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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - A Final?? Havia outra...

Gosto muito da final da Taça. Mais ainda, gosto muito de ganhar a Taça, aquela competição verdadeiramente democrática, de feitos épicos e de “tomba gigantes”. E depois, disputa-se em “mata-mata”, ou seja, tem tudo a ver com o nosso clube, vivemos assim há anos…

 

Os últimos dias tinham sido de pouco sono, de dormir mal e de ter pesadelos, mas mal o jogo se iniciou, comecei a sonhar acordado: Jesus tinha esboçado um plano maquiavélico para enganar José Mota. Nesse sentido, um bando de caracterizadores invadiu Alcochete e atirou-se aos nossos principais jogadores. Bas Dost era o mais bem maquilhado, com umas assustadoras cicatrizes pintadas na sua testa. As televisões ajudaram a criar um clima dramático, passando a ideia de um intolerável ataque terrorista. De seguida, o treinador leonino suspendeu os treinos e sócios e adeptos desataram a desvalorizar a final da Taça. Mota, ao ver as notícias, convenceu-se de que seriam “favas contadas”. Mandou a equipa deliberadamente para o ataque, impondo um ritmo forte, convencido de que com isso desgastaria uma equipa muito cansada, física e psicologicamente. No meu sonho, com o que o treinador avense não contaria era que o descanso forçado, a que o plano de Jesus obrigou, limparia e libertaria a mente dos jogadores. Uma táctica dinamarquesa…

 

A primeira parte parecia dar razão ao técnico avense. Após um bom início, com 2 cantos logo no primeiro minuto e duas oportunidades perdidas por Gelson na cara de Quim (boas defesas), o Aves marcou, por Alexandre Guedes. Estavam decorridos 16 minutos. Até ao intervalo, o jogo entrou numa toada de equilíbrio, com uma maior agressividade sobre a bola dos nortenhos e maior classe por parte do Sporting, sob a batuta de um Bruno Fernandes cansado mas a fazer belos passes à distância, embora tivesse ficado claro para todos a já tristemente habitual indefinição de posições entre William e Battaglia.

 

O Sporting voltou para a segunda parte com Montero no lugar de William. Bas Dost substituiu o penso pela touca e tentou o golo de pé esquerdo, a passe de Montero. Mathieu, de livre, testou Quim e, de seguida, Vitor Gomes e Bruno Fernandes quase metiam a bola na gaveta. Jesus alterou para uma espécie de 3-5-2, entrando Misic para o lugar de Coentrão, mas Alexandre Guedes, um produto da Formação que nos últimos anos temos vindo a desprezar, marcou o segundo para o Aves.  O jogo parecia sentenciado, mais ainda quando Dost perdeu um golo cantado, acertando na barra sem ninguém à frente. Até que Montero ganhou espaço na área e marcou com uma pontapé volley. Até ao fim, o Sporting tentou, tentou, mas não conseguiu obter o golo que levasse o jogo para prolongamento.

 

O jogo acabou e deixei de sonhar. Acordei para a dura e hedionda realidade. Perdemos. Mas, afinal, o amor à camisola ainda existe, a fazer lembrar outros tempos, época em que não havia claques, nem ameaças de faxes e/ou emails, mas sim o amor genuíno dos adeptos comuns que os jogadores retribuíam de igual forma. Hoje, eles reagiram à “carta” entregue no Jamor por todos os sócios que têm as suas quotas em dia, pagam a sua gamebox anual e mostram uma determinação notável em, de uma forma anónima, nos estádios, no trabalho, em família ou entre amigos, colocar o Sporting sempre acima de vaidades pessoais. Um amor em forma de “nós” e não de pouco mais do que duas dúzias de “eu(s)” (como se já não bastasse o múltiplo “eu” presidencial). Tentaram os nossos jogadores, mas a disposição em campo foi caótica, feita de mais querer do que de organização. E não chegou. Adicionalmente, a equipa ressente-se de, do meio-campo para a frente, só ter um jogador veloz, pelo que os processos são desesperantemente lentos e não existe contra-ataque (desculpem os "técnicos da bola" não falar em transições, mas estou a transitar um mau bocado).

 

Só não quero adormecer agora. Receio o dia de amanhã. Gostava que o sonho pudesse continuar, mas o presente que eu aqui não vou maquilhar é feito de uma intolerável falta de bom senso. Desde logo de quem ainda está à frente do clube e continua a não ver o essencial, preferindo viver uma realidade paralela, mas também de todos aqueles que publicamente produzem declarações que quase incitam a que os jogadores rescindam, mostrando inequivocamente que motivações e ódios pessoais se sobrepõem uma vez mais ao interesse do Sporting Clube de Portugal. Merecemos mais do que isto! Para todos eles, e parafraseando os The National (um forte abraço, Romão), o sistema só sonha na escuridão total. Estamos assim perante um dilema: não podemos ser um clube de “mortos-vivos”, mas não queremos servir para chancelar prova de vida de ninguém que só tem estado distante do clube neste ciclo. “Another day, another dollar”, esta é a história dos últimos 32 anos do clube, qual a surpresa, afinal? Enfim, hoje perdemos e quem gosta do Sporting tem de estar triste. Amanhã renasceremos, uma vez mais. SPORTING !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero. Uma palavra a Acuña e Battaglia que lutaram até à exaustão.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - O jardim

O Conselho de Disciplina reunir num Sábado e despenalizar Ruben Dias é natural. O que não é natural é Bruno de Carvalho escrever um Post e dar uma entrevista ao Expresso. Ainda se tivesse feito um Powerpoint… Na ordem do futebol português, cada coisa tem de ter a sua “cor” natural. Por isso, para muitos, mais do que um revolucionário ou um reformista, Bruno deveria ser um Restaurador. Olex, de preferência.

Nada do que é dito em cima invalida que, curiosamente, até haja semelhanças entre Bruno de Carvalho e Ruben Dias. Por exemplo, ambos falam pelos cotovelos...

  

Confesso que tinha um mau pressentimento para este jogo. Aquela ideia de a Madeira ser um jardim (ou será um Jardim?) fez-me lembrar o Festival da Eurovisão e zero pontos garantidos.  Também, quem é que se lembrou de deixar de fora o talento de Júlio Resende e a magnífica interpretação de Catarina Miranda em “Para sorrir eu não preciso de nada”? Júlio, aliás, que protagonizaria o momento (o único?) da noite festivaleira, ao piano, lado-a-lado com o fabuloso Salvador e o intemporal Caetano, numa gala onde os espectadores finalmente se sentiram vingados quando um rapper tirou o microfone das mãos de um(a) intérprete. Da Altice Arena para o José Alvalade, veio a dica: porque não te calas? – dirão alguns…Eu, cá, só queria que o Sporting tivesse ganho. É que, para sorrir, não preciso de (mais) nada (que uma vitória).

 

O jogo arrastou-se, num ritmo pastelão, mastigado, tipo a chiclete de Jesus, com vários jogadores "fora dela". Nesse sentido, Coentrão e Piccini foram os mais exasperantes. Por volta da meia-hora, Joel marcou para o Marítimo, após duplo erro de Coentrão que primeiro fez uma falta estúpida e de seguida deixou o avançado insular marcar nas suas costas. Dost igualou instantaneamente. De seguida, lançado por Battaglia, Bruno Fernandes desperdiçou na cara de Abedzadeh. Pensava-se que o Sporting iria embalar, mas foi o canto do cisne.

 

A segunda parte foi um deserto de ideias. Jorge Jesus foi lançando avançados ao monte, mas com cruzamentos efectuados de frente, os defensores maritimistas jogaram de "cadeirinha" (de "cadeirinha" deveríamos estar a jogar nós, agora que não temos partidas a meio da semana, mas desde que isso aconteceu nunca mais ganhámos). Entretanto, Battaglia, provavelmente o nosso jogador que mostrou mais querer em campo, foi substituido, de forma a que William pudesse continuar a perder a bola e, quando não a tivesse nos pés, acompanhá-la com os olhos - é que o "Sir", na sua forma actual, parece mais um controlador aéreo que um jogador de futebol. Para o fim estava reservado o pior bocado. O que começou numa luta de galos - entre presidente e jogadores - terminou num frango (de Patrício, o habitual salvador). Faz sentido! O "milho" da Champions é que voou...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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 #savingprivateryan

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Comunicado

As equipas entram no relvado e Jorge Jesus já está no banco, de calculadora na mão. Ao seu lado, Bruno Carvalho sabe que está proibido de emitir sinais de fumo (pois não está na Tribuna). Os jogadores do Sporting iniciam a redacção de um Comunicado, com o fogo de artifício lançado pelas claques como pano de fundo.

 

O Benfica toma a iniciativa e Rui Patrício mostra que comunica bem com os postes. A vítima desta vez é Rafa. Bryan Ruiz escreve um bom primeiro parágrafo, Mathieu tenta complementá-lo e Ruben Dias impede-o, agarrando-o, mas Carlos Xistra acaba por rasurar tudo. Jesus diz que foi uma "chave, um termo de luta técnica(!)", ficando o público sem entender se estaria a falar grego, romano ou mesmo greco-romano. O que o público também não vai percebendo é quem é o trinco e quem é o "box-to-box" da equipa leonina. Aparentemente, JJ tentou confundir Rui Vitória, mas acaba por estar a confundir só os adeptos do Sporting com as suas ideias "fora da caixa"...

 

Piccini anda às aranhas com Rafa, Grimaldo e o "Zokovic", ou lá o que é, a entrarem pelo seu corredor e o ex-bracarense volta a testar a confiança de São Patrício nos ferros. Rui, que ainda toca na bola, agora fala com o direito, antes tinha sido com o esquerdo. O Sporting reage, numa ideia de Bruno Fernandes que Coentrão não consegue finalizar eficazmente. Depois, é Bas Dost que tem aquela que o treinador leonino diz que é a melhor oportunidade de golo. Sai-lhe a roleta e, quase a alinhavar os 3 pontos do Comunicado, pára e pede a Gelson para o terminar. Um jogador do Benfica, com mais "canetas", intromete-se e não lho permite. Pelo meio, Patrício (sempre ele) impede, por duas vezes, os benfiquistas de saírem à frente no marcador.

