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És a nossa Fé!

2019 em balanço (8)

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VITÓRIA DO ANO: CONQUISTA DA TAÇA DE PORTUGAL

Às vezes é preferível assim. As nossas expectativas eram baixas, o que ampliou ainda mais a alegria que sentimos ao conquistarmos dois troféus inesperados. O primeiro logo a 26 de Janeiro, em Braga, numa suadíssima final frente ao FC Porto, em que o rival dispôs de mais 24 horas de descanso: quatro meses após ter sido eleito presidente, Frederico Varandas via o Sporting vencer a Taça da Liga pelo segundo ano consecutivo. E Marcel Keizer igualava a proeza de Jorge Jesus. Com golo marcado de grande penalidade por Bas Dost já no tempo extra, empatando a partida, sendo o título decidido por penáltis. Renan, que defendera três na meia-final contra o Braga, defendeu mais um contra o FCP: foi vital para conseguirmos o troféu.

A final da Taça maiúscula, no Jamor, viria a ser ainda mais emocionante. Foi a 25 de Maio, no mesmo cenário em que tínhamos perdido contra o modesto Aves um ano antes. Desta vez com uma sorte bem diferente. A vítima voltou a ser o FC Porto, treinado por um Sérgio Conceição com eterno mau perder. Com golos, do nosso lado, marcados por Bruno Fernandes (45') e Bas Dost (101'). Fomos novamente a penáltis - e de novo Renan se distinguiu ao defender um.

Aconteceu uma genuína e legítima explosão de alegria verde-e-branca nas vetustas bancadas do Estádio Nacional. Saudando os heróis que, sob o comando do técnico holandês, reeditaram a proeza de quatro anos antes, quando conquistámos a Taça contra o Braga com Marco Silva ao leme - novamente com o emocionante recurso a grandes penalidades, novamente com Sérgio Conceição no lugar da vítima.

Resta anotar o nome dos 15 jogadores que contribuíram para este dia mais empolgante do futebol leonino no irregular ano que agora terminou: Renan, Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Acuña, Gudelj, Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Diaby, Luiz Phellype, Ilori, Bas Dost, Idrissa e Jefferson.

Sete meses depois, seis já cá não estão.

 

 

Vitória do ano em 2012: meia-final da Liga Europa (19 de Abril)

Vitória do ano em 2013: 5-1 ao Arouca (18 de Agosto)

Vitória do ano em 2014: eliminação do FCP da Taça no Dragão (18 de Outubro)

Vitória do ano em 2015: conquista da Taça de Portugal (31 de Maio)

Vitória do ano em 2016: conquista do Campeonato da Europa (10 de Julho)

Vitória do ano em 2017: eliminação do Steaua de Bucareste (23 de Agosto)

Vitória do ano em 2018: goleada ao Qarabag (29 de Novembro)

Há (outra vez) dias assim...

Em que tudo corre bem, e mesmo quando algum percalço acontece, conseguimos dar a volta por cima.

Se já fomos para Portimão com poucas hipóteses de seguirmos em frente na Taça da Liga, menos ainda ficámos quando entrámos em campo sem ponta de lança, com o único que temos debilitado no banco, e ainda menos quando no final duma primeira parte onde o adversário foi superior e onde voltámos aos erros primários na saída a jogar, o árbitro nos reduziu por incompetência ou maldade a 10. 

Mas depois tivemos uma segunda parte (tirando o lance inicial que ia sentenciando o jogo) de garra, sofrimento e muito talento, verdadeiramente "à Sporting", e chegámos ao fim com uma vitória justissima selada por belos golos, de quatro dos reforços contratados já este ano.

Como o Gil Vicente nos fez o favor de ganhar em Vila de Conde, assim chegámos à fase final da Taça da Liga, com Porto, Braga e Guimarães, Benfica de fora. Estamos assim na luta para reeditar a conquista do ano passado.

E assim chegámos ao final do ano no terceiro lugar da Liga, com lugar assegurado na Final Four da Taça da Liga e na fase de eliminatórias da Liga Europa onde iremos defrontar uma equipa acessível, o Istambul BB. Enfim, é o tal copo meio cheio, que alguns persistem em ver vazio.

