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És a nossa Fé!

Debaixo de chuva, primeira vitória a Norte

Famalicão, 1 - Sporting, 2

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Porro, sempre muito combativo no dilúvio de sábado à noite em Famalicão

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Quebrou-se o enguiço: pela primeira vez nesta temporada, o Sporting conseguiu uma vitória. Numa partida disputada debaixo de chuva, por vezes muito forte, em que não era possível construir lances dignos de nota artística, foi clara a intenção de resolver cedo a questão e trazer três pontos do estádio do Famalicão, algo que não nos sucedia há 30 anos. 

Foi intensa a pressão leonina desde os primeiros minutos. Com as oportunidades a sucederem-se. Paulinho (4'), Trincão (10') e Pedro Gonçalves (18') podiam ter aberto o marcador, algo que não aconteceu - por inabilidade do primeiro, por "excesso de pontaria" do segundo, ao acertar em cheio no poste, e pela competência do guarda-redes Luiz Júnior ao vedar o acesso à baliza ao nosso n.º 28. 

O que não ocorreu em ataque continuado consumou-se depois, devido à pressão de Morita sobre o portador da bola numa tentativa de construção apoiada do Famalicão. Pelé, acossado, atrasou-a, colidindo com Paulinho: daí resultou um ressalto que fez a bola encaminhar-se por capricho para a linha de golo. Mas o último toque coube a Trincão, que três minutos depois arrancou um penálti, convertido por Pedro Gonçalves.

 

Assim se foi para o intervalo. No segundo tempo, com as substituições na sua equipa, o Famalicão ganhou velocidade e robustez. Aos 49', fez o primeiro remate enquadrado. Depois foi acentuando a pressão, enquanto o Sporting recuava para o seu reduto defensivo, abdicando do contra-ataque. 

O plano resultou, mas foi arriscado. A equipa fechou-se bem mas ficou à mercê de um lance fortuito, de bola parada, que pudesse virar o resultado. Temeu-se tal desfecho quando a turma minhota marcou, aos 78', no mais vistoso golo da noite chuvosa - Iván Jaime em pontapé-de-bicicleta, beneficiando de uma tabela involuntária em St. Juste que traiu Adán.

Ficou-se por aí o desafio de anteontem, marcado pela habitual arrogância do árbitro Artur Soares Dias, lesto a distribuir cartões (sete para o Sporting, quatro para o Famalicão) com a sede de protagonismo que sempre o caracteriza. Muito duvidoso foi o lance do golo anulado a Morita, na sequência de um canto marcado por Porro: após demorado visionamento das imagens, o VAR decidiu invalidá-lo por alegado fora-de-jogo de 18 cm. Nenhuma imagem que pudemos ver confirma tal tese.

Ficou a sensação de que as "linhas virtuais" na Cidade do Futebol andam muito tortas.

 

O mais importante foi conseguido: três pontos. Com Trincão a sobressair num desafio em que Pedro Gonçalves, Morita e Gonçalo Inácio mereceram nota positiva. Ao contrário de Paulinho, que parece ter perdido de vez a veia goleadora. 

Jogo a jogo, retomando o lema que nos inspirou na conquista do título de 2020/2021, vamos somando pontos (seis vitórias nos últimos cinco jogos da Liga) e ascendendo degrau a degrau na tabela classificativa. Agora em quarto lugar, após ultrapassarmos V. Guimarães e Casa Pia. E já de olhos postos no Braga, três pontos acima de nós mas ainda com uma deslocação a Alvalade em agenda. O próximo alvo será esse.

Até lá, seis semanas de pausa no campeonato imposta pelo controverso Mundial do Catar, onde teremos pelo menos quatro jogadores: Coates, Ugarte (pelo Uruguai), Morita (pelo Japão) e Fatawu (pelo Gana). 

Por cá, vamo-nos entretendo com a insípida Taça da Liga. É o objectivo que nos resta, além da imperiosa necessidade de conseguirmos um lugar de acesso à Liga dos Campeões do próximo ano e, claro, da Liga Europa que começaremos a disputar em Fevereiro, num confronto em duas mãos com o Midtjylland, equipa situada em sétimo lugar no campeonato da Dinamarca.

Adversário acessível? Claro que sim. Mas isso já é outra história.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite de pouco trabalho. Controlou os lances ofensivos com toda a naturalidade. Excepto no lance do golo, que estaria ao seu alcance mas foi traído por um ressalto.

St. Juste - Fez o primeiro jogo completo pelo Sporting. Revelou eficácia a defender e soube apoiar o ataque. No golo sofrido deixou que a bola tabelasse nele e rumasse à baliza.

Coates - Ganhou grande parte dos duelos aéreos. Neste momento, ninguém o bate neste domínio no plantel leonino. Foi poupado desta vez a fazer de ponta-de-lança improvisado.

Gonçalo Inácio - Foi de menos a mais. Perde a bola aos 21', no meio-campo. Provoca um canto desnecessário aos 76'. Compensou estes erros com um corte providencial aos 85'.

Porro - Apático no período inicial do jogo, quando o nosso fluxo ofensivo era canalizado pelo flanco oposto. Aos 82', marcou muito bem o canto que daria golo (invalidado).

Ugarte - Perdeu duelos individuais mais vezes do que devia e continua sem conseguir estrear-se como goleador de verde e branco. Tentou, aos 36', mas saiu-lhe muito por cima.

Morita - Protagonizou dez recuperações de bola. Pressionou muito, originando o primeiro golo. Marcou o terceiro, aos 62': fora-de-jogo que só o VAR conseguiu ver. 

Matheus Reis - Tem jogado como central, desta vez foi lateral. Tanta oscilação parece afectá-lo: arriscou o vermelho ao pontapear um adversário após o apito para o intervalo.

Trincão - Dois meses depois, volta às boas exibições na Liga. Atirou ao poste, marcou o primeiro golo, fez o centro que nos daria penálti e o segundo. Melhor em campo.

Pedro Gonçalves - Cinco passes de ruptura: excelente o centro para Paulinho aos 36'. Quase marcou aos 18'. Exímio a converter o penálti que fixaria o resultado aos 45'+3.

Paulinho - Jogo após jogo, vai continuando sem marcar. Voltou a acontecer em Famalicão. Bem servido quatro vezes, foi incapaz de a meter lá dentro. Contribuiu para o primeiro golo.

Arthur - Entrou bem aos 59', substituindo o amarelado Matheus Reis. No minuto seguinte, ameaçou o golo num remate cruzado a rasar o poste. Trabalha para ser titular.

Edwards - Desta vez saltou do banco, rendendo Trincão aos 70'. Boa incursão aos 73', colocando a defesa adversária em sentido. Perdeu influência com o recuo da equipa.

