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És a nossa Fé!

À terceira foi de vez

À primeira todos caem.

O primeiro jogo disputado entre Sporting e Braga, à segunda jornada, foi em 1958, o Braga venceu por 4-3.

À segunda só cai quem quer.

O segundo jogo entre Sporting e Braga, à segunda jornada, foi em 2009, o Braga venceu por 2-1.

Era esta a nossa história de jogos disputados com o Braga, à segunda jornada, dois jogos duas derrotas.

Ontem estivemos a vencer quase desde o início do jogo, excelente futebol a toda a largura do terreno, com trocas de posição na frente, uma estratégia de compensações defensivas que permitiu que algumas vezes os nossos centrais aparecessem em situações de finalização.

Um lateral direito da formação que não perdeu um único duelo.

Enfim, como escrevi atrás, vínhamos de duas derrotas com o Braga, isso não afectou a mentalidade vencedora tanto do treinador como dos jogadores.

Estamos então felizes após a vitória?

Não.

A acreditar em algumas pessoas que escrevem neste "blog" a solução é despedir o treinador e demitir o presidente.

Até quando?

Mérito, talento e competência

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É o seleccionador nacional que já orientou a equipa das quinas em mais jogos do que qualquer outro antes dele.

Há três anos, em França, levou Portugal a uma conquista histórica: o Campeonato da Europa em futebol. Somos, ainda hoje, campeões em título.

Ontem, no Porto, venceu a segunda final europeia. Desta vez levando a nossa selecção a conquistar a Liga das Nações, prova que se realizou pela primeira vez - e em palco nacional, o que muito nos lisonjeia.

Não só vencemos: também convencemos. Cumprimos sem derrotas a campanha de qualificação no nosso grupo. Agora, na fase final, vencemos a Suíça (por 3-1) e a Holanda (por 1-0). Com três golos de Cristiano Ronaldo e um de Gonçalo Guedes.

Apesar destas evidências, ainda há muitos portugueses que se recusam a reconhecer mérito, talento e competência a Fernando Santos. Dizem que vence com sorte, recorre a esquemas hiper-defensivos, sem dar espectáculo. São os mesmos que gritam por Messi à passagem de Ronaldo ou que dão vivas a Guardiola quando avistam Mourinho. Isto deriva do típico masoquismo nacional: idolatramos compatriotas que perdem por sistema e detestamos aqueles que regressam a casa com títulos e troféus.

Recomendo aos detractores de Fernando Santos que neste Dia de Portugal revejam com calma e paciência a final de ontem no Dragão, em que dominámos a selecção holandesa, uma das melhores da Europa. E pergunto-lhes se depois disso ainda serão capazes de negar atributos ao engenheiro que conduziu a selecção à melhor etapa da sua história.

A festa foi de arromba, ficámos felizes !!! Mas... Queremos mais, muito mais !!!

Ontem com a cerimónia na CML fechou-se a melhor época desde há muitos anos do futebol do Clube em termos de títulos conquistados, mas não chega para nós Sportinguistas, queremos mais, muito mais. Não nos conformamos em ser o terceiro clube português, queremos ganhar a Liga, queremos andar na Champions.

Para lá chegarmos temos de produzir mais e melhor que este ano, e para isso precisamos também duma estrutura financeira que não temos. E de investir com cabeça.

Mas temos alguma coisa:

1. Uma estrutura de futebol coesa e competente, desde o treinador ao roupeiro, passando pela área médica e de performance desportiva. Vimos isso na final da Taça, uma equipa que aguentou 120 minutos a correr e a lutar e a ganhar nos penaltis. Com o "velhinho" Mathieu a encostar Marega às cordas, a sprintar no prolongamento e a fuzilar no penálti.

2. Alguns (muito poucos) jogadores de classe extra: Bruno Fernandes, Mathieu, Coates, Acuña e Bas Dost, que não podem mesmo sair, ou melhor, só podem sair em condições irrecusáveis. Saindo Bruno Fernandes, que venham dois ou três iguais ou melhores que estes.

