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És a nossa Fé!

O elo mais fraco

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Depois de José Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keizer, Leonel Pontes e Silas, não me admirava nada que estivesse a ser equacionada a vinda do sexto técnico do futebol profissional leonino nesta era Varandas.

Um sinal de que o processo de substituição poderá já estar em marcha foi a notícia publicada na edição de ontem do Record, com chamada de capa, dando nota de que os jogadores «fizeram saber que não se sentiam cómodos com constantes alterações» introduzidas pela actual equipa técnica.

Na mesma página, outra janela aberta sobre o Sporting, sob este título: «Técnico e capitão dissonantes». E em complemento, outra estocada em Silas: «Seis sistemas em 11 encontros.» Pormenoriza o jornal que o ex-treinador do Belenenses SAD já experimentou no Sporting o 4x4x2 clássico, o 4x4x2 losango, o 4x2x3x1, o 3x5x2 e o 3x4x3, além do 4x3x3 mais tradicional. «Balneário pressiona para que a equipa estabilize em 4x3x3.»

 

Qualquer mediano decifrador de circuitos noticiosos perceberá de onde foi soprada a notícia para o jornal desportivo mais conotado com o Sporting: da administração da SAD. O jornalista não inventou, os jogadores concentrados desde o fim de semana no norte do País não andaram certamente a telefonar para o diário e Silas seria o último interessado em ver coisas destas impressas.

Irá a corda partir novamente pelo aparente elo mais fraco, transformado em bode expiatório de todos os desaires? Não me admirava nada. Num clube que teve 21 treinadores nos últimos 19 anos, se existe tradição solidamente enraizada em Alvalade é a da chicotada psicológica. Na dúvida, enxota-se o treinador e depois logo se vê.

Neste século XXI, entre nós, isto nunca produziu efeitos positivos. Mas funciona como momentânea cortina de fumo, desviando as atenções e distraindo os incautos. Ganhar tempo, seja como for, parece ser a palavra de ordem no edifício Visconde de Alvalade. Resta saber para quê.

Que treinador seria bom para o Sporting, sem recursos para ir ao mercado?

Se se verifica que Silas não funciona, vejo apenas (sublinho apenas) três possibilidades:

Paulo Bento, casmurro o suficiente para não deixar que façam dele gato sapato. Sabe armar equipas em função dos recursos que tem e detesta vedetismo.

Carlos Queiroz, idem, com a nuance de ser mais atacante, mas também mais arisco com a media.

Abel Ferreira, idem, com a nuance de ser mais moderno e conhecer melhor a realidade do futebol português. Será o que tem mais anticorpos junto dos adeptos (mas todos têm).

Como opção extra, o filho do Manuel Fernandes, que tem sangue na guelra e parece ser competente. Não sei é se não se enfarilhará depressa com a direção (seja esta qual for) 

«Um clube de malucos»

«Ao despedir Keizer, procurámos um treinador português e com um grande currículo europeu. Tentámos. Um mostrou que desejava ter projectos onde pudesse lutar pela Champions. E outro também recusou e até me disse: "Gabo muito a sua coragem, gabo muito a sua paciência, mas eu não tenho a mesma para aturar um clube de malucos, como é o Sporting. Isto [sic] é a visão que muitos treinadores têm hoje do Sporting.»

 

Esta foi a primeira resposta de Frederico Varandas, há minutos, na entrevista ao Jornal da Noite da SIC.

Ouvi isto e confesso: nem queria acreditar. Como é que se diz tanta asneira em tão poucas palavras?

 

Com esta declaração, Varandas admitiu que:

1. Silas esteve muito longe de ser a primeira escolha - foi "apenas" a última;

2. Não faltam treinadores que recusam convites do Sporting (o facto de ter havido seis técnicos no último ano e meio em Alvalade não ajuda, certamente);

3. O Sporting é «um clube de malucos», na definição de um desses treinadores «com grande currículo europeu» (José Mourinho?) agora difundida de modo insólito pelo próprio presidente da SAD leonina, parecendo imitar Coates na marcação de um autogolo;

4. Torna públicas, em entrevistas televisivas, conversas do foro privado;

5. Dialoga com treinadores que insultam o clube enquanto lhe chamam corajoso a ele;

6. O Sporting não luta por um lugar na Champions;

7. Silas, muito provavelmente, é «maluco».

 

Verdadeiramente inacreditável.

