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És a nossa Fé!

Os melhores prognósticos

Desta vez foi em grande: nove palpites certos no Tondela-Sporting (0-1), repartidos entre leitores e colegas de blogue. Fica o registo dos vencedores: AntónioAntónio Pedro, CALCristina TorrãoFernando LuísGasparJosé da XãLeão 79Luís Silva.

Ao contrário do que costuma suceder noutras rondas, não se aplicou aqui o factor desempate. Porque nenhum dos nove vaticinou que seria Tiago Tomás a marcar o nosso golo. Daí ficarem todos creditados com a vitória nesta ronda.

Não é só dentro de campo

Não é só dentro do campo que os miúdos (há aqui no blog gente da estatística que num instantinho fazia a média de idades dos que estiveram ontem em campo em Tondela) dão cartas.

A começar pelo treinador, ele próprio um miúdo, que dá lições na arte de bem comunicar (e de mexer na equipa) e a acabar noutro miúdo, o Neto, que celebra no banco como se fosse ele a marcar o golo que dá a vitória, obtido por um miúdo junior a quem pedem que faça de Paulinho, de Luis Phelipe ou de Ronaldo... e o prazer que é escutá-lo na entrevista rápida, sem caganças, humilde mas assertivo, com a lição bem estudada. Quase tão adulto como o Neto, o miúdo que é o "avô" daquela maltinha.

A passos de formiguinha, nem sempre pelo caminho certo mas nunca perdendo o rumo, os putos lá vão demonstrando que merecem fazer parte do grupo dos grandes. E quando a coisa está preta, o timoneiro faz os cálculos e traça o melhor rumo. Tratando todos como obreiras, cada um com a sua tarefa em prol de um objectivo comum, servir a equipa, o colectivo, o clube; Sem vedetismos, pés bem assentes na relva e uns cortes pelo ar quando é preciso.

Às vezes não jogando bem, como ontem, como no jogo anterior, mas meus amigos, no final do dia o que conta são os três pontos no bornal. No início da próxima época, em Julho praí, ninguém se lembra se jogávamos bem ou mal, se ganhámos por um ou por mil (bom, se ganhássemos por mil nunca o esqueceríamos), o que fica para a história são os pontos alcançados e o lugar obtido.

Quantas vezes não dissemos que os campeonatos se ganham não perdendo pontos com as equipas tidas por mais fracas? E com maior ou menor nota artística, o que importa é que o objectivo tem sido atingido. Com pontos é que se ganham campeonatos, não com vitórias morais.

Como diria a tia-avó da minha mulher, referindo-se ao filho, um Leão dos quatro costados e meu grande amigo, que evoluia majestoso no empedrado lá da terra pela Associação Desportiva da Madalena, há quase cinquenta anos, "o mê Chico é ca cabeça e tudo!"

O espírito tem que ser esse. 

Ladeira acima

Ó rapazes, então não vos vos disse que isto agora ia ser sempre a subir? Doravante os fracos vão deitar às malvas qualquer veleidade futebolística para não se atolarem na tabela e os fortes vão-nos enfrentar de orgulho ferido por um bando de rapazolas mais um par de jarretas lhes terem feito tamanha desfeita de se porem à frente deles. Ambos recorrerão, por um lado, ao método paleolítico do homem-a-homem com cotoveladas, pisadelas e sarrafadas e, por outro, ao de se espojarem agarrados à cara mal percam a bola ou falhem a marcação. Os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, enervantes e arrítmicos e lá está o patego do apito para garantir que isto seja assim. Também terão visto logo ao início aquele Khacef a fazer-se ao pé de Porro, este a sorrir-lhe e com um gesto de mão a dizer "vem cá, vem" e o longo assédio que se seguiu - como é diferente o futebol em Portugal...

Eu também sou exímio em "sofástica", neologismo inventado agora mesmo para designar os peritos que se aliviam de sofismas desde o sofá, e também sei sempre o que fazer desde que não me obriguem a responsabilizar-me pelo que digo. Por isso acho que Rúben Amorim aceitou telepaticamente o meu conselho de trocar o Nuno Santos pelo Bragança o que, tal como previ, mudou logo a fluência do jogo. Depois, foi esperar que TT amadurecesse meia-época no hiato de um jogo para começar como junior em remates à baliza e acabar como avançado veterano. A continuar assim o rapaz retira-as aos 37 anos no final da temporada.

Calma rapazes, é respirar fundo, contar até 3 e seguir em frente.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Tondela. Haverá quem pense que estes jogos são fáceis: pura ilusão. Neste mesmo estádio, onde ontem vencemos por 1-0, só Benfica e V. Guimarães tinham saído antes com três pontos na Liga 2020/2021. Nós próprios perdemos lá nos dois campeonatos anteriores: 1-2 em Janeiro de 2019 e 0-1 em Novembro de 2019. O que torna esta vitória ainda mais saborosa. Foi a décima nos últimos 11 jogos.

