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És a nossa Fé!

Pódio: Vietto, Bruno Fernandes, Bolasie

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Belenenses SAD pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 19

Bruno Fernandes: 17

Bolasie: 16

Luiz Phellype: 15

Renan: 15

Idrissa Doumbia: 14

Rafael Camacho: 14

Coates: 14

Rodrigo Fernandes: 13

Eduardo: 13

Borja: 13

Ilori: 13

Rosier: 13

Neto: 9

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor jogador em campo.

Armas e viscondes assinalados: Sem saber ler nem escrever nem fazer contas nem atravessar a rua, mas com Bruno & Vietto

Sporting 2 - Belenenses SAD 0

Liga NOS - 11.ª Jornada

10 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Teve ocasião de aquecer as mãos logo no arranque do jogo, desviando para canto um remate traiçoeiro, e depois aqueceu as pernas ao recolher e despachar a bola nas muitas ocasiões em que os colegas não sabiam o que fazer com tão estranho objecto que a outra equipa fazia rolar no relvado. Sem muitas oportunidades para demonstrar o seu valor, pois também o Belenenses SAD não converteu em nada o absoluto domínio numa das primeiras partes mais vergonhosas a que o estádio já assistiu, levando não poucos resistentes a invejarem aqueles que viram as gameboxes canceladas pela actual gerência, o guarda-redes brasileiro disse presente sempre que foi chamado a tal, quase sempre para acorrer a atrasos dos colegas da defesa e do meio-campo. Ainda conseguiu ver um cartão amarelo por demorar a cobrar um livre quando o resultado estava em 0-0, numa pequena sacanice do árbitro Manuel Oliveira, cuja actuação manhosa até fez parecer que o Sporting ainda mete medo a alguém.

 

Rosier (2,5)

Foi dos primeiros a tentar agitar as águas, faltando-lhe convicção e concentração para se desenvencilhar dos adversários que surgiam na sua área de jurisdição. Bastante permeável a defender, melhorou na segunda parte e contribuiu para as jogadas que levaram à conquista de três pontos que a certo momento do jogo pareceria ser ficção científica.

 

Neto (2,0)

Ficou incrédulo quando Silas o retirou do relvado, por volta de uma meia hora de terror para qualquer adepto a quem a Beatriz Costa não tenha passado os miolos pela água fria da ribeira. Tinha alguma razão, pois as suas más abordagens, fossem entradas sem tino e para as quais nunca há perdão para quem jogue de leão ao peito, alívios à queima que causavam apuros aos colegas ou passes directos para adversários, em nada destoavam das más abordagens dos outros jogadores do Sporting. Resta-lhe a compensação de que, na realidade, Silas desfez por volta da meia hora o seu próprio sistema táctico.

 

Coates (2,5)

As ausências de Mathieu e de Acuña reduziram a metade o número de futebolistas acima de qualquer dúvida que restam no plantel. E a má notícia é que mesmo o uruguaio esteve aquém daquilo que sabe fazer, errando mais do que é habitual nas abordagens e nos posicionamentos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Tirando a descoordenação flagrante com Borja, ao ponto de passar a impressão que os dois nunca treinam juntos, fez mais uma exibição esforçada, ao seu nível, conseguindo compensar o que não sabe fazer com o que tenta fazer. Curiosamente, logo no dia seguinte Fernando Santos convocou Domingos Duarte, despachado para o Granada por menos dinheiro do que custou recuperar o passe de Ilori.

 

Borja (2,0)

Chega a ser comovente observar o terror que o colombiano sente de avançar pela ala esquerda, preferindo voltar atrás e fazer aos potenciais contra-ataques aquilo que os assassinos fazem com uma almofada a quem está a dormir. Mas claro que não só tentou conter os adversários com algum sucesso como em dados momentos, contando com concentração de talento à sua volta, contribuiu para algumas jogadas de ataque.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

O ainda junior foi a última alteração que Silas fez em relação aos titulares que deram conta do Rosenborg. Respondeu bem à prova de confiança, mas o caos em seu redor levou a que visse muito cedo o amarelo, sendo esse o motivo apontado para ser substituído ao intervalo. Melhores dias virão, sabe-se lá quando.

 

Eduardo (1,0)

Autor de um cabeceamento que foi a primeira jogada de relativo perigo, passadas já umas penosas dezenas de minutos, distinguiu-se dos demais pela concentração de defeitos do actual futebol leonino. Desprovido de visão de jogo, desprovido de qualidade de passe, desprovido de motivo para integrar o plantel de uma equipa que, apesar dos pesares, ocupa a 30.ª posição no “ranking” da UEFA, arrastou-se demasiado tempo no relvado e não foi por acaso que a equipa melhorou após recolher ao banco de suplentes.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Andou perdido e de braços caídos, como todos os colegas, naquela primeira parte do nosso descontentamento. Nem um livre directo que saiu muito perto do tal sítio onde a coruja dorme logrou animá-lo, pouco melhorando de estado de espírito face às limitações de vários colegas. Valeu a ele, e ao Sporting, que nunca desistiu, envolvendo-se com enorme critério no ataque apesar de ser forçado a recuar no terreno pelas constantes variações tácticas. O passe longo que Vietto não conseguiu converter em “hat-trick” merece por si só uma estrela Michelin.

 

Bolasie (3,0)

Também ele andou pelo deserto de ideias e de jogadas, parecendo candidato evidente à saída para dar lugar a mais um capítulo da redenção em curso de Jesé Rodríguez. Mas a dado momento soltou-se, mostrando estar muito mais à vontade na ala direita do que como avançado móvel (onde foi capaz de perdidas escandalosas), e foi decisivo nas jogadas dos dois golos.

 

Vietto (3,5)

Se o actual Sporting ainda tem uns “fab four” em Coates, Mathieu, Acuña e Bruno Fernandes, certo é que necessita de “quintos Beatles” como a Lucy precisa do Sky with Diamonds. Wendel consegue por vezes sê-lo, Renan vai ajudando no que consegue, mas é Vietto quem tem as condições intrínsecas ideais para desempenhar o papel. Demonstrou-o ontem: atravessado o vale da primeira parte lutou para construir jogadas e esteve no sítio certo à hora certa para selar um resultado muito acima da realidade presenciada por menos de 30 mil espectadores. A execução no primeiro golo é o tipo de coisa de que os sonhos são feitos e o segundo mostra-o como um “falso 9” oportuno e oportunista. Pena é que não tenha conseguido fazer o 3-0 após fintar o guarda-redes, mas pelo menos assim não voltou a festejar virado para as claques, arriscando-se decerto a ser contemplado com uma pesada multa por isso.

 

Rafael Camacho (2,0)

Deu entrada em campo ainda durante a primeira parte, contribuindo para retirar a equipa do coma induzido do 5-2-1-2 ou lá o que aquilo era. Foi, no entanto, mais simbólico do que outra coisa o seu contributo, ficando sobretudo ligado a um falhanço clamoroso, com a bola a sair para as bancadas dos grupos organizados de bodes expiatórios, ao ser isolado por Bruno Fernandes.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou ao intervalo e fez por impor a sua lei com simplicidade de processos e o habitual entusiasmo que disfarça a memória de que aquela posição já foi ocupada por Oceano e William Carvalho, ou que João Palhinha vai no segundo ano de empréstimo ao Sporting de Braga. Se a equipa melhorou na segunda parte também foi em boa parte pelo seu contributo.

 

Luiz Phellype (2,5)

Mais do que um ponta de lança, valeu pela presença que coarctou a liberdade de movimentação da defesa contrária, contribuindo para os dois golos que aqueceram um final de tarde gélido. E o primeiro de Vietto até nasce da recarga ao seu remate.

 

Silas (2,0)

Claro que não tinha Mathieu e Acuña, claro que a planificação do futebol leonino (por assim dizer) deixou-lhe um plantel que torna válida a piada de mau gosto de que pior do que o 11 de Setembro só mesmo o 11 do Sporting... Ainda assim, foi sua a iniciativa de montar um esquema táctico que valeu meia hora de vergonha colectiva e poderia ter resultado em humilhação caso fosse tentado contra uma equipa melhor do que a do Belenenses SAD. O Sporting very sad que apresentou, forçando-o a desfazer os seus próprios equívocos enquanto o relógio avançava, exige maior humildade e reconhecimento de erros do que aqueles que demonstrou no final de um jogo em que a vitória sem saber ler nem escrever, resultante da qualidade de um punhado de jogadores, permite manter o Sporting a “apenas” dez pontos da liderança. Urge aproveitar mais um longo intervalo sem jogos para perceber o que pode retirar mais dos jogadores e que soluções pode encontrar nos sub-23 e nos emprestados. Assim como está é que não pode ficar.

