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És a nossa Fé!

O furriel já pediu perdão a Rúben?

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Leio na imprensa que José Pereira foi «reeleito» aos 71 anos presidente da chamada Associação Nacional dos Treinadores de Futebol para um novo triénio, que só terminará em 2025. Numa poltrona onde já se senta desde 2013.

«Reeleito» é uma forma de expressão, pois não houve eleição a sério. Só o próprio se apresentou a sufrágio, com números dignos da Coreia do Norte: 97%. Correspondentes a 83 votos favoráveis e apenas três em branco, de um total de 86. Tudo se decidiu em circuito fechado, num papo entre amigos.

Suposto representante dos treinadores portugueses, Pereira diz agora que pretende melhorar a formação pois «temos um défice de curso de treinadores». Daria vontade de rir, se não fosse triste, vindo de alguém sem currículo digno de exibir neste domínio. 

 

Este indivíduo vai tendo palco para pronunciar tais patacoadas enquando cala aquilo que há muito se impunha: deve desculpas públicas a Rúben Amorim, treinador campeão do Sporting Clube de Portugal.

Já tarda, este pedido de perdão do "senhor noventa e sete por cento" a um dos mais qualificados profissionais portugueses, agora até mencionado na imprensa internacional como estando na mira do PSG para substituir Mauricio Pochettino e por quem o ex-presidente do Benfica se desfez ontem em elogios numa entrevista televisiva a que não assisti mas de que tomei conhecimento.

 

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Pereira, esse mesmo - o autoproclamado «furriel do 25 de Abril».

O tal que tudo fez para denegrir Rúben Amorim. Numa miserável perseguição ad hominem.

O tal que tentou cortar as pernas à promissora carreira profissional daquele que foi eleito melhor treinador da Liga portuguesa em 2020/2021.

O tal que se atreveu a considerá-lo «incapacitado para exercer a profissão», com denúncias formalizadas junto da ASAE e do Instituto Português do Desporto e da Juventude, por acaso logo no mês em que Rúben se transferiu do Braga para o Sporting. Há coincidências do diabo...

Quando se sabe que o processo de certificação de um treinador profissional de futebol em Portugal é mais complexo e labiríntico do que o de um médico ou de um engenheiro.

 

Uma associação profissional a perseguir um membro da sua própria classe: eis o miserável cartão de visita da ANTF e do sujeito que vai continuar a representá-la mais três anos.

Não lhes auguro nada de bom.

Filipe Çelikkaya

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Aqui mais abaixo o Pedro Correia promoveu e muito bem uma homenagem a Mariana Cabral, uma treinadora que veio dos escalões de formação para no primeiro ano como treinadora principal ganhar duas taças. Venho agora chamar a atenção para um treinador que também veio dos escalões de formação, que não ganhou nada em dois anos e se prepara para nada ganhar no próximo pelos motivos que abaixo indico, mas que tem cumprido muito bem a missão que lhe confiaram. E que, em termos humanos e profissonais, me parece ter muito em comum com a Mariana.

 

Passou hoje na Sporting TV, pelas 13h, uma extensa entrevista com o Filipe onde ele explicou muito bem o projecto de formação do Sporting, coordenado por Thomaz Morais, orientado ao abastecimento regular de jovens à equipa A, que não apenas se distingam pelos seus dotes técnicos mas demonstrem a maior inteligência emocional e saibam integrar-se e projectar-se ao mais alto nível no futebol profissional. Coisa que, como sabemos, faltou a muitos que passaram por Alcochete: uns perderam-se nos seus vícios, outros desertaram à primeira oportunidade e cuspiram na sopa que comeram. Alguns, como Simão Sabrosa, ainda hoje falam do clube com o maior desprezo.

E a verdade é que os produtos mais recentes dessa estratégia - por exemplo Diego Callai, Dário Essugo e Rodrigo Ribeiro, na sequência das apostas em Gonçalo Inácio, Tiago Tomás e Nuno Mendes - parecem realmente demonstrar a justeza da estratégia seguida. E se no escalão 18-21 anos temos de facto poucos jovens de grande nível, já nos 14-17, e aí está a campanha da selecção dos sub17 para o demonstrar, estamos bem apetrechados.

