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És a nossa Fé!

Sporting a lavar o chão com a ANTF

O Sporting CP exige que Liga de Futebol avalie a legalidade da certificação da Associação de Treinadores

A propósito da contratação da nova equipa técnica do Futebol Profissional do nosso Clube, o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol proferiu declarações ridículas e inaceitáveis que suscitam a seguinte tomada de posição institucional do Sporting Clube de Portugal.

À margem da Constituição da República e das Leis, existe no futebol português o entendimento de que os clubes apenas podem inscrever treinadores na Liga Portuguesa de Futebol Profissional depois de ter sido emitido um certificado de habilitação pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

Ora, esta associação de tipo sindical não é uma Ordem Profissional pelo que o Estado não lhe atribuiu essa competência especial de regular as normas técnicas e os princípios e regras deontológicas dos respectivos profissionais.

O próprio presidente dessa associação, ao justificar as suas declarações dando como exemplo a actividade médica e procurando assim equiparar as competências da mera associação de treinadores à Ordem dos Médicos, está assim a demonstrar o estado de confusão em que ele próprio vive.

Diz a Constituição que “todos têm o direito de escolher livremente a profissão ou o género de trabalho” e só a Lei pode restringir o direito de escolha da profissão.

Por isso, é ilegal e inconstitucional o princípio em que assentam as declarações do presidente da Associação de Treinadores segundo o qual tem de haver um registo prévio de cariz associativo e uma certificação técnica. Este tipo de certificação, sublinha-se, apenas está conferido pela Lei portuguesa a instituições como as Ordens Profissionais o que Associação Nacional de Treinadores não é.

Acresce que a Constituição estabelece ainda o princípio da Liberdade Sindical, nas suas vertentes positiva e negativa, pelo que está interdito às associações sindicais e equiparadas os poderes exclusivos de acesso a uma determinada profissão.

O Sporting Clube de Portugal orgulha-se de manter uma postura positiva e de equilíbrio relativamente às partes interessadas do nosso sistema do Futebol Profissional, apesar dos sinais de enviesamento clubístico que muitas das vezes algumas dessas entidades vêm tomando.

Desta feita, face ao comportamento absolutamente descabido e de anti-sportinguismo primário relevados pelo presidente da Associação de Treinadores de Futebol, o nosso Clube anuncia que vai encetar diligências para que sejam restringidas as atribuições daquela associação, começando por exigir à Liga Portuguesa de Futebol Profissional que avalie se é Legal o princípio da certificação dos treinadores.

O Futebol Português não pode ser uma terra sem Lei, como não pode continuar a ser uma excepção ao Estado de Direito nem terreno fértil para o exibicionismo vaidoso de oportunistas sem princípios.

 

Aqui

Preferem Abel ou Pedro Martins?

Já foi desvendada a intenção do presidente: trazer Abel Ferreira ou Pedro Martins. O primeiro treina o PAOK, o segundo treina o Olympiacos - equipas que lideram em simultâneo o campeonato grego. Ambos jogaram no Sporting. Abel, de 40 anos, como lateral direito durante cinco épocas (a primeira por empréstimo do Braga), entre 2006 e 2011. Martins, de 49 anos, como médio defensivo durante três épocas, entre 1995 e 1998. Abel foi ainda, durante três temporadas, treinador da nossa equipa sub-19 e da equipa B leonina, entretanto extinta.

Qual destes dois treinadores preferem?

Já chega

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Frederico Varandas tem andado a improvisar em decisões de carácter estratégico como são as escolhas dos treinadores.