Esgaio - Entrou aos 80'. Como lateral esquerdo, fazendo Arthur avançar para ala direito. Pouco se deu por ele. Sem rasgo, como é hábito, mas sem qualquer erro digno de menção.

Pódio: Trincão, Paulinho, Gonçalo Inácio

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Famalicão-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Trincão: 20

Paulinho: 18

Gonçalo Inácio: 16

Pedro Gonçalves: 16

Ugarte: 16

Adán: 15

Coates: 15

Morita: 15

Porro: 15

St. Juste: 15

Arthur: 14

Edwards: 13

Matheus Reis: 13

Esgaio: 11

 

Os três jornais elegeram Trincão como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

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Jogadores leoninos celebram primeira vitória da época a Norte

(Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa)

 

Gostei

 

Dos três pontos que trouxemos de Famalicão. Vitória sem discussão (1-2), construída no primeiro tempo, num estádio onde não vencíamos há 30 anos. Nas últimas três épocas, com a equipa minhota de regresso ao primeiro escalão do futebol português, empatámos lá duas vezes e perdemos outra. Vale a pena sublinhar isto.

 

De Trincão. Rúben Amorim apostou nele como titular - e fez bem. O vianense foi o melhor em campo. Marcou um golo (o segundo, que lhe foi creditado) aos 42'. Mas já antes se revelara como o mais dinâmico no nosso trio ofensivo. Excelente passe a rasgar para Paulinho (4'). Bola ao poste num belo remate cruzado (10'). É ainda ele quem faz o remate interceptado com o braço por Rúben Lima que origina o penálti e o nosso segundo golo (45'+3).

 

De Pedro Gonçalves. É na linha da frente que deve jogar, como ficou provado uma vez mais. Teve o golo nos pés aos 18': rematou com direcção e força mas a bola foi travada numa boa defesa do guarda-redes Luiz Júnior. Fez cinco passes de ruptura, estatística que o credita como um dos mais influentes neste desafio debaixo de chuva copiosa. E ainda foi ele a marcar o penálti - mesmo no fim da primeira parte - com frieza e competência. Leva 45 golos marcados e 23 assistências em 97 jogos de verde e branco.

 

De Morita. O nosso primeiro golo nasce da pressão que fez, lá na frente, sobre o famalicense Pelé, forçando-o a atrasar a bola. A equipa ganha intensidade competitiva sempre que o internacional japonês - já com bilhete para o Mundial do Catar - se adianta no terreno. Aos 62', marcou um golo (que seria o nosso terceiro) na sequência de um canto que acabou por ser anulado por pretenso fora-de-jogo de 18 cm após análise demoradissíma do vídeo-árbitro. As imagens disponíveis indiciam o contrário. 

 

De Arthur. Entrou só aos 59', substituindo Matheus Reis. Mas voltou a causar boa impressão: mal tocou na bola fez um disparo a rasar o poste. Incute dinâmica à equipa, é combativo, tem técnica muito apurada. Um verdadeiro reforço. Merece jogar mais.

 

Do resultado aos 45'. Em cinco minutos, mesmo antes do intervalo, conseguimos uma vantagem confortável. Na segunda parte, gerimos o resultado já a pensar na longa pausa que vai seguir-se: o campeonato só será retomado daqui a seis semanas, no fim do ano. Era escusado recuar tanto as linhas, concedendo demasiada iniciativa ao Famalicão. Mesmo assim, tivemos sempre o jogo controlado. O primeiro remate enquadrado deles só aconteceu aos 49'. E o golo adversário aconteceu numa carambola fortuita. 

 

Da primeira vitória a Norte. Até agora, nesta temporada, ainda só tínhamos perdido (FC Porto, Boavista, Arouca, Varzim) ou empatado (Braga) nos jogos disputados nessa região do País. Foi quebrado o enguiço

 

De subirmos a média de golos. Com mais estes, temos agora 26 marcados em 13 jornadas da Liga. Média: dois por jogo. Superior à da época passada, quando tínhamos só 22 na mesma fase do campeonato. Bom sinal.

 

De subirmos na classificação. Éramos sextos há duas semanas, vamos agora no quarto posto. Deixando já para trás V. Guimarães e Casa Pia. Próximo passo: ultrapassar o Braga. A equipa minhota vai três pontos à nossa frente, mas ainda terá de jogar em Alvalade - aliás como o FC Porto, que tem mais quatro.

 

 

Não gostei

 

De continuar a ver tanto desperdício lá na frente. Aos 18' já tínhamos três claras oportunidades de golo sem concretizar. Por Paulinho (4'), Trincão (10') e Pedro Gonçalves (18'). Foram-se sucedendo mais quatro, confirmando o nosso principal problema nesta temporada: incapacidade para a meter lá dentro, arrumando os jogos cedo e gerando sofrimento desnecessário.

 

Do golo sofrido, aos 78'. Remate acrobático de Iván Jaime beneficiando de uma tabela no corpo de St. Juste que traiu Adán. Uma carambola, mas suficiente para deixar os nervos em franja a muitos adeptos no quarto de hora final da partida - que ainda teve 8 minutos de tempo extra. Não havia necessidade de tanta angústia. E desperdiçámos mais uma oportunidade de manter intactas as nossas redes.

 

De Paulinho. O treinador aposta com insistência nele, transmitindo-lhe toda a confiança. Mas o avançado ex-Braga persiste em não cumprir a missão principal que levou o Sporting a contratá-lo por preço muito elevado: marcar golos. Continua a revelar problemas de posicionamento que o tornam inofensivo na grande área. Servido por Trincão aos 4', por Porro aos 8', por Matheus Reis aos 20' e por Pedro Gonçalves aos 36', volta a ficar em branco. À jornada 13, ainda só marcou por uma vez. 

 

Da lesão de Matheus Reis. O brasileiro, que tem actuado como central, desta vez alinhou como lateral. Desempenho positivo. Mas viu-se forçado a sair por lesão muscular, aos 59'. Como o habitual titular desta posição, Nuno Santos, também está afastado por lesão, Amorim teve de trocar Matheus por Arthur. E aos 80' acabou por colocar Esgaio como lateral esquerdo, o que volta a demonstrar como este plantel leonino é curto.

 

Do excesso de cartões. Artur Soares Dias brindou sete jogadores nossos com amarelos: Ugarte (21', fica fora do próximo jogo por ter visto o quinto), Gonçalo Inácio (39'), Trincão (41'), Matheus Reis (45'+4), St. Juste (45'+4), Porro (89') e Coates (90'+6). Arbitragem à portuguesa, longe dos critérios internacionais. Não admira que nenhum dos nossos apitadores tenha sido convocado para o Mundial.