Rescaldo do jogo de ontem

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Gostei

 

Da vitória, arrancada a ferros. Conseguimos o mais importante: garantir os três pontos. Esta noite, em Alvalade, frente a um Belenenses SAD que foi claramente superior na primeira parte e chegou ao fim com mais posse de bola. Valeu-nos o inconformismo dos raros jogadores que demonstram inegável qualidade neste plantel leonino. Com destaque para Vietto, autor dos dois golos que serviram ainda em tempo útil para sacudir o triste torpor que tolheu a nossa equipa durante mais de uma hora em campo.

 

Do golão do argentino. Vietto é, de longe, o melhor jogador de todos quantos já foram contratados por Frederico Varandas. Aos 75', é ele quem inicia o lance mais decisivo, com um soberbo passe longo esticando o jogo para a ala direita. E é ele quem finaliza essa jogada com um pontapé acrobático, sem deixar a bola cair ao chão, na sequência de um ressalto dentro da grande área. Um golo que fez levantar o estádio e encheu de alegria os verdadeiros adeptos, que já desesperavam de ver futebol a sério nesta noite fria em Alvalade. Seis minutos depois, repetiu a dose, a centro de Bolasie: foi um golo menos artístico mas confirmou Vietto como melhor em campo. E ainda podia ter marcado mais dois.

 

De Bolasie. Nem sempre actua com a elegância que os mais exigentes desejariam. Mas é esforçado e não desiste de um lance, mostrando aos companheiros como é que se faz. Foi influente nos dois golos leoninos, exibindo-se como um verdadeiro extremo direito - algo que nos faltou na outra ala - onde rende mais do que diante da baliza.

 

Das mudanças operadas por Silas durante o jogo. Frente ao iminente naufrágio que se avizinhava, e que suscitava protestos bem audíveis no estádio, o técnico mexeu bem na equipa, desmanchando o 3-5-2 inicial e fazendo-a alinhar em 4-3-3. Mandou sair Neto logo aos 33', trocando-o por Camacho, que enfim pôde demonstrar um pouco o que realmente vale perante o público de Alvalade. Ao intervalo, deixou Rodrigo Fernandes no balneário, mandando entrar Idrissa Doumbia - uma opção algo cruel para o jovem formado na Academia de Alcochete, em estreia como titular na equipa principal, mas indispensável para conferir dinâmica e capacidade de iniciativa ao nosso meio-campo. Enfim, aos 66', trocou o apático Eduardo por Luiz Phellype. No conjunto, foram mudanças que funcionaram: Bruno, mais desimpedido de movimentos, pôde enfim pôr a bola a circular e Vietto passou a jogar de trás para a frente em rotação da ala para o centro, como prefere. Com todas as suas limitações, que são bem evidentes, o técnico que veio do Belenenses SAD pode gabar-se de ter vencido sete dos nove jogos disputados pelo Sporting sob o seu comando. Mas precisa de não inventar tanto: tem de pôr Vietto a 10, recuar Bruno para o eixo de construção, colocar sempre um avançado de referência na área e apenas um médio defensivo.

 

De não termos sofrido golos. Do mal o menos: o processo defensivo, com Silas, parece mais consolidado. Pelo segundo jogo consecutivo, com um intervalo de três dias, mantemos as nossas redes intactas.

 

De termos encurtado distância para o terceiro classificado. O Famalicão perdeu dois pontos nesta ronda, empatando em casa com o Moreirense: separa-nos agora quatro pontos. E vimos o V. Guimarães - derrotado no seu estádio pelo Braga - ficar lá mais para baixo. Boas notícias, apesar de tudo.

 

 

Não gostei

 
 

Da miserável primeira parte do Sporting. Espectáculo deprimente, indigno dos pergaminhos e da raça do Leão. Pontapé para trás, pontapé para o lado, devolução ao guarda-redes, alas entupidas, má circulação de bola, um festival de passes falhados mesmo a curta distância, charutadas de centrais sem categoria, como Ilori e Neto. Chegámos a actuar com os onze jogadores remetidos ao nosso meio-campo, como se estivéssemos a defender o zero-a-zero, em casa, frente ao 13.º classificado da Liga. Uma vergonha.

 

Do onze escalado por Silas. O técnico do Sporting - terceiro da temporada, quinto da era Varandas - voltou a mudar o sistema táctico no campeonato, replicando o que fizera entrar em campo na quinta-feira frente ao Rosenborg para a Liga Europa. Foi um rotundo falhanço, desde logo porque na prática os laterais não evoluíram no terreno, formando assim um bloco defensivo composto por cinco elementos aos quais se somavam dois médios muito posicionais. Dando assim liberdade de movimentos ao Belenenses SAD, que nesses 45 minutos iniciais foi a equipa mais acutilante e que dava mais mostras de querer vencer.

 

Que só estivéssemos 27 mil espectadores em Alvalade. Desta vez o jogo decorreu a horas decentes. Mas nem isso atraiu mais público. E a verdade é que muitos dos que ainda foram ao estádio acabaram por sair bastante antes do fim. Convencidos de que aquilo não merecia mais.

 

Da ausência de Acuña e Mathieu. Num plantel escasso em jogadores de classe, como é o do Sporting actual, o argentino e o francês - excluídos por lesão - fizeram muita falta. Nenhum dos seus substitutos em campo revelou sequer um mínimo de qualidade para ocupar aquelas posições. O que só confirma como esta equipa é desnivelada e foi formada sem atender às reais necessidades de um clube que aspira, no mínimo, a atingir um posto no campeonato que lhe permita o acesso à Liga dos Campeões.

 

De Borja. O colombiano vai demonstrando, de jogo para jogo, que foi uma contratação falhada. Não reúne qualidades mínimas para ser titular de uma equipa com as aspirações do Sporting. Débil a defender, tímido a atacar, sem atributos técnicos que o recomendem, voltou a ter uma exibição péssima. E continua a intrigar-me como é que consegue ser internacional pela selecção do seu país.

 

Dos assobios aos jogadores. Estavam decorridos só 14 minutos e já Renan era alvo de sonoras vaias, oriundas sobretudo da curva sul. Pouco depois eram outros a ser brindados com as mesmas manifestações de "carinho" vindas das bancadas. Este péssimo hábito, recente em Alvalade, só pode enervar e desconcentrar os profissionais leoninos, não os ajudando em nada. Como se a equipa jogasse fora na própria casa. Pior só os insultos que do mesmo sector visaram o presidente do Sporting, à meia hora de jogo. Uma vez mais, estes gritinhos voltaram a ser abafados por estrondosos assobios da maioria dos sócios presentes nas bancadas, em evidente repúdio pela javardice das franjas mais extremistas da Juve Leo.

 

Foto minha, esta noite, em Alvalade

Pódio: Vietto, Acuña Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting- V. Guimarães pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 19

Acuña: 18

Mathieu: 18

Coates: 17

Jesé: 16

Bruno Fernandes: 15

Renan: 15

Eduardo: 14

Bolasie: 14

Idrissa Doumbia: 13

Rosier: 11

Borja: 12

Luiz Phellype: 11

Rodrigo Fernandes: 6

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor sportinguista em campo.

Match Point (parte 2)

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E o Mr. Murphy tirou folga. Mesmo com grande dificuldade e baixa nota artística, a bola... passou a rede.

Posto isto e esquecendo o "casual outsider", o Famalicão, estamos na posição da época passada, atrás dos rivais e à frente dos candidatos ao 3.º posto. Na Liga Europa também, em 2.º lugar no grupo, com grandes hipóteses de passar à fase seguinte, mas a Taça de Portugal já foi e a Taça da Liga está no ir também.

Fazendo um balanço aos reforços da era Varandas/H.Viana, o único que se tem revelado de classe superior chama-se Vietto. Depois vêm uns utilitários a roçar a mediania: Rosier, Doumbia, Quaresma, Borja, Bolasie, Neto, Luiz Phellype, uma jovem promessa que precisa de enquadramento táctico, Plata,  um ex-craque em recuperação (Jesé) e alguns casos enigmáticos: Ilori, Camacho e Fernando, que convinha alguém explicar. Com as saídas de Gudelj, Bas Dost e Raphinha e com tão pouca quantidade de qualidade, torna-se complicado competir com Benfica e Porto. Estamos bem mais perto de Guimarães e Braga no que ao plantel diz respeito.

Silas está a fazer pela vida, a equipa está lentamente a melhorar a sua produção, mas parece-me que é a equipa técnica (incluindo o "team manager") mais fraca que o Sporting tem desde há muito tempo (não contando com os treinadores transitórios, considerando apenas Keizer, Peseiro, Jesus, Marco Silva, Leonardo Jardim, Jesualdo Ferreira) e que ainda se deu ao luxo de dispensar os serviços do treinador de guarda-redes mais qualificado da Liga, Nelson Pereira, com resultados (negativos) já visíveis em Renan. Foi sem dúvida uma jogada de alto risco do presidente.

Agora vamos ter três jogos consecutivos fora de casa com equipas menores que poderão consolidar a melhoria da qualidade de jogo desta equipa, e possibilitar-lhe outra capacidade e ambição.