Improvisou ao garantir, na campanha eleitoral do ano passado, que José Peseiro era o "seu treinador".
Improvisou ao despedir Peseiro menos de dois meses depois, quando viu uns lenços brancos a esvoaçar nas bancadas.
Improvisou ao accionar a mudança sem nome alternativo garantido no momento em que mandou sair Peseiro, forçando assim a passagem pelo banco de um treinador interino, Tiago Fernandes.
Improvisou ao trazer para o Sporting um treinador sem títulos nem currículo, fiado na convicção (errada) de que Marcel Keizer apostaria na formação.
Improvisou ao manter o holandês no clube após o fim da época, deixando-o comandar a equipa na calamitosa pré-temporada.
Improvisou ao despedir o técnico à quarta jornada do campeonato, uma vez mais sem ter solução alternativa na manga.
Improvisou ao colocar Leonel Pontes, pedido emprestado à equipa sub-23, a aquecer o banco com carácter interino.

 

Está prestes a chegar ao Sporting o sexto treinador em ano e meio. Terminou a tolerância dos sócios perante tanto improviso. Já chega.

Sessões contínuas de alucinação

Não há conquistas duradouras sem estabilidade nem equilíbrio. Tudo quanto não existe no Sporting.

Mais de vinte treinadores desde o início do século. Dezasseis nos últimos dez anos. Vamos no quarto só na era Varandas. E vamos no terceiro presidente em 14 meses.

Já se ouvem por aí gritos para surgir um quarto presidente, vindo sabe-se lá de onde - talvez de uma recente derrota eleitoral. E também para aparecer outro treinador já depois deste, que seria o sétimo desde Maio do ano passado (Jesus, Mihajlovic, Peseiro, Fernandes, Keizer, Pontes e esse tal).

Desculpem-me o desabafo: às vezes parece haver sessões contínuas de alucinação no nosso clube. Só o que gastámos nestes quase 20 anos em indemnizações a treinadores despedidos dava para contratar o Messi.

Leonel Pontes

Com todos os seus defeitos Marcel Keizer conseguiu chegar ao Sporting, encontrar uma equipa debilitada, muito mais fraca que os rivais e levá-la ao 3º lugar da Liga, à conquista da Taça de Portugal e também da Taça da Liga. Marcel Keizer foi uma aposta pessoal do presidente e facilmente se percebe que iria insistir nele até ao limite do possível.

A época começou muito mal, com uma derrota copiosa na Supertaça, mas três jornadas depois parecia que o pior tinha passado e estávamos na calha para um resto de temporada à semelhança da anterior.

Mas em pouco mais de 10 minutos, e por acção dum artista de circo irianiano e duma noite infeliz do nosso sub-capitão, tudo caiu por terra e a liderança da Liga transformou-se numa derrota humilhante em casa, e logo na véspera do fecho do período de transferências. E esse fecho traduziu-se na saída de dois dos titulares da véspera, e na entrada de três emprestados de potencial duvidoso, mas que se encaixavam nas necessidade apontadas por Keizer. 

Depois disto tudo despedir Keizer foi por um lado incontornável dadas as prestações da equipa e a derrota, mas por outro significou um fracasso colossal do presidente/estrutura na sua aposta para treinador, obrigando-os agora a colocar um técnico que estava a fazer um óptimo trabalho nos sub-23 a lidar com um plantel desequilibrado e fragilizado, se calhar bem distante das suas ideias de jogo, e sem espaço para recorrer aos seus jovens. Não custa muito prever que Leonel Pontes vá ter uma vida breve como treinador principal do Sporting. 

Pelo que, mais dia menos dia, veremos chegar um novo treinador. Quando se ouve falar em Pedro Caixinha ou Claude Puel, fica-se logo com um receio enorme de que venha por aí um novo Marcel Keizer, um treinador de segunda ou terceira linha europeia com umas coisas boas outras nem por isso, sem capacidade para transformar e potenciar a equipa e galvanizar os sócios. E duvido muito que valha a pena pensar em Leonardo Jardim, cidadão do belo principado do Mónaco e a facturar 4K euros líquidos por ano.

O Sporting não precisa de jogadores emprestados para reciclar. O Sporting precisa dum treinador experiente, carismático, inovador, potenciador da formação e sem olhar a idades ou estatutos no momento de escolher. Precisa dum novo Malcolm Allison (ou Bobby Robson ou Boloni) no banco, precisa dum novo Manuel Fernandes (ou Oceano) como adjunto, precisa dum novo Roger Spry na preparação física, para dar exemplos que todos percebam.

