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És a nossa Fé!

Precisamos de um novo Leonardo Jardim

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Leio na imprensa notícias que nada me tranquilizam. 

 

Primeira: Bas Dost «pode sair no Verão», o que é desde já justificado com a intenção de «baixar a massa salarial do plantel». O mesmo argumento que levou a estrutura directiva da SAD a despachar Nani e a enxotar Montero, duas referências na linha avançada do Sporting - com o consequente reflexo nas exibições da equipa, que têm piorado de então para cá, como se viu no frustrante desafio em casa frente ao Santa Clara, em que acabámos o jogo na retranca, defendendo aflitos o magro resultado por 1-0, enquanto centenas de adeptos abandonavam o estádio antes do apito final.

 

Segunda: pode celebrar-se mesmo um acordo extrajudicial para pôr fim ao conflito com o Atlético de Madrid, que nos furtou Gelson Martins. Esse acordo, segundo já foi soprado para a imprensa, incidirá em valores inferiores aos 22 milhões de euros mais cerca de 10 milhões adicionais por objectivos que Sousa Cintra rejeitou em Julho. E muito abaixo dos 105 milhões que reclamamos a título de indemnização junto do Tribunal Arbitral do Desporto.

 

Terceira: Para baixar consideravelmente o que nos deve por Gelson, o clube colchonero pretende impingir-nos dois jogadores de duvidoso mérito. Refiro-me ao ex-vimarenense Bernard, que teve uma carreira medíocre desde que rumou a Madrid, tem jogado por empréstimo no Kayserispor da Turquia e se encontra lesionado. E ao argentino Vietto, que nunca foi opção para o seu compatriota Diego Simeone, actuando agora emprestado ao Fulham: no clube inglês não devem estar muito satisfeitos com o desempenho deste avançado, que só marcou um golo em 22 jogos nesta temporada.

 

Enfim, tudo isto me transmite a sensação de que andamos aos saldos. Continuando a preferir frouxas opções estrangeiras enquanto a anunciada aposta na formação é adiada para as calendas e os poucos jogadores que ainda atraem adeptos ao nosso estádio são empurrados para a porta de saída. 

Oxalá me engane, mas não consigo vislumbrar nada de positivo nesta estratégia de aceitar trocos e jogadores que nada acrescentam em qualidade ao plantel leonino pelo resgate de um internacional português formado no Sporting que nos foi surripiado por um dos principais emblemas do futebol espanhol.

 

Recomendaria o regresso ao espírito da temporada 2013/2014: se não há dinheiro, recorre-se à prata da casa. Frederico Varandas acompanhou-a in loco, de fio a pavio, como director clínico. Para isso, como ele bem sabe, há que apostar num treinador jovem, competente, motivador, ambicioso e profundo conhecedor do futebol português.

Precisamos de um novo Leonardo Jardim: esse será o nosso principal reforço para a próxima época.

Sargento precisa-se na caserna

Melhor do que eu Varandas saberá que existe uma classe indispensável para que a tropa funcione, que assegura muito do trabalho necessário para que os soldados estejam nas melhores condições para as batalhas que terão de enfrentar segundo as estratégias e tácticas dos oficiais.

Os jogadores mais importantes do plantel estão a deixar claro que as coisas não estão bem, os refilanços com os árbitros demonstram que as suas emoções andam à redea solta, quando ganham os técnicos saltam à volta e pulam para os ombros, quando perdem (e quando perdem humilhantemente com o Benfica) ficam abandonados no centro do terreno no final do jogo a aplaudir timidamente e debaixo de assobios a pouca gente que foi ficando nas bancadas. Tudo isso pouco depois da experiência traumatizante que foi o final da época passada, e com indecisões contratuais em cima da mesa que colocam um ou outro fora das opções ou com a cabeça noutro lado.

Por outro lado, depois da liderança obsessiva e abrasiva de Jorge Jesus vieram dois treinadores com outra forma de estar, mais suave e descomprometida, este último alérgico a estágios e amante de folgas, concerteza pelas melhores razões, e as coisas não estão a resultar.