 

Intervalo para café ("Coffee-Break") e os atletas abandonam a "sala de espectáculos" por momentos. Ansiosos, os espectadores aguardam por novidades, divididos entre os que verificam o funcionamento do seu pacemaker e os que se fazem munir de um desfibrilador, o equipamento electrónico que substituiu o telemóvel no reino do leão. É que não há Facebook ou Instagram que (não) valham uma boa descarga...

 

Recomeça a segunda parte. Há fumo negro e cabos soltos no relvado ou cabos negros e fumos soltos no relvado, tanto faz, pormenores que por alguns minutos atrapalham a comunicação. Mormente após a substituição de William por Acuña, e consequente passagem de Ruiz para o meio, finalmente o Sporting estabiliza as posições no meio campo. Batman emerge como o médio mais recuado e começa a dominar as investidas adversárias. O vigilante de Alvalade City recupera inúmeras bolas e a equipa parece readquirir a sua confiança. O Benfica ainda lança Sálvio e este dá a Jimenez a oportunidade de decidir o jogo, mas o mexicano não a remata da melhor maneira. Bruno Fernandes tem uma boa ideia e transmite-a a Dost, mas Ruben Dias, uma vez mais, põe-lhe a mão em cima e não o deixa escrever. Xistra nada diz e o vídeo-árbitro já deverá estar a jantar. Bryan Ruiz ainda propõe redigir algo, mas infelizmente da cabeça do costa-riquenho não saem melhores ideias do que aquelas que já conhecíamos que produz com os pés. Pelo menos nos jogos com o Benfica.

 

O jogo termina e o Comunicado é uma folha em branco. À saída, um amigo diz-me que o Benfica tem melhores jogadores. Confronto-o, pedindo-lhe para enumerar qual é o jogador dos 5 de trás que joga numa selecção (para além daqueles, do meio campo para a frente que jogam nas "potências" Sérvia, Grécia e México e dos portugueses que são suplentes do suplente da "equipa de todos nós"...). Acrescento que no Sporting, agora que Battaglia está nos planos de Sanpaoli, só Piccini não é chamado às selecções. O meu amigo acaba por anuir.

Jorge Jesus e Ruben Dias são as grandes figuras da época, conseguindo passar entre os "pingos da chuva": o treinador leonino, porque está há sete jogos para o campeonato sem vencer um "grande" e mantém a sua áurea - é o que se chama "comunicar bem"; o benfiquista, porque consegue fazer toda uma panóplia de faltas sem que os árbitros o sancionem. Deve ser a isto que a Comunicação encarnada se refere quando fala de "campeonato sujo"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Onda verde

Um jogo que teve um pouco de tudo: golos de belo efeito, emoção, palhaçadas, muitas mutações tácticas e uma "flash-interview" rica em frases para um novo livro do Pedro Correia. E houve também um sofá, o meu (e de muitos de nós), que mais parecia uma cama de pregos, não sendo eu um faquir. Sofremos tanto, tanto...

 

Pode um jogador ter uma segunda parte horrível, com uma imensidão de bolas perdidas e ainda assim ser considerado o melhor em campo? Sim. Bruno Fernandes passou o tempo a remar contra a maré da Praia da Rocha mas, em dois momentos de inspiração, marcou dois golos. O primeiro, em "souplesse", após assistência de Bas Dost, levantando a bola com categoria por cima do guarda-redes portimonense, um Leo alheado da alcateia de leões do Sporting. Depois, já o jogo caminhava para o fim, o médio aproveitou uma bola de ressaca à entrada da área, dominou-a no peito e matou de primeira, sem a deixar cair no chão. Um golão!

 

A emoção esteve sempre presente. O Sporting entrou bem e teve imediatamente oportunidades, por intermédio de Battaglia e de Dost. Cumprindo o velho adágio de que à terceira é de vez, Bruno marcou. Pelo meio já tinhamos experimentado um novo modelo de bola parada ofensiva, que consiste em 3 crânios congeminarem demoradamente sobre o que fazer até acabarem a entregar a bola ao adversário e proporcionar-lhe a hipótese de marcar um golo. Valeu que Patrício não aprovou a opção. Quase simultaneamente, em Porti ... mão, houve dedinhos na bola de um defesa algarvio na sua área, na sequência de um duelo de Fernandes (Ruben vs Bruno). Acuña, Bruno e Gelson ainda tiveram ocasiões de golo, mas acabou por ser o Portimonense a marcar após Petrovic e Coentrão não terem respeitado a posição de Coates, permitindo assim o golo a Fabrício, pós-cruzamento de Bruno Tabata, que entretanto tinha mudado de flanco com o nipónico Nakajima. 

 

O Sporting entrou nervoso no segundo tempo, sem posse de bola, e dando espaço à mobilidade do Oliver Tsubasa da equipa algarvia. O nosso meio campo, provavelmente devido à proximidade com o mar, metia água por todo o lado e o jogo partiu-se. Na única jogada com cabeça, tronco e membros da primeira meia-hora, Dost isolou Gelson e este, em vez de seguir em linha recta, voltou a optar pelo caminho crítico para a baliza de Leo. A bola sobrou para Acuña e o argentino centrou como se fosse para Dost. Não sei se viu um holograma do holandês, mas era Bruno Fernandes que lá estava e a bola perdeu-se. Depois, houve o já habitual número de circo: à falta de Lito Vidigal, Abel ou mesmo de um bombeiro do Dragão, foi Vitor Oliveira a protagonizar mais uma palhaçada. A novidade é que, desta vez, o outro protagonista não foi Fábio Coentrão - hoje um menino do coro - mas sim Petrovic.

 

Jesus foi à procura da felicidade e começou a mexer no sistema. Entraram Misic e Montero e às tantas estavamos a jogar num 3-5-2 (ou 3-5-1, pois o colombiano - é como o Bolo-Rei antes da ASAE, nunca se sabe se sai brinde ou fava - teve um daqueles frequentes apagões a que já nos habituou). Ainda mudaríamos para um 4-4-2 com a entrada do Lumor de perdição do treinador leonino, o homem que é pior que assim-assim (sic), mas que parece ser o talismã do leão. Hoje entrou e o Sporting marcou, de novo.

 

As entrevistas aos protagonistas foram cheias de frases fortes. Primeiro foi Bruno Fernandes, quando inquirido se a sua exibição era um piscar de olho a Fernando Santos e ao Mundial da Rússia, a dizer que não, "era um piscar de olho ao Sporting" - grande leão! Depois, JJ afirmou, a propósito da troca dos alas do portimonense, que "Batta(glia) não percebeu nada daquilo". Finalmente, Vitor Oliveira declarou que "o Portimonense foi derrotado pelo melhor jogador do campeonato (Bruno Fernandes)".

 

Apesar de liderado pelo japonês Nakajima, o caudal ofensivo do Portimonense não foi um oceano pacífico. No entanto, a inspiração de Bruno Fernandes criou uma onda verde e a equipa algarvia foi "de vela" ao largo da Praia da Rocha. No dia em que o tondelense Tomané assinou os papéis da reforma de Luisão, esta importantíssima vitória permitiu-nos igualar o Benfica. No entanto, nada de muito substancial se alterou, pois só um empate 0-0 em Alvalade nos deixará em vantagem. Havendo golos tudo se alterará, pelo que teremos de jogar para ganhar. É para continuar ligado ao desfibrilador e talvez tenhamos de ir fazer umas "nuances" como o JJ (ai os cabelinhos brancos, ai, ai). Se a vida de treinador não é fácil, imaginem a de treinador de sofá. É que eles ainda têm aquele rectângulozinho à frente do banco por onde se podem movimentar e libertar um bom vernáculo, ao passo que eu, cá em casa, se me afasto perco o jogo e se vocifero levo um cartão amarelo alaranjado. Sem recurso para o Conselho de Disciplina...

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Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes - 16 golos, 18 assistências e mais 18 participações decisivas em golos

 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - VARiante no xadrez

Ao fim de 55 jogos e no meio de tantas lesões e cansaço, ainda assim o Sporting conseguiu apresentar peças suficientes para povoar e dominar o tabuleiro axadrezado. Adoptando uma abertura clássica, que consistiu na libertação imediata dos cavalos Gelson e Ristovski, o Grande-Mestre Jesus rapidamente tentou colocar em xeque o último reduto boavisteiro. Na zona central, à frente das torres Coates e Mathieu, Battaglia limpava os peões que se lhe atravessavam no caminho, o que possibilitava a Bruno Fernandes e a Bryan Ruiz darem asas à sua criatividade e grande classe. O bispo Acuña, com as suas diagonais, ajudava a manter tudo sob controle. 

 

As oportunidades para xeque-mate sucediam-se, mas Vagner não estava pelos ajustes e ia adiando o inevitável. Até que surgiu em cena uma variante moderna, o vídeo-árbitro. O Veríssimo mais uma vez não teve boa vista (já tinha havido um lance polémico sobre Dost), mas desta vez o VARíssimo, seu alter-ego, sancionou uma clara mão de Robson na área axadrezada. Bas Dost, na conversão da grande penalidade, adiantou o Sporting no marcador. Embalados, os leões aumentaram a pressão, mas a falta de espontaneidade no remate por parte de Gelson e Bruno foi adiando o golo da tranquilidade, exasperando as bancadas repletas de público em Alvalade. Quem não esteve com cerimónias foi Raphael Rossi, que com uma entrada nada católica, mesmo violenta, testou a qualidade das caneleiras de Acuña. Fábio Veríssimo abeirou-se, olhou, sentiu e, ouvindo o argentino ainda respirar, decidiu-se por um cartão amarelo...