Ele é um dos nossos

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Frederico Varandas apresentou, ao fim da manhã de hoje, o quinto treinador do seu ainda recente mandato: é Silas, que até há três semanas orientava o Belenenses SAD.

Demonstrando dotes de comunicador, o sucessor de Leonel Pontes e Marcel Keizer e Tiago Fernandes e José Peseiro procurou falar à alma leonina, lembrando que em criança foi jogador das escolinhas de Alvalade e sempre se assumiu como sportinguista.

Afagou o maltratado ego dos adeptos com estas palavras simples e calorosas. Dizendo, no fundo, que é um dos nossos.

Gostei de o ouvir.

 

Os problemas começam a partir de agora: não terá tarefa nada fácil num Sporting em crise anímica, desportiva e financeira.

Numa demonstração prática de que não o aguarda um só momento de tréguas, a Associação Nacional de Treinadores de Futebol apressou-se a disparar contra ele, considerando - pela voz do presidente, José Pereira - «ridícula e inaceitável» a contratação de um técnico que «não está devidamente habilitado» com o diploma de nível 4 de treinador.

 

Lanço daqui o repto aos leitores: gostam ou não de ver Silas como novo timoneiro do futebol leonino?

Silas no espeto

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Leio hoje em "A Bola" um comentário que tenho de subscrever, do seu director (lampião) Vitor Serpa a dizer que "se (Varandas) continuar a fechar os ouvidos e os olhos a quem dele honestamente discorda, afinal, o que o separa de Bruno de Carvalho?".

Pese toda a recuperação da SAD realizada, os títulos alcançados e o trabalho bem feito em diferentes áreas, a dificuldade crescente de comunicação e envolvimento com os sócios, e o fecho em si mesmo do núcleo duro que gere o futebol, não conseguiu ultrapassar bloqueios e antecipar problemas, e a prova é que no caso dos despedimentos de Peseiro e de Keizer não havia alternativa pensada, preparada e adequada ao momento do clube e ao plantel que ia encontrar. 

Também hoje o "Record" anuncia que Silas tem tudo acertado para ser o novo treinador do Sporting, um treinador cujo curriculum se limita a um par de anos no Belenenses, onde conseguiu a maior derrota de (se calhar) todos os tempos desse clube com o Sporting,  e que nem sequer tem habilitação que lhe permita levantar-se do banco e dar instruções aos jogadores.

Pelos vistos o que dizemos aqui da necessidade de ter um treinador credenciado, experiente e agregador a tomar conta da equipa (coisa que teria de ser tratada com tempo e dinheiro), chame-se ele Jesualdo Ferreira, Scolari, Ranieri, Alegri ou outra coisa qualquer, não lhe diz muito, e prefere alguém à sua imagem, de Hugo Viana e de Beto, ou seja, mais uma boa pessoa, mais um jovem e inexperiente profissional.

Não está em causa a pessoa e o sportinguista Silas, as suas qualidades enquanto treinador, o beneplácito de que poderá gozar no imediato nos sócios e adeptos, mas a confirmar-se a notícia e na fornalha de Alvalade é quase uma certeza que Silas vai sair "bem passado". E se calhar não vai ser o único.

Obviamente não vai ser por minha culpa, estarei com ele como estava com Peseiro, Tiago, Keizer e estou ainda hoje com o Leonel. Até ao limite do possível.

SL

Imprensa clubística

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A imagem é da capa do jornal O Jogo de hoje, 22 de Setembro. Creio que como eu, os sportinguistas lêem estas notícias sobre o Sporting de jornais afectos a outros clubes (neste caso o FC Porto) como quem lê um daqueles papéis que por vezes nos deixam no para-brisas do carro, anunciando o mau-olhado e azar, se não ligarmos para o professor Karamba (ou Mamadu ou equivalente). Muitas vezes, o objectivo é apenas criar intranquilidade e instabilidade no clube. Frequentemente funciona.

