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És a nossa Fé!

Rojo em bolandas

Marcos Rojo parece ter os dias contados no Manchester United. Louis Van Gaal nem quer ouvir falar mais do argentino que o clube inglês contratou ao Sporting e esteve na origem do conflito entre o nosso clube e a Doyen, tão apreciada noutras paragens. O técnico cobiça agora Bruno Martins Indi, internacional holandês nascido no Barreiro que tem jogado no FC Porto, e é provável que a transferência venha a concretizar-se no mercado de Inverno.

Quanto a Rojo, fala-se nele a caminho do Nápoles.

Alguns, por cá, parecem não reparar em nada disto. Só lhes interessava mencionar Rojo quando podia servir de arma de arremesso contra o presidente do Sporting...

A ver o Mundial (30)

Escutei já hoje o que se disse ontem à noite nas televisões portuguesas sobre o Brasil-Holanda. Num dos canais - por sinal aquele que, de longe, pior trata o futebol - todo o espaço de comentário foi utilizado para pendurar Luiz Felipe Scolari no pelourinho. Um dos intervenientes chegou ao ponto de dizer que a conquista da Taça das Confederações em 2013, já com Scolari ao leme do escrete, foi péssima para o Brasil pois travou a indispensável renovação dos canarinhos, blablablablá patati patatá.

Ainda esperei que, numa lógica simétrica, todos quantos degolaram, vergastaram e lapidaram Scolari - tornando o treinador já não só o responsável máximo mas o responsável único dos desaires de uma equipa - saíssem em elogio e louvor do seleccionador holandês, Louis van Gaal. Nada disso: nem uma palavra sobre o tema. Os treinadores, na óptica do painel deste canal, só merecem menção pela negativa, nunca pela positiva.

 

Toda a linha de raciocínio deste programa de rescaldo e análise do encontro de ontem para a obtenção do terceiro lugar no pódio do Mundial decorreu em obediência à lógica do demérito brasileiro, sem invocação expressa (e mais que justificada) do mérito holandês.

Como se fosse por acaso que a Holanda se despediu do Mundial sem uma derrota.

Como se fosse por acaso que os holandeses tivessem renovado em grande parte a sua selecção, eliminada no Euro-2012 ainda na fase de grupos.

Como se fosse por acaso que Robben se sagrou o maior valor individual deste torneio, correndo em cada jogo como se fosse o último (e no Brasil-Holanda sofreu uma grande penalidade cometida por Fernandinho à qual o árbitro fez vista grossa, talvez para poupar a turma anfitriã a uma segunda goleada consecutiva).

 

Os erros grosseiros cometidos pelos brasileiros em campo foram igualmente escamoteados por estes comentadores.

Nem uma palavra sobre a falta cometida por Thiago Silva sobre Robben logo aos dois minutos (e que o árbitro, amiguinho, sancionou apenas com cartão amarelo quando devia ter exibido o vermelho).

Nem uma palavra sobre o absurdo alívio de David Luiz aos 17' que funcionou como assistência ao segundo golo holandês.

Nem uma palavra sobre as exibições apagadíssimas de Jo e Willian, os "reforços" que os críticos de Scolari mais vinham reclamando para o onze titular.

 

Toda a análise foi feita à luz da putativa obrigação do Brasil em sagrar-se vencedor.

Como se houvesse triunfadores antecipados em futebol.

Como se a Holanda não existisse.

O escrete comandado por Scolari sai do Mundial no quarto lugar. Como saiu em 1974, no Campeonato do Mundo que se seguiu à brilhante conquista do troféu Jules Rimet no México, ainda com vários jogadores titulares da conquista desse tricampeonato. E em melhor posição do que conseguiu a tão elogiada selecção de 1982, eliminada antes das meias-finais mesmo com o brilhantismo de Sócrates, Falcão e Zito.

 

Falar assim de futebol, sem critério nem memória, é demasiado fácil. Os cafés portugueses estão cheios de comentadores deste género: qualquer mediano olheiro televisivo pode recrutá-los lá.

A ver o Mundial (28)

Prometia ser um confronto entre Messi e Robben, uma espécie de tira-teimas para avaliar quem esteve melhor no Campeonato do Mundo - se o holandês com três golos, uma assistência e um recorde pessoal de jogador mais veloz (com o registo de 31,6km/hora), se o argentino com quatro golos e duas assistências.

Não foi nada disso, afinal. Acabámos de ver no Arena Corinthians, em São Paulo, um dos desafios mais monótonos e entediantes do Campeonato do Mundo. Quase a fazer lembrar aquela final aferrolhada e medrosa entre alemães e argentinos do Mundial de 1990 em que ambos abdicaram por completo de qualquer vestígio do futebol de ataque - a pior de que há memória entre os adeptos do desporto-rei.