Sobre o mercado de inverno, se calhar começar por manter Acuña e Wendel e exportar Hugo Viana para um mercado a seu gosto não era mal pensado.

SL

Coates, Coates, Coates!

Grande jogo finalmente, perante um adversário que deu muita luta e com imensa qualidade.

Para a apreciação individual cá virá o Leonardo Ralha, mas para mim o melhor em campo foi sem dúvida Vietto e Coates mereceu tanto aquele golo! Por tudo o que de bom lhe pode trazer e à equipa.

(eu disse ao Pedro Correia que acredito que Silas dará a volta a "isto". O que eu o desejo...)

Sportingggggggggggggg

Armas e viscondes assinalados: Quem não tem solução caça com carambola

Sporting 1 - Rosenborg 0

Liga Europa - Fase de Grupos 3.ª Jornada

24 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

É provável que já no balneário, terminado o duche, tenha sentido aquela impressão de ter deixado algo por fazer. Mas a verdade é que desta vez não foi preciso ir buscar a bola ao fundo das redes, algo que não sucedia em Alvalade há demasiado tempo. O brasileiro contribuiu para tão inusitado desfecho com a sua competência, contando com Coates para resolver a mais evidente ocasião de golo dos noruegueses, criada por um desvio do próprio Coates contra Idrissa Doumbia.

 

Rosier (2,0)

A forma infantil como deixou que uma bola se perdesse pela linha lateral quase a meio do terreno não teve consequências gravosas devido à distância em relação à baliza, mas serve às mil maravilhas enquanto metáfora das limitações de um lateral que custou mais dinheiro do que Mário Centeno consegue cativar num dia em que tenha muitas reuniões na agenda. O francês pode ter muito potencial e convirá demonstrá-lo ainda durante esta legislatura, pois até agora o melhor argumento para a sua titularidade é a falta de inscrição de Ristovski.

 

Coates (3,0)

Terminada a fase dos autogolos, ficou perto de inaugurar a fase das assistências para autogolo, no tal alívio providencial que embateu em Idrissa Doumbia e quase traiu Renan. Mas eis que desta vez o uruguaio corrigiu o erro, retirando a bola da linha de golo com um pontapé digno de bailarina de can-can. Não foi a única ocasião em que desfez os sonhos mais lindos dos noruegueses, contribuindo de forma decisiva para a ausência de golos alheios.

 

Mathieu (3,0)

Um ou outro tropeção no relvado não puseram minimamente em causa a dedicação do francês em cada lance que passou pela sua área de jurisdição, ficando perto de marcar num livre directo ao seu melhor estilo. Há que aproveitá-lo enquanto existe, até porque os putativos substitutos foram todos vendidos ao desbarato.

 

Acuña (3,0)

 

Dono e senhor da ala esquerda, onde nenhum adversário conseguiu fazer-lhe frente, traçou cruzamentos como se tivesse um compasso escondido nas chuteiras. Pena é que a falta de pontaria dos colegas e a miopia do árbitro não tenham dado o devido seguimento às suas iniciativas, tal como se pode lamentar que volte a enveredar por um registo quezilento que esteve prestes a retirá-lo das contas para o próximo jogo da Liga Europa.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Aproveitou da melhor forma as limitações técnicas do adversário para garantir o sossego no meio-campo que não conseguiu com uma equipa do terceiro escalão do futebol português. Marcou alguns pontos com a velocidade e capacidade de antecipação, o que lhe vem mesmo a calhar numa altura em que Battaglia estará quase recuperado e Rodrigo Fernandes foi promovido ao plantel principal.

 

Wendel (2,5)

Mais um jogo em que o jovem brasileiro não conseguiu ter a influência na construção de jogadas de ataque leoninas que se exige a quem tem artistas como Bruno Fernandes e Vietto por perto. A melhoria do Sporting para níveis dignos dA sua camisola depende de muitos factores, mas o desempenho de quem tem a cargo a posição 8 é um dos principais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Voltou a fazer tremer a barra da baliza adversária num livre directo, o que só valia pontos num programa televisivo, valendo-lhe o facto de o Rosenborg ser muito menos perigoso do que o Alverca. Sem nunca conseguir o melhor “timing” na hora de rematar, até porque os adversários estão mais do que avisados quanto à sua arma secreta, limitou-se a empurrar os colegas para a frente com o critério de sempre e a servir de alvo para as recorrentes entradas faltosas dos noruegueses. Aberrante só o facto de não ser o melhor da equipa em vários jogos consecutivos.

 

Vietto (3,0)

Começou com um cabeceamento perigoso e não mais desistiu de deixar marca no resultado. Acabou por consegui-lo, indirectamente, pois o ressalto de um dos seus remates sobrou para Bolasie decidir o resultado.

 

Bolasie (3,0)

Assume o “um contra um” com uma coragem difícil de encontrar no resto do plantel, recorrendo à força e ao engenho para ganhar a linha e cruzar. Embora tal aptidão pudesse trazer maiores dividendos caso Bas Dost não tivesse sido vendido em saldo, o certo é que o franco-congolês esteve no sítio certo à hora certa, cabeceando a bola de modo a bater no pé de um defesa e trair o guarda-redes do Rosenborg. Certo é que as vitórias obtidas por carambola valem o mesmo que as vitórias conseguidas com golos dignos do Prémio Puskas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Houvesse VAR na Liga Europa e o seu momento mais próximo da glória, num remate de cabeça desviado pelo braço de um adversário, daria origem a uma grande penalidade. É possível que a injustiça tenha marcado a sua exibição, que esteve longe de ser brilhante, não obstante a capacidade de trabalho que demonstra em todos os jogos.

 

Pedro Mendes (2,5)

Recebido pelas bancadas de Alvalade com uma enorme ovação, o goleador dos sub-23, acabado de promover ao plantel principal - embora só possa jogar na Liga Revelação até janeiro, visto que a inigualável preparação desta temporada incluiu a sua não-inscrição na Liga –, não repetiu o feito do golo-relâmpago de Eindhoven. Fica, no entanto, ligado à vitória pelo bloqueio digno de Jorge Jesus que permitiu o cabeceamento de Bolasie.

 

Borja (2,0)

Entrou para proteger a magra vantagem e ajudou a que esta não desaparecesse.

 

Eduardo (-)

 

Mal deu para fazer jus ao “que a camisola é para suar” dos novos bodes expiatórios da direcção leonina.

 

Silas (3,0)

Lançou para o relvado uma equipa apostada em dominar, o que se traduziu numa percentagem de posse de bola esmagadora. Mas ainda há muito a melhorar na finalização, pois receber o Vitória de Guimarães promete ser mais complicado.

Pódio: Vietto, Bolasie, Luís Maximiano

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Alverca-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 15

Bolasie: 13

Maximiano: 13

Bruno Fernandes: 12

Jesé: 12

Miguel Luís: 11

Acuña: 10

Eduardo: 9

Borja: 9

Luiz Phellype: 9

Ilori: 8

Rosier: 8

Idrissa Doumbia: 7

Neto: 7

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor sportinguista em campo.

Armas e viscondes assinalados: Um filme hardcore do terceiro escalão

Alverca 2 - Sporting 0

Taça de Portugal

17 de Outubro de 2019

ERRATA: Tal como foi apontado por vários leitores, foi Luiz Phellype e não Tiago Ilori o autor moral do 2-0. Assim sendo, mantendo-se a má avaliação do central, é de elementar justiça irmaná-lo com o avançado, que desce para 2,0 para 1,5.

 

Luís Maximiano (2,5)

Uma das medidas do nível de tragédia em que o futebol leonino se encontra atolado reside no facto de o guarda-redes mais promissor da Academia de Alcochete desde o titular do Wolverhampton ainda não ter conseguido ganhar ou empatar um jogo pela equipa principal. Desta vez viu-se traído por centrais hesitantes e por um trinco fora de posição no primeiro golo e por um corte de cabeça com aspecto de assistência para golo no segundo. O Sporting foi eliminado da Taça de Portugal pelo Alverca, equipa do Campeonato Nacional de Seniores, mais conhecido por terceira divisão, mas o resultado poderia ser ainda mais humilhante não fossem as belas defesas do jovem a quem tratam por Max – não necessariamente por estar rodeado de mulas da cooperativa... –, a começar pelo desvio por instinto de um pontapé de bicicleta.

 

Rosier (2,0)

A escassa utilização de Rafael Camacho, outra das compras milionárias feitas pela mesma gerência que dispensou Nani e Montero antes de vender Bas Dost a preço de saldo, tem permitido que os sportinguistas se inquietem-se menos com o lateral-direito francês, não obstante tarde a confirmar o estatuto de última Coca-Cola de Kandahar. Assim voltou a suceder na despedida do Sporting ao troféu de que era detentor, após ter saído derrotado da traumática final disputada na época anterior a essa no Estádio Nacional: presença física quanto baste e cruzamentos mais para menos do que para mais em nada contribuíram para a felicidade da equipa e sossego dos adeptos.