Como o Filipe explicou, em Alcochete os jovens são formados numa perspectiva 360º, com psicólogos, nutricionistas, especialistas em desempenho físico, monitorização e análises individuais constantes de desempenho, desafios em diferentes ambientes de competição, exigência de superação no treino interno e no jogo contra adversários (e árbitros) "mauzinhos" e complicados, elevado número de minutos de jogo durante a temporada. Dário Essugo deve ter tido uma carga competitiva durante a temporada três ou quatro vezes superior ao que teria há uns anos no seu escalão etário de juvenil, não falando dos cartões amarelos e vermelhos que encaixou.

 

A meu ver faltou na entrevista abordar as questões que tenho vindo aqui a colocar, nomeadamente, porque havendo sub23 não está a B mais próxima da A em termos de  sistema táctico e plantel, e porque não é feita uma aposta séria na subida da B à 2.ª Liga.

Pelo contrário, parece que a ideia é baixar mais uma vez a idade do plantel da B para enquadrar e desenvolver aqueles que se destacaram nesta temporada na Youth League, hipotecando desde logo as ambições de subida.

Foi mais um excelente trabalho da Sporting TV, instrumento extraordinariamente importante no relacionamento do clube com sócios e adeptos. Ainda ontem vi um trabalho magnífico sobre Hector "Chirola" Yazalde, com intervenções da viúva, "Camizé", do enorme treinador Mário Lino, do grande defesa esquerdo de então Carlos Pereira e do "9" suplente, o Dé "Aranha", que me trouxe lágrimas aos olhos. Acho que muitos sócios e adeptos ainda não perceberam bem a qualidade actual do canal que tem à sua disposição.

SL

Será suíço?

Porque é que a televisão portuguesa perde tanto tempo com o próximo treinador das papoilas, do qual eu, apesar de viver há trinta anos na Alemanha, nunca tinha ouvido falar? O meu marido também não. Quando ouvimos pela primeira vez o nome dele, exclamei: "Schmidt? Será alemão?". "Não sei", disse o Horst, "não conheço. Se calhar é suíço, ou assim...". Estamos em Portugal há dias e ouvimos falar dele a toda a hora. Se estivéssemos na Alemanha, continuávamos ignorantes sobre o homem.

Ontem, na TVI, foi um exagero, com uns quinze minutos (digo eu agora, calculando por alto) à volta da personagem, atacada no próprio carro, à saída não sei de onde. Diga-se de passagem que foi simpaticíssimo e se expressou num inglês excelente. Mas não será um exagero? Se ainda viesse treinar a seleção...

2021 em balanço (2)

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TREINADOR DO ANO: RÚBEN AMORIM

Este ano tinha de figurar aqui de novo. Por motivos acrescidos aos do ano passado. Porque se confirmou como enorme mais-valia do Sporting. Porque devolveu em definitivo a esperança à massa adepta leonina. Até àqueles que urraram de indignação quando Frederico Varandas o foi buscar a Braga. Até àqueles imbecis que ainda não há muito faziam trocadilhos sem graça com o apelido dele e insistiam em chamar-lhe «lampião».

A esses e a todos os outros, Rúben Amorim reagiu com bonomia e desportivismo. Convicto de que o verdadeiro campeão não é aquele que faz exercícios gratuitos de bazófia ou berra aos quatro ventos afirmando-se melhor do que os adversários. O verdadeiro campeão exibe o seu valor em campo, respeitando os adversários. Olhando mais para o colectivo do que para as individualidades. Dizendo muito mais vezes a palavra "nós" do que a palavra "eu". Acreditando que o todo é sempre mais vasto do que a mera soma das partes. Jogo a jogo, sem queimar etapas. Sem dar o passo maior do que a perna.

No seu primeiro ano civil completo ao serviço do Sporting, Rúben Filipe Marques Diogo Amorim comprovou os pergaminhos que já lhe reconhecíamos no final de 2020. Em Janeiro, levou o nosso emblema à reconquista da Taça da Liga. Em Maio, suprema alegria: sagrávamo-nos campeões nacionais de futebol, recuperando um título que nos fugia desde 2002. Em Julho, cereja em cima do bolo: também foi nossa a Supertaça. 

