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És a nossa Fé!

Manobras de diversão

O crucial não é discutir se houve ou não penálti a favor do Rio Ave. O crucial seria discutir o evidente fora-de-jogo de João Félix no segundo golo do Benfica.

 

O vídeo-árbitro funcionou como manobra de diversão. Ora vejamos a sequência: há uma jogada polémica na grande área do Benfica, o árbitro deixa seguir e, logo depois, o Benfica marca um golo em fora-de-jogo. Aí, o árbitro manda interromper o jogo para que se possa consultar o vídeo-árbitro. Pensei que ele queria examinar o lance do golo. Mas não! Ele quis clarificar a jogada anterior!

 

Na verdade, a jogada é dúbia. Mesmo com a repetição das imagens, é difícil de dizer se realmente o penálti se justificaria, por isso, não se pode verdadeiramente censurar o árbitro por não o ter assinalado. Mas não era isso que importava a Hugo Miguel. Importou, sim, desviar as atenções de um golo marcado de forma irregular.

 

A discussão à volta da existência, ou não, da grande penalidade é outra manobra de diversão, alimentada pelos media, a desviar do essencial.

Faz hoje um ano

 

Há precisamente um ano, o vídeo-árbitro estreava-se no estádio José Alvalade. Foi no jogo Sporting-Fiorentina, no âmbito do Troféu Cinco Violinos, que conquistámos ao vencermos por 1-0 a equipa italiana com a qual mantemos uma sólida relação de cumplicidade. 

Bas Dost marcara o golo, iam decorridos 28', quando o árbitro interrompeu a partida para consultar as imagens antes de validar o disparo certeiro do holandês. Ao princípio estranhámos, por falta de hábito. Mas não tardaríamos a confirmar que o vídeo-árbitro é um poderoso auxiliar da verdade desportiva. 

Éramos 37 mil espectadores ali presentes para saudar os jogadores e a equipa técnica, com a esperança sempre renovada. «Gostei do que vi. Uma equipa mais consistente e confiante, com maior solidez defensiva e uma apreciável qualidade de passe, desenhando boas jogadas no relvado de Alvalade e revelando capacidade de pressão sobre os adversários», escrevi aqui nesse dia 29 de Julho de 2017. Destacando as exibições de William Carvalho (a defesa central improvisado), Battaglia, Podence, Acuña e Gelson Martins. 

 

..............................................................

 

Comentando no mesmo dia a introdução do vídeo-árbitro no futebol português, o Pedro Azevedo lembrava que este recurso tecnológico para a análise de lances controversos já existia noutras modalidades - designadamente o ténis, o râguebi e o futebol americano. 

E anotava aqui a reacção hostil de alguns "Velhos do Restelo" instalados nas pantalhas que logo se apressaram a contestar a nova medida. Com destaque para Ribeiro Cristóvão e Jorge Baptista. «Jogadores fazem grandes festas e depois não valeu... futebol é um jogo de erro, e o erro serve de discussão... para os jogadores é um quebra-cabeças, um bico-de-obra», objectou o primeiro. «Estão a matar emocionalmente o jogo, a pouco-a-pouco. Agora não, mas daqui a dez anos se calhar ninguém vai ao futebol», insurgiu-se o segundo.

Convém termos memória: estes comentadores, entre vários outros, militaram contra o vídeo-árbitro. E a favor do erro. Apetece perguntar, um ano depois, se algum deles já faz a indispensável autocrítica.

Pensem bem

Sem vídeo-árbitro, ontem teríamos saído só com um ponto de Alvalade. Resultado: 0-0.

Porque o árbitro Veríssimo e seu vesgo ajudante colocado abaixo da nossa bancada central foram incapazes, sem tecnologia auxiliar, de ver uma grande penalidade do tamanho do centro comercial Colombo.

 

Passou apenas um ano, mas o caminho percorrido desde então foi gigantesco.

A nova tecnologia reconduziu o futebol no trilho da verdade, há muito adulterada no nosso pequeno futebol. Daí ninguém estranhar que seja um dos novos condimentos do Mundial da Rússia - tal como a possibilidade de uma quarta substituição em situações de prolongamento.

 

Bruno de Carvalho apoiou desde o início esta medida e soube pugnar por ela - quando o principal diário desportivo português, por exemplo, fazia campanha aberta contra o vídeo-árbitro. É de elementar justiça que saibamos reconhecer-lhe este mérito.

Pensem bem o que teria sido esta época futebolística com o VAR ainda só em fase de projecto.