 

Neto (2,0)

A sucessão de faltas duras e desnecessárias cometidas após ver o cartão amarelo fizeram temer que estivesse a conduzir uma experiência científica com o árbitro Luís Godinho. Conseguiu escapar à expulsão que o libertaria do compromisso seguinte do Sporting, mas revelou menos talento para impedir que Apolinário se acercasse da grande área até desferir o remate que inaugurou o marcador.

 

Tiago Ilori (1,5)

O alívio disparatado que permitiu ao Alverca selar o resultado final foi o enorme disparate específico que serviu de cereja no topo do bolo à quantidade habitual de pequenos e médios disparates genéricos, embora o passe errado que permitiu a primeira ocasião de golo da equipa da casa se destaque dos demais.

 

Borja (2,5)

O internacional colombiano continua a viver na linha defensiva do Sporting aquilo que uma pessoa livre e em busca de diversão,,,,, ou de algo mais, vive numa noite de sexta-feira: a sua avaliação depende do valor relativo dos amigos que tem ao lado. Sucedendo que Rosier, Neto e Ilori o acompanharam no relvado, Borja destacou-se e aproveitou a ocasião para demonstrar razoável critério a defender e mesmo a atacar, beneficiando da presença de Vietto nas imediações. Deve-se-lhe uma das primeiras das muitas ocasiões de golo do Sporting que ficaram por marcar, num fortíssimo remate de muito longa distância, mas na segunda parte foi perdendo fulgor até chegar a hora de ser trocado por Acuña.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Tão esforçado quanto dessincronizado, naquele seu jeito diligente-trapalhão, o jovem médio defensivo remou contra a corrente mas pouco ou nada conseguiu, mantendo-se ainda assim até ao final de um jogo ainda mais desolador do que os anteriores. E espera-se que imensamente mais do que os jogos vindouros.

 

Eduardo (1,5)

Esteve no relvado com o equipamento Stromp vestido, mantendo-se 45 minutos num registo equivalente ao da figuração especial. Velho  conhecido do novo treinador dos leões, o brasileiro tarda em justificar a sua presença mesmo que o resto do meio-campo leonino também não seja flor que se cheire.

 

Miguel Luís (2,0)

Envergou a braçadeira de capitão, o que terá parecido estranho a todos quantos não se deram ao trabalho de reparar que era mesmo ele o mais veterano de entre os titulares. Seguiu-se uma exibição marcada pela dificuldade em fazer cruzamentos, ou contribuir de forma decisiva para um desfecho diferente daquele que mostrou aos sportinguistas que continua a haver mais túnel no fundo do túnel.

 

Vietto (3,0)

Fossem os deuses do futebol clementes e um ou mais dos seus potentes e colocados remates teriam encontrado as redes, pois o argentino não só foi o jogador leonino que mais se empenhou na tentativa de marcar um número de golos superior à soma daqueles que inevitavelmente acabariam por entrar na baliza de Luís Maximiano como garantiu um toque de classe na circulação de bola e construção de jogadas que vai rareando no Sporting. Na segunda parte sentiu maiores dificuldades em manter o ritmo e em não ceder à tentação de deixar cair os braços, cedendo protagonismo para o recém-entrado Acuña.

 

Jesé Rodríguez (2,5)

Momentos houve em que o encharcado relvado de Alverca pareceu um DeLorean carburado a plutónio e capaz de devolver a eterna esperança adiada do futebol espanhol à glória que lhe esteve reservada. Tal como a persistente propaganda varandista fez saber nos últimos dias, Jesé está mais magro e consegue acrescentar alguma velocidade à qualidade inata dos pés, pelo que a defesa adversária tremeu com as suas arrancadas em drible pela direita, infelizmente desaproveitadas pelos colegas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Na hora em que a equipa precisava de um matador resolveu assinar o perdão das redes da baliza contrária, desviando a bola para o lado errado dos postes nas duas maiores ocasiões que teve, muitíssimo bem servido pelo livre de Vietto e pelo cruzamento do recém-entrado Bolasie. Longe de ser o maior erro de entre as muitas contratações das épocas pós-Alcochete, nem sempre consegue superar as suas circunstâncias.

 

Bruno Fernandes (2,5)

O golo madrugador do Alverca retirou-lhe qualquer esperança de ficar descansado no banco de suplentes, tendo a realização da RTP mostrado um plano em que a sua expressão apreensiva era o prenúncio daquilo que estava para vir. Substituiu ao intervalo o pouco presente Eduardo, esforçando-se por construir jogadas dignas de uma equipa que não há muito tempo lutava de igual para igual com o Real Madrid ou a Juventus. Ainda enviou a bola à trave num dos seus magníficos livres directos, e tentou servir os colegas, mas não era a sua noite. Pior seria caso Luís Godinho tivesse mostrado o cartão vermelho num lance em que a frustração o levou, com ou sem intenção, a pontapear um adversário que tentava queimar mais uns segundos do tempo de compensação.

 

Acuña (2,5)

De capitão da Argentina contra a Alemanha a impedido de regressar ao Jamor por uma equipa do terceiro escalão do futebol português. Eis um resumo dos últimos dias de Acuña, colocado em campo com dois golos de desvantagem no placard e poucos minutos no cronómetro. Procurou fazer da ala esquerda uma alameda para a reviravolta, servindo-se da capacidade de drible e da atitude que falta a muitos colegas, mas os seus cruzamentos (cada vez mais disfarçados de remates) não surtiram efeito prático.

 

Bolasie (3,0)

Faltou-lhe um pouco de pontaria na melhor ocasião que o Sporting teve para marcar, mas a forma como se desenvencilhou de adversários dentro da grande área prova que poderá ser útil se algum dia a equipa estabilizar. Também na ala direita demonstrou capacidade de progressão no um contra um e muito razoável eficácia na hora de cruzar.

 

Silas (1,5)

Pouca ou nenhuma culpa tem na qualidade do plantel que aceitou treinar, mas tal como existe um motivo para Bruce Wayne e Batman não serem vistos no mesmo sítio, também há razões ponderosas que desaconselham a titularidade em simultâneo de Ilori e Miguel Luís, aliada ao fraco desempenho de Eduardo e Luiz Phellype. Chegada a hora de recorrer aos habituais titulares já pouco ou nada havia a fazer, até porque o segundo golo do Alverca serviu de coro grego, logo secundado pelo “joguem à bola” que veio substituir o “só eu sei porque não fico em casa”. Mas pior do que o resultado, e do que a eliminação precoce que deixa o Sporting praticamente sem objectivos concretizáveis nesta temporada,   foi o discurso após o jogo, abrindo caminho às piores interpretações acerca do estado do balneário leonino.

A confrangedora mediocridade

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Ainda em Outubro, já o Sporting está fora de todos os objectivos relevantes na temporada futebolística: goleados na Supertaça, excluídos sem remissão da liderança do campeonato, agora fomos eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca, que actua no terceiro escalão do futebol luso. É uma noite de pesadelo para o desvanecido emblema leonino: a queda acaba de ocorrer no nosso jogo de estreia nesta competição.

Se analisarmos com rigor, devemos concluir: entrámos em campo derrotados. Para ser mais preciso: esta época começou logo sob o signo da derrota - fruto da improvisação, do amadorismo e da incompetência da SAD leonina. Que planeou mal, contratou pior, despediu quem não devia, apostou em quem jamais devia ter apostado.

 

O resultado está à vista: é uma confrangedora mediocridade. Do pior que tenho visto desde sempre neste meu clube do coração. Com jogadores sem intensidade, sem classe, sem categoria mínima para integrar os nossos quadros. Aqui ficam os nomes dos que agora se arrastaram sem préstimo em campo: Rosier, Neto, Ilori, Borja, Doumbia, Miguel Luís, Eduardo, Jesé e Luiz Phellype. Todos juntos, formaram uma absoluta nulidade. Perante a apatia silenciosa e resignada de um técnico recém-contratado, sentado no banco por não ter habilitações para actuar como treinador principal.

Sobraram Vietto - único elemento do onze titular capaz de pensar o jogo e que nunca desistiu de procurar o golo - e o jovem guarda-redes Luís Maximiano, que se destacou numa defesa do outro mundo aos 45'. Dos suplentes utilizados, Bruno Fernandes e Bolasie - que deviam ter entrado de início - cumpriram os mínimos. Pouco mais havia a fazer: Bas Dost, Nani e Raphinha - importantes na conquista do troféu em 2018/2019 - já não integram o plantel.

Enfim, uma exibição calamitosa em noite de imensa chuva. Sofremos dois golos de uma equipa com um orçamento incomparavelmente inferior mas muito mais bem organizada do que a nossa. E não marcámos sequer um golito para compensar a imensa desolação dos adeptos que se deslocaram a Alverca.

 

Na bancada do estádio, de olhar errante e vago, estava um homem mais isolado que nunca: o presidente Frederico Varandas, que já teve cinco treinadores desde que iniciou funções, há apenas 13 meses. Despediu - e foi incapaz de contratar melhor. Quis assumir a tutela do futebol - e falhou em toda a linha. Prometeu recolocar o Sporting no trilho das vitórias e das alegrias - e tem acumulado derrotas que só nos proporcionam tristezas.