 

A segunda parte foi jogada num ritmo um pouco mais lento, mas o Boavista continuou a não testar o guarda-redes leonino. Condoídos, os colegas desataram a atrasar-lhe bolas, tipo bóia de salvação. É que, para o Rui, jogar com os pés foi o que teve ali mais à mão (para justificar a entrada em campo), pois ZERO remates à baliza foi a estatística final das "panteras negras". Gelson e Dost poderiam ter marcado e, naquilo que bem se poderia designar de goleada de um golo só, haveria ainda tempo para Bruno Fernandes, isolado por Gelson, passar por várias etapas de desgaste competitivo: cansaço mental, défice de concentração, cansaço físico, perda de vontade de fazer golos, enfim um burnout ou brunout ou lá o que é ... (aquelas coisas que psiquiatras que vão à televisão costumam diagnosticar às pessoas que só conhecem de vêr ... pela televisão).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ristovski

 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

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(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus (especial) - Ganhámos, não foi?

Afastado da primeira equipa para, alegadamente, curar algumas mazelas, eis que Bruno de Carvalho regressa ao terreno de jogo em Soure. Últimamente visto em pavilhões, não se pode dizer que a pequena vila do Concelho de Coimbra lhe possibilite um regresso aos grandes palcos. Ainda assim, não sendo um ambiente de Champions, os espectadores prestam-lhe uma ovação.

 

À primeira vista, Bruno apresenta boa cara, sinal de que o descanso lhe terá feito bem. Mas, a imagem é enganadora. Mal o jogo começa, já combalido e por terra, leva uma primeira pernada:

- "Uma familia não vê um membro no chão e dá-lhe pontapés" -, dirá, posteriormente, no Flash-Interview.

- "Pois não, pois não ... " -, dirão em coro os restantes jogadores, ouvidos na Zona Mista, ainda lembrados dos ecos da derrota em Madrid.

 

No entretanto, Bruno vai tentando galvanizar a restante equipa:

- "Apertem com eles" -, afirma resoluto, pedindo mais vontade em bater o adversário.

- "Apertem com eles como eu achar" -, responde-lhe o árbitro, pouco solícito em anuir à agressividade pedida.

 

O Juíz apita para o intervalo e Bruno aproveita para lêr alguns SMS. Um deles é de Carlos Carneiro, jogador de andebol, e o presidente-treinador-jogador partilha-o com o balneário, enquanto pede mais concentração aos seus defesas, melhor pontaria ao seu avançado, corrige alguns aspectos técnicos e combina umas "bojecas" com Coentrão após o jogo. De seguida, dá uma entrevista à Rádio-Soure, a exigir mais empenhamento aos jogadores. A equipa regressa para o segundo tempo, não sem antes Bruno piscar o olho à assistência, enquanto solta uma tirada filosófica em que põe a um canto o "penso, logo existo" de Descartes, que corrige para "blogo ... , perdão, espicaço, logo ganho". A massa adepta aprova, consciente de que para existir o clube tem de ganhar. É assim, à falta de umas "bojardas" no campo, que Bruno pretende levar a equipa à glória.

 

A verdade é que a segunda parte corre bem e a vitória é assegurada. Em conferência de imprensa, ao presidente-treinador-jogador é transmitido que os jogadores não terão ficado muito satisfeitos com as mensagens ao intervalo. Ufano, Bruno apenas diz:

- "Ganhámos, não foi?".

 

 

Aviso: vêr qualquer semelhança entre este texto e a realidade será um caso de pura ingratidão.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Por cada Bruno que cair, outro se levantará

O jogo começou com quase um quarto de hora de atraso e o Sporting ainda entrou mais tarde. Logo aos 2 minutos, Bruno Paixão caiu ... na tentação de marcar uma grande penalidade após antecipação de Yazalde a Rui Patrício, na sequência de uma primeira defesa de Rui a remate de Licá. Já depois do cabeceamento do avançado, o guardião leonino deu um toque involuntário na cara do avançado e o árbitro marcou "penalty". Yebda converteu, pondo a equipa do Restelo na frente. 

 

Eis senão quando aparece no jogo outro Bruno, o Fernandes. Do lado esquerdo, e ainda dentro do seu meio campo, com a precisão de um relojoeiro suiço, o maiato colocou a bola a tempo e horas, direitinha no pé direito de Bas Dost que não perdoou. Pouco tempo depois, outra vez Bruno ... Fernandes. Com o diabo no corpo, penetrou pelo centro do ataque e assistiu Gelson na meia direita para o segundo dos leões. Estavam decorridos 16 minutos de jogo. O jogo ficou mais dividido, mas o Sporting parecia sempre mais incisivo. Assim, após um canto, Bruno Fernandes (who else?) visou Battaglia que desviou de cabeça rente ao poste. Logo no minuto seguinte, o nosso número 8 serviu Dost entre 2 defesas. O holandês, sem velocidade para sprints, preferiu contemporizar e servir Ristovski na direita. Centro do macedónio, bola deflectida e surgiu Acuña, de pé direito (!) a rematar com êxito.

 

O segundo tempo iniciou-se com um remate muito perigoso, outra vez de Bruno Fernandes, a poucos centímetros do alvo. O médio leonino começava a acusar o desgaste do jogo e da eliminatória europeia e, como ele, também Ruiz parecia dar alguns sinais de cansaço. A verdade é que o Sporting começou a perder o meio-campo e em 3 minutos (entre os 61 e os 64) o Belenenses empatou. Primeiro, num remate de Licá, depois num "penalty" cometido por Acuña sobre (outra vez) Licá e convertido por Fredy.

 

Confesso que temi o costumeiro fadinho leonino, mas, após um canto, Yebda acertou uma cotovelada na cara de Bas Dost na área e Bruno Paixão, após consulta do VAR e visionamento das imagens, assinalou a grande penalidade e expulsou o argelino. Sururu, muitos protestos belenenses e o árbitro a não permitir a reentrada em campo de Dost (antes assistido). Não houve Bas, mas Bruno Fernandes chamado a converter o castigo máximo marcou com categoria o 4-3 para os leões. JJ mexeu na equipa, tirando os dois criativos, Bruno e Ruiz, completamente esgotados, e colocando Petrovic e Lumor em campo, restabelecendo a táctica dos 3 centrais com Coates, Petrovic e André Pinto. O jogo não acabaria sem um remate ao poste de Florent, com São Patrício ainda a dar um pequeno desvio que impediu o golo do empate, numa altura em que parecia que o Belenenses é que tinha um homem a mais.

 

No Sporting, os melhores foram Bruno Fernandes (um golo e duas assistências), Acuña (um golo), Bryan Ruiz (muito bem a gerir os momentos do jogo) e Battaglia (grande pulmão). A defesa esteve muito irregular e Gelson (muito voluntarioso) e Dost complicaram situações fáceis de golo.

 

Numa noite em que houve um Bruno (Carvalho) ausente - mas ainda omnipresente na mente de apoiantes e opositores - e um Bruno (Paixão) que marcou 3 grandes penalidades e iniciou o jogo com grande atraso, valeu o terceiro Bruno, que, com uma exibição espectacular, principalmente no primeiro tempo, ajudou a resolver o jogo para o Leão Rampante, algo que o igualmente endiabrado Licá tentou ao máximo evitar. Uma vitória do Sporting contra os Velhos do Restelo e o segundo lugar já ali à vista. Uma palavra para o excelente futebol implementado em Belém por Silas. Chapeau !

 

Quanto à arbitragem, há argumentos que podem justificar a marcação de cada uma das grandes penalidades. Eu só estranho duas coisas: não me recordo de um "penalty" marcado contra Benfica ou Porto aos 2 minutos de jogo; nem na RTP Memória consigo encontrar dois castigos máximos, marcados no mesmo jogo, contra Benfica ou Porto. Alguém acredita que venhamos a assistir a algo do género, envolvendo os nossos adversários, até final do campeonato? Se virem, avisem, que eu vou estar embrenhado na Torre do Tombo à procura de evidências históricas...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (inevitável)

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Os notáveis

O Sporting fez um grande jogo contra uma equipa que disputou duas finais da Champions nos últimos 3 anos. Sem sete opções disponíveis - Fábio Coentrão, Bas Dost, Bruno César, Podence, Rafael Leão, Piccini e William -, a que durante o jogo se juntou um oitavo (Mathieu), o Sporting mostrou em campo o notável investimento que foi feito pela direcção no plantel desta temporada. O treinador desenhou um esquema táctico notável, com 3 centrais, nas laterais Acuña mais profundo que Ristovski, 3 médios centro com Bruno Fernandes mais descaído numa ala e Gelson, partindo do meio, a apoiar Montero. Os jogadores, também eles, estiveram notáveis, bem como os entusiásticos adeptos expostos à intempérie que não se cansaram de apoiar a equipa. 

 

A primeira parte então foi fantástica. Uma pena que não tenhamos chegado ao intervalo a vencer por 2-0. Teria sido justo face às oportunidades que a equipa criou. Fosse por escassos centímetros (Acuña), por deficiente finalização (Gelson) ou pela categoria extra de Oblak, a verdade é que chegámos ao intervalo a vencer por apenas 1-0, cortesia do oportuno golo de Fredy Montero, o seu quarto desde que chegou em Janeiro. O segredo esteve na recuperação da bola. Rodrigo ´Batman` foi o justiceiro de Alvalade, policiando todas as movimentações na sua área de jurisdição, bem apoiado pela classe e generosidade de Bruno Fernandes, aquele jogador que ´Cholo` Simeone não hesitou em identificar como o melhor do Sporting. Depois, Montero, não se dando à marcação, obrigou a defesa colchonera a andar à roda, abrindo brechas para as penetrações de Gelson e de Acuña nas alas.

 

O desgaste acumulado no primeiro tempo notou-se na segunda parte. Com tantos jogadores lesionados, Jorge Jesus não tinha soluções no banco capazes de serem efectivas mais-valias no jogo. Ainda tentou, substituindo Bryan Ruiz, pouco certeiro no passe, por Ruben Ribeiro (recuando Bruno para a posição do costa-riquenho), mas o ex-vilacondense mostrou uma vez mais ser um jogador de espaços curtos, ideal para o futsal. A quebra física foi mais notória a partir dos 70 minutos, valendo aí São Patrício com duas manchas excelentes, uma desviando a bola, outra reduzindo ao máximo o ângulo para Griezmann rematar.