Diz o Record que o nosso presidente, revoltado com a expulsão, desceu da tribuna ao intervalo para confrontar o árbitro e intervir no balneário. Se foi assim, pois fez muito bem e já devia ter feito isso há mais tempo. A equipa tem que ter quem, com educação e competência, a defenda e se quem o devia fazer não faz porque não quer ou não sabe, então só lhe resta a ele fazer o trabalho.

Que Silas aproveite esta pausa para fazer um balanço do que tem sido o seu trabalho, que perceba duma vez por todas a importância de ter um onze estabilizado e rotinas de jogo consolidadas de forma a podermos enfrentar com sucesso os grandes desafios que se avizinham.

SL 

O momento determinante do jogo

O Sporting foi para o intervalo com uma confortável vantagem de três golos e o segundo tempo avizinhava-se um passeio no parque mas, aos quarenta e seis minutos, o PSV apareceu na área e criou a oportunidade para aquilo que podia ter sido o 3-1 e o princípio de quarenta e quatro minutos de nervos e coração nas mãos.

Felizmente houve Max. O jovem guarda-redes disse "presente" e defendeu o golo quase certo. Esta defesa manteve a equipa tranquila e ajudou a que a segunda parte fosse efectivamente mais fácil para o Sporting.

Os jogos são um somatório de momentos e neste momento Max foi determinante para a vitória folgada que se conseguiu.

Pontuação para a Europa

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Com a terceira vitória consecutiva na Liga Europa, frente ao Rosenberg na Noruega, o Sporting deu ontem um forte contributo para reforçar a pontuação de Portugal na classificação da UEFA por países.

Além da nossa equipa, só o Braga (vencendo também, no confronto em casa com o Besiktas) e o V. Guimarães (empatando com o Arsenal) proporcionaram pontos para o futebol português nesta ronda europeia.

Ao contrário do que aconteceu com Benfica e FC Porto, inapelavelmente derrotados. Por equipas que os catedráticos da bola, à partida, consideravam muito inferiores: o Lyon e o Glasgow Rangers.

Se são, não pareceram nada.

Uma vitória muito importante

Este jogo num campo gelado contra o mais fraco do Grupo é um daqueles jogos em que não vale a pena discutir como, o que importa mesmo é ganhar. E o Sporting ganhou por 2-0 e ainda mais importante se tornou essa vitória com o resultado registado em Linz.

Parabéns então a Silas, e a todos que estiveram lá dentro mas muito particularmente a Renan, Neto, Coates e Bruno Fernandes.

Dói a alma abrir o jornal e ler sobre os desejos da "estrutura" vender Coates, Acuña e Wendel se calhar para conseguir comprar mais uns Rosiers, Iloris, Borjas, Eduardos e Camachos (foram mais de 20 M€ ...). É que dói mesmo.

A estupidez tem limites, não tem, Hugo Viana ? 

SL

Balanço da jornada europeia

 

Benfica derrotado pelo Zenit na Rússia (3-1) . Perdeu 12 dos 15 últimos jogos que disputou na Liga dos Campeões.

 

FC Porto sai derrotado do confronto com o Feyenoord (2-0), em Roterdão.

 

Vitória incapaz de superar o Eintracht (0-1), em Guimarães: segunda derrota consecutiva na Liga Europa.

 

Braga desperdiça vantagem, empatando em casa com o Slovan Bratislava (2-2).

 

Sporting atenua este balanço negro das equipas portuguesas com vitória por 2-1, em Alvalade, contra o Lask Linz. No confronto com a Rússia para a definição das hierarquias na tabela da UEFA, acabámos por levar a melhor: a única turma russa que ganhou pontos foi o Zenit, ao bater o Benfica.

 

À terceira foi de vez

À primeira todos caem.

O primeiro jogo disputado entre Sporting e Braga, à segunda jornada, foi em 1958, o Braga venceu por 4-3.

À segunda só cai quem quer.

O segundo jogo entre Sporting e Braga, à segunda jornada, foi em 2009, o Braga venceu por 2-1.

Era esta a nossa história de jogos disputados com o Braga, à segunda jornada, dois jogos duas derrotas.

Ontem estivemos a vencer quase desde o início do jogo, excelente futebol a toda a largura do terreno, com trocas de posição na frente, uma estratégia de compensações defensivas que permitiu que algumas vezes os nossos centrais aparecessem em situações de finalização.