 

Do golo da vitória. Exemplar lance de futebol colectivo, aos 81', numa fase do jogo em que a equipa anfitriã já estava muito desgastada. Com envolvimento de Daniel Bragança a recuperar, Nuno Mendes a conduzir e a centrar a toda a largura da esquerda para o poste do lado contrário, e Pedro Gonçalves a recolher assistindo Tiago Tomás que, livre de marcação, a meteu lá dentro. Sinal de maturidade e competência numa equipa muito jovem.

 

De Nuno Mendes. Depois de alguns jogos com exibição apagada, ontem ressurgiu em Tondela como um dos pilares do nosso onze titular - e, quanto a mim, o melhor em campo. Compensando Porro, que no corredor oposto acusava ainda os efeitos da recente lesão. O jovem ala esquerdo foi sólido a defender e acutilante nas acções ofensivas. Destaque para um excelente centro aos 45'+1 que atravessou toda a área do Tondela, infelizmente sem ninguém para a meter lá dentro. E, claro, para o lance do golo, em que teve um papel decisivo.

 

De Palhinha. Fundamental na nossa organização colectiva. No preenchimento de espaços, na recuperação da bola, no desenho de passes longos, no modo prático e eficiente como inicia os lances ofensivos, sem nunca complicar. Tem visto o seu nome associado a "casos" mediáticos, mas nota-se em campo que isso não o afecta. Ainda bem.

 

De Tiago Tomás. Merece destaque pelo golo que marcou: desde 27 de Dezembro, frente ao Belenenses SAD, que não fazia o gosto ao pé. Sempre muito batalhador, implacavelmente rodeado de adversários que lhe tolhiam os movimentos na grande área, compensou com a conquista dos três pontos um cabeceamento deficiente, de olhos fechados, quando podia ter posto o Sporting em vantagem aos 43'. Está em processo de amadurecimento numa posição nada fácil, onde é alvo de constantes faltas à margem das regras: ontem voltou a acontecer, aos 76', quando sofreu um pisão dentro da área. Era penálti, não assinalado pelo árbitro Nuno Almeida.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. O treinador voltou a acertar quando decidiu mexer na equipa para desfazer o empate a zero que teimava em prolongar-se. Daniel Bragança (substituiu Nuno Santos aos 60'), Tabata (substituiu Porro aos 73'), Matheus Reis (substituiu Feddal aos 73'), Jovane (substituiu João Mário aos 73') e Matheus Nunes (substituiu Pedro Gonçalves aos 85') imprimiram rapidez de processos e maior objectividade ao nosso jogo colectivo. Já tínhamos encostado o Tondela ao seu reduto: faltava só marcar. E assim aconteceu. Levamos 38% dos golos marcados (17 em 45) após o minuto 80. Será só "estrelinha"? Tenho a certeza que não.

 

Da eficácia da equipa. Duas oportunidades claras de golo, uma das quais aproveitada. Ambas por Tiago Tomás: desperdiçou a primeira, concretizou a segunda. Continuamos muito próximos da eficiência máxima. Em evidente contraste com o que sucedia noutras épocas.

 

Da aposta deliberada na juventude. Terminámos o jogo com Tiago Tomás (18 anos), Nuno Mendes (18 anos), Gonçalo Inácio (19 anos), Daniel Bragança (21 anos), Matheus Nunes (22 anos), Jovane (22 anos) e Bruno Tabata (23 anos). Com outros treinadores, estavam na bancada. Ou andavam a "rodar" por outros clubes.

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos sem derrotas à 23.ª jornada. Uma marca que iguala o melhor registo de sempre do Sporting nesta fase de um campeonato nacional de futebol. Se há palavra que dá motivação a uma equipa e alegria aos verdadeiros adeptos, é esta: a palavra invictos.

 

De já somarmos 61 pontos. Correspondentes a 19 vitórias e quatro empates. Ultrapassámos a classificação de toda a época passada, quando faltam ainda 11 jornadas para concluir a Liga 2020/2021. Lideramos o campeonato há 17 jornadas. Estamos a oito vitórias de nos sagrarmos campeões.

 

De nos mantermos como equipa menos batida. Sofremos apenas 11 golos em 23 desafios já disputados. Menos de meio golo por jogo. Um dos nossos melhores registos defensivos de sempre.

 

 

Não gostei
 

 

Do 0-0 ao intervalo. Primeira parte com pouca acutilância ofensiva, quando tínhamos os corredores tapados pela boa organização defensiva do Tondela. Nesse período abusámos da troca de bola entre os nossos defesas, com sucessivos atrasos ao guarda-redes, na aparente (e fracassada) tentativa de chamar a equipa adversária ao nosso meio-campo. E nunca tentámos o remate de meia-distância para quebrar a muralha. O espectáculo foi prejudicado. Felizmente o mais importante acabou por se conseguir, na etapa complementar. 

 

Da ausência de Paulinho. É verdade que já temos um ponta-de-lança. Mas, por enquanto, só em teoria: o ex-avançado do Braga continua lesionado e ficou fora da convocatória para este jogo. Faz cada vez mais falta.

 

De Nuno Santos. Recuperou a titularidade, mas acabou por ser rendido aos 60': teve um desempenho muito abaixo daquilo a que já nos habituou. Os corredores estavam muito bem cobertos pelos defensores adversários e não teve engenho para procurar outros espaços, fora da sua zona de incursão habitual. Deu lugar a Daniel Bragança, quando Amorim percebeu que tinha de desembrulhar o jogo. 