Basta dizer que ao longo de toda a partida desta noite, incluindo a meia hora de prolongamento regulamentar após o empate a zero aos 90 minutos, houve apenas cinco remates à baliza contrária feitos pela Argentina e só três concretizados pela Holanda. E nenhum deles, em boa verdade, levando verdadeiramente um indiscutível sinal de perigo.

 

Supremacia das defesas sobre os ataques neste Argentina-Holanda em que o jogador mais em foco acabou por ser Mascherano, defesa sul-americano? Sim. Mas mais que isso: foi um autêntico anti-clímax após o desafio de ontem, constituindo de algum modo a sua antítese. Por outras palavras: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque. A partida decorreu quase todo o tempo empastelada no meio-campo, com pequenas oscilações territoriais que em nada afectaram o cômputo geral. E se não fossem os penáltis finais aposto que ainda estariam naquele bocejante jogo do empurra no miolo do terreno, como se nenhuma das duas selecções quisesse verdadeiramente ganhar.

 

Recorreu-se portanto às grandes penalidades. E também aqui o seleccionador holandês, Van Gaal, se deixou de ousadias: enquanto no desafio anterior, frente à Costa Rica, fez avançar o terceiro guarda-redes do banco só para defender os penáltis (meta coroada de êxito, pois Krul travou dois, tornando-se uma das figuras do jogo), desta vez manteve em campo o titular, Cillessen, talvez para não ofender as bempensâncias do comentário ludopédico, que se haviam escandalizado com a fuga à pauta no embate do passado domingo.

Fez mal: os argentinos agradeceram. E lá irão eles à final do Campeonato do Mundo, frente aos alemães, depois de terem feito muito pouco para tanto destaque. Desta vez nem Messi, jogando em posições muito recuadas, deu um ar da sua graça.

Ocorrerá no próximo domingo a desforra argentina para vingar a derrota na final de 1990? Sinceramente, não creio. Há uma distância enorme entre esta mediana Argentina e a fulgurante Alemanha que acaba de golear o Brasil por números inéditos.

O melhor do jogo acabou por ser a evocação inicial da memória de Alfredo di Stéfano, um dos maiores génios de sempre dos relvados, falecido no fim de semana aos 88 anos. Lá no assento etéreo onde subiu, como versejou o nosso Camões, o grande campeão ficou certamente satisfeito com este resultado: há um quarto de século que a sua Argentina natal não chegava tão longe.

Como homenagem fúnebre não esteve mal.

 

Argentina, 0 - Holanda, 0 (4-2 nas grandes penalidades)

A ver o Mundial (25)

Tudo está bem quando acaba bem.

A Holanda foi muito superior à Costa Rica no desafio dos quartos-de-final disputado em Salvador. Merecia passar à fase seguinte, o que aconteceu - embora só com recurso aos pontapés de grande penalidade pois o empate a zero persistiu após mais de 120 minutos de jogo.

A Costa Rica, que chegou a jogar em 5-4-1, estacionando um autocarro à frente da baliza brilhantemente defendida por Keylor Navas, também tem motivos para estar satisfeita: regressa a casa sabendo que chegou mais longe do que em qualquer outra fase final de um Campeonato do Mundo e revelou ao planeta futebol um punhado de jogadores de grande talento: Christian Bolaños, Bryan Ruiz, Gamboa, Celso Borges, Giancarlo González, Tejeda (que impediu um golo holandês desviando a bola na linha de baliza), Umaña (que ia marcando um golo já no prolongamento) e Júnior Díaz (que devia ter sido expulso por jogo violento), além do guardião Navas, que joga no modesto Levante e poderá ser um reforço do FCP.

O melhor deste desafio, que decorreu morno e entediante durante mais de uma hora, aconteceu quando se aproximava do fim: nessa altura os holandeses decidiram enfim aplicar a sua melhor arma, que é a velocidade. As corridas estonteantes de Robben pela ala direita iam partindo os rins à linha recuada costarriquenha (ou seja, à equipa quase inteira) e as bolas paradas que partiam dos pés de Sneijder levavam sempre o selo de perigo (duas delas foram travadas pelos postes).

Quando se percebeu que o apuramento só seria resolvido com a marcação de penáltis, o seleccionador holandês, Van Gaal, tomou uma decisão que fez os puristas da bola abrir a boca de espanto: mandou sair o guarda-redes titular, Cillessen, fazendo entrar o suplente Krul só para defender as penalidades. Um aposta de alto risco que se revelou certeira: Krul defendeu os remates de Bryan Ruiz e Umaña, o que bastou para qualificar a Holanda.

Na meia-final de quarta-feira os holandeses terão de defrontar uma selecção argentina que se desgastou muito menos na eliminatória que lhe coube. Em futebol de alta competição, sobretudo quando é disputado sob a temperatura a que tem decorrido este Mundial do Brasil, estes pormenores contam muito. Messi e companheiros têm motivos para sorrir.

 

Costa Rica, 0 - Holanda, 0 (3-4 nas grandes penalidades)

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