Fiel ao sistema táctico que implantou em Alvalade - e que outros não tardaram a imitar, com muito menos sucesso - o jovem treinador, hoje com 36 anos, deu sequência ao lema "onde vai um, vão todos". Jogue quem jogar, adapta-se na perfeição à dinâmica que ele idealizou. Mesmo com futebolistas que jogam ou jogavam recentemente nos escalões da formação, vários do quais lançados este ano: Gonçalo EstevesJoão GoulartNazinho e Geny. Incluindo o mais jovem de sempre: Dário, em estreia absoluta na nossa equipa principal no dia 20 de Março, uma semana após festejar o 16.º aniversário.

Com Amorim ao leme, despedimo-nos de 2021 ainda com melhor registo pontual na Liga do que um ano antes, quando já rumávamos ao título máximo. Somamos 11 triunfos consecutivos em desafios do campeonato, igualando marca alcançada em 1990/1991. Não sofremos qualquer derrota caseira nas competições internas ao longo de todo o ano civil. E continuamos a marcar presença em todas as frentes competitivas. 

É obra. Vão escasseando adjectivos para catalogar um dos três melhores treinadores que o futebol do Sporting conheceu nas últimas quatro décadas. Todos queremos que ele permaneça muito tempo entre nós. Para sempre, se for possível.

 

Treinador do ano em 2012: Domingos Paciência

Treinador do ano em 2013: Leonardo Jardim

Treinador do ano em 2014: Marco Silva

Treinador do ano em 2015: Jorge Jesus

Treinador  do ano em 2016: Fernando Santos

Treinador do ano em 2017: Jorge Jesus

Treinador do ano em 2018: Nuno Dias

Treinador do ano em 2019: Paulo Freitas

Treinador do ano em 2020: Rúben Amorim

Os nossos três últimos grandes treinadores

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Há uns tempos desafiei os nossos leitores a indicarem quem foram os três últimos grandes treinadores do futebol leonino. 

Houve muitas respostas, para vários gostos.

Aqui ficam os números de votos reunidos por cada um. E abro novamente o debate: estão de acordo com este trio?

 

Rúben Amorim 18

Bobby Robson 12

Malcolm Allison 12

Laszlo Bölöni 10

Augusto Inácio 9

Paulo Bento 6

Mirko Jozic 5

Leonardo Jardim 5

Jorge Jesus 3

Mário Lino 2

Marinho Peres 2

Cândido Oliveira 1

Manuel José 1

Carlos Queiroz 1

José Peseiro 1

Furacão Amorim no futebol português

Texto de Carlos Falcão

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Tenho 63 anos e dos que acompanhei Rúben Amorim é o melhor treinador de todos.

Melhor que ele só fez Mário Lino em 1973-1974: ganhou campeonato e Taça de Portugal e foi às meias-finais da Taça das Taças, mas o trabalho não teve continuidade porque João Rocha despediu-o, já nem sei porquê, e tinha...Yazalde!

 

Malcolm Allison fez a dobrinha em 1981-1982, mas no estágio de pré-época do ano seguinte, creio que na Bulgária, meteu uma menina no quarto, além dos problemas que já apresentava com a bebida, e João Rocha despediu-o. Na época em que foi campeão apresentava os mesmos sintomas, aquelas conferências de imprensa "entremeladas" com Magos (um vinho péssimo que se vendia nos anos 80) já eram um sinal mais que evidente que o Big Mal era um homem fora da caixa. Tinha Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão e um jovem lateral chamado Mário Jorge on fire (que saudades!).

Bobby Robson era um treinador de mão-cheia, que tinha feito óptimo trabalho por todos os sítios por onde tinha passado. Na primeira volta do campeonato de 1993-1994 íamos à frente, mas uma eliminação na Taça UEFA às mãos de uma equipa austríaca, creio que o Casino Salzburgo, levou Sousa Cintra a despedi-lo em pleno voo de regresso e a contratar o seu treinador fetiche, Carlos Queiroz. Resultado: levámos 6-3 do Benfica em Alvalade, ficámos em terceiro e perdemos a Taça de Portugal para o Porto de... Bobby Robson! Que nos dois anos a seguir começou a construir o penta do Porto e foi contratado pelo Barcelona.

 

Rodrigues Dias, Inácio e Laszlo Bölöni foram campeões, mas não deixaram mais qualquer marca no clube, além desse facto importante.

