora passeámos classe no estádio vizelense, exibindo superioridade e confiança, actuando quase sempre no último terço do terreno. Com todos os nossos avançados a marcar. E dois golos nascidos de lances de bola parada, algo que ainda há pouco tempo quase nunca acontecia.

 

De Gyökeres. Outra vez a figura do jogo, outra vez o melhor em campo. Já com 22 golos marcados de verde e branco, igualando a melhor marca de sempre da sua carreira quando ainda faltam disputar muitas partidas nesta temporada. Autêntico todo-o-terreno, sempre de olhos fitos na baliza, é um pesadelo para as defesas adversárias. Ontem voltou a demonstrar toda a sua pujança em campo. Mais dois golos marcados: o nosso primeiro, aos 45'+7, e o quinto, aos 86'. Participa na construção do segundo, baralhando marcações. Meteu a bola outra vez na baliza, aos 30', num golo anulado por duvidosa deslocação. E teve as redes à sua mercê, logo aos 18', fazendo a bola embater na barra - rara ocasião em que desperdiça uma oportunidade soberana de marcar. Confirma-se: após este seu quarto bis na prova, ninguém rivaliza com ele no título de melhor jogador deste campeonato.

 

De Paulinho. Voltou a marcar, pelo segundo jogo consecutivo. À ponta-de-lança, sem lugar a dúvidas. Foi dele o nosso terceiro, impondo-se no jogo aéreo e encaminhando-a para a rede de cabeça, na sequência de um livre. Interveio na construção do primeiro, ganhando também uma bola no ar. E aos 45'+1 viu um golo anulado por escassos 12 cm que levantam muitas dúvidas.

 

De Trincão. Outra grande exibição, como avançado a jogar na ponta direita. Coroada com um golo, o nosso segundo, quando estavam decorridos apenas 47'' da segunda parte. É dele também a assistência para o terceiro, com um cruzamento teleguiado para Paulinho. Já tinha assistido o mesmo colega no golo anulado por duvidosa deslocação, no tempo extra da primeira parte. Atravessa o seu melhor período desta época.

 

De Pedro Gonçalves. Poucos como ele trabalham tanto para o colectivo, sem vedetismos. Voltou a acontecer, desta vez em Vizela. Actuando como médio ofensivo, em apoio permanente do trio atacante, exibiu os seus pergaminhos técnicos e tácticos, pondo-os ao serviço da equipa. Distinguiu-se com duas assistências - cruzamento perfeito num pontapé de livre lateral para o quarto golo, marcado de cabeça por Coates aos 72', e para o quinto, num entendimento perfeito com Daniel Bragança, de quem recebeu a bola. Confirma-se como o melhor jogador português deste Sporting, agora com 46 pontos à 18.ª jornada da Liga.

 

Do regresso de Edwards. Foi bom ver o inglês de volta ao relvado, após síndrome gripal. Ainda longe da sua melhor forma, naturalmente. Mas não tardará a recuperá-la. 

 

De ver o Sporting já com o melhor ataque da Liga. Ultrapassámos o Braga como equipa mais goleadora: já temos 45 marcados, enquanto a turma minhota está com 42. Nos últimos quatro jogos (Estoril, Tondela para a Taça de Portugal, Chaves e agora este) marcámos 17, com apenas três sofridos. Mais: já lá vão 29 desafios desta temporada com o Sporting sempre a marcar. No campeonato, este registo ocorre há 26 rondas consecutivas. Mais ainda: há 40 anos que não tínhamos tantos golos à 18.ª jornada. Notável.

 

De outro marco superado por Rúben Amorim no Sporting. Foi a primeira vez que, como treinador leonino, venceu fora com cinco golos. O anterior triunfo do SCP por esta marca havia sido registado ainda com Marcel Keizer à frente da equipa.

 

 

Não gostei

 

Do golo sofrido aos 13'. Conta a corrente do jogo, num lance a frio, na única oportunidade da equipa visitada em todo o primeiro tempo e após livre em que nem sequer falta tinha acontecido. Foi a primeira vez, neste campeonato, que vimos a bola tocar-nos as redes durante a meia hora inicial de uma partida. Fica a impressão muito nítida de que pelo menos dois jogadores do Vizela estavam deslocados: é insólito, o critério de colocação de linhas do vídeo-árbitro Rui Costa. No mínimo.

 

De termos estado mais de meia hora a perder. O nó só foi desatado por Gyökeres (who else?) no tempo extra. Mas não por falta de tentativas da nossa parte. A pressão foi intensa, o nosso domínio foi total.

 

Do empate (1-1) que se registava ao intervalo. Resultado ilusório, em nada reflectindo o que havia acontecido no relvado. Com o Vizela incapaz de criar uma situação de perigo para além do lance fortuito do golo e quase sempre remetido aos seus 30 metros mais recuados.

 

De Coates. Marcou um golo, é certo. Num golpe de cabeça certeiro, muito bem servido por Pedro Gonçalves na cobrança de um livre. Mas enredou-se num disputa de bola em zona que estava sob o seu domínio, perdendo o duelo contra Essende. Esta falha individual do nosso capitão funcionou como inesperado brinde para o Vizela, que assim conseguiu o segundo golo, aos 63', sem hipótese de defesa para Adán. São já 19 golos sofridos neste campeonato.

 

Do amarelo exibido a Morten. O internacional sueco passou a jogar condicionado desde o minuto 16. Com total falta de critério do árbitro André Narciso, que poupou cartões dessa cor a jogadores do Vizela em dois lances muito mais aparatosos para travar Gyökeres. Arbitragem habilidosa, à portuguesa. É também por isto que os nossos apitadores continuam fora das convocatórias para os grandes palcos do futebol mundial.

 

Das ausências de Diomande, Geny e Morita. Continuam ao serviço das respectivas selecções, mas nem isso impediu o oitavo triunfo consecutivo do futebol leonino. Vai seguir-se o Braga, para a Taça da Liga, na próxima terça-feira.

O dia seguinte

O Sporting goleou mais uma vez em Vizela, 5-2 no final do encontro, três golos anulados por foras de jogo, dois penáltis claros por marcar sobre Coates e Edwards e um amarelo estupidamente mostrado a Hjulmand. Narciso e Rui Costa, em grande, merecem prémio apito APAF de lata dourada.

De qualquer forma os golos validados e por validar contam a história do jogo. Paulinho assiste para o 1º golo do Gyokeres, Trincão também tentou assistir o sueco mas a bola entrou directa, depois o mesmo Trincão assistiu para o golo de Paulinho, Pedro Gonçalves assistiu nos dois últimos golos, de Coates e Gyökeres. Pelo meio três golos invalidados por fora de jogo, dois a Paulinho, e um ao sueco, de poucos cms (tão claros como o do golo validado ao Vizela). Resumindo, o jogo foi resolvido pela linha avançada do Sporting, um rolo compressor no qual o Pedro Gonçalves se integrava a partir da esquerda, e o resultado final peca apenas por escasso.

Nota negativa apenas para mais um golo sofrido na sequência duma bola parada, mais uma vez do lado esquerdo da defesa. Penso que já são cinco esta época, e são mesmo demais. Este muito por culpa dos 2 últimos homens da linha, Quaresma e Esgaio, que focados no fora de jogo se esquecem de intervir. Coates fora de forma mas entende-se, e tem mesmo que jogar.

Melhor em campo? Mais uma vez Gyökeres, mas que diriam do Paulinho se falhasse um golo daqueles a 1m da linha de golo?

Arbitragem? Mais uma vergonha duma dupla de medíocres, árbitro e VAR.

E agora? Desfrutar da Taça da Liga, um triunfo sabia mesmo bem, mas o que importa é seguir ganhando no campeonato e o próximo jogo é com o Casa Pia em Alvalade.

SL

Prognósticos antes do jogo

A bola volta a rolar. Já hoje, a partir das 20.45. Vai disputar-se o Vizela-Sporting, primeiro desafio da segunda volta desta Liga 2023/2024.

Na primeira volta vencemos a turma vizelense por 3-2 em Alvalade.