Lamento escrever estas linhas, mas é tempo de concluir: a confrangedora mediocridade tem um nome. O dele.

Armas e viscondes assinalados: O Carvalhal bate sempre duas vezes

Sporting 1 - Rio Ave 2

Taça da Liga - Fase de Grupos 1.° Jogo

26 de Setembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,5)

Demorou tanto tempo a calçar as luvas que não terá aparecido na fotografia de conjunto antes do início do jogo. Para quem fazia a estreia no plantel principal não foi o melhor presságio, e as nuvens carregadas que cobrem Alvalade acabariam por não o poupar. O que dizer de um jogo em que fez quase tantas defesas quanto viu entrar bolas na baliza? Na retina ficou a rapidez com que saiu da grande área para desfazer um atraso negligente de Ilori e o toque providencial com que atrasou por uns segundos o 1-2. Já no lance do primeiro golo foi deixado à sua sorte por dois incompetentes. É muito possível que “Max” seja o futuro, mas o presente é a versão reduzida do mini.

 

Rosier (2,0)

Fica ligado ao lance do golo inaugural do Rio Ave, que Carlos Carvalhal levou a vencer o Sporting em casa pela segunda vez no mesmo mês, pois estava em parte incerta aquando da perda de bola de Wendel e não mais conseguiu apanhar o veloz Ronan no seu rumo à baliza, e talvez também ao segundo, na medida em que alguém deveria estar a vigiar Pedro Amaral, que cruzou da esquerda para a grande área do Sporting sem ter um jogador leonino num raio de dez metros. À parte isso, verdade seja dita que o lateral francês demonstrou estar com mais energia e vontade de combinar com os colegas nas jogadas de ataque.

 

Tiago Ilori (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo desta época e gastou alguns preciosos segundos a contemplar a forma decidida com que Ronan se acercava da baliza. No resto do tempo dedicou-se a trapalhices variadas, como o tal atraso que o guarda-redes teve de resolver, fazendo lembrar que os órgãos dirigentes que o resgataram ao esquecimento no estrangeiro foram os mesmos que venderam Domingos Duarte, emprestaram Ivanildo Fernandes e não conseguiram desarmadilhar o empréstimo de Demiral feito pela genial gerência interina de Sousa Cintra.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto por ter aceite ir à “flash interview”, durante a qual foi perdendo gradualmente a voz até deixar a impressão de estar a ser esmagado pelas circunstâncias. Perder e sofrer dois golos num jogo que esteve quase sempre controlado é o tipo de provação que, como diria Cole Porter, lhe fez ver mais céu cinzento do que qualquer peça de teatro russa poderia garantir.

 

Borja (2,5)

Há que referir que o limitado colombiano esteve tão bem quanto consegue estar, chegando a fazer circular a bola com qualidade e a ser mais do que o habitual empecilho a Acuña na ala esquerda. Mesmo o amarelo que lhe foi mostrado teve sentido, pois travou um adversário que se preparava para entrar na grande área com a bola controlada.

 

Battaglia (2,5)

Estava a continuar a reaprender a ser útil ao clube com que rescindiu e voltou a assinar contrato quando, na sequência de continuados contactos de jogadores do Rio Ave, caiu agarrado ao joelho e foi substituído antes do intervalo. Se voltar a ficar indisponível por um longo período será apenas mais uma dor de cabeça para Silas, o novo treinador do Sporting e o terceiro consecutivo com défice capilar.

 

Wendel (2,5)

Talvez seja injusto apontar-lhe responsabilidades pelo 0-1, ainda que a sua perda de bola tenha servido de ignição a uma série de infaustos eventos. Mais estranha, no entanto, foi a jogada em que se desentendeu com Bruno Fernandes e conseguiram perder a posse de bola a meias para um adversário. Mas também se deve referir que o jovem brasileiro trabalhou mais e melhor pela equipa do que tem sido seu hábito nos tempos mais recentes.

 

Acuña (3,0)

Pudesse ser clonado em série e Marcel Keizer continuaria a torturar a língua inglesa, deixando Leonel Pontes feliz a assistir a goleada após goleada dos sub-23. O argentino foi novamente incansável, tão capaz de desarmar adversários (e de nunca desistir de uma marcação) como de fazer aberturas e cruzamentos para os colegas, falhando apenas redondamente numa recarga a um remate de Jesé Rodríguez quando estava em excelente posição para fazer o 2-1. E ainda se deu o caso, perturbador tendo em conta os antecedentes, de ser visto a acalmar colegas furibundos com o árbitro Manuel Mota.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Precisou da ajuda de um desvio em Diogo Figueiras para marcar de livre directo, mas essa foi a recompensa possível para mais uma exibição em que remou contra a maré sem ser bafejado pela sorte em mais nenhum instante. Não só foi amarelado por ser alvo de ameaças e insultos de um adversário, que o acusou de falta de “fair play” por não devolver uma bola mandada para fora para haver assistência médica, como viu o guarda-redes e a falta de pontaria resolverem cerca de uma dezena de remates de todos os géneros e feitios. De igual modo, também as suas assistências surtiram pouco efeito prático, mantendo-se crente mesmo quando recuou no campo após as alterações tácticas com que Leonel Pontes procurou desesperadamente a vitória ou, logo a seguir, pelo menos o empate.

 

Jesé Rodríguez (3,0)

Convém não lhe pedir para correr, mas quando a bola surge no raio de acção da promessa cancelada do Real Madrid podem suceder coisas espantosas. Fez duas assistências primorosas que Vietto se encarregou de desperdiçar, atirou um cruzamento-remate ao poste e lançou outras bombas que só o azar e o guarda-redes do Rio Ave impediram de abanar o resultado. Saiu a poucos minutos do fim, na hora do desespero, deixando a indicação de que poderá vir a ser útil quando localizarem a caveira de bode que está a amaldiçoar o relvado do estádio.

 

Vietto (2,5)

Torna-se cada vez mais óbvio que é a operação contabilística com melhores dotes de futebolista que anda por aí, sucedendo-se jogadas em que mostra ser capaz de fazer coisas com a bola que nem o demónio desconfia. Só é pena que tenha sido tão incrivelmente perdulário: o cabeceamento ao lado, depois de muito bem servido por Jesé Rodríguez, foi apenas o exemplo mais flagrante dos constantes desacertos do argentino, incapaz de revelar-se super-herói quando os habitantes de Alvalade City mais necessitavam de um.

 

Eduardo (3,0)

Entrou ainda antes do intervalo, devido a nova lesão de Battaglia, e conseguiu impressionar pela qualidade no controlo e circulação da bola, empenhando-se em fazer avançar a equipa no terreno. Merece mais tempo que provavelmente lhe será concedido por Silas, que já foi seu treinador na Belenenses SAD.

 

Luiz Phellype (2,0)

Regressou de lesão com pouco ritmo e mais não fez do que ser uma presença na grande área do Rio Ave que prendeu mais os centrais e dinamizou a conquista de espaços pelos colegas. Convirá voltar quanto antes à bitola jogo feito-golo feito que foi sua no final da época passada.

 

Jovane Cabral (2,0)

Esteve quase a entrar em campo com a camisola de Gonzalo Plata, o que seria o culminar perfeito para a tragicomédia em curso no Sporting. Tendo pouco tempo, certo é que se esforçou para que a bola rondasse a baliza do Rio Ave.

 

Leonel Pontes (3,0)

Sinal de que a vida foi especialmente cruel para o interino que deverá sair com o recorde negativo de um empate e três derrotas em quatro jogos ao comando do Sporting é que o Rio Ave fez dois golos em pouco mais do que duas ocasiões de golo. E, mais precisamente, que o Sporting não jogou mesmo nada mal, sucedendo-se as combinações entre Bruno Fernandes, Vietto e Jesé Rodríguez, bem municiados sobretudo por Acuña e não raras vezes por Wendel. Mesmo os pontos fracos do onze que pôs em campo não tinham grande solução - Coates e Mathieu precisavam de descanso, por motivos diferentes, e a lesão de Ristovski, a venda de Thierry Correia e a falta de inscrição de João Oliveira obrigam à utilização intensiva de Rosier até alguém reparar que o Sporting pagou uns quantos milhões pelo passe de Rafael Camacho, aquele a quem Klopp antevia futuro como lateral-direito – e o facto de os poucos milhares de adeptos que estavam nas bancadas se terem dedicado mais a confrontos físicos e cânticos contra os órgãos dirigentes do que propriamente a apoiar os jogadores também não terá dado muito jeito. Espera-se que, tendo em conta o seu anterior local de trabalho antes do Jamor, o sucessor Silas traga consigo a estrela de Belém.

