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És a nossa Fé!

Com VAR, o árbitro deixou de ser juiz

Texto de João Gil

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O problema é que pela interpretação literal da lei (11) do fora de jogo até 1 milímetro (do mesmo modo, um milionésimo de milímetro...) constitui infracção passível de anulação da jogada. Portanto, em termos materiais estará provavelmente correcto anular a jogada e o golo.

A lei exclui apenas mãos e braços para efectuar o julgamento da situação de offside. Contam para a medição de um fora de jogo todas as partes de corpo, cabeça (incluindo cabelo....) e pés (la está, um tipo que calce 44 tem vantagem sobre um que calce 41), mas isto, com a introdução do VAR, introduz um aspecto que não existia antes, que é o da percepção da jogada pelo árbitro e a de considerar se 2 centímetros (estando ainda por cima o jogador de costas para a baliza) constituem vantagem “de facto” do atacante sobre o penúltimo defesa, numa circunstância de golo igual à verificada no golo anulado a Pedro Gonçalves.

Desde que se alterou a lei do fora de jogo, para que um jogador considerado “em linha” não fosse julgado em offside, nunca mais houve descanso com as situações de fora de jogo. É um caso de uma alteração à lei que não parece ter trazido qualquer benefício para o jogo. Aportar maior rigor à definição do que é ou não é uma situação de vantagem falta à clarificação da lei e de como a mesma deve ser interpretada. Se calhar terá de ser a ciência, a bio-mecânica, qualquer coisa por aí - e não exclusivamente ex-árbitros que nunca jogaram à bola e são só versados no sopro do apito - a trazer essa revisão do conceito de vantagem (física) na situação de fora de jogo.

 

Depois ainda sobra a questão do frame e da tecnologia. Num jogo Moreirense-Sporting em que as câmaras que servem o VAR sejam menos sofisticadas do que as de um Porto-Santa Clara ou um Benfica-Maritimo, os julgamentos das jogadas críticas podem prejudicar os intervenientes do primeiro jogo em benefício dos outros dois.

Tudo conta, portanto.

Enquanto as condições não forem iguais para todos e a jurisprudência não for uniformemente aplicada, vamos continuar a ter estes episódios que podem definir campeões e descidas de divisão. Nesse aspecto, era muito mais justo quando a decisão pertencia exclusivamente ao árbitro, com toda a margem de erro do mundo, e não havia interferência de um colégio de outros árbitros e assistentes de árbitros que influenciam objectivamente o destino dos jogos, apesar de toda a lengalenga do protocolo do VAR.

 

A intervenção do VAR é, por si só, uma fortíssima condicionante psicológica à decisão última do árbitro de campo. Na realidade, o árbitro de campo deixou de ser o juiz. Com o VAR e o AVAR o jogo passou a ser dirigido por um colectivo de juizes que se influenciam reciprocamente na tomada de decisão. Esta mudança é tão ou mais estrutural do que a simples alteração de uma lei do jogo.

Eu teria ficado muito mais conformado se o golo de “Pote” tivesse sido simplesmente anulado pelo fiscal de linha por ter, na sua análise instantânea do que se passou em campo, percepcionado uma vantagem do jogador do Sporting naquele lance. A decisão não foi do árbitro, foi da máquina (e do tipo que operava a máquina) que disse ao árbitro: anula o golo, que o tipo tinha uma vantagem de 2 cm sobre o defesa.

E o árbitro anulou.

 

Temos de marcar mais golos do que o adversário no próximo jogo. Ou como quem não tem Taremi, tem de caçar com Paulinho, TT, Pedro Gonçalves e companhia..

Viva o Sporting e vamos lá ao próximo que até os comemos.

 

Texto do leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

24 imagens por segundo

Texto de Sol Carvalho

Caramba, nem com a escrita, sentados tranquilamente em casa, os árbitros conseguem uniformizar critérios. O exemplo de hoje [terça-feira] é incrível. Vem no Record. Os comentadores de arbitragem são os mesmos para os jogos Sporting-Moreirense e Benfica-Marítimo. São eles Jorge Faustino e Marco Ferreira.