Um lateral direito da formação que não perdeu um único duelo.

Enfim, como escrevi atrás, vínhamos de duas derrotas com o Braga, isso não afectou a mentalidade vencedora tanto do treinador como dos jogadores.

Estamos então felizes após a vitória?

Não.

A acreditar em algumas pessoas que escrevem neste "blog" a solução é despedir o treinador e demitir o presidente.

Até quando?

Mérito, talento e competência

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É o seleccionador nacional que já orientou a equipa das quinas em mais jogos do que qualquer outro antes dele.

Há três anos, em França, levou Portugal a uma conquista histórica: o Campeonato da Europa em futebol. Somos, ainda hoje, campeões em título.

Ontem, no Porto, venceu a segunda final europeia. Desta vez levando a nossa selecção a conquistar a Liga das Nações, prova que se realizou pela primeira vez - e em palco nacional, o que muito nos lisonjeia.

Não só vencemos: também convencemos. Cumprimos sem derrotas a campanha de qualificação no nosso grupo. Agora, na fase final, vencemos a Suíça (por 3-1) e a Holanda (por 1-0). Com três golos de Cristiano Ronaldo e um de Gonçalo Guedes.

Apesar destas evidências, ainda há muitos portugueses que se recusam a reconhecer mérito, talento e competência a Fernando Santos. Dizem que vence com sorte, recorre a esquemas hiper-defensivos, sem dar espectáculo. São os mesmos que gritam por Messi à passagem de Ronaldo ou que dão vivas a Guardiola quando avistam Mourinho. Isto deriva do típico masoquismo nacional: idolatramos compatriotas que perdem por sistema e detestamos aqueles que regressam a casa com títulos e troféus.

Recomendo aos detractores de Fernando Santos que neste Dia de Portugal revejam com calma e paciência a final de ontem no Dragão, em que dominámos a selecção holandesa, uma das melhores da Europa. E pergunto-lhes se depois disso ainda serão capazes de negar atributos ao engenheiro que conduziu a selecção à melhor etapa da sua história.

A festa foi de arromba, ficámos felizes !!! Mas... Queremos mais, muito mais !!!

Ontem com a cerimónia na CML fechou-se a melhor época desde há muitos anos do futebol do Clube em termos de títulos conquistados, mas não chega para nós Sportinguistas, queremos mais, muito mais. Não nos conformamos em ser o terceiro clube português, queremos ganhar a Liga, queremos andar na Champions.

Para lá chegarmos temos de produzir mais e melhor que este ano, e para isso precisamos também duma estrutura financeira que não temos. E de investir com cabeça.

Mas temos alguma coisa:

1. Uma estrutura de futebol coesa e competente, desde o treinador ao roupeiro, passando pela área médica e de performance desportiva. Vimos isso na final da Taça, uma equipa que aguentou 120 minutos a correr e a lutar e a ganhar nos penaltis. Com o "velhinho" Mathieu a encostar Marega às cordas, a sprintar no prolongamento e a fuzilar no penálti.

2. Alguns (muito poucos) jogadores de classe extra: Bruno Fernandes, Mathieu, Coates, Acuña e Bas Dost, que não podem mesmo sair, ou melhor, só podem sair em condições irrecusáveis. Saindo Bruno Fernandes, que venham dois ou três iguais ou melhores que estes.

3. Outros (poucos) jogadores que vão entrar no 2.º/3.º ano de clube e que poderão render muito mais do que renderam este ano: Renan, Borja, Doumbia, Wendel, Gudelj, Luiz Phellype, Raphinha.

4. Outros (poucos) jogadores da formação, sub-23/24, já com alguma rodagem nos seniores, que poderão ser mais valias importantes para o plantel: Miguel Luís, Jovane, Mama Baldé, Ivanildo, Matheus Pereira, Gelson Dala, Plata (foi uma formação de dois meses...) e, porque não, aqueles que estão a passar ao lado duma grande carreira: Francisco Geraldes e Ryan Gauld.