Em todo o caso, é um bom pretexto para desenvolver o tema: que futuro para Pontes? Pontes pegou num plantel desequilibrado, com carências evidentes, com pouquíssimo peso da formação (ao contrário do que a direcção anunciava). Talvez Keizer tivesse querido dar mais tempo aos jovens a desenvolver nos sub23 e ir lançando ao longo da época. Nunca saberemos. Mas o plantel deixado por Keizer é pobre, depois da saída de Bas Dost. O jogo paupérrimo. A imagem deixada frente ao Rio Ave (2-3, seu último jogo) demorará a passar. Pontes ficou com poucos dias para preparar com a totalidade do plantel o jogo com o Boavista (o tal em que o Padre Sousa "excomungou" Bruno Fernandes, o melhor jogador do campeonato, em mais um serviço à Liga portuguesa). Poucos dias depois o jogo com o PSV fora. Amanhã o jogo contra o Famalicão, 1o classificado. Depois, os também difíceis jogos que O Jogo refere.

Será justo, se está série for negativa, retirar Pontes? É claro que não. Se a direcção estiver a ser séria, irá continuar. Se apenas foi buscar Pontes para o "queimar" nesta difícil série de jogos, enquanto guarda melhor série para lançar novo treinador, será mais um tiro no pé. Aproximam - se a grande velocidade os jogos com FC Porto e SL Benfica. Será que teremos um terceiro treinador antes do final do ano? Quero crer que não.

Quo Vadis Sporting?

Como não me canso de repetir, por muito importante que seja o ecletismo no Sporting, o futebol é a mola real do clube e nenhum presidente sobrevive a uma época catastrófica na modalidade. E como o Sporting começou muito mal a temporada, veio agora o seu presidente prestar contas na forma de entrevista sobre o desempenho da sua administração e opções tomadas neste seu primeiro ano de presidência.

De tudo o que disse, se calhar o mais importante foi reconhecer que existe um fosso relativamente aos dois rivais. Parece realmente que o Sporting está condenado ao fosso, temos o fosso do estádio, temos o fosso com os rivais, e não se ouviram fórmulas ou soluções para ultrapassar rapidamente qualquer deles. O que ouvimos é que existe uma estratégia e um esforço no sentido de o reduzir, apostando em competências e valores, no relançamento da formação e no posicionamento no mercado para alcançar mais valias significativas. E que não está a ser fácil reduzir esse fosso, antes ocorre um trabalho de sapa com progressões e recuos, e muitos inimigos interessados em o dificultar.

O apertar do cinto ocorrido neste mercado (com 30 jogadores cortados da folha de salários) é essencial para encontrar uma base sustentável, mas não permite competir com os rivais para os lugares da Champions e pode até colocar dificuldades no confronto com Braga e Guimarães para o acesso directo à Liga Europa.

Concordo com Varandas que (ao contrário do que aconteceu com Peseiro) Keizer terminou no momento certo, depois duma derrota em casa que tornou evidentes as fragilidades da equipa e depois do fecho do mercado que lhe roubou dois titulares dessa mesma equipa. Não tinha condições para continuar. Mas não concordo mesmo nada com ele quando diz que "Este grupo é mais competitivo, tem mais soluções e tem mais qualidade do que o plantel do ano passado.". 

O que me parece é que Leonel Pontes vai herdar um grupo desorientado e desequilibrado,  já bem diferente do ainda há pouco apresentado aos sócios, com jogadores estrangeiros para integrar em plena época, com vários jogadores com antecedentes clínicos que podem dar problemas em qualquer momento, sem o goleador das últimas épocas e que agora poderia voltar a ser o abono de família, com equívocos tácticos de Keizer para reverter, e em que o espírito forte que demonstrou no Jamor se perdeu algures na pré-época como confessou o seu capitão. Um grupo com seis extremos e sem um trinco, um grupo com um único ponta de lança mas com avançados que poucos golos marcam. Só se as soluções forem do tipo jogar com um guarda-redes, quatro defesas e seis extremos. Parece-me é que estamos cada vez mais no modelo de solução única, a solução Bruno Fernandes. 

