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És a nossa Fé!

Matheus só será bom longe de Alvalade?

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Matheus Pereira - que, segundo propagandistas encartados nas tertúlias televisivas, «tem tido problemas de afirmação no Sporting» devido à sua «personalidade problemática» e à sua «falta de amadurecimento», acaba de chegar ao West Bromwich Albion, onde pode encontrar «um espaço de crescimento importante», a título de empréstimo, por apenas um milhão de euros.

Escuto estes hossanas à Direcção leonina por despachar mais um jogador da nossa formação para rotas bem distantes de Alvalade e questiono-me se Matheus, pelo simples facto de aterrar noutro país, deixa logo de ser um jogador problemático e cheio de problemas de afirmação, podendo enfim crescer como atleta.

Rezam os tais propagandistas que o luso-brasileiro formado em Alcochete é jogador «com potencial» mas muito propenso a «birras» e pecando por «alguma falta de empenhamento nos treinos». Extraordinário: todas estas características negativas, propaladas dias a fio para que ninguém estranhasse o reduzido preço a que o WBA veio agora buscá-lo, parecem destinadas a desaparecer num ápice mal Matheus comece a treinar lá por Inglaterra.

E é precisamente aqui que eu lanço a questão: então Marcel Keizer não seria treinador para trabalhar Matheus Pereira, limando os defeitos e potenciando as qualidades deste jogador que muitos de nós admiramos? Será o técnico do clube inglês mais competente do que o holandês para amadurecer e fazer crescer o talentoso extremo leonino que quase não teve hipóteses de mostrar o que vale na desastrosa pré-temporada 2019/2020?

Pergunta final: se Keizer chegou há nove meses a Alvalade aureolado da fama de «não ter medo de trabalhar com jovens», como na altura declarou Frederico Varandas, será que se amedrontou desde então?

Mistério. Quem souber, que me explique. Porque deste assunto eu já não percebo nada.

Porque em final de Agosto?

 

Eis o que retirei da net sobre as janelas de transferências:

A FIFA regula em geral que haverá duas janelas, uma no intervalo entre as duas temporadas (máximo de 12 semanas) e uma mais curta (máximo um mês) no meio de uma temporada. Os períodos específicos dependem do ciclo da temporada da liga e são determinados pelas autoridades nacionais de futebol.

A maioria das grandes ligas europeias começam no segundo semestre do ano (por exemplo, agosto ou setembro) e se estende até o primeiro semestre do próximo ano (por exemplo, maio), resultando em uma janela de pré-temporada no verão que termina em agosto, e uma janela no meio da temporada, em janeiro.

Os períodos são diferentes quando a liga é executado ao longo de um único ano-calendário, como na maioria dos países nórdicos, devido a limitações meteorológicas, ou como a tradicional temporada no hemisfério sul. A primeira janela em geral abre a partir de 1 de março até a meia-noite de 30 de abril, seguido pela janela na temporada de 1 a 31 de agosto.

Pergunto: Alguém me pode esclarecer qual o argumento usado para que o campeonato comece duas semanas antes do final das transferências? 

Mercado de transferências

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Aumentou o número de programas televisivos e espaço horário ocupado, em particular os que especulam sobre transferências do futebol, alimentando diariamente os mais diversos rumores sobre movimentações de mercado. Novelas existem para todos os gostos e cores, o objectivo salta à vista, cativar audiência nos adeptos dos três clubes que apaixonam maior número de adeptos. Diariamente, ao final da tarde e à noite, somos brindados com a opinião especializada de jornalistas ou comentadores supostamente bem informados, que umas vezes falham, outras acertam, porque ávidos de apresentar destaques, ficam eles próprios à mercê de rumores plantados por empresários ou palavras mal interpretadas de jogadores nas redes sociais, que por vezes não querem dizer nada, mas que são escalpelizadas ao ínfimo detalhe, ao ponto de muitos lerem o que não foi escrito. Isto nada tem de novo, nos anos 80 à segunda-feira comprava a Bola que apresentava as transferências iminentes, que eram depois desmentidas no Record à terça-feira para apresentar as suas, na quarta-feira lá estava a Gazeta dos Desportos a dizer que afinal já não vinha o X e Y, mas sim o W e Z. A diferença é que os jornais estão moribundos e tudo isto agora passa-se na TV.