 

Do amarelo a Coates. O nosso capitão, que andava há várias jornadas em risco de ser excluído, recebeu ontem o quinto cartão. Vai ficar fora da próxima partida, frente ao V. Guimarães em Alvalade.

O dia seguinte

Sabia que não ia ser fácil e não foi nada fácil. Este Tondela "ibérico" foi crescendo durante a temporada e ontem foi muito competente. Mais uma vez Rúben Amorim precisou de recorrer ao plano C (de Caos, de C... vamos a eles) para conseguirmos sair com os 3 preciosos pontos.

Foi um jogo de sentido único, com o Sporting a querer construir com critério, circulando bem a bola e falhando muito poucos passes, e o Tondela num pressing intenso a todo o campo que originava situações de contra-ataque perigosas. Neste tipo de jogos muita falta faz o tal ponta de lança alto e forte: Tiago Tomás muito lutava mas quando a bola lhe chegou pelo ar redondinha e pronta a facturar, mostrou mais uma vez que não é ele o tal.

Os minutos foram passando, o Tondela foi cedendo fisicamente, e Rúben mexeu muito bem na equipa, dando-lhe uma energia nova que ajudou a que novos espaços fossem encontrados. Dum aproveitamento de Pedro Gonçalves veio então o golo do Tiago, que se redimiu assim do falhanço anterior.

 

Melhores do lado do Sporting? Claro que o TT pelo que lutou e pelo golo que marcou, Palhinha e Nuno Mendes. 

Mais uma vez, duma forma competente e eficaz, o Sporting atingiu o seu objectivo, sem penáltis oferecidos por seus ex-jogadores, sem favores arbitrais, antes pelo contrário, com uma equipa assente na prata da casa e que custa metade das dos dois rivais.

Este treinador e esta equipa merecem todo o nosso apoio. Não vale a pena colocarmos exigências descabidas senão parecemos aquele pobre habituado a sardinha de lata a quem saiu a lotaria e que depois, no melhor restaurante, protesta sobre a frescura do "robalo ao sal". Mas se calhar é apenas este nervoso miudinho que se está a apoderar de nós, o desgaste de toda a temporada a fazer-se sentir, o estamos perto mas nunca mais lá chegamos. A "última milha".

Temos que pensar como o Carlos Lopes: demos o esticão, ganhámos vantagem, vamos em primeiro, mantemos a passada, tranquilos e serenos. Os outros que corram atrás se quiserem e puderem.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Amanhã à noite em Tondela

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(Há um ano e pouco, o "apoio" das claques à equipa traduziu-se neste cenário de guerra em Tondela, ainda por cima uma terra e uma zona de Sportinguistas: uma força da GNR impressionante, com uma dezena de carrinhas, brigada de intervenção, cães e cavalos)

 

Ultrapassado que foi muito a pulso o primeiro adversário do ciclo "acessível",  Santa Clara (C), Tondela (F),  Guimarães (C), Moreirense (F), Famalicão (C), Farense (F) e B-SAD (C), vamos amanhã "à minha terra" ou pelo menos perto dela, a Tondela, defrontar uma equipa que vencemos tranquilamente na 1.ª volta, mas que tradicionalmente nos coloca bastantes dificuldades em sua casa.

Nos últimos cinco anos - e só não estive presente no primeiro, que foi em Aveiro - os resultados foram 3V e 2D, 2-1 (Jesus), 4-1 (Jesus), 2-1 (Jesus), 1-2 (Keizer) e 0-1 (Silas). Duas das nossas vitórias foram conseguidas mesmo em cima do apito final, Adrien (95') e Coates (99'). Este último jogo foi particularmente deprimente: uma equipa do Sporting numa ilusão táctica de construção pseudo-inteligente, completamente pastosa e inconsequente, com os minutos a passar sem nada acontecer, e um Tondela bem fechado à espera que qualquer coisa de bom acontecesse. E aconteceu mesmo de bom para eles no final, muito oferecido por um Ristovski completamente incapaz de fazer o que faria um defesa e impedir o cabeceamento à vontade do formado em Alcochete Bruno Wilson. 

Felizmente, com excepção de Paulinho, não existem lesionados nem infectados. Todo o plantel está disponível. Foi uma semana com dois dias de folga, pelo que controlo do desgaste não deve haver, jogarão os melhores.

 

Imagino que Rúben Amorim convoque os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Neto, Coates, Feddal, Inácio, Matheus Reis e Quaresma.

Alas: Porro, Nuno Mendes e João Pereira.

Médios Centro: Palhinha, João Mário, Bragança e Matheus Nunes.

Interiores: Pedro Gonçalves, Jovane, Nuno Santos e Tabata.

Ponta de lança: Tiago Tomás.

E apostava no onze ultimamente mais utilizado :

Adán; Inácio, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, João Mário e Nuno Mendes; Pedro Gonçalves, Tiago Tomás e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Tondela para ultrapassar a equipa local e manter a vantagem pontual na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

#OndeVaiUmVãoTodos

 

PS: Na última jornada ninguém previu uma ala direita composta por Matheus Nunes e Tabata, e a verdade é a coisa não correu muito bem por aquele lado.