Na última época trouxemos de lá uma vitória difícil, mas nem por isso menos saborosa: dois golos contra um, com Pedro Gonçalves a destacar-se como melhor em campo.

Façam o favor de aqui deixar os vossos prognósticos para logo à noite.

Os melhores prognósticos

Começámos este nosso campeonato dos prognósticos bem e mal ao mesmo tempo. 

Bem, devido à forte adesão dos leitores do És a Nossa Fé - acrescidos de alguns autores do blogue que também participaram. 

Mal, porque ninguém conseguiu antecipar o resultado do Sporting-Vizela (3-2).

 

Este ano decidi introduzir um critério suplementar nas regras do desempate para evitar uma repetição do que aconteceu na época anterior: 12 das 34 rondas da Liga - mais de um terço - ficaram sem vencedor atribuído. O que é sempre desagradável. 

Mesmo sem acertar a cem por cento, passa a ganhar quem tiver previsões correctas em duas das três componentes destes prognósticos: golos das equipas anfitriãs, golos das equipas visitantes e marcadores dos golos leoninos. 

Sendo assim, atribuo esta vitória na ronda inaugural a duas senhoras: à nossa estimada leitora Maria Sporting e à minha colega de blogue Madalena Dine. Ambas conseguiram antecipar o número de golos do Sporting e quem os marcaria (dois de Viktor, um de Paulinho). 

Faltou-lhes apenas adivinhar os dois golos do Vizela, mas ninguém é perfeito. 

Merecem parabéns, naturalmente.

 

P. S. - Houve inflação de previsões num resultado 3-0. Além das duas vencedoras, eis (por ordem alfabética) quem também antecipou este desfecho: António Goes de Andrade, José Vieira, Leão do Xangai, Leão 79, Leoa 6000, LM, Manuel Pinheiro, Orlando Santos, Pedro Batista, Salgas, Tiago Elias e Verde Protector. Uma fartura. Três outros andaram mais perto, arriscando no 3-1: jpt, Leão do Fundão e Nuno Pinto.

Fica aqui só para registo. Esperando que na próxima ronda haja mais diversidade de resultados. Estes pecaram por alguma monotonia.

Esperar até ao fim para fazer a festa

Sporting, 3 - Vizela, 2

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Pé-canhão do internacional sueco a marcar o segundo golo: estreia de sonho em Alvalade

Foto: José Sena Goulão / EPA

 

Lá tiveram as aves agoirentas de fechar a matraca. Andaram dois meses a desancar o novo ponta-de-lança leonino nas redes associais, piando contra o preço «demasiado caro» do internacional sueco e gozando à brava com o facto de o ex-avançado do Coventry vir da segunda divisão inglesa. Anteontem, sábado, comprovou-se esta evidência: o Championship é mais competitivo do que a primeira liga tuga. Gyökeres teve uma estreia de sonho no magnífico tapete verde de Alvalade, perante mais de 37 mil adeptos que o vitoriaram. Quem ansiava por um fracasso teve de enfiar a sanfona na bagagem de porão.

Bastaram 14 minutos para o nosso goleador fazer o gosto ao pé. Primeiro com o esquerdo, evidenciando soberbos dotes técnicos. Oitenta segundos depois, bisou - desta vez com o direito, em lance que ele próprio inicia, numa recuperação à saída da grande área. 

Delírio em Alvalade neste regresso aos grandes dias da festa do futebol após onze penosas semanas de ausência. Com o nosso megacampeão Carlos Lopes - muito aplaudido antes do jogo - a assistir na tribuna de honra do estádio.

 

Esta era a novidade mais ansiada: Gyökeres passou com distinção no teste de fogo real, após promissora aparição nos amigáveis da pré-temporada. Uma estreia em jogos oficiais de verde e branco que ele jamais esquecerá.

Nós também não. 

Na tribuna, outro reforço assistia com interesse à partida, no próprio dia em que chegou a Lisboa: o dinamarquês Morten Hjulmand, que ontem assinou contrato. É o nosso novo titular como médio defensivo - posição em que estamos absolutamente carenciados por ausência de um profissional experiente formado de raiz para este efeito. Ugarte já cá não mora.

 

Rúben Amorim, tantas vezes acusado de ser pouco inovador, deu estreia absoluta como titular a Geny na ala direita, concedendo-lhe liberdade para se projectar com ousadia na manobra ofensiva com Diomande atento às dobras na retaguarda. No miolo, um dos melhores médios criativos saídos da Academia leonina: Daniel Bragança, após longo calvário provocado por grave lesão que o afastou 15 meses dos jogos oficiais.

Sinais transmitidos pelo treinador de que confia nos talentos da casa. 

O corredor oposto ficou a cargo de Matheus Reis, enquanto Morita assegurava os equilíbrios defensivos em parceria com Daniel. Duo inédito que funcionou até ao intervalo, quando vencíamos por 2-0. Gyökeres ainda tentou o terceiro de cabeça, na sequência de um canto, mas o guarda-redes defendeu.

O sueco não foi importante apenas por se tornar a nova referência atacante do Sporting, permitindo à equipa esticar o jogo com maior rapidez desde o momento em que recupera a bola. Também se destacou pelo que fez jogar, articulando bem com os companheiros - Pedro Gonçalves posicionado à esquerda e Trincão à direita - como se já jogasse há muito em Alvalade. E confirmou-se: é um poço de resistência física.

Sem nunca virar a cara à luta até ao instante final.

 

Infelizmente a equipa foi tirando o pé do acelerador ao perceber que a vitória acabaria por sorrir sem demasiado esforço. Convicção reiterada pelo facto de o Vizela, ao longo de toda a primeira parte, só ter feito um remate enquadrado, para defesa fácil de Adán.

O panorama mudou na etapa complementar. Daniel já não regressou, por precaução física, na sequência de um embate de cabeça com Nuno Moreira, ex-colega da formação leonina. Para o seu lugar entrou Edwards, que pareceu replicar em campo o comportamento de Trincão: desligado da manobra colectiva, parecendo mais preocupado em recrear-se com a bola do que em servir os colegas, complicando mesmo nas situações mais fáceis. Ambos também com défice na pressão da saída de bola do Vizela, facilitando a tarefa à turma visitante.

Pedro Gonçalves recuou para 8 mas não fez parceria eficaz com Morita. Manteve-se muito encostado à linha dianteira, sobrando para o internacional nipónico, sozinho, o confronto com Diogo Nascimento e Bustamante. Estes foram municiando os alas que se projectavam.

Amorim começou por retirar Geny: Esgaio prometia mais solidez defensiva ao corredor direito. Mais difícil de entender foi a troca de Matheus Reis - autor da assistência para o primeiro golo - por outro jovem da nossa formação, Afonso Moreira, este em estreia absoluta na equipa A. Também com clara vocação ofensiva, contribuindo para ampliar os espaços onde o Vizela fazia circular a bola. 

 

Ao minuto 72', um colega de blogue que assistia comigo ao jogo dizia-me: «Vem aí um duche gelado.» Parecia que adivinhava: vieram mesmo dois golos de rajada, também com minuto e meio de intervalo - aos 75' e aos 77'. O primeiro por Essende, em três toques rápidos desde o guarda-redes, apanhando todo o nosso bloco defensivo desposicionado - incluindo Adán, que saiu mal na fotografia. O segundo por Nuno Moreira após inacreditável atrapalhação de Coates na saída com a bola.

Duche de água gelada, sim. Quando já se escutavam assobios bem sonoros no estádio e a equipa dava sinais de desnorte táctico, sem saber se privilegiava o ataque ou a defesa.

Recebeu então ordem do treinador para atacar em pressão altíssima no quarto-de-hora que faltava. Aí encostámos por completo o Vizela às cordas: o vulcão verde-e-branco reacendeu-se. Os oito minutos de tempo extra incutiram-nos ainda mais ânimo.

Nesta fase o Sporting chegou a actuar com três pontas-de-lança: Gyökeres, Paulinho (que substituíra o ineficaz Trincão) e Coates, também plantado na grande área. Os três acabaram por ter protagonismo, já ao minuto 90'+9: o sueco assiste de cabeça, o capitão vai ao choque com o central e a bola sobra para Paulinho, que à boca da baliza estica o pé direito e a mete lá dentro. 