Pódio: Vietto, Renan, Jovane

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Famalicão pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 16

Renan: 15

Jovane: 12

Battaglia: 12

Rosier: 12

Jesé: 11

Acuña: 11

Bolasie: 11

Mathieu: 11

Idrissa Doumbia: 10

Miguel Luís: 10

Wendel: 10

Coates: 8

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor sportinguista em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 
 

De ver o Sporting novamente humilhado em casa. Saímos ontem derrotados de Alvalade, frente ao Famalicão (1-2). Uma equipa que nunca nos tinha vencido e foi recentemente promovida à Primeira Liga após um quarto de século no escalão secundário. Um desaire inaceitável, fruto da apatia e do desnorte do onze leonino, que já perdeu dez pontos nos seis primeiros jogos deste campeonato (três com o Rio Ave, três com o Famalicão, dois com o Marítimo e dois com o Boavista).

 

Do treinador. Leonel Pontes leva três jogos no comando da equipa principal do Sporting - e ainda não conseguiu vencer. O principal responsável por este novo desaire é ele. Dispôs a equipa num losango a meio-campo sem testar devidamente este sistema de jogo, fez alinhar no onze titular três médios com características defensivas e mandou sair o elemento mais criativo, Vietto, num momento crucial, quando o argentino se revelava  o melhor sportinguista em campo. Errou na leitura de jogo, errou nas substituições, mostrou não ter capacidade para altos voos no comando técnico do Sporting. Está a prazo, quase a esgotar-se, como toda a gente já percebeu.

 

Da Coates. O que se passa o central uruguaio? Em três jogos, provocou três penáltis e marcou dois autogolos. O golo da vitória do Famalicão, ocorrido aos 88', foi marcado por ele, em jeito de ponta-de-lança - só que na baliza errada. Como já tinha acontecido na semana anterior, no desafio frente ao PSV, para a Liga Europa. Com a agravante, ontem, de ostentar a braçadeira de capitão. Precisa urgentemente de uma cura de bancada, fora do onze titular e até do banco dos suplentes. Tornou-se numa calamidade.

 

De Wendel. Pontes apostou nele como o médio criativo com maior liberdade de movimentos, mas o brasileiro teve uma actuação péssima, contribuindo em larga medida para enterrar a equipa. É ele quem perde a bola no meio-campo, oferecendo-a de bandeja ao adversário, no lance de que resultou o primeiro golo. É ele quem, isolado no ataque, se atrapalha com a bola e não consegue rematar. É ele quem se mostra incapaz de verticalizar e agilizar o jogo. E é também ele o primeiro a quebrar fisicamente, desgastando as energias em inúmeras corridas inconsequentes.

 

De Miguel Luís. Esconde-se do jogo, dir-se-ia perdido em campo, não se percebe qual é a sua missão posicional. Falta-lhe intensidade competitiva e parece chegar sempre atrasado às bolas divididas. Teve uma ocasião soberana de marcar, isolado perante o guarda-redes - e atirou ao lado. Uma enorme decepção. Melhor é que regresse sem demora às competições da Liga Revelação.

 

Da ausência de Bruno Fernandes. Sem o nosso melhor jogador, que ficou fora desta partida a cumprir castigo, este Sporting torna-se uma equipa banal, do meio da tabela. Não admira que estejamos agora com os mesmos pontos do Tondela e do Santa Clara. Este Bruno faz-nos muita falta.

 

De Jesé. O grande reforço anunciado aos sete ventos por Frederico Varandas tarda em mostrar-se. Jogou meia-hora frente ao Boavista, sem nada fazer de relevante. Acabou por não seguir viagem para a Holanda, devido a uma súbita indisposição. E ontem esteve fora do onze titular: entrou só aos 76', sem adiantar nem atrasar. Apenas deu nas vistas com uma arrancada de 30 metros, com a bola dominada, que terminou com... um passe ao guarda-redes. Inócuo.

 

Da segunda parte. Um verdadeiro descalabro - do pior que tenho visto desde sempre no Sporting. O Famalicão impôs-se, pressionou, dominou, dispôs de seis oportunidades de golo - e aproveitou duas, aos 55' e aos 88'. O suficiente para levar três pontos de Alvalade. Vitória merecida. Foi, sem discussão, a melhor equipa em campo.

 

Dos assobios. Os primeiros protestos sonoros em forma de assobio, nas bancadas do nosso estádio, começaram a escutar-se logo aos 7'. Qual é o jogador que se moraliza e se empolga a receber vaias daqueles que deviam incentivar a equipa com aplausos?

 

De escrever estas linhas. Faço-o, sem a menor vontade, só para cumprir uma tradição antiga neste blogue de registo de todos os jogos da equipa principal do Sporting para efeitos de consulta posterior. Uma tradição quase com oito anos e que só muito raramente interrompi, por motivos de força maior.

 

 

Gostei

 

De Vietto. Melhor sportinguista em campo - um dos raros que merecem nota positiva. Na ausência de Bruno Fernandes, foi ele o único a causar desequilíbrios e a fazer passes de ruptura lá na frente. De um desses movimentos, em que recuperou a bola, nasce o nosso golo - o primeiro golo dele de verde e branco. Um forte disparo de fora da área, dirigido ao canto superior esquerdo da baliza do Famalicão. Belíssimo golo, aos 25', que empolgou os adeptos e nos fez ir para o intervalo a vencer 1-0, o que sucedeu pela primeira vez esta época. Infelizmente tudo seria bem pior na segunda parte. E só se agravou quando Pontes mandou sair o argentino, que se mostrou tão perplexo com esta substituição como todos quantos assistiam ao jogo.

 

De Battaglia. Regresso muito aplaudido do médio argentino após quase onze meses parado por ter sofrido uma lesão grave. Voltou com as qualidades intactas: médio de contenção mais recuado, contribuiu para desarticular grande parte dos lances ofensivos do Famalicão no primeiro tempo. Ainda longe da melhor condição física, foi revelando menos influência na manobra defensiva do Sporting por cansaço, acabando por ser substituído aos 76'. Em noite de assobios, saiu do relvado sob merecidos aplausos.

Armas e viscondes assinalados: Não há cá artista, não há cá tomba-gigantes

Sporting 1 - Famalicão 2

Liga NOS - 6.ª Jornada

23 de Setembro de 2019

Renan Ribeiro (2,5)

Deve começar a acreditar que o futebol é um jogo de onze contra onze e no final Coates marca na própria baliza. Tendo sofrido menos um golo do que na última deslocação ao relvado de Alvalade, evitou que o Famalicão inaugurasse o marcador num canto muito bem coreografado, valendo-lhe a fraca recarga que encaixou após defender o remate de longe de Fábio Martins para a sua frente. Perante o desnorte em que se tornou a segunda parte do Sporting, pouco pôde fazer para evitar o que acabou por ser inevitável.

Rosier (2,0)

Tinha pela frente Fábio Martins, de longe a estrela do inusitado líder da Liga NOS, mas começou bastante bem, ganhando várias vezes a linha com jeito e força, e parecia embalado para uma boa exibição. Mas terá dado um “estouro” que contribuiu para o arrastamento do Sporting para as cordas depois do intervalo, parecendo desaparecido em parte incerta em algumas jogadas do Famalicão.

Coates (1,5)

Há pessoas transformadas em estátuas de sal no Antigo Testamento e vítimas de maldições de filmes de terror japoneses que parecem ter uma vida airada quando comparados com o central uruguaio. Quase incapaz de se reerguer da relva após mais um autogolo, ainda por cima aquele que definiu o resultado e mais uma derrota do Sporting, Coates voltou a marcar na própria baliza para evitar que um adversário isolado o fizesse – levando a pensar que talvez deva começar a deixar passar a bola, pois pode muito bem ser que os avançados das outras equipas tenham pior pontaria do que ele próprio –, mas foi bastante menos eficaz na grande área contrária, cabeceando diversas vezes por cima ou ao lado antes de desperdiçar o que aparentou ser a execução desastrada de um livre estudado. E pensar que este foi o jogo em que não ficou longe de fazer um golo através de um pontapé de bicicleta...

Mathieu (3,0)

O compromisso que o francês coloca em cada jogada deveria levar todos os sportinguistas a cumprimentá-lo no final dos jogos. Apesar de também ter ficado perto de cometer um autogolo logo nos primeiros minutos, impôs a sua qualidade, combinou bem com Acuña para criar jogadas e foi mandão nos cortes e alívios. Na segunda parte, além de não ter evitado o golo do empate,  tornou-se penoso assistir à forma como olhava para os colegas e demorava a descobrir um único a quem valesse a pena endossar a bola.

Acuña (3,0)

O jogo de suspensão ofertado a Bruno Fernandes no Bessa transformou automaticamente o argentino no jogador leonino que melhor trata a bola. Tirou partido desse dom para fazer excelentes jogadas com Vietto e executar cruzamentos que poderiam ter aproveitamento se Bas Dost não tivesse sido vendido em saldo, Luiz Phellype não se tivesse lesionado e Pedro Mendes tivesse sido inscrito na Liga. É de justiça referir que foi o último a baixar os braços, mas também há que sublinhar que o lance que ditou a segunda derrota caseira consecutiva do Sporting nasceu na sua área de jurisdição.