3. Outros (poucos) jogadores que vão entrar no 2.º/3.º ano de clube e que poderão render muito mais do que renderam este ano: Renan, Borja, Doumbia, Wendel, Gudelj, Luiz Phellype, Raphinha.

4. Outros (poucos) jogadores da formação, sub-23/24, já com alguma rodagem nos seniores, que poderão ser mais valias importantes para o plantel: Miguel Luís, Jovane, Mama Baldé, Ivanildo, Matheus Pereira, Gelson Dala, Plata (foi uma formação de dois meses...) e, porque não, aqueles que estão a passar ao lado duma grande carreira: Francisco Geraldes e Ryan Gauld.

Mas o que também temos é um conjunto de jogadores sem as condições necessárias para este novo desafio, que fracassaram ou que não conseguem manter o rendimento de outrora, pela idade, lesões ou outra coisa qualquer: Salin, Bruno Gaspar, André Pinto, Petrovic e Jefferson, além dos emprestados como Viviano, Lumor e Misic, sendo que Ristovski, Diaby e Ilori acumularam más exibições e duvido que consigam lá chegar. Battaglia é uma incógnita, depois da lesão grave que teve, análoga à do promissor Paz. Alan Ruiz parece que fundiu o fusível, tinha todas as condições para estar no conjunto dos craques. E na equipa sub-23 o único jogador que vejo com rendimento de 1.ª Liga é Pedro Mendes. Tudo o resto muito verdinho.

Quanto a aquisições, Neto, Vietto e Eduardo (?) vêm enriquecer o plantel, mas não parece que venham fazer a diferença.

Saindo Bruno Fernandes e só Bruno Fernandes, olhando para o que existe, quem é que iria procurar no mercado ?

  1. Um defesa direito sólido, eficiente, que feche bem por dentro, e com muito boa capacidade de centro/remate. Coisa que não temos há muitos, muitos anos. Assim um Alex Telles de pé direito. 
  2. Um distribuidor de jogo com chegada à área e marcador de golos. Assim um novo Bruno Fernandes.
  3. Um avançado dextro que saiba descair para a ala, peitudo e rompedor, com bom jogo de cabeça, tipo Slimani. Mais um marcador de golos.
  4. Um guarda-redes para lutar com Renan pela titularidade e libertar Max para ir rodar noutro clube. Cláudio Ramos, do Tondela?

Não vale a pena comprar por comprar, ou trazer alguém que venha estragar o bom ambiente e a dinâmica de vitória que se regista. Por isso, da Argentina, da Argélia ou doutro sítio qualquer, que venham jogadores com espírito de equipa, com cabeça, com raça, ambiciosos e determinados. Que venham leões. 

Esqueci-me de alguém? Que vos parece? 

SL

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça de Portugal no termo de uma partida épica, que jamais esqueceremos. Uma das finais mais esforçadas, uma das mais sofridas, uma das mais saborosas. Uma final em que soubemos fazer das fraquezas força, tendo alinhado de início sem nenhum lateral titular e com um banco de suplentes onde era notória a debilidade do plantel leonino. Marcel Keizer merece os nossos parabéns: soube interpretar muito bem estes pontos fracos e adaptá-los ao desígnio estratégico da equipa neste embate contra o FC Porto, fazendo diversas modificações tácticas no decurso da partida. Assim, tivemos uma defesa a quatro e depois uma defesa a três. Chegámos a jogar com dois pontas-de-lança. Jefferson entrou para ponta esquerda. Raphinha andou num vaivém, protegendo a manobra defensiva no seu corredor. Bruno Fernandes foi muito mais formiga do que cigarra, sacrificando o brilho individual em favor do esforço colectivo. Este é o Sporting de que eu mais gosto: o Sporting obreiro, o Sporting que sua, que sofre, que aguenta os embates. O Sporting que vence.