Os dois acham que a entrada sobre Nuno Mendes foi bem sancionada "faltando o amarelo para exibir". Umas páginas à frente fazem o mesmo comentário sobre uma entrada sobre Rafa e novamente afirmam ambos que "faltou o cartão amarelo por exibir...

O interessante é que no rectangulozinho em baixo, no caso do Sporting se escreve CERTO e no correspondente rectângulo sobre o caso do Benfica se escreve ERRADO! Boa....

 

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Outro assunto: sou profissional de comunicação e garanto-vos que se eu quisesse (iria fazer o que seria certo e justo) validaria aquele golo dos 2 centímetros sem que ninguém me pudesse acusar de fazer batota porque os frames de um pontapé na bola são 24 num segundo e seria impossível saber qual a exacta paragem da acção para a atribuição das linhas que seria correcta. Por isso, não acho nada estúpida a proposta de que a margem deveria ser maior precisamente para evitar essa possibilidade.

Já agora, para informação de todos, três frames numa filmagem são apenas retidos no subconsciente e a utilização de frames incluidos para publicidade "invisível" já deu origem a um processo judicial nos Estados Unidos. Então, sem fazer juízos de intenção do caso específico, aquele golo poderia ser validado bastando fazer a paragem três ou quatro frames mais à frente e sem ninguém poder dizer que a bola já tinha saído do pé...

Por outras palavras, a tecnologia do VAR é boa e dá muito mais verdade, mas que não se comece a justificar tudo dizendo que a decisão é infalível ("porque é técnica", como ouvi ontem defender) porque não é!

 

Publicado originalmente aqui.

Os 2 centímentros de Moreira de Cónegos

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A propósito dos dolorosos dois centímetros cónegos recordo o que botei, aqui e alhures, em Abril de 2019, a propósito de um Manchester City-Tottenham. Resmungando sobre "...o anti-clímax que está a ser o vídeo-árbitro. Tecnologia que é preciosa, para reduzir erros e para combater a mariolagem arbitral. Mas cuja utilização trouxe uma vertente "tecnocrática", uma mania de "justiça" que de tão maximalista, pois milimétrica, não é ... justa. (...) Feito intelectual da bola, julgo que para manter o entusiasmo do jogo e para preservar a boa tecnologia são precisas duas mudanças: uma alteração legislativa e uma diferente jurisprudência."

Pois "Venho devido ao VAR, que foi influente no jogo. O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. 

Assim, as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. (...) [No caso do] fora-de-jogo. Há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá."

Mas, infelizmente, não sou consultor da FIFA ou da International Board, qual Arsène Wenger luso. E que jeito me daria o emprego ou a consultoria...

Tudo isto é uma palhaçada

Texto de AHR

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Se a margem de erro fosse 10cm, uma medição de 12cm não seria questionável. Teria que ser validada como fora-de-jogo.

Senão vejamos: os limites seriam 12cm - 10cm = 2cm (está em fora-de-jogo) e 12cm+10cm=22cm (está em fora-de-jogo). Ou seja, uma medição de 12cm daria sempre fora de jogo de acordo com a margem de erro do equipamento. Não há dúvidas. É assim que funciona.

Pôr em causa a decisão seria pôr em causa a margem de erro do equipamento e isso seria outra discussão. Ao contrário, se a medição fosse de 8cm, por exemplo, para a mesma margem de erro de 10cm, ter-se-ia: 8cm - 10cm = -2cm (não está em fora-de-jogo) e 8cm + 10cm = 18cm (está em fora-de-jogo). Como se vê, neste caso, haveria a possibilidade de não estar em fora-de-jogo, de acordo com a margem de erro, e portanto o fora-de-jogo não poderia ser validado com uma medição de 8cm para uma margem de erro de 10cm.

 

Já aqui escrevi aqui que bastaria ser divulgada a margem de erro admissível das linhas do VAR para se acabar com todas as suspeições.

Enquanto isso não acontecer, irão ainda aparecer foras-de-jogo de 1cm, 0,5cm e, quem sabe, de 1mm. Tudo é possível enquanto não sair cá para fora a margem de erro das medições.