Se calhar faz imensa falta o tal sargento, um peso pesado no balneário, respeitado pelos jogadores, que saiba aconchegar e proteger o treinador, dissuadi-lo de fórmulas que funcionam na Holanda e aqui não, alguém como Octávio Machado (que Jorge Jesus logo indicou como imprescindível quando chegou ao Sporting), Manuel Fernandes (as coisas com Peseiro começaram a descambar quando deixou o banco), já não falando do saudoso Manolo Vidal. Não parece que Beto seja a pessoa certa no lugar certo, para além das tarefas administrativas que concerteza fará. Dele apenas vemos descontrolo e expulsões, péssimo exemplo para os jogadores em campo.

Pelo que se lê Varandas tocou a reunir, juntou as tropas, questionou e pediu resultados. Fez muito bem. Mas também tem que olhar para a estrutura que foi criando, ter a coragem de deixar amizades de lado e cortar a direito com quem está a comportar-se fora do campo como alguns jogadores se comportam dentro dele.

Para já, deixando de parte a figura do treinador e vendo com bons olhos a chegada à estrutura do futebol profissional de pessoas como Raul José e Tomaz Morais, parece ser mesmo isso que falta, um sargento na caserna.

SL

Pois eu nem me importaria nada de ver Jesus em Alvalade

Um ponto prévio: sou por princípio contra mudanças no decurso da época, a não ser em casos que o justifiquem e que devem ser verdadeiramente excecionais. Portanto não estou de forma nenhuma a defender a saída de Marcel Keizer. Estou só a especular e a falar academicamente.

Um esclarecimento ao ponto prévio: um desses casos excecionais que justificam o despedimento a qualquer altura, sem mais justificação, é o de José Peseiro, que deveria ter saído logo no final da época de 2005 e nunca mais deveria ter entrado no Sporting.

Dito isto, eu não me importaria nada de um dia voltar a ver Jorge Jesus no Sporting. Jesus cometeu muitos erros, mas se tivesse tido um mínimo de estabilidade no final da época passada teria lutado pelo título até ao fim e, sem dúvida, conquistado o acesso à Liga dos Campeões e ganhado a Taça de Portugal. Eu não exijo aos jogadores e equipas técnicas ganhar sempre: exijo-lhes lutar sempre para ganhar até ao fim e obterem resultados consentâneos com a sua valia e a dos seus adversários. (Às direções exijo que contratem jogadores e treinadores ambiciosos e com valor para ganhar.) Tendo em conta este critério, o trabalho de jogadores e equipa na época passada pareceu-me bastante aceitável e com tendência para melhorar. Se houvesse estabilidade, aquele grupo acabaria por ser campeão. Pensava eu e pensavam muitos sportinguistas.
Na mesma linha de raciocínio, gostaria de ver no Sporting muitos dos jogadores que partiram (dos que rescindirame  voltaram nem vale a pena falar, não acham?). Gostaria muitíssimo de ver o Fábio Coentrão e o Adrien. Gostaria de ver o Sporting a convencer o Simeone de que ele não sabe escolher bem jogadores, e a devolver o Gelson. Desde que fosse um negócio com o Sporting a propor ao Atlético que aceitaria o Gelson pelo mesmo dinheiro que o Atletico pagou por ele, e nem mais um cêntimo - o passe, e não um empréstimo. Nestas condições - mas só nestas - aceitaria bem o Gelson, em vez de o ver a demonstrar o seu talento com o Leonardo Jardim, como estou certo de que vai ocorrer. Também não me importaria nada de voltar a ver o Rúben Semedo de leão ao peito - preferi-lo-ia ao Ilori. Cu bo ti fim de mundo. Nunca fui defensor da máxima "orgulhosamente sós" que infelizmente tantos sportinguistas parecem defender. E agora, como diria um ex-membro deste blogue na sua coluna regular na imprensa, chamem-me o que quiserem.

Oscilações

Ao ler a divulgação do resultado deste inquérito promovido pelo Pedro Correia, veio-me ao pensamento aquilo em que ando a cismar, lendo as análises, jogo a jogo, dos meus colegas de blogue: grandes oscilações na qualidade/rendimento dos jogadores.

 

Para dar três exemplos das conclusões do inquérito:

 

«Há pouco mais de dois meses, Bruno Fernandes nem sequer subiu ao pódio. Agora, fechada a primeira volta, lidera sem contestação».

 

«Inversamente, o vencedor em Novembro, Nani, desta vez nem ascende ao pódio».