Uma das principais novelas do Verão, no que ao Sporting diz respeito, é a possível saída de Bruno Fernandes. Sousa Cintra, que calado era um poeta, mas acenar-lhe com uma máquina fotográfica e colocar-lhe um microfone à frente, equivale a descer a serra num carro sem travões, confirmou que existe a cláusula de 5 milhões, caso o Sporting rejeite alguma oferta superior a 35 milhões. Ao contrário do que afirmam, o Sporting não está refém de coisa alguma, porque seria impensável manter Bruno Fernandes, de longe o nosso melhor jogador, nas condições da época passada, quando não era, longe disso, sequer um dos 3 jogadores mais bem pagos do plantel. Das duas uma, ou Bruno sai, ou fica. Se sai, apenas devem ser equacionadas verbas a rondar no mínimo os 80 milhões de Euros. Se fica, há que avançar para a renovação do contrato, onde existirá seguramente um prémio de assinatura, melhoria de condições salariais tornando o capitão no jogador mais bem pago do plantel, seria incompreensível que assim não fosse e naturalmente a cláusula de rescisão teria que subir para 150 milhões de Euros.

Diariamente, de forma cínica os comentadores vão fabricando uma cartilha segundo a qual, ninguém paga o que estamos a pedir pelo nosso capitão, é incompreensível, mas o mercado é assim, o agente do atleta não é Jorge Mendes, o Sporting é uma marca de valor inferior aos rivais, mas está pressionado por falta de liquidez, etc. Estão à espera, direi mesmo que muitos ardentemente o desejam, que acabe vendido por 50 milhões ou até menos. Enquanto sportinguista, espero sinceramente que a direcção não faça cedências neste assunto, até aqui nada a apontar ao clube, que tem mantido uma postura low-profile, neste e outros casos, muito menos ao atleta, que até afirmou que existem ainda muito para conquistar. Se Bruno Fernandes permanecer, liderando a nossa equipa em campo, será o melhor reforço que poderíamos conseguir na próxima época e para conseguir liquidez imediata, que o clube bem precisa, existem mais algumas opções no plantel ou activos que pertencem ao clube.

Confiança absoluta em Frederico Varandas pelo que fez até aqui, mas gostaria que alguns atletas vestissem a verde e branca, Mama Baldé por exemplo, apontado como moeda de troca no dossier Rosier, justifica no mínimo fazer a pré-época. É um jogador polivalente, possante, muito útil em qualquer plantel, mesmo que não se perfile como indiscutível titular. Gelson Dala, Ivanildo ou Domingos Duarte serão jogadores a merecer a atenção de Marcel Keizer. Tenho mais dúvidas em Iuri Medeiros e Matheus Pereira, no caso do primeiro porque tem desperdiçado várias oportunidades, no segundo porque a cabeça não acompanha os pés e sendo bom jogador, está longe de merecer o estatuto de vedeta a que aspira. Para o conseguir, terá que ser humilde e trabalhar muito, porque qualidade tem de sobra. Contratar por contratar não faz sentido, acabamos sempre com demasiado entulho que depois temos dificuldade em despachar. O Sporting não precisa revolucionar o plantel, apenas pequenos ajustes para continuar a crescer.

Desafio

Quem deve ser o substituto de Bruno Fernandes no caso, mais do que provavel, do capitão sair? A meu ver, teriam que chegar um médio ofensivo e um extremo de muita qualidade, para combater o vazio deixado. As minhas apostas seriam Rodrigo De Paul, médio argentino de 25 anos, da Udinese e Cristian Pavón, extremo da mesma nacionalidade, de 23 anos, do Boca Juniors. (Bem sei que não são baratos mas se recebermos 60 a 70 milhões por Fernandes, acredito que possamos investir metade). 