 

Gostei da condição anímica dos nossos jogadores, que foram capazes de superar o profundo trauma ocorrido um ano antes no Estádio Nacional, numa derrota frente ao Aves escassos dias após o assalto da jagunçada a Alcochete. Esta força mental bastou para compensar algumas insuficiências no plano físico, possibilitando que no mesmo palco do Jamor desta vez saíssemos vencedores. E logo frente ao fortíssimo onze portista, cheio de craques (vários deles preparam-se para rumar a Madrid, onde jogarão no Real e no Atlético). Destaco aqueles que para mim foram os maiores heróis desta conquista: desde logo esse gigante que se chama Mathieu, o melhor em campo: intransponível frente às vagas ofensivas da equipa adversária, lideradas por Marega. Mas realço também Renan, que por quatro vezes impediu o golo e ainda defendeu uma grande penalidade no fim. E Coates, que fez uma parceria irrepreensível com Mathieu. E ainda Bas Dost, inicialmente relegado para o banco de suplentes mas que entrou com ganas redobradas, marcando um golo que se revelaria decisivo. E Luiz Phellype, sem vacilar na hora de marcar o penálti que ditou o vencedor da Taça. E o nosso capitão Bruno Fernandes, que em boa hora Sousa Cintra recuperou para o plantel. Eles e os colegas estão todos de parabéns. 

 

Gostei pouco do estado do relvado. Há anos que se fala na má qualidade do tapete verde do Jamor. Tive esperança de que a Federação Portuguesa de Futebol corrigisse o erro a tempo de proporcionar condições aos jogadores para um bom espectáculo. Infelizmente, não foi assim: aquele "ervado" parecia ter sido invadido por toupeiras. Algo que considero inadmissível.

 

Não gostei da actuação do árbitro Jorge Sousa. Mas pior esteve o vídeo-árbitro Rui Costa, que devia ter analisado com atenção as imagens ao seu dispor na Cidade do Futebol, vendo Herrera ajeitar a bola com o braço direito no lance da marcação do primeiro golo portista. Um erro de palmatória, aliás denunciado por diversos especialistas de arbitragem (Duarte Gomes, Jorge Faustino, Jorge Coroado). 

 

Não gostei nada da reacção grosseira de Sérgio Conceição: o treinador do FCP voltou a revelar-se incapaz de aceitar a derrota com dignidade e galhardia. A recusa de cumprimentar o presidente do Sporting, na tribuna de honra do Estádio Nacional, foi o pior exemplo que podia dar a milhares de jovens que acompanhavam as imagens no estádio e pela televisão. O desporto nada tem a ver com isto. Pelo contrário: Sérgio Conceição, com estas atitudes reprováveis, acaba de cometer mais um acto de lesa-desporto. Não pode ter atenuantes pois está longe de ser o primeiro do género que protagoniza. Muito longe.

O nosso Sporting está de volta

Ontem no Jamor e depois em Alvalade vimos aquele Sporting que amamos e que seguimos para todo o lado. Vimos um Sporting de gente boa e de boa gente, vimos um Sporting de bancadas cheias de famílias e amigos, vimos um Sporting a sofrer, vimos um Sporting a lutar, vimos um Sporting a vencer. Vimos muita gente à beira dum ataque cardíaco, vimos muita gente a chorar. A começar pelo presidente.

Vimos também as claques reduzidas a quase nada, órfãs das traficâncias de bilhetes e doutras substâncias, alguns órfãos dum líder agora preso, vimos um pano a relembrar aquele infeliz que aparentemente liderou o ataque terrorista a Alcochete e que agora enfrenta problemas graves de saúde. As mesmas claques que afastam os adeptos e sócios nos jogos fora de casa, forçando-os ao mesmo vergonhoso tratamento que as autoridades reservam aos desordeiros. Parece que essas claques depois em Alvalade resolveram extravasar a frustação de ver as bancadas cheias a festejar com os atletas e "festejaram" elas também com a polícia de choque. 