Mas o que também temos é um conjunto de jogadores sem as condições necessárias para este novo desafio, que fracassaram ou que não conseguem manter o rendimento de outrora, pela idade, lesões ou outra coisa qualquer: Salin, Bruno Gaspar, André Pinto, Petrovic e Jefferson, além dos emprestados como Viviano, Lumor e Misic, sendo que Ristovski, Diaby e Ilori acumularam más exibições e duvido que consigam lá chegar. Battaglia é uma incógnita, depois da lesão grave que teve, análoga à do promissor Paz. Alan Ruiz parece que fundiu o fusível, tinha todas as condições para estar no conjunto dos craques. E na equipa sub-23 o único jogador que vejo com rendimento de 1.ª Liga é Pedro Mendes. Tudo o resto muito verdinho.

Quanto a aquisições, Neto, Vietto e Eduardo (?) vêm enriquecer o plantel, mas não parece que venham fazer a diferença.

Saindo Bruno Fernandes e só Bruno Fernandes, olhando para o que existe, quem é que iria procurar no mercado ?

  1. Um defesa direito sólido, eficiente, que feche bem por dentro, e com muito boa capacidade de centro/remate. Coisa que não temos há muitos, muitos anos. Assim um Alex Telles de pé direito. 
  2. Um distribuidor de jogo com chegada à área e marcador de golos. Assim um novo Bruno Fernandes.
  3. Um avançado dextro que saiba descair para a ala, peitudo e rompedor, com bom jogo de cabeça, tipo Slimani. Mais um marcador de golos.
  4. Um guarda-redes para lutar com Renan pela titularidade e libertar Max para ir rodar noutro clube. Cláudio Ramos, do Tondela?

Não vale a pena comprar por comprar, ou trazer alguém que venha estragar o bom ambiente e a dinâmica de vitória que se regista. Por isso, da Argentina, da Argélia ou doutro sítio qualquer, que venham jogadores com espírito de equipa, com cabeça, com raça, ambiciosos e determinados. Que venham leões. 

Esqueci-me de alguém? Que vos parece? 

SL

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça de Portugal no termo de uma partida épica, que jamais esqueceremos. Uma das finais mais esforçadas, uma das mais sofridas, uma das mais saborosas. Uma final em que soubemos fazer das fraquezas força, tendo alinhado de início sem nenhum lateral titular e com um banco de suplentes onde era notória a debilidade do plantel leonino. Marcel Keizer merece os nossos parabéns: soube interpretar muito bem estes pontos fracos e adaptá-los ao desígnio estratégico da equipa neste embate contra o FC Porto, fazendo diversas modificações tácticas no decurso da partida. Assim, tivemos uma defesa a quatro e depois uma defesa a três. Chegámos a jogar com dois pontas-de-lança. Jefferson entrou para ponta esquerda. Raphinha andou num vaivém, protegendo a manobra defensiva no seu corredor. Bruno Fernandes foi muito mais formiga do que cigarra, sacrificando o brilho individual em favor do esforço colectivo. Este é o Sporting de que eu mais gosto: o Sporting obreiro, o Sporting que sua, que sofre, que aguenta os embates. O Sporting que vence.

 

Gostei da condição anímica dos nossos jogadores, que foram capazes de superar o profundo trauma ocorrido um ano antes no Estádio Nacional, numa derrota frente ao Aves escassos dias após o assalto da jagunçada a Alcochete. Esta força mental bastou para compensar algumas insuficiências no plano físico, possibilitando que no mesmo palco do Jamor desta vez saíssemos vencedores. E logo frente ao fortíssimo onze portista, cheio de craques (vários deles preparam-se para rumar a Madrid, onde jogarão no Real e no Atlético). Destaco aqueles que para mim foram os maiores heróis desta conquista: desde logo esse gigante que se chama Mathieu, o melhor em campo: intransponível frente às vagas ofensivas da equipa adversária, lideradas por Marega. Mas realço também Renan, que por quatro vezes impediu o golo e ainda defendeu uma grande penalidade no fim. E Coates, que fez uma parceria irrepreensível com Mathieu. E ainda Bas Dost, inicialmente relegado para o banco de suplentes mas que entrou com ganas redobradas, marcando um golo que se revelaria decisivo. E Luiz Phellype, sem vacilar na hora de marcar o penálti que ditou o vencedor da Taça. E o nosso capitão Bruno Fernandes, que em boa hora Sousa Cintra recuperou para o plantel. Eles e os colegas estão todos de parabéns. 