SL

Prognósticos antes do jogo

Agora cada jogo, para nós, equivale a uma final. É um lugar-comum do futebolês que neste caso se aplica inteiramente. Depois de amanhã iremos a Tondela defrontar a equipa local, que segue em décimo lugar no campeonato. 

É um estádio que nos traz más recordações. Basta recuar a 3 de Novembro de 2019, quando ali perdemos 0-1, era a nossa equipa ainda dirigida por Silas - recém-despedido do aflito Famalicão. Uma partida em que Miguel Luís falhou um golo cantado aos 33', Bruno Fernandes estava em dia de disparar para fora e os centrais Ilori e Coates se entretinham a trocar 66 vezes a bola. Enquanto o baralhado técnico, a necessitar com urgência de desfazar o nulo inicial, trocava Luiz Phellype - nosso único ponta-de-lança - pelo inútil Jesé. O golo adversário surgiu de livre, aos 88', marcado por Bruno Wilson, ex-jogador da formação leonina.

O jogo começa às 20.30 de sábado. Quais são os vossos prognósticos para este Tondela-Sporting?

O melhor prognóstico

Pela segunda jornada consecutiva, dois adeptos de apelido Correia vencem esta habitual ronda de prognósticos. 

Garanto aos habituais cultores de teorias da conspiração que não se trata de qualquer caso de nepotismo. Posso, portanto, dar os parabéns inteiramente à-vontade aos leitores Albertina Correia de Carvalho e Carlos Correia, que acertaram no 4-0 do Sporting-Tondela.

Aplicado o critério do desempate, referente aos marcadores dos golos, a vitória nesta jornada é atribuída a Albertina Correia de Carvalho. Que não apenas antecipou o resultado como acertou nos marcadores de dois dos golos - Pedro Gonçalves e Sporar. Merece louvor.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

Nota-se alegria nos jogadores

Texto de David Craveiro

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Temos matéria-prima para fazer um brilharete no campeonato.

A equipa tem algo que já nao via há muito tempo: vontade de jogar à bola, diferente de vontade de jogar futebol. Nota-se alegria nos jogadores. Nota-se que gostam de fazer o que fazem. Lutam e "vão a todas" com a irreverência da juventude.

Temos bastantes opções do meio-campo para a frente. Penso que Rúben Amorim tem de começar a treinar um sistema sem Palhinha pois mais jornada menos jornada teremos de ir a jogo sem ele. Aliás, nota-se a marcação cerrada que os árbitros lhe começam a mover.

 

Relativamente ao jogo [Sporting-Tondela] e aos jogadores:

Adán: fraco no jogo de pés, a sair da baliza e a fazer a mancha

Feddal: tem sido o melhor da defesa. Fraco passe curto mas bom passe longo. Pode dar-nos muitas oportunidades de golo em jogos em que estejamos a ganhar e em que o lançamento do contra-ataque seja feito em passe longo (como no terceiro golo)

Neto: ontem [anteontem] muito seguro, quer defensivamente quer com bola nos pés, a que não será talvez alheio o facto de estar João Mário no meio-campo a vir atrás buscar jogo. Também lhe vi fazer dois ou três bons passes longos.

Coates: mais uma vez o pior da defesa. Passes comprometedores e mau posicionamento defensivo nomeadamente na linha de fora de jogo. Esse posicionamento tinha-nos valido sofrer um golo não fossem os 11 centímetros (com que aliás não concordo, devia haver tolerância correspondente à margem de erro).

Sporar: muito bem nas movimentações, na recepção de bola e sua entrega, a abrir espaços para a entrada dos companheiros de equipa. Menos bem na finalização mas todos sabemos que um ponta-de-lança quando tem confiança faz a baliza ficar maior. Há-de lá chegar.

 

Quanto ao resto não vou particularizar pois todos estiveram muito bem. Uma nota para o acréscimo de classe que João Mário traz.

 

Texto do leitor David Craveiro, publicado originalmente aqui.

Um passeio em Alvalade

Foi uma noite tranquila que tivemos ontem em Alvalade, contra um adversário que se espalhou pelo terreno todo libertando o talento dos nossos jovens, os lances de golo foram-se sucedendo, a falta de pontaria dos nossos e o engenho ou a sorte do guarda-redes deles ditaram o resultado final. A Bola conta 21 remates enquadrados do Sporting contra um do adversário. Tratou-se dum Tondela tenrinho, bem diferente para pior daqueles de Petit, Pepa ou do espanhol do ano passado que nos roubaram pontos preciosos, desde logo com aquele golo a cair do pano em Alvalade no primeiro ano de Jorge Jesus que deu o empate.

Teríamos sido campeões com esses dois pontos.

 

Mas também fizemos por isso. Rúben Amorim acudiu às nossas preces e voltámos a ter ponta de lança.