Importa portanto ultrapassar bem depressa esta fase de emagrecimento e encontrar fórmulas para estreitar significativamente o tal fosso, voltar a investir mas com critério, contratar novos Bas Dosts, Bruno Fernandes, Acuñas, Mathieus ou Coates para juntar aos existentes e misturar com os melhores jovens que temos no plantel e nos sub-23, e voltar a dispor dum treinador competente, carismático e ganhador, à imagem dos grandes Malcolm Allison, Bobby Robson ou Laszlo Boloni.

Preferia que Leonel Pontes ficasse onde está, a fazer um óptimo trabalho nos sub-23, e viesse um treinador português experiente, de transição, tipo Jesualdo Ferreira. Mas se o treinador é Leonel Pontes, o importante é mesmo confiar nele e em Bruno Fernandes para aguentarem o barco no futuro próximo. 

Vamos então apoiá-los a 100%.

SL

Os treinadores

Mesmo tendo ganho uma taça de Portugal e uma taça da Liga - mesmo tendo ganho mais troféus, em menos tempo, que outros treinadores muito melhores que por cá passaram -, nunca achei que Marcel Keizer fosse treinador para o Sporting. Merece o meu respeito por ter sido sempre um cavalheiro, até na hora da despedida. Nesse aspeto Keizer foi absolutamente exemplar. Mas não me deixará saudades.

Acho um erro crasso estar a criar-se expectativas para Leonel Pontes. Ao contrário de Paulo Bento, Sá Pinto e Tiago Fernandes, três treinadores em início de carreira quando treinaram a equipa principal do Sporting, Leonel Pontes já tem experiência em vários clubes. E nunca foi bem sucedido. Nada parece demonstrar que seja adequado para o cargo de treinador principal. Em vez de o estarem a "queimar", deveria ficar claro desde o princípio que é uma solução de recurso, temporária, enquanto não se encontra um treinador definitivo.

O Sporting precisa de um treinador experiente, disponível (chega de pagar a outros clubes por rescisões), vencedor, com currículo, e que conheça bem o futebol português (condição indispensável para entrar com a época em andamento). A minha sugestão vai para Abel Braga, anterior treinador do Flamengo. Seria interessante ser comparado com Jorge Jesus em dois clubes diferentes ao mesmo tempo. 

Sobre o próximo treinador, também isto.

Sem querer ser irritante, sim, a escolha do próximo treinador do SCP é muito mais complicada do que parece à primeira vista. Aliás, de qualquer treinador no futebol português nesta altura. Os verdadeiramente bons (Mourinho, Fonseca, Jardim, JJ) ou recebem uma pipa de massa e/ou iriam exigir vários craques incomportáveis. Os estrangeiros ou recebem uma pipa de massa e exigem craques ou são obscuros, desconhecidos e desconhecedores do futebol português e portanto um risco (como Keizer).
Ao Benfica, que também se viu e desejou para arranjar um treinador, saiu uma espécie de sorte grande que foi o alinhamento estrelar entre Lage e o plantel. Claro que houve mérito e coragem na Luz, mas também houve acaso, sorte e circunstância. Não é irrepetível, mas há uma dose de fezada que é necessário considerar, caso queiramos usar a receita. Lembro que bastou a Lage levar dois secos do Porto (a sua primeira derrota em mais de vinte jogos) para ilustres benfiquistas virem dizer que coiso e tal. 
Como escrevia ontem num comentário, não foram apenas as casas no Chiado que subiram de preço. Essa entidade que é o “profissional de futebol português com qualidade” ainda valorizou mais.


p.s. Este dossier “próximo treinador do Sporting” diz muito da irracionalidade quando se fala em bola. Eu próprio atestei o depósito ontem e paguei com irracionalidade. Como vou pagar uma viagem que conto fazer em breve. Espero que a e-dreams aceite irracionalidades

Crónica do anunciado

Não é uma "morte", termo demasiado. Mas é uma demissão anunciada. Desde a sua ... excêntrica contratação. O Sporting tem uma "chicotada psicológica" após a 4.ª jornada, demitindo um treinador que estava em funções há quase um ano. Isto é uma derrota estrondosa de quem fizera, porque julgando-se iluminado, tão ... excêntrica contratação. Já o botei aqui, há meses, naquela convulsa altura Varandas deveria ter sido prudente, a isso o obrigava a situação do clube, a situação do plantel, a situação financeira. Quis inventar, quis "mostrar-se". Espalhou-se ao comprido, e bem. A  soberba tem destes problemas, impede de ver o óbvio. 