 

Menções honrosas para Fernando Vaz (campeão em 1969-1970) e Paulo Bento.

 

Rúben Amorim foi campeão sem vedetas: oito dos 16 mais utilizados tinham menos de 23 anos! No segundo ano continua a desenvolver um trabalho magnífico, sempre fiel às suas ideias.

O director-adjunto do Record, Sérgio Krithinas, escreveu após o derby da Luz o que muita gente pensa, mas não se atreve a dizer em voz alta: o furacão Amorim vai ter o mesmo efeito no futebol português que Mourinho teve há 20 anos. E acho que ele tem razão.

 

Texto do leitor Carlos Falcão, publicado originalmente aqui.

Parabéns, Abel

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Ainda hoje não faço ideia por que motivo foste despedido do Sporting B, que tão bem orientaste e que conhecia à época uma das suas melhores fases de sempre. Depois de teres sido um brioso futebolista da nossa equipa principal.

Lamentei isso. Mas são águas passadas. O que interessa agora é felicitar-te pela reconquista da Taça Libertadores, pelo segundo ano consecutivo. Com muito menos espavento mediático, sem ninguém te pôr nos píncaros em que havia sido colocado quem só conseguiu metade do que tu alcançaste. E mesmo havendo um mediático compatriota, teu colega de profissão, a torcer pela equipa que te defrontava. O mesmo que bradava em auto-elogio: «Daqui a 50 anos vão lembrar-se que foi um português que conquistou a Libertadores.»

Não foi preciso esperar tanto tempo: hoje toda a gente sabe que outro português já a conquistou duas vezes.

Mérito a dobrar, o teu. Daqui te envio um caloroso abraço de parabéns.

Amorim: ficar ou partir?

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Alguns meios de comunicação social - os do costume - desataram ontem a dar quase como certa a saída de Rúben Amorim do Sporting. Confundindo os desejos com a realidade. Apontam o Manchester United como o novo clube do nosso treinador, agora que Ole Gunnar Solskjær foi afastado do comando dos Red Devils. 

Consultando há pouco a imprensa britânica, verifico que os candidatos mais prováveis ao lugar deixado vago pelo norueguês são Mauricio Pochettino, Zinedine Zidane, Luis Enrique, Erick ten Hag e Brendan Rodgers. Não necessariamente por esta ordem. 

O que não deixa de ser lisonjeiro para Amorim: pelos vistos alguns por aí já o comparam com os técnicos do PSG, do Ajax e do Leicester, além do ex-treinador do Real Madrid e do actual seleccionador espanhol.

Deixemo-los especular à vontade: é bom sinal. E façamos tudo para que Rúben permaneça em Alvalade, onde está vinculado por uma cláusula de 30 milhões de euros. Aliás ele próprio disse, apenas há cinco dias, que tenciona ficar «muito tempo» connosco. É uma excelente notícia - esta sim, confirmada por fontes idóneas. 

Sintam-se os caros leitores à vontade para se pronunciarem sobre o tema.

Paulo Bento

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Paulo Bento treinou o Sporting durante 4 anos e meio, lugar a que ascendeu após conquistar dois títulos juniores, sempre queridos num clube que muito se identifica com o ecletismo desportivo e a ênfase no desporto jovem ("formação", passou a dizer-se). Os 4 primeiros anos na equipa sénior foram bons, com alguns títulos e, acima de tudo, qualificações sucessivas para a apetecida Liga dos Campões, fundamental para as finanças dos clubes de topo. Para além de apadrinhar jovens jogadores, a desejável marca d'água do clube. Faltou o título nacional, usual pecha no clube - numa das épocas em particular por razões um pouco alheias ao estrito jogo (...).

Depois Paulo Bento passou a seleccionador nacional durante 4 anos. No Europeu de 2012 levou a equipa até às meias-finais e perdeu no desempate por grandes penalidades com a Espanha, a grande selecção do futebol mundial nas últimas décadas e que então foi sucessivamente campeã mundial e bi-campeã europeia. Serve para comparar com a idolatria à selecção de 2016 que ganhou o Europeu, também com desempate por penalidades e jogando muito pior. Diferença vinda da "lotaria dos penalties". Após esse torneio Bento liderou a campanha ao Mundial de 2014, um falhanço rotundo no qual foi público o mal-estar de vários jogadores. Depois continuou o seu rumo com garbo: foi campeão grego, esteve na "árvore das patacas" do futebol chinês e há anos que exerce o prestigiado cargo de seleccionador sul-coreano.