 

Exibição muito digna de uma equipa que prestigiou um grande clube. A meu ver Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Petrovic - sim, eu sei, o que querem que vos diga(?), o homem entrou a frio e esteve em grande plano - e Montero foram os melhores em campo, mas globalmente os onze que entraram de início estiveram todos bem. 

 

Acabou por vencer a eliminatória a equipa que menos erros cometeu, mas o Sporting Clube de Portugal honrou o futebol português e foi o clube que deu mais pontos para o ranking de Portugal na UEFA esta temporada.

 

Até ao final da época, estes notáveis que estiveram ontem nas bancadas e os outros que "falaram" no campo precisavam que os deixassem em paz. Temo, no entanto, que dentro de momentos se retome o desfilar de outro tipo de "notáveis" numa televisão à beira de si. Para alguns, é preciso não deixar esfriar...  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - In your Face...

Gosto sempre mais de vêr os jogadores comunicarem em campo, assim quem ganha é o Sporting. Hoje, apesar de algumas mensagens não terem chegado ao seu destino (muitos passes falhados), a equipa jogou bem a (es)paços e ganhou. 

 

Tinha de haver jogo e tinha de haver jogo com os melhores. Isso, felizmente, foi conseguido e assim se defendeu o Sporting e os seus sócios e adeptos. Apesar de tudo, os sinais foram inquietantes. A obstinação presidencial em ir para o Facebook conheceu mais um insólito episódio horas antes do início do jogo. Em resposta, aquando do segundo golo, os jogadores uniram-se em círculo junto ao banco onde estava Bruno de Carvalho, mostrando na cara do presidente que o poder caiu na rua. Uma parte das bancadas corroborou e Jesus solidarizou-se com os jogadores.

 

O Sporting foi algo intermitente na pressão sobre a bola e teve, na primeira parte, algumas dificuldades em criar ocasiões de golo. Ainda assim, aos 19 minutos, uma bela triangulação entre Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Bas Dost acabou no fundo das redes do Paços.

 

Na segunda parte, os leões mostraram melhor dinâmica e criaram mais oportunidades. Numa única jogada, Battaglia, Ruiz e Coates falharam 3 golos. Mais tarde, Bruno descobriu Gelson à entrada da área e este centrou atrasado para Bryan Ruiz colocar em jeito dentro da baliza de Mário Felgueiras. Dost ainda bisaria após magistral assistência de Bruno Fernandes, mas Bruno Esteves anularia (mal) o golo perante a complacência dos comentadores da SportTV e sua interpretação da linha de fora-de-jogo.

 

Desse lance resultaria a lesão do guarda-redes pacense e o defesa Rui Correia ocupou o seu lugar. Ainda assim, conseguimos, nesses 13 minutos, não efectuar um único remate à baliza, dando razão ao velho desabafo de Bobby Robson de que o leão não tinha (tem) "killer instinct".

 

Os destaques foram Bruno Fernandes, Battaglia (recuperou inúmeras bolas) e Wendel (que se estreou a titular e a fazer a tal pressão alta que tempos atrás recomendei que um "8" deveria executar).

 

Ganhámos o jogo, mas não ganhámos um clube. À hora em que escrevo estas palavras, Carlos Manuel e Sousa, nos estúdios de um operador televisivo, gozam com a dor nas costas do presidente. Bruno Carvalho, em conferência de imprensa, volta a dirigir-se aos sócios de forma menos própria, falando das bancadas poente e nascente. Que o Sol se venha a pôr de novo em Alvalade e que o renascimento a que assistimos da maior potência desportiva nacional possa ser continuado. Isto, como está, simplesmente não dá. 

 

P.S. os adeptos, nas bancadas, gritam SPORTING, SPORTING, SPORTING!!! Esse sim, é inalienável...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sábado Negro

(escrito no final do dia de Sábado)

Sábado Negro para todos os cristãos e, este ano, em particular também para os sportinguistas, pois as esperanças leoninas de vencer o campeonato ficaram hoje enterradas em Braga. Com uma enorme diferença: quando amanhã celebrarmos com fé aquilo que é a base do Cristianismo, teremos presente que as hipóteses dos leões não se reerguerão.

 

A derrota de hoje foi a consequência lógica de uma série de equívocos que se têm evidenciado desde que Jesus chegou a Alvalade. A aposta em bons jogadores saídos da nossa Formação foi escassa e quando ocorreu foi mais para tapar o sol com a peneira, como na temporada passada após tudo estar perdido. Hoje, sem William, Palhinha foi para a bancada - o "extraordinário" Petrovic esteve no banco - , Wendel não jogou de início e tivemos de colocar Battaglia, um "8", um (sempre esforçado) vassalo, a fazer de Sir. Para apoiá-lo esteve um deslocado Bryan Ruiz, mais o seu motor a diesel e a sua lenta engrenagem, quando na véspera, em Vila do Conde, Francisco Geraldes, um produto da nossa academia, alardeou toda a sua enorme visão de jogo e rapidez de execução. Com Bruno Fernandes a jogar muito longe dos outros médios-centro, não tivemos bola e o nosso jogo ofensivo secou. Esta obstinação em tentar manter um 4-4-2, sem ter jogadores para tal, só poderia acabar desta forma.

 

As substituições operadas pelo treinador também foram um "must": primeiro, entrou o "promissor" Ruben Ribeiro, um jogador ainda a tempo de desenvolver uma grande carreira desde que ela não envolva a ocupação de mais do que um metro quadrado de terreno por jogo; depois, demorou 80 minutos a fazer entrar um segundo avançado, como se a passagem de Bruno Fernandes para uma posição mais recuada, onde pusesse finalmente pegar na bola, não fosse ainda assim um mal menor face à anterior presença do costa-riquenho Ruiz; finalmente, já depois dos 90 minutos colocou em campo a "arma secreta" Wendel, certamente para queimar tempo e paciência (dos adeptos). Aliás, o brasileiro, é um artigo de luxo em Alvalade, pois cada minuto de sua utilização (6 no total) custou até agora a módica quantia de 1,45 milhões de euros. 

 

No geral, toda a equipa foi lenta a definir as jogadas, com Bryan Ruiz, Bas Dost e Acuña a alargarem os limites da expressão, mesmo quando sózinhos dentro da área adversária. Como se já não bastassem estes, JJ ainda colocou em campo RR7. Confesso que olhei variadíssimas vezes para o comando da minha "Box" para vêr se não tinha acidentalmente accionado o "slow-motion". Gelson lutou contra o monotonia e animou a nossa primeira meia-hora, apoiado aqui e ali por Bruno Fernandes, período em que o Sporting foi dominante mas sem aquela agressividade e combatividade que nos vinha caracterizando. Estranhamente, na segunda parte, praticamente só se deu pelo ala quando foi apanhado num fogo cruzado levando com a bola na cara. Nem assim terá despertado, ele que provavelmente ainda estará em transe com o guião ubíquo que Jorge Jesus, inspirado pela quadra pascal, lhe entregou e que consistia em estar em todo o lado ao mesmo tempo. Coates era o meu candidato a homem do jogo, mas o uruguaio está a vivenciar uma daquelas épocas em que a nódoa cai sempre no melhor pano e lá acabou por ter culpas no golo bracarense, pondo em jogo Raul Silva.

 

Vamos para o final do terceiro ano com Jorge Jesus e continuamos sem vencer o campeonato. Mas parece que vai ficar por cá. Ou porque ainda há quem acredite nele ou porque a sua cláusula de rescisão é cara, o mais certo é continuar. Como está na moda citar o tio-avô do nosso presidente eu diria que estarmos sequestrados pelo treinador é uma coisa que me chateia. De um Almirante para um General, sem medo, dá vontade de parafrasear o "obviamente demito-o"...

 

Abel ganhou e está de parabéns, mas perdeu definitivamente o meu respeito. Pode citar pais e avós e usar de falinhas mansas, mas o ressabiamento está lá e fica-lhe muito mal. O episódio com Fábio Coentrão foi simplesmente para lastimar. E mais não digo (e menos, seguramente, deveria ter dito) que a época é de paz. Para todos, uma Santa e Feliz Páscoa! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": os adeptos leoninos que se deslocaram à "Pedreira"

 

#savingprivateryan (*)

 

(*) inicio hoje uma campanha de sensibilização a favor da valorização de jogadores formados na Academia. Uns porque fazem falta ao actual plantel, outros porque a sua carreira está a ser travada por uma política de empréstimos desastrosa. Personifico em Ryan Gauld este sentimento e esta campanha (#savingprivateryan), a qual constará em rodapé em futuros "posts".

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Uma Laranja amarga

Vêr a bola rolando sobre a relva num jogo da Selecção é natural, o que não é natural é vêr Rolando sobre a relva a jogar à bola pela Selecção. Mas não foi só o marselhês que esteve mal, visto que ao seu lado a Fonte secou. Acrescente-se a presença de André Gomes como trinco, de um ainda pouco rodado Adrien no centro do campo e de um(a) Cancelo(a) sempre aberto(a) às investidas holandesas e já não haveria seguradora que pudesse cobrir o risco de acidente. 

 

Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa atitude contra a Holanda, decidiu tentar assumir as despesas da partida, mas com as linhas muito distantes entre si acabou por facilitar o invulgarmente cínico jogo holandês, permitindo transições cirúrgicas donde resultaram três golos sofridos na primeira parte.

 

A segunda parte foi um pouco melhor, mas os golos de Ronaldo não apareceram, as trivelas de Quaresma continuaram no balneário e, para piorar a situação, do outro lado esteve um inspiradíssimo Jasper Cillessen a manter a sua baliza inviolável. Paradoxalmente, os melhores jogadores da nossa Selecção foram os que jogam em Portugal: Gelson Martins, incansável a fazer todo o corredor pós-expulsão de Cancelo, foi de longe o melhor e Bruno Fernandes tentou remar contra a maré. Nota positiva também para São Patrício que não sofreu qualquer golo  nesta dupla jornada helvética...