Agora trata-se de não se pensar que "a cadeia de comando é sagrada". Pelo contrário, aconselhar-se (e parece que Jorge Mendes irá ter uma palavra nisto, fica óbvio nestas maquinações de "mercado") com quem sabe. Posto de outra forma? Que tenha juízo o nosso doutor.

Mais uma corrida, mais uma viagem

 

Seguramente descontente com os "reforços" entretanto desembarcados em Alvalade, Marcel Keizer - o primeiro treinador da era Varandas - sai pelo seu pé. Revelando alguma dignidade e um módico de lucidez: não esperou pelos lenços brancos.

Conta-quilómetros novamente a zero no Sporting, que persiste em ser notícia por maus motivos. Começa a ser lema e sina.

Venha o próximo. Os motores ainda estão a aquecer e a viagem promete ser longa.

 

P. S. - Leonel Pontes deve ser o quarto treinador da era Varandas, iniciada há menos de um ano. Após Peseiro, Fernandes e Keizer.

Mediocridade

Ao cabo de 50 anos de bancada mal seria se me achasse capaz de saber o que faria se estivesse no banco, mas lá vou sabendo uma ou duas coisas sobre o que vejo do meu lugar.

Sinto-me por isso em condições de finalmente considerar que Keiser é um treinador medíocre. O adjectivo justifica-se pelo facto de Keiser ter um entendimento substantivamente medíocre do futebol. Em 3 jogos oficiais aplicou 3 vezes a mesma receita. E foi ela a de entrar em campo com uma qualquer marosca táctica que intrigue o adversário. Isto durou 15' contra o benfica, 20' contra o Braga, infelizmente e segundo as próprias palavras do treinador, apenas se aguentou 6'30'' contra o Marítimo. Só ontem a astúcia produziu algum resultado - marcaram-se 2 golos nesse período - posto o que se passou à fase B que foi a de pôr um autocarro à frente da baliza, chutar a bola para longe, desejar boa sorte a Renan e rezar um pai-nosso. Esta doutrina é muito útil ao Águias de Alpiarça em jogos da Taça contra as equipas mais evoluídas da 2ªB, mas pouco interessante, digo eu, para o Sporting.

É certo que alguns conceitos correntes do futebolês são brilhantes à mesa do café e dão aura de  entendido a quem deles se alivia, mas não têm qualquer correlação com a realidade do jogo. O famigerado "modelo", a sempre refrescante "ideia de futebol" e os sudokus estratégicos fazem as graças do comentariat, dão powerpoints coloridos e sedutores, embora não passem de lucubrações platónicas, abstractas e vácuas, mesmo quando se usa esse novo termo da "definição", em vez do proverbial  "chuta à baliza, porra". Porque ao fim do dia o que conta é a dinâmica que a equipa põe em campo, o modo como se entrosa e articula e, sobretudo, a capacidade de um treinador em extrapolar o melhor que um jogador tem para oferecer ao jogo. Neste Sporting tudo isto é mirífico.

É escusado recorrer ao exemplo óbvio de Diaby para ilustrar a mediocridade congénita de Keiser. Especular-se-á infinitamente sobre este mistério, mas sempre ficará por responder a questão: porque diabo esteve ele uma hora em campo?