Battaglia (2,5)

Regressou à titularidade após longuíssima recuperação e foi decisivo na primeira parte para equilibrar o meio-campo leonino e deixar que colegas desempenhassem outras funções. Perdeu gás no decurso do jogo, mas quando foi retirado para a entrada de Jesé Rodríguez ficou a impressão de que estava longe de ser o mais necessitado de descanso.

Miguel Luís (2,0)

Um chapéu mal calculado que poderia ter inaugurado o marcador foi a principal marca da actuação do jovem formado em Alcochete, tal como a falta fora de tempo que lhe valeu um cartão amarelo madrugador. Daquilo que fez no losango montado por Leonel Pontes, e foi fazendo cada vez menos à medida que o relógio avançava, fica a dúvida: não faria mais sentido ter Francisco Geraldes ou até Daniel Bragança no plantel?

Wendel (2,0)

Interpretou o papel do ausente Bruno Fernandes, posicionando-se entre os avançados móveis Vietto e Balosie, o que começou por confundir os adversários, algo perplexos com a energia do jovem brasileiro. Mas tudo começou a mudar na jogada em que recuperou a posse de bola à entrada da grande área do Famalicão e, em vez de rematar de pronto ou servir um colega em melhor posição, enredou-se com a bola e perdeu a oportunidade de fazer o 2-0. Na segunda parte especializou-se em ser o recorrente coveiro das raras jogadas de ataque prometedoras da sua equipa, além de voltar a demonstrar o défice físico em que Leonel Pontes insiste em não reparar (como Marcel Keizer antes dele), mantendo-o em campo enquanto retirava quem lá fazia falta.

Idrissa Doumbia (2,5)

Sair da posição mais recuada do meio-campo fez bem ao costa-marfinense. Mais solto e interventivo, ainda que nem por isso especialmente inspirado, foi um poço de energia e de entusiasmo, chegando a aparecer na zona do ponta de lança para acorrer a um cruzamento. Só lhe falta mesmo ter dotes de cabeceador.

Bolasie (3,0)

Um dos raríssimos motivos para os sportinguistas terem esperança na obtenção de objectivos possíveis, como a reconquista da Taça da Liga e o apuramento para a próxima edição da Liga Europa, é a capacidade de progressão com bola do anglo-franco-congolês. Mesmo vigiado de perto pelo árbitro Hugo Miguel, assaz diligente a apitar ao menor sinal de desconforto dos futebolistas do Famalicão, Bolasie deu literalmente o corpo ao manifesto durante o jogo inteiro.

Vietto (3,5)

Terminou o seu longo jejum de golos com uma obra de arte que o guarda-redes adversário mais não pôde do que admirar, visto que o seu remate em arco teve tanta força quanto colocação. Antes e depois disso, o artista argentino combinou bem com os colegas e nunca teve medo de visar a baliza, servindo-se da velocidade para causar quase tantos tremores aos adversários quanto o próprio sentiu quando percebeu que Leonel Pontes o iria substituir.

Jovane Cabral (2,0)

Ainda apareceu isolado e foi derrubado por Defendi, carregando a bola para a marca de grande penalidade, mas afinal tinha partido de posição irregular. É assaz significativo que esta tenha sido a maior participação que teve no jogo a que chegou tarde e num momento em que o Sporting parecia um castelo de cartas à espera de um cruzamento que Coates desviasse para a própria baliza.

Jesé Rodríguez (2,0)

Chamado a dar o seu contributo e rumar à vitória, o espanhol deu um ar de sua graça na arrancada que o fez intrometer-se na grande área do Famalicão e rematar cruzado. Pode ser que venha a ser útil, mas tal não deverá suceder tão cedo, a avaliar pela sua forma física.

Leonel Pontes (1,0)

Momentos houve em que parecia destinado a protagonizar um “tomba-gigantes” muito agridoce, pois derrotar o líder da Liga NOS em casa não teria propriamente o mesmo sabor tratando-se do Famalicão. Perante os problemas conjunturais (castigo de Bruno Fernandes e lesão de Luiz Phellype) e estruturais do plantel leonino (demasiados para caberem aqui), o treinador interino colocou no relvado um losango bastante dinâmico, capaz de disfarçar os pontos fracos do Sporting e de fazer mossa ao adversário. Pena é que o seu funcionamento fosse demasiado dependente do desempenho de Wendel, que não tardou a eclipsar-se, arrastando consigo toda a equipa. Se ainda antes do golo do empate o Sporting já estava a jogar pouco, a partir daí instalou-se o marasmo, limitando-se a ver jogar (bastante bem, por sinal) os visitantes e a tremer enquanto a bola insistia em passar ao lado da baliza de Renan Ribeiro. Mas o desfecho do jogo e o divórcio litigioso entre as bancadas e a equipa é da inteira responsabilidade de Leonel Pontes, que enveredou pelo suicídio assistido (mas não por muitos, ao ponto de o “speaker” se esquecer de dizer quantos não sabem porque não ficaram em casa) ao retirar Vietto em vez de um dos meio-campistas para a entrada de Jovane Cabral. A derrota ao cair do pano deve-se em grande parte ao descalabro do que começou por ser um bom plano de jogo, estreitando o caminho de quem volta a ter na quinta-feira, desta vez para a Taça da Liga, uma oportunidade para ouvir o apito final com três pontos amealhados.

O poder do futebol

Um clube a atravessar zona de turbulência, entre o aperto financeiro e as heranças complicadas de resolver, umas bem e algumas muito mal resolvidas, uma comunicação medíocre e incompetente, viúvas e ressabiados a apelar à insubordinação, as claques desmamadas a chorar baba e ranho, principalmente a responsável pelo assalto terrorista a Alcochete e que tem o cadastrado lider na prisão, o "bloco de esquerda" (baixa) das redes sociais a martelar nas teses metafísicas do bananismo croquetismo, excursões de javardeiros combinadas para incendiar Alvalade, assaltar a SAD e fazer ao Varandas o que fizeram ao Bas Dost e...

E... O Sporting passou em Portimão onde tropeçou no ano passado, passou para o 1º lugar da Liga. Com o "Viannetto" do carrossel do Mendilhão o melhor em campo. E na próxima jornada tem o jogo mais fácil dos 3 grandes, sendo que eles jogam com Guimarães e Braga, e assim, ganhando (e não vai ser fácil) não só continuamos em 1.º como forçosamente alargamos a vantagem com os mais sérios concorrentes. 

E... que tranquilidade, que sossego... que pode e de certeza não vai durar muito, mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

É o poder do futebol e o futebol é a mola real do Sporting Clube de Portugal.

Se gostaram da prosa, oiçam também :  The Power of love (Huey Lewis and the News).

SL

Passas no Algarve

 

  1. Portimonense tem uma bela equipa e está muito bem armada. Tem ótimos jogadores (bom scouting!) e joga ao ataque, sem manhas, simulações e demais tretas.
  2. Sporting teve a “sorte do jogo” (como não teve na final da Supertaça).
  3. Não acabamos de rastos no final, como com o Braga. Mas eu fiquei com a sensação que ainda não controlamos o ritmo do jogo como uma equipa “grande” deve ser capaz de conseguir. Se estivéssemos na Champions, e seguindo o que disse Pinto da Costa, teríamos levado uma tareia.
  4. Vietto e Bruno fizeram uma bela dupla. Dois craques, também a exibirem-se um contra o outro, mas a vida é mesmo assim e quem ganhou foi o espectador.
  5. O nosso Doumbia não é nenhum William, talvez o jogador que mais falta nos faz.
  6. Wendel parece um velhote de 35 anos. Ou um molengão que se deitou às 5 da manhã.
  7. Nossos centrais, quase sempre desprotegidos, viram-se em apuros. Se Jackson estivesse afinado, não teria acabado 1-3.
  8. Talvez como despedida, muitas bolas cruzadas para o fantasma de Bas Dost que obviamente não estava em campo (porque os fantasmas não existem).
  9. Luiz Phellype é outro tipo de avançado, mais de encostar ou de moer defesas só por moer. Mas já marcou e já sacou uma penalidade.
  10. Depois do jogo de ontem, nunca mais Vietto voltará a ter o espaço que teve ontem. Mas quero crer que em modo contra-ataque e/ou contra equipas de bloco alto será um excelente abre latas e um passador acima de Bruno.
  11. Por falar em Bruno, tenho de ser eu, que nunca o vi na vida, a dizer-lhe que não pode reagir assim às decisões de arbitragem, seja um fora mal ajuizado, seja um cartão por mostrar? Sem querer chocar ninguém, vocês davam 70 milhões por um jogador que se arrisca a ser expulso por protestos? Ou lá fora ele seria mais calmo?
  12. Nosso Thierry está a subir imenso de produção, mas convinha a Raphinha ajudar mais.
  13. Eduardo entra desconcentrado em jogo e já não é a primeira vez. Passa curto, com a bola a queimar o colega, ou passa mal. Também posso falar com ele.
  14. Bas Dost teve sempre a seu desfavor não ser um jogador pintoso, bonitão, tatuado e musculado. Como sabemos, essa impressão que se tem ou não se tem é muito mais importante que parece. Fora isso, foi muito mais sportinguista que muitos dos nossos. E um goleador que ficará na nossa história. Obrigado por tudo!

