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És a nossa Fé!

O Senhor do Anel vs. a irmandade do Manel

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O Manel (Rui Manuel Costa) está eufórico. Tudo lhe corre bem.

A irmandade, o encontro de irmãos, com o senhor do Norte está a resultar.

O Tom Cruise da Damaia aparece em destaque no Record, n' O Jogo o Dustin Hoffman do Bolhão lembra-o: "Temos de manter-nos juntos" [sic].

Um é campeão masculino.

Outro é campeão feminino.

As capas dos jornais aí estão com as imagens dos campeões.

Há, no entanto, uma pequena mancha verde a emperrar a narrativa totalitária.

O Senhor do Anel ( cf. com anel NBA) é o Sporting Clube de Portugal.

Cilindrou o FC Porto, depois esmagou o SL Benfica é vencedor da Taça de Portugal,em basquetebol, pela terceira vez consecutiva.

Basta olhar para as capas dos três jornais para ver o destaque que o feito de Travante Williams e dos companheiros obteve, para constatamos o óbvio: As vitórias do Sporting são banais, as vitórias dos dois irmãos são excepcionais.

ADN Sporting

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Foi mais um fim de semana de diferentes emoções e sentimentos. Ao vivo no João Rocha para ver uma exibição verdadeiramente do outro mundo do Francisco Costa quase chegar para derrotar o Porto em andebol, depois pela TV para ver Sarabia dar a volta a um desafio que inexplicavelmente se complicou. Ainda pela TV para ver uma Diana Silva incapaz de inverter a sorte do jogo do futebol feminino, e o Travante a conseguir levar toda a equipa atrás e trazer para Alvalade a Taça de Basquetebol.

Quem vá o estádio ou ao pavilhão, ou assista pela TV, só mesmo cego é que não vê treinadores, capitães, jogadores extraordinários e equipas que demonstram bem o que é o ADN do Sporting Clube de Portugal. Uma ética de trabalho e de jogo limpo, de esforço, dedicação, devoção e glória.

Pelo que se pode perceber desde fora, tem havido uma grande preocupação de transmitir visão e sentido de pertença a treinadores, capitães e jogadores de diferentes origens e idades. É um verdadeiro prazer ouvir falar uns e outros e perceber que jogando mais ou menos são mesmo pessoas de 5 estrelas, ou vê-los no pavilhão a apoiar os colegas de diferentes modalidades. Obviamente que em centenas de atletas há sempre um ou outro que foge ao padrão e tem algum tipo de comportamento menos digno, mas não há no Sporting Conceições, Pepes e Otávios, nem Robinhos ou Jacarés. No limite, se calhar prefiro perder com Amorim e Coates do que ganhar com essa gente que nem vale a pena qualificar.

Para mim o Sporting é Hector Yazalde, é Manuel Fernandes, é Joaquim Agostinho, é Carlos Lopes, é Frankis Carol, é Travante Williams, é Patrícia Mamona, é Auriol Dongmo. São esses e muitos mais, são todos aqueles que ao longo dos tempos foram exemplos inspiradores de humildade, excelência desportiva e do tal ADN Sporting.

 

Não se pode ganhar sempre porque os rivais não andam a dormir, nem se pode apostar para ganhar numa dúzia de modalidades distintas e ter plantéis recheados de craques pagos a peso de ouro em todas elas.

Acreditamos no ecletismo, não nadamos em dinheiro, não temos as ajudas dos poderes locais e regionais de outros, continuamos a ter demasiadas vezes um clima arruaceiro e mal-educado no estádio e no pavilhão imposto pelas claques que penaliza fortemente o clube e afasta muitos sócios e adeptos de ir desfrutar e apoiar as equipas e que oxalá termine um destes dias (atirar uma tocha ao Pedro Porro que atacava pelo seu flanco num jogo com resultado desfavorável é apenas mais uma de muitas, antes e depois da invasão a Alcochete).

Ter o ADN Sporting como farol fundamental no recrutamento e gestão dos planteis é fundamental.

 

Fica aqui o meu profundo respeito a treinadores como Rúben Amorim, Mariana Cabral, Luís Magalhães, Rui Costa, Gersinho, Paulo Freitas, Ricardo Costa, Nuno Dias, Luís Magalhães - só para falar das modalidades colectivas de maior expressão e dos treinadores mais conhecidos, a ordem é completamente arbitrária.

Hoje ganham uns, amanhã são os outros, a receita é a mesma para todos, que independentente da sua origem dignificam o Sporting Clube de Portugal. Hoje levámos mais uma Taça para o museu. E algumas mais lá estarão no final da época.

Jogo a jogo, sempre. Como dizia o Diogo Araújo, do basquetebol, logo após a euforia da vitória, na cabeça dele já está o jogo seguinte. Este já era.

 

#JogoAJogo

SL

A bancada e os adeptos

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Se o "candidato da bancada" parece que perdeu o pio, ainda deve estar a tentar perceber que o carnaval já passou, e que o verdadeiro Bruno lá anda, por enquanto, feliz da vida no "shoue businesse" e a fazer contas às notas de banco que vai recebendo, a bancada do João Rocha continua ainda muito vazia para a qualidade das equipas do Sporting que ali evoluem. Mas há um pequeno grupo que sempre ali está na zona central em frente às câmaras e no "Apoio às modalidades", dizem-me que conta também com o ex-motorista do Bruno. Esses sim, são os "adeptos de bancada" que o Sporting muito precisava de multiplicar.

Não vale a pena colocar na Direcção do Sporting, nesta ou noutra qualquer, a responsabilidade pelas bancadas estarem assim tão despidas de público. Depende de todos nós, uns dias uns, outros dias outros, uns numas modalidades, outros noutras, que as bancadas do João Rocha mereçam as equipas que no conjunto lideram o panorama desportivo português em termos de modalidades de pavilhão.