Entre Lucílio e Rui Costa

Este título era-nos devido há nove anos.
Apesar disso, esteve quase a acontecer novo escândalo irreparável na final disputada em Braga. A diferença entre Lucílio e Rui Costa - ninguém duvide - chama-se vídeo-árbitro. O tal que o avençado Carlos Janela, os comentadores da cartilha lampiânica e os responsáveis editoriais do jornal A Bola combateram com denodo e determinação.

Hoje giro eu - Verdade desportiva

Tanta blague foi feita e tanta crítica recebeu Bruno de Carvalho na sua justa batalha pela introdução dos meios tecnológicos no futebol - um comentador chegou a dizer que isso iria matar emocionalmente o futebol em 10 anos - que é da mais elementar justiça reconhecer que sem o VAR não teríamos ganho esta Taça da Liga. Curiosamente, aquela competição que nos fugia há 10 anos, tempos que foram "bons" para a emoção (dos outros)... 

Sporting, vencedor da 1ª Taça da Liga DV (depois do Var)!!!

As palavras do ano

Informa a Porto Editora que os vocábulos em competição até 4 de Janeiro, para conquistarem o título de Palavra do Ano são incêndios, afecto, vencedor, crescimento, cativação, desertificação, gentrificação, peregrino e independentista.

Noutros anos as palavras eleitas foram esmiuçar (2009), vuvuzela (2010), austeridade (2011), entroikado (2012), bombeiro (2013), corrupção (2014), refugiado (2015) e geringonça (2016). De acordo com quase todas, excepto bombeiro, que podia ser palavra de qualquer ano, e entroikado, um termo fugaz, que nunca vingou. Vuvuzela - artefacto sonoro popularizado universalmente no campeonato mundial disputado na África do Sul - demonstrou como o futebol pode influenciar o vocabulário comum.

Até devido a tal precedente, faltam desta vez aquelas que são para mim, inquestionavelmente, as Palavras de 2017: video-árbitro e cartilha.

Eu votaria na primeira. Para acabar de vez com a segunda.

Umas notas sobre a jornada

1. Salvo erro, o Sporting já marcou em seis jornadas tantos golos de livre directo quanto em todo o anterior campeonato. E mais dois ou três e ultrapassará os números de, para aí, três campeonatos juntos. Já estava com saudades. Não só estava com saudades, como é fundamental, coisa que o jogo de sábado bem revelou. O jogo de sábado era um daqueles em que andava tudo a arrastar-se em campo, incluindo o Alan Ruiz, esse poço de vigor. Não fosse a bomba de Mathieu e, muito provavelmente, ainda lá estavam agora a ver se metiam uma lá dentro. Ninguém pede um novo André Cruz, mas convém ter uma ameaça suficientemente credível nos livres directos. Resolve muitos jogos.

 

2. Tirando os sportinguistas, ninguém torce pelo William Carvalho. Os portistas, compreensivelmente, porque defendem o seu Danilo. Os benfiquistas também, só porque é mais forte do que eles detestar tudo o que mexa no Sporting. Não quero dizer mal do Danilo, que é um óptimo jogador, mas qualquer comparação é um exercício de futilidade. O William Carvalho voltou a fazer uma exibição ao alcance de poucos. Ele é, há vários anos, um dos melhores jogadores do campeonato português, cujo azar é ser do Sporting: para ele, não há cá "maradonas de Loures" e "bulos da Musgueira", tem de provar todas as semanas - e mesmo assim não prova nada, porque sobre ele se continuam a debitar as mesmas cretinices de sempre.

 

3. Engano-me ou há uma campanha para descredibilizar o vídeo-árbitro? Os erros sucedem-se a tal velocidade e cada vez mais grosseiros (como o do golo fantasma do Paços de Ferreira) que, um dia destes, o vídeo-árbitro tem a mesma credibilidade que os restantes. Nesse dia, regressaremos à boa velha missa dos últimos anos. Amen.

Ética - Isto só vídeo!!

A casa do futebol português continua a ser construida pelo telhado. Esta semana, ficámos a saber pela boca do ex-árbitro Pedro Henriques que o VAR não tem acesso às linhas de fora-de-jogo. Alegadamente, devido a problemas técnicos relacionados com a falibilidade dos actuais sistemas existentes no mercado, disse o próprio.

Não sendo o vídeo-árbitro autónomo numa das acções onde a sua visão mais pode influenciar o árbitro, acaba por ficar dependente das imagens da transmissão televisiva, creio.