Por muito agradecidos que estejamos a quem nos deu duas taças, o Sporting não pode dar-se ao luxo de vir a ter um novo Marcel Keizer, acompanhado por um conterrâneo boa pessoa mais um jovem adjunto que andava pelas arábias e um preparador físico que ainda há pouco era fisioterapeuta.

Com tudo isto, Leonel Pontes só pode mesmo ter todo o nosso apoio. Incondicional.

SL

Os treinadores

Mesmo tendo ganho uma taça de Portugal e uma taça da Liga - mesmo tendo ganho mais troféus, em menos tempo, que outros treinadores muito melhores que por cá passaram -, nunca achei que Marcel Keizer fosse treinador para o Sporting. Merece o meu respeito por ter sido sempre um cavalheiro, até na hora da despedida. Nesse aspeto Keizer foi absolutamente exemplar. Mas não me deixará saudades.

Acho um erro crasso estar a criar-se expectativas para Leonel Pontes. Ao contrário de Paulo Bento, Sá Pinto e Tiago Fernandes, três treinadores em início de carreira quando treinaram a equipa principal do Sporting, Leonel Pontes já tem experiência em vários clubes. E nunca foi bem sucedido. Nada parece demonstrar que seja adequado para o cargo de treinador principal. Em vez de o estarem a "queimar", deveria ficar claro desde o princípio que é uma solução de recurso, temporária, enquanto não se encontra um treinador definitivo.

O Sporting precisa de um treinador experiente, disponível (chega de pagar a outros clubes por rescisões), vencedor, com currículo, e que conheça bem o futebol português (condição indispensável para entrar com a época em andamento). A minha sugestão vai para Abel Braga, anterior treinador do Flamengo. Seria interessante ser comparado com Jorge Jesus em dois clubes diferentes ao mesmo tempo. 

Um novo treinador

«Jogador exímio de cartas, [João] Rocha sabe que precisa de um trunfo. De preferência, um ás, um treinador conceituado. Tenta por isso contratar José Maria Pedroto, o treinador nortenho mais bem-sucedido da década de 1970. Pedroto colocara no mapa as equipas do Vitória de Setúbal e do Boavista, antes de regressar ao FC Porto, em 1977, ali conquistando dois campeonatos dezanove anos depois do último triunfo. Tem aura de génio das táticas e bons amigos na imprensa. Em 1981, exilado em Guimarães, é um portista desconfiado de Américo Sá. Há várias versões sobre o desacordo entre [João] Rocha e o treinador: conforme alguns testemunhos, Pedroto exigiu um orçamento amplo para contratações e… despesas informais [*nr], para outros, o treinador apenas quis ganhar tempo (…)

(…) Entretanto, as páginas do calendário avançam sem resultado concretos. [João] Rocha aponta baterias para John Mortimore que, anos antes, brilhara ao comando do Benfica. Mortimore é polido mas categórico: a saúde da filha não lhe permite viver em Lisboa, pelo que lhe interessa mais o cargo que o Southampton lhe oferece perto de casa. Em jeito de despedida, talvez por delicadeza, o técnico sugere o nome de um amigo – Malcom Allison. Bom rapaz, assegura João Rocha. Um pouco extravagante, mas bom rapaz. (…)

(…) Por coincidência ou sugestão de Mortimore, o inglês estivera em Alvalade em observação de jogadores na última jornada da temporada. No camarote 65, estudara a equipa do Sporting e ficara desde logo impressionado com Jordão e Manuel Fernandes e Manoel (…). Percebe que o ritmo e a linguagem corporal da equipa expressam o saldo de uma temporada infeliz, mas vê qualidade em campo. Tem por isso um único pedido. Gosta de guarda-redes seguros, sempre gostou. Precisa de um nome forte para a baliza. (…)

(…) Com a mão esquerda, Malcom Allison formaliza o contrato com um ano de duração. À despedida, como se lhe anunciasse uma notícia menor, João Rocha deixa cair:

