Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Tiago Fernandes no rumo certo

tiagofernandes-1.jpg

 

Tiago Fernandes, ao contrário do que já se ia ouvindo por aí, vai manter-se ligado ao Sporting Clube de Portugal. E logo numa função em que o seu talento mais pode ser aproveitado: como novo treinador dos sub-23 leoninos. 

É um acto de gestão desportiva que justifica aplauso, como reconhecimento do mérito do jovem treinador que, enquanto interino, mostrou bom serviço em várias frentes: alcançou duas vitórias para o campeonato nacional (com Santa Clara e Chaves), manteve a equipa principal ao melhor nível na frente europeia (conseguindo um empate em Londres, no jogo mais difícil da nossa série, contra o Arsenal), estreou Miguel Luís como titular, interrompeu uma longa série de partidas a sofrer golos fora de casa e praticamente garantiu o acesso do Sporting à fase seguinte da Liga Europa.

Tudo isto em cerca de três semanas. Merece o nosso apreço e a aposta que a estrutura directiva leonina nele manifesta: o tempo joga a favor dele, como o futuro próximo confirmará. Aqui estou, grato também, a desejar-lhe a melhor das sortes nas funções que hoje inicia. Pronto a aplaudi-lo nas vitórias que vão seguir-se.

E Rui Vitória?

Rui Vitória não é o melhor treinador do mundo, mas aposta na formação e seria provavelmente a melhor opção para o Sporting nesta altura. Melhor do que qualquer uma das que são faladas. Eu, que nunca pude ver o Peseiro à minha frente, quer da primeira quer da segunda passagem pelo Sporting, verifico que se calhar teria sido melhor deixá-lo ficar mais uns dias, a ver o que Luís Filipe Vieira fazia.

Trituradora faz 19ª vítima em Alvalade

21224503_nKZNl[1].jpg

 

José Peseiro caiu à quarta derrota da época, mas a verdade é que nestes quatro meses sempre esteve no fio da navalha. Os sportinguistas nunca perdoaram o insucesso da sua primeira passagem por Alvalade e as suas recentes estadias em Guimarães, Braga e Porto já faziam antever este desfecho. Portimonense e Estoril foram apenas as justificações para a saída de um treinador que não foi escolhido pelo actual presidente. A culpa, no entanto, não é toda sua. 

 

Peseiro teve a coragem que mais ninguém teve, agarrou o touro pelos cornos e no meio da instabilidade conseguiu acalmar as águas de um clube com uma estrutura débil, um planeamento feito em cima do joelho, uma cultura em diluição (saíram grandes jogadores da formação nos últimos anos) e sobretudo em asfixia financeira gritante que teima em não ter fim. 

 

Peseiro é assim a 19ª vítima da trituradora chamada Sporting Clube de Portugal. Sim, desde 2001/2002, a última vez que o Sporting se sagrou campeão nacional foi há 16 anos, já passaram por Alvalade 19 treinadores.   

 

É preciso estabilidade, uma estratégia para a década, um planeamento rigoroso, meios humanos e financeiros para criar a estrutura de betão que nos devolva a glória. É preciso romper com o ciclo de insucesso. Estas são todas verdades de La Palice, mas será que os sportinguistas, cansados de nada vencerem, estão dispostos a dar tempo a Frederico Varandas para fazer a mudança?

 

A oportunidade é de ouro, não para contratar Paulo Sousa, Leonardo Jardim... ou fazer regressar Jorge Jesus, mas para que Frederico Varandas pare de vez a Trituradora. É urgente reestruturar, cria novas dinâmicas e mentalidades para que o Sporting não fique mais 16 anos sem ser campeão.

Tratar mal quem ganha

img_920x518$2015_06_02_06_36_00_968597[1].jpg

 Malcolm Allison em 1982: um treinador campeão

 

Em 2015, mal conquistou a Taça de Portugal, Marco Silva foi despedido do Sporting por decisão do presidente Bruno de Carvalho.

Sempre me fez confusão esta má relação entre os líderes leoninos e os técnicos vencedores. Algo que terá sido patente, mais que nunca, durante o longo mandato de João Rocha (1973-1986). Dirigente de méritos firmados e um historial de sucessos ao leme do clube, este empresário teve, no entanto, uma característica que ainda hoje me surpreende: foi incapaz de conviver com os treinadores que se sagraram campeões pelo Sporting durante o seu mandato.

Lembrei-me disto ao ler a entrevista que o jornalista Gonçalo Pereira Rosa - autor do livro Big Mal e Companhia, sobre os bastidores da nossa épica "dobradinha" há 36 anos - deu à edição de ontem do diário A Bola. «Em 13 anos do consulado de Rocha, as três equipas campeãs são destruídas três meses depois. Despede Mário Lino em 1974, Fernando Mendes em 1980 e Allison em 1982. O que constrói, ele destrói logo a seguir. Havia alguma inveja dele», afirma o autor da obra, que vivamente recomendo.