Numa simulação Sporar começou por dar o golo a marcar a Pedro Gonçalves que falhou na cara do guarda-redes, esteve no seu sítio no 1.º golo, se calhar teria sido penálti se o Pedro não tivesse marcado, assistiu para o 2.º, marcou o 4.º. Ainda falhou um golo que não devia falhar, mas lutou muito e foi a referência atacante que faltava. João Mário voltou aos tempos de voz de comando do meio-campo, como fazia na equipa B anos atrás, com a classe do campeão europeu que é (salvo no capítulo do remate), Tiago Tomás foi um operário muito útil na faixa direita, e Pedro Gonçalves (a melhor aquisição do Sporting depois de Bruno Fernandes?) mais uma vez fez a diferença.

 

Todos os outros estiveram mais ou menos bem, Porro e Palhinha mesmo muito bem, e os três defesas cumpriram a sua missão,  Coates conseguiu mesmo provocar o fora de jogo que evitou o golo contra.

Até nas bolas paradas estivemos bem, criando perigo nessas situações com Coates a falhar o alvo por muito pouco numa delas. Onde continuamos a não estar bem é nos remates de longe, ou por falta de sorte, ou de treino, ou de jeito ou doutra coisa qualquer.

Uma palavra para a arbitragem, sóbria e competente, nos antípodas dos artistas de apito na boca que sempre nos enviam. Nada a dizer sobre os amarelos. Completamente escusados nos casos de Matheus Nunes e Nuno Santos.

 

Enfim, há dias assim, têm sido é muito poucos. Aproveitemos o momento, mas não nos esqueçamos que o caminho é longo e difícil, a começar pelo Guimarães. E o Braga continua próximo.

2.ª feira, 2 de Novembro de 2020: o Sporting a liderar  a 1.ª Liga. Quem diria?

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Desta goleada em casa. Derrotámos por 4-0 o Tondela, equipa que nas cinco épocas anteriores viera empatar três vezes em Alvalade. Triunfo claro e sem a menor margem de discussão do onze leonino, que só peca pela escassez dos números: face às oportunidades criadas, com domínio total da nossa equipa, poderíamos ter vencido por sete ou oito. Não marcávamos quatro golos na Liga há 11 meses, desde a vitória frente ao Santa Clara, nos Açores, na primeira volta do campeonato anterior.

 

Da exibição. O Sporting não empolgou apenas pelo resultado, mas também pela exibição, a melhor desde que o actual técnico foi contratado. Conjunto organizado, com boas movimentações colectivas, simplicidade de processos e sem perder de vista a baliza adversária. Também a evoluir na condição física, após os percalços iniciais desta temporada. É uma equipa jovem, coesa, confiante, ambiciosa - e que promete ir longe, sob a condução de Rúben Amorim. Que hoje apostou num onze titular com nove jogadores que há um ano não integravam o plantel principal leonino: só Coates e Neto já cá estavam. Mas todos parecem jogar juntos há muito tempo. E mostram uma alegria em campo que vem contagiando os adeptos.

 

Das mudanças na equipa. Amorim deixou no banco Jovane, Matheus Nunes e Nuno Santos, por opção técnica, fazendo alinhar Sporar, João Mário e Tiago Tomás. Acerto do treinador, em termos globais: a equipa funcionou com mais acutilância do meio-campo para a frente, como os números bem demonstram.

 

De Pedro Gonçalves. Alguém tinha dúvidas de que era mesmo reforço? Se tinha, já as dissipou. O jovem ex-Famalicão marcou mais dois golos - os nossos primeiros nesta partida, aos 45' e aos 49', ambos à ponta-de-lança. Terceiro jogo consecutivo a facturar. Destaca-se já como o nosso artilheiro desta época, ainda no início: cinco golos só à sua conta. E continua em excelente nível nos duelos individuais. Volta a ser o melhor em campo.

 

De Sporar. Falhou algumas oportunidades claras nesta sua primeira actuação como titular em 2020/2021, mas foi sempre um elemento de grande utilidade no ataque leonino. Fez a assistência para o segundo golo com um cruzamento perfeito e marcou enfim, acreditando sempre, aos 90'+3. Era a referência no ataque posicional que estava a faltar ao jogo do Sporting. Útil também no trabalho sem bola, arrastando marcações e abrindo opções de passe. 

 

De Porro. Outro reforço que já ninguém se atreve a discutir. O jovem internacional sub-21 espanhol traz um evidente acréscimo de qualidade em relação às anteriores opções leoninas naquela posição - basta lembrar Bruno Gaspar, Ristovski e Rosier para se fazer a comparação. Hoje esteve em três dos quatro golos. No primeiro, centra com precisão milimétrica. No segundo, inicia o lance com um passe vertical de 40 metros junto à linha que Sporar recolheu lá à frente, livre de marcação. E o terceiro é dele, na sua estreia como goleador de verde-e-branco, com um remate de primeira aos 79', após centro de Nuno Santos. Excelente exibição - mais uma. 