Soubemos também que os ex-capitães Rui Patrício e Adrien estiveram no Jamor, e que Nani e Montero, bem longe, sofreram pela vitória. O meu muito obrigado para eles.

De Bruno de Carvalho e dos seus próximos não ouvimos nada, e ainda bem. Excepto de Elsa Judas, que ficou extasiada com Sérgio Conceição. Toda aquela labreguice encantou-a, pelos vistos ficou a ser a sua nova paixão.

Não se trata aqui de ser ingrato a quem ao longo dos anos trabalhou e se esforçou pelo Sporting. Tudo o que se fez de bom tem de ser reconhecido. Trata-se de reconhecer que a deriva totalitária e afastada dos princípios do clube foi derrotada, o rombo na SAD foi ultrapassado e o nosso Sporting está de volta.

De volta aos bons princípios. De volta a ganhar no estádio e no pavilhão. De volta a ser um grande do desporto em Portugal. Que merece ser reconhecido como tal e não ser tratado como parente menor pelos diversos poderes instalados.

 

PS: A época terminou com uma grande vitória do Sporting. Estive no Jamor. Vi quase todos os jogos em Alvalade. Fora estive presente em Tondela, Setúbal, Chaves, Vila da Feira, Jamor-Belenenses e Porto-Dragão. Também em Londres (Arsenal). Como eu muitos sócios e adeptos espalhados pelo mundo acompanharam o clube aqui e ali. Para o ano, uma nova época. Outros jogos, outras oportunidades para acompanhar o Sporting, assim haja saúde, outras vitórias para vivenciar e outras memórias para guardar.

Porque o Sporting, para mim e muitos outros, é isto mesmo. Ganhando ou perdendo, uma paixão incontrolável. 

Para todos os Sportinguistas, festejar e muito agora. E desejar uma grande, grande,  nova época!!!

SL

Notas sobre o jogo e o pós-jogo

 

  1. Impressionante a arbitragem a tratar o Sporting como “equipa pequena”, amarelando logo, depressa e muito os nossos jogadores como se os do Porto fossem “artistas” que é necessário proteger.
  2. Bizarro e inexplicável como o lance de Herrera (bola dominada com braço) não foi a VAR ou o VAR não zumbiu ao ouvido do árbitro. Não percebo nada de VAR, mas se não é usado num lance explícito e claro como este então é para quê?
  3. Substituições e armação de jogo final de Conceição (com muito melhor banco que o nosso) foi de amador e perdeu a final com isso. E no entanto, todos os tudólogos bem pagos da bola e “escribas” dos desportivos que ouvi e li passaram à margem, temendo certamente represália do nervosinho treinador perdedor e do sistema que o envolve.
  4. Próprio de uma criança mimada, o anti-desportivismo do treinador do Porto. Podemos dar as voltas que quisermos, mas há crianças e jovens a ver aqueles momentos em direto nas televisões, cuja personalidade, comportamentos e sistema de valores se está a formar. Vão achar legítimo que numa circunstância oficial e solene, de cumprimentos entre vencedores e vencidos, se possa ser birrento e infantil. Ora não se pode, não se deve,
  5. O tuguismo ainda mais infantil e degradante de justificar o ato do mau perdedor dá-me vontade de vomitar e confirma-me que Portugal nunca irá a lado nenhum. Um país onde a decência é relativa é um país mesquinho, pequenino, que pretende continuar assim.
  6. Continuamos a ser uma nação feita de regras arbitrárias que ora são para aplicar, ora não são, protegida pela sorte, pela posição geográfica, pelo ouro do Brasil e agora pela Óropa, para quem um comportamento adulto, responsável, assente em conceitos como a honra, a hombridade, o respeito e o fairplay são somente denotadores de ingenuidade.
  7. O assobiar para o lado do nosso football system, de dirigentes, assessores, comentadeiros, jornaleiros, exércitos de funcionários e apensos da FPF e da Liga, políticos e demais basbaques que vivem à custa da bola, demonstra que as unanimidades oportunistas e sonsas dos corporativos que viviam na esplanada da União Nacional do Estado Novo persistem.
  8. É evidente que o fulano que treina o Porto deveria ser censurado publicamente e castigado ou multado severamente.
  9. Também me é evidente que jamais acontecerá.