Obrigado Fredy

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O facto de não ganhar nada com isso, não impediu o Sporting de deixar sair Montero. Desta vez, a custo zero, depois da tuta-e-meia (mais Barcos, esse Luiz Phellype argentino), pela qual o libertou quando estava quase quase a ser campeão e talvez só não o tenha sido porque na hora da verdade estava lá um Bryan em vez de um Fredy. Dir-me-ão que se poupa no ordenado. Eu preferia aumentar Montero e não pagar sequer um ordenado mínimo a Gaspar, Pinto ou Petrovic. Pela porta pequena sai um homem que venceu três taças, participou em 131 jogos e marcou 46 golos. Segundo avançado, franzino mas com faro de golo, Montero, espécie de João Vieira Pinto dos 150´, apresentou-se em Alvalade, numa tarde de agosto com um hat-trick ao Arouca. Marcaria 16 vezes no ano de estreia e mais 18 no seguinte. Sairia para a China, voltaria aos EUA (onde soma 75 golos em cinco épocas), antes de regressar a Lisboa. E agora, isto. Se Pedro Mendes subir já à equipa A e passar a suplente direto de Bas Dost, ainda podemos começar a pensar em perdoar esta jogada. Se não, é um sinal de desistir da época, quando ainda há Taça e Liga Europa. Ah, e 13 jogos do campeonato. E lá está, o Barcos brasileiro...

Reforços ou nem tanto (parte 3)

A poucos dias de fecho do mercado, e com a grande dúvida ou não de Acuña (passou muito ao lado da festa, os colegas bem puxaram por ele, mas parece estar mesmo de saida), vai-se conhecendo a esperada arrumação de casa no plantel do Sporting:

Saem: Viviano (GR), Marcelo (DC), Lumor (DE), Misic (M), Bruno César (M), Mané (E),  possivelmente Castaignos (PL) e (que pena) Acuña (DE/E).

Entram: Ilori (DC), Borja (DE), Doumbia (M), Francisco Geraldes (M), Luiz Phellype (PL)

Plantel emagrecido, mais jovem, menos despesa, mais peso da formação, tudo coisas boas, mas... plantel reforçado?  Tenho dúvidas...

Entretanto os milhões das rescisões continuam em parte incerta, Patrício e William ajudaram o presidente na resolução do problema no que respeita a cada um deles, mas os restantes continuam bem complicados. A falta de rendimento do Gelson Martins no Atlético Madrid tambem em nada ajudou.

Vamos ver o que acontece ainda até ao fecho do mercado.

SL

Chegámos vivos ao Natal, agora os reforços...

Há males que vêm por bem, a derrota em Guimarães deixou à vista as lacunas do plantel, demasiado curto para uma equipa que pretende lutar pelo campeonato. Janeiro está à porta e com ele a reabertura do mercado de transferências. A meu ver o Sporting precisa de seis reforços, um lateral-direito, Ristovski e Bruno Gaspar não oferecem garantias, um lateral-esquerdo, só temos Acuña e quando o argentino falta como recentemente se viu, a alternativa é demasiado sofrível, um defesa-central que possa rodar e dar minutos de descanso aos titulares, um médio-defensivo, um médio de transição e um ponta de lança.

Luiz Phellype (Paços de Ferreira), Eustáquio (Chaves), Adrien Silva (Leicester) parecem estar próximos, assim como o regresso de Francisco Geraldes que não calçou em Frankfurt e terá uma última oportunidade para mostrar que é mesmo jogador de equipa grande. Aguardemos pois com expectativa e confiança o trabalho da direcção, a verdade é que chegados a Dezembro estamos em todas as frentes, ao contrário do que muitos previam durante o horrível defeso que vivemos. É certo que no futebol se passa depressa do 8 ao 80 e vice-versa, mas não éramos a melhor equipa da Europa na semana passada após várias goleadas, também não somos a pior hoje.

Desejo a todos os autores, comentadores, leitores, demais sportinguistas e amantes do desporto em geral, um Feliz Natal!

Fábio Coentrão

Precisamos com urgência de um novo lateral esquerdo, ouço dizer a toda a hora e já vi escrito várias vezes também neste blogue. Acontece que Fábio Coentrão estava de saída do Real Madrid. Já tinha jogado pelo Sporting na última época. Ruma de novo a Alvalade? Não: vai para o poderoso Rio Ave, que assim demonstra ter mais argumentos financeiros e motivacionais do que o Sporting.