 

Derrota importante para recentrar os pés na terra e perceber que temos um longo trabalho pela frente. A defesa, nomeadamente a sua zona central, preocupa e muito. Volta Pepe!!! E, já agora, talvez não seja mal pensado o regresso de Éder. Embora falhe golos a 2 metros da baliza como André Silva, pelo menos tem a meia distância. E é talismâ! 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Peyroteo e os ferros

O futebol é curioso e não pára de nos surpreender: era para ser uma partida em que o cansaço se faria sentir, acabou por ser o nosso jogo mais completo da época. Uma exibição de gala de Peyroteo - ou não fosse ele o jogador com a melhor média de golos do futebol mundial (acima de 1,6 golos por jogo) - , que marcou por duas vezes, com o pé direito e de cabeça, e acertou por 4 vezes nos ferros (duas bolas na barra, uma no poste direito, outra no poste esquerdo).

 

O jogo foi marcado também por mais uma lição do apitador que a tribo leonina "consagrou", que respondeu à nossa pressão alta com uma pressão alta, embora de tempo de reacção baixo, no apito. Tomemos a (não) acção disciplinar como exemplo: logo a abrir, Marcão pisou intencionalmente o pé direito de Gelson e escapou impune à cartolina. Aos 4 minutos, Leandrinho entrou com tudo sobre Battaglia e nada. Aos 11, Yuri Ribeiro rasteirou por trás Bruno Fernandes e não foi admoestado. Aos 68, Pelé carregou por trás Bruno Fernandes e o árbitro decidiu recuperar uma falta atrás... No final, três cartões amarelos para o Sporting e um para o Rio Ave (!). Olhemos agora para o capítulo técnico: aos 13 minutos, Coates pontapeou o esférico contra Diego e ... lançamento para o Rio Ave, aos 38, não marcou "penalty" sobre Bruno Fernandes nem aparentemente consultou o VAR, aos 43, 45 e 48 minutos demorou a marcar faltas contra o Sporting - acho que lhe chamam lei da (des)vantagem e consiste em demorar quase tanto a apitar quanto o tempo necessário para cozinhar um perú no Natal... - após bolas legalmente recuperadas pela nossa equipa à saída da grande-área do Rio Ave, finalmente aos 78, Marcão baixou a cabeça e marcou jogo perigoso a Gelson. E já nem vou falar da contribuição dos auxiliares nos foras-de-jogo ... Posto isto, não sei se me inscreva já num curso de arbitragem ou se consulte um oftalmologista, pois o ex-árbitro Pedro Henriques acaba de dizer na SportTV que a arbitragem foi boa...

 

O Sporting entrou com tudo e ainda não estavam decorridos 5 minutos quando Bruno Peyroteo cruzou da direita e Nelson Monte antecipou-se por pouco a Bas Peyroteo. Bas, que pouco tempo depois, isolado permitiu a defesa a Cássio. Aos 19, Bruno e Bas voltaram a estar em evidência: o primeiro acertou na barra, na execução de um livre directo, o segundo permitiu a defesa a Cássio, na recarga. Aos 23 minutos, uma jogada à Cinco Violinos: o apanha-bolas (se soubesse o seu nome seria candidato a "man of the match") serviu vertiginosamente Cristiano Peyroteo, este lançou rapidamente para Bruno Peyroteo-que-centrou-de-imediato-para-Bas Peyroteo-que-amorteceu-para-a-entrada-de-Gelson Peyroteo-que-não-perdoou. Golo ! 

 

Aos 26 minutos, Fábio Peyroteo acertou na barra, iniciando aí um duelo emotivo com o seu colega Bruno no tiro aos ferros. A primeira parte não terminaria sem que Bruno e Rodrigo Peyroteo não testassem novamente a atenção de Cássio. Pelo meio, Rui Peyroteo, em fim-de-semana de São Patrício, mostrou a razão pela qual desejamos por todos os santinhos que nunca abandone Alvalade. A segunda parte foi mais do mesmo: Coentrão e Bruno voltaram a acertar nos ferros, mais concretamente desta vez nos postes, decidindo-se por um empate técnico (2-2). Finalmente, aos 83 minutos, Bas terminaria com o sofrimento, respondendo de cabeça a uma bela iniciativa de Gelson (2-0), marcando assim o 30º da época.

 

Gelson e Bas Dost, com participação nos 2 golos, Bruno (meu Deus, o que ele jogou...) e William foram os nossos melhores jogadores, mas todos estiveram bem. Não foi só um homem ou dois, a equipa conseguiu pressionar no campo todo, mostrando-se sempre muito equilibrada. Coincidência ou não, à nossa melhor exibição correspondeu o regresso do 4-3-3, com Batman no meio. Tempo ainda para a estreia de Marcus Peyroteo (Wendel), que começou a amortizar o pesado investimento de 8,7 milhões de euros feito na aquisição do seu passe (nada social). Duas notas finais para Piccini e para Bryan. O italiano, quando está bem fisicamente, impressiona pela sua movimentação acima/abaixo pelo corredor, mas continua a protagonizar aqueles momentos hitchcockianos de atrasos de bola que fazem com que um adepto se tenha de munir de um desfibrilhador. Quanto ao costa-riquenho, proponho à direcção que passe a jogar com o nome de Peyroteo às costas. Pode ser que assim acabe com a maldição à frente das balizas. Hoje não teve oportunidade de as visar.

 

Em noite de homenagem a Peyroteo - dada a inspiração dos jogadores, não dá para repeti-la em todos os jogos em Alvalade? - esta vitória foi para si, "signor" Fernando, como lhe chamava o húngaro Szabo, nosso (e dele) antigo treinador. Peyroteo vive!!! E o Sporting também e recomenda-se, como se pôde observar num verdadeiro Dia de Sporting (a fazer lembrar tempos idos), que começou no Pavilhão João Rocha, com hóquei e andebol e muitas familias presentes e em estreita comunhão com o clube ...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno "Peyroteo"

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Tudo ao molho e Fé em Deus - Checo-mate

Olho para a nossa equipa e não vejo organização ofensiva. Nesse aspecto, se calhar, o dedo do treinador é sobrestimado no futebol moderno até porque se fosse assim tão decisivo, então Álvaro Magalhães ainda hoje seria reconhecido como o melhor treinador português, ele que durante muitos anos teve meia-dúzia de argumentos ali à mão que superavam a concorrência. E não me refiro à capacidade de produzir vernáculo captado pelos microfones da televisão…

 

Corroborando, na antecâmara do jogo, quando instado a comentar o estado da relva, Jorge Jesus afirmou que isso não seria um problema dado que o Viktoria iria jogar a bola pelo ar (!?), pelo que iria ajudar o metro e noventa e quatro de André Pinto, visto que “não temos outro”. (assim a modos que a confirmar que a convocação de 4 jogadores da equipa B era para “inglês ver”).  Ah? Ok! Estranhamente, ninguém lhe perguntou como seria quando o Sporting tivesse a bola. Porque um clube como o Sporting tem de ter bola, certo?

 

O nosso time vive essencialmente da capacidade individual de dois jogadores: Gelson e Bruno Fernandes. Se, por acaso, não jogarem ou as musas que os inspiram estiverem a dormir, o nosso jogo transforma-se num faz-que-vai-mas-não-vai, de objectividade nula no campo e sofrimento infinito na bancada ou à frente do ecrã de televisão.

 

Depois há Bas Dost: o holandês é o jogador que simplifica o jogo. Com ele em campo, o nosso futebol torna-se muito mais linear, os laterais encontram espaço para subir, os alas vão à linha e centram e, de repente, todos se (re)lembram de que o objectivo no futebol é o golo. Sem Dost, o nosso jogo assemelha-se ao andebol de 11, com muita basculação e nenhuma profundidade.

 

A partida começou com o metro e noventa e quatro de André Pinto a não comunicar com o metro e noventa de Rui Patrício e daí a resultar um canto contra, de onde resultou que o metro e oitenta e nove de Mathieu se encostou ao metro e noventa e quatro de André Pinto e, juntos, deixaram um checo (em ligeiro fora-de-jogo), sozinho na área cabecear para golo. Um golo de Bakos na capital da cerveja Pilsener, o que fez todo o sentido dada a ebriedade táctica com que a equipa leonina se apresentou.

 

A excepção à regra, no primeiro tempo, foi uma oportunidade perdida aos 38 minutos. Bruno Fernandes abriu magistralmente para o interior da área, Dost amorteceu e Bryan Ruiz, sempre a "melhorar", esmerou-se e conseguiu falhar da forma mais incrível até para um Ruiz. O resto da primeira parte viu um Sporting intranquilo, inesperadamente sem confiança.

 

A segunda-parte iniciou-se com mais uma perdida flagrante do Sporting: Bruno Fernandes serpenteou entre 2 adversários, passou um terceiro e rematou. Hruska defendeu para a frente e Acuña falhou dois golos num. A partir daí, o Viktoria tomou conta do jogo e, após algumas tentativas, chegou ao golo: Mathieu chegou tarde à dobra e o metro e noventa e quatro de André Pinto foi ultrapassado pela antecipação de Bakos, que bisou.

 

Boa nova: aos 66 minutos, passámos FINALMENTE a jogar com 11. Petrovic saiu, Piccini entrou para lateral direito e Battaglia pôde jogar na sua posição natural ao centro. Battaglia e o metro e noventa e quatro de André Pinto (com os pés) atirarem por cima. O jogo caminhava para o fim e do Céu caiu um "penalty". Montero serviu Bas Dost, que chocou lateralmente com um adversário. O árbitro, forçadamente, apontou para a marca de grande penalidade. Parecia que o (desnecessário) sofrimento iria terminar, mas Dost falhou (!) e Bruno também não recargou com êxito. Já aos 90+5 tivemos o primeiro canto a nosso favor contra o "poderoso" Viktoria...

 

Entramos no prolongamento e a equipa pareceu revigorada. Aos 97 minutos, mais um capítulo do Best-seller "Mil e uma maneira de falhar golos", by Bryan Ruiz, sozinho na pequena área. Até que, já em período de compensação da primeira parte do prolongamento, uma bola enviada por Bruno Fernandes - após canto - viajou até à cabeça de Battaglia, que marcou o golo da passagem da eliminatória.