 

Preciso de si amanhã (…)”»

 

[*nr] Em artigo tardio do Diário Popular, de 16 de Maio de 1991 («José Maria Pedroto Homem Avançado no tempo»), o jornalista Neves de Sousa escreverá que Pedroto pedira a João Rocha quinze mil contos de luvas, salário para si e verba idêntica para os árbitros. «Caso contrário, o Sporting só ganha campeonatos lá para o fim do século.» (…)

 

In.: ROSA, Gonçalo Pereira - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. pp. 65-70

Quem não tem dinheiro caça com rato?

Depois de ver como o Rio Ave jogou, organizado, cada um consciente e ciente do que tinha para fazer, bom de bola, capaz de obrigar o adversário a oscilar, tranquilo e confiante mesmo depois de termos virado o resultado; depois de ouvir as declarações do seu treinador no final; que pena não termos Carvalhal à frente do Sporting.

Se o Rio Ave teve dinheiro para ele, quem sabe se o Sporting não teria também.

Preparador físico, precisa-se?

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Penso que não vale a pena explicar a importância da preparação física no desempenho duma equipa de futebol. O Sporting teve no passado grandes preparadores físicos. Mas se calhar o maior de todos chegou a Portugal pela mão do grande Malcolm Allison para ajudá-lo a fazer regressar o Setúbal à 1.ª divisão, com uma equipa de trintões à beira da reforma como Jordão e Manuel Fernandes. Os seus métodos deram brado na altura: pinturas na cara à moda do futebol americano, técnicas de artes marciais, de bailado, de endurance (falava-se em bofetadas nos treinos), a verdade é que o Setúbal arrasou na 2.ª divisão da altura. Algumas temporadas depois regressou a Alvalade para integrar uma das nossas melhores equipas técnicas de todos os tempos,  inglória e estupidamente despedida por Sousa Cintra, uma segunda versão do despedimento por João Rocha do mesmo Malcolm Allison. Dois presidentes que emprenharam pelos ouvidos.

Com certeza sabem de quem estou a falar e quem são as outras personagens da foto. Nesse princípio de época lembro-me de ter ido beber um café a Alvalade com o treinador a enquadrar o novo preparador físico na mesa do lado, ver um treino e ficar de boca aberta com os exercícios ministrados, e perguntar a mim mesmo se aquilo era para jogar futebol ou outra coisa qualquer. Flexibilidade, agilidade, cansava de ver. Depois do despedimento a equipa técnica, menos Manuel Fernandes, seguiu para o Porto com o êxito conhecido, depois o preparador encontrou na Grécia Fernando Santos, mais tarde encontrou o seu mercado na área da performance desportiva. Quem quiser saber mais sobre ele poderá consultar o seu site.

Esse era o tempo em que o Sporting tinha preparadores físicos com autonomia de trabalho relativamente aos treinadores. Foi assim com Radisic, que passou por vários treinadores incluindo o próprio Malcolm Allison e com outros que serviram e bem o Sporting.

Tivemos também no Sporting treinadores muito exigentes no que respeita à preparação física, como Jimmy Hagan, Malcolm Allison e Boloni. E ficaram famosas as pré-épocas de Matterazzi (aquela história de mandar parar o autocarro de regresso à base depois do treino para mandar fazer uns sprints a subir a calçada) e a de Venglos, com muitos pesos e halteres.

Mais recentemente privilegia-se um treino integrado em que a componente física é trabalhada conjuntamente com as outras componentes do treino e não duma forma isolada e específica. Os preparadores físicos passaram a ser adjuntos do treinador principal e a integrar as suas equipas técnicas, e a bola começa a rolar no primeiro treino da época. Um dos treinadores mais defensores desse modelo também aparece naquela foto, ficando famosa a sua frase que "os pianistas não se treinam a correr à volta do piano".