Tome-se como menos óbvio mas talvez mais flagrante o caso de Doumbia. O ano passado andava por ali aquele rapaz Gudelj mestre no posicionamento, nulo no movimento. Este ano vemos actuar aquele jovem com alma de Bombeiro Voluntário, que corre à maluca atrás de todos os fogos e que nunca volta à posição porque não a tem. Resultado: Coates e Matthieu andam a levar de frente com sucessivas cargas de cavalaria. Ora Doumbia, potencial e vontade não lhe faltam, não evoluiu um milímetro em inteligência posicional e táctica desde o ano passado, coisa que se treina todos os dias e vê-se aqui da bancada ao fim-de-semana. E se não evoluiu é porque Keiser não o faz evoluir.

O nosso treinador deve estar mais preocupado em engendrar a artimanha para o próximo jogo, que ele designa como "fine tunning." Pode ser que dure uns 30' antes de passarmos o resto do desafio à beira de sermos esmagados por um qualquer mija na escada que, descoberto o truque, há-de de crescer sobre este Sporting como um Liverpool.

Keizer ou não, eis a questão (parte 3 e última desta época)

Não vou repetir aqui o que fui dizendo desde que torci o nariz ao despedimento que considerava inoportuno de Peseiro e à entrada dum treinador holandês careca e sem curriculum relevante.

Porque fui dizendo do melhor e do pior, a tangerina mecânica foi-se tornando num limão azedo que a muito custo voltou a ganhar açúcar, resultados com qualidade de jogo. E uma equipa em campo em vez de onze jogadores com a lição mal estudada e em conflito com tudo e todos.

Importa dizer aqui o que penso hoje de Keizer, depois de conseguir o 3.º lugar na Liga e vitórias nas duas Taças, a de Portugal e a da Liga, as duas em finais contra o Porto.

Keizer é... holandês... difícil de entender para alguém deste canto da Europa.

Gosta de estabilidade, de coisas simples, de apostar em quem conhece. "Keep it simple, and stupid". E é um senhor, humilde, sensato e cordato. Por vezes até parece um funcionário público, faz o dele e vai descansar.

Mas também é estudioso, observador, aprende com os erros, e procura não repeti-los e fazer evoluir a equipa. 

Conseguiu hoje ganhar a Taça a uma equipa muito mais forte que a do Sporting. Quem tenha a mínima dúvida, basta formar a melhor equipa possível com os jogadores que entraram no Jamor e contar no final aqueles que são do Sporting. E ganhou porque montou um sistema que conseguiu extrair o melhor daquilo que existia do Sporting e atrapalhar ao máximo o jogo do adversário.

Keizer passou este primeiro ano com distinção. Obviamente há questões em aberto, como a rotatividade em termos de gestão do plantel, a aposta nos jovens da formação, a eficácia nas bolas paradas, tudo questões que ainda não convenceram muita gente. Mas desenganem-se. Não era com três ou quatro da formação no onze inicial, como Max, Francisco Geraldes, Miguel Luís ou Jovane, que teríamos ganho ao Porto. Se calhar Keizer fez a sua escolha. E correu bem.

Keizer obviamente foi uma aposta arriscada, certa e conseguida de Frederico Varandas. Que assim continue.

SL

Precisamos de um novo Leonardo Jardim

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Leio na imprensa notícias que nada me tranquilizam. 

 

Primeira: Bas Dost «pode sair no Verão», o que é desde já justificado com a intenção de «baixar a massa salarial do plantel». O mesmo argumento que levou a estrutura directiva da SAD a despachar Nani e a enxotar Montero, duas referências na linha avançada do Sporting - com o consequente reflexo nas exibições da equipa, que têm piorado de então para cá, como se viu no frustrante desafio em casa frente ao Santa Clara, em que acabámos o jogo na retranca, defendendo aflitos o magro resultado por 1-0, enquanto centenas de adeptos abandonavam o estádio antes do apito final.

 

Segunda: pode celebrar-se mesmo um acordo extrajudicial para pôr fim ao conflito com o Atlético de Madrid, que nos furtou Gelson Martins. Esse acordo, segundo já foi soprado para a imprensa, incidirá em valores inferiores aos 22 milhões de euros mais cerca de 10 milhões adicionais por objectivos que Sousa Cintra rejeitou em Julho. E muito abaixo dos 105 milhões que reclamamos a título de indemnização junto do Tribunal Arbitral do Desporto.