 

 

O péssimo hábito de despedir treinadores

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Marco Silva venceu Taça e foi afastado quatro dias depois

 

Há dois dias o Francisco Melo trouxe-nos aqui uma bela recordação. Lembrando um dos mais épicos jogos que recordo desde sempre enquanto adepto (e sócio) do Sporting: a final da Taça de Portugal que vencemos em 2015, derrotando o Braga, que tinha estado a jogar com mais um em campo desde a fase inicial da partida.

Infelizmente o técnico vencedor, Marco Silva, viria a ser despedido quatro dias depois dessa proeza - era o primeiro título da era Bruno de Carvalho e o Sporting não vencia uma Taça verdadeira desde 2008, ainda com Paulo Bento ao leme da equipa.

Parece sina no Sporting. Aconteceu o mesmo com vários outros treinadores que ganharam campeonatos e Taças: Joseph Szabo (1954), Juca (1963), Anselmo Fernandez (1964), Otto Glória (1966), Mário Lino (1974), Rodrigues Dias (1978), Fernando Mendes (1980), Malcolm Allison (1982), Augusto Inácio (2000) e Marcel Keizer (2019).

Felizmente esta péssima tradição parece esgotada. Sabemos que Rúben Amorim continuará a orientar a nossa equipa, com vista aos próximos objectivos nas competições internas - Supertaça, bicampeonato e dobradinha - e a uma participação digna na Liga dos Campeões.

Sem paciência, persistência e resistência aos obstáculos nada se consegue.

A maior razia do Sporting veio com Jesus

Texto de RASR

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Tenho a pretensão de que a culpa é de parte a parte.

 

Por um lado, temos o jogador. Forma-se no clube e tem uma ligação muitas vezes de mais de dez anos. Entraram enquanto putos e viveram o clube de uma forma que nós não conseguimos, por dentro. Eles sabem o que correram pela glória do clube nos seus determinados escalões.

É óbvio que os seus pais, muitos deles vindos de situações sociais e económicas totalmente complexas, assim como os seus agentes, com a ganância de contratos luxuosos que vêem em cada puto um novo Ronaldo de contratos bilionários, ficam todos na expectativa que este atinja a idade do contrato profissional, para assumirem o plantel principal e as primeiras boas coroas.

Quando começam a ser preteridos por outros jogadores que vêm de fora, começam a estudar formas de dar a volta à situação, através de vendas antecipadas pelos valores irrisórios que temos vindo a assistir. Eles, os "putos", pouco melhor sabem, confiando naqueles que os representam nas mesas de negociações.

É fácil falar de fora, que deviam ficar, dar o murro na mesa. Muitos têm pouco mais de 18 anos quando começam a ver o primeiro contrato com seis algarismos e mal sabem ainda pensar por si próprios...

 

Por outro lado, temos os treinadores.

Poucos são Rúben Amorim, Alex Ferguson ou Paulo Bento. São, aliás, uma raridade, os treinadores-formadores! Desta forma, para clubes formadores, como são a maioria dos portugueses, são precisos os treinadores certos para potenciar jovens.

A maior razia do Sporting veio com a contratação milionária de Jorge Jesus, consequentemente tapando a porta, à formação, da via de acesso ao plantel principal e à capacidade de valorização a curto prazo que sempre lhes cantaram ao ouvido durante anos e anos...

Assim, a porta de saída é o caminho mais rápido e, talvez, o mais fácil.

 

Por último, os presidentes.

Estes querem dos seus jovens o máximo rendimento possível com a sua venda. Tudo bem, nada contra. Porém, devemos ter a capacidade de perceber o ponto em que o clube se encontra, no mercado.

O Sporting tem passado por uma das suas maiores travessias do deserto. Quando algum clube estrangeiro negoceia connosco, é normal que pense que com meia dúzia de tostões nos conseguem levar todos os possíveis craques. Está lá o presidente para defender os interesses do clube, neste sentido. Não podemos é, também, deixar que um presidente perca o fio à meada e não consiga perceber o real momento da instituição.