Do que francamente não me recordo é duma situação como a actual, em que depois duma pré-época que se pretendia exigente temos uma equipa sem capacidade para competir com os adversários na fase final dos jogos, em que os jogadores mais velhos parecem bem mais velhos do que efectivamente são. O que até pode fazer pensar que os adversários andam aditivados, como naquela cena da Volta à França duns anos atrás, em que uns pedalam e outros fazem que pedalam mas a bicicleta sobe mais depressa. 

Situação tanto mais incompreensível quando temos como presidente o antigo director clínico que privou com os métodos de várias equipas técnicas, incluindo a de Jorge Jesus, que se declara adepto da exigência a todos os níveis, e que inovou com a criação dum gabinete de performance, ou seja, os atletas são monitorados, acompanhados, recuperados e colocados à disposição da equipa técnica em condições de excelência.

Mas então que se passa? Jogadores desmotivados e sem empenho no trabalho? Funcionalismo público versão holandesa com folgas religiosamente respeitadas? 

Mas voltando à fotografia: comparar a riqueza daquela equipa técnica, com (sir) Bobby Robson, que trazia curriculum consolidado em Inglaterra e na Holanda, Manuel Fernandes, ex-capitão e treinador de diferentes equipas no futebol português, Roger Spry e... José Mourinho, à actual equipa técnica, com Marcel Keizer, muito pouco tempo treinador do Ajax e pouco mais, um treinador holandês mais ou menos desconhecido, um jovem português que andou pelas Arábias e parece que faz de tradutor, o promovido de fisioterapeuta, é como comparar... nem sei o quê.

 

PS: Continuo a estar imensamente grato a Marcel Keizer pelas duas taças conquistadas, reconheço que muitas questões não passam por ele, ainda acredito que as coisas podem muito melhorar com ele ao comando, mas também tenho de dizer que estou muito desiludido com este início de temporada. Especialmente depois da vitória no Jamor.

SL

Morreu Waseige

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Sabemos hoje da morte do senhor Robert Waseige, com longa carreira em clubes belgas e na seleção (orientou a Bélgica no Mundial de 2002 que contava com o ex-leão campeão Mpenza). Cruzou-se com o nosso Sporting no verão de 1996, altura em que o presidente José Roquette e o diretor desportivo, Luís Norton de Matos, acharam boa ideia ir buscar o treinador de 57 anos ao Charleroi. Trouxe De Wilde e Missé Missé. Mas mais importante do que tudo, trouxe o marroquino Hadji e lançou Beto (contra o Metz de Didier Lang, para a Taça UEFA), capitão e figura central, anos a fio e hoje, team manager. As minhas condolências.

Mota à mão, Chaves no chão

Gosto de pensar cada palavra que escrevo.

(gostava que os alguns comentadores, fizessem o mesmo, pensassem antes de teclarem e assinarem, assumirem aquilo que escrevem, sejam pessoas, pá! deixem-se de anonimices).

Vamos ao título do "post";  Mota à mão.

Chaves no chão, infelizmente, o Chaves era merecedor de continuar, José Mota não conseguiu ser merecedor.

Tenho grandes amigos em Trás-os-Montes, apesar das modernices rodoviárias, adoro conduzir pelos itinerários antigos, tudo o que vale a pena, implica sacrifício (no pain, no gain), "fazer" as curvas do Marão e, finalmente, chegar.

Saber-me "de fora" mas bem recebido, para cá do Marão, mandam os que cá estão, e é verdade.

Os transmontanos, são portugueses, também, mas primeiro são de Trás-os-Montes, orgulhosamente.

Pró ano é que é!

Basta apostar no treinador certo, às vezes, muitas vezes é melhor ir a pé, caminhar, de Mota, podemo-nos despistar.

(Daniel Ramos= 7 pontos; Tiago Fernandes (o dobro) = 14 pontos [foi despedido] veio José Mota, prometeu que ia conquistar 27 pontos, fez 11 e atirou com o Chaves para a segunda divisão [ou lá como é que se chama agora])

Keizer ou não, eis a questão

Com Bruno de Carvalho tivemos de facto 3 bons treinadores portugueses à frente do Sporting, e a carreira de cada um deles está aí para o comprovar, ainda agora Marco Silva à frente duma equipa inglesa que luta pela Europa conseguiu uma vitória histórica contra o ManUnited.