Assim, ficamos sujeitos a apreciações feitas em cima de imagens aonde não aparecem em simultâneo as 2 linhas laterais (Benfica x Portimonense), não aparece a linha de fora-de-jogo (Benfica x Braga) ou ficam escondidos jogadores (Seferovic no Benfica x Braga).

Antes de descarregarmos a nossa bilis na realização televisiva da Btv, ou fazer juízo de intenção sobre a seriedade do realizador, deveríamos sim concentrarmo-nos no essencial: a Liga de Clubes, um dos reguladores do nosso futebol, permite que um canal de clube transmita jogos, em directo e em exclusivo, do campeonato nacional, algo inédito nos principais campeonatos por essa Europa fora. Obviamente, tal situação coloca suspeição em matéria de conflito de interesses e, por isso não é seguida por quem pensa o futebol pelas suas fundações (práticamente, o resto do Mundo). Nesta conformidade - e atendendo ao que Pedro Henriques agora suscitou de ausência de meios do vídeo-árbitro - todo este problema é exacerbado por haver um VAR. Já não se trata da probabilidade maior ou menor de serem retiradas imagens comprometedoras e do seu eventual impacto mediático, o que está aqui em causa são decisões que afectam o resultado de um jogo, pelas decisões que são tomadas no campo.

Sou (e serei) um defensor do VAR desde a primeira hora, mas há coisas no futebol português que carecem de compreensão. A FPF fez um esforço financeiro considerável (1 milhão de euros), a fim de dar os necessários passos para garantir a integridade das competições. O que tem feito a Liga para efectivamente regular? De que forma o tem partilhado com a opinião pública? Se os clubes não dão as necessárias condições, legislando no sentido da ausência de conflito de interesses, o que é que as pessoas lá ficam a fazer? Não se demitem? O salário é bom? Depois deixam-se expostos os Veríssimos desta vida, ficando sempre a porta aberta para que se discuta interminávelmente e tudo fique como dantes, no quartel de Abrantes.  

Eu já tinha avisado (http://sporting.blogs.sapo.pt/etica-o-video-arbitro-e-a-realizacao-3406126)...

 

VAR3.jpg

Ética - o VAR, o Vasco e o vazio

Com apenas o apoio expresso do presidente do Sporting, desde o primeiro momento, e a diligência do presidente da FPF, apostado em eliminar (ou pelo menos diminuir) o ruído à volta do futebol português, a Federação decidiu realizar um investimento de cerca de 1 milhão de euros e apostou na implementação imediata do Vídeo-árbitro. Uma boa prática!

O VAR é muito mais do que a pessoa que diz que "entendeu no momento" algo que todos vimos de outra forma. Existe um "replay operator" - RO -, uma "video operation room" - VOR-, um VAR e um AVAR (assistant VAR). Num mundo ideal, em que as pessoas envolvidas no processo têm padrões de comportamentos que seguem uma normalidade, o VAR apenas não resolveria a questão da intensidade dos puxões, empurrões, agarranços na área, os quais estariam à mercê da interpretação do árbitro. Mas, o agente VAR é constituido por homens e, como tal, deve estar sujeito a avaliação (Conselho de Arbitragem) e a correcção das suas decisões em sede de matéria disciplinar (Conselho de Disciplina).

Ao lavar as suas mãos como Pôncio Pilatos (como atentamente referiu Pedro Correia neste blogue), o presidente do Conselho de Disciplina, José Manuel Meirim, alegou que tendo esse lance do jogo sido observado e avaliado pelos agentes da arbitragem, o CD não iria sobrepor-se a esse juizo qualificado. Não conheço o acordão por inteiro, mas será que o CD não considera o CA, um agente da arbitragem? É que este organismo reconheceu o erro protagonizado por árbitro e VAR. Por outro lado, não é por os Tribunais não produzirem, na sua maioria, sentenças com base em juízos qualificados que não existem na lei mecanismos que permitam correcção. Por isso, além do Tribunal de 1ª Instância, existem o Tribunal da Relação, o Tribunal Constitucional e, para certos casos, o Supremo. Meirim, como jurista, sabe-o perfeitamente e não deveria partir dele a abertura das portas pare que se possam observar mecanismos que violem o princípio do Direito, que é o de regular, criar leis que, no caso, possibilitem que os direitos e as obrigações dos agentes desportivos serão salvaguardados e, caso não o sejam, poder haver forma de o corrigir.