Os heróis da Taça

Há um ano, numa das piores fases de sempre da história do Sporting, chorávamos a perda da Taça de Portugal frente ao Aves.

Hoje, no mesmo local, comemoramos a conquista da Taça de Portugal frente ao FC Porto.

E entre nós, se há lágrimas, é só de alegria. Que diferença...

 

Os jogadores merecem estes risos e estas lágrimas. Eles são os heróis do Jamor. Todos, sem excepção. 

Aqui ficam, para registo futuro, os nomes dos 15 que defrontaram a turma portista: Renan, Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Acuña, Gudelj, Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Diaby, Luiz Phellype, Ilori, Bas Dost, Idrissa e Jefferson.

Os nossos golos em bola corrida foram marcados por Bruno Fernandes (45') e Bas Dost (101'). No desempate por grandes penalidades após o prolongamento, quatro foram convertidas pelo nosso lado. Por Bruno, Mathieu, Raphinha, Coates e Luiz Phellype. Renan defendeu uma.

 

Nós, adeptos, também merecemos este dia de celebração e júbilo.

Foder os lampiões?

A rivalidade é estruturante dos clubes desportivos. Talvez não tanto dos clubes formativos, como o Ginásio Clube Português ou o Algés e Dafundo, ou dos antigos clubes-empresa, como os saudosos Riopele ou CUF (onde brilhou o nosso grande Manel Fernandes). Mas nos outros clubes as formas de congregação e mobilização são sempre fruto da mescla entre as capacidades de exercício demonstradas (as "vitórias") e as de afirmação face a "outros", tornados adversários preferenciais. Uns "outros" escolhidos por critérios geográficos - a aldeia ao lado, o vizinho (Varzim-Rio Ave), a recusa dos centralistas (Vizela vs Guimarães), o histórico oponente (Braga-Guimarães, o arcebispado vs o berço da nação), o lado de lá do rio (S.L. Olivais vs Alcochetense), bairros urbanos contíguos (Atlético-Oriental, mas aqui forço um pouco pois a rivalidade não era tão marcante) os pólos dominantes (Porto vs Lisboa), etc. - ou histórico-sociais (Benfica popular vs Sporting burguês ou Belenenses "classe média" e o Atlético operário, mesmo que essas fossem construções algo míticas mas que tinham o efeito de nelas se acreditar). Num país homogéneo como Portugal não surgem clubes "nacionais", representando "comunidades político-culturais", "étnico-religiosas" (como a ex-Liga Muçulmana de Moçambique, as origens do Tottenham ou o actual Barcelona).

Arengo para reforçar, as rivalidades são constitutivas dos clubes, principalmente dos que se centram em desportos colectivos. Não há qualquer mal nisso. O mal está no estado de boçalismo a que essas dinâmicas opositivas podem conduzir, de "incultura", de "incivilidade". Um boçalismo que é induzido pelas direcções dos clubes, pelas autoridades político-administrativas que a estes tutelam, pois uma massa adepta boçal e energúmena é mais dócil face aos poderes, mais rastejante face à qualquer cenoura que se lhe acene. E que na actualidade também o é pela imprensa, por razões parcialmente mercantis (ânimos exaltados aumentam os lucros) mas também pelo baixo nível da mescla de jornalistas e comentadores que a habita, eles-próprios frutos desta ... educação.