Efectivamente, tudo isto é uma palhaçada. Não vale a pena estar a comentar que um fora-de-jogo de 10, 5, 2, ou 1cm é ridículo sem antes se saber qual a precisão do equipamento. Até pode acontecer que a precisão do equipamento seja de 1cm (o que duvido) e, assim sendo, uma medição de 2cm teria que ser validada. É assim que funciona.

 

Fico incrédulo como até agora fui o único a reclamar a divulgação da margem de erro do equipamento! Coisa tão simples e tão básica.

 

Texto do leitor AHR, publicado originalmente aqui.

A mentira desportiva

Um caracol de jardim mede 8 centímetros

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Não faz qualquer sentido anular um golo limpo por supostos "20 milímetros" de linha virtual. Que podem ser numa direcção ou noutra, consoante o fragmento de micro-segundo do fotograma em análise.

É óbvio que uma diferença residual como esta pode ser manipulada, sobretudo nas últimas jornadas do campeonato, quando está em causa o acesso directo aos milhões da Champions. Como já se viu no jogo em Moreira de Cónegos.

O Sporting Clube de Portugal entra assim, contra vontade, para o Livro Guinness: nunca antes, num campeonato europeu, um golo tinha sido anulado por "diferença" tão milimétrica. Quatro vezes menos do que o tamanho de um vulgar caracol de jardim, cujo comprimento chega aos 8 centímetros.

Enquanto não puserem cobro a isto, continuará a prevalecer a mentira do futebol. E não penso isto só agora: já no ano passado considerei vergonhosa a anulação de um golo do FC Porto contra o Rio Ave por suposta "deslocação" de 3 centímetros.

Uma palhaçada que ninguém pode levar a sério.

Apetece dizer aos nossos árbitros para irem apanhar caracóis. E levem fita métrica.

Medir pilas

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Uma pilha AA (pila em castelhano) mede cerca de 5 cm.

Uma pilha AAA, como as que usamos no comando da televisão, mede cerca de 4 cm.

Agora vamos fazer um exercício, um jogador que corre de norte para sul, um jogador que corre de sul para norte e uma bola que é pontapeada.

Quem está a fazer a triangulação, para traçar as famosas linhas, tem de congelar a imagem no preciso momento em que a bola deixa de estar em contacto com a bota e tem de conseguir congelar o movimento dos dois jogadores que correm em sentidos opostos nesse preciso instante.

É possível?

Dá um resultado de metade de uma pilha AAA, considera-se? A tecnologia e os humanos que a estão a operar são infalíveis? Não há margem de erro?

Se a situação fosse ao contrário, um golo duvidoso do Moreirense com até 20 cm de margem de erro, a minha opinião, é: siga, valide-se o golo.

Uma das leis do futebol diz: em caso de dúvida deve proteger-se a equipa que ataca, seja o Moreirense, seja o Sporting.

Um fora-de-jogo de jogo de meia pilha AAA é um caso de dúvida? Sem dúvida!

Então valide-se o golo e siga o jogo.

O mais invejado do mundo

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Ser o maior do mundo provoca efeitos secundários: Cristiano Ronaldo é também o futebolista mais invejado do mundo.

Que o seja pelos próprios compatriotas, já não estranho: sempre tivemos uma certa tendência para a autoflagelação. E a clubite aguda leva muitos benfiquistas e alguns portistas a detestá-lo só por ter sido formado na Academia leonina.

Lamentável? Claro que sim. Nunca vi, por exemplo, um argentino falar ou escrever contra Messi.

 

Acontece que CR7 volta a ser notícia. Não por motivos fúteis mas por contestar um gravíssimo erro da equipa de arbitragem no Sérvia-Portugal que lhe anulou um golo limpo no último lance da partida, disputada em Belgrado. Este erro - que alguns pretendem menorizar - pode custar-nos o apuramento para o Mundial de futebol.

As imagens do protesto deram a volta ao mundo. Cristiano, tão bom a comunicar como a jogar, sabia o efeito que produziria. Assim aquele erro indesculpável tornou-se notícia em todos os continentes. Não reparou a injustiça de que fomos vítima, mas deu-lhe projecção universal. 