É um sinal dos tempos, admito. Péssimo sinal.

Hoje giro eu - Janela de Outono

Sempre na vanguarda da inovação, o Sporting acaba de inaugurar a janela de transferências de Outono, a qual consiste em comprar/pedir emprestado (até 30 de Junho de 2019) no Verão um jogador (Sturaro) que os adeptos só verão em acção na estação do ano seguinte. Consta que, menos dada a modernices, a Velha Senhora agradeceu...

 

#veraonooutono

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William: de "entulho" a príncipe

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Como era de esperar, a pequena legião de órfãos de Bruno de Carvalho apressou-se a inundar as redes sociais com críticas à administração da SAD liderada por Sousa Cintra pelo alegado "preço de saldo" a que William Carvalho foi transferido para o Betis.

Qualquer pretexto agora lhes serve para a crítica. Depois de andarem cinco anos a fazer vénias e dizer amen.

 

William sai do Sporting - enterrando-se assim um contencioso de desfecho muito incerto e seguramente prolongado em sede judicial - por 16 milhões de euros, correspondentes a 75% do seu passe, acrescidos de quatro milhões por objectivos, individuais e colectivos, que o jogador cumpra ao serviço do novo emblema. Objectivos perfeitamente realizáveis, a que se junta a obrigação de o clube espanhol pagar mais cinco milhões se o Betis atingir a Liga dos Campeões, com a opção de comprar 20% do passe do jogador por 10 milhões.

E ainda ficamos, em qualquer dos casos, com uma percentuagem do passe nunca inferior a 5%.

 

O negócio celebra-se, recordo, numa altura em que o Sporting enfrenta dificuldades de tesouraria, acaba de sofrer sérios danos reputacionais e tem urgência em virar a página aberta pelos dramáticos acontecimentos de Alcochete, com ampla repercussão mundial.

Está em causa um jogador que se desvalorizou desde a brilhante prestação no Europeu de França, sem qualquer paralelo com o desempenho revelado pela selecção no Mundial da Rússia. Acresce que, a dar crédito à palavra de Bruno de Carvalho, o Sporting nunca recebeu qualquer "proposta irrecusável" sobre William.

 

Aqueles que agora mais urram em furioso protesto contra esta suposta "venda a saldo" passaram uma época inteira a clamar contra William, chamando-lhe de tudo, insultando-o nas mesmas redes em que agora gritam que jamais quereriam vê-lo fora do Sporting por um montante inferior a 30 milhões.

Alguns, ainda mais tontos, andam por aí a escrever, em prosa histérica, que preferiam "perder em tribunal" contra este e outros jogadores que rescindiram. Não imagino como supõem eles que o Sporting pague as contas, presentes e futuras. Sabendo-se ainda por cima que a FIFA recomenda sempre a negociação em casos como estes para causar o menor dano possível às partes envolvidas e tem actuado com muita firmeza em todas as situações de violência dentro ou fora dos recintos desportivos.

 

Os tais que consideravam William "entulho" berram agora como virgens ofendidas perante os 20 milhões de euros que seguramente 25% do seu passe rende aos cofres leoninos, como se aos olhos deles o médio defensivo tivesse subitamente reencarnado em príncipe do futebol. Esquecidos de casos tão emblemáticos como as saídas de Moutinho, Carriço, Dier, Ilori, Bruma ou Cédric - todos vendidos, pelas três anteriores direcções do Sporting, a preços muito inferiores ao seu real valor.

A ligação de William ao Sporting era uma página já virada. A diferença era saber se nos rendia dinheiro certo ou uma série infindável de trapalhadas jurídicas de desfecho mais que incerto. Sousa Cintra optou pela primeira hipótese, com o acordo do jogador. E fez muito bem.

Berrem eles o que berrarem.

Cristiano Ronaldo na Juventus

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A terceira transferência mais cara de sempre do futebol mundial.

O Sporting, beneficiário do mecanismo de solidariedade da FIFA, lucra com esta ida do pentabola de ouro para Turim: 2,5 milhões de euros adicionais.