O Sporting é um enorme clube europeu, eclético como quase nenhum, com um precioso rol de títulos continentais, e de atletas com títulos mundiais e olímpicos. Um rol que continua a enriquecer-se, e de que forma, nesta era de tão diferente economia desportiva. Ganha agora mais um título europeu. E os adeptos, em euforia, juntam-se para celebrar e são conduzidos pelo clube (pela organização do evento) a cantar "De  manhã começa o dia a foder os lampiões ...". É um sinal de pequenez atroz, de nanismo clubístico, e também, e acima de tudo, de um culto da imundície. Mas é também a violação dos estatutos do clube (que explicitam a expulsão de quem ofenda a moral pública) e do seu enquadramento institucional - o clube é uma instituição de utilidade pública, com benefícios por isso, devido a ser considerado uma associação de intuitos formativos, educacionais. No javardismo actual, do vale tudo para ganhar, isso está esquecido, até pelo Estado - mais interessado em cobrar impostos e sacar votos.

E num clube que há um ano passou a maior crise da sua história devido às liberdades dadas à sua ralé interna é inacreditável que nada se tenha aprendido, que se continue a acarinhar este tipo de mentalidade, a acoitar (e até a contratar, como "animador" de actividades, como "excitador" das massas) gente desta.  A visão de uma mole de adeptos sportinguistas a comemorar uma grande vitória europeia gritando "a foder os lampiões" é a maior derrota que já vivi no clube. Jogadores campeões no palco, com os filhos no braços, a ulular "de manhã começa o dia a foder os lampiões" é tétrico, vergonhoso, patético.

Mas o pior de tudo é o silêncio da direcção. Que nem de uma forma suave, pedagógica, mesmo que humorística tipo num "não havia necessidade" a la Herman José, surge a afastar-se deste tipo de mentalidade, de expressão, a convidar, até a convocar, os sportinguistas a outro tipo de mentalidade, de visão do mundo. E não o faz porque a direcção ... é isto. É constituída por gente educada, doutores, alguns com apelidos compósitos até conhecidos, e vestem os fatos daquele azul-mais-que-Carris típicos da elite administrativa portuguesa. Por isso tudo, por essa "elevação" social, dirão ao levantar-se "de manhã começa o dia ... a fornicar os lampiões".

Estamos fodidos. Não exactamente os sportinguistas. Não os tais lampiões. Mas a gente. Que sofre este país.

Parece fácil

Já por aqui se tem falado muito deste plano de ataque aos jogos, por colegas e comentadores. Basicamente, é marcar cedo, para acabar também cedo com as veleidades dos adversários e com alguma manha dos senhores do apito.

Hoje o Sporting conseguiu quase tudo isso. Marcou cedo dois golos, aos 10 e aos 11 minutos, prescincindo daqueles começos "entusiasmantes" dos últimos jogos em que dava a iniciativa ao adversário, resistiu quase sempre bem à resposta com bastante qualidade do adversário, mas não deixou de sofrer o golinho da ordem e de andar de aflitos no final do primeiro tempo, com uma bomba na barra.

Aquilo até teria sido mais fácil se tivéssemos jogado com ponta-de-lança e com dois centrais, mas pronto, nove contra onze e 2-1no final do jogo seria um belo resultado. Depois um algarvio distraiu-se (parece-me que Capela também, já que assinalou penálti) e cometeu falta sobre B. Fernandes, outra vez o nosso melhor, que aproveitou para fazer o terceiro.

Um jogo sem história. Como eu gostaria de ter visto muito mais jogos sem história como este...

Do 8 ao 80, o coração não aguenta

Ou de besta a bestial em três dias, Mr. Keizer.

Ja nem sei em que acreditar. 

O que sei é que este foi um dos melhores, se não o melhor desempenho da equipa do Sporting e com muito dedo do treinador. Centrais trocados com Ilori no seu lugar, do lado direito. Laterais assimétricos - um ataca, outro apenas defende. Diaby a fazer de segundo ponta de lança nas costas de Bas Dost. Gudelj e Wendel a médios, Bruno a tudo o resto: marcar, assistir, definir, recuperar, o melhor médio do Sporting de todos os tempos (pelo menos dos meus...).

Na quinta-feira aquela miséria...