 

Delírio generalizado na nação leonina: por uma questão de segundos, assegurámos a vitória, garantimos os três pontos na jornada inicial da Liga 2023/2024 e mantivemo-nos invictos perante o Vizela, que nunca pontoou connosco. Embora nos tenha dado muito trabalho: na época anterior só os vencemos também pela margem mínima (2-1 cá e ), com o desafio de Alvalade a culminar em triunfo só aos 90'+5, de penálti, convertido por Porro.

Em comparação com esse campeonato, já levamos dois pontos de vantagem: há um ano começámos mal, empatando em Braga

Os pessimistas do costume, que já tinham abandonado o estádio, perderam o melhor da festa

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Grande defesa a uma bomba de Nascimento aos 63. Mas teve uma hesitação fatal ao minuto 74, ao sair muito mal da área, facilitando o primeiro golo do Vizela.

Diomande - Batido no duelo com Nuno Moreira, no segundo golo da turma visitante. Mancha numa exibição que até aí denotava segurança, não apenas no processo defensivo.

Coates - Preso de movimentos, com falta de mobilidade. Fez alguns cortes à sua maneira, mas comprometeu no lance que origina o segundo do Vizela. No fim, ajudou lá na frente como pôde.

Gonçalo Inácio - Devolvido à posição adequada, como central canhoto, foi o melhor do trio defensivo nos passes longos. Mas não está isento de culpa no descalabro daquele minuto e meio quase fatal.

Geny - Noite de estreia, como titular, do jovem moçambicano formado em Alcochete. Começou bem, com projecção ofensiva, mas abusou dos dribles e denotou falta de automatismos a defender.

Morita - Com Ugarte agora ausente, coube-lhe ser médio defensivo improvisado. Recuperou muito, lutou pela posse de bola, articulou bem com Daniel. Na segunda parte, faltou-lhe parceria.

Daniel Bragança- Voltou 15 meses depois, após lesão. Organizou jogo, distribuiu com critério, não perdeu tempo com rendilhados. Saiu ao intervalo, contundido. A equipa ressentiu-se desta ausência.

Matheus Reis - Cumpriu no essencial como ala esquerdo. Momento alto: cruzamento milimétrico para Gyökeres brilhar, no primeiro golo. Substituído aos 64', sem que se percebesse porquê.

Trincão - Regressa aos jogos do campeonato como se despediu do anterior: abusando do individualismo, com fintas e fintinhas. Faltou-lhe eficácia com bola. Devia ter saído mais cedo.

Pedro Gonçalves - Estreia infeliz nesta nova Liga. Nada lhe saiu bem: desperdiçou quatro oportunidades de golo. Rendeu pouco à frente, no primeiro tempo, e nada a meio, na segunda parte.

Gyökeres - Chegou, jogou e venceu. A massa adepta rendeu-se à mobilidade e ao poder de fogo do reforço sueco. Marcou dois golos, ajudou a construir o terceiro. Titular absolutíssimo. 

Edwards - Fez todo o segundo tempo, substituindo Daniel. A sua entrada forçou o recuo de Pedro Gonçalves. Pareceu algo displicente, quase desinteressado. Também ele a abusar das fintas.

Esgaio - Entrou aos 55' quando as pilhas de Geny já pareciam gastas. Menos desequilibrador do que o colega mas mais consistente no plano defensivo. Faltou-lhe ousadia na manobra ofensiva.

Paulinho - Rendeu Trincão (64'). Parecia mais do mesmo: segurou mal uma bola, atirou outra ao lado, deixou-se cair dentro da área. Mas, enfim, foi figura do jogo ao apontar o golo decisivo. 

Afonso Moreira - Estreia absoluta na primeira equipa após jogar no Sporting B. Entrou nervoso, com propensão atacante, mas também a abusar das fintas inócuas. Saiu a segundos do fim.

Neto - Esteve doze segundos em campo, rendendo Afonso Moreira já com o resultado feito e sem chegar a tocar na bola. Aparição algo insólita. Deu para ouvir aplausos.

O dia seguinte

Ontem estiveram em Alvalade cerca de 37 mil pessoas. Não foi o meu caso, que por compromisso familiar quando passei pelo estádio já o jogo tinha terminado há muito. Ainda revi a primeira parte de madrugada, mas só mesmo agora consegui ver a segundaparte para conseguir escrever estas linhas.

Desde logo o onze inicial de Amorim antecipava problemas, com Morita e Bragança a formar um meio-campo falho de intensidade e poder de choque, e um extremo a ala direito de pé trocado sempre a fugir da linha lateral e a recuar a passo. Mas a velocidade imposta na circulação e o poder físico do Gyökeres associados à vagabundagem de Pedro Gonçalves e Trincão fixavam a linha defensiva a 5 do Vizela, que tinha muita dificuldade em sair a jogar, perdendo a bola rapidamente e propiciando novos ataques. Com dois grandes golos do sueco e vários remates desperdiçados que podiam ter resolvido o jogo chegámos ao intervalo.

 

Com Bragança ainda combalido por uma cabeçada e prevendo um Vizela mais atrevido, Rúben Amorim mexeu na equipa de forma lógica, metendo Edwards para castigar o adversário em contra-ataques e recuando Pedro Gonçalves. Depois trocou os dois alas, com o defensivo à direita e o ofensivo à esquerda, e um Trincão que estava numa noite para esquecer por um Paulinho. Com as substituições e um Morita completamente rebentado em campo, a acumular faltas desnecessárias e passes para ninguém, com o jogo cada vez mais partido e sem controlo, com enorme desperdício atacante, lá mantivemos a vantagem até aos 80 minutos.

Em dois minutos passámos da vantagem para um empate a 2, dois golos sofridos que são indignos duma equipa candidata ao título, uma autêntica vergonha. No primeiro, depois dum remate fraco de Pedro Gonçalves, o guarda-redes do Vizela, sem pressão dos dois avançados, coloca a bola à mão no médio-centro completamente liberto, e este olha para a frente e vê o médio ofensivo também livre, com Morita a marcá-lo com os olhos a vários metros de distância, só lá chega depois do passe a rasgar a linha defensiva para a corrida do ponta de lança, Adán ainda consegue cortar mas a bola caprichosamente faz um arco e regressa ao ponta de lança que factura diante dum Inácio impotente para fazer seja o que for.

Logo a seguir, o jogo recomeça. Bola em Coates, que espera tanto que Afonso Moreira recue na ala para receber que lhe passa à queima, o “nosso” Tomás Silva antecipa-se, corre por ali fora e faz um centro de régua e esquadro para o “nosso” Nuno Moreira facturar sem que Diomande conseguisse fazer o corte. Completo desnorte da linha defensiva a começar pelo “el patrón”, se calhar ainda a pensar em como o primeiro golo tinha sido possível.

Depois, com o jogo empatado a poucos minutos do fim e o Vizela a fazer substituições para quebrar o ritmo, foi preciso recorrer ao plano C (Coates), colocar três jogadores altos e pesados bem próximos na área contrária para, no último minuto dos descontos, a bola sobrar para o remate de primeira, “à ponta de lança”, de Paulinho.

 

Enfim, que dizer de tudo isto? Que assim não vamos a lado nenhum, ou que foi também assim que fomos campeões há três épocas ?

No meu entender, Amorim continua a apostar excessivamente em jogadores queridos dos sócios, bons suplentes, mas sem condições para serem titulares num Sporting candidato ao título. E a deixar sair duma forma demasiado ligeira jogadores diferenciados na dimensão física do jogo, que poderiam dar outra capacidade ao futebol do Sporting, como estão a dar Diomande e Gyökeres. Não consigo entender como é que se dá a titularidade a jogadores que neste momento não aguentam mais de 60 minutos, isto já dando desconto, e como é que no banco não estava Essugo e estava Mateus Fernandes.

Melhor em campo? Gyökeres, Paulinho pelo golo.

Piores em campo? Trincão, Morita e Catamo.