 

Gostei pouco do estado do relvado. Há anos que se fala na má qualidade do tapete verde do Jamor. Tive esperança de que a Federação Portuguesa de Futebol corrigisse o erro a tempo de proporcionar condições aos jogadores para um bom espectáculo. Infelizmente, não foi assim: aquele "ervado" parecia ter sido invadido por toupeiras. Algo que considero inadmissível.

 

Não gostei da actuação do árbitro Jorge Sousa. Mas pior esteve o vídeo-árbitro Rui Costa, que devia ter analisado com atenção as imagens ao seu dispor na Cidade do Futebol, vendo Herrera ajeitar a bola com o braço direito no lance da marcação do primeiro golo portista. Um erro de palmatória, aliás denunciado por diversos especialistas de arbitragem (Duarte Gomes, Jorge Faustino, Jorge Coroado). 

 

Não gostei nada da reacção grosseira de Sérgio Conceição: o treinador do FCP voltou a revelar-se incapaz de aceitar a derrota com dignidade e galhardia. A recusa de cumprimentar o presidente do Sporting, na tribuna de honra do Estádio Nacional, foi o pior exemplo que podia dar a milhares de jovens que acompanhavam as imagens no estádio e pela televisão. O desporto nada tem a ver com isto. Pelo contrário: Sérgio Conceição, com estas atitudes reprováveis, acaba de cometer mais um acto de lesa-desporto. Não pode ter atenuantes pois está longe de ser o primeiro do género que protagoniza. Muito longe.

O nosso Sporting está de volta

Ontem no Jamor e depois em Alvalade vimos aquele Sporting que amamos e que seguimos para todo o lado. Vimos um Sporting de gente boa e de boa gente, vimos um Sporting de bancadas cheias de famílias e amigos, vimos um Sporting a sofrer, vimos um Sporting a lutar, vimos um Sporting a vencer. Vimos muita gente à beira dum ataque cardíaco, vimos muita gente a chorar. A começar pelo presidente.

Vimos também as claques reduzidas a quase nada, órfãs das traficâncias de bilhetes e doutras substâncias, alguns órfãos dum líder agora preso, vimos um pano a relembrar aquele infeliz que aparentemente liderou o ataque terrorista a Alcochete e que agora enfrenta problemas graves de saúde. As mesmas claques que afastam os adeptos e sócios nos jogos fora de casa, forçando-os ao mesmo vergonhoso tratamento que as autoridades reservam aos desordeiros. Parece que essas claques depois em Alvalade resolveram extravasar a frustação de ver as bancadas cheias a festejar com os atletas e "festejaram" elas também com a polícia de choque. 

Soubemos também que os ex-capitães Rui Patrício e Adrien estiveram no Jamor, e que Nani e Montero, bem longe, sofreram pela vitória. O meu muito obrigado para eles.

De Bruno de Carvalho e dos seus próximos não ouvimos nada, e ainda bem. Excepto de Elsa Judas, que ficou extasiada com Sérgio Conceição. Toda aquela labreguice encantou-a, pelos vistos ficou a ser a sua nova paixão.

Não se trata aqui de ser ingrato a quem ao longo dos anos trabalhou e se esforçou pelo Sporting. Tudo o que se fez de bom tem de ser reconhecido. Trata-se de reconhecer que a deriva totalitária e afastada dos princípios do clube foi derrotada, o rombo na SAD foi ultrapassado e o nosso Sporting está de volta.

De volta aos bons princípios. De volta a ganhar no estádio e no pavilhão. De volta a ser um grande do desporto em Portugal. Que merece ser reconhecido como tal e não ser tratado como parente menor pelos diversos poderes instalados.

 

PS: A época terminou com uma grande vitória do Sporting. Estive no Jamor. Vi quase todos os jogos em Alvalade. Fora estive presente em Tondela, Setúbal, Chaves, Vila da Feira, Jamor-Belenenses e Porto-Dragão. Também em Londres (Arsenal). Como eu muitos sócios e adeptos espalhados pelo mundo acompanharam o clube aqui e ali. Para o ano, uma nova época. Outros jogos, outras oportunidades para acompanhar o Sporting, assim haja saúde, outras vitórias para vivenciar e outras memórias para guardar.