É um mal que não se circunscreve àquela época. Por vezes parece-me que tratamos melhor quem não ganha do que aqueles que são capazes de conquistar títulos e troféus.

Este está disponível

Lopetegui-Real-Madrid-future-1037338[1].jpg

 

Não sei onde andam os defensores da decapitação de José Peseiro que nas últimas duas semanas visitaram este blogue com pendular assiduidade, exigindo ver escorraçado o treinador do Sporting: parecem ter-se esfumado desde as dez da noite de ontem.

Ainda assim, venho aqui propor-lhes um nome alternativo para o nosso banco: é alguém que conhece por dentro o futebol português, fala bem nas conferências de imprensa, já treinou o clube detentor das últimas três Ligas dos Campeões e encontra-se disponível devido a momentânea situação de desemprego.

Estarão os fogosos militantes da Liga Anti-Peseiro dispostos a exigir a sua vinda para Alvalade? Eis a pergunta que me apetece fazer na ressaca da oitava jornada do campeonato, em que o Sporting foi a única equipa a marcar três golos.

Já vi este filme

antónio-folha[1].jpg

 

Alguns dos mais apressadinhos, cheios de vontade de cheirar mais sangue, chegaram a propor - até aqui no blogue - a contratação de Folha como novo técnico do Sporting, no rescaldo imediato da nossa derrota em Portimão para o campeonato.

Estes apelos entusiásticos tiveram um brevíssimo prazo de validade: duas semanas. Neste sábado, o Portimonente sucumbiu na Taça de Portugal perante o Cova da Piedade, armado em tomba-gigantes: derrotada por 2-1 frente à modesta turma da segunda divisão, a equipa orientada pelo ex-médio ofensivo do FC Porto ficou desde já arredada da conquista do segundo maior troféu do futebol português. Após a partida, o treinador atirou-se aos jogadores, disparando-lhes críticas como esta: «Não podemos ser homens só de vez em quando.» Linda frase, que deve motivar e empolgar o balneário lá em Portimão.

Por coincidência, não voltei a ler elogios a Folha no És a Nossa Fé. Se por hipótese absurda ele tivesse vindo treinar o Sporting, não tardaríamos a ver lencinhos brancos a esvoaçar em Alvalade. Já vi este filme, uma vez e outra e outra.

Treze treinadores em seis épocas

600[1].jpg

 

Falta ao Sporting equilíbrio emocional, como sabemos.

 

Este péssimo hábito de clamar por "chicotadas" face aos primeiros desaires já conduziu às piores injustiças.

Otto Glória, futuro técnico da selecção nacional que brilhou no Mundial de 1966, corrido em 1961/1962. Fernando Mendes com ordem de saída no início de 1980/1981, de nada lhe valendo ter conduzido a equipa ao título. Bobby Robson - futuro campeão pelo FC Porto - posto a andar em 1994, quando a equipa seguia em primeiro. Inácio despachado no começo da temporada de 2000, logo após ter levado o Sporting a vencer o campeonato 18 anos depois. Paulo Bento com patins depois de ter atingido a segunda posição (e a Champions) em quatro anos consecutivos, sempre à frente do Benfica, duas Taças de Portugal e duas supertaças.

E tantos, tantos outros casos.

 

Em seis épocas, entre 2009/2010 e 2014/2015, tivemos 13 treinadores:
- Paulo Bento
- Leonel Pontes
- Carlos Carvalhal
- Paulo Sérgio
- Alberto Cabral
- José Couceiro
- Domingos Paciência
- Sá Pinto
- Oceano
- Vercauteren
- Jesualdo Ferreira
- Leonardo Jardim
- Marco Silva

 

Há quem queira, a todo o momento, reeditar estes péssimos hábitos no Sporting, transformando o clube em cemitério de treinadores.

São pessoas que não aprendem rigorosamente nada com os erros cometidos no passado. 

Uma pergunta de fácil resposta

mw-860[1].jpg

 

Há dois problemas a exigir resolução premente no Sporting: os casos dos jogadores que rescindiram e o empréstimo obrigacionista. A resolução de ambos será crucial para superar os sérios problemas financeiros actuais na SAD leonina.

 

Mas alguns adeptos consideram que a questão fundamental, decorridas sete jornadas do campeonato, é despedir o treinador. À boa maneira do "tribunal de Alvalade", porém, esquecem-se de dizer quem poriam no lugar de José Peseiro e se esses anseios têm hipótese mínima de serem exequíveis.

Lanço, portanto, um repto a tais adeptos: quem gostariam de ver no comando técnico do Sporting?

 

Há outras perguntas, eventualmente mais difíceis, associadas a esta:

- Com que plantel contaria o novo treinador?

- Quanto ganharia a nova equipa técnica?

- Quanto ficaríamos a pagar ao treinador despedido?

- De onde viriam tais recursos financeiros adicionais?