Arbitragem fraquinha, com razões de queixa do Sporting no amarelo a Diomande e do não amarelo e falta pelo pisão do Tomás a Afonso Moreira.

E agora? Ir ganhar a Rio Maior com o dinamarquês a titular.

SL

No fim nem deu gozo

Há que chegar à conclusão que Trincão é estúpido, pois só um estúpido insiste em fazer sempre a mesma coisa à espera de um resultado diferente. Ou que ao fim de um ano não tenha aprendido a fazer mais outra coisa além daquela que faz sempre.

Há que suspeitar do estado de espírito de Pote: será que vamos ter de aturar os seus ciúmes toda uma época, como há 2 anos com Sarabia, por não ser a vedeta da equipa?

Há que temer a evolução de Inácio: passa cada vez pior (gorando a sua eventual evolução para trinco), está cada vez mais lento, é cada vez mais analfabeto a ler o jogo.

Há que receitar tranquilizantes a Reis, desde a pré-época que anda sobre brasas, instável e refilão, cada vez mais inseguro.

Tirando Gyökeres da equação vieram ao de cima todos os defeitos do Sporting do ano passado. E se o sueco foi genial, há que fazer a vénia a Morita, que se desdobra a cumprir missões para que não está inteiramente talhado, e Diomande  cada vez mais seguro.

 

PS: comentários em tom insultuoso seja para quem for não entram.

Rescaldo do jogo de ontem

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Gostei

 

Do regresso ao Estádio José Alvalade. Pontapé de saída da Liga 2023/2024 ainda com luz solar (o jogo começou às 20.30) e bancadas muito compostas (mais de 37 mil espectadores). A saudar o novo campeonato que começa após um defeso que nos pareceu demasiado longo. 

 

De começar com uma vitória. Foi muito suada, mesmo no último lance do encontro: três pontos arrancados a ferros, no décimo minuto de tempo extra, esgotados já os oito suplementares decididos pelo árbitro Fábio Melo, em estreia auspiciosa na Liga I - oxalá tenha carreira longa e bem-sucedida. Reeditando, de algum modo, o que acontecera no campeonato anterior, em que só um penálti aos 90'+5, convertido por Porro, nos deu os três pontos - então vencemos por 2-1, agora por 3-2. Confirmando o Vizela (onde há três nossos ex-jogadores) como uma equipa muito complicada.

 

De Gyökeres. Sim, é reforço. E que reforço! Não estavam esgotados os 14 minutos iniciais da partida inaugural do campeonato para o potente avançado sueco demonstrar ao que veio. Tem faro de baliza, quer muito marcar. Bisou, com 82 segundos de intervalo. No primeiro, a centro de Matheus Reis, tira dois defesas da frente com uma simulação de corpo e fuzila cruzado, de pé esquerdo. O segundo, aos 15', é todo inventado por ele, começando numa recuperação de bola que também protagonizou. Ainda tentou um terceiro, de cabeça, após canto, aos 27'. E tem intervenção decisiva no disparo do triunfo, com uma assistência - também de cabeça. Exibição brilhante, de longe o melhor em campo. Não podia ter começado melhor.

 

De Morita. Actuou como um todo-o-terreno, procurando suprir a ausência de um médio defensivo de raiz (o reforço dinamarquês, chegado ontem, ainda só estava na tribuna, Tanlongo foi riscado do plantel e Dário nem foi convocado). Esteve em todo o lado, com enorme pulmão: quem diz que não aguenta 90' equivoca-se. Foi o rei das recuperações, aferrolhando o corredor central enquanto formou duo com Daniel Bragança. No segundo tempo, tendo um displicente Pedro Gonçalves como par, viu-se várias vezes isolado perante três adversários nessa zona. Mas nunca baixou os braços, foi sempre à luta.

 

De Paulinho. Ausente do onze inicial, em campo desde os 64', desta vez resolveu - ao minuto 100 do jogo, e logo com o seu pé "cego", o direito. Transformou um mais que provável empate numa quase miraculosa vitória. Tributado com merecida ovação no estádio.

 

Da aposta de Rúben Amorim em jovens. Além de Geny, titular como ala direito, e do regressado Daniel Bragança (boa primeira parte, saiu ao intervalo por precaução após um choque), o treinador fez alinhar também Afonso Moreira, que rendeu Matheus Reis aos 64'.

 

Do resultado ao intervalo. Vencíamos por 2-0, somávamos quatro outras oportunidades de golo. O Vizela fez o primeiro remate enquadrado já no tempo extra da etapa inicial. Tudo apontava para goleada. Ou, pelo menos, para um triunfo tranquilo, sem o alucinante sufoco do quarto de hora final.

 

De termos cumprido 15 jogos seguidos sem perder. Se somarmos o de ontem às 14 rondas finais da Liga 2022/2023, é este o número de desafios que já levamos sem conhecer o mau sabor da derrota em jogos oficiais.

 

Da nossa folha limpa perante o Vizela. Já os defrontámos em onze partidas - sempre a vencer. Caso inequívoco de maioria absoluta.

 

De já levarmos três pontos de avanço sobre o Braga. Os arsenalistas foram derrotados em casa (1-2), na ronda inaugural, pelo vizinho Famalicão. 

 

Da "estrelinha". Nem Amorim, na conferência de imprensa final, negou a evidência: estes três pontos após termos consentido a reviravolta do Vizela em minuto e meio, já perto do fim, assinalam o regresso da abençoada deusa da fortuna que nos foi acompanhando durante o inesquecível campeonato 2020/2021. Antes assim.

 

 

Não gostei

 

Da displicência da equipa após a meia hora inicial. Vários jogadores actuaram sem intensidade, sem genica, sem entrega ao jogo. Como se já tivessem cumprido mais um dia de rotina no escritório. Isto deu ânimo aos vizelenses, que foram avançando no terreno e somando investidas perigosas à nossa baliza. Podiam ter marcado o primeiro aos 63', por Ricardo Nascimento: Adán desviou o disparo com a ponta das luvas.

 

Do nosso colapso defensivo. Os dois golos da equipa visitante, aos 75' e 77', resultaram de clamorosas falhas colectivas. Com os de Vizela a fazer o contrário do que vínhamos produzindo: bola a rolar rápida, ao primeiro toque, ataque eficaz à profundidade, contragolpe veloz em contraste com a lentidão dos nossos. No primeiro, Adán é também mal batido: saiu não só da baliza como da grande área e só conseguiu meia-defesa com os pés enquanto Coates defendia com os olhos. No segundo, o capitão uruguaio entregou a bola ao adversário, deixando os colegas desposicionados. Dois jogadores formados na nossa Academia (Tomás Silva e Nuno Moreira) construíram esse golo em poucos segundos.

 

De Pedro Gonçalves. Partida calamitosa do nosso ex-n.º 28, agora tendo nas costas o número oito, que pertenceu a Bruno Fernandes. Arrastando os pés, com aparente falta de energia, desperdiçou quatro golos. Aos 22', isolado por Gonçalo Inácio, deixou a bola fugir pela linha de fundo. Aos 27', bem servido por Trincão, deixou-se antecipar pela defesa. Aos 57' atirou para a bancada após assistência milimétrica de Edwards pelo lado esquerdo. Aos 81', novo balão para a bancada. O melhor que fez foi um remate rasteiro, aos 57', que o guarda-redes interceptou com facilidade. 

 

De Trincão. Faz sempre mais uma finta, ensaia sempre mais um rodriguinho, vai dando voltas ao carrossel. Embrulhando o jogo. Incapaz de seguir a pedalada de Gyökeres, nem acelerou nem demonstrou intensidade. Prestação falhada: saiu aos 64', dando lugar a Paulinho. 

 

De Edwards. Espécie de cópia de Trincão, em campo durante toda a segunda parte - foi ele a substituir Daniel Bragança. Enquanto o minhoto gira no carrossel, o inglês cola-se à bola e parece querer levá-la para casa. Esquecendo-se de jogar para a equipa.