Já com esta verba contabilizada, a venda de Cristiano Ronaldo, em 2003, para o Manchester United rendeu até hoje um total de 22,2 milhões de euros aos cofres leoninos.

Uma questão de Carvalho

"Em segundo lugar tenho a certeza de que o William sempre que chega uma época de mercado não se esquece que deve a sua carreira a mim. Não gosto de hipocrisia. Quando tenho de puxar os galões, puxo". Bruno falando sobre William.

Pessoalmente, acho que não fica bem ao Presidente do Sporting este tipo de comentário. Faltou pouco para exigir uma comissão para si numa futura transferência do jogador.  

Obrigado, mas nem pensar

 

Bruno de Carvalho tem sido muito criticado por estes dias. Motivo? Terá travado a saída de William Carvalho para um clube de terceira linha do futebol inglês. Compreendem-se estas críticas quando são feitas pelos nossos rivais: benfiquistas e portistas sabem bem que um Sporting com William será sempre mais forte.

Já entendo muito menos quando são sportinguistas a falar assim. Como se gostassem de ver o campeão europeu bem longe de Alvalade - quanto mais cedo melhor.

Os que assim falam parecem não ter entendido que acabou o tempo da venda ao desbarato dos jogadores que íamos formando na Academia de Alcochete para outros recolherem o proveito desse investimento. Tal como chegaram ao fim aqueles lamentáveis dias em que se recorria à venda com carácter de emergência de futebolistas em destaque no plantel para tapar buracos de tesouraria.

Foi assim que vimos partir, a meio da temporada 2012/2013, o holandês Wolfswinkel, então goleador sem alternativa em Alvalade. Foi assim que nos despedimos pouco antes do  Daniel Carriço, defesa da nossa formação e capitão do onze titular, mais tarde participante em duas finais europeias ao serviço do Sevilha.

Pela mesma altura o clube lançava jogadores na equipa principal sem acautelar os mais elementares interesses contratuais, o que viria a facilitar as saídas de Bruma, Ilori e Dier, por exemplo.

Com este presidente, muita coisa mudou para melhor. Isto também. Por isso a actual direcção leonina foi responsável por quatro das seis mais bem remuneradas transferências de sempre do Sporting.

Regresso ao passado, como uns poucos parecem preferir? Obrigado, mas nem pensar.

 

Hoje giro eu - Sonho de uma noite de Verão

O mercado de transferências finalmente fechou (até Janeiro) e já é possível fazer um balanço quasi-definitivo da forma como os 3 GRANDES mexeram nos seus plantéis este Verão:

 

SPORTING - as previsíveis vendas de Adrien (ainda por confirmar) e de William (provavelmente abortada, embora o mercado espanhol ainda esteja aberto durante o dia de hoje) foram antecipadamente compensadas com as compras de Battaglia, Bruno Fernandes e Mattheus Oliveira (ainda não se afirmou) e o regresso de Petrovic. O médio argentino foi testado com bons resultados na posição "6", mas, ficando William e saindo Adrien, poderá agora colmatar o lugar que o capitão deixa livre, a sua posição de raiz. Na defesa, chegaram para titulares Piccini, Mathieu e Fábio Coentrão e, para segundas opções, Ristovski, André Pinto e Jonathan. Saíram Schelotto, Paulo Oliveira, Ruben Semedo e Zeegelaar (renderam cerca de 25 milhões de euros) e regressou Tobias Figueiredo (uma incógnita pois parece ter regredido na época passada). Para o ataque, mantiveram-se os nucleares Gelson Martins e Bas Dost e chegaram Doumbia e Acuña. Podence e Alan Ruiz continuam, Iuri regressou, Gelson Dala foi promovido.

Em traços gerais, o Sporting parece estar mais forte em todos os sectores. Algumas dúvidas sobre a capacidade de Mathieu e Coentrão aguentarem uma época inteira e a zona central da defesa (sem o francês) é a que oferece mais dúvidas sobre a sua sustentabilidade (André Pinto ainda não apareceu).

Além disso, o Sporting ainda obteve alguns proveitos por via dos direitos de formação de Bruma (vendido pelo Galatasaray ao Leipzig) e pelo exercício da opção de compra de Sacko (Leeds).