Manter-se intransigente em exigir cláusulas de rescisão por jogadores que já estão a atingir o pico da sua performance é desmedido. Colocar cláusulas de rescisão absurdamente elevadas em jogadores que são bons mas apenas isso é perigoso, porque coloca a possível mobilidade profissional daquela pessoa em risco.

Tem igualmente de haver alguma transigência nas negociações e não emprenhar pelos ouvidos de quanto este jogador vale aos olhos dos adeptos (verdadeiros apaixonados pelo clube mas não entendidos nestas matérias).

Também queria o Bruno Fernandes a ser vendido por 120M, mas não era o valor de mercado correcto para ele, nem para o Sporting, nem para mais ninguém.

Adrien, Rui Patrício, William deviam ter saído pós-Euro'16 e mantiveram-se mais dois anos, à espera do tão propalado contrato milionário que Bruno de Carvalho tanto queria para enaltecer a sua presidência. Teve a de João Mário, mas depois foram apenas desastres atrás de desastres.

 

Resumindo, foi uma tempestade perfeita para termos, actualmente, "ratos", "traidores", "seres de esgoto" que estiveram às ordens do clube durante mais de dez anos mas que se viram impedidos de prosseguir as suas carreiras profissionais por desvarios e intransigências de pessoas que deviam ser profissionais.

Perderam todos, o clube também!

 

Texto do leitor RASR, publicado originalmente aqui.

O meu aplauso a António Oliveira

«Quando o problema é a lei, mude-se a lei»

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«A formação de treinadores ficou aprisionada em legislação complexa, numa visão centralista e totalitária, à boleia de governos.»

 

«Rúben Amorim é um de centenas de casos semelhantes. Quando o problema está na lei, só há uma solução: substituí-la. O actual modelo de formação de treinadores não serve o futebol. Nunca conseguiu cumprir-se totalmente.»

 

«É urgente criar modelos de formação de treinadores que promova partilhas e entendimentos. Grandes talentos e muita experiência se perderam.»

 

«Na regulamentação residem as origens do problema. Gastar mais de 10 mil euros para conseguir atingir o nível IV e demorar o mínimo de seis anos (caso consiga clubes para treinar nos níveis anteriores) é paradoxal, dado não se tratar nem de Doutoramento Académico, nem de Curso Profissional de Investigação, mas de curso desportivo federativo.»

 

«A lei em vigor está fora de jogo e os seus defensores não podem continuar!»

 

António Oliveira, hoje, na sua página de opinião do jornal A Bola

2020 em balanço (2)

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TREINADOR DO ANO: RÚBEN AMORIM

Não têm faltado, felizmente, bons treinadores ao Sporting nas mais diversas modalidades. Basta mencionar Luís Magalhães, com excelente folha de serviço no basquetebol, ou Nuno Dias, que segue imparável à frente do futsal, já para não mencionar Paulo Freitas, intocável no comando do nosso hóquei em patins.

Mas este ano o destaque tem mesmo de ser para o técnico que lidera o futebol leonino. Rúben Amorim, que se estreou no Sporting no início de Março, substituindo o decepcionante Silas, confirma que os valores individuais contam - e de que maneira - neste desporto colectivo. Um homem pode fazer a diferença.

No caso dele, fez. Como logo se viu naquele desafio inicial, o último em que estivemos no nosso estádio enquanto espectadores antes de sermos remetidos a "prisão domiciliária" devido ao novo coronavírus. Mesmo com início titubeante, e com o primeiro golo marcado já quando ia decorrida mais de uma hora de jogo, o Sporting venceu o Aves - que 22 meses antes nos derrotara na final de uma tristíssima Taça de Portugal. A equipa fez tudo para sacudir o marasmo. A vitória foi difícil mas foi nossa.

Esse era ainda um tempo em que o Sporting estava inundado de pinos chegados sem critério a Alvalade: Bruno Gaspar, Ilori, Rosier, Borja, Lumor, Eduardo Henrique, Doumbia, Mattheus Oliveira, Diaby... 

Com Amorim, a política de contratações mudou muito. E para melhor. Vieram Pedro Gonçalves, Pedro Porro, Nuno Santos, Bruno Tabata, Antonio Adán, Feddal - todos titulares ou em vias disso. Mais importante ainda: passou a haver um aproveitamento real dos talentos da nossa formação. Com a ascensão à equipa principal de Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Daniel Bragança e Tiago Tomás. Além do regresso de Palhinha, que se comprovou ser decisivo.