Quente & frio

Gostei muito do primeiro-minuto do Marselha-Sporting de anteontem. Estavam decorridos apenas 52 segundos quando Trincão, coroando excelente jogada individual, introduziu a bola na baliza - daí ser considerado, sem favor, o nosso jogador menos mau. Começava aí aquilo que parecia a terceira vitória consecutiva do Sporting na liga milionária, contra uma equipa que nem tinha marcado ainda qualquer golo na competição. Infelizmente, esse magnífico segundo inicial foi também o zénite da exibição leonina no Vélodrome marselhês. A partir daí foi-se descendo - até ao abismo.

 

Gostei de Edwards, que fez a assistência para o golo e ainda ofereceu a bola em condições propícias novamente a Trincão (4') e também a Pedro Gonçalves (9'). Estava a candidatar-se a ser o nosso melhor em campo quando o pesadelo colectivo provocado pelos erros de Adán forçaram Rúben Amorim a retirá-lo para meter Israel. O inglês saiu cabisbaixo, visivelmente decepcionado por sair tão cedo. Não custa entender tal decepção.

 

Gostei pouco que o jogo tivesse acontecido sem público, como se voltássemos ao tempo da pandemia. Consequência de um castigo merecido de que foi alvo o clube francês, mas não deixa de ser esquisito assistir a um desafio nestas circunstâncias. O futebol precisa de ter público para se mostrar realmente vivo.

 

Não gostei do desempenho de vários futebolistas do Sporting: em graus diferentes, oscilaram entre o medíocre e o péssimo. Refiro-me a St. Juste, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Ugarte, Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Paulinho. Alguns deles até pareciam sem a menor vontade de jogar na Liga dos Campeões.

 

Não gostei nada da catastrófica exibição de Adán, responsável máximo por esta humilhante goleada que sofremos. Foi dele a "assistência" directa para o golo de Alexis Sánchez (13'), uma entrega de bola em zona proibida de que resultou o segundo do Marselha (16') e uma absurda saída dos postes com toque da bola com a mão fora da grande área que lhe valeu o vermelho (23'). Enterrou a equipa de alto a baixo nestes dez minutos fatais. Franco Israel, em estreia absoluta numa prova profissional de futebol, esteve também muito mal, com responsabilidades evidentes nos outros dois golos que sofremos (23' e 82'). Falta mencionar Esgaio, agora com novo desempenho inenarrável: partilhou culpas com Adán no lance do penálti e ofereceu a bola a Alexis Sánchez aos 86', em lance de que quase resultou o quinto golo do Marselha. Aos 43' merecia ter visto o vermelho por pontapear Nuno Tavares sem bola. O árbitro foi amigo: se aplicasse a lei com rigor, passaríamos a jogar só com nove.

Pódio: Trincão, Edwards, Marsà

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Marselha-Sporting, da Liga dos Campeões, pelos três diários desportivos:

 

Trincão: 13

Edwards: 13

Marsà: 12

Sotiris: 12

Gonçalo Inácio: 11

Morita: 11

Nazinho: 10

Paulinho: 10

Pedro Gonçalves: 10

Matheus Reis: 10

Nuno Santos: 9

St. Juste: 9

Ugarte: 9

Israel: 8

Esgaio: 7

Adán: 3

 

Os três jornais elegeram Trincão como o melhor do Sporting em campo.

Regresso às vitórias com estreia de Marsà

Sporting, 3 - Gil Vicente, 1

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Morita e Ugarte, dois dos melhores em campo

 

Boa notícia: após esta oitava jornada subimos ao sétimo lugar - ultrapassando o Estoril, que não fez melhor do que empatar em Chaves.

Isto só se tornou possível porque anteontem cumprimos o nosso papel, derrotando em casa o Gil Vicente. Não pelos 4-1 da época passada, mas também por margem inequívoca: 3-1. Com 2-0 ao intervalo. Golos surgidos cedo, por Morita (estreante como artilheiro leonino) e o suspeito do costume, Pedro Gonçalves. 

Rochinha - outra estreia como goleador - fechou a conta pelo nosso lado, aos 82'. Num desafio em que podíamos ter duplicado o número de golos, tanto foi o desperdício junto às redes adversárias. Ainda a enfiámos mais duas vezes (Paulinho, 11'; Trincão, 62'), mas não valeu por haver fora-de-jogo.

 

Domínio leonino e boa exibição dos nossos jogadores, sobretudo na primeira parte. A equipa recuperou a alegria em campo que parecia andar eclipsada. Apenas Trincão, com excesso de individualismo, pareceu deslocado daquele filme.

St. Juste regressou de lesão, aparentando boa forma.

Morita - o melhor em campo - confirma que é reforço de qualidade.

O jovem catalão José Marsà estreou-se em grande nível como titular na equipa principal - e logo num lugar de enorme responsabilidade, que costuma estar entregue ao agora ausente Coates, um dos lesionados.

Rochinha esteve muito bem ao saltar do banco: promete ser uma das nossas armas secretas ao longo da temporada.

 

Pena o golo sofrido mesmo ao cair do pano, na última jogada do desafio. Confirmando o Sporting, neste momento, como quinta equipa com pior defesa da Liga 2022/2023. Algo que tem de ser corrigido sem demora.

Com Navarro a facturar pelo conjunto de Barcelos, mostrando a quem pudesse ter dúvidas que é um dos melhores avançados do campeonato português. Confesso que não me importaria nada de vê-lo de verde e branco.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Ajudou a consolidar esta importante vitória com duas defesas fundamentais, numa delas (69') em lance que tinha selo de golo. 

Gonçalo Inácio - Regressou a central pela direita com exibição irregular. Nem sempre feliz no passe longo, deixou-se ultrapassar duas vezes por Navarro.

Marsà - Fez de Coates, no eixo da defesa, e passou com distinção nesta estreia como titular do Sporting. Aos 20 anos, demonstra que o técnico pode confiar nele.

Matheus Reis - Pendular e eficaz como central adaptado. Precioso, um corte aos 65' que pôs fim a perigosa ofensiva da equipa minhota.

Esgaio - Lateral, substituindo o lesionado Porro. Assistiu Rochinha no nosso terceiro, mas foi ultrapassado por Navarro no lance de golo gilista.

Ugarte - Campeão das recuperações, combinou muito bem com Morita. Andam a formar uma dupla de respeito no futebol leonino. Saiu aos 72', já amarelado.

Morita - A sua melhor exibição de Leão ao peito. Estreou-se a marcar, aos 16', e fez soberba assistência para Pedro Gonçalves no segundo golo.

Nuno Santos - Grande actuação do ala esquerdo, voluntarioso e combativo. Foi dele a assistência para o golo de Morita. Tentou marcar também, mas sem sucesso.

Trincão - Teima em repetir erros que deve corrigir sem demora. Agarra-se demasiado à bola e dá sempre um toque a mais, perdendo tempo de passe. Improdutivo.