 

«Montero, o segundo mais votado no escrutínio anterior, agora não recolhe sequer um voto de consolação: zero absoluto».

 

A isto se junta a incompreensível má prestação de Bas Dost, entrado o ano de 2019, e a inconstância de Diaby, que tanto é elogiado, como acusado de jogar sem tino.

 

Todos somos unânimes em afirmar que Keizer começou bem, mas que agora parece andar um pouco à deriva. Mas será apenas culpa dele? Como tomar decisões de quem fica no banco/quem joga e em que posição, etc., se nenhum jogador inspira confiança?

 

Mais um mistério para o nosso Sporting: o das oscilações!

Hoje giro eu - Marcel Keizer

Para a vasta maioria dos adeptos leoninos, Keizer é um perfeito desconhecido. Sem querer ser muito Verbal sobre isso, tal como o outro Keizer (Soze) dos "Suspeitos do Costume" muitos agora falam dele mas poucos o viram em acção. Curiosamente, Marcel é sobrinho da, essa sim, bem conhecida estrela de outrora do Ajax, o extremo Piet Keizer, contemporâneo de Johann Crujff, sobre quem um dia o jornalista Nico Scheepmaker afirmou: "Crujff é o maior, mas Keizer é o melhor". Eis a radiografia possível neste momento, em 11 pontos (como uma equipa de futebol), num trabalho baseado em crónicas de jornais e vídeos de jogos que pretende apresentar o técnico como ele é, mostrando as suas qualidades e desvendendo alguns mitos entretanto criados:

 

  1. Aposta num perfil: partir para uma escolha de um nome a partir de um perfil é sempre algo de elogiar. O Sporting parece pretender uma proposta de futebol agradável e a aposta nos jogadores da sua Formação.
  2. Sistema de jogo: mais do que o tradicional 3-4-3 do Ajax, Keizer parece preferir um 4-3-3, com a saída de bola a ser encarregue aos 2 centrais, sem que o jogador da posição "6" recue para a linha defensiva para pegar no jogo, o qual é essencialmente direccionado pelo interior.
  3. Experiência na Formação: nos últimos dias muito se tem falado de Keizer ser um treinador com vasta experiência na Formação. Tal não corresponde à realidade, destacando-se apenas uma passagem pelo Jong Ajax (equipa B dos "lanceiros"), na temporada de 2016/17, para além de 5 meses na equipa principal do grande clube de Amesterdão (2017/18), clube que nunca abdica de apostar na sua cantera
  4. Aposta em jovens: apesar de muito do trabalho de imposição na equipa principal ter sido desenvolvido pelo treinador anterior (Peter Bosz), consolidou a aposta nos jovens De Ligt, Frankie De Jong, Dolberg, Neres e Ziyech, entre outros.
  5. Escola do Ajax: tem apenas ano e meio de Ajax, entre equipa A e equipa B.
  6. Experiência a alto nível: treinou apenas durante 5 meses o Ajax (entre Julho de 2017 e Dezembro de 2017), tendo sido despedido após uma derrota para a Taça da Holanda contra o Twente. Não conseguiu ultrapassar as pré-eliminatórias quer da Champions, quer da Liga Europa (no ano anterior, com Peter Bosz, o Ajax chegou à final contra o Manchester United). Antes treinou o Cambuur (único clube primodivisionário que treinou para além do Ajax e que desceu de divisão), o Emmen, Telstar, VVSB, Argon e UVS, tudo clubes de segundo plano do futebol holandês. 
  7. Resultados: estava em segundo lugar no campeonato holandês de 2017/18 quando foi despedido. Realizou 17 jogos e fez 38 pontos, correspondentes a 12 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. O treinador que se lhe seguiu (Erik Ten Hag), com o mesmo número de jogos fez apenas mais 3 pontos, terminando o Ajax com um total de 79 pontos e o segundo lugar no campeonato, posição que aliás já ocupava quando Keizer era o seu treinador.
  8. Curiosidade: dos 3 tristes trincos para a inspiração no clube dos 3 treinadores de cabeça rapada. Desde a saída de Frank de Boer, o Ajax teve Peter Bosz, Marcel Keizer e Ten Hag. Muita escola de Ajax, pouca escola de barbeiro. 
  9. Propensão atacante: impressionam os números atacantes de Keizer no Ajax. Na equipa B, onde se classificou em segundo lugar, a sua equipa marcou 93 golos em 38 jogos, uma média de 2,45 golos por jogo; na equipa principal dos "lanceiros" fez ainda melhor: 51 golos em 17 jogos, uma média de 3 golos por jogo. Destacam-se as vitórias por 8-0 no campo do NAC Breda, em casa contra Sparta de Roterdão (4-0), Roda (5-1) e PSV Eindhoven (3-0), e fora contra Feyenoord (4-1) e Heerenveen (4-0).
  10. Fragilidade defensiva: se a proposta de jogo dos holandeses faz parte do património do futebol mundial, não deixa de ser verdade que a nível táctico ficam muito atrás do futebol português. Nesse aspecto, há que temer o desempenho de Keizer contra equipas fortes na transição ofensiva. Com os "lanceiros", na equipa B sofreu 54 golos (em 38 jogos), na equipa A sofreu 16 golos (17 jogos). Defensivamente, nota-se pouco apoio dos médios nas tarefas defensivas e o trinco muitas vezes não cola aos centrais deixando espaço para as entradas dos médios adversários. Adicionalmente, defendendo a equipa muitas vezes apenas com 3/4 jogadores, criam-se muitas situações de 1x1 na área, com apenas 1 central a marcar o ponta-de-lança contrário e imenso espaço livre à volta.
  11. Conclusão: com um currículo modesto, destaca-se pela positiva a sua proposta de jogo ofensivo. Necessitará de muito apoio de toda a Estrutura, nomeadamente de paciência por parte do presidente e do conhecimento do campeonato e da matreirice das equipas que o compõem por parte dos adjuntos, para poder ter sucesso. É uma aposta de altíssimo risco, embora a proposta de jogo possa ser entusiasmante. No entanto, o vídeo expõe imensas debilidades na transição defensiva ou, dito de outra forma, "video killed the (former) TelStar (coach)". Que os deuses da fortuna estejam com ele!