 

Fez ele muito bem ao proceder como procedeu: assim o roubo não passou despercebido. E ou muito me engano ou o gesto do capitão da equipa das quinas traçará uma linha de fronteira: a FIFA passará finalmente a incluir a tecnologia de linha de baliza e o vídeo-árbitro nas competições para o apuramento do Mundial.

Acontece que por cá, nas redes sociais e nos meios de informação, muita gente ferveu de indignação ao vê-lo atirar a braçadeira ao chão mal saiu de campo. Dizem-me (não vi) que nessa mesma noite um canal de televisão dedicou duas horas (!) ao tema. Com intervenientes escandalizados, não com o roubo mas com o gesto de Cristiano. 

Preferiam talvez que comesse e calasse.

Como se o roubo de catedral que tanto nos prejudicou não devesse ter sido assinalado com fúria e frustração.

Como se fizessem tábua rasa desta sabedoria popular que nos devia servir de lema: quem não se sente não é filho de boa gente.

 

ADENDA: O VAR é uma conquista civilizacional do futebol. Como é possível duvidar-se disto? Que a mais elevada instância da modalidade prescinda deste instrumento já utilizado nas competições internas para analisar os lances polémicos na fase de apuramento do Mundial é algo que roça o escândalo.

À lupa

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Recapitulação de alguns lances do Famalicão-Sporting:

 

22' - Penálti não convertido pelo Sporting. Devia ter sido repetido: no momento em que Nuno Santos pontapeia a bola, a grande área está invadida por vários jogadores do Famalicão. Diz a lei que, não havendo golo, o pontapé de penálti deve ser repetido. Como sucedeu, na mesma jornada, no Belenenses SAD-Braga, favorecendo a equipa minhota.

23' - Pedro Gonçalves amarelado por simulação quando tentava a recarga na sequência do penálti falhado. Contradiz decisão do árbitro Luís Godinho, favorável ao Famalicão, no minuto 49.

36' - Campana, já com cartão amarelo desde o minuto 8 devido a uma entrada por trás que derrubou Palhinha, volta a fazer falta sobre o nosso médio defensivo, desta vez com um pisão no seu pé esquerdo. Falta que justificava o segundo amarelo - e consequente expulsão do famalicense. Contradiz decisão do árbitro, desfavorável ao Sporting, no minuto 80.

39' - Gustavo Assunção, junto ao círculo central, trava saída rápida de Nuno Santos, agarrando-o e derrubando-o. Abortado um ataque perigoso do Sporting sem que o jogador do Famalicão visse o amarelo. 

45'+2 - Gustavo Assunção (novamente) afasta ostensivamente a bola quando Pedro Gonçalves se preparava para o arremesso junto à linha lateral. Não houve cartão, contrariando decisão do árbitro desfavorável ao Sporting no minuto 80.

45'+3 - Entrada duríssima em tackle deslizante, de Pereyra sobre Antunes, com o defesa do Famalicão aplicando a sola no tornozelo esquerdo do nosso jogador. Só viu amarelo: devia ter sido expulso.

 

Após o apito para o intervalo - Riccieli, que provocara o penálti cometendo falta sobre Nuno Santos, recebe cartão amarelo por gritar e gesticular em direcção a um grupo de jogadores do Sporting enquanto todos abandonavam o campo. Nuno Santos é também amarelado sem que se perceba porquê.

 

49' - Valenzuela passa por Coates caindo dois metros à frente, em evidente tentativa de cavar uma falta. Fica sem advertência do árbitro, ao contrário do que sucedera com Pedro Gonçalves no minuto 23.

53' - Pereyra, já com amarelo, derruba Nuno Santos, que conduzia um ataque prometedor junto à linha lateral da grande área. O segundo cartão ficou no bolso do árbitro.

66' - João Mário conduz a bola junto à linha da baliza, já dentro da grande área, para cruzar quando Herrera o afasta do caminho empurrando-o ostensivamente com o braço esquerdo para fora do relvado, contra os placards publicitários. O árbitro nada assinalou. O vídeo-árbitro Artur Soares Dias deixou passar. Penálti evidente contra o Famalicão que ficou por marcar.

70' - Gustavo Assunção salta, levanta os braços e grita contra Luís Godinho ao ser-lhe assinalada uma falta. Não viu o amarelo, por aparente "gestão do jogo" por parte do árbitro, contrariando o que viria a decidir contra o Sporting no minuto 80.