Porque o Sporting, para mim e muitos outros, é isto mesmo. Ganhando ou perdendo, uma paixão incontrolável. 

Para todos os Sportinguistas, festejar e muito agora. E desejar uma grande, grande,  nova época!!!

SL

Notas sobre o jogo e o pós-jogo

 

  1. Impressionante a arbitragem a tratar o Sporting como “equipa pequena”, amarelando logo, depressa e muito os nossos jogadores como se os do Porto fossem “artistas” que é necessário proteger.
  2. Bizarro e inexplicável como o lance de Herrera (bola dominada com braço) não foi a VAR ou o VAR não zumbiu ao ouvido do árbitro. Não percebo nada de VAR, mas se não é usado num lance explícito e claro como este então é para quê?
  3. Substituições e armação de jogo final de Conceição (com muito melhor banco que o nosso) foi de amador e perdeu a final com isso. E no entanto, todos os tudólogos bem pagos da bola e “escribas” dos desportivos que ouvi e li passaram à margem, temendo certamente represália do nervosinho treinador perdedor e do sistema que o envolve.
  4. Próprio de uma criança mimada, o anti-desportivismo do treinador do Porto. Podemos dar as voltas que quisermos, mas há crianças e jovens a ver aqueles momentos em direto nas televisões, cuja personalidade, comportamentos e sistema de valores se está a formar. Vão achar legítimo que numa circunstância oficial e solene, de cumprimentos entre vencedores e vencidos, se possa ser birrento e infantil. Ora não se pode, não se deve,
  5. O tuguismo ainda mais infantil e degradante de justificar o ato do mau perdedor dá-me vontade de vomitar e confirma-me que Portugal nunca irá a lado nenhum. Um país onde a decência é relativa é um país mesquinho, pequenino, que pretende continuar assim.
  6. Continuamos a ser uma nação feita de regras arbitrárias que ora são para aplicar, ora não são, protegida pela sorte, pela posição geográfica, pelo ouro do Brasil e agora pela Óropa, para quem um comportamento adulto, responsável, assente em conceitos como a honra, a hombridade, o respeito e o fairplay são somente denotadores de ingenuidade.
  7. O assobiar para o lado do nosso football system, de dirigentes, assessores, comentadeiros, jornaleiros, exércitos de funcionários e apensos da FPF e da Liga, políticos e demais basbaques que vivem à custa da bola, demonstra que as unanimidades oportunistas e sonsas dos corporativos que viviam na esplanada da União Nacional do Estado Novo persistem.
  8. É evidente que o fulano que treina o Porto deveria ser censurado publicamente e castigado ou multado severamente.
  9. Também me é evidente que jamais acontecerá.

Os heróis da Taça

Há um ano, numa das piores fases de sempre da história do Sporting, chorávamos a perda da Taça de Portugal frente ao Aves.

Hoje, no mesmo local, comemoramos a conquista da Taça de Portugal frente ao FC Porto.

E entre nós, se há lágrimas, é só de alegria. Que diferença...

 

Os jogadores merecem estes risos e estas lágrimas. Eles são os heróis do Jamor. Todos, sem excepção. 

Aqui ficam, para registo futuro, os nomes dos 15 que defrontaram a turma portista: Renan, Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Acuña, Gudelj, Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Diaby, Luiz Phellype, Ilori, Bas Dost, Idrissa e Jefferson.

Os nossos golos em bola corrida foram marcados por Bruno Fernandes (45') e Bas Dost (101'). No desempate por grandes penalidades após o prolongamento, quatro foram convertidas pelo nosso lado. Por Bruno, Mathieu, Raphinha, Coates e Luiz Phellype. Renan defendeu uma.

 

Nós, adeptos, também merecemos este dia de celebração e júbilo.

Foder os lampiões?