E agora 3-0 ao Braga sem nenhuma defesa relevante do Renan e zero oportunidades de golo do Benfica do Minho.

Quanto é que vale afinal este Sporting?

Já não sei dizer...

SL

Contrastes

Que fim de semana este, tão feito de contrastes.

Humilhados pelo Benfica em nossa casa para a Liga 2018/2019. E no entanto conquistámos o bicampeonato europeu feminino de corta-mato. E ganhámos no hóquei em patins. E no andebol. E nos iniciados. E no futebol feminino.

Triunfos nas modalidades e no futebol amador. Em contraste, no futebol profissional, o pior resultado dos últimos 21 anos em Alvalade. Isto diz muito do que tem sido o Sporting de há demasiado tempo para cá.

Crónica da bancada

Seguindo o conselho de Pedro Correia, adiantei alguma coisa na hora de almoço e seguindo o conselho do Pedro Azevedo Oliveira, de que o trabalho não azeda, consegui chegar mesmo em cima do apito do C(h)apela e acabei por ver o jogo no estádio.

Começo por afirmar que o melhor daquilo tudo, fomos os 30 mil e poucos que conseguimos dizer presente num horário manhoso e com um friozinho do camândrio. Depois, a muito longa distância, os jogadores e lá muito ao fundo, o C(a)apela(da).

Na primeira parte não jogámos nada. Eu vinha com ideia de fazer a crónica deste jogo usando as reacções dos meus vizinhos de bancada, mas achei preferível mudar de ideia. Talvez acreditem, se "escutarem" um pouco do que se foi passando na primeira parte: "fpiiiiiiiii... aquele Gudelj não joga um cpiiiiiiii, fpiiiiiiiiiii". "O filho da ppiiiiiiiii do C(h)apela só mostra amarelos aos nossos, grande ppiiiiiiiiiii!!!" "Nani, larga a bola, cpiiiiiiiiiiii!!!". "O Coates é uma libelinha do cpiiiiiiiiiiii, está a precisar de banco". "ó C(h)apela isto não é vólei, fpiiiiiiii (esta fui eu, depois do gajo ter marcado uma falta a um dos nossos que só encostou o bafo ao pescoço dum do Jamor). "Ó Gaspar, vai p'ó presépio, meu filho da ppiiiiiii, não jogas um cpiiiiiiiiiiii" "olha aquela ppiiiiiiii do Diaby, que só joga para trás, cpiiiiiiiiii da mãe, cpiiiiiiiiiii". Bom, estão a ver não estão, como os nossos estavam a agradar, cpiiiiiiii?

Realmente os do Jamor teceram uma bela teia à volta dos nossos construtores de jogo, e manietaram-nos de tal forma que quase foram eles a marcar, inda o jogo quase não tinha começado. Os treinadores adversários já começam a ter antídoto para o jogo ofensivo de Keiser e a "malta" já começa a ficar ansiosa, depois irritada, com a inépcia dos da frente e com as tremideiras e fífias do Coates e do Gaspar e do Gudelj e tão farta que até já aplaude o Petrovic.

O que vale é que (salvo aquela coisa à la Braga na Luz, mas em Guimarães) as coisas se compõem, a melhor valia dos nossos vem ao de cima e acabamos por ir vencendo, a maior parte das vezes de goleada.

Hoje valeu pelo resultado, por números que me parecem justos, mas para ser justo, se eles conseguissem levar um ponto não seria injusto. Uf...

Temos claramente um plantel curto, já todos percebemos isso, direcção incluida, que já fez regressar Geraldes, que não jogou mas já faz publicidade (oxalá venda GB ao mesmo nível que joga, quer dizer, ao nível do seu futebol, não me interpretem mal) e contratou, certamente depois de ter consultado Futre, um chinês que jogava na quarta divisão de Espanha e um black Ronaldo, Rafael Camacho de seu nome, que eu confesso nunca ter ouvido pronunciar em lado nenhum. Mas pronto, Janeiro ainda vai no início, e espero que apareça aí um Coentrão para a esquerda e outro para a direita da defesa e já agora um outro  para o centro, para sentar o Coates e o Mathieu à vez, que eles precisam ambos os dois, mais o sul-americano que o francês, de descanso e com o Xico e tendo fé que não haverá lesões, talvez seja suficiente para chegar a Maio à frente da equipa do Conceição e da do Abel (não sei qual delas, se a de Braga se a de Lisboa).