72' - Riccieli, já amarelado, derruba Tiago Tomás junto à linha, no meio campo defensivo do Famalicão. Impôs-se novamente a "gestão do jogo": não houve segundo cartão ao famalicense.

80' - Luís Godinho exibe segundo cartão a Pedro Gonçalves, expulsando o nosso médio criativo ao ser-lhe assinalada falta num lance a meio-campo que não constituiu entrada negligente nem cortava ataque prometedor do Famalicão. Pedro terá sido expulso por pontapear a bola já sentado no chão, após a interrupção por falta. Duplicidade de critério do árbitro, que decidira de forma diferente, favorecendo o Famalicão, no minuto 45+2.

90' - Coates marca o terceiro golo do Sporting, que nos daria três pontos no confronto de Famalicão. O árbitro valida mas reverte a decisão na sequência de um alerta do VAR. Artur Soares Dias - que só deveria intervir em lance claro e inequívoco, segundo estipula o protocolo que regulamenta a vídeo-arbitragem - alega ter existido falta do uruguaio sobre o guarda-redes Luiz Júnior. As imagens, no entanto, comprovam que só há um ligeiro contacto entre o braço esquerdo de Coates e o guardião, e mesmo assim já fora da pequena área, quando Luiz Júnior se fazia tardiamente ao lance, após impulsão prévia do defesa leonino, acabando a bola por bater na cabeça do nosso capitão e ressaltar para a baliza deserta. Lance limpo que Godinho invalidou.

90'+2 - Luís Godinho exibe o cartão vermelho a Rúben Amorim, por alegados protestos. O técnico leonino é expulso pela segunda vez, com um intervalo de sete semanas, numa partida dirigida pelo mesmo árbitro - ele que jamais vira um cartão dessa cor, enquanto jogador e enquanto treinador, ao longo de toda a sua carreira no futebol.

Unanimidade? Qual unanimidade?

Duas opiniões insuspeitas sobre o mais polémico lance do Famalicão-Sporting - aquele em que é anulado um golo limpo da nossa equipa, marcado pelo capitão leonino aos 90'.

Ambas publicadas na edição de ontem do jornal A Bola:

 

Bagão Félix: «O golo anulado a Coates em Famalicão é de difícil julgamento. Honestamente, acho que uma vez assinalado como válido pelo árbitro, a intervenção do VAR é duvidosa, porque seja qual for o ângulo de observação não há uma infracção categórica.»

Vítor Serpa: «É possível garantir, através de imagens paradas ou até mesmo de uma sucessão de frames, que houve irregularidade? Não me parece. Quanto muito seria possível interpretar como tal, mas nunca com absoluto rigor. O que nos remete para a possibilidade de uma invasão inapropriada do VAR no jogo.»

 

Cai definitivamente por terra a tese que alguns andam desde domingo a propagar sobre a pretensa "unanimidade", entre todos quantos não são adeptos do Sporting, relativamente à decisão assumida nesse jogo pelo árbitro Luís Godinho, sob pressão do vídeo-árbitro Artur Soares Dias.

Bagão Félix e Vítor Serpa juntam-se assim a António Oliveira, Manuel Cajuda e outros observadores isentos de devoção leonina mas dotados de honestidade intelectual.

 

ADENDA: O conceituado árbitro espanhol Eduardo Iturralde também se pronuncia: «É um golo legal e não tinha de ser revertido pelo VAR. Não há falta clara sobre o guarda-redes dentro da pequena área. Fora dela, o guardião é só mais um jogador. Ele vai disputar a bola, o jogador do Sporting também e não há nada. Há braço com braço, mas não é falta. Para mim, trata-se de um golo legal.» Desfeito de vez o mito da "unanimidade" em torno deste lance.

#OndeVaiUmVãoTodos

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Mais do que a liderança, o ataque mais produtivo ou um bom futebol, com muitos jovens portugueses, a primeira metade da época trouxe uma novidade com quem ninguém contava: há finalmente uma sensação de união e parece que "enganos" como aqueles que ViRAm em Famalicão só servem para aumentar essa união.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

Vale tudo

O FC Porto, campeão nacional, foi ontem ao tapete: perdeu (pela primeira vez na sua história) em casa, por 2-3, contra o Marítimo.