 

De João Mário. Pura classe em campo. Faz toda a diferença termos de novo um campeão europeu na nossa equipa. Alinhando pela primeira vez a titular, desde o seu regresso ao Sporting, o médio criativo traz um futebol artístico mas também eficaz, imprimindo fluidez ao jogo leonino e funcionando como referência para os mais jovens, incutindo-lhes confiança e espírito de grupo. Tentou, sem conseguir, o golo de meia-distância. Mas foi dele a assistência para o quarto, no último minuto da partida, com um passe longo a isolar Sporar. É um prazer vê-lo de volta a uma casa onde foi muito feliz.

 

Da contínua aposta na formação. Outros prometeram sem cumprir, mas Amorim continua firme nas suas convicções nesta matéria. Entre titulares e suplentes, havia 11 elementos oriundos da Academia de Alcochete convocados para este Sporting-Tondela.

 

Da veia goleadora da equipa. Levamos 15 golos marcados à sexta jornada - tantos, até agora, como o Benfica e o FC Porto. Continuamos a marcar pelo menos dois em cada ronda do campeonato. E permanecemos invictos, com cinco vitórias e um empate.

 

De ver o Sporting em primeiro. Pelo menos por 24 horas, à condição, lideramos isolados a Liga 2020/2021. Algo que já não acontecia desde o início do campeonato 2016/2017. E levamos seis pontos de avanço ao FC Porto. Uma diferença inédita, à sexta ronda, desde que as vitórias passaram a valer três pontos, na já longínqua temporada 1995/1996.

 

 

Não gostei
 

 

Do tardio golo inicial. O marcador só foi inaugurado nos instantes finais da primeira parte, quando já tínhamos criado 12 oportunidades e pensávamos ir para o intervalo com o resultado ainda em branco. Muito desperdício, sobretudo nessa fase da partida. O remate vitorioso de Pedro Gonçalves acabou por funcionar como uma espécie de saca-rolhas, pondo fim à débil oposição do Tondela, que desta vez não nos causou qualquer verdadeiro problema em Alvalade. Se não marcámos mais cedo, foi só por alguma falta de pontaria - e graças à excelente exibição do guarda-redes Pedro Trigueira.

 

Dos cartões amarelos. É incompreensível que o Sporting, sendo apenas a 13.ª equipa mais faltosa da Liga portuguesa, seja a primeira em número de cartões. Desta vez o árbitro exibiu mais três - um a Palhinha, outro a Matheus Nunes (que rendeu o primeiro aos 66'), outro a Nuno Santos (em campo também desde os 66', tendo substituído Tiago Tomás). Balanço: 21 amarelos à sexta jornada. Parece uma turma de vândalos, mas nada pode estar mais distante da realidade. É apenas consequência do duvidoso critério dos senhores do apito, que teimam em inclinar o campo, sempre em benefício dos mesmos.

 

Do público mantido à distância. Continuamos escorraçados do nosso estádio. O mesmo estádio que, apesar da pandemia, chegou a ter cinco mil espectadores num recente Portugal-Suécia, disputado a 14 de Outubro, com organização da Federação Portuguesa de Futebol. Mas para o campeonato, prova organizada pela Liga, nem cinco são admitidos nas bancadas de Alvalade. Alguém consegue descortinar o menor sentido nesta absurda discriminação imposta pelas mesmas autoridades sanitárias que há poucos dias autorizaram 27 mil pessoas no autódromo de Portimão? Eu não. 

Soube a pouco

Desculpem lá mas este resultado contra o Tondela foi escandaloso. Podia e devia ter sido 8 ou 9 a zero, pelo menos. 

Sporar, que foi maravilhoso nas 3 assistências que fez a Pedro Gonçalves, a primeira bastando abrir as pernas deixando-lhe a bola limpa e a baliza escancarada para Pote falhar, não pode desperdiçar tantas oportunidades e até o golo que acabou por marcar foi às 3 pancadas. João Mário, formidável de lucidez e visão como maestro, não pode atirar tantos remates para a cadeira 17 da fila 21 do topo norte.

O Tondela, fosse por uma táctica aparvalhada fosse por desmembramento provocado pelo carrossel sportinguista, ficou tão escachado como um peru de Natal - fizemos o que nos apeteceu dele. Aquilo por volta do minuto 60' já não era futebol, era matrecos, com tiro atrás de tiro ao boneco. Lembrava o BrasilxAlemanha do mundial de 2014.

Este é o melhor Sporting dos últimos 5 anos, mesmo com jogadores que aparentemente chegaram ao limite das suas capacidades como Jovane ou Matheus (comparável à homeopatia: gosta-se dele por crença não por prova) e um TT que ainda está aquém da média do colectivo (mas a este tudo se perdoa, pois se não jogar não evoluirá como promete.)

A diferença que um Palhinha faz: por ali não passa nada, ali tudo começa. E a surpresa que Nuno Santos é: parecia ter vindo para ser suplente e conquistou o lugar de maneira indiscutível, mesmo que só jogue 20'.

Por fim comprova-se que ser sportinguista é mesmo maldição: agora que daria tanto gozo ir aos jogos é quando não podemos.

Prognósticos antes do jogo

Sexta jornada do campeonato: vamos já de passo acertado com as restantes equipas após a vitória de quarta-feira perante o Gil Vicente. Mais logo, a partir das 20 horas, o estádio José Alvalade - novamente sem público, por não se tratar de jogo da selecção nacional - será palco de novo desafio: desta vez recebemos o Tondela.