 

Terceira: Para baixar consideravelmente o que nos deve por Gelson, o clube colchonero pretende impingir-nos dois jogadores de duvidoso mérito. Refiro-me ao ex-vimarenense Bernard, que teve uma carreira medíocre desde que rumou a Madrid, tem jogado por empréstimo no Kayserispor da Turquia e se encontra lesionado. E ao argentino Vietto, que nunca foi opção para o seu compatriota Diego Simeone, actuando agora emprestado ao Fulham: no clube inglês não devem estar muito satisfeitos com o desempenho deste avançado, que só marcou um golo em 22 jogos nesta temporada.

 

Enfim, tudo isto me transmite a sensação de que andamos aos saldos. Continuando a preferir frouxas opções estrangeiras enquanto a anunciada aposta na formação é adiada para as calendas e os poucos jogadores que ainda atraem adeptos ao nosso estádio são empurrados para a porta de saída. 

Oxalá me engane, mas não consigo vislumbrar nada de positivo nesta estratégia de aceitar trocos e jogadores que nada acrescentam em qualidade ao plantel leonino pelo resgate de um internacional português formado no Sporting que nos foi surripiado por um dos principais emblemas do futebol espanhol.

 

Recomendaria o regresso ao espírito da temporada 2013/2014: se não há dinheiro, recorre-se à prata da casa. Frederico Varandas acompanhou-a in loco, de fio a pavio, como director clínico. Para isso, como ele bem sabe, há que apostar num treinador jovem, competente, motivador, ambicioso e profundo conhecedor do futebol português.

Precisamos de um novo Leonardo Jardim: esse será o nosso principal reforço para a próxima época.

Sargento precisa-se na caserna

Melhor do que eu Varandas saberá que existe uma classe indispensável para que a tropa funcione, que assegura muito do trabalho necessário para que os soldados estejam nas melhores condições para as batalhas que terão de enfrentar segundo as estratégias e tácticas dos oficiais.

Os jogadores mais importantes do plantel estão a deixar claro que as coisas não estão bem, os refilanços com os árbitros demonstram que as suas emoções andam à redea solta, quando ganham os técnicos saltam à volta e pulam para os ombros, quando perdem (e quando perdem humilhantemente com o Benfica) ficam abandonados no centro do terreno no final do jogo a aplaudir timidamente e debaixo de assobios a pouca gente que foi ficando nas bancadas. Tudo isso pouco depois da experiência traumatizante que foi o final da época passada, e com indecisões contratuais em cima da mesa que colocam um ou outro fora das opções ou com a cabeça noutro lado.

Por outro lado, depois da liderança obsessiva e abrasiva de Jorge Jesus vieram dois treinadores com outra forma de estar, mais suave e descomprometida, este último alérgico a estágios e amante de folgas, concerteza pelas melhores razões, e as coisas não estão a resultar.

Se calhar faz imensa falta o tal sargento, um peso pesado no balneário, respeitado pelos jogadores, que saiba aconchegar e proteger o treinador, dissuadi-lo de fórmulas que funcionam na Holanda e aqui não, alguém como Octávio Machado (que Jorge Jesus logo indicou como imprescindível quando chegou ao Sporting), Manuel Fernandes (as coisas com Peseiro começaram a descambar quando deixou o banco), já não falando do saudoso Manolo Vidal. Não parece que Beto seja a pessoa certa no lugar certo, para além das tarefas administrativas que concerteza fará. Dele apenas vemos descontrolo e expulsões, péssimo exemplo para os jogadores em campo.

Pelo que se lê Varandas tocou a reunir, juntou as tropas, questionou e pediu resultados. Fez muito bem. Mas também tem que olhar para a estrutura que foi criando, ter a coragem de deixar amizades de lado e cortar a direito com quem está a comportar-se fora do campo como alguns jogadores se comportam dentro dele.

Para já, deixando de parte a figura do treinador e vendo com bons olhos a chegada à estrutura do futebol profissional de pessoas como Raul José e Tomaz Morais, parece ser mesmo isso que falta, um sargento na caserna.

SL

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