 

Amorim foi contratado ao Braga, e por preço exorbitante, o que causou natural polémica. Mas acabou por ser uma aposta decisiva da SAD leonina, apesar do quarto lugar alcançado nesse campeonato, com plantel desequilibrado e deficiente do qual só Coates e Neto sobreviveriam como titulares. O jovem técnico de 35 anos promoveu uma profunda alteração ao nível dos métodos de trabalho, do sistema táctico, dos índices de motivação e do próprio discurso, com resultados hoje à vista, dez meses depois: com ele no comando, só perdemos dois dos 21 jogos disputados e ascendemos à sétima jornada à liderança do campeonato, que mantemos na ronda 11. Dobrámos o Natal em primeiro, o que não sucedia desde a época 2001/2002, última em que fomos campeões.

Rúben Amorim devolveu aos sportinguistas a capacidade de sonhar com a conquista de títulos verdadeiros, não com vitórias morais. E começa a pagar um preço bem elevado por isso: ele, que nunca antes vira o cartão vermelho em toda a carreira, enquanto jogador e treinador, já foi expulso duas vezes como técnico do Sporting. Experimenta na pele como o campo se inclina, no futebol, contra quem traz o Leão ao peito.

Mas, mesmo com um sorriso nos lábios, ele é um osso muito duro de roer. O que produz um efeito contagioso: agora para onde vai um, vão todos. E nós com eles.

 

Treinador do ano em 2012: Domingos Paciência

Treinador do ano em 2013: Leonardo Jardim

Treinador do ano em 2014: Marco Silva

Treinador do ano em 2015: Jorge Jesus

Treinador  do ano em 2016: Fernando Santos

Treinador do ano em 2017: Jorge Jesus

Treinador do ano em 2018: Nuno Dias

Treinador do ano em 2019: Paulo Freitas

O Sporting de Rúben Amorim (parte 2)

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Quase dois meses depois do meu primeiro post (10/09/2020), já com o mercado fechado e um arranque de época deveras atribulado, muito marcado pela pandemia, e uma pré-eliminatória que resultou numa derrota humilhante em casa com austríacos que nos custou a Liga Europa e um percurso até agora quase impecável na 1.ª Liga, torna-se interessante rever a minha análise de então e perspectivar o que virá aí.

A primeira observação é que com Rúben Amorim, e dentro dos condicionalismos existentes, o Sporting teve um dos melhores mercados de verão de sempre, conseguindo vender alguns por quase 50 milhões de euros e emprestar outros com pagamento de vencimentos, ao fim e ao cabo um conjunto de jogadores, alguns com vencimentos inflacionados pelo assalto a Alcochete, que duma forma ou de outra tinham chegado ao fim do ciclo em Alvalade, não representando uma clara indispensabilidade.

E assim sairam definitamente Matheus Pereira, Acuña, Wendel, Vietto, Mané, Dala, e quase definitivamente Misic, Battaglia, Diaby e Pedro Mendes. Por cerca de metade desses 50M€, entrou um misto de jogadores, entre os experientes para consolidar o balneário e "educar" os jovens, Adán, Feddal e Antunes, e as apostas sérias na competividade do plantel, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tabata, Porro e João Mário.

Ficou claramente a faltar o tal ponta de lança, tão farto estou de falar no assunto que não vou insistir. Ficou também a faltar a colocação de alguns excendentes, alguns verdadeiras "mulas" que se recusaram a sair por muito que o Sporting lhes acenasse com empréstimos, mas estão no seu pleno direito. Quem contratou por alguns milhões de euros nulidades como Bruno Gaspar ou Ilori, é que tem a culpa. Quando alguém contrata uma nulidade destas um par de dias antes de ser destituído, então devia pagá-los por inteiro.

 

Em segundo lugar vem a capacidade de liderança de Amorim, a exigência colocada no desempenho e na atitude em campo, o espírito de grupo que se pretende inculcar, que faz com que a equipa lute e acredite, e parta ao encontro do sucesso.