Se hoje irei eu lá estar a apoiar o andebol do Sporting na passagem à fase seguinte da competição europeia face aos franceses do Nimes, ontem pude ver pela TV a equipa de voleibol feminino assegurar a passagem à Final Four da Taça de Portugal, ganhando por 3-1 ao Clube K dos Açores.

Curiosamente ontem a bancada das claques estava reduzida a dois elementos, um deles pacatamente sentado, o outro a fazer a festa, era de longe o adepto mais vibrante do pavilhão. O pacatamente sentado pareceu-me ser o Shakir Smith, mas o folião vestido da cabeça aos pés com um "pijamão" verde e branco só podia ser mesmo...  o Travante Williams. O nosso grande craque do basquetebol.

A minha esposa ficou curiosa sobre quem era esse Travante, pesquisou na Internet e chamou-me a atenção para uma história que desconhecia e que aqui partilho, a carta na íntegra que Travante Williams endereçou a Kobe Bryant aos 13 anos, publicada pelo próprio no Instagram aquando da trágica morte deste:

"Caro Mr. Bryant:

Olá, o meu nome é Travante Williams, tenho 13 anos e vivo em Anchorage, Alaska. Eu tenho dois irmãos mais velhos e um monte de primos. Adoro jogar basquetebol e outras atividades. Neste momento jogo pelos Mountaineers, somos campeões sem derrotas da nossa cidade. Comecei a jogar quando estava na quarta classe. Os meus dois irmãos são parte da razão pela qual eu jogo. Fui expulso de equipas, só tenho o tempo de jogo obrigatório, mas eu jogo na mesma porque eu sei que já passei por mais.

Nem todos os jovens passam por aquilo que eu passo. As drogas correm nas veias da minha família tal como o sangue. O meu pai é traficante de droga desde os 19 anos; ele tem 40 agora. O meu pai tem entrado e saído da minha família; as drogas e a cadeia têm-no mantido longe. Neste momento ele está a cumprir 27 anos em Herlong, Califórnia por conspiração. A minha mãe também é igual, dentro e fora das nossas vidas. Então os meus irmãos deixaram o basquetebol e começaram a seguir as pegadas do meu pai. Assim como o meu pai, ambos os meus irmãos foram postos na cadeia. Então fiquei só eu, por mim mesmo, e por isso tive de me mudar para a minha avó. Mesmo assim não deixei que isso me parasse porque acredito que vai melhorar.

Espero tirar o melhor proveito da minha vida. Tento não deixar que o meu passado leve o melhor de mim, mas às vezes leva. Eu sei que o meu pai tentou dar-me tudo o que queria, mas o "jogo" levou a melhor sobre ele. Planeio tornar-me o melhor que conseguir, planeio tornar-me o que Deus tiver planeado para mim, e planeio tornar-me um homem de sucesso.

Não quero ser aquele tipo normal,
Só quero ser uma estrela,
Mas não no céu."

Além das belas equipas que temos, como esta do voleibol feminino que é um prazer ver jogar, este Travante Williams hoje, Frankis Carol ontem, outros antes, são exemplos de grandes craques das modalidades de pavilhão que vão passando pelo Sporting e que é mesmo um crime, para quem possa obviamente, não fazer por desfrutar a cores e ao vivo no belo pavilhão João Rocha.

 

PS: Na foto de costas a brasileira Bruzza e a peruana Regalado. Jogam que se fartam...

SL

Encestando, nem sempre a vida é uma droga

"As drogas correm nas veias da minha família. O meu pai é traficante de droga desde os 19 anos (tem 40). O meu pai tem entrado e saído da minha família; as drogas e a prisão mantêm-no longe. Neste momento está a cumprir 27 anos em Herlong, Califórnia, por conspiração. A minha mãe é igual, entra e sai das nossas vidas. As drogas e as prisões mantêm-na longe, também. Quando a minha mãe foi presa ficámos sozinhos, eu e os meus irmãos. Mas os meus irmãos deixaram o basquetebol e começaram a seguir as pisadas do meu pai. Ambos estão presos. Fiquei sozinho e tive de me mudar para a casa da minha avó. Mesmo assim acredito que serei melhor, tornar-me num homem bem sucedido." 

Travante Williams, base da equipa de basquetebol do Sporting Clube de Portugal

 

Leio e arrepio-me.

Sinto-me tocado pelas palavras dum miúdo de 13 anos escritas em Anchorage, Alasca em 2007 (podia ser meu filho) nesta altura, particularmente, sensível da minha vida, penso, que tipo de pai seremos?

Questiono, questiono-me sobre as oportunidades, aquelas que desperdiçámos, aquelas que impedimos outros de atingir (quando somos promovidos por mérito houve alguém que não foi) aquelas que proporcionámos para outros poderem atingir e as pessoas que podíamos ter ajudado, com as nossas palavras, com os nossos conselhos, a serem melhores, melhores colegas, melhores alunos, melhores camaradas de armas, melhores chefes, melhores presidentes de clube.

Se calhar falhei nisso mas é como diz o Edmundo, se calhar sou um acomodado de merda (ele não disse por por estas palavras) adepto dum clube de m. e "voilá" habitante dum país de m.

Aquilo que é bom, é mudarmos, mudar de prisão, mudar de casa, mudar de emprego, mudar de clube e mudar de presidente senão seremos sempre uns acomodados de merda (ou então, não).

Obrigado, Travante Williams, por te teres acomodado ao basquetebol, as mudanças, nem sempre, são para melhor.

{ Blogue fundado em 2012. }

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