 

De Afonso Moreira. Estreia em jogos oficiais entre os maiores. Rendeu Matheus Reis, numa substituição algo insólita pois o brasileiro estava a cumprir e tinha até feito a assistência para o primeiro golo. O jovem ala esquerdo decidiu quase sempre mal, embrulhando-se em fintas que resultaram em desarmes fáceis. Veremos quando voltará a ter nova oportunidade. Esta foi desperdiçada.

 

Da aparente lesão de Daniel Bragança. Após choque de cabeças, numa bola disputada com Nuno Moreira, o nosso médio criativo, pareceu atordoado. Já não regressou do intervalo. A equipa ressentiu-se. No primeiro tempo, foi ele o principal estratego e organizador do onze, fazendo boa parceria (inédita) com Morita. É verdade que falhou um golo cantado, aos 43', atirando para a bancada após assistência de Gyökeres. Mas também ofereceu outro, num excelente passe picado a isolar Trincão, que desperdiçou.

 

Das vaias. Decorria o minuto 54, vencíamos por 2-0. Mesmo assim, escutaram-se estrondosos assobios no estádio. Visado: Trincão, por ter perdido duas vezes a bola em lances consecutivos. Nunca entenderei esta atitude do "tribunal" de Alvalade, rasgando a própria equipa enquanto decorre um jogo. Mantém-se a péssima tradição: enerva os nossos, moraliza os adversários. Quem tanto gosta de assobiar, devia fazê-lo em casa.

 

Foto minha, minutos antes do jogo, ontem no regresso a Alvalade

Por um minuto se perde por um se ganha!

Ontem quando nos descontos o treinador do Vizela fez uma substituição sentenciou a partida.

Havia um jogador vizelense caído, mas provavelmente aguentaria mais uns breves minutos se calhar segundos de jogo.

No entanto ao fazer a substituição fez com que o árbitro acrescentasse tempo... ao tempo. O suficiente para o Sporting marcar o terceiro golo e garantir a vitória.

Já nos aconteceu o inverso... nem sei quantas.

Recordo a este propósito o que dizia Manuel de Oliveira que foi antigo jogador, treinador e mais tarde comentador na rádio: nunca se deve fazer uma substituição nos descontos, já que estar a dar hipóteses ao adversário de resolver a contenda.

O treinador de Vizela certamente nunca o escutou!

E ainda bem, acrescento!

Prognósticos antes do jogo

Novo campeonato nacional prestes a começar: para nós, é já depois de amanhã, sábado, às 20.30. Com um Sporting-Vizela, prevendo-se casa muito composta, pois foi batido o recorde de lugares de época no Estádio José Alvalade: 30 mil, cifra inédita.

Recomeça também agora o nosso campeonato de palpites, aberto a todos quantos lêem o És a Nossa Fé e aos próprios autores deste blogue. Venho pedir-vos prognósticos para esta partida inaugural da Liga 2023/2024. Lembrando que o anterior Sporting-Vizela foi muito sofrido da nossa parte, terminando com triunfo leonino tangencial: 2-1.

«Vitória arrancada a ferros», como titulei na altura. Com golos de Pedro Gonçalves e Porro, este no jogo em que se despediu de Alvalade. Convertendo um penálti quase milagroso, aos 90'+5, quando já se escutavam assobios no estádio.

Como será agora? Aguardo os vossos prognósticos.

 

ADENDA: Foi este o balanço dos prognósticos 2022/2023.

Gonçalo mostra a Paulinho como se faz

Vizela, 1 - Sporting, 2

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Gonçalo Inácio acabou de marcar o nosso primeiro, Pedro Gonçalves e Nuno Santos festejam

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Caiu o pano no campeonato nacional de futebol. Com o Sporting no 4.º lugar - atrás de Benfica, FC Porto e Braga. Mau desempenho global da nossa equipa, embora o descalabro tenha ocorrido na primeira volta. A segunda foi muito superior: só dois empates nos últimos 15 jogos. Se tivesse sido sempre assim, estaríamos a lutar pelo título até à derradeira jornada, ontem cumprida.

Valeu a pena lutar até ao fim? Sim, valeu. Para sairmos da prova de cabeça erguida. E para começarmos já agora a testar a próxima época, novamente sob o comando de Rúben Amorim. Mas com novos elementos no plantel. Porque se avizinham saídas difíceis de colmatar. Ugarte, antes de qualquer outro. Talvez também Gonçalo Inácio. Edwards também poderá estar prestes a abandonar Alvalade. Sem esquecer que temos vários jogadores que já não vão para novos, como Adán, Neto e o capitão Coates. 

Rúben começou a fazer experiências neste 34.º e último desafio do campeonato, anteontem, em Vizela. Manteve Israel na baliza mesmo já com o veterano guarda-redes espanhol disponível, instalou Dário no onze titular. Nenhum entusiasmou, valha a verdade.

 

As limitações da nossa manobra defensiva - sentindo-se aqui já a ausência de Ugarte - ficaram transparentes logo ao minuto 6', quando Osmajic galgou terreno em poucos segundos e disparou em cheio contra as nossa redes. Gonçalo Inácio e Dário ficaram desposicionados lá na frente, Coates foi incapaz de acompanhar a passada do veloz montenegrino.

Gonçalo redimiu-se pouco depois. Aproveitando da melhor maneira um lance estudado, num canto marcado de forma irrepreensível por Pedro Gonçalves. Elevou-se acima da defesa e meteu--a no sítio certo. Mostrando a Paulinho como se faz.

Fomos para o intervalo assim, com empate a um. O segundo tempo foi todo nosso: carregámos sem descanso contra o reduto do Vizela. Com mais critério e maior poder de fogo quando Amorim decidiu trocar Dário por Edwards. O inglês desequilibra sempre, mesmo quando está em maré baixa de inspiração - o que nem foi o caso.

 

E lá surgiu o golo da vitória. Aos 85', em lance iniciado com um magistral passe de ruptura de Coates para Pedro Gonçalves romper linhas com a bola dominada e a despejar na área. Visava Chermiti, mas o ex-Sporting Ivanildo antecipou-se e encarregou-se ele próprio de marcar, num autogolo de impecável execução técnica.

Mostrando - também ele - a Paulinho como se faz.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Podia ter feito melhor no golo sofrido. Foi traído pela hesitação.

Gonçalo Inácio - O canhoto voltou a ser central pela direita. Esperou até ao último jogo para se estrear a marcar no campeonato. Cortes decisivos aos 50' e 57'.

Coates - As pernas já pesam: faltou-lhe velocidade para bater Osmajic. Foi ele a iniciar, numa eficaz recuperação, o lance que nos daria a vitória já quase ao cair do pano.

Matheus Reis - Como central à esquerda, articulou bem com Nuno Santos. Ofereceu golo a Paulinho aos 10': lance desperdiçado.

Esgaio - Falhou nos cruzamentos, sem conseguir fazer a diferença. Condicionado cedo por um amarelo (23'). Perdeu duelos com Kiko Bondoso. Saiu aos 80'.

Dário - Rúben deu-lhe nova oportunidade, mas o jovem médio não correspondeu. Falhou ligação com o ataque, não foi o médio de marcação que ali se impunha. Saiu aos 56'.

Morita - Distinguiu-se no capítulo das recuperações, mais evidente ao recuar para a posição 6, já com Dário fora de campo. Sete, ao todo.

Nuno Santos - Desequilibrou no nosso corredor esquerdo. Ofereceu golo a Paulinho aos 72': lance desperdiçado.

Trincão - Abusou do individualismo e do lance adornado, incapaz de fazer a diferença no chamado futebol sem bola. Ofereceu golo a Paulinho aos 73': lance desperdiçado. Saiu aos 80'.

Pedro Gonçalves - Melhor em campo. Está nos nossos dois golos: assiste de canto e é dele o passe que Ivanildo intercepta para autogolo. Incansável, inconformado.

Paulinho - Falhou emendas (10' e 72'). Desperdiçou passe de Pedro Gonçalves (30'). Chegou atrasado (43'). Cabeceou muito mal (77'). Protesta muito, não marca desde 1 de Abril.