Equipa tipo (a "bold", as novidades): Rui Patricio; Piccini, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão; William, Battaglia, Bruno Fernandes; Gelson, Dost, Acuña.

 

Benfica - estranhamente (a saída de Lourenço Coelho, do Departamento de Futebol terá tido impacto?), o clube da águia não parece ter antecipado o mercado. Vendidos Ederson, Nelson Semedo e Lindelof (renderam 105 milhões). A defesa apresenta diversos problemas: na baliza, Bruno Varela não parece ter o nível do brasileiro e Svilar é um jovem de 17 anos. A lateral direita não foi colmatada em devido tempo, terá havido um erro de preparação. Pedro Pereira, o eleito para substituir Semedo, parece não ter provado, pelo meio houve um polaco que chegou e partiu, um junior (Buta) que foi opção e já foi emprestado e Douglas - estava em Barcelona desde 2014 e nunca foi titular - chegou em cima do fecho do mercado. No centro, Luisão e Jardel, pela idade, poderão vir a ter alguns problemas físicos e Lisandro Lopez parece ser a única opção, embora Kalaica, um jovem croata de 19 anos, seja promissor. À esquerda, Grimaldo tem habitualmente algumas lesões e Eliseu, apesar da complacência arbitral, poderá ter alguns problemas disciplinares, pelo que parece curto.

Para além da defesa, o Benfica parece não ter resolvido outros problemas e criado, sem necessidade, outros a Rui Vitória. Filipe Augusto não parece opção credível, por falta de intensidade, nem a Fejsa, nem a Pizzi, e a saída de Mitroglou parece inexplicável (aos 29 anos, vender metade ou a totalidade do passe faz diferença?), mais-a-mais tendo vindo um jogador (Gabigol) que ainda não provou na Europa e que tem um estilo de jogo não comparável com o do grego (mais parecido com o indiscutível Jonas). Seferovic parece uma boa contratação, embora a sua produção de golos, até à chegada ao Benfica, tenha sido escassa.

Equipa tipo: Bruno Varela; André Almeida, Luisão, Jardel, Grimaldo; Fejsa, Pizzi, Salvio, Cervi; Jonas, Seferovic.

 

Porto - o clube do Dragão, apertado pelo "fair play" financeiro, fez uma gestão inteligente do seu plantel (a fazer lembrar a primeira de Bruno de Carvalho, com Leonardo Jardim), vendendo André Silva e Ruben Neves ( valor combinado de cerca de 65 milhões de euros), recuperando jogadores emprestados, como Ricardo Pereira ou Aboubakar, e dando outras competências a Brahimi. Além disso, a sua maior força parece residir na alma do seu treinador, Sérgio Conceição, que montou um bom "onze" e um estilo de jogo mais ambicioso. As dúvidas maiores residem na (pouca) profundidade do plantel e na sua capacidade em aguentar o ciclo de jogos infernal, quando se iniciar a Champions.

Equipa tipo: Casillas; Ricardo Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles; Danilo, Oliver, Brahimi, Corona; Soares, Aboubakar.

 

Perante tudo isto, o Sporting tem uma oportunidade de ouro de ser campeão, desde que não perca o foco. Houve, há que reconhecê-lo um excelente trabalho de preparação da época desportiva (parece ser indiscutivelmente o clube que melhor mexeu), mas agora é necessária a máxima concentração e fazer de cada jogo uma final.

 

Esta é a realidade. Claro que haverá sempre rivais preparados para criar uma realidade alternativa ou uma percepção diferente da mesma - atirando pedras para o quintal do vizinho, a fim de esconder os seus próprios problemas -, nomeadamente aqueles que, quando fazem jus ao seu nome, são uns poetas.

 

 

Muito mais que vida ou morte

Encerrou ontem mais um período de transferências no futebol europeu. (Este espaço não está fadado para a “bola”, mas) não posso deixar passar em claro a pornografia descarada e sem controle “parental” que grassa por essa Europa fora. É certo que hoje grande parte dos grandes clubes europeus são empresas cotadas em bolsa e detidas por magnatas e príncipes das arábias, “carregadinhos de papel”, mas não deixa de incomodar os valores que se vão conhecendo de transferências de jogadores.