 

A segunda parte do prolongamento não foi isenta de erros e os checos poderiam ter marcado por 3 vezes. Numa delas, Patrício brilhou com uma defesa do outro mundo. Uff, o árbitro apitou e acabaram os calafrios.

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes, Rui Patrício e Battaglia, o salvador. Montero entrou bem e foi mais combativo do que o costume.

 

Jorge Jesus foi o grande responsável pela exibição paupérrima, miserável mesmo da equipa. Não há relva, frio ou pitons que justifique o sofrimento imposto a todos os adeptos leoninos. A equipa joga muito pouco e as individualidades, eventualmente, acabam por concretizar aquilo que deveria ser o colectivo a resolver. Onde está o futebol deslumbrante da primeira época de Jesus em Alvalade?

 

Mas ganhámos ! Saia uma Pilsener! Estamos nos quartos-de-final da Liga Europa - somos a única equipa portuguesa ainda nas competições europeias - e não temos jogadores impedidos de jogar por acumulação de amarelos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Bas Dost tinha as chaves do triunfo

"All you need is ... Bas Dost" : Houve um antes e um depois de Bas Dost neste jogo. Até à entrada do holandês, o futebol do Sporting foi pouco objectivo e não teve espontaneidade. Com o "flying dutchman" em campo, a equipa pareceu mais confiante, mais linear (a explorar mais a profundidade) e mereceu a vitória.

 

A primeira parte mostrou um Sporting lento e cheio de hesitações. Jesus deve ter sentido um dilema ao intervalo, pois do meio campo para a frente, exceptuando William e Gelson, todos os jogadores eram candidatos a sair, tal a falta de ideias apresentada. Após uma meia oportunidade por Montero (12 minutos), na sequência de um canto, a equipa leonina poderia ter marcado quando Gelson (41 minutos), solicitado por Ruben Ribeiro, decidiu convocar um pelotão de fuzilamento em vez de tocar a bola docemente para as redes. Antes e depois, o Chaves cheirou o golo por William, mas a bola embateu na couraça da indiferença de Patrício (primeiro) e o avançado flaviense não conseguiu o desvio em antecipação ao guarda-redes leonino (segundo).

 

Rui Patrício voltou a ser providencial após remate de Nuno André Coelho (54 minutos). Entretanto, Dost entrara para substituir Misic e deu o primeiro sinal da sua presença, um minuto depois, ao desviar um cruzamento de Battaglia (57 minutos). O holandês é sinónimo de golos e o primeiro apareceu quase instantaneamente (61 minutos), num desvio de cabeça após jogada de Ruben Ribeiro, que imediatamente antes de cruzar pôs um defesa flaviense (Paulinho) num programa de centrifugação da Miele. O golo abriu o jogo e os dois minutos seguintes foram de enorme desperdício de oportunidades por parte do Sporting: Battaglia e Coates estiveram a centímetros de marcar e Bryan Ruiz suplantou tudo e todos, inclusive a ele próprio (o que é difícil), na esmerada arte de perdoar à frente da baliza, conseguindo falhar 3 golos numa só jogada (!).

 

Com tantas oportunidades perdidas comecei a recear uma repetição do Bonfim2018. Ao minuto 77, após Bas Dost ter trocado os pés à boca da baliza de Ricardo, Patrício conseguiu atrasar o remate do isolado Davidson e Battaglia deu o peito às balas, evitando sobre o risco o golo do Chaves. Felizmente, pouco tempo depois, o argentino, em noite de muito e bom trabalho, roubou uma bola a Platiny, entrou na área e entregou um presente pascal a Dost, que bisou. Tempo ainda para um "remake" de um Clássico: no melhor pano cai a nódoa e Coates, até aí em bom plano, voltou a borrar a pintura, concedendo um "penalty" (?) à equipa flaviense já no período de descontos.

 

No Sporting, os melhores foram Bas Dost, Rui Patrício e Battaglia. Mathieu, muito atento, obstruiu sempre as linhas de passe flavienses, William trabalhou muito e Ruiz colocou em campo o habitual perfume do seu futebol, embora por vezes temporizando em demasia. Lumor teve minutos, mas mostrou ainda alguma falta de rotinas, ofensivas e defensivas. Ruben Ribeiro encanou muito a perna à rã, mas acabou por repetir a jogada de futsal que já tinha dado um golo contra o Aves. Sinal menos para Misic que não me parece jogador para ver além do óbvio. Jogando muito em cima de William e com um passe pouco tenso, não me agradou.

 

Uma pergunta a Jorge Jesus: porque não colocar Battaglia a pressionar à frente a saída de bola do adversário? Sem Slimani e na ausência de jogadores com as características adequadas para essa missão, não poderia o argentino - jogando entre William e Bruno Fernandes e trocando com o maiato nesse momento do jogo - ser um destaque nesse papel ? 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Checos sem cobertura

Já passaram mais de duas horas desde que acabou o Sporting-Viktoria Plzen e ainda se ouvem ecos da ausência de Bas Dost, o jogador mais falado esta noite na SIC. No entretanto, Fredy Montero, escandalosamente em má forma, marcou dois golos de grande classe, mal abanando aquela narração tipo alegria dos cemitérios - já estive em cerimónias fúnebres muito mais animadas - que caracterizou a transmissão televisiva. 

 

Parabéns a Jesus pela vitória e pela oportunidade de hoje não ter de o criticar. Afinal, se posso escrever sobre bola devo-o a ele. É verdade! Soube esta semana que o senhor praticamente inventou o futebol...

 

Em tempos não assim tão distantes, o grande drama do futebol português foi haver um presidente de clube no banco de suplentes. Ontem, Bruno de Carvalho voltou ao local do "crime", de onde pôde falar com os jogadores e aplaudir os golos de Montero, não constando que para a UEFA necessite de quaisquer medidas de coação. Em Portugal é diferente! Quem sabe se uma chamada para o 112, denunciando a presença de um assaltante em nossa casa, não poderia valer a um cidadão, em sede de justiça desportiva, uma acusação de lesão da honra e reputação do pobre do larápio...

 

Perante uns checos sem cobertura (defensiva), o Sporting fez o quanto baste para ganhar. A vitória poderia se ter materializado mais cedo (36 minutos), não fora o árbitro do encontro não ter visto os pés de Montero serem levantados pelo ar por um defensor do Viktoria. Antes, Gelson, à boca da baliza, e Acuña, remate à barra, já tinham ameaçado.

 

Até que Fredy Montero, (re)comprado nos saldos de Inverno, mostrou ser um perito em gestão de stocks (de golos). Usando o método LIFO, o colombiano marcou no lance imediatamente anterior ao árbitro enviar os jogadores para o balneário (intervalo) e no que marcou o regresso ao relvado para a segunda parte, dois golos em que alardeou toda uma gama de pormenores de fino recorte técnico.

 

As jogadas que conduziram aos golos foram soberbas e mereceram ovação de pé. Na primeira, Ruiz centrou da esquerda, Coentrão executou um vistoso pontapé de moinho - se fosse o Grimaldo tinha sido de génio, no caso os comentadores multiplicaram-se a dizer que foi meio ao acaso... - e Montero, desmarcado na área, parou a bola no peito e colocou-a, com um subtil toque de pé direito, nas redes. No segundo, Bruno Fernandes recuperou uma bola, avançou no terreno e serviu Montero, que, entre dois adversários, com o pé direito tirou o primeiro do caminho e com o esquerdo colocou com classe entre o poste, o outro defesa e o guarda-redes. Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Mathieu (este último já nos descontos) ainda perderiam a oportunidade de ampliar o marcador, algo que nos poderia ter ajudado a gerir melhor os cartões amarelos que impendem sobre diversos jogadores. Para já, William e Coates estão fora da partida na República Checa.

 

Montero - pelos golos - , Bruno Fernandes - pela qualidade, raça e recuperações de bola, pese embora tenha sido perdulário à frente da baliza - e Coentrão foram, na minha opinião, os melhores em campo.

 

Os checos só ameaçaram no último quarto-de-hora, obrigando aí Patrício - que se tornou, a par de Hilário, o jogador com mais jogos oficiais pelo Sporting - , pela única vez, a sujar o equipamento. De resto, à parte um par de cabeceamentos do avançado Kmencik, não criaram qualquer perigo.

 

Em suma, mais uma noite europeia no nosso estádio e mais uma vitória que deixa a eliminatória bem encaminhada. Querem jogos europeus? Ou vêem pela televisão ou têm de ir a Alvalade...

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Fredy Montero

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Adeus campeonato

Custa a crer que o Sporting tenha perdido o campeonato neste jogo. Aliás, custa a crer que o Sporting tenha perdido este jogo. Mais, custa a crer que o Sporting tenha perdido um jogo onde beneficiou de um "penalty" aos 17 minutos e com o resultado em 0-0. Ah, o quê? Não?? Pois, esperem lá...

 

A equipa sentiu mais uma vez a ausência de uma unidade a meio campo que preste maior apoio a Bruno Fernandes, para mim, juntamente com os erros de Jesus, o factor mais decisivo desta época. Adrien já não mora aqui, Battaglia, apesar de transportar a bola, não tem a qualidade de construção do antigo capitão e Wendel, que chegou em Janeiro, por 7 milhões de euros, nunca foi sequer testado e continua a apre(e)nder "conteúdos". Adicionalmente, Ristovski implica perda de qualidade quando comparado a Piccini, e Gelson e Bas Dost, ontem impedidos de jogar, seriam titulares em qualquer equipa do campeonato português.