Humilhado no Dragão, à terceira jornada da Liga 2020/2021. Mas não por falta de ajuda da arbitragem e da vídeo-arbitragem. O apitador de turno, um tal Rui Costa, validou o primeiro golo portista, marcado por Pepe mas precedido de evidente falta ofensiva cometida por Danilo. Fez vista grossa a uma grande penalidade cometida por Sérgio Oliveira. E ofereceu de bandeja um penálti à equipa da casa, transformando uma falta ofensiva de Marega em castigo máximo contra o Marítimo. Que Alex Telles não conseguiu converter.

Como se tudo isto não bastasse, o tal apitador ainda proporcionou dez minutos(!) de tempo extra, quando o FCP perdia por 1-2, apesar de nada no jogo justificar mais que cinco minutos para além dos 90. Surpresa: nesse período os visitantes ampliaram a vantagem. Ao minuto 99 os jogadores comandados por Sérgio Conceição lá conseguiram reduzir, mas foram incapazes de evitar a derrota, mesmo com tantos brindes do árbitro.

E a tudo isto o que disse o VAR? Rigorosamente nada: deixou andar. Nome deste incompetente? Luís Ferreira.

A coisa promete: já se percebeu que vai valer tudo. Este ano o campo começa a ficar inclinado demasiado cedo. Sempre para o lado dos mesmos. Aqueles que há anos andam a manchar a verdade desportiva e a conspurcar o futebol em Portugal.

O coração do futebol

«Se aprendemos algo durante esta pandemia é que o coração do futebol não bate em estádios vazios e que o ventilador mecânico da televisão, que o mantém vivo como indústria, é insuficiente. A paixão que pedimos ao futebol está está espalhada pelas casas e desvalorizada por não encontrar uma caixa de ressonância. Ninguém deixou de ser do Real Madrid ou do Barça por causa do Covid, mas nem há euforia para festejar o título do Real Madrid nem lenços brancos que ponham em perigo a presidência de Bartomeu. Até o VAR, como subproduto televisivo, dispara no escuro depois de ter convertido o futebol numa fantochada. Chegou em nome da justiça mas atropelou-a ao pretender que um jogo dinâmico se jogue em câmara lenta ou como uma foto fixa. Que devolvam as batidas ao futebol e que o coração aproveite para gritar aos quatro ventos e colocar as coisas no seu lugar.»

 

Jorge Valdano, em crónica ontem publicada no jornal A Bola

A banalização da criminalidade

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Se estivessem a atravessar a estrada, fora da passadeira, alguém tinha o direito de vos esfaquear?

Sim, é um reductio ad absurdum mas é a metáfora perfeita para o que se passou ontem em Moreira de Cónegos. O Sporting não fez uma exibição de encher o olho mas viu Tiago Martins e Jorge Sousa (VAR) prejudicá-lo de maneira inexplicável.

Jorge Sousa ignorou olimpicamente três grandes penalidades e Tiago Martins escolheu não expulsar Abdu Conté.

Jorge Sousa foi, durante toda a sua carreira, aquilo que na gíria se chama um "FILHO DA PUTA" para com o Sporting Clube de Portugal. O sindroma de pénis pequeno levou-o mesmo a ter este pequeno ataque de prepotência contra um dos nossos guarda-redes:

 

Já Tiago Martins pertence à nova escola de padres. Pelos vistos, esta semana, voltaram a rezar e a cantar bem.

Joguemos bem ou joguemos mal, nada dá o direito a ninguém de nos prejudicar! Nada!

Para os católicos: Há um mandamento que diz "Não roubarás!"

Para os ateus: Se forem assaltados, não perdoam o assaltante por irem mal vestidos, certo?

Para os Sportinguistas: Não se pode aceitar como normal que nos prejudiquem dentro de campo. Isto não tem que ser resolvido nos bastidores, isto tem que ser resolvido de forma clara e à vista de todos: Não devemos tolerar roubos! Não devemos aceitar maus árbitros. Não devemos aceitar menos que aquilo que é o nosso direito de ver os nossos lances bem ajuizados!