Edwards - Assim que entrou, aos 56', notou-se a diferença: equipa mais dinâmica com ele em campo, pondo a defesa adversária em sentido. Sacou canto mal tocou na bola, arrancou faltas.

Chermiti - Substituiu Trincão aos 80'. Muito móvel na grande área, procurou ser útil. A bola que Ivanildo cortou em autogolo ia parar aos pés dele, no segundo poste.

Bellerín - Rendeu Esgaio aos 80'. Teve tempo para um par de incursões ofensivas revelando boa técnica, com duelos ganhos.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De terminarmos o campeonato a vencer. Em Vizela, campo difícil. Frente a um adversário motivado e muito incentivado pelo seu público.

 

Da reviravolta. Recuperámos de um resultado desfavorável (golo sofrido logo aos 6'), empatando aos 20', e consumámos o triunfo aos 85'. Triunfo por 2-1. Tudo está bem quando acaba bem.

 

De Pedro Gonçalves. Nada se decidia já neste jogo, que para nós se destinou apenas a cumprir calendário. Mas o nosso n.º 28 suou a camisola, inconformado. Quis sempre mais, quis sempre melhor. Perante uma reduzida mais vibrante falange de adeptos leoninos. Querer é poder: foi dele o passe para o golo inicial, na marcação de um canto, e é ele quem conduz toda a jogada que culmina no segundo. Somou 11 assistências na Liga. Melhor em campo.

 

Da estreia de Gonçalo Inácio a marcar no campeonato. Mesmo no último jogo: foi dele o cabeceamento bem calibrado de que resultou o golo inicial. Fecha a temporada com quatro bolas metidas no fundo das redes - mas para a Liga 2022/2023 foi só este. Ainda a tempo.

 

De Edwards. Estará em vias de abandonar o Sporting para regressar à Premier League? Talvez, algo indiciado pelo facto de ter começado no banco - facto insólito nas opções do treinador. A verdade é que quando entrou, aos 58', logo agitou o jogo, causando desequilíbrios graças à sua excelente técnica. O colectivo leonino beneficiou muito com ele em campo. Se sair, teremos saudades dele.

 

Do autogolo. De Ivanildo Fernandes, aos 85', quando trocou os pés numa bola bombeada por Pedro Gonçalves para Chermiti, ali bem perto. O antigo jogador da formação leonina, que chegou a participar em vários jogos da nossa equipa B, cumpriu enfim um sonho antigo: marcar pela equipa principal do Sporting. Foi o quinto autogolo de que beneficiámos neste campeonato - e o oitavo em toda a temporada. Nenhuma equipa em Portugal se pode gabar do mesmo.

 

De termos cumprido 14 jogos seguidos sem perder. Balanço positivo da nossa segunda volta: 13 vitórias, três empates, apenas uma derrota, com 38 golos marcados e só 13 sofridos. Se tivéssemos feito o mesmo na frustrante primeira volta, chegaríamos ao fim do campeonato com 84 pontos. Merece reflexão.

 

Da nossa folha limpa perante o Vizela. Já os defrontámos em dez partidas - sempre a vencer. Um caso inequívoco de maioria absoluta.

 

De Osmajic. O avançado montenegrino do Vizela, emprestado pelo Cádiz, marcou um grande golo em contra-ataque, beneficiando de uma perda de bola nossa a meio-campo, da falta de velocidade de Coates e da indecisão de Israel, que nem fez a mancha nem cobriu o primeiro poste. Fecha a temporada com oito golos apontados. Fazia-nos falta ter um artilheiro assim.

 

 

Não gostei

 

De Dário. Rúben Amorim apostou nele como titular, mas o jovem da nossa formação esteve muito longe de corresponder à confiança que o treinador nele depositou. Trapalhão, desposicionado, sem conseguir articular-se com os companheiros, não aproveitou esta oportunidade. Tem responsabilidade na perda de bola que conduziu ao golo do Vizela. Saiu aos 56', dando a sensação de que devia ter ficado no balneário logo ao intervalo.

 

De Paulinho. Chega ao fim do campeonato com cinco golos marcados, cifra medíocre para quem joga na posição dele e foi a contratação mais cara de sempre do Sporting. Ontem, mais do mesmo: falhou emendas, chegou tarde aos lances, cabeceou na direcção errada. Seria mais útil à equipa se aplicasse em golos metade da energia que vai desperdiçando em protestos inúteis durante os jogos.

 

De ver Ugarte no banco. Sinal inequívoco de que o internacional uruguaio, digno sucessor de Palhinha, está em vias de deixar o Sporting, supostamente a caminho do futebol inglês. Sentiu-se já a falta dele como tampão no nosso meio-campo, mesmo contra uma equipa como o Vizela, que não pressionou muito. É uma lacuna que se abre no onze titular leonino. Não será Dário a preenchê-la.

 

Da indisciplina. Começa a ser raro haver um jogo do Sporting sem forte sururu no terreno, com actos que não dignificam o futebol nem o nosso emblema. Ontem, mesmo já não havendo objectivos a cumprir excepto a obrigação de vencer, vários jogadores envolveram-se em picardias e gestos antidesportivos totalmente desnecessários. Pedro Gonçalves e Coates deviam ter visto cartões amarelos.

 

De ver vários nossos ex-jogadores com a camisola do Vizela. Bruno Wilson, Ivanildo, Tomás Silva: todos formados em Alcochete. O segundo teve a bondade de retribuir com o autogolo que nos valeu três pontos.

 

Do horário do jogo. Este Vizela-Sporting, parte do qual disputado debaixo de chuva, começou só às 21.15. Não admira que houvesse apenas 3309 espectadores nas bancadas. Inaceitável, termos jogado uma temporada inteira quase sempre a horas impróprias. Como se fôssemos um clube de vão de escada.

O dia seguinte

Jogo de fim de temporada, sem nada de relevante para disputar, vi alguma da primeira parte no João Rocha porque hoje mesmo ganhar ao FC Porto e chegar à final do campeonato de basquetebol era o mais importante, a segunda parte já em casa, um jogo muito mal jogado, nada agradável de ver.

Dum lado e doutro alguns jogadores estão de saída, uns não entraram, outros saíram mais cedo, o árbitro é o novo ladrão-proveta do Porto, com esta idade já pede meças ao Soares Dias, estava tudo montado para um fim de temporada amargo, mas um autogolo infeliz dum miúdo de Alcochete deu justiça ao resultado.

Se fôssemos avaliar o plantel pelo jogo de hoje em Vizela era caso para vender/emprestar/rescindir com todos menos o Gonçalo Inácio, que marcou o primeiro golo, por alguma coisa o Klopp o tem no radar, mas obviamente que não é esse o caso.

 

O Sporting completa assim uma segunda volta apenas com 1D e 3E, o último empate contra o Benfica já sabemos como foi, foram 42 pontos ganhos, que se tivessem equivalente na primeira volta nos levaria aos 84 pontos. Assim...

Assim chegámos ao fim da Liga num 4.º lugar que tem de deixar todos os Sportinguistas frustados, mas temos todos de tentar perceber as razões e não embarcar em narrativas da catástrofe completamente desfasadas da realidade. 

Vamos ter tempo agora para fazermos um balanço, o mercado ditará as suas leis e depois veremos com que plantel ficaremos para defrontar a nova época.

SL

Prognósticos antes do jogo

E pronto, vai terminar para nós o campeonato 2022/2023. Com o Vizela-Sporting, que se joga mais logo, a partir das 21.15. 

Na primeira volta, derrotámos tangencialmente a equipa minhota por 2-1, num jogo medíocre, com pouco mais de meia casa em Alvalade, graças a um penálti convertido aos 90'+5 por Pedro Porro, na última vez que marcou de verde e branco.

Na época passada fomos lá vencer 2-0, com golos de Pedro Gonçalves e Daniel Bragança.

Desta vez como será? Aguardo os vossos prognósticos.