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Curiosidade: Gudelj é filmado nas bancadas aos 2:52 do 2º vídeo.

Quem quiser ficar a conhecer melhor o treinador, em discurso directo ou pela boca de quem com ele se cruzou, pode visualizar aqui ou aqui .

Para estatísticas do seu trabalho mais recente, consultar AjaxJong Ajax e carreira .

Para notícias sobre os motivos invocados pelo clube (Ajax) para o seu despedimento, consultar aqui .

 

O russo afinal é holandês

O jornal A Bola garantia hoje, às 12.14, em tom peremptório e sem gaguejar: «O russo Leonid Slutsky é o treinador escolhido por Frederico Varandas para suceder a José Peseiro.»

Uma certeza inabalável que durou apenas oito horas. Às 20.19, outra versão no mesmíssimo jornal, nada condizente com a anterior: «O holandês Marcel Keizer «é uma forte hipótese para suceder a José Peseiro no comando técnico do Sporting.»

 

Assim se faz jornalismo, hoje em dia: às apalpadelas e aos tropeções. Um dia ainda acabam por acertar.

 

Alto risco

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Frederico Varandas, para o bem ou para o mal, arcará com as consequências desta decisão de alto risco: prescindir de José Peseiro após uma manifestação de desagrado das bancadas - aliás quase despidas - no final de uma partida da Taça da Liga, competição que pouco mais serve senão para rodar jogadores.


Sublinho que é de alto risco por estes motivos:

- Despede o treinador a quem tinha manifestado pública confiança há menos de dois meses;

- Assume esta opção quando o Sporting está a um ponto do Benfica e a dois pontos da liderança no campeonato, já depois de ter ido à Luz e a Braga, além de estar bem colocado para passar à fase seguinte na Liga Europa;

- Leva o Sporting aos Açores e a Londres, dentro de breves dias, sob o comando de um treinador interino;

- Fragiliza a sua autoridade ao parecer que cede à pressão daqueles que adoram acenar com lenços nas bancadas;

- Perde o pretexto que tinha até agora, perante as críticas mais ferozes que inevitavelmente lhe serão feitas (começaram logo ontem e estenderam-se durante horas, num canal de TV afecto a um clube rival), de estar condicionado por uma escolha de Sousa Cintra.