Pedro Gonçalves - Voltou a marcar (22'), destacando-se como artilheiro da equipa nesta temporada. Jogou lá na frente, local do terreno onde rende mais. 

Paulinho - Vem buscar bolas atrás, serve os companheiros, abre linhas de passe. Só lhe vai faltando aquilo que mais exigimos de um avançado: marcar golos.

Edwards - Entrou só aos 64', rendendo Trincão, e desta vez não soube fazer a diferença. Mostrou-se algo displicente, rendendo pouco.

Sotiris - Em campo desde o minuto 72', quando substituiu Ugarte. É um médio com clara propensão ofensiva que não vira a cara à luta. Remate defeituoso aos 89'.

St. Juste - Regressou após ausência por lesão, entrando aos 72' (por troca com Marsà). Cumpriu no essencial, parecendo agora em boa forma física.

Rochinha - Último a entrar: substituiu Paulinho aos 78'. Quatro minutos depois, assinou o terceiro golo, com boa execução técnica. Estreou-se a marcar pelo Sporting.

O dia seguinte

Ontem em Alvalade, contra um Gil Vicente que apresentou uma defesa subida do terreno arriscando no fora de jogo e procurando sempre jogar no campo todo, o Sporting entrou muito bem no jogo e fez uma bela primeira parte.

Para isso foi fundamental a frescura da equipa decorrente da paragem do campeonato. A equipa apresentou-se solta, disponível e intensa nos duelos físicos. A entrada de Paulinho deu organização e tracção à frente, Pedro Gonçalves rende muito mais com ele ao lado. Os dois médios regressados das suas selecções estiveram a excelente nível a destruir e a distribuir jogo com critério. E finalmente um trio defensivo impecável com um Marsà a exibir todo o seu pedigree “La Masia” e a substituir muito bem Coates. Nota negativa apenas para os dois alas, que foram desperdiçando sucessivas oportunidades de centros para golo e para um Trincão em dia para esquecer.

A ganhar por 2-0, e com o Gil sempre a tentar sair em velocidade para reduzir a vantagem, o Sporting foi tendo espaço para contra-ataques perigosos sempre desperdiçados no último passe ou tentativa de remate até que vieram as substituições e entrou Rochinha que, solicitado por Esgaio, fez aquilo que os outros não fizeram.

Com mais meia dúzia de oportunidades perdidas, incluindo os “tiros ao boneco” de Nuno Santos e uma de Sotiris de bradar aos céus, chegámos ao prolongamento e consentimos o golo de honra, aliás merecido, do adversário.

Simplesmente incrível o número de foras de jogo que coleccionaram os dois alas, Nuno Santos e Esgaio, e os cruzamentos desperdiçados pelos mesmos, ou porque o trio atacante não oferecia linhas de passe e se escondia no meio dos defensores contrários, ou quando isso acontecia o passe era invariavelmente falhado por força a mais ou direcção a menos. Que saudades do Nuno Mendes, ai, ai.

E assim ganhámos por 3-1 um jogo cujo resultado poderia ter sido muito mais dilatado. Saímos de Alvalade com uma sensação agridoce, mas depressa o realismo se sobrepôs. Foi uma vitória preciosa no início dum ciclo intenso que vai decidir muita coisa sobre o futuro do Sporting nesta temporada.

Melhor em campo : Hidemasa Morita o legítimo sucessor de Bruno Fernandes e Matheus Nunes.

Algumas notas negativas:

  • A primeira para o “speaker” do estádio. Não faz sentido nenhum anunciar golos e resultados dependentes dum lance em validação no VAR e ter o estádio a comemorar uma coisa que não existe. No golo anulado a Paulinho, como estava no enfiamento da jogada, logo fiquei com impressão de fora de jogo e mantive-me sossegado a aguardar o desfecho.
  • A segunda para Rúben Amorim. Já deve mais que conhecer Tiago Martins e alguns “artistas” que tem no plantel para saber que teria de os avisar para se absterem de atitudes de meninos mimados que não tiveram o “doce”. Num jogo sem casos, com o árbitro a deixar jogar e cometendo um outro erro de avaliação daí decorrente, é inadmissível acabarmos com quatro cartões amarelos.
  • A terceira para a ocupação do estádio, abaixo do que seria desejável. Um jogo a começar numa sexta-feira às 19h em Alvalade, com o trânsito em Lisboa naturalmente em estado caótico, não facilita nada e muitos sócios com gamebox não se deram ao trabalho de ir. Eu só consegui chegar um minuto ou dois depois do jogo começar e depois duma odisseia automobilística pelos arredores de Lisboa para fugir aos engarrafamentos normais do dia e da hora em questão.

SL

Primeira goleada em tarde quente

Sporting, 4 - Portimonense, 0

Primeira goleada da época. Em nossa casa, num jogo quase de sentido único em que o Sporting foi a única equipa a ambicionar a vitória perante um Portimonense que até se encontra ainda à nossa frente na classificação e que, já treinado por Paulo Sérgio, na época passada impôs uma derrota ao Benfica na Luz.

O trio móvel delineado por Rúben Amorim para a nossa frente de ataque voltou a dar boas provas. Com Edwards, Trincão e Rochinha - titulares da linha avançada - em contínuas mudanças de posição que foram baralhando e desgastando a defesa adversária.

Pedro Gonçalves recuou, colocando-se um pouco à frente de Morita no meio-campo, com Ugarte a ficar no banco de início, já a pensar no confronto em casa com o Tottenham, na terça-feira, para a Liga dos Campeões. Também Porro (rendido por Esgaio) e Matheus Reis (dando lugar a Nuno Santos) ficara fora do onze titular.

 

Estes jogos pós-rondas europeias costumam causar-nos surpresas desagradáveis devido ao acrescido desgaste físico e anímico dos futebolistas.

Desta vez sucedeu ao contrário. A vitória em Frankfurt por 3-0, três dias antes, funcionou como tónico suplementar para jogadores como Trincão e Nuno Santos, que ontem em Alvalade voltaram a ter sucesso ao procurarem o caminho da baliza. Marcaram na Alemanha e marcaram cá - Trincão bisando, aos 7' e 41', Nuno fechando a contagem: selou a nossa primeira goleada da época, fixando o 4-0 final aos 76'.

Destaque também para Pedro Gonçalves, que fez duas posições. Começou a médio e aos 54', com a saída de Rochinha e a entrada de Ugarte, avançou para interior esquerdo, posição em que mais rende. Foi já dali que marcou o terceiro, aos 72'. Também ele justifica destaque. 

 

Elogio merecido igualmente para a nossa defesa, que já vai na terceira partida consecutiva sem sofrer golos. Amoreira (0-2), Frankfurt (0-3) e Alvalade nesta recepção ao Portimonense (4-0). Parece recuperada a solidez defensiva que tanto contribuiu para conquistarmos o campeonato nacional de futebol há 16 meses após 19 anos de jejum.