Depois duma fase transitória assegurada por um mal-amado (Peseiro) e por um treinador novinho oriundo das camadas jovens, Varandas escolheu um treinador holandês sem grande curriculum e ou dotes de comunicação, e que, como Peseiro, não entusiasma.

Depois duma fase inicial prometedora, vieram más exibições e maus resultados, que foram sendo lentamente ultrapassados, enquanto se procedia à substituição duma parte substancial do plantel, incluindo um dos capitães, Nani.

Há muita coisa a dizer (e temos dito por aqui) sobre o futebol que temos visto praticar o Sporting com Keizer, sobre a sua forma de gerir o plantel e um ou outro jogador, mas, e olhando para os resultados, pegando numa equipa a meio da época, com um plantel com grande deficit de quantidade de qualidade, é completamente descabido dizer que é um péssimo treinador, o pior desde sempre, e que o Sporting estaria melhor com treinadores portugueses de 2ª linha e futebol de luta e marcação como Abel Ferreira ou Luís Castro.

Até agora os números de Keizer são os seguintes:

V - 23 (2 via desempate p/ penaltis)

E - 4  

D - 5

e com as outras 4 melhores equipas da Liga (Porto, Benfica, Braga e Guimarães):

V - 4

E - 1

D - 3

Lugar na Liga: 3º

Conquistas: Taça da Liga, finalista da Taça de Portugal

Fracassos: Eliminatória da Liga Europa

Ponto mais alto do treinador: 3-0 ao Braga

Ponto mais baixo do treinador: 2-4 com o Benfica

Vem aí o Guimarães, com o tal Luís Castro na corda bamba, vamos ver se esta sequência de vitórias tem continuidade e se quase asseguramos o 3º lugar da Liga ao tal Abel Ferreira.

SL

 

Esgotou-se a paciência

Os leitores deste blogue conhecem a minha opinião sobre José Peseiro. Achei um erro a sua contratação desde o primeiro minuto, no tempo de Dias da Cunha, e achei uma insanidade o seu regresso. Já o afirmei e justifiquei várias vezes, em vários textos. Nunca acreditei nele para treinador, e sempre fui favorável à sua saída. Continuo a ser: isto não é uma manifestação de saudades - não tenho nenhumas do anterior treinador. Agora, depois do que vimos hoje, definitivamente me convenci de que, se era para isto, seria melhor o Peseiro não ter saído. Afirmei e mantenho que o Peseiro para mim era uma espécie de Tiririca - pior do que ele não ficaria. Mas hoje convenci-me de que se ele tivesse ficado o futebol do Sporting de certeza não estaria pior do que está. Perder em casa com o penúltimo classificado da Liga Espanhola, nesta que é uma competição importante (o treinador parece não saber) é pior do que perder em casa com o Estoril para a Taça da Liga. Marcel Keizer perdeu hoje todo o pouco crédito que tinha junto dos adeptos sportinguistas. É bom que o presidente se convença disto, e que cometeu um enormíssimo erro ao contratá-lo.

Ponto(s) da situação

Quando José Peseiro foi despedido, entre manifestações de intensa euforia de muitos sportinguistas, incluindo aqui no blogue, seguíamos dois pontos atrás do FC Porto no campeonato e estávamos só um abaixo do Benfica (cumprido já o difícil desafio na Luz). Apesar de termos acabado de perder jogadores nucleares e atravessado um dos Verões mais conturbados de que há memória.

Hoje, após nove jornadas sob o comando de Marcel Keizer, vemos os portistas a dez pontos de distância e temos o Benfica cima pontos acima. Apesar dos reforços entretanto chegados a Alvalade.

As coisas são o que são.

Viva o treinador adjunto do Porto

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Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça - desgraçados desengraçados que são - nos campos da bola.