Outra vitória arrancada a ferros

Sporting, 2 - Vizela, 1

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Porro acaba de marcar o golo da nossa vitória muito sofrida frente ao Vizela

Foto: António Pedro Santos / Lusa

 

Parece sina nossa esta época: fechamos a primeira volta do campeonato com outra exibição cheia de momentos a roçar a mediocridade, com jogadores que não cumprem os mínimos em campo. Frente a uma equipa com um orçamento incomparavelmente inferior ao nosso (já que agora a moda é comparar orçamentos), vimo-nos aflitos para marcar um golito, que só surgiu quando estava decorrida quase uma hora de jogo. Depois, como é costume, recuámos muito no terreno e deixámos a turma adversária crescer - e marcar. E lá voltou o carrossel dos aflitos, incluindo o capitão Coates em "comissão de serviço" lá na frente, tentando nos dez minutos finais conseguir aquilo que Paulinho foi incapaz de fazer.

Valeu-nos um penálti. Mais um, pelo segundo jogo consecutivo. Obtido já nessa fase do desespero, em que o mandamento táctico parecia ser "tudo lá na frente e seja o que Deus quiser". As orações foram escutadas: a grande penalidade caiu do céu ao minuto 90'+5. Mas concretizada de modo impecável, num pontapé bem terreno. Não por um avançado, mas por um defesa. O nosso lateral direito Pedro Porro, que podemos estar quase a perder para um emblema da Premier League.

Mais um, após Palhinha e Matheus Nunes. Parece sina também.

 

E no entanto até entrámos a pisar o acelerador, reagindo com eficácia à pressão alta que os vizelenses ousaram fazer naqueles minutos iniciais em Alvalade. Conseguimos esticar o jogo e colocar a bola lá na frente. O problema, para não variar, ocorreu na zona decisiva, a de finalização. Logo aos 5', Paulinho teve soberba oportunidade de abrir o marcador: fez tanta pontaria que acertou, isolado, na cabeça do guarda-rede.

Seguiu-se um festival de desperdício que pôs os nervos em franja nas bancadas de Alvalade, escassamente povoadas: apenas 23 mil espectadores na noite fria de anteontem - incluindo cerca de meio milhar de adeptos do Vizela. Jogo iniciado às 21.15 - horário absurdo para Inverno, mesmo sendo sexta-feira. Não admira que tenha sido o pior registo da temporada, até ao momento, em número de lugares preenchidos no nosso estádio.

 

Foi exasperante continuar a ver tanto golo desperdiçado naquela primeira parte que terminou com o resultado ainda em branco. Paulinho voltou a ter o golo nos pés ou na cabeça sem conseguir dar a melhor sequência à bola: ou mandava para fora ou lhe acertava tão de raspão que aquilo resultava em nada. Aos 20', 32' e 44'. Trincão seguia-lhe o exemplo, com um par de clamorosos falhanços aos 11' e aos 19'.

Ouviam-se os primeiros assobios. E não faltou quem gritasse «Joguem à bola!»

Rúben Amorim decidiu mexer mais cedo do que é costume. Deixou no balneário o inconsistente Edwards, que por vezes parece alheado do jogo, e mandou entrar Morita - regresso aplaudido após longa lesão na sequência do Mundial do Catar, onde esteve em evidência. O japonês deu estabilidade ao meio-campo, onde faz boa parceria com Ugarte. E permitiu libertar Pedro Gonçalves para o lugar onde mais rende: lá na frente.

Sem surpresa, voltou a ser o transmontano a desbloquear o jogo. Mostrando a Paulinho e a Trincão como se faz: recebido mais um centro milimétrico de Porro, meteu-a lá dentro ao primeiro toque, à ponta-de-lança. Estavam decorridos 59 minutos. Podia-se respirar enfim de alívio em Alvalade.

 

Mas não por muito tempo. Porque o segundo golo ia tardando. Paulinho, puxando a culatra atrás, ensaiou um golo artístico. Faltou-lhe apenas o essencial: a pontaria. Seria um grande golo, esse, aos 63'. Se entrasse. O problema é que a bola foi direita ao poste - e voltou a não entrar.

Percebemos que o problema é mesmo grave sempre que o treinador decide mandar sair Trincão. Tinha sucedido isso já aos 56', quando o minhoto deu lugar a Arthur, que mostrou mais acutilância e menos displicência. Substituição que só pecou por tardia: devia ter ocorrido logo ao  intervalo. 

Talvez também por instruções do treinador, a equipa foi cedendo terreno ao Vizela.

Estaríamos já a defender o magro 1-0 quando faltava jogar meia hora? Podia não ser, mas parecia.

 

Foi nesse contexto que surgiu o golo adversário. Com toda a linha defensiva a parar, quando a bola saiu dos pés de um vizelense e foi embater noutro vizelense após ter tabelado de modo fortuito no árbitro. Os nossos detiveram-se, reclamando bola ao solo, esquecendo-se que o jogo só pára quando se ouve o apito. Os adversários prosseguiram e ela lá foi anichar-se nas redes, com Adán batido à queima-roupa.

Instalava-se o nervosismo novamente, em doses reforçadas. Paulinho via amarelo por protestos, a frase «somos sempre roubados» ia sendo proferida nas bancadas. Até que, talvez para contrariar tal convicção de muitos adeptos, conseguimos um penálti mesmo ao cair do pano: um puxão ostensivo à camisola de Coates e um pontapé acima da cintura atingindo Paulinho na cabeça deram origem ao castigo máximo, sancionado pelo vídeo-árbitro.

Rui Costa apitou para a marca dos 11 metros, tal como Artur Soares Dias fizera no domingo anterior, no clássico da Luz.

 

E Porro voltou a ser herói. Foi ele a querer marcar, naquele instante decisivo. Foi ele a arrancar a ferros estes três pontos que nos permitem consolidar o quarto lugar, agora com o Casa Pia um pouco mais distante. Foi ele a tornar possível a nossa primeira vitória de 2023 - após derrota no Funchal e o empate na Luz. Foi ele a demonstrar ser um dos raros heróis leoninos desta triste primeira volta do campeonato.

Foi ele a festejar de modo tão exuberante, voltando-se para os adeptos enquanto levava a mão ao emblema, que fiquei com a convicção de que o teremos entre nós pelo menos até Maio. Que seja assim, desejamos todos. Do mal o menos.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Podia ter feito melhor no lance do golo? Podia. Mas o remate seco foi disparado tão perto que seria muito difícil travá-lo. De resto, atento e competente entre os postes.

Gonçalo Inácio - Foi um dos que pararam, reclamando bola ao solo, no lance do golo sofrido. Comportamento digno de uma defesa amadora, não profissional. Lamentável.

Coates - Também claudicou naquele momento decisivo, mas destacou-se em cortes e desarmes. Missão de sacrifício nos 10 minutos finais, como ponta-de-lança improvisado.

Matheus Reis - Destacou-se pela positiva num lance crucial: aos 59' foi lá à frente, como um extremo, e cruzou da esquerda para o centro, movimento crucial no nosso primeiro golo.

Porro - De longe o melhor em campo. Uma assistência (já soma onze) e um golo. Além de uma mão-cheia de cruzamentos que outros desperdiçaram. Impossível pedir-lhe mais.

Ugarte - Sólido no meio-campo, vital a estancar movimentos ofensivos do adversário, funcionou muito melhor com Morita do que com Pedro Gonçalves. Só lhe falta golo.

Nuno Santos - Foi pouco exuberante, algo discreto. Tentou a meia-distância aos 22': a bola rasou a barra. Excelente passe vertical aos 27'. Saiu por motivos tácticos aos 87'.

Pedro Gonçalves - É evidente que rende muito mais lá na frente, integrando o trio de avançados, do que no meio-campo. Marcou aos 59'. Isola-se como artilheiro da equipa.

Edwards - Marcou de forma displicente um canto aos 16', como se estivesse a jogar na praia. Falta-lhe intensidade na disputa da bola. Foi substituído ao intervalo, sem surpresa.

Trincão - Ouviu assobios ao falhar o segundo golo cantado, aos 19', optando por um passe ao guarda-redes. Já haviado falhado aos 11'. Saiu sem palmas nem glória aos 56'.

Paulinho - É bom a conquistar penáltis: voltou a acontecer aos 89'. Menos bom a marcar golos. Mandou uma bola ao poste, outra à cara do guarda-redes. Mais um jogo em branco.