Do que é que a Liga e o CD da FPF estão à espera para suspender estes dois LADRÕES?

O anti-clímax: o fora-de-jogo pós-VAR

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Sei que a maioria dos visitantes deseja opiniões sobre a transferência do Bruno Fernandes. Mas o postal do Pedro Oliveira, que alude ao "falo" "teso" evocado pelo respeitável Dr. Bagão Félix, lembrou-me outros dois postais que eu escrevi há alguns meses sobre a mesma temática (o VAR, não a erecção fálica). E por isso parcialmente os repito na crença de que, apesar do ditado, esta voz chegue ao céu. Pois a matéria me é causa - repito, falo do VAR não do falo.

1. (No Delito de Opinião) Alerto para o anti-clímax que está a ser o vídeo-árbitro. Tecnologia que é preciosa, para reduzir erros e para combater a mariolagem arbitral. Mas cuja utilização trouxe uma vertente "tecnocrática", uma mania de "justiça" que de tão maximalista, pois milimétrica, não é ... justa. Eu gostaria de lhe chamar um justicialismo mas a palavra está usurpada por um outro sentido, histórico (o peronismo), do qual bem que podia ser libertada pois faz falta para coisas de hoje - até porque dizer (neste caso, condenar) um apotropismo, uma crença apotropaicista, não convenceria ninguém, mais que não seja devido à fonética. 

Feito intelectual da bola, julgo que para manter o entusiasmo do jogo e para preservar a boa tecnologia são precisas duas mudanças: uma alteração legislativa e uma diferente jurisprudência.

(No És a Nossa Fé) O VAR foi influente no jogo (Manchester City-Tottenham). O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. Assim as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçá-las, a tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada:

No fora-de-jogo há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá.

Carlos Xistra e o VAR salvam o Benfica de derrota humilhante

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Aos 20 minutos já o Desportivo das Aves, último classificado, vencia no Estádio da Luz o campeão em título e primeiro classificado da Liga Bordel Portuguesa. Weigl estava a fazer uma exibição cinzentona e o Benfica meteu em campo os seus verdadeiros reforços: Carlos Xistra e o VAR.

 

Xistra expulsa, e bem, André Almeida mas o VAR manda-o erradamente recuar na decisão.

 

 

 

Momentos depois, Xistra inventa esta grande penalidade a favor do Benfica. Grande penalidade que, por "motivos técnicos", o VAR não teve como validar ou contestar. A inexistente penalidade é assinalada por uma não-falta sobre Vinicius que devia ter sido expulso minutos antes por agredir o guarda-redes do Aves, algo que nem o Xistra nem o VAR viram.

 

 

 

Estava feito o empate. E, para piorar tudo, o golo que sela a reviravolta é por André Almeida, que havia sido expulso.

É este o campeonato português. O campeonato da mentira que nos enfiam pelos olhos semanalmente enquanto nos embalam com cânticos sobre constipações.

É neste futebol e neste país que vivemos. Triste, muito triste.

Assim vai o nojento tuga soccer...

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O futebol português está cada vez mais corrompido por um sistema que só pode provocar asco a quem tiver dignidade e defender a verdade desportiva. O despudor atingiu um nível tal, que nem com VAR lá vamos. Em Alvalade, diante do Rio Ave, foram assinaladas sem qualquer problema 3 grandes penalidades contra o Sporting. Ontem em Guimarães, árbitro e VAR não vislumbraram falta. Uma vez mais o bafiento e reles tuga soccer, mostrou que não é bem um desporto, mas uma farsa, sempre beneficiando os mesmos. Ou alguém acredita que este mesmo lance, na outra grande área, teria igual decisão? 

Quanto aos senhores instalados nos gabinetes do poder do futebol, não há muito a esperar. Ontem provavelmente terão ido à casa de banho no momento exacto em que foram lançadas três tochas para o relvado, interrompendo o jogo, pelo que não se devem esperar castigos. Afinal tudo está bem, quando acaba bem, desde que o clube do regime vá ganhando, os bobos vão desempenhando o seu papel, para gáudio da multidão...

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