Como diz um amigo lá de Tomar, "ganhimos, porra!" E isso é que verdadeiramente interessa.

 

Nota1- Desculpem o "porra", mas é... "dialecto";

Nota2 - O Porto suou as estopinhas com o Aves, o que quer dizer que afinal o jogo que fizeram aqui em Alvalade revela que são efectivamente uma boa equipa. Com um treinador que só se irrita com as derrotas com o Sporting, mas isso também o Abel, portanto...

2018 em balanço (8)

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VITÓRIA DO ANO: GOLEADA AO QARABAG

Seguimos em frente na Liga Europa, transitando para os 16 avos de final, sendo a equipa com mais golos marcados no nosso grupo e tendo apenas somado uma derrota (frente ao poderoso Arsenal) nesta fase da segunda maior competição de clubes tutelada pela UEFA. Neste percurso muito positivo, iniciado com José Peseiro, prosseguido com Tiago Fernandes e agora com Marcel Keizer ao leme, o melhor resultado foi, de longe, o alcançado em Baku, capital do remoto Azerbaijão, situada a 6.500 quilómetros de Lisboa. Ocorreu a 29 de Novembro, com uma goleada: ganhámos por 6-1.

Foi o nosso mais saboroso triunfo em 2018, na estreia internacional do actual técnico holandês enquanto orientador técnico do Sporting. O ex-treinador do Ajax não podia ter começado da melhor maneira, suplantando largamente o 2-0 registado em Alvalade, frente à mesma equipa, a 20 de Setembro. Foi também o nosso melhor registo, numa partida disputada fora de casa para as provas europeias, desde 1986. Foi ainda a mais volumosa derrota alguma vez sofrida pelo Qarabag - que na época anterior tinha imposto dois empates ao Atlético Madrid, na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Houve golos para os mais diversos gostos. Marcados por Bas Dost (5'), Bruno Fernandes (20' e 75'), Nani (33') e Diaby (63' e 81'). Era um poderoso contributo do Sporting para elevar a cotação do conjunto das equipas portuguesas na contabilidade da UEFA, compensando assim o descalabro de outras agremiações. 

Nesta partida destacou-se Wendel, com quatro assistências para golo, uma proeza impressionante, confirmando a qualidade deste jovem médio brasileiro que chegara a Alvalade em Janeiro sem merecer a menor atenção do treinador Jorge Jesus. Exibição muito positiva também de dois reforços da era Sousa Cintra, Diaby e Gudelj, com as melhores exibições até então alcançadas de verde e branco. Destaque igualmente para a estreia absoluta, na nossa equipa principal, do jovem lateral direito Thierry Correia, com apenas 19 anos e um futuro muito promissor. 

Foi inegável a alegria dos nossos jogadores, bem simbolizada no salto mortal que Nani deu mal marcou o golo, retomando uma imagem de marca a que nos tinha habituado. Este era o Sporting que nós queríamos. Este é o Sporting que nós queremos sempre.

 

 

Vitória do ano em 2012: meia-final da Liga Europa (19 de Abril)

Vitória do ano em 2013: 5-1 ao Arouca (18 de Agosto)

Vitória do ano em 2014: eliminação do FCP da Taça no Dragão (18 de Outubro)

Vitória do ano em 2015: conquista da Taça de Portugal (31 de Maio)

Vitória do ano em 2016: conquista do Campeonato da Europa (10 de Julho)

Vitória do ano em 2017: eliminação do Steaua de Bucareste (23 de Agosto)

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