Da sucessão de acontecimentos daquela época terá sido este o que mais me chocou - não a da invasão de Alcochete por um grupo de profissionais da economia paralela, apaniguados (avençados?, por via de bilhetes de futebol ...) da economia do crime em que se tornou o "futebol". Mas sim aquelas dezenas ou centenas de amadores, gritando impropérios aos jogadores junto à tribuna.  

O que esse período mostrou é que a turba infecta, irracional, não é um oligopólio do Porto e do Benfica, com franchisings em Guimarães e Braga. Mas que o Sporting, o tal "clube diferente" que julgávamos ser, ufanos, está preenchido com esta ralé insultuosa.

Ontem mais um episódio. Sob a tribuna - onde os bilhetes até costumam ser mais caros - descem os jogadores e treinadores do Porto. Na zona na escadaria estão concentrados adeptos do "nosso" Sporting. Destinam aos profissionais portistas um incessante coro de "cabrões", "vão para o caralho" e afins. O decano portista, mais velho do que eu, aparenta-o, no calor do pós-jogo irrita-se e estanca. Um dos "nossos" manda-o para a "cona da tua mãe". O homem, como qualquer homem digno, sente-se. E tenta, porque dele algo distante, atingir o "nosso" energúmeno com a porcaria da medalha. Infelizmente desconsegue, até porque logo afastado por um segurança.

O ambiente do futebol é este. Muito acicatado pelo "comunicação social", esse meio profissional (os co-bloguistas do métier que me aturem) que é um lumpen dos letrados. Mas a "comunicação social" tem o nível que tem porque é isso que o seu público "desportivo" quer. É. Um lixo de gente. Um lixo de gente que são estes energúmenos vociferadores, e os holigões mais físicos. Mas também todos os que com eles se sentam, vestindo as mesmas cores e imaginando e proclamando uma qualquer comunhão clubística - "somos todos Sporting", farto-me de ouvir e de ler. Isto apesar do clube ter nos estatutos, explicitamente, que é vedado aos seus associados ofender a moral pública. Qual será a noção de moral pública que os sportinguistas têm, aceitando décadas de comunhão com tanta e tamanha escumalha? Perdão, quero dizer, assim aceitando décadas de ser tanta e tamanha escumalha. Pois se se proclama uma qualquer comunhão com isto de gente, é-se também isto de gente.

Não é curial mas também não é legítimo, no sentido que não é legal, insultar trabalhadores. Não podemos ir à Caixa Geral de Depósitos (apesar do que fizeram com o crédito sem garantias) em grupo mandar para a cona da mãe e para o caralho os seus trabalhadores. Chamarão a polícia. Nem ao Pingo Doce. Nem ao restaurante do bairro. Nem mesmo à loja do desgraçado indocumentado bangladesche. Nem às obras de um prédio (aí levaríamos uma sova de porrada, bem merecida). Ou seja, não é legítimo (legal) ir a um local de trabalho insultar os trabalhadores. Como um campo de futebol. E é tão javardo, imundo, abjecto - "filhodaputa" para usar a linguagem de estádio - o tipo que vocifera, face-a-face com o trabalhador futebolista escudado na mole humana (a "moldura humana" na poética da ralé futeboleira), como aquele que só ombreia, partilha as cores, vai ao estádio. E comemora junto, uno à escumalha vociferadora.

A Federação e a Liga devem tomar consciência. O público que têm é constituído por esta mole de javardos. Os que mandam os trabalhadores para a cona da mãe deles, imensos. E os que se sentam ao lado destes e se calam, ombreando, se as conas aludidas forem as das mães da rapaziada de outros clubes. Dos "outros". E podiam, pelo menos, a tal federação e a liga, acabar com estas "subidas à tribuna". E passarem a entregar os troféus e medalhas no campo de jogo. Onde eles são ganhos. E onde se está longe desta escumalha. Benfiquista. Portista. Sportinguista. Portuguesa.

{ Blog fundado em 2012. }

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