Ao não permitir que o CD seja um instrumento de correcção de más decisões em matéria disciplinar, Meirim abre as portas à discricionariedade do VAR, não o sistema, o agente, mas sim o homem. Que sentido faz este ser avaliado pelo CA, se depois o CD não repõe a justiça sobre a (má) decisão? Provavelmente, Vasco Santos terá tido uma nota negativa (alguém sabe, isso é público?) por ter interpretado mal o lance "no momento" (se fosse hoje seria diferente?), mas Eliseu continua a jogar, o que interfere objectivamente com a integridade da competição. Isto é um "non-sense"!

Agora, imaginemos que o VAR, o homem, começa a cometer um desvario de erros, tantos erros que, inevitavelmente, a opinião pública vira-se contra o VAR, o agente, e o sistema é desmantelado. Na minha opinião, Meirim e o CD, com esta decisão, deixam um vazio que põe o futuro do VAR, o agente, nas mãos exclusivas de Fontelas Gomes.

Olvidem a árvore e vejam a floresta, esqueçam o caso Eliseu, o que está aqui em causa é o futuro do VAR, um sistema pelo qual vale a pena lutar, na medida em que adiciona verdade desportiva, logo integridade, às competições. E o que tem a dizer sobre tudo isto, o homem que propôs tão avultado investimento, o Dr. Fernando Gomes?

A evolução é uma coisa estranha... para alguns

Digam o que disserem do video arbitro, sem dúvida que se trata de uma evolução tremenda.

Quero lá saber se mata a emoção do jogo, o que ainda hoje se viu que é mentira, pois tive uns minutos de sofrimento desnecessário.

A verdade é que este jogo, no passado, originaria choro e discussão, durante a semana inteira, por parte de adeptos de outros clubes, que afirmariam que o Sporting tinha ganho com um golo irregular, quando também teria sofrido um golo irregular, mas isso normalmente não lhes interessa.

Missa de quarta-feira de cinzas

Não vi. Estou de férias e há coisas muito mais interessantes que assistir a um jogo da lampionagem.

Mas tenho visto desde manhã que aquilo foi, mais uma vez, para o inclinado.

A padralhada continua a dar homilias com sermão e missa cantada, com o beneplácito da liga e da fpf e agora de um tipo numa cabine.

Resta-me uma dúvida: Será que nos jogos fora, logo não transmitidos pela btv, a merda será a mesma?

Ética - O Vídeo Árbitro e a realização televisiva

O tema não é novo, mas assume contornos mais relevantes a partir do momento em que existe o VAR: os responsáveis pelas organizações dos campeonatos permitem que um dos intervenientes nas competições nacionais (Benfica) transmita e realize (através da Btv) os jogos dessa referida equipa em casa.

Não me parece uma Boa Prática e não vejo exemplo semelhante na Premier League, na Ligue 1, na Bundesliga, na Série A ou na La Liga. 

Não ponho em causa a seriedade de quem realiza as transmissões, apenas acho que deveriam ser operadores independentes dos clubes a transmitir os jogos. À mulher de César...

Vem este arrozoado a propósito da transmissão da Btv, de ontem, do Benfica-Braga: houve dois golos anulados à equipa bracarense. No primeiro - indiscutível fora de jogo - a realização mostra um "frame" em que a bola já saiu ligeiramente do pé do jogador Jefferson (que efectuou o cruzamento) e se vê Hassan adiantado. Acredito que o avançado bracarense estaria, de todo o modo, deslocado, mas o "frame" não foi perfeito e deveria ter sido. No segundo lance de anulação de golo, é mostrada uma primeira imagem onde não aparece um jogador do Benfica no lado direito que, acredito, estaria a pôr em jogo o jogador do Braga que marca o golo. Só mais tarde aparece um plano mais aberto onde se vê o jogador benfiquista, no lado direito do ecrã, a pôr, eventualmente, em jogo o dianteiro bracarense. E digo "eventualmente" porque a realização não coloca a célebre linha de fora-de-jogo para dissipar dúvidas.

Importa ainda referir que, quando mostrado o plano completo do 2º lance, nem uma palavra se ouviu por parte do(s) comentador(es) de serviço da Btv. 

Ao ser permitido que um operador ligado a um clube transmita os jogos (o pecado original, na minha perspectiva), obviamente o escrutínio aumenta. Por isso, a realização deveria ter maior atenção a estes pequenos/grandes aspectos, na salvaguarda da integridade das competições. Por outro lado, também seria interessante perceber que imagens e que meios tem o Vídeo-árbitro disponíveis para além do que é apresentado na TV. Seria benéfico este trazer a público quais as razões que levaram à anulação do tal segundo lance, inclusivé mostrando o "frame" que a BenficaTV não apresentou, com o jogador benfiquista à direita e a linha de fora-de-jogo. A bem da transparência e da Verdade Desportiva.