Isto apesar das alterações que o treinador se viu forçado a fazer neste sector. Primeiro trocando Gonçalo Inácio por Matheus Reis ao intervalo, depois designando Esgaio para central à direita, fazendo entrar Porro, quando Neto saiu por lesão. Problema acrescido para o técnico, pois St. Juste, o nosso outro central dextro de raiz, nem foi convocado pois lesionou-se contra o Eintracht.

 

Enfim, houve festa do futebol. Num jogo às 18 horas deste quente sábado de Verão, propiciando deslocações em família ao estádio, com a temperatura atmosférica a funcionar como aliciante suplementar. 

Um espectáculo desportivo que merecia ser presenciado ao vivo por mais do que os 29 mil que lá estivemos. Há certamente coisas a rever na organização destes jogos, até porque a curva norte e a curva sul apresentavam grandes clareiras. É necessário dar atenção a isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou a exibir grande forma, na sequência do que já tinha demonstrado na partida da Liga dos Campeões. Fundamental para evitar o golo aos 24'.

Neto - Titular sem surpresa, face à ausência de St. Juste. Concentrado e atento às dobras a Esgaio. Alvo de uma falta dura, aos 48', teve de sair pouco depois.

Coates - A eficácia de sempre, como pêndulo da defesa. Desta vez arriscou pouco na saída com bola dominada. Tentou o golo de bola parada, ainda sem sucesso.

Gonçalo Inácio - Atravessa um momento de menor rendimento, revelando intranquilidade e errando passes. Amorim só contou com ele na primeira parte.

Esgaio - Titular como ala direito, deslocou-se para central a partir dos 54'. Cumpriu em ambas as funções, comprovando a sua utilidade no colectivo leonino.

Morita - Funcionou como verdadeiro pivô do nosso meio-campo, cabendo-lhe distribuir jogo e tapar linhas de passe aos de Portimão. Saiu aos 60', já a pensar no Tottenham.

Pedro Gonçalves - Começou a 8, com a missão de servir o trio dianteiro. Mas rende mais na frente. Foi já aí, aos 72', que fez o terceiro golo. E assistiu no quarto.

Nuno Santos - Anda muito motivado - isso nota-se no seu desempenho em campo. Criou desequilíbrios e tentou o golo, acabando por conseguir o quarto, aos 76'.

Edwards - Desta vez não marcou, mas participou nos lances que originaram os dois primeiros golos. É o mais imprevisível e crativo dos nossos avançados.

Rochinha - O menos exuberante do nosso trio da frente, mas revelando utilidade. Aos 41', fez um cruzamento letal assistindo Trincão no segundo golo.

Trincão - Jogou a partida inteira e parecia andar um pouco por toda a parte. O melhor em campo num jogo em que marcou dois e esteve quase a marcar outro (65').

Matheus Reis - Fez toda a segunda parte como central à esquerda, articulando bem com Nuno Santos. Sem necessidade de incursões ofensivas.

Porro - Esteve para ser poupado, mas acabou por entrar aos 54', com Neto lesionado. Dominou o corredor com a genica habitual. Assistiu Pedro Gonçalves no terceiro.

Ugarte - Substituiu Rochinha aos 54'. Entrou cheio de vontade de mostrar serviço e de procurar o golo. Quase o conseguiu, aos 65', com um disparo que raspou na barra.

Sotiris. Rendeu Morita aos 60'. Jogador dinâmico, com propensão ofensiva, voltou a demonstrar bom toque de bola e a impressionar as bancadas de Alvalade.

Paulinho. Após um mês de ausência na Liga, regressou entre aplausos, substituindo Edwards aos 60'. Precioso toque de calcanhar para Trincão aos 65'. Quase deu golo.

Pódio: Trincão, P. Gonçalves, Nuno Santos

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Portimonense pelos três diários desportivos:

 

Trincão: 20

Pedro Gonçalves: 19

Nuno Santos: 18

Porro: 17

Edwards: 17

Morita: 16

Esgaio: 16

Sotiris: 15

Ugarte: 15

Matheus Reis: 15

Gonçalo Inácio: 15

Neto: 15

Rochinha: 15

Adán: 15

Coates: 15

Paulinho: 14

 

Os três jornais elegeram Trincão como melhor em campo.

O dia seguinte

Se as grandes equipas são aquelas que depois de cairem logo se levantam e ficam ainda mais fortes, este Sporting de Amorim é mesmo uma grande equipa. Depois da derrota caseira contra o Chaves foram três vitórias consecutivas e 9-0 em golos.

O que mudou para melhor entre o 0-2 contra o Chaves e o 4-0 de ontem contra uma equipa em nada inferior aos flavienses? Não foi a táctica, exactamente a mesma, com Pedro Gonçalves atrás de três avançados móveis. Foram antes do mais desempenhos muito superiores de dois ou três, e foi a sorte. Se contra o Chaves a 1.ª parte foi um festival de golos falhados e a bola a parar sempre nas pernas dos defensores, ontem o segundo remate do Sporting deu golo por tabela num defensor contrário e no terceiro golo aconteceu a mesma coisa, aliás com o mesmo defensor.

 

Amorim já tinha avisado que a equipa tinha regressado bem cansada do jogo da Alemanha, pelo que fez descansar Porro, Matheus Reis e Ugarte. Mas Coates, Inácio, Morita, Edwards e Rochinha pareceram também a precisar de descanso. Foram Nuno Santos, Pedro Gonçalves e muito especialmente Trincão que estiveram em grande nível e decidiram o encontro.

Nuno Santos, o mais fraco contra o Chaves mas moralizado pelo golo na Alemanha, reviu completamente o posicionamento e a forma de centrar, agora foram centros tensos rasteiros, sempre muito difíceis de anular pela defensiva contrária. Pena que Esgaio nunca tivesse conseguido fazer o mesmo na ala contrária. Continuo a dizer que ainda não vi o verdadeiro Esgaio neste seu regresso a Alvalade. Este não é, de certeza.

Pedro Gonçalves trabalhou imenso, teve pormenores deliciosos a recuar no terreno e a solicitar os avançados tipo "quarterback" do futebol americano, depois voltou à sua posição onde foi o grande Pote de sempre.

 

Trincão mostrou finalmente porque estava no Barcelona. Solidário nas missões defensivas, sempre a procurar esticar jogo com a bola dominada, e com remate pronto à baliza contrária, por muito pouco não fez um "hat-trick". Potencial titular da selecção A. Saiu Sarabia, jogador com outras características, mas se calhar não ficámos a perder com Trincão.

Aquele lance em que Trincão não consegue o "hat-trick" é um belo exemplo do que Paulinho dá à equipa, Ugarte antecipa-se e corta, Paulinho lê bem o lance e chega primeiro à bola para logo assistir Trincão para golo. Ainda bem que está de volta.