 

Independentemente destas lacunas, o Sporting merecia ter ganho o jogo ou, pelo menos, não o perder. De um lado, uma equipa que teve a sua força no perfume do futebol apresentado, do outro, o time portista, que fez um futebol à base da força física. A ajudar à festa, o melhor árbitro português da actualidade, Artur Soares Dias, que começou por olhar e não ver, no campo e no vídeo, um claro "penalty" cometido por Dalot sobre Doumbia, evoluindo posteriormente para olhar, ver e não admoestar com cartões as sucessivas faltas cometidas por Maxi Pereira, o qual chegou ao ponto, imagine-se, de agarrar a bola para estorvar a acção de um jogador leonino (41 minutos), isto já depois de ter usado e abusado dos cotovelos e de outros truques. Nesta conformidade, parabolicamente falando, nem o vídeo-árbitro conseguiu ser o Bom Samaritano para repôr a injustiça cometida sobre a equipa leonina, situação da qual se alheou o conceituado Sacerdote do apito. Doravante, seria interessante ficarem estabelecidas as condições em que se poderá vir a marcar um castigo máximo contra a equipa da casa. Suspeito que a coisa passada ao papel implicaria uma declaração conjunta do Sindicato dos Jornalistas e da ERC de como as imagens recolhidas pelo vídeo-árbitro seriam reais e de uma perícia da Polícia Judiciária. Já em relação a expulsões de jogadores portistas, a condição sine-qua-non seria a entrada em campo de um médico legista, de forma a confirmar o óbito do avançado adversário, seguindo-se então, após esses preliminares burocráticos, a amostragem do cartão vermelho. Chegou a ser pensada esta actuação ser coordenada com o INEM, mas fontes do processo afirmam que a ideia foi afastada por se temer que os funcionários do Instituto viessem a ser mais parte do problema que da solução. Adiante...

 

A primeira parte foi jogada taco-a-taco. A cada ataque portista, respondiam os leões com um ataque. As hostilidades iniciaram-se com mais uma evidência (a quinta em duas semanas) de que Patrício fala com os postes e estes obedecem-lhe. Houve a tal penalidade não assinalada e, logo de seguida, Doumbia e Marega falharam golos cantados. Marcano marcou após uma paragem cerebral de todo o lado esquerdo da nossa defesa, Acuña e Mathieu incluidos. Tempo ainda para uma arrancada de Dalot, um trio de remates em promissora posição de Bruno Fernandes e um cruzamento deste para ... o fantasma de Dost. Parecia que o Porto ia saír para o intervalo na frente, mas no primeiro dos dois minutos de tempo de compensação concedido pelo árbitro, o Porto pagou a factura ... da entrada em campo do jovem Rafael Leão (substituiu o lesionado Doumbia).

 

A segunda parte praticamente iniciou-se com novo golo portista. Mais uma vez, Coentrão e Mathieu foram macios na abordagem, a bola viajou lateralmente na nossa área, Ristovski escorregou, falhou a (fácil) intercepção e deixou Brahimi isolado nas suas costas. A partir daí, o Sporting carregou. Coates rematou de cabeça e a bola, deflectida num defensor contrário, saiu rente à barra. Na sequência do canto, Bryan Ruiz acertou na intercepção entre o poste e a barra. O Porto apenas ameaçou por Aboubakar, em lance salvo em cima da linha por Battaglia. Entraram Ruben Ribeiro e Montero e ambos viriam a ser protagonistas de lances perigosos. O colombiano, após desvio de cabeça de Coates ("who else?"), rematou para a baliza, mas Casillas fez uma mancha extraordinária, tendo ainda sorte no ressalto. De seguida, Rafael Leão, isolado por um grande passe de Ruben, falhou por milímetros o golo, naquela que foi a última oportunidade do Sporting. Artur Soares Dias ainda viria a fazer mais uma asneira, ao precipitadamente parar um promissor contra-ataque leonino, para amarelar Herrera, apenas o segundo (e último) cartão visto pelos jogadores do Porto, já em tempo de descontos.

 

Em termos de exibições individuais, destaque para Bryan Ruiz, talvez o mais equilibrado durante os 90 minutos. Começou por salvar um golo sobre a linha de golo (no tal lance em que inicialmente a bola beijou o poste de Patrício), de seguida serviu Doumbia para a grande penalidade que ficou por marcar e terminou o primeiro tempo a isolar Leão para o único golo ... leonino. Ainda remataria aos ferros no segundo tempo e as suas acções tiveram sempre critério. Bruno Fernandes e William também fizeram um bom jogo e Rafael Leão mostrou que já poderia ter sido opção há mais tempo, tal o à vontade demonstrado. Na primeira vez que tocou na bola, marcou...

 

Nada a apontar a Jorge Jesus neste jogo. A ideia que fica é a de que se o treinador tem preparado todos os jogos desta época da mesma forma que preparou este, se calhar estariamos perfeitamente na luta e sem desperdiçar pontos como contra os "colossos" Vitória FC, Moreirense e Estoril. Além de ter achado que JJ esteve excelente na "flash-interview", devo mesmo dizer que, na minha opinião, venceu o duelo com Sergio Conceição, tanto nas diferentes nuances tácticas apresentadas na frente do seu ataque (Bruno Fernandes incluido), que confundiram o último reduto portista, como nas substituições operadas. Todos os jogadores que entraram no Sporting acrescentaram algo, enquanto a troca de Otávio por Corona desguarneceu o meio campo do Porto e a entrada de Reyes deu sinal de um retraimento que poderia ter sido fatal para as pretensões dos dragões. Não se pode, no entanto, olvidar, em jeito de balanço, que nos 9 jogos disputados até agora, contra equipas grandes, de Portugal e da Europa, o Sporting não venceu nenhum no tempo regulamentar, registando 4 empates e 5 derrotas. E estamos em terceiro lugar e fora da luta pelo título - o nosso principal objectivo da época - a 9 jornadas do fim, com um orçamento de custos com pessoal que é 3 vezes superior ao do início do(s) consulado(s) de Bruno de Carvalho, quando Leonardo Jardim era o treinador (segundo lugar final no campeonato).

 

A arbitragem de Soares Dias - o melhor juíz português - foi muito fraquinha, justificando a razão pela qual as fases finais dos últimos certames mundiais não contaram com árbitros nacionais.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bryan Ruiz

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Cu bo ti fim do mundo(*)

O Sporting joga muito pouco. Em 24 jogos, temos menos 1 golo marcado que o Sporting de Braga, menos 14 que o Benfica e menos 18 que o Porto. Em contrapartida, no que diz respeito a estrelinha da sorte, ninguém nos bate

 

O Sporting iniciou o jogo com Battaglia a lateral direito - só tinha jogado nessa posição em Santa Maria da Feira, após lesão de Piccini - , Acuña a lateral esquerdo e Petrovic a trinco. Discursar sobre táctica nesta partida seria o mesmo que debater o papel de um conjunto vazio na teoria dos conjuntos. O jogo leonino foi de uma anarquia total, apenas abanada pela raça de Bruno Fernandes (foi ele que foi estorvar Bilel no golo anulado ao Moreirense), pelas arrancadas de Gelson - sempre a definir mal o último passe, até no golo, em que beneficiou de uma carambola - e por alguns movimentos interessantes de Bryan Ruiz (durante a primeira parte).

 

A equipa leonina podia e devia ter matado o jogo durante a primeira parte. Contra o último colocado na Liga, uma equipa "petite" treinada por um treinador Petit, o Sporting desperdiçou várias oportunidades nesse período, com Bruno Fernandes (por duas vezes), Battaglia e André Pinto a falharem a concretização. Também Bryan Ruiz perdeu a habitual oportunidade quando isolado perante Jhonatan. Este, sem saber (como), chegou ao intervalo com a sua baliza inviolada. É de familia, os seus pais também não sabem (onde) pôr os "h"...

 

O que Jhonatan sabe muito bem fazer é antijogo. Ele e os cónegos que o acompanham. A partida ficou marcada por um estranho critério técnico e disciplinar do juíz Tiago Martins, o qual, por indicação errada do quarto-árbitro, viria a expulsar Petrovic na segunda parte. Não que isso tivesse um grande efeito na nossa equipa, afinal continuámos a jogar com 10, embora sem termos 11 em campo a partir sensivelmente da hora de jogo.

 

Com 2 inocentes na frente de ataque, um (Montero) sem raça para ganhar a bola e fazer jogo entrelinhas, outro (Doumbia) com uma relação péssima com qualquer tipo de objecto esférico, o "frisson" vinha apenas dos pés de Gelson e Bruno Fernandes. Até que entrou o jovem Leão, naquele seu jeito de quem está a jogar uma peladinha, o qual, já no segundo minuto do período de compensação, ziguezagueou entre dois adversários e serviu Gelson para um golo feliz. 

 

Como referi em cima, os melhores foram Bruno Fernandes, Gelson e Bryan Ruiz (deu dois golos cantados). Para além destes, Rui Patrício (2 grandes defesas e uma antecipação providencial numa bola perdida). Battaglia foi muito esforçado, mas fez essencialmente falta no meio campo, onde Petrovic ficou claramente aquém e Misic estreou-se discretamente. Os centrais estiveram algo irregulares e Acuña mostrou a raça do costume, mas esteve menos certeiro no cruzamento.

 

Jorge Jesus montou mais uma vez uma "táctica" em que expôs desnecessáriamente a equipa, dado o despovoamento do miolo central, mais potenciado pelo curto raio de acção e ausência de ritmo de Petrovic. Houve momentos do jogo onde Bruno Fernandes ou Gelson eram o último homem. Noutros, Coates era o homem mais adiantado. Bem sei que JJ sonha com a Laranja Mecânica, mas o que vimos ontem foi um limão espremido à mão. Definitivamente, ficou provado nos 2 jogos com o Moreirense que não temos boa ligação com cónegos...

 

No final do jogo, na "flash-interview" e na conferência de imprensa, Jesus queixou-se dos adeptos que "não souberam ajudar a equipa". Eu sei que, para o Mister, os adeptos do Boavista é que são bons, mas dizer mal dos bravos que desafiaram a intempérie, numa segunda-feira à noite, não me parece bem. Ainda acabou a dizer que a vitória foi dos jogadores do Sporting. Pudera!... Sinal de esperança, e contrariando declarações recentes, foi quando JJ afirmou que "não jogam esses, jogam outros". That`s the spirit!!!

