Se a desistência da União de Leiria se vier a confirmar e resultar na anulação dos pontos em todos os jogos em que participou, a classificação geral nesta data será a seguinte:
1. Porto........................63 (-6)
2. Benfica.....................60 (-3) * Com apenas um jogo por jogar.
3. Braga.......................56 (-3)
4. Sporting...................50 (-6)
5. Maritimo...................42 (-6)
6. Guimarães................39 (-3)
7. Nacional...................37 (-1) * Com apenas um jogo por jogar.
8. Olhanense................29 (-6)
9. Gil Vicente................27 (-4)
10. V. Setúbal................27 (-3)
11. Beira-Mar.................26 (-3)
12. Rio Ave....................24 (-3)
13. Paços Ferreira...........23 (-6)
14. Académica................19 (-4)
15. Feirense...................18 (-6)
A desastrosa consequência para o Sporting, é que mesmo vencendo os últimos dois jogos não será suficiente para assegurar o 3º lugar, desde que o Braga vença ou empate com o Beira-Mar amanhã, com o acrescido negativo que este não necessita de pontuar para garantir a permanência, uma vez que apenas perdeu 1 ponto com o ajustamento, enquanto o Paços de Ferreira perdeu 6, Feirense 6, Académica 4 e o Rio Ave 3.
Enquanto o País Opinativo ainda debatia acaloradamente a corrida aos preços baixos numa cadeia de hipermercados, consumava-se um caso muito mais insólito, digno de telenovela mexicana, que põe claramente em causa a credibilidade do futebol português. A duas jornadas do fim do campeonato, a União de Leiria retira-se da competição após 13 jogadores terem anunciado a rescisão dos contratos de trabalho alegando incumprimento dos deveres elementares da entidade patronal. Com inevitáveis consequências a vários níveis - incluindo nas tabelas classificativas.
Sem querer entrar na questão de fundo, deixo apenas uma pergunta: como é possível continuarem a ser inscritas nas ligas profissionais equipas sem a menor solidez financeira? Gasta-se tanto tempo e tanto espaço informativo a discutir as apitadelas dos árbitros quando a discussão devia começar precisamente por aqui.
ADENDA às 21.00: depois de dizer isto, o presidente da U. Leiria vem agora dizer isto. Parafraseando Pimenta Machado, o que de manhã é verdade à tarde torna-se mentira. Ou vice-versa.
Se houvesse um módico de bom senso o escabroso enredo do União de Leiria transformava-se no case study do futebol português. Mas não vai acontecer.
Este clubezeco é um mistério. Toda a gente sabe que em Leiria o clube popular e histórico é o Marrazes, no entanto todas as benesses recaíram sobre o anódino União, campeão das bancadas às moscas, pelo que óbvio merecedor de um faraónico estádio, por via da fúria construtivista do Euro 2004.
Desde a criação da Liga que o futebol em Portugal vive entalado entre duas opções, sempre optando pela pior. Ou se converte naquilo que ele já é em qualquer outro país da Europa, uma indústria profissional de entretenimento de massas (O Real Madrid- Barcelona teve um mercado televisivo de 400 milhões de espectadores!!!), sujeito à racionalidade económica que isso implica; ou continua a ser um sombrio enredo de favores, agregado a interesses locais, gerido por uma corja de crápulas autárquicos – é favor ler o livro de Maria José Morgado onde vem escalpelizado tim por tim o famigerado triângulo futebol-autarquia-construção civil.
Ou o futebol continua a atender aos interesses da Associação da Guarda (apenas por exemplo) a ver se consegue puxar a si uma brasita do fraco lume, ou vai no sentido de promover a competitividade, o investimento, o valor dos direitos do espectáculo. Sim, isto corresponde ao interesse dos grandes clubes que se chamam assim porque é à roda deles que estão 80% dos adeptos, dos que pagam para ver.
Também toda a gente sabe que este estado de coisas tem um nome e um master mind: Futebol Clube do Porto. Na sua estratégia para combater o suposto centralismo de Lisboa, disseminou influências pelas capelas do norte, prometendo aqui e ali isto e aquilo, assim garantindo uma rede de compadrios entre as sigilosas Associações de Futebol, capaz de pôr o dedo na balança quando de vez em vez se pretende sanear um pouco que seja tão mesquinho e funesto estado de coisas.
É este o sistema, é esta mão que nele manda e o resultado são as Uniões de Leiria da vida. Querem uma solução? Faça-se um campeonato com 10 clubes e 4 voltas. 36 jogos de grande competição, estádios cheios, direitos de tv mais valiosos, clubes com possibilidade de ganhar massa crítica. Isto dá para todos? Não só para alguns, os mais organizados e com maior base de apoio. É o fazes...