 

Mas nem tudo correu bem ontem. O apitador da AF Aveiro, mas residente no Porto, 35 anos e estudante de profissão (!) fez tudo para estragar o encontro. Primeiro não viu que o remate de Nuno Santos foi desviado pela mão do guarda-redes contrário para canto e aceitou muito mal a reclamação do jogador acompanhado pelos assobios das bancadas, depois foi permissivo para o jogo agressivo do Portimonense (foram três "porradas" para aleijar Inácio, Neto e Rochinha, o primeiro substituido por precaução, o segundo aleijado mesmo, o terceiro também saiu pouco tempo depois, apenas o segundo viu amarelo), foi intratável para as reacções dos jogadores e do treinador-adjunto do Sporting no calor da luta, sempre com cara de "cão raivoso" que apenas o desqualifica.

Se não consegue gerir os jogadores doutra forma dedique-se a outra actividade. Sempre quero ver como vai ser a sua actuação quando for ao Dragão, lá na sua terra e dos Superdragões. O "rotweiller" vai transformar-se num "poodle"? 

 

E assim, depois de St.Juste, ficámos sem Neto e com Inácio com um tornozelo em obras, isto pouco dias antes da visita do Tottenham. Foi mesmo o pior do dia de ontem.

Melhor em campo? Trincão, obviamente.

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da goleada. Vencemos em casa o Portimonense, equipa que nunca é fácil - a tal ponto que na época passada derrotou o Benfica na Luz e deu-nos muita luta em Alvalade, numa partida que vencemos por 3-2. Desta vez houve triunfo folgado e categórico: 4-0. Terceiro seguido, na sequência das vitórias fora contra o Estoril (2-0) para o campeonato e contra o Eintracht Frankfurt (3-0) para a Liga dos Campeões. Primeira goleada da época. Aposto que não será a última.

 

De Trincão. Ainda há poucos dias as redes sociais eram inundadas de supostos adeptos a rasgarem de alto a baixo este jovem e talentoso jogador indicado por Rúben Amorim, não faltando quem garantisse que ele não poderia ser considerado reforço. Trincão, que já marcara na Alemanha, voltou a fazer o gosto ao pé neste embate contra os de Portimão. São dele os nossos dois primeiros golos - aos 7' e aos 41', movimentando-se dentro da área à ponta-de-lança. E esteve quase a fazer outro, aos 65', travado pelo defesa Pedrão na linha de baliza. Melhor em campo nesta tarde em que se estreou a marcar pelo Sporting para o campeonato.

 

De Edwards. É o novo herói leonino. Ontem, mais duas preciosas intervenções em lances cruciais - é ele a centrar na movimentação de que resulta o primeiro golo e a recuperar na jogada colectiva que gera o segundo. Vários pormenores de classe que o definem como futebolista de fino recorte técnico. Quase marcou, num forte disparo aos 45'+2, para defesa muito apertada do guarda-redes.

 

De Porro. Forçado a entrar devido à lesão de Neto que obrigou o treinador a mexer na defesa, agitou logo o jogo, como é seu timbre. Aos 64', grande centro para Paulinho. Aos 72', cruzou para Pedro Gonçalves fazer o terceiro, "as três tabelas" com Pedrão. Está em grande forma.

 

De Pedro Gonçalves. Amorim voltou a tirá-lo da linha da frente, fazendo-o recuar de início para a posição 8. Voltou a confirmar-se que este não é o lugar ideal para ele, longe da baliza. A melhor faceta do artilheiro da Liga 2020/2021 surgiu a partir do minuto 54, quando avançou na sequência da saída de Rochinha. O ataque leonino tornou-se ainda mais acutilante com o ex-Famalicão na posição que mais prefere, a de interior esquerdo. Foi dali que cabeceou com força, levando Pedrão a fazer autogolo, traindo o guarda-redes que veio de Portimão. E ainda assistiu no quarto golo.

 

De Morita. Está transformado num elemento pendular do nosso onze. Crucial no desenho dos lances de ataque. Quase todos passaram por ele, sobretudo no primeiro tempo. Rigor geométrico, precisão de passe, visão de jogo, domínio do corredor central.

 

Das poupanças iniciais feitas por Amorim. Já a pensar no confronto da próxima terça-feira para a Liga dos Campeões, na recepção ao Tottenham, o treinador fez entrar para o onze inicial Esgaio, Nuno Santos e Rochinha. Ficaram no banco Porro, Matheus Reis e Ugarte, que acabariam por ser lançados durante a partida. Jogo a jogo, sim. Mas doseando o esforço físico do plantel. Comprovando que temos soluções no banco.

 

Da atitude de Sotiris. O jovem reforço grego voltou a causar boa impressão, desta vez na estreia em Alvalade. Entrou aos 60', para substituir Morita (poupado a maior desgaste também a pensar no Tottenham) quando já vencíamos por 2-0, e mostrou acutilância e dinâmica na ligação do meio-campo ao ataque. É voluntarioso e tem bom toque de bola.

 

Do regresso de Paulinho. Há mais de um mês que o nosso avançado não jogava em Alvalade. Ontem entrou aos 60', rendendo Edwards, voltando a demonstrar requinte técnico (passe de calcanhar dentro da área para Trincão que quase resultou em golo aos 65') e boas movimentações em linha diagonal, tornando a equipa ainda mais difícil de marcar lá na frente. Falta-lhe o golo: ainda não foi desta vez.

 

Que não tivéssemos sofrido golos. Terceiro jogo seguido sem vermos tocadas as nossas redes, confiadas a um Adán que parece ter recuperado a sua melhor forma (defesa preciosa, aos 24', a remate cruzado de Gonçalo Costa com selo de golo). Equilibrámos o saldo das nossas contas na Liga 2022/2023: 12 golos marcados, oito sofridos. E vamos subindo na classificação, após o mau começo: estamos agora em quinto - à condição, pois as contas da jornada 6 ainda não fecharam.

 

Da hora do jogo. Excelente tarde de Verão, propícia ao futebol. A partida teve início às 18 horas deste sábado, permitindo a muitos pais levarem os filhos ao estádio. Pena haver só 29.782 espectadores em Alvalade, mesmo no rescaldo imediato da nossa primeira vitória de sempre na Alemanha para a Liga dos Campeões. Custa entender tão fraca mobilização. Há cada vez mais gente a trocar a bancada pelo sofá.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de St. Juste. O central holandês não tem sido bafejado pela sorte neste início de prestação no Sporting. Depois de ter passado ao lado da pré-temporada por lesão num treino inicial, viu-se forçado a sair no desafio de Frankfurt devido a um problema físico que o deixou fora da convocatória para ontem.