- E se o treinador seguinte perdesse dois jogos seguidos daria o lugar a quem?

 

Mas retiro as perguntas difíceis. Fico-me pela mais fácil: a primeira. Esperando resposta de todos aqueles que já agitam os lenços brancos.

Seis perguntas

1. Melhor argumento a favor da dispensa dos nossos “made in Academia” são Ruben Dias e Gedson (e talvez João Félix). Alguém acredita que qualquer um dos que não ficaram no plantel do Sporting pegasse de estaca em Alvalade?
Já viram quantos jogos fez o Gedson em agosto? E como o Ruben Dias parece que joga ali há seis anos seguidos?

2. Há muito a fazer no nosso clube, mas repensar o valor verdadeiro e comprovado da formação deve ser uma das prioridades.
Por acaso Cédric, Patrício, Ilori, Bruma, Adrien, William, Rafael Leão e – se quisermos – José Fonte, Beto, Geraldes, Matheus Pereira, Palhinha jogam em equipas que disputam títulos?

3. Será Jardim doido? Está no Mónaco há 150 anos e não veio buscar nenhum da Academia. E Marco? E agora JJ?


4. Talvez o amor que temos à formação (e incluo-me nessa legião de adeptos e sócios que se orgulha disso) nos tenha impedido de ver com clareza. Será assim?

5. Por outro lado, será que Renato, Gedson, Alfa, Félix ou Ruben subiriam à primeira equipa se LF Vieira fosse lesto a contratar os seus Petrovics, Misics, Slavchevs e afins?

6. Serão os clubes portugueses mais compatíveis com Vitórias e Peseiros – e Conceiçãos, que foi campeão sem aquisições – ou com Mourinhos, Guardiolas ou JJ, que exigem camiões de reforços?

Substituir um pé frio por um treinador campeão? Melhor verificar o palmarés...

Cláudio Ranieri tem 66 anos, 30 de carreira como treinador de futebol e apenas 1 título de campeão em Inglaterra ao comando do Leicester. No currículo tem passagens pelo Nápoles, Fiorentina, Valência, At. Madrid, Chelsea, Parma, Juventus, Roma, Inter de Milão, Mónaco, mas ao serviço destes clubes não apresenta melhor palmarés que algumas taças ou supertaças…

Pedro Madeira Rodrigues propõe-se assim substituir um pé frio, por outro. Ao longo dos anos Ranieri dispôs de orçamentos de fazer inveja a qualquer clube português, mas que não se traduziram em títulos conquistados, a nível nacional ou internacional, à excepção do surpreendente e atípico campeonato que conquistou meritoriamente ao serviço do Leicester. Na época seguinte colecionou mais um despedimento, isso sim, tem sido uma constante na já longa carreira.

Ainda não apoiei qualquer candidato à presidência do Sporting, mas desde já, Ranieri não é o meu treinador, Pedro Madeira Rodrigues não será o meu presidente…

"Pé-gelado"

etd[1].jpg

 

José Peseiro, contratado por Sousa Cintra para treinador da equipa principal do Sporting - decisão que já mereceu a concordância de Frederico Varandas, candidato à presidência - é um "pé-frio". Assim decretam sócios, adeptos e simpatizantes do clube. Em tom categórico.

Não irei desmenti-los. Mas se Peseiro é "pé frio" por ter perdido a única final europeia em que o Sporting - conduzido por ele - marcou presença nos últimos 53 anos, o que dizer de Jorge Jesus, que perdeu duas finais de Taças de Portugal (uma das quais para o V. Guimarães treinado por Rui Vitória) e duas finais da Liga Europa?

Em comparação, no mínimo, será um "pé-gelado".

De desempregado a milionário

Bruno de Carvalho precisava desesperadamente de um treinador. Para tentar fazer um brilharete na assembleia geral do dia 23 - a mesma sobre a qual foi dizendo, primeiro, que jamais se realizaria e, depois, que não teria validade. 

Após as recusas de Sá Pinto, Scolari, Mano Menezes, Paulo Sousa e Miguel Cardoso, procurou um técnico que estivesse no desemprego e sem perfil de campeão.

A coisa tornava-se mais fácil.

Conseguiu um desempregado que nunca foi campeão.

Mas ofereceu-lhe um contrato milionário, de três anos, implicando para a SAD um esforço financeiro de 12 milhões de euros. Isto enquanto enfrentava um processo de destituição cujo desfecho, mais que provável, foi aquele que acabou por acontecer. Sem a prudência que deve acompanhar os actos de qualquer gestor na celebração de contratos plurianuais.

Não aprendeu nada com a fracassada contratação de Jorge Jesus. E Jesus, ao menos, tinha três campeonatos no currículo quando chegou a Alvalade. Ao contrário de Mihajlovic, que aos 49 anos nunca conseguiu melhor do que um sétimo lugar. Nada inspirador, como carta de recomendação.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D