Enfim, como já aqui sublinhei, este será um teste decisivo à sua liderança.

Depende, em grande parte, do nome que vier a ser escolhido (sabendo-se que nunca será consensual) e do desempenho que esse técnico revelar até Janeiro, mês em que termina a primeira volta da Liga 2018/2019.

Seja quem for, será o terceiro treinador da temporada - após Peseiro e Tiago Fernandes (e já nem incluo o sérvio que Sousa Cintra despediu pouco depois de ter chegado).

Na pior época de sempre do Sporting, recordo-me bem, passaram quatro treinadores pela nossa equipa principal: Sá Pinto, Oceano, Vercauteren e Jesualdo.

Nunca mais quero uma época assim.

1 Milhão e Seiscentos mil por ano !!!!

Fiquei estupefacto. Um milhão e seiscentos mil euros era o ordenado anual de Peseiro. O que teria pensado Sousa Cintra para ter entrado nesta perfeita loucura? Estes quatro meses, desde Julho até agora, custaram ao Sporting e obviamente a todos os sócios, para pagar a esta equipa técnica, dois milhões de euros (com o despedimento). Elogiei aqui Sousa Cintra, mas estou a perceber uma coisa; quando se fizer a história destes quatro meses, talvez se percebam algumas contratações, feitas a rir, de jogadores sem a mínima categoria para jogar no Sporting... e de uma equipa técnica incapaz de pôr o Sporting a jogar bom futebol. 

Vi Sousa Cintra com Peseiro e fui renovar o lugar no estádio

Oiço e leio reservas, até duras críticas à escolha de José Peseiro para treinador da principal equipa do Sporting. O título deste texto é demonstrativo do quão longe estou do chorrilho negativista que para aí anda.

Lembro que o clube ainda atravessa uma profunda crise. A liderança está entregue a uma comissão de gestão. A governação é transitória. Além destes factos perguntas há cujas respostas, quanto a mim, apresentam outras evidências, também elas pouco animadoras: Que escolhas tinha Sousa Cintra? E pergunto-o perguntando ainda: Quantos treinadores aceitariam, hoje, trabalhar no Sporting sabendo que daqui por três meses haverá nova liderança no clube?

José Peseiro conhece o futebol português e isso é meio caminho andado para haver menos asneira. Já cá esteve e não foi ganhador? Sim, é verdade, como o é nos últimos três anos termos estado entregues ao exorbitantemente caro Jorge Jesus que cá chegou tri-campeão e todo ele promessas de glória resgatada, mas que connosco levou-nos a conquistar um troféu apenas, ingloriamente, o mais pequeno deles todos.

Optimista inveterado que sou, de Peseiro, no lugar de o lembrar como "pé-frio", prefiro recordá-lo como o treinador responsável por um dos melhores "futebóis" que vi jogar em Alvalade.

Venha a nova época. Eu vou lá estar. 

Hoje giro eu - O Circo de Alvalade

Este clube parece um circo. Tem trapezistas, com ou sem rede, que ainda dão uma "perninha" na corda bamba, tem contorcionistas, especialistas na arte de escaparem entre os "pingos da chuva", tem ilusionistas, mestres em esconder a realidade, e inúmeros actos de palhaçadas. Muitas e muitas palhaçadas. E, depois, também tem leões, a força viva de qualquer circo. Deixados sonolentos, de forma a poderem ser melhor amestrados/adestrados. 

 

O pior

Para mim, o pior de tudo na noite de sábado foi ouvir no fim o treinador aludir à "festa do futebol" e esbanjar elogios ao árbitro. Num jogo que foi incapaz de vencer, em que o guarda-redes adversário não fez uma defesa, que começa com uma inadmissível agressão de uma claque leonina ao Rui Patrício e que termina num triste e medíocre 0-0.

Jorge Jesus para o futuro?