 

Da lesão de Neto. Escalado para o onze inicial como central do lado direito, foi alvo de uma entrada muito dura aos 48', que o forçou a sair seis minutos depois (entrando Porro e passando Esgaio para central). Saiu a coxear e com lágrimas nos olhos, ovacionado pelo público. Oxalá recupere sem demora.

 

De Gonçalo Inácio. O que se passa com o nosso central que foi campeão em 2021? Voltou a entrar intranquilo, compondo o trio defensivo com Neto e Coates. Pisa muito a bola, demora a centrá-la, faz passes à queima, deixa-se envolver por adversários sem necessidade alguma. Lendo bem estas dificuldades, talvez potenciadas por algum problema físico, Amorim trocou-o por Matheus Reis ao intervalo.

O dia seguinte

Depois do Vilarreal, Roma e Sevilha, foi a vez do Wolverhampton, a equipa mais portuguesa da Premier League, servir de adversário exigente e bem adequado para nos preparar uma entrada na época oficial da melhor forma. Tendo o resultado um valor secundário nestes encontros, o Sporting acabou a ganhar um e a empatar três jogos.

Se calhar pelas cargas físicas da semana, a verdade é que muitos jogadores entraram muito "presos" em campo, lentos a pensar, a executar e a intervir, e assim os passes perdem-se, os desarmes são faltosos, os remates saem sem convicção, e o 3-4-3 "plano A" deixou muito a desejar. Ainda assim, quase todos os do onze inicial ficaram até ao fim do jogo para ganhar endurance para o que aí vem.

O melhor do jogo foi mesmo o desempenho de Morita à frente da defesa: combativo enquanto "teve pilhas" e com excelente passe a curta e longa distância. E também a desenvoltura de Israel a mostrar competência em tudo o que teve de fazer, incluindo uma excelente saída aos pés de um adversário isolado que evitou o golo iminente.

Além disso, é claro que Trincão vale dez vezes mais do que hoje mostrou, que Matheus Reis e Edwards são os jogadores que estão a um ritmo superior aos outros, e que com mais uma semana de trabalho teremos equipa para Braga, que é o mais importante.

É verdade, o Paulinho - também ele muito abaixo do que pode e sabe - assistiu para Trincão falhar, e sacou um penálti. 

SL

O dia seguinte

Foi tudo menos um amigável o jogo de hoje no Estádio do Algarve do Sporting de Amorim contra a Roma de Mourinho.

Dum lado uma equipa séria, a jogar futebol e a testar quase o seu melhor onze para os jogos importantes que se avizinham, do outro um bando de jogadores a fazer pela vida e a bater forte e feio, com algumas noções do jogo colectivo mas condicionados pela rotação decidida do banco.

Tudo isso com uma arbitragem com altos e baixos, que não se conseguiu impor aos excessos dos romanos mas que tambem não estragou o espectáculo. No final, se calhar o Sporting ainda recebeu mais cartões do que o Roma para calar a boca a Mourinho com o penálti bem assinalado. Nem faço ideia como é que metade da nossa equipa, a começar por Matheus Nunes, tem as pernas, espero que nada fracturado nem rasgado. Agora banhos e massagens para estarem bons para domingo.

 

Passando ao.jogo propriamente dito. Amorim testou mais uma vez a táctica "dos 3 baixinhos", que jogam muito, rematam pouco e marcam menos ainda. Foi preciso um penálti para marcar e chegar ao intervalo com um empate e mesmo assim dando um banho de bola à Roma.

Depois entrou Trincão e ainda mais se notou a falta duma referência ofensiva, porque ele é muito mais do que um jogador de pequenos espaços como Edwards ou o Rochinha.

Entrou Tabata e finalmente tivemos alguém que recebe, roda e remata, um ponta de lança. Que nos deu a vitória.

 

Gostei muito, como todo o estádio gostou, da exibição do Sporting. Todos os reforços estiveram muito bem, a equipa fez um belíssimo teste para o que aí vem no arranque do campeonato, o Pote voltou a ser de ouro mas o melhor de todos foi... aquele uruguaio meia-leca... como se chama.. Manuel? Ugarte?

Alguns perguntarão (como o fizeram nalgumas tascas da net) como é possível o Sporting ter conseguido contratar um jogador assim. Dizem que é da Gestifute e de Jorge Mendes. Só pode ser mesmo gestão danosa de negociadores incompetentes. Pelo menos para alguns que ainda fazem contas sobre quanto custou Paulinho. Saberão eles quanto custou o Abraham ao Roma? 40M€. Marcou algum golo? Não, deu a marcar. Também não presta???

 

PS: Uma vergonha os insultos ao Rui Patrício patrocinados por quem, ou pelos amigos de quem, toldados de raciocínio e ao abrigo do desvario dum presidente que acabou destituído e expulso, o andou a bombardear com tochas em Alvalade e assaltou Alcochete para lhe bater a ele e a outros como ele.

SL

O problema do costume

Sporting, 1 - Villarreal, 1 (jogo-treino)

 

O tempo vai passando, outra época já se prepara, alguns nomes novos marcam presença no plantel, mas uma questão de fundo subsiste: continuamos com escassas oportunidades de golo e são raros os desafios em que a metemos mais de duas vezes no fundo das redes.

Ontem, no primeiro-jogo treino da pré-temporada com público, no estádio do Algarve, só conseguimos fazer uma vez o gosto ao pé. Foi aos 40', num vistoso disparo de Pedro Gonçalves - o mais inconformado e mais eficaz dos nossos jogadores. Aproveitando assim a primeira (e talvez única) oportunidade que tivemos nesta partida contra o Villarreal, muito bem orientado por Unay Emery, um dos melhores treinadores espanhóis da actualidade.

Não esqueçamos que esta equipa valenciana foi recente semifinalista da Liga dos Campeões.

 

Houve preocupantes perdas de bolas motivadas por desconcentração (Marsà, logo a começar, Matheus Nunes e Matheus Reis, por exemplo). Num desses lances, que o jovem Hevertton protagonizou pela negativa, o Villarreal aproveitou para empatar. Adán, na baliza, nada podia fazer.

Assinale-se a estreia do recém-chegado Francisco Trincão - que fica com o n.º 17, de tão boa memória pois nos faz recordar a proveitosa passagem de Pablo Sarabia por Alvalade. Entrou só aos 65', sem grande protagonismo. 

De resto, velhos problemas ainda sem solução à vista. O maior de todos é a fraca produção ofensiva traduzida em remates enquadrados.

Alguns cruzamentos na zona mais adiantada que não encontravam ninguém na zona de tiro e Paulinho a «arrastar os defesas» (como repetia o entusiástico comentador da TVI) mas demasiado parcimonioso na hora de ser ele a tentar o golo.

Talvez se sinta mais inspirado a partir de agora, que passa a jogar com o n.º 20 nas costas (repetindo o número que usava em Braga).