 Atenção, com esta reflexão não quero pôr em causa o mérito da vitória do Benfica. Ganhou (e ganhou bem) e com uma intensidade que nós (ainda) não temos.

 

O erro, a mentira, a fraude

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Os inimigos do vídeo-árbitro devem ter-se congratulado: esta tecnologia esteve ausente do Manchester United-Real Madrid de ontem, em disputa da Supertaça Europeia. Vitória tangencial do Real, por 2-1, com um golo (o primeiro) marcado por Casemiro em nítido fora de jogo não assinalado pela equipa de arbitragem.

Mas, pensem eles o que pensarem, não podia haver maior cartaz de propaganda do vídeo-árbitro perante esta nova demonstração de falsidade desportiva traduzida em título para os merengues, ontem sem Cristiano Ronaldo a titular. O melhor jogador do mundo só saltou do banco aos 81 minutos, com o resultado já feito.

Espantosamente, no  canal público que transmitiu em directo a partida houve quem celebrasse a mentira, varrendo o rigor dos factos para debaixo do tapete. Foi o caso do comentador Bruno Prata, que num primeiro momento admitiu ter visto o jogador brasileiro "claramente adiantado" para depois conceder que "a diferença [face ao último defesa do Manchester] é muito pequena". Acabando por sentenciar: "Neste tipo de casos não podemos ser muito severos."

É assim que os comentadores de turno encaram a verdade desportiva: algo muito relativo. Por isso são quase todos contra a introdução do vídeo-árbitro. Um deles, com visível desdém, dizia há dias nem saber se esta tecnologia já está a ser aplicada em mais algum país da Europa além de Portugal. Ignorando que na Holanda, por exemplo, não só vigora mas foi vital para restabelecer a verdade desportiva na Supertaça disputada entre o Feyernoord e o Vitesse. Ignorando que já foi introduzida no Brasil e na Alemanha, por exemplo.

Ao contrário desses comentadores, não consigo compreender um futebol que convive tão bem com o erro grosseiro, que coabita de forma tão descontraída com a mentira, que pactua sem abalos de consciência com a fraude. Alguém se aproveita disto, seguramente. Mas não o desporto, que nada tem a ver com isto.

Ética - O Vídeo-Árbitro

Hoje, em Alvalade, o recurso ao Vídeo-Árbitro permitiu que prevalecesse a verdade desportiva, validando o golo marcado por Bas Dost. Boas notícias, certo?

Talvez não, pelo menos observando o que recentemente disseram os nossos opinadores:

 

Ribeiro Cristóvão- " Jogadores fazem grandes festas e depois não valeu...futebol é um jogo de erro, e o erro serve de discussão...para os jogadores é um quebra-cabeças, um bico-de-obra"

 

Mas, há quem vá mais longe...

 

Jorge Baptista- "Estão a matar emocionalmente o jogo, a pouco-a-pouco. Agora não, mas daqui a 10 anos se calhar ninguém vai ao futebol"

 

Espera lá, querem ver que os campeonatos se ganham "emocionalmente"? Com tanta gente a discutir problemas, até parece que o Vídeo-Árbitro não é uma solução possível para a defesa da verdade desportiva. Se calhar, não é ético, o erro é que é bom. Aplique-se já esse conceito nas empresas, no governo. A partir de agora, o erro é humano pelo que más decisões devem ser compreendidas por accionistas de empresas e pelo povo que elege os governantes. Sim senhor, agora deixa lá ver o que, lá fora, o melhor jogador de todos os tempos e célebre "batoteiro" diz sobre o tema:

 

Diego Armando Maradona "d10s"- "A tecnologia traz transparência e qualidade, e proporciona um resultado positivo a equipas que decidem atacar e correr riscos".

 

Pois, este não percebe nada disto, os nossos "iluminados" é que sabem tudo.

 

A integridade das competições, a ética e verdade desportiva, nada disso interessa, o importante é a emoção, mesmo que os adeptos tenham uma comoção quando lhes anulam (mal) um golo. Quem aplicou a tecnologia ao rugby, ao futebol americano, ao ténis, são uma cambada de relapsos, os nossos comentadores é que sabem tudo...

 

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