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Há exactamente um ano o Pedro Correia colocou aqui um rescaldo muito positivo sobre a actual presidência, com o qual concordo e que considero ainda actual. O clube está muito melhor, tal como melhor está o futebol sénior, a sua actividade central. Para isso concorreu, também, uma acertada política de contratação de treinadores. Jardim é uma unanimidade, até nacional, e só se pode lamentar que tenha decidido, muito legitimamente, seguir a sua carreira no estrangeiro. Silva é um bom treinador, ainda que não tenha encontrado o registo adequado à concertação com o clube. E Jesus é um bom treinador, por mais críticas que surjam, como é natural face aos treinadores dos grandes clubes, principalmente quando não são campeões (e mesmo quando o são). E sendo notório que os adversários de Bruno de Carvalho (uma minoria muito activa, o que é saudável para o clube, pois "o que é preciso é que se fale, mesmo que seja ... bem") insistem em dizê-lo totalmente inadequado, forma de atacarem a presidência, a qual, e com denodo e competência, sempre se colocou totalmente ao lado do treinador. Há quem isso critique, dizendo que Bruno de Carvalho assim se deixou aprisionar pela figura do treinador. Não. Essa foi a melhor forma, assim óptima, de o apoiar e de em seu torno congregar o afã sportinguista. 

Dito isto penso que cumprido o triénio de Jesus o "fim de ciclo", como António de Almeida disse, se apresta. Tenho 53 anos, durante os quais o Sporting ganhou 7 campeonatos. Um ciclo de duas décadas sem vencer, após um outro ciclo similar, seriam letais para qualquer outro grande clube. Não o foram nem o são no Sporting, o que mostra a grandeza da adesão leonina. Mas mostram que perder três campeonatos não é excepcional. Ou seja, não será por isso que devemos apontar o dedo ao treinador. Interessa sim ponderar se o seu contributo é positivo para ultrapassar esta situação estrutural. Assim sendo a sensação de "fim de ciclo" não vem dos três campeonatos perdidos. Mas também não se resolverá com um ou outro troféu, por mais apetecível que este seja. Por exemplo, uma muito pouco provável vitória na Liga Europa seria imensamente entusiasmante, mas mesmo essa não deveria impedir uma reflexão sobre o futuro próximo. 

A questão é se o processo de aproximação do Sporting aos dois crónicos campeões está num bom rumo. Ela foi inequívoca, e em condições extremamente difíceis, nos três primeiros anos com Bruno de Carvalho (sob Jardim, Silva e Jesus). Mas é notório que nos dois anos seguintes (sob Jesus) ela não tem continuado, em termos de resultados e em termos de imagem pública, de qualidade futebolística. Há quem aponte que a equipa faz muitos pontos, que noutros momentos seriam suficientes para as vitórias. É um argumento vácuo, pois o campeonato está mais desigual, os clubes regionais mais pobres e frágeis, com excepção do Braga. O notório neste caso é que o Porto reergue-se ainda que sob enormes constrangimentos económicos e já liberto da tentativa de "união ibérica", a que tinha recorrido exactamente devido a essa crise. E que o Benfica se sedimentou, apesar da monumental dívida que obriga a desinvestimentos e de erros crassos (como a rábula dos guarda-redes desta época) e, inclusivamente, soube reinventar o seu futebol neste ano - pode custar muito aos mais indefectíveis mas Rui Vitória é muito credor de respeito pelo rearranjo técnico-táctico que fez a meio do ano. Porque nem tudo se deve aos árbitros ...

Ou seja, o clube e o seu presidente tudo deram a Jesus. A tal "estrutura", o aumento de orçamento, o apoio público (e do público) constante. E a mudança de plantel. É de lembrar que Jesus fez a sua melhor época em Alvalade com um plantel que não fora constituído por ele, que o considerou insuficiente, que o transformou enormemente. E que apesar dessa mudança o processo de crescimento, seja em termos de triunfos seja em termos de qualidade futebolística, não prosseguiu.

Por outro lado há os efeitos da personalidade de JJ. "Pela boca morre o peixe ..", diz-se. O seu tom abrasivo, "antes de mim o Caos, comigo o Verbo", promoveu uma acréscimo de crença, induziu um crescimento do suporte dos adeptos, encheu de modo continuado o estádio e o apoio à equipa onde ela fosse. Mas as derrotas e o cinzentismo futebolístico não casam com este "me, myself and I" de JJ. Muito dificilmente, por maior que seja o fervor clubístico, a massa adepta aderirá nas próximas épocas com a mesma intensidade ao apelo de uma equipa de JJ.