Em terceiro, vem a construção a partir de trás, que enfastia muitos e expõe a equipa a perigos óbvios, algo que vi a cores e ao vivo a Juventus em Turim fazer muito bem, e um Belenenses com o treinador espanhol ainda em Belém e Silas no Jamor a fazer muitíssimo mal e nos dois casos levar uma cabazada. Um destes dias, a fazer zapping de canais, deparei-me com Carlos Carvalhal, o tal que chegou ao Sporting e pôs o Miguel Veloso a extremo direito, agora treinador do Braga, a explicar a forma de jogar do Rio Ave do ano passado, a explicar a desmontagem do sistema de marcações do adversário através da circulação paciente da bola desde trás e a de saber chegar a bola com qualidade a zonas onde a aceleração para golo seria efectuada.

 

Carvalhal e Amorim têm um entendimento similar do jogo e bem diferente dos treinadores mais "clássicos", como os últimos que tivemos: Leonardo Jardim, Marco Silva, Marcel Keizer, e mesmo Jorge Jesus, este com uma ideia muito própria e intransmissível. Enquanto, por exemplo, com Keizer era um 4-3-3 "Kiss" (Keep it simple and stupid) que apenas se fugia do trivial pelos extremos de pé trocado, este sistema de Amorim não é nada fácil e requer inteligência e muito treino dos interpretes. A começar pelos defesas.

Por vezes os erros acontecem, sofrem-se golos e perdem-se pontos. Ainda agora o Rio Ave entregou o jogo ao Benfica a tentar jogar "by the book" Carvalhal. Estando o sistema bem afinado, alternando a construção com a solicitação em profundidade, e a lateralização com o passe em rotura, este 3-4-3 que está a ser trabalhado por Amorim é um sistema moderno com muito para dar ao Sporting.

 

Por último, e em quarto, vem a tão falada rigidez táctica de Amorim. Nestes dois últimos jogos, contra adversários tão diferentes como o Porto em casa e o Santa Clara fora, não falando das condições dos relvados, o Sporting alinhou com o mesmo onze e na mesma disposição táctica, um 3-4-3 com um falso ponta de lança que recua e convida à entrada em velocidade dos dois interiores na grande área, qualquer deles com apetência para atirar ao golo. Nos dois casos marcou primeiro, mas não conseguiu evitar, muito pelos tais erros defensivos evitáveis, a recuperação do adversário, indo para o intervalo a ter que pensar em correr atrás do prejuízo.

Quando as pernas já vão pesando e a equipa começa a engasgar-se, Amorim mexe na equipa de forma eficaz. Sai o defesa central direito e toda a defesa roda à esquerda,  Coates à direita, Feddal ao centro e Nuno Mendes à esquerda. Com isso, a equipa começa desde trás a ter um futebol muito mais directo, com solicitações em profundidade.

Mais à frente, sai o tal falso ponta de lança para vir um verdadeiro, e toda a equipa continua no tal 3-4-3 mas com uma dinâmica bem mais ofensiva. A troca do médio box-to-box por um médio mais organizador, de Matheus Nunes por João Mário, permitiu também ter finais de partida com futebol de qualidade e ocasiões de golo que chegaram para conseguir o empate num caso (Vietto falhou a vitória) e a vitória noutro. Por outro lado, e eu não esperava tanto, Palhinha veio efectivamente trazer uma mais-valia crucial à equipa, dando-lhe o poder de choque e a capacidade de desarme a tempo inteiro que faltavam ao meio-campo. 

 

Agora vou falar daquele que considero o calcanhar de Aquiles deste Sporting de Amorim, muito mais do que a propalada falta de qualidade do trio de defesas (claro que com 20M€ compra-se um melhor defesa central do que com 3M€):

Para mim uma grande equipa não tem de jogar sempre bem, tem é que ganhar quase sempre, mesmo a jogar mal. E para isso acontecer tem de não cometer erros na defesa, e de aproveitar muito bem todas as situações atacantes, em particular os remates de meia-distância, as situações de bola parada, cantos, livres e lançamentos de linha lateral. Para isso precisa de ter movimentos estudados, mas de ter também jogadores com essas características.

Sendo assim, pensando nos golos que se vão sofrendo e nos golos que não se vão marcando, não vejo ainda neste Sporting de Amorim essa grande equipa.

Mas está no bom caminho e, como diz aqui o Pedro Correia, o caminho faz-se... caminhando.

SL

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