Na época anterior, a turma beirã foi derrotada. Por 2-0, com golos de Jovane (remate indefensável, de livre directo) e Sporar. Poderá repetir-se o triunfo leonino, por esta ou outra marca?

Aguardo com expectativa os vossos prognósticos.

Amanhã à noite em Alvalade

Ultrapassados com algumas ou muitas dificuldades Santa Clara e Gil Vicente, vai agora o Sporting receber o Tondela, terceiro desafio da tal sequência de quatro jogos acessíveis que o Sporting tem que aproveitar para integrar os lugares da frente. Para já, e ganhando, ficamos isolados na segunda posição. Mas não vai ser fácil.

O Tondela tem sido nos últimos anos uma pera dura de roer para o Sporting, os empates e derrotas têm acontecido. Nesta altura, e por aquilo que sei, é uma SAD detida por espanhóis, com treinador igualmente espanhol, mais uma daquelas situações que levantam muitas dúvidas e que só o tempo virá dizer se foi uma boa solução para o clube daquela terra, que por acaso também acaba por ser a minha, através dos meus pais. E onde sempre vou ver o Sporting jogar com a equipa da casa.

Nos últimos três jogos Rúben Amorim repetiu o onze inicial, e se no penúltimo tinha previsto que tal seria, neste último falhei e foram Salgas e David Rodrigues que acertaram. Parabéns. A grande dúvida para este jogo é se Amorim vai voltar a repetir o onze inicial.

Como de costume nestes posts, não faço ideia quem vão ser os convocados, mas lesionados - tirando o LP29 - não deve haver: o 15.º jogador, o Covid, se calhar passou-se para o Dragão (vamos ver). Castigados, os árbitros têm feito o seu melhor para que isso aconteça, mas ainda não há afastamentos por acumulação de cartões. Imagino então que sejam mais ou menos os seguintes:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Quaresma, Coates, Neto, Feddal e Inácio.

Alas: Porro, Nuno Mendes e Antunes.

Médios Centro: Palhinha, Bragança, Matheus Nunes e Pedro Gonçalves.

Interiores: Tiago Tomás, Jovane e Nuno Santos.

Ponta de lança: Sporar.

 

O último jogo tornou óbvia a falta de Sporar no onze. Por outro lado, Neto esteve abaixo do exigível, Matheus Nunes não pode jogar sempre a alta rotação, alguma rotatividade deverá existir, e João Mário também precisa de minutos para recuperar o tempo perdido.

Por isso a minha aposta seria:

Adán; Quaresma, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, João Mário e Nuno Mendes; Pedro Gonçalves, Sporar e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Alvalade para tentar alcançar a quinta vitória na Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

SL

Os melhores prognósticos

Não há fome que não dê em fartura: depois de duas rondas consecutivas em que não houve um único palpite certo na nossa habitual ronda de vaticínios, desta vez registámos vários vencedores. Ei-los, por ordem alfabética: Áurea, CAL, Carlos Estanislau Alves, Edmundo Gonçalves, José Vieira, Leonardo Ralha, Manuel Parreira, Pedro Batista e Ricardo Roque

Aplicado o critério de desempate, relacionado com os marcadores dos golos, esta lista encolheu para quatro finalistas. Cá estão eles: Áurea, Edmundo Gonçalves, Manuel Parreira e Ricardo Roque.

Parabéns a todos.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados esta noite. Vitória incontestável do Sporting no Estádio José Alvalade frente ao Tondela, que há duas semanas tinha encostado o Benfica às cordas na Luz. Ganhámos por 2-0, resultado construído ainda nos 45 minutos iniciais, totalmente dominados pela nossa equipa, sempre com boa circulação de bola. Primeira parte de grande intensidade, com pressão alta e posse em progressão; segunda parte de gestão competente do esforço. Confirmando que o Leão é, entre os três grandes do futebol português, o emblema que surge em melhor forma nesta "terceira volta" da Liga 2019/2020.

 

De Jovane. Novamente o melhor em campo. Segundo jogo consecutivo a marcar, segundo jogo a apontar o golo de livre directo, com uma bomba indefensável que contornou a barreira adversária e se foi anichar ao fundo das redes, deixando o guardião de pés no solo. Dos nossos quatro golos de livre registados neste campeonato, metade têm já a assinatura do jovem caboverdiano, que ontem colocou o Sporting a vencer logo aos 13' - algo que não acontecia há oito meses. Primoroso pormenor técnico, servindo Nuno Mendes de calcanhar dentro da área (29'). Derrubado várias vezes em falta, fez amarelar dois jogadores do Tondela.

 

De Sporar. Voltou a fazer o gosto ao pé, apontando mais um golo. Desta vez de grande penalidade, com irrepreensível frieza, aos 31'. Já leva três marcados nos últimos três jogos. E agora esteve quase a carimbar mais um na sequência de um slalom com a bola dominada, partindo os rins à muralha defensiva adversária, aos 60': só lhe faltou melhor pontaria no momento do remate.