Finalmente, a marca d'água do clube é a sua formação. Infelizmente não tanto a do seu departamento de pesquisa (os "olheiros", isso que agora os novos-ricos chamam de "scouting" muito orgulhosos por falaram inglês). Houve uma notória inflexão. Para JJ, e talvez acertadamente, a capacidade de ganhar títulos implicava mais do que o centramento no aproveitamento da formação, exigia uma mudança de paradigma. Quando Bruno chegou ao poder um enorme problema era o de que os jovens jogadores, muitos já apressadamente lançados, não tinham contratos que protegessem o clube (Dier é um caso gritante, julgo que Bruma também). Uma das primeiras tarefas que Bruno cumpriu foi blindar os jovens jogadores (lembram-se como os adversários o gozavam por causa dos montantes das cláusulas de rescisão? agora habituais ...). Isso foi salvaguardado mas no consulado de Jesus é evidente a preferência por jogadores mais experientes (o caso de Ruben Ribeiro para mim é terrível exemplo). Sem triunfos a comprovarem a justeza desta via, com os constrangimentos económicos sabidos, sem acesso à Liga dos Campeões (que será nos próximos anos ainda mais difícil), seus financiamentos e efeitos na visibilidade mercantil dos jogadores, julgo que esta via está condenada. Por impossibilidade económica. 

Com tudo isto julgo que o modelo "Jorge Jesus", por mais acertada que tenha sido a aposta, e por mais competências, inegáveis, que o treinador tenha, não tem muito espaço para perdurar. Trata-se agora, para além de apoiar a sua equipa e esperar algum triunfo, de tentar encontrar "the next big thing" (para falar inglês, como os tais novos-ricos). Um bom treinador, que potencie o modelo Sporting. Sob esta dadivosa e competetente direcção. E, entretanto, sem "lenços brancos", factuais ou simbólicos, para um treinador que nos entusiasmou, fez congregrar e crer.

Antes que comece… a sério!

Provavelmente o que vou aqui escrever poderá ser uma afronta a muitos adeptos, mas tal não me preocupa pois é a ideia que tenho e pronto… fico-me por aqui!

O fenómeno BdC teve o seu momento áureo que, entretanto e por culpa própria, já se desvaneceu. Creio, portanto, que seria fantástico que o Presidente se resguardasse mais e não desse para todos os peditórios que lhe aparecem pela frente. Eu sei que por vezes torna-se difícil, mas há que ter uma postura mais sóbria. O que não é a mesma coisa de sombria…

A parceria de BdC e JJ pode parecer aos olhos de muitos perfeita, só que em resultados desportivos esta dupla deu-nos… uma supertaça. Somente.

Entretanto a cada época que passa olho para o nosso plantel e vejo cada vez menos qualidade. As “paletes” de jogadores que chegam não significam “paletes” de qualidade. Note-se que do ano passado ficou um jogador: Bas Dost. O resto… parece refugo (Castaignos, André Filipe, Douglas, Campbell e muitos outros).

Custa-me ainda mais esta filosofia quando vejo jogadores da Academia a partirem para reforçarem outros clubes enquanto se continua a comprar jogadores estrangeiros de qualidade muito duvidosa e em condições físicas, no mínimo, deploráveis.

BdC e JJ, se lerem este texto, podem pensar que estou a dizer imbecilidades sem qualquer sentido. Mas chamo à atenção do seguinte: não fui eu que no discurso de vitória das últimas eleições no Sporting afirmei que o nosso clube seria campeão na próxima época. Quer queiram quer não, esta última promessa perdurará nos ouvidos dos sócios e adeptos por toda a época.

Para a semana inicia-se o campeonato. O Sporting vai dar o pontapé de saída na Liga 2017/2018 e por isso acho bem que Jesus se municie dos melhores e se deixe de merdas e experiências, ao colocar jogadores fora dos sítios onde normalmente gostam de jogar. Não devem ser os jogadores a adaptar-se às tácticas de JJ, mas este a aproveitar o melhor de cada atleta para benefício da equipa. É para isso que serve essencialmente um treinador: perceber o que há de melhor em cada jogador e usá-lo em prol de toda a equipa. Tudo o resto é fantasia.

Portanto, não me preocupa ganhar um jogo em cada três enquanto estamos no defeso. Preocupa-me o que se irá passar a partir da próxima sexta-feira. Aí é a doer e Jorge Jesus tem, nesta altura, muito pouca margem de manobra.

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  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D