Morita - Muito aplaudido, regressou aos 46' após mais de um mês afastado por lesão. Contribuiu para dar consistência ao meio-campo e maior eficácia na ligação ao ataque.

Arthur - Substituiu Trincão aos 56'. Menos apático e perdulário do que o minhoto, é ele a iniciar o nosso primeiro golo num passe a aproveitar bem a desmarcação de Matheus Reis.

Chermiti - Estreia em Alvalade, como jogador da equipa principal, substituiu Pedro Gonçalves aos 77'. Deu algum dinamismo à frente atacante. Parece promissor.

Tanlongo - Outra estreia, esta em absoluto de Leão ao peito. O reforço argentino rendeu Ugarte aos 77'. Parece ter bom toque de bola: passes acertados, denotando visão de jogo.

St. Juste - Substituiu Nuno Santos aos 87' para libertar Coates como avançado improvisado. Tempo insuficiente para mostrar o que vale ou o que não vale. 

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Da vitória arrancada a ferros. Derrotámos o Vizela (2-1) graças a um penálti convertido aos 90'+5. Após outro jogo muito sofrido e em grande parte medíocre do nosso lado, exasperando os escassos 23.358 adeptos que ali compareceram em noite fria de Inverno e em horário impróprio (apito inicial às 21.15). Primeiro triunfo em 2023 neste regresso a casa após uma derrota (com Marítimo) e um empate (com Benfica). E a pior assistência até agora registada nesta Liga em Alvalade.

 

De Porro. Outra vez o melhor em campo. É hoje, inegavelmente, o elemento com mais qualidade no plantel leonino. Transferi-lo neste mercado de Inverno será outra machadada no "projecto do Sporting", que implica exibir um futebol atractivo e eficaz para poder aceder a títulos e à injecção financeira que só eles proporcionam. Marcou de modo exemplar o penálti da vitória. Já tinha assistido no golo inicial e tentado ele próprio o golo num remate forte aos 45'+2. Fez vários cruzamentos irrepreensíveis mas quase todos desaproveitados. Soma agora 11 assistências no campeonato. O modo exuberante como festejou o golo, apontando para o emblema, indica que quer continuar em Alvalade.

 

De Pedro Gonçalves. Soma e segue: outro golo, desta vez em bola corrida. À ponta-de-lança, aos 59', dando a melhor sequência, em ângulo recto para a baliza, ao centro de Porro. Aos 20', serviu muito bem Paulinho num dos lances que o avançado-centro desperdiçou. O seu desempenho foi muito superior na segunda parte, quando Morita entrou para fazer parceria com Ugarte no meio-campo e o ex-Famalicão avançou no terreno: é ali que deve jogar sempre. Nos últimos quatro jogos, marcou em três.

 

Do regresso de Morita. O internacional japonês, que esteve mais de um mês lesionado após ter participado dignamente no Campeonato do Mundo, funciona como complemento ideal a Ugarte no meio-campo leonino. Fazendo a ligação ao ataque, enquanto o uruguaio resguarda a componente defensiva. Em campo durante toda a segunda parte. Cumpriu a missão. E permitiu libertar Pedro Gonçalves para o triângulo ofensivo, onde mais rende.

 

De Tanlongo. Estreia absoluta de Leão ao peito do jovem médio argentino, recém-chegado ao Sporting. Entrou aos 77', rendendo Ugarte, e mostrou boa atitude em campo - com visão de jogo e qualidade de passe. Parece ter maturidade superior aos seus 19 anos. E é um dextro entre vários canhotos, o que registo com agrado.

 

Da estreia de Chermiti em Alvalade. Tal como Tanlongo, entrou quando o resultado estava 1-1 e quase todos temíamos novo empate pelo segundo jogo consecutivo. O jovem açoriano da nossa formação substituiu Pedro Gonçalves aos 77', o que causou alguma estranheza entre os adeptos mas confirma que Rúben Amorim aposta mesmo nele, mesmo sem contrato renovado. Protagonizou uma exuberante recepção de cabeça (90'+9). No mesmo minuto viu um amarelo por falta táctica que se impunha quando o Vizela tentava a todo o custo o 2-2.

 

De ver três dos nossos sem cartão. Coates, Nuno Santos e Porro, que estão "tapados" com quatro amarelos, passaram incólumes, sem castigo. Podemos contar com eles para o próximo desafio - a meia-final da Taça da Liga, terça-feira, frente ao Arouca. 

 

Deste segundo penálti em dois jogos. Valeram-nos três pontos nestas duas jornadas. O que foi convertido no domingo contra o Benfica, permitindo o empate na Luz, e este que nos fez passar do empate à vitória no embate com a turma vizelense. 

 

Da homenagem a Meszaros antes do jogo. Minuto de silêncio em memória do histórico guarda-redes leonino transformado em merecida ovação nas bancadas.

 

 

Não gostei

 

Do resultado ao intervalo. O nulo inicial mantinha-se nesta partida contra o oitavo classificado da Liga 2022/2023. Consequência do eficaz sistema táctico adoptado pelo Vizela em Alvalade, numa inédita (para eles) formação com três centrais, e sobretudo do enorme desperdício dos nossos atacantes. Com destaque para Paulinho e Trincão, incapazes de a meter no fundo das redes. Edwards nem tentou.

 

Da extrema lentidão a partir dos 20' iniciais. Fracassadas as tentativas de marcar, decidimos "pausar o jogo", passando a "construir de trás" com a passividade do costume, já com assobios a escutarem-se nas bancadas. Como se apenas soubéssemos correr atrás do prejuízo. A rapidez só regressou após o intervalo - e acentuou-se, com mais nervos do que cabeça, a partir do golo do empate, aos 75'.

 

De Edwards e Trincão. Foi exasperante vê-los em campo. Edwards, só na primeira parte. O ex-Barcelona até ao minuto 56. Falta de intensidade, falta de energia anímica, falta de espírito competitivo - ao invés dos alas, Porro e Nuno Santos. O inglês marcou de forma displicente um canto, aos 16', entregando-a ao guarda-redes. O minhoto, bem colocado, transformou aos 19' um possível golo num passe ao guardião Buntic. Aos 54', após falhar um passe de forma caricata, ouviu ainda mais assobios e acabou por ir tomar duche mais cedo.

 

De Paulinho. Voltou a sacar um penálti. Mandou uma bola ao poste (63'). Mas é inacreditável a quantidade de golos que falha - como aquele, logo aos 5', em que apareceu isolado e conseguiu acertar com a bola... na cara do guarda-redes. Chega ao fim da primeira volta do campeonato, ontem cumprida para nós, com apenas dois golos marcados nesta prova máxima a nível nacional. Números inaceitáveis para um avançado-centro.

 

De Rui Costa. A bola bateu nele 10 segundos antes do golo vizelense. Devia ter interrompido o jogo e recomeçá-lo com bola ao solo, mas fez de conta que nada tinha acontecido. Estavam decorridos 75 minutos, o Vizela empatava graças à preciosa ajuda e este árbitro confirnava o que já sabíamos: está a mais nos relvados portugueses. Por ter ultrapassado o limite de idade e ter superado o patamar aceitável de competência.

 

Da nossa defesa. Parou toda, pregada ao chão, à espera que Rui Costa interrompesse o jogo no lance do golo sofrido. Atitude inaceitável: deviam ter continuado a disputar a bola. Assim não admira que o Sporting, quarto classificado no campeonato, tenha agora só a oitava melhor defesa, com 19 golos sofridos em 17 jogos. Até o Vizela está à nossa frente.

 

De ver Coates novamente como "ponta-de-lança" improvisado. Aconteceu nos minutos finais, após St. Juste ter entrado - aos 87', por troca com Nuno Santos. Por falta de alternativas no banco, volta a solução de recurso. Por sinal numa época em que o nosso capitão ainda não conseguiu marcar qualquer golo.

 

Da comparação. À 17.ª jornada, temos menos 12 pontos do que na mesma fase do campeonato anterior. Queda abrupta.

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