Armas e viscondes assinalados: BF, PH e TT foram os três tenores

Portimonense 1 - Sporting 3

Liga NOS - 3.ª Jornada

25 de Agosto de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Ficou a centímetros de defender o pénalti que impediu hora e meio de sossego aos adeptos leoninos. À parte isso, encaixou bem um remate rasteiro em zona frontal e observou como os frequentes remates da equipa da casa atingiam as bancadas.

 

Thierry Correia (3,0)

Muito seguro a defender, apesar de ter o perigoso Boa Morte na vizinhança, também se integrou bem no ataque, tirando fruto das oportunidades para avançar no terreno, mesmo que uma dessas arrancadas tenha sido aproveitada pelo videoárbitro para sonegar um pénalti a favor do Sporting. E na única ocasião em que se viu em apuros contou com a ajuda de um cavalheiro uruguaio de elevada estatura.

 

Coates (3,5)

Resolveu com um corte perfeito no timing e na intensidade a jogada mais perigosa do ataque algarvio na segunda parte. Impediu o que poderia ter sido o empate como se fosse mais um domingo no escritório e só não merece nota mais elevada por algum desafinamento na dupla com Mathieu e pela falta de pontaria quando subiu à grande área adversária.

 

Mathieu (2,5)

Ficou marcado pela falta escusada que resultou no pénalti a favor do Portimonense, revelando-se aquém da sua enorme classe em muitos lances. Mesmo assim não se coibiu de fazer circular a bola.

 

Acuña (3,0)

Livre da companhia de Diaby, trocado no onze titular por um argentino que sabe jogar futebol, Acuña venceu a maioria dos duelos com o venenoso Tabata e recorreu ao seu bom critério para construir jogadas de ataque.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Algumas perdas de bola difíceis de explicar comprometeram mais uma exibição plena de esforço. Estando Battaglia a preparar o regresso aos relvados, aconselha-se-lhe que trabalhe ainda mais para aperfeiçoar o seu futebol.

 

Wendel (2,5)

Jogou mais recuado e não se deu bem com a posição, parecendo por vezes desaparecido no relvado. Mas também é verdade que o final de tarde pertenceu aos três tenores, deixando os outros colegas de equipa na sombra. E que o jovem brasileiro saiu esgotado, cedendo o lugar a Eduardo.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Contabilizar o passe para Raphinha fazer o 0-1 como assistência tem o seu quê de exagerado, até porque o brasileiro estava colado à linha lateral, a dezenas de metros da baliza, quando recebeu a bola. Mas foi a movimentação do capitão, capaz de arrastar adversários, que permitiu ao extremo brasileiro ficar no um contra um que resultou no golo inaugural. Magnífico a desmarcar-se ao ser solicitado por Vietto, ofereceu a Luiz Phellype o 0-2 e tirou da cartola o cruzamento para Raphinha selar o 1-3. Faltou-lhe apenas o golo, pois o chapéu com que correspondeu a uma nova abertura de Vietto saiu curto e pouco ensaiou o remate de longa distância. Talvez seja a consequência da compatibilização com o argentino, que coloca dois artistas no meio-campo ofensivo leonino, mas se o capitão ficar em Alvalade após o fecho do mercado haverá muito tempo para afinar o modelo.

 

Raphinha (4,0)

Foi o melhor em campo devido à eficácia letal com que encarou as ocasiões de golo, ultrapassando o calcanhar de Aquiles das suas anteriores exibições. Perfeito na movimentação e remate cruzado do 0-1, oportuno e espectacular na abordagem da bola no 1-3, dominou primorosamente o passe longo de Vietto e ficou à beira de obter um hat-trick. Ficará para a próxima, partindo do princípio que permanece em Alvalade, rumo a sabe-se lá o quê.

 

Vietto (4,0)

Revelou-se o rei do drible, como se tivesse despertado de um encantamento de conto de fadas, mas foi mais pragmático ao juntar precisão de passe longo e visão de jogo. Deixou Bruno Fernandes duas vezes cara a cara com o guarda-redes algarvio, daí resultando o golo de Luiz Phellype e um chapéu afastado das redes por um defesa, mas ainda mais extraordinário foi o passe “coast to coast” que deixou Raphinha em condições de subir a parada para 1-4. Terceiro “tenor” dos verdes e brancos, ainda que afirme encontrar-se em adaptação ao lugar no campo, promete mais alegrias aos adeptos.

 

Luiz Phellype (3,0)

Esteve no sítio certo à hora certa, empurrando a bola ofertada por Bruno Fernandes para a baliza deserta, num daqueles “shitty goals” do ex-colega, e serviu-se da velocidade para ser derrubado no lance que começou por ser livre directo, passou a pénalti e mais tarde foi anulado. Tendo peso no resultado, não menos verdade é que demonstrou fragilidades que aconselham o Sporting a contratar alguém, mesmo que em saldos, para disputar o lugar que era de Bas Dost.

 

Eduardo (2,5)

Entrou para Wendel descansar e, ultrapassado o choque inicial, deu ares de sua graça nas incursões pelo meio-campo adversário.

 

Borja (2,0)

Jogou alguns minutos para terminar os diálogos de Acuña com a equipa de arbitragem. Nada fez de incorrecto, o que nem sempre ocorre consigo.

 

Marcel Keizer (3,0)

Recebeu o prémio por compatibilizar Bruno Fernandes e Vietto, vendo-se em vantagem desde muito cedo. As compensações entre os dois criativos, Raphinha, Acuña e Thierry funcionaram bem, sobrando a palhinha mais curta para Wendel, e pode muito bem ser que tenha ocorrido o dealbar de uma nova era em Portimão. Não deixa, no entanto, de ser preocupante o mau estado físico de uma equipa que ainda só joga uma vez por semana, o que contribuiu para que o Portimonense ganhasse ascendente na segunda parte, bem como a relutância do holandês em confiar naquelas pessoas que leva para o banco e mete a aquecer. Voltou a nem esgotar as substituições, deixando Rafael Camacho e Gonzalo Plata à espera da estreia na Liga NOS.

Alívio

O Sporting entrou forte, rapidamente marcou dois belos golos, o Portimonense teve de fazer pela vida e a partir do escusado penálti tivemos um ping-pong de situações que poderiam ter dado um ou outro resultado, o tal Keizerbol, sempre na corda bamba entre a goleada e o fracasso. E também tivemos mais um roubo de igreja repartido entre Xistra e o VAR.

De qualquer forma, o Portimonense mostrou muitos e bons argumentos e apenas uma grande equipa teria conseguido o 3-1. E o Sporting apresentou uma equipa lutadora e solidária, desta vez sem nenhum peso morto, e com um trio de artistas a fazer a diferença: Vietto, Bruno Fernandes e Raphinha. E bem melhor do que tem acontecido em termos físicos e nas faltas para cartão.

E finalmente houve Vietto. O melhor em campo, que ponta de lança não é, mas consegue fazer passes de eleição. Ainda por cima a entender-se às mil maravilhas com Bruno Fernandes. Assim de repente lembrou-me o João Pinto. A chatice é que o Jardel já se foi.

E agora? Agora é ganhar ao Rio Ave! E aguardar o fecho do mercado. 

SL

Keizer não convence...

Apesar da vitória indiscutível, Marcel Keizer continua a não convencer. O jogo começou a ser ganho antes do apito inicial, quando o holandês decidiu colocar Vietto no lugar de Diaby, o que equivale a jogar com 11 jogadores de futebol, o que é bem melhor que jogar com 10 e mais uma nulidade que só atrapalha. Os quatro jogadores mais avançados no terreno, Vietto, Bruno Fernandes, L. Phellype e Raphinha resolveram o jogo, permitindo que a contestação ao treinador fique adiada por mais algum tempo.

Felizmente que o resultado estava feito, o terceiro golo retirou força anímica ao adversário, que ainda assim acabou o jogo por cima, face à deficiente condição física que os nossos jogadores apresentam, foi notória a quebra com o aproximar do fim do jogo, mas o treinador resiste a fazer substituições, quando se pedia que colocasse um dos extremos que tinha no banco, para explorar o adiantamento do Portimonense, mas igual a si próprio, sempre medroso, apenas mexeu no sentido de procurar reforçar a defesa do resultado. O Sporting pode não ter o melhor plantel da I liga, mas olhando para a qualidade dos jogadores e para o trabalho de Marcel Keizer, é caso para dizer que o Sporting parece um carro desportivo, equipado com um motor utilitário...

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