 

A arbitragem esteve desastrada. Tiago Martins esteve muito mal, o quarto-árbitro influenciou-o negativamente e o vídeo-árbitro não reparou a injustiça da expulsão de Petrovic, embora tenha anulado, bem, o golo do Moreirense, por mão na bola de Bilel que escapou à visão do auxiliar.

 

Em resumo, um jogo muito pouco conseguido e uma vitória à Pirro que vai fazer com que Gelson não esteja presente no Dragão e Bruno Fernandes chegue a essa partida ainda mais desgastado que a estrelinha que nos tem acompanhado (Dost jogará?). Na sexta-feira, no Porto, ou ganhamos ou a disputa pelo campeonato termina para nós. Espero, por isso, que deixemos de jogar à italiana, para que na próxima época não tenhamos de jogar à albanesa (do antigamente), isto é, isolados do resto da Europa. 

 

(*) em crioulo, "estou contigo até ao fim". Mensagem destinada a Ruben Semedo, mas que bem podia ser aquela que melhor define o apoio incondicional proveniente das bancadas a este clube, a esta equipa.

 

Tenor "Tudo ao molho": Gelson Martins

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Eu show Bruno

O normal no futebol é os jogadores, à medida que se vão integrando nas suas equipas, irem melhorando. No Sporting, não! Ristovski começou por ser um promissor lateral direito, bom a defender e a dar profundidade atacante. Ontem fez um jogo profundamente mau e promete não saír do banco tão cedo. Outro caso paradigmático é o de Ricardinho, a.k.a. Ruben Ribeiro. Estreou-se com um número de magia frente ao Aves, mas desde aí não tirou mais nenhum coelho da cartola e os adeptos aguardam com crescente ansiedade, para não dizer agonia, que um qualquer sortilégio o coloque no lugar privilegiado para alardear a sua superior visão de jogo, o camarote. Bryan Ruiz é mais um exemplo do atrás exposto. O costa-riquenho só não piorou na concretização - também era impossível - e ontem até contribuiu com uma assistência para o primeiro golo da partida, mas o seu impacto no jogo ficou-se por aí, continuando a anos-luz daquele sósia que aterrou em Alvalade na temporada 15/16.

 

Jorge Jesus decidiu finalmente fugir à rotina (ou retina, eu sei lá!!!) e dispôs a equipa num 4-3-3. Bom, na verdade, e dadas as características de Ruben Ribeiro e Bryan Ruiz, a coisa acabou por transformar-se num 4-5-1, com o inconveniente de, mesmo em acção defensiva, os alas não fecharem o seu flanco, abrindo assim verdadeiras autoestradas para os jogadores do Astana percorrerem. Coentrão ainda foi colocando algumas portagens no caminho, obrigando os cazaques - sem Via Verde - a desacelerarem nas suas imediações. Já com Ristovski, os adversários penetraram a seu bel-prazer, assim ao modo de "nada a declarar".

 

Rui Patrício parece ter compreendido os postes, seus recém-aliados: em momentos-chave dos últimos 4 jogos, o guarda-redes viu por 4 vezes a bola beijar os ferros da sua baliza, recusando-se sempre a entrar. André Pinto é o novo Paulo Oliveira, versão 2.0, revelando a mesma sobriedade defensiva e similar dificuldade em iniciar a construção. A seu favor, apenas o ser mais alto. Mathieu fez um jogo contido, de poupança de esforços (e de cartolinas amarelas).

 

Salvou-se o meio-campo central: Palhinha, mais recuado, sempre impetuoso sobre a bola, mostrou ser um jogador a considerar. Foi pena Jesus tê-lo tirado cedo no jogo, não fosse desgastar-se em vão e deixar de ser uma opção para ... a bancada. Assim, entre a falta de ritmo de Dost, motivada pela lesão na grelha costal, e a grelha que Palhinha costuma usar para fazer uns churrasquinhos em dia de jogo, JJ decidiu-se pela opção epicurista (ou será epi-"corista"?). Battaglia fez lembrar o Exterminador Implacável do início da época, destruindo e galgando léguas com a bola, naquele seu estilo de membro da estafeta de 4x100 metros, pese embora entregue demasiadamente a bola no pé, como testemunho da sua boa vontade, em vez de a passar e desmarcar-se. Bruno Fernandes pintou mais alguns Rembrandts e vestiu o seu melhor cazaque de gala (2 golos, um deles, magistral, a mais de 30 metros), mas também soube pôr o fato-macaco para servir a equipa à direita, compensando o desvario de Ruben Ribeiro, durante a primeira parte. Voltou à ala, algures durante a segunda parte, mas aí já foi o complicómetro de JJ a funcionar, juntando William - não entrou propriamente bem - a Palhinha e Battaglia no centro. À medida que a época avança, pese embora mude constantemente de posição, mais se entende que Bruno tem qualquer coisa a mais que todos os outros. É a qualidade de recepção, é o passe, é o remate quase sempre enquadrado, enfim um "show" de bola.

 

Bas Dost marcou um bom golo de cabeça, perdeu outros dois e serviu na perfeição Bruno Fernandes para o terceiro da noite. Dost ainda teve tempo para ter uma lesão muscular numa coxa, a segunda da época, desempatando assim em desfavor da maleita na grelha costal

 

Acuña entrou após o intervalo, mas não brilhou. De destacar a estreia europeia de Rafael Leão. Aqueles arranques com a bola não enganam, está ali um diamante a necessitar de um bom lapidador.

 

Referência ainda para os árbitros de baliza: são um tipo de personagens da mitologia "platiniana" que entram para as estatísticas do turismo e, assim, ajudam as diferentes economias a crescer, para além de proporcionarem momentos de boa camaradagem e de convívio com a restante equipa de arbitragem. Na prática, têm a função de um placebo: não fazem bem nem mal, mas a UEFA fica contente de os ver lá. Hoje, um deles, não viu um jogador cazaque (em fora-de-jogo) tocar, estorvar e passar à frente de Rui Patrício, no momento do primeiro golo do Astana.

 

Nota final para o nosso habitual desleixo nos últimos minutos dos jogos que estamos a ganhar confortavelmente: ontem, essa indolência custou a Portugal 167 milésimas no ranking da UEFA...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

sportingastana.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sobretudos de leão para cazaques muito curtos

Com VAR ou sem VAR, Doumbia arrisca-se a passar à história como o melhor marcador de golos mal anulados pelos árbitros, à semelhança do ocorrido com Montero na época 2013/14, em que o colombiano, depois de um início fulgurante, viu prolongada a seca de golos com 3 golos mal invalidados.

 

A envolvente ao jogo foi feita de diversas contradições: uma partida da Liga Europa disputada na Ásia Central(!); um frio glaciar num país que faz fronteira com outro cuja capital se chama Tashkent ("tás quente", Uzbequistão); um estádio fechado e climatizado com 13º positivos, quando a temperatura exterior apontava para os menos 20ºC; um relvado sintético aprovado pela UEFA para competições a este ní­vel. Enfim, todo um cardápio de boas desculpas (a do vento não dá sempre), caso a coisa não tivesse corrido de feição...

 

Depois de uma primeira parte menos conseguida, com um golo muito consentido logo no começo, o Sporting, impulsionado pelo magnífico Bruno Fernandes, controlou o jogo a seu bel-prazer. É certo que durante muito tempo Acuña e Bryan Ruiz foram dois corpos estranhos, emperrando a movimentação leonina, mas a categoria do médio maiato foi permitindo que a equipa leonina fosse chegando com assiduidade à baliza do Astana. Aos 17, 23, 35 e 43 minutos, Bruno Fernandes protagonizou lances que, ou se perderam por má finalização dos seus colegas, ou suscitaram grandes paradas por parte do competente guardião Eric. Noutra ocasião, aos 40 minutos, após um canto marcado por si, Coates cabeceou e, na recarga, Doumbia marcou, com o árbitro francês a descortinar uma infração que mais ninguém viu.

  

Para o segundo tempo, Jorge Jesus deixou a táctica "à italiana" no balneário. Aos 48 minutos, após um centro de Gelson, um defensor cazaque meteu a mão à bola na sua área. "Penalty" convertido em golo por - quem havia de ser? - Bruno Fernandes. Dois minutos depois, Acuña foi à linha e centrou para Gelson finalizar com êxito. Mais 6 minutos e Bruno Fernandes, na esquerda, centrou de bandeja para Doumbia que desta vez não perdoou.

 

Com 3-1 no marcador, o caxineiro Coentrão, um peixe fora de água - ou não fosse o Cazaquistão o maior país do mundo sem costa marítima - foi rendido por Battaglia (recuou Acuña e Bryan Ruiz deslocou-se para a ala esquerda) e Montero, acabado de entrar para substituir Doumbia, na primeira vez que tocou na bola, arrancou a expulsão do defesa Logvinenko. Surpreendentemente, Ruiz, originário da Costa Rica, ficou em campo, o que lhe viria a permitir falhar a já habitual oportunidade de baliza aberta...

 

A jogarmos com mais um, entrámos em modo de poupança. O resto do jogo assemelhou-se a um "meinho", letargia só abanada pelas ocasionais arrancadas de Gelson ou de ... Bruno Fernandes.

 

Em resumo, uma vitória justa e que talvez só peque pela escassez dos números, embora Rui Patrício tenha sido providencial, durante a primeira parte, ao evitar um segundo golo cazaque que certamente tornaria a nossa missão mais difícil. Boas exibições também de Piccini, de William e Acuña (segundo tempo) e de Doumbia, para além de Gelson e Bruno, o melhor em campo.

 

Jorge Jesus não está isento de algumas decisões polémicas: a inclusão de Bryan Ruiz como "10" não resultou de todo, não se entendeu porque, com o jogo resolvido, não lançou Rafael Leão no lugar do costa-riquenho e, finalmente, perdeu uma excelente oportunidade de limpar o cadastro disciplinar de diversos jogadores (Bruno Fernandes incluido), não se compreendendo a razão porque não o fez.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (Gelson seria a minha 2ª opção)

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