 

De Max. Outra exibição muito positiva, conferindo tranquilidade à equipa. Não falhou uma saída de bola com os pés, demonstrando que continua a aproveitar da melhor maneira as sessões de treino. Muito concentrado, saiu bem aos 51', neutralizando um ataque do Tondela. Defesa segura entre os postes, aos 63'. Aos 84', desviou um tiro disparado de fora da área com um pormenor técnico que comprova a sua classe. 

 

De Eduardo Quaresma. Terceira partida completa deste central, ainda júnior mas que não se atemoriza por integrar um trio defensivo com um colega que tem o dobro da idade dele (Mathieu, com 36). Impecável no passe, na dobra, no desarme - sem nunca recorrer à falta. Impressiona a maturidade do jovem que há poucos meses dava nas vistas só na Liga Revelação. Em boa hora foi promovido à equipa principal, contribuindo para a nossa boa organização no bloco mais recuado.

 

Da estreia de Nuno Mendes a titular. O lateral esquerdo, que hoje festeja 18 anos e se prepara para ver reforçado o seu vínculo contratual ao Sporting, actuou desta vez desde o início e cumpriu a missão, cabendo-lhe a pesada responsabilidade de substituir o lesionado Acuña. Não se resguardou em terrenos recuados: foi acutilante na pressão ofensiva no seu corredor. E chegou até a levar perigo à grande área do Tondela, numa excelente tabelinha com Jovane da qual nasceu o penálti que originou o nosso segundo golo. Exibição muito positiva.

 

Da aposta na formação. Rúben Amorim fez alinhar oito jogadores sub-23 no onze titular (só Mathieu, Coates e Sporar destoaram). Confirmando assim que, enquanto alguns dos seus antecessores em Alvalade prometiam sem cumprir nesta matéria, ele vai cumprindo sem necessidade de grandes promessas. É preferível assim: o caminho faz-se caminhando, não se faz com proclamações retóricas. 

 

Do bom aproveitamento das bolas paradas. Um golo de livre, outro de penálti. Ainda nos lembramos do tempo, aliás muito recente, em que éramos incapazes de aproveitar estes cruciais momentos de cada jogo.

 

Que o Sporting tivesse somado a sexta vitória consecutiva em casa. E este foi também o quarto jogo seguido sem sofrermos um golo para o campeonato no nosso estádio. Fica o registo: triunfos sobre o Marítimo (1-0), Portimonense (2-1), Boavista (2-0), Aves (2-0), Paços de Ferreira (1-0) e agora Tondela (2-0). Os três primeiros ainda sob o comando de Silas, os mais recentes já com Amorim na liderança técnica. Dez golos marcados e apenas um sofrido. 

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora treze jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses treze tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista três vitórias (Aves, Paços de Ferreira e Tondela) e um empate (em Guimarães).

 

 

Não gostei
 
 

Da ausência de espectadores. Num estádio como o nosso, com capacidade para cerca de 50 mil espectadores, não pode haver qualquer motivo de estrita ordem sanitária que impeça a ocupação de um quinto destes lugares, todos ao ar livre. Os adeptos do futebol continuam a receber um tratamento discriminatório em relação aos cidadãos que usufruem outros espectáculos no mesmo país e na mesma capital que se preparam para receber, já no próximo mês, a "final a oito" da Liga dos Campeões. É inaceitável.

 

Do "caso Mathieu", que afinal não era caso algum. Alguns jornais e certos canais de televisão passaram toda a semana a intoxicar leitores e espectadores com "notícias" sobre um alegado conflito entre o internacional francês e o treinador, não faltando até quem especulasse que o defesa central não voltaria a calçar no Sporting. Afinal não só regressou, na condição de titular, como fez uma partida ao seu nível e até demonstrou boa forma física durante mais de uma hora (deu lugar a Borja aos 75').

 

Do árbitro Manuel Oliveira. Tem nome de cineasta, mas não faz filmes. Só fitas. E fífias. Prejudicando com frequência o Sporting. Hoje deixou por apitar dois penáltis claros: o primeiro sobre Jovane, tocado no pé de apoio em zona proibida logo aos 2' quando fazia uma incursão perigosa no reduto adversário; o segundo sobre Coates, agarrado e derrubado em falta, aos 49', na grande área do Tondela.

O segredo

É melhor escrever isto agora antes que tenha razão para me arrepender.

Vi nesta primeira parte contra o Tondela coisas que já não via a equipa do Sporting fazer talvez há mais de um ano. 

O princípio é simples: cada jogador que recebe a bola tem sempre duas ou mais opções de passe diante dele. "Diante" precisamente, e não atrás ou ao lado. Isto permite que tenha havido mais passes certos do que talvez toda a primeira volta e que cada jogador saiba sempre o que fazer.

Os peritos de sofá gostam muito de rabiscar linhas no papel como se futebol fosse matrecos e gaguejar uns números como se o futebol fosse um indicativo telefónico. Ora a táctica é uma batata, o que conta é a dinâmica. E a dinâmica resulta de 3 coisas - treino, treino e treino. Quer dizer que era isto que faltava, talvez porque não havia quem o soubesse fazer.

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