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És a nossa Fé!

Desculpem, pode parecer deslocado, mas...

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Lembro-me bem dele, quando (eu) era apanha-bolas no meu União e o facto de ter jogado pelo nosso rival (sendo campeão por dois anos consecutivos) não me impede de relembrar e homenagear aqui um grande jogador e um homem de fibra, que nos deixou ontem, vítima de avc. É também um regresso à minha infância e juventude, quando o União andava entre os grandes e se batia galharda e valentemente em todos os campos.

 

Eu até pensava que fosse do vinho

A gente era todos sportinguistas.

Combinámos que cada um levava da sua "pinga" nova e cada um levava do que tivesse para "fazer bóia". Ele era nozes, ele era amêndoas, ela era passas de figo, ele era passas de uva, ele era bolos dos santos, ele era castanhas, ele era presunto, ele era queijo. Houve alguém que teve o bom senso até de levar umas romãs e uns diospiros. E pão!

Lá se montou a pantalha e aquilo foi uma continuação do almoço e estava tudo tão entusiasmado nas provas dos brancos e dos tintos, que as três chegaram e quase que nem demos pelo início da partida. O ambiente era bastante húmido, tanto em Viseu, como lá fora na rua, que chovia que Deus a dava e também lá dentro, que a gente bem ia molhando a palavra a bom ritmo.

"É pá, não jogamos nada", lá dizia um mais insatisfeito, ind'aquilo tinha acabado de começar (salvo seja!); "Ó pá, deixa q'eles cansam-se e a gente apanha-os à mão", lá respondia outro mais optimista (e caçador de prato). E o jogo foi decorrendo e o tinto e o branco correndo e a "bóia" fazendo a sua função. "O careca não percebe nada disto, atão o Jefferson, um cepo?" e o rapaz, só pra chatear, vai de centrar com conta, peso e medida, para o... coiso, a mandar lá p'ra dentro. Claro que o desgraçado que teve a infelicidade de proferir aquela frase lapidar teve que dar a volta à mesa e servir os restantes de mais uma rodada, p'ra castigo, que não se "invoca" assim o nome de Jefferson em vão! Mas logo a seguir, Bruno Fernandes, que nos pareceu naquele momento ter bebido mais que os dez todos juntos que ali estávamos, estrambelhou e deixou fugir uma bola que por culpa de Bruno Gaspar (faziam-lhe falta umas pingas, para arribar) e também de Renan, que ficou nas covas (provando que o que é de encosta é muito melhor), deu o golo do empate para a segunda equipa de Carlos Lopes. Belo golo, por sinal! "Ó pá, tenham calma, que eles cansam-se, já disse"... "Mas agora vem o intervalo e eles descansam", replicou outro que não deixou de lembrar que as brasas estavam prontas para os rins e o fígado de porco. "Mas eu não vou lá, que eu a grelhar é mais ou menos como o Petrovic a defender."  E lá veio a segunda parte, com o rim e o fígado temperados com azeite, alho e vinagre e uma pitada de coentros que alguém disse que não se podiam gastar muito porque "são verdes". Mai'nada! 

Com mais ou menos atenção "é pá, de quem é este? ganda vinho!", e as nozes e as amêndoas a desaparecerem e as castanhas a estalarem nas brasas, Jefferson lá fez um dos 527 cruzamentos que costuma fazer mal, mas só que desta vez outra vez bem e o... coiso, aquele rapaz holandês que o Jesus ensinou a andar (ele é que disse, não me venham cá com coisas), catrapimbas lá p'ra dentro outra vez. O gajo que disse mal do Jefferson... pois, outra volta à mesa, p'a não se armar em parvo!

E ainda o gajo não tinha servido todos (alguns mexem-se, para o arbitro repetir, que é que pensam?) já o Bruno Fernandes tinha curado a bubadêra e fez ali uma tramóia com o... coiso, aquele rapaz, pois aquele que o Jesus, sim! e marcou o terceiro assim meio de trivela, só para me chatear a mim e a mais dois ou três que insistíamos em afirmar que o gajo não estava em campo, estava era escondido atrás do tonel (não confundir com Tonel, p.f.).

Estava o Zé a pedir "um branquinho agora, para limpar o palato" (fino, o menino...), quando o Nani, que só para chatear não quis ser o melhor mas quis rimar, ofereceu um golo cantado a Diaby e assim, entre uma passa de figo e uma castanha, já estávamos a vencer 4-1. "Eu não disse que eles se cansavam?" Esse não se cansou, não levantou o cu do banco nem no intervalo, mas só pela tirada filosófica, foi condenado a lavar a loiça (eram os copos e pouco mais) no final, que não acabou com o jogo em Viseu, tenham calma, que a seguir jogava a "nossa" Juve, ou melhor o "Ronaldo FC". 

Tenho a dizer em defesa de todos, que apesar das divergências de opinião, todos os vinhos passaram na prova com distinção e todos somos sportinguistas, "à mesma".

E como disse um, "nem c'agente purdesse, conte mais ganhando!" É assim, tudo acaba bem quando se ganha 5-1!*

 

*Contem lá com o golo do Ronaldo, s.f.f.

 

 

{ Blog fundado em 2012. }

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