A rivalidade é estruturante dos clubes desportivos. Talvez não tanto dos clubes formativos, como o Ginásio Clube Português ou o Algés e Dafundo, ou dos antigos clubes-empresa, como os saudosos Riopele ou CUF (onde brilhou o nosso grande Manel Fernandes). Mas nos outros clubes as formas de congregação e mobilização são sempre fruto da mescla entre as capacidades de exercício demonstradas (as "vitórias") e as de afirmação face a "outros", tornados adversários preferenciais. Uns "outros" escolhidos por critérios geográficos - a aldeia ao lado, o vizinho (Varzim-Rio Ave), a recusa dos centralistas (Vizela vs Guimarães), o histórico oponente (Braga-Guimarães, o arcebispado vs o berço da nação), o lado de lá do rio (S.L. Olivais vs Alcochetense), bairros urbanos contíguos (Atlético-Oriental, mas aqui forço um pouco pois a rivalidade não era tão marcante) os pólos dominantes (Porto vs Lisboa), etc. - ou histórico-sociais (Benfica popular vs Sporting burguês ou Belenenses "classe média" e o Atlético operário, mesmo que essas fossem construções algo míticas mas que tinham o efeito de nelas se acreditar). Num país homogéneo como Portugal não surgem clubes "nacionais", representando "comunidades político-culturais", "étnico-religiosas" (como a ex-Liga Muçulmana de Moçambique, as origens do Tottenham ou o actual Barcelona).

Arengo para reforçar, as rivalidades são constitutivas dos clubes, principalmente dos que se centram em desportos colectivos. Não há qualquer mal nisso. O mal está no estado de boçalismo a que essas dinâmicas opositivas podem conduzir, de "incultura", de "incivilidade". Um boçalismo que é induzido pelas direcções dos clubes, pelas autoridades político-administrativas que a estes tutelam, pois uma massa adepta boçal e energúmena é mais dócil face aos poderes, mais rastejante face à qualquer cenoura que se lhe acene. E que na actualidade também o é pela imprensa, por razões parcialmente mercantis (ânimos exaltados aumentam os lucros) mas também pelo baixo nível da mescla de jornalistas e comentadores que a habita, eles-próprios frutos desta ... educação.

O Sporting é um enorme clube europeu, eclético como quase nenhum, com um precioso rol de títulos continentais, e de atletas com títulos mundiais e olímpicos. Um rol que continua a enriquecer-se, e de que forma, nesta era de tão diferente economia desportiva. Ganha agora mais um título europeu. E os adeptos, em euforia, juntam-se para celebrar e são conduzidos pelo clube (pela organização do evento) a cantar "De  manhã começa o dia a foder os lampiões ...". É um sinal de pequenez atroz, de nanismo clubístico, e também, e acima de tudo, de um culto da imundície. Mas é também a violação dos estatutos do clube (que explicitam a expulsão de quem ofenda a moral pública) e do seu enquadramento institucional - o clube é uma instituição de utilidade pública, com benefícios por isso, devido a ser considerado uma associação de intuitos formativos, educacionais. No javardismo actual, do vale tudo para ganhar, isso está esquecido, até pelo Estado - mais interessado em cobrar impostos e sacar votos.

E num clube que há um ano passou a maior crise da sua história devido às liberdades dadas à sua ralé interna é inacreditável que nada se tenha aprendido, que se continue a acarinhar este tipo de mentalidade, a acoitar (e até a contratar, como "animador" de actividades, como "excitador" das massas) gente desta.  A visão de uma mole de adeptos sportinguistas a comemorar uma grande vitória europeia gritando "a foder os lampiões" é a maior derrota que já vivi no clube. Jogadores campeões no palco, com os filhos no braços, a ulular "de manhã começa o dia a foder os lampiões" é tétrico, vergonhoso, patético.

Mas o pior de tudo é o silêncio da direcção. Que nem de uma forma suave, pedagógica, mesmo que humorística tipo num "não havia necessidade" a la Herman José, surge a afastar-se deste tipo de mentalidade, de expressão, a convidar, até a convocar, os sportinguistas a outro tipo de mentalidade, de visão do mundo. E não o faz porque a direcção ... é isto. É constituída por gente educada, doutores, alguns com apelidos compósitos até conhecidos, e vestem os fatos daquele azul-mais-que-Carris típicos da elite administrativa portuguesa. Por isso tudo, por essa "elevação" social, dirão ao levantar-se "de manhã começa o dia ... a fornicar os lampiões".

Estamos fodidos. Não exactamente os sportinguistas. Não os tais lampiões. Mas a gente. Que sofre este país.

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