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Fez toda a partida, ontem como capitão. Seguro entre os postes. Sem culpa no golo de Baena, sofrido aos 76'.

Gonçalo Inácio - Central do lado direito, pareceu o mais tranquilo do bloco defensivo. Duas boas bolas lançadas em profundidade.

Marsà - Estreia como titular entre os "grandes", no lugar de Coates. Começou muito mal, mas foi ganhando confiança.

Matheus Reis - Bom entendimento com Nuno Santos na ala esquerda, mas sem os rasgos a que nos habituou.

Esgaio - Titular como ala direito, jogou pelo seguro sem exuberância nem nenhum lapso digno de registo.

Ugarte - Início algo atabalhoado, acusando nervosismo. Falta-lhe apurar a condição física neste recomeço dos trabalhos.

Matheus Nunes - Gosta de pautar o jogo, mas agarra-se por vezes em excesso à bola. Perdeu alguns duelos.

Nuno Santos - Muito voluntarioso, tanto a atacar como a defender, comportou-se como dono do corredor. Só lhe faltou afinar a pontaria.

Tabata - Protagonizou alguns dos melhores lances da primeira parte, actuando como interior direito. Tentou três vezes o golo.

Pedro Gonçalves - Serviu duas vezes os colegas, em vão. À terceira, deixou-se de cerimónias e marcou um grande golo, num tiro indefensável. Mostrando como se faz.

Paulinho - Boas movimentações lá na frente, abrindo espaço para os colegas. Mas faltou-lhe o mais importante: golo.

Hevertton - Rendeu Gonçalo aos 65'. Pouco depois abriu uma avenida que possibilitou o golo espanhol.

Dário - Entrou aos 65', para o lugar de Ugarte. Muito combativo, aguentando faltas e sem desistir dos lances.

Trincão - Estreia absoluta de verde e branco. Ainda sem entrosamento com os colegas, valeu pelos aplausos que ouviu ao entrar (65'), substituindo Matheus Nunes.

Rodrigo - Substituiu Paulinho aos 78' quando a equipa já acusava algum cansaço. Mal se deu por ele.

Renato Veiga - Rendeu Pedro Gonçalves aos 87'. Percebe-se que tem vontade e que não lhe falta boa técnica.

O Sporting e Jorge Mendes

Num negócio intermediado por Jorge Mendes, o Sporting contratou um jovem internacional A ao Barcelona em condições bastante favoráveis.

Contando já com Francisco Trincão, são três os jogadores do plantel agenciados pela Gestifute. Manuel Ugarte e Daniel Bragança são os outros dois. Entretanto foram saindo jogadores que ainda são ou passaram depois a ser agenciados por aquela empresa: Rui Patrício, Rafael Leão, Daniel Podence, Thierry Correia, Rodrigo Fernandes, André Geraldes e mais um ou outro.

Ao contrário do que dizem alguns, Rúben Vinagre é agenciado por Jorge Pires, tal como Pedro Gonçalves e Nuno Santos. Claro que a proximidade de Jorge Pires a Jorge Mendes deve ser grande, mas se formos por aí qual é o grande empresário português que não está ou quererá estar próximo de Mendes?

É óbvio que, além da Gestifute, o empresário construiu toda uma rede de negócios e de influências que o colocou próximo dos grandes clubes europeus e com um pé bem dentro doutros não tão grandes e no centro das maiores transferências.

E as grandes transferências ocorrem em carrossel, com jogadores a entrarem para colmatarem a saída doutros, num sentido ascendente ou descendente. Ainda agora entra o Raphinha e sai o Trincão no Barcelona, para o Sporting veio Ugarte para que Palhinha pudesse sair. 

 

O que conheço de Jorge Mendes é pela comunicação social. Parece que vive bem e a mulher também, noto que se trata de alguém muito reservado e avesso a entrevistas, e de quem muito poucos se queixam de faltas de palavra ou vigarices nos negócios que mantêm com ele.

Como toda a regra tem excepção, o Sporting teve um presidente que entrou em conflito com ele penso que devido ao processo de renovação de Adrien Silva, como já tinha entrado em conflitos com outros. Exactamente o mesmo que deixou a situação descambar ao ponto de termos a academia de Alcochete assaltada, jogadores agredidos, rescisões de contratos, e a figura de Mendes a emergir como pivot de muitas movimentações em benefício ou prejuízo do Sporting.

Com a entrada em cena de Frederico Varandas e Hugo Viana, a relação com o empresário tem sido cordial e proveitosa. Começou logo pela negociação com alguns dos fugitivos que ainda está para concluir, faltando apenas resolver o caso de Rafael Leão. Na saída de Thierry Correia, com a colaboração de Mendes o Sporting passou a conseguir vender aos grandes como o ManUnited e o PSG, e vender/comprar jogadores a clubes a ele ligados. 

 

Parece-me que o volume de negócios de Jorge Mendes com o Sporting é bem menor do que acontece com Benfica e Porto.

Podia o Sporting dar-se ao luxo de passar ao lado do poder e influência de Jorge Mendes? Obviamente que não, porque tem objectivos desportivos e financeiros exigentes para cumprir.

Muito menos pode estar refém do caldo de cultura que ainda reina nalguns sectores, que recusa "o futebol moderno" e pensa que "o presidente do Sporting está lá para defender os interesses do clube, os empresários e os jogadores que defendam os deles".

Não é assim que as coisas funcionam, nem num clube como o Sporting, nem numa empresa, nem na vida privada de todos nós. Funcionam muito mais por relações de "win-win" equilibradas e diversificadas.

Como aconteceu com a saída de Luis Maximiano, por exemplo. Encontrou-se de facto a melhor solução para todos os envolvidos.

"Trincão? É bom para o Sporting e para o jogador", diz agora o adjunto de Paulo Bento, João Aroso. Pois é.

SL

Trincão: sim ou não?

francisco-trincao-en-un-partido-con-el-wolverhampt

 

É voz corrente que Rúben Amorim gostaria de contar com Francisco Trincão no Sporting. O técnico leonino conhece o jovem extremo, agora com 22 anos, desde que o treinou no Braga e já lhe fez elogios públicos. Também não é segredo que Trincão desejaria trabalhar novamente sob a orientação de Amorim, agora em Alvalade.

Será possível? Será viável?

Seria um verdadeiro trunfo para a nossa campanha da próxima época? 

Fica o debate aberto a quem queira intervir.

Recordo que Trincão está sob contrato do Barcelona, que em Janeiro de 2020 adquiriu o seu passe ao Braga por uma fortuna: 31 milhões de euros. Mas o emblema catalão parece não contar com ele. Nesta época esteve como emprestado no Wolverhampton, onde participou em 29 partidas e fez três golos e uma assistência, embora tendo jogado menos de 1400 minutos. São dados a ter em consideração.

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