Se há uns anos a transferência de Ronaldo de Manchester para Madrid por perto de 100 Milhões de Euros tinha rebentado com a escala, apesar de um ou outro desvario, as coisas acalmaram. Se considerarmos acalmia transferências por números entre 20 e 50 M€. Houve apenas uma “pequena” loucura no ano passado, a transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United (por 105M€) e outra já anterior, de Gareth Bale (por 100M€) do Tottenham para o Real Madrid. Bale que é agora cobiçado pelo MU, que estará disposto a pagar a mesma quantia que pagou à Juve pelo francês Pogba, 105M€ aos espanhóis.

No entanto este início de época tem sido o mais louco de todos, com o príncipe do Qatar e dono do PSG (Paris Saint-Germain) a pagar em cash 222 Milhões de Euros ao Barcelona pelo brasileiro Neymar Jr. Esta louca operação financeira (o desporto aqui deixou de contar), criou uma enorme bola de neve, uma vez que o Barcelona, órfão do brasileiro, logo a seguir se chegou à frente com 105M€ pelo francês Ousmane Dembelé de apenas 20 anos e que evoluía nos alemães do Dortmund, igualando a segunda mais cara transferência de sempre e prometendo não ficar por aqui. Já antes o Manchester havia contratado Romelu Lukaku ao Ewerton por 84,5M€, que não perdeu tempo em gastar o dinheiro, contratando o islandês Gylfi Sigurdsson ao Swansea por 50M€,  ao passo que o Chelsea gastou com as chegadas de Álvaro Morata do Real Madrid 65 M€ e de Tiemoué Bakayoko do Mónaco 40 M€. Mónaco que, talvez pelo facto de ter sido campeão francês na época passada destronando o PSG, tem sofrido uma enorme razia já que para além de Bakayoko, perdeu ainda Benjamin Mendy e Bernardo Silva para o Manchester City, por 57,5M€ e 50M€, respectivamente, correndo ainda o risco de perder a estrela a despontar, Kylian Mbappé, de apenas 18 anos, por quem o PSG está disposto a pagar a soma também ela estratosférica de 180 M€  e sem contar com saídas de menor dimensão.

Se França tem sido um furacão, o epicentro deste tem sido Inglaterra, onde chegaram 14 das 25 maiores transferências deste defeso. Para além dos nomes que já referi atrás, chegaram às ilhas Alexandre Lacazette do Lyon para o Arsenal de Londres, por 53 M€, Kyle Walker, dando um pulo de Londres para Manchester, saindo do Tottenham para o City por 51M€, Salah, da Roma para o Liverpool, por 42M€, Ederson, do Benfica para o MCity, por 40M€, Davinson Sánches do Ajax para o Tottenham, pelos mesmos 40M€ e fechando com António Rudiger por 35M€ da Roma para o Chelsea.

Assim numas contas de merceeiro, estamos a falar de 1 Bilião e 115 Milhões de Euros por 16 transferências (1,115B€, Mil Cento e Quinze Milhões de Euros), como disse lá atrás, pornográfico e atentatório da dignidade de milhões de pessoas que na Europa vivem abaixo do nível de pobreza. Sobretudo porque estes não serão os números reais, a esta quantia há que acrescentar os impostos e os ordenados dos jogadores em causa, elevando a fasquia talvez para o dobro destes números. Por apenas dezasseis transferências. Juntem-se todas abaixo dos 35 Milhões e algumas acima desse valor que ficaram por referir ( André Silva saiu do Porto para o Milão por 38M€, p.e.) e chegaremos facilmente a números estratosféricos.

Este post foi escrito e terminado cerca das 12.00 horas de ontem, 31 de Agosto, ou seja, ainda com 12 horas para os clubes poderem negociar, o que poderá ter alterado em muito estes números.

Apesar de tudo, o futebol continuará a ser um desporto que encherá estádios e as pessoas continuarão a pagar, algumas com sacrifício, para ter o prazer de ver os seus ídolos em campo.

É que como disse um dia Bill Shankly, jogador e depois treinador de futebol inglês, “o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso.”

 

Publicado originalmente aqui.

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